Práticas docentes frente às Fake News
Profª. Dra. Keite Silva de Melo (PUC-Rio, ISERJ/FAETEC e SME Duque de Caxias)
2019
Desafios que emergem da cultura da visibilidade e da participação
• Pressa em participar e atualizar a sua linha do tempo; • Necessidade de demonstrar estar atento ou atualizado com as novidades; • Busca por atrair mais audiência.
Desafios que emergem da cultura da visibilidade e da participação
A cultura da visibilidade e da participação traz a dualidade entre o potencial autoral e o risco de veiculação de conteúdo sem verificação da veracidade.
Revendo a noção de nativos digitais
Conceito elaborado por Prensky (2001)
Jovens possuem maior habilidade com as tecnologias digitais.
Revendo a noção de nativos digitais
“Habilidade técnica não é sinônimo de letramento digital.” (PISCHETOLA; HEINSFELD, 2018).
Os nativos conferem ou contribuem com a propagação de Fake News? As notícias falsas podem ter conteúdo
retirado de
fabricado,
contexto ou
adulterado. Geralmente viralizam devido à sua ancoragem no aspecto EMOCIONAL. Fonte: http://www.saude.gov.br/fakenews/45651-banner-de-campanha-de-reforco-devacinacao-e-falso
DESAFIOS
o
Fake News Notícias falsas - podem ter o conteúdo totalmente fabricado, retirado de contexto ou adulterado. Geralmente possuem o objetivo de legitimar um ponto de vista ou prejudicar uma pessoa ou grupo (geralmente figuras públicas). O poder de persuasão das Fake News maior em pessoas que se informam por meio das redes sociais e sua viralização se ancora no aspecto EMOCIONAL.
Fake News “Por que são tão tentadoras? • A sobrecarga de informações causa esgotamento; • Atalhos psicológicos facéis e respostas emocionais; • Ênfase e repetição tendem a conceder credibilidade; • Menor propensão a critivar recursos visuais; • Menor senso crítico com conteúdos que estão alinhados com as nossas crenças.”
(Grupo de Diálogo: Caminhos da informação nas mídias digitais – UFRJ)
Algumas consequências das Fake News:
Vagas de emprego atraem centenas de pessoas no RJ, mas anúncio era falso:
https://globoplay.globo.com/v/7847379
Exibição em 16 Ago 2019
Letramentos multimidiáticos
“...faz-se necessário e urgente formar jovens capazes de ler criticamente as mensagens encontradas nas mídias sociais, não somente as que são apresentadas em texto escrito, mas também em audiovisual, imagem, música, animação ou hipertexto.” (DANIELS, 2008; JENKINS, 2009 apud ANDRADE; PISCHETOLA, 2016, p. 1388).
Abordagem histórico-cultural A
abordagem
entende
que
histórico-cultural
a
educação
deve
propiciar a
compreensão crítica dos
objetos e
fenômenos, situando-os
historicamente e reconhecendo que o conhecimento
hoje disponível é um
patrimônio cultural construído pelas gerações anteriores. Lev Vygotsky
E os professores? Imigrantes digitais ou... Colonizadores digitais Seriam pessoas mais velhas, envolvidas com as tecnologias desde o início da era digital, mas cresceram em um mundo analógico e vem contribuindo para a evolução tecnológica. São conectadas e sofisticadas no uso das tecnologias, porém baseados nas formas tradicionais e analógicas da interação. Palfrey e Gasser (2011, apud CLARO, 2019).
2. Expressar-se respeitosamente, mesmo nas discordâncias;
Precisamos de um letramento digital que forme o sujeito para:
POSSIBILIDADES
1. Reconhecer que editar ou apagar um post ou ainda, esconder-se em perfil fake revela uma imagem de si;
4. Esgotar as possibilidades de validade de uma informação.
Precisamos de um letramento digital que forme o sujeito para:
POSSIBILIDADES
3. Compreender que não existe anonimato;
Lógica dialética –perspectivas que se interpenetram
Relação dialética – Pensamento empírico e pensamento teórico Possui viés utilitário, avançando do particular para o geral, do sensorial para o
Pensamento empírico
abstrato, lidando com o concreto e palpável para compreensão do conceito.
É o que propiciará comparações, relações, confronto entre percepções, pois já existem conceitos aprendidos ou internalizados.
Pensamento teórico ou científico
Prática docente
Subsídios para trabalhar o letramento digital
Caçadores de balela: https://sites.google.com/view/cacadoresdebalela/p %C3%A1gina-inicial
Recursos educacionais abertos
Caça à informação (Flashcards): https://view.genial.ly/5adca3382e35bd3a8950540f /interactive-content-caca-a-informacao
Infográfico interativo: https://sites.google.com/view/buscaainformacao/in fogr%C3%A1fico?authuser=0
Prática docente
Subsídios para enfrentar as Fake News: Jogo digital: Caô digital: http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/interaja/jogos -educativos/14409-ca%C3%B4-digitalapresenta%C3%A7%C3%A3o-e-comandos
Outros recursos (disponíveis no site da MultiRio)
Como enfrentar as Fake News: http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportag ens-artigos/reportagens/15098-como-a-escolapode-combater-o-mundo-das-fake-news
Quadrinho sobre Fake News: https://aosfatos.org/noticias/este-cartum-vai-ajudalo-a-descobrir-se-uma-informacao-e-verdadeira-oufalsa/
• Como identificar fake news: Entrevista:
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=159523831 7223017&id=117062211707309
• Pedagogia dos Multiletramentos (Profª Roxane Rojo): https://www.youtube.com/watch?v=uj4gNjksb88
• Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o acesso à informação(Gpopai/USP) fez a seleção de cerca de 500 páginas do Facebook e mais 100 sites de notícias para acompanhamento diário das postagens e da repercussão de cada uma: https://www.facebook.com/monitordodebatepolitico/posts/ 1085491024845693
POSSIBILIDADES
SUGESTÕES
Proposições para as práticas docentes:
• Assistir e discutir com os alunos, filmes, comerciais, trechos de novela, jornalismo, desenhos, músicas, marketing digital, memes, entre outras mídias, que tratem de distintos temas, seja para crítica, análise da intencionalidade e/ou autoria de novas produções midiáticas; • Trabalhar gêneros textuais e digitais que promovam autoimagem positiva, com posterior divulgação em vídeos, blogs ou sites construídos coletivamente pela turma.
POSSIBILIDADES
SUGESTÕES
Prática docente
Considerações finais A formação de professores deve amparar-se pela crítica e pela imersão junto aos artefatos mediadores, que produzem e por onde é produzida a cultura e não pode se distanciar das diversas linguagens e gêneros que ali circulam. A
problematização
experimentação
passa
também
pela
imersiva, com intenção educativa,
ressignificada e ancorada na criatividade e autoria,
inclusive por meio do remix.
Considerações finais
Como o pensamento empírico é espontaneísta e imediatista, a sua ênfase na formação formal pode contribuir para a disseminação de
Fake News.
Fonte: http://www.saude.gov.br/fakenews/45651banner-de-campanha-de-reforco-de-vacinacao-efalso
Considerações finais Já o desenvolvimento do pensamento teórico, que supera os conceitos
espontâneos (do cotidiano), quando estimulado desde os anos iniciais, pode instaurar nos sujeitos, a criticidade e espírito investigativo que o levará a inferir e conferir dada mensagem, sua origem e intencionalidade.
Considerações finais Ater-se ao pensamento espontaneísta e imediatista não é associar-se à prática pedagógica voltada para o desenvolvimento da autonomia. A
efetiva
inovação
leva
sujeito
à
emancipação, e esta só ocorre por meio de apropriações que superam os conceitos espontâneos
do cotidiano, com a intervenção docente bem planejada e comprometida.
Referências ANDRADE, Marcelo; PISCHETOLA, Magda. O discurso de ódio nas mídias sociais: a diferença como letramento midiático e informacional na aprendizagem. Revista eCurriculum, São Paulo, v.14, n.04, p. 1377– 1394 out./dez.2016 . Disponível em: https://revistas.pucsp.br//index.php/curriculum/article/view/30015. Acesso em 18 mai. 2017. CLARO, Tatiana. Educação corporativa mediada por tecnologias: um estudo sobre qualidade no setor público brasileiro. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Políticas Publicas e Formação Humana UERJ, 2019. PISCHETOLA, Magda. HEINSFELD, Bruna Damiana. “Eles já nascem sabendo!”: desmistificando o conceito de nativos digitais no contexto educacional. Novas Tecnologias na Educação. CINTED-UFRGS. V. 16 Nº 1, julho, 2018. PRENSKY, M. Digital Natives, Digital Immigrants Part 1. On the Horizon, v. 9, n. 5, p. 16, 2001.