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As mulheres estão preparadas para o sexo casual? A prática não é mais uma exclusividade dos homens, mas a maioria das mulheres ainda é assombrada pelo fantasma da ressaca moral. A escritora Regina Navarro e a psicóloga Karina Simões acreditam que uma nova mudança de comportamento deverá ocorrer em uma década

inda não é maioria, mas muitas mulheres aprenderam a gostar de sexo sem compromisso e até saem à caça para uma aventura sem lenço nem documento. Casos assim mostram que a igualdade entre os sexos parece ter chegado à cama, mas, para alguns especialistas, as mulheres ainda precisam de mais alguns anos para afastar de vez o fantasma da ressaca moral. Para a psicanalista e escritora Regina Navarro, a sociedade vive um processo de profundas mudanças nas mentalidades, que começou na década de 1960, com uma nova forma de viver e pensar o amor e o sexo. “Se você viajar comigo para as décadas de 40 e 50, vai ver que as mulheres tinham que casar virgens e não podiam se separar porque eram discriminadas. Esses comportamentos eram considerados normais para a época”, lembra a autora de “O Livro do Amor”. Para Regina, apesar de muitas mulheres já se sentirem livres e seguras para transar casualmente, a grande maioria ainda não está preparada. No entanto, ela acredita que nos próximos 10 ou 15 anos, a mulher viverá essas experiências tanto quanto o homem. “Ainda existe preconceito das duas partes, mas a tendência é que em alguns anos homens e mulheres percebam que o sexo pode ser livre para ambos”, afirma a pesquisadora. Divorciada, independente e livre de qualquer fantasma, Claudinha*, de 34 anos, faz parte do grupo de mulheres que se sentem livres e desimpedidas para viver um lance

de uma noite só. “Eu tinha essa fantasia de transar com alguém que tivesse acabado de conhecer. E foi o que aconteceu. Eu tava de férias e esbarrei com um homem que me atraiu na porta do banheiro de um bar. A gente se beijou e o clima esquentou. Saímos de lá e o sexo aconteceu na rua, estava escuro e estávamos encostados num carro. Não me arrependo de nada. Pelo contrário, eu queria que tivesse rolado um bis”, conta. No hall daquelas em que a consciência ainda é uma inimiga, a experiência não passou das preliminares: “A gente já se conhecia e conversava sempre pela internet. De vez em quando o clima esquentava e pintava umas conversas mais quentes. Um dia eu o convidei para a minha casa. A gente começou a ver um filme e, claro, rolou o maior amasso. Na hora H, não consegui levar a adiante. Travei. Acho que fiquei envergonhada”, conta Renata*.

“A MULHER NÃO PODE PERDER A SUA ESSÊNCIA”

A psicóloga Karina Simões também acredita que uma mudança de comportamento se aproxima, mas com outro direcionamento. Para a especialista, muitas mulheres que se dizem preparadas para o sexo casual, na verdade não estão. “As mulheres alcançaram cargos que antes eram apenas dos homens. Hoje somos presidente, desembargadora, ministra e isso fez com que a mulher generalizasse esse poder também para a sexualidade. Mas o que acontece é que essas mulheres acabam se envolvendo e sofrem. Se o cara não liga, elas

logo pensam: ‘Será que eu fui péssima? ’”, diz a especialista. Para Karina, a mulher não deve fugir da sua essência, querendo, a todo custo, se igualar aos homens na sexualidade. “Não é porque homens e mulheres têm direitos iguais, que elas precisam do sexo pelo sexo. Não é que ela vá retroceder e virar aquela Amélia. Não é isso que eu prego. Mas o fato é que o amor e o sexo continuam andando juntos para as mulheres”, afirma. A psicóloga acredita que essa é uma fase de adaptação e que em mais cinco ou 10 anos a mulher vai achar um equilíbrio. “O que está acontecendo agora é que as mulheres saíram do guarda-roupa e estão indo com muita sede ao pote. Daqui a pouco elas vão começar a retroceder e achar um equilíbrio. Porque sexo e afetividade têm que andar junto”, afirma.

LIVRE-SE DA CULPA

Se a vontade de viver uma experiência casual existe, a dica da terapeuta sexual Karina Simões é procurar fazer sem culpa, afinal, trata-se de uma atitude pessoal e intransferível. “Se já rolou e ganhou o selo de ‘valeu a pena’, não tem porque viver uma ressaca moral, nem se sentir uma piriguete depois”, aconselha a terapeuta. Karina lembra que a culpa está muito enraizada nas crenças, naquilo que foi estabelecido como certo e errado e no que é pecado. A escritora Regina Navarro concorda e completa “As pessoas precisam refletir sobre as crenças e os valores e jogar fora o moralismo e os preconceitos”. * Os nomes foram modificados para preservar a individualidade das fontes

FOTO: AMANDA ARAÚJO

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Jornal da Paraíba | Pitanga Magazine

Janeiro 2013

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