Atrás das janelas da escola, víamos os camiões a circularem em fila na rua. Os soldados piscavam-nos o olho, apesar de não nos conhecerem.
Conduziam tanques que faziam faísca nas pedras da calçada. Eram tão barulhentos e cheiravam tanto a gasóleo... Faziam-me doer os ouvidos e tinha de tapar o nariz quando passavam.
Às vezes parece que nada mudou, mas a minha mãe pede-me que tenha cuidado quando atravesso a rua, pelo meio dos camiões, porque os soldados não conduzem devagar.
Muitas vezes passeio ao longo do rio, só para ver. Há ramos de árvores a flutuar e, de vez em quando, aparecem brinquedos velhos e estragados. Gosto da cor do rio, é parecida com a cor do céu.