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ara começar a história, o Natal aproxima-se
e o meu avô não sabe o que é o Natal. Está sentado numa cadeira de baloiço. Parece o Pai Natal, sem a roupa. Está esquecido a um canto, em silêncio, duas vezes esquecido. Esquecido porque se esqueceram dele e esquecido porque não se lembra do Natal.
A ideia de um avô só a descansar é bastante triste. Eu gosto de falar com o meu avô. O meu avô é amável, generoso e atencioso e, embora tenha esquecido essas suas qualidades, continua a ser amável, generoso e atencioso. Agora, o meu avô tem um lado poético, que é como quem diz, já pouca gente tem paciência para o ouvir.