LEMINGUE Lemmus sp.
Este pequeno roedor de pelo macio e cauda curta é muito parecido com o hámster.
Vive nas regiões árticas da Eurásia e da América do Norte.
Nas vastas extensões da tundra ártica o clima é tão frio que só os líquenes e pequenas plantas herbáceas conseguem sobreviver. O lemingue vive debaixo delas, em longos túneis que escava e forra com pelo de raposa e rena. Só assim pode fazer face às gélidas temperaturas e aos ferozes temporais que assolam a região. Também constrói câmaras onde guarda alimento para o inverno. Os túneis de uma colónia de lemingues formam uma rede de galerias que podem estender-se ao longo de centenas de quilómetros. A vida do lemingue é solitária, embora se junte aos pares na época do acasalamento. Dedica-se durante quase todo o dia a procurar folhas de plantas, raízes, bolbos e sementes. Também captura lagartas e larvas de insetos para completar a sua dieta. Como é comum a todos os roedores, os seus incisivos não param de crescer durante toda a vida, e têm de os desgastar roendo sem cessar as raízes de que se alimenta. Alguns mamíferos do ártico, como o esquilo-do-ártico, o urso-polar e a marmota hibernam ou ficam em letargia durante o inverno, mas o lemingue permanece ativo durante todo o ano.
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ANIMAIS EXTRAORDINÁRIOS |
Corrida temerária O lemingue é tão prolífico que uma fêmea pode ter seis ninhadas de oito crias antes de completar um ano de idade. Assim compensam as inúmeras mortes causadas por predadores como a coruja-das-neves, a raposa e o arminho. Não se conhece muito bem a causa, mas há determinados anos em que a população aumenta tanto que se pode multiplicar por trinta. Quando isto acontece, a situação torna-se insustentável porque o alimento se esgota e a única saída que lhes resta é emigrar. Milhões de exemplares dispersam-se em grandes grupos por todas as direções para procurar comida noutros territórios. Guiados pelo seu instinto, os lemingues deslocam-se rapidamente em linha reta, sem se importarem com os acidentes do terreno.
Escalam montanhas, cruzam pântanos e chegam a atravessar rios e lagos porque nadam muito bem. Durante esta viagem épica, inevitavelmente, perdem-se muitas vidas. Alguns caem do cimo das costas escarpadas devido aos empurrões dos outros indivíduos que vão atrás deles, outros morrem afogados ao cruzar um rio, e outros ainda são capturados por predadores. A migração é tão numerosa que deu lugar a muitas lendas e falsas crenças. No século XVI acreditava-se que os lemingues caíam do céu como se de uma chuva mágica se tratasse. Também existe o mito, muito estendido, de que se suicidam em massa ao nadar mar adentro ou ao saltar para os rios a partir das escarpas.
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BISONTE-AMERICANO Bison bison
É o maior animal terrestre da América. Tem uma cabeça enorme com chifres curvos e uma corcunda peluda sobre as espáduas. O bisonte é ruminante, tal como a vaca, porém muito difícil de domesticar pelo seu caráter indomável e imprevisível. É inteligente e comunica com os outros espécimes através de berros, mugidos e bramidos. Entre os bisontes existe uma hierarquia em função da data de nascimento. Os machos que nascem primeiro serão os dominantes e, em adultos, reúnem um pequeno harém de várias fêmeas que protegem dos rivais. Após as 2 ou 3 semanas que dura a época de acasalamento, os machos afastam-se das fêmeas e não participam no cuidado da prole. O bisonte gosta de se rebolar no pó e na lama. Nos locais onde o faz formam-se depressões com tanta bosta e pelo que ficam impermeabilizadas e, com a chuva, transformam-se em charcos. Esta água é muito importante para a sobrevivência de inúmeros animais na época seca. Ao remexerem a terra quando se deslocam, fertilizam o solo e favorecem a floração das plantas. Os invasores europeus exterminaram os bisontes não só para aproveitarem a sua pele mas também para privarem os índios da sua principal fonte de sustento, o que facilitava a ocupação das terras. Depois das matanças dos séculos XVIII e XIX, a população de bisontes diminuiu dramaticamente: de 60 milhões para 750 exemplares. Hoje existem cerca de 500 000 criados em ranchos particulares e por volta de 30 000 confinados em reservas públicas. A maior destas reservas está no Parque Nacional de Yellowstone, onde perto de 15 000 bisontes se encontram praticamente em liberdade em zonas não vedadas.
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Antes da chegada dos europeus habitava em quase toda a América do Norte. Hoje só vive em ranchos particulares e reservas. (Distribuição histórica a vermelho, distribuição atual a laranja.)
ANIMAIS EXTRAORDINÁRIOS |
Viagem interrompida O bisonte-americano vive em territórios áridos onde o clima muda radicalmente a cada estação. Quando a erva escasseia, formam grandes manadas e empreendem uma longa viagem em busca de água e alimento. Caminham devagar ao longo de 4 km por dia, parando constantemente para pastar. Passam entre 9 a 11 horas por dia a comer. Antes da chegada dos europeus, as pradarias da América do Norte estavam povoadas por milhões destes animais de grande porte que produziam um barulho ensurdecedor ao trotarem durante a grande migração anual. Uma debandada de bisontes devia ser um espetáculo aterrador porque correm a mais de 60 km/h e saltam a mais de 1,80 m de altura.
Hoje os bisontes não podem emigrar porque estão confinados em reservas. Quando tentam deslocar-se, encontram cercas por todo o lado que lhes impedem a passagem. Estes imponentes ungulados não têm outro remédio a não ser deixar-se pastorear pelos guardas da reserva que os conduzem até comedouros como se de gado se tratasse. Uma triste realidade.
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