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Projeto Vagante

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- Responsabilidade de quê? - A responsabilidade de ter olhos quando os outros perderam. – José Saramago


INTRODUÇÃO Me deparei com a inquietação que deu origem a esse projeto em 2013, ano em que um emprego fez da minha rotina casa-trabalho, uma permanência dentro dos transportes públicos de por volta de 4 horas por dia. Em certo momento, houve uma sensação de vazio naquelas viagens, as pessoas andando em fileiras, o trem estacionando no mesmo horário todos os dias, as multidões tentando entrar nos vagões, os olhares e pensamentos vagos e distantes, procurando sempre evitar o contato visual. Tudo aquilo foi criando um incômodo interno, em que o ambiente transmitia um cansaço mental e físico que parecia não ter explicação. E foi atrás de explicações, que comecei a observar melhor o comportamento das pessoas e me atentar aos acontecimentos rotineiros. Posteriormente, vi a necessidade de se aprofundar em uma pesquisa para entender melhor o contexto atual de nossa sociedade, e me deparei com uma grande identificação nos pensamentos de escritores que falam sobre a pós-modernidade como Zygmunt Bauman, Gilles Lipovetsky, Ulrich Beck e outros.

Os pensadores definem essa época através do conceito de líquidez, que é a era na qual nada persiste; as identidades parecem fixas e sólidas mas são frágeis e vulneráveis e que em um geral, estamos carentes de certeza, e de princípios norteadores, tudo se tornou relativo. Uma das características da pós-modernidade que acabou ganhando destaque nesse projeto pela proximidade de identificação aos fatos vivênciados, é o individualismo, que aponta como cada vez mais estamos centrados em prazeres próprios, no culto ao corpo e a evitar o contato com o outro. Nesse âmbito, alguns fatores contribuem para a acentuação desses aspectos e causam grande parte dos comportamentos em sociedade que venho criticar através desse projeto. A tecnologia, por exemplo, foi algo que revolucionou nossa relação, estamos tão próximos, mas tão distantes ao mesmo tempo, estamos conectados para nos desconectar da vida real, nos prendemos nas telas e não olhamos mais para o lado, para o próximo. A nova sociedade é a da informação fragmentada, do tempo é dinheiro, onde tudo acontece e acaba muito rápido, assim acabamos esquecendo nossas relações, a empatia, a importância dos pequenos atos e o respeito ao próximo. Esse projeto pretende mostrar-se através de uma linguagem expressiva fotográfica, como esses conceitos discutidos vem a transparecer no cotidiano e assim convidar as pessoas a refletirem sobre suas próprias realidades e como elas poderiam contribuir para mudanças sociais, começando pelo transporte público, mas apliando esse pensamento para qualquer questão, a da solidariedade, de praticar a empatia e incentivar atitudes significantes.


1

VAZIO

17

VAGO ECO SILÊNCIO

2

SOLIDÃO ANESTESIA SOZINHO INDIVIDUAL

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4

INSÓLITO INUSITADO AFETO

3

MULTIDÃO SÓLIDO PREENCHIDO CARREGADO

ENCONTRO 63

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vago e c o s i l ĂŞ n c i o


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anestesia s o l i d ĂŁ o i n d i v i d u a l


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sรณlido preenchido carregado


inusitado a f e t o e n c o n t r o


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Impressão Offset Papel de miolo Couchê fosco 260 g/ m² Papel da capa Capa Dura CMYK 4x4 Tipografia Mohave e Gill Sans Fotografia Canon 5D Mark III, Canon T3i, GoPro 4


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Projeto Vagante by Julia Sipereck - Issuu