VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES Empresas nunca estiveram tão vulneráveis a ataques e roubos de dados
NO 2 JUNHO DE 2016
EXEMPLAR DE
ASSINANTE VENDA PROIBIDA
REPORTAGENS FECHA UMA EMPRESA POR HORA EM GOIÁS. O EFEITO MALÍGNO DOS JUROS. OS ESTRANGEIROS. CONNECTION DUBLIN. LÍDER ZUMBI, TURISTA E VIAJANTE? CARRÃO USADO. TURISMO EM CUBA. PERFIS USE MÓVEIS. PIZZERIA CENTO E DEZ. COLUNISTAS. ROGÉRIO BORGES. LEANDRO COUTINHO. LeituraFERNANDO Estratégica | Junho deDANTAS. 2016 . 1
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Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 3
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Na cidade somos todos pedestres. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 5
A Rizzo foi e sempre será uma empresa em movimento, desde sua fundação há 38 anos, quando comercializava apenas aluguéis de imóveis. Hoje é referência em lançamentos, revendas, aluguéis e loteamentos. Deixou de ser Leonardo Rizzo para ser Rizzo Imobiliária, sabe por que? Porque a Rizzo não é uma pessoa, não é um lote, não é uma casa, ela é muito mais do que isso, é qualidade de vida, é arte, é meio ambiente, é esporte, é a nossa cidade, é uma história de sucesso construída e ao mesmo tempo inspirada por você. 6 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
Rizzo. Uma imobiliária que não para.
Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 7
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EDITORIAL LEANDRO RESENDE - CEO e Diretor de Redação
PARA CADA ALUGA-SE,
UM VELÓRIO O que se vê pelas ruas das cidades brasileiras é um verdadeiro cemitério de empresas. A cada rua, dezenas de placas de ‘Aluga-se’. Cada placa é uma empresa morta. Uma empresa que não conseguiu ficar ali e, se sobreviveu, foi expulsa para salas menores, com menos funcionários, um encolhimento forçado, depressivo e injusto. Estes negócios caminhavam para serem nossas grandes empresas. Matamos o futuro, enterramos sonhos, mas também empregos, indústrias e lojas. Com esse tsunami que atinge nossa economia, histórias de sucesso que estavam em gestação não terão continuidade. Porque somos um País governado, em sua maioria, por amadores, fiscalistas e, muitas vezes, corruptos. Histórias semelhantes a da Flávio´s Calçados, que começou com um jovem empreendedor, Florêncio Henrique, vendendo sapato sobre um caixote em uma calçada da Vila Nova – tornando-se atualmente um dos maiores varejistas de calçados do País. Ou a da Creme Mel, outra empresa de um desbravador, Antônio Benedito, que pediu demissão do emprego de motorista de ônibus para montar uma fábrica de picolés no fundo de casa, e, anos depois, tornou-se o maior fabricante brasileiro do setor, com mais de 35 mil picolés por hora. Quantas Flávio´s e Cremes Mel
CEO E DIRETOR DE REDAÇÃO Leandro Resende
Fernando Maia Helenir Queiroz José Alves Filho GESTOR DE NEGÓCIOS Leandro Coutinho Jun Hasegawa Leandro Resende Pedro Bittar PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Salvador José Pinto Neto Dobson Borges Zander Campos Júnior CONSELHO EDITORIAL Beyle de Abreu Freitas Carlos Luciano M. Ribeiro Christiano Quinan
TEXTOS Carla Oliveira Iara Nunes Leandro Resende
Luisa Dias COLUNISTAS Fernando Dantas Leandro Coutinho Rogério Borges PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Juliano Rodrigues ILUSTRAÇÃO Antônio Carlos Schonarth
foram abortadas? Cada sala parada, vazia, esconde ali uma história empresarial que a crise assassinou. Milhares de batalhadores vão perder a fé no empreender, isolados e solitários em sua desgraça, envergonhados em suas casas diante de suas famílias. Não vão compreender que não foi ele que quebrou, foi a burocracia e a má gestão pública que impuseram um peso maior que sua vontade de empresariar suportou. A crise é tóxica. Quem chegou vivo até aqui, encare como vitória. A LEITURA ESTRATÉGICA é uma publicação vitoriosa. Surgiu na crise, se mostrou relevante, e segue seu caminho, com uma proposta: um diálogo que há muito os próprios empresários e executivos estavam perdendo. Após a entrevista da Conversa com CEOs, Sérgio Maia e Eurípedes Júnior destacaram esse ponto, que se viam muito, mas pouco pararam nos últimos anos para falar dos negócios. A revista pretende reinaugurar o diálogo. Nesta edição nossos leitores vão dialogar com a Use Móveis, Pizzeria Cento e Dez e mais 211 empresas e 128 executivos que “falaram” nesta edição. Só posso desejar um bom diálogo e uma boa Leitura Estratégica a você, caro leitor.
FOTOS E TRATAMENTO Renan Accioly Joãozimar Oliveira APOIO OPERACIONAL Izabela Pavetits Jéssica Adriani Lorena Resende SITE E REDES SOCIAIS Aristeu Livingstone (Actio Digital) www.leituraestrategica.com.br
GRÁFICA PUC Goiás CONTATOS Redação - Pautas (62) 99125-9526
A Leitura Estratégica é uma publicação da 11 Editora, marca da Contemporânea. O conteúdo dos artigos e colunas é de responsabilidade dos autores.
jornalismo@leituraestrategica.com.br
Comercial - anúncios (62) 99976-4582 comercial@leituraestrategica.com.br
Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 9
ANO I - No 02
24 | Empresas nunca estiveram tão desprotegidas contra invasões, golpes e vazamento de informações.
REPORTAGENS 30 | CONNECTION DUBLIN
50 | CONVERSA COM CEOS
Coluna vai a Dublin e conversa com o irlandês Billy Forsyth, especialista em novos negócios.
Sérgio Maia, da Saga, e Eurípedes Júnior, da AHL, bateram longo papo sobre negócios.
33 | RECORDE DE FALÊNCIAS
56 | MERCADO DA CARNE
O número de fechamento de negócios cresceu 7% em Goiás. Só em 2015, mais de 8 mil baixas.
Feira de tecnologia reúne mais de 10 mil pessoas em Porangatu.
34 | LIDERANÇA
62 | O EFEITO DOS JUROS
Zumbi, turista ou viajante, que líder você é? Norbert Monfort e Dobson Borges tratam do assunto.
Mestrado de Desenvolvimento Regional da ALFA apresenta estudo sobre as armadilhas dos juros.
36 | PIZZA COM TRADIÇÃO
64 | ROBÔS NA INDÚSTRIA GOIANA
A Pizzeria Cento e Dez acompanha, há 50 anos, as transições do Centro de Goiânia e sua história.
Robôs ampliam produtividade da indústria. Já é comum máquinas entre os colaboradores.
40 | USE MÓVEIS
68 | NOVOS ESTRANGEIROS
Empresa goiana é destaque nacional e prepara para ampliar mercado fora do País.
Imigrantes não param de chegar. China, Argentina, Espanha, Haiti... Goiás é um dos destinos atraentes.
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JUNHO | 2016
75 | SAÚDE A acupuntura é um dos caminhos para tratar várias doenças e dores, conta o médico João Paulo Bittar.
COLUNAS 12 | CARTAS 14 | INDEX 17 | DIRETORIA Com Leandro Coutinho
22 | MEMÓRIA 44 | EXECUTIVOS 48 | BRAND 55 | GESTÃO RURAL Com Fernando Dantas
CUBA, A APOSTA DO TURISMO 78 | A nova fase de “amizade” entre Cuba e Estados Unidos abre espaço para o turismo.
61 | OLHAR Com Rogério Borges
OPINIÕES 9 | EDITORIAL 58 | LEITURA 85 | PEDRO BITTAR 86 | JOSÉ MÁRIO SCHREINER 87 | FABIANO DO VALE 88 | ANDRÉ MACIEL
CARRÃO USADO 80 | Ferraris, Porches e Audis: quanto custa um carrão de luxo seminovo?
Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 11
CARTAS CARTAS, E-MAILS E MENSAGENS ENVIADAS À LEITURA ESTRATÉGICA
PLANEJAMENTO
JORNALISMO MADURO
"Cumprimento os empreendedores e editores da revista Leitura Estratégica pela iniciativa de lançar esta publicação de qualidade, que aposta na variedade dos temas sem perder de vista a qualidade e a profundidade dos textos. Leitura Estratégica nasce como resultado do jornalismo maduro e socialmente responsável, que por sua vez é a expressão do ambiente de pluralidade e livre expressão do pensamento em que vivemos, em Goiás e no Brasil." Marconi Perillo, Governador de Goiás
“Consciente, focada e com bom planejamento. O Editorial da edição de estreia da Leitura Estratégica dá uma visão clara das boas intenções do projeto. O modelo de entrevistas e artigo prende a atenção, além do alto nível das empresas que anunciaram no projeto.” Luiz Carlos Ribeiro de Rezende, CFO em Gap Year, Winter Garden, Orlando (EUA)
CENTRO-OESTE “Fiquei surpreso e ao mesmo tempo extremamente satisfeito com as matérias compartilhadas nesta edição. Realmente faltava no Centro-Oeste este veículo de comunicação que possibilita a conectividade entre empreendedores e administradores. Excelente material com exemplos de trajetórias que nos inspiram a cada dia a fazer um mundo de negócios melhor.” Wagner Santos, Sócio Responsável da Ernst & Young no Centro-Oeste
COMUNICAÇÃO “Vida longa à Leitura Estratégica. Nós atuamos no mercado de Comunicação e acompanhamos os perrengues enfrentados pelos veículos. Ficamos felizes em ver alguém subindo a correnteza, com conteúdo de qualidade que lhe diferencia do tradicional. Boas entrevistas, informação interessante e ousadia: boas estratégias para prosperar.” Geraldo Neto, gerente de Comunicação do Sistema Fieg
12 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
MERCADO PUBLICITÁRIO “Esta publicação tem altíssimo nível editorial e se insere num nicho onde não existia outra com este perfil. O setor produtivo e o empresarial merecem uma revista assim. E o mercado publicitário agradece. ” Zander Junior VP Regional da Abap Centro-Oeste e Conselheiro do CONAR
REPERCUSSÃO
JOSÉ ALVES
“A entrevista para a Leitura Estratégica foi muito positiva, mostramos a história de luta e evolução do Piquiras a leitores que, na sua maioria, são empresários formadores de opinião.”
"Parabéns pelo nº 1 de Leitura Estratégica. Excelente conteúdo, notadamente a entrevista com o Sr. José Alves, referência entre os empresários de Goiás. As demais matérias e artigos ilustram a competência da equipe."
Marcelo Batista, sócio do Piquiras Restaurante
Luiz Cláudio de Araújo, diretor da New Comunicação
FALE COM A LEITURA ESTRATÉGICA Envie sua opinião, criticas e sugestões para a publicação por e-mail (leitor@leituraestratégica.com.br), WhatsApp (62 99976-4582) ou mensagem no Facebook (facebook.com/Leitura-Estratégica). Informe ainda seu nome, cidade onde mora e cargo-empresa. Por motivos de clareza ou espaço, textos poderão ser publicados resumidamente. Para contatos comerciais, use o e-mail comercial@leituraestrategica.com.br.
Leitura EstratĂŠgica | Junho de 2016 . 13
INDEX EMPRESAS, INSTITUIÇÕES E EXECUTIVOS CITADOS NA EDIÇÃO
EMPRESAS USE MÓVEIS A Abap 12 ABB 66 Abiec 56 Academia Músculo e Poder 22 Acesso Saúde 21 Acieg 46 ADM 46 AgVali 55 AHL Distribuidora 50 AIG 46 Alfa 43, 62, 63 Alta Floresta Gold 21 AMB 75 Amcham 88 Anglo American 19 Apple 30 AR Executiva 84 Arte Gourmet 46 Aston Martin 80 Audi 80, 81 Audiomix 19 Authoral 20 Avon 21 BC Banana Menina 17 Banco Central 21, 63 Banco do Brasil 55 Banco Original 18 Bayer 50 BDC (China) 21 Bilenge Engenharia 57 BMW 4, 5, 51 BNDES 55 BR Home (Tend Tudo) 45 BRDU 45 Brasília Shopping 20 Buriti Shopping 21 Business School São Paulo 46 Café Central 22 Cama 65 Cannes 12, 16 Cantão 20 Cepea Esalq Usp 55 CFM 76 Chevrolet 81 CIC (China) 21 Cine Capri 22 Cine Ouro 22, 37 Cisco 29 China MolybdenunCo 19 CNA 86 Creme Mel 9 Crispim+Veiga 49 Coca-Cola 22 Colégio Olimpo 75 Comigo 55
14 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
u 9, 40, 41, 42, 43
Conar 12 DEF Deloitte 25, 26, 90 Della Panificadora 18 Democrativa 62, 63 Disney 17 Dr. Ross 22 Dropbox 30 Dunkin’ Donuts 19 EBM 23, 45 Ecologicville Resort 21 Eleven 21 Embraer 55 Enredo 21 Equitas Resources 21 Ernst & Young 44 Esade Business School 34, 35, 46 Euroamérica 8, 89 Expopec 56 Faeg 56, 86 Ferrari 80 Fesa 44 FGR Urbanismo 44 FGV 44, 46 Fieg 12 Fiesp 43 Flávio’s Calçados 9 Fonte de Paladar 22 Friboi 18 Fundação Dom Cabral 43 GHIJ G1 80 Galeria Ouro 37 Garthner 82 GoGeo 47 Goiânia Shopping 17 Goiás Esporte Clube 22 GR Cine Áudio 17 Grano Trading 49 Grapette 22 Grupo DiRoma 44 Grupo MC Construções 39 Grupo Mitsui 46 Grupo Pão de Açúcar 45 Grupo Privê 17 Grupo RMEX 21 Grupo The1 22 GSA Alimentos 64, 65 Hard Rock Caldas Novas 21 Himalaia Construção 53 Hooters 18 IBGE 68 IFR 65 Inova 82 Instituto Mauro Borges 71 JBJ Investimentos 45
JBS Brasil JBS International J&F Investimentos JFG Incorporações Just Go Travel
45 45 18, 45 45 78, 79
KLM Kabanas Restaurante 46 Leroy Merlin 21 Lure Consultoria 46 M3 Motors 80, 81 Made Design 49 Marfrig 45 Marol 2,3 Mataboi 45 Máxima Sistemas 21, 45, 67 MaxxSoft 54 MBM 74 Mélia 78 Mercado Eletrônico 21 Mercedes-Benz 19 Mercure BH Lourdes 45 Mercure Goiânia 45 MGC 85 Microsoft 30, 59 Ministério do Turismo 78 MJ Camisetas 70 NOP NET 44 New Holland 55 NL Informática 46 OCB 21 Omori 65 Oms 76 OnNet Systems 21 ONU 78 Oppa 20
PA Latinoamericana 47 Panificadora Seleta 38 Paris 6 17 Pastelaria Real 22 PC Sistemas 45, 46 Pfizer 30 Piquiras 12 Pizzeria Cento e Dez 22, 37, 38 Porsche 81 Porto Cave 72 Pousada do Ipê 22 PUC Goiás 66 Pulstartech 87 QRS Quick Logística 75 Rede 24 Horas 18 Rei do Mate 21 Resulte 33 Rio Quente Resort 44 Rizzo Imobiliária 6,7 Ronaldo Academy 20 Saga 4, 5, 45, 46, 50, 51 SBT 61 Seara 45 Sebrae Goiás 56 Sedex 79 Seguralta 20 Senar Goiás 56 Senior Advanced 13, 24, 25, 46 Sesi 72 Sicoob Unicentro 21, 74 Simeon Estratégia 34, 35 Shopping Cerrado 20 Shopping Goiabeiras 45 Sketch Men’s 20 SMPE 32 Solti Tecnologia 83
Soluti 45, 50 Sony 30 Studio Brokers 88 Suíte Lounge 20 Suíte Motel 20 Supervia 45 Support Automação 66 TUV Tagpoint 20 Tecar 19 Tecnomix 21 Tecnoshow 55 Terral 45 TIM 46 Tivit 44 Tribunal de Justiça-Go 22 Tron 50 Toctal Engenharia 8 Tokio Marine 46 Totvs 46 TV Anhanguera 48 UCD (Dublin) 30, 31 UFG 44 UFMT 46 Unilever 65 Universidade Kellogg 43 Urbs RT 21 Usina Jaciara 19 Usina Porto Seguro 19 USP 46, 55 Vivo 44 Vivence Hotéis 21 XYWZ Zaic St/Gumo You Tube World Agriculture Forum
48 21 56
EXECUTIVOS Edvânia Nogueria Elbio Moreira (EBM) Enéas Pestana (JBS) Euclides Barbo (Acieg) Eurípedes Junior (AHL) Fabiano do Vale (Pulstartech) Fabiano Magalhães (C+V) Francisco de Deus (Use Móveis) Fernando Coe Razuk (EBM) Fernando Maia (Saga) Florêncio Henrique (Flávio’s) ABC Adair Filho (Solti Tecnologia) 83 Ademar Alves (PC Sistemas) 46 Adriano Luchetta (BR Home) 45 Aline Ávila (C+V/Made Design) 49 Allan Pires (PA Latinoamericana) 47 Allyne Durando (C+V) 49 Alziro Zarur (TJ-GO) 22 André Iores (Acesso Saúde) 21 André Maciel (Studio Brokers) 88 Andréa Aprigio (Paris 6) 17 Andressa Cunha (C+V) 49 Antônio Benedito (Creme Mel) 9 Antônio Camardelli (Abiec) 56 Antônio Marques (Pizzeria 110) 38 Aparecido Sparapani (Diroma) 44 Aurélio Troncoso (Alfa) 62, 63 Bill Gates (Microsoft) 59 Billy Forsyth 30, 31 Bolivar Siqueira (Kabanas) 46 Camila Hermano (Hermano Advogados) 71 Carlos A. Barros (Pousada do Ipê) 22 Carlos Wizard (Ronaldo Academy) 20 Carolina Puga (Cantão) 20 Cláudio Cohol (Ronaldo Academy) 20 Cláudio Ribeiro (Zaic/Sg) 48 Cledistonio Moura (Himalaia) 53 Cledistonio Moura Júnior (Himalaia) 53 DEF Débora Caetano (Oppa) Ding Xuedong (CIC) Diony Melo (Tagpoint e Suíte) Dobson Borges (Simeon) Dorinha Crispim (C+V) Edson Cândido (Rio Quente) Edson da S. Júnior (Sketch Men’s) Eduardo Meirelles (Oppa) Eduardo Moreth (Authoral) Eduardo Rodrigues (Inova)
20 21 20 34, 35 49 44 20 20 20 82, 83
GHIJ Gabriel Telles (Lure) Gelson Ozório (Tron) Genivaldo Maciel (GSA) Geórgia Borba (Lure) Geraldo Neto (Fieg) Geraldo Oliveira (Mercure) Giovanna De Assis Gláucio Rocha (GR Cine Áudio) Grasiela Tesser (NL) Guilherme Moraes (BR Home) Guilherme Prottis (ADM) Gustavo Moura (Zaic/SG) Henrique Meirelles (Fazenda) Hu Huaibang (BDC) Iara Ferreira Isaac Azar (Paris 6)
70 45 45 46 9, 50, 51, 52 87 49 40, 42, 44 45 46 9
Itamar Roberto (Pizzeria 110) Jayme Diogo Jayson Lee (ADM) Jerônimo Carvalho (Pizzeria 110) João Luiz (Tokio Marine) João Paulo Bittar José Batista Júnior (JBJ) José Batista Sobrinho (JBS) José Mario Schreiner (Faeg/CNA) José Santos (Consul/Porto Cave) Júlio Murta (AIG) Jun Hasegawa (JH Consultoria) Jurei H. Júnior (Sketch Men’s) KLM Jlanza Mazza (Cantão) Leandro Rosa (Saga) Leonardo Massuda (Fesa) Luis Tortola (Arquiteto) Luiz Carlos de Rezende Luiz Claúdio (New Comunicação) Luiz Ioris (Acesso Saúde) Luiz Machado (Cantão) Luiz Sérgio Vieira Filho (EY) Maicon Mello (C+V)
46 50 65 46 12 45 68 17 46 45 46 48 18 21 78 17
Marcelo Batista (Piquiras) Marcelo Ladvocat (Alfa) Marconi Perillo (Governo de Goiás) Marcos Araújo (Audiomix) Maria Júlia (Mj Camisetas) Mark Zuckerberg (Facebook) Matheus Henrique (M3 Motors) Max Reichel (Oppa) Michel Medeiros (Soluti) Michelle Perez (FGR) Mirian Gusmão (PUC) Murilo Macedo
37, 38 30 46 37 46 75, 76 45 45 56, 86 69, 70 46 45 20
20 45 44 19 12 12 21 20 44 49
12 62 12 19 69, 70 59 80, 81 20 50 44 66 69
NOP Norbert M. Villarroya (Esade) Obrinel Norgaisse Odilon Bento (EBM) Osler D’souzart (WAF) Patrícia Quinan (The 1) Paulo Pagliusi (Deloitte) Pedro Bittar (MGC)
34,35 70 45 56 22 25, 26, 27 85
RS Rafael Lousa (Juceg) 32 Rayane Jacobson (Arte Gourmet) 46 Ricardo Siqueira (Kabanas) 46 Rodrigo A. de Deus (Use Móveis) 40, 41, 42, 43 Rodrigo Mangerotti (Mercure) 45 Rodrigo Meirelles (EBM) 45 Ronaldo (Ronaldo Academy) 20 Ronaldo Rincon (Support Automação) 65 Rubens Fileti (Senior) 24, 25, 29 Selva Tassara (Soluti) 45 Sérgio Maia (Grupo Saga) 9, 45 Sérgio Rassi (Goiás E.C.) 22 Sílvio Santos (SBT) 61 TUV Tácio Henrique (BR Home) Tarek Alsaoub Thiago Albernaz (Vereador) Vagner Sacramento (GoGeo) Vanessa Morales (Vivence) Veryne Miranda (Just Go Travel) Victor Midlej (TIM)
45 68 19 47 21 78, 79 46
XYWZ Willian Pereira Vale (BR Home) Zander Júnior (Cannes)
45 12
Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 15
16 . Leitura EstratĂŠgica | Junho de 2016
DIRETORIA LEANDRO COUTINHO | diretoria@leituraestrategica.com.br
Banana Menina terá parque aquático A empresa goiana GR Cine Áudio está coordenando a parte tecnológica da reestruturação do restaurante Banana Menina, localizado na BR-153, em Hidrolândia, a 30 quilômetros de Goiânia. A empresa, que cuidará da parte de áudio, vídeo e automação, aponta que o projeto segue três etapas: a primeira, recepção e restaurante; a segunda, o rio lento e o palco central; e, por último, o hotel em anexo com o parque para shows. A previsão é de início imediato das obras, com duração total de três anos. O valor do investimento não foi revelado. O CEO da GR, Gláucio Rocha, destaca projetos já desenvolvidos pela empresa em Goiás: “Desenvolvemos todos os empreendimentos do Grupo Privê, desde o hotel até o Eldorado Water Park, Náutico e Marina. O maior de todos foi o Riviera, um complexo com quase 1.000 apartamentos, 16 piscinas, sauna, academia e
restaurante internacional, bem como o auditório para eventos.” Gláucio explica que desde 1997 a GR se especializou em entretenimento. A empresa tem unidades em Goiânia, Brasília, Orlando e Miami. “Temos obras no Brasil e nos Estados Unidos. Agora estamos finalizando um contrato com a Disney para desenvolver um projeto para o grupo.” PARIS 6 GOIÂNIA A GR está atualmente inaugurando o badalado restaurante Paris 6 Miami e assinou contrato para projetar todos os restaurantes do grupo que começa por três casas em São Paulo, além das unidades no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e Belo Horizonte. “O Paris 6 Goiânia será o próximo, com a unidade a ser lançada no Goiânia Shopping, comandados pelos empresários Isaac Azar e Andréa Aprigio”, disse Gláucio.
Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 17
DIRETORIA
GOIANOS, USAIN BOLT E O PRIMEIRO BANCO DIGITAL Os anapolinos proprietários do grupo J&F, detentor do Friboi, contrataram o conterrâneo Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda, para criar um banco inovador. E para chegar com grande impacto ao mercado nacional, escalaram o homem mais rápido do mundo, Usain Bolt. O multicampeão e recordista olímpico apresentou no espaço mais valorizado do mercado publicitário, o intervalo do Fantástico, o primeiro banco originalmente digital do País: o Banco Original. O grupo, que detém a maior cadeia produtora de proteína do mundo, investiu a bagatela de R$ 600 milhões ao longo dos últimos três anos para criar uma plataforma totalmente digital, que permite abrir conta, tomar crédito e fazer transferências. Todos os tipos de serviços financeiros oferecidos digitalmente para os clientes do banco. Tudo, menos os saques, claro, mas que poderão ser feitos em qualquer caixa eletrônico da Rede 24 horas. A meta é alcançar 100 mil clientes de alta renda no primeiro ano e dois milhões em uma década.
DELLA EM EXPANSÃO A crise econômica não fez cair o consumo do pãozinho. Prova disso é que a Della, maior rede goiana de panificadoras, planeja forte expansão em 2016. Depois de sofrer durante meses com o atraso das obras do Eixo T-7, em 2015, a unidade do Jardim América viu suas vendas caírem 60%, mas recuperou o fôlego neste ano. Vai inaugurar mais uma unidade no Bueno e está com negociações, guardadas a sete chaves, de aquisições de padarias de médio porte com grande presença em bairros que ainda não têm uma unidade da rede. 18 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
HOOTERS A americana Hooters está de olho em Goiânia. Apesar da crise, a rede de restaurantes registrou boa performance na unidade da região da Av. Paulista, em São Paulo. Em seis meses de operação, a casa faturou R$ 3 milhões. Para 2016, meta é R$ 20 milhões no País. A ideia dos gestores é expandir a rede com sócios operadores locais. Para isso, busca parceiros no interior paulista e em capitais como Maceió, Salvador, Goiânia, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
FESTIVAL VILLA MIX Marcos Araújo, o Marquinhos, celebra duplamente o sucesso do maior festival de música sertaneja do País. Além de chegar em julho à sua 5ª edição na cidade em que tudo começou, o Festival Villa Mix carimba uma espécie de certificado de boas-vindas em Goiânia. A Câmara Municipal aprovou a inclusão do festival no calendário oficial da cidade, iniciativa de Thiago Albernaz. Em resposta ao que chamou de reconhecimento da capital goiana ao seu trabalho, Marquinhos confirmou com exclusividade à coluna DIRETORIA a realização de mais dez edições do festival. A AudioMix é uma empresa goiana fundada em 2000. Trabalha com produção, planejamento, marketing, vendas, gestão de carreira e realização de shows no Brasil e no exterior e é considerada a maior empresa de gerenciamento artístico na música brasileira. O festival impressiona por suas proporções, com estrutura compatível a de shows internacionais, com o que há de mais moderno em termos de tecnologia, cenografia, iluminação, efeitos visuais e som. Em 2015, seu palco alcançou recorde mundial e entrou para o Guinness Book.
AÇÚCAR GOIANO-MATOGROSSENSE Após uma década de crise, falência e recuperação judicial, a usina de etanol e açúcar de Jaciara (MT) encontrou em mãos goianas o caminho da prosperidade. A empresa chegou a ter falência declarada em 2012, mas a Justiça logo a colocou em recuperação judicial. Em leilão realizado em 2014, em assembleia de credores, o grupo Porto Seguro, liderado por goianos, arrematou a usina com promessas de grandes investimentos e um choque de gestão. Passados dois anos, o que se viu foi uma verdadeira revolução. Para se ter uma ideia, a Usina Porto Seguro é a única do Brasil que produz em uma mesma planta industrial etanol de cana e de milho e açúcar.
TECAR MERCEDES-BENZ A Mercedes-Benz inaugura novo ponto de venda em Goiânia. Sob direção do Grupo Tecar, o concessionário abre suas portas, no Setor Santa Genoveva, oferecendo uma nova experiência de compra de carros premium. O grupo já trabalhava com a montadora em Brasília e Uberlândia. A unidade do DF é, inclusive, um dos 12 AMG Performance Center que a marca possui no País. DUNKIN' DONUTS Após uma frustrada tentativa de entrar no mercado brasileiro nos anos 90, a rede de restaurantes dos EUA Dunkin' Donuts está de volta ao Brasil e entra pelo CentroOeste. Três unidades já foram inauguradas em Brasília, onde opera uma indústria de produção. Quem assina o projeto arquitetônico é o goiano Luis Tortola, especialista em design de franquias. Goiânia ganha loja ainda neste ano. CHINESES DA ANGLO AMERICAN O Grupo Anglo American vendeu à China MolybdenumCo (“CMOC”) seus negócios de Nióbio e Fosfato por um montante total de US$ 1,5 bilhão. O valor total acordado será pago à Anglo American na conclusão do processo de venda, sujeito a determinados ajustes na conclusão e pós-conclusão da transação. Os negócios de Nióbio e Fosfato estão localizados nos Estados de Goiás e São Paulo. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 19
DIRETORIA
RONALDO ACADEMY Dois fenômenos, do futebol e o das franquias, se uniram em 2015 num projeto que já alcança números superlativos próprios de suas carreiras. Ronaldo Nazário e Carlos Wizard inauguraram a primeira academia de futebol em setembro, em Campinas (SP), e já têm 60 unidades vendidas, duas a serem construídas em Goiânia: uma no Parque Amazônia e outra na sede da Associação dos Oficiais da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás. Cláudio Cohol é o dono das franquias goianas. Serão inauguradas mais cinco unidades nos Estados Unidos, ainda em 2016, e cerca de 30 chegarão à China.
CANTÃO EM BRASÍLIA Lanza Mazza, coordenadora de estilo da Cantão, inaugurou a primeira loja oficial da grife no DF, que começou a operar em abril. A franquia, comandada pelos empresários Carolina Puga e Luiz Machado, tem o Brasília Shopping como casa, bem no centro do Plano Piloto. O novo ponto já recebe a coleção de outono/inverno da grife, intitulada “Novos Artesãos”, com campanha fotografada na cosmopolita Nova York. SKETCH MEN’S A mais recente unidade da Sketch Men’s Collection, das 70 lojas existentes no Brasil, foi inaugurada em abril em Goiânia, no Shopping Cerrado. A loja faz parte do projeto de expansão da Sketch, que investe na abertura de unidades em polos comerciais regionais, polos turísticos e em cidades com população acima de 80.000 habitantes. Estão à frente do negócio na unidade goiana Jurei Hyodo Júnior e Edson da Silva Júnior. TAGPOINT O empresário Diony Melo, proprietário do Suíte Motel e Suíte Lounge, responsável pela TagPoint em Goiânia, comemorou o prêmio de aplicativos na categoria mobile da 20 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
ABCOMM 2016. O App da TagPoint concorreu e venceu grandes marcas como Uber, Tinder e 99Taxis.
azeites e destilados. "Esse conceito, apesar de simples, jamais havia sido experimentado anteriormente", diz. OPPA Neste primeiro semestre de 2016, a Oppa inaugurou sua primeira loja em Goiânia. Mais do que uma revenda de móveis e acessórios para a casa, a Oppa se posiciona como uma marca de lifestyle, como imaginou o alemão Max Reichel, 33 anos, idealizador da marca. Os franqueados são os empresários Débora Caetano e Eduardo Meireles. A loja fica na Rua 15, no Marista.
AUTHORAL Produzida de forma sustentável em Brasília, a cachaça Authoral foi lançada na capital federal como a primeira cachaça premium do País a usar o conceito de home distilling. Idealizada pelo advogado e empresário Eduardo Moreth, a bebida chega com uma proposta artesanal e ao mesmo tempo sofisticada, unindo técnicas da produção de vinhos, cervejas,
SEGURALTA A Seguralta, rede de franquias de corretoras de seguros, com quase 50 anos de mercado e 800 unidades comercializadas no País, quer expandir ainda mais a sua atuação e espera conquistar 20 novos franqueados em Goiás até o final de 2016. De acordo com pesquisas recentes, o mercado cresceu 700% em número de unidades no Estado, em 10 anos. TREM CHINÊS Em rodada de negócios em fevereiro, em Pequim, o chairman do Banco de Desenvolvimento da China (BDC), Hu Huaibang, e da China Investment Corporation
(CIC), Ding Xuedong, sinalizaram para investimentos bilionários em projetos de trens de passageiros no Brasil. Na ocasião, representantes do Brasil disseram que existem dois no País: Rio-Campinas-São Paulo e Brasília-Anápolis-Goiânia. Grande oportunidade para o governo Temer fazer história. Só a CIC faz a gestão de ativos de US$ 756 bilhões. MÁXIMA SISTEMAS A Máxima Sistemas, empresa goiana especializada em soluções de força de venda, fechou o ano passado com um faturamento de R$ 14,8 milhões, uma alta de 49% frente aos resultados do ano anterior. A Máxima fez movimentações importantes em 2015, como as aquisições das concorrentes Tecnomix, especializada no segmento atacadista, e onNet Systems, focada em soluções móveis para o setor de manufatura. URBS RT A URBS RT, uma das maiores empresas imobiliárias de Goiás, lançou a TV URBS RT, um canal no YouTube voltado exclusivamente para negócios no mercado de imóveis. HARD ROCK CALDAS NOVAS O primeiro hotel da rede Hard Rock no País será inaugurado em Brasília e o próximo projeto deve ter como sede Caldas Novas. A imensidão da bacia hidrotermal chamou a atenção do grupo, que pretende construir uma unidade de 12 andares com 303 quartos, seis piscinas termais, três restaurantes, um heliporto e a famosa discoteca eletrizante. As obras devem começar ainda em 2016. Em Goiás, o parceiro será o Grupo Rmex. REI DO MATE A rede de cafés Rei do Mate está com um plano de expansão que foca a instalação de unidades em locais alternativos, como empresas, hospitais e lojas de outros segmentos.
ECOLOGIC VILLE, RESORT GOIANO COM ALL INCLUSIVE Oferecer a hóspedes todas as regalias sem preocupação com gastos extras. Essa é a nova proposta do EcologicVille Resort & Spa by Vivence, que passou a oferecer o serviço all inclusive. O empreendimento, localizado em Caldas Novas, é o primeiro da região a proporcionar esta modalidade de hospedagem. “O principal benefício é não ter de se preocupar com surpresas ao pagar a conta no check-out”, disse Vanessa Morales, diretora operacional da Vivence Hotéis. A empresa já fechou contrato para ter pontos em unidades da Leroy Merlin (de materiais de construção) e no escritório central da Avon. Neste ano, Goiás ganhou sua primeira unidade (Buriti Shopping). EQUITAS A EquitasResources, listada nas bolsas de Toronto e Frankfurt, assinou um protocolo de intenções com a mineradora canadense Alta Floresta Gold, que possui 60% da subsidiária Alta Floresta Gold Mineração, dona de uma área total de 184.410 hectares no Mato Grosso e no Pará. ELEVEN A Eleven, empresa de Goiânia focada em serviços de terceirização da área de compras, firmou uma parceria com o Mercado Eletrônico para se tornar um canal da empresa na região e oferecer a plataforma de e-Procurement. O objetivo da Eleven é implementar a solução em todos os clientes e alcançar novas companhias na região. O Mercado Eletrônico tem escritórios no Brasil, Portugal e EUA e contabiliza mais de 1 milhão de fornecedores.
ACESSO SAÚDE A cidade de Cuiabá passa a ter unidade da Acesso Saúde - sistema de atendimento médico sem mensalidade - que oferece consultas e exames por meio de sua rede de clínicas, para a população que não conta com plano de saúde. O médico Luiz Ioris e seu irmão André Ioris serão os empreendedores responsáveis pela filial de Cuiabá. SICOOB UNICENTRO Após ultrapassar R$ 1 bilhão em ativos, a Sicoob UniCentro Brasileira, maior instituição financeira cooperativa de Goiás, assume a 16ª posição no ranking nacional. Números são do Portal do Cooperativismo Financeiro com dados disponibilizados pelo Banco Central e pela OCB. ENREDO Goiás tem se destacado no cenário mundial com seus designers e criadores. A agência goiana Enredo foi contemplada pelo segundo ano consecutivo com um troféu na categoria Design dos Prémios Lusófonos da Criatividade, os Lusos, em Lisboa, Portugal. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 21
Tinha uma música que tocava e que despertava o desejo de tomar Grapette. “Quem bebe repete Grapette”. Lembro do refrão da música, que a gente ouvia no rádio, porque morava na zona rural da cidade de Goiás e não tinha TV. Quando fui para cidade, via na TV. Era 1969. Eu não me lembro quando tomei pela primeira vez, mas foi na rodoviária da cidade de Goiás. Eu tinha muita simpatia pelo Atlético Mineiro, que era patrocinado pela Grapette. Alziro Zarur, 59 anos, diretor de Comunicação do Tribunal de Justiça de Goiás
Eu sempre adorei as propagandas de Natal da Coca-Cola, desde a minha infância até hoje. Eu morava em Jataí e não lembro de beber tanto, mas ficava maravilhada e gosto até hoje. Eu via a neve e nem sabia direito o que era. Hoje faço questão de ter árvore de Natal na minha casa por causa das propagandas. Adoro viajar. Visitei a sede da Coca em Atlanta, experimentei as diferentes versões que tem pelo mundo. Patrícia Quinan, 43 anos, empresária, sócia-proprietária do Grupo The1
MEMÓRIA As histórias da maioria das empresas se perdem, quase nunca são contadas. Exemplo evidente de um País que pouco ou em nada valoriza suas empresas. Esta coluna resgata boas experiências e lembranças de clientes, funcionários e proprietários, que citam produtos ou empresas que permanecem em sua memória após décadas. Conheça os relatos de quatro profissinais e empreendedores sobre marcas que fizeram parte de suas vidas, em momentos diferentes.
Ia ao cinema a pé de minha casa até o Cine Capri ou Ouro. Em seguida, comia uma pizza na Cento e Dez. Fazia academia na Músculo e Poder e, na volta, tomava uma vitamina na Fonte do Paladar, na Anhanguera, para, depois, seguir de ônibus até minha casa, no Setor Aeroporto. Era difícil também resistir aos pasteis da Pastelaria Real ou do Café Central. São muitas as recordações. Incrível que parecem ter acontecido há pouco tempo.
"Pílula de vida Dr. Ross. Pequenina, mas resolve!" Eu tinha uns 10 anos, morava em Alto Araguaia (MT) e ouvia essa propaganda no rádio. A melodia e a sonoridade chamavam a atenção. O slogan ficava na cabeça da gente. Traz a lembrança de uma época muito boa. Eu tive uma infância muito boa. Em 1962, eu mudei para Goiânia. Vim estudar no Lyceu. Não me lembro de ouvir aqui.
Sérgio Rassi, 73 anos, presidenteexecutivo do Goiás Esporte Clube
Carlos Alberto Barros, 69 anos, empresário do ramo de hotelaria, proprietário da Pousada do Ipê
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SEGURANÇA DIGITAL
EMPRESAS
EM RISCO
Avanço tecnológico vem acompanhado de maiores riscos. Empresas nunca estiveram tão vulneráveis a ataques e roubos de informações estratégicas POR CARLA OLIVEIRA Num mundo cada vez mais conectado e com inovações tecnológicas que se renovam numa velocidade surpreendente, cresce a ameaça a empresas e propriedades - sejam elas intelectuais, informações estratégicas ou patrimoniais, o que torna essencial a implantação de sistemas de segurança digital e físico para preservar informações vitais. Mas nem sempre o investimento feito corresponde ao nível de ameaça a que a empresa está exposta, o que potencializa os riscos, deixando-a ainda mais vulnerável a crimes cibernéticos. O Brasil vivencia um aumento nos ataques às empresas, mas isto não é uma realidade tão nova quanto possa parecer. O que se tem visto é o aumento nas ocorrências - ataques, fraudes intelectuais, entre outros - o que faz com que o bem-estar econômico das empresas esteja sob constante e grave risco, potencializado pelo avanço tecnológico, que amplia o ambiente a ser protegido. Rubens Fileti, diretor-executivo da Senior
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Advanced, lembra que os registros dos primeiros crimes virtuais datam da década de 1960, com os estudos que deram origem à internet. Nos últimos meses, frisa, “estamos vivendo a maior ‘epidemia’ de crimes virtuais, onde pessoas e empresas correm riscos jamais vistos. As empresas nunca estiveram tão vulneráreis a ataques e roubos de informações estratégicas no meio virtual como agora”. O aumento da interconectividade, da globalização e da comercialização do crime cibernético, este antes praticado muito mais por hackers ativistas, contribuíram para o que Fileti chama de explosão na quantidade e na severidade dos ataques. Segundo assinala, estima-se que o Brasil perde, por ano, mais de US$ 8 bilhões em ataques, o que o coloca no quarto lugar no ranking mundial de crimes cibernéticos. Só no ano passado, diz, o País registrou um incremento neste tipo de crime sete vezes maior do que a média mundial, havendo ainda um aumento no número de empresas de pequeno porte atingidas, sendo o segmento de varejo o campeão em casos e perdas.
O risco mobile e os ataques indiretos Hoje, praticamente todas as pessoas fazem uso de dispositivos móveis, com acesso a internet. “Um smartphone realiza funções de um computador, o que o torna um meio potencial para obter e vazar informações”, afirma um dos consultores mais respeitados da área e diretor da Cyber Risk Services na Deloitte, Paulo Pagliusi. Os ambientes em nuvens, acrescenta, também ampliaram o espectro a ser protegido, o que pode dificultar o trabalho e, por isso mesmo, requer ferramentas e sistemas eficientes. Segundo explica, os ataques nem sempre são tangíveis. Muitas vezes ataca-se um líder, mas tendo como alvo a marca. Outra dificuldade é que, em vários casos, os ataques demoram a ser descobertos. A maioria dos vazamentos de dados demonstra que pessoas comprometidas passaram semanas e até
"Estamos vivendo a maior ‘epidemia’ de crimes virtuais, onde as pessoas e empresas correm riscos jamais vistos" RUBENS FILETI, SENIOR ADVANCED
meses sem saber o que aconteceu. “Às vezes o ataque é silencioso, não aparece, ficando latente até que o hacker o acione”.
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SEGURANÇA DIGITAL
“88% dos ataques a empresas são bem sucedidos logo no primeiro dia, enquanto só 21% são descobertos no mesmo período.” PAULO PAGLIUSI, DELOITTE
A existência de uma inteligência de ameaça dinâmica permite avaliar, com maior fidelidade, a consciência situacional da empresa, no que diz respeito às ameaças cibernéticas conhecidas e previsíveis, afirma Pagliusi. Mas é preciso considerar que sempre haverá as imprevisíveis, cujos sistemas irão permitir uma preparação para enfrentar um possível ataque. “Um sistema seguro dever ser vigilante, resiliente e atuante”, resume. QUESTÃO ESTRATÉGICA A reação e proteção a essas ameaças passam por uma conscientização dos líderes, no sentido de entender que este não é um problema que deve ficar restrito aos ambientes de comunicação e de tecnologia e sim incorporado às preocupações de CEOs, conselhos e diretores. Infelizmente, os investimentos ainda são poucos e só ocorrem após alguma invasão ou perda de dados. Pagliusi destaca que o risco de ataques e frau-
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des virtuais há muito tempo deixou de ser um problema dos departamentos de TI, sendo hoje um dos princípios fundamentais da governança corporativa, havendo a necessidade do desenvolvimento de uma cultura de ciber segurança. “Enquanto esta área estiver somente na mão do técnico, não há como avançar. Por melhor que seja o profissional técnico, ele não tem autonomia para tomar decisões rápidas, que podem impactar por décadas”, diz. Além disso, acrescenta, é preciso ser vigilante e resiliente para perceber as ameaças, prevenir-se e, diante de um ataque, recuperar-se. Em função das Olimpíadas do Rio de Janeiro, um novo risco, ainda desconhecido no Brasil, tem chances reais de se concretizar. Trata-se do ciber terrorismo, que extrapola fronteiras e crenças. Infraestrutura de telecomunicações, sistemas de energia elétrica, financeiros e políticos podem ser alvos desse tipo de ataque, por parte de invasores que nem sempre buscam ganham financeiro.
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CUIDADO! Sinais de que o dispositivo móvel foi infectado l Se a bateria está descarregando mais rápido do que o normal, o dispositivo tenta conectar via bluetooth sem solicitar, a conta fica mais alta ou créditos acabam mais rápido? Ligue o alerta. Seu dispositivo pode estar infectado. l Cuidado ao acessar contas bancárias e clicar em links desconhecidos. O aparelho pode ser infectado por vírus, fIcando sujeito ao vazamento de informações pessoais, furto de imagens, de lista de contatos ou mesmo causar danos ao hard, provocando funções de sobrecarga e gerando danos ao aparelho.
COMO RESOLVER l O primeiro passo é apagar o aplicativo suspeito de causar a infecção.
l Instale um antivírus no dispositivo e faça uma varredura no aparelho para detectar possíveis vírus. l Outra opção é conectar o aparelho no computador e fazer uma varredura pelo seu antivírus. l Se ainda assim não resolver, a saída será restaurar a configuração original do aparelho.
ALGUNS CUIDADOS l Adote o uso de senha para bloqueio e desbloqueio do aparelho. l Desconfie de mensagens de texto, sms ou WhatsApp, ou de redes que peçam senha de acesso. l Só faça downloads de aplicativos de fontes seguras e reconhecidas. l Mantenha os antivírus atualizados. l Jamais clicar em links suspeitos.
Em rede e na nuvem Os gestores de ciber segurança das empresas precisam estar atentos às redes sociais, que evoluem de forma acelerada, inclusive para construção e divulgação de negócios, com a computação em nuvem e com fenômenos do tipo big, que podem explorar o vazamento em massa de informações. Os ataques podem atingir a reputação das empresas ou mesmo a infraestrutura física, como a sabotagem que coloca a perder a sua produção. O cuidado deve ser redobrado no uso de wi-fi gratuito, que pode se converter em verdadeiras armadilhas, e com a instalação de aplicativos. Uma dica de Pagliusi é ficar atento às permissões solicitadas, verificando se estão de acordo com as necessidades do aplicativo conforme
suas funcionalidades. Ao optar pelo armazenamento nas nuvens, é preciso avaliar todas as possibilidades. Empresas especializadas podem estar mais preparadas e serem mais seguras, visto que têm condições de contratar profissionais mais qualificados e dispor dos melhores programas. No entanto, pelo fato da informação ser armazenada num servidor que pode estar localizado em outro país, bem como a possibilidade de migração de um país para o outro, é preciso considerar que estará sujeita a legislação local. Uma minuciosa avaliação do custo-benefício, bem como a elaboração de um acordo, com participação decisiva do setor jurídico para evitar possíveis armadilhas, são essenciais antes da contratação do serviço.
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CONNECTION Dublin Consumo e produção. Produtos e inovação. Está tudo interligado. O que se faz em Toronto, no Canadá, ou Bangalore, na Índia, de inovação e tecnologia de ponta, se compra via um app no Crimeia Oeste (região Central de Goiânia) ou na Crimeia (uma república autônoma anexada à Federação Russa). A Connection continua sua viagem ao mundo, desta vez com apoio de profissional em Marketing Digital, Jayme Diogo, que intermediou nossa conversa com Billy Forsyth, irlandês mestre em Gestão pela UCD. Confira que não apenas os mercados estão interligados, mas também as ideias.
O mundo dos negócios mais baixo) permitem às hoje é marcado pela conviempresas se adequarem às vência e concorrência de necessidades dos clientes, marcas globais e marcas sempre em mudança. locais. O que essa globalização, acelerada pelo meio Se a globalização chedigital, traz de bom e de gou na ponta, ou seja, ruim? no consumo, no meio do ENTREVISTA COM BILLY FORSYTH Embora a globalização seja processo, as atividades Irlandês, nascido em Dublin, com formação em Química, uma coisa positiva para muiainda são muito parpela University College Dublin (UCD), onde fez mestrado em Gestão e Formação em Negócios. Trabalha em uma tas empresas, isso cria mais ticulares de cada país, empresa que presta serviço para gigantes da tecnologia mundial, como Sony e Microsoft. competição. As margens de como tributos, burocralucro já são apertadas e ficam cia e crédito para invesainda mais com o aumento da concorrência. Eu acredito timento. Reduzir gargalos provocados durante que as empresas precisam ser inovadoras para criar seus a produção, que elevam preços finais, vai definir próprios monopólios. Mesmo que seja uma empresa quem se consolidará no mercado mundial? com dez pessoas, se você pode criar seu próprio monopóAs grandes empresas (como Apple, Pfizer e Dropbox) lio você não terá de lidar com a concorrência e, assim, vai têm uma vantagem significativa nesta área. Elas contise beneficiar de maiores lucros. O desafio é você encon- nuamente se beneficiam de impostos corporativos baitrar em uma base de trabalho um problema que ainda xos – na Irlanda, por exemplo – para ter maiores lucros. não tenha sido resolvido. Se você pode responder a isso, Uma empresa precisa realizar uma extensa pesquisa criar um produto ou serviço de qualidade ao seu redor, a antes de entrar em um novo mercado. O custo de producoexistência e a competição serão irrelevantes. ção é, obviamente, um componente vital na pesquisa e se eles podem enxugar custos e elevar os preços é uma deComo o empresário local, principalmente negó- cisão favorável para o negócio. As parcerias também são cios de pequeno e médio portes, deve encarar essa fundamentais quando se olha para o mercado mundial. nova realidade mundial dos negócios? Se você pode encontrar um parceiro que compreende A chave para qualquer negócio sobreviver e cres- a burocracia local e entende como as atividades fiscais cer entre marcas globais é a diferenciação. As empre- trabalham, há uma maior chance de sucesso. sas locais precisam se concentrar em problemas que não foram resolvidos ainda. É muito difícil competir Na sua visão, quais negócios vão evoluir nos prócom grandes marcas que têm grandes orçamentos para ximos anos e quais perderão força? Big Data, emarketing, vendas, por exemplo. Portanto, uma empresa commerce, varejo tradicional, veículos de comulocal deve escolher um nicho de mercado para começar nicação e livros impressos, internet das coisas? a estabelecer a sua própria marca. Uma empresa local Big Data está se tornando cada vez mais popular precisa estar aberta a mudanças. A forma como as coisas em muitas indústrias. Eu sinto que qualquer indústria foram feitas no ano passado são diferentes de como elas criando nova tecnologia vai muito bem. Muitas vezes, são feitas hoje. As novas tecnologias (custo, muitas vezes essas empresas têm baixos custos que lhes permitem
A ESTRATÉGIA TEM DE SER SIMPLES
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"A empresa precisa saber para onde está indo, o que fazem os setores que estão indo para o destino e como eles vão alcançá-los. As empresas vão fazer bem se elas se concentrarem em ambas as metas de curto e longo prazos" BILLY FORSYTH
crescer muito rapidamente. É difícil determinar quais setores vão sofrer. Como mais e mais itens são agora comprados on-line, as lojas de varejo (roupas, livros, eletrônicos, entre outros) parecem estar “sofrendo”. No entanto, eles podem contrariar esta tese reformulando seu modelo de negócio, afim de atender aos requisitos do cliente. As indústrias de alimentos e de remédios parecem estar muito forte neste momento também. Como os profissionais de alto escalão, do comando das empresas, estão se preparando para o futuro? Estão no caminho certo? O que devem priorizar para os próximos cinco anos? É crucial ter uma estratégia simples, clara e bem definida. A empresa precisa saber para onde está indo, o que fazem os setores que estão indo para o destino e como eles vão alcançá-los. As empresas vão fazer bem se elas se concentrarem nas metas de curto e longo prazos. Os profissionais bem-sucedidos ou empresas tendem a planejar uma trajetória de cinco ou dez anos na estrada, não
apenas hoje, a semana ou o trimestre financeiro. O que pensa estar fazendo daqui cinco anos? Meu plano é governar o mundo, mas quem sabe! Eu não tenho certeza, para ser honesto, mas vou continuar a aprender coisas novas, para melhorar a minha oferta pessoal. De uma forma bem sincera, como o Brasil é visto nos vários países que o senhor já atuou? Os irlandeses gostam muito dos brasileiros, especialmente com a recente mini-invasão! Eu não sei muito sobre o mercado brasileiro, só o que eu li nos jornais. Eu entendo que a economia esteve muito bem no passado recente, mas, desde 2014, o País está passando por uma recessão. Eu não acho que a agitação política atual está ajudando nessas questões, mas as recessões são uma ocorrência natural em qualquer parte do mundo e tenho certeza que o povo brasileiro tem vontade e vai superá-la. UNIVERSITY COLLEGE DUBLIN Uma das principais universidades de pesquisa da Europa, a University College Dublin (UCD) é a maior e mais diversificada universidade da Irlanda, com mais de 30.000 estudantes de 120 países – quase 6 mil estudantes internacionais. A instituição é líder na Irlanda no ensino de pós-graduação com mais de 8.000 alunos.
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MORRE UMA EMPRESA POR HORA Em 2015, 8.214 empresas fecharam as portas no Estado. Crise acelerou baixas O sonho do negócio próprio foi encerrado para muita gente, no Brasil, em 2015. Sem saída diante da crise econômica, o jeito foi descer as portas e adiar projetos. De janeiro a outubro do ano passado, 302 mil empresas brasileiras deram baixa em seus registros nas juntas comerciais. O dado é o mais alto da década,
segundo a Secretaria da Micro e Pequena Empresa (SMPE). Em Goiás, a realidade não foi diferente. Foram fechadas 8.214 empresas em 2015, segundo a Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg). O número é 7% maior do que do ano anterior. O registro de empresas abertas
ainda supera o das fechadas, no total 18.688, mas o saldo entre a abertura e extinção indica um índice negativo no crescimento de 19,5%. Para o presidente da Juceg, Rafael Lousa, os dados refletem a situação econômica do País e Goiás ainda sofre impacto menor do que outros Estados brasileiros. (LUISA DIAS)
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LIDERANÇA
ZUMBI, TURISTA OU VIAJANTE? Que tipo de líder você é para sua equipe? O espanhol Norbert Monfort e o brasileiro Dobson Borges avançam na importância de se conhecer bem para comandar equipes e empresas
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Liderar uma empresa ou uma área estratégica do negócio requer um exercício de desenvolvimento. Para o consultor espanhol em inovação e desenvolvimento, Norbert Monfort Villarroya, existem três tipos de gestores nas empresas: zumbis, turistas e viajantes. O consultor ressalta que essas três categorias podem ser observadas também no contexto social, não apenas no mundo dos negócios – pois estão relacionadas a atitudes e comportamentos humanos. Norbert Monfort é, há mais de duas décadas, professor de uma das mais conceituadas escolas de educação executiva do mundo, a ESADE Business School, de Barcelona, e esteve em Goiânia no mês de março, a convite da Simeon Estratégia e Desenvolvimento, onde realizou um curso para acionistas e executivos de médias e grandes em-
presas do Centro-Oeste. Monfort aponta que os zumbis são aqueles gestores facilmente reconhecíveis, que seguem obedientemente as decisões dos seus superiores. “Eles estão rastejando pela empresa”, brinca. O consultor explica que falta personalidade para este tipo de profissional, que pouco incentiva o desenvolvimento da equipe que lidera. “Garanto que todos conhecemos muitos que agem assim, morto-vivo”, afirma. Quanto aos turistas, estes ficam na superfície dos projetos da empresa. “Não se comprometem com nada nem com ninguém”, define Monfort, ressaltando que seu grande objetivo de vida é se divertir e ganhar dinheiro. Em resumo, o turista é o gestor que está na liderança como se estivesse de passagem, “fazendo fotos” e já pensando na próxima cidade (em-
Norbert Monfort Villarroya: "Todos conhecemos mortos-vivos"
presa). Assim, este tipo de profissional interfere pouco no ambiente, prefere apenas registrar o que acontece. “O turista se contenta em mostrar as fotos aos colegas”, explica. No contraponto dos zumbis e turistas, está o viajante. Monfort define como sendo o líder que se esforça para compreender o trabalho e as pessoas. O viajante quer usar o aprendizado adquirido nas viagens na organização. “A vida do gestor viajante é fazer sentido a cada momento”, reforça, lembrando que as experiências das viagens nos transformam, com erros e acertos. “São nas viagens que nos deparamos com desafios e o medo de situações extremas em ambientes que não dominamos. E temos de enfrentá-los.” DOBSON Dobson Borges tem uma visão
clara do que é liderar: “É ter seguidores que fazem da sua causa a deles. Não significa simplesmente o exercício do poder sobre os outros e sim o exercício de poder fazer desses outros, pessoas mais felizes e realizadas. Representa, acima de tudo, desenvolver novos líderes.” Dobson é sócio e co-fundador da Simeon, professor de várias universidades e cursos de MBA, inclusive foi convidado a ser professor da ESADE Business School, e autor de quatro livros de estratégia – o último, “Como Vencer a Crise: Superando Desafios com Liderança, Estratégia e Inteligência Espiritual”, lançado em junho. “Para quem se especializou em apoiar as companhias na transformação da estratégia em ação, na busca de resultados financeiros, oriento ter sangue frio, números atualizados e planos de curto e médio
Dobson Borges : novo livro sobre como vencer a crise
prazos revisados rotineiramente. Sem liderança e estratégia, a crise pode engolir a empresa. Aliás, já engoliu várias, inclusive empresas antes vistas como intocáveis”. Para Dobson, é bom separar o joio do trigo. “A literatura sobre liderança é tão grande quanto a carência de líderes no mercado. Tudo indica que não é uma questão saber o que fazer, mas de fazer acontecer. Para fazer acontecer você precisará tanto de gente quanto de uma estratégia bem definida e estruturada”, comentou. A estratégia, explica Dobson, é a parte hardware e a liderança, o software. “Idêntico a um computador, pouco ou nada adianta ter o hardware sem nenhum software, ou vice e versa. O computador só vai nos ajudar tendo os dois”, explica o consultor, que participa do conselho de gestão de várias empresas goianas. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 35
PERFIL
UE Q CABE E M DO A P TU I Z Z
! A
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Itamar Roberto e Jerônimo Antônio são sócios há mais de 45 anos
Tradicional casa de pizzas goiana completa cinco décadas e marca a história da gastronomia e da vida social da capital. Sucessão é assunto em aberto na Cento e Dez POR CARLA OLIVEIRA E LUISA DIAS No último dia 15 de maio, o cantor Fábio Júnior veio a Goiânia mais uma vez. A apresentação no Teatro Rio Vermelho era aguardada por fãs de todas as idades, muitos não se lembram quando foi a primeira vez do artista na capital, cidade que frequenta desde a década de 1970. Mas ele se lembra bem do local. Foi assim que nos pedidos para o camarim do show incluiu pizzas da Pizzeria Cento e Dez. Cliente da casa, ele mantém a tradição a cada vinda a capital goiana. Aberta em 1966, a Cento e Dez foi a primeira pizzaria de Goiânia. A pizza, carro-chefe da casa, chegou ao Brasil junto com os imigrantes italianos, mas só ganhou a mesa do brasileiro a partir de 1950 com as primeiras cantinas em São Paulo. Na década seguinte, foi a vez de Goiás provar a massa à base de farinha, em formato redondo e com molhos variados.
O produto se tornou sucesso e a Cento e Dez era ponto de encontro da sociedade, na Rua 3, no Centro, ao lado da Galeria Ouro. Com pouco mais de 150 mil habitantes, Goiânia tinha opções restritas de lazer e a maioria estava próxima da pizzaria. O Teatro Goiânia e o Cine Ouro reuniam políticos, empresários e artistas e as programações eram seguidas por rodadas de pizzas. “Fechávamos a porta e lá fora formava fila”, diz o mineiro Itamar Roberto, 78, que junto com o goiano Jerônimo Antônio de Carvalho, 75, se tornaram proprietários da casa em 1971 e estão até hoje no comando. Os clientes se esbaldavam com as receitas, pizzas e outras massas, mas também com as companhias. O salão com capacidade para 300 pessoas reunia as famílias da alta sociedade goiana. Iam para ver e serem vistos. Os artistas e os políticos vieram de todos os lugares do Brasil nas décadas seguintes. Depois de passar a novidade, a casa ganhou concor-
rência na mesma quadra, a Scarolla Pizzaria, em 1977. “Incentivou ainda mais o público. Foi uma concorrência saudável e temos um bom relacionamento até hoje”, afirma. Atualmente são centenas de pizzarias em toda a cidade. Mas a tradição da Cento e Dez manteve seus fiéis clientes, em busca do atendimento diferenciado, ainda à maneira da década de 1960. Muitos atendidos pelo nome e em suas preferências, mantêm relação com a casa. Foi o caso do governador Otávio Lage, cativo cliente da Cento e Dez, que gostava de determinada mesa e na qual o garçom já levava a pizza favorita. A tradição é renovada e ainda muitos políticos circulam pelo local, em horários menos movimentados, ou ainda fazem uso do serviço de entrega para ter o sabor de sua pizza favorita em casa. E é assim que a história da Cento e Dez foi construída em 50 anos, comemorados em 2016. O público, que ainda lota os dois salões da pizzaria, Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 37
Receita tradicional garante clientela cativa na pizzaria, há cinco décadas, e muitas histórias
é formado sobretudo de famílias que mantiveram a tradição de pais para filhos. “No dia das mães, por exemplo, chegamos a atender uma família com três ou quatro gerações de clientes”, explica o empresário. Itamar e Jerônimo são sócios na Cento e Dez há 45 anos, mas já trabalhavam juntos na Panificadora Seleta, na Avenida Goiás, primeiro negócio da dupla. Eles foram procurados pelo antigo dono, Antônio Marques, que já conhecia o trabalho dos empresários na padaria. Entre eles, a sintonia é comparada ao casamento. “É preciso respeitar a decisão do outro. É assim que funciona: trabalho e confiança”, diz Jerônimo, lembrando que a divisão entre eles sempre foi muito tranquila. As famílias também se tornaram amigas e os herdeiros dividem a mesa nos dias festivos. Seu Itamar tem três filhos e três netos e seu Jerônimo, três filhos e cinco netos. Dois dos herdeiros das famílias seguiram negócios na área da gastronomia com um restaurante e uma pizzaria. 38 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
“A geração de hoje é diferente. Não sei como será o futuro”, afirma Antônio sobre o processo sucessório. Nas primeiras décadas do negócio, foi Jerônimo quem cuidou da pizzaria, enquanto Itamar diversificava os investimentos em outras áreas. Mas hoje é o sócio mais velho quem toca a pizzaria, comandando 23 funcionários de segunda à segunda. Alguns deles estão na casa desde a década de 1970 e preservam tradições que encantam a clientela, do pirulito servido na saída ao auxílio dos garçons com as crianças e pessoas com menor mobilidade. “O que mantém a pizzaria é o cliente. Sempre fizemos tudo por ele”, afirma Itamar. A casa abre para o almoço e para o jantar, quando às vezes invade a madrugada. Mas em cinco décadas muitas coisas mudaram. O centro da cidade já não tem o mesmo glamour, mas ainda mantém vários negócios antigos que têm publico cativo, como a Cento e Dez. No cardápio são 60 tipos de pizza, mesmo assim a receita “à moda”
se garante no topo dos pedidos nos últimos 50 anos e a massa segue os moldes tradicionais. Fora o cardápio ampliado e as pequenas reformas, o local e o atendimento são os mesmos, bem como os fornecedores e as receitas. Seu Itamar abre e fecha o negócio, mas conta sempre com a presença do sócio. “O sucesso é o cuidado do dono. Tem de trabalhar”, explica Itamar. E é assim que a dupla continua o negócio, no Centro de Goiânia, com a mesma tradição e elegância de 50 anos atrás. Entre clientes e funcionários, fizeram amigos e colecionam histórias. Os dois riem quando se lembram de casos nos primeiros anos de pizzaria. Quem conta é Jerônimo, o sócio mais novo: “no cardápio tinha escrito ‘proibidas cenas amorosas’ e hoje muitos clientes contam que foram chamados pelos garçons por que tinham se excedido nos carinhos”. Hoje os tempos, a cidade e a clientela mudaram, mas o sabor das pizzas da Cento e Dez, eles garantem, é o mesmo.
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USE MÓVEIS
FOCO NO
SETOR PRIVADO Desafiado pela crise de 2014, o presidente da Use Móveis, Rodrigo Alves de Deus, reinventa o negócio e mira no mercado privado e na exportação
POR LUISA DIAS São mais de 30 anos entre o dia em que o contador Francisco de Paula de Deus abriu seu primero negócio, no Setor Parque Oeste Industrial, em Goiânia: uma metalúrgica, que na década de 1990, passou a ser fábrica de móveis para escritórios. Os três filhos, ainda pequenos, testemunharam o início da história da Use Móveis, que seria consagrada pelo sucesso e pela ousadia do seu fundador. 40 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
Na época, a informatização se tornou uma realidade a ser enfrentada por toda a sociedade, em especial os órgãos públicos. Saíam as máquinas de escrever e chegavam os monitores e as CPUs, com seus cabos e necessidades especiais. Foi a deixa para que a Use Móveis aproveitasse a oportunidade de vender mesas para os computadores dos órgãos públicos, que estavam se adaptando às demandas de uma realidade cada dia mais instigante.
Nome: Rodrigo Alves de Deus Idade: 36 anos Estado civil: Casado Formação: Administração de Empresas Empresa: Use Móveis Desafio: Vender para o mercado privado
Dos simples móveis da época para hoje, com linha completa de escritório, houve um salto de qualidade e de investimento na indústria moveleira. Hoje, os novos capítulos são escritos pelo herdeiro de seu Francisco, seu filho caçula, o empresário Rodrigo Alves de Deus. Nas três décadas de funcionamento, a Use Móveis tornou-se referência do segmento no setor público, com atuação em todos os Estados brasileiros, onde participa
dos processos licitatórios e outros modelos de negócio. Em 2007, a empresa se destacou com a abertura da fábrica de 15 mil metros quadrados e maquinário moderno, entre Goiânia e Goianira. O investimento foi responsável pelo crescimento dos negócios. Em 2012, a empresa chegou a faturar R$ 130 milhões. Mas a crise econômica e política do País, em 2014, anunciaram novos desafios com queda de faturamento e redução da equipe.
O novo presidente da Use Móveis, que assumiu no mesmo ano, teve a certeza que era a hora de redesenhar a empresa para voltar a crescer. “Foi o ano mais desafiador que eu passei até hoje e a empresa também: muito difícil. Perdemos capacidade de investimento, o que voltamos a conquistar em 2016”, afirma o empresário. Para sair da crise vivida por muitos empresários no País, ele mirou no mercado privado e espera,
em cinco anos, que esta nova fatia do mercado represente 50% dos negócios. “Sempre foi uma estratégia, mas não saía do papel. Agora é prioridade de toda a equipe”. Em médio prazo, a mira de Rodrigo está no Mercosul. “Nosso produto tem padrão internacional e potencial de mercado.” O desafio para a Use Móveis será grande. A tradição moveleira está concentrada nos Estados do Sul e do Sudeste do País, de onde Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 41
Empresa investe em tecnologia continuamente e agora foca no realinhamento estratégico, com ampliação de mercado no setor privado e forte valorização da equipe
vem a matéria-prima para a indústria goiana. Mesmo para os grandes produtores, a crise afetou os negócios, que tiveram elevada estocagem de peças. A pauta exportação já permeia a indústria moveleira. O Brasil é o quinto maior produtor de móveis do mundo, mas ocupa o 31.º lugar no ranking de exportadores do setor. A contradição está na falta de incentivo à entrada no mercado internacional, dominado pelos Estados Unidos, Itália e China. O cumprimento das novas metas provocou mudança na fábrica, no modelo do negócio e de gestão na Use Móveis, que tem hoje 200 funcionários. Segundo Rodrigo, as primeiras mudanças foram no produto, com a contratação de um designer para remodelagem, criação do selo de identidade e aumento da garantia dos produtos de cinco para seis anos. Na relação com os clien42 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
tes, que muda o foco dos gabinetes do setor público para os escritórios das grandes empresas, a Use passou a ter novo site em três línguas e uma equipe de atendimento de alta performance. “Fizemos um realinhamento estratégico com desenvolvimento da equipe por meio do coaching”, revela o empresário, que busca descobrir em cada funcionário competências que vão fazer a diferença na competitividade. Além da fábrica e do escritório em Goiânia, a empresa tem sede em outros 18 Estados. Nos outros, possui representação. O que vai ser diferente? “Estratégia, processos e pessoas. Queremos ser uma empresa muito melhor.” A equipe está focada na apresentação da nova linha de mobiliário da Use nas empresas e nas indústrias. A partir do escritório em Goiânia, ele coordena visitas a
corporações em todo o Brasil com o apoio de uma gerente de vendas especializada no segmento. Na estratégia, está o foco em visitas a escritórios em reforma ou construção, tarefa que hoje representa 90% da agenda do comercial. HISTÓRIA A Use Móveis foi uma empresa erguida diante de uma oportunidade com o trabalho do seu Francisco e dos filhos, que começaram jovens na empreita. Dos três, só Rodrigo continua o trabalho do pai, hoje com 72 anos e aposentado. Do exemplo paterno, o trabalho diuturno e a valorização da equipe. “Meu pai acredita que o desenvolvimento de um País vem da indústria”. Rodrigo também acredita e segue seus passos, só que agora mais amplos. Para ele, o empresário brasileiro tem muita força de vontade e en-
Produção da Use Móveis tem selo de qualidade e todo design do mobiliário é remodelado a cada quatro anos. Empresa goiana tem filiais em 18 Estados
frenta as adversidades. “Não é uma cultura do governo apoiar de fato a indústria, o gerador de empregos, o pagador de impostos”, enumera Rodrigo, uma crítica repetida no meio industrial. A tributação alta é a principal queixa do setor. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os tributos chegam a 37%. “Hoje a Use fabrica o que tem de melhor no cenário nacional. Temos produtos com design italiano e nacional e somos conhecidos pelo alto padrão de qualidade mobiliário”, explica ele, destacando a presença de um designer italiano responsável por algumas peças assinadas da nova coleção. O selo de identidade é um compromisso público que a cada quatro anos a marca muda todo o design de mobiliário, fabricado com madeira com selo de reflorestamento, aço e alumínio. “Seguimos as tendências do mercado internacional”.
PERFIL O executivo Rodrigo é resultado da experiência na Use Móveis, mas também de muito estudo. Formado em Administração de Empresas pela Faculdades Alfa, ele tem ainda MBA pela Fundação Dom Cabral e pós MBA pela Universidade de Kellogg, nos Estados Unidos. Apreciador de diversos idiomas, é fluente em inglês e espanhol. Na trajetória, ele percebe muita diferença do garoto de 16 anos que começou a trabalhar com o pai e os irmãos. “A transformação veio mês a mês. A grande diferença é a maturidade. A experiência que eu tenho hoje é muito maior”, conta Rodrigo, que ainda vê muito espaço para aprender com as novas experiências. O aprendizado envolveu até o chão de fábrica. Diretor industrial por muitos anos, ele conhece o processo e o produto com muita pro-
priedade. “Uma das premissas para cobrar é saber fazer e eu sei como fazer”, afirma. E também aprendeu com os erros próprios e da equipe, com quem tem uma relação de muita sintonia. “Todos os que estão e os que passaram guardam da Use uma boa história”. E são eles, segundo o presidente da Use, os responsáveis pelo enfrentamento da crise: “Com nossa equipe, enfrentamos e vencemos a crise no último ano.” Quase 20 anos depois de se tornar funcionário da Use, naquele que foi o seu primeiro emprego, hoje presidente, Rodrigo sabe que a receita do sucesso passa pela entrega ao projeto. “Sempre entrei na empresa por amor ao negócio. Eu não colho frutos, ônus e bônus por nada, sempre colho por amor”, diz, enquanto dedilha a mesa da nova coleção Use Móveis e sonha com o futuro próspero que leve adiante o legado de seu Francisco. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 43
EXECUTIVOS O executivo faz o serviço (limpo e sujo) para a operação funcionar. Os negócios são tocados por quem? Quem está por trás da marca? Quem está no topo do organograma? Revelar este cenário é a meta da Executivos, que estreia nesta edição
NOVO CENÁRIO PARA EXECUTIVOS
As regras do jogo mudaram para as empresas com a retração dos negócios. Para essa nova realidade, os executivos também precisam compreender a mudança e se adaptarem. Leonardo Massuda, sócio-diretor da Fesa em Goiás, consultoria especializada na busca e seleção de executivos de média gerência e alta diretoria, aponta que o empresário quer executivos com competências diferentes de dois ou três anos atrás. “Talentosos têm sido aqueles que conseguem entender a nova regra do jogo, tomam as decisões rápidas, mas sem perder o foco no cliente, fazendo-se cada vez mais necessário onde atuam”, diz Massuda. Requisitos valorizados na seleção de executivos Até 2014
Em 2016
1ª) Relacionamento interpessoal e liderança
1ª) Orientação para o resultado
2ª) Foco em resultado
2ª) Atuação sob pressão e resiliência
3ª) Flexibilidade
3ª) Comunicação clara e transparente
FGR URBANISMO A Diretoria Comercial e de Marketing da FGR Urbanismo está agora sob o comando de Michelle Perez, de 34 anos, com especialização pela FGV, que terá o desafio de consolidar a empresa como uma das maiores de condomínios residenciais horizontais do País. A empresa goiana já conta com 21 empreendimentos com o conceito “Jardins” em nove Estados.
RIO QUENTE VACATION CLUB Edson Cândido é o novo líder do Rio Quente Vacation Club. Na empresa desde 2010, Cândido acumula 16 anos de experiência em Customer Service. O profissional é graduado pela UFG, com MBA pela FGV, e já passou por empresas como Tivit, Vivo e Net. O grupo goiano é o maior clube de férias da América do Sul e pioneiro no Brasil na indústria de tempo compartilhado.
ERNST & YOUNG (EY) A Ernst & Young terá, a partir de julho, novo presidente. Luiz Sérgio Vieira Filho, que entrou na EY há 24 anos como trainee, sucede Jorge Menegassi. Será o mais jovem CEO à frente de um Big4 (grupo das quatro maiores consultorias e auditorias do mundo). Em julho, ele estará em Goiânia e vai bater papo com a equipe do site da Leitura Estratégica.
GRUPO DIROMA O balanço do Grupo diRoma em 2015 manteve crescimento na casa dos dois dígitos. Fechou com alta de 15% no faturamento. O superintendente do diRoma, Aparecido Sparapani, aponta que houve alta de 10,7% em diárias vendidas. Segundo o executivo, a crise da economia não altera os investimentos programados pelo grupo, como ampliação de hotéis e parque aquático, bem como a inauguração do empreendimento L’Acqua V.
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trabalho para o Shopping Goiabeiras, em Cuiabá (MT), e alguns varejistas de Goiânia, Jun assume como conselheiro de Novos Negócios da revista Leitura Estratégica.
SOLUTI Selva Tassara deixa a Diretoria de Marketing da Máxima Sistemas, após nove anos trabalhando com a família Patrus (desde os tempos de PC Sistemas), para outro desafio, também nacional por uma empresa local, assumir o Marketing da Soluti Certificação Digital. SAGA A goianidade foi um dos requisitos colocados pela Saga à empresa de recrutamento de executivos para contratar um novo CFO, destacou Sérgio Maia, diretor-presidente do grupo. A busca chegou a Leandro Rosa, que deixou BR Home (Tend Tudo) para ser o CFO do Grupo Saga. BR HOME CENTER Na BR Home, modificações na estrutura de gestão e nomes. Na área de tecnologia saiu Adriano Luchetta e entrou Tácio Henrique. No financeiro, Guilherme Moraes substitui Leandro Rosa. E Willian Pereira do Vale avançou para a superintendência-executiva. TERRAL Jun Hasegawa, que estava recentemente na Terral Shopping Centers, montou sua consultoria de varejo e finanças. Além de desenvolver
EBM A EBM iniciou o processo de abertura de capital para entrada de novos sócios que já fazem parte do quadro de executivos da empresa. Fernando Coe Razuk, diretor de Incorporação, e Rodrigo Meirelles, diretor comercial, participam diretamente dos resultados da empresa. “A atual oportunidade é o caminho natural para a continuidade da profissionalização em direção ao crescimento econômico e administrativo empresarial da EBM”, relata o presidente Elbio Moreira. "Eles passaram por várias provações de mercado ao longo da carreira e fizeram por merecer a participação na empresa", diz Bento Odilon Moreira Filho, vice-presidente. MERCURE O primeiro agora é o número um. Isso mesmo. O novo gerente geral do Mercure Goiânia, Geraldo Oliveira, foi o primeiro contratado pelo hotel em Goiânia, inaugurado em 2012. Rodrigo Mangerotti, antecessor, vai assumir o Mercure BH Lourdes.
JBS E J&F JBS contratou Enéas Pestana, ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar e da Máquina de Vendas, para comandar o negócio na América do Sul. A empresa foi dividida em duas: JBS Foods International e JBS Brasil. A primeira assume a operação internacional e a marca Seara, ficando com a segunda os negócios de carnes, couro, biodiesel, colágeno e a transportadora. A área internacional terá sede na Irlanda e faturamento de US$ 35 bilhões, com 115 mil funcionários. A operação Brasil tem receita de R$ 30 bilhões e 125 mil colaboradores. O Grupo JBS continuará sob comando da J&F Investimentos, da família Batista, com sede em São Paulo. JBJ E JFG José Batista Júnior, o Júnior Friboi, depois de comandar por 20 anos a JBS, empresa fundada por seu pai, José Batista Sobrinho, deixou o grupo em 2013. Na época, para se dedicar à política, trocou suas ações na J&F por ativos (valor não divulgado). Frustrado com a política, reinvestiu no setor empresarial: comprou o frigorífico Mataboi (incorporado à sua JBJ Agropecuária) e o Marfrig pode ser o próximo alvo. Para ampliar a confusão de letrinhas, sob o guarda-chuva da holding JBJ Investimentos, está a JFG Incorporações, estreante do grupo em negócios imobiliários em Goiânia, como o Nexus, um complexo multiuso na Avenida 85 com a Avenida D, o residencial Botanic (também na Avenida D), e loteamentos. Anos antes, a JFG comprou o controle da loteadora BRDU, que atua em seis Estados e no Distrito Federal, e teria um banco de terrenos superior a R$ 1 bilhão. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 45
EXECUTIVOS do headquarter, no Rio de Janeiro. O diretor comandará cerca de 300 colaboradores. Seu comando da regional TCO envolve sete Estados, entre os quais o Distrito Federal. ACIEG Gabriel Teles, da Lure Consultoria, assumiu o projeto de Gestão Executiva da Acieg, hoje presidida pelo empresário Euclides Barbo de Siqueira. Fica a frente da Direção Executiva, a administradora Geórgia Borba. SAGA MALLS O CEO da Saga Malls, Fernando Maia, esteve no Japão para conhecer uma série de shopping centers integrados a terminais multimodais que o Grupo Mitsui &Co. possui naquele país. O Grupo Mitsui &Co. é sócio da Supervia no Rio de Janeiro, com quem a Saga Malls está desenvolvendo um shopping de grande porte na estação ferroviária da Central do Brasil (RJ), multimodal que integra trens, metrô, VLT e terminais de ônibus municipais e intermunicipais. PC SISTEMAS O economista, especializado em gestão empresarial pela FGV, Ademar Alves, é o novo diretor executivo da PC Sistemas, à frente da operação em todo o Brasil. Cursou MBA pela ESADE Business School e tem mais de 20 anos de experiência no mercado de software. A PC atua no desenvolvimento de softwares de gestão integrada (ERP) e foi vendida à Totvs há cerca de dois anos por quase R$ 100 milhões. TIM Victor Midlej é o novo diretor comercial da Tim no Centro-Oeste. O executivo está na operadora há 11 anos e já atuou pelas regionais de São Paulo, Nordeste, Norte, Minas Gerais, além 46 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
AIG Júlio Murta é o novo líder de operações em Minas Gerais e Centro-Oeste (MCO) da American International Group (AIG). Murta já atua há 20 anos na área de seguro, com carteiras massificadas e corporativas. Sediado em Belo Horizonte, o executivo comandará corretores e parceiros em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. ADM Guilherme Prottis assumiu a Diretoria de Originação e Insumos, e Jayson Lee, a Diretoria de Trading da ADM Brasil, uma das empresas líderes no setor exportador de grãos. Ambos com mais de 10 anos na empresa, Prottis é formado em Agronomia na Universidade Federal do Mato Grosso, com pós-graduação na FGV, e Lee, que já atuou em posições comerciais no Brasil e na China, é formado em Engenharia Mecânica pela USP, com MBA Executivo pela Business School São Paulo. TOKIO MARINE João Luiz de Lima assumiu a Diretoria Comercial Nacional Varejo da Tokio Marine. A seguradora promoveu o executivo que já estava há 17 anos no grupo e tem 36 anos de experiência na área. Meta da Tokio é expandir o canal varejo, que responde por 71% do resultado do negócio, que, em 2015, foi
de R$ 3,8 bilhões. O Centro-Oeste está entre as nove regionais sob o comando de Lima. NL INFORMÁTICA A NL Informática, de Caxias do Sul (RS), fechou aliança de negócio com a goiana Senior Advanced, que a representará na região. A gerente Comercial e de Marketing da NL, Grasiela Tesser, destacou que a escolha se deu pelos resultados alcançados nos últimos anos. “O mercado do CentroOeste é importante para qualquer negócio no País e aqui, com a Advanced, estaremos bem representados.”
KABANAS ARTE GOURMET A sociedade dos empresários Rayane Jacobson (Arte Gourmet) e Ricardo e Bolívar Siqueira (Kabanas) criou nova empresa de buffet, que nasce da fusão do renomado restaurante com uma empresa de soluções gastronômicas. Com sede própria, no Bueno, em Goiânia, o novo buffet prevê crescer com eventos sociais privados e corporativos. "O objetivo foi unir a infraestrutura e o nome do Kabanas com o talento e a criatividade da Arte Gourmet. O diferencial será a personalização, fazer com que cada evento tenha a cara do cliente", disse Ricardo Siqueira.
BIG DATA
GOIANOS DESEMBARCAM
NOS EUA Empresa goiana lança plataforma com baixo custo e maior rapidez O contato no site da startup goiana goGeo, desenvolvedora de uma plataforma de geoprocessamento e big data geoespacial, revela muito sobre a força que o jovem negócio ganhou. São três endereços: Houston, Texas (EUA); Vila Prudente, em São Paulo; e, Setor Pedro Ludovico, em Goiânia. O slogan, no mesmo site, dá pistas da evolução do negócio: “A forma mais fácil de trabalhar com quantidades massivas de dados em um mapa.” A PA Latinoamericana enxergou a potencialidade do serviço e a qualidade da plataforma e fez um aporte de R$ 5 milhões. A PA, uma empresa brasileira dedicada ao apoio na gestão estratégica, com escritório agora também em Houston, carrega na pasta a solução da goGeo na busca de investidores americanos. “Previsão é faturar R$ 75 milhões até 2020. Goiânia se consolida como polo de inovação tecnológica”, disse o CEO da PA Latinoamericana, Allan Pires. A goGeo foi fundada pelo PhD em Ciência da Computação Vagner Sacramento, com o diferencial de oferecer um custo cinco vezes menor e atingir resultados 50 vezes mais rápidos que outras tecnologias de geo-
localização disponíveis no mercado. Com tecnologia 100% nacional, a plataforma oferece alto desempenho por usar algoritmos de processamento distribuído e paralelo, explorando o poder de servidores de baixo custo num cluster computacional. “Ao invés de investir em licenças caras e em servidores de grande porte, nossa plataforma torna possível processar grande volume de dados usando dezenas ou centenas de servidores de baixo custo”, diz Vagner. Na prática, a aplicação substitui
a planilha por um mapa para analistas desse setor, permitindo que bancos, seguradoras e empresas de meio de pagamentos digitais possam analisar geograficamente os dados transacionais de seus clientes como pagamentos, saques, transferência, sinistros, chamadas de suporte, entre outros. Assim, é possível entender o padrão de consumo de cada microrregião para melhorar serviços de detecção de fraude, implementar estratégia de retenção de clientes ou expansão em novos territórios. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 47
BRAND Uma coluna diferente, quase uma ficha técnica. Onde empresas renomadas são convidadas a apresentar cases de reformulação de marcas. Estreia com trabalhos da Zaic - St/Gumo e Crispim+Veiga.
Marca Antiga:
Cliente: TV ANHANGUERA
Diretor de Estratégia: l Cláudio S. Ribeiro
Diretor de Design: l Gustavo Moura
Marca Nova:
Estratégia: Investigar e descobrir os principais atributos da marca, amparados pela sua essência e estratégia de negócio. Posicionar a marca tendo como guia de sustentação os atributos encontrados. Criar uma identidade na qual logo, paleta cromática, fotografia, grafismos de apoio e todo a comunicação estejam em perfeito equilíbrio com o posicionamento da marca. Desenvolver um manual de marca para servir de orientação para todas as suas aplicações.
Resultado: l Avaliação do cliente: Hoje a TV Anhanguera possui um outro nível de percepção da sua marca, o que aumentou consideravelmente o seu valor de mercado e o orgulho de quem participa direta e indiretamente dela.
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Cliente: GRANO TRADING
Diretoria Executiva: l Dorinha Crispim l Maicon Mello
Criação: l Diretora de Criação: Allyne Durando
Branding: l Consultoria de Branding: Aline Ávila (Made Design Integrado) l Gestor de Branding: Maicon Mello l Gestora de Planejamento: Andressa Cunha
l Diretor de Arte: Fabiano Magalhães
Resultado: A marca foi recentemente aprovada e em breve já estará atuando no mercado. O cliente conta que as indagações oriundas do processo enriqueceram o universo do negócio e abriram possibilidades e novas oportunidades. Além da marca ter sido aprovada na primeira apresentação, toda a estratégia de marca está sendo entregue pela Crispim+Veiga em parceria com a consultoria de branding.
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CONVERSACOMCEOS Com um bate-papo informal e bem lúcido, a coluna Conversa com CEOs se revelou um espaço estratégico da publicação. A primeira edição, com Gelson Ozório (Tron) e Michel Medeiros (Soluti), foi uma das leituras mais comentadas. Nesta edição, saímos da área de serviços tecnológicos, para entrar em segmentos e visões diferentes, que são varejo e agronegócio/logística, com o Sérgio Maia (diretor-presidente do Grupo Saga) e Eurípedes Júnior (CEO da AHL Distribuidora, representante, entre outras marcas para o agronegócio, da Bayer). Mantivemos o formato, para garantir a característica da coluna, que continua sem título, olho e perguntas diretas. São lançados temas e os participantes começam a conversar. Nosso papel é gravar, editar e publicar. Boa leitura.
MUDANÇAS NA GESTÃO NA ÚLTIMA DÉCADA
Sérgio Maia – Primeiro, a questão da liderança. As pessoas, com o número de informações hoje, e a juventude com nova filosofia dessa geração Y, torna tudo muito diferente de tempos atrás. O nível de questionamento hoje faz com que as empresas estejam se recriando. Ninguém é leal à empresa simplesmente pela lealdade ou pelo emprego, o novo profissional é leal ao desafio profissional. Isso é muito bom, porque faz com que a empresa, que não quer se desenvolver, seja malvista, e os bons profissionais vão buscar novas oportunidades. E, paralelo a isso, a grande mudança nestes dez anos é a nova geração que entrou no mercado de trabalho (e de consumo) que faz com que a turma, executivos e gestores de RH, dê seus pulos. Hoje se tem menos apego. O sonho é o desafio. Eurípedes Júnior – Eu vejo que uma coisa assim é até bonita. Transcende o dinheiro. Os novos profissionais têm valores que a geração anterior não tinha. O cara não está preocupado em ganhar dinheiro. O foco é o desafio e se satisfazer. Se souber aproveitar esta turma, tem gratas surpresas, pois vivem mais intensamente que antes. Anteriormente era um “eu quero ficar na empresa porque eu tenho de ganhar dinheiro”. Agora, os caras são bons e eu quero, e preciso, segurar eles. RETENÇÃO
Eurípedes Júnior – Hoje é muito mais difícil re-
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Nome: Eurípedes Júnior Idade: 50 anos Empresa: AHL Distribuidora
ter os clientes externo e o interno. Pelo fato de ter muito conhecimento, ter acesso fácil, a informação chega pelo e-mail. No meu negócio é mais difícil. A preocupação hoje é: “com qual informação vamos tomar decisões”. São muitas informações, mas boa parte não é fidedigna. Os canais e os meios são tendenciosos. Tomar decisões com informações erradas normalmente vai levar a escolha errada, a não ser que tenha muita sorte. As informações que os parceiros e clientes têm quando chegam lá, tem de tomar muito cuidado para saber de onde vem as informações. Não existe verdade absoluta. É preciso tomar cuidado com isso, que é um problema na realidade atual. Sérgio Maia – Também é uma questão de transparência. Um dos segredos do sucesso hoje é buscar a
Nome: Sérgio Maia Idade: 49 anos Empresa: Grupo Saga
transparência. As informações hoje são abertas e se você vai contra isso, vai contra a maré. O cliente sabe exatamente o que quer, sabe mais até que o profissional que o atende. Não adianta o vendedor dar uma informação incompleta ou parcial para vender, que o comprador conhece detalhes técnicos do carro – o que já acontece com a maioria dos setores. O cliente sabe mais ou o mesmo tanto que o vendedor. Um cliente BMW pesquisa, ele é fanático em carro, e tem acesso à informação que antes só tinha quem trabalhava com o produto. CEO É UM CARGO SOLITÁRIO?
Sérgio Maia – Na minha gestão eu nunca tomei esse tipo de atitude, nunca cheguei a levar a posição
ao nível de precisar tomar decisões sozinho. Mas tem gente que é centralizadora, se você decide que a última palavra tem de ser sempre a sua, o cargo acaba se tornando solitário e tanto o ônus quanto o bônus são sempre seus. É óbvio que você precisa tomar posição, principalmente quando você percebe uma situação problemática, aí é necessário intervir e desempatar o jogo dentro da empresa. Não tem jeito de fugir dessa responsabilidade, mas se você criar um ciclo de decisões colegiadas a empresa não vai chegar nesse ponto. A ideia é essa: não deixar a coisa ficar complicada. Toda vez que a decisão é solitária é porque algo não funcionou antes. Eurípedes Júnior – Eu tenho um certo problema com esse tipo de situação. Já observei que, muitas vezes, as pessoas que sobem dentro de uma empresa são as que não tomam decisões, justamente porque elas não estão sujeitas a esse tipo de erro e isso é muito ruim. Então, às vezes, as pessoas que estão ao seu lado até evitam tomar decisões para não correrem o risco de errar. Decidir implica em erro, quando você escolhe um caminho, outro necessariamente fica de lado. Construir essa decisão colegiada, trazer uma ideia una, é uma dificuldade que eu tenho bastante na minha empresa. Não são muitos caminhos para você seguir, os principais são os da transparência, da seriedade e da honestidade. No Brasil, isso é levado em conta até no momento de contratar profissionais para sua empresa. Sempre se pergunta: “Ele é honesto?” “Tem valores?” Então, a preocupação que nós temos no momento de criar esse colegiado é justamente essa, quando está na hora de tomar decisões, as pessoas não querem se comprometer. Nós já temos uma maior facilidade, estamos decidindo e assumindo as consequências o tempo inteiro. Sérgio Maia – Não quer dizer que o colegiado tem que pensar igual, muito pelo contrário. Por exemplo, nós vamos lançar uma maneira de relacionar com o cliente em Goiânia e outra em Brasília e, depois de testadas as técnicas, o colegiado ajuda a decidir qual a mais eficaz. Mas o que é fato é que devemos ser proativos. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 51
CONVERSACOMCEOS que Jesus era um grande líder e é justamente o nosso Sérgio Maia – No setor de automóveis é bem inte- papel dentro das empresas. O papel do CEO é esse de ressante isso porque existem vários grupos de Goiânia motivar os profissionais a “chegarem lá” e atingirem lá fora, o que demonstra profissionalismo e faz com que seus objetivos. É ao mesmo tempo nosso papel e nosso as montadoras nacionais convidem as empresas goianas grande desafio. para atuar lá fora. Primeiro, eu acho que é dedicação, é Eurípedes Júnior – Não é só inspirar, mas tamprofissionalismo e é o empreendedorismo que marcam bém provocar, assim como a passagem de Jesus com o povo de Goiás. Então, quem veio para cá veio para des- São Tomé. Devemos provocar o tempo inteiro para que bravar a crise, o que faz parte da cultura, principalmen- as coisas se desenvolvam e a empresa não estacione. te, de Minas Gerais. O goiano é mais A gestão também é fundamental, destemido, mas, claramente, esse você pode até decidir estacionar destemor deve vir acompanhado de no tamanho da empresa, mas nunmuito profissionalismo. Os outros ca na gestão. O mundo está sempre Estados, a exemplo de Minas Geevoluindo e você vai ficar para trás rais, vieram para desbravar o Estado se a gestão não se desenvolver. É de Goiás e isso fez o varejo desponnesse sentido que devemos sempre tar não só no setor de automóveis, estar provocando. mas também em outros segmentos. CRISE Os empresários goianos são muito Sérgio Maia – Acredito que o acolhedores. Você vai em São PauSérgio Maia Brasil, infelizmente, vai demorar lo ou no Rio de Janeiro e as pessoas mais uns 2 ou 3 anos para sair da crisão sempre mais frias. O goiano tem se. Não tem como as coisas simplespersonalidade de comerciante, que mente melhorarem da noite para o tem esse traço de saber receber e ser dia. Então, precisaremos agir com mais hospitaleiro. É uma questão até um pouco mais de conservadoriscultural por Goiânia ter crescido a mo e uma receita mais “pé no chão” partir da chegada de migrantes de nos próximos anos. Mas o Brasil tem outros Estados, que agiram juntos um potencial enorme de desenvolpara construir os vários setores da vimento em diferentes setores. Na cidade. Todo o Estado cresceu na questão do comércio de carros, por base do “vamos juntos”. exemplo, são 5 habitantes para cada Eurípedes Júnior – O que eu Eurípedes Júnior carro no País, enquanto na Argentina acho interessante é que essa situasão 3,5 habitantes, o potencial é enorção demonstra exatamente o que o me. Assim, no curto prazo o importante é o “pé no chão”. Sérgio falou, o goiano está sabendo como trabalhar à Eurípedes Júnior – Acaba que nós vamos criannível nacional e mostrar sua competência. A princípio, do aí uma geração que vive crise sobre crise e isso pode o senso comum diz que as Regiões Sul e Sudeste são mais capacitadas, mas nós estamos mostrando que não até ser interessante porque nada na vida a gente conseé bem assim que funciona. Acredito que isso contribui gue com bonança. Isto é, a retração pode impulsionar para chancelar a capacidade das empresas e empresá- mudanças, começamos a questionar coisas que antes não questionávamos. Claro que ela não é algo bom, mas rios goianos. sempre podemos aprender alguma coisa com cenários PAPEL DO CEO turbulentos. Podemos aprender a trabalhar mais em Sérgio Maia – Essa é uma questão até bíblica por- equipe, a crescer mais. A crise pode trazer benefícios. POSICIONAMENTO
Acredito que o Brasil, infelizmente, vai demorar mais uns 2 ou 3 anos para sair da crise.
Não são muitos caminhos para você seguir, os principais são os da transparência, da seriedade e da honestidade.
52 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
SUA NOVA FORMA DE GERIR INFORMAÇÕES NO CAMPO
Uso integrado de seus módulos, que proporcionam a disponibilidade de uma única informação fornecida pelo usuário a todos os módulos envolvidos. Possibilita ao produtor um completo controle de custos viabilizando uma perfeita análise econômica, gerencial e estratégica do seu negócio. É possível controlar diversos cenários, desde o mais simples (uma única atividade em uma única propriedade) ao mais complexo (diversas atividades distribuidas em diversas propriedades e localidades). Com operação simples, aliado a tecnologia (smartphones), o usuário terá acesso as principais informações do seu negócio, além de poder realizar apontamentos diretamento do campo em seu disposito móvel.
Custo de produção medidos em hectare (ha), talhão, atividade e operação Controle de manutenção de máquinas / desempenho. Controle de empréstimos de produtos e máquinas. Controle de Contratos futuros e de investimentos. Custo hora / máquinas trabalhadas no campo. Controle de estoques por propriedade, empresa ou unidade produtiva.
www.maxxsoft.com.br
GESTOR RURAL FERNANDO DANTAS | gestorrural@leituraestrategica.com.br
Pedro Revillion/ Palácio Piratini
FINANCIAMENTOS Desde 1º de fevereiro, o Banco do Brasil alcançou R$ 3,4 bilhões em desembolsos para financiamento da Aquisição Antecipada de Insumos – Pré-Custeio da safra 2016/2017, sendo R$ 668 milhões para o segmento de médios produtores e R$ 2,7 bilhões destinados aos demais produtores. Entre os Estados, Goiás é o principal tomador do crédito, com 22,1% do total, seguido de Mato Grosso e Paraná, com 18,6% e 17,3%, respectivamente. PÓS-VENDA A New Holland Agriculture lançou, no início de 2016, nova linha de bicos para pulverizadores, com 56 itens para diferentes aplicações, com variáveis de capas, filtros e utensílios. Os produtos são fabricados com dois tipos de materiais, sendo o primeiro em polímero e o segundo em polímero com cerâmica, que eleva a durabilidade do bico em comparação com bicos paralelos disponíveis no mercado. VENDAS DE INSUMO ON-LINE Com a proposta de resolver o problema da complexidade de vendas e distribuição de insumos agrícolas no Brasil, a AgVali lançou no mercado, neste ano, a primeira plataforma de marketplace on-line. A iniciativa possibilita a conexão entre compradores e vendedores de insumos e tecnologias que atendam às cadeias produtivas da agricultura e de pecuária. MANDIOCA Segundo o Cepea, da Esalq/USP, o volume de mandioca processado pela indústria de fécula, no primeiro trimestre deste ano, foi o maior já registrado: 666,5 mil toneladas, aumento de 29% ante 2015.
SALDO POSITIVO Apesar das incertezas políticas e econômicas no País, a Tecnoshow Comigo, em Rio Verde, movimentou R$ 1,3 bilhão em volume de negócios nos cinco dias de realização da feira – 11 a 15 de abril de 2016. O número é superior ao alcançado em 2015, quando o evento registrou R$ 1,1 bilhão. Neste ano, a feira teve a presença de 540 empresas e instituições de diversos segmentos. A data da próxima edição também foi divulgada e será de 3 a 7 de abril de 2017.
DOENÇAS DO TRIGO Cientistas do Brasil e do Reino Unido estão reunidos em um projeto para desenvolver métodos de identificar precocemente doenças do trigo. O trabalho envolverá técnicas de fenotipagem por imagens com uso de sensores (câmeras) de infravermelho para captar sintomas não visíveis que ajudam a identificar a doença e distinguir, com precisão, plantas suscetíveis das mais tolerantes. IPANEMA 203 Credenciado para ter até 80% de seu valor total financiado pelo
Finame, linha de crédito fornecida pelo BNDES para maquinário agrícola, o Ipanema 203 recebeu a homologação da autoridade aeronáutica e já está disponível no mercado. A aeronave agrícola desenvolvida pela Embraer é utilizada, principalmente, na pulverização de fertilizantes e defensivos agrícolas. CAFÉ Principal produtor de café no mundo, o Brasil aumentou a exportação em 1,3% em 2015 em relação a 2014 e obteve saldo positivo na balança comercial, com US$ 6 bilhões. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 55
MERCADO DA CARNE
FEIRA TECNOLÓGICA REUNIU CERCA DE 10 MIL PESSOAS Evento contou com palestras de renomados consultores brasileiros e estrangeiros Fredox Carvalho
Encabeçando a lista de fatores que fizeram com que o setor agropecuário se desenvolvesse, a incorporação de novas tecnologias é figurinha carimbada em qualquer debate que envolva o futuro econômico do Brasil. Pensando nisso, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás) e o Sebrae, realizou a Exposição das Tecnologias Voltadas ao Desenvolvimento da Pecuária (ExpoPec). A iniciativa, que aconteceu em Porangatu, serviu para divulgar as tecnologias voltadas ao aprimoramento da produção de carne no Centro-Oeste. Ao todo, cerca de dez mil pessoas visitaram o local e puderam participar de discussões e sugestões de políticas públicas para a cadeia produtiva da carne, palestras com renomados consultores, lançamento de novos produtos, equipamentos e serviços. Ministrando a palestra de abertura da ExpoPec, o presidente da Faeg e do Conselho Administrativo do Senar Goiás, José Mário Schreiner, abordou o atual cenário político do País e foi enfático ao afirmar que o agro é o antídoto para a crise, que “já está atingindo em cheio a economia nacional”. O consultor e membro da diretoria Consultiva do World Agriculture Forum, Osler D’Souzart, por exem56 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
Na foto acima, Schreiner durante debate com produtores e, abaixo, com comissão organizadora do encontro
plo, abordou o futuro do Brasil no mercado da carne. “Líder mundial na exportação, o Brasil é um dos principais países credenciados a saciar o apetite por proteína animal de mercados internacionais na próxima década”, disse D’Souzart, que destacou que 82% da alta do consumo virá de países em desenvolvimento.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes (Abiec), Antônio Camardelli, o País deve parar de produzir boi para produzir carne. “Qualquer alimento deve ter valor agregado, saudabilidade e bem-estar, conveniência e praticidade, qualidade e confiabilidade, sustentabilidade e ética”.
Leitura EstratĂŠgica | Junho de 2016 . 57
LEITURA
Leandro Resende - Texto Antônio Carlos Schonarth - Ilustração
QUE DIABO É
ESSE?
Cão de três cabeças. Mefistófeles. Capeta. Diabo. O vilão social, belzebu, maligno. Em algum momento da história da sociedade brasileira – ou vários momentos – fez-se a opção por não gostar de empresários. Em muitos casos, o empresário é demonizado, explorador, réu em qualquer caso. Existe um declarado prazer social subconsciente quando se vê um grande império empresarial ruir. Uma estranha vingança. É um caminho no mínimo controverso, mas não foi uma escolha desta ou das últimas gerações. A aversão é visível e inegável, como qualquer minoria discriminada, só que ao mesmo tempo abraçada a um sentimento de inveja – da cobiçada dupla poder e dinheiro – por ter alguns de seus membros alcançando projeção social e ostentar padrões de vida que os demais sonham. A formação desta cultura de antipatia tem caminhos diversos e raízes já estudadas. Prefiro escolher e apontar duas. Ambas se encontram nos parágrafos a seguir: distanciamento e contrapartidas.
Nosso princípio como economia de empresas propriamente dita, com a estrutura dominante de comércio e indústrias mais parecidas com o que temos hoje, com registro mercantil, contratos, lojas e fábricas, se deu na primeira metade do século 19. Antes, o processo incipiente e poucas informações atrapalham melhor análise. Nossas primeiras gerações de grandes empresários, os desbravadores do País, muitos conhecidos como barões, tiveram pouco envolvimento social, absorveram a má fama que tinham os barões americanos, sem ações que pudessem compensar ações negativas como fraudes, corrupção, invasão de terras, atos de violência e descumprimento de leis. Nos Estados Unidos, a afronta às leis era maior, os investimentos em infraestrutura de produção e desenvolvimento das cidades provocaram desgastes imensamente maiores, tanto que estes pioneiros ficaram conhecidos por “robber barons”, ou barões ladrões. Os barões do norte criaram uma potência mundial – industrial e financeira – na mesma época que desenvolvíamos aqui nossas empresas, após a guerra civil americana (1865 e 1900). Começamos quase juntos, acabamos bem distantes. Mas, lá
nos EUA, a visão da sociedade quanto aos empresários é simpática, de admiração – muito ao contrário daqui, onde empresário só é notícia quando morre, vai preso ou pede falência. O que então ocorreu no meio do caminho? AS CONTRAPARTIDAS O bilionário americano trabalhou melhor as compensações. É da cultura dos bilionários americanos doar para caridade. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, aos 31 anos tem uma fortuna de US$ 44 bilhões (em 2015). Essa fortuna, que cresce mais de US$ 10 bilhões ao ano, será doada 99% para obras de caridade até o fim de sua vida. Bill Gates, cofundador da Microsoft, tem uma fortuna de US$ 75 bilhões e também já fez várias doações. Por que a grande maioria dos ricos americanos fazem filantropia? Pela imagem, mas não apenas. Ao contrário do Brasil, os americanos são estimulados por questões tributárias. O imposto sobre patrimônio alcança uma taxa marginal de 55% acima de determinado valor deixado como herança para os seus descendentes. Quanto mais rico, maior a mordida do leão americano. Assim, os ricos preferem decidir em vida e direcionar para causas sociais, que trará deduções na herança e, com certeza, ajudar universidades, hospitais, museus, orquestras, centros de pesquisa e ciência – que muitas vezes levam seu nome e trazem um ganho e aproximação social. As faculdades americanas, que estão no topo das melhores do mundo, são fruto destas doações – e seus efeitos se propagam por toda economia e sociedade americana. Os empresários americanos poderiam muito bem optar por evadir suas fortu-
LEITURA
nas para paraísos fiscais, abrir offshores, buscar formas de esconder suas fortunas. Mas eles são estimulados, mesmo que tributariamente, a deixar o dinheiro circulando dentro do País e promovendo uma imagem inspiradora para sua sociedade. Essa filosofia aplicada por mais de um século fez com que os americanos valorizassem seus empresários, com altas honrarias e confiança. No Brasil, a visão é contrária. Justiça, Ministério Público, Polícia Federal, imprensa e formadores de opinião enxergam no empresário um enorme ponto de interrogação. Como se a maioria fosse bandido, alvo de operações policiais, criminoso de terno e gravata. Operações contra empreiteiras reforçam essa imagem negativa da sociedade. A investigação de 30 ou 40 pessoas que vendem e se envolvem com governo serve para adjetivar mais de 25 milhões de empresários e empreendedores – que em sua grande maioria nunca emitiu uma nota fiscal sequer para governos. Sem que possam se defender, vestem a fantasia de demônio nas ruas. DISTANCIAMENTO O outro ponto foi que se criou um muro entre a sociedade brasileira e o setor empresarial em razão a dificuldade de promover a comunicação. Nos últimos 50 anos, os empresários não criaram sinceros canais de comunicação com o meio social. Cinquenta anos são suficientes para
formar uma opinião (positiva ou negativa) de qualquer assunto que requer, no mínimo, uma década de muito esforço, estratégia, dinheiro e inteligência para reverter. Os empresários aparecem pouco e mal. As intervenções mais comuns, em 50 anos, foram para: reclamar (do governo), ostentar (riqueza) e vender (produtos). Ninguém gosta daquele “colega” que te procura só para reclamar, ostentar ou vender. Os veículos de comunicação, por sua vez, não atendem as demandas dos empresários, mas as dos consumidores (em sua maior parte de trabalhadores) e seus problemas (ora contra o vendedor, ou seja, empresa, ora contra o governo, que também é um prestador de serviço). Rico e acuado. Este é o empresário brasileiro. Dentro do poder, mas sem decidir. Um processo orgânico tem feito mudar, silenciosamente, este quadro. Em 1998, surgiu o Simples. O Brasil ganhou milhões de novos empresários – negócios de pequeno e médio portes. Em 2009, surgiu o Microempreendedor Individual (MEI), que trata de pequenos negócios com faturamento até R$ 60 mil por ano. Mais de 5,6 milhões de brasileiros passaram a emitir nota fiscal, ter CNPJ, conta bancária para pessoa jurídica... enfim, a pensar e agir como empresa. Com o fim do emprego como é hoje, em 20 anos, teremos mais empresários do que trabalhadores no País. Neste momento ou um pouco antes, a máscara de diabo vai cair.
OLHAR ROGÉRIO BORGES | olhar@leituraestrategica.com.br
Eles representam você? No último dia 17 de abril, boa parte do Brasil assistiu, estarrecida, a um show de horrores protagonizado por vossas excelências, os deputados federais. Na votação da admissibilidade do processo de impeachement de Dilma Rousseff, havia dois lados: os que defendiam o afastamento da presidente e outros que viam na decisão um golpe e lutavam por sua permanência no cargo. Formou-se naquele domingo, porém, um terceiro grupo que, de uma forma ou outra, fez com que os outros dois convergissem em uma única avaliação: o nível dos nossos políticos é baixo, baixíssimo. Ao votarem SIM ou NÃO ao impeachment, poucos foram os parlamentares que conseguiram construir um discurso digno do cargo que ocupam; raros foram os homens e mulheres públicos que não caíram no ridículo em momento tão crucial para o Brasil; contaram-se nos dedos os deputados que não escancaram seu despreparo, seu provincianismo, sua falta de compostura. Aquele triste espetáculo, com transmissão ao vivo pelos principais canais de TV do País – com exceção do SBT, que preferiu continuar com o inoxidável Sílvio Santos no ar –, desnudou que o maior problema da política brasileira não é um único indivíduo (ainda que seja o Presidente da República) ou apenas um partido. O grande nó a desatar é o sistema como um todo, corrompido por um sem número de negociatas, habitado por
seres estranhos como os que vimos berrar “por Deus, pela família, pela minha filha, pela minha esposa” naquela votação. Falta seriedade, falta bom senso aos nossos representantes. Mas, espera aí... Nossos representantes? Muitos criticaram e apontaram essas falhas com o argumento de que todos ali foram votados, que o Congresso “é a cara da sociedade brasileira”. Esse raciocínio merece ressalvas. Em primeiro lugar, os lobbies que correm soltos por lá fazem de grande parte dos deputados representantes não do povo, mas de grupos de interesse. Por isso temos a Bancada Ruralista, a Bancada da Bíblia, a Bancada da Bala, entre tantas outras. Em segundo lugar, as coligações partidárias podem levar para o plenário da Câmara um bom número de políticos com poucos eleitores, desde que um candidato do partido tenha conseguido votos suficientes para todos. O PRB de São Paulo, por exemplo, emplacou cinco deputados federais no maior colégio eleitoral do País graças à votação do apresentador Celso Russomano, que chegou a 1,5 milhão de votos. Ao lado dele, foi para o Congresso um deputado com apenas com 22 mil votos, deixando dezenas de outros candidatos mais votados na fila. Essas distorções impossibilitam o amadurecimento da política, um debate efetivo dos problemas e fazem da Câmara Federal um palco para todo tipo de bizarrice. Vide os votos do impeachment, em que houve deputado homenageando de sua netinha a um torturador da ditadura militar. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 61
CRÉDITO
PAÍS ECONOMIZARÁ ATÉ R$ 528 BI SE CORTAR JUROS Conclusão é de estudo do Mestrado da Alfa realizado a pedido da Democrativa POR IARA NUNES O atual governo federal trabalha com um déficit primário de R$ 175 bilhões deixado pela presidente Dilma Rousseff e, se não houver uma mudança drástica na forma de tratar a economia, o rombo pode ser ainda maior. É o que mostra o estudo “Juros Altos – um Modelo Desacreditado”, realizado pelo Mestrado de Desenvolvimento Regional do Departamento de Economia das Faculdades Alves Farias (Alfa) para o Movimento Democrativa. “Se o Brasil mantiver a atual política monetária, ele vai entrar em colapso econômico”, afirma o economista e um dos desenvolvedores do estudo, Aurélio Troncoso, juntamente com o economista Marcelo Ladvocat. “Na realidade estamos quebrando. Os bancos já perceberam isso, tanto que muitos já deixaram o País. É preciso dar um jeito de destravar o consumo para que as pessoas voltem a comprar e as empresas voltem a produzir. É preciso gerar empregos com urgência. É preciso investir nas empresas para que elas voltem a crescer, fazer investimentos em mercado produtivo.” Taxa Selic a 14,25% ao ano, quem ganha com isso? questiona o estudo. Anualmente, o trabalhador perde 10% da sua renda, as empresas perdem 8%, os bancos ganham 14,25% 62 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
Aurélio Troncoso aponta que a manutenção da política de juros levará o Brasil ao colapso econômico
porque estão investindo no mercado financeiro e os aplicadores internacionais ganham 12,85%. “O governo Dilma usou taxa de juros para combater a inflação em período de longa retração, e isso é equívoco.” A Democrativa surgiu com o objetivo de dar suporte político e
técnico para empresários trabalharem com a economia direcionada ao crescimento do PIB, com retomada da representatividade do setor produtivo na liderança nacional, e a significativa readequação de leis que detonam irracionalmente o lucro e a competitividade das empresas.
JUROS E INFLAÇÃO Brasil na contramão do mundo
País
Taxa de juros (a.a.)
Inflação anual (a.a.)
Juros reais
Estados Unidos
0,25%
1,32%
-1,07%
Espanha
0,75%
2,87%
-2,10%
México
3,00%
4,08%
-1,08%
Brasil
14,25%
10,47%
+3,58%
Fonte: Alfa/Mestrado
O estudo tem sido levado a vários Estados e apresentado a governadores, parlamentares, empresários e trabalhadores, com elevada aceitação das ideias e números apresentados. “No entanto, o que de fato fará o País voltar a crescer, como há alguns anos, é o consumo, mas para isso é preciso que o crédito seja liberado novamente, além da criação de novos empregos. Somente dessa forma, nosso PIB vai aumentar e o mercado vai reagir. A esperança é de que a nova equipe econômica enxergue essa realidade”, afirma. O trabalho mostrou também que a política econômica vigente não
será suficiente para que o País saia da crise. “Por isso desenvolvemos esse estudo e vamos continuar levando-o a vários locais do País para que o setor empresarial, as entidades e a sociedade cobrem com propriedade”, explica Troncoso. E o setor empresarial, como deve agir? Para Aurélio, a saída é a união dos empresários na cobrança sobre o Poder Legislativo, além de agir juntamente com prefeitos e governadores. “As leis têm papel crucial no processo de expansão, muitas delas travam as empresas, deixando-as sem ação tanto no cenário nacional quanto no internacional.”
O estudo conclui que o Brasil perde força porque pratica um modelo ultrapassado de política econômica. É importante considerar também que as decisões quanto à política monetária não são competência do Congresso Nacional, e sim do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. “É tão visível que nosso modelo não funciona que se olharmos para outros países, como México, Estados Unidos e Espanha, vemos que a taxa básica de juros não é ferramenta para controle dos preços, como mostra o estudo”. Analisando dados do ano de 2014, observa-se que os EUA praticam juros (taxa FED) a 0,25% ao ano, inflação (IPC) a 1,32% ao ano. Com isso, apresenta juro real anual negativo de 1,07%. A Espanha é um caso semelhante: Taxa BCE a 0,75% ao ano com IPC anual de 2,87%. Assim, o juro real é negativo de 2,1% anual. O caso do México também comprova que só o Brasil se preocupa em utilizar os juros para controlar a inflação: Taxa Banxico anual a 3,0% com IPC a 4,08% ao ano, possibilitando juro real negativo de 1,08% ao ano.
Qual a taxa de juros ideal? Considerando a taxa de juros oficial do Brasil (Selic) a 14,25% ao ano e IPCA anual de 10,47%, contabilizamos juros reais de 3,58% ao ano. Os estudos da Democrativa comprovam que, com uma taxa Selic atingindo, no médio ou longo prazo, 3% ao ano e IPCA a 10,47% ao ano, teríamos juro real anual negativo de 7,47%. Dessa forma, a Selic de 3% ao ano seria importante para destravar tanto o consumo, quanto produção, além de proporcionar, ainda, a gera-
ção de empregos. Com a Selic a esse valor, o caminho para o crescimento se torna mais curto. Com a dívida corrigida a 14,25% ao ano, o custo anual da Dívida Bruta para 2016 será próximo a R$ 670 bilhões. Corrigido a 7% ao ano, economizaremos mais de R$ 336 bilhões – valor que faria toda a diferença se aplicado em projetos sociais e econômicos. Com o custo da dívida aplicando uma Selic de 3% ao ano, sobraria no caixa do Governo
Federal, no final de 2016, recursos ao redor de R$ 528 bilhões. Com a taxa Selic ao valor atual, de 14,25% ao ano, o governo terá que aumentar impostos, cortar milhares de comissionados, cortar incentivos fiscais, entre outras medidas que, com certeza, tornariam a economia do País ainda pior. Com Selic de 3% ao ano, o governo federal economizará “por mês”, em 2016, R$ 44 bilhões – ao ano, economizaria R$ 528 bilhões. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 63
GSA conta com três robôs na sua linha de produção, na área de empacotamento, em Aparecida de Goiânia
64 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
TECNOLOGIA
ROBÔS: OS NOVOS FUNCIONÁRIOS DA INDÚSTRIA Máquinas ganham espaço na produção industrial e tornam setores mais competitivos
POR LUISA DIAS Prepare: o chão de fábrica não será o mesmo no Brasil, em poucos anos. Trabalhadores uniformizados e enfileirados em volta da esteira, à maneira do filme Tempos Modernos, cederão espaço a máquinas cada vez mais modernas, prontas para operações completas da produção à distribuição. Esta é a expectativa da maioria das pesquisas sobre robótica industrial. Ainda que tímido, o uso de robôs avança em um mercado fértil e que busca competitividade internacional. São nove robôs para cada dez mil trabalhadores, no Brasil. O índice maior é o da Coréia do Sul, onde o índice é de 437. O que se espera é que os robôs contribuam, em curto prazo, com aumento de precisão, produti-
vidade e qualidade em diversos setores da indústria, em especial alimentícia e farmacêutica. Alguns Estados já apontam para esta nova realidade, que deve colocar 18 mil novos robôs em operação até o próximo ano, no País. É o que indica a Federação Internacional de Robótica (IFR, na siga em inglês), que estima a presença de cerca de 10 mil robôs industriais em operação no Brasil. Dos robôs já existentes no País, três estão na fábrica da GSA Alimentos, em Goiás. As máquinas são responsáveis pelo empacotamento da linha de macarrão instantâneo. O primeiro da marca italiana Cama, instalado em 2010, empacota 250 unidades por minuto. Na sequência, em 2013, a empresa adquiriu dois outros robôs, da marca japonesa Omori, que empacotam 450 pacotes
por minuto. O trabalho é diuturno. Segundo o engenheiro eletricista Genivaldo Gomes Maciel, coordenador de Manutenção e Alimentos da GSA, a automatização permitiu à fábrica maior competitividade com este produto. “Consigo confiabilidade na entrega de grandes volumes da linha de macarrão instantâneo”, afirma ele, que chegou à empresa junto com os dois últimos robôs. A experiência dele com a robótica industrial é anterior, na multinacional anglo-holandesa Unilever, onde os robôs eram usados em outros processos na fabricação de bens de consumo. “O resultado, em ambos os casos, foi maior confiabilidade da linha e melhor aproveitamento da mão de obra”, diz. Os funcionários substituídos são deslocados a outras funções, como prevê a legislação.
Formação: o desafio dos robôs em solo brasileiro O setor da indústria também precisa investir na formação e na manutenção para manter os robôs na linha de produção. “Não tem gente especializada com este tipo de equipamento. No nosso caso, buscamos a formação e qualificação interna”, disse Genivaldo Maciel. O sucesso
da automatização, na GSA Alimentos, garantirá novos projetos envolvendo a aplicação em novas linhas. Em média, a operação envolvendo robôs pode chegar a investimentos superiores a R$ 1 milhão, mas o aumento da produtividade é garantia do retorno.
Para o engenheiro e consultor Ronaldo Rincon, a robotização é um processo inevitável para a indústria e que já ganha destaque em alguns setores, em Goiás, como fábricas de alimentos e de medicamentos. “O objetivo é ganhar em velocidade de produção”. Ele observa que, no BraLeitura Estratégica | Junho de 2016 . 65
ROBÔS NA INDÚSTRIA Número de robôs para cada 10.000 trabalhadores por país
Mirian Gusmão: Hoje já temos mão de obra qualificada
sil, as grandes empresas começam a adotar os robôs principalmente na paletização (embalagem) dos produtos. Já as multinacionais, presentes em solo brasileiro, constroem fábricas automatizadas. A tecnologia, em grande parte, ainda é importada, em especial do Japão, Estados Unidos e Itália. O desafio ao trazer esse maquinário para o Brasil é a qualificação da mão de obra. “Não temos esta tradição e muitos profissionais que montam os processos vêm de fora, assim como a tecnologia. Mas o mercado está crescendo muito”, explica Rincon, que trabalha na Support Automação. O desafio já está posto para as universidades brasileiras, que aumentaram significativamente o investimento em cursos de mecatrônica, automação e robótica. Para a professora e engenheira, Mirian Sandra Rosa Gusmão, da PUC Goiás, a formação profissional dessa área é essencial. “Há uma década, a gente importava esta tecnologia, vinha pessoa de fora do País para programar um robô. Hoje já temos mão de obra qualificada em relação à automação da indústria e é crescente a nossa qualificação em relação ao Sul e São Paulo”. Na universidade, ela leciona in-
66 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
trodução à robótica e os alunos têm contato com um robô industrial da marca ABB. Como é para uso educacional, ele consegue carregar somente três quilos. Mas as de uso industrial carregam mais de 600 quilos. No curso de Engenharia de Automação, os futuros profissionais da área estudam modelagem cinemática e programação de robôs. “O robô é uma ferramenta essencial para automatizar o processo industrial, assim como outros equipamentos que fazem parte do processo.
Coréia do Sul Japão Alemanha EUA China Brasil
437 323 282 152 30 9 Fonte: IFR
Os futuros profissionais vão lidar com isso nas diversas indústrias brasileiras e, em breve, também vão ser responsáveis por criar esta tecnologia”, conta ela citando trabalhos da própria instituição no desenvolvimento de braço mecânico. Além das vantagens produtivas, Mirian cita que a presença dos robôs pode ser positiva para os funcionários. “Tira do ambiente perigoso para a programação, manutenção e gerenciamento, áreas que permitem mais segurança e valorização”.
Ronaldo Rincon ressalta crescimento do uso de robôs nas fábricas: "É um processo inevitável"
Leitura EstratĂŠgica | Junho de 2016 . 67
IMIGRAÇÃO
Brava gente
ESTRANGEIRA Oportunidades e sonhos trazem para Goiás e outros Estados brasileiros gente de todo o mundo. São imigrantes que fazem da vida longe de casa uma verdadeira ode ao trabalho, mas enfrentam dificuldades com a legislação e emprego formal
POR LUISA DIAS A fama de nação receptiva e de povo hospitaleiro ainda ecoa mundo afora quando falamos do Brasil. A Copa do Mundo, em 2014, garantiu uma mídia positiva a mais para o País e novos fluxos migratórios foram provocados. Nação formada por estrangeiros, devido aos processos de colonização e de recepção de imigrantes no pós-guerra, no século 20, os brasileiros são vistos como um povo tolerante e quase sempre muito humano com outros povos. Se árabes, poloneses, italianos e japoneses garantiram seu lugar ao sol na pátria amada nos anos 1900, até o final do século passado, a tradição do País ainda era ver parte da sua população debandar a cada ano, rumo a novos desafios. Mas a partir dos anos 2000, o Brasil passou a ser destino dos estrangeiros, invertendo a história e os fluxos migratórios. Os novos imigrantes em solo brasileiro são motivados pela crise econômica mundial, que atingiu inicialmente a Europa e os Estados Unidos, e também pelas novas guerras. Segundo o último censo populacional realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís68 . Leitura Estratégica | Junho de 2016
tica (IBGE), o número de imigrantes do Brasil passou de 143 mil, entre 1995 e 2000, para 268 mil, entre 2005 e 2010. Mas segundo a Polícia Federal, o Brasil possuía em 2015 mais de 1,87 milhão de estrangeiros registrados, o que inclui turistas com presença temporária. A nova lei de Migrações, em tramitação final, vai substituir o Estatuto do Estrangeiro, criado ainda no período da ditadura militar brasileira. Em um esforço do Ministério da Justiça, a nova legislação vai na contramão da posição adotada na Europa de fechamento e controle das fronteiras, visando a segurança. Do lado de cá o mote da lei é acolher e não criminalizar os imigrantes, que sempre encontraram dificuldades para serem inseridos no mercado por causa de documentação e legalização de suas situações como residentes. Segundo a advogada Giovanna de Assis Barreira, especialista na área, “ houve uma alteração na ideologia central da tratativa com os estrangeiros, deixando de priorizar apenas a segurança nacional para passar a contemplá-los com uma ótica de proteção de direitos, por meio de uma legislação simplificada para a emissão de vistos e sem buro-
cracia, voltada para políticas públicas humanitárias”. O ganho, segundo a especialista, será a promoção do desenvolvimento econômico, turístico, social, cultural, esportivo, científico e tecnológico do Brasil. O projeto de lei está sendo analisado por uma comissão especial do Senado, e a expectativa é que seja votado no Plenário ainda neste semestre. De acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, as solicitações de refúgio no Brasil cresceram 2000% nos últimos quatro anos. O estudante Tarek Alsaoub, 22, é sírio e está em Goiânia desde o ano passado. Veio por causa da guerra em seu país. A insegurança e a violência trouxeram vários sírios para o Brasil e para Goiás, onde a comunidade sírio-libanesa se organiza para receber os refugiados da guerra. “Não foi fácil deixar família e amigos, mas não tive outras oportunidades”, afirma o refugiado, que abandonou também os estudos em seu país natal. Ele está matriculado em aula de português e espera poder retomar os estudos em Economia. Em Goiás, foram registrados 8.078 estrangeiros vivendo no Es-
A argentina Mária Júlia escolheu Goiânia para sediar seus sonhos profissionais
tado, de todos os continentes, em especial da Europa, que soma 45,5% dos imigrantes. Mas o número não contempla os imigrantes indocumentados, não computados nos registros oficiais. Os dados estão no Censo 2010. Os dez países dos quais mais saíram pessoas para virem a Goiás foram Portugal, com 15,7% de todos os imigrantes, Estados Unidos (15,3%), Espanha (9,0%), Itália (5,5%), Bolívia (5,3%), Peru (4,4%), Líbano (3,6%), Japão (3,3%), Paraguai (3,0%) e Chile (3,0%). De Porto, Portugal, veio o empresário e hoje cônsul do País em Goiás, José Pedro Santos, 51, que está no Brasil desde 2003. Inicialmente, ele vinha ao país a negócios, mas acabou criando vínculos pessoais em Goiânia e mudando definitivamente o CEP onde mora (ver depoimento). Em mais de uma década de Brasil, fez vínculos com compatriotas que vivem em Goiás desde a década de 1970, após a Revolução dos Cravos, e recebeu outros tantos em busca dos seus sonhos, a partir dos anos
2000, em especial 2008, quando se agravou a crise econômica. Segundo estimativa do consulado, cerca de 300 portugueses vivem em Goiânia e Aparecida de Goiânia. “Portugal tem um povo de migrantes, então o português procura novas oportunidades, melhores condições de vida, e mesmo que às vezes saia do país e caia em uma condição inferior, ele procura alcançar uma condição melhor”, afirma o cônsul, lembrando a característica desbravadora do seu país. A escolha pelo Brasil encontra ressonância na língua compartilhada e nas semelhanças culturais entre os dois povos. O volume de estrangeiros morando em Goiás motivou a pesquisa Panorama da Migração em Goiás, realizada pelo Instituto Mauro Borges, que analisa dados da migração para o Estado. O objetivo foi quantificar e qualificar os migrantes tanto nacionais como estrangeiros que buscam o Estado goiano para se estabelecer. Segundo o pesquisador em Ciências Sociais, Murilo Macedo, o
levantamento baseado nos dados do Censo 2010 e do RAIS/TEM 2012 mostra que os residentes em Goiás nascidos no exterior, captados pelos dados oficiais, apresentam, em geral, características socioeconômicas melhores que o da média da população goiana. “58,9% dos nascidos no exterior têm acesso à rede geral de esgoto, enquanto a média do Estado é de 34,7%. 24% possuem ensino superior completo sendo que a média do Estado é de 6,6%. Apenas 39,1% não têm instrução ou apenas o ensino fundamental incompleto ante a média estadual que é de 57,3%.” O rendimento médio mensal dos estrangeiros em Goiás ficou próximo de R$ 3,5 mil enquanto que a média do Estado fica abaixo de R$ 1 mil. Os dados não registram imigrantes, ainda sem documentação, que trabalham em subempregos, como o comércio informal. Para Macedo, ainda é um desafio a inclusão destas pessoas. “A questão da imigração é um tema delicado por dizer respeito a pessoas, logo sujeitos dotados de direitos universais e inalienáveis”. Leitura Estratégica | Junho de 2016 . 69
IMIGRAÇÃO
DEPOIMENTOS O PAÍS DO FUTEBOL
O haitiano Obrinel Norgaisse, 40, conheceu o Brasil na televisão, quando ainda era criança. A transmissão de um jogo de futebol encantou os olhos do menino, que ali sentenciava seu destino: “um dia vou para lá”. O dia chegou muitos anos depois, em 2014. A falta de oportunidades no Haiti, seu país natal, acrescida pelo terremoto que arrasou o país em 2010 trouxeram o imigrante para o Brasil, em busca de trabalho e oportunidade melhor. Técnico em agronomia, Obrinel se tornou pedreiro em Goiás. Trabalha em um empreendimento imobiliário, enquanto busca oportunidades melhores para crescer e tornar possível o sonho de trazer o filho de dez anos, deixado em sua cidade natal, Gonaïves. O novo goiano já fez curso de eletricista no Serviço Social da Indústria (Sesi) e espera poder cursar o Ensino Médio para garantir empregabilidade. Na chegada ao Brasil, a maior dificuldade foi se adaptar à língua. No Haiti, além do francês eles falam o crioulo.
PAIXÃO PELO BRASIL
A consultora de estilo Maria Julia Costa, 31, sempre foi determinada em seus objetivos e já na adolescência se apaixonou pelo Brasil, das cores à música, sem nunca ter colocado
Nacionalidade Libaneses e sírios
os pés no país vizinho da sua terra natal. Argentina de nascença, ela veio para ficar desde 2001, quando chegou a Rio Verde, Goiás, para temporada de estudos. Hoje já na capital, ela adiou o desejo dos pais para que voltasse a viver com eles em Formosa, Buenos Aires. Empresária, ela encontrou na consultoria de estilo a sua vocação. Ela presta serviço para pessoas físicas, empresas e até para políticos. “O objetivo é desenvolvimento da imagem associado ao bem-estar”. O trabalho também virou marca de camiseta, a MJ Camisetas, com vendas on-line. Os argentinos representam 5.3% dos não nascidos no Brasil, que escolheram morar em Goiás. É o que registra o Censo Demográfico de 2010. A maioria está na idade ativa, como revelam os dados sobre estrangeiros em Goiás, ou seja, estão participando do contingente do mundo do trabalho. Muitos deles preferem, como Maria Julia, optar pelo empreendedorismo.
AMOR LUSO-BRASILEIRO
O português José Pedro Santos, 51, veio para o Brasil em 2003. Como importador de vinhos, já mantinha negócios no País, para onde viajava sempre. Em uma dessas vindas conheceu a esposa, a pedagoga e chef Edvânia Nogueira, em Goiânia. A paixão mantida por correspondência virtual se tornou concreta com a mudança do empresário para Goiânia, onde abriu o restaurante Porto Cave com a esposa e manteve o trabalho de importação de rótulos. Receptivo com os seus conterrâneos, que já empregou e indicou para outras vagas, ele assumiu este ano o cargo de cônsul do país em Goiás. O desafio está na legislação brasileira, ainda muito complexa para o contrato de trabalho com os imigrantes.
Portugueses
Italianos
Japoneses
Época
Começou em 1880 e teve maior ciclo entre 1930 e 1960
Fluxo contínuo desde os primeiros bandeirantes.
Há registros desde o século 19, mas intensifica após 1910.
Iniciou-se em 1908. Entre 1922 e 1929, centenas de famílias chegam a Anápolis.
Região
Goiânia, Anápolis e cidades que foram ponta de trilhos de Estrada de Ferro.
Cidade de Goiás e Sudoeste Goiano, até 1937, depois Goiânia e Inhumas.
Cidade de Goiás, antiga capital, Rio Verde, Inhumas, Bela Vista, Goiânia e Nova Veneza.
Anápolis, Bela Vista, Nerópolis e Goiânia.
Comerciantes, no início, depois avançaram também para indústria. Muitos começaram como mascates.
Primeiro pela mineração do ouro, depois se estabeleceram no comércio e na pecuária. Com a nova capital, portugueses abriram bares, pensões, armazéns e padarias.
Os italianos vieram para trabalhar nas fazendas de café, migraram para as indústrias. Em Goiás, atuaram no comércio, desde a antiga capital, de Vila Boa (Cidade de Goiás).
Famílias se dedicaram ao comércio, principalmente na área de fotografia, com apoio de marcas japonesas, mas o forte dos nikkeis e nisseis é o segmento hortifrutigranjeiro.
Características
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ENTREVISTA
- CAMILA HERMANO VINAUD, ADVOGADA
O Brasil ainda é uma aposta para muitos investidores estrangeiros. Como eles devem se resguardar legalmente com relação aos investimentos? Apesar de estarmos vivendo uma crise econômica, muitos estrategistas poderiam fazer deste o momento ideal para investir no Brasil, principalmente em razão da valorização do dólar e do euro em relação ao real. Para os estrangeiros interessados em investir aqui, é preciso fazer uma análise minuciosa de qual segmento investir, em qual região geográfica, com qual parceiro de negócios. Muitos investidores estrangeiros pensam, quando não são erroneamente instruídos assim, que a lei exige que, para a formação de uma empresa no Brasil, pelo menos um dos sócios deve ser brasileiro, o que não é verdade. Esta crença equivocada faz com que os incautos se submetam a sociedades indesejadas e que, na maioria dos casos, são danosas. O que a legislação exige é que o estrangeiro, sem visto de permanência, seja representado legalmente
por um brasileiro ou um estrangeiro portador deste tipo de visto. O mesmo requisito se aplica aos administradores de uma empresa limitada. Geralmente, o investidor opta por ser representado legalmente por terceiros, até que seu visto correspondente seja outorgado, autorizando-o a administrar diretamente a própria empresa. Como funciona o visto para investidores? O visto para investidores é tratado atualmente pela Resolução Normativa 118 de 2015. O objetivo deste visto é possibilitar a concessão de visto permanente ao empreendedor estrangeiro para que possa fixar-se no Brasil com a finalidade de investir recursos próprios, de origem externa, equivalentes a montante igual ou superior a R$ 500 mil, em atividades produtivas, com a exceção da possibilidade de investir no mínimo R$ 150 mil desde que o investimento seja em atividade de inovação, de pesquisa básica ou aplicada, de caráter científico ou tecnológico. É um visto um pouco burocrá-
tico, mas desde que se cumpram todos os requisitos legais, relativamente rápido para ser obtido. Ressalto a importância de uma assessoria jurídica especializada para lidar com estes trâmites, pois, em caso de alguém que não tenha experiência ou não saiba lidar com as nuances deste visto, o processo, além de ser muito demorado, poderá ser negado.
Espanhóis
Alemães
Poloneses
Chineses
Haitianos, bolivianos, argentinos, paquistaneses e angolanos
Três ciclos maiores: de 1880 a 1930, de 1946 a 1962; e, desde 2010.
Em 1924, formou-se uma colônia de alemães, com 120 famílias.
Guerras mundiais no século 20 provocaram grande deslocamento de poloneses.
Entre 60 e 70, teve um movimento imigratório, que acelerou desde 2000.
Há cinco anos, cresce a migração de latino americanos e de africanos.
Goiânia e Inhumas se destacaram.
Cidade de Goiás (distrito de Uvá), Itapirapuã, Anápolis e Goiânia.
Itaberaí, Silvânia e Goiânia.
Goiânia e Anápolis.
Grande Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Catalão e Pires . do Rio.
Os poloneses também vieram estimulados pelo governo brasileiro, mas não foi migração numerosa. Em Goiás, formou-se a Colônia Agrícola de Itaberaí, a “Colônia dos Poloneses”.
Como os árabes de um século antes, comércio popular é o forte da leva de imigrantes chineses. Em geral, entram no País de forma ilegal e atuam no comércio informal.
O bom momento da economia brasileira da primeira década deste século atraiu forte fluxo migratório de países que passaram por problemas econômicos, políticos e desastres climáticos.
No século 20, imigrantes espanhóis, após períodos no Sul do Brasil e na Argentina, chegam em Goiás. Imigração intensifica durante Guerra Civil Espanhola. Nesta mesma época, Goiânia foi fundada.
Os germânicos intensificaram a vinda para Goiás após as duas guerras mundiais, quando a Alemanha saiu arrasada dos conflitos.
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INSIDER.11 JUNHO 2016 - EDIÇÃO 02
A ILHA VAI VIRAR MODA Turismo em Cuba, agora aberta aos investimentos americanos, transformará economia local. 78
80 Quanto custa um carrão seminovo?
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Acupuntura: 3000 anos de sucesso
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BOA LEITURA
DIARIAMENTE O jornalismo direciona as publicações da Leitura Estratégica. Não foi por outro motivo que o site leituraestrategica.com.br, previsto para o segundo semestre, acabou ficando disponível para nossos leitores antes, em maio. Mesmo com uma parte da estrutura ainda em construção, alguns furos jornalísticos, como a concretização a venda da Quick Logísitica e a recuperação judicial do Colégio Olimpo, precipitaram o lançamento. O site se posiciona com uma estratégia de mercado focada em acionistas e executivos (diretoria e gerência) de médias e grandes empresas, com publicação de notícias diárias sobre negócios na Região Centro-Oeste. “Não pretendemos ser um veículo de massa, não é nosso foco. Atuamos em grupos específicos e temas relevantes para estes grupo”, disse Leandro Resende, CEO da Leitura Estratégica. Mesmo organicamente, pois não houve qualquer divulgação, o site já atinge índices relevantes para uma estreia. “A revista ajudou a atrair leitores, apesar do site não disponibilizar a edição impressa. Mesmo assim, o público foi conferir, leu e tem retornado. É uma boa ferramenta para quem quer se manter atualizado sobre negócios locais.”
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INTERNET
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SAÚDE AGULHAS
DO BEM A acupuntura é um método terapêutico utilizado na medicina tradicional chinesa há mais de 3000 anos. Diferente de muitos procedimentos utilizados na antiguidade que caíram em desuso, a acupuntura nunca deixou de ser praticada e atualmente é um dos tratamentos mais populares em todo mundo. Confira a entrevista com o médico acupunturiatra e editor do livro Manual Clínico de Acupuntura, João Paulo Bittar, sobre a especialidade.
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Como o senhor vê a acupuntura brasileira? Hoje a acupuntura é uma especialidade consolidada e avança a passos largos no País. Ela está presente no serviço público de saúde desde 1998. E o marco maior para a Medicina foi em 1995, quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu acupuntura como uma Especialidade Médica. Em seguida, em 1996, pela Associação Médica Brasileira (AMB). Há bons congressos, ótimos profissionais e um colégio médico fortalecido. Respeitamos a filosofia da medicina tradicional chinesa, mas embasamos este conhecimento na ciência. A busca dos reais efeitos desta técnica nos motiva a pesquisar, encontrando respostas que retiram os mitos. A chamada acupuntura Neurofuncional é prova disso. Desde 2002 temos estabelecido e autorizado pela AMB, programa de residência médica do Ministério da Educação, em padrões de excelência, com carga horária de 5800 horas, distribuídas em dois anos de formação. Vale ressaltar que o Brasil é o único País, juntamente com a China, que conta com programa de Residência Médica em Acupuntura. E como se explica a ação da acupuntura? Quais são os principais benefícios? Para entendermos a ação precisamos analisar e ampliar os conceitos dos sistemas neuro-psíquico-imuno-endócrino. O estímulo inicial gerado pela agulha ocorre no sistema nervoso periférico, que segue até o sistema nervoso central, onde áre-
as cerebrais são ativadas. Logo são liberados neurotransmissores que desencadeiam uma série de efeitos, como ações analgésicas, anti-inflamatórias, moduladoras nos sistemas endócrino, imunológico e psíquico. Ela melhora a qualidade de vida e reduz sensivelmente o uso de medicamentos. Este deve ser o fato de maior relevância, tratar sem causar efeitos colaterais com uso abusivo de drogas. Reforço que a avaliação de colegas médicos de outras especialidades se faz necessário a depender da patologia. Qualquer pessoa pode fazer? Auxilia em quais doenças? Isto é importante deixar claro. Não existem contraindicações para acupuntura. O foco é ver o paciente como um todo, reconhecendo a limitação de que em alguns casos devemos recorrer a tratamentos ditos convencionais, de forma integrada. Atende-se uma diversidade de queixas e doenças, como: dores em geral, ansiedade e/ou estresse, além de pacientes com alergias ou com contraindicações do uso de medicamentos. No meu consultório atendo um grupo crescente de gestantes. Em 2003, a OMS publicou uma revisão indicando a terapia com acupuntura para uma relação de mais de cem doenças. Há diferentes técnicas? Há sim algumas técnicas. A mais conhecida e usada é a aplicação de agulhas em pontos na pele, denominados pontos de acupuntura. Estes pontos são organizados em meridianos no corpo. Existem vários pontos chamados de extras ou com técnicas de microssistemas, como crânio ou áreas especificas do corpo, como pés. Já a acupuntura neurofuncional insere agulhas em aéreas que tenham condução nervosa viável, conhecida como zonas neuroreativas. Há também técnicas que não se utilizam de agulhas, como ventosas, moxabustão e auriculoterapia. Uma técnica muito utilizada associada a acupuntura é a eletroacupuntura. Pode ser usado diferentes formas de estimulo elétrico, em geral não doloroso, com frequências, tipos de onda e intensidade variáveis, de acordo com o paciente e a patologia. O seu uso potencializa o efeito da acupuntura demonstrados em vários estudos científicos. (IARA NUNES)
“Editamos, em 2014, o Manual Clínico de Acupuntura, pela Editora Atheneu, um livro voltado para a classe médica. O livro é composto por 60 capítulos, sendo 48 sobre doenças e 12 sobre as bases da acupuntura. Em todas as patologias abordadas são descritas as principais evidências científicas disponíveis na literatura. O livro é fruto de uma união da classe médica de acupunturiatras e seu lançamento fortaleceu nossa especialidade.” João Paulo Bittar, Médico
TURISMO UMA BOA DOSE DE
CUBA LIBRE
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Quando vamos planejar uma viagem com a família ao exterior vem logo à mente Paris, Veneza, Nova York, no máximo um passeio pelo Chile ou Argentina. Por que não pensar em novos destinos? Talvez pouco visitados ou pouco divulgados? É o caso de Cuba. Agora então com a mudança no relacionamento com os Estados Unidos, após a visita do presidente Barack Obama ao país em março, Cuba poderá ser vista com outros olhos e ganhar muito com o turismo. Na verdade o país recebe muitos visitantes principalmente em resorts all-inclusive, um mercado dominado amplamente pelos hotéis Meliá (com suas bandeiras Meliá, Paradisus e Sol). Lugares como a praia de Varadero e - sobretudo - as ilhas desabitadas de Cayo Largo, Cayo Coco e Cayo Santa Marí são perfeitas para turistas, onde tudo funciona e não falta nada. Segundo a Organização Mundial de Turismo, um órgão da ONU, em 2013 a ilha recebeu 2,8 milhões de turistas (exatamente a metade dos 5,6 milhões que vieram ao Brasil, pela mesma fonte). O maior emissor de visitantes é o Canadá: mais de 1 milhão de canadenses viajam todo ano a Cuba para tomar sol (mais canadenses vão a Cuba do que a qualquer país da Europa). Para efeito de comparação, em 2013 o Brasil recebeu apenas 68.390 canadenses (dados do Ministério do Turismo). Veryne Miranda , idealizadora do projeto Just Go Travel, uma agência especializada em viagens personalizadas, conta que a forma de tornar o passeio ainda mais exclusivo é ficando em hotéis 5 estrelas e fazendo os passeios de forma privativa. “Na verdade Cuba tem várias cidades bacanas de se visitar e mais de 300 praias incríveis. Além disso, é parada de muitos cruzeiros interessantes”. A advogada Iara Ferreira procurava um lugar para viajar durante a lua de mel e passou a considerar a ideia de conhecer Cuba através de um amigo cubano. “Ele falava do lugar com muita paixão. Então a partir daquele momento, eu e meu marido começamos a amadurecer
a ideia pesquisando sobre o país, e descobrimos um lugar com a natureza e história deslumbrantes”, lembra. Veryne afirma que a melhor época para ir é de novembro a abril, quando chove menos a as temperaturas estão mais agradáveis, entre 20 e 25 graus. Apesar de ser um local relativamente próximo ao Brasil, não é uma viagem barata. Iara conta que existem duas moedas no país, o peso cubano e o peso cubano convertido, esse é equivalente a 1 euro, e é essa moeda que é utilizada pelos turistas. “É como se fosse uma viagem para a Europa”. Para visitar o país é necessário passaporte, visto e vacina contra febre amarela. O visto é chamado de tarjeta turística e pode ser conseguido junto ao Consulado de Cuba em São Paulo ou à Embaixada de Cuba em Brasília, pessoalmente ou via Sedex. Algumas companhias aéreas também emitem o visto no balcão de check-in, mas não todas, por isso é importante confirmar com antecedência. (IARA NUNES)
Praias: são mais de 300 apontadas como incríveis
Veryne Miranda, da Just Go Travel INSIDER.11
Carros antigos: um dos charmes da ilha de Fidel Castro
“Na verdade Cuba tem várias cidades bacanas de se visitar e mais de 300 praias incríveis. Além disso, é parada de muitos cruzeiros interessantes”
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CARRO R$
590 m il
Ferrari F430 l Ano: 2005 l KM: 19.941
R$
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l 490 mi
Audi R8 l Ano: 2012 l KM: 190.000
R$
l 249 mi
Audi Rs5 l Ano: 2011 l KM: 230.000
R$
450 m il
Aston Martin Vantage l Ano: 2011 l KM: 3000
SUPERMÁQUINAS
SEMINOVAS Carros luxuosos conseguem mexer com a cabeça do brasileiro. São inúmeros modelos, o design é atrativo e a potência dos motores é de arrancar suspiros. Os seminovos variam de R$ 500 mil a R$ 1,5 milhão, em Goiânia. Quem está pensando em adquirir um seminovo luxuoso pesquisa e negocia por um tempo de aproximadamente seis meses até fechar negócio, conta Matheus Henrique, da M3 Motors. Ele observa que há relativização quanto aos modelos de procura, cada carro tem um atrativo, mas em geral o cliente procura segurança, dá bastante valor à estética e ao desempenho do motor do veículo. “O Audi RS5, por exemplo, é o melhor carro pelo seu custo-benefício para pistas, por ser mais barato, e com manutenção menor, enquanto os porsches oferecem performance e conforto.” Ele acrescenta ainda que há vários carros da mesma categoria com o mesmo desempenho que pesam mais no bolso. O que olhar ao comprar um carro com preço médio de R$ 500 mil? Matheus afirma que primeiro deve-se pensar no custo-benefício. “Existem carros mais baratos com motores bem melhores do que um de R$ 1 milhão, por exemplo. Vai de cada pessoa. Claro que chegam vários clientes aqui que não se importam com essas variáveis. Escolhem pelo gosto e pronto, e tem capital para bancar isso”. Apesar do ano de 2015 ter sido marcado como um dos mais complicados para a indústria automotiva brasileira, as marcas premium, que vendem apenas carros acima de R$ 100 mil, continuaram distantes da realidade de queda nas vendas do mercado como um todo pelo 3º ano consecutivo. Somando apenas 3% dos 2,1 milhões de carros de passeio novos vendidos no País no ano passado, oito marcas analisadas pelo site G1 cresceram 20%, em média, em 2015, em relação ao ano anterior. É um crescimento maior do que o de 2014 sobre 2013, que foi de 18%.
"Existem carros mais baratos com motores bem melhores do que um de R$ 1 milhão" Matheus Henrique, M3 Motors
R$
il 350 m
Chevrolet Camaro ZL1 l Ano: 2013 l KM: 1.800
R$
QUER COMPRAR UM IMPORTADO? ATENÇÃO NESTAS DICAS O carro ideal é aquele que você consiga fazer manutenção preventiva, com peças de qualidade sem comprometer seu orçamento. De nada adianta sair de um popular ou médio com manutenção em dia e pneus de qualidade para pegar um importado e ter de recorrer a peças de ferro velho, pneus remold (ou meia-vida) e abastecer num posto de qualidade duvidosa. 1. PESQUISE MUITO A internet pode oferecer praticamente todas as informações sobre modelos de carros. Há fóruns de discussões, clubes da marca ou modelo que falam dos defeitos, qualidades, custos de manutenção e também indicações de profissionais que já provaram saber trabalhar bem com tal tipo. 2. PAGUE POR UMA ANÁLISE Não caia naquela de levar a um mecânico para “dar uma olhadinha”. Não funciona. Ninguém trabalha de graça e certamente esse profissional tem mais consertos para fazer e não terá tempo de fazer uma boa análise no veículo. 3. EXIJA GARANTIA E/OU DESCONTO Isto só vale caso o carro esteja sendo comprado numa loja. Apesar de ser lei, muitas lojas conseguem manipular a venda de forma que aos olhos da lei pareça que foi feita entre pessoas físicas, logo, a lei da garantia não incide sobre elas. Não confie em despachantes indicados pelas lojas, pois eles podem fraudar vistorias e demais operações para que, no final você tenha problemas. Exija um comprovante de venda, que seja o documento do veículo no nome da loja.
499 m il
Chevrolet Stengray l Ano: 2014 l KM: 10.054
R$
il 590 m
Porsche 911 Carrera S Cabriolet l Ano: 2012 l KM: 9000
R$
490 m il
Porsche Panamera Turbo l Ano: 2010 l KM: 10.000
INSIDER.11
O volume total de 66,7 mil unidades no ano passado é o dobro das vendas de 2012 - primeiro ano “cheio” da alta de 30 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos importados, anunciada pelo governo brasileiro no final de 2011 com objetivo de atrair investimentos ao País. Dali para frente, só houve crescimento. No entanto, a concessionária goiana sentiu mudanças nos últimos seis meses. “Estamos demorando uma média de três a quatro meses para vender um carro acima de R$ 500 mil”, conta Matheus. (IARA NUNES)
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TECNOLOGIA INTERNET DAS COISAS:
O FUTURO
INSIDER.11
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Há poucos anos jamais imaginaríamos o quão a internet estaria enraizada em nosso dia a dia. Hoje a ideia de viver sem um smartphone é impensável. Os dispositivos vieram para ficar, e não há qualquer previsão que o contrário aconteça. Até 2020, segundo o Garthner, o mundo deverá contar com 26 bilhões de dispositivos IoT (Internet of Things, Internet das Coisas) em ação. Já pensou em ter escova de dente, garrafa, mala, cama e até torradeira conectados à internet? O certo é que esses dispositivos do mundo IoT terão papel cada vez maior na sua vida, com impacto na sua privacidade e segurança. O analista de sistemas da INOVA - Soluções Web, Eduardo Rodrigues, não enxerga o fenômeno como tão novo assim. “Hoje já contamos com plataformas de desenvolvimento de tecnologia capazes de automatizar qualquer dispositivo, como por exemplo, há fogões em que é possível programar o tempo que a chama ficará ligada, a intensidade do fogo e sensores de desligamento automático quando não tiver panela na boca”, relata. Ele completa dizendo ainda que uma possível implantação da internet das coisas em um fogão seria sua integração com aplicativos ou websites de receitas que ensinariam o passo-a-passo do preparo de pratos.
plataformas de desenvolvimento de tecnologia capazes de automatizar qualquer dispositivo" Eduardo Rodrigues, Empresário
“Na correria do dia a dia a tecnologia está tão inserida na nossa vida que até a família acaba perdendo o foco. Vejo falta de comunicação nas casas e superexposição nas redes” Adair Filho, Empresário
INSIDER.11
"Já contamos com
Para o administrador de redes da Solti Tecnologia, Adair Filho, portas que se abrem automaticamente, sensores de presença, de temperatura ou de luz, comandos por apps inteligentes, entre outras comodidades que antes eram difíceis de imaginar, já estão presentes no dia a dia da maioria das pessoas e são algumas das vantagens oferecidas pela intensa presença da tecnologia em nossas vidas. No entanto, nem tudo são flores. Toda essa integração também traz riscos à segurança dos dados e também à privacidade. Eduardo destaca que quanto mais softwares, aplicativos e sites ligados à web, maior será a exposição, o que torna as informações particulares públicas. “Infelizmente ainda há falta de profissionalismo e qualificação em muitas empresas ligadas à tecnologia e com a “viralização” da IoT, surgem negócios interessados apenas no lucro, banalizando o preço do produto de qualidade e preocupando menos com a segurança e integridade da informação”, pontua. Adair acredita que as pessoas estão colocando a tecnologia acima de tudo. Outro ponto negativo apontado por ele é a dependência das operadoras de telefonia. No lado do fabricante, é necessário treinar desenvolvedores e engenheiros sobre segurança da informação. Na ponta do consumidor, é importante a conscientização de todos sobre os riscos da internet e exigir do fabricante informações sobre segurança e atualização dos dispositivos. Se todos fizerem sua parte para uma internet mais segura, quem sabe poderemos usufruir com tranquilidade os benefícios da IoT, como sermos avisados pelo app do celular quando nossas torradas ficaram prontas. Nossa, como poderíamos viver sem isso? (IARA NUNES)
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CADERNO DE OPINIÃO PEDRO BITTAR
- Empresário e presidente do MGC
Não é hora de
Somos uma nação empreendedora, que nasceu do suor do trabalho de seus cidadãos. Temos como características uma capacidade ímpar para se adaptar a dificuldades e vencê-las, com uma criatividade produtiva de desenvolver produtos e serviços, criar marcas e evoluir como agente de negócios e econômicos. Temos uma realidade obscura atualmente na nossa economia, no entanto, não falta superação no DNA do brasileiro. De tempos em tempos, a crise nos avizinha. Não é um fato exclusivo do Brasil, mas do capitalismo. O sistema oscila período de abundância, com expansão dos negócios, empregos, renda, consumo e investimentos, e de retração, quando o somatório dos excessos dos agentes econômicos leva a desequilíbrios. A crise atual da economia brasileira nos coloca em xeque novamente no cenário econômico internacional. Enquanto os outros se recuperam, vivemos uma forte recessão. É um momento de reflexão. Somos uma nação de fracos que vão ceder ao enfrentamento da crise? Quase que semanalmente me chegam notícias de filhos de amigos ou famílias inteiras se mudando para o exterior para fugir da crise. Não é uma questão de mudança por conta de aprimo-
rar os estudos ou aproveitar uma oportunidade advinda de resultados positivos do negócio ou carreira desenvolvida no Brasil. Não devemos julgar individualmente nossos cidadãos, merecedores de respeito e total compreensão, mas não podemos nos omitir de manifestar a todos a nossa fé nessa história vencedora de País. Já vencemos crises anteriores muito maiores que a atual, como a dos anos 80/90, que perdurou quase uma década. E os que lutam até o fim para transformar o País e corrigir seus desajustes são os primeiros a se beneficiarem da mudança. Não vamos exportar inteligência e força de trabalho. Aos que podem ficar, fiquem. Vamos trabalhar e acreditar que a “guerra” será dura, mas recompensadora. Reformar nosso País para um futuro mais digno para nossos filhos e netos tem mais valor que ser coadjuvantes em terras estrangeiras. Não é hora de abandonar o barco. É hora de lutar e cobrar mudanças em nossas leis, nossos projetos. Somos os responsáveis por nossa história, não vamos desertar. Vamos ser protagonistas da nossa vitória como País, da reconstrução como nação, da verdadeira revolução como gestores, profissionais e empresas.
INSIDER.11
abandonar o Brasil 85
JOSÉ MÁRIO SCHREINER Vice-presidente da CNA e presidente da FAEG
O que esperar do governo
Temer? INSIDER.11
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O momento atual é de inúmeros e grandes desafios, que inspiram atitudes rápidas e fortes do novo governo para endireitar e mudar os rumos do Brasil. É hora de corrigir os erros da economia brasileira e também de iniciar uma base sólida para acabar com os gargalos estruturais que assolam toda a sociedade. Apesar do curto espaço de tempo que a princípio o novo governo tem (180 dias), esperamos que ele consiga dar o direcionamento que necessitamos. Não podemos mais conviver com uma política monetária restritiva baseada em juros elevados, como a praticada nos últimos anos, que inibe os investimentos públicos e privados, que penaliza o consumo e trava a retomada do crescimento econômico. O governo tem que ser o orientador de políticas públicas que possam destravar as amarras que estão segurando o Brasil, deixando assim que o mercado e o setor privado possam trabalhar e promover um crescimento econômico com avanços sociais de forma sustentável. É fundamental que Temer promova os ajustes fiscais necessários, buscando a otimização dos recursos públicos e cortando na própria carne para se ter um estado mínimo, porém eficiente. É necessário que ele trabalhe para a reconstrução do Brasil, trazendo de volta para o mercado os mais de 11 milhões de desempregados e a confiança dos investido-
res e da população brasileira. Esperamos ter um Brasil para todos, de cor verde e amarela, sem divisionismos entre ricos e pobres, entre brancos e negros, entre eles e nós. Temos ainda que avançar para resolver os problemas estruturais relacionados à política tributária, previdenciária, trabalhista, fiscal e monetária, que possam realmente promover a real distribuição de renda que o Brasil precisa. Necessitamos, por fim, dar competitividade para o setor produtivo brasileiro, e, assim, evoluir nos indicadores econômicos e sociais, garantindo condições para buscarmos novos mercados. Com o afastamento de Dilma Rousseff, visualizamos bons nomes na nova equipe de governo. Entretanto, algumas possíveis indicações nos preocupam. São figurinhas carimbadas que podem não somar para destravar áreas importantes para a promoção do desenvolvimento. É imprescindível que o novo governo, para conseguir a aprovação das medidas necessárias, visando inverter a situação de crise por que passamos, tenha uma conexão estreita e alinhada com o Congresso Nacional, e, acima de tudo que tenha uma sintonia fina com os anseios da população brasileira. Um novo tempo e um novo governo se iniciam. Esperamos que se possa fazer uma limpeza de todas as mazelas deixadas pela gestão anterior e que se abra caminho para um novo horizonte de prosperidade no nosso País.
FABIANO DO VALE CEO da Pulstartech
Stage-Gate:
O desenvolvimento de novos produtos é um dos mais arriscados desafios das empresas modernas. Estudos revelam que as taxas de sucesso no lançamento de novos produtos variam de 55% a 65%, o que representa uma taxa de fracasso variando entre 35% e 45%. Estima-se que 46% dos recursos que as empresas gastam na concepção, desenvolvimento e lançamento de novos produtos são gastos em produtos que fracassam comercialmente ou nem mesmo chegam a ser lançados. Por outro lado, as recompensas do lançamento bem sucedido de um novo produto são enormes. O número de empresas que devem o seu crescimento meteórico e sua fortuna atual a novos produtos é incontável. A inovação é uma questão de sobrevivência para qualquer empresa. A metodologia Stage-Gate baseia-se na divisão do processo em fases ou estágios (stage), onde cada estágio é projetado para reunir as informações necessárias ao progresso do projeto para o próximo ponto de decisão (gate). O ciclo de vida do projeto é composto por cinco gates, são eles: investigação preliminar, investigação detalhada, desenvolvimento, teste e validação, e, por último, a produção completa com o lançamento comercial. Primeiramente é feita uma rápida investigação e uma definição inicial do escopo do projeto, depois é feito um aprofundamento
dessa investigação resultando na definição e justificativa do projeto em um plano de negócios. Se a decisão for continuar, o próximo gate é a construção e desenvolvimento do produto através de desenhos e protótipos. Se aprovado o gate anterior (desenvolvimento), serão realizados testes ou experiências no mercado, laboratório e fábrica para verificar e validar o produto proposto, seu mercado e sua produção. Ao final do clico é feita a comercialização com o início da produção completa e envolvimento das áreas de marketing e vendas. Todo o processo de desenvolvimento do novo produto é multidisciplinar: ele envolve todas as áreas da empresa (Comercial, Marketing, RH, Engenharia, entre outros). Os fatores críticos de sucesso do projeto dependem principalmente de uma comunicação eficaz e recursos humanos capacitados para realização das atividades ao longo do ciclo de vida do projeto (gates). Ao longo de todo o processo de desenvolvimento de novos produtos, as áreas de conhecimento do gerenciamento de projetos se fazem necessárias, em maior ou menor escala. Isso coloca os gerentes de projeto que utilizam as práticas expostas no guia PMBOK-PMI em uma posição privilegiada para conduzir tais projetos. O empresário goiano, seja de qual for o setor, deve estar atento aos ganhos de inovação. É o futuro.
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a inovação 87
ANDRÉ MACIEL Sócio-Diretor da Studio Brokers
O administrador de
valor
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“Mar calmo nunca fez bom marinheiro”, este foi o tema do encontro CEO Fórum Amcham 2016 do qual pude participar e perceber as atuais dificuldades encontradas pelos administradores, CEO’s, CFO’s e presidentes de empresas de nossa região. Quando falamos em administração de empresas, estamos nos referindo à “Administração de Valor”. O valor de uma empresa deveria ser a missão do administrador, o verdadeiro norte que guiará as ações em mares turbulentos. Sustento que a criação de valor é a mais significativa medida do desempenho de uma equipe de gestão. Alguns negócios estão perdendo dinheiro pois estão somente administrando e não gerando e agregando valor. Tornar-se um administrador de valor não é um processo misterioso aberto apenas para poucos profissionais e grandes corporações. Mas exige, contudo, uma perspectiva diferente da adotada por muitos administradores. Exige concentração nos retornos de longo prazo em termos de fluxo de caixa, e não somente em mudanças trimestrais para ganhos. Exige, ainda, uma disposição para se adotar uma visão das atividades corporativas desapaixonada e voltada para o valor, que enxergue os negócios como o que realmente são. A perspectiva do administrador de valor é
caracterizada pela capacidade de ver os negócios do ponto de vista de fora e pela disposição em tomar atitudes em relação a oportunidades de criar valor incremental. Finalmente, e mais importante, inclui a necessidade de desenvolver e institucionalizar em toda a organização uma filosofia de administração de valor. A concentração na geração de valor para a organização não é uma tarefa a ser realizada somente quando houver pressão externa ou quando surgirem adquirentes em potencial, mas sim, uma iniciativa constante.Nenhuma negociação, em sã consciência, se faz sem uma boa avaliação do negócio, o que serve também para apontar o nível de maturidade que sua empresa se encontra. Usar o valuation como instrumento de navegação empresarial é desmitificar o campo da avaliação de empresas e esclarecer os elos entre estratégia empresarial e finanças, pois fornece uma série de indicadores de desempenho, permitindo de fato verificar o que esta sendo gerado de valor na empresa, podendo assim melhorar rendimentos e sua lucratividade. Acredito que a clareza do pensamento sobre a avaliação de empresas e a habilidade em seu uso para orientar decisões de negócios são pré-requisitos para o sucesso no ambiente competitivo de nossos dias.
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