CONEXÕES
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LEAM – Laboratório de estudos e aprontos multimídia: relações étnico-raciais na cultura digital Departamento de Educação e Sociedade, Instituto Multidisciplinar/ UFRRJ aprontosmultimidia@gmail.com Av. Governador Roberto Silveira, s/nº Moquetá – Nova Iguaçu – RJ CEP 26020-740 UFRRJ/IM/DES/PPGEDUC
Revista Conexões Editor: Valter Filé Produção editorial: Ana Aguiar, Leidiane Macambira, Shirley Martins e Steffanie Moreno Projeto gráfico: Shirley Martins Texto e revisão: Leidiane Macambira, Graziele Lira, Maria José da Silva e Valter Filé Fotos: Acervo LEAM Conselho editorial: Leidiane Macambira, Shirley Martins Steffanie Moreno e Valter Filé
Apoio
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sumário
Editorial .........................................................................................................
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Projeto de pesquisa: Curso de Extensão - Sobre imagens e a educação do preconceito .............................................................................
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Módulo I Oficina de fotografia: Como me vejo e como sou visto: a educação do olhar nas relações raciais.............................................. 8 Módulo II Imagem, visão e conhecimento: como me vejo, como vejo o Outro - linguagem audiovisual e formação antirracista......... 10 Módulo III Exercícios de ver o que ainda não se sabe ver: Cinema, educação do olhar e racismo.................................................. 12 Módulo IV Olhares e imagens: narrativas sobre as experiências formativas para a igualdade étnico-racial........................................... 14 Mostra de Fotografias ............................................................................ 16 Artigos............................................................................................................ 20 Imagem, visão e conhecimento: modos de ver, modos de dar a ver......................................................
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Pesquisar-se como processo de conhecimento: a importância em perceber/encarar os privilégios na luta por uma educação antirracista.............................................................................................
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Como me vejo, como sou visto: experiências sobre imagem e educação do preconceito na formação de professores......................
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A Síncopa TV: o canal do LEAM.................................................................
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Educação antirracista em movimento Entrevista com o professor Otair Fernandes......................................
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Arte e Cultura Vinte anos de projeto “Puxando Conversa”........................................
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editorial
Mais um número da revista Conexões. Ele refere-se ao ano de 2018, mas foi editada em 2020. Portanto, essa especificidade nos permite jogar entre tempos. Oferecer as nossas movimentações em 2018 com a perspectiva dos acontecimentos de 2020. No momento em que a revista foi editada, o mundo passava por uma tragédia (não sei se posso usar o verbo nesse tempo, pois ainda não temos uma luz no final do túnel): a pandemia que tem matado milhões de pessoas pela infecção do vírus Covid-19. Se o mundo inteiro sofre com a pandemia e as suas repercussões, o Brasil sofre duplamente. Tanto pelo número de infectados e de mortos, quanto pelo descaso do seu “desgoverno” federal (e seus clones em outras instâncias), que num momento de tamanha gravidade, tenta desmoralizar a ciência, se desresponsabilizar do que está acontecendo e insuflar a população a desrespeitar as normas sanitárias propostas pela Organização Mundial da Saúde. Não poderíamos dizer que o Brasil não tem uma política de saúde pública, pois temos ainda o que resta do SUS (Sistema Único de Saúde). Também não podemos dizer que o “desgoverno” federal não tem uma política. A suposta falta de política é uma política de extermínio da população mais vulnerável. Como se fosse pouco, esse “desgoverno” ainda se aproveita de tamanha tragédia para implementar sua necropolítica que tem endereço. Beneficiar os bancos, o mercado financeiro e eliminar cada vez mais as populações mais desfavorecidas, principalmente a população negra. Em meio a tudo isso, fomos tocando a revista, de forma remota, pois desde março estamos em isolamento social, apesar dos esforços do “desgoverno” para a desobediência de tal medida adotada em todo o mundo.
Leia o número anterior da revista Conexões
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Dedicamos esse número ao nosso projeto Relações étnico-raciais na cultura digital, ou pelo menos, a alguns de seus acontecimentos. Um deles foi a criação de uma oportunidade para estudarmos “o papel das imagens na educação do preconceito”. Propusemos um
curso de extensão que girasse em torno das mídias mais usadas na cultura digital: a fotografia e as linguagens audiovisuais - vídeo e cinema. Então, o curso foi realizado com uma turma de um curso de formação de professores (antigo curso Normal) do Colégio Arruda Negreiros, em Nova Iguaçu, em 2018. Apresentamos aqui o que foi possível realizar no curso e o que ele nos solicitou (e ainda solicita) como desdobramentos. Aquilo que vai sendo possível contar da pesquisa e que foi compartilhado em eventos nacionais e internacionais, por meio de artigos de membros do LEAM, além da sua divulgação no nosso site. A revista traz ainda uma entrevista com o Prof. Dr. Otair Fernandes de Oliveira, professor da UFRRJ, do campus de Nova Iguaçu, coordenador do NEAB LEAFRO - Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas, professor do PPGPACS, Programa de Pós-graduação em Patrimônio, Cultura e Sociedade, também da UFRRJ. Otair é um daqueles militantes imprescindíveis para o Movimento Negro. Um educador importante no combate ao racismo na educação e na sociedade brasileira. Vamos tratar aqui também dos vinte anos do projeto Puxando conversa. Um projeto de memórias do samba do Estado Rio de Janeiro. Como sempre vamos continuar trazendo alguns fazimentos da Síncopa TV dentro das ações do LEAM. Informamos que a revista Conexões pretende ser canal de comunicação com vocês. Um lugar para você nos enviar seus comentários, sugestões. Cadastremse para receber outros números da revista e a comunicação de outras ações do LEAM. Boa leitura!
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projeto de pesquisa
Curso de Extensão
Sobre imagens e a educação do preconceito (TICs) - principalmente suas mídias e linguagens - podem contribuir para uma educação antirracista. Tendo como principal lócus de pesquisa a formação de professores. Organizamos então o curso de Extensão “Sobre imagens e a educação do preconceito”.
Site LEAM
Resumo do projeto de pesquisa
Resumo do projeto do curso de extensão
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Com o projeto de pesquisa Educação para as relações étnico-raciais na cultura digital (20172020), cujo objetivo era conhecer como as desigualdades produzidas nas relações étnico-raciais podem ser pensadas/problematizadas na chamada cultura digital. Se tais desigualdades, muitas delas históricas, aprofundam-se, renovam-se ou estão sendo reinventadas. E, como o racismo, o preconceito, a discriminação ganham “aparência” na chamada razão digital. Como os usos das tecnologias da informação e da comunicação
O curso foi realizado para uma turma do Ensino Médio - Modalidade Formação de Professores do Colégio Estadual Arruda Negreiros (CEAN), localizado em Nova Iguaçu - Baixada Fluminense - RJ. Disponibilizamos atividades - presenciais e à distância - em que os participantes puderam ter a oportunidade de lidar com imagens (as suas e as imagens dos demais) - a partir da linguagem fotográfica, da linguagem audiovisual - vídeo e cinema - para pensarem na questão da formação, tendo referência a produção do nosso olhar e, consequentemente, as formas naturalizadas de
olhar o Outro e de sermos olhados. E também, o que temos naturalizado sobre as imagens como produção da “realidade”, como portadoras de “verdades”. Os modelos, as epistemes que nos formam, que sustentam nossas “convicções”. O encontro foi programado para acontecer em quatro módulos durante os meses de agosto a setembro de 2018. Com aulas presenciais semanais, com atividades à distância - pela plataforma Schoology - e participação dos estudantes com suas produções fotográficas. Segue um quadro contendo um panorama de todos os módulos, suas modalidades (presencial/à distância) e carga horária.
MÓDULOS
CURSO
FORMATO
HORAS
Presencial/ 4 + 6 = à distância 10 horas
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Oficina de fotografia: O olhar e o olhado: produção de maneiras de ver e de dar a ver as relações étnico-raciais
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Imagem, visão e Presencial/ 08 horas conhecimento: como me à distância vejo, como vejo o Outro linguagem audiovisual e formação antirracista
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Exercícios de ver o que ainda não se sabe ver: Cinema, educação do olhar e racismo
Presencial/ 4 + 20= à distância 24 horas
Olhares e imagens: narrativas sobre as experiências formativas para a igualdade étnicoracial
Presencial
8 horas
Total
50 horas CONEXÕES
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Módulo I Oficina de fotografia: Como me vejo e como sou visto:
a educação do olhar nas relações raciais Realizamos, presencialmente, uma oficina onde trabalhamos a articulação de duas dimensões para pensar a educação do preconceito, da discriminação e do racismo a partir da fotografia e suas metáforas.
“Meu tom de pele e olhos são claros, mas meus traços são negros. No ENEM perguntam como nos consideramos. No meu caso eu colocaria o quê? Vocês falando agora me deu uma dúvida! Eu sou negra… Eu sou branca… Eu sou parda?” (Fala da estudante Clarissa durante o módulo 1)
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A primeira envolveu a apresentação e discussão sobre as técnicas que envolvem o ato fotográfico, a composição da imagem: a relação com câmeras (celulares), com o enquadramento, a consideração da luz, etc. como escolhas e não como representação da realidade sem a mediação do/a fotógrafo/a. Na segunda, desenvolvemos um trabalho de consideração mais epistemológica sobre as questões que envolvem a imagem: a visão e os modelos cognitivos disponíveis e disponibilizados em tais fazimentos. Destinamos um tempo (à distância) para que cada estudante pudesse praticar tais técnicas produzindo fotografias que, no módulo 4, pudessem ser expostas na mostra de fotografias.
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Módulo II Imagem, visão e conhecimento: como me vejo, Vídeo Memórias de formação
“Observei colegas da minha classe de um jeito diferente. Na gravação, havia colegas que eu achava que eram mais falantes, sendo mais tímidos. E, outros que não falavam nada, aparentaram estar mais seguros e com argumentos para poder discutir o que estava em debate!” Mylena Santos 10
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como vejo o Outro - linguagem audiovisual e formação antirracista
Criamos um espaço de debate presencial sobre as questões raciais e as suas implicações para a formação das pessoas, assim como as questões possibilitadas pela produção das narrativas audiovisuais (a re-elaboração das dimensões espaços-temporais, a edição, o exercício de cada um/a se ver nos diferentes momentos das conversas e tomando posições, dizendo como se vê e como vê os demais, etc.). A partir da exibição do vídeo Memórias de formação (produzido pela pesquisa anterior) - gravamos o debate dos/as participantes
desse módulo, suas opiniões e formas de olhar as questões levantadas pelo vídeo exibido. Depois, a gravação desse primeiro encontro foi editada e exibida no segundo encontro. Os/as participantes, no terceiro encontro, tiveram oportunidade de se verem, se auto-avaliarem nas opiniões, nas formas de relacionarem-se com os/ as demais e de pensarem os seus olhares sobre as questões tratadas no primeiro encontro. O vídeo “Memórias de Formação” foi produzido pelo LEAM e está disponível na Síncopa TV.
Por trás das câmeras
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Módulo III Exercícios de ver o que ainda não se s
Site LEAM
Oferecemos aos participantes acesso a filmes que discutem a questão das relações étnico-raciais - mesmo que indiretamente -, assim como questões referentes ao cinema em si como dispositivo de educação do olhar. As atividades deste módulo começaram com uma exibição seguida de debate presencial, e, continuada por atividades à distância, permitindo a participação não apenas daqueles/as que fazem o curso como um todo (os quatros módu-
Vídeo Sobre imagens e a educação do preconceito
los), mas também todos/as os interessados em fazer apenas esse módulo. Hospedamos o módulo 3 no site do LEAM, prevendo atividades de interação entre os/as cursistas através de comentários, e ainda atividades individuais sobre suas percepções em relação ao que fora tratado, bem como as questões de formação que cada um/a traz consigo. Após a gravação dos módulos 2 e 3, produzimos um curta metragem que foi lançado durante o módulo 4.
“Foi falado muita coisa, algumas situações que os colegas da classe já passaram ou presenciaram, foi discutido a questão do preconceito, racismo e desigualdade social.” Lídia Martins
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e sabe ver: Cinema, educação do olhar e racismo
“Ao assistir o vídeo aqui na plataforma pude relembrar os encontros. Algumas pessoas se contiveram por vergonha, outras deram suas opiniões com um tanto de receio. A maioria parecia estar muito certa de suas opiniões, utilizando recursos para aprimorar o debate, tais como o olhar ou gesticular das mãos. (...) outros opinando com os olhos. Todos puderam contribuir de alguma forma para o debate, mesmo que com a ausência da fala.” Isaque Vieira de Souza CONEXÕES
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Módulo IV Olhares e imagens: narrativas sobre as experiências formativas para a igualdade étnico-racial
O seminário em fotos
Síncopa TV
Na tarde do dia 28 de setembro de 2018, o seminário Sobre as imagens e a educação do preconceito reuniu cerca de cem pessoas no auditório do campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu (IM/UFRRJ). Organizamos este evento a fim de apresentarmos aquilo que foi possível no curso, bem como e a realização de
uma discussão sobre os seus desdobramentos. Outra intenção foi a de oportunizar o contato dos estudantes do CEAN com estudantes, professores e funcionários da UFRRJ para que juntos pudéssemos discutir as questões que atravessaram toda a nossa jornada, e, também, que tornasse
“Uma ótima experiência, na qual pudemos ver nossas qualidades e defeitos e, ainda, analisarmos nossos falas de uma forma mais criteriosa, podendo então, fazer uma narrativa melhor de nós mesmos”. Marília Batista (aluna do CEAM)
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possível aproximações e abertura de outras perspectivas para os dois lados – escola básica e universidade. O convite para este 4º momento do curso estendeu-se, como atividade educativa, para os/as estudantes da graduação, professores da rede pública e demais interessados. Na mesa de abertura contamos com a presença do diretor do campus, Prof. Dr. Paulo Cosme e o coordenador do LEAM Prof. Dr. Valter Filé. Posteriormente, fizemos o lançamento do vídeo Sobre imagens e educação do preconceito, produzido no curso - baseado na experiência dos módulos 2 e 3, e, por conseguinte, ocorreu a abertura para um debate. Na segunda mesa, composta por: Marília Batista Pessôa (aluna do CEAN); Ms Graziele Alves da Lira (integrante do LEAM); Profº Dr Valter Filé (coordenador do LEAM) tivemos a apresentação dos resultados preliminares do projeto e depoimentos dos participantes e pesquisadores convidados. Após a fala de cada um(a), abrimos para uma sessão de debates, na qual dialogamos com os demais participantes, as questões ali levantadas. Neste mesmo dia, tivemos também a mostra de fotografias, com as produções dos alunos do CEAN e dos membros do LEAM. Como encerramento, convidamos a todos visitarem mais uma vez a mostra. CONEXÕES
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Módulo IV MOSTRA DE FOTOGRAFIAS Após o envio das fotografias produzidas pelos participantes do curso durante o módulo 1, realizamos uma seleção a fim de serem expostas na mostra que aconteceu durante o seminário Sobre imagens e educação do preconceito.
Foto: LEAM
Foto: LEAM
Foto: LEAM
Foto: Steffanie Moreno
Foto: Marcely Oliveira 16
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Foto: LEAM
Foto: Graziele Alves da Lira
Foto: LEAM
Foto: Leidiane Macambira
Foto: Débora Bernardo dos Santos
Foto: Steffanie Moreno
Foto: Heloísa Gomes da Silva CONEXÕES
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Foto: Nayra Vardiero
Foto: LEAM
Foto: Yasmin da Silva de AbreU 18
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Foto: Heloísa Gomes da Silva
Foto: Mylena Santos
Foto: Heloísa Gomes da Silva
Foto: LEAM CONEXÕES
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artigos
Imagens e educação do preco
Movimentos e aproximação com as produções realizadas a p Nossas pesquisas nascem dos desafios que nos colocamos. Desafios estes que tem como propósito central lutar contra o racismo na sociedade brasileira e mais especificamente o racismo estrutural que tem articulado os processos educativos, os processos de escolarização. Escolhemos estudar o racismo e suas especificidades na chamada cultura digital, tentando pensar sobre aquilo que ainda persiste e o que vai se atualizando, ganhando novos elementos nestes tempos.
Depois de trabalharmos com os estudantes do Colégio Arruda Negreiros, estamos nos dedicando a pensar o que nos aconteceu? O que deste trabalho nos ajuda a pensar naquilo que nos desafia? Estas questões começaram a ser trabalhadas de alguma forma pelos membros do LEAM e colocadas publicamente em eventos acadêmicos, para serem discutidas, questionadas, recolocadas.
Longe de serem os estudos finais sobre a experiência, O projeto relações étnico-raciais eles - os artigos - podem ser considerados como movimentos na cultura digital conecta de aproximação, de início de os vários projetos de seus tratamento do material que membros, tomando-os como forma de enfrentar as diferentes temos ainda que trabalhar. questões que nos tocam. Valter Filé, no artigo Imagem, visão e conhecimento Estudar as imagens - uma vez nos propõe algumas ideias que estas contaminam o nosso daquilo que pode alimentar as cotidiano pela proliferação conversas, as interrogações e as nos ambientes virtuais - e as ações da pesquisa com imagens. suas capacidades de educar o Um artigo que foi produzido olhar tem sido a preocupação para ser um disparador da do coordenador do LEAM, o pesquisa, pois ele nasce no professor Valter Filé. 20
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conceito na formação docente
a partir dos encontros no Colégio Estadual Arruda Negreiros momento da consolidação do texto final da pesquisa. Grazi Lira, no artigo Pesquisar-se como processo de conhecimento: a importância em perceber/ encarar os privilégios na luta por uma educação antirracista traz reflexões sobre as experimentações produzidas pela Síncopa-TV e os questionamentos que surgem sobre a formação hegemônica e as contribuições para a perpetuação do racismo. No artigo Como me vejo, como sou visto: experiências sobre imagem e educação do preconceito na formação de professores, Valter Filé, Leidiane Macambira e Steffanie Moreno narram a experiência vivida durante o curso de extensão Sobre imagens e educação do preconceito oferecido no Colégio Estadual Arruda Negreiros (CEAN), localizado na Baixada Fluminense, região periférica do Rio de Janeiro. CONEXÕES
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artigos
Imagem, visão e conhecimento:
modos de ver, modos de dar a ver Valter Filé
Como se elege determinados personagens como possíveis para determinados espaços tempos e como se cria a impossibilidade e a invisibilidade de outros?
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Ouvi e contei essa história várias vezes. O personagem principal é o diretor de uma escola pública de uma cidade do Vale do Paraíba, região que fica no caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro. Negro, viveu várias vezes a mesma situação: alguém chega na escola para falar com o diretor e, sem conhecê-lo, dirige-se até o local onde informam que ele estaria. Sempre acontece de ele estar com o secretário da escola, que é branco. Invariavelmente as pessoas se dirigem, sem titubear, ao secretário certas de estarem falando com o diretor da escola. Muitos, nem ao menos percebem a sua presença. Depois, tentam esconder o desapontamento quando o secretário desfaz o “equivoco”.
Como se adquire tamanha certeza? Como se aprende isso? Como se elege determinados personagens como possíveis para determinados espaços tempos e como se cria a impossibilidade e a invisibilidade de outros? De que maneiras se fabricam essas imagens que passam a nos orientar? Falar de imagem, visão e conhecimento implica falarmos de uma espécie de antevisão, ou seja, uma visão que vai em busca de confirmação daquilo que já sabemos/queremos ver para repetirmos o já sabido? Este texto nasce como um dos esforços para enfrentar os desafios do projeto de pesquisa Educação das relações étnico-raciais na cultura digital (2015). Desafios que ainda nos impedem de compreendermos melhor como as desigualdades produzidas nas relações étnico-raciais podem ser pensadas/problematizadas na chamada cultura digital. Será que tais desigualdades, muitas delas históricas, aprofundam-se, renovam-se ou são reinventadas? As tecnologias da informação e da comunicação poderiam contribuir para uma educação mais democrática? Como pensar as TICs para além das suas dimensões instrumentais?
Valter Filé
Professor Associado da UFF - Faculdade de Educação/ SSE. Coordenador do LEAM - Laboratório de estudos e aprontos multimídia - relações étnico-raciais na cultura digital e do projeto Puxando Conversa - projeto de memória do samba carioca, que desde 1990, grava e exibe em locais públicos as narrativas - contadas e cantadas - de compositores. Foi professor da UFRRJ e do PPGEDUC. Coordenou a TV Maxambomba (uma TV de rua que atuou nos anos 80 e 90 na Baixada Fluminense); Fundou e foi consultor da TV Pinel (uma TV comunitária realizada com usuários dos serviços de saúde mental, funcionários e familiares no Instituto Philipe Pinel, em Botafogo, RJ - 1996/2006); Tem como preocupação principal as questões em torno das imagens e as suas contribuições para a educação do preconceito.
Palavras-chave: educação escolar, relações étnico-raciais, formação de professores, racismo. Currículo
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artigos
Pesquisar-se como processo de conhecimento: a importância em perceber/encarar os privilégios na luta por uma educação antirracista Graziele Lira
Esta composição apresenta um recorte da pesquisa de Mestrado em andamento: A Síncopa-TV por uma educação antirracista: experimentações audiovisuais na formação de professores. Trago para este texto o desassossego de perceber/encarar os privilégios da minha brancura a fim de avançar na luta por uma educação antirracista.
Artigo completo
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Inspirada no Método da Cartografia, sistematizado por Virgínia Kastrup, Eduardo Passos e Liliana da Escóssia (seu precursor Deleuze) rascunho a
possibilidade de uma produção de conhecimento encarnada na experiência de pesquisar-se. Pesquisarme é buscar olhar e sentir os acontecimentos que geram experiências no devir e me encorajam a pensar nas amarras que laçam meu olhar nos processos que me formam.
Graziele Lira
Avançar na luta por uma educação antirracista permeada de processos comunicativos democráticos, inclusivos e questionadores está ligada a necessidade de enfrentar as desigualdades. A Síncopa-TV , uma WebTV desenvolvida pelo Laboratório de estudos e aprontos multimídia: relações étnico-raciais na cultura digital investe na linguagem audiovisual como uma possibilidade de pensar, ver, debater as desigualdades perpetuadas nos diversos processos formativos, principalmente aquelas produzidas nas relações raciais, na invenção do “outro”. Foi a partir das experimentações produzidas pela Síncopa-TV que tive a oportunidade de questionar entre outras coisas os processos comunicativos na Educação, a formação hegemônica que tem contribuído para a perpetuação do racismo que geram outras desigualdades e que passei a reconhecer meus privilégios, minha branquitude. Os questionamentos acima só foram possíveis, pois encarei desde o início a tentativa de pesquisar e pesquisar-me. Dessa forma, pesquisar-me é buscar olhar e sentir os acontecimentos que geram experiências nesse eterno devir e me encorajam a pensar nas amarras que laçam meu olhar nos processos que me formam.
Trago para este texto o desassossego de perceber/encarar os privilégios da minha brancura a fim de avançar na luta por uma educação antirracista.
Mestra em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares PPGEDUC -UFRRJ. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/Instituto Multidisciplinar - Campus Nova Iguaçu. Atua como Orientadora Pedagógica da rede municipal de ensino de Japeri. É membra do Grupo de Pesquisa Educação, sociedade do conhecimento e conexões culturais. Participa dos projetos de ensino, pesquisa e extensão vinculados à linha de pesquisa: Laboratório de estudos e aprontos multimídia: relações étnico-raciais na cultura digital - LEAM-UFRRJ. Atualmente pesquisa formação de professores na cultura digital e relações étnico-raciais.
Palavras-chave: experiência, relações étnico-raciais, desigualdades CONEXÕES
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artigos
Como me vejo, como sou visto: experiências sobre imagem e educação do preconceito na formação de professores Valter Filé, Leidiane Macambira, Steffanie Moreno
Neste trabalho, pretendemos narrar a experiência vivida durante o curso de Extensão Sobre imagens e a educação do preconceito oferecido para uma turma de estudantes do curso de Formação de Professores no Colégio Estadual Arruda Negreiros (CEAN) localizado na Baixada Fluminense, região periférica do Rio de Janeiro.
Os debates ressaltaram as dificuldades de os estudantes se auto identificarem como negros ou brancos, a partir de suas aparências. Contudo, afirmaram que mesmo não tendo no corpo todas as características negróides ainda assim sofriam discriminação racial.
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A proposta foi: trabalhar com uma turma, na qual pudéssemos disponibilizar oportunidades para que os/ as estudantes pudessem se colocar, discutir e pensar sobre como se viam, como viam os outros e como se colocavam diante das relações raciais a partir das questões que atravessam os seus cotidianos e que provavelmente serão colocados como desafios para as suas futuras práticas pedagógicas e para as suas vidas como cidadãos e cidadãs. Questões estas, colocadas pelo racismo e a consequente produção de desigualdades contra os negros e negras em nosso país. Como na maioria das escolas públicas da região, grande parte dos estudantes são negros (pretos e pardos) e muitos não se reconhecem como tal. Têm dificuldades de falar do assunto e naturalizam (ou não percebem) as situações de racismo, preconceito e discriminação a que são submetidos constantemente.
Atualmente, nos debruçamos sobre todo o material produzido - fotos, vídeos, relatórios, etc. para pensarmos as perguntas que movimentam os nossos estudos e os acontecimentos do curso. O que nos interessa é, no encontro
Leidiane Macambira
Doutoranda em educação pelo PPGEducação-UFF (Com bolsa da CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior); Mestre em educação pelo PPGEDU-FFP-UERJ (Bolsa da CAPES); Pedagoga pela FFP-UERJ (Bolsa de IC-UERJ). Professora no Curso de Formação de Professores em nível médio do IEPIC-SEEDUC-RJ; Professora substituta no curso de graduação em Pedagogia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ. Membro do LEAM; Membro do Coletivo Diferenças e alteridades na educação.
com as pessoas participantes do projeto, parar para pensar o que vivemos lá e o que esta vivência fez conosco, com as nossas dúvidas e certezas ante aquilo que colocamos à mesa para este encontro.
Steffanie Moreno
Graduanda em Pedagogia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, campus Nova Iguaçu. Atuei por 19 meses no PIBIC através do LEAM colaborando na pesquisa “Educação das relações étnico-raciais na cultura digital”. Atualmente integro o GEPCAfro (Grupo de Estudo Patrimônio e Cultura Afro-Brasileira), sob coordenação do Prof. Dr. Otair Fernandes (PPGPACS-UFRRJ). Faço parte do coletivo negro Benguê, somos produtores culturais e de conteúdo que debatem as demandas afrodiaspóricas através da arte, educação e memória.
Palavraschave: Formação de Professores. Pedagogia do olhar. Relações étnicoraciais. Audiovisual.
Artigo completo
Saiba mais sobre o Coletivo Benguê CONEXÕES
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A Síncopa TV o canal do LEAM Síncopa TV
A Síncopa TV é o canal do Laboratório de estudos e aprontos multimídia: relações étnico-raciais na cultura digital. Materializa-se como um webtv que está localizada no youtube e serve para experimentações com a linguagem audiovisual no combate ao racismo.
Parcerias com o PPGPACS - Programa de Pós-graduação em Patrimônio, Cultura e Sociedade
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Oficinas para Salvaguarda das Referências Culturais de Matriz Africana Realização LEAFRO/Iphan e parceria LEAM Julho de 2018
Entrevistas em parceria com a turma de Licenciatura em Educação no Campo - LEC/UFRRJ
Oficinas de fotografia
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Educação antirracista em movimento
Entrevista com o professor Otair Fernandes O racismo é um sistema de poder e atua de maneiras diversas com o objetivo de manter privilégios econômicos, culturais, educacionais e sociais nas mãos do grupo racial branco. As dificuldades em reconhecê-lo através de ações ou comportamentos se dá devido à forma multifacetada como opera, quer seja no cotidiano, através de gestos, olhares, piadas, xingamentos, quer seja institucionalmente. A sustentação desse sistema depende de vários braços que desqualificam os corpos negros. Um desses braços está no controle da imagem, que requer um trabalho meticuloso, sistemático e que atravesse gerações. Afinal, estamos vivendo a primeira metade do século XXI e ainda nos perguntamos quantos professores negros tivemos na graduação e quando foi o ano em que lemos pela primeira vez um autor negro.
“O racismo é institucional, epistêmico, estrutural e está em todos nós. É um sistema mundo que preside as nossas relações. Por isso, que é difícil combatê-lo. Como é que você vai combater algo que você nega? Como você vai combater algo que não reconhece.” Entrevista concedida pelo professor Otair Fernandes
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Evento: Ancestralidade e valores de terreiros - Os Candomblés: entre valores e saberes ancestrais. Debate realizado no Ilé Àse Omiojúàró, sobre patrimônio e cultura afro-brasileira com foco no protagonismo dos povos dos terreiros de matriz africana.
Para entender como professores negros atuam na esfera da universidade pública, alunos da turma de Licenciatura em Educação do Campo (LEC/UFRRJ), em parceria com o Laboratório de Estudos e Aprontos Multimídias (LEAM), entrevistaram o professor Otair Fernandes de Oliveira, doutor em Ciências Sociais e atual coordenador do Programa de Pós-graduação Patrimônio, Cultura e Sociedade (PPGPACS/UFRRJ). Na conversa, o professor traça diálogos com as experiências de vida e a trajetória como professor negro em um espaço tradicionalmente ocupado pelos setores hegemônicos. Também destaca a importância dos trabalhos desenvolvidos nos âmbitos dos Núcleos de Estudos e Pesquisas Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI’s) e dos grupos de pesquisas voltados à temática da educação das relações étnico-raciais que disputam estéticas, narrativas e epistemologias, questionando as visões estereotipadas e as produções eurocêntricas de conhecimento que construíram as ficções racistas que legitimaram a hierarquização de povos e culturas. Uma conversa necessária e que importa a todos que desejam uma sociedade mais justa e igualitária. A seguir, compartilhamos por escrito fragmentos desse encontro.
Otair Fernandes de Oliveira, nascido em 2 de setembro de 1961, cresceu na Baixada Fluminense. Trabalhou como pedreiro, camelô e militar durante a juventude. Iniciou a trajetória acadêmica na universidade pública em 1988, no curso de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Fez Mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente, é professor/ pesquisador da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e coordenador do Programa de Pós-graduação Patrimônio, Cultura e Sociedade (PPGPACS/UFRRJ).
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Evento: Oficinas para Salvaguarda das Referências Culturais de Matriz Africana, realização LEAFRO/ Iphan e parceria Leam. Julho de 2018.
Alunos da turma LEC/UFRRJ: O senhor explicou a definição do racismo, mas eu gostaria de saber se você já passou alguma situação de racismo na sua vida. Otair Fernandes de Oliveira: “Já. Já passei várias. Quando você não tem a compreensão, você passa e, muitas vezes, não sente (...) O racismo do ponto de vista psicológico é muito cruel porque, quando a gente é pobre, neguinho e da favela, as pessoas te xingam e falam e você percebe que não é bem quisto (...) O que o racismo faz com nós negros? A gente tem vergonha de dizer que é negro. A gente tem vergonha de dizer que mora numa família negra. A gente tem vergonha de entrar na casa de um colega. Eu cresci com colegas que, na hora da formatura, os pais não estavam lá. Aí, quando a gente encontra, os pais não sabiam que era a formatura. O pai e a mãe eram 32
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negros. A autonegação é um dos efeitos perversos do racismo”. (...) “Uma das coisas que eu já passei é “o Otair é negão, mas é gente boa”. E quando você se depara com isso e passa a pensar… esse cara está me sacaneando, mas quando você volta pra falar, o cara acha que você é quem não entendeu. “É negão, mas é doutor”. Quando o cara tem necessidade em dizer que eu sou doutor, formado em ciências sociais, licenciado, bacharel, mestre em ciências políticas… primeiro ele fala isso tudo. É claro que é racismo. (...) O racismo é institucional, epistêmico, estrutural e está em todos nós. É um sistema ideológico. É um sistema mundo que preside as nossas relações. Por isso, que é difícil combatê-lo. Por que como é que você vai combater algo que você nega? Como você vai combater algo que não reconhece? (…) Para combater o racismo que está em nós, tanto do ponto de vista individual quan-
to institucional, primeiro tem que admitir que se é racista e que há racismo”. Alunos da turma LEC/UFRRJ: O senhor já passou por situações de racismo dentro da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro? Otair Fernandes de Oliveira: “Quando a gente chega na universidade, entra nos departamentos, algumas colegas nos cumprimentam e a gente percebe o olhar. É bem perceptível. Só que não falam porque o contexto hoje é outro. (...) Por que muitas vezes a lei não avança? Por que pra gente não basta só escrever na lei, não é só o normativo? A lei é necessária, mas não é suficiente quando você lida com questões relacionadas à maneira de pensar, à maneira de agir, à visão de mundo, ao comportamento e as atitudes. (...) A gente promove uma ação do LEAFRO, um seminário, ou a jornada do LEAFRO, você conta no dedo quem aparece. Você vai nos cursos e manda pra os cursos e ninguém dá bola. Diferente do que eles fazem em outras ações. Então, existe
um racismo velado, só que como nós avançamos, não dá pra dizer na nossa cara. (...) A estrutura da universidade ainda é racista, apesar da nossa presença aqui dentro. Apesar de termos avançado. Os critérios que estão estabelecidos em relação ao saber acadêmico são todos eurocêntricos”.(...) Eu e o professor Renato Nogueira, a gente foi a um debate de escola, que o LEAFRO possibilita isso, aí as pessoas foram falando “professor Renato, doutor em filosofia…” e aí todo mundo estava esperando. Daqui a pouco chega um cara com chapeuzinho com cara de pagodeiro e outro rastafari. A turma se assusta. Você percebe o olhar. Quando você começa a falar, eles identificam uma fala que tem propriedade. Mas, no início, só a nossa presença diante do currículo… se falar do currículo sem falar quem é, a turma pensa logo branco. (...) Eu não gosto de me apresentar dizendo que eu sou doutor, sabe por que? Pra depois ver a reação das pessoas.
Lançamento do livro da professora Nilma Lino Gomes na UFRRJ, outubro 2018.
Mãe Edelzuita, Yalorixá do Ilê Obá Nilá, no evento Oficinas para Salvaguarda das Referências Culturais de Matriz Africana
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arte e CULTURA
Vinte anos de projeto
No dia 11 de dezembro de 2018 comemoramos, nos jardins do Museu da República, no bairro do Catete, RJ, os vinte anos do Puxando Conversa. Compareceram compositores, músicos, 34
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amigos, e gente que ficou sabendo ou ia passando e tinha curiosidade de saber o que era. Aos vinte anos, o que podemos dizer sobre as conversas e as formas de começá-las?
Começamos essa conversa na TV Maxambomba, na verdade, em 1990, com o compositor Romildo. Romildo nos ofereceu suas memórias, sua arte. Nos falava da sua vida, do mundo do samba e de seus personagens. Gravamos com Romildo numa semana e ele faleceu na outra, com 47 anos. A conversa com Romildo nos fez ir em busca dos personagens das histórias que ele contava. Fomos em busca de alguns dos compositores (aqueles que estavam vivos e estavam disponíveis para continuarmos as conversas). Gravamos alguns desses compositores, mas não sabíamos ainda o que fazer com o material. A TV Maxambomba exibia em telões nas praças públicas uma “revista eletrônica”. a “revista” era composta por vídeos curtos sobre vários temas. Tínhamos, então, editar o material dos compositores em pequenos trechos. Isso não funcionava. Até que em 1998, resolvemos fazer uma exibição para pessoas que fossem convidadas para assistir
um vídeo sobre um compositor. Ou seja, fomos em busca daquilo que Walter Benjamin chama de comunidade narrativa. Assim nascia o Puxando conversa. Durante esses vinte anos, além daquilo a que ele se prestou - registrar a memória do samba do Estado do Rio de Janeiro e exibir em locais públicos essa memória - ele já foi alvo de pesquisas acadêmicas, já ganhou prêmios, já inspirou muita gente. Produziu até agora um acervo com 27 programas de vídeo e alguns registros dos eventos de exibição/lançamentos - que você pode assistir na Síncopa TV.
Vinte Anos de Puxando Conversa
Síncopa TV Playlist Puxando Conversa
O que espanta miséria é festa!
Artigo Marcos Alvito
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N Título
Compositores
Lançamento
1. Cheio de cantigas
Romildo
Abril de 1998
2. Um preto velho chamado Catoni Catoni 3. Dois enredos, muitas alegorias
Dedé da Portela Norival Reis
Junho de 1998
4. Crônicas cotidianas
Adesonilton Claudinho Inspiração Edson Show
Julho de 1998
5. Uma prosa em versos
Pinga Evandro Lima Sergio Fonseca
Agosto de 1998
6. Batuques
Adilson Magrinho Claudinho do Leão Jairo Bráulio Mário Carabina
Setembro de 1998
7. Nas Veredas do Samba
Noca da Portela Toninho Nascimento
Outubro de 1998
8. Histórias: fios desencapados
Barbeirinho do Jacarezinho Luiz Grande Novembro de 1998 Marcos Diniz Wilson Moreira
Dezembro de 1998
Walter Alfaiate
Março de 1999
11. 30 anos de parceria
Ary do Cavaco Otacílio da Mangueira
Abril de 1999
12. Histórias que se cruzam
Waldir 59 Maio de 1999 Marquinhos Oswaldo Cruz
13. Outros caminhos
Efson Marquinhos PQD
Junho de 1999
14. Harmonia do Samba
Xangô da Mangueira
Julho de 1999
15. Alicerce do Samba
Sarabanda Nego Fugão
Agosto de 1999
16. Tempero
Toninho Geraes Paulinho Rezende
Setembro de 1999
17. Gerações do samba
Argemiro Teresa Cristina
Outubro de 1999
18. No cafofo da Surica
Jair do Cavaquinho Surica Áurea Maria
Novembro de 1999
9. Coisa da antiga 10. Samba sob medida
Dezembro de 1999 Abril de 2004
26. Wilson das Neves
Délcio Carvalho Monarco Bebeto di São João Wilsinho Saravá Tantinho da Mangueira Bandeira Brasil Zé Luiz do Império Serginho Meriti Mauro Diniz Luiz Carlos da Vila Wilson das Neves
27. Orgulho da Serrinha
Tio Hélio
Novembro de 2004
19. Escravo do bom samba 20. Um senhor de respeito 21. Crônicas da Baixada 22. Talento Mangueirense 23. Traços de amizade 24. Mapa da Mina 25. Talentos
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Maio de 1998
Maio de 2004 Junho de 2004 Julho de 2004 Agosto de 2004 Setembro de 2004 Outubro de 2004
AMC - Associação do Movimento de Compositores da Baixada
A festa de 20 anos do Puxando Conversa contou com a participação de professores da Escola de Música da AMC - Associação do Movimento de Compositores da Baixada Fluminense. A escola, que funciona desde 1998, tem um trabalho ligado às raízes da cultura brasileira e oferece cursos de sensibilização e formação profissional a jovens e crianças de São João de Meriti. Saiba mais sobre a AMC: www.escolamc.com.br/ facebook.com/EscolaDeMusicaDaAmc Email: amcbf1@gmail.com Localização: Rua Duque de Caxias, 536 Vilar dos Teles, São João do Meriti, RJ • Tel.: (21) 2752-8876 CONEXÕES
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FALE CONOSCO http://estudoseaprontosmultimidia.info/ aprontosmultimidia@gmail.com Av. Governador Roberto Silveira, s/nº Moquetá – Nova Iguaçu – RJ CEP 26020-740 CONEXÕES
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Apoio 40
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