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A chegada à cidade do rio de Janeiro aconteceu no dia 8 de março, no cais do Largo do Paço, na atual Praça XV. A família real, então, foi alojada em três prédios no centro da cidade, tendo os demais agregados se espalhado pela cidade, em residências confiscadas da população. Esta era a famosa política chamada de “Ponha-se na Rua”, cujo nome foi dado pelos cariocas, inspirando-se nas iniciais “PR”, vindas de “Príncipe Regente” ou de “Prédio Roubado” como os mais irônicos diziam. Estas iniciais eram marcadas nas portas das casas que eram requisitadas para os nobres vindo de Portugal.


Em abril de 1808, já tendo fixado residência no Rio de Janeiro, D. João decretou a suspensão do alvará de 1785, que proibia a criação de indústrias no Brasil. Ficavam, assim, autorizadas as atividades em território colonial. A medida permitiu a instalação, em 1811, de duas fábricas de ferro, em São Paulo e em Minas Gerais.


Com toda essa gente vivendo à custa do governo, foi preciso aumentar a carga de impostos. Dessa forma, a receita pública subiu mais de quatro vezes entre 1808 e 1820. Nesse mesmo ano, dois terços das despesas do governo eram destinados ao pagamento de pensões e soldos e a custear a casa real, o Exército e os tribunais. Como se pode imaginar, muito pouco sobrava para investir em saúde, educação, saneamento básico, transportes, construção de estradas, melhoramentos urbanos e outros serviços de utilidade pública.


Toda essa movimentação acarretou profundas mudanças na arquitetura da cidade, na discriminação dos bairros e na distribuição dos moradores, acentuando-se as diferenças sociais. A vida cotidiana das famílias de homens livres, pobres e remediados tornou-se mais difícil por causa do aumento do preço dos materiais de construção, da valorização dos aluguéis e da elevação do preço dos imóveis.


D carioca karla