Skip to main content

Cidade Miniatura Triste

Page 1

supermercado miniatura triste

O escudo da cidade!... “Os fregueses que seguem são vendidos à entrada! do lado da rua Passos Manuel, uma vez que por ai há mais falta.” (Era agora iluminada por um sol mais forte.) “Os próximos 20 fregueses são para a entrada principal.” a menina repete a ordem do gerente pelo microfone agudo.

“Não está fechada !” gritou. Uma voz lá de dentro: “para que estava você para ai a martelar que nem um doido?”. perguntou um homem bem constituído:

“atrás

de um buraquito?”


Algures no tecto, filtravase um fraco raio de luz solar.

Tudo o que restava depois dos andares de cima

dela se terem servido, caindo sobre o pobre cubículo que era aquela cabine.

“Mas entre”, continuou, “não vai ficar aí especado à porta”. “não incomodo?”, perguntou. Os 20 próximos vão alinhar-se na prateleira, simplificando a tarefa necessária com sacos de plástico apanhados à pres-sa com ordem na corrida com que é preciso resolver a vida.

“O escudo da cidade”. Ao principio, quando se começou a construir a Torre, as coisa corriam bem. Havia até dema-siada ordem. Apertados melhor, na prateleira, abrindo o espaço aos que se seguem para reparar as falhas declaradas nas gerências. Parecia que se teriam séculos à frente para trabalhar na ideia. Melhor ainda, a opinião geral era a de que nunca se seria lento demais. Do outro lado talvez haja faltas às três horas da tarde compreendam.

“É preciso mostrar ao cliente é tão importante como vender, porque isso é vender.

As pessoas pensavam assim. O essencial do empreendimento éa ideia de construir uma torre que atinja o céu.”


“Você não parece muito interessado em desembarcar; hã?”

“Estou pronto”, disse Karl. e como era forte e estava bem disposto pegou na mala e põ-la ao ombro. “não suporto ver gente a espreitar-me ali à entrada”, disse “Está sozinho?” “Sim. Estou completamente só.” (Do outro lado talvez haja faltas às três horas da tarde compreendam.) Os que foram entrando levaram já decerto uns dez ou mesmo todos os da prateleira há pouco e, assim, o gerente ordena mais fregueses pela Menina, até pôr entre uns e outros todos os que forem entrando mais negócio. Uma vez captada na sua grandeza, a ideia não poderá nunca mais desaparecer.

Enquanto houver homens haverá desejo.

“Hoje é dia de pagamento. Quer vir dai?” “Para que me hei-de eu dar ao trabalho?podes vir tu trazer-me o dinheiro.”


“Onde desencantaste esse rapazinho tão giro?” ouviram-se então as gargalhadas das outras raparigas que tinham parado de trabalhar.


Os que entram nas prateleiras são por vezes os que olham e que comprando levam tudo e voltarão, por-que é preciso resolver constantemente. Muitas vezes os carros de serviço interno carregados com gente “bem embrulhadinha”, como diz a menina da entrada, empurram outra gente que vai saindo e vai entrando hora a hora, sem ver. Reparando veriam a sua própria falta nos stocks. E tudo seria ainda mais fácil.


“ navio �. Karl

apercebeu-se de que nunca estivera naquela parte do


e, int egu os

e. class

açã

a 2.ª

ger ea

da 1 .ª e d

qu

eiros

rio

assag

trá

aos p

con

ente

elo

velm

rp

rova

na

da p

agi

serva E

co

ógi

duca çã

o, é

oq

ue fa lta

aind

an

o pla no

cent

ral;

mas já

se n

ota.

o, let mp co ais rm be sa um de , sse feito po alho trab na al o ria m julga abateria a obra dos percursores e recomeçaria com novas forças.

im

ra re stive m, e viage

is l

ma

te a uran

ito

mu

al, d A qu

Era


Alguns perfeito e mais modernos

“ ” artigos

; “ ”

aparecem expostos sem que ninguém os mande é o processo automático em que o Alemão

está totalmente

avançado

,

.

como disse

É claro que a sala inteira se encheu imediatamente de vida

“

.”

Karl só custo se conteve para não dar um salto em frente

É melhor deixar ouvir o que ele tem para dizer

, . “

(“

Ein Granz Kampf”,

imediatamente traduzível.

.

um processo sem falhas visíveis quer dizer perceptíveis

pois a própria percepção inclui já o acto que é o próprio cliente

O produto não existe

”( ). Karl Braun

)


“

o produto é a entidade

X,

..

a que o sistema reduz o cliente

E assim

o produto é o cliente

”


(

Assobiou baixinho. Ao aperceber-se disto Karl n茫o p么de continuar inactivo por mais tempo.

)


“É preciso compreender

que

a venda se não faz entre

coisa e um homem

pois e ssa é a blasfémia do momento ultrapassado.

Aqui é o cliente que é vendido,

pela própria coisa.


A que não pode dar-se o

tempo de existir, porque representaria um,

embaraço “ realista ”

na equação total.

Uma vez que a sua

“presença” é gentil

e simbolicamente imaginável em termos de função pelo cliente. Fenómeno totalmente

humano,

quer-nos parecer sem

blasfémia!”


disse Karl que tinha

com

“

,

sei” dificuldade em se defender daEu torrente verbal

receio de ser apanhado pelos gestos largos

;,

porém sentia-se mais forte

,.

e de espirito mais lúcido

que do que jamais se sentira em casa

“Garanto-lhe que no momento já me chega.

”


Foi assim que passou a época da 1.ª “geração”. Após isto “foi diferente”. acrescentemos que ai na

2.ª ou na 3.ª geração, reconheceu-se a inutilidade de construir (ou de reconstruir) uma torre que chegasse ao céu: tudo o que lá nasceu em contos e lendas está cheio de nostalgia, na prateleira alta arrumam-se ideias desinteressadas como

artigos de vestuário a metro ou pronto a vestir ou os modelos de há seis meses que sempre interessam quem lá está à espera de um desconto percebendo as leis disto tudo de uns anos para os outros é um instante.


Ao fundo aparece o artigo invendável.

Mas esse éo que mais interessa,

pois muita gente acumula a contradição sob essa forma.


Vai lá sem saber o que a dirige e é a própria contradição que faz encontrar aquilo.

Ora aquilo é ainda humano, e alguém teremos que ter que o representar.

E à saída é-se próxima venda. Cada vez mais fácil, não

Sempre velar, pelo stock total, porque ele é total, desde o momento em que aqui se entra.


Do lado de fora da porta, dava mesmo a impressão de que alguém estava a ser

ouvia-se agora muito ruído e gritos,

violentamente empurrado contra a porta.

Aos que se perdem são dados alguns números de referência e é possível saber sempre onde tudo se encontra. Basta ir ao catálogo “acende e apaga”, pelo sistema de índice.

Infalível. Toda a passagem de resto lá está. Escrita! Mas são linhas de luz pura, para já. E só no fim do ano se podem ler em números certos. Agora oscilam, são os gráficos.


“Francamente, isto é demais! Atarem-me um avental de mulher à cintura!” Alguém se começou a rir. “A isso chamo eu boa disposição!

Quem é que está lá fora?” “São as minhas testemunhas.” “Mande-os entrar imediatamente.”


As caves.

Para aproveitar ao máximo a alegria do momento.

... (

E para passar o tempo. Nas caves. Caixas

de cartão acumulam detritos.

A estes ninguém

eis porque a cidade tem

“

um punho

”

,

no seu escudo

.)


Na torre empenharam-se as línguas demasiadas, como se o seu acabamento viesse a depender, doravante, da linguagem das próprias coisas. A partir dai as dificuldades tronaram-se deus, quaisquer que fossem as razões do castigo. Quaisquer que fossem as razões do castigo. Até que um dia este cessará, perante a redescoberta da língua original ou da capacidade dos construtores fazerem silêncio. Pronuncia estrangeira actualizada pelo esforço. Ante a falésia a descoberto. O antigo olhar. Na língua original, o antigo olhar, a descoberto, na construção da torre.


. . . . . .

Karl voltou-se para ler no rosto dos presentes a impressão que a história podia ter causado

Nenhum deles se ria e todos escutavam com seriedade e paciência

Em elevadores repara-se a quantidade constante dos sacos vazios hora acima hora a baixo

E uma leve melhoria nos lucros

A compra do mês reflecte-o de resto na legenda do momento autocolante necessário

Karl sentia-se envergonhado se por ali passava e a via através da porta ligeiramente entreaberta

...

Todo o piso envidraçado alugado aos fantasmas de clientes certos hora a hora vão só para ver a vista do que já se construiu em tão pouco tempo. Eles sabem

Karl não ficou surpreendido por eles o não terem acordado quando se levantaram.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Cidade Miniatura Triste by Laurenco Silva - Issuu