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Revista Leitura Estratégica vol.01

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www.leituraestrategica.com.br

JOSÉ ALVES FILHO

Gestão, liderança e sucessão empresarial

No 1 JANEIRO DE 2016

EXEMPLAR DE

ASSINANTE VENDA PROIBIDA

PERFIS MARCELO PIQUIRAS. MARCELO XAVIER. ATTILIO TURCHETTI. REPORTAGENS TRIBUTOS NA SUCESSÃO FAMILIAR. CONECTION COPENHAGEN. SUPERMERCADO PASSE BEM. SEGREDOS DE NOVA YORK. VENDAS COMPLEXAS. CONVERSA DE CEOS. COLUNAS ROGÉRIO BORGES. LEANDRO COUTINHO. LeituraFERNANDO Estratégica | Janeiro deDANTAS. 2016 . 1


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NOVA!


Leitura EstratĂŠgica | Janeiro de 2016 . 5


ANO I - No 01

19 | A liderança de José Alves Filho e a transformação do Grupo José Alves

30 | A marca e o criador.

O empreendedorismo de Marcelo Piquiras e o desafio da retomada

36 | O italiano A ttilio

Tu rch ettie a história da Mecat, que já tem filial nos EUA

44 | Marcelo Xavier, da

infância modesta à internacionalização da Globaltec

REPORTAGENS 24 | CONECTION COPENHAGEN

48 | CONVERSA COM CEOS

Lester Larado, PhD de um dos principais centros de estudos da Europa, fala com a Leitura Estratégica

Os CEOs Gelson Ozório, da Tron, e Michel Medeiros, da Soluti, estreiam coluna

27 | CRIAR UMA HOLDING

54 | SUPERMERCADO PASSE BEM

ITCMD entra na mira dos governos e empresas devem recorrer à criação de holding familiar

Rede varejista, que atuou nas décadas de 80 e 90, marcou época em Goiás

34 | IR MAIOR AFETARÁ FUSÕES

56 | R$ 1 BILHÃO

Nova alíquota de Imposto de Renda sobre fusões e aquisições deve esfriar transações no País

Sicoob UniCentro Brasileira alcança marca e se destaca no cooperativismo de crédito do País

40 | CENTRO-OESTE

59 | TECNOLOGIA

Revista trará duas cidades por edição e estreia com Sapezal e Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso

Executivos revelam aplicativos de gestão e produtividade que usam em seus smartphones

6 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016


JANEIRO | 2016

62 | SEGURANÇA FAMILIAR Empresários preocupados em dar maior segurança a suas famílias

64 | VENDAS COMPLEXAS Um dos remédios para a crise é ter uma boa equipe de vendas. Consultor revela o caminho

68 | DECORAÇÃO Investir minimamente na imagem do escritório para causar uma boa impressão ao cliente

69 | DINHEIRO NO EXTERIOR Tem conta no exterior? Imóvel? Empresa? Defina sua estratégia para declará-lo. O tempo urge

COLUNAS

SEGREDOS DE NOVA YORK 60 | Reportagem traz dicas de quem conhece

12 | INDEX

os segredos da charmosa cidade americana

28 | MEMÓRIA 13 | DIRETORIA, com Leandro Coutinho 43 | GESTÃO RURAL, com Fernando Dantas 53 | OLHAR, com Rogério Borges

OPINIÕES 11 | EDITORIAL 71 | PEDRO BITTAR 72 | JOSÉ MÁRIO SCHREINER 73 | HELENIR QUEIROZ

CÂMBIO TRAVADO 63 | "Motonas" caem no gosto do brasileiro, mas dólar alto já afeta preços e vendas registram queda

74 | VANESSA PIRES MORALES Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 7


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TRADIÇÃO, EMPREENDEDORISMO E MUITA VISÃO DE FUTURO.

Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 9


10 . Leitura EstratĂŠgica | Janeiro de 2016


EDITORIAL LEANDRO RESENDE - CEO e Diretor de Redação

Diferenciar pela postura,

conquistar pela qualidade Quantos tabus teremos de quebrar até conquistar nosso espaço? Dezenas, talvez. Mas qual seria o primeiro deles? Uma revista de papel não pode nascer no auge do digital. Pronto, nascemos. Próximo. Mas vocês não terão leitores. Sim, temos. São 3.000 assinantes já na estreia, entre acionistas e diretores de grandes empresas de Goiás e Distrito Federal, além de centenas de profissionais liberais renomados. E serão estes 3.000 profissionais estratégicos que vão ter acesso exclusivo – publicação não é vendida em banca nem disponibilizada na internet – a histórias vencedoras, verdadeiras e que inspiram; a notícias relevantes de todos setores e de empresas concorrentes ou complementares; a novos conceitos e preocupações que afligem nossos executivos; modelos de negócios locais com aderência a modernas plataformas. São histórias que cruzam com a sua. Ok. Convincente. Próximo tabu. O empresário não tem tempo para ler sua revista. Existem centenas delas, existe a internet... Discordamos. O empresário quer se ver no espelho. A Leitura Estratégica é o seu espelho. E não temos vergonha ou receio de nos posicionar. CEO E DIRETOR DE REDAÇÃO Leandro Resende

Salvador José Pinto Neto Zander Campos Júnior

Leandro Coutinho Rogério Borges

CONSELHO EDITORIAL Beyle de Abreu Freitas Carlos Luciano M. Ribeiro Christiano Quinan Fernando Maia Helenir Queiroz José Alves Filho Leandro Coutinho Leandro Resende Pedro Bittar

TEXTOS Carla Oliveira Iara Nunes Leandro Resende Luisa Dias Marina Romagnoli Jéssica Adriani

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Juliano Rodrigues

COLUNISTAS Fernando Dantas

ILUSTRAÇÃO Thiago Dornelas FOTOS E TRATAMENTO Renan Accioly Adilson Moraes

Somos a favor das boas empresas e das boas práticas nos negócios. O que propomos não é jornalismo engajado – e com o tempo serão bem percebidas as nossas intenções. Somos jornalistas, defendendo o desenvolvimento social por meio do investimento, emprego e redução das desigualdades sociais. Lutaremos por um Estado mínimo, com ação regulatória séria e segurança jurídica. Novo tabu: Não terão apoio por muito tempo. Teremos. Talvez demore um tempo, mas essa realidade escondida está brotando. Nossa revista de negócios sempre esteve ali, só não estava escrita. Não sei porquê diabos nunca foi, mas agora será. Por que os empresários fazem tudo o que fazem e são vistos como vilões? Não é porque comunicam da forma errada com a sociedade? Vamos mudar essa história. Prazer em conhecê-los, Leitura Estratégica. Breve agradecimento: a todos que construíram este projeto. São pessoas que têm ideais e acreditaram no meu. Espero conduzir com seriedade, sinceridade e ética essa história que aqui começa e conquistar, por boas práticas, o apoio e a amizade de pessoas boas que querem, como eu, apenas o bem e o justo. APOIO OPERACIONAL Izabela Mendes Izabela Pavetits Jéssica Adriani Kaito Campos Lorena Resende Vanessa Camargo SITE E REDES SOCIAIS Aristeu Livingstone (Actio Digital) www.leituraestrategica.com.br

GRÁFICA PUC Goiás

A Leitura Estratégica é uma publicação da 11 Editora, marca da Contemporânea. O conteúdo dos artigos e colunas é de responsabilidade dos autores.

CONTATOS Redação - Pautas 9125-9526 jornalismo@leituraestrategica.com.br

Comercial - anúncios 9976-4582 comercial@leituraestrategica.com.br

Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 11


INDEX EMPRESAS E INSTITUIÇÕES CITADAS NA EDIÇÃO

A A12 17 Abengoa 16 ABIH 74 Abraciclo 63 Acieg 17, 28, 74 Acttive Software 73 Agrobanco 56 Allianz Seguros 17 Almanza 17 Alô Brasil 21, 22 Amaggi 17, 40 Amma 49 Apoliseg 17 AR Executiva 70 Arisco 36 Atlanta Locadora de Veículos 23 Azul Linhas Aéreas 17 BCD Banco Central 17 Banco do Brasil 17 Bar Baretto 15 BBC 56 BEG 56 Bezlim 17 Bilenge Construtora 26 Bovespa 14 Brasal 16 BSBCOR 17 Bunge 17 CADE 16, 17 Caixego 31, 56 Cargill 17 Carrefour 55 Casa do Corretor 14 CBS 24, 25 Celésio 14 Celg D 14 CelgPar 14 CGSC 14 Cleveland Ming 16 Clube Jaó 47 CMT 36 CNA 72 Coca-Cola 22, 23 Colégio Objetivo 45 Comigo 43 Conab 43 Corporate Consulting 33 Coteminas 15 Coty 14, 35 CRC-GO 17 Curta Mais 15 Dênerson Rosa Associados 69 EF Easy Crédito EBM Edifica Participações

59 16 16

12 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

EDLP 17 Emater 43 Empadão Goiano 17 Empório Piquiras 32, 33 Esade 45 Espaço Laser 17 Euroamérica 59 Eurosec 17 Exame 41 Faculdades Alves Farias 19, 23 Fadisp 23 Faeg 43, 72 Fast Açaí 16 FGR Urbanismo 45, 46 FGV/EBAPE 25 Finep 38 Flamboyant Shopping Center 32, 33 Food Machinery Company 37 Fundação Leide das Neves 44 GHI Galeria Comunicação 61 General Novilar 28 Globaltec 44, 45, 46 Globo 15 Globo Rural 16 Grand Hyatt São Paulo 66 Grupo José Alves 19, 20, 21, 22, 23 GPS 17 Harley Davidson 63 Harvard 25 HCor SP 66 HIG 16 Himalaia Construções 29 HSM 49 Hospital Albert Einstein 66 Hotel Marco Internacional 15 Hotel Nacional 13 Hypermarcas 14, 34 IBEF 17 IBGE 40 Iquego 31 INPI 38, 43 Irmãos Alves 20, 22 Irmãos Souza 54, 55 ITI Guglielmo Marconi 36 JLM JHSF 15 JL Eventos 55 JSL 16 LatinLink 17 LedWave 15 Leitbom 35 Liga Vitória 17 Louis Dreyfus 17 Lojas Americanas 28 Lloyds 14 Mahanaim Arquitetura e Eng. 68 Magma 35

MECAT u 36, 37, 38

Marol 2e3 Máxima Sistemas 28, 51 MaxxSoft 42 MB Engenharia 46 MBC 71 MBM 58 Meliá 13 MGC 71 MIT 25 Montana Grill 14 Montblanc 16 Multiseg 17 NOP Nasa 24 Nature 43 Netflix 73 NL Imobiliária 23 Nomac 34 Novartis 21 Novo Mundo 28 OAB-GO 17 OCB 56 Oi 28 Omint 67 Onogás 28 ONU 41 Orca Construtora 13 Osego 44 Oxford 25 PanFarma 14 Pepsi 23 Perspectiva 17 PESIT 24 Petrobras 14 Piracanjuba 16, 35, 43 Proguarda 17

QR Quick Logística 16 Quick Armazéns Gerais 16 RA Insurance 17 Radisson Faria Lima 66 Railway 24 Rebic Embalagens (Rembal) 23 Rebica Indústria e Comércio 23 Red & White IT Solutions 23 Refrescos Bandeirantes 22,23 Restaurante Fasano 15 Restaurante Kabanas 33 Restaurante Piquiras 30, 31, 32, 33 Restaurante Tróia 15 Resulte Consultoria 65 Rio Vermelho Atacadista 14 Roche 21 Rodovalho Advogados 28 Romanhol Advogados 27 S Saga Malls 8, 9 e 76 Sebrae Goiás 49 Segna 17 Seltseg 17 Senar Goiás 43 Senior Advanced 10, 59 Serasa Experian 32 Servilar 55 Shopping Bougainville 32, 33 Shopping Buena Vista 32, 33 Sicoob Unicentro Brasileira 56 Sindicato Rural de Sapezal 40 SMB 17 Sol Diamante 17 Soluti 39, 48, 50

Spa Dios 17 Stanford 25 Starbucks 24 Studio Y 17 Subway 16 Supermercado Passe Bem 54, 55 Supermercados Marcos 55 Swett & Crawford 14 T Taiken Sushi 52 Tecnoseg 62 Telebrás 28 Telegoiás 28 The1 Healt Adviser 17, 67 Toctao 46 3T Systems 23 Tron 48, 49 TUT 24 UVWY Unicred 56 Uninter 4e5 Universidade da Flórida 38 Universidade São Judas Tadeu 19 Urban System 41 Urbs RT 18, 59 USP 25 Várzea Grande Shopping 17 e 76 Vega Motors 75 Vigzul 17 Vitapan 19, 23 Vivence Hotéis 66, 74 Votorantim 16 Walmart 21 Westfalia Separators 37 YouTube 24


DIRETORIA LEANDTO COUTINHO | diretoria@leituraestrategica.com.br

AVANÇA OBRA DE HOTEL DE GRUPO GOIANO NO RIO Fechado há 20 anos e arrematado por um grupo de oito empresários e investidores goianos em 2009, o Hotel Nacional, em São Conrado, pode finalmente voltar à atividade em 2016. Famoso por receber celebridades internacionais e festivais de cinema e música, o prédio projetado por Oscar Niemeyer e declarado patrimônio arquitetônico em 1998 está fechado desde que veio à falência, em 1995. A rede espanhola Meliá assinou, no fim de 2015, contrato para gestão do Hotel Nacional durante 20 anos. Vai investir R$ 400 milhões para restaurar o prédio, cujas obras já foram iniciadas pela empreiteira goiana Orca Construtora. Para acelerar o retorno do capital investido, serão construídas duas torres residenciais na parte posterior do complexo hoteleiro. A reinauguração está marcada para junho com nome de Hotel Nacional Gran Meliá, com 417 quartos, entre eles duas suítes presidenciais e dez executivas e, ainda, um centro de convenções.

Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 13


DIRETORIA MEDICAMENTOS O grupo alemão do ramo de medicamentos Celesio anunciou em abril de 2015 que encerraria suas operações no Brasil. Colocou à venda as empresas brasileiras, entre elas a gigante de origem goiana PanPharma, fundada em 1976 pela família Panarello. As perdas de 4% em 2014 e o foco no mercado europeu pautaram a decisão. Os alemães estão insatisfeitos com os sucessivos escândalos de corrupção que respingaram em multinacionais. Já a goiana Hypermarcas, que desde 2001 vem lançando produtos e comprando marcas de medicamentos e de consumo, decidiu concentrar a artilharia na produção de fármacos. Por quase R$ 4 bilhões, vendeu seu setor de cosméticos à gigante francesa Coty. A transação fez suas ações dispararem na Bovespa naquele mês, com ganhos de R$ 3 bilhões em valor de mercado, chegando a R$ 14 bilhões. A conta da Hypermarcas é simples: ainda que o setor de cosméticos seja rentável e pouco vulnerável a crises, no ramo farmacêutico compra-se em toneladas e vende-se em gramas. O retorno é muito maior.

EMPÓRIO PRIME Uma das maiores atacadistas goiana, a Rio Vermelho, deve abrir ainda no primeiro trimestre seu primeiro empório premium - que pode usar o nome Empório Prime - em Goiânia. As obras estão a todo vapor na Avenida 85, onde funcionava a churrascaria Montana Grill. A empresa de Anápolis já tem duas unidades na capital: uma atacadista em Campinas e uma varejista no Setor Rodoviário, na Castelo Branco. A expansão do mercado gourmet é a aposta da empresa para chegar a um dos bairros mais luxuosos da cidade, o Setor Marista.

OURO BRANCO Demanda judicial entre a gigante têxtil Coteminas, fundada pelo ex-vicepresidente da República José Alencar, e produtores rurais goianos é uma das mais comentadas da Justiça do Estado e o mercado do agronegócio está atento a cada passo do Judiciário. É que as decisões judiciais vêm reconhecendo a tese dos goianos, que dizem que fizeram uma simulação de venda de suas terras para saldar dívidas de algodão com a empresa. Já a Coteminas diz que comprou as terras e quer tomar posse. A Justiça reconheceu que houve “ato ilícito” e tem mantido a posse em favor dos produtores, que querem pagar as dívidas e permanecer com os imóveis. Existem instâncias recursais até o fim do processo. A conferir. Foto: Sincor

SWETT & CRAWFORD A Swett & Crawford, da holding inglesa CGSC, começou a operar em Goiás e Distrito Federal em 2015, após assumir o controle da Casa do Corretor, empresa fundada pelo empresário Renner Fidelis, em 2003. No Brasil há dois anos, ingleses querem ser a primeira rede nacional unificada de distribuição de seguros no País. A CGSC faz intermediação entre corretores e seguradoras. A Casa do Corretor tinha, entre os sócios, o ex-deputado federal Armando Vergílio. “A estratégia é disponibilizar a capacidade de resseguro da CGSC, que atua no sistema Lloyds", explica Fábio Basilone (foto), presidente da CGSC no Brasil. As indústrias do Centro-Oeste estão na mira do grupo. 14 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016


RESTAURANTE FASANO Uma das maiores grifes culinárias do País, o Restaurante Fasano, pode chegar a Goiânia em 2016 – a informação foi divulgada pelo site Curta Mais. O endereço que está no radar do grupo Fasano é o imóvel onde funcionava o restaurante Tróia, no Marista, desativado em 2015 e que tinha como sócio o cantor Bruno. Toda a estrutura de restaurante segue montada e está à venda por cerca de R$ 1,2 milhão. O Fasano já está em sua quarta geração na mesma família e fez um acordo em 2014 com a construtora de alto padrão JHSF. Do valor, R$ 53 milhões, parte entrou em dinheiro, parte quitou dívidas com bancos. Esse investimento e novo modelo de negócio – dos Fasanos com Zeco Auriemo, dono da JHSF – possivelmente prevê uma expansão nacional. A internacional já foi anunciada: Miami e Nova York. Sócios a quase uma década, a empresa Hotel Marco Internacional, da construtora, passou a ser majoritária no negócio de hotéis e restaurantes Fasano (65%), que é quem administra 12 restaurantes do grupo e o Bar Baretto, e tem direito de uso da marca.

MUSEU DO AMANHÃ: TECNOLOGIA MADE IN GOIÁS Os estúdios da GloboNews e do Bom Dia Brasil, da Globo, são alguns dos trabalhos recentes da empresa goiana de painéis eletrônicos LedWave, que a coloca entre as melhores do setor no País. Mas as conquistas da empresa não param por aí. A LedWave foi a responsável pelos telões em led do Museu do Amanhã (foto abaixo), um dos principais empreendimentos culturais inaugurados no País nos últimos anos e um dos mais modernos do mundo. A empresa ainda fechou parceria com o escritório do designer Hans Donner para alguns projetos, ainda não anunciados, mas devem ter relação com os Jogos Olímpicos, em agosto, no Rio. Os números mostram o crescimento interno da marca: começou 2015 com 50 telões de propaganda instalados em grandes cidades do País e fechou o ano com 86. A meta da empresa é fechar este ano com 150 telões e espalhar o serviço, com telas menores, para cidades de até 60 mil habitantes. Ainda para este ano, LedWave inicia um plano de expansão para a América Latina, focado em Argentina, Colômbia e México.

ENERGIA A expectativa em torno da privatização da distribuidora de energias de Goiás, a Celg D, é de concretização da maior operação de 2016 em Goiás, com valor que beira R$ 3 bilhões. Em dezembro, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou que o leilão deve ser realizado até meados do ano. Eletrobras tem 51% da estatal "goiana". Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 15


DIRETORIA

AUSTRALIANA 100% A mineradora australiana Cleveland Ming iniciou em 2012 a prospecção de ouro em Crixás (GO), a 270 km de Goiânia, em parceria com a Edifica Participações. Havia já à época a perspectiva de dobrar a produção de 10 a 20 mil para até 40 mil onças por ano. Confirmadas as boas expectativas, a multinacional exerceu sua opção de compra do acordo de joint venture e arrematou a metade tupiniquim do empreendimento. Vai desembolsar US$ 12 milhões pela totalidade de ativos, mais 5% de royalty sobre a produção. Em Goiás, a Cleveland Ming também explora ouro em Mara Rosa, a 350 km da capital goiana.

NOVAS AQUISIÇÕES? O fundo americano HIG está de olho em novas empresas goianas. Compras podem ocorrer no primeiro semestre. Recentemente, comprou parte da LG Sistemas e da Creme Mel, em Goiás, e da Mr. Cat, no Rio. QUICK LOGÍSTICA Em dezembro, a JSL ampliou tratativas para comprar a Quick Logística e a Quick Armazéns Gerais, do empresário Rivas Rezende. A aquisição já foi aprovada no CADE, mas a negociação continuava entre as duas partes até o fechamento da edição – 5 de janeiro. O grupo goiano registrou, em 2014, faturamento de R$ 195 milhões e contava com mais de 1.300 colaboradores. VOTORANTIM O dólar derrubou um lucro previsto da Votorantim de R$ 544 milhões para prejuízo de R$ 81 milhões no terceiro trimestre. Mas, em Goiás, a empresa ampliou em 2 milhões de toneladas a capacidade de produção de cimento. FAST AÇAÍ Não é só no nome que a Fast Açaí está 16 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

sendo rápida. Se a rede goiana mantiver seu ritmo de expansão, será uma Subway do fruto típico da Amazônia.

dos cinco mais altos de Minas Gerais. Apartamento deve custar de R$ 1,2 milhões a R$ 2 milhões por unidade. Empresa deve investir R$ 350 milhões nas três torres. PIRACANJUBA Em alta com o prêmio Melhores do Agronegócio na categoria laticínios, da revista Globo Rural, o Leite Piracanjuba tem a atriz global Bruna Marquezine divulgando a marca nacionalmente.

MONTBLANC Nova coleção de relógios da gigante suíça foi apresentada aos clientes cuiabanos em novembro. Alain dos Santos, diretor da marca no Brasil, participou do evento. O Montblanc TimeWalker Urban Speed não sai por menos de R$ 19,5 mil. BRASAL O condomínio Triad marca a entrada da Brasal Incorporações em Uberlândia. Empreendimento traz apartamentos-casas de 269 m2 a 564 m2 – em três torres. Prédio deve ser um

EBM O terceiro prédio do Metropolitan, complexo da EBM na Avenida Jamel Cecílio, em Goiânia, começa a ser erguido. É o Sidney SmartStyle, com 293 apartamentos e 18 lojas. Investimento de R$ 250 milhões. ABENGOA O possível fechamento da gigante espanhola Abengoa, que tem filial em Barreiras (BA), deixa muitas empresas prestadores de serviço ansiosas. Companhia se destaca nos setores de energia solar, eólica, biocombustíveis e tratamento e salinização da água. Calote milionário atingiria negócios em Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí


e Bahia. Se confirmada, será a maior falência da história da Espanha. No Brasil, mais de 2 mil funcionários já teriam sido demitidos. XUXA A apresentadora Xuxa Meneghel esteve na inauguração da Espaço Laser no Várzea Grande Shopping, região metropolitana de Cuiabá. A rainha dos baixinhos é sócia da clínica de estética, que tem 73 lojas. Novas unidades serão inauguradas no interior do Mato Grosso. CAMPO GRANDE A Allianz Seguros, unidade brasileira do maior grupo segurador do mundo, inaugurou filial em Campo Grande, com escritório de apoio em Dourados – segunda maior cidade do Mato Grosso do Sul. Agora, a Allianz passa a ter unidade em todos Estados do CentroOeste, além de Brasília. Aposta da empresa: agronegócio. SPA DIOS O salão Spa Dios, que é vanguardista no tratamento personalizado dos cabelos utilizando técnicas e produtos próprios e exclusivos, escolheu o Metropolitan Mall, no Jardim Goiás, para instalar em Goiânia sua primeira unidade fora do eixo Rio-São Paulo. O centro de beleza deverá ser inaugurado no primeiro trimestre e terá equipe treinada pela família Dios. A operação de Goiânia será uma sociedade com a empresária Juliana Yamin, do Studio Y. FERROGRÃO O consórcio EDLP, formado pela Amaggi, Cargill, Bunge e Louis Dreyfus, entregou ao governo federal proposta para construir trecho ferroviário ligando Sinop (MT) e Miritituba (PA). Ferrovia foi apelidada de “Ferrogrão”, que será usada para escoar produção do Centro-Oeste pelos portos da Região Norte. Custo estimado é de R$ 11,5 bilhões e terá 930 quilômetros.

EMPADÃO GOIANO Uma das maiores indústrias de salgados do Centro-Oeste, a Empadão Goiano lança neste início de 2016 uma nova marca de sanduíches naturais. Como pontos fortes, a empresa apresenta sua megaestrutura de produção e logística para distribuição em seis Estados e um maior prazo de validade dos sanduíches, quase o dobro dos concorrentes. ELEITOS E REELEITOS O advogado Lúcio Flávio Paiva assume a OAB-GO para o mandato 2016 a 2018. No CRC-GO, Elione Cipriano foi reeleito e fica de 2016 a 2019, e, na Acieg, o empresário Euclides Barbo substitui Helenir Queiroz, que fecha um ciclo de cinco anos. AS 12 Goiás tem três empresas no grupo de 12 corretoras de seguros que formaram a A12, que iniciou operações com

emisssão anual de R$ 250 milhões. Projetada desde 2010, empresa tem sede em São Paulo, na Vila Olímpia. Empresas que formaram nova companhia: Almanza (MG), Apoliseg (GO), Bezlim (GO), BSBCOR (DF), Liga Vitória (SP/ES), Multiseg (PR), Perspectiva (ES), RA Insurance (DF), Segna (RJ), Seltseg (MG), SMB (SP) e Sol Diamante (GO). . IBEF O empresário goiano Christiano Quinan, CEO do Grupo The1, foi reconduzido à vice-presidência do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), para o biênio 2015-2017. Divide a gestão o presidente Nacional do Instituto, Vagner Lacerda, diretor do Banco do Brasil; Ruy Coutinho do Nascimento, presidente da LatinLink e ex-presidente do CADE; Carlos Eduardo de Freitas, consultor econômico e ex-diretor do Banco Central; entre outros.

SEGURANÇA O indesejado destaque do Estado de Goiás no ranking nacional e até internacional de violência - Goiânia é a 23ª cidade mais violenta do mundo, segundo a ONU - chama a atenção do mercado de segurança privada. No último trimestre de 2015, duas grandes empresas do ramo fecharam grandes negócios no Estado. A Vigzul, do mesmo grupo da Azul Linhas Aéreas, comprou a Eurosec. A paulista GPS comprou participação do Grupo Proguarda, uma das gigantes do ramo de segurança privada no Estado. Os detalhes desta última negociação ainda não foram divulgados.

Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 17


FAZER SEMPRE O MELHOR.

ESSA É A NOSSA ESTRATÉGIA.

CJ 17 870

CJ 2261

Há 40 anos, onde muitos veem dificuldade, a URBS vê oportunidade. Oportunidade de desenvolver projetos, de entender as necessidades da região, de suprir demandas, de criar estratégias, de crescer.

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18 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016


Nome: José Alves Filho Idade: 64 anos Estado civil: Casado com Maísa Tucci Alves Formação: Administração de Empresas pela Universidade São Judas Tadeu (SP) Empresa: Grupo José Alves Desafio: Fazer da Alfa referência ainda maior no ensino superior no Centro-Oeste e conseguir internacionalizar a escola; e levar a Vitapan para ser a segunda maior do Grupo

Zé Alves CAPA

Um gigante

FAMILIAR Grupo José Alves, um dos maiores e mais tradicionais do Estado, consolida gestão familiar, programa expansão, investe no setor de medicamentos e prepara sucessão POR CARLA OLIVEIRA Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 19


CAPA

p Em foto foi tirada dentro da Casas Alô Brasil, década de 60, em Uberlândia, traz Sr. Nendo (de bigode, atrás do padre)

Apenas nove anos separam José Alves Filho do nascimento ao primeiro emprego. Quarto de cinco irmãos, ele foi levado pelo pai, José Alves, que desde cedo mostrou aos filhos o valor do trabalho e a importância de fortalecer a família, permitindo ainda prosperar no mercado com sua empresa de secos e molhados. O modelo familiar consagrado pelos irmãos Alves, ainda na década de 1950, foi seguido pelos herdeiros sempre com o mesmo objetivo: a liderança de mercado e a segurança familiar. A forma como José Alves Filho revisita seu passado e escreve as linhas presentes do Grupo José Alves faz jus aos 55 anos passados entre o primeiro emprego, quando cuidava da movimentação bancária do pai e fazia o controle do estoque da empresa, e a presidência do grupo, hoje com 4 mil funcionários e estimativa de faturamento de R$ 1,4 bilhão em 2015. Trabalhar sempre foi palavra de ordem na família Alves. A visão empreendedora do patriarca, que faleceu precocemente em 1976 aos 53 anos, é marca registrada de seus descendentes, que, com apoio e incentivo da mãe, assumiram os negócios da família ainda muito jovens, dando continuidade ao legado do ex-carroceiro que enxergou, no transporte de mercadorias de São Paulo para Goiás, a oportunidade de fazer a diferença nos negócios. 20 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

p Frota dos caminhões e motoristas da Casas Alô Brasil, nas décadas de 60 e 70

Assim como José Alves e seus irmãos, que também deram importante contribuição para a industrialização de Goiás, os jovens Alves assumiram cedo grandes responsabilidades de gestão e de continuidade ao legado paterno. José Alves Filho e suas duas irmãs, sócias do grupo, preparam a sucessão em uma nova modalidade. O plano de governança familiar corporativa mudou a forma de entrada dos filhos e sobrinhos nos negócios e priorizou as competências para garantir um futuro de êxito à empresa, que hoje tem braços na indústria de bebidas, tecnologia, educação, incorporação e farmácia, entre outros. O processo sucessório é o principal desafio e a grande diferença na gestão de José Alves Filho à frente dos negócios iniciados pelo pai. A preparação da terceira geração que assumirá os negócios da família já está em curso. O LEGADO DE UMA FAMÍLIA

O controle das contas do pai ainda na infância e o trabalho intenso desde esta época forjaram em José Alves Filho um visionário, workaholic e destemido empresário, que ainda sonha com conquistas. Quando assumiram os negócios em 1976, após a morte inesperada do patriarca, ele e o irmão Antônio se viram ainda muito jovens com a responsabilidade de levar adiante


p Rede atacadista, já destaque nacional, Investe no ramo varejista nos anos 80: acima inauguração do Supermercados Alô Brasil

p O Supermercados Alô Brasil, aberto nos anos 70, foi uma das marcas históricas e da formação do Grupo José Alves

o legado empreendedor dos Alves. A segunda geração de empreendedores da família Alves iniciou cedo no trabalho. Essa, no entanto, não é a prática atual. Para os próprios herdeiros, o empresário reescreve a história e busca garantir que as próximas gerações da família possam gozar dos frutos plantados ao longo dos últimos 50 anos sem grandes surpresas. Após a reestruturação do grupo, criou-se uma política estruturada de sucessão, que abarca todos os herdeiros, que são preparados para assumirem diferentes posições de trabalho no grupo. Um dos principais critérios, hoje, é o ingresso no mundo do trabalho fora das empresas da família. Além de formação superior e especialização, os sucessores precisam trabalhar, pelo

menos, 3 anos em outras empresas, onde vão aprender e desenvolver competências que serão fundamentais para o sucesso das atividades no grupo, que possui características familiares no seu comando, mas que não abre mão de uma gestão eficiente. Foi desenvolvido um programa de governança familiar, cujo o exemplo e a experiência dos atuais gestores servem de modelo e inspiração para os jovens em formação. A preparação é diversificada, se ramificando entre sucessores, acionistas e atuantes na operação, sempre buscando o equilíbrio, a partir da preparação de um representante de cada tronco da família. Atualmente são 15 as pessoas na linha de sucessão da terceira geração. O programa de formação oferece conhecimento e oportunidade, respeitando o plano de vida de cada um que pode ou não incluir a atuação nas empresas. A criação de um programa de convivência familiar não é uma invenção da família Alves. O presidente do Grupo explica que o modelo é inspirado em casos de sucesso, sobretudo da Europa e Estados Unidos, onde há experiências de programas de formação com mais de 100 anos. “A gente vem observando as práticas que levaram a sucessos mais consolidados e andou copiando algumas experiências que deram certo”, diz citando corporações como Novartis, Roche e Walmart. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 21


CAPA

Uma vida entre cidades A sociedade Irmãos Alves no atacado de secos e molhados gerava uma alternância nas atribuições de comando, o que fazia com que as famílias mudassem por determinado período, saindo de Ipameri, terra natal da família, depois de Goiânia para São Paulo. Por isso, a infância e a adolescência de José Alves Filho e seus irmãos foram vividas entre cidades. Mas foi em São Paulo, onde nasceu, que fincou raízes, constituiu família e fixou residência. Paulistano por acidente, morador da capital paulista por opção, ainda hoje divide o tempo e a vida entre Goiânia e São Paulo, negócios e família. José Alves (seu Nendo) e Maria Dilda Alves (dona Lia), pais de José Alves Filho, são de Ipameri. Com visão empreendedora, Nendo começou a buscar mercadorias em São Paulo e, posteriormente, fundaria, com os irmãos, a Irmãos Alves, que extrapolaria as fronteiras do itinerário Ipameri - São Paulo para ganhar o País. A vida da família em terras goianas não estava fadada a ser duradoura. A mudança para São Paulo logo se concretizaria, após passar por Uberlândia e Ribeirão Preto. Foi na capital paulista que o jovem José Alves Filho estudou, cresceu e criou as bases de sua vida. É lá que o hoje empresário vive para além do trabalho. Até a década de 1990, sua vida concentrou-se em São Paulo. A partir de então, ao assumir posição de destaque no grupo de empresas da família, estreitaria laços com Goiânia e com a vizinha Trindade, sede da Refrescos Bandeirantes, motor propulsor do grupo. Após dissolução da sociedade da Irmãos Alves, que operava em Goiânia, Uberlândia, Ribeirão Preto e São Paulo, entre seu pai e os tios e antes de ingressar no ramo de indústria e serviços, a família de José Alves Filho continuou a atuar como atacadista de secos e molhados, na então Alô Brasil. A empresa do pai, iniciada em 1962, chegou a 1989 como um dos maiores atacados da América do Sul, chegando a ter 3 mil funcionários. Caberia aos filhos, após a morte precoce de seu Nendo, dar continuidade ao legado. Após a partida do pai, dona Lia seria uma das protagonistas da história que se escreveria a partir dali. “Ela podia ter optado por vender, porque era sócia majoritá22 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

ria, mas decidiu dar sequência e mostrar como conduzir os negócios e a manter a união da família”. O primogênito Antônio Alves assumiria, então, o comando do grupo. José Alves Filho permaneceu como vice-presidente Financeiro até 1989. Em 1990, assumiu a presidência da Refrescos Bandeirantes e, três anos depois, se tornaria presidente do Grupo José Alves

Marco histórico A fundação da Refrescos Bandeirantes, empresa que tem como principal produto a Coca-Cola, bebida líder de vendas em todo o mundo, foi um marco na história do grupo,

AS EMPRESAS Confira ao lado a evolução e as empresas do Grupo José Alves, que completou 53 anos


A mudança do ramo de atuação, dos setores varejo e atacado (Alô Brasil), para o industrial e serviços, provocou profundas transformações nos negócios e na forma de administrar da família Alves. “A gente passa a ter nova experiência no setor, antes tínhamos experiência na indústria de arroz, que era muito menos exigente. Agora você entra em outro patamar de produção industrial e marketing, gestão de vendas, sistema de informações. É um mundo bem globalizado e fez um diferencial para o grupo como um todo”, frisa.

Outros setores que assumiu a operação da Coca-Cola em Goiás e Tocantins em 1986. No entanto, até 1988, quando foi inaugurada a nova fábrica em Trindade, o produto era transportado de Brasília e Uberlândia para abastecer o mercado goiano. Na época, até a estabilização da empresa, a Coca-Cola perdeu share, ficando atrás da Pepsi, principal concorrente em todo o mundo, quadro revertido nos três anos seguintes à inauguração da fábrica. A Coca-Cola é apenas uma entre dezenas de produtos do mix da Refrescos Bandeirantes, que inclui refrigerantes de outros sabores, cervejas, sucos, chás e água mineral. A linha de produtos deve ser ampliada com a chegada de novos produtos, incluindo café.

1962 – Seu Nendo funda a Casas Alô Brasil, em Uberlândia. 1971 – Abertura do Supermercados Alô Brasil. 1976 – Antônio Carlos Alves assume comando do grupo após morte de Seu Nendo. 1986 – Fundação da Refrescos Bandeirantes e início da franquia da Coca-Cola. 1988 – Inauguração da fábrica da Coca-Cola em Trindade 1993 – José Alves Filho assume presidência do Grupo José Alves. 1995 – Criada a Rebica Indústria e Comércio – para produzir Acqua Lia e Água Paola 1997 – Instalação da Rebic Embalagens (Rembal), empresa de embalagens e garrafas PET 1998 – Implanta Conselho de Administração 2000 – Abertura da Faculdades Alves Faria 2006 – Começa operações de 3T Systems, empresa de rastreamento e monitoramento 2007 – Início da Atlanta Locadora de Veículos 2008 – Início das atividades da Red & White IT Solutions, empresa de tecnologia 2009 – Abertura da NL Imobiliária 2015 – Aquisição da Vitapan, indústria de medicamentos

A consolidação do Grupo José Alves, sob gestão familiar, significou uma expansão dos negócios que, em números, cresceu de forma exponencial havendo, em 2015, previsão de vendas da ordem de R$ 1,4 bilhão, além da incorporação de novas empresas. O grupo também investiu em novas áreas, como a educacional e indústria farmacêutica. Em Goiânia, é dono das Faculdades Alves Faria, uma das principais instituições de ensino superior de Goiás, que forma profissionais para atuar em diferentes ramos do mercado de trabalho. Um dos objetivos é que a Alfa, que tem três unidades em Goiânia, se torne uma referência ainda maior no Centro-Oeste, além de sua internacionalização. O grupo passou a gerir, em 2009, a Faculdade Autônoma de Direito de São Paulo (Fadisp). A Vitapan, indústria de medicamentos localizada em Anápolis, é uma das mais recentes aquisições do grupo, em 2015, e um dos focos de investimentos a partir de agora. Segundo José Alves Filho, a meta é fazer da Vitapan a segunda maior empresa do Grupo. “É uma empresa pequena, mas temos pretensões bastante fortes para ela”, diz. E acrescenta: “Tem um ditado que fala não esmorecer para não desmerecer. Toda vez que você esmorece, apaga tudo o que você fez de bom. Eu tenho o seguinte princípio: está difícil, respire mais um pouquinho porque a vida não é fácil para ninguém e não é para mim também. Todos enfrentam dificuldades. Eu tenho procurado superá-las dentro das minhas possibilidades, mas não sou muito de jogar a toalha no chão. Não sou milagreiro, só faço minha parte. Não sou melhor que ninguém”, ensina José Alves Filho. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 23


CONECTION Copenhagen As ideias e os produtos são globais; as pessoas e o consumo, locais. Queremos entender esta e várias outras relações que estão em processo de evolução. A coluna Conection questionará PhDs de importantes universidades de gestão do mundo. Nosso giro acadêmico começa pela Dinamarca. Reportagem de Leandro Resende e Juliana Pedersen

Um novo olhar sobre mídia social

Todos os negócios já esmem chegou à lua esta intão sendo afetados pelas formação demorou dias transformações tecnopara chegar na imprensa lógicas atuais, pois, de escrita, foi primeiro dialguma forma, atingem o vulgada internamente na jeito de produzir, vender, Nasa, depois ao presidente pagar ou entregar? e depois à população. Hoje Atualmente empresas, a Nasa tirou fotos de Plutão ENTREVISTA COM LESTER LASRADO pessoas, governos são muito e publicou imediatamenIndiano graduado em Engenharia Mecânica pela PESIT afetados pela tecnologia. Por te em sua conta no Insta(Índia), mestre em Administracao de Tecnologia Industrial pela TUT (Finlândia), doutorando em Ciencia da Informacao exemplo, a franquia americagram. Por que fazem isso? pela Copenhagen Business School (Dinamarca) na Starbucks interage diariaPara despertar o interesse mente com seus clientes por da população em geral pela meio de redes sociais, não só em assuntos relacionados questão espacial. Outro exemplo é a maneira como as aos seus produtos, mas inclusive opiniões políticas. Por pessoas interagem hoje em dia. Ninguém mais precisa ir que fazem isso? Porque querem fazer parte do dia a dia a um bar ou a igreja para conhecer o amor da sua vida, o das pessoas. Agora o real efeito desta interação ainda Tinder resolve isso. Agora se isso é bom ou ruim, é muito está para ser conhecido. É muito cedo para dizer. Um cedo para afirmar, os efeitos ainda serão vistos. segundo exemplo é a Railway, companhia aérea de baixo custo. Recentemente viajei com esta companhia e tive Como o mundo tem superado aquele velho dilema um problema que foi prontamente resolvido por meio de de que o avanço da tecnologia reduz mercado de um tweet. E, finalmente, até governos. Mas este exemplo trabalho? talvez não seja atual na Índia ou no Brasil, pois não estaDe maneira geral eu acredito que a tecnologia é pomos maduros o suficiente como uma e-democracia. Mas sitiva para a sociedade, especialmente para sociedades recentemente tivemos eleições aqui na CBS (universi- como Brasil e Índia. Deixa eu te dar um exemplo pessoal. dade dinamarquesa). Eu não conheci nenhum candida- Na década de 90, meu pai trabalhava em um banco into pessoalmente, toda a interação para as eleições se deu diano e caixas eletrônicos foram introduzidos nas agênpor e-mail e sites. Recebi um e-mail dos candidatos com cias. Nesta época, a preocupação era de que as máquinas suas agendas, cliquei em um link onde ouvi suas propos- iriam substituir as pessoas, o que não aconteceu. Hoje tas no YouTube. Fiz minha escolha e votei on-line. nós todos usamos caixas eletrônicos e os empregos não foram reduzidos, eles apenas mudaram. A indústria do O que estas transformações melhoraram a rela- conhecimento precisa de muito mais pessoas do que a do ção entre as pessoas? trabalho braçal. Logo, nós temos que treinar a próxima Ohhh… Essa mudança foi grande! Cinco anos atrás geração para trabalhar para a indústria do conhecimenninguém podia imaginar de que maneira a tecnologia to e não para o trabalho manual. avançaria, especialmente a combinação de celulares com redes sociais. Deixa eu te dar dois exemplos com As mudanças na forma de comunicar aproxiinteração pessoal e outra com negócios: quando o ho- maram pessoas e culturas – rompem fronteiras. 24 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016


"O futuro aponta para maior democratização dos processos de produção e maior equilíbrio econômico entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Na Índia, dez anos atrás não estávamos no topo (...). Hoje estamos entre os cinco melhores do IT Boom." LESTER LASRADO

Hoje um indiano, por exemplo, passeia pelas praias brasileiras visitando um site de mapas em questão de segundos. Essa quebra de barreira virtual atinge fortemente o mundo real. As pessoas migram, se deslocam mais. É uma tendência positiva? Tecnologia & Cultura é um tópico controverso, pois afeta a vida do cidadão “local” e do cidadão “global”. Como um cidadão “global” eu posso fazer uma pesquisa na internet sobre o lugar onde eu quero visitar, escolher hotel, atrações, reservar passagens e fazer a viagem sem conhecer ninguém no destino. Isso é muito bom! Para a economia local pode ser visto de maneira positiva também, com mais dinheiro, mais turistas. Mas também pode ser visto de maneira negativa, se uma população tenta preservar sua cultura e valores. Depende de quem você é e de como você olha o problema. Avanço tecnológico traz vantagens incontáveis para a sociedade e negócios internacionais, mas também joga a favor de criminosos, mafiosos e terroristas. É possível deter e dominar o crescimento destes agentes maliciosos ou a tecnologia ajuda mais ainda a monitorar e prevenir quando estes a usam? Crime é ruim, sempre foi. De maneira geral, acredito que temos capacidade - a polícia tem capacidade - de monitorar e prender estas pessoas. É preciso treinamento e ferramentas. Somos sempre capazes de pegar os criminosos. Não vejo como uma ameaça. As leis devem estar um passo à frente dos criminosos.

COPENHAGEN BUSINESS SCHOOL

A Escola de Negócios de Copenhagen (CBS, Copenhagen Business School em inglês) foi criada em 1917 e está há alguns anos entre as dez melhores faculdades de gestão e negócios do mundo. No último QS Top Universities, que avaliou 3,5 mil instituições de ensino, a CBS ficou em 10ª do ranking, próxima das renomadas universidades de Londres, Harvard, Stanford, MIT e Oxford. Do Brasil, a mais bem avaliada foi a USP, em 143º lugar. A escola dinamarquesa, que tem 20 mil alunos e 1.500 funcionários, possui convênio no Brasil com a FGV/EBAPE para alunos de graduação e mestrado que desejam fazer intercâmbio de seis meses a um ano na Dinamarca. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 25


26 . Leitura EstratĂŠgica | Janeiro de 2016


NEGÓCIOS

HOLDING, BOA ALTERNATIVA PARA

SUCESSÃO É comum pensar a sucessão da empresa, sempre preparando o herdeiro para assumir o negócio. Mas essa transição tem complexidades maiores que precisam ser pensadas com antecedência. A advogada Wanessa Romanhol, sócia da Romanhol Advogados, chama atenção para um dado: no Brasil, estima-se que cerca de 73% das empresas sejam familiares, o que eleva a necessidade de se estruturar o planejamento sucessório ou a afetação inter vivos patrimonial, especialmente após a elevação da alíquota do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Até o ano passado, era de 4% no Estado de Goiás, o qual a partir deste mês passará a cobrar uma alíquota progressiva, que varia entre 2% e 8%. A situação pode piorar muito. Os Estados tentam a elevação da alíquota máxima do ITCMD de 8% para 20%. Diante dessa possibilidade de nova e considerável elevação do imposto, Wanessa reforça a importância de se planejar a sucessão o quanto antes. Atualmente o meio mais usual de planejamento sucessório, destaca a advogada, é por meio da constituição de uma holding familiar, ou seja, uma sociedade que controla outras empresas da família ou bens pessoais dos sócios.

“A holding familiar é um excelente planejamento sucessório e tributário, mas não existe fórmula única, cada caso deve ser analisado de forma ímpar, individualmente” Wanessa Romanhol

“Após a centralização dos bens e negócios em uma única sociedade (holding), as quotas ou ações desta, como medida de planejamento sucessório, podem ser doadas aos herdeiros, o que além de cessar gastos com inventário e taxa judiciária, dentre outros, também evita eventual disputa familiar durante o processo de partilha; proporciona a continuidade dos negócios, segregando as ingerências dos parentes; protege o patrimônio dos herdeiros; preserva os bens perante os negócios da sociedade; elimina a carga tributária incidente no inventário e partilha”, orienta Wanessa. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 27


Lembro-me da Onogás, na época não existiam redes nacionais em Goiânia. Ficava ao lado da Novo Mundo e era uma empresa onde comprava móveis de casa, eletroeletrônicos. Marcou-me a campanha Papai Noel de Agosto da Onogás. Minha lembrança principal era o marketing e a concorrência com a Novo Mundo. O mercado ainda não tinha sido descoberto pelos players nacionais, de alcance nacional, principalmente no varejo e a competição era entre redes locais. Flávio Rodovalho, 45 anos, tributarista da Rodovalho Advogados

A Telegoiás foi uma grande empresa goiana. A sede ficava em Goiânia, na BR 153, onde hoje é a Oi. Os funcionários da empresa eram muito respeitados porque era a única empresa de telefonia e era um serviço pouco disponível. A empresa foi importante e fez parte do sistema Telebras até a sua privatização em 1998. Fez história. Antônio Pereira Guimarães Júnior, 60 anos, diretor de relações institucionais da Oi

MEMÓTIA As histórias da maioria das empresas se perdem, quase nunca são contadas. Exemplo evidente de um País que pouco ou em nada valoriza suas empresas. Esta coluna resgata boas experiências e lembranças de clientes, funcionários e proprietários, que citam marcas que permanecem em sua memória décadas depois. Conheça os relatos de quatro personalidades do mundo dos negócios sobre empresas que fizeram parte de suas vidas, em momentos diferentes.

Na época em que mudei para Goiânia, em 1963, comprei os eletrodomésticos da minha casa na General Novilar, do Joaquim Motta, que foi presidente da Acieg. A loja ficava na Avenida Anhanguera, perto da Rua 7. Fui consumidor e me tornei amigo de todos lá. Luiz Francisco dos Santos, 79 anos, empresário aposentado

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Na década de 1970, em Belo Horizonte, a gente comia cachorro quente e banana split na Lojas Americanas, no Centro da cidade. Eu ia com a minha mãe. Geralmente, íamos para fazer alguma coisa e o combinado era ganhar um lanche na loja, que ficava na Avenida Afonso Pena com a São Paulo. Como criança, eu ficava encantada com a variedade enorme de produtos. O que tinha era ela e a lanchonete. Recordo-me do sabor dos produtos, da cebola e do pimentão no cachorro quente, porque não tinha essas outras coisas que colocam hoje. Só depois vieram as lojas do shopping. Denise Bastos Silveira Patrus, 49 anos, diretora administrativa da Máxima Sistemas


Leitura EstratĂŠgica | Janeiro de 2016 . 29


PERFIL

A história por trás da marca

PIQUIRAS Nome de sucesso começou com lava jato no Setor Sul, cresceu e é referência em gastronomia na Região Centro-Oeste. Em meio à crise econômica, reestrutura-se

30 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016


O senso de oportunidade e a copúblico. Nome: ragem de trabalhar sempre fizeram Em 1985, já casado com a comMarcelo Marquez Batista, o Piquiras (foto) parte da história de vida de Marcepanheira de vida Maria Alice da Idade: lo Marquez Batista. Para quem não Costa Batista, ele vislumbrou no55 anos sabe, este é o nome de batismo de vas possibilidades e quis ter um Estado civil: Marcelo Piquiras, como é conheponto de vendas para que os amiCasado com Maria Alice cido no meio empresarial e social, gos também fossem com as namoFormação: em Goiânia. Mesmo hoje vivendo radas e as esposas. A loja foi aberta Matemática pela PUC Goiás a dificuldade de ver a empresa em na Avenida República do Líbano Empresa: recuperação judicial, o empresário e a marca, que existe até hoje, foi Piquiras traz toda a força da sua própria hisdesenvolvida nesta época por um Desafio: tória para superar este percalço na amigo. “Desde pequeno eu sempre Reerguer a rede de trajetória bem-sucedida da marca fui muito atrevido, queria um resrestaurantes e superar Piquiras. taurante bem bacana. Peguei muia recuperação judicial Marcelo assumiu o comando to dinheiro emprestado na Caixa de um bar, trocado por uma moto, Econômica do Estado de Goiás, na ao lado de um lava jato, na Avenida época era Caixego. Era para pagar 87, no Setor Sul, para o desespero de Antonil Batista, seu 1% ao mês, depois de seis meses, já estava 10% ao mês.” pai, que o queria na estabilidade do serviço público, onde A dívida preocupava Marcelo e também seu Antonil, trabalhava. Mas ele, com 22 anos, se mostrou destemi- que acabou por vender o único imóvel que tinha no Setor do, característica que o acompanha por toda a carreira. Coimbra para emprestar o dinheiro ao filho. “Assim que Deixou o emprego na Iquego para ficar atrás do balcão, eu paguei a dívida, as coisas mudaram. O faturamento no espaço com mesas de ferro e chão forrado de brita. aumentou, criando mais movimento, mais pessoas indo No primeiro negócio, Marcelo chegou a pintar pa- lá. Fiquei feliz, comprei um apartamento melhor, porredes e abria e fechava o estabelecimento, madrugada que eu morava em um cubículo. As coisas começaram a adentro. Da cozinha ao atendimento, Piquiras era a alma acontecer rápido para mim que tinha saído do zero.” e a força do pequeno bar, que vendia os quitutes feitos Na época, nasceram os filhos Gustavo e Frederico, com a ajuda e o incentivo da mãe dona Maria Tide. “Era que hoje também trabalham no Piquiras. Tanto na vida na cozinha dela que fazíamos o bolinho de arroz e o cro- pessoal como na profissional, a exigência principal era o quete”, lembra o empresário. No local, ele chegou a ven- empenho. “Quando você faz o que gosta é diferente. Eu der mil churrasquinhos por dia e percebeu que a carreira amava o que eu fazia. Eu ia para lá todos os dias, abria e empreendedora valia mais a pena do que a de servidor fechava o Piquiras todos os dias. Não confiava em deixar Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 31


PETFIL

a chave com um gerente. Se eu dormisse até mais tarde, o pessoal ficava na porta esperando eu abrir para poder entrar. Eu era o último a sair, ia embora duas, três horas da madrugada e no outro dia eu que chegava lá oito, nove horas da manhã”, conta o empresário, enumerando que as noites ausentes em casa eram compensadas pela dedicação da esposa aos filhos. Com as crianças pequenas, Marcelo entendeu os anseios do seu pai e quis estabilidade. “Meu sonho era conquistar tranquilidade e fazer a sede própria”. Foi assim que começou a construir a unidade do Setor Marista, o primeiro restaurante de sucesso na região e a sede do Piquiras, que consagrou o polo gastronômico no local. O novo restaurante foi aberto em 1993 e conviveu ainda por cinco anos com a unidade da República do Líbano, que por insistência de um cliente, Carmelo Paulete, que acabou como sócio, ficou aberto até 1998, quando foi transferido para o Buena Vista e passou a funcionar como empório, inicialmente, e depois também como restaurante. O Piquiras, no Marista, se tornou referência como bar e restaurante em Goiás. Frequentado por empresários, políticos e artistas, o espaço consagrou o nome. A fartura dos negócios e a certeza de um futuro próspero levaram Marcelo a diversificar, com a abertura do empório. A ideia inicial era da esposa Maria Alice que, com os filhos criados, queria também participar da empresa. “Quando fizemos o empório, no primeiro mês rendeu R$ 60 mil, com estoque de R$ 800 mil lá dentro”. O público foi receoso à novidade. Temia altos preços e estranhou o local, com diversos produtos exclusivos. Mas, em pouco tempo, acabou se rendendo à qualidade e também à competitividade que Marcelo sempre manteve nas prateleiras. Outro atrativo foi a criação do buffet Piquiras, que passou a realizar eventos. A segunda unidade do empório, no Bougainville, veio cinco anos depois, em 2003, depois de uma proposta dos próprios donos do shopping. Logo também ganhou restaurante. A última unidade foi o empório e restaurante na expansão do Shopping Flamboyant, aberto em 2013. Com todas as unidades funcionando, chegou a ter 400 colaboradores, no final de 2014. Era a concretização do sonho, onde trabalha toda a família de Marcelo até hoje e alguns funcionários que estão com ele desde o começo.

Crise e gestão cobraram preço alto Diante da crise econômica vivida pelo Piquiras, Marcelo entrou com pedido de recuperação judicial da empresa, em agosto de 2015. O pedido foi o documento mais difícil de ser assinado 32 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016


"Quero ficar fortalecido e sair desse negócio o mais rápido possível (da recuperação judicial)" Marcelo Piquiras

por Marcelo em sua vida profissional. Na 7ª Vara Cível de Goiânia, o plano foi aprovado e começa a ser executado, o que deve levar ao fechamento de duas das cinco unidades do grupo. A etapa é uma pausa em uma trajetória marcada por sucesso e empreendedorismo, que começou em 1982, com a cara e a coragem do então funcionário público. O fato, que parece isolado na carreira de Marcelo, se mostra uma forte tendência no momento da economia brasileira. O número de pedidos de recuperação judicial bateu recordes em 2015, de acordo com a Serasa Experian. Até agosto passado, os pedidos chegaram à 766, o maior número desde 2005, quando a lei de falências entrou em vigor. Neste ano, pequenas empresas entraram com 393 dos pedidos, enquanto as médias, com 228. Apesar de ter consagrado a marca Piquiras e o novo modelo de negócio, que reunia em um só local restaurante e espaço de compras, a empresa começou 2015 no vermelho e o empresário se deu conta de que, apesar do crescimento externo, as contas não batiam. “Agora no final nós andamos nos perdendo. Estou em recuperação judicial. Eu confiava muito nas pessoas e achava que as coisas estavam indo bem, quando eu abri o olho vi um buraco muito grande”, afirma o empresário, que tentou reerguer os negócios com uma sociedade, mas acabou optando pela recuperação judicial, em agosto de 2015, com uma dívida que beirava os R$ 17,6 milhões. Entre as dificuldades enfrentadas por Marcelo, segundo ele, estão a crise enfrentada pelo segmento em

2015, as mudanças no Marista que fecharam mais de 40 estabelecimentos, a dificuldade com parte dos funcionários e também ações da concorrência. “O Piquiras estava dando até dinheiro, mas nem todos os colaboradores queriam levar a marca para frente como eu imaginava. Muitos passaram a perna em mim, fizeram coisas horríveis comigo.” A recuperação judicial foi uma opção do Marcelo para honrar a história do Piquiras. “Eu estou levando numa boa, acho que vamos dar a volta por cima, vamos ter de dar uns passos para trás para depois continuar seguindo”. A recuperação foi deferida em menos de 12 horas, em outubro, o que o empresário credita à história da empresa. O objetivo é superar o déficit em dois anos e voltar a ter estabilidade. Entre as decisões mais difíceis está o fechamento da unidade do Marista, onde funcionou por 23 anos, e o possível fechamento do restaurante no Buena Vista, o que ainda está em negociação com o shopping, que tem interesse que a famosa casa de vidro seja mantida. “Foi complicado mexer com recuperação judicial, chorei demais. Mas não quero chorar mais. Quero ficar fortalecido e sair desse negócio o mais rápido possível”. O fortalecimento, fruto do apoio da família e dos amigos, já começou a mostrar novos caminhos a Marcelo, que investirá na unidade do Flamboyant, para onde acredita ter migrado parte da clientela do Marista, em especial os moradores dos condomínios horizontais. A segurança e a praticidade são os atrativos da unidade. No local, o empresário trabalhará com novos cardápios tanto de petiscos quanto de pratos, que entrarão em vigor com mudança da marca. Já o Empório Piquiras, no Bougainville, deve passar por mudanças com a contratação do chef Geraldo Souza, ex-Kabanas, e nova decoração. O foco será a alta gastronomia e os produtos premium com decoração arrojada, ampliação de 120 para 180 lugares e reforço nas massas italianas. A área de produtos da panificadora foi ampliada, trazendo mais opções de produtos fabricados no empório. O horário de funcionamento já foi estendido até 23 horas e deverá ser até meia-noite. O trabalho não será fácil para o Piquiras. Segundo levantamento da Corporate Consulting, em 2014, apenas 1% das empresas que entraram em recuperação judicial conseguiram sair da situação. Hora de cruzar os dedos e apostar na reviravolta da história. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 33


FUSÕES E AQUISIÇÕES

u Marlos Nogueira destaca que é incerto novo passo do governo em elevar impostos sobre a venda de empresa

QUAL A REGRA? MP que acelera fusões não avança Impacto de nova legislação, que começaria a vigorar em janeiro, pode afetar negociações em andamento POR CARLA OLIVEIRA

34 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

O ano de 2016 prometia ser de calmaria no setor de fusões e aquisições. Isto porque entraria em vigor, logo em janeiro, a Medida Provisória 692, que alterava a alíquota do Imposto de Renda sobre o ganho de capital na venda de bens de direito de qualquer natureza. Quem vendesse teria que desembolsar mais para concretizar o negócio. A MP jogava um balde de água fria em negociações que já estavam em curso e que não foram concretizadas em 2015. O que se viu no final do ano passado, para evitar a mordida maior do Leão, foi uma corrida para o fechamento de negócios encaminhados. Sem as mudanças imediatas, aquelas negociações que não saíram do papel podem permanecer em negociação, com novo ritmo, até que o mercado se estabilize. Para o advogado especialista em fusões, aquisições e em reorganização societária, Marlos Nogueira, da NOMAC, no contexto inicialmente

proposto pelo governo, a transação chegava a ser proibitiva para algumas operações. “Ocorre que, no Brasil recente, o cenário da semana passada pode não ser o mesmo desta semana. Tudo tem mudado com muita rapidez. Com o agravamento da crise política, o Congresso acabou não convertendo em lei a Medida Provisória 692 dentro do exercício de 2015. Isso significa, segundo o entendimento predominante entre os especialistas, que na prática qualquer operação de fusão ou aquisição que fosse concluída até o dia 12 de janeiro de 2016 estaria sujeita a carga tributária majorada pela MP”, diz. Isso porque esta já havia sido prorrogada por 60 dias e o último dia dessa prorrogação foi 12 de janeiro. “Como ela não foi convertida em lei, qualquer regulamentação do tema que venha a ocorrer em 2016, como uma nova medida provisória que contenha esse


O que pesa na negociação

COMO O GOVERNO QUERIA TRIBUTAR Ganhos Tributação Até 1 milhão

15%

De 1 a 5 milhões

20%

De 5 a 20 milhões

25%

Acima de 20 milhões

30%

aumento do tributo, somente alcançará operações que ocorram de 2017 em diante, em função do que chamamos princípio ‘da anterioridade’”, complementa. Mesmo com essa mudança, o mercado interno experimenta algum movimento, como foi o caso da aquisição, pela empresa goiana Piracanjuba, da marca Leitbom – operação assessorada pela Magma, consultoria da qual Marlos faz parte. Outro fator de destaque é que, mesmo com a crise, o mercado brasileiro não deixa de ser atrativo, pelo menos para investidores externos. Afinal,

com o excesso de liquidez no mundo e com a atual cotação do dólar frente ao real, “o Brasil ficou barato”. Exemplo disso foi a recente aquisição, pela multinacional Coty, do setor de produtos ligados à estética da Hypermarcas. O movimento parece indicar uma decisão estratégica de focar no mercado farmacêutico e de saúde. Muitos setores estão em alta. Chamam a atenção áreas com tecnologia da informação, principalmente a parte de softwares; serviços auxiliares, no ramo de consultorias e assessorias de marketing; saúde entre outros.

Fatores como localização, operação e market share são alguns dos indicadores observados na hora de avaliar se uma empresa é ou não atraente. O mercado é considerado eclético e o ser ou não atrativo, explica Marlos Nogueira, vai depender das estratégias da empresa adquirente. Em aquisições dentro do mesmo setor, avalia-se com rigor a forma de organização dos pontos mercadológicos, operacionais e estratégicos, a sinergia resultante da aquisição e, sem dúvida, a rentabilidade do negócio. “O investimento sempre vai ter um viés mais financeiro. Tem que ser uma boa aquisição do ponto de vista de preço e uma boa perspectiva de valorização do ativo do ponto de vista de negócio, do operador da administração da companhia adquirida também”, frisa. Não significa, no entanto, que empresas com algum grau de endividamento não possam ser alvos de negociação, desde que não esteja inviabilizando o negócio. As negociações, via de regra, são feitas sob acordos de confidencialidade, já que vazamentos de informação podem ser prejudiciais por conturbarem o andamento da operação. Após a conclusão do negócio, na maioria das vezes, o anúncio é feito, principalmente porque quem compra quer gerar valor com transação. O mesmo nem sempre ocorre do outro lado, ainda mais com empresas familiares, que têm uma preocupação maior em manter discrição sobre o negócio. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 35


MECAT

Nome: Attilio Turchetti Idade: 81 anos Estado civil: Casado com Eliana Turchetti Formação: Diplomado no Instituto de Tecnologia Industrial Guglielmo Marconi em Forli Empresa: Mecat Desafio: Continuar inovando na criação de equipamentos para a indústria.

DA ITÁLIA AO BRASIL, de Goiás aos EUA Attilio Turchetti é o fundador da MECAT, indústria pioneira na produção de bens de capitais em Goiás. Ele supera barreiras com prêmios, negociações internacionais e filial nos EUA POR CARLA OLIVEIRA

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Quando o jovem Attilio Turchetti desembarcou no Brasil, em 1977, vindo da milenar Ravenna, na Itália, trazia na bagagem conhecimento, imaginação e curiosidades. Amante da música de Tom Jobim e da natureza brasileira, nem de longe imaginava que neste solo fincaria raízes, casaria e teria um filho, e começaria a escrever um novo e duradouro capítulo de sua história. A experiência adquirida na oficina mecânica do pai em Ravenna seria o ponto de partida para uma tra-

jetória marcada pelo sucesso. Seria ele um dos pioneiros da instalação da indústria de bens de capitais em território goiano, quando a atividade industrial ainda era incipiente nesta região do País. Inovar sempre foi seu objetivo, que ele alimenta ainda hoje, com todas as suas energias. A primeira visita ao Brasil ocorreu a convite de um empresário piracicabano, que conheceu o trabalho do jovem italiano, formado pelo Instituto de Tecnologia Industrial Guglielmo Marconi, em Forli.


1977 Attílio Turchetti vem pela primeira vez ao Brasil, a convite de empresários de Piracicaba.

1995

2003

Funda a Mecat Service, em Bebedouro (SP).

Funda o Laboratório de Física “Fabio Turchetti”, em Bebedouro (SP).

2007 Recebe o Prêmio Finep de Inventor Inovador.

2008

1983 Funda a Construções Mecânicas Turchetti (CMT), na Cidade Jardim.

1985

2004

Instala a Mecat em um terreno às margens da BR-060, em Abadia de Goiás.

Recebe o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica, etapa nacional.

Em 1983, nascia a Construções Mecânicas Turchetti (CMT), num galpão alugado no Setor Cidade Jardim. Lá ele daria os primeiros passos de sua trajetória na indústria goiana, abrindo as portas da inovação no Estado. Nessa época, já haviam se estabelecido em Goiás indústrias de laticínios e minérios. Logo a indústria alimentícia se agigantaria com o surgimento da Arisco. A CMT vinha para criar equipamentos que pudessem apoiar o desenvolvimento das indústrias de bens de consumo. A primeira máquina concebida pela CMT, que também prestava serviços para indústrias, ajudaria a otimizar o uso da madeira utilizada nas caldeiras na iminente agroindústria goiana, melhorando sua performance e reduzindo custos. Em um ano e meio, a empresa que começou com sete funcionários comercializou 90 máquinas. Apenas dois anos depois, o empreendedor italiano, que viu em Goiás solo fértil para seu trabalho, iria adquirir terreno na BR-060, entre Goiânia e Abadia de Goiás, onde seria erguida a sede da Mecânica Attilio Turchetti (MECAT) Filtrações Industriais. O local foi estrategicamente es-

1998 Instala a MECAT USA em Orlando, na Flórida (EUA).

colhido para garantir menores custos operacionais, mas em uma localização privilegiada e de fácil acesso, distante poucos minutos de Goiânia. Desde então, várias foram as contribuições da MECAT para a melhoria dos processos industriais, sobretudo nos setores de cítricos e cana-de-açúcar. Equipamentos que ganharam o Brasil e o mundo, chegando aos maiores mercados do segmento no planeta. Hoje, o Grupo MECAT conta com três unidades: em Abadia de Goiás, Bebedouro (SP) e na Flórida, nos Estados Unidos. Os equipamentos produzidos na unidade goiana conquistaram mercados dentro e fora do Brasil. A MECAT comercializou máquinas para grandes empresas de processadoras de suco de laranja, açúcar e etanol.

Recebe o título de Cidadão Goiano – ADI Honoris. Se torna membro da mesa diretora do SPRI (Sugar Processing Research Institute) com sede em New Orleans, Louisiana (EUA).

Um grande mérito foi ter, graças ao seu produto, conseguido quebrar o monopólio de duas empresas multinacionais que atuam neste setor, a norte-americana Food Machinery Company e a alemã Westfalia Separators. “A MECAT os tirou do Brasil e da América Central”, afirma. Os equipamentos da MECAT chegaram aos Estados Unidos, Tailândia, Espanha, Argentina, entre outros. A empresa é especializada em inovações tecnológicas no processo de separação de microsólidos insolúveis em um líquido, a Turbo Filtração. Esse processo é realizado por meio do Turbo Filtro, que pode ser utilizado com sucesso em quase todas as indústrias alimentícias, como as de suco de laranja, açúcar e etanol, e outros. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 37


MECAT Duas fotos importantes:: Abaixo, Attilio com o pai, ainda na Itália, e a unidade atual na Flórida, nos EuA

Inovação contínua garante protagonismo A transformação da indústria goiana contou com o protagonismo da MECAT, que há 30 anos pesquisa novos equipamentos, sempre tendo a inovação como fundamento. Da ideia à chegada do produto ao mercado, passam-se, em média, de três a cinco anos entre projeto e fabricação. Attilio Turchetti é detentor de dez patentes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) no Brasil e cinco patentes na US Patent & Trademark Office nos Estados Unidos. “Se uma indústria de bens de capitais não gera uma patente a cada dois anos, é destinada ao insucesso.” Para 2016, a empresa se prepara para lançar um equipamento que permitirá o reuso das águas nas indústrias. O conjunto de máquinas denominado Tratamento das Águas de Lavagem dos Gases das Caldeiras para Reuso, por meio de um sistema a circuito fechado completamente automatizado, além de ser uma solução ambiental, reduzirá o impacto da atividade industrial no ambiente e permitirá uma economia de 30% do custo total do tratamento da água pelas indústrias. Desde 1983, quando iniciou suas atividades em Goiás, a MECAT investe em pesquisas de campo e la38 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

Desenvolvi aqui uma tecnologia que na Itália teria sido impossível de desenvolver. Attilio Turchetti boratoriais (Sistema de Configuração da Performance da Turbo Filtração), que culminam em monitoramento e equipamentos de tecnologia avançada (Laboratório de Física “Fabio Turchetti”) contribuindo, ao longo de décadas, para aprimorar a eficiência dos processos na agroindústria. A importância do trabalho da empresa foi reconhecida em 2004, quando Attilio Turchetti recebeu o Prêmio Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) de Inovação Tecnológica, na categoria Produto, com o Turbo Filtro. O prêmio foi entregue pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, quando foi sancionada a Lei de Inovação. Dr. Robert J. Braddock, professor da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, escreveu um artigo so-

bre a máquina no livro “Handbook of Citrus by – Products and Processing Technology” (Manual de Tecnologia de Processamento e Derivados de Cítricos), guia de referência da área, que possui todo um capítulo que fala da origem do Turbo Filtro e de suas especificações técnicas. O Brasil é considerado pelo engenheiro italiano como um fator decisivo para o seu sucesso. “Desenvolvi aqui uma tecnologia que na Itália teria sido impossível de desenvolver. Porque aqui temos condições que lá não existem. Aqui temos grandes quantidades e boa qualidade de produtos, o que não existe na Europa.” Esta quantidade possibilitou vários testes do Turbo Filtro, com diferentes tipos de produtos. “Eu tive condição de ter, em duas fábricas, ao mesmo tempo, em máquinas de testes, até 30 mil litros de suco de laranja por hora, coisa que teria sido impossível em outros países. Tive condição de fazer testes na cevada da cerveja, em efluente de destilaria de álcool de cereais, em fabricação de queijo em laticínios. Tive, enfim, condições de testar meu equipamento em vários tipos de produto para ver a sua adaptabilidade e funcionamento.”


CENTRO-NORTE A cada edição, esta coluna apresenta duas cidades do Centro-Oeste e Norte do País e seus potenciais para negócios

SAPEZAL, SONHO DOS MAGGIS Jovem cidade foi fundada em 1994 e já está na lista dos maiores produtores do País

O foco no crescimento baseado no agronegócio promoveu a interiorização da economia do Mato Grosso, líder nacional na produção de soja, milho e algodão. Com R$ 34 bilhões, o Estado só perde para São Paulo no valor da produção agrícola nacional, com R$ 37 bilhões. Sorriso, Lucas do Rio Verde, Campo Novo dos Parecis e Sapezal são algumas das 19 cidades do Mato Grosso que estão entre as 50 listadas pelo IBGE como as mais produtoras do País. Nesta edição, a Leitura Estratégica apresentará duas delas: Sapezal e Lucas do Rio Verde. Se o nome da cidade é Sapezal, o sobrenome poderia ser Maggi. É que o núcleo urbano foi ancorado em uma proposta de colonização do Grupo Amaggi. O primeiro prefeito da cidade, aliás, foi seu fundador e também fundador do grupo, André Antônio Maggi – falecido em 2001. A cidade foi criada em 1994. Sapezal é a terceira do País em produção agrícola, atrás de São Desidério (BA) e Sorriso (MT). A população é pequena, com 22 mil habitantes, mas o PIB passa de R$ 2 bilhões, com renda per capita de quase R$ 100 mil. Goiânia, por exemplo, tem PIB de R$ 30 bilhões e renda per capita cinco vezes menor, R$ 22 mil. Para o presidente do Sindicato 40 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

do Produtor Rural de Sapezal, José Fernandes, o agronegócio representa 90% da economia local. São cerca de 400 mil hectares cultivados. Hoje o desafio da cidade é a verticalização. “Temos um projeto de usina de etanol de milho e outros na pecuária.” Outro atrativo é a produção de energia. Sapezal tem três Pequenas Centrais Hidrelétricas instaladas, cinco em fase de finalização e outras seis em construção. Em breve, Sapezal será um dos maiores produtores e fornecedores de energia do Mato Grosso. A cidade conta com mais de mil empresas instaladas, entre indústrias, comércio e prestação de serviços.

Sapezal População: 22.665 habitantes (Estimativa IBGE 2012) PIB: R$ 1.940.240, 000 (IBGE 2012) Área: 13.624,372 km Fundação: 19 de setembro de 1994 Vocação econômica: Agronegócio Principais empresas: Divisão Agro e Maggi Energia (Grupo André Maggi)


A história de Lucas do Rio Verde tem algumas coincidências com relação a Sapezal. São cidades jovens – Lucas é de 1982 e Sapezal, de 1994; rios dão nome às cidades; e foram originárias de projetos de colonização. Sapezal pela iniciativa privada e Lucas, agrovila formada por produtores sem-terra de Ronda Alta (RS), posseiros locais e colonos do interior de São Paulo. Um pouco antes, meados da década de 60, os militares, ao implantarem uma política de integração nacional, abriram a BR-163, ligando Cuiabá a Santarém (PA) – o que deu início a um movimento de migração para a região da cidade – que fica a 350 quilômetros da capital matogrossense. O distrito, fundado há 33 anos, foi emancipado em 1988 - já com 5 mil habitantes. A improvável mistura de colonos, posseiros e sem-terra deu certo – apesar das dificuldades do início de Lucas do Rio Verde – que homenageia um seringalista pioneiro, Francisco Lucas, e ao principal rio local. Com o tempo, a agricultura extensiva ganhou espaço, com a produção de grãos, estando entre os cinco maiores municípios produtores agrícolas do País por anos. A cidade ainda ficou conhecida por estar entre os melhores Índice de Desenvolvimento Humano do País, conforme relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Quando o assunto é ranking, Lucas não decepciona. Em novembro, a lista da Exame, com as melhores

LUCAS, A MISTURA QUE DEU CERTO Colonos, sem-terra e posseiros formaram Lucas do Rio Verde, que hoje é reconhecida pela força do agronegócio

cidades para fazer negócio no Brasil, traz a cidade mato-grossense em quinto lugar. A pesquisa da consultoria Urban System identificou que Lucas do Rio Verde combina bons indicadores econômicos com elevadas taxas de qualidade de vida. Com quase 60 mil habitantes, Lucas tem um PIB per capita próximo a R$ 50 mil, o dobro da média nacional, e um PIB de R$ 2,5 bilhões. O destaque de Lucas é que, mesmo a 350 quilômetros de Cuiabá, a cidade prosperou. Normalmente, as cidades conhecidas como “pequenas notáveis” são próximas das capitais. Mas a distância não foi uma pedra no caminho da expansão de Lucas do Rio Verde.

Lucas do Rio Verde População: 57.285 habitantes (Estimativa IBGE 2012) PIB: R$ 2.483.215, 000 (IBGE 2012) Área: 3.645 km Fundação: 5 de agosto de 1982 Vocação econômica: Agricultura Principais empresas: Sadia: unidade agroindustrial que compreende um abatedouro de aves e de suínos e uma fábrica de produtos industrializados. Amaggi: empresa de esmagamento de soja.

Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 41


SUA NOVA FORMA DE GERIR INFORMAÇÕES NO CAMPO

Uso integrado de seus módulos, que proporcionam a disponibilidade de uma única informação fornecida pelo usuário a todos os módulos envolvidos. Possibilita ao produtor um completo controle de custos viabilizando uma perfeita análise econômica, gerencial e estratégica do seu negócio. É possível controlar diversos cenários, desde o mais simples (uma única atividade em uma única propriedade) ao mais complexo (diversas atividades distribuidas em diversas propriedades e localidades). Com operação simples, aliado a tecnologia (smartphones), o usuário terá acesso as principais informações do seu negócio, além de poder realizar apontamentos diretamento do campo em seu disposito móvel.

Custo de produção medidos em hectare (ha), talhão, atividade e operação Controle de manutenção de máquinas / desempenho. Controle de empréstimos de produtos e máquinas. Controle de Contratos futuros e de investimentos. Custo hora / máquinas trabalhadas no campo. Controle de estoques por propriedade, empresa ou unidade produtiva.

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HORTAS URBANAS A Faeg e o Senar Goiás lançaram o Programa Agricultura Urbana, que incentiva a alimentação saudável por meio da plantação de hortas urbanas, em praças, por exemplo. A Praça Cora Coralina, ao lado da entidade, foi o primeiro local contemplado. FEIRA EM RIO VERDE A Tecnoshow Comigo, maior feira de tecnologia rural do Centro-Oeste, tem data confirmada para 2016. O evento vai ocorrer de 11 a 15 de abril, em Rio Verde (GO). CARNE MADE IN BRAZIL A exportação de carnes do Brasil está em alta. Recentemente, China, México, Arábia Saudita e Bolívia abriram frentes de negociação que favorecem o produto brasileiro. VAI Durante missão brasileira à China, foram autorizadas exportações de sete novas plantas frigoríficas: três de carne bovina, duas de suína e duas de frango. VOLTA A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, durante a mesma missão, anunciou que vai habilitar 18 estabelecimentos chineses de pescados e dois de tripas para exportar ao Brasil. CARNE PARA TODOS Kátia Abreu quer colocar fim a todos embargos à carne brasileira. “A Arábia Saudita era um dos últimos países que nos faltava. O último será o Japão.” MELANCIA GOIANA A Emater de Uruana (GO) quer obter um Selo de Indicação Geográfica

SAFRA MAIOR E MAIS RENTÁVEL A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra de grãos 2015/2016 ficará entre 208,6 a 212,9 milhões de toneladas no Brasil. A quantidade é 2,1% maior que a safra 2014/15. A soja pode chegar a 102,8 milhões de toneladas - acréscimo de 4,9 a 6,6 milhões de toneladas em comparação à safra anterior. A expectativa também é de maior competitividade. Mesmo com maior oferta, os preços deverão se manter vantajosos aos produtores. Com a alta do dólar, ficam mais caros os grãos produzidos nos EUA - forte concorrente brasileiro. Ponto para os brasileiros, que ficam com margem mais competitiva em diferentes mercados.

(IG) para a melancia de Uruana. Com a certificação, o produto pode se tornar mais competitivo e conquistar novos mercados. O processo será apresentado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). ARROZ E MILHO Cientistas encontraram gene que pode melhorar rendimento das duas culturas. O descobrimento de um gene que transporta açúcares às sementes de cereais pode ajudar na criação

de variações de alto rendimento de alimentos como arroz e milho. Estudo saiu na revista britânica “Nature”. LEITE SUSTENTÁVEL A Laticínios Bela Vista (Piracanjuba) inaugurou uma das maiores Estações de Tratamento de Efluentes, com reatores anaeróbicos de baixa taxa em indústrias de laticínios, no mundo. É a primeira do País e os investimentos ultrapassam os R$ 11 milhões. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 43


TECNOLOGIA

UAU:

A HISTÓRIA DE UM VENCEDOR!

Marcelo Xavier relembra da infância humilde, carregando sacolas na feira, à abertura de empresa de tecnologia que busca expansão para EUA e China POR LUISA DIAS

A história de Marcelo Xavier de Oliveira começa em Palmelo, interior do Estado, onde nasceu, e passa por Aparecida de Goiânia, onde chegou aos 6 anos. Estudou em escolas públicas, trabalhou em feiras carregando sacolas e engraxou sapatos, além de lavar banheiro e garagens para ampliar a renda familiar. Hoje, aos 42 anos, preside a bem-sucedida Globaltec, empresa de tecnologia que fundou e que agora está abrindo filiais nos Estados Unidos e China. A ideia do pai, seu Alcindor, com a mudança, foi dar oportunidade aos onze filhos, oito vivos até hoje, longe da roça onde se criou, casou e vivia com a esposa. “Quando os mais velhos chegaram ao ginásio, olhou para aquela renca de filhos e disse: ‘só tem um jeito de mudar essa história’. 44 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

Juntou a filharada e veio para Goiânia”, conta emocionado Marcelo. Seu Alcindor era um visionário. Analfabeto, o agricultor não tinha dúvidas que os filhos teriam mais oportunidades com acesso a boas escolas. Sem qualquer família na cidade, vendeu as poucas terras e comprou meio lote em Aparecida. Trabalhava dois turnos, como servente e, à noite, como vigia. A mãe, dona Genoveva, passou a lavar e passar roupa para outras famílias. No suor dos pais brotou a coragem dos filhos, todos com profissão definida nos dias atuais. Marcelo se destaca na história dos Xavier de Oliveira. Franzino, o quase caçula dos filhos, na chegada à Grande Goiânia, foi estudar na Escola Estadual Gervásio Santana, onde ficou até a 4ª série. Depois estudou em duas escolas públicas da região.

Na mesma época, começou a trabalhar em feiras, levado pelo irmão mais velho, Lorivaldo. Lá carregava sacolas e engraxava sapatos. Chegou a trabalhar na casa de uma cliente, lavando banheiros e garagem. À noite, ia para a escola e estudava, em casa, na madrugada, para tirar boas notas. Entre uma sacola e outra, Marcelo chamou a atenção de uma cliente, que o convidou para trabalhar no Pró-Jovem. De chinelos e bermuda, aos 12 anos, participou da primeira entrevista de trabalho e conseguiu a vaga, na extinta Organização de Saúde do Estado de Goiás (Osego). Lá trabalhou com o médico Rui Gilberto, como office boy. Largou a feira, mas não os estudos. Em 1987, quando tinha 14 anos, aconteceu em Goiânia o trágico acidente radioativo com o Césio 137. O jovem acabou indo trabalhar na


Nome: Marcelo Xavier Idade: 42 anos Estado civil: Casado com Sirlei, pai de Aline e Larissa Formação: Processamento de Dados pela Objetivo, pós pela UFRJ e Esade (Espanha) Empresa: Globaltec Desafio: Expandir as fronteiras do software UAU

central de operações e, na sequência, na Fundação Leide das Neves, que cuidou dos sobreviventes e das pesquisas sobre o impacto da radiação. Foi lá que conheceu a médica Maria Paula Curado, que começava naquela época uma pesquisa sobre a incidência do câncer em radioacidentados. Já como funcionário público do Estado, Marcelo desenvolveu um programa para cruzar os dados da pesquisa e, apesar de se imaginar médico no futuro com tantos bons exemplos por perto, revelava ali a vocação de toda a sua vida. O empenho no trabalho e a vontade de ser médico encantaram Maria Paula, que conseguiu bolsa parcial e patrocinou o restante do segundo grau de Marcelo, no Colégio Objetivo, na época algo excepcional para um menino de realidade humilde e que nunca tinha estudado fora de

instituições públicas. “Para ganhar a bolsa, eu fiz um acordo de que estudaria lá, mas não poderia tirar uma nota menor que 9 e assim foi”. No contraturno, trabalhava na Fundação e desenvolveu seu primeiro software. Lá, foi desafiado por um analista a aprender mais após um acidente, em que deletou todos dados da pesquisa. “Às vezes, o caos nos leva ao sucesso. Estava testando comandos e tinha um que era formatar. Formatar quer dizer reiniciar tudo no computador e fui lá e mandei ver. Formatei o servidor e perdeu tudo”. O menino futricador, que estudava com bolsa em escola particular e comia de marmita, começou a fazer freelances na área e redesenhar seu projeto profissional. Nem Medicina nem servidor público. Uma oportunidade empurrou Marcelo para sua verdadeira paixão. A porta foi da

FGR Urbanismo, onde começou a trabalhar no CPD. Naquele momento, a voz do pai ressoou: “segue seu coração e faça o que for melhor para você”. É o que Marcelo faz até hoje, anos após a morte do seu Alcindor. “Fui trabalhar na FGR, em 1989, fazendo backup, disquetinho. Na época, ocorria processos de reengenharia, informática começando a abrir, computadores contrabandeados, o Collor querendo fazer a globalização, estava naquele fervor”, conta. Neste cenário, a FGR contratou uma consultoria para desenvolver um software que melhorasse os processos, mas não recebeu o produto. Marcelo estava no lugar certo. Junto com um dos diretores, Rodolfo Dafico, desenvolveu o software. Foi contratado em 1991 e entrou para o curso de Processamento de Dados na Objetivo, em 1992. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 45


O NOME DO SUCESSO O UAU foi o produto que se tornou a identidade do trabalho de Marcelo Xavier. “Eu fiz o software, o protótipo para a FGR, de 1992 a 1995. Ao longo desse período colei grau e eles me perguntaram: por que você não abre uma empresa, pega tudo o que você já fez aqui e sai para o mercado? E eu vou ser o seu case de sucesso”. O então funcionário concordou. O UAU sairia de casa para se tornar negócio. Mas nem todas as portas estavam abertas. O UAU, que ficou encubado de 1995 a 1997, passa a ser apresentado a construtoras goianas e foi um fracasso. “O mercado goiano não comprava o sistema porque achava que era do concorrente e, sendo do concorrente, eles achavam que iam ser espionados.” Seguindo a dica de um amigo, com o UAU debaixo do braço, Marcelo se mudou para São Paulo. Deixou em Goiânia a esposa, Sirlei, grávida da primeira filha. Depois, levou mãe e filha e padeceram juntos nos primeiros meses, dormindo até no chão, em um apartamento alugado, e batendo de porta em porta para apresentar o software. O primeiro negócio de volume foi fechado em São Paulo. Uma empresa comprou o software por R$ 90 mil com mensalidade de R$ 5 mil. Foi o suspiro de alívio. “Esse foi o primeiro grande negócio que me fez sentir um empresário. Nessa época eu era muito sozinho. Eu fazia tudo. Com a venda, montei equipe, um time para a empresa tomar corpo”. Em Goiás, empresas como Toctao e MB Engenharia se tornaram clientes e referências até hoje no trabalho da Globaltec. A empresa foi constituída e os sócios da FGR, ex-patrões de Marcelo, se tornaram acionistas. 46 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

Gratidão marca vida de Marcelo A história de Marcelo é entrecortada de gestos de solidariedade. A gratidão por estas pessoas leva o empresário a perseguir a ideia de ser para outros empreendedores, o que Rui Gilberto, Maria Paula, Rodolfo e tantas pessoas foram para ele. “Hoje tenho como missão, como realização pessoal, ser isso para alguém. Tem muita gente boa com falta de oportunidade. Essas pessoas que faço questão de citar foram anjos colocados em meu caminho e que me deram oportunidade. Sou muito grato”.

Ao chegar neste ponto da trajetória, ocupando um andar inteiro de um prédio na Cidade Empresarial, em Aparecida, plano de expansão internacional e sede em várias cidades brasileiras, Marcelo olha para trás com gratidão, mas também com orgulho. “Eu nunca parei para pensar ou planejar alguma coisa. A vontade de se realizar e não ver o desafio é muito maior. É para fazer? Vamos fazer. Esse foi o principal diferencial para fazer a coisa dar certo.”

p Marcelo e Sirlei, com os pais, em frente ao cartório, em 1996, quando se casaram

Foco no negócio e na gestão O software UAU, criado por Marcelo, é a alma e o corpo da Globaltec. Mas porque não diversificar? Marcelo seguiu o conselho de um dos seus mentores. “Quem muito quer nada tem”, diz ele, lembrando que a empresa se tornou referência no serviço. Os concorrentes diversificam, mas perdem a disputa com o UAU, que hoje tem mais de 700 clientes. “A Globaltec é uma empresa brasileira com potencial, vontade e oportunidade de internacionalização”. São mais de 180 funcionários dedicados a operar o UAU, em dezoito

Estados brasileiros, em Portugal e no Canadá. “Estamos em plano de expansão, de globalização. Saindo para a América, estudando um mercado maior, o chinês, mas ainda estudando”. A crise econômica e a instabilidade do dólar adiaram os passos seguintes, mas o empresário tem certeza de que a hora vai chegar. A gestão da empresa hoje está a cargo de um conselho consultivo, do qual Marcelo faz parte, mas o operacional foi modificado há cinco anos. “A empresa valorizou os pratas da casa”, enfatiza Marcelo.


CONVERSACOMCEOS A Leitura Estratégica inaugura um espaço dedicado aos CEOs da Região Centro-Oeste. Pela primeira vez, executivos de grandes corporações apresentarão suas ideias, angústias e avaliações de seu mercado, da economia regional, de gargalos e do relacionamento com acionistas e clientes. Este espaço, de formato inédito na região, terá também uma dinâmica própria, que é um bate-papo entre os CEOs convidados, inclusive com o material sendo apresentado sem título e olho. Na estreia, a conversa dos CEOs Gelson Ozório, do Grupo Tron, com Michel Medeiros, da Soluti.

PAPEL DO CEO Gelson: “CEO” é só um nome, poderia ser diretor de qualquer coisa. Nosso papel é de ser um facilitador, talvez seja a coisa mais importante que a gente tem para fazer. Eu tenho que ajudar minha equipe a resolver problemas. O que fazemos na realidade é dar a toda equipe as melhores condições. Nós temos de prover as diretrizes de onde é que eles têm de ir. O time tem de ter o CEO como um orientador, aquele que diz onde se deve chegar. Michel: No meu entendimento, o CEO tem de ser o número um da companhia. Acho que tudo tem de começar por ali, pelo diretor-executivo, pelo presidente executivo, o CEO. Porque as pessoas esperam do líder alguma atitude. Já vi empresas contratarem grandes diretores comerciais, diretores financeiros, mas quando o CEO não vai ao Conselho de Administração e busca um norte, ele não consegue passar o objetivo para ninguém. Então, na minha visão, o CEO é o vendedor número um dos produtos e da cultura, ele é o economista número um, ele é a tia do cafezinho número um, ele é quem traz o time junto ou dispersa todo mundo. E a partir da raça, da determinação, do foco, do comprometimento, começa a encantar o time de uma forma que todos olham para quem está ali e pensam: “Se esse cara está fazendo, eu consigo fazer também”. A cadeira de CEO é uma cadeira extremamente solitária onde todos querem te contar as coisas boas, mas a tua função é entender de coisas ruins. Então o papel do CEO é puxar o carro, cuidar bem das pessoas e gastar sola de sapato caminhando em todas as áreas. O EMPRESÁRIO GOIANO É TÍMIDO? Gelson: Não se trata de ser tímido, ele tem o seu jeito 48 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

Nome: Michel Medeiros Idade: 36 anos Empresa: Soluti Certificação Digital

de ser, quando precisa estar à frente em questões regionais ou nacionais ele se posiciona. Este processo de representatividade vem crescendo e temos grandes líderes empresariais hoje se destacando no cenário nacional. Com a profissionalização que vêm implantando em suas empresas têm ocupado suas agendas com participação em movimentos que norteiam o desenvolvimento do País, assim como têm se empenhado em fazer o que melhor sabem que é empreender. Michel: Eu tenho só três anos convivendo com o empresário goiano, mas uma das coisas que eu pude perceber nesses três anos, é que ele é um dos maiores negociadores que existe no Brasil. Ele é o cara que tem a visão, que tem a percepção do negócio, tem visão alongada. Posso comparar, trabalhei em praticamente todos os Estados, tirando aqueles mais do Norte, no resto já morei e trabalhei. E esse movimento que percebemos na Tron, na Soluti, em várias outras companhias, de contratar executivos, eu penso que é um movimento que o empresário está


entender o que está acontecendo e formar os indicadores dele, acho que isso evoluiu substancialmente. Michel: Eu concordo com o Gelson e acrescento também que o “empreendedorzão”, aquele cara que pegou uma empresa goiana do nada e chegou a uma empresa grande ou uma média empresa, ele hoje vê muito no CEO essa fonte de informação. Então esses indicadores para tomar decisão é um papel muito do executivo. O empreendedor chega de uma feira com um determinado produto, quem vai desenrolar aquilo, quem vai desdobrar em meta, em distribuição, em logística, somos nós. Uma outra prática empresarial que vem crescendo aqui no Estado é a criação de conselhos de administração, e esses caras estão ali como ponto de apoio ao empreendedor e ao executivo que está tocando o jogo. Então esse ponto cego de informação já sumiu, agora acho que a gente tem muita informação, precisa dar o segundo passo: compilar essas informações para ver aonde a gente consegue chegar com elas.

Nome: Gelson Ozório Idade: 52 anos Empresa: Tron Informática

fazendo para poder ficar mais liberado para poder vender mais, que é o que ele gosta de fazer. O papel do CEO para o empreendedor é dar o apoio, ser complementar nas competências onde o empresário não tem. Então, nosso papel hoje é ser muito mais uma fonte de apoio para o empresário e tocar o dia a dia da empresa para que ele seja um bom negociador. Não consigo perceber um empreendedor tímido, o que eu percebo é um empreendedor focado em vender o que ele construiu, mas talvez não tenha toda aquela retaguarda para levar o resto das áreas juntas. BANCO DE DADOS Gelson: A busca dos empresários e dos executivos é cada dia maior para ter estatística, para ter números na mão. Todo mundo se propõe hoje a ter esses indicadores, informação dos KPIs (Key Performance Indicator) para poder ajudar nas decisões. Não existe uma roda de executivos que você vá que eles não falem de indicadores. Essa é a busca que eu falei, de ir a um evento porque ele quer

DESENVOLVER LÍDERES NA EMPRESA Gelson: Eu acho que a formação de líderes tem melhorado. No meu caso, que trabalho com tecnologia, a gente tem muito jovem. É uma constante você ter jovens entrando e saindo nas empresas. É natural da idade e do perfil de cada um desses jovens profissionais. Mas a formação de líder não está muito difícil de fazer, eles chegam com o conhecimento, normalmente com formação superior. Eu acho que a formação de líder está mais do perfil de maturidade, decisório, que temos de apoiar mais. Ele tem condição, conhecimento, mas não tem a maturidade, está ainda muito jovem para tomar grandes decisões. Tenho de ter o equilíbrio para aos poucos colocá-los frente a essas decisões, sempre apoiando e orientando, além de proporcionar-lhe treinamentos específicos e participação de reuniões decisórias. Michel: Bem, na nossa empresa, buscamos o resultado o tempo inteiro e resultado é uma coisa que move a gente. Nós temos um tipo particular de formação de líderes e tem dado certo. Começa pela cultura. Quando a pessoa entra, contamos da cultura para ela, são quatro coisas bem simples: não tratar mal o cliente, não mentir, não subir a qualquer custo e ter capacidade de se indignar. E quando a pessoa entra na empresa, damos grandes metas, uma montanha grande. Quando pessoas que estão Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 49


CONVERSACOMCEOS buscando empregos só pelo salário dão de cara com uma montanha grande, ela não fica, mas ao mesmo tempo quem fica é gente espetacular. E, para montanha grande, eu não posso ter alpinista ruim, tem de ter gente muito boa. Não temos a cultura do tempo de experiência: ele já entra com meta, porque aí eu vou ver até onde ele pode ir o chamado “osso maior do que pode roer”, e naqueles pontos que foram fora da curva, o RH vai ajudar ele a trabalhar. Em nossa empresa todo mundo tem cinco metas e também formar pelo menos dois backups que podem ficar no seu lugar a qualquer momento. Assim vamos para frente o tempo inteiro.

visto que o saldo da balança é bem positivo.

A CRISE Gelson: Eu imaginava que a área de serviços talvez fosse uma das últimas a sentir o impacto. O varejo, aquele que está lá na ponta, todo mês precisa fazer a formação de receita, desde o primeiro dia do mês. Esse é o segmento que sente primeiro o impacto. Eu tenho conversado com alguns amigos que são da área de varejo e eles falam em queda de 20% a 30%. Grandes grupos que são alavancados estão extremamente temerosos hoje com a sua situação. A gente não deixou de sentir isso e está sentindo. O que tenho tenDESENVOLVER PRODUTOS tado levar ao meu time e para diretoria EM GOIÁS é que quando você está em uma situaGelson: Goiás hoje tem destaque ção boa, onde está tudo bem, o custo de em todas áreas. Óbvio que por sermos oportunidade é mais caro. Hoje precida área de tecnologia temos mais foco samos estar atentos, existem oportunineste contexto, mas temos empresas dades e o custo é mais barato. Mas não Michel Medeiros goianas em expansão por todo o Brasil. será um cenário fácil. A crise é real, não Vejo isso acontecendo a cada dia que tem como dizer que isso não está aconpassa, em áreas como varejo, distribuitecendo, precisamos nos adaptar, fazer ção, atacado. Onde há representatividaa tarefa de casa. de, onde o PIB é importante, hoje temos Michel: No dia-a-dia, a gente vê destaque. Somos o País do agronegócio mais um total desalinhamento, e come nessa área somos líder. Aonde eu vou, prometimento político e uma baita crilevo o nome do Estado e todo mundo se econômica, aquela crise que afeta direcebe de um jeito diferenciado, com retamente ao empresário, quem pensa Gelson Ozório muito mais respeito do que recebia há em crescer o País. Ela demanda atitude. 20 anos quando eu vim para cá. Houve Quando tem um problema em uma fauma mudança significativa. mília todo mundo olha para o pai; quem Michel: Vejo que o grande diferencial do empreende- tem de tomar a atitude de levantar e resolver é o pai. Em dor goiano é uma capacidade de enxergar produtos onde uma empresa não é diferente. Em uma empresa está ninguém consegue enxergar. Seja na área de tecnologia, todo mundo falando da crise, das dificuldades, do desemde varejo, de inovação, agronegócio e outras. Hoje você vê prego, da inflação, e ao mesmo tempo todo mundo olhanprodutos goianos de geoprocessamento, da área contábil, do para movimentação da liderança, e o que ela pensa e RPs, produtos de internet, produtos em clouding, o legal faz sobre a crise. Se a liderança também senta e lamenta, é que quando você chega para o cliente de outros estados você vai ampliar a crise dentro do perímetro da empresa e diz “a Soluti é goiana”, ele diz que já usa um produto de e indiretamente no lar dos seus colaboradores, mas se a Goiânia. Isso vem muito impulsionado também porque liderança vai para cima, toma atitudes e combate a crise, as empresas de Goiânia conseguem se colocar em lacu- ela está formando gente igual. A crise vai, na verdade, conas onde o mercado em geral não está, o próprio governo meçar a dizer quem é bom e quem é ruim. As empresas tem foco na inovação, tem linhas de incentivo à inovação, que passarem bem 2015 e 2016 vão chegar muito compeentão isso facilita muito para que o goiano sinta vontade titivas em 2017, muito eficazes e com um jeito diferente de criar. Tem muita coisa que dá errado, mas a gente tem de fazer as coisas. Ou seja, vão nadar de braçada.

"O goiano é um dos maiores negociadores do País"

"Precisamos estar atentos, existem oportunidades"

50 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016


52 . Leitura EstratĂŠgica | Janeiro de 2016


OLHAT TOGÉTIO BOTGES | olhar@leituraestrategica.com.br

Olhe ao redor O texto que inaugura este espaço é, de alguma forma, a ilustração do que a coluna que começa hoje se propõe a fazer. Na verdade, trata-se de um convite. Vamos olhar? Mais que olhar, vamos enxergar e saber o que estamos vendo. Não devemos nos contentar em ter os olhos vendados, não os queremos embaçados, não devemos cultivar a miopia deliberada. Vamos olhar para melhor estar neste mundo em que tantos fazem questão de boicotar o sentido da visão, para se eximirem de qualquer ação porque preferem a escuridão. Acredito que um bom começo é olhar ao redor. Mas olhar sem ressentimentos ou convicções imutáveis e enrijecidas. Não acostume seu modo de ver só àquilo em que acredita. Desafie-se a olhar o que não está em sua zona de conforto, a enxergar o que muitos preferem não mirar, a apreciar o que não escolheu. A diversidade vem justamente em ampliar a visão para outras paisagens, a dimensionar seu foco para outras direções. Olhe para aqueles que não têm a sua orientação sexual sem se preocupar em julgar e sim em conhecer melhor as escolhas e a vida daquelas pessoas, sem preconceitos, sem machismos, sem lentes préfabricadas. Olhe, antes de buzinar, para quem está dirigindo devagarinho na sua frente, atravancando o trânsito. Talvez o carro esteja

levando um idoso que merece cuidados, crianças que precisam ser protegidas ou um motorista que tem tantos problemas que o menor deles é você, louco da vida atrás dele. Olhe para a política não como um estorvo, mas sim como a oportunidade de mudar e melhorar os males que picaretas costumam fazer neste campo. Olhe para os mais pobres sem piedade ou medo, mas como pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades que você teve, mas que talvez tenham talentos inimagináveis que ainda não conseguiram se concretizar. Olhe para sua cidade com o senso de responsabilidade de que há cuidados que também estão em sua alçada. Olhar é uma dádiva. Enxergar é um dom. Unir os dois atos é nobre, fundamental, civilizatório. O maior problema dos tempos atuais é que há muita gente – mas muita gente mesmo – que só consegue dirigir seu olhar para o próprio umbigo, para suas certezas absolutas, para a vaidade de se sentirem certos acima de qualquer outra opinião. Olhamos para nós mesmos nas selfies, nas redes sociais, na vida cotidiana. E não olhamos para o outro, para quem está ali do lado, aguardando uma brecha nesse narcisismo desmesurado. Lance seu olhar para outras janelas, valorize o privilégio de poder fazer isso! Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 53


HISTÓRIA

p João Lino foi um dos quatro fundadores do Supermercado Passe Bem, em 1969. Rede deixou de operar no início dos anos 90

PASSE BEM:

no coração de Goiânia

Supermercado Passe Bem fez parte do momento de modernização e fortalecimento do varejo no Estado de Goiás POR LUISA DIAS

54 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

Com mais de 20 anos de história, a rede Supermercado Passe Bem faz parte da memória de quem nasceu e viveu em Goiânia antes dos anos 1990. Foram 15 unidades da empresa, que chegou a ter 600 funcionários, filiais em Anápolis, Brasília e Ituiutaba (MG) e era uma das principais empresas de varejo do Estado. Aberto em 1969, na Avenida Anhanguera com a Avenida Benjamim Constant, em Campinas, o supermercado tinha mais de 1.000 metros quadrados, estacionamento próprio e durou até

1991. O Passe Bem chegou a ter 120 funcionários no local, que sempre foi a principal loja da rede, em faturamento, e onde funcionou a sede administrativa em boa parte do tempo. A rede varejista pertencia a Gercino, Geraldo e Afonso Alves de Souza e João Lino de Araújo Filho. Os quatro tinham laço de parentesco e origem na cidade de Hidrolândia, próxima à Goiânia. Profissionalmente, já atuavam na área de alimentos. Eram proprietários, desde 1953, da atacadista Irmãos Souza, em Campinas.


p Modelo do autoatendimento começou com Servilar e ganhou força com Passe Bem, Marcos e Alô Brasil

O varejo se tornou oportunidade de mos uma filial em São Paulo. Comprá“Tínhamos uma filial em negócio em 1969. O crescimento de Goivamos lá mais barato e trazíamos para São Paulo. Comprávamos lá ânia e da região do bairro de Campinas Goiânia, pois nem toda indústria tinha mostravam que este era o caminho, conrepresentante aqui. Nosso estoque fimais barato e trazíamos ta seu João Lino, único sócio ainda vivo cava lá e depois a frota própria trazia”, para Goiânia, pois nem da rede Passe Bem. Como já faziam freconta seu João. toda indústria tinha te e traziam produtos de outros polos, Já na década de 1980, a mudança viram no supermercado a possibilidade na cobrança do ICMS tornou necessárepresentante aqui. Nosso de diversificação do negócio. rio desativar o depósito em São Paulo estoque ficava lá e depois a A abertura da primeira loja foi antee voltar a fazer as compras a partir de cedida de concurso popular, que escoGoiás. A empresa teve como concorfrota própria trazia” lheu o nome Passe Bem. A marca vermerentes a rede Alô Brasil, o supermerlha e azul mostrava um cumprimento de cado Servilar e, por último, o CarreJoão Lino, empresário mão, no formato de um coração. A ideia four, no fim dos anos 80, quando a rede era um negócio de família para família. internacional veio para Goiânia. No Em uma época em que a capital goiana ainda não tinha auge, a empresa teve consultoria internacional e chegou a shopping, o supermercado era um ponto de encontro das mandar os sócios para o exterior, em lançamento de produfamílias. Símbolo de uma época do comércio goianiense, o tos. O ritmo de crescimento continuou até 1989, quando a Supermercado Passe Bem já abria de segunda-feira a do- sociedade se desfez, e dois filhos do sócio Geraldo ficaram mingo. Nos caixas, as antigas máquinas registradoras. E, com o negócio, que acabou não durando mais que dois anos. nas prateleiras, os funcionários usavam os remarcadores, Como chega ao fim a história de sucesso do Passe Bem? que mudavam os preços a cada novo aumento da inflação, João Lino é discreto. Ele diz que o patrimônio que tem hoje tão constante naquele tempo. Os pagamentos eram à vista foi construído a partir do trabalho com varejo. “Praticamene o dinheiro contado à luz do dia não era um risco, em uma te nasci e vivi nesta área. Vim deixar supermercado no ano cidade ainda pacata e sem a violência atual. de 1989. Tenho recordações do trabalho e grandes relações O sucesso do negócio, que também recebia clientes de feitas a partir daquele negócio. Mas trabalhar em família fora, levou os sócios a abrirem novas unidades de dois em é complicado. Cada um queria uma coisa”, conta, mas sem dois anos, e depois a comprar um depósito em São Paulo nostalgia. Hoje é proprietário de uma construtora e de uma para facilitar a atualização dos estoques das lojas. “Tínha- casa de eventos, a JL, próximo da Avenida T-63. Leitura Estratégica | Janeiro de 2016 . 55


CRÉDITO

p Márcio Lopes, OCB Brasil, José Eliton, vice-governador de Goiás, e Clidenor Gomes Filho, da Sicoob UniCentro Brasileira: Comenda do Mérito Anhanguera

R$ 1 BILHÃO Sicoob UniCentro Brasileira atinge meta histórica POR MARINA ROMAGNOLI

Nas últimas três décadas, Goiás assistiu o encolhimento do sistema financeiro local, com liquidação, venda e privatização de vários bancos com bandeira goiana, como BEG, Caixego, Agrobanco, BBC, entre outros. Mas se perdeu força pelo sistema bancário tradicional, o setor assiste a expansão de uma forte rede cooperativa de crédito que hoje se destaca e atinge metas relevantes. Uma delas foi comemorada em outubro, quando a Sicoob UniCentro Brasileira, instituição que até pouco tempo usava a marca Unicred, comemorou a marca histórica de R$ 1 bilhão em ativos, o que a colocou como maior instituição financeira de Goiás, segunda maior do Centro-Oeste. Durante a solenidade, o vice-governador do Estado, José Eliton, entregou a Comenda da Ordem do Mérito Anhanguera ao presidente 56 . Leitura Estratégica | Janeiro de 2016

da Sicoob Unicentro, Clidenor Gomes Filho, e ao presidente da OCB Brasil, Márcio Lopes de Freitas. “É o reconhecimento a trajetórias de vida que orgulham a todos. Fazem justiça àqueles que ajudam a formar um Estado sólido, que tem uma economia diversificada e que cresce acima da média nacional”, disse José Eliton. Clidenor relembrou que a mesma instituição alcançou a colocação de maior cooperativa do sistema Unicred e uma das maiores do Brasil. Ele destacou a filiação ao Sicoob, o que possibilitou um melhor atendimento às demandas dos associados, com a quinta maior rede de atendimento bancário do País. “O mais notável dos nossos números é o de 13 mil associados que compartilham conosco as conquistas cotidianas e são o nosso principal ativo”, ressaltou. O presidente da OCB Brasil, Márcio Lopes de Freitas, dimensionou a meta alcançada: “Para se ter ideia, o

Sistema Sicoob tem 490 cooperativas, que juntas tem R$ 50 bilhões. A UniCentro Brasileira sozinha tem R$ 1 bilhão dos R$ 50 bilhões. Isso é algo admirável.” O presidente da OCB Goiás, Joaquim Guilherme de Souza, comentou que, em relação à crise que o País enfrenta atualmente, os efeitos para o cooperativismo são diferentes: “É na crise que o cooperativismo desenvolve. Porque nesses momentos de crise temos de estar com aqueles em quem a gente acredita e nas cooperativas a gente soma”. No evento, foi lançado o livro Memórias de Nossa Gente II, escrito por Hélio Moreira, presidente do conselho de administração do Sicoob UniCentro Brasileira. O escritor observou que a obra responde ao interesse da instituição em produzir algo duradouro para a literatura goiana e que o livro é uma porta de entrada para conhecer a cultura local.


INSIDER.11 JANEIRO 2016 - EDIÇÃO 01

NOVA YORK TEM SEGREDOS Executivos e empresários contam alguns segredos para aproveitar uma viagem à capital do mundo 60

67 EstratégicaMais: sua companheira de viagem

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Como declarar patrimônio no exterior


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TECNOLOGIA O QUE ELES ESTÃO

Dezenas de aplicativos na tela do smartphone. Qual usar, qual deletar? As ferramentas podem ser aliadas para manter contato com a empresa durante viagens, gerenciar melhor o tempo e até transmitir conteúdos via internet em tempo real. Veja como alguns executivos têm usado os aplicativos: Periscope é o aplicativo utilizado pelo CEO da Senior Advanced, Rubens Fileti. Trata-se de um App lançado pelo Twitter que permite transmitir vídeos ao vivo. Está disponível para iOS e Android. “Nós usamos desde agosto como uma forma de reforçar nossa marca. Fazemos alguns eventos corporativos, como palestras, e com isso atraímos clientes”, afirma Rubens. Já o CTO da Easy Crédito, Égio Arruda Júnior, considera que sua vida está “pendurada” em aplicativos. Um dos utilizados por ele é o Telegram, um aplicativo de mensagens concorrente (e semelhante) do WhatsApp, mas que oferece alguns diferenciais como ter plataforma aberta a qualquer pessoa e é de fácil uso. “Aquele tempo que antes era morto, como em filas de bancos, espera em consultórios agora é útil, já que posso conversar com os colaboradores da empresa, responder e-mails ou consultar minha conta bancária.” O gerente financeiro da Euroamérica, Daniel Turrión, aposta no aplicativo Intelbras para acompanhar sua empresa enquanto está fora. O aplicativo permite a visualização de até 16 câmeras remotamente em tempo real, por meio de 3G ou Wifi. Ele possibilita o controle de câmeras PTZ e funções como zoom, íris e foco, permitindo configurar senhas com até seis dígitos, fornecendo total segurança. A imobiliária URBS resolveu apostar em um aplicativo próprio que começará a ser utilizado em alguns meses. A ferramenta será utilizada pelos colaboradores, como o setor de vendas, para treinamentos, contato com clientes, gerentes e corretores. “Vamos ter informações em tempo real”, conta José Humberto de Carvalho, diretor comercial da empresa. (IARA NUNES)

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USANDO

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TURISMO LESSON ONE

NEW YORK

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“São em torno de seis a sete reuniões por dia, que são realizadas em bons restaurantes na cidade, então o que dá para fazer de novo é atualizar os restaurantes. Lembrando que é impossível conhecer todos, cada dia abrem novos” Adalberto Santos, executivo de finanças

Mais de 50 milhões de visitantes por ano, cerca de 8 milhões de moradores, mais de 400 estações de metrô, milhares de restaurantes, diversos museus, muitas lojas e uma infinidade de pontos turísticos para conhecer - Nova York é assim, uma das cidades mais espetaculares do mundo, com uma variedade incrível de coisas para ver e fazer. Ela é a cidade mais populosa dos Estados Unidos, cenário de centenas de filmes e um destino capaz de agradar pessoas com gostos completamente distintos. Contudo, aqueles que visitam a cidade a negócios acabam perdendo várias das opções que Nova York oferece. O executivo da área de relações com investidores, Adalberto Santos, faz parte deste grupo. Ele faz de três a cinco viagens a Nova York por ano para encontrar investidores e afirma que o tempo é muito curto. O guia de turismo e produtor de eventos, Alexandre Yee, já organizou a viagem de vários grupos à cidade. “Eu sempre falo que Nova York não é uma cidade que se conhece apenas uma vez, ainda mais quando o tempo é tão curto, como acontece com esses executivos. Mas tem alguns lugares que têm de conhecer”, opina. Adalberto dá uma dica para aqueles que têm de sair de uma reunião direto para o aeroporto. “Depois de viajar cansado inúmeras vezes, aprendi a utilizar os banheiros das salas vips. As boas têm estrutura para você tomar um banho, trocar de roupa e viajar mais tranquilo no voo noturno”. Para viagens em que há algum tempo sobrando, Alexandre indica o metrô para se locomover pela cidade, já que as ruas são lotadas. Ele conta ainda que a ilha é pequena e a paisagem é tão característica que vale a pena andar a pé. “Tudo é diferente do que se vê no Brasil, a pé a pessoa pode aproveitar e conhecer as lojas, as galerias. Outro ponto positivo é que as ruas são numeradas de forma lógica, o que ajuda”. O aluguel de um carro só compensa caso a pessoa queira visitar outras cidades, caso contrário o metrô é

“Alugar carro não compensa porque o trânsito não anda.” Alexandre Yee, Jornalista e guia


a melhor escolha, ainda que a pessoa tenha condições de caminhar. Nessas circunstâncias, o táxi é viável. O advogado e diretor da Galeria Comunicação, Salvador José Pinto Neto costumava visitar a cidade com frequência. Para locomoção utilizava sempre o metrô, ele adquiria o Metrocard, um cartão que permite você utilize todo o sistema de transporte público (incluindo metrô, ônibus e o bondinho) ilimitadas vezes ao dia. “Eu sempre utilizei o metrô, além de ter estações por toda a cidade, é uma excelente forma de economia.” Já Adalberto relata que como o seu tempo é muito curto, os bancos de investimentos oferecem carros com motoristas. “Ali realmente tempo é dinheiro por isso eles usam esse artifício para agilizar as reuniões.” O ano de 2015 não foi fácil para a economia brasileira. Obviamente este cenário afetou não somente as viagens de lazer, mas também as de negócios. Do ponto de vista geral do mercado, Alexandre analisa que este não foi um bom ano devido às constantes altas do dólar - que valorizou mais de 45%. “Apenas aqueles que já haviam fechado pacotes anteriormente viajaram.”

“Para quem precisa ficar on-line no celular, sugiro que, antes de sair do Brasil, faça o roaming internacional”

1) Estátua da Liberdade 2) Wall Street 3) Ponte do Brooklyn 4) Chinatown 5) Empire State Building 6) Times Square 7) Grand Central Station 8) Broadway 9) Central Park 10) Nações Unidas

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Salvador José Pinto Neto, Advogado e empresário

ANDE POR NOVA YORK, confira no mapa onde fica os principais pontos turísticos

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SEGURANÇA ARTIGO DE

LUXO

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A preocupação com a segurança familiar é um nicho de mercado que cresce com ou sem crise. Como deixar os filhos e ir trabalhar tranquilamente? Há o risco de assaltos nas ruas, nas escolas e até em casa, apesar de toda preparação dos condomínios (verticais e horizontais). O que é suficiente para se manter longe da violência urbana? O especialista em segurança, Ivan Hermano Filho, da Tecnoseg, afirma que as famílias têm buscado vários meios de se manter segura. Como o número de roubos a carros tem aumentado, muitos estão investindo em rastreamento dos veículos. “É um investimento barato levando em consideração que antes os ladrões furtavam o carro, hoje eles roubam, porque o sistema de segurança desses veículos está mais forte”, conta. Outra preocupação dessas famílias é em instalar alarmes nas residências. “A novidade é que há muitas instalações desses dispositivos em apartamentos. A segurança oferecida pelos condomínios já não é suficiente”, relata. As construtoras já oferecem segurança extra como vantagem de venda. Primeiramente, muitas das guaritas são blindadas, de forma que há um botão de pânico que aciona a polícia imediatamente. Outra medida adotada é a biometria nos elevadores. “Dessa forma, apenas as pessoas cadastradas podem subir. O ladrão até pode conseguir entrar no prédio, mas não terá acesso a nenhum dos apartamentos”, explica. Alguns prédios novos já serão entregues com câmeras em seus topos, de forma que seja possível visualizar toda a movimentação em torno do edifício. O comportamento nos condomínios horizontais não é muito diferente. Há bastante uso do sistema biométrico, além de equipes armadas e amplos sistemas de câmeras internas. Muitas famílias, principalmente aquelas que têm crianças pequenas, adotam câmeras dentro de casa e acompanham as imagens por meio do celular. (IARA NUNES)

"A tecnologia é uma forma que as famílias têm de ampliarem sua proteção. Muitas vezes o investimento não é elevado" Ivan Hermano Filho, Empresário


MOTO

CÂMBIO PODE

TRAVAR No mercado existem os mais variados modelos de motocicletas, feitas para agradar todos os gostos e necessidades. As consideradas premium, com mais de 450 cilindradas, atraem compradores por seus motores, seu design e principalmente porque estão nos sonhos de quase todos os amantes de veículos de duas rodas. Mas até mesmo esse segmento, que nos últimos quatro anos estava em expansão, sofre com a crise. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricante de Motocicletas, Ciclomotores, Bicicletas e Similares (Abraciclo), só no primeiro semestre de 2015, foram fabricadas 26.220 motos de alta cilindrada, uma queda de 4,9% em relação do mesmo período do ano passado. A estadunidense Harley Davidson apresentou, recentemente, a linha 2016 com reajuste de 25% por causa da cotação do dólar, mas ainda confiam no mercado brasileiro. “Uma hora, essa crise vai passar. E nessa hora estaremos prontos para aproveitar o potencial do mercado brasileiro”, argumenta o diretor de marketing da empresa no Brasil, Flávio Villaça. A empresa aposta na fidelidade de seus clientes, já que trabalha com a ideia de que ter uma dessas motos é “um estilo de vida”, com isso investem em clubes, passeios e eventos. (JÉSSICA ADRIANI)

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VENDAS

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GESTÃO HORA DE VENDAS

COMPLEXAS

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Nas vendas maiores e que impactam a vida do cliente, a decisão é racional e segue a seguinte ordem: 1) Avaliação da marca, empresa e vendedor; 2) Se o produto é a solução adequada; 3) Preço, prazo e condições.

O fechamento das vendas na cri"Não basta ter um se se torna essencial para o negócio. bom produto, é preciso Perder um cliente pode significar conhecer de gente, pois perder o dia. Esse cenário exige são eles que dizem sim atenção especial de todos envolvidos ou não." no negócio. Para o consultor e estrategista de negócios Leyder Nunes, Leyder Nunes, principalmente se o produto for de Consultor e estrategista alto valor, o vendedor tem de estar ligado para se apresentar de forma adequada, investigar o cliente antes de entrar no portfólio, mostrar os benefícios e não apenas as características do produto, negociar apenas após ter demostrado ao cliente o valor daquilo que ele vende. Mesmo por que, os concorrentes estão mais agressivos e este cliente “raro” também vale ouro para ele. “Pesquisas recentes realizadas por consultorias europeias demonstram que esta sequência de ações é fundamental para se tirar o pedido no fim de um atendimento.” Para as empresas que pensam em crescer seu faturamento com produtos de venda complexa e de alto valor, a dica de Leyder é que invistam parte dos recursos de capacitação em treinamentos comportamentais, pois não basta entender de produto, hoje é preciso ter uma equipe de vendas que entenda o cliente. “Informação e tecnologia hoje estão disponíveis de forma gratuita e qualidade já não é mais diferencial competitivo é apenas uma obrigação”, reforça Leyder, confirmando a tese que o diferencial não está tanto mais no que se vende, mas em como se faz a venda. Uma venda por impulso pode ser fechada simplesmente com o vendedor fazendo uso das velhas técnicas de fechamento. Mas as vendas maiores exigem uma postura mais sóbria e rica em exploração e apresentação. Quando estamos confusos tomamos um sorvete, porém não compramos um carro, por exemplo.


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ESTRATÉGICA

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DECORAÇÃO INVISTA NA

EMPRESA

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O ambiente influencia decisões e "Para profissionais com não é diferente no mundo dos negó- muito tempo de mercado, cios. Se não precisa estar impecável, os tons amadeirados são o ambiente empresarial não pode interessantes, enquanto frustrar expectativas (de quem vai aqueles mais jovens comprar). Absurdos, acreditem, ain- podem ousar mais, com da existem, como empresa goiana de móveis mais modernos, faturamento milionário ter recepção em cores claras" com filtro de barro e cadeiras de plástiAna Maria Miller, co. Apesar deste ser o extremo, outros Arquiteta detalhes “feios” podem ser minimizados. A arquiteta e urbanista Ana Maria Miller, da Mahanaim Arquitetura, acredita que inicialmente compensa investir no planejamento da recepção, sala de reuniões e banheiro. “São os ambientes que o cliente vai notar de imediato. O escritório em si não há tanta necessidade de investir alto, considerando que não recebe tantas visitas.” Ela acrescenta ainda que a elaboração do projeto deve ser feita de acordo com o público recebido. “Um advogado experiente que queira refletir profissionalismo deve fazer uso de cores mais sóbrias. Já um escritório de publicidade exige criatividade, um lugar que inspire a criação, merece cores alegres, o próprio cliente espera isso”, completa. Ao contrário do que se pensa a iluminação convencional não é suficiente para manter o ambiente harmônico. “É crucial para que o escritório fique completo. Pontos de luz para focar em uma obra de arte fazem toda diferença. Outro uso importante é para destacar a logomarca na entrada. A logo tem que ser a primeira coisa vista, o empresário tem que valorizar o nome do seu negócio”, explica a arquiteta. “Uma secretária para atender as ligações, que também pode servir um cafezinho. As cadeiras devem ser resistentes, espaçosas e confortáveis, de forma que uma pessoa não encoste na outra.” (IARA NUNES)


TRIBUTO DECLARE DINHEIRO NO

Ter dinheiro, imóveis, carros, ações e empresas no exterior deixou de ser algo incomum há muitos anos. Mas até então, nada era muito visível ao governo federal. Agora será. Nova legislação de repatriação de recursos no exterior foi aprovada e já está valendo – tendo os contribuintes prazo de 210 dias para aderir, declarar e pagar Imposto de Renda, que é o único imposto que incidirá nestes bens. A alíquota será de 15%, mais multa também de 15%, totalizando 30% de taxação. A expectativa do governo federal é arrecadar R$ 150 bilhões já em 2016. O governo estipulou que brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil podem declarar todo patrimônio lícito acumulado até o dia 31 de dezembro de 2014 e mantido fora de território nacional ou já repatriado, mas não declarado. Com a regularização, ficará assegurada anistia para os crimes de sonegação fiscal e evasão de divisas, desde que não haja decisão final da Justiça contra o declarante. Medida legaliza recursos de sonegação fiscal, evasão de divisas, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro associada ao descaminho. O consultor tributário Dênerson Rosa, da Dênerson Rosa Associados, afirma que o desenho já está bem definido. “O prazo para a declaração desse dinheiro é de 210 dias após a regulamentação. O governo vai manter em 30% a alíquota total, imposto e multa, que incidirão dobre o valor do patrimônio existente no exterior. Como o dólar está muito instável, foi estabelecido um valor fixo de R$2,65, valor de fechamento do ano de 2014. O que é uma grande vantagem, visto que a cotação atual está próxima a R$4,00. Na prática, ao usar uma cotação inferior, é como se o governo estivesse cobrando um total de 20%, ao invés dos 30% previstos na lei”, explica. Para Dênerson Rosa, a principal intenção do governo é a receita tributária. “Lembrando que a pessoa não é obrigada a trazer o dinheiro para o Brasil, mas se quiser trazer, não haverá problema.” (IARA NUNES)

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EXTERIOR

"Caso a pessoa não declare e a Receita descobrir o valor cobrado será de 27,5% a mais no Imposto de Renda, além de uma multa de 150% sobre o imposto. E responderá criminalmente também. O modelo oferecido pelo governo sai mais barato." Dênerson Rosa, Consultor tributário

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CADETNO DE OPINIÃO PEDRO BITTAR

- Empresáro e presidente do MGC

Momento estratégico para a

A economia brasileira luta hoje contra um gigante feroz, que desfere golpes mortais diariamente contra milhares de pequenas, médias e grandes empresas do País. Esse monstro econômico, essa deformidade, atende pelo nome de competitividade. Se for baixa, como a brasileira, nossas marcas são surradas por chineses, vietinamitas, chilenos, espanhóis (...). Basta entrar em qualquer pequeno armazém do interior do País que encontrará produtos “adversários” que venceram dezenas de milhares de quilômetros para chegar, atravessaram vários países dentro de navios e caminhões, enfrentaram embarques e desembarques, pagaram impostos, taxas alfandegárias, serviços logísticos e atacadistas e distribuidores, além de outros intermediários. O pior é que, depois de todas esta via crucis tão longa e dispendiosa, o produto importado chega nos mais distantes rincões do País mais baratos que os produtos brasileiros – mesmo que produzidos no lote ao lado do armazém ou supermercado. É preciso estratégia, foco e coragem para mudar regras. É preciso união. O Movimento Brasil Competitivo, conduzido pelo idealizador Jorge Gerdau, juntamente com o Movimento Goiás Competitivo e outros, tem conseguido algo inédito no País. Com reuniões iniciais

com dois ou três governadores, sempre com o interesse de ter um Estado mais eficiente, os encontros cresceram e, no último, reuniu 16 governadores, e com expectativa para a próxima de 22. Em todos estes anos de governo petista – já são 13 anos – foram promovidas só três reuniões tão amplas de governadores. Pouco para um País cheio de problemas. O MBC tem o papel articulador estratégico, pois estes painéis promovem o diálogo entre governadores. É praticamente consenso entre os Executivos estaduais que: a) falta integração entre eles e b) o modelo de pacto federativo já não corresponde à realidade das contas públicas no País. É um caminho viável que o País pode trilhar, pois pela primeira vez medidas conjuntas estão em debate para contribuir na ampliação da competitividade do País por meio da melhoria da eficiência do Estado. É uma verdadeira coalizão, ampla e apartidária, para repensar o País, respondendo aos desafios da sociedade – propondo uma agenda de transformação compartilhada. Para este grupo, o Estado é apenas indutor do desenvolvimento e competitividade. Para o MGC, é um orgulho compartilhar da confiança do amigo Jorge Gerdau na condução deste momento histórico do País.

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JOSÉ MÁRIO SCHREINER Vice-presidente da CNA e presidente da FAEG

O avanço da agropecuária goiana

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Nos últimos 40 anos, a incorporação de novas tecnologias e as alterações nas relações de trabalho no setor agropecuário promoveram profunda reestruturação no campo, fazendo do segmento rural uma das mais modernas atividades econômicas da atualidade. Da porteira para fora, mais competitividade e da porteira para dentro, tecnologia. Esse processo de modernização iniciou-se no pós-guerra, mas se intensificou a partir dos anos 60, com a introdução de máquinas, equipamentos, insumos como fertilizantes e defensivos agrícolas, além de ferramentas gerenciais e de base genética, através da pesquisa intensificada. Essa difusão de tecnologia, somado à capacitação do produtor e a inserção da mecanização agrícola, possibilitou o aperfeiçoamento das atividades rurais levando a produção agropecuária há lugares inimagináveis. Como por exemplo, produzir frutas no semiárido nordestino e soja no cerrado. De atividade primária de subsistência passou para atividade empresarial, promovendo a expansão e especialização de várias regiões do País, elevando a produção, gerando empregos e excedentes exportáveis não só no setor agropecuário, mas nos demais setores da economia, criando a partir do agronegócio, considerado por especialistas, como o quarto setor. Setor este que representa no Brasil 30% do PIB e 43% das exportações. Novos empregos foram criados, possibilitando a alta qualificação que tem levado milhares de pessoas a se capacitar vislumbrando uma melhor remuneração, face a de outros setores econômicos.

Essa nova dinâmica produtiva tornou o Brasil em uma das maiores potências econômicas do mundo, um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do planeta. Para se ter uma ideia dessa evolução, há 50 anos, o Brasil produziu 47 milhões de toneladas de grãos, passando a produzir 191 milhões nessa última safra. Enquanto o aumento da área foi de apenas 55%, de 38 milhões de hectares para 55 milhões. Hoje somos o primeiro produtor e exportador mundial de café, açúcar, suco de laranja e álcool, o segundo produtor e exportador de soja, o segundo maior produtor e o maior exportador de carne bovina, dentre outros produtos onde estamos entre os principais no mundo. A agropecuária brasileira evoluiu muito, no entanto ainda temos muitos desafios para avançar e nos tornar cada vez mais competitivos. Dentre eles, podemos citar os gargalos fiscais, monetários, de infraestrutura e logística; da falta de assistência técnica aos pequenos e médios produtores; do problema de sucessão familiar na propriedade; dentre outros. A produção rural vem cumprindo seu papel. Gerando riquezas, desenvolvendo economia e contribuindo para a melhoria de vida da sociedade. Para tanto, é necessário, que esse setor, que indiscutivelmente, é a força motriz da economia, tenha mais atenção dos nossos governantes e principalmente a implantação de uma política de seguro rural que possa realmente atender as necessidades do setor, para continuar cada vez mais avançando. Vamos juntos!


HELENIR QUEIROZ Presidente licenciada da Acieg e sócia da Acttive Software

Uma nuvem de

Uma novíssima economia está nascendo às margens da nova estrada criada por ferramentas de relacionamento pessoal e empresarial. Os inovadores criam diariamente novas formas de interação que transformam radicalmente o modo de consumir, produzir, vender e entregar. De quebra, revolucionam os setores de varejo, indústria e serviços. São as pessoas inquietas que mudam o mundo. Nas nossas empresas temos inúmeros colaboradores que são inquietos também como consumidores. Quem são eles? Têm horror a perder tempo, são intolerantes à burocracia, sabem obter informação e para eles a tecnologia é ferramenta e arma para transformar o mundo dos negócios Esse novo cliente, quando compra, sabe o que quer, quanto custa e qual é o preço on-line de todos os concorrentes da vizinhança, na mesma cidade ou fora do País – que ele recebe em alguns dias pelos correios. O novo cliente quer a mesma revolução que está acontecendo com a música e o cinema em outros setores. Quem sonharia com o sucesso do Netflix cinco anos atrás? O uso compartilhado de carros dirigi-

dos por computador e com um serviço parecido com o Uber irá transformar toda a cadeia baseada no uso do carro. Imagine só: 90% dos carros são usados só 10% do tempo. O restante do tempo, ficam parados em garagens ou nas ruas. E se essa ocupação fosse de 60%? Precisaríamos só da metade dos carros. Olha o impacto disso sobre a indústria de carros tradicionais, do petróleo, dos pneus, da borracha, dos postos de combustível, das garagens... Mas nasce um mundo de novas oportunidades que nem sonhamos ainda. No setor de serviços a revolução vem do leilão de quartos vagos de hotéis do Hotwire, a reserva de quarto na casa de moradores do Airbnb, o almoço exclusivo feito por chefs domésticos em Paris! Só o EatWith já tem mais de 500 chefs em 30 países. A economia do futuro é decidida no presente. O pensamento tradicional ficará pelo caminho enquanto uma nuvem de inovação altera todas as formas de negócio. A tecnologia com visão clara do novo cliente é o coração e a alma desta nova era. E deverá vir acompanhada do lado humano das relações: produzir para pessoas é uma premissa que não se pode abrir mão.

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VANESSA PIRES MORALES Diretora Operacional de Marketing do Vivence Hotel

Uma nova indústria

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A indústria hoteleira do Brasil vem mostrando transformações, novos modelos de gestão, entrada de novos players no mercado, força de novos canais de vendas e o parque hoteleiro tornando-se gradativamente mais inseparável da solução Business Intelligence como estratégia para, diante de um banco de dados, analisar as oportunidades, perspectivas, perfis e investimentos. As entidades precisam se reinventar para acompanhar essas mudanças, já que o alto potencial brasileiro possibilita a exploração deste nicho, principalmente neste momento que aponta possível crescimento para nosso turismo interno. Compete às entidades representantes do trade do turismo o alerta para um novo momento recheado de gaps, e aos investidores a escolha viabilizada para instalar seu empreendimento hoteleiro, analisando previamente oferta x demanda do destino e estudo de viabilidade econômica. Com imensa responsabilidade assumo a presidência juntamente com uma diretoria selecionada para a Seção Goiás da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-GO), entidade que completa seus 30 anos no dia 26 de novembro de 2016. Queremos mostrar a força que a hotelaria e atividades características do Turismo representam em Goiás com seu potencial de geração de empregos diretos e indiretos (cresceu 23% enquanto o total de empregos formais no Estado foi de 15%), com sua alta arrecadação de tributos estaduais chegando a 134% de

acréscimo, enquanto o crescimento das demais atividades no Estado foi de 36%, recebendo em torno de 2 milhões de turistas ao ano. Goiás requer maior exposição por todas suas belezas naturais, riqueza em sua cultura, localização estratégica para negócios, oportunidades que serão também valorizadas pela Federação Goiás de Convention & Visitors Bureau, na qual também contribuirei como vice-presidente a partir de 2016. É urgente e necessário discutir as questões que permeiam e perpassam o setor, pois, além dos investimentos do setor privado, são necessários projetos estratégicos do Poder Público com políticas que promovam o destino e que tragam cada vez mais turistas. Por isso iremos trabalhar com a missão de fortalecer o Setor Hoteleiro, estreitar os relacionamentos com outras entidades, buscar forte integração com setor público, motivar a capacitação dos profissionais e da atividade turística. As perspectivas e projetos da ABIH-GO são ambiciosos diante do cenário político e econômico que atravessamos, não obstante a interação com a ABIH Nacional (na qual também contribuirei como Diretora de Resorts e Hotéis de Lazer do Brasil) que muito nos fortalecerá com representatividade no trade turístico e no poder público. Receberemos todos que quiserem contribuir para essa trajetória que está se iniciando e que tem como prioridade buscar o fortalecimento da hotelaria e do turismo do Estado de Goiás.


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