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LÂMINA Camadas narratividades visuais da violência (ecos de 68)

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CAMADAS

narratividades visuais da violência


Camadas Narratividades visuais da violência Coletivo Lâmina Gabriela De Laurentiis João Mascaro Curadoria de Ana Avelar Catálogo da exposição realizada no Centro Universitário Maria Antônia da Universidade de São Paulo, São Paulo. Outubro de 2018 à fevereiro de 2019.


Camadas Narratividades visuais da violência Ana Avelar

Nesta mostra (montada antes na Casa de Cultura da América Latina da Universidade de Brasília), o Coletivo Lâmina – formado por Gabriela De Laurentiis e João Mascaro – reúne objetos associados à tecnologia da imagem que se conjugam com fotos, produzindo uma instalação fotográfica imersiva. As imagens foram produzidas pelo coletivo a partir das manifestações que ocorreram no país desde 2013, destacando não apenas a atuação impetuosa da polícia, mas mesmo o uso da fotografia, por parte dela, para repressão dos manifestantes. Diante dos inúmeros registros desses episódios difundidos à exaustão, o Lâmina propõe este ambiente soturno e cinematográfico, espécie de estranho laboratório experimental subversivo no qual se investiga a fotografia como instrumento de controle. O espectador adentra esse ambiente incômodo onde encontrará um lugar de ressignificação dessas imagens, à parte da saturação experimentada via mídia e imprensa. Colabora, para tanto, o contraste p&b e das cores e a sobreposição de camadas, decorrente da manipulação das imagens pelos artistas, o que gera um turvamento, uma imprecisão dos detalhes.

Ao mesmo tempo, esse espaço produzido pelo duo possui uma atmosfera de gabinete de estudo, no caso, da investigação sobre conflitos urbanos que apresentaram características semelhantes àquelas de uma batalha. Em outras palavras, a instalação “Camadas” apresenta um recorte desses episódios da historia recente como se já constituíssem – e, de fato, constituem – um assunto para análise e pesquisa. Susan Sontag, uma ensaísta atenta para tantas camadas das histórias e dos simbolismos da fotografia, escreveu que: “Em lugar de simplesmente registrar a realidade, as fotos tornaram-se a norma para a maneira como as coisas se mostram a nós, alterando por conseguinte a própria ideia de realidade e de realismo”. Nesse sentido, fotografias das manifestações já constituem um topos contemporâneo, por isso o Lâmina propõe estruturas para tridimensionalizar as imagens, transformando-as em objetos específicos. É como se nos conduzissem, nesse laboratório inusitado, a olhar de novo essas imagens que atravessaram muitos de nossos dias, nos últimos anos.


“Mímese” 2014-2016 Ampliador, fotolito, led


“Choque” 2016 projeção digital


“Marcha” 2014-2016 impressão em adesivo


“Suporte” 2014-2016 ampliação analógica


“Contenções” 2015-2016 raspberry pi e TV analógica


“Caminho” 2018 acrílico, aço, projetor LED com fotolito


“Tomos” 2015-2016 acrílico impresso e madeira


“Luzes” 2014-2016 lanterna, lupa, fotolito, aço, latão


“Acusma” 2015-2016 impressão digital


“Sufocamentos” 2015-2017 vídeo


“Controles” 2014-2018 raspberry pi e tela de led


“Superfície” 2016-2018 plafon de luz, fotolito


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LÂMINA Camadas narratividades visuais da violência (ecos de 68) by lâmina - Issuu