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limeira

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Jornal Regional de Limeira

jornal brasil atual

jorbrasilatual

nº 20

bairro

de cara nova Prefeitura atua no Odécio Degan, um dos lugares mais perigosos de Limeira

Março de 2013

Sem terra

querendo tudo Pessoal do Elisabeth Teixeira pede água, estrada, demarcação...

Pág. 2

Atletismo

sem grana A luta da Associação de Atletismo para manter-se de pé

Pág. 6 Orquestra Henrique Marques se apresenta no Odécio Degan

basquete

perfil

rita cadillac. profissão: chacrete A dançarina que enfeitiçou os brasileiros mais simples, de garimpeiros a presidiários Pág. 4-5

só de três Matheus, ala do time de Limeira, fatura prova de arremessos

Pág. 7


Limeira

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CAI A MáSCARA

Sem terra

O que quer o assentamento

Um tornado foi flagrado em Limeira. Em forma de cone, ele passou como um bólido pela cidade, a 150 km/h, levando telhas de um sítio da zona rural. O espetáculo foi, a um só tempo, de beleza e medo. No passado dizia-se que depois da tempestade vem a bonança. Mas não tem sido bem assim, pelo menos para os moradores do assentamento Elisabeth Teixeira, para quem falta de tudo – até água –, nem para quem vive no Odécio Degan, um bairro que só agora vê chegar as melhorias da Prefeitura e que vive enclausurado em seu próprio medo. Uma matéria saborosa traz o perfil da chacrete Rita Cadillac, mulher que já teve “vida fácil” e hoje, aos 58 anos, ainda trabalha duro, rebolando como ninguém, para delírio dos homens, que apreciam, além de tudo, um belo bumbum. Outra coisa, que já passou mas é importante. A grande imprensa comercial brasileira, também conhecida como PIG – o Partido da Imprensa Golpista –, por suas posições políticas conservadoras, alardeou pelo país afora que o maior sucesso carnavalesco de 2013 seria uma máscara inspirada no juiz Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF). Joaquim é uma espécie de bom-moço, de terceira via para futuros embates eleitorais para quem não se acostumou a perder eleições. Mas passaram os blocos, Momo se foi junto com confetes e serpentinas e não se viu meia dúzia de brasileiros à la Joaquim Barbosa, para desespero de quem pregava a bem-aventurança perfeita. É isso. Boa leitura!

no local. Sobre a degradação da APP, a nascente de água está assoreada. A empresa Lages Bahia retirou a caixa d’água que instalara para captar água no rio, mas cercou o local com alambrado, o que é proibido por lei. Quanto à dis-

tribuição da água, a Prefeitura informou que está em contato com a empresa para regularizar o problema e prometeu uma “solução breve” para as estradas e que as vias de acesso já estão nos planos da Prefeitura.

fenômeno natural

Um tornado chega a Limeira Ventania formava uma espiral no ar: beleza e medo No dia 3 de março, um domingo, um fenômeno natural chamou a atenção dos limeirenses. Uma nuvem em formato de cone, que se assemelhava a um tornado, formou-se no céu às 17 h, durante um vendaval. O fato assustou os moradores e destruiu parte do rancho de uma chácara do bairro dos Pires, na zona rural. A ventania levou as telhas

do recinto e quebrou ao meio uma viga de madeira de quatro metros de comprimento. Especialistas em climatologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estimaram que a velocidade do vento pode ter atingido 150 km/h. Por ter tocado o chão, a ocorrência foi classificada como um tornado, provocado pela combinação de ventos fortes e nuvens bastante carregadas.

Expediente Rede Brasil Atual – Limeira Editora Gráfica Atitude Ltda. – Diretor de redação Paulo Salvador Editor João de Barros Redação Ana Lucia Ramos, Enio Lourenço, Ivanice Santos, Lauany Rosa e William da Silva Revisão Malu Simões Diagramação Leandro Siman Telefone (19) 9708-0104 / (11) 3295-2800 Tiragem: 15 mil exemplares Distribuição Gratuita

Odilon Menegusso

editorial

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente visitou o assentamento Elisabeth Teixeira, discutiu os problemas da comunidade e cadastrou todas as famílias para serem incluídas nos programas sociais do governo. Entre as principais reivindicações dos moradores estão a demarcação da área em que moram, a degradação da Área de Preservação Permanente (APP), a distribuição de água potável aos moradores e a situação precária das estradas, que estão tão ruins que nem caminhão chega. Quanto à definição da área, aguarda-se a decisão da Justiça. Enquanto o loteamento não for destinado à reforma agrária, nem a Prefeitura nem o Incra podem fazer melhorias

ana lucia ramos

Prefeitura discute os problemas com a comunidade


Limeira

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bairro

Apesar das mudanças no Odécio Degan, medo persiste Desde 22 de fevereiro, o bairro Odécio Degan passa por mudanças, por meio do projeto Este Bairro é Meu. O local, considerado um dos mais perigosos da cidade e que era comandado por traficantes, passou por uma ação de revitalização do poder público. Cerca de 240 pessoas, de 12 secretarias municipais, participaram da ação que contou com a ajuda da Guarda Municipal, da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Conselho Tutelar. Foram efetuados dois flagrantes de tráfico de drogas e apreendidas 32 pedras de crack, três trouxinhas de maconha e um quilo de cocaína. Um suposto líder do tráfico no bairro foi preso. Além disso, houve limpeza e pintura dos ambientes públicos de cultura, de esporte e da ação social. As calçadas, antes ocupadas por lixo e entulho, estão limpas e as guias pintadas, assim como os muros das escolas, que ganharam reproduções de desenhos dos alunos. O centro comunitário e as praças do bairro estão reformados. Uma antiga moradora, que não se identificou, garante

ana lucia ramos

Desafio das autoridades é combater a violência no lugar; da comunidade viver em paz

Dois mundos: polícia no Odécio Degan e povo lutando por Centro Comunitário de volta

que as coisas melhoraram, mas o medo continua. “A gente não sabe até quando a paz vai durar; os bandidos não estão gostando nada disso.” Pelas ruas do bairro não se veem crianças brincando nem gente sentada na porta de casa. Todos vivem trancados por trás de portões e muros altos. A praça e a quadra vazias refletem o medo dos moradores. Nem a presença de viaturas de polícia alivia o sentimento de insegurança. Mas os sons que vêm do Centro Comunitário demonstram que há esperança. Os jovens repetem com gritos o comando do professor de tae kwon do. A sala cheia mostra

o interesse pelo esporte. Uma voluntária, que trabalha lá há cinco anos, explica que o local não atende à demanda e que há uma lista de nomes aguardando a abertura de uma nova turma. “O lugar está calmo, mas aqui é um barril de pólvora, que pode explodir a qualquer momento. Vivemos uma paz vigiada.” Os idosos que conversam no corredor do Centro Comunitário fazem parte do Grupo Fé e Alegria, que ocupava esse espaço e, por causa da violência, mudou seus encontros para a igreja São Marcos, no Jardim Aeroporto. Dona Albertina, sua filha Neusa e a dona Rosa fazem parte desse grupo desde

a fundação e têm esperança de voltar a utilizar o Centro Comunitário e retomar suas atividades – dançar, fazer ginástica, jogar bingo e conversar. Ao terem de se mudar para a igreja, algumas atividades – como jogar ou ter aulas – pararam. Agora, elas revisitam o Centro Comunitário para avaliar se é seguro voltar ao local. E, ao constatarem as mudanças, fazem planos. Dona Rosa da Luz, de 69 anos, gostaria de ter aulas de música: “Fiquei tão animada que comprei uma sanfona para tocar, agora só falta aprender”. A pensionista Albertina Elvira, 67 anos, não vê a hora de o grupo voltar

para o espaço: “Chega de ficar como formiguinha com a folha na cabeça, temos de nos fixar num lugar”. Animadas com a chance de retomarem as aulas de dança, elas se juntam e dançam ao som de Gangnam Style, do cantor chinês Psy. Embora o clima seja de otimismo, ainda há tensão. Durante o tempo em que o jornal Brasil Atual esteve no local, guardas municipais e policiais militares reforçavam a segurança. Em voz baixa, uma voluntária avisa que é melhor esperar um pouco antes de a gente ir embora. “Há ameaça de ataque” – diz. Meia hora depois, viu-se que o alarme era falso. Porém, no dia seguinte, os jornais da cidade noticiaram que, naquela tarde, parte da Avenida Antônio de Luna fora fechada, “depois que agentes da guarda municipal localizaram quatro coquetéis molotov no canteiro central da Rua Antônio Conselheiro, no Jardim Ernesto Kühl. Durante a madrugada, outros quatro artefatos parecidos foram atirados nas proximidades da base, responsável por parte da segurança do Odécio Degan.

Menores

Fundação Casa de Limeira deve abrir em maio

ana lucia ramos

A obra começou em março de 2011; cada unidade deve receber até 56 adolescentes As duas unidades da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa) começam a funcionar este ano. As obras estão em estágio final de construção e a previsão do governo do Estado é de que uma unidade

passe a funcionar em maio e a outra seja inaugurada até o fim do ano. O Estado terá a administração plena da Fundação Casa de Limeira. O quadro de funcionários de cada unidade será de 70 profissionais. Cada

unidade receberá 56 adolescentes. Situadas no Km 138 da Rodovia Anhanguera, as unidades atenderão os adolescentes de Limeira, Campinas, Mogi Mirim, Rio Claro, Piracicaba, Casa Branca, Americana e Amparo.


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4 perfil

Rita Cadillac, a chacrete mais conhecida do Brasil

arquivo pessoal

arquivo pessoal

Moradora de um prédio de três andares, estilo art déco, numa avenida arborizada do bairro paulistano de Santa Cecília, vizinho ao Centro da cidade, a carioca Rita de Cássia Coutinho – a Rita Cadillac, como é conhecida –, de 58 anos, convive numa boa com o caráter distinto do lugar, pois o sossego do dia dá lugar à agitação noturna de seus restaurantes e barzinhos, sempre repletos. Paradoxo, aliás, que se estende pela história de vida da mais famosa chacrete dentre as mais de 500 mulheres que trabalharam como assistentes de palco de Chacrinha, o apresentador mais debochado do Brasil. O apartamento dela exala ares do passado. Está no segundo andar de um edifício cinza e sem elevadores, onde se chega por uma escada amarelada, de mármore puído, que enobreceria todo saguão de entrada, não tivesse ele se transformado numa papelaria, comércio solitário aos pés da fachada. Na ampla sala há um sofá confortável e uma grande te-

divulgação

Uma breve história de vida da dançarina que reinou na Discoteca do Chacrinha

levisão, que fica o tempo todo ligada. Mas é a simplicidade da decoração que conta a sua trajetória. Por exemplo: ela está repleta de artigos religiosos, que misturam crenças. Há santos e pedras para energizar o ambiente. Buda e Iemanjá decoram esse cômodo de Rita, que não tem religião, acredita em “um pouquinho de tudo” e monta a sua crença. No bairro em que mora, Rita é uma mulher comum:

O que ela faz hoje Com 36 anos de carreira, Rita Cadillac é feliz. “Alcancei o que queria, tenho um nome a zelar, uma carreira sólida e não me arrependo de nada do que fiz.” A artista faz em média 10 shows por mês. Antenada, usa e abusa das redes sociais: posta notas em seu

Facebook e adora twittar novidades para os fãs. Avó coruja, ela acompanha a vida das netas de 15 e de 2 anos e diz que “em vez de cuidar delas, adoro estragá-las, fazendo suas vontades”. Para Rita Cadillac as coisas mais importantes são a família e o trabalho.

caminha para manter a forma, faz compras, conversa com os vizinhos e passeia com a cachorrinha Angel, uma simpática poodle preta, de lacinhos nas orelhas. Em casa, usa moletom, não se maquia nem se preocupa com a aparência. “Não sou vaidosa, levo uma vida simples”. Porém, na hora em que ela tem de virar Cadillac, produz-se em dois minutos. Famosa mulher sensual, de belas curvas, essa mulher

avessa à academia diz que, para manter o corpão, ela apenas caminha e dança nos shows. Sua única cirurgia foi uma prótese nos seios, em 2008. O silicone espantou a chegada de uma flacidez indesejável. Mas quando uma ruguinha a incomodar, “vou lá e modifico, mas não quero ficar igual a essa gente sem expressão ou com boca de pato”. E o que ela faz para manter o bumbum? “Nada” – garante. “Fiz um

Por Lauany Rosa

seguro, que não chegou a um ano.” Um mês depois de parar de pagar, um fã apagou um cigarro em sua nádega! Ao contrário do que muita gente imagina, Rita Cadillac nunca pensou em sexo o tempo todo. Ao contrário. Ela viveu dez anos em absoluta abstinência e, agora, está indo para mais três. “Quando sinto tesão, tomo um banho” – afirma essa “romântica à moda antiga”, que acredita no amor verdadeiro e espera a chegada do tão sonhado cara. O segredo para a mulher se manter bonita e sensual é, antes de tudo, “aceitar-se com é. Não importa se ela é alta, baixa, gorda, magra; ser sensual é parte de sua natureza, basta deixar fluir”. Rita lamenta apenas que, desde a queima do sutiã, a mulher evoluiu muito, mas perdeu o sex appeal – a sensualidade que produz desejo sexual – e, por medo de aparentar fraqueza, abdicou de sua característica natural feminina, como a de “pertencer a um sexo frágil, ainda assim mais forte que o homem”.

A infância e o começo da carreira Rita nasceu no Rio de Janeiro, em 1954. Seu pai morreu logo que ela nasceu. A mãe abandonou-a e ela foi criada pela avó paterna, dona Regina d’Eça. Rita estudou em colégio interno e só ia para casa nas férias. Aos 16 anos, casou-se com um homem dez anos mais velho. Teve um fi-

lho, Carlos. A união durou um ano. Separada, prostituiu-se. Um dia assistiu ao grupo de dança de Haroldo Costa. Lá, soube que precisavam de uma bailarina e, como estudara balé clássico, ficou com a vaga. Entregou o filho ao ex-marido e se apresentou com o grupo fora do país por três

anos. Entre as idas e vindas ao Brasil, foi a um show de Paulo Silvino e conheceu Leleco, filho do Chacrinha. Na noite seguinte, era chacrete e logo apareciam matérias com fotos dela e, claro, de seu bumbum.


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não entendeu bem o convite e perguntou o que fazia uma madrinha dos presos. “Ah, participa de formaturas de escolas, de capoeira, de eventos religiosos, de datas comemorativas; aceitei no ato.” A partir daí, ela lembra com carinho da convivência com os presos. “Eu tinha a maior honra, pois os respeitava e sempre acreditei que todos devem ter uma segunda chance.” Após o massacre do Ca-

randiru, em outubro de 1992, quando a pretexto de sufocar uma rebelião a Polícia Militar invadiu a cadeia e deixou 111 presos mortos, Rita frequentou o local até seu fechamento, em 2002. Aliás, ao lembrar do “massacre do Carandiru”, Rita Cadillac se arrepia. Ela ouviu relatos dos detentos que sobreviveram à chacina e considera o que ocorreu como “uma tremenda covardia, um massacre cruel”.

O amor pela Praia Grande Na época em que fazia shows no Carandiru, Rita ficou muito amiga de um diretor de patrimônio do presídio, que ela lembra chamar-se Francisco, o Chiquinho. Ele tinha um apartamento na Praia Grande, que Rita e o filho frequentavam. Tempos depois, ela comprou um apartamento para passar a temporada; depois, comprou um maior e foi morar nele. “Fiquei apaixonada pela Praia Grande” – diz ela, que considera as pessoas a melhor coisa da cidade: “São receptivas e maravilhosas”. Rita sente falta da casa praiana. Por isso, quando está de férias ou em período de descanso, adivinhe pra onde ela vai? Em 2008, ela até se can-

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Rita Cadillac fazia shows sozinha, o que levou a um “conflito de agendas” e a dançarina deixou o programa para seguir na carreira de cantora. Rita diz que Chacrinha sabia tudo de televisão e a ensinou a subir no palco e falar com o público. A dançarina lembra que o apresentador zelava pelas chacretes e fazia questão de que elas não saíssem sozinhas. “Era como um pai de virgem.” Em suas andanças pelo Brasil, Rita fez um show para 30 mil homens no garimpo de Serra Pelada e, diante de uma chuva de pedras, pensou que não estivesse agradando. Ia parar de rebolar o traseiro e dar uma bronca no povo quando percebeu que recebia uma chuva de ouro. “Não fiquei com todas as pepitas, só com as que eram de minas clandestinas. Rendeu um dinheirinho” – recorda.

reprodução

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Rita Cadillac ganhou seu apelido do humorista Paulo Silvino que a achava parecida com a artista francesa Nicole Yasterbelsky, que na década de 1940 fazia shows sensuais com esse codinome. No Brasil, Rita virou Cadillac depois da aparição no programa do Chacrinha. Houve mais de 500 chacretes. Porém, entre tantos rostos e corpos um dos que mais chamavam a atenção era o de Rita, conhecida pelo tamanho de seu bumbum e pela sensualidade com que dançava. A fama e a popularidade a levaram a gravar Merenguendê, o primeiro vinil da carreira, com o qual se apresentava no programa e em shows pelo Brasil. “Era uma loucura; eu estava vestida de chacrete, corria, trocava de roupa, cantava, depois me vestia novamente de chacrete”. Depois de gravar o vinil,

Em 1984, os artistas da gravadora RGE faziam shows pelas cadeias do país. Rita Cadillac então se apresentou na Penitenciária Frei Caneca, no Rio de Janeiro, o mais antigo presídio do país, que acabou implodido em 2010. Rita não gostou da experiência. “Achei deprimente; o local era sombrio.” Um ano depois, com essa lembrança ruim, ela foi escalada para ir ao Carandiru, em São Paulo, presídio que abrigou mais de 8.000 presos, e era o maior de São Paulo. E se sentiu muito bem e curtiu fazer o show. Um dia depois, a Comissão de Internos pediu aos dirigentes do Carandiru que convidassem Rita para um almoço, ocasião em que lhe perguntaram se ela não queria ser madrinha dos detentos. Rita

arquivo pessoal

A rainha dos presidiários

Bela e formosa

didatou a vereadora em Praia Grande, pelo PSB, o Partido Socialista Brasileiro, e conseguiu 378 votos. “O preconceito do eleitor continua” – desabafa. Em 2012, ela voltou a ser sondada por grandes

partidos em São Paulo, São Vicente e Praia Grande, que ofereceram uma nova chance na política, mas ela recusou: “Já pensou você estar lá e não poder falar o que pensa ou o que considera errado!”.


Limeira

6 Atletismo

ALA mantém (como pode) projeto esportivo e social Quase sem dinheiro para se manter, entidade reclama da falta de incentivo da cidade Por Enio Lourenço

enio lourenço

A Associação Limeirense de Atletismo (ALA) abriga mais de 50 atletas nas categorias menor, adulto e veterano. O professor de educação física Jorge Chagas, de 45 anos, e o atleta veterano José Carlos da Silva, o Fumaça, de 70, são responsáveis pelas atividades da entidade. Ambos lamentam o orçamento anual de R$ 60 mil que a Prefeitura disponibiliza para a Associação: “Precisamos de apoio!”. No início da década de 1990, Limeira era a quinta cidade do Brasil no esporte.

do esporte. E, quando ela tem de tirar algo da pasta, tira do atletismo. Nossa presidenta, Neusa Cabral Denadai, tenta fazer com que o empresariado patrocine a entidade – ou mesmo os muros da pista, como no passado –, mas está sendo muito difícil. As empresas abateriam o investimento no Imposto de Renda. Mas elas não nos enxergam como um projeto social: o patrocinador quer o retorno financeiro para a sua marca e não apenas a divulgação dela na camisa” – revela Jorge.

“Só perdíamos para equipes de atletas de várias cidades, que se juntavam e defendiam uma cidade em comum” – diz Jorge. Agora, os R$ 5 mil mensais são insuficientes para bancar a manutenção da pista, as viagens para competições, a alimentação (após os treinos, é oferecida uma variedade de frutas aos atletas e lanches nas viagens) e a ajuda de custo de R$ 200 aos atletas que se destacam. “Às vezes, a Prefeitura atrasa a verba do convênio por meses ou corta o orçamento

Jorge e Fumaça levam o atletismo às escolas públicas e aos bairros da periferia de Limeira. Por meio do projeto Passo a Passo, há seletivas com estudantes de 13 a 17 anos. “Fazemos testes simples, como corrida de 100 metros, salto em distância, arremesso de bolas de areia – as medicine balls. A ALA também promove nos bairros o Campeonato Municipal de Pedestrianismo, que está na 20ª edição –, do qual participam de crianças menores de 12 anos a veteranos nascidos antes de 1950. Os atletas são divididos em categorias e pontuam como na Fórmula 1. O veterano Fumaça – ex-fundista que se descobriu no atletismo no Tiro de Guerra, mas tinha vergonha de vencer as corridas por chamar a atenção dos

Todos os atletas da ALA, de 15 a 17 anos, marcaram pontos para Limeira nos Jogos Regionais de Atibaia. E, na segunda divisão dos Jogos Abertos do Interior de 2012, realizada em Bauru, a ALA subiu ao pódio com Samuel do Nascimento, medalha de bronze nos 5.000 m e 10.000 m, e Andreia de Oliveira, bronze nos 800 m. Andreia, que em abril faz 29 anos de idade e 11 anos de esporte, treina seis dias por semana, tem o patrocínio das Faculdades Integradas Einstein, onde é bolsista no curso de Educação Física e ganha R$ 500 para trabalhar com deficientes visuais da ALA. Os troféus nas corridas de rua vieram no primeiro ano. Em 2004, nos Jogos Regionais de Limeira, Andreia acreditava lutar pela medalha de ouro nos 400 m.

comandantes do batalhão – resume: “Não quero só um atleta, quero um cidadão. Muitos podem até parar com o atletismo, mas não podem ir para as coisas erradas da vida”. E define a importância do esporte: “Não existe obstáculo para quem treina atletismo. Ele é um esporte tão difícil, que as outras coisas da vida acabam fáceis. O atletismo desenvolve a superação: quem o pratica tem mais facilidade de vencer as adversidades”.

enio lourenço

Colecionadora de medalhas

enio lourenço

Passo a Passo

“A prova seria num sábado à tarde. Eu trabalhava pela manhã, quando soube que a prova seria dali a uma hora. Fui para a pista e nem tive tempo de me alongar, de me aquecer, só deu para eu colocar a sapatilha. Na prova, eu liderava, mas eu caí. Saí da pista chorando muito, achando que nunca conseguiria medalha alguma nos Jogos.” Enganara-se. No dia seguinte, o marido lhe disse que

ela ganharia medalha nas provas dos 800 m, 1.500 m e revezamento 4x400 m. Dito e feito: a atleta ganhou três medalhas de prata. Andreia só não subiu ao pódio em 2007 – ela estava sete quilos mais gorda, devido ao nascimento da filha Sarah. Um ano antes, grávida de quatro meses, ela ganhou duas medalhas de bronze. Andreia diz que 2013 será o último ano correndo em alto nível, pois pretende ter um novo filho. Ela não vai parar de correr, mas só irá dedicar-se às corridas de rua. “O atletismo é a minha vida. Quero chegar aos 70 anos como o Fumaça, participando de competições, conquistando medalhas e troféus. Eu só paro de correr se, Deus me livre, acontecer alguma coisa. Senão, quero morrer correndo.”


Limeira

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basquete

Matheus vence prova de arremessos de três pontos Ala do time Winner-Kabum Limeira vence final por 17 a 13 após duas rodadas de empates

Os planos do atleta

divulgação

Matheus Dalla, o ala da equipe Winner-Kabum Limeira, foi o campeão do torneio de arremessos de três pontos, no Jogo das Estrelas do Novo Basquete Brasil (NBB). A competição foi dia 1º de março, no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília. Matheus enfrentou cinco adversários – cada atleta arremessava 25 bolas de cinco posições diferentes, em um minuto. Os dois jogadores com mais acertos foram para a final, quando Matheus enfrentou o xará Matheusinho, do basquete Cearense. Houve então dois empates (de 19 pontos e 17 pontos) e a vitória de Matheus, por 17x13, veio no terceiro desempate. Além do troféu, ele recebeu R$ 5 mil da Liga Nacional de Basquete. “Fiquei feliz por ganhar a competição

e com o reconhecimento dos torcedores de Limeira” – disse. Matheus foi selecionado para o torneio de arremessos durante o intervalo do jogo contra o Mogi das Cruzes. Ele conta que, após a classificação, pensava como seria o dia da competição em Bra-

sília. “Só caiu a ficha que eu estava lá, na hora da apresentação dos outros jogadores.” Ele ficou nervoso, mas depois de arremessar a primeira bola, focou seu pensamento apenas nos arremessos. “Dei o melhor para trazer esse título para mim e para Limeira.”

Atualmente, o atleta cursa Educação Física na Faculdade Einstein de Limeira, também com bolsa obtida por meio do esporte. Matheus define o basquete assim: “Quem sou e tudo o que tenho é por causa dele. Se não fosse o basquete, eu não teria a educação que tenho hoje”. Os bons ventos na carreira trazem ao jogador muitos planos. Este ano, ele vai se empenhar para que a Winner caminhe rumo à vitória do Campeonato Brasileiro. Além disso, Matheus sonha com a seleção de novos e, quem sabe, integrar a equipe da Olimpíada em 2016.

POLÍTICA

Futebol

A CP do SAAE

Times de Limeira na série A 3

Vereadores investigam fraudes

ana lucia ramos

ana lucia ramos

O Independente está na frente da Internacional O Campeonato Paulista da Série A 3 prossegue em ritmo intenso para os dois clubes de Limeira, a Internacional, o Leão, e o Independente, o Galo. A Inter, que este ano comemora o centenário, enfrentou problemas para montar a equipe. O presidente Taymom Bueno não conta com alguns dos patrocinadores, que não renovaram seus contratos. Após a 12ª rodada do campeonato, o time está na 12ª posição na tabela. Já pelos lados da Vila

Matheus, 21 anos, gaúcho de Lageado, é uma promessa do basquete brasileiro. Seu interesse pelo esporte começou cedo. Criança, gostava de futebol. Aos 12 anos, por influência de amigos, foi para o basquete. O amor à primeira cesta fez com que ele integrasse o time de basquete da escola, que tinha parceria com o Clube Atlético Ubirajara. Ao terminar o colégio, Matheus foi convidado para jogar na equipe juvenil da Winner – ele é atleta do clube desde os 17 anos. O basquete rendeu a Matheus bolsa de estudos integral no ensino médio e em parte do fundamental.

Esteves, o Independente, do técnico Álvaro Gaia, tem uma das campanhas mais regulares da Série A 3 e ocupa a 7ª posição. Os dois times de Limeira

se enfrentaram no dia 3 de março, no famoso clássico Ga-Leão, e empataram em 2x2. Apesar da rivalidade, não houve violência.

A Comissão Processante (CP) que investiga indícios de fraudes em licitações do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) recebeu informações sobre a situação cadastral das empresas contratadas pela autarquia, cópias de 48 contratos, requisições de abastecimento de combustíveis e dados sobre as despesas com materiais impres-

sos no período entre setembro de 2007 e dezembro de 2012. Os vereadores da CP solicitaram ainda as cópias de impressões de propagandas e comprovantes de entregas de materiais de contratos investigados e a relação dos devedores do Saae de 2008 a 2011. A Comissão reúne-se às quartas-feiras.


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vale o que vier As mensagens podem ser enviadas para jornalba@redebrasilatual.com.br ou para Rua São Bento, 365, 19º andar, Centro, São Paulo, SP, CEP 01011-100. As cartas devem vir acompanhadas de nome completo, telefone, endereço e e-mail para contato.

Respostas

Horizontal – 1. O nome deste jornal 2. Provido de mobília 3. Empregai a força física ou intelectual para realizar algo 4. Orelha, em inglês; Exprime negação ou recusa; Raiva 5. Rádio Bandeirantes; Associação dos Alcoólicos Anônimos 6. Agilidade; A cor carmim 7. Abacaxi; General Electric 8. Botequim; Munir de arma 9. Anno Domini; Grito dos torcedores, em touradas e estádios de futebol; Sétima nota musical 10. Nome de certa planta ornamental. Vertical – 1. Plantas de raízes vermelhas, usada na alimentação 2. Fatia frita de pão molhada em leite, vinho ou calda de açúcar, passada em ovos 3. Gostar muito; O número divisível por dois 4. Por baixo de; Nome original da bebida destilada à base de cereais e zimbro; Pessoa que admira (às vezes com exagero) uma figura pública 5. International Bank Account Number; Doar 6. As gradações da cor violeta; Usado no período menstrual 7. Erva usada como tempero; Divisão de uma escola de samba 8. A irmã da mãe; Povo, partido, sociedade 9. Indica surpresa ou impaciência; Atuam 10. Arte Digital (abrev.); Formato compactado de arquivos da Internet; Pessoa muito hábil 11. Parte filamentosa despida de folhas de certos liquens; Desunir, separar.

b r a s i l e m o b i t r a b a l e a r n a r b g s r a p i d e a n a n a s b a r r a d f o s a m a m b

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Jornal Brasil Atual - Limeira 20  
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