NO 3 NOVEMBRO DE 2016
EXEMPLAR DE
ASSINANTE VENDA PROIBIDA
ECONOMIAS SE DINAMIZAM COM PROJETOS INOVADORES GESTÃO Conversa com CEOs. Compliance. Connection Washington. Risco tributário. Ergonomia. Tecnologia. Terror x Turismo.
NEGÓCIOS EBM. Fast Açaí. IPOG. Support.
COLUNISTAS Fernando Dantas. Leandro Coutinho. Rogério Borges.
Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 1
Orientar Executar Revisar Rua C-145, Q. 378, L. 08, Jardim América, Goiânia, Goiás • CEP 74255-500
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Publicidade relativa ao veículo Nissan Kicks 1.6 SL. Consulte a disponibilidade dos itens de acordo com as versões em www.nissan.com.br. Para informações sobre o consumo, acesse www.inmetro.gov.br e www.conpet.gov.br. *Vencedor dos seguintes comparativos: revista Quatro Rodas (edição 685, agosto/2016), Globo.com (seção “Carros”, 19/7/2016), UOL (seção “Carros”, 20/7/2016), Jornal O Globo (20/7/2016), Folha.com (seção “Rodas”, 24/7/2016), Jornal do Carro (20/7/2016), revista Car and Driver (edição 104, agosto/2016), dentre outros.
EDITORIAL LEANDRO RESENDE - CEO e Diretor de Redação
Empresários
desempregados
Há alguns anos, peguei um táxi em São Paulo e, como já esperava, a viagem do aeroporto ao hotel, que ficava na Berrini, no Bairro do Brooklin, seria longa. Dia tenso e congestionado na capital paulista. Após passar o nome do hotel de destino ao taxista chamado José Antônio (se a minha memória não me trair), um senhor de uns 60 anos, de pronto, iniciou as primeiras e tradicionais perguntas: De onde vem? Quantos dias vai ficar? Já conhece a cidade? Qual... Mas, logo uma primeira grande surpresa. “Eu trabalhei muitos anos em Goiás. Terra boa, tenho saudade”, disse. O assunto começou a ficar interessante. Jornalista, quando abre espaço, encaixa suas perguntas. O senhor, que já ostentava mais cabelos grisalhos que pretos, contava sua experiência no Centro-Oeste. Ele disse que trabalhava no setor atacadista-distribuidor, isso pelos anos de 1980, e um amigo lhe convidou para mudar para Goiás e trabalhar no Alô Brasil, antiga empresa do Grupo José Alves, que atuava no varejo e no atacado, setor que liderava nacionalmente. Ele veio, se empregou no Atacadão do Alô Brasil, e, depois de algum tempo, conseguiu ascensão na empresa. Se não me engano, ele ocupava algum cargo gerencial da área logística. José Antônio disse que logo apareceu a oportunidade de abrir uma empresa e prestar serviço para parceiros do grupo que trabalhavam e algumas empresas de Anápolis. Saiu do Alô Brasil, abriu sua empresa, financiou caminhões, fe-
CEO E DIRETOR DE REDAÇÃO Leandro Resende
Fernando Maia Helenir Queiroz José Alves Filho GESTOR DE NEGÓCIOS Leandro Coutinho Jun Hasegawa Leandro Resende Pedro Bittar PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Salvador José Pinto Neto Dobson Borges Zander Campos Júnior CONSELHO EDITORIAL Beyle de Abreu Freitas Carlos Luciano M. Ribeiro Christiano Quinan
TEXTOS Carla Oliveira Iara Nunes Leandro Resende
Luisa Dias COLUNISTAS Fernando Dantas Leandro Coutinho Rogério Borges PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Juliano Rodrigues ILUSTRAÇÃO Antônio Carlos Schonarth
chou com vários clientes e já comemorava os primeiros resultados. Veio o Plano Collor, em 1992, meses depois que sua empresa entrou em operação. Com o dinheiro confiscado pelo governo, a empresa de José Antônio durou poucas semanas. Sobrou apenas a dívida e o sentimento de fracasso. Perguntei como terminou a história dele: “Entrei em falência. Eu e a empresa. Meu casamento acabou. Voltei para São Paulo e, sem dinheiro, voltei a morar com meus pais. Entrei em depressão. Minha família se uniu e, anos depois, comprei este táxi. Eu sonho ainda com minha empresa, mas não quero mais.” A triste história (real) deste ex-empresário é um roteiro comum. A crise econômica e os desajustes fiscais e monetários mataram muitos sonhos, projetos e abrem uma reflexão: a incrível força do setor público para dinamizar ou enterrar a economia. Este é um dos temas desta edição. Após o pobre debate que tivemos nas eleições municipais deste ano, fomos buscar soluções pelo mundo que movimentam a economia de grandes metrópoles. A Leitura Estratégica apresenta ainda perfis inspiradores (EBM, Support, Fast Açaí e IPOG), investimentos como o GynTec e o Órion, e temas relevantes, como compliance, gestão tributária inteligente, ergonomia e conversas com CEOs, com o FMI, EY, Novo Mundo e Treze Capital. Boa leitura.
FOTOS E TRATAMENTO Renan Accioly Joãozimar Oliveira APOIO OPERACIONAL Izabela Pavetits Jéssica Adriani Lorena Resende SITE E REDES SOCIAIS Aristeu Livingstone (Actio Digital) www.leituraestrategica.com.br
GRÁFICA POLIGRÁFICA
A Leitura Estratégica é uma publicação da 11 Editora, marca da Contemporânea. O conteúdo dos artigos e colunas é de responsabilidade dos autores.
CONTATOS Redação - Pautas 9125-9526 jornalismo@leituraestrategica.com.br
Comercial - anúncios 9976-4582 comercial@leituraestrategica.com.br
Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 7
CARTAS CARTAS, E-MAILS E MENSAGENS ENVIADAS À LEITURA ESTRATÉGICA
TEMPERO REGIONAL
DIRECIONADA
O que chamou minha atenção na Leitura Estratégica foi a fácil leitura, tópicos interessantes e o mais importante, curtos, direto ao assunto. A qualidade gráfica é boa. Não sei se o foco da revista é ser regional, se for está bem direcionada, mas para atingir um público nacional, tem de ter uma mescla nos temas, pois pelo que percebi e li, tem várias pessoas e empresas de Goiânia e Brasília. Cristiano Lourenço, diretor comercial da Harley-Davidson do Brasil
VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES Empresas nunca estiveram tão vulneráveis a ataques e roubos de dados
NO 2 JUNHO DE 2016
EXEMPLAR DE
ASSINANTE VENDA PROIBIDA
Christiano Quinan, CEO da The1
REPORTAGENS FECHA UMA EMPRESA POR HORA EM GOIÁS. O EFEITO MALÍGNO DOS JUROS. OS ESTRANGEIROS. CONNECTION DUBLIN. LÍDER ZUMBI, TURISTA E VIAJANTE? CARRÃO USADO. TURISMO EM CUBA. PERFIS USE MÓVEIS. PIZZERIA CENTO E DEZ. COLUNISTAS. ROGÉRIO BORGES. LEANDRO COUTINHO. LeituraFERNANDO Estratégica | Junho deDANTAS. 2016 . 1
RECOMENDAÇÃO
FERRAMENTA
A publicação tem um visual moderno e direto, com muitas notícias do meio empresarial e econômico. É uma ferramenta de trabalho que nos proporciona conhecer mais de perto as empresas. Excelente conteúdo. Eduardo Assis, gerente Banco Safra
OBRIGATÓRIA
A Leitura Estratégica é uma revista de leitura obrigatória para quem tem sede de informações, empreender, aprender e investir neste nosso Estado inovador. Parabéns à equipe pelo excelente formato de revista e por nos aproximar de grandes referências no meio empresarial. Aliás, também por valorizá-las, . Alexandre Caixeta, diretor da Juceg e produtor rural
CORREÇÃO Diferente do que saiu na edição anterior, a idade correta do presidente do Goiás Esporte Clube, Sérgio Rassi, é 53 anos. FALE COM A LEITURA ESTRATÉGICA Envie sua opinião, criticas e sugestões para a publicação por e-mail (leitor@leituraestratégica.com.br), WhatsApp (62 99976-4582) ou mensagem no Facebook (facebook.com/Leitura-Estrategica). Informe ainda seu nome, cidade onde mora e cargo-empresa. Por motivos de clareza ou espaço, textos poderão ser publicados resumidamente. Para contatos comerciais, use o e-mail comercial@leituraestrategica.com.br.
8 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
A revista Leitura Estratégica é um revista contemporânea, que traz um conteúdo de mercado para leitura de fato, estratégica, e que acima de tudo prestigia o empresariado goiano, traz o tempero regional, mas com vertente nacional.
A Leitura Estratégica é uma leitura analítica que faltava no nosso cenário empresarial. Na era da informação instantânea, a revista cumpre seu papel ao ir além da notícia, com matérias que não se limitam a mostrar o que a internet já divulgou há algum tempo. Provocativa, a revista mostra a importância do debate local para o aprimoramento do nosso ambiente de negócios e assim se posiciona com muita personalidade, desenvolvendo raciocínio cristalino que pode servir de guia de negócios ao empresariado. Por tudo isso, eu, como presidente do Fórum de Comunicação de Goiás (Forcom), não hesitaria em recomendar essa mídia para empresas que buscam tanto a valorização de sua imagem como a venda de produtos e serviços para um target da mais elevada qualificação. Marco Antonio Chuahy, publicitário e presidente do Forcom Goiás
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em desenvolvimento econômico do país.* População: 530 mil habitantes PIB: R$ 9,9 bilhões 3º do estado - (IBGE-2013) PIB per capita: R$ 19.774 (IBGE-2013) Crescimento de ICMS de 2009 a 2014: 296% 5 polos industriais 13 mil empresas e 964 estabelecimentos industriais
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* Pesquisa “As melhores cidades para os negócios”, realizada pela consultoria Urban Systems e publicada na revista Exame (30/04/2014).
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“Cresci em Petrópolis (RJ), onde vivia num mundo de fantasias. Aos seis anos, dois fatos e duas marcas me fizeram decidir o que queria para minha vida. Ao ir a um jogo do Flamengo, no Maracanã, eu observava mais as pessoas do que o futebol. E ganhei uma máquina Kodak, que usava para registrar tudo. Meu pai me ensinou a usá-la estudando o manual de instruções. Foi quando decidi que iria buscar um ‘manual do ser humano’ e que a psicologia seria o caminho.”
“Meu sonho era trabalhar para a maior marca do mundo sem sair de Goiás, uma oportunidade que a Refresco Bandeirantes me trouxe. Lembro a primeira vez que tomei CocaCola, ainda na década de 1950. Um primo que trabalhava na FAB trouxe o refrigerante em um voo do Nordeste, mas chegou aqui sem gás e quente. Só mais tarde, eu a conheci gelada e notei o sabor da marca. Sou fã do produto e guardo muitas lembranças da empresa que a produz em Goiás, onde trabalhei parte da minha vida e me aposentei.” Beyle de Abreu Freitas, 77 anos, aposentado, foi vice-presidente da Refresco Bandeirantes e é escritor
Helena Ribeiro, 53 anos, acionista do Grupo EMPZ
MEMÓRIA As histórias da maioria das empresas se perdem, quase nunca são contadas. Exemplo evidente de um País que pouco ou em nada valoriza suas empresas. Esta coluna resgata boas experiências e lembranças de clientes, funcionários e proprietários, que citam marcas que permanecem em sua memória décadas depois. Conheça os relatos de quatro personalidades do mundo dos negócios sobre empresas que fizeram parte de suas vidas, em momentos diferentes.
“Minhas lembranças estão na moda, área que atuo até hoje. Eu trabalhei como estoquista e depois gerente de uma loja multimarcas, chamada Libertè, do grupo Richard Martin, na T-2. Foi uma escola para mim. Depois abri a minha primeira loja, na Galeria Cinema 1, há 23 anos, local que sempre foi uma referência para a moda em Goiânia. Foi um sonho realizado, um divisor de águas na minha vida” Ivana Menezes, 45 anos, empresária e fundadora de rede de lojas de moda que leva seu nome
“No início da minha carreira profissional, em 1976, trabalhei na Politec, que prestava serviço na área de tecnologia em todo Brasil. Naquela época, era voltada para governos e bancos. Foi meu primeiro emprego. Eu trabalhava como digitador. A empresa ficava no Setor Aeroporto, próximo à Praça do Avião. Na época, eu estava fazendo Engenharia Elétrica, na UFG. E isso definiu meu rumo profissional, pois passei a trabalhar na área de TI" Antônio Pereira Júnior, 61 anos, engenheiro eletricista e diretor de Relações Institucionais da OI Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 13
ANO I - No 03
26|
Cidades Inteligentes é um novo conceito em urbanismo no mundo. Fomos atrás de alguns projetos revolucionários
REPORTAGENS 34 | CONNECTION WASHINGTON
46 | EBM
Nesta edição, a coluna vai a Washington e conversa com o americano Ethan Weisman, economista que atua no Fundo Monetário Internacional (FMI)
A história da EBM, da primeira obra, Edifício Himalaia, há 35 anos, a mais de 155 empreendimentos e 2,2 milhões de metros quadrados construídos
36 | RECUPERAÇÃO E DÍVIDAS
50 | ERGONOMIA
O novo presidente da Ernst Young (EY) no Brasil, Luiz Sérgio Vieira, fala com exclusividade com a Leitura Estratégica sobre crise e recuperação
Senta, levanta, senta... agonia dos colaboradores no escritório pode ter um só motivo: móveis sem a ergonomia ideal
38 | COMPLIANCE
52 | CONVERSA COM CEOS
O compliance deixou de ser teoria para ser uma necessidade para as empresas. No mesmo caminho, as regras de Pessoas Politicamente Expostas
Antonio Neto, da Treze Capital, e Carlos Luciano Ribeiro, do Novo Mundo, batem um bom papo sobre negócios, liderança, mão de obra e crise
42 | MENOR RISCO TRIBUTÁRIO
55 | SUPPORT AUTOMAÇÃO
Empresas goianas desenvolvem plataforma que monitora e valida operações fiscais, minimizando os riscos tributários para os negócios
Empresa pioneira em automação industrial no Estado conta sua trajetória e detalha como se deu a evolução das indústrias por outro ângulo
14 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
NOVEMBRO | 2016 59 | PARQUE TECNOLÓGICO Iniciativa privada investe em projeto que deve transformar a indústria da tecnologia no CentroOeste, com Instituto GynTec e Hub da Inovação
60 | COMPLEXO ÓRION Novo complexo hospitalar de Goiânia, o Órion Business e Health Complex consolidará a capital no cenário da assistência à saúde
65 | IPOG Novos conceitos, uma grande história. O IPOG está sempre um passo a frente do seu tempo. Comemora 15 anos e alia conhecimento técnico e humanístico
69 | FAST AÇAÍ Empresa lançada há 4 anos, a Fast Açaí já soma mais de 135 lojas no Brasil e, agora, chega aos Estados Unidos - com internacionalização da marca
COLUNAS 8 | CARTAS 13 | MEMÓRIA
TERROR ATACA O TURISMO 80 | Ao programar a viagem, se pergunte: Qual a chance de um terrorista atrapalhar suas férias?
16 | INDEX 19 | DIRETORIA Com Leandro Coutinho
62 | EXECUTIVOS 72 | BRAND 74 | GESTÃO RURAL Com Fernando Dantas
76 | OLHAR Com Rogério Borges
OPINIÕES 86 | PEDRO BITTAR 87 | ALLAN PIRES 88 | JOSÉ MARIO SCHREINER 89 | DOBSON BORGES 90 | ANDRÉ MACIEL
CALVÍCIE??? 82 | O cabelo caiu? Novas técnicas, como o transplante, podem fazer ele voltar Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 15
INDEX EMPRESAS, INSTITUIÇÕES E EXECUTIVOS CITADOS NA EDIÇÃO
EMPRESAS A ABF Centro-Oeste 63 ABNT 50, 51 Abraccio Cuccina Italiana 24 ACE Goiânia 58, 59 Aceleratech 58 Acieg 53, 85 Acttive 18, 24, 54 ADAMA 63 ADIAL 58 Adubos Sudoeste 20 AE3 Loteamentos 47 AER44 24 Agrex 63 AirBnB 54 AJE Goiás 58 Allen-Bradley 55, 56 Alô Brasil 7 AmBev 21 Ancar Ivanhoe 64 Anjos do Brasil 58 Aparecida Shopping 9, 10, 11, 12, 64 Apple 87 Arisco 55 Asban 24 Asespro 58 BCD Banco do Brasil 74 Banco Mundial 34 Banco Safra 8 Blue Tree 62 Brasal Incorporações 64 BRS Capiaçu 74 BTG 53 Buriti Shopping 24 Cade 20 Canndu 72 Cantagalo 22 Caracal International 64 Cargill 54 Casa da Moeda 46 CasaDigital BSB 63 Casas Bahia 20 Castro’s Park Hotel 21 Ceabra 24 CEF Madri 63 CityBridge 28
16 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
CMC/BCI 58, 59 CNA 88 CNJ 41 Codem 32 Codese 29, 32 Cofco Agri 22 Colégio Maria Betânia 85 Colégio Protágoras 85 Coliseu Joalheria 24 Comtec 58 Comunitas 32 Connected Smart Cities 29 Consciente Construtora 64 Consulado da Espanha 64 Coremec 40 Crool 63 Daia 64 Danglar Luxury Story 21 Deloitte 62 Disney 54 Ducati Brasil 64 EF EasyCrédito 62 EBM 1, 7, 14, 46, 47, 48, 49 Eguru 21 Emater Goiás 74 Embrapa 71, 74 Encol 46 Enredo 71, 72 Época Decorações 53 Ernst Young (EY) 7, 14, 36 Esade Business School 88 Estanplana 62 Euroamérica 23, 64 FAB 13 Faculdade Esup FGV 58 Faeg 88 Fast Açaí 1, 7, 15, 69, 70, 71 Favo de Mel 22 Fesap Group 63 FGR Urbanismo 42 Fieg 24 Flamboyant Shop. Center 20, 21,24 FMI 14, 34, 35 Forcom Goiás 8 4True 42, 43, 44 FR Incorporadora 60 FranklinCovey Brasil 67 Frísia Cooperativa 24 Fundação Certi 59 Fundação Dom Cabral 64
IPOG u
1, 7, 65, 66, 67, 68
GHI Gaia Agribusiness 62 Galeria Cinema 1 13 Gávea 24 Gazin Atacado 21 Globaltec 43 GM 56 Goiás Esporte Clube 8 GPL 64 Grupo EMPZ 13 Grupo Jaime Câmara 63 Grupo José Alves 7 Grupo LVMH 21 Grupo Pão de Açúcar 20 Grupo Privé 19, 64 Grupo Rio Quente 62 Grupo Votorantim 53 GVC Engenharia 60 GynTec 15 Harley-Davidson 8 Harvard 67 Heineken 24 Hering 21, 22 Hermes Pardini 24 HIG 21 Highstil 24 Hospital Albert Einstein 60, 61 Hunan Dakang 22 Hypermarcas 20 IBMEC 64 IDC 26
i-Hunter 62 Iguatemi DF 24 Imobiliary Engenharia 46, 47, 49 Instituto Gyntec 58, 59 Instituto Mauá de Tecnologia 46 InVivo 24 ISHRS 82 Itss SAP 18, 24, 54 Ivana Menezes Store 13, 24 JKLM JFC 56, 57 Joule Engenharia 59, 60 Juceg 8 Kodak 13 Laboratório Padrão 24 LG - Lugar da Gente 21, 62 Logiport 22 Lon Tour Turismo 81 Mapah 43 Marol 2, 3, 38, 39 Máxima Sistemas 45, 63 MaxxSoft 75 MBM 78 MC Construções 91 Mega Moda Shopping 53 Metal Leve 55, 57 Microsoft 62 Minimize 3D 58 Ministério da Educação 67 Ministério da Relações Exteriores 80
Ministério Público 41 MGC 85 Moinho Vitória 44 Montreal Colchões 53 Multidata 24, 54 NOP Neovia 24 New Comunicação 54 Novo Mundo 7, 14, 52, 53, 54 Nubah Restaurante 64 Nuon 32 Nutrizon 24 Oi 13 OMS 61 Órion 7, 15 PA Latinoamericana 87 Pantanal Shopping 53 ParkShopping Brasília 24 Parque Tecnológico de Goiânia 58, 59 PC Sistemas 63 PEGN (revista) 62 Pike Research 26 Pink Elephant Lounge 21 Pobre Juan 20 Polo Empresarial de Aparecida 57 Politec 13 Ponto Frio 20 Porcão 22 Porto Seco Centro-Oeste 22 Posé Beleza 63
Provenda 71 PUC-GO 49 QRS Qualitec Asfaltos 37 Randon Implementos 74 Real Hotel Executive 24 Rede Atlântida 60 Reckitt Benckiser 20 Rede Globo 21 Rede Sol 24 Refrescos Bandeirantes 13 Reposit 63 Richard Martin 13 Rockwell 56, 57 Rodovalho Advogados 40 Saint Gobain 63 Saga Malls 64 Saga Nissan 4, 5 Santander 21 SAP Brasil 62 SBT 21 Sebrae Goiás 58, 59 Sebrae Londrina 58 Senar Goiás 88 Senior Advanced 6 Shopping Pier 21 22 Sicoob Unicentro Brasileira 33, 62 Sifaeg/Sifaçúcar 63 Simeon 73, 89 Sincor-GO 64 Sindinformática 58 Slaviero 62 Sogitso 22 Solpar 58 Soluti 42 STF 41 Studio Brokers 90 Support Automação 1, 7, 14, 55, 56, 57 T Tag Heuer 21 Targit 87 Terral 64 The 1 8 Tiesiju Civil Engineering 22 Town 64 Treze Capital 7, 14, 52, 53, 54, 92 Tribo do Açaí 70 Tron 43, 59 Tropical Urbanismo 58, 59, 60 Trupe do Açaí 70
Uber 54, 87 Uberpool 87 UFG 13, 49, 58 UFRGS 62 UNB 80 UOL 63 URBS RT 64 Use Móveis 50, 51 USP 49, 62, 67 Vale 21 Valetur 64 Via Varejo 20 Vivence Hotéis 62 Você S/A 63 WYZ WhatsApp 63 w3nete 2 Yara International 20 Zona Franca de Manaus 54
Belisário Lima (Fast Açaí) 70, 71 Bento Odilon Moreira (EBM) 46 Bento Odilon M. Filho (EBM) 47, 48 Beyle de Abreu Freitas 7, 14 Breno Machado (GJC) 63 Carl Honoré 84 Carlos Luciano Ribeiro (Novo Mundo) 7, 14, 52, 53, 54 Cassiano Medeiros (Crool) 63 Cassius Pimenta (Marol) 38, 39 Ciro Rocha (Enredo) 73 Cláudia Vobeto (Posé e ABF) 63 Cleber Cardoso (Grupo Privé) 64 Cristiano Câmara (GJC) 63 Cristiano Lourenço (Harley-Davidson) 8 Christiano Quinan (The 1) 7, 8 Daniela Mendonça (LG) 62 Denise Lima (Tag Heuer) 21 Diego Borghi (Ducati) 64 Dobson Borges (Simeon) 7, 15, 73, 89 EF Eduardo Assis (Banco Safra) Égio Júnior (EasyCrédito)
8 62
EXECUTIVOS A Adriana Mendes (Máxima) 63 Adriana Weisman (Banco Mundial) 34 Adriano Moura (LG) 62 Alexandre Caixeta (Juceg) 8 Allan Pires (PA Latinoamericana) 15, 87 Ana Luiza Masagão (Rio Quente) 62 Ana Paula Bulus (CasaDigital) 63 André Luis (Pink Elephant Goiânia) 21 André Maciel (Studio Brokers) 15, 90 André Rocha Lima (Sifaeg) 63 Ângela Carvalho (Danglar) 21 Antonino Labate (Ducati) 64 Antônio Cândido (Canndu) 72 Antônio Marçal (Grupo Privé) 64 Antonio Neto (Treze) 14, 52, 53, 54 Antônio Pereira Júnior (Oi) 13 Arthur Lehneman (Unicentro) 62 Ary Alencastro Veiga (Imobiliary) 46 Augusto Bouhid 30 BCD
Élbio Moreira (EBM) 46, 47, 48, 49 Eron Martins (Adama) 63 Ethan Weisman (FMI) 14, 34, 35 Euclides Barbo (Maria Betânia) 85 Fábio Leal (Aparecida Shopping) 64 Flávio Lima (Danglar) 21 Flávio Monteiro (Rio Quente) 62 Flávio Rodovalho (Rodovalho Adv) 40 Felipe Pinho da Costa (Tropical) 59 Fernando Coe Razuk (EBM) 48, 49 Frank Campos (Órion) 60 Frederico Coelho (Crool) 63 Frederico Junqueira (Fast Açaí) 70, 71 GHI Gabriel Ferreira Teles Gabriel Franco (Support) Gelson Ozório (Tron)
79 56, 57 58
Giovanna Rodrigues (Lon Tour) 81 Girlaine Caldas (Saga Malls) 64 Gustavo Gontijo (Enredo) 73 Gustavo Teixeira (LG) 62 Hamad Al Almere (Caracal) 64 Helder Kamei (IPOG) 67 Helena Ribeiro (Grupo EMPZ) 13 Hugo Machado (Canndu) 72I
Ivana Menezes (Ivana Menezes) 13, 24 JL Jaime Câmara Júnior (GJC) 63 José Alves Filho(Grupo José Alves) 7 José de Alencar (Cantagalo) 22 José Eduardo Silva (Ceabra) 24 José Franco Júnior (Support) 55, 56, 57 José H. Germann (Albert Einstein) 61 José Lima (Logiport) 22 José Louis Essabbá (LG) 62 José Mário Schreiner (Faeg) 15, 88 Josué Alencar (Cantagalo) 22 Juan Zamora (Euroamérica) 64 Julie Vieira (Enredo) 73 Jun Hasegawa (JH Consultoria) 7 Lair Hanzen (Yara) 20 Leandro Baptista (Brasal) 64 Leandro Carioni (Certi) 59 Leonardo Barros (Reposit) 63 Leonardo Oliveira (IPOG) 66, 67, 68 Leonardo Massuda (Fesap) 63 Lucas Peixoto (Enredeo) 73 Luciano Meira (IPOG) 67
Luiz Sérgio Vieira (EY)
14, 36
MO Manoel Esteves (4True) 42, 43 Marco Antônio Chuahy (Forcom) 8 Marco A.. Palmerston (Privé) 19, 64
Marcos Araújo (Protágoras) 85 Marcos B. Campos (CMC/BCI) 59 Marcos Tortoza (Moinho Vitória) 44 Maurício Duarte (GJC) 63 Maurício Lima (Fast Açaí) 70, 71 Marrone (Favo de Mel) 22 Murilo Franco (Support) 56, 57 Olavo de Castro (Castro’s) 21 Olivier Deslovere (Nubah) 64 PR Paulo Iudicibus (LG) 62 Paulo Resende (Use Móveis) 50, 51 Paulo Santana (IPOG) 66, 67, 68 Pedro Bittar (MGC) 7, 15, 86 Pedro Lima (Fast Açaí) 70, 71 Pedro Pietrafesa 80, 81 Rafael Meirelles 82,83 Rafael Rabelo (Consciente) 64 Raimundo Nonato (Unicentro) 62 Regina Esteves (Comunitas) 32 Renato Correia (Codese) 29, 32 Reilly Rangel (GynTec) 58, 59 Ricardo Teixeira (URBS RT) 64 Rildo Gomes (4True) 43 Roberto Pessoni (Vivence) 62 Rodrigo Marx (FGR Urbanismo) 42 Rodrigo Meirelles (EBM) 48, 49 ST Salvador José Pinto Neto (Galeria) 7 Sérgio Ozório (Sebrae Londrina) 58 Sérgio Rassi (Goiás E.C.) 8 Thiago Amaral (Pink E. Goiânia) 21 Thiago Cavalcanti (Gaia) 62 Thiago Rodrigues (Enredo) 73 Vz Vitor Reis (Máxima) 63 Zander Campos Júnior (Cannes) 7 Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 17
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DIRETORIA LEANDRO COUTINHO | diretoria@leituraestrategica.com.br
Grupo Privé: R$ 811 milhões em investimentos em Caldas Novas Com seis hotéis e três parques aquáticos em Caldas Novas, o Grupo Privé abre detalhes do plano de expansão para os próximos anos. Segundo o grupo, quatro novos empreendimentos serão inaugurados entre 2017 e 2019 em um cronograma de investimentos que alcança R$ 811 milhões. Dentre os meios de hospedagem planejados, três serão resorts de alto padrão. Com esses projetos serão acrescidos 1.351 apartamentos à atual oferta hoteleira de duas mil unidades. Com atuação também nas áreas de entretenimento, cotas e loteamento imobiliário, a divisão de hospitalidade faz jus ao novo investimento. Segundo o balanço da corporação, 43% do total do faturamento é oriundo dos meios de hospedagem. "A presença cada vez mais constante de Caldas Novas no mapa de férias dos brasileiros, aliada ao crescimento de 37,5% do faturamento da nossa divisão de hotelaria nos últimos três anos, foi determinante para viabilizarmos essa expansão", reforça Marco Aurélio Palmerston, vice-presidente do grupo. Na imagem acima, os hotéis e parques da rede em Caldas Novas.
De 2013 para 2015, a receita hoteleira saltou de R$ 40 milhões para R$ 55 milhões, com projeção de atingir R$ 67 milhões em 2016. No ano passado, mais de 750 mil clientes se hospedaram nos seis hotéis em operação. Pelo planejamento, projetase para o primeiro semestre do ano que vem a abertura do Ilhas do Lago Eco Resort, orçado em R$ 220 milhões. Esse empreendimento fica às margens do lago Corumbá, em Caldas, e conta com 360 apartamentos, distribuídos numa área superior a 72 mil m2, com quatro ilhas de entretenimento. Para o segundo semestre, está prevista a entrega do Alta Vista Thermas Resort, situado no ponto mais alto de Caldas Novas. Nessa empreitada, o grupo está investindo R$ 125 milhões. São cinco torres com seis andares cada, construídas em uma área de 29 mil m2. No fim de 2019 será a vez do Praias do Lago Eco Resort, orçado em R$ 321 milhões, também na região do Lago de Caldas e que reunirá 517 apartamentos configurados com um ou dois quartos, em uma área de 41 mil m2. O último desse cronograma é o Varandas Thermas Park. Serão 219 apartamentos, com investimento de R$ 145 milhões. Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 19
DIRETORIA
YARA COMPRA GOIANA ADUBOS SUDOESTE A centenária empresa norueguesa Yara International, que atua em 160 países, comprou a goiana Adubos Sudoeste, de Catalão. O valor do negócio não foi revelado, mas o vice-presidente da multinacional, Lair Hanzen, destacou que “Goiás responde por grande parte da produção das principais culturas de exportação brasileira, como soja e milho, e é um Estado fundamental para os planos da companhia no País.” A Adubos Sudoeste foi montada por um grupo de empresários goianos, em 1999, abrindo unidades em Catalão (GO), Paranaguá (PR), Rosário do Catete (SE) e Rondonópolis (MT). O foco da empresa é atender culturas de soja, milho, feijão, tomate, batata, cebola e alho, do Estado de Goiás – apesar de parte das 300 mil toneladas de fertilizantes da Adubos Sudoeste também ser direcionada para o Tocantins. POBRE JUAN NO FLAMBOYANT Após adiamento e expectativas, o restaurante Pobre Juan vai abrir suas portas no Flamboyant Shopping Center. Com mais de uma dezena de casas pelo País, o restaurante paulista de carnes argentinas desembarca no cerrado goiano.
VIA VAREJO EM HIDROLÂNDIA Goiás recebeu parte do pacote de R$ 13 milhões em investimentos em centros de distribuição e logística da Via Varejo, empresa do Grupo Pão de Açúcar (GPA), com a construção de uma unidade em Hidrolândia – já em operação. Com 28 mil m2 , atende clientes do Centro-Oeste para as lojas Casas Bahia e Ponto Frio.
HYPERMARCAS, SEM CAMISINHAS A venda da divisão de preservativos e lubrificantes da goiana Hypermarcas para o grupo britânico Reckitt Benckiser foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas com restrições. Para assumir as novas marcas Olla, Jontex e Lovetex, os britânicos terão de vender a marca KY no Brasil para um terceiro concorrente, para evitar maior concentração de mercado. O valor da negociação foi próximo de R$ 675 milhões, fechado no início deste ano. A Reckitt Benckiser já era dona da marca Durex, que ganhou espaço nesta área nos últimos anos, e juntos, com a KY, lidera o mercado de lubrificantes íntimos. 20 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
TAG HEUER, NA DANGLAR Os irmãos e empresários Flávio Lima (foto) e Ângela Carvalho inauguraram o espaço TAG Heuer, na Danglar Luxury Story, no Flamboyant Shopping Center. A diretora comercial da marca, Denise Lima, visitou o novo espaço e aposta no sucesso do investimento da marca em Goiás. A TAG Heuer é uma empresa suíça conhecida por fabricar relógios desportivos e cronógrafos topo de gama, sendo indicados tanto para homens como para mulheres. Muitos dos seus relógios são à prova de água para uma profundidades até 200 metros. TAG Heuer faz atualmente parte do Grupo LVMH. GAZIN ATACADO A Gazin Atacado inaugurou, em Ipameri, o seu 14º centro de distribuição no País. Reconhecida como uma das maiores atacadistas de eletro no País, a empresa paranaense também atua no varejo, com 230 lojas em sete Estados, nenhuma em Goiás, e cinco indústrias de colchões. O faturamento do grupo chega a R$ 3,5 bilhões. A unidade goiana recebeu mais de R$ 100 milhões em investimentos e deve gerar mais de 700 empregos.
PINK GYN Os empresários André Luis de Carvalho e Thiago Amaral comemoram em dezembro o primeiro ano da Pink Elephant Lounge Goiânia, franquia da boate nova-iorquina, instalada no Setor Marista. Para André Luiz, a expectativa é que o mercado de entretenimento tenha uma expansão gradativa durante os próximos dois anos. A casa oferece um espaço versátil, moderno e elegante, com capacidade para 450 pessoas, seis camarotes e espaço externo com deck.
LG COMPRA EMPRESAS A empresa goiana especializada em software para gestão de RH, LG Lugar da Gente, comprou 65% da Eguru, que é especializada em soluções de gestão de aprendizado com forte ênfase no conceito de gamificação dos processos de recrutamento e treinamento. O valor do negócio não foi revelado, mas a intenção é adquirir os 35% restantes em até cinco anos. A LG, que tem como sócio o fundo americano HIG, deve chegar a um faturamento de R$ 100 milhões e tem como clientes empresas como AmBev, Rede Globo, Hering, Santander, SBT e Vale. A aposta da LG é evoluir na forma como as empresas consomem treinamentos, investindo nas pessoas conforme suas necessidades individuais. O grupo goiano é o maior provedor nacional de sistemas ‘core’ RH, com soluções de folha, ponto, benefícios. Antes, já haviam adquirido a w3net, líder de sistemas de gestão de capital humano em SaaS. A Eguru é líder em games corporativos no Brasil. CASTRO´S Concebido pelo empresário mineiro radicado em Goiânia Olavo de Castro para ser o primeiro 5 estrelas da capital, o Castro’s Park Hotel se mantém na posição com foco no atendimento de excelência aos hóspedes e lança cerveja e novo cardápio para comemorar. As três décadas de luxo, eventos inesquecíveis, momentos e tradição na história de Goiânia foram comemoradas no dia 8 de novembro. Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 21
DIRETORIA FAVO DE MEL Aberta há um ano, a churrascaria premium Favo de Mel, no Setor Sul, em Goiânia, comemora os bons resultados e estuda abrir uma nova unidade. O alvo seria Brasília. O sertanejo Marrone, um dos sócios do restaurante, já estaria em conversações com empresários do DF. Entre as locações avaliadas para a instalação da nova Favo de Mel , próximo ao Shopping Pier 21, cogita-se onde funcionou o Porcão. Donos do espaço admitem que houve interesse, mas negociação não avançou.
HERING A Cia. Hering concentra maior parte da sua produção de moda em Goiás. E a participação do Estado deve aumentar, pois a empresa catarinense recebeu autorização de investimento de R$ 631 milhões do governo goiano, para ser pago até 2040. Recursos serão aplicados na unidade industrial de São Luís de Montes Belos.
SOGITSO A briga das empresas orientais deve crescer com a expansão das chinesas em Lucas, pois já havia desembarcado empresas japonesas e que tem forte atuação na região. Uma delas é a Sogitso, sócia da Cantagalo, de Josué Alencar, filho do ex-vicepresidente José Alencar.
LOGIPORT Investidores portugueses, brasileiros e holandeses estão construindo um polo logístico em Porto Nacional (TO), ao lado do pátio da ferrovia Norte-Sul e próximo à futura hidrovia do Rio Tocantins. O investimento será de R$ 300 milhões – sem um real de recurso público. Para o executivo da Logiport, José Lima, este será o maior condomínio multimodal da América Latina. “E vamos instalar outros polos logísticos pelo País.”
GOIÂNIA-BRASÍLIA E os chineses não estão de olho apenas no agronegócio. A obra do trem de passageiros que ligará Goiânia-Anápolis-Brasília – aquele mesmo que nunca sai do papel – interessa aos chineses. O Grupo Tiesiju Civil Engineering, que esteve em Goiás buscando dados técnicos e negociando contrapartidas do governo goiano, informou que o projeto seria prioridade para os US$ 45 bilhões que os chineses vão investir no Brasil.
MATOPIBA A plataforma tocantinense pretende ser suporte para produção dos Estados conhecidos pelo algoritmo Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A referência do Logiport é o Porto Seco Centro-Oeste, de Anápolis, mas com área 20 vezes maior. 22 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
COFCO AGRI Algumas empresas chinesas anunciaram que vão ampliar investimentos na região de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, entre elas a Cofco Agri, controlada pela estatal de alimentos da China, e a Hunan Dakang, gigante chinesa do agronegócio, que tem participação em empresas na cidade e quer adquirir outras na região – que produz 100 milhões de toneladas de grãos por ano.
RODOVIAS Não será surpresa se os chineses entrarem de sócios em rodovias já federalizadas. Concessionárias de rodovias, nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, precisam de capital novo para atender a demanda de investimentos dos contratos. Situação é crítica.
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O EuroHouse mostrou a Goiânia um novo conceito de viver bem. O condomínio de 40 sobrados foi pensado para oferecer mais qualidade de vida em todos os detalhes, com espaços amplos e áreas de convivência surpreendentes. E tudo isso entregue rigorosamente no prazo previsto. Esse é o jeito EuroAmérica de viver a melhor versão de tudo que sua família sempre sonhou. Sem perder tempo.
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DIRETORIA IVANA MENEZES OUTLET Criada há 21 anos pela empresária Ivana Menezes, a multimarcas acaba de lançar a Ivana Menezes Outlet que oferece um mix variado de grifes nacionais e internacionais, curadoria especializada e descontos de até 70%. A loja está localizada na Rua 143, no Setor Marista, em Goiânia. REAL HOTEL EXECUTIVE Aparecida recebe seu primeiro hotel de categoria executiva, o Hotel Real Executive, situado ao lado do Buriti Shopping. O novo negócio, que tem 107 apartamentos, restaurante e espaço para eventos para 60 pessoas, pertence à Rede Sol de hotéis e motéis, que atua há 27 anos na Grande Goiânia. ITSS SAP + ACTTIVE Acttive, empresa de tecnologia ligada à Multidata, foi vendida e sua operação e sua equipe incorporada à ITSS SAP. A ideia é implantar entre as duas empresas um sistema de cross selling, pois muitos clientes Acttive usam SAP, assim como os clientes da ITSS precisam de soluções oferecidas pela Acttive. NEOVIA A empresa rondoniense Nutrizon, que produz rações para aquicultura, foi comprada pelos franceses da InVivo, por meio da subsidiária brasileira do grupo da Neovia, que atua no segmento de nutrição e saúde animal. Valor do negócio não foi revelado. HEINEKEN A nova unidade da Heineken no Brasil, que está sendo construída em Goiás, reforça a e stratégia de expandir produção de marcas mais baratas, como Sol e Amstel. Estão sendo investidos R$ 650 milhões em Itumbiara. LABORATÓRIO PADRÃO Uma disputa interna familiar no laboratório de diagnóstico Hermes 24 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
MADE IN RUA 44 O Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros em Goiás (Ceabra), a Associação dos Bancos do Estado de Goiás (Asban) e a Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), em evento na Fieg, debateram ações e projetos para criação de um turismo de compras entre Goiás e África, tendo a região da Rua 44 como principal destino. De acordo com o presidente do Ceabra, José Eduardo Silva, a República do Congo está entre os dez países africanos que mais compram produtos fabricados em Goiás. “Estamos caminhando, inclusive, para a criação de uma Câmara Internacional de Comércio Goiás/África, que inclui participação de várias entidades."
Pardini, dono do Laboratório Padrão, em Goiás, deixa o mercado atento aos movimentos do setor – com o já declarado interesse de acionista, como o fundo Gávea, de deixar o negócio, que é o terceiro maior grupo do País. Goiânia é o segundo maior mercado do Hermes Pardini, com relevante participação de mercado – que afirma ser de 50%. A compra da empresa goiana ocorreu em 2013 e valor do negócio não foi divulgado. HIGHSTIL Há 47 anos atuando no mercado de moda masculina, a Highstil inaugurou loja no Flamboyant. A marca, que tem como grande diferencial a produção vertical, é 100% nacional. FRÍSIA A paranaense Frísia Cooperativa Agroindustrial inaugurou sua primeira unidade de armazenamento de grãos
no Tocantins, investimento de R$ 25 milhões e capacidade inicial de armazenar 28 mil toneladas de grãos, mas foi projetado para duplicar essa capacidade. COLISEU JOALHERIA O ParkShopping Brasília conta agora com loja da Coliseu Joalheria e Ótica, que apresenta própria linha de joias, mas também peças Brumani, relógios Michael Kors e Tissot, eyewear Prada, Versace, Tiffany e Ray Ban, além de diversas outras marcas de luxo. ABRACCIO Outra marca que desembarcou no ParkShopping Brasília foi a Abraccio Cuccina Italiana, que primeiro chegou ao Iguatemi do DF. A casa segue o padrão e cardápio, com decoração em madeira escura e iluminação baixa, o que deixa o ambiente agradável. No menu, saborosas massas e carnes.
CAPA | URBANISMO
AS CIDADES
INTELIGENTES O conceito "smart cities" ganha força, adotado em mais de 80 cidades, deve direcionar o futuro das relações urbanas
LUISA DIAS Em 2050, o planeta terá 6 bilhões de pessoas vivendo em centros urbanos. Em grande parte deles, os desafios atuais e que devem se agravar nas próximas décadas são os mesmos: alto índice de criminalidade, congestionamentos, poluição, baixa empregabilidade, custo de vida elevado, explosões populacionais e envelhecimento da população. Em comum também hoje eles enfrentam a falta de políticas públicas eficazes, capazes de garantir qualidade de vida, ambiente fértil para negócios e consequente desenvolvimento econômico, problemas que podem se arrastar, sem solução, ao longo dos anos. O que fazer para mudar essa realidade? A resposta para este questionamento já está consolidada em pelo menos 80 cidades que trabalham com o conceito de smart cities. As cidades inteligentes são a mais nova perspectiva de futuro, e um novo paradigma urbano, que tenta solucionar desde a crise climática até as desigualdades sociais, tornando as urbes lugares melhores para se viver. Para isso, elas devem somar o volume de dados (Big Data), redes em nuvens e comunicação autônoma entre diversos objetos (Internet das Coisas) e tornar as pessoas e os serviços conectados e eficientes. Segundo pesquisa da Pike Research, o mer-
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cado de cidades inteligentes movimentará, só em 2016, mais de US$ 1 trilhão. Entre os pontos principais está a receita gerada pela venda de soluções, como chips, aplicativos e outros sistemas de integração, que deverá subir de US$ 8 bilhões em 2014 para US$ 27,5 bilhões em 2023. O estudo demonstra que mais de 90% dos projetos de cidades inteligentes se relacionam com energia, transportes e governança. Destes, 50% estão centrados em questões de mobilidade. O dado é reforçado pela consultoria IDC, que mostrou que no começo desta década, em 2013, 70% da despesa mundial em projetos associados a smart cities estavam focados nestas áreas e também em segurança. Do outro lado do planeta, Hong Kong desponta como um exemplo de superação e uso de soluções inteligentes. Com mais de sete milhões de habitantes, a metrópole apostou em leis que incentivam negócios sustentáveis, transparência e conexões entre grandes corporações. A poluição, um dos principais problemas da cidade, é contraposta com excelente rede de transporte público, universidades públicas e desenvolvimento de tecnologias como o cartão Octupus, que permite pagar desde o transporte até as compras do
HONG KONG Localização: China População: 7.188 milhões de habitantes O que é? Referência em governança digital, investimentos em cultura de inovação e líder na adoção de cartões inteligentes, o que diminuiu a circulação de dinheiro nas ruas e aumentou a integração entre os negócios.
Projeto: Octopus, um sistema de cartão inteligente sem contato, que pode ser usado desde o transporte público até máquinas de venda automática e parquímetros para lojas de fast food. Vantagens: l Incentivo à criação de empresas sustentáveis. l Baixa criminalidade. l Excelente rede de transporte público.
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CAPA | URBANISMO
mês. O resultado desta combinação de fatores coloca Hong Kong entre as cinco cidades mais seguras e melhores para se viver. Nesta reportagem especial da Leitura Estratégica, apresentamos seis projetos, em diferentes continentes, que investiram em soluções ousadas e eficazes para a melhoria da qualidade de vida da população. De pequenas mudanças como adoção de ciclovias até projetos de alta conectividade, que permitem integração dos serviços e transparência na comunicação, elas adotaram soluções inteligentes e efetivas para melhorar a experiência dos seus cidadãos. A União Europeia tem incentivado projetos inteligentes, sustentáveis e inclusivos. Segundo a pesquisa As Cidades Inteligentes na Agenda Europeia, em 2012, a Europa já reunia 40 projetos focados na sustentabilidade das suas cidades. Há uma compreensão das autoridades e do mercado que estes projetos são prioridade e que
NOVA YORK Localização: Estados Unidos População: 8.405.837 habitantes O que é? O consórcio de empresas
CityBridge substituiu 10 mil cabines de telefone públicos por 8.400 pontos gratuitos de acesso à Internet via Wi-Fi e sistemas de informação digital. É a maior rede wireless do mundo financiada por publicidade digital dinâmica. Projeto: LinkNYC Vantagens: l Sem custos para a população local. l Os postes de quase 3 metros de altura, que agora estão substituindo as cabines telefônicas, contam com portas USB para carregar seu dispositivo, mapas da cidade, acesso à emergência e chamadas de vídeo para qualquer lugar dos EUA.
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devem focar na competitividade econômica, na sustentabilidade ambiental e na qualidade de vida dos cidadãos. Entre as iniciativas exemplares e já com resultados estão Manhein, na Alemanha, e Alemere, na Holanda, ambas com trabalhos no uso inteligente de energia. Também listamos dois projetos que começam do zero e prometem ser a grande referência no conceito de smart city. Tianjin, na China, e Iskandar, na Malásia, serão ainda nesta década referência no uso de novas tecnologias voltadas para qualidade de vida. Mobilidade urbana e gestão dos recursos naturais são o foco destes dois grandes projetos, que tornaram possível a ação de inúmeros empreendedores, focados na economia verde e em soluções de alta tecnologia para tornar as novas cidades-polo de qualidade de vida na Ásia. No Brasil, o tema ainda é novidade, mas já vem sendo levado muito a sério por empresá-
VANCOUVER Localização: Canadá População: 600 mil habitantes (3 milhões na região metropolitana) O que é? Tornar a cidade a mais sustentável do mundo até 2020, o que envolve construções sustentáveis, soluções eficientes para transporte público, e descarte de lixo e neutralização dos gases estufa das edificações da cidade. Projeto: Vancouver Sustentável Vantagens: l Desestimula o uso do carro particular por meio de incentivos às bicicletas e ambientes atrativos para pedestres. Foram implantadas faixas exclusivas para ciclistas em todas as avenidas principais. l O plano diretor obriga incorporadoras a concentrar projetos residenciais em áreas próximas aos corredores de trânsito e/ou voltadas a pedestres no centro da cidade. Isso ajudou a reduzir o número de viagens de carro, elevar as vendas no comércio.
rios e gestores focados no crescimento econômico sustentável do País. A Connected Smart Cities avaliou, em 2015, 700 municípios em todo o País, com base em 11 setores: Mobilidade, Urbanismo, Meio Ambiente, Energia, Tecnologia e Inovação, Saúde, Segurança, Educação, Empreendedorismo, Economia e Governança. A lista dos melhores projetos é encabeçada pelo Rio de Janeiro, considerada a cidade brasileira mais inteligente e conectada. O motivo principal é o Centro de Operações Rio (COR), que integrou 30 órgãos no monitoramento, antecipação e atendimento a ocorrências na cidade e a criação da Central de Atendimento ao Cidadão 1746, que reúne 45 órgãos na prestação de serviços e informações. Também são referências São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, São Caetano do Sul, Vitória, Florianópolis, Porto Alegre e Recife. Em Goiás, o passo a ser dado ainda é um desafio e dependerá do compromisso político
dos gestores públicos. Segundo Renato Correia, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia (Codese), a definição de cidade inteligente ou smart city se refere a cidades tecnologicamente preparadas para facilitar a vida das pessoas para suas ações cotidianas, “seja com acesso à internet, facilidade de estacionamento, sinalização em tempo real, transporte coletivo integrado”. O objetivo é tornar a cidade mais aprazível com uso de sistemas inteligentes. Um dos desafios é reduzir as desigualdades sociais. “Temos que buscar uma cidade com as mesmas condições de oportunidades para todos. Não seremos iguais em resultados. Temos desempenhos individuais, mas é preciso oferecer infraestrutura de cidade, dos processos, da sua gestão, dar ao seu cidadão o que ele precisa”. Em todos os projetos, os instalados e os em andamento, as tecnologias verdes e o uso de energias renováveis são preponderantes. Se-
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CAPA | URBANISMO
ISKANDAR Localização: Malásia População: 1,3 milhão de habitantes, com projeção de 3 milhões em 2025 O que é? O projeto de metrópole tem o objetivo de mostrar como novas tecnologias podem ser usadas para construir um ambiente coletivo mais inteligente. Vantagens: l Baixo custo na construção. l Integração de várias empresas. l Uso de tecnologias verdes. l Baixa emissão de carbono. l Integração social.
gundo o engenheiro civil Carlos Augusto Bouhid, especialista em energia solar, é preciso conscientizar a população em relação à importância do uso das fontes renováveis de energia para o planeta. “Por mais que o assunto tenha ganhado espaço nos últimos anos, ainda são poucas as pessoas que sabem o que são e como funcionam as energias renováveis e que elas já são economicamente viáveis e acessíveis”. Ele explica que, no Brasil, falta uma regulamentação clara, fiscalização, redução de impos-
OSLO Localização: Noruega População: 600 mil habitantes O que é? Plano de melhoria da qualidade do ar, com metas de reduzir em 50% as emissões de gases até 2030 e em 80% até 2050. Medidas: anel de pedágio para carros, rede cicloviária, promoção de combustíveis alternativos e veículos elétricos. Vantagens: l Maior número de veículos elétricos. l Redução em 50% dos carros no centro da cidade. l Uso do biogás. l Converter sobras de alimentos em energia l Transporte público de qualidade.
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tos e aumento de incentivos para a produção de energia limpa, principalmente na categoria de geração distribuída, aquela em que o consumidor gera sua energia em sua própria casa ou empresa. “A conscientização somada a essa política aumentará a aquisição de sistemas de energia renováveis e, consequentemente, causará queda em seus preços, tornando-os ainda mais acessíveis”. Entre as vantagens estão a preservação ambiental e a redução de emissão de gases causa-
TIANJIN ECO-CITY Localização: China População: 350 mil habitantes O que é? O projeto de cidade, próxima à Pequim, prevista para 2020. Toda a sua estrutura fornecerá um baixo teor de carbono, muito verde e um estilo de vida saudável. Vantagens: l Sistema coletivo de gestão de resíduos e produção de energia. l Usina de dessalinização da água poderá ser consumida da torneira. l Transporte de baixo carbono com ciclovias por todas as áreas.
dores do efeito estufa, mas também um fator econômico, a redução de investimentos em linhas de transmissão que a descentralização da produção de energia causaria. Para empresas e população, uma economia de até 95% na conta de energia é uma importante vantagem. No Brasil, a matriz energética já é bastante dependente de energias renováveis, considerando a fonte hidráulica como a principal, o que significa um percentual de 80% do uso energético baseado em fontes renováveis. “Mas o uso
de energia solar e eólica ainda são incipientes, o que deve melhorar nos próximos anos. Isso passa muito pelo aumento de incentivos governamentais e conscientização, principalmente para a geração distribuída. Um exemplo recente é a cidade de Palmas, que ofereceu redução de IPTU para moradores com energia solar fotovoltaica. Nós já temos também a isenção de impostos para aquisição de materiais de energias renováveis e de ICMS na conta de energia”, exemplifica o engenheiro.
MANHEIN Localização: Alemanha População: 291 mil habitantes (2011) O que é? Conectar todos lares da cidade por meio de uma rede de energia inteligente para promover o uso consciente e de menor custo. Projeto: Manheim, Cidade Modelo Vantagens: l No marco do projeto MoMa foram instalados dispositivos de controle em 200 casas. Por meio do monitoramento e gerenciamento da energia, os clientes conseguiram reduzir consumo e custos.
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CAPA | URBANISMO
ALEMERE Localização: Holanda População: 200 mil habitantes O que é? Trata-se da instalação de 520 painéis de captação da energia solar em uma área de 7 mil m2. O projeto é da Nuon, empresa holandesa, com apoio da União Europeia e dos próprios habitantes. Projeto: Zoneiland (lha da energia solar) Vantagens: l É capaz de produzir aproximadamente 2.708.333 kWh de energia renovável por ano, o que equivale a 10% das necessidades anuais de toda Almere.
Goiânia, aos 100 anos À exemplo de outras cidades brasileiras, Goiânia também busca melhorar os índices necessários para torná-la uma cidade inteligente, mas sobretudo, uma cidade que ofereça aos seus habitantes qualidade de vida. Em novembro de 2014, o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil apontou a Região Metropolitana de Goiânia como uma das 10 melhores do País no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), com nota 0,769. A avaliação da capital goianiense foi ainda superior e alcançou 0,799 pontos (a escala vai de 0 a 1, sendo que quanto mais perto de 1, melhor o desempenho), ficando à frente de cidades como Porto Alegre, Recife, Natal e Manaus. Já no Índice de Desenvolvimento Humano, a cidade está entre as 50 melhores. Mas ainda são muitos os desafios a serem superados para que a capital se torne uma referência em desenvolvi-
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mento econômico e social. Desde 2015, Goiânia conta com o trabalho do Conselho de Desenvolvimento Sustentável e Estratégico de Goiânia (Codese). São mais de 40 entidades apartidárias e sem fins lucrativos que pretendem se transformar numa voz ativa e influente da sociedade civil organizada nas decisões do futuro da jovem capital. O modelo foi inspirado no Codem – entidade semelhante de Maringá, cidade paranaense que há 20 anos trabalha com esta estrutura e já venceu diversos desafios. Segundo o presidente do Codese, Renato Correia, é de extrema necessidade que se crie parâmetros pra orientar os governantes da importância de que a cidade se desenvolva de forma organizada com efetivo envolvimento da sociedade. A entidade criou um projeto de trabalho junto ao poder público que imagina Goiânia em 2033, ano do seu centenário e a partir da data. As políticas listadas
devem ser mantidas mesmo diante da alternância de poder. Para a apresentação, a diretora-presidente da Comunitas, Regina Esteves, falou sobre a experiência do Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável, programa liderado pela entidade com foco na melhoria da gestão pública municipal. “A parceria efetiva entre os setores público, privado e a sociedade civil é fundamental para a melhoria da gestão pública. Nesse processo, são fundamentais o fortalecimento de lideranças, o engajamento social, por meio de um governo transparente, e a inovação de serviços, criados em conjunto com a sociedade.” O objetivo do Codese é garantir Goiânia entre as 10 cidades com melhor qualidade de vida do Brasil, o que força o governo a promover equilíbrio nas contas e investimento nas áreas de gestão fiscal, educação, saúde, desenvolvimento econômico, segurança e cidadania.
CONNECTION Washington Na edição anterior, o Connection (Dublin) avaliou a integração da economia mundial pelo prisma da tecnologia e do setor privado. Nesta edição, com o Connection Washington - onde fica a sede do FMI - procuramos ver a integração da economia, a crise e os movimentos econômicos por ponto de vista de outro extremo, pelo olhar de um especialista de uma organização que compreende as entranhas do setor público no mundo. Ethan Weisman, com 24 anos de FMI, também foi por mais de dois anos economista-chefe para o Brasil pelo Banco Mundial. Esteve em Goiânia e falou com exclusividade com a Leitura Estratégica. As opiniões aqui expressadas são do entrevistado e não devem ser atribuídas ao FMI, sua Diretoria Executiva ou Administração. A economia mundial ainda recente de autonomia do Banpassa por transformações co Central. Contudo, ainda é originadas na crise de 2008. preciso fazer reformas estruAlgumas economias se orgaturais e fiscais para acelerar a nizaram e outras ainda estão saída da recessão. patinando. Como você enxerga essa transição de 2008 A recessão do Brasil, com para 2016? ciclo tão longo, se assemeO que acontece é que desde lha com a de outro país? ENTREVISTA COM ETHAN WEISMAN 2008, a crise iniciada nos EstaQue eu saiba, não. Mas, Nascido em Chicago, Illinois, Ethan Weisman é economista e chefe de divisão do FMI há 24 anos. Entre suas funções, está o dos Unidos mostrou a todos que pelo que vi, o pior da crise já acompanhamento de políticas fiscais, monetárias e estatísticas macroeconômicas de países de todos os continentes. os vínculos globais existem e são passou. Foi um encolhimento muito fortes. Quando se tem cride quase 4% do PIB – no ano se na Grécia, não afeta apenas os passado, o PIB recuou 3,8% –, vizinhos, não só a Europa, afeta também a Ásia e traz conse- mas esse ano a perda deve ser menor, na faixa de 3,3%. Essa quências para África e as Américas. E não apenas vínculos tendência é o resultado do clima econômico global (como a depelo comércio, mas também pelos serviços e pelas finanças. saceleração da China) e das políticas domésticas. Após 2008, ficou claro: ninguém está imune à crise, nem os países mais fortes. Falando em China, como vê o cenário econômico do país hoje? No começo o Brasil suportou a crise. Desde 2013, pasA tendência é que a China desacelere, porque estava cressou a sofrer uma forte e prolongada retração. Esse lon- cendo com o PIB de aproximadamente 7% ao ano, e esse ano, a go período de recessão traz estragos maiores que uma taxa de crescimento deve ser reduzida para 6,5%. A China está crise forte e rápida? se transformando de um país que produz bens e maquinários Na teoria de business cycle – que é o ciclo de negócios – para também uma economia de serviços. É um país que está essa noção de que a economia “sobe e depois baixa” é natural. mais atento a seu mercado interno gigante, com sua exportaMas, às vezes, esse ciclo “para baixo” pode ser em formato de ção e importação reduzindo e o consumo interno expandindo. “U” ou em formato de “V”. Este formato em “U” prolonga as recessões e suas respectivas recuperações, já no formato “V”, Nesta mais recente visita a Goiânia (é casado com a ada recuperação é bem mais rápida. As políticas domésticas po- vogada Adriana Weisman que cresceu em Goiânia), no dem agravar uma crise que, na verdade, é um choque vindo de dia a dia da economia, você sentiu diferença de quanfora. O Brasil aproveitou do momento interno e abafou a cri- do veio nos anos anteriores? Você sente diferença no se de 2008. As políticas domésticas também podem ampliar comportamento das pessoas no que diz respeito a ecoou reverter esses impactos gerados pelos choques. Parece ser nomia? o caso do Brasil no atual momento. Os relatórios do FMI mais Nós passamos por aqui todo ano. Pelo que vejo, a diferenrecentes mostram que as políticas macroeconômicas têm a ça no comportamento é mais psicológica do que de fato. O que possibilidade de melhorar a situação do País e que elas vão ter percebo é que o consumidor está pensando duas ou três vezes efeito sobre a economia. Vejo com bons olhos esse movimento antes de comprar. Percebe-se um problema de liquidez, o di-
EMPREENDER NO BRASIL É MAIS DIFÍCIL
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"No Brasil, só para entender o sistema tributário já é um desafio. E é complexo porque o relacionamento entre o empreendedor e trabalhador é complicado, já que o sistema trabalhista brasileiro é bem diferente de qualquer outro canto do mundo" Ethan Weisman nheiro não está circulando como circulava nos anos anteriores. Essa psicologia do consumidor afeta o ciclo de negócios. O motor dos negócios nos Estados Unidos é o consumo – em contraste com a China, onde o motor da economia é a exportação – e, como o Brasil tem mais tendência para o consumo, isso acaba funcionando como mais um freio para a economia. Quanto ao cenário microeconômico, qual a sua avaliação em relação ao Brasil e ao mundo? Essa visita ao Brasil me fez lembrar da ideia sobre concorrência imperfeita que usei no meu doutorado na Suíça, ou seja, qual a diferença entre a concorrência perfeita e a imperfeita? A concorrência perfeita é o mercado que conhecemos, em que empresas podem entrar e sair facilmente para resolver a questão da oferta e da demanda, e chegar a um preço equilibrado para o consumidor e o produtor. O que estou vendo no Brasil é a concorrência imperfeita, que já se passa há décadas e faz parte da estrutura da economia. Por quê? Porque algumas empresas têm mais informação do que outras; algumas empresas têm subsídio que outras não têm; e não é fácil entrar e sair no mercado. Então, essa forma de concorrência imperfeita cria um espaço que chamamos em inglês de “deadweight loss”, que é uma perda para o consumidor. A sociedade perde,
pois na perspectiva do consumidor, o preço não é ideal e o nível de produção é limitado, assim, o consumidor paga mais do que deveria se o mercado tivesse uma concorrência perfeita. O empreendedor sempre busca a concorrência imperfeita para diferenciar seu produto e criar uma margem maior de lucro, essa margem possibilita ampliar seus negócios. Acho que as pessoas que estão estudando a economia do Brasil poderiam pensar sobre a concorrência imperfeita para modelar a economia. A concorrência perfeita existe apenas quando os produtos são iguais e o mercado competitivo. O objetivo é sempre almejar a concorrência perfeita, para isso o papel do economista é aconselhar a retirada destes obstáculos para melhorar a vida do consumidor e maximizar a economia. Em Goiás, o que te chamou a atenção? O progresso na infraestrutura é visível, muito crescimento e muitas estruturas em via de construção. As pessoas são felizes, amáveis, é uma vida gostosa. Gosto muito de Goiás. Temos bons amigos empreendedores e tenho respeito pelo empreendedor no Brasil, pois ele enfrenta situações cotidianas complexas. O empreendedor aqui confronta um clima de negócios e condições de mercado bem mais árduos do que o empreendedor nos Estados Unidos.
FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL O FMI é uma organização de 189 países, trabalhando para promover a cooperação monetária global, assegurar a estabilidade financeira, facilitar o comércio internacional, promover o emprego, o crescimento econômico sustentável e reduzir a pobreza em todo o mundo. Criado em 1945, o Fundo tem sede em Washington.
Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 35
NEGÓCIOS | RECUPERAÇÃO
Luiz Sérgio, novo presidente da Ernst Young (EY), recebeu a LEITURA ESTRATÉGICA para entrevista exclusiva
PEGOU DE SURPRESA Empresas se endividaram para investir, mas no meio do caminho tinha uma crise A pergunta vem se repetindo entre dez a cada dez empresários: Quando iremos superar a recessão e criar um novo ritmo de crescimento? Para Luiz Sérgio Vieira, CEO da Ernst Young para o Brasil, indicadores positivos são percebidos, mas a atual crise econômica tem um forte cunho fiscal, o que exige medidas mais profundas nesta área. Luiz Sérgio falou exclusivamente com a Leitura Estratégica em sua primeira visita a Goiânia após assumir o comando da EY – o mais jovem presidente de uma “big four” no País. “Nós tínhamos também um momento em que o País estava com uma falta de credibilidade e com várias incertezas, então, tudo isso acaba por prejudicar o ânimo do investidor”, diz o executivo sobre retomada do crescimento. Mesmo que os indicadores melhorem, Luiz Sérgio questiona: “Qual o ritmo dessa melhora?” 36 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
Vai depender, responde a sua pergunta, de como será reestabelecida a confiança do investidor. “O Brasil é um País atraente, não é um País que pode ser desconsiderado porque, mesmo com a crise que tivemos e a retração do PIB, o FDI – o Foreign Direct Investment (em inglês, Investimento Direto Estrangeiro), do Brasil continuou crescendo. A questão é que poderia ter crescido em um ritmo mais acelerado. Hoje, ele está com alguns ativos baratos, então, existe oportunidade. Você vê que, no mundo como um todo, os juros ou estão negativos ou estão perto de zero, então, percebemos que há uma liquidez financeira que quer aportar em bons ativos. No final do dia, o que o investidor quer é estabilidade de regras, ambiente corporativo pró-negócios e trazer de volta a credibilidade do País.” Luiz Sérgio destaca que o crédito empresarial preocupa. “Se você olhar
os balanços das empresas, o nível de endividamento aumentou muito. O País veio de um momento de alta, de euforia, várias empresas fizeram investimentos, se endividando e esperando que, dentro do seu plano estratégico, o Brasil continuaria crescendo, mas veio a crise. As empresas foram surpreendidas em um momento que estavam extremamente otimistas. O momento é de reestruturação de dívidas, venda de ativos não-estratégicos, inovação ou busca de parceiros ou novos mercados ou nichos.” Sobre a EY, Luiz Sérgio destaca que a estratégia em cada local em que tem escritórios é montar uma estrutura que tenha senioridade. “Para Goiás, há demanda das empresas pela transparência, pela posse de um compliance mais sofisticado, pelo controle e pelas boas práticas de governança. É justamente essa sofisticação do mercado que nos atrai.”
NEGÓCIOS | TRANSPARÊNCIA
Cassius Pimenta: "Os conceitos de compliance e gestão de riscos são muito próximos"
COMPLIANCE regras de uma nova cultura Prática não se refere à legislação obrigatória, mas a adoção fortalece a empresa CARLA OLIVEIRA Falar em compliance é algo novo, mas absolutamente necessário. No mundo corporativo, além de leis, decretos e normas legais exigidas para uma empresa manter-se em atividade, é preciso estar atento às boas práticas, aquelas regras cujo cumprimento não é obrigatório, mas que a adoção gera valor e confiança para a empresa, que pode transformar tudo isso em resultados. Controle interno, gestão de riscos, 38 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
auditorias por terceiros são algumas das ações ligadas ao compliance, que podem tornar uma empresa atraente para investidores que buscam negócios rentáveis, mas, acima de tudo, seguros. O auditor especialista em governança corporativa e compliance e executivo da Marol, Cassius Pimenta, destaca que muitos investidores buscam empresas que, além das normas tradicionais, agregam disposições internas e voluntárias para reduzir riscos e que, aliadas à governança corporativa, que já conta
com regras definidas, criam um bom ambiente para o investimento. “Isso é bem visto pelo investidor e faz bem para a saúde da empresa”, assinala Cassius. A prática integra, com maior frequência, o universo de médias e grandes empresas que, no Brasil, muitas vezes ainda são familiares, com o controle concentrado nas mãos de poucas pessoas. Elas acabam centralizando os três pilares básicos de uma boa administração, que é planejar, executar e controlar.
LEI ANTICORRUPÇÃO Conhecida como Lei Anticorrupção, a Lei 12.846, de 2013, estabeleceu critérios de responsabilidade para quem transaciona com o poder público. Ainda nova e pouco observada pelas empresas, a lei responsabiliza funcionários na linha de frente da gestão por eventuais delitos ou crimes, como fraudes e corrupção. Não só a pessoa jurídica sofre responsabilização financeira, como pagamento de multa e impossibilidade de transacionar com o poder público, como o próprio administrador, que passa a responder por situações que envolvem crimes, podendo, inclusive, ser preso. Em Goiás, estuda-se a criação de legislação específica de compliance, para aumentar a transparência das transações de empresas com o poder público.
O primeiro passo para uma estrutura adequada de controle, ensina Cassius, passa pela descentralização do comando desses três pilares. “Eu preciso ter uma estrutura de controle da execução e uma execução com base no planejamento”, diz. Ao fazer isso, inevitavelmente, as empresas precisam se familiarizar com conceitos e estruturas como conselhos administrativos, com participação de consultores externos; departamentos de auditorias internas e a contratação de auditorias independentes. “Mesmo empresas limitadas têm estruturas em que você pode criar a figura do conselho, em que ele é responsável por todas as decisões da empresa”, frisa. Cassius explica que os conceitos de compliance e gestão de riscos são mui-
to próximos. “O primeiro tem o papel de analisar, é quem faz o controle; o segundo é quem executa, e ambos fazem parte de uma boa governança”, define, lembrando que este não é um serviço de venda fácil. O termo é antigo, mas a prática é nova. Em Goiás, termo e preocupação ganharam evidência nos últimos cinco anos. No Brasil, é coisa para uma década, mas cada vez mais empresas, principalmente aquelas que dependem de capital de terceiros, estão incorporando a novidade e aumentando a clareza quanto a necessidade de implantação, voluntária, de boas práticas em suas empresas. Além disso, a cada dia, sobretudo em grandes empresas, é grande a possibilidade de exposição a riscos e de envolvimento, ainda que involuntário,
em processos ou negociações maléficas. Numa grande empresa, o gestor não consegue ter controle total sobre todos os seus funcionários. Em algum caso, ainda que não haja má fé, alguém pode ser envolver em uma situação que não seja lícita e a empresa e seu gestor são solidários na responsabilidade contábil e criminal. “No caso de um possível processo, quando você mostra que não houve intenção, que possui uma estrutura de controle, você está dizendo: não houve má fé, eu sabia que isso podia acontecer, implantei estrutura para prevenir, tomei medidas para que não acontecesse, mas eu não consigo controlar todo o processo”, destaca o executivo da Marol. Além disso, ao adotar boas práticas, conseguese mudar a cultura de uma empresa. Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 39
NEGÓCIOS | TRANSPARÊNCIA
Quem é politicamente exposto? O combate à corrupção e à lavagem de dinheiro no Brasil trouxe à tona questões pouco comentadas e discutidas até então. É o caso das pessoas politicamente expostas (PPEs), cuja descrição ganhou incremento a partir de 2006, com a Deliberação n.º 2, de 1º de dezembro de 2006, do Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização (Coremec), que traçou normativa básica sobre as PPEs. Temas que envolvem PPEs permanecem sob os holofotes da mídia e da sociedade, principalmente, em função de operações da Polícia Federal, que realiza uma verdadeira devassa em contratos e relações de entes públicos e empresas, culminando em várias prisões e perda de mandatos. O advogado Flávio Rodovalho, da Rodovalho Advogados, avalia que a legislação brasileira sobre o assunto é compatível com a de outros países, mas falta efetividade em sua aplicação. Segundo ele, o principal objetivo das normativas é garantir maior transparência por parte de quem se relaciona com o poder público, o que já se tornou uma exigência mundial. “Nominar as pessoas e suas relações com os agentes públicos é importante para a democracia. É preciso saber quem faz o quê e quem pode fazer!”, resume. Entre as pessoas que se enquadram nesta definição estão pessoas com mandatos eletivos, do Executivo ou Legislativo, ocupantes de cargos públicos do Executivo, presidentes, vice-presidentes e diretores, ou equivalentes, de autarquias, fundações públicas, empre40 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
Flávio Rodovalho destaca que falta efetividade na aplicação da legislação
sas públicas ou sociedades de economia mista, grupo de direção e assessoramento superiores, membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Supremo Tribunal Federal (STF) e dos tribunais superiores, do Conselho Nacional do Ministério Público, procurador-geral, vice-procurador ou subprocurador-geral da República, do Trabalho, da Justiça, do Ministério Público da União, dos Estados e do Distrito Federal, membros
dos tribunais de Contas e de conselhos de Contas de Estado e dos municípios, governadores, presidentes de Tribunais de Justiça, de Assembleia Legislativa e de Câmara Distrital, prefeitos e presidentes de Câmaras de Vereados, bem como seus parentes. O enquadramento como PPEs, no entanto, não se resume à vigência da ocupação do cargo público, estendendo-se por cinco anos após a finalização do mandato. (CARLA OLIVEIRA)
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GESTÃO | INOVAÇÃO
Rodrigo Marx, da FGR, conta que nova plataforma minimizou riscos e elevou eficiência da equipe
EVITE RISCOS tributários desnecessários Empresas goianas desenvolvem plataforma que monitora e valida operações fiscais IARA NUNES Cinco mil notas fiscais recebidas por mês. O volume é grande até para uma empresa de 30 anos e centenas de funcionários. Este era o caso da FGR Urbanismo, que atua no segmento de incorporação, principalmente na construção de condomínios fechados horizontais de alto padrão, os Jardins. Com filiais espalhadas por todo o Brasil, a empresa sentiu a dificuldade de gerenciar mensalmente – e manualmente 42 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
– tantas notas fiscais que são emitidas contra a empresa. O caminho foi buscar uma solução que automatizasse o processo, validando e importando as notas para o sistema de informação que gerencia todos os dados e processos da empresa, o ERP (Enterprise Resource Planning, em inglês). “Nosso pessoal que faz os processos de pagamento não precisa mais digitar os dados das notas fiscais dos fornecedores”, conta Rodrigo Marx, gerente Financeiro e de Tecnologia da
Informação da FGR Urbanismo. Hoje é tudo automático, pois o ERP, por meio da plataforma da 4True, busca as notas fiscais e importa as informações para dentro do ERP, validando e preenchendo as informações a partir das notas fiscais eletrônicas. “Elimina o cadastramento manual e os erros factíveis de se fazer a operação manual”, destaca Rodrigo. Toda empresa, independente do porte, segmento ou regime de tributação nunca esteve tão sujeita às neces-
Rildo e Manoel, da 4True, explicam que a ferramenta realiza cruzamento inteligente de dados a favor da empresa
sidades de conformidade com os ritos legais e entregas compulsórias ditadas pelo Fisco. Foi pensando em suprir esse tipo de demanda que três empresas goianas e com know-how em áreas específicas – Mapah, Globaltec e Tron – criaram uma nova empresa, a 4True, com o objetivo de preencher uma lacuna que os softwares de gestão (ERP´s) não atendem. A empresa criou uma plataforma de mesmo nome (4True) que permite ao empresário ter maior clareza dos dados que são enviados aos órgãos governamentais, assim como receber e consultar informações das empresas com as quais se relacionam. “Queríamos oferecer aos clientes, antes ou após enviar as informações, condições de validar e confrontar esses dados a fim de que não tenham nenhum tipo de problema de ordem tributária”, explica Rildo Rosa Gomes, diretor-executivo da empresa,
destacando que a solução monitora on-line todos os CNPJ´s do cliente e evita, por exemplo, uso indevido do mesmo, inibindo fraudes. Outra funcionalidade da 4True é auxiliar quanto à legislação tributária, que no Brasil é muito complexa, com tributos indiretos como por exemplo: PIS, COFINS, ICMS, IPI e outras tributações que são definidas de acordo com o produto comercializado, local da compra ou da venda, isenções e desonerações. Atualmente é exigido mais detalhamento e atenção às informações que precisam ser validadas. Acompanhar toda esta demanda manualmente é praticamente impossível. Após inúmeras avaliações, identificou-se a dificuldade das empresas de se adequarem às mudanças do Fisco e criou-se uma forma dessas informações serem obtidas de maneira automática e confiável. Neste sentido é possível identificar
não apenas o risco tributário, mas também o risco administrativo e prevenir que a empresa não se exponha desnecessariamente, por meio de ferramentas que controlam e monitoram as entradas e saídas continuamente. É possível, ainda, verificar se houve algum erro operacional, uma classificação indevida da nota fiscal, uma compra ou entrada indevida. “Por mais sofisticados que sejam os sistemas, eles são manuseados por pessoas. A solução da 4True faz essa auditoria antes de gerar as informações para o Fisco, pois uma vez que foi enviado é mais trabalhoso consertar esse erro”, completa Rildo Gomes. De forma proativa, a plataforma ajuda na captura dos arquivos digitais, verifica a integridade e a legitimidade, confirmando se a nota fiscal emitida com determinado CNPJ é de fato verdadeira. Assim que a nota entra no sistema é verificada, monitorada e guardada. Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 43
GESTÃO | INOVAÇÃO Fluxo de um processo de revisão tributária
“Pela legislação, a empresa deve arquivar sua documentação por pelo menos cinco anos, serviço que a ferramenta faz automaticamente”, destaca. Nesse sentido são oferecidas ferramentas de suporte e apoio à gestão especializadas no trato dessas legislações, tornando-as grandes aliadas dos ERP´s de mercado, deixando de ser soluções geradoras de obrigações acessórias e alçadas à condição de ator principal, que permite não só o monitoramento, mas também um processo de auditoria proativa e preventiva, antes de transmitir um arquivo digital para o Fisco. “Essas ferramentas auxiliam na entrada das informações e verificam a consistência dos dados, validando-as entre si e com outras obrigações acessórias e sustentando o valor que foi utilizado para fazer o pagamento dos tributos”, explica o sócio responsável pela área contábil e tributária da 4True, Manoel Estevam. Além das soluções oferecidas pela plataforma, há também serviços com profissionais capacitados para avaliar os processos internos e a situação da 44 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
empresa em relação às suas obrigações tributárias, como avaliação das operações dos últimos cinco anos do negócio. Ao chegar à empresa, os especialistas fazem levantamento prévio, identificam sua forma de tributação, o tipo de negócio e suas particularidades, analisam a tributação de cada NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), item a item, sempre buscando o melhor enquadramento, conforme a legislação vigente. Todo este levantamento de dados é realizado a fim de mapear qual a probabilidade de exposição da empresa e quais são as ferramentas mais aderentes ao negócio dela. “Empresas comerciais, por exemplo, podem ter dificuldades para controlar estoques. Neste caso, temos uma ferramenta específica para auditoria de estoque”, completa Manoel. Um bom exemplo de como a plataforma pode contribuir para obter ganhos para o cliente foi o caso da empresa Moinho Vitória, onde foi identificado um benefício fiscal até então desconhecido pela empresa. A mudança na legislação aconteceu em janeiro, mas
a empresa não se atentou a isso, o que fez com que o valor não fosse creditado neste período. “Houveram mudanças na legislação, o corpo contábil e fiscal da empresa não conseguiu acompanhar a transição e não aplicou a mudança no negócio deles”, destaca Manoel. A empresa, com mais de 23 anos no mercado, atua no ramo de farinha de trigo e atende padarias, indústrias, supermercados e food services, não apenas no Estado de Goiás, como também no Distrito Federal e Norte do País. No início deste ano conheceram os serviços prestados pela 4True. “Buscamos planejamento estratégico fiscal e naquele momento foram identificadas várias oportunidades tributárias. Hoje, integramos nossa contabilidade a esse planejamento e podemos acompanhar as mudanças mais de perto”, diz o diretor administrativo-financeiro da empresa, Marcos Tortoza, que aponta que após a contratação do serviço, a Moinho Vitória passou a contar com uma melhor gestão tributária, reduzindo riscos e aproveitando melhor os benefícios fiscais aplicáveis.
PERFIL | EBM
OUSADIA,
com prudência! Fórmula aparentemente contraditória garante sucesso da EBM há 35 anos. Já são 155 empreendimentos entregues
CARLA OLIVEIRA Espírito empreendedor, uma boa dose de coragem, visão de futuro e muita prudência. Em resumo, essa é a fórmula que garante o sucesso da EBM Incorporações há 35 anos. Empresa genuinamente goiana, com atuação para além das divisas de Goiás, a EBM nasceu Imobiliary Engenharia e Construções em 1981, da sociedade do engenheiro Élbio Moreira com o pai Bento Odilon Moreira e com o empresário Ary de Alencanstro Veiga. Cerca de cinco anos depois, a sociedade foi desfeita e pai e filho seguiram juntos, na até hoje EBM. 46 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
A empresa nasceu na década de 1980, que ficou conhecida como a década perdida, mas não para o jovem que havia se graduado engenheiro civil pelo Instituto Mauá de Tecnologia, de São Paulo. Depois de trabalhar por um tempo na construção da Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, surgiu a oportunidade de voltar para sua cidade natal. E assim chegou a Goiânia para trabalhar na Encol, na época uma das maiores construtoras do País. Mas os três anos em que atuou na empresa, apesar dos desafios, não foram suficientes para acalmar seu espírito empreendedor. Era hora de alçar voos
próprios. Enquanto ainda Imobiliary, a empresa construiu os edifícios Cleveland, no Bueno, e Himalaia, no Setor Oeste, que foi o primeiro de vários erguidos no modelo obra por administração, quando a empresa adquire um terreno, forma um grupo e este paga pela construção. Neste período a empresa experimentou um grande crescimento e deu início a conquista de novos mercados. Desde então, foram 155 empreendimentos entregues pela EBM em 16 cidades. A pequena sala em um posto de gasolina no Centro, com capacidade para duas pessoas, deu lugar a uma sede ampla, em um dos endereços mais nobres
Nome: Élbio Moreira Idade: 62 anos Estado civil: Casado, 2 filhos Formação: Engenheiro Civil formado pelo Instituto Mauá de Tecnologia
da capital e 700 colaboradores. A receita do sucesso, Élbio Moreira, presidente do hoje Grupo EBM, não tem dúvida e nem hesita em passar: prudência. Crise também não chega a ser um grande problema, já que a empresa nasceu em meio a uma das maiores enfrentadas pelo Brasil. “Uma empresa que nasce na década de 1980 tem de aprender a sobreviver à crise. Foi uma década sem crescimento, de busca de espaço para crescer e se consolidar, tudo muito difícil”, lembra o empresário. Mas os desafios não pararam quando Élbio e pai assumiram a EBM. Eles, aliás, nunca pararam. Há 15 anos, Bento
Odilon Moreira sentiu que era hora de deixar a empresa e intimou o filho a escolher, entre os irmãos, um novo sócio, com quem tivesse maior compatibilidade. O eleito já fazia parte dos quadros da empresa. Caçula de cinco filhos, Bento Odilon Moreira Filho começou como estagiário, havia se graduado em Engenharia Civil e tornou-se o novo sócio da empresa. Dali em diante seguiriam juntos na construção de uma nova etapa na história da EBM. Foi do pai que herdaram a prudência que aplicam na vida e nos negócios. Bento Odilon Moreira faleceu aos 92 anos. Se a prudência garantiu sustentabi-
lidade e governança para a EBM nesses 35 anos, foi a ousadia que a permitiu crescer para além de Goiás. Ousadia pensada, calculada e focada na área de incorporação. Um dos marcos na trajetória da empresa foi a decisão de buscar o mercado de Brasília, em 1989. Dois anos depois, a EBM estaria também em São Paulo. A ousadia da empresa também se manifestou nos momentos em que decidiu desacelerar em cada mercado, a partir de uma criteriosa avaliação dos seus rumos. “Sempre procuramos outros mercados. Fomos para Brasília, fizemos muita coisa lá. Depois fomos para São Paulo Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 47
PERFIL | EBM
e tivemos a sorte de encontrar vários parceiros. Aprendemos muito trabalhando lá. Foi muito importante porque começamos a ter relacionamento com grandes incorporadores, fundos de investimento, trocamos experiências, informações e fazemos isso até hoje”, lembra Élbio Moreira, que estabeleceu várias sociedades em solo paulista, prática ainda incipiente em Goiânia. Esta pode ser a receita, junto com o diferencial da prudência, que fez com o que a EBM fosse a única empresa, das que concorriam na época, a permanecer ativa. As outras ou faliram, ou foram vendidas. E apesar das dificuldades atuais do mercado, afirma Élbio, a empresa nunca esteve tão capitalizada. “Num momento de crise, é muito mais importante estar capitalizado do que ter lucro. Não entramos em briga de preço. Se o mercado está ruim, tiramos o pé aqui e aceleramos em outro lugar”, diz. NOVOS BRAÇOS A EBM está diversificando suas atividades, mas com foco na área de incorporação. Pensando em ampliar horizontes, manter equilíbrio e não depender de um único setor, a empresa lançou um braço de loteamentos e outro de propriedades. Na área de incorporação, trabalha com dois nichos: alto padrão e econômico. Há cinco anos, começou a investir em proprie-
350 MILHÕES é o faturamento estimado em 2016
48 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
dades, como shoppings, malls e térreos de prédios para locação. Mais recentemente, entrou no setor de loteamentos e se prepara para fazer os dois primeiros lançamentos ainda em 2016, de 15 projetos em andamento. “São coisas que têm muita sinergia. Hoje nosso forte é a incorporação, que é 90% do nosso negócio. Justamente pela prudência, queremos fazer crescer a parte de loteamentos e de propriedades, para ficar mais equilibrado e não depender de um único setor”, frisa Élbio. Em 10 anos, o grupo planeja uma maior participação dos loteamentos e propriedades. Para diversificar, a EBM buscou parcerias e colocou em prática aqui em Goiânia o que aprendeu e já fazia em São Paulo. Para isso, buscou parcerias e estabeleceu joint venture com empresas e profissionais que já possuíam know how em áreas que estavam ingressando. Assim foi a chegada dos engenheiros Fernando Coe Razuk e Rodrigo Meirelles à empresa, onde já trabalhavam desde o estágio. FAMILIAR Se ter dois irmãos no controle de uma empresa a faz familiar, então a EBM é uma empresa familiar. Isso, no entanto, não significa que não seja altamente profissionalizada. Esta, inclusive, sempre foi uma preocupação dos irmãos Élbio
Fernando Coe Razuk, que foi de estagiário a acionista da empresa: "A EBM tem a cultura de valorizar talentos internos"
e Odilon, presidente e vice da empresa. Todas as decisões são tomadas em comitê, que inclui os dois e a diretoria formada por profissionais que fizeram carreira na EBM. Dos seis diretores, apenas um não iniciou como estagiário, incluindo o vice-presidente Odilon. “Reunimos, avaliamos prós e contras antes de lançar um empreendimento. Todos precisam estar de acordo”, destaca. A composição da diretoria mostra a solidez e compromisso dos funcionários com a empresa. Fernando e Rodrigo foram estagiários, hoje são diretores,
COMO A EMPRESA QUER ESTAR DIVIDIDA EM 10 ANOS:
60%
30%
10%
EBM Incorporação
AE3 Loteamentos
EBM Propriedades
Rodrigo Meirelles tem trajetória idêntica a de Razuk: "É uma empresa profissional, valoriza a meritocracia"
e assimilaram bem a linha de pensamento da empresa, que é ousada sendo prudente. Na lista de colaboradores, não é raro encontrar alguns com 20, 30 anos de casa. O primeiro funcionário da empresa, ainda Imobiliary, atua na EBM até hoje. Aos 37 anos, Fernando Coe Razuk, engenheiro Civil formado pela Universidade Federal de Goiás, com MBA em Negócios Imobiliários pela Universidade de São Paulo (USP), é um dos estagiários que hoje é diretor e sócio da EBM. Quando deixou Goiânia há 13
anos para estudar Negócios Imobiliários na USP, não imaginava que seria em solo paulistano que seu caminho se encontraria com a goiana EBM, empresa onde construiu carreira até tornar-se sócio. Fernando trabalhava numa construtora na capital paulista quando surgiu a oportunidade de ingressar na empresa numa espécie de estágio. Seis meses depois seria contratado para atuar na prospecção de negócios imobiliários. Os passos seguintes não tardaram. Em 2006, assumiu a gerência de São Paulo e poucos meses depois foi convidado a voltar a sua terra natal. Fernando enxergou na solidez da EBM a oportunidade de construir uma trajetória também sólida e de sucesso. Começou a investir em empreendimentos pontuais até que em 2012 foi convidado a tornar-se sócio da empresa. Se sorte existe, não foi ela que contribuiu para que Fernando trilhasse um caminho de tanto sucesso. “Eu vinha me preparando e enxerguei a oportunidade. A EBM tem uma cultura de investir e valorizar os talentos internos. Praticamente todos os cargos de gestão são ocupados por pessoas de carreira na empresa. Temos prazer em fazer bem feito. A EBM está completando 35 anos. São raras as empresas imobiliárias que têm vida tão longa. É uma empresa prudente, focada no
mercado imobiliário, conservadora, que não entra em boom de mercado, extremamente profissional”, resume. A trajetória de Rodrigo Meirelles, 35 anos, na EBM tem muitos pontos de encontro com a de Fernando. Ele também começou com um estágio, que culminou em sua contratação, logo após a conclusão do curso de Engenharia Civil, na Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Rodrigo saiu de Goiânia para trabalhar na empresa em São Paulo, onde cuidava da parte comercial da EBM no interior. De volta a Goiânia, sua cidade de origem, assumiu a parte comercial. Em 13 anos de história na empresa, em que passou do estágio à Diretoria Comercial, Rodrigo supervisionou a comercialização de 50 lançamentos, totalizando 9,6 mil unidades. Também ele começou a participar, com pequenos aportes, em novos negócios de incorporação até chegar à sociedade, há 4 anos. Para a ele, a solidez da empresa deve-se à visão dos acionistas majoritários, Élbio e Odilon, e seus perfis complementares. “Élbio é empreendedor, com muita visão de mercado. Odilon é um gestor administrativo como poucos que já conheci”, define Rodrigo. Ambos não têm dúvida em apontar a principal característica da EBM: a prudência. “É uma empresa altamente profissional, que valoriza a meritocracia”, assinala.
OS NÚMEROS DA EBM EM 35 ANOS:
155
15
2,2
empreendimentos entregues
milhões de unidades
milhões de metros quadrados construídos
16 cidades com empreendimentos entregues
700 colaboradores
Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 49
MÓVEIS | ERGONOMIA
SENTA AÍ. Hora de pensar o escritório Escolher os móveis para o escritório faz a diferença no resultado do negócio Sentar, levantar, andar, sentar novamente e levantar. São ações repetidas milhares de vezes na maioria dos escritórios. Pode parecer uma rotina comum, que normalmente passa despercebida, mas basta uma simples avaliação ergonômica para verificar falhas que fazem a empresa pagar um preço alto sem sentir. O custo é indireto, mas efetivo: menor produtividade e engajamento e maior risco de ações trabalhistas. Uma frase repetida diversas vezes nas rodas de executivos define bem o tamanho do problema: “Se o seu colaborador não para em seu ambiente de trabalho, de duas opções, uma: ou cafezinho está uma delícia, ou está na hora de trocar seu mobiliário.” Ao observar que essa realidade está presente na maioria das empresas, a Leitura Estratégica buscou um especialista para trazer mais informações para o tema, muito relevante para os colaboradores que usam os equipamentos oferecidos pelas empresas, mas nem sempre percebido com tamanha importância pelas diretorias. Paulo Resende, gerente da Use Móveis, nos auxiliou na investigação do tema e a responder as seguintes perguntas: Quais aspectos devemos levar em consideração durante a aquisição de um mobiliário? Suas características podem influenciar em nossa saúde? “A ergonomia, no ambiente de trabalho, contribui, e muito, para a eficiência e qualidade dos resultados da 50 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
Paulo Resende destaca que móveis "bonitinhos" e "baratinhos" saem muito caro
equipe”, diz Paulo Resende, que trabalha com mobiliário para escritório há 14 anos. No mercado há diversos profissionais, dos mais distintos segmentos, que influenciam a compra do mobiliário, a maioria leva em consideração apenas os aspectos financeiro e visual, desconsiderando aqueles que podem comprometer a saúde de seus colaboradores. “A escolha por mobiliários ‘bonitinhos e baratinhos’, que não atendem as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), podem gerar danos à saúde do trabalhador, seu afastamento e como consequência possíveis processos trabalhistas. As normas regulamentadoras (NR) da
ABNT asseguram as características ideais de produtos e serviços, como qualidade, dimensionamento, confiabilidade, eficiência, intercambiabilidade, bem como respeito ambiental.” O especialista explica que existem normas que regulamentam o segmento trabalhista e determinam as exigências desejáveis do mobiliário, baseando-se no biótipo do brasileiro, como a NR 17, que visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar o máximo de conforto, segurança e desempenho. Ao se analisar os produtos oferecidos por uma parcela significativa de indústrias e lojas de mobiliário corpora-
TAMPOS Escolha tampos de mesas com no mínimo 25 milímetros de espessura para que não se curvem com o tempo. É importante, durante a compra, curvar-se para ver a parte inferior. Muitas empresas fazem o chamado “engrosso” do tampo, apenas nas bordas, transmitindo uma sensação de tampo espesso, mas não passa de uma “maquiagem”, utilizando tampos com espessura irrelevante (no restante da peça), como por exemplo 15 milímetros ou 18 milímetros, diminuindo a resistência do móvel.
VAI COMPRAR? Confira algumas dicas do especialista em móveis, Paulo Resende, na hora de escolher o mobiliário para o escritório:
BORDAS Existem diversos tipos de bordas de mesas, encaixadas ou coladas. Bordas com encaixes são fixadas mediante “rasgo” na madeira e com o tempo acabam se soltando. É comum vermos mesas com bordas “soltas”. As bordas coladas são mais duráveis. Entretanto, existem diversas aplicações para esse tipo de material. Recomendase o sistema holt-melt (cola quente), no qual sua aplicação se dá por meio de alta temperatura, utilizando-se de equipamentos automáticos, o que permite um acabamento perfeito, maior resistência e durabilidade. As bordas devem ser arredondadas, sem quinas vivas, com raio mínimo de 2,5 milímetros, com espessura mínima, de 2,5 milímetros, medidas estabelecidas pela ABNT.
tivo, é fácil identificar composições de mesas com gaveteiros que atrapalham o movimento do usuário, cadeiras que não permitem as regulagens necessárias para que o profissional possa se movimentar e postos de trabalho de espaço muito limitado, tornando o ambiente hostil e desconfortável. Aspectos ergonômicos, alerta Paulo Resende, devem ser o ponto de partida do cliente ao escolher ou indicar determinada marca para a produção de seu mobiliário. “Necessitamos enxergar por trás do óbvio para que não nos tornemos patrocinadores de trabalhos insalubres. Também não devemos nos esquecer do meio ambiente, analisando sempre questões importantes, como qual tipo de madeira utilizada, sua origem e seu destino ao ser descartada, os impactos ao meio ambiente e à sociedade”, destaca o gerente da Use Móveis.
PEÇAS METÁLICAS Devem receber tratamento antes de passarem pelo processo de pintura para evitar o processo de ferrugem. A pintura eletrostática, processo que utiliza o princípio elétrico de atração e repulsão de cargas elétricas, permite uma excelente durabilidade e resistência. Além disso, a qualidade da tinta e o processo de pintura influenciam diretamente no produto final.
PARAFUSOS E UNIÕES Muitos fabricantes aplicam parafusos direto na madeira, durante o processo de montagem de seu mobiliário. Essa prática impede a possibilidade de desmontagem e remontagem em caso de mudança, pois o mesmo furo não manterá seu móvel estável. Recomenda-se o sistema onde parafusos são acondicionados em buchas metálicas, como minifix ou similares, nos quais permitem que seu móvel seja montado e desmontado inúmeras vezes sem comprometer seu uso e estabilidade.
ERGONÔMICO O mobiliário não é apenas um apoio para papéis e objetos de decoração. O mesmo dever ser projetado respeitando aspectos ergonômicos que proporcionem conforto, bem-estar, disposição física, preservando a saúde, o que, fatalmente, proporcionará melhor rendimento do colaborador, gerando melhores resultados pra a corporação. “Buscar uma vida saudável, submetendo seu corpo a diversas horas diárias em um móvel mal projetado, é uma tortura e uma incoerência na qual, na maioria das vezes, nem prestamos atenção”, diz. Paulo acrescenta, ainda: “O comprador, muitas vezes, prioriza um bom equipamento para a Diretoria e para seu departamento, desprezando essas avaliações para outros departamentos, buscando apenas o menor preço. É desproporcional. Hoje, todos os colaboradores, em todas as áreas, são es-
tratégicos para o negócio. Escolher um mobiliário que alie qualidade x ergonomia, eleva a autoestima da equipe, que se sentirá valorizada.” Mas, o que deve ser avaliado na escolha dos móveis? Tampos com revestimento anti-reflexivo, bordas de fixação, peças metálicas, parafusos e uniões. Confira dicas no quadro sobre cada um destes itens. Outra dica importante do especialista é optar por marcas que possuem garantias expressivas, de no mínimo 5 anos, que tenham processos certificados, como por exemplo ISO 9001 e ISO 14001, Sistema de Gestão da Qualidade e Sistema de Gestão Ambiental, respectivamente, e, principalmente, produtos certificados pela ABNT, com laudos ergonômicos baseados na NR 17. “Respeitar os colaboradores, meio ambiente e sociedade são premissas de uma empresa séria e responsável”, destaca. Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 51
CONVERSACOMCEOS A coluna Conversa com CEOs mantém sua vitalidade, com um bate-papo informal e repleto de conteúdo empresarial relevante, abordado com clareza e baseado na prática diária dos dois convidados, Carlos Luciano Ribeiro, diretor-presidente do Grupo Novo Mundo, e Antonio Oliva Neto, presidente da Treze Capital. Mesmo sendo de setores diferentes, comércio e serviço, respectivamente, ambos têm uma visão próxima. O formato inédito da coluna vem se consolidando, com identidade própria e força de leitura (e estratégia), e ela continua sem título, olho e perguntas diretas. São lançados temas e os participantes começam a conversar. Nosso papel é gravar, editar e publicar. Confira os principais trechos desta longa conversa a seguir. Boa leitura a todos.
LIDERANÇA Carlos Luciano: Em todos negócios que participamos têm algo em comum: precisa de gente. O nosso papel principal é incentivar as pessoas a fazerem o seu melhor. Isso porque as coisas não acontecem por meio de nós e sim através das pessoas. Se formos uma liderança que incentive, que mostre o rumo, a empresa terá um resultado muito melhor. Podemos falar de estratégia, de planejamento, de várias coisas, mas o principal é incentivar que as pessoas deem o seu melhor. CEO não é um cargo solitário. Não é, e não deveria ser, mas é inevitável que, em alguns momentos, fiquemos a sós e nos sintamos sós. Mas, é mais sentir do que realmente estar. Se você não consegue trabalhar com sua equipe, talvez você se sinta sozinho. Antonio Neto: Acredito que o CEO deve dedicar parte relevante de seu tempo às pessoas. Ainda mais eu, que sou empresário do setor de serviços, meu capital é humano. Sempre tento ser acessível, falar e dar atenção a todos e, por fim, oportunidades – deixar que as pessoas encontrem seus próprios limites. Nas minhas empresas, não imponho limites. Minhas “caixinhas” são maleáveis. Às vezes o cara não sabe nem para onde está indo, mas a gente fala “se estiver afogando, levante a mão que te socorremos. ” Acredito que estas três palavras, oportunidade, exemplo e acesso, representam bem os quesitos que tento centrar. Tenho participação em seis empresas e em todas tenho sócios. Quando sou majoritário, sempre procuro tomar as decisões em consenso; conversar e convencer ou ser convencido. É aquela máxima: “tem sócio, tem patrão”. Ter alguém a dar satisfações e conversar é relevante, pois reduz a sensação de isolamento e ajuda na tomada de decisões. 52 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
Nome: Antonio Frias Oliva Neto Idade: 44 anos Empresa: Treze Capital
COMPORTAMENTO NA CRISE Carlos Luciano: Essa não é a primeira crise que a gente vive. O Brasil é um País difícil de empreender e complexo de compreender. Nós vivenciamos outra crise muito forte no início dos anos 90 – na época do Collor, do sequestro das poupanças, cenário pré-impeachment – e foi uma época muito difícil, que tem alguma similaridade com hoje, mas é distinta em outros aspectos. Na crise, você tem de mergulhar dentro do seu negócio, buscar oportunidades que antes passariam despercebidas. É preciso mexer, alterar. Nós fizemos muito isso. Antonio Neto: O lado bom da crise é que ela torna urgente certas ações que, na bonança, são postergadas, pois pensamos: “está fazendo dinheiro, podemos resolver depois”. Com a crise, nos tornamos mais eficientes e é um território em que me movimento muito bem. O mercado financeiro prepara para isso o tempo todo. Aumentei minha participação em praticamente todas as empresas onde sou sócio. Tive a oportunidade de conviver de perto com grupos empresariais bastante tradicionais,
Nome: Carlos Luciano Ribeiro Idade: 51 anos Empresa: Grupo Novo Mundo
como o Grupo Votorantim – trabalhei por alguns anos no Banco do Grupo – que têm em comum o fato de não cessar investimentos em momentos de crise. Pelo contrário, por vezes aceleravam os investimentos para que estivessem em condições de reagir rapidamente no momento da retomada da economia. A crise é um momento de saneamento do mercado e, aqueles que fizerem o dever de casa e forem efetivos, terão uma vantagem competitiva considerável. EMPRESÁRIO GOIANO Carlos Luciano: Temos negócios em 10 Estados, mas nossa base é Goiás. Não sei se consigo destacar uma característica do empresário goiano em relação aos demais. Agora, se você fala do povo goiano, já destaco alguns pontos, principalmente como é um povo hospitaleiro. Quanto a receber bem o concorrente todos falam que recebem, mas na verdade… (risos). O concorrente nos faz ser mais fortes, mas acho que, de maneira geral, nós recebemos bem. Você que é de fora, Antonio Neto, você tem
condições de falar melhor. Como você foi recebido? Antonio Neto: Na verdade, na empresa que trabalhei anteriormente, apesar de estar presente em vários Estados com dezenas de filiais, nós interagíamos pouco localmente. Depois que saí e montei a Treze Capital, tive a oportunidade de ter contato com diversos segmentos. Algo que me chama a atenção é a acessibilidade das pessoas em Goiás, o que não ocorre no Rio ou em São Paulo. Normalmente, as pessoas estão mais dispostas a escutar. Uma barreira que vejo é a dificuldade de contratar pessoas para cargos mais qualificados, de gerência para cima. Por exemplo, há alguns anos tínhamos 24 gerentes em Goiânia e somente um era goiano. Mas, quando viajo, sempre encontro uma garotada goiana bem capacitada. Lembro-me de dois casos: um goiano, de vinte e poucos anos, que conheci em Nova York, e que falava japonês e inglês e, o outro, foi em uma viagem de negócios à China em que fomos falar diretamente com os traders chineses e a BTG mandou de apoio um garoto também de Goiânia. Lembro que perguntei porque tinha saído de Goiânia e ele respondeu: “Goiânia é um lugar de empresas familiares e minha família não tem negócios, então, se eu fosse trabalhar na empresa de alguém o máximo que eu iria alcançar seria a gerência. Como queria ser mais que um gerente, fui para São Paulo”. Mas esse quadro está mudando pela necessidade do mercado. Carlos Luciano: Goiás foi um Estado predominantemente agrícola até 30 anos atrás e estamos vivendo um processo de transformação por meio da industrialização e também da nossa vocação óbvia para distribuição. Com o Mega Moda, por exemplo, Goiás se tornou uma alternativa ao Brás (bairro paulista), que responde por 40% da distribuição de moda no País. Segundo a Acieg, temos 7.500 confecções espalhadas pelo Estado. Goiânia é forte distribuidor de moda para o Centro-Oeste, Norte, Nordeste e até para parte do Sudeste. Essa vocação precisa ser melhor trabalhada. É uma transformação recente e vai demandar ações e planejamento. DIVERSIFICAÇÃO Carlos Luciano: Atuamos em várias áreas: temos a Novo Mundo e a Época Decorações – que são dois braços do varejo distintos; temos o Pantanal Shopping (em Cuiabá) e um shopping atacadista, o Mega Moda; temos a Novo Mundo Construtora; temos negócios na agropecuária; e a Montreal, uma indústria de colchões e estofados que é nossa maior fornecedora da área. Os negócios devem ter vida própria, com alguma Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 53
CONVERSACOMCEOS correlação. Acabamos de inaugurar a New Comunicação que vai atender não apenas nosso grupo, mas o mercado goiano. Antonio Neto: Do ponto de vista do empresário de tecnologia, onde sou sócio em alguns negócios (Multidata, Acttive e ITSS SAP), não vejo outro setor que apresente tanta ruptura ao longo do tempo. São estas rupturas de mercado que possibilitam grandes oportunidades. Hoje temos o Uber contra o táxi tradicional, temos o AirBnB contra as agências de viagem, entre dezenas de casos. A tecnologia traz a ruptura e isso tem um valor agregado absurdo. Temos ainda uma gestora socioambiental de lavoura de soja, que assessora os produtores a alcançar certificações socioambientais exigidas por várias empresas de alimentos europeias de seus fornecedores.
fazer o produto chegar e ter preço competitivo. É quase uma exportação. O desafio logístico é brutal, mas não é o único. Temos a burocracia, têm licenças, alvarás e certidões em excesso. Muito se falou de um projeto para simplificar a vida do micro e pequeno empresário, mas se fez pouco. Também temos a parte trabalhista e tributária. O governo federal, que fala tanto de reforma tributária, deveria reformar os tributos federais ao invés de atacar os estaduais. Temos muitos gargalos... Antonio Neto: Você falando de logística, vejo que todo empresário tem uma “dor” para contar. Na operação que atuei anteriormente, tínhamos negócios em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins. Não é fácil. Hoje a NorteSul funciona para grãos, mas só até o Tocantins. Lá, tínhamos 175 vagões e INTERNET exportávamos até a Ponta da MadeiCarlos Luciano: A internet é um ra, no Maranhão. Um panamax (navio Antonio Neto mar de oportunidades. Acredito na cargueiro com dimensões limites para integração de canais. Tem o consumipassar no Canal do Panamá) transpordor que prefere comprar em loja; o que ta, em média, 60 mil toneladas de soja. prefere comprar no site; o consumidor Cada carreta carrega 40 toneladas, enque consulta nosso site e compra na tão, são 1.500 carretas para carregar um loja; e o consumidor que compra pelo navio. Por isso que se formam aquelas site e retira na loja. O que precisamos filas intermináveis. A gente investia R$ é facilitar o acesso à informação e ao 1,5 milhão por mês de acesso das fazenproduto, facilitar a compra e entregar das até chegar na rodovia. Você vai em da forma que lhe for mais conveniente. outros países e fica maravilhado. Fui A nossa venda pela internet representa numa unidade da Cargill, no MississiCarlos Luciano 15%, com uma tendência para estabilipi (EUA), que parecia a Disney. Como zar entre 20% e 25%, muito embora eu várias empresas do agro estão localitenha plena convicção da manutenção da loja física. zadas no interior do País, em pequenas e médias cidades, o processo burocrático necessário para tocar suas operações GARGALOS se torna ainda mais complexo. Em algumas localidades, os Carlos Luciano: O Brasil que é quase do tamanho de uma cartórios funcionam somente duas ou três vezes por semana. Europa. Temos lojas no Maranhão, Amazonas, Pará e Rorai- Nós tivemos uma situação em que ficamos quatro meses com ma. Boa Vista está no hemisfério norte. Para o produto que não uma operação de financiamento à exportação parada porque é fabricado na Zona Franca de Manaus chegar lá é complicado. o responsável pelo cartório da cidade pediu licença para faA “linha branca”, produzida no Sul e Sudeste, e móveis viajam zer um curso de dez dias e, quando estava retornando, sofreu todo o País sobre rodas, o que é um absurdo. Vão sobre rodas um acidente de carro e tivemos de esperar ele voltar porque até Belém para pegar uma balsa e, a partir de lá, chegarem em não tinha outra pessoa para exercer a função. Esta é uma de Manaus e Santarém. Outro caminho é partir de navio, que várias travas que quem se dispõe a empreender enfrenta no sai do Sul e cruza a costa brasileira até Belém. É complicado País, seja no campo ou na cidade.
Pena que empresas economicamente viáveis, mas financeiramente instáveis, fiquem pelo caminho.
O Brasil é um País difícil de empreender e complexo de compreender.
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AUTOMAÇÃO | SUPPORT
José Franco Júnior, da Support, implantou os primeiros projetos de automação industrial em Goiás, ainda na década de 1980
Os novos BANDEIRANTES Automação industrial e pioneirismo marcam a história da família Franco de Campos, que há 25 anos fincou nova fronteira para o setor em Goiás
LUISA DIAS O engenheiro elétrico José Franco de Campos Júnior nunca seguiu o script em sua vida. Único a romper com a saga de advogados da família e a sair do Estado natal, São Paulo, para desbravar novos horizontes profissionais, ele colhe, aos 61 anos, os resultados da sua ousadia e dedicação ao ter iniciado, em 1984, o trabalho na área de automação com a Metal Leve, representante da Allen-Bradley e, dez anos depois, ter aceitado o desafio de vir para Goiás implantar um dos primeiros projetos na área, na fábrica da
indústria de alimentos, a Arisco. Com três décadas de atuação no mercado, a história do empresário se confunde com a automação no Brasil. Ele é considerado um dos pioneiros do setor, que começou seus primeiros projetos no ABC Paulista com as empresas automobilísticas. “A Allen-Bradley me ensinou muito, porque não existiam cursos na faculdade sobre automação. Eu aprendi com o próprio projeto. Ela tem os equipamentos e você transforma a elétrica em automação”. Até este período, todos os processos eram manufaturados. Na sequência dos carros, vieram indústrias de alimentos e mineLeitura Estratégica | Novembro de 2016 . 55
AUTOMAÇÃO | SUPPORT ração, que aderiram à automação, responsável por criar um sistema que faz uso de técnicas computadorizadas ou mecânicas para dinamizar e otimizar todos os processos produtivos dos mais diversos setores da economia. O primeiro produto de automação foi criado pela mesma Allen-Bradley, com quem José Franco começou sua carreira. A GM contratou a empresa, em 1968, para confeccionar um produto que tornasse versátil a produção de veículos. A empresa, que já produzia dispositivos elétricos, desenvolveu o equipamento chamado Controlador Lógico Programável (CLP), que substituiu os antigos relés e permitiu fazer modificações rápidas no processo produtivo. A novidade só chegou ao Brasil na década de 1980, que é também quando o empresário começa a trabalhar na área. A coincidência trouxe muitos efeitos para a carreira de José Franco. Ele é atualmente o maior empresário do setor em Goiás e referência para Centro-Oeste, Distrito Federal e Tocantins, e comanda a Support Automação, com sede em Aparecida de Goiânia (GO) e Cuiabá (MT). Este ano a empresa, com a sua liderança, deve faturar R$ 40 milhões. Com carteira fixa de 250 clientes, 70% em Goiás, é responsável pelos maiores projetos de automação nas áreas de alimentos, mineração e sucroenergia. Aberta oficialmente em 1996, a empresa completa este ano duas décadas de atuação no mercado. Sua chegada à Goiás é um divisor de águas na industrialização do Estado. Na época, apenas cinco indústrias já usa-
vam processos automatizados em suas linhas de produção. “Eu fui convencido com o argumento de que o Brasil tinha que crescer. Acreditei e estou vendo crescimento. Participei ativamente dele”, explica José Franco. Hoje, com exceção das pequenas indústrias, o parque industrial goiano é, em sua grande maioria, automatizado, priorizando segurança no trabalho, sustentabilidade e produtividade. A história em Goiás começa em 1994, quando José Franco deixou a esposa e os filhos em Mogi Mirim (SP), para conhecer seu novo destino. Na época, ele trouxe a JFC, empresa que já tinha montado em São Paulo, para atender a demanda da multinacional Rockwell, novo nome da Allen-Bradley, de distribuição para o interior do Brasil. O primeiro escritório no Setor Oeste comportava uma equipe mínima, com três pessoas, contando o próprio empresário. A Rockwell é hoje maior fornecedora global de soluções em automação industrial, energia, controle e informação. E tem, na Support Automação, o seu braço no Centro-Oeste brasileiro. São 70 funcionários, incluindo a esposa Cláudia e os filhos Gabriel, 31, e Murilo, 28. Eles vieram em 1997, junto com a caçula Júlia, 21, certos da escolha do pai. Hoje dividem trabalho, sonhos e muitas memórias. A nova sede, inaugurada em 2014, é própria e possui área total de 4 mil metros quadrados. Além dos serviços autorizados de automação, com representação de mais de 250 marcas, eles também passaram a oferecer serviços elétricos para os projetos de auto-
Nova geração na Support: Gabriel e Murilo, engenheiros como o pai . Consultoria americana ajuda na sucessão da empresa
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mação com a assinatura da Support. O nome Support Automação foi escolhido para traduzir o que a empresa oferece às outras empresas: suporte. E foi mudado após sugestão de um executivo da Rockwell Automation, que disse a José Franco que JFC era uma empresa de uma pessoa só. “Ele tinha razão. Não seríamos só isso”, explica, enquanto olha da sua sala os galpões onde guarda os suprimentos elétricos e os novos projetos. Em Goiás, a chegada da empresa veio na hora certa. No início dos anos 1980, a indústria começou a expandir com o programa de incentivos fiscais Fomentar e voltou a acelerar no fim dos anos 1990, com novo programa, o Produzir. Ambos são essenciais para tornar a vocação do Estado, o agronegócio, em indústria. Para isso, a automação teve papel essencial. No rol de indústrias representadas pela Support Automação, a principal é a Rockwell, que garante os principais projetos de automação das indústrias goianas. Para manter-se como distribuidora oficial, a empresa passa por complaince e tem de manter o nível de excelência desde a montagem até a execução dos serviços. “Sempre tem desafios. Você não fica na zona de conforto nunca”, garante José Franco. A empresa, depois de acrescentar os serviços elétricos ao portfólio, começa a estudar o Iot (Internet of Things), que deverá ser a nova realidade da automação industrial. SUCESSÃO A sucessão não era pauta na empresa até 2006, quando José Franco foi diagnosticado com câncer no intestino. A prova foi dura para ele e a família. Mas dos obstáculos nasceram a certeza de que queria a continuidade do legado construído por ele e pelos funcionários. O câncer foi superado e a empresa ganhou novo fôlego e projetos. Os dois filhos mais velhos do empresário escolheram a mesma profissão do pai e são engenheiros eletricistas. Tanto Gabriel quanto Murilo assumiram diferentes áreas na Support Automação depois de um ano de trainee, na Rockwell, nos Estados Unidos. Mas, mesmo com o DNA do pai cravado nas veias, a família realiza um processo de governança para cuidar da sucessão do patriarca. A relação do empresário com os filhos é de harmonia. “Hoje mais do que conselho, todas as decisões importantes eu compartilho com eles”, afirma José Franco. Gabriel está à frente da equipe de vendas e Murilo, do marketing. “Eu já vivia a empresa. Nunca tive uma função antes da faculdade, mas já tinha a vivência, já achava interessante. Durante a graduação, eu vi que seria um caminho. Comecei nas férias e hoje já tenho oito anos de formado e de empresa”, conta
SUPPORT 1981 – Recém-formado, José Franco Júnior começa a trabalhar na Metal Leve 1994 – Inicia atividade em Goiás, com empresa que havia aberto em São Paulo, com nome JFC – a sede ficava no Setor Oeste 1996 – Abre a Support Automação Industrial 2014 – Inaugura nova sede, no Polo Empresarial de Aparecida de Goiânia (4 mil m2)
BALANÇO Faturamento anual Clientes fixos Representação Funcionários Sedes
R$ 40 milhões 250 clientes 250 marcas 70 Goiânia e Cuiabá
Gabriel Franco de Campos, que estagiou em outra empresa antes de assumir o cargo na empresa da família. É o próprio Gabriel que explica o novo momento da Support. A empresa contratou uma consultoria americana para implantar a profissionalização. É o que eles chamam de “atravessando abismos”. O objetivo é garantir qualificação em cada função exercida e olhar para o futuro, quando José Franco deve assumir uma função de chairman do seu pequeno império. E, enquanto isso, José Franco continua a contribuir com novos projetos e com sua liderança singular, baseada no olho no olho. É dele a ideia do Centro de Treinamentos, onde funcionários e clientes conseguem aprender mais sobre automação e processos. O local é a menina dos olhos do empresário, onde ele vê o futuro, baseado em tudo que trouxe de São Paulo para desbravar Goiás: conhecimento. “Já temos cursos técnicos e superiores na área de automação em Goiás. Mas a Support Automação ainda é um formador de profissionais. É muito importante formar profissionais, ser uma referência no Estado, como um dos pioneiros e um dos que trabalham com automação”. Diferente dos primeiros bandeirantes, que levaram daqui os tesouros goianos, José Franco deixa no Estado sua marca e contribui para fazer deste pedaço do Brasil um novo polo de tecnologia e indústria. Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 57
INOVAÇÃO | INVESTIMENTO
Uma nova era da
TECNOLOGIA Iniciativa privada lança Parque Tecnológico e Hub da Inovação, com fortes parceiros. Goiânia se insere na rota dos negócios do futuro no País Uma cidade digital, uma plataforma tecnológica e um ecossistema da inovação. Tudo ao mesmo tempo. O Parque Tecnológico de Goiânia, a ser implantado no bairro planejado Goiânia 2, foi projetado para ser a integração e consolidação da indústria limpa da tecnologia no Estado, em expansão. O local é estratégico e vai concentrar empresas, serviços, projetos e investimentos. Com previsão de gerar 20 mil empregos, o projeto é encabeçado pelas empresas Tropical Urbanismo e Incorporação e CMC/BCI, que formam o Instituto Gyntec de Inovação. A previsão é que ele seja executado em quatro etapas, sendo que o início das obras da primeira fase será em 2018, com entreSérgio Ozório (E), do Sebrae de Londrina, Gelson Ozório (C) e Reilly Rangel (D): no local que será instalado o projeto
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ga estimada para 2020. Na prática, o projeto já começou. Antes mesmo do início da construção do Parque Tecnológico, foi lançado o Hub de Inovação Gyntec, um espaço físico de conectividade e empreendedorismo, que contará com o apoio do Sebrae Goiás, ADIAL, Sindinformática, Comtec, AJE Goiás, Anjos do Brasil - Núcleo Goiás, Minimize 3D, Asespro, Solpar e Faculdade Esup/FGV. “Atualmente em Goiânia, nós temos todos esses agentes. A maioria, porém, de forma desconectada. O projeto vai possibilitar a aproximação para fomentar, incentivar e desenvolver a capacidade inovadora de todos os profissionais envolvidos que”, argumenta o presidente do Gyntec, Reilly
Rangel, que destaca que a Ace (antiga Aceleratech) é considerada a maior aceleradora de startups da América Latina. O Parque Tecnológico ocupará uma área de 106 mil m2, com toda estrutura física necessária para abrigar desde empresas de pequeno porte até grandes corporações da área de ciência e tecnologia. Além do condomínio tecnológico, contará ainda com um centro de inovação, espaço para eventos, hotel, praça de alimentação, estacionamentos e áreas de convivência. O empreendimento tem como objetivo vocacionar a Região Norte como o eixo tecnológico de Goiânia, aproveitando os benefícios trazidos pela localização privilegiada – próximo à UFG e
ótima acessibilidade – e os incentivos fiscais concedidos pelo governo do Estado às empresas que estão dentro de parques, com redução do ICMS; e pela Prefeitura de Goiânia, com redução do ISS de 5% para 2%. “Nós podemos falar das vocações econômicas do Parque Tecnológico, como a bioeconomia, o agronegócio, a energia limpa, a tecnologia da comunicação e informação, química fina e a economia criativa. Hoje, sem este ambiente totalmente favorável e propício que o parque pode proporcionar, nosso capital intelectual é, em sua maioria, exportado”, destaca Reilly. “Uma das vantagens do projeto é que ele aproximará as grandes empresas que atuam no mercado de ciência e tecnologia dos grupos de pesquisa das universidades, criando uma interface que entre a geração e a aplicabilidade do conhecimento. Assim como abrangerá sedes de empresas líderes em seus segmentos, também vai comportar equipes de pesquisadores das universidades goianas, que poderão ocupar espaços sem custo”, esclarece Felipe Pinho da Costa, diretor de Empreendimentos da Tropical. “Existem vários modelos de parques tecnológicos. Em nosso caso é um parque de quarta geração, pois está sendo desenvolvida a parte da inteligência, do capital intelectual, do setor produtivo - empresas e profissionais da tecnologia – e do governo, em todas as suas esferas, além da comunidade que também vai fazer parte. O parque vai se integrar com todos, portanto não será algo fechado, isolado e intocável”, diz Reilly. Ele também destaca a atenção do projeto em garantir a preservação ambiental da região. “O empreendimento terá baixo adensamento, presença de áreas verdes em seu interior e siste-
106 MIL M 2
é o tamanho da área do Parque Tecnológico
20 MIL EMPREGOS devem ser gerados no empreendimento
5 MILHÕES já serão investidos em 30 startups
mas de reaproveitamento de água e energia.” INICIATIVA PRIVADA O desenvolvimento do projeto contou com a consultoria da Fundação Certi – referência no Brasil na concepção e desenvolvimento de parques tecnológicos. “Esse tipo de arranjo representa uma quebra de paradigma no País, pois geralmente os parques tecnológicos são propostos pela academia ou governo. No caso de Goiânia, o projeto é encabeçado pela iniciativa privada”, destaca o consultor do projeto, Leandro Carioni, diretor da Certi. O Hub promete ir muito além da definição de “espaço compartilhado de trabalho”. Consistirá em um lugar propício para o encontro de pessoas que
interagem e, consequentemente, criam, empreendem e trabalham juntas. Além disso, seus usuários contarão com a consultoria permanente do Sebrae Goiás, do Instituto Gyntec de Inovação e da aceleradora Ace Goiânia, que manterão espaços próprios no local. As empresas em fase de aceleração e com alto potencial de crescimento poderão ainda receber investimento anjo. “Estamos captando, por meio de investidores anjo, R$ 5 milhões, divididos em dez cotas de R$ 500 mil. A intenção é investir até R$ 100 mil por empresa em fase de aceleração em troca de uma participação de 10% nas ações. Vamos aportar recursos em 30 startups, sendo seis por ano. Até o momento, integram o grupo de investidores anjo na Ace Goiânia: Instituto Gyntec, Tron Informática e Joule Engenharia”, revela Marcos Bernardo Campos, diretor da CMC/BCI, integrante do Instituto Gyntec. Com 500 m2, a estrutura do Hub terá auditório, salas para reuniões, vestiários, estações de trabalho, área externa de convivência, bem como os espaços: Sebrae, Ace Goiânia e Gyntec. “Quando o Parque Tecnológico for inaugurado, o Hub de Inovação será transferido para lá. Ele vai ocupar uma área de 4 mil m2 e passará a se chamar Centro de Inovação”, adianta Marcos Bernardo Campos. “Ainda estamos recebendo novos investidores e também ideias. Queremos atrair o máximo possível de pessoas para fazer parte da nova fase da nossa cidade. A intenção é que os empresários possam fazer com que seus projetos se viabilizem e aconteçam ao longo dos próximos vinte anos, ou seja, a cada cinco anos teremos uma nova etapa e precisamos assim da participação de todos, investidores financeiros ou de energia positiva”, disse Reilly. Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 59
INVESTIMENTO | HOSPITAL
ÓRION NOVO PATAMAR EM SAÚDE Previsto para dezembro de 2017, Órion Business e Health Complex terá hospital, com a bandeira do Albert Einstein, consultórios, clínicas, hotel da Rede Atlântica e shopping A meta do Órion Business e Health Complex não é simples. Mas simples é uma palavra que não faz parte do que envolve o novo complexo de saúde de Goiânia - que está em construção na Avenida Portugal com a Mutirão, no Marista. Por aí, é fácil compreender os objetivos do projeto: elevar Goiânia a um novo patamar em assistência à saúde e hospitalar, trazendo para a capital um padrão comparado aos mais renomados institutos de saúde do País. Com o Hospital Albert Einstein como âncora, contando com consultoria de entidade ligada à Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, o moderno empreendimento mixed use vai abranger espaços voltados para consultórios, clínicas, negócios, hotelaria, shopping e lazer. A previsão para o início das operações é dezembro de 2017. À frente da incorporação e construção estão as empresas GVC Engenharia, FR Incorporadora, Tropical Urbanismo e Joule Engenharia. O Órion vai oferecer, além de um avançado hospital preparado para procedimentos de altíssima complexidade, um centro de compras, 1,4 mil vagas de estacionamento e um hotel de bandeira 60 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
internacional (Rede Atlântica). “Acreditamos que essa estrutura do hospital, integrada a um shopping, hotel, salas clínicas e ao centro de diagnóstico proporcionará uma grande praticidade e agilidade, principalmente no que se refere à facilidade de acesso, estacionamento e segurança, tanto para profissionais de saúde quanto para pacientes e acompanhantes”, destaca Frank Campos, gestor técnico e financeiro e um dos sócios do empreendimento. O principal diferencial do empreendimento será o hospital, que promete ser o mais moderno do Centro-Oeste. O Órion Hospital será o primeiro em Goiânia a contar com consultoria do Instituto Einstein, englobando todos os aspectos da constituição e operacionalização hospitalar. “Também será o primeiro da capital na categoria Premium”, afirma. A estrutura do novo hospital terá mais de 20 mil m2 de espaço físico, 140 leitos, sendo 40 de UTI, e centro cirúrgico com 13 salas. Haverá possibilidade de expansão futura em mais 3,5 mil m2 com acréscimo de mais 100 a 120 leitos. O Órion Complex Health está recebendo infraestrutura de ponta, com um sistema de integração e geren-
Órion em duas fotos: a obra, já em estado avançado, e a maquete do projeto
ciamento de informações de todos os atendimentos, cadastrando dados de cada paciente, além de seu prontuário médico, de todos os consultórios, clínicas e serviços médicos, o que inclui o centro de diagnóstico e do próprio Órion Hospital. Os benefícios contribuirão também para a qualidade das consultas dos profissionais que atuarem no complexo, uma vez que o paciente nem sempre passa seu histórico de saúde com exatidão na hora da consulta. Outra grande vantagem deste sistema, segundo Frank Santos, é que se o paciente precisar de atendimento fora do Estado ou até fora do País, um outro profissional médico poderá acessar as informações do prontuário remotamente, mediante autorização deste paciente. O Órion Hospital terá uma gestão voltada para eficiência da assistência hospitalar, com controle rigoroso e atualização contínua dos protocolos médicos, realizados de acordo com a consultoria e gestão do Albert Einstein. José Henrique Germann Ferreira, médico e diretor-superintendente de Consultoria e Gestão da Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein, esteve em Goiânia para apresentar aos médicos locais detalhes da consultoria ao Órion Hospital, que será o primeiro a receber o convênio com o Einstein, englobando todos os aspectos da constituição e operacionalização hospitalar. A consultoria prevê o compartilhamento de know how para a implantação de tecnologias médicas, do modelo de gestão e governança corporativa e de treinamento do corpo clínico. Germann destacou que o constante e sistemático aprimoramento do corpo clínico será um dos focos da consultoria. “Não adianta só o hospital ser excelente. Não adianta só o corpo clínico ser
excelente. Os dois devem ser excelentes”, afirmou Germann Ferreira. A consultoria do Instituto Einstein vai ajudar na implantação de mecanismos de governança corporativa que garantirão isonomia de protocolos médicos, implantação de um programa contínuo de treinamento de recursos humanos e uma gestão financeira que garanta o investimento contínuo em tecnologias de ponta. A meta, segundo o gestor, é que, já no segundo ano de operação, o novo hospital alcance a certificação de qualidade ONA3, que é atualmente a acreditação em âmbito nacional mais importante na área da saúde. ALTA COMPLEXIDADE A unidade hospitalar será especializada em procedimentos de altíssima complexidade, como transplantes de órgãos, cirurgias neurológicas e bariátricas, entre outras. A unidade atenderá a várias especialidades, porém, os focos principais serão cardiologia, neurologia, oncologia e ortopedia traumática. O empreendimento vai reforçar a forte vocação que Goiânia tem para prestação de serviços em saúde. Um estudo, encomendado pelo Instituto Einstein, com pacientes também de outros Estados, vindos do Sul da Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Maranhão – identificou-os como os que mais buscam atendimentos no Estado. Segundo Fábio Gonçalves, responsável pela Área de Expansão do Hospital Albert Einstein, a estrutura oferecida pelo Órion ajudará a resolver em parte a sobrecarga dos sistemas público e privado de saúde que existem em Goiânia, problema que persiste mesmo com a cidade tendo uma oferta de leitos hospitalares acima do que preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS). Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 61
EXECUTIVOS O executivo faz o serviço (limpo e sujo) para a operação funcionar. Os negócios são tocados por quem? Quem está por trás da marca? Quem está no topo do organograma? Revelar este cenário é a meta da Executivos que estreia nesta edição
EASYCRÉDITO
O movimento de startups vai ganhando força Brasil afora e Goiás consegue ter sempre algum projeto em evolução sendo lembrado e conquistando investidores. Um dos goianos que é figurinha carimbada nos concursos e prêmios de inovação é o projeto EasyCrédito, que já venceu o Inovabra; ganhou o Prêmio Ciab; ganhou o concurso Encontre seu Anjo na Pequenas Empresas Grandes Negócios; e, por fim, conquistou o prêmio Inovativa. Égio Júnior (foto), especialista em business intelligence e mobile, é um dos cinco desenvolvedores do projeto e destaca que o aplicativo permite a consumidores saberem quais lojas podem lhe oferecer crédito (via cartão ou crediário). “Nós ajudamos pessoas e empresas que, por algum motivo, não conseguem solicitar ou conceder crédito, seja por falta de tempo, estrutura ou por desconhecimento do processo. Cada pessoa possui um perfil de crédito que diz respeito a sua idade, renda, classe social, pontuação e, da mesma maneira, cada empresa possui uma regra de crédito que serve de parâmetro para concessão.”
GAIA AGRIBUSINESS O novo CFO da Gaia Agribusiness, empresa com operações nas principais áreas de proteção e cultivo de sementes, é Thiago Cavalcanti. A matriz da empresa é em Goiatuba.
Assumiu o executivo Paulo Iudicibus, engenheiro formado pela USP e que já foi diretor da Microsoft, SAP Brasil e Deloitte. Para a Diretoria Comercial, a empresa trouxe José Louis Essabbá, que atuava na empresa i-Hunter.
UNICENTRO BRASILEIRA No comando da Sicoob UniCentro Brasileira até 2019, o novo diretor presidente Raimundo Nonato Leite Pinto conta com novo superintendente, Artur Lehneman Coelho, formado em Administração de Empresas pela UFRGS, e vai conduzir a cooperativa financeira rumo aos R$ 2 bilhões em ativos.
LG, 2ª RODADA Mas, poucos meses depois, nova rodada de trocas. Paulo Iudicibus deixou a presidência, assumindo Daniela Mendonça. Na Diretoria Comercial, assumiu Adriano Moura, no lugar de José Louis Essabbá. Daniela e Adriano são pratas da casa -ambos com mais de 20 anos de experiência no negócio.
LG, 1ª RODADA A LG, empresa especializada em soluções para RH, promoveu uma reformulação na sua estrutura organizacional. O fundador e acionista Gustavo Teixeira deixa a presidência, assumindo o Conselho Diretivo. 62 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
GRUPO RIO QUENTE O novo diretor de Marketing e Vendas do Grupo Rio Quente é o executivo Flávio Monteiro, que tem mais de 10 anos de experiência na indústria hoteleira, passando por Blue Tree, Slaviero e Estanplana. Ele substitui Ana Luiza Masagão – que ficou quase três anos no cargo.
VIVENCE HOTÉIS Roberto Pessoni assume o comando da área de tecnologia da informação da Vivence Hotéis e Resorts, empresa goiana que atua em administração hoteleira no CentroOeste.
SIFAEG André Rocha Lima, executivo do Sifaeg/Sifaçúcar, chamou a atenção de líderes empresariais ao usar o grupo de WhatsApp para detalhar o evento em que representou Goiás em vários países da Ásia (Tailândia, Myanmar, Vietnã, Malásia e Índia). Na era do blá-blá-blá, do copia-e-cola e das piadinhas, um exemplo de clareza e objetividade nas redes sociais.
CROOL A goiana Crool foi apontada por estudo da revista especializada Você S/A como o melhor empresa para se trabalhar no segmento de Odontologia do País. Fundada há 16 anos, o Crool tem maior centro odontológico do País, liderado pelos sócios Frederico Coelho e Cassiano Medeiros, que destacam o atendimento humanizado e treinamentos implementados pela empresa. ABF CENTRO-OESTE Claudia Vobeto, da franquia goiana Posé Beleza, comanda a Diretoria Regional da Associação Brasileira de Franchising (ABF) no CentroOeste. O foco do trabalho é ampliar a expansão das redes de franquias na região. Em 2015, crescimento foi de 12,9%, superando média nacional. ADAMA Eron Martins, ex-Agrex e Saint Gobain, assume a Diretoria Financeira da Adama, empresa de agroquímicos. Formado em matemática e administração, Eron tem MBA pelo Centro de Estudos Financeiros de Madrid. A empresa tem sede no Paraná.
GRUPO JAIME CÂMARA O Grupo Jaime Câmara promoveu mudança radical no comando e, por sinal, na estratégia de sucessão. Cristiano Câmara deixou a Presidência e o cargo de CEO, que ocupava há seis anos, para se dedicar a projetos pessoais, assumindo o primeiro cargo de presidente do Conselho de Administração, Jaime Câmara Júnior, e o segundo, de CEO, Breno Machado, então vicepresidente. Maurício Duarte, ex-UOL e então vice-presidente de jornal, rádio e internet desde 2014, foi demitido. CASADIGITAL BRASÍLIA Ana Paula Bulus é a nova diretora regional da agência CasaDigital de Brasília. Com 20 anos de experiência, a profissional atua há 14 anos no grupo. MÁXIMA SISTEMAS A Máxima Sistemas contratou Vitor Reis para coordenar as ações de comunicação e marketing da companhia através dos meios digitais. O profissional irá apoiar a diretoria comercial e de marketing, liderada atualmente por Adriana Mendes. REPOSIT Leonardo Barros, ex-PC Sistemas, assumiu a diretoria-executiva da Reposit, empresa especializada em ambiente para armazenar dados. Barros definiu como direcionamento a construção de alianças estratégicas no mercado atacado-distribuidor.
AQUECIMENTO O mercado de executivos começa a se aquecer. A Fesap Group, consultoria de executive search e de estratégica de capital humano, realizou 67% mais contratação de executivos na unidade Centro-Oeste no primeiro semestre deste ano. REPOSIÇÃO Leonardo Massuda, sóciodiretor da Fesap Group no Centro-Oeste, aponta que muitos dos projetos que envolviam contratação de executivos foram postergados e no caso de cortes de funcionários não houve a reposição. “Agora estão sendo retomados devido a pequenos sinais de reação, como por exemplo a melhora dos índices de confiança do consumidor e da recuperação da atividade industrial.” SETORES Massuda destaca que os setores que mais contrataram são do Agronegócio, Educação e Farmacêutico. “O mercado de trabalho no geral deve continuar recessivo até meados do ano que vem. O movimento maior ocorre por demanda de profissionais com um alto nível de especialização e senioridade, do que para contratações na base das operações.”
Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 63
EXECUTIVOS APARECIDA SHOPPING
Com especializações pelo IBMEC e Fundação Dom Cabral, Fábio Leal assumiu a Superintendência do Aparecida Shopping, tendo atuado, desde 2004, em outros cinco shoppings da rede Ancar Ivanhoe. A atual gerente de Marketing da Saga Malls, Girlaine Caldas, também ex-Ancar Ivanhoe, têm 21 anos de experiência na área, com forte atuação em comunicação e eventos. O Aparecida Shopping abre as portas em abril. LEITURA ESTRATÉGICA Matéria publicada no portal Leitura Estratégica, do jornalista Fernando Dantas, recebeu o prêmio de jornalismo do Sincor-GO, obtendo o segundo lugar na categoria webjornalismo.
CONSULADO DA ESPANHA O Consulado Honorário da Espanha em Goiânia foi reaberto para atendimento ao público. A nova sede fica na Chácara Alto da Glória, próximo ao Parque das Laranjeiras, na região Sul de Goiânia. O funcionamento será das 9 às 13 horas, todas as terças e quintas-feiras. O novo cônsul honorário da Espanha em Goiás, o empresário espanhol Juan Zamora, da Euroamérica, é radicado em Goiânia há mais de dez anos. GRUPO PRIVÉ O quadro de executivos do Grupo Privé passou recentemente por nova estruturação. O diretor comercial Marco Aurélio Palmerston assume a vice-presidência corporativa. No seu lugar, assumiu Antonio Marçal, que gerenciou por seis anos a operadora Valetur – que pertence ao grupo. Cléber Cardoso assumiu a Diretoria Executiva. NUBAH O chef francês Olivier Deslovere comanda a cozinha do Nubah Restaurante Spirited Bar, no Setor Marista, em Goiânia.
CARACAL INTERNATIONAL O CEO da indústria Caracal International LLC, de Dubai, Hamad Al Almere, esteve em Goiás em novembro para verificar local para instalar uma fábrica de armas, possibilitando a transferência de tecnologia com know how alemão para o Estado e produzirem, pela primeira vez, em território latino-americano. O Daia, em Anápolis, é o local favorito, com previsão de gerar 1.500 empregos.
URBS RT O diretor Ricardo Teixeira comandou uma equipe de corretores e gerentes da URBS RT em treinamento de campo na cidade de São Paulo. O objetivo foi conhecer o mercado de imóveis de altíssimo padrão na capital paulista. Os profissionais conheceram empreendimentos de luxo em bairros nobres de São Paulo, como Jardins, Moema, Vila Nova Conceição e Praça Pereira Coutinho. Treinamento foi promovido pela GPL, Terral e Town.
BRASAL E CONSCIENTE O gestor imobiliário Leandro Baptista deixou a Consciente Construtora e assumiu a coordenação de vendas da Brasal Incorporações em Goiânia. Assumiu o posto Rafael Peixoto, com dez anos de experiência no mercado imobiliário. O objetivo? Oxigenar a carreira e buscar novas oportunidades.
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DUCATI BRASIL O novo CEO da Ducati do Brasil é Diego Borghi, que antes ocupava o cargo de CFO. Com 34 anos, Borghi já atuou de startups a setores de bens de consumo e automotivo. A gestão anterior, do italiano Antonino Labate, reformulou a empresa no País.
CARREIRA | FORMAÇÃO
IPOG na era da sabedoria Instituto comemora 15 anos com foco no futuro e voltado para oferta de ensino que alia conhecimento técnico e humanístico para formação de um cidadão integral
Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 65
CARREIRA | FORMAÇÃO
Nome: Leonardo José de Oliveira Idade: 36 anos Formação: Marketing, Liderança e Gestão de Qualidade Em 15 anos de atuação no setor educacional, o Instituto de Pós-Graduação (IPOG) formou mais de 40 mil profissionais em todo País. Uma das mais reconhecidas instituições de ‘ensino superior Brasil afora, o Instituto prepara-se para dar um passo à frente. Para além da formação técnica, cuja excelência lhe garantiu reconhecimento e uma posição consolidada, o IPOG avança e se propõe a oferecer algo a mais: formação humanística, que estimula o protagonismo de seus alunos para que adquiram mais do que conhecimento, mas a capacidade de se descobrir a partir do seu autodesenvolvimento
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Nome: Paulo José Santana Idade: 43 anos Formação: Gestão Organizacional, Liderança e Gerenciamento de Crise e do seu crescimento integral enquanto ser humano. A partir do estudo de recentes pesquisas sobre avanços da neurociência e da andragogia, o Instituto desenvolveu o Novo Método de Ensino do IPOG, que começa a ser implantado em suas unidades nos próximos cursos, que valoriza as competências do ser humano e propõe o seu desenvolvimento integral. Para o IPOG, educar é facilitar o processo em que o aluno aprende a aprender para toda a vida, é facilitar o processo, de modo intencional, o aluno coloca o pé na estrada do crescimento em todas as dimensões: física, mental, emocional e espiritual.
“Estamos saindo da era do colhor para a vida, não apenas para a nhecimento para a era da sabedoprofissão, refletindo e planejando ria. O que motiva as pessoas não questões tão importantes quanto: é mais a relação recompensa ou autoconhecimento, propósito exispunição. As pessoas atingiram um tencial, engajamento no trabalho, nível satisfatório de suprimento de melhores relacionamentos, realizasuas necessidades básicas, o que as ções significativas, transcendência, levam a buscar um senso de comamor e liberdade”, destaca Luciano. prometimento maior, autonomia Entre as aspirações do IPOG, e propósito, a florescer”, assinala está ser reconhecido como instituiLeonardo José de Oliveira, sócioção de ensino comprometida com o fundador do IPOG. desenvolvimento integral do potenE é justamente isto que o IPOG cial humano e continuar aprimoquer oferecer a os seus alunos, uma rando a qualidade da aprendizagem Paulo José Santana jornada de conhecimento e autoaplicada. Aspirações cujos alicerces conhecimento, num controverso são fundados de dentro para fora, ambiente fragmentado. “Queremos levar autoconhecicom a valorização dos seus colaboradores e alunos. mento e ajudar o aluno e a sociedade a superar desafios Com planejamento e foco em sua missão, o IPOG da condição humana e chegar ao florescimento”, frisa. inicia, em 2017, a jornada para o alcance das metas proPara atingir este objetivo, o IPOG estabeleceu parcepostas em seu plano estratégico, focado na formação hurias, como a firmada com a Caminhos – Vida Integral, mana e no incentivo ao florescimento do indivíduo. Nespara a construção do curso que foi chamado Plenitude te caminho, oferecerá cursos de Educação a Distância – Desenvolvimento Integral do Potencial Humano, cujo (EaD), em nichos específicos, iniciando com liderança objetivo é preparar seus alunos não só para serem bons e gestão, que visam atender a demandas específicas de profissionais, com domínio do conhecimento técnico, regiões e categorias que teriam dificuldade em formar mas um ser humano como propósitos maiores, que ajuturmas presenciais. O projeto de Educação a Distância dem a mudar o seu entorno, e que será oferecido, de forfoi autorizado pelo Ministério da Educação (MEC) com ma transversal na grade dos cursos do Instituto. conceito 5, o mais alto concedido pelo ministério, um reO IPOG se inspira e segue na mesma direção da uniconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo Instituto versidade norte-americana de Harem uma década e meia de atuação. vard, ao trazer transversalmente A qualidade dos seus cursos de para a sua grade de pós-graduação graduação, oferecidos desde 2009, e duas disciplinas que tratam do Depós-graduação foram reconhecidos senvolvimento Integral do Potenpelo MEC, que concedeu conceito 4 cial Humano. As disciplinas foram para a instituição e para os seus dois desenvolvidas por Luciano Meira, cursos de graduação: Administraex-vice-presidente da FranklinCoção e Engenharia Civil. vey no Brasil e pelo professor HelO crescimento na oferta de curder Kamei, primeiro-mestre pela sos de graduação, explica Paulo José USP no campo da Psicologia PoSantana, sócio-fundador do IPOG, sitiva. As disciplinas do IPOG, que ocorre com a preocupação com a juntas compõe o Workshop Pleniqualidade do ensino a ser oferecitude, serão lançadas oficialmente a do, marca registrada do Instituto e partir de janeiro de 2017. que lhe garantiu a consolidação no “Agora os alunos do IPOG mercado da pós-graduação. Paulo Leonardo José de Oliveira também poderão se preparar melembra que, além do conhecimen-
"Além do conhecimento, o ambiente do IPOG também favorece o estabelecimento de relações, a troca de experiências e prática de networking, importantes para profissionais de todas as áreas"
"As pessoas atingiram um nível satisfatório de suprimento de suas necessidades básicas, o que as levam a buscar um senso de comprometimento maior, autonomia e propósito, a florescer"
Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 67
CARREIRA | FORMAÇÃO to, o ambiente do IPOG também favorece o estabelecimento de relações, a troca de experiências e prática de networking, importantes para profissionais de todas as áreas. “Diversas culturas e saberes se somam e constroem uma alternativa”, destaca Paulo. O público que busca o IPOG é bem diversificado, reunindo desde recém-formados que almejam uma especialização para ingressar no mercado de trabalho, a profissionais experimentados, em busca de renovação e ampliação de conhecimentos para manterem-se atualizados com as transformações que o avanço tecnológico e a ampliação das possibilidades de comunicação e interação proporcionaram nas últimas décadas. O IPOG também oferece cursos in company e de curta duração, formatados para demandas específicas de empresas, corporações e categorias profissionais. Do início modesto em Goiânia para a presença em todos os Estados e Distrito Federal, o caminho do IPOG passou pelo foco e determinação para avaliar mercados e necessidades profissionais. O encontro dos então estudantes de Direito Paulo José Santana e Leonardo José de Oliveira deu início a uma parceria de sucesso e visionária. Os sócios enxergaram na oferta de cursos de
pós-graduação lato sensu, em áreas sensíveis e carentes, a oportunidade de crescerem ao mesmo tempo em que dariam suas contribuições ao ensino superior no Brasil. As especializações do IPOG tornaram-se referência de qualidade a partir da formação de seus egressos. No início, os cursos atendiam a carências do mercado. Hoje, o Instituto antecipa soluções para problemas que, muitas vezes, ainda estão prestes a fazer parte de determinada região. Direito, liderança, gestão, negócios, saúde, engenharia e arquitetura são algumas das áreas de atuação, que conta com equipe de colaboradores inspirada em seus valores, que são vivenciados em todas unidades. Os fundadores do IPOG souberam enxergar a oportunidade nas carências do mercado, que pedia por cursos de formação mais qualificados, com soluções efetivas para as necessidades de cada público e de cada demanda, conhecimento prático e amplamente vivenciado. As dificuldades para gerar a percepção de valor da marca e posicioná-la como instituição de ensino qualificada nos grandes centros foram vencidas com estratégias que, necessariamente, passaram pela garantia de qualidade e valorização dos seus públicos interno e externo, na motivação e inspiração.
O IPOG HOJE: Mais de
17 mil alunos Mais de
60 cursos
Graduação, pós-graduação, cursos in company e de curta duração Unidades em
TODAS AS CAPITAIS BRASILEIRAS
223 colaboradores diretos
800 professores
68 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
NEGÓCIOS | FAST AÇAÍ
Próximo destino:
MIAMI
Fundada em 2012, empresa goiana já tem mais de 135 pontos de vendas espalhados pelo País e começa internacionalização, com loja nos EUA
Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 69
NEGÓCIOS | FAST AÇAÍ LUISA DIAS Batizada como Fast Açaí, em 2012, a marca goiana responsável por uma nova guinada na venda do fruto típico brasileiro expressava na escolha do nome a rapidez da entrega. O objetivo principal era servir o alimento sem demora e garantir que ele pudesse ser consumido em qualquer espaço. Mas o fast do nome também traduz a rapidez que as lojas da marca se reproduziram e chegaram, em quatro anos, a outro país. Transformada em franquia em 2014, a Fast Açaí tem hoje 135 lojas no Brasil e nos Estados Unidos. Com apenas dois pontos de venda no início do projeto, que reuniu três irmãos, Maurício, Pedro e Belisário Lima, e um amigo, Frederico Junqueira, o quarteto foi recusado em todos os shoppings da grande Goiânia. O carro-chefe da marca era o açaí expresso, que busca sair das máquinas com sabor e textura idêntica ao tradicional açaí artesanal. Os dois primeiros quiosques foram montados em uma galeria e em um supermercado, na capital goiana. O formato que uniu os sócios foi ideia inicial do administrador Frederico, que procurou nos amigos, Pedro e Belisário Júnior, a experiência para criar um novo produto. Eles foram fundadores da Tribo do Açaí, junto com o atual proprietário, e também abriram a Trupe do Açaí. Ambos os restaurantes são tradicionais em alimentação saudável em Goiânia. A dupla saiu do primeiro em 2004 e, do segundo, em 2014, para focar na Fast Açaí. Foram seis meses de pesquisa até encontrar a textura ideal. Também foi o prazo para formatar o modelo de negócio, já criado para ser uma franquia com lojas indoor e outdoor. Hoje, a empresa ampliou seu mix de produtos na linha de alimentação saudável com o expresso de cupuaçu, sanduíches naturais e a mais recente novidade: uma linha de cafés, composta por cinco sabores de café expresso e dois diferentes tipos de bolos nutricionais. As novidades agregam valor comercial à franquia e aumentam o volume de vendas. O franqueado tem um valor de investimento inicial de R$ 140 mil, que inclui estrutura física e capital de giro. Cada franquia fatura, em média, R$ 30 mil mensal. O retorno do investimento ocorre entre 16 e 24 meses. De acordo com Maurício Lima, que é o diretor jurídico e estratégico da franquia, o negócio foi criado a partir de técnicas de gestão de grandes empresas e com padronização para ser franquia. “Sempre trabalhamos com 100% de legalidade, o que garantiu que tudo pudesse ser replicado e o lucro pudesse ser aferido”, afirma ele. No processo de
70 . Leitura Estratégica | Novembro de 2016
Os irmãos Maurício, Pedro e Belisário, com o amigo Frederico: sócios que viram marca recusada, no início, por todos shoppings da capital
criação da franquia, foi implantado um sistema de gestão para dar segurança e foco ao negócio. “Existe uma concepção do empresário que é preciso ter informalidade no negócio, o que cria um grande problema de gestão para ele. Mesmo que seja um pequeno negócio, o caixa 2, por exemplo, permite que o funcionário também o faça e que desvios aconteçam”, explica o sócio responsável pelo marketing, Frederico. Cada franquia tem três funcionários, de acordo com o modelo de negócio. Na aprovação de propostas em todo o País, a marca hoje está em 14 Estados, os sócios buscam franqueados com vínculo local e dedicação à operação. “Transferimos nosso conhecimento para o franqueado e queremos que ele acompanhe de perto, como nós fazemos.” Na fábrica, a produção diária é de 3.240 litros de açaí, 615 litros de cupuaçu, 300 unidades de sanduiche natural e mais de mil unidades de wraps. A estrutura pode produzir até quatro vezes mais do que a demanda atual. A atual área total construída da indústria de 650 m2 chegará a 1.300 m2 de construção até o final do ano, com novos investimentos de R$ 1 milhão.
Ásia, Europa e os vizinhos sul-americanos. A expectativa é alcançar 200 contratos assinados até o fim do ano. Os sócios deixam claro que a ambição acompanha os planos. Eles querem estar em todos os continentes, sem pressa, mas certos de que o açaí terá adeptos entre os amantes da alimentação natural em qualquer lugar.
Foi com este formato redondo de negócio, que os sócios chegaram aos Estados Unidos, neste ano de 2016. O quiosque de Orlando já foi aberto, em um shopping, e, em breve, a marca desembarca em Miami, ambos no estado da Flórida. O clima quente e os turistas são a combinação que os empresários buscavam para garantir a explosão do negócio. “Em viagem as pessoas estão mais abertas para experimentar o novo e os Estados Unidos são uma vitrine para o mundo”. “Abrimos essa primeira loja nos Estados Unidos e queremos que esta operação seja otimizada, para que novas venham surgir a partir dela. Por mais que a gente tenha intenção de conquistar novos mercados, nós não queremos perder o foco”, explica Maurício. Para eles, a internacionalização também trouxe a possibilidade de conhecer e implantar novas tecnologias nos quiosques e aprimorar processos para atender as exigências jurídicas e sanitárias em um país diferente. Os Estados Unidos é o segundo maior consumidor da fruta açaí, perdendo somente para o Brasil. Ações institucionais também já estão sendo desenvolvidas para alcançar países da
PRODUÇÃO Os principais fornecedores de açaí da Fast estão no Pará, mas também existem produtores no Tocantins, Maranhão e Rio Grande do Norte. Com a irrigação, a produção é frequente o ano todo. “No começo tínhamos uma preocupação de falta de matéria-prima, mas percebemos que quanto mais encomendamos, mais temos retorno”. Atualmente são 3 toneladas de açaí e 700 quilos de cupuaçu consumidos diariamente. Toda a matéria-prima passa por testes em um laboratório dentro da indústria antes de ir para a linha de produção. O acompanhamento é extensivo ao cupuaçu. Depois de pronto, os produtos são distribuídos quinzenal ou mensal para as franquias. A distribuição é, em parte, feita pela própria marca. “É o nosso grande desafio chegar com agilidade e qualidade nos quiosques espalhados pelo Brasil”. Os empresários visitam constantemente as regiões produtoras da fruta base dos seus produtos. Também recebem consultoria da Embrapa na busca de garantir a qualidade da matéria-prima, desde a produção até o transporte na fábrica. Já estão de olho na produção local da fruta, o que diminuiria as questões de logística da marca. Para eles, o sucesso não está propriamente na fruta típica do Pará do Brasil, mas na qualidade do produto oferecido. “Não vendemos açaí ou wrap, vendemos saúde e essa é a certeza de quem vende e de quem consome”, afirma Frederico. Os irmãos Lima e Frederico se aproximaram por causa do jiu-jitsu, que lutaram muitos anos, mas foi o açaí que selou a união e a sociedade entre eles. Frederico é o único que luta até hoje. Os sócios aderiram a outras modalidades, mas ainda consomem diariamente açaí. Não é só para testar as novidades que saem da cabeça de Belisário Júnior direto para os quiosques da marca, mas porque realmente são apaixonados no que fazem. “Nosso produto é de muita qualidade. Quem toma uma vez, toma mais vezes. Sabemos do benefício do açaí”, afirma Pedro, que é responsável pelos 86 funcionários diretos e 400 indiretos. São eles o primeiro público da Fast e que carregam a missão de popularizar o açaí em todos os cantos do mundo com a mesma paixão do quarteto.
Leitura Estratégica | Novembro de 2016 . 71
BRAND Uma coluna diferente, quase uma ficha técnica. Onde empresas renomadas são convidadas a apresentar cases de marcas que atualizaram. Confira trabalhos da Canndu e da Enredo.
Marca Antiga
Marca Nova Agência:
WWW.CANNDU.COM.BR
CLIENTE:
DIRETOR:
DIRETOR:
PROVENDA A IMOBILIÁRIA
ANTÔNIO CÂNDIDO
HUGO MACHADO
ESTRATÉGIA: O menos que é mais. A ideia era simplificar o máximo possível e dar mais charme ainda a uma marca com mais de 30 anos. Começamos então por eliminar a quantidade de cores que não agregavam muito valor ao desenho, deixando apenas 2 cores, que combinavam entre si e desenvolvia uma identidade visual para a empresa. Juntamente com uma tipologia mais clean e sofisticada, tudo para apresentar um novo conceito de excelência e dedicação em cada serviço.
RESULTADO: A nova marca destaca aos olhos do consumidor e traduz um novo conceito de empresa, que está pronta para adaptar de forma simples, prática e harmoniosa a cada situação de seus clientes.
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Marca Antiga
Marca Nova Agência:
WWW.ENREDO.COM.BR
CLIENTE: SIMEON
DESENVOLVEDORES: Pesquisa e Estratégia: Ciro Rocha, Tiago Rodrigues e Julie Vieira Design: Gustavo Gontijo e Lucas Peixoto
ESTRATÉGIA: Planejamento Estratégico ainda é um desafio por grande parte das empresas. A nova marca desconstrói essa visão, através de um discurso próximo e do uso de ferramentas didáticas. RESULTADO: A simplicidade da identidade visual traduz a abordagem humana da empresa. O planejamento está simbolizado através dos fundos pontilhados presentes na marca. As figuras fazem conexão entre os pontos dando forma a ilustrações, pictogramas e metáforas visuais, que comunicam de maneira lúdica a abordagem e o DNA da empresa. AVALIAÇÃO DO CLIENTE: "A Enredo entendeu como ninguém a essência da Simeon e como traduzir isso em palavras, design e engajamento. Muito rapidamente, o trabalho resultou em excelentes feedbacks dos nossos clientes frente ao nosso novo posicionamento " Dobson Borges, CEO da Simeon
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GESTOR RURAL FERNANDO DANTAS | gestorrural@leituraestrategica.com.br
Pedro Revillion/ Palácio Piratini
ANÁLISE DE SOLOS A Embrapa Solos, em parceria com a iniciativa privada, desenvolveu um pacote tecnológico chamado de SpecSolo, que permite a análise de amostras de solo de forma não destrutiva, rápida e econômica. Dezenas de parâmetros de fertilidade e física do solo podem ser avaliados, simultaneamente, em apenas 30 segundos. A análise convencional, por exemplo, pode demorar dias. A tecnologia é considerada uma das maiores inovações em análise do solo dos últimos 50 anos. NOVOS BASCULANTES A Randon Implementos lançou, em outubro, os novos produtos do segmento de basculantes. Os itens chegam com diferenciais em seu projeto alcançando, entre outros benefícios, a menor taxa do mercado, com redução de até 8% quando comparado com os produtos similares do projeto anterior, melhorias no escoamento de carga, maior resistência mecânica e à abrasão e formato de caixa adequado a cada aplicação, seja de areia, brita ou grãos. CRÉDITO AGRÍCOLA 1 Responsável por 61% do crédito agropecuário no País, o Banco do Brasil está com R$ 91 bilhões em créditos disponíveis para custeio, comercialização e investimentos para produtores rurais e cooperativas. Em Goiás, são R$ 9,9 bilhões durante a safra 2016/2017. O valor é 12,5% superior aos recursos emprestados no Estado na safra anterior. CRÉDITO AGRÍCOLA 2 A Emater Goiás e o Banco do Brasil firmaram parceria para facilitar o acesso de pequenos produtores ao
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CADEIA LEITEIRA Junto de produtores de leite e cooperativas, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) aprovou, em Assembleia, medidas para buscar soluções para os problemas enfrentados pelos elos que compõem a cadeia produtiva leiteira em Goiás. Uma delas é a criação do Conselho Paritário entre Produtores e Indústrias do Leite (Conseleite), para que o setor tenha parâmetros considerados pelo mercado para estabelecer o valor final do leite a ser pago ao produtor.
crédito agrícola. A Emater atuará com a liberação de crédito rural por meio do Programa Correspondente Bancário do Banco do Brasil (Cobam). O programa utiliza uma ferramenta on-line, no qual as entidades parceiras estarão aptas a receber todos os documentos necessários para avaliação na liberação de crédito ao agricultor familiar. NOVA CULTIVAR Cerca de 50 toneladas de matéria seca por hectare/ano, média de 30% a mais do que as cultivares disponíveis. Essa é a produção da BRS Capiaçu, nova cultivar de capim-elefante, lançada pela Embrapa Gado de Leite em outubro de 2016. Entre as principais cultivares de capim-elefante, a BRS Capiaçu é a que
apresenta o maior teor de proteína. 4MILK Criado para facilitar a gestão no campo, permitindo uma comunicação mais hábil, universalização de dados e a melhoria da produtividade em campo, o aplicativo possibilita agendar tarefas, inserir todos os dados da propriedade rural e envio de alertas para todos os envolvidos na atividade. O App pode ser acessado por dispositivo móvel e funciona “off-line”, já que todas as informações são registradas, enviadas para a nuvem e armazenadas em computadores e servidores compartilhados e interligados. O aplicativo pode ser baixado nas plataformas Android, iOS e Windows.
OLHAR ROGÉRIO BORGES | olhar@leituraestrategica.com.br
Sua cidade, como está? Passando pela rua, surge de repente um buraco para entortar a roda do meu carro. Tentei desviar, mas havia uma caçamba colocada em lugar proibido. Caí no buraco e vinha ao volante amaldiçoando aquela falta de manutenção quando quase me envolvi em acidente na esquina em frente, já que a sinalização de quem está na preferencial no cruzamento está apagada. Ando um pouco mais e vejo uma praça detonada, um canteiro sem poda, meio-fios sujos. À noite, eu sei, aquele lugar vive às escuras. Mas eu estou só passando por ali, não é? O que tenho a ver com tudo isso? Tenho tudo. Tudinho. Aquele lugar pouco iluminado, inseguro, cheio de buracos é a minha casa. Não a rua do meu apartamento, mas uma via da cidade em que eu vivo. Portanto, é meu lar sim. Um dos grandes problemas do Brasil é que muitos, milhões que vivem nos centros urbanos não enxergam a cidade em que moram, trabalham e criam seus filhos como extensão de sua casa. Jogam lixo na rua, entopem bueiros, desrespeitam as regras de convivência. No espaço público fazem coisas que não permitiriam que ninguém fizesse em sua sala, em seu banheiro, em sua cozinha. Uma cidade fica inabitável por conta, também, de seus moradores. Não quero aqui eximir o poder público, que na maioria das vezes não cumpre com suas responsabilidades, não investe corretamente o dinheiro que recebe em impostos, não dá o devido retorno aos contribuintes.
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Mas a sociedade também tem uma grande parcela de culpa no cartório, seja elegendo governantes descompromissados com o bem comum, incompetentes ou simplesmente desonestos, seja tomando atitudes deploráveis nos espaços de convivência. Quando um cidadão joga um papel ou um toco de cigarro pela janela do carro, quando estaciona seu veículo sobre calçadas, quando despeja entulhos em lotes baldios, quando sequer conserva a calçada em frente à sua casa, ele está contribuindo com os desmandos de um prefeito que não administra, de um vereador que se vende, de um governador que não faz nada. Ele passa a integrar uma equação viciosa de degradação de cidades inteiras, ajudando a tornar sua vida e a dos outros pior. Sua cidade, como está? A minha poderia estar bem melhor, mas não adianta eu apenas reclamar. É preciso agir. Devo cobrar do político que aprova leis lenientes que destroem o meio ambiente e a mobilidade urbana, mas também devo pensar em não impermeabilizar meu quintal, em plantar árvores onde eu puder, em manter limpo meu espaço e o alheio. Seria tão difícil assim? Se o camarada não consegue manter higienizada a porta da sua casa, como cobrar que a coleta do lixo não passa todos os dias, como queixar-se de outros serviços públicos que deixam a desejar? Sua cidade, como está? Não tão limpa assim? Não tão bonita assim? Não tão agradável assim? Mas, e a sua consciência quanto a seu envolvimento com a cidade em que habita? Será que estará em melhores condições?
INSIDER.11 NOVEMBRO 2016 - EDIÇÃO 03
TERROR E TURISMO Na hora de programar as férias, avalie também se o País não é potencial alvo de terroristas. 80
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Ficou careca? Uma opção é o transplante
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Educar os pequenos sem pressão
GESTÃO POR DENTRO DO
A eficiência do trabalho de uma equipe está diretamente relacionada à capacidade da sua empresa em definir estratégias. A estruturação por meio de processos proporciona clareza e objetividade no entendimento das várias fases das atividades, assegurando maior visibilidade nas tarefas para o conhecimento do negócio da organização. Como saber se a gestão da empresa está no caminho certo? Primeiro, claro, vale muito ter o fluxo de caixa e da conta preservados. O consultor empresarial, Gabriel Ferreira Teles, aponta que quando o empresário tem noção da quantia que entra e que é gasta passa a ter domínio financeiro do negócio. Ele destaca ainda a importância de uma estratégia bem definida. “Se a intenção é cortar gastos, pode-se reduzir o número de pessoas, gastar menos e elevar o retorno. Para ampliar faturamento, pode-se abrir um novo canal de venda, lançar novos produtos ou investir em publicidade.” A eficiência do trabalho de uma equipe está diretamente relacionada à capacidade da sua empresa em definir a metodologia utilizada. “Uma boa estruturação proporciona clareza e objetividade no entendimento das várias fases das atividades, assegurando maior visibilidade nas tarefas para o conhecimento do negócio, da organização”. Independentemente da quantidade de funcionários, é importante a existência de processos organizados, estruturados, mapeados, com construção de indicadores, que devem ser analisados continuamente. “Partimos do princípio de que o que não é medido não é gerenciado. Processos claros dão sustentabilidade ao negócio, é preciso enxergar isso”, ressalta Gabriel. O principal papel da gestão por processos é cumprir as metas estabelecidas no plano estratégico com eficiência. Uma empresa que tem determinado o papel de cada colaborador, tem maior nível de profissionalismo e consegue não apenas corrigir problemas internos, como preveni-los. (IARA NUNES)
"As empresas goianas são carentes nas medições. São profissionais muito intuitivos, que dominam toda a operação, são excelentes em executar, mas chegam até um nível de crescimento e estagnam", Gabriel Ferreira Teles, consultor e estrategista
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NEGÓCIO
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VIAGEM TURISMO NA ERA DO
TERROR
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"Na Europa estamos vivenciando um aumento dos casos de xenofobia, inclusive contra turistas. Na Grécia, diversas manifestações transcritas em muros de cidades turísticas diziam que os turistas não eram bem-vindos ao país.” Pedro Pietrafesa, Sociólogo
Na hora de planejar a próxima viagem internacional, não dá para ignorar as questões políticas quando preencher o campo destino. Entre as principais preocupações estão as regiões do globo alvo do terrorismo. O continente europeu vive o acirramento dos conflitos religiosos e, nos últimos dois anos, vivenciou sete ataques, na França, na Bélgica e na Dinamarca, e ainda há o atentado ao aeroporto na Turquia. Estes locais escolhidos a dedo nas agências de turismo como destinos desejados das férias na Europa, também são atração para os ataques, em busca de levar uma mensagem de força às nações inimigas. Mas antes de bloquear a escolha, é preciso refletir sobre o que significa terrorismo e qual o impacto dele para turistas e população. A Europa, apesar dos ataques recentes, ainda é considerada um destino seguro, quando comparados índices de criminalidade. O turista deve ser atento e olhar os comunicados do Ministério de Relações Exteriores ou do Departamento de Estado antes do embarque. Locais de grande aglomeração, incluindo aeroportos, devem ser evitados respeitando as necessidades de cada um. Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, o sociólogo e professor universitário Pedro Pietrafesa explica que os turistas têm sido vistos como alvos, mas não qualquer turista. “Importante verificar que atentados terroristas em lugares turísticos, principalmente, em países como Marrocos, Turquia, Egito ou Tunísia procuram atingir cidadãos de nacionalidades consideradas inimigas pelos grupos terroristas. Atentados como os que ocorreram na Turquia procuraram atingir alemães e franceses, que buscam a região com maior frequência naquela época do ano.” Segundo Pietrafesa, em locais como Paris, Madri, Londres ou Munique, os alvos são menos os turistas e mais a própria população dessas cidades. Por isso percebemos na lista de vítimas do Bataclan o grande número de cidadãos parisienses entre os mortos. As questões políticas e religiosas estão entre os elementos centrais levados em consideração na hora da escolha de um lugar turístico para visitar. O próprio sociólogo já viveu na pele a questão com o cancelamento de um congresso da Associação Internacional de
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Ciência Política, em Istambul, devido à instabilidade social decorrente das atividades políticas no país. A religião, da mesma forma, tem efeito sobre o turismo, para o bem ou para o mal, e mostra que já está transformando o mapa do mundo, dividido por radicalismos. “Estas manifestações podem prejudicar a ida de turistas para Grécia, que buscarão outras alternativas, mais seguras, para passarem as férias”, afirma Pietrafesa. Para a empresária Giovanna Rodrigues, da agência Lon Tour Turismo, com 12 anos de experiência, os ataques terroristas já mudaram o comportamento dos clientes e o planejamento das viagens. Especialista em roteiros religiosos, ela monitora diariamente acontecimentos em vários locais do mapa mundi, incluindo Israel, principal destino de peregrinações cristãs. Com grupos organizados para 2017, ela não descarta adiar viagens, como ocorreu recentemente com agendas para Paris, em julho deste ano. “Convocamos o grupo, explicamos a situação e adiamos para um tempo menos inseguro”, explica ela. Mesmo assim, não há como prever os ataques. Que o digam as autoridades envolvidas. Neste caso, é preciso estar preparado para situações de risco. O fato de viajar em grupo e com guias preparados, explica Giovanna, é uma das formas cautelosas de fazer turismo. Em 2014, ela vivenciou de perto a questão ao ter um grupo em Jerusalém, que ficou sitiado em um hotel, por conta de atentados nas ruas da capital israelense. “Monitoramos e cuidamos para que eles voltassem logo para casa. Não é o desejado, mas também não podemos deixar de realizar o sonho”, explica a empresária. Outros cuidados listados por especialistas são seguro de viagem, documentação adequada, evitar pontos de grande aglomeração e bom senso. Locais de peregrinação religiosa exigem respeito aos costumes locais, incluindo adequação das vestimentas e respeito aos templos e tradições. “Independente do local, é importante lembrar que somos visita e temos que respeitar nossos anfitriões”, lembra Giovanna. Importante não esquecer que o turismo, o contato e a fraternidade entre diferentes povos podem construir pontes para a paz. “O turismo pode sim aproximar culturas ou até mesmo povos separados por guerras civis. Mas claro que processos de pacificação não dependem exclusivamente de intercâmbios promovidos pelo turismo”, disse Pietrafesa, que cita como exemplo a regulamentação, após seis décadas, do turismo entre China e Taiwan. Por praticamente 60 anos os dois países não permitiam fluxo de turistas para nenhum dos lados. Com o processo de reaproximação, os governos negociaram a permissão de viagens turísticas e, nos últimos 5 anos, mais de 15 milhões de chineses viajaram para Taiwan. (LUISA DIAS)
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SAÚDE FICOU CARECA?
TRANSPLANTA
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Mais procurado pelos homens, o transplante capilar é uma opção àqueles que se sentem incomodados com sua calvície. Segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração de Cabelo (ISHRS, na sigla em inglês), 40% dos homens sofrem com queda excessiva dos fios antes mesmo de completarem 35 anos. O transplante capilar é uma alternativa para mulheres e homens calvos, mas que ainda contam com fios volumosos e elásticos na parte de trás da cabeça. O doador é o próprio paciente, os fios são retirados da região occipital e parietal (nuca) e transplantados para a região frontal, que é onde há maior índice de calvície. Após o procedimento os fios mantêm a memória do lugar antigo, fazendo com que não caiam depois de implantados. “O intuito do transplante é dar o resultado natural, não deixamos uma pessoa calva totalmente cabeluda. É deixá-la com muito mais cabelo, e entradas reduzidas, mas ainda tendo uma entrada discreta para manter a naturalidade”, explica o médico cirurgião plástico Rafael Meirelles. Existem dois métodos: o Follicular Unit Transplantation, ou FUT (Transplante de Unidade Folicular, em inglês) e o Follicular Unit Extraction, ou FUE (Extração de Unidade Folicular, em inglês). A primeira técnica retira uma faixa do couro
"É uma cirurgia muito delicada, que pode durar até 10 horas" Rafael Meirelles, Médico
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cabeludo da área doadora e seleciona as unidades foliculares (agrupamentos naturais de até 5 folículos) que serão implantadas em pequenos orifícios feitos na área receptora. O segundo método, que vem ganhando bastante popularidade nos últimos anos, retira as unidades foliculares uma a uma, diretamente do couro cabeludo do paciente, com o auxílio de uma pequena ferramenta cilíndrica. A inserção das unidades na área receptora é feita da mesma forma nos dois métodos. É possível também utilizar os dois métodos juntos, as chamadas giga sessões: o paciente raspa o cabelo, e ainda se faz a colheita dos fios pela técnica FUE, com isso se consegue maior quantidade de unidades foliculares. O resultado é visível imediatamente. É possível que o paciente saia com os fios longos, porém após um mês os fios implantados vão cair, mas as raízes ficam. “Por isso o resultado completo pode ser visto especialmente a partir de seis meses da cirurgia, o definitivo após o período de um ano, tempo para esses fios crescerem completamente”, pontua Rafael. Qualquer pessoa pode buscar o procedimento, desde que sua calvície seja estável. Para quem ainda está perdendo fios, é recomendado aguardar um tempo antes da cirurgia. Os fios transplantados não vão cair, mas é importante que a queda de cabelo seja tratada com métodos clínicos após o procedimento, pois os fios naturais vão continuar caindo, por se tratar de um ciclo. No momento de procurar por um cirurgião é importante observar o design feito por ele, se mantém naturalidade. Além de usar microtransplantes, canetas especializadas que existem para transplantar o fio unidade por unidade e de dimensionar a quantidade de fios que será colocada por cm2. É preciso ter densidade boa na região. “É uma cirurgia muito delicada, uma microcirurgia que pode durar até 10 horas, por isso é preciso ter técnica e paciência”. (IARA NUNES)
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EDUCAÇÃO
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LIDERAR DESDE
PEQUENO A educação é essencial para construção de uma sociedade melhor – em qualquer aspecto que se avaliar. Mas qual a dose certa entre educar respeitando os limites da própria idade, sem contaminar a criança com espírito excessivo, por exemplo, de competitividade? No entanto, a carga de “cobrança” da sociedade sobre os pequenos – assim como tudo na vida deles – chega bem antes do que ocorreu na geração dos atuais jovens e adultos. A nova geração já sai das fraldas com metas, tarefas e missões – mesmo que “invisíveis” - impostas por pais e professores, aponta alguns estudos e livros. No livro Sob Pressão: Criança Nenhuma Merece Superpais, a americana Carl Honoré, especialista no assunto, descreve bem: “A galera 2.0 desconhece as pequenas alegrias
"A chave para mudanças reais na Educação é repensar o ensino fundamental. Não faz sentido querermos reformas no ensino médio e superior sem trabalharmos profundamente o ensino básico." Euclides Barbo, Colégio Maria Betânia e Acieg
(IARA NUNES E LEANDRO RESENDE)
“A competitividade está em casa, no corredor, no celular. Acaba chegando na sala de aula. Junto a isso, é preciso acelerar o desenvolvimento humano e melhorar o aluno” Marcos Araújo, Protágoras
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(das brincadeiras de rua), são gênios nos computadores e ases na digitação de SMSs. Os moleques de hoje têm uma jornada diária tão desgastante quanto os adultos. E sofrem como eles.” A Leitura Estratégica foi a campo (à escola) e ouviu dois especialistas em formação de crianças e adolescentes: Euclides Barbo de Siqueira, diretor do Colégio Maria Betânia, e Marco Aurélio, diretor do Protágoras, para saber como lidar com esta nova geração e sua preparação e desenvolvimento para o futuro. Os hábitos e comportamento das crianças mudaram, o que exige da escola adaptações. Quando se olha mais à frente, aponta Euclides Barbo, as matérias básicas, como português, matemática, história ou geografia, hoje são insuficientes para esta geração conectada. Euclides ressalta que são a base da formação, mas é preciso integrar e interagir com o mundo mobile para conquistá-lo. “Informações, eles têm demais, mas o excesso leva ao desinteresse de muita coisa relevante.” Quando se pensa em mercado de trabalho, nesta primeira fase, cabe desenvolver minimamente questões que se preocupava menos no passado, como uso e administração do tempo, agenda, comunicação clara e objetiva, comprometimentos, a trajetória da fase infantil para as fases adolescência e adulta, será traumática. “É preciso formar a liderança de cada um, continuada, gradativa, sem gerar ansiedade, e proteger as crianças, mas deixando transparente que a evolução levará ela a um natural quadro de disputas”, disse Marcos Araújo. Para Euclides Barbo, também presidente da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), formar a pessoa nesta fase é mais relevante que formar um profissional para o mercado. “Além de adquirir conhecimento, saber relacionar bem e lidar com pessoas é essencial na escola. Se evoluir nestes dois itens, a escola cumpre sua missão de entregar um ser preparado para a vida. Para ser um bom profissional, basta dar uma continuidade no conhecimento técnico. Mas é fato que a pressão chega mais cedo e a formação se mistura ou confunde com preparação para provas de seleção.” Marcos Araújo concorda com Euclides. A exigência, explica, muita vezes vem dos pais. “Mas o papel, dentro da sala de aula, não pode ser invertido. Confiamos nos aspectos humanos e pregamos sempre, mesmo aos melhores, a humildade e a tolerância”, diz, ressaltando que o aluno com maior maturidade acelera sua evolução.
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CADERNO DE OPINIÃO PEDRO BITTAR
- Empresário e presidente do MGC
O dever de casa
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Pode-se teorizar, pode-se fazer a conta que quiser, mas não terá como os novos capítulos dos livros de história que virão a registrar os dias de hoje ignorarem que a grande depressão econômica que vive a economia brasileira há mais de quatro anos – a maior parte do tempo em recessão técnica – não tem como origem, a anomalia das contas públicas. A aberração é antiga, no entanto, assistimos o mesmo filme, há muitas gerações, a cada posse: até se eleger, um gestor público de energia, capacitado e determinado. Após a posse, um gestor vítima, um coitado, que herdou o caos e só fará o possível. É um quadro cíclico e, em muitos casos, teatral. Precisamos, em todas esferas da gestão pública, de idealistas e estadistas. Ou seja, homens de Estado e de ideias. Os políticos precisam entender que a sociedade quer ações coerentes antes e depois de eleitos, pessoas capazes de adotar um choque de realidade e ser transparentes com seus clientes e usuários (cidadãos). Não é por outro motivo, no Brasil e no mundo, que o eleitor está abandonando o político tradicional pelo ‘outsider’, o sujeito que não é político, mas um sujeito que estava do outro lado do balcão e entendeu, antes do político, o que a sociedade quer. Para citar poucos exemplos, foi assim nas recentes eleições das prefeituras de São Paulo e Belo Horizonte, como no principal cargo político do mundo, na Presidência dos Estados Unidos. O que todos querem é enxergar uma luz no fim
do túnel das contas públicas brasileiras. Precisamos resolver essa que é a maior pedra no sapato da economia nacional. Se a solução para virar a página deste ciclo virá de um político diferenciado ou de um conectado com a realidade, não sabemos. Nestes períodos, é comum também aparecer loucos e bandidos vendendo ilusões para mentes cansadas desiludidas. Precisamos de toda atenção do mundo para não abraçarmos falsas ideias. Para evitar isso, a sociedade precisa ter suas próprias ideias, propostas abrangentes – que não seja de apenas um ou outro segmento social – e aprendermos a desenvolver um diálogo social com teses e atitudes menos sindicalistas (patronais e laborais). O momento serve para avançarmos nesta reflexão: como desenvolver o nosso modelo social com menos conflito e mais unidade. Somos um País de opostos, do “oito ou oitenta”. Lados que pouco se conhecem. Trabalhadores e empresários estão no mesmo barco; se afundar, todos perdem. Esta união é o setor produtivo nacional que, juntos, podem mudar o País. Separados, fortalecem uma dicotomia que é terreno fértil para surgir lideranças que estimulam o confronto vazio, o pensamento nulo. Precisamos pensar o País sem paixões, com uma caneta nas mãos e fazendo contas. Precisamos fazer o dever de casa sem passionalidades, pensando nas novas gerações e não no próprio umbigo. Precisamos revisar o País.
ALLAN PIRES CEO da Targit para a América Latina e consultor da Pa Latinoamericana
Seu modelo de negócio é
O modelo de negócio é a forma em que a empresa cria e captura valor para todos os seus principais públicos de interesse, colhendo vantagens para seus clientes. Pensando estrategicamente, esta é uma preocupação constante para os empreendedores. Mas como saber se a sua empresa precisa investir em um novo modelo, que transforme a forma de gerar valor? Todas os segmentos empresariais podem apresentar um modelo de negócio dominante. Donos de supermercados, por exemplo, seguem a mesma maneira de venda, criando um estilo único que todos os concorrentes respeitam. Podemos dizer que este modelo está próximo da máxima eficiência, ou seja, não há muito o que melhorar. Quais os caminhos para ganhar com esta regra de jogo? Ser o líder deste modelo dominante ou criar um novo modelo que transforme a base de geração de valor. O cenário atual está bem favorável para novos modelos transformadores se considerarmos que a tecnologia disponível tornou-se uma ferramenta facilitadora para a criação de modelos de negócios disruptivos. E este cenário é acessível a todos. Portanto, se sua empresa não o aproveitar seu concorrente ou um novo entrante poderá fazê-lo. Um exemplo clássico foi a estratégia adotada pela Apple há cerca de 15 anos. A marca, que
até então não participava do mercado de music players, criou o iPod e uma loja virtual de música, o iTunes, superando assim os percussores do MP3 e tonando-se um modelo de negócio transformador positivo para o mercado à época. Avaliando casos de sucesso atuais, podemos perceber grupos de propostas transformadoras diferentes como compartilhamento de ativos e economia colaborativa, caso da Uber e o Uberpool; pagamento baseado no uso, permitindo que a pessoa pague de acordo com sua realidade e necessidade pontual; Ecossistema Colaborativo, como o Linux, um software aberto; personalização de serviços e produtos, onde se oferece produtos mais adequados aos clientes do que modelo dominantes; Circuito fechado, onde se busca reaproveitar os bens gerados ao final do uso; e, por fim, organização ágil que visa permitir adaptação em tempo real para atender as necessidades dos clientes. Todas estas propostas podem ser combinadas também. Por isso, acredito que o modelo transformador é ideal para empresas líderes no modelo dominante que não querem se acomodar, para empresas que não conseguem vencer a líder no modelo dominante e para quem quer entrar em um novo mercado criando seu oceano azul. Bom, fica a pergunta: “Você precisa de um novo modelo de negócio transformador?”
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transformador?
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JOSÉ MÁRIO SCHREINER Vice-presidente da CNA e presidente da FAEG
Tecnologia alinhada à capacitação
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Os tempos mudaram. O cenário que se vê no campo hoje é bem diferente da realidade de anos anteriores. A tecnologia e a inovação invadiram as propriedades rurais e têm beneficiado de forma positiva produtores e trabalhadores que atuam no agronegócio. Quem imaginava que smartphones, tablets e outros aplicativos, por exemplo, que até então eram instrumentos de trabalho no meio urbano, se tornariam aliados do homem do campo? É cada vez mais comum utilizar esses aparelhos como fonte de informação ou para consultar previsão do tempo e cotações, fazer cálculo de aplicação de defensivos e até mesmo para prever o período certo de plantio. As pesquisas também avançaram e contribuem para que novas variedades de capim, soja, milho e outras culturas sejam colocadas no mercado mais resistentes à seca, pragas e com níveis bem melhores de produção. É a inovação com foco em produtividade. Seja na parte técnica ou gerencial, a inovação tecnológica colabora para otimizar tempo, reduzir custos, promover medidas preventivas, além de melhorar o desempenho produtivo, econômico, social e até ambiental no meio rural. E por ser um segmento relevante, que é responsável por gerar emprego e renda para o Brasil, o agronegócio precisa que a tecnologia sempre trabalhe a seu favor. Se pegarmos dados relacionados ao Produto Interno Bruto (PIB), percebemos que a participação da agropecuária saltou de 21,4%, em 2014, para cerca de 23% em 2015. Foi o único segmento que fechou o ano com crescimento no PIB, superior a 2,4%. Enquanto todo o cenário
econômico e político resultava em quedas e prejuízos nas indústrias e comércios, nós crescemos. Então, precisamos investir, constantemente, na inovação tecnológica para mover toda a cadeia e incentivar que outros setores também cresçam e se desenvolvam. A agricultura e pecuária de precisão são exemplos. O produtor, na intenção de evitar erros, facilitar a tomada de decisões e aumentar o lucro, passou a investir em meios para alcançar precisão, em especial na cadeia leiteira. Hoje, existem modernos sistemas robóticos, avanços no processo de ordenha e na parte de pesquisa e genética que permitem melhorar a saúde e o bem-estar animal, detectar vacas doentes e reconhecer o tratamento correto. Com isso, as propriedades se tornam mais eficientes, se comprometem menos com custeio e ampliam margens de lucro. Mas não basta investir em equipamentos tecnológicos ou garantir que a inovação faça parte da rotina de uma propriedade rural. É preciso planejar para aproveitar ao máximo o que a tecnologia pode oferecer. Uma das formas é buscar a qualificação e o aperfeiçoamento profissional. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás) possui um portfólio de cursos, treinamentos e programas voltado para beneficiar o homem do campo. Na área de mecanização agrícola, a instituição registrou aumento na demanda por cursos voltados para a agricultura de precisão. Isso porque o produtor tem percebido a necessidade de aliar a tecnologia à capacitação. O resultado pode vir em ganho de eficiência e economia.
DOBSON BORGES Co-fundador da Simeon, escritor e professor de várias universidades, como MBA da ESADE Business School
Ocupe-se mais, Segundo semestre de 1997. Eu estava cursando o último período de Administração de Empresas. Ser administrador era um sonho de criança e eu estava próximo de torná-lo real. Mas, seis grandes desafios, transfigurados nas últimas disciplinas, separavam o sonho da realidade. Uma em especial, mudou a minha vida e me trouxe até aqui. O grande e querido professor Vladimir, na época, rotulado como carrasco, era o catedrático da disciplina Planejamento Aplicado ao Sistema Empresarial. Era o medo que pairava naquela classe e a minha timidez me afastava de um convívio mais próximo com aquele mestre. Enxerguei, na proximidade da primeira prova bimestral, um ótimo pretexto para abordar o professor e construir algum tipo de relacionamento (queria mostrar que eu existia naquela sala de aula). Superando a timidez e o ‘medo de encarar o carrasco’, reuni as minhas forças e fui falar com ele. Frente a frente, fiz um comentário e a resposta que eu obtive talvez foi, inconscientemente, a inspiração e o combustível que alimentou a minha jornada profissional. A minha exclamação foi: ‘professor, estou muito preocupado com a prova do senhor’. A resposta dele foi lógica e fulminante: ‘garoto, ao invés de se preocupar com a prova, se ocupe com ela’. Bem, faço isso até hoje, entretanto com uma diferença, atualmente de forma muito consciente. Aquela proposta, interpretada na época quase como uma afronta, ecoou em minha mente como um guia, dia após dia. Por isso faço a você o mes-
mo convite: ao invés de se preocupar com o futuro, vamos nos ocupar com ele?! Isso se torna possível fazendo uso da estratégia. A estratégia evidencia o caminho que se escolhe, dentre várias alternativas possíveis, para alcançar os objetivos propostos. É compreendida como sendo a rota que devemos percorrer para alcançar um conjunto de objetivos traçados, isto é, ela nos ajuda a definir e distinguir o que de fato se deseja alcançar. A estratégia representa o quê a organização deseja realizar. Nos negócios, é tarefa do estrategista fomentar e conduzir tal processo de reflexão estratégica, com o intuito de dirigir a sua organização rumo a uma melhor convivência com o atual contexto, ou seja, extrair da volatilidade uma visão; da incerteza, melhor compreensão; da complexidade, mais clareza e da ambiguidade, as mais efetivas ações. Contudo, o que importa é vencer! Esse deve ser o objetivo do seu time do coração, ou da nossa seleção, ou do seu departamento, de sua organização, do seu grupo. E, tudo começa no “propósito” que revelamos nosso valor único para o mundo. Este representa o grande pronunciamento de quem você é e por que é importante. Deve ser específico e fácil de compreender, sem comentar que a estratégia vai derivar desse princípio e também a norteará. O propósito é a forma que as empresas definem a si próprias nos termos mais simples possíveis – por que elas existem, o que oferece de singular ao mundo, o que as diferencia e a quem interessam.
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ANDRÉ MACIEL Sócio-Diretor na Studio Brokers
Redução e otimização de custos
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As empresas implementam programas de redução de custo basicamente de duas formas: espontânea ou compulsória. A redução de custos espontânea é buscada antes de qualquer sinal de crise atingir a empresa. Ela visa manter ou atingir vantagem competitiva através da otimização de gastos. Seus efeitos são basicamente expansionistas e, em geral, não sofrem restrições por parte de seus colaboradores. Já a redução de custos compulsória possui características diferentes. Geralmente é implementada diante de um cenário de crise financeira objetivando a sobrevivência da empresa. Baseada no corte de custos e uma vez que áreas vitais para a geração de receita podem ser atingidas, a eficácia desta forma de redução é incerta. Segundo Michael Porter, uma empresa pode conseguir vantagem competitiva sustentável por meio de custos ou de diferenciação. Ele ressalta que mesmo quando a opção da empresa é pela diferenciação, os custos não podem ser esquecidos. O benefício, se alcançado com esta implementação, que é o aumento da lucratividade, por si só não é uma medida confiável para identificar uma situação ou necessidade de recuperação. Uma empresa orientada ao crescimento, e que tenha crescido muito rapidamente, pode continuar sendo razoavelmente lucrativa mas ao mesmo tempo passar por uma séria crise de liquidez. O perfil típico de uma situação de recu-
peração devido a problemas de retorno econômico se caracteriza por sucessivos anos de baixa lucratividade seguidos de perda e crise de liquidez. É importante entender e acompanhar o estágio em que a empresa encontra-se, dentro do seu ciclo de vida, desde a concepção do negócio e nascimento da empresa, desenvolvendo seu crescimento e atingindo seu grau máximo de maturidade, mas em seu declínio, poder reinventar-se antes de alcançar os baixos estágios do declínio, podendo tornar-se insolvente e até mesmo em procedimento falimentar. A disposição do gestor principal e/ou sócios para rever posições, assumir erros, conduzir de forma imparcial e com isenção o processo de identificação de causas e efeitos e tomar decisões corretas, no tempo devido, é fundamental e imprescindível para a recuperação da empresa que dirige ou possuem. É preciso que a equipe na gestão tome ações corretivas para ser bem sucedida em situação de recuperação. Que procure ajuda externa. Mas se nenhuma ação ou medida for tomada internamente em uma empresa em situação de recuperação, ela acaba se tornando insustentável. Uma recuperação sustentável exige que a empresa desenvolva vantagens competitivas sustentáveis e este é um importante conceito para desenvolver uma estratégia de negócio viável e defensável. Aliás, empresas que superam períodos de recessão, geralmente saem delas com mais competência e uma melhor performance.
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