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Revista Conexões - 2017 - no. 2

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CONEXÕES

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LEAM – Laboratório de estudos e aprontos multimídia: relações étnico-raciais na cultura digital Departamento de Educação e Sociedade, Instituto Multidisciplinar/ UFRRJ

Revista Conexões Editor: Valter Filé Produção editorial: Steffanie Moreno Projeto gráfico: Shirley Martins Texto e revisão: Steffanie Moreno, Graziele Lira e Valter Filé

aprontosmultimidia@gmail.com

Fotos: Acervo LEAM

Av. Governador Roberto Silveira, s/nº Moquetá – Nova Iguaçu – RJ CEP 26020-740 UFRRJ/IM/DES/PPGEDUC

Conselho editorial: Graziele Lira, Leidiane Macambira, Roberta Sandim, Steffanie Moreno e Valter Filé

Apoio

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sumário Editorial .......................................................................................................4 Educação antirracista em movimento: Renato Noguera e o enfrentamento do racismo ........................... 6 Projeto de pesquisa: Relações raciais nas escolas e formação de professores............................................................................................ 10 Desdobramentos................................................................................ 12 Eventos............................................................................................... 13

Alguns aspectos da pesquisa........................................................... 14

Atividades/produtos resultantes do projeto.................................... 15

Artigos........................................................................................................ 18 João da Cruz e Sousa e outras narrativas sobre o racismo brasileiro............................................................................................ 18 Relações raciais, família e educação.............................................. 20 Quatro mulheres e o encontro na educação para as relações raciais................................................................................................. 22 A professora ensinou e o burro não sabe ler: E as dificuldades da consideração de uma educação para as relações étnico-raciais nas escolas brasileiras......................... 24 Escritaformação: a autonarração como dispositivo pedagógico para uma formação de professores “outra”.............. 26 A Síncopa TV: o canal do LEAM............................................................... 28 Arte e Cultura Museu Vivo do São Bento................................................................. 32 CONEXÕES

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editorial Depois de muito esforço coletivo estamos oferecendo o segundo número da revista Conexões. Ele refere-se ao ano de 2017. Porém, só pudemos editá-lo agora, em 2019. E por já termos vivido 2018 e estarmos sobrevivendo a 2019 aproveitamos a ocasião para incorporar um breve registro nesse editorial sobre os efeitos desses tempos sombrios pelos quais o Brasil está passando: as ameaças à democracia, as ameaças à educação pública, a naturalização da violência com o extermínio da população negra e de todos os sujeitos que não se encaixam num determinado modelo cristão, branco, heterossexual. Estamos vivendo tempos de uma ignorância orgulhosa, obscurantista e atrasada. Surfando nesta onda estão os empresários oportunistas, a mídia hegemônica, o mercado financeiro e as convicções perversas dessa gente sobre sociedade e sobre os pobres. Apostam numa sociedade violenta, fundamentalista que se opõe aos conhecimentos que não venham de uma determinada maneira (deturpada) de interpretar a bíblia. Apostam na criminalização do saber acadêmico e dos direitos sociais adquiridos. Temos assistido a omissão das instituições que poderiam garantir a legalidade e visto assomar-se as sementes do fascismo em ações que tem demonizado aqueles que pensam de forma distinta e insuflado linchamentos simbólicos e físicos. Um momento em que parte da população fala em Deus com tanto júbilo quanto fala da morte ou das tragédias de outros seres humanos tidos como inimigos. Um momento em que nem as leis são garantias para um Estado de direito. Estamos vendo a justiça ser vilipendiada e a lei transgredida por seus próprios agentes, aqueles que deveriam garantir a Constituição brasileira. Um momento em que a ilegalidade tem sido justificada para atender a um interesse supostamente mais importante. Um período muito grave que temos que enfrentar e ultrapassa-lo. A nossa revista pretende ser uma resistência a tudo isso na medida em que se oferece como um espaço para pensarmos a Educação, a formação de professores. Nos colocamos contra o racismo, a intolerância e a favor da democracia e da pluralidade das ideias e dos conhecimentos tanto quantos forem possíveis sobre o mundo e sobre as formas de fazer justiça às desigualdades privilegiando o debate e o respeito e não a eliminação do outro. 4

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Falando mais especificamente desse número. Ele está dedicado ao projeto de pesquisa Relações raciais nas escolas e formação de professores, realizado entre 2013 e 2017 e aos estudos de alguns membros do LEAM como desdobramentos dele. Assim, estarão circulando por aqui escritos de Eloisa Lopes, Tarciso Manfrenati, Cintia Mariane da Silva, Taís de Almeida Costa e Adilson Alves Santos. Todos/as, de alguma forma, trabalharam em suas pesquisas de mestrado com narrativas de formação articulando as suas histórias com as repercussões do racismo nos processos de escolarização, na família ou na história de artistas negros esquecidos como é o caso do Poeta Cruz e Souza. Temos ainda nesta edição: • Uma entrevista com o Prof. Dr. Renato Noguera, da

UFRRJ que nos falou dos seus envolvimentos na luta por uma educação das relações étnico-raciais e seu trabalho como pesquisador e militante.

• Apresentaremos a Síncopa TV - um canal do LEAM

que pretende ser um espaço de experimentação, pesquisa e produção de material educativo.

• Gostaríamos também de apresentar o Museu Vivo

do São Bento, localizado em Duque de Caxias. O museu, suas atividades, etc.

• Ofereceremos ainda algumas informações sobre o

LEAM e suas criações: estudos e aprontos e algumas dicas de estudos e outras informações.

Iniciaremos nesse número um canal de comunicação com vocês. Um lugar para você nos enviar seus comentários, sugestões e cadastrarem-se para receberem outros números da revista e a comunicação de outras ações do LEAM. Boa leitura! Valter Filé CONEXÕES

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Educação antirracista em movimento

Renato Noguera e o enfrentamento do racismo Nesta edição vamos conhecer alguns movimentos do Professor Doutor Renato Noguera. Com uma formação em filosofia tangenciando educação e estudos de psicanálise o professor ressalta sua formação de movimento social e sua formação familiar, especificamente com seu finado avô materno, no campo da contação de histórias tradicionais da África do Oeste. Renato Noguera têm dedicado seus esforços de pesquisa a dois campos de conhecimento: o campo dos estudos da Filosofia Africana e dos povos indígenas e o campo dos estudos da Infância. Ambos os estudos estão ligados ao campo de Educação das relações étnico-raciais.

Entrevista concedida pelo professor Renato Noguera

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Spoilers da entrevista Pensar a educação antirracista é lidar com o desafio de enfrentar o racismo na sociedade. O professor acredita que para além das denúncias de racismo é necessário politizar o debate, visto que, o racismo é uma experiência comunitária e se faz presente em todas as circunstâncias do cotidiano. Pensando em deslocar o debate das relações interpessoais o professor afirma:

“Precisamos criar arenas públicas para debater o racismo e pensá-lo politicamente.” Para o professor Renato, a maneira da gente modificar ou combater o racismo não pode ser só da ordem da representatividade. Uma das maneiras de trabalhar a temática do racismo é pensar repertórios epistemológicos que não sejam apenas eurocêntricos, isso traz uma dimensão de recuperar e restaurar criticamente a produção de conhecimento de povos africanos e de povos ameríndios, além de apresentar outras possibilidades, outras alternativas para as demandas que o mundo enfrenta hoje. Isso não quer dizer abandonar a leitura de clássicos do Ocidente, mas quer dizer que as respostas do Norte Global não são suficientes. Pensando no trabalho pedagogicamente devemos fazer uma incursão de transformação do nosso do imaginário racista, pois somos criadas e criados para reprodução e manutenção desse imaginário. Então, pedagogicamente, tem que desfazer e ressignificar a história que estamos acostumados trazer outras narrativas, outras formas de aprender. O professor Renato alerta que as pessoas sabem que o racismo existe, mas não se veem como autoras do racismo. Isso porque, não é fácil falar sobre o racismo, mas devemos convidar as pessoas para que elas falem, porém cada um tem seu tempo. Mas não podemos deixar de falar, porque se não falarmos sobre isso não entendemos o Brasil.

Renato Noguera nasceu no Rio de Janeiro em 1972 e, é morador de Duque de Caxias na Baixada Fluminense do RJ. Doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Pesquisador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Leafro), e, do Laboratório Práxis Filosófica de Análise e Produção de Recursos Didáticos e Paradidáticos para o Ensino de Filosofia (Práxis Filosófica). Noguera coordena o Grupo de Pesquisa Afroperspectivas, Saberes e Infâncias (Afrosin), Noguera está envolvido com três projetos de pesquisa: 1) Filosofando com sotaques africanos e indígenas; 2) Educação, Arte, Infância e Relações ÉtnicoRaciais: a literatura infantil a partir dos afro-rizomas e do perspectivismo ameríndio; 3) “Modernidade” na perspectiva da Crítica da Razão Negra. Currículo Lattes

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Além disso, o professor afirma que só é possível uma sociedade democrática se a gente enfrentar o racismo. Ou seja, as práticas antirracistas são fundamentais para a democracia brasileira. O racismo diz respeito a todo mundo, não só a população negra que sofre o racismo de forma estrutural e estruturante, até porque outros grupos sofrem discriminações raciais. E provoca: “Por que só os não-brancos são racializados?” O professor enaltece desde 2003 existe um conjunto de leis que, segundo ele, desencadeiam diversas ações para efetivar uma educação antirracista. E que esse conjunto de leis faz emergir uma estrutura de formação, que se ocupa da formação continuada de profissionais de Educação de escolas públicas e privadas no Brasil. A universidade tem trabalhado no setor de formação continuada e no setor de formação, porque os currículos dos cursos de licenciatura, da maioria das Universidades, possuem uma ou mais disciplinas voltada à formação para a Educação das relações étnico-raciais.

Lei 10.639/2003 Lei 11645/2008 Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana Núcleos de estudos afrobrasileiros, africanos e indígenas

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Segundo o professor Renato, sua contribuição está nas pesquisas, orientações e publicações e na participação em diversas formações. Além disso, o professor tem atuado no audiovisual, voltado para os desenhos animados. Investindo em outros repertórios para pensar com as crianças não só o príncipe e a princesa; o herói e a heroína, sua ideia é oferecer um entretenimento suave com conteúdo afro-brasileiro, africano e indígena. O professor destaca entre seus os projetos o projeto Nana & Nilo onde ele assina o roteiro e conta com direção de Sandro Lopes, direção de Arte de Cris Pereira e produção musical de Augusto Bapt.

“Eu tenho um co-orientando que disse pra mim: professor Noguera a sua verdadeira tese é o Nana & Nilo… Talvez essa seja a minha grande tese, seja esse projeto, porque é contar história para crianças e com as crianças.”


Nana e Nilo

Sobre os idealizadores: Autor: Renato Noguera é doutor em Filosofia e além de escrever para crianças, trabalha como professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

O projeto Nana & Nilo é uma série de aventuras protagonizadas por uma dupla de crianças muito inteligentes e curiosas. O universo dos irmãos gêmeos que dão nome ao projeto, encontram-se em diferentes formatos como desenho animado, quadrinhos, livros infantis, livros de colorir, e DVDs musicais. Toda a coleção da série procura contribuir para o desenvolvimento educacional das crianças através de conteúdos que despertam o lado lúdico, aliado ao conhecimento da diversidade étnico-racial, do envolvimento sustentado e da ética ubuntu. Nana e seu irmão Nilo, ao lado de Gino – o passarinho verde – participam de enormes aventuras com a árvore encantada Mulemba, viajando para diversos lugares em busca de respostas para questões da infância, charadas e diversas curiosidades descobrindo um universo fantástico.

Ilustrador: Sandro Lopes é animador e ilustrador. Mestrando do Programa de Pós-graduação em Design da Puc-Rio e formado pela Faculdade de Desenho Industrial da UFRJ. Designer: Cristiane Pereira é ilustradora e cenógrafa. Pós-graduanda em Ilustração e Design Gráfico na FAMATH. Formada em Cenografia pela UNIRIO. Trabalha com ilustração e diagramação de livros didáticos.

Suas histórias são recheadas de fantasias e muitas surpresas em lugares belos no presente, no passado e no futuro. As viagens são grandes aventuras que podem levar as pequenas e os pequenos leitores ao conhecimento de diversas culturas. Em cada viagem, surgem costumes, objetos, brinquedos e brincadeiras de várias partes do planeta. Nana e Nilo aprendem muito sobre respeito a todos os seres vivos, ao meio ambiente, às diversas formas de compartilhar experiências com outras crianças e ao legado cultural deixado pelos seus ancestrais africanos.

Confira as divertidas aventuras de Nana e Nilo acessando: Nana & Nilo

Canal do youtube

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projeto de pesquisa

Relações raciais nas escolas

Leia o número anterior da revista Conexões

Resumo do projeto

Em 2013 começamos a executar o projeto de pesquisa Relações raciais nas escolas e formação de professores. A ideia principal era compreender melhor a formação - no sentido mais amplo que inclui a formação escolar, mas não só - dos/as estudantes do curso de Pedagogia da UFRRJ/IM, campus Nova Iguaçu. Entre 2012 e 2016 ouvimos histórias de estudantes das diversas turmas que passaram pela disciplina Sociologia e Educação II. Algumas dessas histórias estão no número anterior da revista Conexões, que foi totalmente dedicada às narrativas coletadas.

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Considerando as experiências vividas pelos/as estudantes, suas narrativas nos possibilitaram pensar sobre as formas como o racismo atua e como ele está inserido no cotidiano das pessoas. O projeto passou a ser também um ponto de partida para as pesquisas dos orientandos/as membros do LEAM. Assim, as orientações de iniciação científica, de monografia, de mestrado e de doutorado passaram a assumir também as questões que o projeto se propunha a enfrentar e/ou utilizando-se do estudo das narrativas, das memórias, das condições das escritas autobiográficas para


s e formação de professores Site LEAM

desenvolverem suas pesquisas. Aqui, nesta edição, publicamos artigos que foram produzidos a partir das pesquisas de: Eloisa Lopes, Cintia Mariane, Tarciso Manfrenatti, Adilson Santos e Taís Almeida. A pesquisa marca ainda os primeiros passos do LEAM (e do seu site) a partir do aparecimento de sua tv - a Síncopa-TV -, da revista conexões e da interconexão entre pesquisa, ensino e extensão de forma sistemática e contínua. Ou seja, as pesquisas do LEAM passam a oferecer material para as disciplinas e suas experiências - da pesquisa e das disciplinas -

convertem-se em atividades de extensão e/ou tais atividades de extensão retornam como materiais da pesquisa e como material educativo para as aulas, para as orientações, como é o caso da revista Conexões e das produções audiovisuais da STV.

Pesquisas

São produções que se utilizam de elementos das pesquisas e envolvem orientandos, estudantes das disciplinas com pessoas de outros lugares ou situações, tendo como resultado a revista ou uma produção audiovisual que volta como material educativo para os envolvidos, para parceiros e oferecidos ao público em geral. CONEXÕES

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Desdobramentos Iniciação Científica / Orientações graduação

Orientações pós - graduação Adilson Santos - Mestre em Educação 2016 Título da dissertação: João da Cruz e Souza e outras narrativas sobre o racismo brasileiro

Lídia Damásio - Iniciação Científica: Educação, relações étnico-raciais e produção de desigualdades - PIBIC/CNPq 2013 Dandara Anchieta Mattos Iniciação Científica: Educação para as relações étnico-raciais - PIBIC/CNPq - 2014 Luana Sandes - Iniciação Científica: Tecnologias, educação e relações étnicoraciais - Faperj - 2015 a 2017 Graduação em Pedagogia 2018 Título do trabalho de conclusão de curso: Ladys em formação, gênero e raça. Lorena Cardoso - Graduação em Pedagogia 2017 Título do trabalho de conclusão de curso: Narrativa de aluna negra e seu processo de escolarização.

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Cíntia Mariane da Silva - Mestre em Educação 2017 Título da dissertação: Educação vem de casa(?): um ensaio sobre relações raciais, família e educação. Eloisa Lopes de Oliveira - Mestre em Educação 2015 Título da dissertação:Quatro mulheres e o encontro na educação para as relações raciais. Maria José da Silva - Mestre em Educação 2015 Título da dissertação: Entre ensaios, fragmentos, gestos, Ana Letícia, Claudia, Vaniele, Cislene: Encontros possíveis na formação de professores. Roberta Ferreira Sandim - Mestre em Educação 2019 Título do projeto: A imagem da escola pública Tais de Almeida Costa- Mestre em Educação 2016 Título da dissertação: Que corpo é o meu? A construção e desconstrução das representações corporais Tarciso Manfrenatti de Souza Teixeira - Mestre em Educação 2017 Título da dissertação: Você é um homem ou um rato?: Narrativa de como ser homem na educação


Eventos VI Seminário Vozes da Educação FFP/UERJ São Gonçalo, RJ. De 12 a 14 de setembro de 2016

II Copene Sudeste (Congresso de Pesquisadores/as Negros/asda Região Sudeste) UFMG, Belo Horizonte, MG. De 27 de fevereiro a 2 de março de 2018.

IX Seminário Internacional As Redes Educativas e as Tecnologias UERJ, Rio de Janeiro, RJ. De 5 a 8 de junho de 2017.

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Alguns aspectos da pesquisa Mais de

50%

dos/as estudantes moram em

Nova Iguaçu Mais de

65% são negros (pretos e pardos)

A maioria

pais

dos estudaram até a

4a série

primária 14

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A pesquisa de campo foi realizada em oito turmas do curso de Pedagogia, do Instituto Multidisciplinar, envolvendo 246 estudantes na disciplina de Sociologia da Educação II, lecionada pelo coordenador da pesquisa, José Valter Pereira.

frequentado em sua maioria por moradores da Baixada Fluminense. Mais de 65% são negros (pretos e pardos) e a renda média familiar está entre 2 e 5 salários mínimos. Os evangélicos (considerados aqui protestantes e neopentecostais) são maioria.

Além da coleta das narrativas de formação (respondendo a uma questão central: como vocês chegaram a uma universidade pública?), cada turma preencheu um questionário que visava obter informações socioeconômicas.

Constatamos ainda que muitos dos pais dos/as estudantes tiveram formação escolar inferior aos filhos, sendo que os pais estudaram em sua maioria até a 4a série primária.

Destas informações passamos a oferecer algumas que nos pareceram importantes para os objetivos da pesquisa. Os questionários revelaram que: Mais de 50% dos/as estudantes moram em Nova Iguaçu, local em que está localizado o campus em que o curso é oferecido. Menos de 5% são da cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, o curso é

Responderam ainda que as mães tinham como ocupação, em sua maioria esmagadora, os afazeres do lar ou eram empregadas domésticas. Os pais, em sua maioria, empregados da construção civil. Não é difícil constatar (e obtivemos isso em muitas narrativas) que muitos dos/as estudantes eram os primeiros da família a cursarem uma universidade.


Atividades/produtos resultantes do projeto Seminário relações raciais nas escolas e formação de professores curso de Pedagogia participaram também os orientandos de Iniciação Científica, de Monografia e de Mestrado e Doutorado. O Seminário aconteceu na modalidade presencial e também na modalidade virtual.

A ideia deste seminário foi prestar contas publicamente daquilo que foi possível fazer, pensar, aprender com o projeto de pesquisa que tem o mesmo nome. Um projeto que tentou articular movimentos e conexões entre experiência de vida, formação e docência, a partir da disciplina Sociologia e Educação II, oferecida no curso de Pedagogia do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ. Além dos(as) estudantes do

O Seminário marcou o encerramento do Projeto Relações raciais nas escolas e formação de professores (20132017) e abrigou convidados que abordaram questões referentes às relações raciais e a formação de professores. O coordenador da pesquisa tratou das questões centrais do projeto e daquilo que vem sendo possível pensar; os orientandos (de mestrado, de graduação e de iniciação científica) e estudantes das turmas ofereceram suas narrativas à pesquisa e à disciplina. Além disso, o Seminário também serviu como um espaço de anúncio do novo projeto que entrou em desenvolvimento: Educação das relações étnico-raciais na cultura digital. Esta fase de passagem foi marcada pela conexão dos dois projetos a partir das seguintes atividades: lançamento da Síncopa-TV, lançamento da revista digital Conexões e o lançamento de um documentário sobre o projeto 2013/16.

O seminário em fotos

Vídeo Memórias de formação

Síncopa TV CONEXÕES

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Seminário virtual O Seminário aconteceu na modalidade presencial e também na modalidade virtual O seminário, na modalidade virtual, elaborou-se com o objetivo de ampliar o debate em torno das questões das relações raciais na educação, nos processos de escolarização, na formação de professores. Oferecendo outras formas e possibilidades de participação, ultrapassando as disponibilidades limitadas pela condição espaço-temporal.

Experimentamos a realização de uma parte do seminário de forma virtual e outra presencial, o desenvolvimento foi realizado no site do leam com apresentação de trabalhos em vídeos.

“Esse seminário virtual é muito interessante e importante para a formação de nós futuros professores. Esses temas abordados são de grande valia, nos ensinam como agir na sala de aula, onde há diferenças culturais.” Najara Almeida de Souza

A pesquisa marcou também a materialização dos primeiros estudos

feitos no LEAM e os seus primeiros aprontos

Memórias de formação Vídeo produzido com estudantes do curso de Pedagogia da UFRRJ/ IM, como parte do projeto de pesquisa Relações raciais nas escolas e formação de professores e exibido (lançado) no Seminário. 16

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Revista Digital Conexões

Clique aqui para acessar a revista

A primeira edição da revista digital CONEXÕES foi dedicada ao projeto de pesquisa Relações raciais nas escolas e formação de professores. Um projeto que ouviu relatos autobiográficos dos/das estudantes do curso de Pedagogia do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, entre 2012-2 e 2016-1 em busca de pistas para compreendermos melhor os seus processos

de formação. Portanto, na publicação n°1 da revista estão algumas das narrativas autobiográficas estudadas, os impactos da pesquisa nos projetos dos membros da equipe do LEAM – orientandos e parceiros, e textos (verbais e audiovisuais) sobre o projeto e sobre aportes importantes daquilo que gira ainda em torno das questões do projeto.

A Síncopa TV Veja matéria sobre a Síncopa TV na página 28

Síncopa TV

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artigos

João da Cruz e Sousa e outras narrativas sobre o racismo brasileiro Adilson Alves Santos

Este artigo é um recorte da pesquisa João da Cruz e Sousa e outras narrativas sobre o racismo brasileiro, concluída em 2016, faz parte do PPGEDUC, da UFRRJ, inserindo-se na linha de pesquisa Educação e Diversidades Étnico-Raciais. Esta investigação está vinculada ao Grupo de Pesquisa: Educação, Sociedade do Conhecimento e Conexões Culturais e dialoga diretamente com o Projeto de Pesquisa Relações Raciais nas Escolas e Formação de Professores.

Cruz e Sousa aos vinte e dois anos

Partindo da vida e obra de João da Cruz e Sousa, tentamos problematizar como algumas questões suscitadas por ele, no final século XIX, ainda podem nos ajudar a refletir sobre as relações étnico-raciais na sociedade brasileira. Esta investigação tencionou entramar a minha história, as narrativas dos meus alunos, considerados aqui como sujeito coletivo, e a história do poeta João da Cruz e Sousa. No enredamento das narrativas mencionadas, apesar da diferença espaço-temporal que as separa, busquei os possíveis diálogos que possam nos ajudar a pensar como o racismo ainda se mantém e se atualiza no cotidiano da escola? De que forma o preconceito, o racismo e a discriminação se materializam na produção de desigualdades dentro do ambiente escolar?

Fac-símile de manuscrito do poema Dupla Via-lactea. Acervo: Museu Histórico de Santa Catarina (ASSIS; INÁCIO; SANTANA, 2015, p. 26)

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Desta forma, este estudo dialoga com autores como Muniz Sodré (2000;2010), Kabengele Munanga (2006), Nilma Lino Gomes(2003;2012), Frantz Fanon (2008),


Adilson Alves Santos

entre outros estudiosos do campo das relações étnico-raciais, articulando-os com os estudos do Grupo Modernidade/Colonialidade(2007;2008), Hanna Arendt (2007) também nos ajudou a desenvolver algumas questões com os conceitos de aparência e espaço público. Para entramar as narrativas em questão nos apoiamos em José Valter Pereira (2000;2006 e 2010), Jorge Larrosa (1994; 2014), Walter Benjamin (1985), Leonor Arfuch (2010) e também Luciano Bedin da Costa (2010). Sobre a vida e a obra do poeta, consultamos estudos bibliográficos, documentos, como jornais, revistas de crítica literária do final do século XIX etc. que, de alguma forma, se relacionam com o problema pesquisado. Como narrativa dos alunos consideramos o conjunto de textos e conversas que aconteceram dentro do espaço escolar a partir de atividades ou situações que envolveram relações étnico-raciais. Além disso, assumimos aqui o desafio político de exercitar uma escrita ensaística a fim de problematizar a estética hegemônica como caminho único na produção do conhecimento.

Possui Mestrado em Educação pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2016), especialização em Língua Portuguesa pela UERJ-FFP (2004), especialização em Relações Étnico-Raciais e Educação pelo CEFET-RJ (2012) e graduação em Letras pelas Faculdades Integradas Simonsen (2001). adisantos37@gmail.com

Palavras-chave: (auto)biografia; narrativas; Cruz e Sousa; relações-étnico-raciais.

Artigo completo

Cruz e Sousa: o Dante negro da poesia brasileira

““E talvez, ao entramar a minha narrativa, a do poeta João da Cruz e Sousa e as narrativas de meus alunos, esta pesquisa possa trazer alguma contribuição para pensarmos as relações étnico-raciais, principalmente, dentro do espaço escolar...” CONEXÕES

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artigos

Relações raciais, f O presente artigo traz algumas reflexões tecidas em minha dissertação de mestrado, provocadas, em grande parte, pelas narrativas de professores e estudantes de Pedagogia envolvidos do Projeto Relações Raciais nas Escolas e Formação de Professores.

“Entender os possíveis sentidos por trás do silêncio/negação de minha mãe e parte de minha família sobre o meu avô negro, também representa um esforço de compreender como tantos outros sujeitos sistematicamente são negados e adulterados nas famílias, nas escolas e na sociedade.”

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As histórias de vida e formação desses sujeitos me ajudaram a pensar sobre como vamos nos formando – para as relações raciais – em meio a práticas e discursos familiares (que também alimentam e são alimentados por outras agências educativas) que parecem transcender os contextos particulares e de um suposto senso comum. Em que medida as histórias de família oferecem elementos para pensarmos a sociedade em que vivemos? No cotidiano das famílias, o que nos ensinam e o que aprendemos sobre nós mesmos e sobre os outros? Se encaramos a educação enquanto


família e educação

Cíntia Mariane da Silva

Cíntia Mariane da Silva

um processo social mais amplo, qual seria a relação entre a aprendizagem de preconceitos, atitudes discriminatórias e a educação que vem de casa? Essas foram algumas questões que serviram de fio condutor para a pesquisa e que ajudam a entramar neste trabalho as histórias de silenciamento e negação do racismo vivenciadas pelos colegas do Laboratório de Estudos e Aprontos Multimídias LEAM e pelos estudantes que participaram do projeto no ano de 2015. Narrativas que mostram como o esforço empreendido pela sociedade brasileira em dissimular o racismo (SOUZA, 1983) vem produzindo hiatos em nossas histórias, dando a pensar como essas experiências (LARROSA, 2015), vividas em família (CARVALHO, 2015; SCHEINVAR, 2006) impactam na forma como encaramos as relações raciais na sociedade de forma mais ampla, inclusive na nossa atuação como professores(as).

Graduada em Pedagogia, possui especialização em Gestão em Administração Pública (UFF) e Mestrado em Educação pela UFRRJ. Atualmente é Analista de Educação na Escola Superior do Ministério Público da União, atuando especialmente nas áreas de Educação a Distância e Formação Docente. mariane_1906@hotmail.com

Artigo completo

Palavras-chave: Relações raciais, família, educação, narrativas, experiência. CONEXÕES

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artigos

Quatro mulheres e o encontro na educação para as relações raciais Eloisa Lopes

Este artigo surge como intuito de trazer algumas reflexões que foram possíveis a partir do trabalho 4 Mulheres e o encontro na educação das relações raciais que foi produzido entre os anos de 2013 e 2015, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, através do Mestrado no Programa de Pósgraduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares. A partir da pergunta: Como produzir sua existência frente a uma produção sistemática de desigualdades? Busquei elementos que ajudassem a pensar algumas questões que fossem interessantes à Educação para as relações raciais em nosso país. Para tal, em primeira instância, trouxe as minhas próprias implicações com o tema, no intuito de encarar os problemas que eu trazia e incorporar à pesquisa; o que só foi possível, também, pela adoção do ensaio como meio de escrever uma escrita-pesquisa, sem querer resguardar os limites definidos historicamente pela Ciência hegemônica (LARROSA, 2003). Assim, com as histórias de vida de duas mães-desanto da cidade de Nova Iguaçu, Arlene de Katendê e Mãe Margarida, contadas em entrevistas gravadas em vídeo, tentei enfrentar a nossa dificuldade em lidar com as diferenças forjadas dos encontros históricos e cotidianos. Busquei olhar para a produção de existência destas mulheres como forma de repensar uma epistemologia que tem limitado nossas formas de vida ao impor o padrão branco, machista, hetero-cis-sexual, cristão e, para tanto, estou considerando o acolhimento das narrativas de vida 22

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Eloisa Lopes “E me peguei a estas histórias por acreditar em sua força, mas não em uma força já dada, mas numa força habitada por pessoas. Subjetividades, afetos, sentimentos. Histórias que vão junto com um desejo de abertura para possibilidades de criação de outros mundos, outras realidades…” contra o desperdício da experiência (LARROSA, 2014; BENJAMIN, 1996), e a valorização dos acontecimentos que atravessam os cotidianos dos sujeitos envolvidos na pesquisa (CERTEAU, 1998; FERRAÇO, 2003). Olhar para estas histórias também no intuito de se posicionar no campo das relações raciais de modo a confrontar um acordo de silenciamento que parece pairar sobre seus conflitos, como forma de produzir sua não existência e falta de aparência no espaço público (ARENDT, 1995; FILÉ, 2013; SANTOS, 2000). Sobretudo quando da urgência da discussão e aplicação da Lei 10.639/06, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nos ensinos fundamental e médio, nas instituições públicas e privadas. O que também surge como uma ferramenta para repensar estas epistemologias é a noção de colonialidade, desvelando como este poder de dominação e exploração coloniais ainda permanece em nossa sociedade como fortes estruturas (SANTOS e MENESES, 2009). Uma delas é o racismo epistêmico, que vem instituindo a hierarquização dos saberes e definindo os conhecimentos advindos dos negros como inferiores; assim como as religiosidades herdadas dos africanos escravizados como menores ou, até mesmo, malignas. Ao ser atravessada pelas vidas e vozes de tantos sujeitos, esta escrita-pesquisa que ensaia incorpora questões sobre um olhar biográfico (COSTA, 2010) como forma de dar a ver a potência criadora da vida a partir dos encontros.

Mestre em Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação, Contextos contemporâneos e Demandas Populares, da UFRRJ, especialização em “Diversidade Étnica e Educação Superior Brasileira” pelo LEAFRO-IM-UFRRJ e graduação em Pedagogia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2011). Atua como pesquisadora no Projeto de Extensão “Formação Cultural dos Jovens Rurais em Cultura e Comunicação Comunitária”, pelo Cnpq. helo52melo@yahoo.com.br

Artigo completo

Palavras-chave: Educação; relações-raciais; formação de professores. CONEXÕES

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artigos

A professora ensinou e o burro não sabe ler E as dificuldades da consideração de uma educação para as relações étnico-raciais nas escolas brasileiras. Taís de Almeida Costa

O presente artigo constitui-se como um recorte da dissertação intitulada: Que corpo é o meu? A construção das representações corporais de alunos do 5º ano do ensino fundamental do município de Nova Iguaçu desenvolvida por mim e defendida no ano de 2016 .

“...perceber o quanto minha história de mulher negra, capoeirista, jongueira, e tantas outras histórias como as dos alunos, professores, funcionários com os quais eu interajo cotidianamente, poderiam ser valorizadas e nunca deveriam ser deixadas de fora do espaço escolar.”

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Inserida no campo da Educação, especificamente na linha de estudos das Relações Étnico-Raciais, minha dissertação foi um desdobramento do projeto de pesquisa “Relações Raciais nas escolas e formação de professores” vinculada ao Laboratório de Estudos e Aprontos Multimídias (LEAM) da UFRRJ. As relações raciais, particularmente as produções humanas que envolvem o movimento com/contra o corpo negro nas escolas é que motivaram esta pesquisa. Envolvida por um sentimento que beirava a indignação cada vez que presenciava alguns alunos inferiorizando outros por causa da cor da pele, tipo de cabelo e traços fenotípico. Encaminhei a pesquisa do mestrado com a proposta de investigar como esses alunos, negros ou não, se representavam/identificavam e que noções de corpo traziam para se representarem. Porém, o objetivo deste artigo é tentar entender os desdobramentos do acesso e da permanência de alunos negros e pobres nas instituições escolares brasileiras a partir do início


do século XX, assim como o desenvolvimento de suas trajetórias mediante todo o processo histórico que os envolve. Que tipo de educação passou a ser oferecida à população na ocasião em que esta se tornou um direito para “todos” os cidadãos brasileiros? Por que ainda é tão difícil verificar nas escolas brasileiras o desenvolvimento de um trabalho voltado para a educação das relações raciais e para a promoção da igualdade racial? Pretende-se que estas e outras questões nos ajudem a compreender como pessoas negras e pobres, que passaram ou ainda estão nas instituições escolares, fizeram/vem fazendo para se manterem nesses espaços (públicos) e tentarem ultrapassar as barreiras do conformismo e naturalização que o racismo impõe. A fim de “contribuir” com os debates necessários sobre a descolonização do espaço escolar e daquilo que pode ser pensado nessas instituições, busca-se incentivar um mundo onde se respeite e se reconheça a dignidade das pessoas, considerando pensamentos e práticas de diversos modelos de existência, além de diferentes formas de organização política, social, cultural e econômica. Trazendo referências de autores que sugerem a criação de alternativas aos paradigmas estabelecidos, buscando a nossa existência e possibilitando a existência de todos.

Taís de Almeida Costa

Cursou Pós-Graduação (Lato Sensu) Pedagogia Crítica da Educação Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro/ EEFD (2017). Possui Mestrado em Educação, Demandas Populares e Contextos Contemporâneos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2016). Possui graduação pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2006). Atualmente é professor Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro e professor da Prefeitura da cidade de Nova Iguaçu. Tem experiência em Capoeira (Contra Mestre) e na área de Educação Física, com ênfase em Educação. taisagbara@oi.com.br

Palavras-chave: educação escolar, relações étnico-raciais, formação de professores, racismo.

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artigos

Escritaformação:

a autonarração como dispositivo pedagógico para uma formação de professores “outra”

Tarciso Manfrenatti de Souza Teixeira

Somos palavra e as palavras determinam o modo com o qual nos colocamos diante de nós mesmos e diante dos outros. Porém, não nos damos conta disso porque a palavra foi convertida em ferramenta, em mecanismo de controle.

“Ao decorrer daquela escrita, tive a oportunidade de vasculhar, assim como o narrador sucateiro benjaminiano, os meus escritos (diários), as minhas memórias, as lembranças que vivi com minha avó, com meus pais, familiares e professores que me ensinaram a disfarçar a minha cor; a camuflar os “desvios” de minha masculinidade”

Com isso, aprendemos a ter; não apenas, uma linguagem homogênea e higienizada; mas também, uma formação de professores prescritiva, tecnocrática e asséptica. Que retroalimentam um círculo vicioso, no qual (re)produz desigualdades. Então, como romper com esse ciclo vicioso? Como pensar em uma formação de professores “outra”? Uma possibilidade, é relembrar que somos organismos contadores de histórias. E, assim, podemos aprender-ensinar com as histórias que contamos e ouvimos. E, ao en-tramar nossas vidas em narrativas seremos capazes de fazer com que as diferentes histórias e acontecimentos vividos – ouvidos (vistos, lidos) – possam ser in-corporados para a re-elaboração das nossas tramas, dos sentidos que podemos criar para a compreensão de nós mesmos e do mundo. Sem falar que, teríamos a oportunidade de tirar as diversas histórias “outras” de sujeitos “outros” da invisibilidade e do isolamento.

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Tarciso Manfrenatti de Souza Teixeira

Um dos muitos bilhetinhos que minha avó escrevia para mim

Palavras-chave: Narrativas; experiência; escrita de si; formação de professores; produção de subjetividade.

Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares (PPGEDUC) pelo Instituto de Educação e Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Participante do Grupo de Pesquisa Laboratório de Estudos e Aprontos Multimídia (LEAM), coordenado pelo prof. Dr. Valter Filé (DES/UFRRJ) e do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas, Movimentos Sociais e Culturais (GPMC), coordenado pelo prof. Dr. Luíz Fernandes de Oliveira (DES/UFRRJ). Especialista em Educação e Relações Raciais do Programa de Educação Sobre o Negro na Sociedade Brasileira (PENESB) pela Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF). Professor de Língua Portuguesa e de Literatura Brasileira da Secretaria Estatual de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC/RJ). Professor de Língua Inglesa da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME/RJ). Especialista em Língua Portuguesa pelo Liceu Literário Português (2009). Graduado em Letras/Inglês pela Universidade Castelo Branco (2014) e em Letras/ Literatura brasileira pela Federação de Escolas Faculdades Integradas Simonsen (2006). Desde 2006 é professor com atuação no Ensino Fundamental e Ensino Médio em escolas da rede pública e privada de ensino, além de atuar em ONGs e projetos sociais.

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A Síncopa TV o canal do LEAM

Síncopa TV

As pesquisas desenvolvidas pelo nosso laboratório - que tem suas atividades articuladas a partir de um site na internet - têm buscado o estudo das imagens, das linguagens e das mídias e as diferentes formas de narrar o mundo. Consideramos as imagens, as linguagens e as mídias - suas produções, usos e consumos - como oportunidades para compreendermos melhor aspectos da sociedade brasileira e principalmente a produção, manutenção e naturalização do racismo, da discriminação e do preconceito. Resolvemos, então, criar um canal no youtube. Um canal onde pudéssemos disponibilizar a nossa produção audiovisual. Uma produção que resulta dos nossos estudos, das nossas parcerias e dos esforços de formação, de experimentação e produção de material educativo. Mas que nome colocar neste canal? Resolvemos chamá-lo de SÍNCOPA-TV!

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O que estamos chamado de Síncopa? Muniz Sodré, no livro Samba o dono do corpo, diz: “A síncope é uma alteração rítmica que consiste no prolongamento de um som de um tempo fraco num tempo forte” (SODRÉ, 1998, p.25). Sodré fala da síncopa como resistência: “Era uma tática de falsa submissão: o negro acatava o sistema tonal europeu, mas ao mesmo tempo desestabilizava, ritmicamente, através da síncopa …” (SODRÉ, 1998, p.25). Este é o nosso ponto de entrada, o ponto de entrada dos nossos corpos no mundo acadêmico. Corpos com os quais a universidade brasileira ainda não está habituada a vê-los nas salas de aula, nos cargos diretivos, como sujeitos. A inspiração, a empatia com este nome nasceu do projeto de memória de compositores de samba: o Puxando conversa. Um projeto que, a partir da produção do samba, das

memórias dos compositores tentou compreender como nós, negros/as fizemos/fazemos para sobreviver no mundo dos brancos? Compreender o movimento proposto pelo compositor Beto Sem Braço (compositor da Império Serrano) quando dizia: “o que espanta miséria é festa”? E, mais epecificamente: como o samba - ou seja, sua gente - fez para aparecer em diferentes espaços e sobreviver ao tempo? Como o samba fez para criar alternativas à esta organização tempoespaço colonial-capitalista?

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No samba, a relação do ritmo e da re-organização dos espaços pela movimentação dos corpos pode se dizer que gira em torno da SÍNCOPA. Ela é o ponto de entrada do corpo e, com ele a materialização de outros tempos, a dinamização dos espaços… acontecimentos! Uma conexão tempo-corpo-memória-experiência como registro dos nossos trânsitos por muitos espaços. As diferentes possibilidades da efetuação das palmas, dos meneios do corpo e das pulsações como resultado do atravessamento do mundo, no corpo (e vice-versa). Ao convocar o corpo, a síncopa se torna, neste tipo de música, a abertura para outros mundos. A Síncopa TV, portanto, é a oportunidade de convocarmos os corpos-memória e suas narrativas que oferecem suas experiências. Uma webTv que realimente as nossas pesquisas, as nossas práticas educativas, a nossa militância para a nossa vida em sociedade em busca de um mundo sem racismo, sem desigualdades.

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AS WEBTVs

TV é a abreviatura de TeleVisão. A ideia de televisão sempre esteve associada as emissoras que transmitem os programas que entram nas casas das pessoas, seja pelo ar, captados por antenas ou por cabos físicos. Porém, com a internet, ou seja, com a possibilidade de transmissão e compartilhamento de dados textos, fotos, áudio e imagens em movimento - entre computadores conectados na web, e com as plataformas em que se pode armazenar vídeos - como o YouTube e Vimeo - (só para ficar nas duas mais populares no Brasil) esse conceito de televisão, ou seja, de TV mudou. Apareceram as websTVs. E quais foram as mudanças mais significativas? Primeiro, a mudança que veio com a internet, com as redes sociais. Se nas TVs tradicionais poucos produziam e trasmitiam para

muitos (e no Brasil menos de uma dezena de famílias são donas das maiores empresas de comunicação) na internet, muitos produzem para muitos. Ou seja, qualquer pessoa pode abrir um canal no YouTube, por exemplo, e tal canal pode ser assistido por qualquer pessoa, em qualquer lugar do planeta e a qualquer hora. Isso implica na variedade de oferta de coisas para assistir, na ampliação do leque das abordagens dos assuntos, etc.

quem controla a mídia no Brasil

sobre web tvs

Outra mudança, em relação às TVs da era eletrônica está na facilidade de produção de um vídeo que hoje pode ser feito com um celular. Outra mudança significativa está no fato de que aqueles que assistem TV não ficam mais presos aos horários das emissoras. Os programas, os vídeos podem ser assistidos em qualquer momento e em diferentes tipos de telas e podem ser compartilhados, remixados, inseridos em outras narrativas, atuando dentro de outros contextos, produzindo um novo fluxo nas possibilidades de produção/reprodução/recriação de narrativas audiovisuais que se juntam a outras expressões simbólicas. CONEXÕES

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arte e CULTURA

Museu Vivo do São Bento Leidiane Macambira com informações extraídas do site do Museu

Já pensou em visitar um museu em que suas exposições não ficam presas somente dentro das quatro paredes de um edifício? O Museu Vivo do São Bento tem essa impressionante característica! Localizado na Baixada Fluminense, desde 2008 (Data de criação oficial), 32

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no Bairro São Bento – Duque de Caxias, o Ecomuseu de Percurso “é uma casa onde se guardam e se revelam muitas histórias, e como Museu de Percurso, é visitando o seu território e suas diferentes temporalidades que essas histórias são descobertas.”


Há mais de 20 anos o atual percurso do Museu Vivo do São Bento é visitado por alunos, professores, moradores, pesquisadores, brasileiros e estrangeiros, que, transitando pelas diferentes marcar deixadas pelos homens, realizam um esforço de leitura dos vestígios materiais e do próprio território, decifrando, interpretando e afirmando a importância desses lugares de memória como bens históricos e culturais, como patrimônio a ser preservado.

Visita guiada Através de agendamento prévio e gratuito, o visitante fará um lindo e educativo passeio pelo Bairro São Bento. Com a ajuda de um guia conhecerá a história construída na

localidade, presente através de edifícios e artefatos, chegando até 14 pontos de visita. Veja alguns desses pontos. Casa do administrador: um imóvel que como o nome sugere serviu de moradia para o administrador do Núcleo Colonial São Bento. Hoje a edificação situa-se no campus da FEUDUC e abriga a “Casa da Pesqui-

sadora Marlúcia Santos de Souza”, instância de pesquisa da Faculdade voltada para integrar as áreas de conhecimento da Instituição e coordenar esforços de pesquisa sobre a Baixada Fluminense. Telégrafo: o imóvel abrigou ao longo dos anos 40 e 50 uma unidade de Telegrafia do governo Federal que servia ao Núcleo colonial em particular e ao município do Rio de Janeiro, nessa época capital do país, como um todo. O pesquisador Rogério Torres afirma que a notícia do fim da segunda Guerra Mundial chegou ao país através dessas instalações.

“É um museu diferente dos outros, fica espalhado pelo bairro!” (Depoimento de um visitante)

Esporte Clube São Bento: Estas edificações serviram, em tempos coloniais, como casa de Farinha da Fazenda São Bento do Iguaçu. Em 1948, suas instalações foram ampliadas e constituiu-se o Esporte Clube São Bento para servir de área de lazer da comunidade. Em CONEXÕES

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Exposições de longa duração

Fazenda-de-iguacu

Sambaqui-do-Sao-Bento

Exposições itinerantes

Lentes-da-Memória

Mulheres-em-movimento

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seu campo de futebol, além dos jogadores amadores da própria comunidade e atletas do próprio Esporte Clube São Bento, atuaram expoentes do futebol nacional, como o craque Garrincha e Roberto Dinamite, cuja família, que ainda vive no bairro. Sítio arqueológico Sambaqui do São Bento: O sítio arqueológico Sambaqui do São Bento é uma riqueza patrimonial da cidade, da região e do país. Trata-se de um sítio arqueológico de encosta formado por empilhamento de conchas de moluscos, carapaças de crustáceos, ossos de peixes, aves e pequenos mamíferos, que foi progressivamente coberto por solo e vegetação e que revela os aspectos da vida dos primeiros habitantes

do litoral brasileiro, os chamados “Povos do Sambaquis”. A palavra sambaqui, na língua tupi, significa literalmente “montanha de conchas”. Margens do rio Iguaçu: No âmbito do percurso, temos a oportunidade de observar as margens do Rio Iguaçu em diversos pontos. Trata-se do maior rio da Baixada Fluminense e importante via de acesso para a colonização da região. Hoje se encontra muito degradado pela poluição residencial e industrial. Além da visita guiada, há também exposições de longa duração, itinerantes e temporárias. Além disso, há também a oferta de cursos livres gratuitos que acontecem toda semana.


Cursos livres Jovens Agentes do Patrimônio

Jovens-agentes-dopatrimonio

Trata-se de “uma ação de educação patrimonial-museal sonhada com o intuito de fortalecer vínculos de aprendências, com a comunidade do grande São Bento, sempre a partir de abordagens que se articulam em torno de memória – patrimônio – afetos, a fim de que os jovens possam se construir identitária e discursivamente na relação consigo mesmos, com o outro e com o ambiente. Os jovens Agentes do Patrimônio experienciam sair do seu lugar para vê-lo de fora. O convite feito é conhecido: “estranhar o que é familiar. Tornar familiar o que é estranho”. Mulheres artesãs Um grupo composto por mulheres artistas-artesãs. Elas veem do São Bento, da Vila Rosário, do Pantanal, da Vila Santo Antônio… Cada uma delas traz consigo saberes ancestrais e imaginários de liberdade que simbolicamente tornam-se possíveis através da arte. Através de múltiplas linguagens e sabores, numa ambiência afetiva e reflexiva, elas ensinam e aprendem, trocam e experimentam a arte no mistério, nas conversas, nos desejos, na dúvida, nas diferenças, no coletivo.

Site do museu: http://www.museuvivodosaobento.com.br/ Facebook: https://www.facebook.com/museuvivodosaobento/ Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCTn2SRVgSrPMq-BbJzssNfQ Instagram: https://www.instagram.com/museuvivodosaobento/ Localização: Rua Benjamin da Rocha Junior, s/n, São Bento, Duque de Caxias, RJ (21) 2653-7681

Mulheres-artesãs

Museu Vivo do Sao Bento

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FALE CONOSCO http://estudoseaprontosmultimidia.info/ aprontosmultimidia@gmail.com Av. Governador Roberto Silveira, s/nº Moquetá – Nova Iguaçu – RJ CEP 26020-740 CONEXÕES

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Revista Conexões - 2017 - no. 2 by LEAM - Issuu