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LACORJA MAGAZINE | ED1

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LACORJA CONTEÚDO INTELIGENTE MAIO 2020 • $0 • ED1

POR ANDRÉ MACÊDO

SCUM FUCK FLOWER BOY UMA RELEITURA DO ÁLBUM QUE BALANÇOU 2017

+++ GABRIELA BOTASSO GEOVANA PASCHOAL ISA WHITAKER LOU LOU FALASCAT LUAN QUINTELA MATTEO POLIZELI GABRIEL DUTRA

#7D47FF


'03

INC.VERBAL

Aquela page liberada pro manifesto, desabafo e muito blá, blá, blá.

NESTA EDIÇÃO

'04

GANJA TALKS

Camila Awakaza acredita que a leitura focada na manchete atrasa o diálogo.

'06

CARA, O CARAMUJO

Isa Whitaker soma na primeira edição com o querido Cara, cheio de reflexões

'07

OLHOS FALANTES

NOTA DO EDITOR Relatar os caminhos que sucederam a esse projeto seria uma missão quase impossível, mas a sinceridade na entrega do conteúdo e a responsabilidade com o ato de compartilhar informações traduzem bem como foi essa caminhada, pra que esse projeto siga com respeito e credibilidade daqui ao além.

Lou Lou Falascat, voz ativa, deixa suas palavras invadirem o nosso isolamento

'08

CONFISSÕES

Luan Quintela, produtor do Articena, coloca um pouco de texto e coração.

'09

ESCREVENDO COM A LUZ

Geovana Paschoal apresenta seu ensaio contemporâneo com o modelo J.Jibril

'14 Uma conclusão diferente, que é marcada pelo início, como uma batida de martelo que sentencia a nossa paixão pela pelo conteúdo artístico.

FLOWER BOY

Uma breve análise no álbum que reformulou o a cena musical.

'19

GUAPA GIRL

Macedo

Gabriela Botasso fala sobre o início na moda e as perspectivas para a marca.

'22

REFLEXO

O poeta Matteo Polizelli marca sua costura com um trecho emocionante.

EDITORIAL MACÊDO Editor/Redação

LORENA ODAYÁ Redação/Editora

HELENA NUNES Operações/Revisão

CAMILA AWAKAZA

Design/Diagramação

SOMA COM A GENTE NUCLEOLACORJA@GMAIL.COM

'26

PEGA A VISÃO

“Raça é a maneira como a classe é vivida. Precisamos refletir bastante"

'27

COLAGEM

Gabriel Dutra, também do Articena, apresenta seu novo projeto artístico


INCONTINÊNCIA VERBAL

AMANHÃ VAI TÁ MELHOR, SE NÃO QUALQUER COISA DEPOIS DE AMANHÃ VAI ESTAR, SE NÃO MELHORAR VOU PLANTAR ALGUMA COISA E OCUPAR A MENTE VAZIA.

AQUELA COLUNINHA DOIDA QUE SE DESESPERA A CADA LINHA FAZENDO VOCÊ PARTICIPAR DESSA MARATONA VERBAL E TERMINAR-LA NA EXAUSTÃO Escreva também seu fluxo impulsivo verbal e envia pra gente no e-mail nucleolacorja@gmail.com

A gente sempre espera ser o sobrevivente quando fantasiamos uma possível invasão zumbi ou qualquer cenário apocaliptico, e realmente, quando você é um fudido como eu que perdeu emprego logo quando alugou uma casa e projetou a vida em cima das produções artísticas, a sensação é de uma caça as cegas por emprego num contexto onde as contratações são exceções. A escapatória pra que o surto não bata forte o tambor aqui da juventude falida, é colocar frente aos olhos todas as brisas engavetadas, todas as texturas não sentidas e mostrando o dedo do meio pra críticas que não somam e sustentam essa terapia que é se salvar nos registros e realmente, botar fé no futuro agindo no presente.

Agora se a colheita é breve? Sem certeza alguma pra colocar na mesa. Que isso tudo virará o mais lindo registro que alcançou três leitoras e leitores, dois deles moram comigo, então... Foi um sucesso. Um sucesso escorado no desespero, lindo como essas lágrimas da incerteza, cheia de apoios invisíveis e com grandes investimentos no pedido de socorro abafadinho, por que sente que pode ser precipitado demais e dá pra aguentar até amanhã. Pois é, sofrer de incontinência verbal é o melhor dos meus males.

03


POR CAMILA AWAKAZA

COMO ANDA A SUA PACIÊNCIA PRA DEBATES ULTRAPASSADOS? MUITA MANCHETE E POUCA LEITURA. ATRASANDO A BUSCA POR DIÁLOGOS EMERGENCIAIS.

Ainda que discretamente, sempre queremos deixar claro que somos a favor da legalização. Seja em um bate-papo familiar, entre amigos, ou naqueles famosos e cansativos fóruns universitários. Fato é que depois de nutrir um conhecimento dos benefícios que essa erva nos causa, qualquer comentário com ideias ultrapassadas, que são na realidade discurso popular de gente preguiçosa, nos causa uma certa agulhada. Alguns usuários, seja recreativo ou medicinal se incomodam, e querem o direito de resposta, tentando argumentar com quem venda os próprios olhos, impedindo-o de enxergar um mundo no presente. Outros, como eu, não encontram ‘pic’ suficiente para entrar em um debate tão surrado e óbvio para quem tem preguiça de ler ou assistir bons conteúdos tão importantes. O mais engraçado, é que pouco a pouco a gente vai encontrando vestígios da marijuana em cada canto da nossa vida, aparece revelações de parentes, nossos pais demonstram conhecimento em alguns aspectos, os filmes e músicas começam a surtir um efeito melhor e as letras subliminares já fazem todo sentido. Pode parecer piada, mas somente aos 21 anos fui sacar que o “Chocolate” do nosso querido Tim Maia, era o famigerado haxixe. Pra pais e mães que não compreendem, resta o respeito. Se o diálogo não foi possível, aqueles vídeos que você enviou com uma didática envolvente, até mesmo a série sobre maconha do nosso queridinho Dráuzio Varela, também não surtiu efeito, resta manter o respeito, como diria D2 e esperar o momento em que o teto sobre sua cabeça seja pago com seu próprio dinheiro.


Imagine comigo um rapaz que trabalha atingindo bons resultados seja lá qual for a sua função, faz uma faculdade, vamos supor, de letras, que vai sendo levada bem a sério para garantir melhores condições na babilônia, mesmo sabendo que o sucesso profissional não tem como pré-requisito uma graduação. O uso maduro da planta, e ainda que seja pelo modo recreativo e não o medicinal, é o mais coerente para essas condições acima, garante uma estabilidade precisa e necessária para ir passando pelos obstáculos, mesmo sabendo que será carimbado por amigos, familiares e a sociedade como um todo de “preguiçoso drogado”. Sendo assim, com a imposição taxada de rebeldia, o debate vai se abrindo aos poucos, até por que se espera que veja o corre diário que a pessoa faz entre faculdade e trabalho, fora os projetos pessoais, e de modo respeitoso e nunca se passando pelo personagem estereotipado que é o maconheiro, vamos saindo da famosa sauna. A sociedade se incomoda, cospe hipocrisia e utiliza fantasias e boatos projetados pelos norte americanos na década de 70, enquanto seguram seu marlboro e tomam sua cerveja gelada, trava toda vez que o café não se faz presente na sua manhã e exercita o cérebro e o senso crítico com os olhos vidrados em um reality show e uma busca intensa por entretenimento em uma timeline.

SINTONIZE

SONS SUSSAS PARA MENTES INQUIETAS @COLETIVONCALMA

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CARA, O CARAMUJO POR ISA WHITAKER

Isa Whitaker é arte

educadora e você pode encontrar mais de seus trampos em @isa_whitaker

06


DOIS MIL E VINTE POR LOU LOU FALASCAT Descobrir-se casa em meio a um desmoronamento. Descobrir-se casa e querer ser rua. Descobrir que rua é boca vendada e olhos falantes. Olhar ao redor, olhar [d]o outro, olhar para dentro. Ser apenas olhos experimentando o mundo. Janelas da alma escancaradas. Ser casa sem número com janelas escancaradas em meio a um vendaval que nos empurra para fora. E o que há lá fora que te faz querer seguir o vento? E o que há aqui dentro que te faz querer fugir? Sempre fomos partes. De nós. Sempre fomos parte. Do todo. Não tem nome, não tem rosto, não é número. Amar sempre foi assim. Descobrir as novas contradições do amor: mantenha distância, não toque. Recolher-se enquanto tudo se expande: a solidão, o tempo, os medos, as paixões, os etcs. Não tem boca, pele, cheiro, toque, respiração, mas o amor não pede permissão: ele atravessa. Ele é a casa, a rua, as janelas, ele é o vendaval. Ele atravessa. @LOULOUFALASCAT 07


CONFISSÃO POR LUAN QUINTELA

Eu te conheci de uma forma aleatória, não lembro ao certo o assunto, o motivo, mas sei que no meio disso tudo aconteceu uma coisa, alguma coisa, é sempre uma coisa. Foi um sorriso, foi uma mexida no cabelo, foi a sua reação quando eu disse que precisava te ver aquele dia mesmo, foi o jeito como compramos duas canetas e trocamos fotos delas no dia seguinte, como uma espécie declaração, claro, tudo isso sem notar, uma coisa. E ali aconteceu, ali meu papo casual foi pro espaço, ali meu projeto de manter uma distância segura foi embora, minha ideia de não se envolver se envolveu em uma série de problemas.

Eu que não queria me preocupar com nada agora me preocupava o porquê você não respondia, eu que queria manter as minhas opções em aberto agora estou perguntando todo sábado se você pode, eu que não queria fazer nada que não tivesse vontade agora tenho vontade de fazer coisas que seria mais fácil não ter vontade de querer. Hoje peguei meu celular e o “digitando” não aparece mais no alto da tela na nossa conversa, ainda assim me pego pensando, o que mais aquelas duas canetas podem trazer de sensações pra minha vida?

@SOYQUINTELA

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A ARTE DE ESCREVER COM A LUZ Geovana Paschoal traduz nas fotografias cenas da juventude urbana 019. Entre ensaios solo e bailes, vocĂŞ pode encontrar muito mais em geovpic.myportfolio.com


Modelo: J. Jibril

Americana/BR SÉC XXI


@J.JIBRILJR @GEOVPIC

GEOVPIC.MYPORTFOLIO.COM


POR MACÊDO

SCUM FUCK FLOWER BOY

NESTE ÁLBUM TYLER ESTÁ NO TÉDIO DESCONFIADO COM O MUNDO A SUA VOLTA E CHEIO DE REVELAÇÕES Em 2017 tivemos o privilégio de receber grandes obras no mundo da música, e munida por brilhantes cabeças da cultura HIP-HOP, o gênero conquistou o mundo como nunca visto antes. Tyler The Creator, além de rimas afiadas e certeiras, contou com um backstage de produção muito estruturado e maduro pra chegar no front das grandes obras daquele ano. Nessa primeira brisa de analises, vamos viajar no som Garden Shad, que particularmente, me tocou de um jeito bem especial.

Produzido inteiramente por Tyler, o álbum conta com vocais convidados de uma série de artistas; incluindo o Frank Ocean, ASAP Rocky, Anna do Norte, Lil Wayne, Kali Uchis, Steve Lacy, Estelle, Jaden Smith e o Rex Orange County Uma criação bela, estonteante em forma de audiograma, onde ele se comportou como um verdadeiro sniper das palavras, certeiro nas rimas ”mínimas”, apresentando um álbum com transições orgânicas, tranquilas e certeiras, um trabalho bem delicado, ou seja, você vai ouvir mais de 40 minutos de música sem saber onde acaba a próxima faixa. Bem loco… Empolgante!

O nosso Stevie Wonder do RAP contemporâneo decidiu por esse caminho, na economia do falatório, na abundância de harmonia, e no suporte super enriquecedor das vozes citadas acima. Assim, ele diz exatamente o que quer, sem rodeios, às vezes para reflexão, às vezes para um ultimato. Neste álbum, encontramos um Tyler desconfiado. Com o mundo, consigo mesmo, com os amigos, com todos em sua volta. Traz a saudade dos tempos de Old Future, e arrebata o coraçãozinho atento através da simbologia do termo “tédio”. 14


THE CREATOR

Trazendo a metáfora com carros potentes, aqueles que hoje ele pode ter, que o dinheiro traz com facilidade, e por mais carros que ele tenha, por mais velozes que eles sejam, por mais estradas que construam para que ele possa dirigir e correr, tudo não faz sentido quando ele ainda se sente vazio. Continua bolado com a realidade.Um lembrete: Não ouça o disco como ouviria Sonia Abraão. Tyler coleciona dedos apontados em sua cara referente às letras e comportamentos machistas e homofóbicos, e traz um turbilhão de contradições ao assumir nas faixas ‘Garden Shad’ e ‘I Ain’t Got Time’ suas relações com homens, e que segundo ele, vem de muito tempo. Freud explica novamente. Se liga nesta breve análise da música Garden Shad:

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Todos os meu amigos "perdidos" Eles não conseguiram ler os sinais Os amigos de Tyler não estavam entendendo o que ele estaria se revelando. Tyler deixou inúmeros sinais de sua orientação sexual em muitas coisas ao longo desses anos, mas eles não notaram. Muitos de seus comentários a respeito disso, foram vistos apenas como piadas.

Eu não queria falar e dizer a eles "onde eu estava”,e eles não queriam "andar" Tyler queria que seus amigos entendessem sozinhos o que estava se passando com ele, mas eles não tentaram ver a situação como ela deveria ser vista..

A verdade é, desde criança, eu achava que era uma fase Pensei que seria uma fase, tipo "poof", aconteceu É muito comum as pessoas que passam por esse descobrimento de sua orientação sexual acharem que esse conflito com a heterossexualidade é apenas uma fase passageira e que com o passar do tempo isso viria a ser “superado”.

Grande fã da pele bege Sardas no nariz, como fazer Nesta frase ele relata o seu gosto por garotos brancos, complementando isso temos essa linha de I Ain’t Got Time! - I’ve been kissing white boys since 2004. É…Tyler inegavelmente é um fã de sardas.

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Tinha que manter isso na surdina Um monte de "borboletas querendo voar" Mas eu sempre, tipo "Eh". Sem interesse, mas eu pegava Só pra falar pros meus manos, tipo "Bruh". As borboletas seriam mulheres que estariam interessadas em Tyler, sendo que o mesmo não sente nada por elas, mas ele se relaciona apenas para contar para seus amigos, mesmo que isso não fosse verdadeiro consigo mesmo. Nesse caso, “bruh” é uma termo usado pelas fraternidades, colegiais, amigos em geral com a masculinidade frágil e que cumprimenta outros homens sempre com uma virilidade exagerada.


@CONVERSABRAVA

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POR CAMILA AWAKAZA

GUAPA GIRL:

GABRIELA BOTASSO FALA SOBRE SEU INÍCIO NA MODA E OS PROJETOS FUTUROS NA GUAPA WORLD.

LACORJA: Como começou a relação com a moda e o que acabou influenciando de uma maneira profunda, a ponto de você querer esse seguimento como trabalho? GABI BOTASSO: Não me lembro ao certo quando começou, ao menos pra mim, moda sempre foi a primeira e única opção, Desde quando estava na escola eu já sabia que era com isso que queria trabalhar só não entendia muito bem como e com o que, também não tinha noção de quantos caminhos dentro disso eu poderia seguir.

Demorou muito tempo pra eu me encontrar na profissão e definir o que realmente queria fazer que hoje é tá bem claro pra mim. Trampar com a minha marca/brechó (Guapa World), junto com uma amiga (Vic) e trabalhar com figurino, que foi algo que eu nunca tinha pensado em fazer, são coisas que me deixam muito feliz e agora me encontrei de verdade. LACORJA: E como foi essa inserção no mercado? Houve uma espécie de estágio ou foi metendo a mão na massa?

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GABI: Foi difícil pra mim porque como estava meio “perdida” eu tentei fazer muitas coisas diferentes que não deram certo, fiz estágio em pesquisa de tendência, depois criei uma marca que não levei pra frente, fui stylist em uma marca carioca e nada me agradava e me deixava super feliz, sempre com a sensação de “não é isso ainda mas vamo nessa” (risos) ou seja, fiquei jogada na profissão por um tempo. O mais engraçado é que as duas coisas que faço hoje caíram na minha mão, oportunidades que chegaram até mim sem eu imaginar que seria assim, e hoje é pra isso que me dedico. LACORJA: Como tá os planos pra seguir trabalhando nesse atual contexto de isolamento?

GABI: Complicado por um lado e simples pelo outro (risos), com a Guapa no início do isolamento sentimos que o ritmo deu uma caída mas foi um momento muito rápido e logo as coisas voltaram ao normal, a gente já tinha uma quantidade de peças garimpadas que ainda não tinham sido lançadas, além das peças de design autoral nosso que também já tava rolando, então foi o suficiente pra não deixar nossa produtividade e ritmo de trabalho baixar, nossas clientes também foram muito fofas

e compreensivas, tanto é que elas sempre se mostraram preocupadas e continuaram comprando com a gente. Já com figurino bem diferente, por conta do isolamento e tudo mais, foi proibido set de filmagem e tudo relacionado a isso nesse momento ficou em stand by aguardando um melhor momento pra voltar. Com isso tive que por meus planos de lado também mas to buscando aproveitar esse momento pra estudar e aprender coisas que ainda não sabia na área, está sendo bom.

@GABBOTASSO

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SAUDADES DO BAILINHO, MINHA FILHA? A baladinha mais querida de Americana e SBO continua garantindo a nossa diversão com aquele cardápio completo pra você curtir as lives de casa com toda a segurança. Com o isolamento social, diversas casas noturnas e artistas perderam suas principais fontes de renda e, pra que alimentemos a cultura que anda aliviando tanto esses dias difíceis, a ideia é seguir fortalecendo com o consumo dos produtos audio visuais, serviços de entrega e a divulgação dessas cartas na manga.


PALAVRAS QUE OUVI DO MEU REFLEXO

POR MATTEO POLIZELI

Pra ser quem sou, Só preciso de mim. Essa foi a frase mais equivocada que já escrevi. Mas eu já me perdoei Sem mim eu não seria, Óbvio, Mas sozinho eu não me basto. Sabe, carência não é um defeito É uma condição De todos aqueles que possuem alma A singularidade inveja o plural dos bares Números ímpares, Sempre são mais tristes que os pares. Não preciso que você me entenda Só quero que me ouça Sente do meu lado no sofá Cante comigo enquanto lavo a louça Pensar demais é um castigo.

E solidão deveria ser um crime A tristeza é bela e viciante Mas não há sistema que ensine Isso tudo são palavras que ouvi do meu reflexo Desculpe se não sou tão claro Acho ele tão complexo Me interpreta mas não me conclua, Nem os astros fogem da carência, As vezes, de dia o Sol ganha companhia da Lua Se uma criança é deixada sozinha desde o nascimento, E assim ela crescer. Sem contato ou influência O que ela vira a ser? Amigo. O eu, não é humano O nós, é que é Seja comigo.

Você pode encontrar mais trabalhos do poeta Matteo Polizeli em @_poetraste

VEJA TAMBÉM O EP VISUAL

YOUTUBE.COM/DOPRADO-AM

DO PRADO APRESENTA: NOVO EP

DO ÂMAGO


AFROFLIX UM “NETFLIX” QUE REÚNE APENAS PRODUÇÕES FEITAS POR NEGRAS E NEGROS

Uma plataforma que disponibiliza conteúdos audiovisuais online com a condição de que tenha pelo menos uma área de atuação técnica/artística assinada por uma pessoa negra. As produções aceitas pela plataforma vão de vlogs e videoclipes a curtas, longas, documentários e séries. A ideia do projeto é valorizar produções desenvolvidas por pessoas negras, ainda hoje tão invisibilizadas na sociedade. No Brasil, mesmo quando determinadas produções tratam de questões que envolvem a negritude, elas têm maior visibilidade quando desenvolvidas por pessoas brancas. Mudar essa situação é um dos objetivos do AFROFLIX. Segundo o Agenda Preta, a equipe do site conta com seis mulheres negras: a diretora Yasmin Thayná, a jornalista Silvana Bahia, a desenvolvedora e UX designer Steffania Paola, a designer Bruna Souza e as pesquisadoras Monique Rocco e Erika Candido. Acesse afroflix.com.br

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FRUSTRAÇÃO DA JUVENTUDE QUE OUSOU LUTAR POR MACÊDO

Lembro de uma pessoa qualquer me passar um recado assim que eu comecei a fazer parte do Levante Popular da Juventude, que eu iria acabar terminando na Juventude do PT. Naquele momento até então com Dilma na presidência, não fazíamos ideia que anos depois Brasil e mundo caminhariam de encontro a uma crise sanitária, econômica e social causada por uma pandemia. Não estou efetivamente no Levante Popular, mas sou levantino por consciência. Não cheguei perto da Juventude do PT, assim como a do PSOL, PCdoB e pasmem, PSDB. Houve convites de todos, talvez fosse por exercer com mais presença e firmeza a exposição das minhas ideias e ideologias.

Hoje, tanto tempo sem abrir a boca pra dar uma opinião sequer, não fazendo questão de nenhuma roda de debate, atrito com opositores e fascistas, parece que o nojo pelo setor me pegou por completo. Cada post sensato, feito por amigas e amigos que passam pessoalmente uma visão e comportamento muito alinhado com as causas humanitárias, ambientais e de bom senso contra a criação de um rebanho insano de robôs e até pessoas mesmo, só que com comportamento robótico, então, cada post dessas pessoas digamos que muitos mais erquedatizadas do que fascistas, é como se fosse um assopro fofo no meio de um prédio em chamas. 24


Eu acredito na necessidade do desabafo, o que acontece com frequência nos grupos citados acima, com toda aquela empatia certeira, já esperada com todo fervor, exercitando a nossa robótica necessidade de ‘catequizar católicos’. Reforçar aquilo que já é de entendimento e posicionamento daqueles que estão ao meu lado seria inútil, é como se eu fosse todos os domingos em uma missa qualquer, interromper o padre e gritar que Deus existe. Quando no Levante, houve ações de front muito significantes no movimento, como por exemplo o Acampamento Nacional, que levou para palestras Lula, Mujica, apresentações da MC Carol e uma porrada de outras pessoas que não vou me lembrar agora, mas que colocou Belo Horizonte no marco de uma realização enorme, de estrutura gigante pra receber gente de todo o Brasil. Teve ato em Brasília com direito a molotov, ato em São Paulo com atrito forte entre nós e a Polícia Assassina Militar.

Teve mais, formações políticas, passávamos finais de semana em estudo e trocas de conhecimento, e em todos, eu acreditei que a luta valeria uma vitória, nesses momentos de entrega a uma causa, eu entro em campo pra vencer, essa é a única razão de estarmos ali. Vencer pela liberdade, pelos anos de trabalho sem direitos de nossos pais e mães, mas realmente, nem tudo são flores. Chegou o golpe contra a presidenta Dilma, achamos que os tempos sombrios seria os de Temer, mas pra melhorar o script, chega uma família de milicianos. Impossível tratar como normal a nossa consciência espiritual em relação a luta de classes. Fomos vencidos de goleada pelo império, pelos homens brancos, pelos fazendeiros assassinos de índios, e por vários outros adjetivos piores que dói mais que o 7 a 1 com toda a certeza.


POR ANA ROSA FERRAZ

PEGA A VISÃO: O QUE ACREDITA ANGELA DAVIS SOBRE RAÇA, CLASSE E GÊNERO Davis acredita que raça, classe e gênero são categorias que devem ser consideradas em conjunto. Durante conferência realizada em São Luís, no Maranhão, durante a 1ª Jornada Cultural Lélia Gonzales, ela explicou que apesar de vários argumentos defenderem a classe como o fator mais importante, é necessário considerar os outros aspectos para entender como, juntos, podem criar diferentes tipos de opressão. “É preciso compreender que classe informa a raça. Mas raça, também, informa a classe. E gênero informa a classe”, diz. “Raça é a maneira como a classe é vivida. Precisamos refletir bastante para perceber as intersecções entre raça, classe e gênero, de forma a perceber que entre essas categorias existem relações que são mútuas e outras que são cruzadas. Ninguém pode assumir a primazia de uma categoria sobre as outras.” Como aponta Djamila Ribeiro, secretáriaadjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo e autora do prefácio do livro de Davis publicado recentemente no Brasil, a filósofa não pensa as categorias de forma isoladas porque elas estão subordinadas à mesma estrutura. “Precisamos pensar o quanto o racismo impede a mobilidade social da população negra”, diz. “Temos um problema de classe.

E o racismo também cria uma hierarquia de gênero, deixando a mulher negra em uma situação muito maior de vulnerabilidade social.” "Se todas as vidas importassem, nós não precisaríamos proclamar enfaticamente que a vida dos negros importa." Essa foi uma das frases ditas por Davis durante um discurso sobre direitos humanos na Universidade Estadual San José, nos Estados Unidos, em 2015. Para a filósofa, o movimento Black Lives Matter, que teve início com protestos sobre a morte do adolescente negro Trayvon Martin, ajudou as minorias a retomarem seus devidos protagonismos na resistência contra a desigualdade. “Todos nós temos que participar para garantir que algo seja feito para frear os danos racistas que estão acontecendo com nossas comunidades em todo país”, afirmou ela. “Este é um momento histórico. Quando vocês tiverem minha idade, as pessoas vão perguntar: como foi ver o movimento revolucionário reascender?”. 26


COLAGEM POR GABRIEL DUTRA

Gabriel Dutra, de Americana, navega em uma nova produção artística e resolveu nos contar e mostrar um pouco dessa nova jornada cheia de carinho. "Comecei a fazer colagem no inicio de janeiro 2020. A princípio comecei visando ilustrar a zine que marcava o retorno do coletivo (artcena) no fim de fevereiro, mas peguei gosto por fazer."

"Hoje a colagem me ajuda muito a me conhecer e me expressar de um jeito que nunca imaginei, por mais amador que seja, é feito sempre com muito carinho e ajuda, sempre peço opiniões da galera do coletivo e de amigos do meio, tenho bastante influência de amigos colagistas da região, como por exemplo, Bruno Maule @ahoycolagens, Ana Polezel @anaplz e até uma galera que entrevistamos com o coletivo, tal qual a Camilla Freitas @art.camillafreiass".

@SOYDUTRA


GRATUS SONHO QUE SE SONHA JUNTO

A produção de conteúdo é uma ferramenta invisível aos olhos viciados, mas essencial para a composição da arte e todo seu suporte. Fundamentar nossa paixão pela cultura através das produções artísticas e experiências laboratoriais é o nosso jeitinho de mandar uma mensagem positiva para o mundo e bater o martelo para nossas intenções mais genuínas.

APOIO

DATRIB0 twitch.tv/lacorja @lacorja.lab /lacorja LABORATÓRIO ARTÍSTICO

@lacorjalab


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