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LACORJA MAGAZINE | ED3

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CONTEÚDO INTELIGENTE SETEMBRO 2020 • $0 • ED3

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MARCELO BOSSO VITTÓRIA LIMA ISA WHITAKER WESLA BRAVO GABS MARIA ANTONIO CARLOS CAMILLA RODRIGUES GABRIEL DUTRA

FOTO DE LETÍCIA PUKE

A DISTÂNCIA TÁ VALENDO OURO

SEM NOSSOS ENCONTROS CALOROSOS, O NOVO RITMO DE DO PRADO REFORÇA O CONVITE PRA DANÇAR!

#F6AEE8


'03

INCONTINÊNCIA VERBAL

Por que a gente se preocupa com as ideias de Kany West e caga pra nossa comunidade?

'04

UMA ANALOGIA

A nossa queridíssima amiga Vitória Lima estréia na revista com uma reflexão pertinente.

'05

CARA, O CARAMUJO

O nosso companheiro está de volta através dos traços da Isa Whitaker.

'06

BAILE DE MÁSCARAS

Preparamos uma festa perfeita pra você desfilar com a sua segunda cara.

'07

DESABAFO

Mais uma estréia daquelas aqui na revista com Gabs Maria, artista afudê da nossa região.

'08

COLAGEM

Gabriel Dutra, quase um sócio assim como Isa Whtiaker, lança a terceira colagem aqui.

'09

WESLA BRAVO Nem só de produções, desfiles e discotecagens vive a nossa deusa das noites.

'09

N'CALMA NA ÁREA

O colab com o coletivo de DJ's está firme e forte! De Londres ou São Paulo, agora as colunas são mensais por aqui.

'11

RETRATOS 019

O fotografo Antonio Carlos fez esse ensaio incrível registrando a modelo Camilla Rodrigues, marcando uma estréia double por aqui.

'12

DO PRADO CURADOR

Se houve remédios pra alma nesse ano que talvez seja o mais no sense para nós, veio das mãos, vozes e composições do queridinho da Dodô e da porra toda.

NOTA DO EDITOR Sem sombra de dúvidas, manter a cadência de cada projeto é muito mais difícil do que dar o ponta pé inicial. Começar o jogo é puro tesão, chegar aos 90min é exaustivo. Com grandiosas ressalvas as edições anteriores, produções que trouxeram mais de 600 leitores orgânicos para a nossa aglomeração artística digital, e um caloroso agradecimento para as pessoas que colocaram um pouco de sua costura nesse lindo retalho com DNA diverso, único e simbólico, com a singela intenção da união e distanciamento do caos. Nessa edição subimos um degrau, marcamos o terceiro evento da Revista Lacorja como marco de expansões criativas, e você pode conferir isso em nosso canal: bit.ly/lacorjatv

Macedo


POR VOZ DA CONSCIÊNCIA

A IMPLICÂNCIA É COM A SUA BIPOLARIDADE DIAGNOSTICADA OU É SÓ O SEU RACISMO?

Quem sou eu pra invalidar a opinião de alguém. Quem é você pra achar que a sua opinião é relevante pra qualquer debate/espaço? Difícil, né. Confesso, não consigo digerir muito bem qualquer pessoa branca falando sobre assuntos como de Kanye West. Ver meus amigos e amigas esbravejar coisas como vendido, lunático, e no final das contas sem que percebam, trazem conclusões que numa ampla visão, se concretiza como racista. Lutas diversas, minorias empacadas na atenção do próprio umbigo deixando de lado uma lista de prioridades à serem cumpridas com certa emergência e menos questionamento. Vez ou outra adoro me aprofundar em debates nas redes sociais e na grande maioria, com a minha bolha. Assim evito distorção de fatos e má intenção. No final das contas, a preocupação real é se isso afeta o próprio nariz e, se a discussão for pública e a percepção de que o 'close' não tá sendo bem dado, logo debate transforma-se em um diálogo clichê totalmente desnecessário, pobre de informação e qualquer tipo de entendimento. Basicamente, a solução mais viável é a continuidade no debate, até aonde as pessoas estão dispostas a colocar em prática os seus sermões diários. Os convites pra que entremos em cena é a filiação a partidos e, com todo respeito ao PSOL e partidos que dialoguem com a

EDITORIAL MACÊDO Editor/Diagramação

LOU LOU FALASCAT Revisão/Carinho

HELENA NUNES Operações/DEV

CAMILA AWAKAZA

Direção Artística/Redatora

AQUELA COLUNINHA DOIDA QUE SE DESESPERA A CADA LINHA FAZENDO VOCÊ PARTICIPAR DESSA MARATONA VERBAL E TERMINAR-LA NA EXAUSTÃO

Escreva também seu fluxo impulsivo verbal e envia pra gente no e-mail nucleolacorja@gmail.com nossa idelogia, não é uma conversa aos 45 do segundo tempo (leia-se no ano eleitoral) que trará algum plano concreto pra democratização de ideias influência real de políticas públicas que beneficiem o debate mais direcionado. Imagina que louco, os partidos que se entendem em políticas sociais tivessem um entendimento conjunto real e de contato físico, ainda que não seguro, com os movimentos daqui. Meu sonho, seu sonho, nosso sonho que tenhamos um olhar mais prático pra alinhar pautas reais e calar o boquitos do bate-papo na timeline do twitter. Continuamos militantes de sofá, com velocidade nos dedos pra ferver raiva e indignação, mas se pá eu e você nem nos lembramos dos nossos últimos votos.

O NOSSO EDITORIAL É COMPOSTO POR POUCAS PESSOAS, POR ISSO, O CONVITE ESTÁ ABERTO PRA QUEM AMA O UNIVERSO INFORMATIVO E CONTEUDISTA. ENTRE EM CONTATO E FAÇA PARTE NUCLEOLACORJA@GMAIL.COM

´03


POR VITTÓRIA LIMA Nas mudanças da vida a correria se instalou, desprevenidamente deixei passar momentos e vivências necessárias na vida de uma criança. Quando toda essa loucura de quarentena se instalou foi um baque! Diante disso fiquei perdida e não sabia aonde estava, o que fazer, em como lidar com minha filha, vi o quão distante estava dela. Isso me ocorreu uma cena no hospital em que ela nasceu e não reconheci de imediato como minha, era o único bebê do berçário que soluçava de tanto chorar e ao entrar no quarto, junto a mim, estabeleceu o silêncio. Ali ela ficou e durante dois dias a observei, tentando aceitar a sua existência, aquele ser que gerei e dei luz no momento não dava nenhum sinal de vida. Foi uma luta para amamentá-la e esse era o caminho para saber que ela estava ali, quando a glória chegou não desgrudei, começando ali o processo de afeto meu como mãe. Quando tudo parou e, assim como no hospital, fiquei olhando para ela, notei não reconhece-la mais, pois não era tão presente em sua rotina como antes; os gostos musicais, programas de TV, desenhos, as palavras nas formações das frases e suas curiosidades, já não era mais as mesmas. Após profundas reflexões percebi: assim como na minha vida nada na dela é solido, espaços se abrem e precisamos preencher com coisas novas identificando sempre com o presente momento. Mesmo distante cuidar da maneira a qual acredito, guiando os passos, ajudando a crescer e a florescer sua imaginação. A essência dela sempre será a mesma. Sempre é preciso saber quando algo precisa de atenção e aceitar que nem tudo é como planejamos, mas com todos os meus esforços ela entende meu amor. De forma inconclusiva termino esse texto, pois não me cabe mais essa ausência de afeto a ela. Deixo aqui uma reflexão: trabalhamos e ganhamos dinheiro e essa grana não compra tudo o que trabalho nos tirou, então não permita que isso tire o mínimo de nossos prazeres e nos deixe isoladas de pessoas que amamos. @VITTORIA_LIIIMA MENSAGEM

Sou um corpo aqui presente em um processo de evolução, faço por essa vida agora.


POR ISA WHITAKER

´04


POR MACÊDO

As mãos que não seguraram ninguém, e a queda recocheteia até hoje no meu coração. Assim lembrarei de 2019, aquele ano ímpar que coloca na mesa algumas cartas que a gente faz questão de não enxergar. Verdade, quando bem dita, espanta olhos confortáveis, afinal, ninguém que cegar-se com a imagem e semelhança da perfeição. Criamos inúmeras guerras internas, nos movemos a passos distintos e a direção é o benefício próprio. Não há motivo pra se orgulhar dos erros só por que lhe trouxe ensinamento, afinal usar qualquer momento da vida que chegamos aos extremos, negativo ou positivo, como uma muleta, é fingir que seguiu em frente, que vive o novo. A nossa bolha, que agora chamo carinhosamente de a nossa Bolha Esquerdopata, traz o seguinte mandamento irracional: Se errar, seja lá por qual motivo, deve sair desse lado da guerra e abraçar o inimigo. Os teus erros não te fazem humano, te colocam em paranoias que, vezes no encantam ao pé do ouvido pedindo que desligue tudo, que parar de viver é o mais correto, já que errou com aqueles que você julgava ser de ideologias próximas. Posso dizer mim, e com convicção pelos meus próximos que caminharam por esse caminho chamado 'Cancelamento'. A história sempre se repetirá, pois o egoísmo segue em fervorosa crescente. Hoje, receber processo e ter uma história manchada pelo erro não me faz mártir, não me faz vítima, não me dá muletas pra pedir esmolas ou pra fazer da minha vida um roteiro interessante. Ter errado me faz sentir vergonha ao marcar encontros com o espelho. Não quero encontrar ou permitir que o pior de mim permaneça andando por aí, fazendo a construção da minha persona para aqueles que gostaria de ter por perto. Sim, gostaria. O cancelamento faz algo muito interessante que fortalece o raciocínio imaturo e assassino da nossa bolha. Gostaria porque hoje, por mais que tudo ocorra bem, as conversas fluem, os trabalhos entram, pessoas novas surgem, tudo isso vem com aquele plus, que sussura ao pé do ouvido "Um dia saberão que você foi uma peça errante". A minha vontade, por mais que mínima, já que nessa altura do campeonato não me importa mais se enfiarão mais uma faca, talvez minhas costas nem tenha mais espaço para isso, mas a vontade é que sussurassem em meu ouvido "Um dia saberão que você ajudou alguém, e fez algo relevante para sua família". Por enquanto, finjo que não viraram as costas e sentem medo, finjo que me vêem como um pedaço de carne que não deveria estar nessa bolha, finjo mais do que antes, e antes eu brincava de fingir desconstruído, igual a vocês. Mas vou deixar essa carta aos desinteressados junto a um convite do baile de máscaras que organizarei em breve. Filhos e filhas de advogado tem entrada VIP.

SINTONIZE

SONS SUSSAS PARA MENTES INQUIETAS @COLETIVONCALMA

´14


POR GABS MARIA

É o seguinte, eu não aguento mais ser coadjuvante nas histórias de amor. As músicas só falam de como o coração se aperta, dói, bate mais forte, do peito que arde em chamas de desejo, do pulmão que fica sem fôlego e das pupilas que dilatam ao verem aquele alguém. E eu? Onde eu entro nisso? Ninguém jamais escreveu uma música sequer que falasse como eu transbordo suco gástrico pelas paredes estomacais. Ou um poema sobre como eu embrulho inteiro quando o vejo. Ninguém nunca escreveu um soneto em minha homenagem, dizendo como é difícil essa ferida aberta que não te deixa comer e mesmo que se esforce, vai acabar botando tudo pra fora. Dor no coração é bonita. Dor no estômago é visceral. Falar que o peito arde é romântico, agora falar que quando o vê sente ânsia, nem tanto assim. O problema tá aí, depois que a paixão passa e o peito para de arder, sobra só eu aqui, me remexendo inteiro e aguentando as dores sem nem um parabéns por isso. E não me venha com essa história de borboleta não. Não são borboletas voando felizes me fazendo borbulhar. É dor. É ânsia. É suco gástrico. Quero ser lembrado nas histórias de amor pelo que verdadeiramente sinto, não pelo que vocês criaram pra disfarçar a dor.

A grande verdade é que quando Camões escreveu que o amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, ele tava falando da gastrite.

EU NEM TAVA LIGADO Segundo um estudo conduzido na Coreia do Sul, plantas crescem mais rápido se você tocar música pra elas. A pesquisa foi feita com peças clássicas que foram reproduzidas para diferentes plantações, incluindo a Sonata ao Luar de Beethoven. Segundo os cientistas, plantas tem genes que as permitem “ouvir”. Se você plantou um manjericão na varanda do seu apartamento e não cresceu ainda, experimenta botar sua playlist pra mudinha ouvir!

´22

@GABS.MARIA


@SOYDUTRA777 2021 NOS CINEMAS

A MENINA QUE MATOU OS PAIS Descrito como um drama psicológico, o longa conta a história real por trás do caso de Suzane Von Richthofen, responsável pelo assassinato dos próprios pais, ao lado de Daniel e Christian Cravinhos. O crime ocorreu em 2002 e chocou o Brasil e o mundo na época. Atualmente, Suzane permanece cumprindo pena no presídio feminino de Tremembé. “O filme que iremos contar é um thriller psicológico, de suspense, onde discutiremos os motivos que levaram ao fato em detalhes e discussões nunca antes debatidos sobre o caso. Sem dúvida alguma essa é uma história muito forte e original e por ser real torna tudo mais absurdo e instigante. O filme trás um tema que muita gente conhece e tem ideias pré-concebidas, mas as pessoas não sabem o mais importante que é o motivo que levou a filha e seu namorado a matarem seus pais. Por isso, esse projeto parte de um grande desafio que é entender um pouco a mente de cada um dos dois assassinos”, explicou o diretor Mauricio Eça.


POR WESLA BRAVO

Quanto sentimento esta pairando no ar até esse exato momento, me pergunto se já pararam para reparar, caso você tenha observado o seu esta diferente, sem arte, sem musicas e interações humanas, a nossa percepção esta afetada, talvez tudo esteja cinza, exigindo de nós mais esforço dentre tantos para conseguir fugir deste daltonismo energético. Embarcamos em um barco sem destino de chegada e cada vez mais enfrentamos tempestades turbulentas, causadas pelo balanço cósmico que movimenta nossas vidas. O mundo sem saída, sem sinal de terra firme, usando deste período caótico para brigar por espaços de fala e representatividade, não tem ninguém assistindo de fora, todos estão por dentro dessa viagem obrigatória. É proibido tossir, mesmo sendo necessário respirar quando nos falta ar, é proibido cometer erros e tentar se corrigir, é proibido ser você, pois ninguém vai deixar, todos exercem propriedade sobre todos. O respeito sempre esteve questionável, na real não tem como exigir tanto, nem Buda seria tão evoluído para lidar. Todo mundo tão errado afirmando estar certo.

Nos ja não somos os mesmos antes mesmo de estarmos aqui juntos, sem saber o que fazer com tantos capitães, não somos os mesmo no tempo, ele deixou de existir a muito tempo, não sentimos emoções mais, talvez nunca seremos nada, só falta se aceitar. Oque seremos quanto tudo isso acabar? Ja caiu a fixa? Esse é a pergunta que deve fazer a sim mesmo.

COLUNA N'CALMA

E QUAL É O TEMPERO PRA MASSA?

POR MACÊDO

E não é que a nossa querida e singela revista digital vem germinando? Pra situar o contexto, queridas leitoras e leitores, esse que vos escreve surfa na lomba musical dos deejays, e esse grande namoro gerou o convite pra somar no Coletivo N'Calma, sim, esse mesmo que acaba de ter o seu espaço garantido todo mês pra mergulharmos na pauta musical. Nascido lá em 2009, o N'Calma vem armando grandes acontecimentos culturais com eventos e ocupações. Hoje, repaginado e seguindo adiante, conta com uma sede aqui, no Brasil, e outra em Londres, na Inglaterra. Com a veia nas discotecagens, trouxe grandes nomes do meio pra fazer aquela costura orgânica, trazendo relevância e servindo como grande referência para a minha geração que, 10 anos depois, viria a estruturar o Laboratório artístico LACORJA. Nessa estréia da coluna, sintetizo o verdadeiro tempero da massa, e fica nítido ao decorrer dessas linhas que o que dá sabor a vida, são as ondas sonoras que condensam choros, risos e traduzem com tanta delicadeza tanta poesia que pede pra explodir de dentro pra fora, fazendo o suor limpar a pele, transpirando a vida que, vez ou outra, amanhece cinzenta e implora cores em nosso paladar. Fazer parte dessa construção que ultrapassa uma década é a resposta pra muitas perguntas que me levaram a inúmeros caminhos e em todos eles, a música se fez presente. Espero que assim como a minha vida, esse tempero em dó maior siga dando sustância pra escrever novos e inesperados capítulos.

@FODACEBRAVO

´24

Vindo do mundo dos inesperados, hoje abro espaço com a maior alegria do mundo pro coletivo que abriu as portas pra mim e fez eu mergulhar profundamente nessa vida absurdamente prazerosa da arte.


LUZ E POESIA

...

Antonio Carlos, junto a modelo Camilla Rodrigues, somam na 3° edição com um ensaio que dialoga o futuro, urbano e a dialética central. Uma poesia visual que sintetiza o dueto de um lindo trabalho.

´09


@AKILAHAMANA @RETRATOS019


BIT.LY/ANTONIOCARLOS


... A DISTÂNCIA TÁ VALENDO OURO TEXTO: MACÊDO | FOTOS: LETÍCIA PUKE

Se você mora em Americana e nunca ouviu falar do músico e compositor Do Prado, eu posso afirmar que a sua bolha é tão minúscula quanto essa cidade perto das capitais e, está perdendo a oportunidade de acompanhar a eferverscência de um artista made in 019; Pero, que bueno que estamos acá pra sintonizar essa rádio dopradiana brasuca pra você. 2020 nos deixará feridas das quais Do Prado fez questão de se entregar de corpo e alma pra ajudar a cicatriza-las. Com a sua poesia, que análise a parte, a fã base de cerca de 100 pessoas ávidas e críticas ama e talvez seja a característica literária que mais aquece o coração dessa turma que não só faz essa base, como fortalece a cena num contexto geral. É importante passar, ainda que rapidamente, por essas pessoas, que fizeram com que a campanha de financiamento coletivo do músico tivesse um sucesso incrível, trazendo assim para o mundo o seu segundo EP, nomeado 'Quando o Sol Acende'. Hoje, escrever livremente na revista que componho sobre o músico que convivo, é um tanto quanto interessante, visto que a minha admiração é tão privilegiada e singular, pois é construída através de uma convivência de trocas justas, sinceras e a harmonia necessária pra estabelecer com firmeza esmagadora o respeito e amor que paira sobre a casa. E é nesse contexto que acompanho a sua produção e criação, desde o primeiro EP (Do Âmago) lançado em março deste ano. Nos encontramos com o EP até então já finalizado, e começamos a trabalhar juntos na pós produção e lançamento, mas aí chegou março e você deve imaginar o roteiro.

@DO.PRADO

...

Ele também é um fã de carteirinha que acompanha Luiza Lian em sua live comentando, cantando e vibrando, e com referências tão boas quanto a cantora, constrói a sua personalidade musical com solos, pandeiro, beat, e com toda a licença ao Sr. Lucas Silveira, Do Prado parece querer mergulhar sem receios na sinfonia de tudo que há. E é do camarote pessoal, que entrevisto Douglas Prado, que assina o projeto como Do Prado em uma homenagem ao avô multi instrumentista Zé Bento do Prado.


LACORJA: Olhando daqui, até que teve uma agenda cheia no ano de 2020. Talvez nunca vimos um Do Prado tão imerso no home studio e com tantas parcerias com musicistas da região. Além disso, incansavelmente todas as quintas tem seus breves shows de uma hora pelo instagram que movimentam um público de até 100 pessoas quase que fiéis. Como tem sido essa distância tão próxima do seu público e o casamento com novas vozes nos últimos meses?

também servem para amenizar um pouco essa saudade. LACORJA: O meu privilégio de acompanhar o seus processos criativos me fez crer que você uma pessoa viciada no trabalho, apaixonado pela música em todos os aspectos. Em um momento de isolamento tão íntimo e delicado, você parece ter se apegado mais forte à música. Qual foi a colheita mais significativa nesses meses de bastante trabalho?

DO PRADO: Antes da pandemia se estabelecer eu já havia colocando algumas ideias para rodarem, como meu EP Do Âmago lançado durante todo o mês de Março. De lá pra cá recebi e fiz alguns convites para pareceria e participações com outros artistas. Sol é a música do rapper Ruero com feat do Cientista dos Beats e comigo. Também estou trabalhando na produção e letra de um single com o trapper Spixo e participo do refrão de uma faixa com a Plena Rap. Além dessas parcerias também estou gravando e produzindo um EP inteiro junto com o cantor e compositor Vini Maues. Live todas as quintas às 22h, foi a forma que eu, assim como tantos outros artistas arrumamos de continuar mantendo um vínculo com o público. Lá é o único lugar aonde eu tenho o contato direto com cada pessoa, que falo de como estão acontecendo as coisas da minha vida e do meu trabalho. Eu gosto muito de me apresentar, da energia que o público entrega no ao vivo, e por isso me faz muita falta essa interação, as lives de certa forma

´06


DO PRADO: Cada dia eu entendo que é dentro da música que eu me sacio, que me expresso, que falo das coisas que eu acredito e vivo. De repente a vida numa visão geral mudou, tanto o cenário mundial, quanto o meu pessoal e sentimental. Tive e tenho altos e baixos durante esse tempo de isolamento com saudade do mais básico afeto. A colheita mais significativa foi afirmar que pessoas lá fora me apoiam por se identificarem com a minha mensagem e isso me faz questionar menos sobre o que estou fazendo, e é o que me possibilita a querer e fazer mais.

LACORJA: A gente vê nos comentários que o pessoal recebeu bem e com bastante entusiasmo a entrada de uma estética mais presença. Clipes, figurino, beats, parcerias, tudo demonstrando uma nova etapa da sua carreira e de certa forma uma modernização do que estávamos acostumados a ver. Como tá sendo pra você beber de diversas referências aparentemente novas e colocá-las em evidência nos seus novos trampos? DO PRADO: Eu tô mudando muito, todo dia pra ser exato. Experimentando de tudo um pouco e me achando um pouco em tudo que experimento. Estou tendo contanto com outros nichos musicais que me expandiram muito as possibilidade de criação e todas essas mudanças refletem no que eu externo pro mundo. Sinto a necessidade de me afirmar como profissional no que faço e estabelecer alguns conceitos que quero dar continuidade cada vez mais nos próximos trabalhos, e uma dessas maneiras é através do visual, das novas texturas sonora, do novo jeito de pensar nos próximos passos. Eu sou o misto das minhas referências!

...


@CONVERSABRAVA

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POR MARCELO BOSSO

Sabemos que o teatro sempre se reinventou, revelando-se muito mais potente depois de grandes acontecimentos históricos. O futuro do teatro é um GRANDE exercício de imaginação, de se antecipar para tentar adivinhar o que o público vai querer assistir num momento póspandêmico. A pergunta que eu me faço todos os dias é: De que forma o teatro será impactado no momento pós isolamento social? Sim, porque ele continuará existindo, só que com uma nova película, reconfigurado, reinventado, ressignificando todas as possibilidades de (re)existir frente a essas transformações que nos tira completamente o chão. Cabe a nós, artistas, descobrir e determinar quais ações podem desenhar os contornos dessa nova subjetividade. Qual criação artística vai dialogar com esses novos interesses que vão surgir? E como será esse encontro, essa nova forma de convívio entre o ator e o espectador? Nada mais será como antes. Cada artista tem em si a sua visão de mundo, a sua forma de se relacionar com esse momento em que estamos vivendo, e eu acredito que isso vai decantar em obras muito potentes. E nós artistas, estaremos preparados para atender as exigências desse “novo público”? O momento é de repensar e criar novas possibilidades para o teatro se relacionar com as tecnologias. Também não podemos cair na armadilha de fabricar apenas “espetáculos intimistas”.Sabemos que, para o teatro existir, demanda algum tipo de presença. Então, vamos pensar: De que forma essa presença cabe na virtualidade? O teatro cabe dentro de uma tela de celular?

Novíssimo brechó vem aí! Quarentena também move montanhas, projetos e todo movimento é muito bem vindo, já diria Einstein. Nos minutos finais do processo de concepção e conceito, a loja de roupas semi-usadas nomeada SAME OLD SHIT, aparece com o conceito de custo mais baixo que o atual mercado com a harmonia urbana, traduzida em imagem, som e poesia por Basquiat, daí vem o nome. Em breve, em parceria com o Laboratório Lacorja, suas peças estarão expostas nas próximas edições, mas você também pode acompanhar todas as novidades e storytelling através do instagram do front man do projeto. @GAROTTIV

Para onde quer que o teatro nos leve, o ator-criador deve considerar que sempre haverá 4 tipos de pessoas na plateia: O cego - então é preciso pensar em estímulos sonoros. O surdo - então temos que pensar nas imagens que estão sendo criadas. A criança - que tem pouca ou nenhuma referência. E a atriz, e também minha amiga Juliana Calligaris, que é o meu Google, porque tem todas as referências do mundo. Então, vamos aproveitar esse momento de Isolamento Social para revalidar a nossa fé cênica na arte, e se eu pudesse dar um conselho, diria para usar esse tempo do Isolamento Social para sofisticar a nossa nova forma de fazer teatro. O mundo todo está em suspensão, mas a vida segue. E o teatro PRECEDE.

´25


LABORATÓRIO ARTÍSTICO

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