2 Chico Buarque faz 70 anos com obra que é referência SALVADOR QUINTA-FEIRA 19/6/2014
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MÚSICA Compositores baianos de diversos estilos apontam discos do autor de A Banda e Vai Passar que fazem parte de suas vidas
Marcos de Paula / Estadão Conteúdo
MARCOS DIAS
Muito antes de hoje, quando Chico Buarque completa 70 anos, sua obra musical ergue-se como um colosso na arte brasileira. E sempre em construção. Em 2012, lançou o álbum duplo Na Carreira e, atualmente, em Paris, onde comemora o aniversário, finaliza um romance. A grandeza poética, que também se expressa na literatura, tem pilares na solidariedade das questões coletivas e no lirismo da plena intimidade. Gente Humilde, Anos Dourados e Retrato em Branco e Preto são as três músicas mais regravadas do compositor, de acordo com o Ecad, onde o artista possui 502 obras cadastradas. Todas cercadas pela admiração e respeito dos fãs e de seus pares, que parecem ecoar o que Tom Jobim disse sobre ele quando o chamou de “meu herói nacional”, “gênio da raça” e “salvação do Brasil”. “A atitude de Chico Buarque é de uma dignidade e reconhecimento diante da música que deve servir de exemplo para qualquer pessoa que imagine ou deseje se envolver com música no Brasil’, afirma o compositor Jota Velloso. Sobrinho de artistas famosos, como Caetano e Maria Bethânia, ele diz que nunca foi tiete de ninguém, mas quando conheceu Chico foi diferente. “Era um incômodo surpreendente para mim, um incômodo de fã”.
O compositor e romancista deve lançar ainda este ano um novo livro
Chico Egídio / Divulgação
Débora Monteiro / Divulgação
a música dele atinge o povo”. Um disco que ouviu muito foi As Cidades, sobretudo a música Iracema Voou. E ao contrário da personagem que “ambicionava estudar canto lírico”, Manuela estudou e tirou lições das frases musicais do compositor. Também já fez um show com o pianista Saulo Gama, num Dia dosNamorados,cantandoChico. “São histórias que acabam cabendo na história de todo mundo, no cotidiano das relações”. E, de certa forma, a música de Chico também fez parte do cotidiano do bluesman Álvaro Assmar ainda na adolescência. Ele lembra até onde comprou o seu preferido: Meus Caros Amigos (1976). “É uma obra-prima”, sintetiza Assmar, lembrando que o disco foi recolhido pela censura na segunda semana do lançamento. E também evoca a trilha de Ópera do Malandro, que considera um clássico atemporal. “Para mim, Chico Buarque talvez seja, senão a maior, uma das maiores referências em composição em língua portuguesa”. A qualidade das letras e narrativas também fazem parte do imaginário de Marcela Bellas. “Chico tem uma coisa das cenas
e imagens que eu sempre gostei, para mim ele tem muito a ver com teatro”. Um disco que ela ouvia muito na infância, Os Saltimbancos (fábula musical de Sergio Bardotti e Luiz Enriquez que Chico recriou), voltou a fazer parte da sua vida agora que está produzindo um disco infantil, o Playgrude, com lançamento previsto para outubro. E mesmo dividido em sua relação com ídolos entre Chico e Caetano, Ronei Jorge reconhece que Chico sempre lhe chamou a atenção tanto pelas letras como pelas melodias. “É um compositor completo. Suas músicas são perfeitas, no sentido clássico, e parece que tem uma meta de entregar aos fãs uma coisa muito bem cuidada”. Também considera o álbum Chico lindíssimo, mas o que mais ouviu do compositor foi Vida (1980), que tem, entre outras, De Todas as Maneiras — uma das suas preferidas. “Ele vem se sofisticando como compositor, em relação à música mas também como intérprete. A partir de As Cidades tem mais domínio e trabalha com vários estilos, sempre imprimindo uma marca muito forte”.
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André Machado / Divulgação
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Folclore
Para Jota, o álbum Chico (2011) é um disco lindo. Ouviu a primeira vez enquanto levava o filho para a escola, chamando atenção para “a grandeza com que ele usa a língua portuguesa”. E emocionou-se desde a primeira música, Querido Diário. “Tem um folclore erradíssimo sobre Chico Buarque de que ele foi talentoso na época da ditadura. Isso é de uma injustiça e uma falta de informação incomensurável, porque os discos de Chico Buarque continuam sendo belíssimos. Infelizmente, as músicas dos novos discos de vários artistas não tocam mais em rádios”, diz ele. O reconhecimento das composições do autor de Todo o Sentimento, Cálice e O Que Será, que atravessa gerações, também tem a ver com a forma que Manuela Rodrigues o conheceu. “Meu pai ia colocando coisas mais lúdicas para eu ouvir, O Circo Místico, contava histórias dos festivais e lembro da gente ouvindo Roda Viva”, diz ela. Diante das realizações do artista (“é um mundo de coisas que a gente pode falar sobre Chico”), destaca: “Ele é um artista extremamente culto e embora tenha uma vivência popular, me impressiona a forma que
“Tem um folclore erradísssimo sobre Chico Buarque de que ele foi talentoso na época da ditadura. Isso é de uma injustiça!”
“Sendo um artista tão culto e embora tenha uma vivência popular, me impressiona a forma que a música dele atinge o povo”
“Ele vem se sofisticando como compositor, em relação à música, mas também como intérprete”
“Eu ouvia mais Chico quando era criança, e gostava dessa construção toda de imagens que a música dele tem”
“Para mim, Chico talvez seja, senão a maior, uma das maiores referências em composição em língua portuguesa”
JOTA VELLOSO
MANUELA RODRIGUES
RONEI JORGE
MARCELA BELLAS
ÁLVARO ASSMAR
CHICO / 2011
AS CIDADES / 1998
VIDA / 1980
OS SALTIMBANCOS / 1977
MEUS CAROS AMIGOS / 1976
Natan Fox / Divulgação
PERFORMANCE
Lívia Mattos integra música aos elementos do circo em apresentação experimental LARA PERL
A artista se prepara para entrar no picadeiro: maquiagem, laço no cabelo, roupas coloridas, sorriso no rosto, frio na barriga. Tudo pronto para a brincadeira começar, para ela voar. Esse universo lúdico e preocupação com a estética acompanham Lívia Mattos, cantora e sanfoneira que começou sua carreira como trapezista no Picolino. Agora, depois de anos dedicando-se à música, ela retoma sua relação com os elementos do circo no projeto Mono Amour, que apresenta hoje, às 20 horas, no Solar Boa Vista.
Se parar, cai
“Em todo esse tempo em que a música foi me sequestrando e que fui me distanciando da prática circense, eu pensava formas de articular as duas linguagens, criar a partir das interfaces possíveis”, afirma Lívia. Se antes ela estava sempre voando pelos trapézios, agora
decidiu movimentar-se no chão. Através do acordeom, do monociclo e de acrobacias, ela promete fazer um mergulho no amor, no feminino e no vai e vem da vida. “O monociclo é frequentemente masculino, em que se apresentam truques como pular corda e subir escada. A minha busca com esse aparelho é como comunicar o feminino, e dentro disso, o amor, as levezas. Se parar, cai. Essa é a metáfora que inspira todo o número, a beleza do seguir. Assim é a vida, assim
“O grande lance para mim é criar a partir das possíveis interfaces de linguagem” LÍVIA MATTOS, cantora
INÉDITO
Após 40 anos, Queen vai lançar álbum ao vivo que foi engavetado
é o amor”, revela.
Carreira
FOLHAPRESS São Paulo
Esse tal fluxo que não para também acompanha a cantora na sua trajetória de trabalho. No início, a vivência no circo despertou a curiosidade sobre a sanfona. Hoje, formada em sociologia com um projeto de pesquisa que envolve música no circo, ela desenvolve seu trabalho autoral, toca com outros artistas, produz trilhas, escreve projetos e faz música no chão e nas alturas. Após ter tocado em turnê com Chico César, ter sido aluna de Toninho Ferragutti, gravado faixas produzidas por Oswaldinho do acordeom, ela brinca que o maior desafio é carregar o peso do instrumento. “O resto a gente leva na valsa, no baião, no bolero”, brinca a artista. MONO AMOUR – PROJETO EXPERIMENTAL DE LÍVIA MATTOS / HOJE, 20H / CINE TEATRO SOLAR BOA VISTA – ENGENHO VELHO DE BROTAS / ENTRADA GRATUITA
A performance de Lívia Mattos inclui número com monociclo
A banda de rock Queen vai lançar, em setembro deste ano, um álbum ao vivo que deveria ter chegado às lojas em 1974. Segundo o jornal The Guardian, o disco Queen: Live at the Rainbow '74 traz faixas de três shows feitos pela banda em Londres. O primeiro deles foi gravado em 31 de março de 1974 por Roy Thomas Baker, coprodutor dos quatro primeiros álbuns da banda. Cerca de três mil fãs estiveram presentes no show, com ingressos esgotados. A apresentação foi uma das primeiras em que o vocalista Freddie Mercury apareceu com sua roupa de águia, e a única na qual a canção The Fairy Feller's Master-Stroke foi gravada ao vivo. Após o disco ficar pronto, na década de 1970, o grupo decidiu engavetá-lo e lançar no lugar o álbum Sher Heart Attack.