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LACORJA MAGAZINE | ED2

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LACORJA CONTEÚDO INTELIGENTE JUNHO 2020 • $0 • ED2

POR SUZANE JARDIM

DISSECANDO RELAÇÕES RACIAIS “EU NÃO SOU NEGRO, SOU O.J”

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HEBERTON BAPSTIELA JÚLIA MOTTA ISA WHITAKER FERNANDO MEDEIROS LOU LOU FALASCAT LUANA ROBERTA LAURA NUNES SPIXO

#D21D28


'04

CARA, O CARAMUJO

Dando continuidade, Cara, O Caramujo questiona: O que é real na sua cabeça?

NESTA EDIÇÃO

'06

O PRIMEIRO TRAPPER

Com caminhada sólida e cheia de boas intenções, Spixo troca uma ideia pra falar um pouco sobre sua trabalho.

'09

ESCREVER COM A LUZ

O ensaio nesta edição é da grande colaboradora e amiga Luana Roberta.

'14

JÚLIA MOTTA

NOTA DO EDITOR Um semestre sufocante, do delicioso e ardente calor do carnaval aos agasalhos de maio, chegamos prontos e medonhos com o amanhã. Restou, das enormes e escassas migalhas e a água ralinha saindo do chuveiro, o suficiente pro banheiro virar uma sauna, uma vontade de união sem blasé, apenas genuína, e claro, a terapia a distância sem me obrigar a tirar os sapatos. Aqui, escrevemos o que não coube na cabeça, esse é o nosso surto coletivo. A arte segue salvando algumas amigas e amigos em minha volta, só pra comprovar aquilo que já me foi dito. Por ai anda assim também? Mais do mesmo, respostas previsíveis e uma vontade danada de compartilhar as reflexões desse isolamente de muito consumo de conteúdo alheio.

Macedo

No início e no fim será verbo. A poetisa estreia tocante e sem filtros.

'14

LAURA NUNES

Se for buscar artes que tragam fofura e conforto, busque por @laurar.te

'16

SUZANE JARDIM

Um artigo impactante e necessário analisando o caso de O.J Simpson

'22

ISA WHITAKER Na segunda edição nossa querida amiga e colaboradora traz mais palavras

'23

UM CONTO VERDE

O escritor e amigo Heberton Baptistela estréia na revista com um conto realista.

'27

JUNHO

A nossa querida parceira traz Junho em verbos e de brinde uma linda foto.

'27

COLAGEM

Gabriel Dutra aparece novamente com mais uma linda colagem genuína

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O BAILE DO GHETTO

Uma breve ideia da resitência cuçltural exercida no interior de São Paulo.


POR JÔ SANCHEZ

INCONTINÊNCIA VERBAL

TEM VEZES QUE A GENTE FICA BUGADINHO IGUAL O MEU GATO, E EU QUERIA COMPARTILHAR UMA DESSAS MINHAS BUGADAS AQUI NA REVISTA COM VOCÊS, POSSO? TEM PROBLEMA? Meu bairro é muito afastado da cidade, sabe?! Pois, é, Nova Odessa contribui pra essas esquinas campestres. Enfim, meu passatempo nessa quarentena tem sido prestar atenção na alimentação dos peixes e procurar meu gato pelo quarteirão. Incrivelmente, ele não passa desse singelo raio por medo dos carros. Acredito que todo gato já tenha se esburrachado em veículo em movimento e pegou trauma, e esse trauma é passado genéticamente por gerações em gerações, fazendo com que o ronquinho da moto velha Honda CG 1985 já o assuste o suficiente pra sair correndo para qualquer direção, totalmente insano. Um pode de escalar que redobra, digasi de passagi.

AQUELA COLUNINHA DOIDA QUE SE DESESPERA A CADA LINHA FAZENDO VOCÊ PARTICIPAR DESSA MARATONA VERBAL E TERMINAR-LA NA EXAUSTÃO Escreva também seu fluxo impulsivo verbal e envia pra gente no e-mail nucleolacorja@gmail.com

Vez ou outra ele vai para um terreno com terra fofinha pra cavar, troncos pra afiar as garras. galhos secos pra se embrenhar e claro, solzinho pra ficar paralisado como se tivesse bugadinho. Me lembra a moça que sempre vejo no espelho. As vezes a sintonia não tá AM muito menos FM, o sol não sai e esse contexto nublado deixa tudo paralisado. Comer compulsivamente parece querer chamar mais a atenção que a vontade de fumar todos os cigarros disponíveis. As vezes coloco a culpa no meu gato por não ir além do quarteirão. Como se fosse o medo dele que me impedisse de saber como é a calçada pro lado de lá, se tem um pé de amora pra eu me esbaldar ou se é só mais do mesmo. Sinto que minha vida tornou-se um looping de memórias fotográficas, pura ausência de sentimentos e vivências chocantes como o encontro de dois trens em alta velocidade vindo em direções opostas. Emoção demais me espanta, e é tudo que eu mais queria agora.

EDITORIAL MACÊDO Editor/Redação

LORENA ODAYÁ Redação/Editora

HELENA NUNES Operações/Revisão

CAMILA AWAKAZA

Design/Diagramação

O NOSSO EDITORIAL É COMPOSTO POR POUCAS PESSOAS, POR ISSO, O CONVITE ESTÁ ABERTO PRA QUEM AMA O UNIVERSO INFORMATIVO E CONTEUDISTA. ENTRE EM CONTATO E FAÇA PARTE NUCLEOLACORJA@GMAIL.COM

´03


... CARA, O CARAMUJO POR ISA WHITAKER

Isa Whitaker, além de descrever vinhos de maneira única, é arte educadora e entusiasta da revista. Você pode encontrar mais de seus trampos no instagram @isa_whitaker

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@CONVERSABRAVA

OUÇA AGORA

CONVERSA

BRAVA PODCAST

DISPONÍVEL NO SPOTIFY


POR MACÊDO

SPIXO, O PRIMEIRO TRAPPER DO BRASIL Meu primeiro contato com o SPIXO foi em ambiente de trabalho. Cheguei cedo na Dolores House (Americana) pra mais um Baile do Síndico enquanto ele colocava a casinha nos eixos pra receber o pessoal. Sem conhecer a grandeza da sua poesia, fui recebido com um feliz "boa noite" e um sorriso cativante.

Assim como nosso amigo Do Prado que vem de segundo lançamento de um EP, SPIXO apresenta profissionalismo e quebra no padrão auto afirmativo do homem hétero brasileiro. Vivenciar e se entregar na poesia e na arte são atitudes de grandes artistas.

Hoje, ouvindo todos os seus trabalhos publicados e tendo como parâmetro os trampos que vem saindo nacionalmente, teremos essa harmonia e métrica única devidamente nas caixas de som do BR todo.

LACORJA: O seu nome chegou até mim por um amigo em comum, o Tumtá! Eu lembro de ouvir algo como “O Spixo é um dos primeiros trappers da região”. Isso é verdade? Como começou o seu envolvimento com o movimento? SPIXO: Sim é verdade! Comecei a cantar rap em 2012 mas desde os meus 13 anos estou envolvido com música através de bandas de hardcore. Em 2013 gravei meu primeiro ep entitulado “Pesadelo do sistema” os beats foram produzidos pelo GAMEFACE, um beatmaker da Holanda que me disponibilizou as faixas para gravar, eram traps muito avançados e únicos na época, ninguém fazia igual então posso dizer que sim, sou o primeiro trapper do Brasil LACORJA: Hoje a gente vê que não é mais qualquer letra que tem o seu consumo garantido. Músicas que bostejam machismo, homofobia, entre outros tipos diálogos ultrapassados acabam tendo seu o seu boicote logo menos. E como você enxerga o processo de composição e de “recrutamento” de pessoas pra trabalhar ao seu lado num contexto diversificado e que respeite a todas e todos?

@SPIXO_

...


SPIXO: Trabalhar sem diversidade nunca foi e nem será viável, venho de uma formação familiar com 4 mulheres aonde 2 são homosexuais então vive em um mundo onde tudo era normal no quesito de respeito as diferenças, procuro pessoas para estar comigo com pensamentos parecidos, que respeitem e façam o melhor pela comunidade geral LACORJA: Outra brisa que chamou a atenção também foi a referência de Bed Stuy, tanto na sua marca como em uma da suas novas músicas. Você é mais um a da geração que foi marcada por ‘Todo Mundo Odeia o Chris’?

LACORJA: A capa da nossa primeira edição é com o Tyler The Creator, uma referência master em envolver moda e música. As suas criações seguem essa tendência? Mesclar dois ambientes, dialogar com outras artes e setores? SPIXO: Tyler sempre foi um incentivo, sempre observar a Wolf Gang a Golf store almejando fazer algo paralelo mas sem ser uma cópia, a forma como ele se veste e tudo mais sempre foi inspirador.

“Trabalhar sem diversidade nunca foi e nem será viável” SPIXO: Com toda certeza fui marcado por essa série sim e a brisa do meu brechó e vestir as pessoas com menos renda com roupas de marca para elas se sentirem “nume Nice”. O episódio aonde o chris queria um casaco de couro mas só pode comprar no verão por que estava muito barato me marcou muito, então a ideia do meu brechó e vestir bem com pouco dinheiro e acabou levando a música que refere a empoderar o mais discriminado

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LACORJA: Como anda as produções nesse cenário de isolamento? SPIXO: Infelizmente estão mais paradas, tenho a ideia de sempre lançar músicas com clipe agora né mas o último lançamento “B.WALK” foi uma amostra da pandemia, tive que lançar um vídeo simples pois não foi possível gravar clipe mas estou sempre escrevendo e tentando produzir algo

...

LACORJA: Tem um palco ou festival em específico que você sonha em pisar e mandar o seu som algum dia? SPIXO: Sim! Acho que todo músico almeja estar em algum lugar algum palco da onde ele sempre viu seus ídolos, lolapalooza e rock in rio são minhas metas, cantar para 100mil pessoas imagina? LACORJA: Conta pra gente uma quentinha/spoiler do que vem por aí. SPIXO: A quentinha mais quente do momento é um feat com o músico e amigo DO PRADO unindo HIP-HOP ao MPB. FOTOS DO ACERVO PESSOAL


A ARTE DE ESCREVER COM A LUZ ... Com fotografias sentimentalistas e com nitidez profundas, Luana Roberta contribui para a segunda edição com um ensaio delicado e íntimo com o modelo Fabrício Souza

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@BITCHFABS @LUANAROBERTASS


BIT.LY/LUANAROBERTA


EI SENHOR,

BIT.LY/JULIAMOTTA

TEMOS VIDA TAMBÉM.

@JULIAMOTT

POR JÚLIA MOTTA

Não sabe dos corre do dia-dia, Das dores e perdas da periferia Não conhece ninguém do gueto Quer pisar na favela e ter respeito?

Não tem dor maior que ver teu filho de costa, sendo enquadrado "Ei senhor meu filho é honesto, não tem nada pra esconder" Mesmo o senhor não escutando a voz da mãe preta Insiste, resisti "esse filho é meu"

Não reconhece o suor das mães pretas Não tem pai que sustenta, Educação é dentro de casa Vai pra escola e volta pra ser enquadrado?

O menino de cabeça baixa Com o irmão mais novo desesperado, Sem esperança nenhuma não tem pra onde correr...

Faz teus corres, levanta cedo, antes de amanhecer arruma teus trapos e mesmo cansada nessa vida tem que sobreviver, Corre que vai perder o busão Não esqueceu os trocado pros meninos comprar o pão.

Leva a vida assim mesmo preto favelado, eles querem nossas vidas apagadas...

Foi mãe cedo, aos dezesseis não teve tempo de estudar, nem pode se preocupar com o futuro e mesmo sem saber ler, ensinou seus filhos que quem não nasceu em berço de ouro Tem que lutar pra existir. Cria-se os filhos pro mundo, Não, não existe ninguém que seus filhos têm a pertencer "meu filho mesmo livre, tem medo de ser perseguido" Mais segue o teu caminho... Volta cansada, o trabalho é pesado Arrumou tanta casa, seu emprego a vida toda é ser doméstica Não reclama da vida, tenta melhorar sua rotina Os seus meninos saiu pra soltar pipa e não voltaram, cadê?

Não é engano, o alvo é PRETO.

NÃO! Não esquecemos dos tiros, que acertaram em cada um de nós O gueto chorou quando perdeu mais um filho do mundo, a mãe chorou carregando o medo de perder mais um, ensinou pros mais novos como é sobreviver A realidade é uma só. Não existe final feliz, nos versos de revolta que representa o ódio quando chegam em nós. Não se esqueça senhor Pra ti eu já não sirvo mais, Aqui é meu lugar, você não tem direito de nenhuma vida tirar. Ei senhor, não se esqueça jamais que cada perca desumana, A nossa luta insiste em contar.

ET.RARUAL@

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@DOLORESHOUSEAMERICANASBO

SAUDADES DO BAILINHO, MINHA FILHA? A baladinha mais querida de Americana e SBO segue com aquele cardápio completo pra você. O lanche veganinho é um dos nossos favoritos! O hambúrguer é feito com abóbora cabotiá, pensa só a delicia! Você pode pedir pelo ifood ou pelo cardápio online. A ideia é seguir fortalecendo com o consumo dos produtos audio visuais, serviços de entrega e a divulgação dessas cartas na manga e quando isso passar, estaremos unidos e prontos pra seguir curtindo muita música e ótimas companhias na Dodô.


POR SUZANE JARDIM

DISSECANDO RELAÇÕES RACIAIS ATRAVÉS DO CASO O.J. SIMPSON PARTE I: “EU NÃO SOU NEGRO, SOU OJ.”

Muitos de vocês devem ter reparado na série nova que chegou à Netflix brasileira e que conta com Cuba Gooding Jr, Sarah Paulson, o carinha do Friends e o John Travolta fazendo o papel de um boneco de cera no elenco.Provavelmente você também sabe que se trata de um série de ficção baseada em um caso real ocorrido em 1994 e que envolveu um ex-atleta norte americano de nome OJ Simpson. O que talvez você não saiba, é que esse é um dos casos mais citados em pesquisas recentes sobre história dos EUA, representação, debate identitário, mídia, sociedade contemporânea e intersecções entre raça, classe e gênero. Por isso, decidi que essa era a oportunidade perfeita para lançar minha própria série: uma série de textos que tem como objetivo principal pensar nessas nuances teóricas e promover reflexões, além de pontuar alguns fatos sobre a história norte-americana que nem sempre os que não estudam o assunto sabem sobre. E esse é o primeiro deles. Uma das cenas que mais impactou a todos que viram a série American Crime History foi exibida no episódio 03, quando Cuba Gooding Jr no papel de OJ se opõe a idéia de usar o recurso racial em seu julgamento e diz em alto e bom som a frase: “EU NÃO SOU NEGRO, SOU OJ”. A partir dessa frase, me proponho a trabalhar com a parte que a série não mostra — a história negra americana que vai do início do século XX até o final dos anos 70 — e a mostrar como a figura de OJ Simpson se encaixa nisso e nos serve de gancho para pensarmos em tendências muito maiores no debate sobre a identidade negra e modos com os quais a mídia recebe e lida com nossas concepções sobre nós mesmos. Usarei como base algumas leituras feitas ao longo dessa minha vidinha, além do documentário produzido pela ESPN, Oj: Made in America, que se você não viu, fique sabendo que deveria. AVISO: ESSA SÉRIE DE TEXTOS VAI TER SPOILER. Então se você não sabe nada sobre o caso e prefere descobrir tudo sozinho em uma maratona feliz na Netflix, pode ir lá assistir e depois volta aqui pra gente conversar.

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Primeiramente, o que é ser OJ Simpson? Sim, sim, sabemos que ele foi um atleta, que foi acusado de assassinato e pans, mas vamos tentar voltar um pouco nessa história, ok? Orenthal James Simpson nasceu na cidade de São Francisco, no estado da Califórnia, em 1947. “Mas pra quê voltar tanto assim, Suzane? Que loucura!”. Calma ow! Tô voltando porque é importante entender como a história da família Simpson é uma alegoria perfeita sobre a vida dos negros nos EUA — você vai entender a utilidade disso mais pra frente, confia em mim. Os avós maternos do pequeno Orenthal eram um casal de negros nascidos no estado da Louisiana nos anos 20 e, AMIGOS, se tem uma coisa que vocês realmente não iriam querer nessa vida é ser negro na Louisiana nos anos 20. Isso porque Louisiana é um dos estados sulistas que foi pro lado dos Confederados durante a guerra civil. Sabem aquele papo sobre o sul dos EUA ser a parte mais racista de todo o país? Pois então, Louisiana fica lá. No sul, a rotina de espancamentos, assassinatos, incêndios em casas de famílias negras e privação das liberdades individuais, tornava a vida impossível principalmente para os negros do interior, fato que causou um verdadeiro êxodo rural. Entre os anos de 1910 e 1950, os EUA passaram por uma onda de migração negra que ia do Sul em direção ao Norte. Só na Califórnia a população negra aumentou em 600% em dez anos. Sabe no Brasil? Quando os nordestinos vieram em massa para os estados do sudeste em busca de empregos e oportunidades durante o boom econômico dos anos 1970? Pois foi um processo mais ou menos parecido - aqui no Brasil é super comum ser um paulista com avós ou pais nordestinos, assim como nos EUA é extremamente comum e normal ser um negro com a vida marcada por uma família que fugiu da violência no sul buscando a paz e as oportunidades dos centros urbanos do norte.

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Ruby Bridges escoltada por agentes federais em seu primeiro dia de aula na Louisiana , em 1960. Ruby e sua história foram inspiração para essa pintura de Norman Rockwell, que também aparece tanto na série quanto no documentário sobre OJ Simpson.

Só a partir dos anos 50 e 60 que as mobilizações contra a segregação racial e as injustiças criminosas que ocorriam no sul começaram a surgir de um modo mais visível a todos nós, mas vamos voltar aos negros do sul que migraram para outros estados.Devemos presumir que os negros sulistas que migraram para áreas do norte ficaram livres da violência, racismo e abuso? Não, não devemos mesmo. Existia esse mito de que os estados ao norte eram mais amigáveis, porém a população negra da Califórnia, por exemplo, convivia há anos com inimigos difíceis de denunciar: a polícia e o descaso do Estado que, como sempre, preferia dar benefícios e estrutura aos bairros ricos enquanto deixava os bairros pobres em um estado de quase abandono.

OJ Simpson vivia com sua mãe e irmãos em um desses projects que a Rochelle condenava e foi por lá que nasceu, cresceu e teve problemas típicos dos jovens negros de locais semelhantes: a falta de estrutura, a pobreza, a convivência com gangues de rua e com a violência urbana, passagem por reformatórios, etc. No documentário, um amigo de infância de OJ conta que ali Martin Luther King não chegava: os heróis de uma criança crescida por aquelas bandas eram os traficantes e cafetões.

Uma das poucas possibilidades de ascensão social para os jovens negros norte-americanos era conseguir bolsas de estudos através dos programas de incentivo ao esporte e foi exatamente isso que OJ Simpson fez para tentar fugir das estatísticas, assim como diversos outros negros com Muitos desses negros viviam nos projects, apartamentos histórias absurdamente parecidas. OJ se destacou nos times construídos pelo governo para abrigar os mais pobres nas do colégio e por sua performance notável, conseguiu uma grandes cidades, mais ou menos como os conjuntos bolsa para estudar e jogar futebol americano em uma habitacionais aqui do Brasil e com uma fama muito universidade da elite branca em Los Angeles, onde já chegou semelhante. com fama de monstro do esporte. Foi lá que OJ passou boa parte da década de 1960. Daí pra frente foi só sucesso, Pausa para uma trívia pra vocês saberem como esse era prêmios, honrarias, granas e participações em filmes, um destino comum: no primeiro episódio da primeira temporada da série Everybody Hates Chris, por exemplo, comerciais e programas de TV. acompanhamos a mudança da família para Bed-Stuy Eu contei tudo isso para que conseguissem perceber uma enquanto Chris explica que sua mãe Rochelle não queria coisa importante logo de início: a trajetória de vida de OJ até mais morar nos Projects porque achava que “project” era o sucesso era (e talvez ainda seja) muito representativa pra apenas outra palavra para “experiência”. um número gigante de afro-americanos. — “Nos laboratórios o governo dá queijo pra ratos. Nos projects o governo dá queijo pra pessoas.”. Na dublagem brasileira trocaram a palavra “project” por “conjunto habitacional”.

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É a tipica trajetória de sucesso de um jovem negro que não se deixou abalar, de uma família que conseguiu fugir do sistema racista sem sucumbir. Milhares de outras famílias negras fizeram o mesmo caminho, diversos jovens negros tinham avós e pais com a mesma história e sonhavam em alcançar os mesmos objetivos, tendo uma vida bem sucedida em grandes cidades como L.A. Toda essa trajetória funciona perfeitamente como uma alegoria de história comum e uma boa parte da população afro-americana conseguiria se reconhecer em uma história dessas sendo contada nos anos 60 ou 70. Esse é um dado importante para ser guardado na memória até o fim desse texto. Mas vamos avançando porque afinal, estamos agora nos anos 60 e nessa época não era só apenas o auge de OJ Simpson que estava rolando, não é mesmo? Anos 60 podem te fazer lembrar de hippies paz e amor ou da Beatlemania, mas não dá pra negar que o que mais marcou os anos 60 na história do mundo foi: treta. Foi a década auge da grande maioria das lutas organizadas que conhecemos hoje e isso com certeza influenciou movimentos por todo o mundo. Muitos foram os fatos marcantes dessa década, mas por enquanto vamos nos focar em um evento em especifico que aconteceu em 1965, mesmo ano do assassinato de Malcolm X e da assinatura da Lei dos Direitos ao Voto: a Revolta de Watts. A grande maioria da população branca dos Estados Unidos via imagens da brutalidade que ocorria no sul do país e pensava que no norte as coisas eram melhores. A Revolta de Watts veio pra mudar esse quadro ai.Watts era um bairro pobre de Los Angeles onde se concentrava a maioria da população negra da cidade. Um belo dia a polícia parou um carro onde estavam dois irmãos negros porque suspeitava que o motorista estava dirigindo embriagado — até ai tudo bem — só que a polícia não fazia aquele “boa noite, senhor, poderia por gentileza sair do veículo para verificarmos sua situação: não queremos que o senhor se machuque, não é mesmo?”. NÃÃÃO. Os cara já chegava na voadora mesmo.

A população do bairro viu aquilo e começou a se aproximar para impedir que os policiais continuassem com aquela abordagem nada a ver e em pouco tempo o local estava cercado por centenas de negros que ficaram pistola ao ver que a polícia resolveu prender a família toda simplesmente porque sim. O que aconteceu depois? A população do bairro se revoltou contra toda a violência policial que sempre sofreu e isso gerou uma explosão de fúria coletiva que se transformou em 6 dias de confronto entre os moradores do bairro e a polícia.

Durante a abordagem, o irmão do motorista saiu correndo do carro e foi até sua casa chamar sua mãe pra ver se a senhora poderia ir lá resolver a situação. Ai foi que o pau quebrou: quando a senhora chegou no local pedindo pelo amor de deus pra deixarem os filhos dela em paz, a polícia fez sobrar até pra ela.

Porém, a revolta teve também um resultado positivo: mostrou pra população imagens que não eram nada diferentes das que vinham do sul (nesse vídeo tem algumas das mais leves) e que trouxeram pra mídia e para os jornais a discussão sobre o tratamento diferenciado que a polícia dava para negros e brancos nas grandes cidades.

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Como acontece até hoje, muitos críticos consideraram que a culpa de tudo isso era dos negros e que as cenas de “vandalismo” que ocorreram durante a revolta serviam apenas como prova de que negros eram descontrolados e violentos. Independente da opinião, abriu-se o precedente: L.A era uma cidade onde negros conviviam com a brutalidade policial e não estavam dispostos a aceitar essa realidade pacificamente. (Guardem bem essa informação, vocês vão precisar dela nos próximos textos). Apenas dois anos após a revolta, OJ Simpson finalmente realiza o sonho de muitos outros jovens negros e se muda para Los Angeles, porém, ele não foi pra lá morar em Watts junto com os outros negros recém chegados, não não meus amigos, o cara já chegou metendo os pé na porta e se instalando na área imediatamente ao lado da região de Watts — o campus da Universidade do Sul da Califórnia (USC). Vejam bem, o movimento estudantil norte americano teve seu auge nos anos 60 e tal, mas na USC as paradas pareciam estar bem paz, até porque era uma universidade formada por jovens brancos de elite que queriam fazer carreira no mundo dos esportes e na industria hollywoodiana, além de ser um centro de estudos ligado aos grandes bancos e grandes veículos de mídia, então pra que causar se tu já tá com a vida meio garantida, né? ENFIM, foi ali que OJ Simpson se instalou aos 19 anos, já casado com sua primeira esposa Marguerite L. Whitley, uma jovem negra muito gata. Você deve estar pensando que OJ Simpson, um jovem negro vindo de um bairro pobre, comeu o pão que o demo amassou quando chegou nesse ambiente totalmente novo

e que foi hostilizado de tudo que é jeito pelos estudantes brancos. MAS POR INCRÍVEL QUE PAREÇA não foi o que rolou não. Isso porque OJ construiu uma fama estadual como jogador de futebol (Vamos combinar que toda vez que eu falar de futebol nesses textos tô falando de futebol americano, tá bom? Não me vem imaginar o OJ Simpson fazendo embaixadinha, pelamordedeus) e sua presença ali era na verdade um item muito importante para a universidade que poderia ter garantia de se destacar nos jogos universitários nacionais (os americanos realmente ligam pra esse tipo de coisa e nunca vou entender o porquê).

“Eu não sou negro, sou O.J” Logo, a jornada de OJ na USC não lembrava em nada a hostilidade sofrida por outros estudantes negros que entravam nos “espaços brancos”: em vez de ser identificado como qualquer outro negro morador de Watts, OJ deu altas entrevistas pra vários veículos, era celebrado pelos colegas e professores e visto como o novo Nirvana muito antes do Nirvana existir pra ser alguma coisa.Em 1967, graças ao apoio e projeção que a universidade fodona deu a OJ, ele se tornou uma figura conhecida nacionalmente e a nova promessa do esporte.

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Até o recorde mundial de atletismo o cara ganhou na época porque corria pacas. Vocês são jovens e não devem se lembrar como foi quando o Robinho chegou no Santos, mas o bagulho foi bem parecido — só se falava em OJ, OJ era o futuro, OJ chutava bundas, era o mais gostoso e o mais promissor no mundo do futebol. Mas é aquela coisa: nem só de futebol vivia a nação e a tensão ainda era constante no país.E agora começa a parte interessante…. Vamos voltar à frase tema desse texto: “Eu não sou negro, sou OJ”. No documentário OJ: Made in America essa frase também aparece e em um contexto que vale umas palavras sobre.Em 1967, ano em que OJ chegou na USC, a guerra do Vietnã era um assunto. As convocações chegavam aos montes para os jovens norte-americanos e chegavam aos montes também para os jovens negros. Muhammad Ali, conhecido também como @homão da PORRA (ou Cassius Clay), foi uma das principais vozes a unir a crítica ao racismo do país com a crítica à guerra. Sua frase “No vietnamese ever called me nigger” ou “Nenhum vietnamita jamais me chamou de nigger*” estampou cartazes por todo o país e fez com que outros negros, famosos ou não, se negassem também a participar do conflito. Jim Brown foi um dos principais e mais importantes atletas negros do mundo do futebol e também aderiu à causa, assim como vários outros atletas negros de áreas diversas.No mesmo ano, foi formado o The Olympic Project for Human Rights (OPHR), uma organização de atletas negros que propôs um boicote às Olimpíadas de 1968 no México motivados pela oposição ao regime do apartheid na África do Sul — que foi convidada para as Olimpíadas como se estivesse tudo de boa— e para dar visibilidade para a situação dos negros nos Estados Unidos. É importante salientar que na sociedade americana da época os únicos negros que realmente eram ouvidos pela mídia e tinham influência direta na juventude (negra e branca) eram os super atletas. Eles representavam o país em competições, traziam medalhas, troféus e glória, sendo retribuídos por isso com fama, grana e status, ou seja, não era a toa que os jovens negros viam no esporte um caminho pra mudar de vida. OJ Simpson já era considerado um desses atletas importantes na época: tinha fama por todo o país, era o jogador universitário mais famoso do rolê e, por tudo isso, foi obviamente questionado sobre o movimento encabeçado pelos atletas negros.

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Com isso em mente, abaixo apresento quatro situações, todas ocorridas entre 1967 e 1968, e que nos ajudam a pensar mais a fundo sobre o significado da nossa frasetema: SITUAÇÃO 1: Em uma entrevista feita em 1967, esse ano ai com tantas paradas acontecendo no mundo dos esportes, um repórter pergunta a OJ sobre o boicote às Olimpíadas e ele basicamente responde um “pow mano, daora os cara tão lá lutando pelo deles né, mas eu não quero me envolver nisso não, falow”. Na mesma entrevista, perguntam o que ele acha sobre a iniciativa de atletas como Jim Brown que estava dando declarações públicas sobre as questões raciais e sociais. Você pode ver a entrevista clicando aqui, mas ela infelizmente está sem legendas em português, então reproduzo a resposta de OJ abaixo: -Eu acho que é boa, pois caras como Jimmy Brown,(…) e alguns outros, nos mostraram que você pode chegar longe, sabe? Eles estão vencendo esportes e se tornando pessoas de sucesso e agora eles estão em uma posição em que eles podem falar “hey, eu consegui e você pode conseguir.”, e pode-se dizer que isso é o que eu estou tentando fazer. Eu estou tentando chegar longe, eu vim de uma área bem barra-pesada, e eu sinto que se eu consegui, isso faz de mim um bom exemplo pras crianças. E eu estou tentando, eu estou me direcionando a uma meta e se eu alcançá-la eu vou ser um bom exemplo que nem o Jim Brown foi pra mim. SITUAÇÃO 2: Dr. Harry Edwards é um ex- caça talentos do esporte que hoje é um sociólogo especializado em sociologia do esporte com foco em atletas negros. Ele foi um dos primeiros olheiros a ir dar uma espiada na performance de OJ no colégio e anos depois foi o idealizador da campanha de boicote dos Jogos Olímpicos do México. Edwards conta como foi o dia em que foi convidar OJ Simpson a se juntar a ele na causa. Segue a fala:Quando perguntei pra ele, disse que estávamos tentando fazer entender o papel que atletas negros tem no atual movimento por direitos civis e a resposta dele foi: “Eu não sou negro, sou OJ”. Com isso, OJ estava na verdade dizendo: “eu não quero ser julgado pela cor da minha pele, quero ser julgado pelo meu caráter e, acima de tudo, pelo calibre da minha competência (…) não me diga que eu preciso fazer isso porque sou negro.”


SITUAÇÃO 3: Enquanto atletas negros se uniam para dar visibilidade à causa racial, OJ Simpson deu uma entrevista para a TV fazendo a seguinte declaração: “Eu diria que há menos preconceito no esporte do que em qualquer outro campo de trabalho porque você é apenas você, é aceito como você é, o que sabe e o que consegue fazer como atleta e eu acho que isso é bom para qualquer um” SITUAÇÃO 4: Em 1968 o mundo virou de cabeça pra baixo. Nos EUA foi o auge dos Panteras Negras e o ano dos assassinatos de Luther King e John Kennedy. Nas polêmicas Olimpíadas do México, os atletas negros Tommie Smith and John Carlos foram banidos dos jogos após erguerem os punhos em uma referência aos Panteras Negras durante a execução do hino nacional norte-americano (e geraram essa imagem icônica ai que eu adoro meter no meio de tudo). Enquanto TUDO ISSO tava rolando, OJ alcançava o posto máximo que um jogador universitário poderia alcançar em sua vida: o Prêmio Heisman, um troféu dado só para os maiores fodões do esporte e que significava pra caramba pra OJ e principalmente para a USC. Enquanto todo o país se inflamava e enquanto todos os acontecimentos que marcaram o mundo ocorriam, OJ estava presente em uma cerimônia em sua faculdade em celebração ao sucesso da mesma na temporada de esportes. É nessa cerimônia que o apresentador da parada lança AO VIVAÇO: Eu não preciso dizer que é um prazer estar aqui na OJ U (Universidade do OJ). Mas é maravilhoso estar aqui na USC: vocês não tiveram uma revolta, uma demonstração e nem mesmo um protesto — tem certeza de que isso aqui é uma faculdade? *risos da platéia* No livro Questão de Raça, o autor Cornel West faz vários ensaios delicinhas. Em um deles, ele aponta qual foi o poder revolucionário de Malcolm X e em outro, ele fala sobre como a população branca americana tem a tendência de perceber os negros como “pessoas problema” e não como cidadãos norte-americanos com problemas causados por um sistema racista. A concepção do negro como “pessoa problema” faz com que a sociedade adote uma postura culpabilizadora sobre sua existência: se ele se comportasse, se ele não fosse tão agressivo e tão envolvido com as coisas erradas, não

seria tratado mal e não teria do que reclamar, afinal, todos vivemos em uma sociedade justa onde se você se esforçar e andar na linha, pode alcançar todos os seus objetivos e sonhos. A partir dessa concepção, Cornel West aponta o que considera os dois caminhos possíveis para o negro que vive em uma sociedade racista: • A explosão da fúria e da repulsa à figura do homem branco: fator que pode afastar o negro do convívio social e que pode acabar se tornando uma negação da vida em sociedade como um todo, além de trazer um comportamento violento que geralmente volta contra a própria comunidade a que o negro pertence.

... Esse artigo complétissimo e super importante de Suzane Jardim foi publicado em 2017 e o seu contexto é atual e pertinente. VOCÊ PODE MATAR A SUA CURIOSIDADE E ACESSAR O RESTANTE DO ARTIGO NESSE LINK: MEDIUM.COM/@SUZANEJARDIM

@JARDIM_SUZANE

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NÃO SABER O QUE NÃO SABEMOS POR ISA WHITAKER

No acordo traçado por nós através da linguagem, busco me entender para poder falarme. Mas como falar daquilo que não sei e daquilo que ainda não existe? Se cada palavra carrega consigo um significado tão grande que nem a nossa pele poderia carregar sozinha, esse novo sentimento ainda não tem lugar no nosso discurso. Nos aproximamos lentamente de um abismo que sempre esteve presente, mas não havia se mostrado até então. O além-palavra é uma constante na nossa vida, desde que aprendemos a falar. Sempre existe o indizível, aquilo que é grande demais para encaixar em uma mera convenção de significados.

EU NEM TAVA LIGADO Um dos clipes mais relevantes na cultura POP foi gravado aqui no Brasil, em Salvador. Uma super produção dirigida por nada menos que Spike Lee! Pois, é... Eu nem tava ligado. O diretor acaba de lançar 'Da 5 Bloods' na Netflix e se você ainda não assistiu a mais um trabalho fantástico do polêmico e irreverente cineasta, corra!

Mas a necessidade de expor nossas angústias, faz-nos espremer e esburacar qualquer metáfora que se aproxime minimamente desse enorme abismo sem rosto, mas que nos encara cada vez mais de perto. Como um sonho, que se perde rapidamente se você não procurá-lo assim que desperta, a palavra se nubla e mergulha em um acervo de coisas prontas que não servem agora. Falar do agora é difícil porque não conhecermos o que vivemos. Mesmo que a roda gigante sempre volte para o mesmo ponto, ela agrega toda migalha do desconhecido que encontra nessa volta. E aqui estamos nós, seres cheios de palavras criadas que não conseguem cercar o ponto inicial que está recoberto de não saberes os quais nós não sabemos que não sabemos. Revista digital abre pra gente umas possibilidades incríveis, sabia? Como por exemplo disponibilizar aqui, agorinha pra você e pra quem tiver interesse um drive compartilhado por Rita Von Hunty com diversos conteúdos para mergulhar nas pautas Feministas e Queer.

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SÓ CLICAR AQUI

TAKEN FROM VICE

Erykah Badu O que você acha do novo movimento negro de protestos, e do Black Lives Matter? Acho que é uma coisa necessária. As coisas são criadas pelo mundo a partir das orações que as pessoas oram e têm. As coisas começam a ir na direção do que todos nós pensamos coletivamente. Quando você vê coletividades indo em alguma direção clara, pode saber que vai haver algum tipo de migração em massa para um lugar mais elevado, e vejo isso no mundo como um todo, não só nos Estados Unidos. Vejo isso pelo planeta inteiro. As pessoas estão se organizando e se fundindo para criar mudanças, e isso é uma coisa inspiradora. Acho que é parte da ordem natural das coisas. Estamos evoluindo, e o que nos ajuda a evoluir são as redes sociais. Rede social é evolução social. Isso está causando a centelha de uma grande mudança.


UM CONTO VERDE POR HEBERTON BAPTISTELA

“Se você adota uns, por que come outros? Se não almoça seu cachorro, por que jantar uma vaca? Chega das bestas de carga! Pelo planeta, pelos animais, por sua saúde.” Essas eram as frases de um panfleto político que Negrete havia acabado de ganhar enquanto assistia, pelo celular, ao final de um vídeo que se intitulava “por que se tornar um vegetariano”. - Sacou Negrete? Bem agora cara, enquanto a gente tá aqui trocando ideia, tá acontecendo uma carnificina! Nesse exato instante, tem uma caralhada de vacas que tão sendo separadas dos bezerros, pra que gente que nem eu e você tome o leite delas. Esses pintinhos que tu viu sendo triturados aí, tinham acabado de nascer e já foram sendo brutalmente assassinados. Eles viraram ração só por que não podiam botar ovos cara. Galinha, frango, vaca, porco, e outros animais tão tudo cara, tudo sendo encurralado e encarcerado em pavilhões, sem poder ver a luz do sol e levando vidas miseráveis. Milhares mano, milhares de animais sendo transportados em caminhões e carretas, sabe-se lá pra onde, pra serem mortos à pancadas e esquartejados só para que depois nós possamos comprar suas partes e come-las. É uma chacina cara! E nenhum animal deveria morrer pelo mão do homem, mano!

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- Num sei não Carioca, num sei se da pra pará de cume carne assim do nada, porra. Quase num tem carne lá em casa, quando tem num vô cume? - Não precisa ser assim do nada também pô! Para com o frango primeiro, depois o carne de vaca e assim vai indo, mano. E meu, se quase já não tem carne lá na tua casa, se tu parar de come carne, nem vai sentir falta. - Claro que vô carai! É porque quase num tem, que quando tem, eu como. E mano, o baguio dá mó força. - Negrete. Ninguém precisa beber leite, comer carne ou comer ovo pra ser saudável. - Niguém pra voncê que é prayboy, neh Aqui polaco, quando a fome aperta, é treta! Nóis come ovo, galinha, vaca, boi, porco e se pá come até gato e cachorro. – Riu Negrete, numa risada desdenhosa. - Para com isso Negrete... - Para ucê porra! Ou vai troca aliança? - O quê? - Vai passa a bola ou vai casa cum o beque? - Há! Pode pá... foi mal. – Disse Carioca passando o baseado das pontas dos dedos amareladas para Negrete.


- Ou então... Esse chá tá verdinho. Tá fazendo quanto? - Três pá um, polaco. - Oloco Negrete, e pros parça? - Três pá um, polaco. - Porra! Assim não vai sobrar nem dinheiro pro passe. - Ué, pula a catraca... Cê num é daquele baguio lá do… do passe livre. - É, eu vou pular. Tá aí: cento e cinquenta. - Sumemo, sumemo. Aqui nóis num janta onça, mas essas três aqui eu vô torra rapidinho. - Porra Negrete, vê se não dá uma dessa se tu colar no role da manifestação vegana hein. - É... É... Se pá eu colo. - O Negrete! Aqui tem cinquenta 'G' memo né mano? - E aí polaco, qualé? Num confia mais nos parça? - Tá firmeza, pode pá, nóis confia. Vê se cola lá mano. - É... Se pá, se pá. - Vô vazar. Falô aí Negrete, valeu o corre. - Falo polaco, vai pela sombra. Enquanto o Carioca se afastava, Negrete continuou fumando o que sobrara do baseado: um pouco menos da metade. Enquanto os dois conversavam, o dia demorava a deitar, o horário de verão dava insônia ao dia, e o sol, que antes cobria o fim da tarde com raios baixos e rubros, fazendo com que o laranja dos tijolos dos barracos contrastasse ferozmente contra o cinza do morro, agora já havia se deitado por completo e os barracos, mais cedo alaranjados, agora emitiam uma luz seca e amarelenta. Na rua também havia luzes acesas, mas a grande maioria das lâmpadas dos postes estavam quebradas, de forma que o começo da boca, embaixo de um poste sem lâmpada, ficava mergulhada numa espécie de penumbra flutuando na calçada, iluminada apenas pelas anêmicas luzes dos barracos em volta. Negrete segurava nos pulmões a fumaça de um último trago do agora era apenas ponta de baseado e com dificuldade terminava de ler o panfleto que ainda detinha nas mãos, quando de surpresa, fora maliciosamente surpreendido por dois militares que o espreitavam com os faróis do camburão desligados. - Perdeu vagabundo, perdeu! – Disse o primeiro militar que dirigia e que estacionou ao lado de Negrete, apontando sua arma para fora da janela na direção de Negrete.

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O segundo policial desceu do camburão e ao fixar seus olhos em Negrete, parecia poder enxergar na penumbra, pois prontamente o reconheceu: - Tu aqui de novo seu vagabundo de merda? Já não falei que eu não te quero aqui na baixada? Que cê tem aí seu vagabundo? Vira, deixa eu ver! Levanta a mão porra, levanta a mão! - Num tenho nada! – Disse Negrete enquanto um militar o revistava e o outro continuava a apontar-lhe a arma. - NADA FILHO DA PUTA? NADA? - Gritou o militar que o revistava, ao tirar do bolso de sua blusa, seis ou sete pequenos tabletes de maconha prensada, embalados em pedaços de sacola plástica de supermercado, além dos cento e cinquenta reais que receberá pouco antes. - É a segunda vez que eu te pego aqui, seu viciado de merda. - Entendi! Entendi! Eu não vou mais voltar aqui! – Disse Negrete. - Não vai mesmo – Disse o militar tirando do coldre sua pistola e puxando o gatilho três vezes seguidas. O militar que estava ao volante do camburão, ainda dentro do carro, sobressaltou-se e, alarmado, disse: - SARGENTO! Pra que atirar nele, porra? - Porque bandido bom é bandido morto, porque me deu vontade e porque é melhor você fazer vista grossa com essa merda aqui, se não eu coloco no teu rabo também. Isso aqui tá cheio de preto, ninguém vai da por falta de um. Agora liga a porra desse carro que eu quero ir ver se essa maconha presta mesmo. Bora porra, bora! O soldado nada mais disse, acatou a ordem e faz com que o camburão desaparecesse no breu da rua. No centro da sombra que boiava na calçada, ficou o panfleto vegano, agora molhado pela superfície do sangue escarlate, que quase não se diferenciava da pele preta, do escuro, da noite. Quando Carioca virou a chave no trinco da porta entrando sala adentro, pode ouvir claramente a voz de seu pai que vinha do interior da sala, onde assistia a um noticiário na TV que reportava algum novo dado sobre as chuvas e a falta de água em São Paulo: - Já voltou amor? - Sou eu pai! E sim, já voltei. A mãe foi pra igreja? - É! Foi sim! Ela mandou avisar que deixou dois pedaços de lasanha pra você no microondas.


- Pô pai! Já não falei que agora eu sou vegetariano? - É falou. E eu também já te falei o recado que tinha pra dar. Se tiver fome, come, se não quiser não come, se vira! - Tá, tá! Carioca prosseguiu pela casa em direção a seu quarto, entrou, trancou a porta, ligou o monitor do computador que agora aceso, deixava ler o anúncio de um site que, em letras graúdas, dizia “Salve vidas, seja um vegetariano”. Carioca, lembrando-se do pequeno pacote em seu bolso, foi em direção ao seu guarda-roupa. Abriu-o. Cavou pelo meio das roupas e cabides, até desenterrar uma pequena balança. Tirou o embrulho do bolso e, iria pô-lo em cima da balança quando viu uma barata voar de dentro do guarda-roupa para o meio do quarto. Assustou-se, mas logo se recompôs. Largou o que tinha nas mãos sobre os lençóis da cama e cautelosamente pegou o chinelo ao pé do criado-mudo. Aproximou-se ainda mais lentamente, com cuidado ergueu o braço com o chinelo na mão, e desceu um golpe na barata o mais rápido e forte quanto conseguiu. Quando levantou o chinelo do chão, teve certeza que o inseto estava morto, então reclamou em voz alta para consigo mesmo: - Uh! Puta que pariu! Barata é um puta bicho nojento. – Ele destrancou a porta, abriu-a e saiu do quarto com a intenção de lavar a sola do calçado. Sobre o ladrilho avermelhado do quarto a barata ainda remexia as suas pernas fiapentas. Sobre a sucinta e pequena balança em cima da cama, quarenta gramas de maconha.

@HEBERTONBAPTISTELA

Heberton Baptistela também é editor e escritor no @faziapoesia e você pode encontrar mais de seus trabalhos clicando BEM AQUI

O lendário rapper paulistano Sabotage recebeu seu apelido por sempre conseguir, com relativa facilidade, burlar leis e furar esquemas de segurança, entrando em festas como penetra ou se passando por outra pessoa.bDe acordo com Toni C., autor da biografia oficial do Mauro, na página 38, foi o irmão mais velho, Deda, que lhe conferiu o nome: ‘Alguém mexeu na minha carteira?’, perguntou irritado. ‘Oh, Deda, fui eu, mano’. Maurinho caçou no bolso da calça. ‘Tá aqui, ó, peguei o RG pra poder entrar no baile’. ‘'Cê, hein?’. Deda não sabia se punia ou elogiava: ‘Isso é sabotagem, você é um terrorista. ’ Deda achou melhor contar para sua mãe: ‘Ele tá saindo escondido, tá fazendo sabotagem. ’ Sem se dar conta, e pela repetição, Deda acabava de batizar seu irmão: Maurinho passaria a ser conhecido por todos como Sabotage. Ele arrumou uma explicação para o neologismo ‘Sabotage’, sem o ’M' no final: ‘Sabotagem é o ato. Sabotage é o cara que pratica o ato’. Quanto ao epíteto “Maestro do Canão”, Toni conta, na página 103: Sabotage recebeu o batismo na família RZO, ganhando um segundo apelido, o que mais sabidinhos chamariam de ‘epíteto’, quase um slogan—coisa comum entre os integrantes da sigla. Sandrão, por exemplo, é o ‘Braço Direito da Favela’, enquanto DJ Cia é o ‘Vilão dos Toca-Discos’. Coube a Helião, o ‘Presidente’, o batismo. De tanto ouvir as letras de Sabotage se referirem com maestria ao Canão, se tornou, dali em diante, o ‘Maestro do Canão’. “Maurinho”, por sua vez, vem de seu nome de nascimento, Mauro Mateus dos Santos.

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MOONLIGHT

A PSIQUE DO HOMEM NEGRO EM CONFRONTO COM OS ESTEREÓTIPOS DE RAÇA E SEXUALIDADE POR FERNANDO MEDEIROS

Junho é o mês do orgulho LGBTQIA+ e, como vocês já sabem, o Maratona (Portal que é publicado esse artigo originalmente) não só reforça o coro das vozes nesse período, como está fazendo uma série de postagens que tenham esses(s) grupamento(s) como base. Só que… na verdade, eu não consumo muitas coisas com essa linha de debate, fiquei meio perdido. Mas com tantos conflitos raciais acontecendo, também em junho, a ideia surgiu na minha mente: Moonlight. Esse filme, que imagino que vocês já tenham visto, tem o debate de sexualidade muito interligado ao debate de raça, e é do que vamos falar. Eu vou tentar trazer uma reflexão sobre a psique do homem negro homossexual em confronto com uma sociedade que lhe oprime, tomando como base Pele Negra, Máscaras Brancas, de Frantz Fanon. FOTOS DIVULGAÇÃO

Moonlight conta a história de um garoto preto em 3 momentos da sua vida: Little, quando ainda é uma criança; Chiron, quando está na adolescência; e Black, já um adulto formado. Vemos como situações que acontecem muito novo na vida de uma pessoa podem vir a determinar seus comportamentos muito longe no futuro.No último episódio do MaraMinas, aos 1:15:00, minha amiga Bells fez uma fala muito interessante: “Ainda que contando uma história negra de um casal lgbt de um casal não estereotipado, ele coloca as pessoas negras do filme no lugar de marginalização. […] Aí você perpetua a ideia de que o único lugar de um homem negro é esse”. É muito válido, porém, quando se lembra que o Chiron vem de um lar nada estável, cuja mãe tinha problemas de adicção, não conhecemos o pai, ele vem a ser preso muito cedo, e ainda por cima, a figura forte de exemplo masculino que ele teve, na infância, era um traficante, não é de se estranhar que Little tenha se tornado Black. Moonlight não é, ao meu ver, uma obra determinista sobre o local do preto na sociedade. Mas sim, como demonstrar o processo de construção de um desses indivíduos. As condições e variáveis que o levaram a tal. É um pouco complicado fazer essa separação, porque Moonlight tem bem poucos personagens (Chiron, sua mãe, Juan, Teresa, Kevin, e Terrel), e só vemos mais um que se equipare em narrativa ao Chiron. [...] Esse artigo está completo de análises e citações que fortalecem um diálogo pra frente. O Oscar não veio atoa. Você pode ler ele completo na página Maratona de Sofá. Lá, todos os dias cinéfilas e cinéfilos conversamos sobre séries, filmes e livros, e você também pode fazer parte. ACESSE AQUI FOTOS DIVULGAÇÃO

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JUNHO

POR LOU LOU FALASCAT

É Junho. A partir de agora a paisagem começa a nos lembrar onde moram os ipês que em outros meses seguiam camuflados entre outros verdes. A floração desgovernada e sem miséria dessas árvores é coisa de plena entrega aos ciclos de vida. Transformação brutal, total abandono do antigo corpo para renascer. Bonito de ser e observar ser.

Ciclos. Neste mês, neste ano, contei o terceiro Junho que o menino não vem. Ciclos também. A permanência é a memória. O seu avesso é a vida seguindo.

Dia desses, olhando um rosa, lembrei de um tempo em que, além das flores, havia também um menino e éramos dois correndo o rosa, branco, amarelo, inventando brincadeiras para pescar no voo as flores que se soltavam dos troncos, segurá-las, continuar o passeio em nossas mãos. Nossas palmas, mais macias e desejantes que os corpos das calçadas - e também mais dançantes - recebiam flores inteiras que se aglomeravam e, sem querer, eram amassadas entre as grades dos dedos. Nosso desajeitado desejo de permanência criando uma prisão involuntária. A brincadeira era uma breve interrupção do caminho das flores, cujo destino continuava a ser o chão.

Lembrei também que durante uma chuva entre os últimos Junhos tombou um amarelo. Estava verde, mas era amarelo. Amarelo a minha memória. Tombou, um tronco inteiro no chão e as raízes para fora dele. O avesso. Talvez o vento, sem encontrar flores para derrubar, tenha resolvido brincar com a própria árvore. Desajeitado desejo. O corpo verde foi levado dali e o espaço que ele ocupava para se unir ao chão enquanto vivo foi transformado em corpo morto de calçada.

FOTO LOU LOU FALASCAT

Gabriel Dutra, que também encabeça o Coletivo ArtCena, imerge na produção artística de colagem e compartilha conosco mais uma vez um de seus últimos trabalhos. A colagem já era conhecida antes do século XX, mas era considerada uma brincadeira de crianças. O cubismo foi o primeiro movimento artístico a utilizar colagem.

............ @SOYDUTRA777

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O BAILE RESISTE AO INTERIOR POR MACÊDO

Podemos dizer que o Baile do Ghetto teve seu embrião criacional em 2017, no saudoso e burguês NoCanto. Apesar desse adjetivo ao primeiro bar, começamos na "melhor" maneira que podíamos oferecer. Numa segundafeira, portas abertas e com bebidas a quase preço de custo. O projeto até então se denominava RAP Session. Queríamos um ambiente de bar com uma sonoridade equivalente a um chill-out, mas até chegar no dia em si, as coisas foram mudando com a inserções de ideias e parcerias. O insucesso financeiro foi certeiro e esperado, mas a essência pra nascer as primeiras costuras com nomes que se demonstravam cheios de gás pra engajar cada vez mais o movimento pela região, foi colocada no ambiente. Naquela noit até então, cantaram Luizão MC, Kush RAP, Natan MC, Biro e trabalharam nos caixas e bar amigas que se dispuseram voluntariamente. O Demazzi, até então administrador do Bar deu todo o suporte técnico e logístico, comprando essa loucura de usufruir do bar em uma organização diferente, que fosse o mais próximo da rua. Já em 2019, quando ficou inviável a realização em Nova Odessa, depois de realiza-lo também no Vintage Bar, colocamos outras cabeças para idealizar e construir algo que envolvesse o maior número de pessoas que se aprofundavam no movimento de livre e espontânea paixão. Assim vieram mais DJ's, MC's, brechós, B'boys, ilustradoras, grafiteira, amigas vendendo geladinhos/sacolé, fotógrafas entre outras costuras. A primeira apresentação da maioria dos MC's acontecia ali. Foram cerca de 10 execuções da festa, com mudanças expressivas e público que variou de 20 a quase 400. Na festa que completaria 1 ano do Baile do Ghetto em Americana e 4 anos dessa caminhada de produzir um evento que fosse um espaço de livre atuação, tivemos a paralisação dos bares e pra ser bem sincero, a festa de 1 ano seria a última do nosso então querido Espaço Cultura, que fecharia pra reforma e troca de direção. Desde o início, não só falado como comprovado, produtores mais experiente sempre me alertaram para o fato de que se eu me envolver com eventos desse nicho, o prejuízo financeiro vem de mãos dadas. Talvez seja isso que distancie eventos oportunos de festas que exaltem cultura e conceito, sentimento de quintal e família prevalece mais do que o combo e o close certo. Casas não aceitaram a proposta do Baile por conter RAP e funk, e isso comprova que o que vem das ruas assusta muito os clientes brancos que eles querem manter consumindo em suas casas, e comprova também que quando isso passar a luta por ocupação e expansão do movimento continua.

@BAILEDOGHETTO

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FOTOS DE LUANA ROBERTA E GEOVANA PASCHOAL

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LABORATÓRIO ARTÍSTICO

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