Uma vez, quando o ursinho ia novamente ao rio Ă pesca, o tigrezinho disse:
– Sempre que estás longe, sinto–me tão só. Vá, escreve–me uma carta, lá de longe, para eu me alegrar, sim! – Está bem – disse o ursinho e levou de imediato tinta azul num frasco e uma pena de canário, porque se pode escrever muito bem com ela. E papel de carta e um envelope. À beira-rio pôs primeiro uma minhoca no anzol e depois o anzol na água.
De seguida agarrou na pena e escreveu uma carta com tinta no papel:
«Querido tigre! Comunico-te que estou bem, como estás tu? Entretanto, descasca cebolas e cozinha batatas porque talvez haja peixe. Beijos, manda-te o teu amigo urso.»
Depois pôs a carta no envelope e fechou-o. Ainda apanhou dois peixes: um para a ceia e outro para lhe poder oferecer a vida, e alegrar-se com isso; porque a alegria faz bem a qualquer um. Ao fim do dia agarrou no peixe e no balde, na tinta e na pena e também, já agora, na carta, e foi para casa.
Alto, urso, por pouco esquecias-te do anzol!
– Ah, sim, muito obrigado – disse o ursinho.
Já de longe gritou, do cimo do monte pequeno:
– Cor–rei–o–pa–ra–o–ti–gre! Cor–rei–o–pa–ra–o–ti–gre!