Visionário, filósofo, arquiteto. Oscar Niemeyer Ribeiro Soares Filho nasceu no dia 15 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro. Sua formação acadêmica foi de EngenheiroArquiteto, concluída em 1934, na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro.
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O MOVIMENTO MODERNO
Iniciado na Europa, devido a problemas gerados pela Revolução Industrial, o modernismo foi um movimento que buscou, na arte e na arquitetura, uma estética nacional, sem se prender aos padrões tradicionais europeus. Os principais ideais modernistas chegaram ao Brasil no início do século XX, introduzidos através de manifestos como a Semana da Arte Moderna realizada em 1922 em São Paulo. Os projetos modernistas eram marcados pelo racionalismo e funcionalismo, além de características como formas geométricas definidas, falta de ornamentação – a própria obra é considerada um ornamento na paisagem; separação entre estrutura e vedação, uso de pilotis a fim de liberar o espaço sob o edifício, panos de vidro contínuos nas fachadas ao invés de janelas tradicionais; integração da arquitetura com o paisagismo, e com as outras artes plásticas através do emprego de painéis de azulejo decorados, murais e esculturas.
Villa Savoye - Obra de Le Corbusier: Grande marco da arquitetura modernista.
No Brasil, após a divulgação do Movimento Moderno houve uma subdivisão em várias tendências estilísticas. Um exemplo é o Rio de Janeiro, que teve a fusão dos princípios Modernistas europeus com a herança nativa, que resultaram em uma arquitetura de formas mais livres. Dentro disso, evidencia-se a originalidade de Oscar Niemeyer.
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ui talvez o primeiro a dizer francamente que o funcionalismo ortodoxo não me interessava e que a beleza era também uma função, e das mais importantes na arquitetura. Na verdade, o ângulo reto nunca me entusiasmou, nem as formas rígidas e repetidas dos primeiros anos da arquitetura contemporânea. A curva me atrai intensamente com a sua sensualidade barroca, e a nossa tradição colonial e o próprio concreto armado, a sugerem e recomendam.” – Oscar Niemeyer
A vida de Oscar Niemeyer foi repleta de trabalhos icônicos, seus mais de 600 projetos ao redor do mundo continuam surpreendendo por suas formas inesperadas, curvas "infinitas" e equilíbrio. Formado como Engenheiro-Arquiteto pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, Niemeyer abandona o funcionalismo exagerado dos ideais modernos e utiliza em suas obras formas curvas mais livres, que buscam a beleza, não um resultado com base somente em sua função.
Dois anos antes de se formar, Niemeyer já trabalhava como estagiário de Lucio Costa. Em 1936, participou da equipe responsável pelo projeto do prédio do Ministério de Educação e Saúde, atual Edifício Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, onde teve seu primeiro contato com Le Corbusier. "De 1937 a 1943 integrou a equipe que projetou o prédio do Ministério da Educação (Mec). Seu projeto para a Obra do Berço (1937), no Rio de Janeiro, inaugurou a utilização do sistema de brise-soleil móvel vertical. Nos anos de 1938 e 1939, novamente em parceria com Lúcio Costa, projetou o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. No inicio da década de 1940, a convite do prefeito Juscelino Kubitschek, projetou o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, outro monumento público da arquitetura moderna. Em 1947 participou da equipe encarregada de projetar a sede das Nações Unidas em Nova York, tendo o seu trabalho servido de base para o projeto definitivo. Projetou a fábrica Duchen (1950-1951) e o conjunto de pavilhões da Exposição do IV Centenário, no Parque do Ibirapuera (1951-1955), em São Paulo. Em 1955 participou do programa de reconstrução da cidade de Berlim, na Alemanha, destruída durante a Segunda Guerra Mundial, com o projeto de um prédio de apartamentos para o bairro de Hansa. Neste mesmo ano concebeu o Museu de Arte Moderna de Caracas, na Venezuela.
Em 1956, foi nomeado diretor do departamento de arquitetura da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), empresa encarregada da construção de Brasília. Juntamente com Lúcio Costa elaborou um dos mais importantes exemplares da arquitetura mundial contemporânea, símbolo maior da arquitetura e do urbanismo brasileiros. Na nova capital do país projetou, entre outros edifícios e logradouros, o Palácio da Alvorada – residência oficial do presidente da República –, a Praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto – sede do governo federal –, o Palácio da Justiça, a Esplanada dos Ministérios (1956-1958). Também são de sua autoria os projetos da Catedral de Brasília (1958-1970); o Palácio dos Arcos (1959-1967), e o Teatro Nacional (1960-1963). Após Brasília, Niemeyer fez vários trabalhos no exterior, em países como o Líbano, Portugal, França, Itália, Inglaterra e Argélia. Com o golpe militar de 1964 teve suspensa a publicação da revista Módulo, que fundara em 1955. Em 1967 exilou-se em Paris, onde projetou a sede do Partido Comunista Francês (1971). De volta ao Brasil, foi escolhido para projetar o Sambódromo e os Centros Integrados de Educação Publica (Cieps), no Rio, durante a gestão do governador Leonel Brizola (1983-1987). Seus últimos trabalhos mais significativos foram o Memorial JK em Brasília(1987), o Parlamento da América Latina em São Paulo (1991), e o Museu de Arte Contemporânea em Niterói (1991)." - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil.
Memorial JK - Brasília, DF.
Parlamento da América Látina - São Paulo, SP.
MAC de Niterói Niterói, RJ.
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Ao longo de sua carreira, Niemeyer foi agraciado com numerosos prêmios e condecorações, dentre eles o prêmio Pritzker de Arquitetura (1988) e o Prêmio Leão de Ouro da Bienal de Veneza (1996). Sua obra foi retratada em dezenas de livros e exposições no Brasil e no exterior. Publicou Minha experiência em Brasília (1961), com edições em Moscou, Roma e Paris; Oscar Niemeyer (1986); Lições de arquitetura (1993); e As curvas do tempo (1998). Niemeyer foi, além de arquiteto, escritor, designer, desenhista e escultor. Faleceu aos 104 anos, no dia 05 de dezembro de 2012, no Rio de Janeiro, deixando para trás um legado arquitetônico reconhecido mundialmente.
EDIFÍCIO COPAN (SÃO PAULO-SP, 1966)
"Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito”. - Oscar Niemeyer
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s curvas do Copan, para Harada (2018), demarcam este projeto em que Niemeyer anulou a inclinação natural do terreno com alguns andares de galerias inclinadas, até chegar em um plano reto sobre o qual se apoiam 1160 unidades habitacionais divididas em blocos concretos. A parte curva do prédio é leve e transparente, permeada pela luz que entra pelos brises e contorna as colunas, um contraste interessante com a base maciça, que permanece desocupada devido ao ângulo de declive.
MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE NITERÓI (NITERÓI-RJ, 1996)
“Eu não queria um museu de vidro, mas uma grande sala de exposições rodeada por paredes retas e por uma galeria que protege e permite que os visitantes façam uma pausa de vez em quando para apreciar a bela vista.” - Oscar Niemeyer
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ma única forma cilíndrica sustenta o círculo que lembra uma flor no MAC de Niterói. Foi necessário escavar e remover 5.500 toneladas de detritos para que o museu parecesse surgir do solo e do mar. Uma rampa vermelha conduz os visitantes até as salas de exposição, sendo que a própria vista da Baía da Guanabara é exposição permanente. (HARADA, 2018)
MUSEU OSCAR NIEMEYER (CURITIBA-PR, 2002)
“Minha preocupação sempre é fazer uma coisa diferente, que provoque surpresa.” - Oscar Niemeyer
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leito um dos 20 museus mais bonitos do mundo pelo guia norte-americano Flavorwire, em 2012, o MON leva o nome de seu célebre arquiteto. Inaugurado em 2002, o museu aproveita parte da estrutura administrativa da prefeitura de Curitiba, projetada em 1967 também por Niemeyer. A sala de exposições superior, em formato de olho, tornou-se um ícone da capital paranaense. Cercado por um bosque e um parque, o museu se ergue com seu desenho inesperado para encantar todos que o visitam. (HARADA, 2018)
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obre o Conjunto da Pampulha: era um protesto que eu levava como arquiteto, de cobrir a igreja da Pampulha de curvas, das curvas mais variadas, essa intenção de contestar a arquitetura retilínea que então predominava.” – Oscar Niemeyer
CONJUNTO DA PAMPULHA (BELO HORIZONTE-MG, 1943)
Um marco na arquitetura moderna, executado em concreto armado, com plantas livres e fachadas de vidro, o Conjunto da Pampulha é formado por cinco edifícios: a Igreja São Francisco de Assis, o Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile (atual Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte) e o Iate Golfe Clube (hoje Iate Tênis Clube), todos cercando o lago de mesmo nome. A área que abriga o Conjunto era parte de uma antiga fazenda, responsável pelo abastecimento agrícola de Belo Horizonte. Loteada e urbanizada na década de 1940, tornou-se um empreendimento modernizador que atraiu a atenção de intelectuais e artistas por promover uma interação entre arquitetura, artes plásticas e paisagismo. Suas formas curvas e as qualidades plásticas do concreto armado materializaram um momento histórico para a arte e a arquitetura.
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obra foi encomendada pelo então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek para ser uma área esportiva e de lazer que aproveitasse o terreno. As curvas características de Niemeyer estão em umas construções, até mesmo na Igreja, nem um pouco ortodoxa. Nas paredes da Pampulha, estão obras de Cândido Portinari, Alfredo Ceschiatti, Augusto Zamoyski, Paulo Werneck e José Alves Pedrosa e do paisagista Roberto Burle Marx.
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Conjunto Moderno da Pampulha, situado em uma das regiões mais tradicionais de Belo Horizonte (MG), recebeu o título de Patrimônio Mundial durante a 40ª Reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que aconteceu em Istambul (Turquia), no dia 16 de julho de 2016. A Pampulha é o primeiro bem cultural a receber o título de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno. O Iphan tombou todo o Conjunto, em 1997. Para a UNESCO, representa uma obra-prima do gênio criativo humano, e o próprio Oscar Niemeyer o considerou uma de suas obras mais importantes."
IPHAN
PAISAGISMO Inspirado nas concepções do suíço Le Corbusier, criador dos Cinco Pontos da Nova Arquitetura – planta livre, fachada livre, pilotis, terraço jardim e janelas em fita –, Niemeyer planejou os edifícios e incorporou ao projeto a influência moderna, formado por uma paisagem que agrega quatro edifícios articulados em torno do espelho d’água de um lago urbano artificial. Completam esse patrimônio cultural os painéis em azulejos criados por Candido Portinari, esculturas de artistas renomados como Alfredo Ceschiatti e José Alves Pedrosa, e os jardins planejados pelo paisagista Roberto Burle Marx.
Por Burle Marx
Burle Marx teve como influência os ideais do resgate da identidade nacional e as vanguardas europeias das artes. Segundo seus próprios depoimentos, o seu contato com a riqueza da flora brasileira em jardins botânicos de Berlim (Alemanha) o fez compreender como seria importante resgatar espécimes nativas nos jardins do país.
ARTE
O Conjunto é uma obra coletiva que realiza o princípio ideal barroco de “obra de arte total”, além de incluir os elementos como a azulejaria e a flora escolhida para ornar, por exemplo, a Igreja São Francisco. Os azulejos utilizados são inspirados na azulejaria portuguesa, em uma releitura ambientada para o clima tropical e nos princípios do modernismo. Eles fornecem a continuidade de um edifício ao outro, dando a ideia de unidade e coerência.
A Pampulha é uma obra de arte se pensada pela composição de cada edifício, jardim, escultura, pintura e murais de forma completa. Cada parte integra um todo articulado que lhe confere unidade de significado estético e social, compondo assim um dos pilares que confere ao Conjunto sua singularidade: o conceito de obra de arte total.
SISTEMA CONSTRUTIVO Igreja da Pampulha
O concreto armado neste projeto foi intensamente explorado em suas potencialidades plásticas e estruturais. As estruturas em “cascas” de concreto já vinham sendo utilizadas em outros programas arquitetônicos – como galpões industriais e hangares – mas foi na Pampulha que essa solução foi empregada pela primeira vez para compor um espaço destinado ao culto religioso.
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Aboboda Menor Aboboda Maior Arcos Marquise Torre Mezanino
A Igreja é composta de uma sequência de cinco “cascas” articuladas, com diferentes alturas, sendo a maior, independente e de seção variável, a que define a nave. Ela se encaixa, em sua face menor, sob outra abóbada, que abriga o altar-mor. Entre as duas, graças à forma desse “encaixe”, uma abertura projeta luz sobre o afresco ao fundo. Ao comentar sobre a concepção Niemeyer atribui a inspiração dos traços às curvas presentes nas igrejas coloniais brasileiras
R E F E R Ê N C I A S B I B L I O G R Á F I C A S HARADA, Ana Carolina. Mestres da arquitetura: Oscar Niemeyer, o arquiteto da vida, 2018. Disponível em: <https://casacor.abril.com.br/especiais/oscar-niemeyer-o-arquiteto-da-vida/>. Acesso em: 17 de junho de 2021. Conjunto Moderno da Pampulha - Belo Horizonte (MG). IPHAN, 2014. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/820/>. Acesso em 17 de junho de 2021. Oscar Niemeyer. Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil CPDOC, 2020. Disponível em: <https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/biografias/oscar_niemeyer>. Acesso em: 16 de junho de 2021.
Acadêmicas: Kiara Damascena, 20 anos, estudante do 6º período de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Cesup (Centro de Ensino Superior de Palmas) - Palmas, Tocantins. Luana Beatriz Araujo, 25 anos, estudante do 6º período de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Cesup (Centro de Ensino Superior de Palmas) - Palmas, Tocantins.
Palmas, TO. 2021