Universidade Católica de Santos Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos Projeto de Arquitetura VII Diagnóstico Anita Denari Piffer Bruna Tavares de Pinho Júlia dos Santos de Pádua Santos 2020
Anita Denari Piffer Bruna Tavares de Pinho Júlia dos Santos de Pádua Diagnóstico
O seguinte trabalho apresentado como exercício inicial à disciplina de Projeto de Arquitetura VII, em março de 2020, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos, da Universidade Católica de Santos. Sendo constituido de uma análise das proximadades da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo. Professores: Christiane Costa e Fábio Onuki
Santos 2020
Resumo A Vila Leopoldina sofreu um processo de desindustrialização ocorrido na década de 1980, deixando a região com muitas áreas ociosas e subutilizadas, dando margem para a ocupações precárias. Em contraponto, a região passou por uma valorização de seu solo, sofrendo o processo de gentrificação, expulsando a população de baixa renda para locais periféricos da cidade de São Paulo. A região vai passar por um outro processo de mudança, com a saída do CEAGESP, necessitando assim de diretrizes para a remodelação da área. Este trabalho pretende apresentar novas diretrizes para a nova ocupação da região, para mitigar as características presentes identificadas na região, como a baixa densidade e a segregação sociespacial. As metodologias utilizadas para as soluções propostas foram a elaboração de mapas, plano de massas, diagramas e fluxogramas, além da consulta de outros trabalhos com a temática semelhante ao tema abordado.
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Sumário 1. Introdução
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2. Adensamento
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3. Intenções de Zoneamento 3.1. Zona de Emprego 3.2. Zona Central 3.3. Eixo Verde 4. Equipamentos 5. Conclusão 6. Referências
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1. Introdução A área do Arco Pinheiro, que engloba a Vila Leopoldina, Jaguaré, distritos da subprefeitura da Lapa, e Butantã, do Butantã, teve sua urbanização vinculada a segunda industrialização do município de São Paulo, na década de 1950, incentivada pelo governo.
junto com a descentralização de parte das atividades do CEAGESP e sua posterior mudança para próximo ao Rodoanel Mario Covas, libera esta região para novos usos e novas ocupações.
Com isso, alguns locais, então periféricos em relação às regiões centrais das grandes cidades e geralmente próximos a grandes vias de circulação viária (e rodoviária), ganharam grandes parques industriais e atividades relacionadas à atividade industrial, como setores de estocagem e logística. (PADUA, 2011, p. 14)
Tal processo resultou em um desenho urbano marcado por barreiras, na forma de grandes lotes, de um sistema viário que, priorizando o transporte individual, tem grandes dimensões, como a Avenida Marginal Pinheiros, e poucas vias e do rio Pinheiros. Com 1 509 ha ocupados por cerca de 48 300 habitantes, em 2017, a região tem densidade demográfica de 32 hab/ha, baixa, principalmente se comparada à densidade demográfica do município, 79 hab/ha. Ou seja, de seu uso, apenas 10% é residencial e, além disso, destes 2% são favelas ou núcleos, correspondendo a 20 (vinte) assentamentos precários, e, aproximadamente, 11 500 domicílios1, estabelecidos ali devido aos empregos em atividades industriais ou correlatas (PADUA, 2011). No entanto, a partir da década de 1980, o papel da indústria na estrutura produtiva de São Paulo diminui, fazendo com que esta área passe por um retraimento industrial, que, Figura 1. Diagrama de análise do local e premissas projetuais 9
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PREMISSAS
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2. Adensamento Com base nisso, e por estabelecer o acesso às várias rodovia e a antiga ferrovia que conectam a cidade ao interior do Estado e a outros Estados e tendo a relação de 1,9 emprego/hab, enquanto no restante do município é 0,45 emprego/hab, foi tomada como premissa a ocupação da área por uma população maior, não ficando a mercê do mercado imobiliário, aumentando sua densidade e aproveitando a infraestrutura já consolidada pelo seu uso anterior. Então, comparando a densidade demográfica da região, 32 hab/ha com a do município de São Paulo 74 hab/ha, e usando a cidade de Barcelona, na Espanha, enquanto referência de adensamento, 50,60 hab/há, foi definida enquanto parâmetro uma densidade demográfica intermediária a ser alcançada, próxima a de Barcelona. Com a finalidade de unir diferente parcelas da população, numa tentativa de impedir a segregação, tal adensamento deve se dirigir, com incentivo do zoneamento apresentado no item 3, às proximidades das áreas já ocupadas, portanto maior nos limites do território, conforme o mapa 1 abaixo. Além disso, diminui em direção ao rio Pinheiros até atingir o Limite de Crescimento, a partir do qual o território não deve ser adensado, assegurando que as áreas sujeitas a inundação, como o entroncamento das linhas 8 e 9 da CPTM e imediações e a várzea do Jaguaré, não sejam ocupados e imperializados, assim como locais de solos moles, para evitar recalques, fazendo parte de um parque linear a ser implantado na extensão do rio Pinheiros, ao longo da área estudada. Figura 1. - Proposta de adensamento. Fonte: Elaborado por Anita Denari Piffer com base na nova proposta de adensamento 12
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3.Intenções de Zoneamento Um Plano de Massas foi elaborado para a área, onde foram estabelecidos parâmetros para a ocupação da região. Tais parâmetros seguem como diretriz para a definição das zonas a serem planejadas para o território em que está sendo abordado neste trabalho. As massas foram definidas baseadas nas premissas da diversidade de usos e população, di-
minuição das distâncias e incentivo ao uso de transportes não motorizados, conexão das margens dos rios, através da conexão das áreas verdes presentes na região. Como é mostrado na Figura 2, o plano foi separado em três zonas: as zonas de emprego, zona central e o eixo verde.
Figura 2. Plano de massas. Fonte: Elaborado por Júlia dos Santos de Pádua com base no Google Earth, 2020. 14
3.1 Zona de Emprego Na Zona de Emprego, a intenção é ao menos de tentar suprir a demanda de trabalho que deixarão de existir com a saída do CEAGESP, para que o impacto dessa mudança na vida dos moradores da região que trabalham no CEAGESP seja mitigado. Na zona, pretende-se instalar escritórios corporativos, empregos de atividade técnica e manter algumas pequenas indústrias. Um fluxograma foi elaborado para visualizar as premissas da Zona de Emprego, demonstrado na Figura 3.
Com essa diversidade de empregos, define-se uma diversidade das classes dos moradores no local, e para que sejam evitados processos como a gentrificação e a especulação imobiliária, será definido através de legislação a reserva de unidades habitacionais para as famílias dos trabalhadores com renda baixa. Para que a área não seja monofuncional em relação ao seu uso, há o incentivo do uso das coberturas dos edifícios com atividades noturnas e de lazer. Outro objetivo é manter o local ativo e mais seguro fora do horário comercial com a circulação de pessoas. Restaurantes, academias e bares vão usufruir das coberturas com o apelo da valorização das visuais da região qualificada. Pretende-se usar o potencial máximo de adensamento nessa zona, para que a região se torne produtiva em toda a sua totalidade.
3.2 Zona Central
Figura 3 - Fluxograma Zonas de Emprego. Fonte: Fluxograma elaborado por Júlia dos Santos de Pádua, 2020.
O objetivo é misturar empregos de diferentes níveis de qualificações, se possível, nos mesmo edifícios. Dessa forma, obtém-se a mistura de públicos que frequentam a região. Também há a intenção da instalação de prédios habitacionais, para os trabalhadores da zona, com critérios de ocupação.
Na Zona Central há o incentivo do uso misto das edificações, com fachadas ativas, implementação de pequenos comércios, serviços e novos equipamentos públicos. Há a priorização das áreas livres e de convívio, como praças, que servirão de apoio aos equipamentos públicos implantados na zona. Objetivo da área, pensada na escala do pedestre, é a que as pessoas moradoras da região não precisem se locomover à longas distancias para ter acesso à cidade e que priorizem os meios de transporte não motorizados.
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Pretende-se também redefinir as ZEIS e sua aplicação; no presente trabalho, uma das premissas é a mistura de usos e a diversidade de classes, então definir uma zona específica para habitação seria uma contradição. A solução encontrada para as pessoas com menor renda, é estabelecer os parâmetros de ocupação das futuras habitações ao invés de definir uma zona para ocupação das pessoas de menor renda. Na Figura 4, há um fluxograma demonstrando as intenções e premissas para a Zona Central.
Figura 4 - Fluxograma Zonas de Central. Fonte: Fluxograma elaborado por Júlia dos Santos de Pádua, 2020.
A densidade da região será diminuída gradativamente, como uma forma de transição para o Eixo Verde, onde o parâmetro de densidade definido é de até 25 hab/ha como demonstrado na Figura x.x (MAPA DE DENSIDADE).
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3.3 Eixo Verde Na Zona de Eixo Verde procura-se estabelecer a conexão das grandes massas de áreas verdes presentes na região (Parque Villa Lobos e Parque Leopoldina Orlando Villas Boas). Com a implantação de um parque linear ao longo do Rio Pinheiros, em suas duas margens, a zona é usada, sobretudo como vetor de conexão e integração de ambas as margens do rio. O funcionamento do Eixo Verde é demonstrado no fluxograma presente na Figura 5.
Figura 5 - Fluxograma Eixo Verde. Fonte: Fluxograma elaborado por Júlia dos Santos de Pádua, 2020.
Para estabelecer uma conexão com a Zona Central, haverá trajetos de áreas verdes que conectam com as praças a serem implantadas, criando assim uma unidade ambiental para o projeto.
não saudável com a população. As atividades implementadas na zona, serão de usos que suportam baixas densidades ou com períodos pontuais de grandes aglomerações. Atividades noturnas, culturais e de lazer serão permitidas, afim de valorizar a margem do rio Pinheiros e suprir a baixa demanda identificada de atividades de lazer no local. Com a definição dos usos, também pretende-se manter o local ativo em diferentes períodos. Serão implantadas mais conexões entre as margens, inclusive que priorizem o caminho do pedestre, para que as distancias entre uma margem e outra possa ser diminuída.
4. Mobilidade Segundo o levantamento sobre Mobilidade, o encontro entre modais, na maioria das vezes, não ocorre da melhor forma “[...] visto que a circulação dos pedestres e ciclovias na maioria das vezes não estão ligadas às linhas de ônibus [...]” (MOBILIDADE, 2020, p. 17), dificultando o uso do transporte coletivo. Além disso, de acordo com a análise da Geomorfologia (2020) da região, o CEAGESP se encontra entre as cotas 725 e 730 metros e a topografia do perímetro é plana, inferior a 5%, tornando o local favorável ao transporte ativo, de ciclistas e pedestres. Analisando o mapa , que relaciona distância percorrida com tempo, é possível perceber que, pelos problemas de mobilidade citados anteriormente e pela limitada quantidade de vias, com quadras de grandes dimensões, o deslocamento se torna algo demorado nesta região, como em todo o município de São Paulo, que consumindo tempo e gerando uma relação
Há também numerosas vidas que são potencialmente consumidas. Por exemplo: o tempo gasto por milhões de pessoas que diariamente se deslocam de casa para o trabalho por percursos absurdos e condições de transporte precárias, quer dizer, 5 milhões de pessoas que gastam 4 horas por dia com deslocamentos equivalentes a 20 milhões de horas-homem por dia. Considerando-se que a vida inteira de trabalho de um homem soma 52.800 horas, o deslocamento diário desse contingente equivaleria a mais 378 vidas consumidas a cada dia ou 102.060 vidas por ano. (BUCCI, 2005, p. 20)
Para incentivar o uso de transporte coletivo e ativo, seriam i mplantados corredores exclusivos para ônibus nas Avenidas Marginal Pinheiros e Dr. Gastão Vidigal, no sentido norte sul, e nas Avenidas Queroz Filho e Prof. Manoel José Chaves, cruzando o rio Pinheiros, acompanhados por ciclovias e pela linha CPTM, levando em consideração o fluxo de ônibus na região pela manhã, horário de pico, segundo SPUrbanismo (2018). E, usando como referência o projeto urbano para a cidade de Masdar, do escritório Foster + Partners, foram estabelecidos raios de influência de 200 metros para pontos de ônibus e 500 metros para estações CPTM, com o intuito de, através de distâncias mais curtas, incentivar os pedestres. Além disso, as estações dos diferentes modais coincidem ou estão próximas, dentro do raio estabelecido, melhorando o encontro entre modais. E nos cruzamentos com as ciclovias, possuem bicicletários, para integrar o transporte ativo. Por fim, foi estabelecido o transporte hidroviário ao longo dos rios Pinheiros e Tietê, enquanto um modal coletivo e eficiente. A partir disso, integrando os rios com a mobilidade da região. 17
E, para aumentar a quantidade de vias, facilitando a circulação, foi estabelecido a subdivisão dos quarteirões, muito extensos atualmente, e inapropriados para uso dos pedestres, além de inseguros. Enquanto parâmetro a dimensão das quadras, de 100 por 100 metros, assim como anteriormente, foi adotada a cidade de Barcelona como referência. A maior permeabilidade
atingida através do redimensionamento de ruas e redução de quarteirões poderia possibilitar mais usos e atividades nos térreos dos edifícios, tornando o bairro mais seguro e movimentado, adequado para se morar e percorrer, conforme o diagrama da Figura 9.
Figura 6 – Tempo X Distância a Pé Fonte: Elaborado por Julia dos Santos de Pádua, com base no mapa de percursos a pé do Projeto de Intervenção Urbana Arco Pinheiros e Google Maps. 2020. 18
Figura 7. – Mobilidade Urbana. Fonte: Elaborado por Anita Denari Piffer, com base no Google Maps. 2020. 19
5. Equipamentos De acordo com o levantamento realizado no projeto de TFG ‘’Novo Ceagesp’’ apresentado na PUC Campinas em 2017, onde os autores mapearam os eixos dos equipamentos de lazer e cultura, educação e saúde, fica claro que a demanda é insuficiente para a região, além do fato de estarem localizados em longas distâncias. No caso das escolas, foram mapeados diferentes raios: de escolas de ensino infantil, ensino fundamental e ensino médio e concluiu-se respectivamente que os eixos estão em torno de 300m, 1.500m e 2.000m, como demonstrado na Figura 8. Os equipamentos de saúde pública mapeados estão num eixo de 7.500m, demonstrando uma demanda insuficiente para a região, além de ser identificado a longa distância entre os mesmos como demonstrado na Figura 8. Os equipamentos de cultura foram mapeados num raio de 2.500m, e apesar de serem grandes marcos para a região e, inclusive para a cidade de SP, os mesmos apresentam longas distancias entre si, tornando-se assim locais menos acessíveis para a população que mora distante desses locais e não possuem carro, como é demonstrado na Figura 8. A intenção para este projeto é de diminuir essas distancias apontadas, com a implantação de mais equipamentos para a região, além de suprir a demanda de adensamento projetada.
Para as escolas, pretende-se implementar um raio de no mínimo 500m para o ensino fundamental e de mínimo de 1000m para o ensino médio; aumentar a quantidade de escolas de outras fases é uma forma dos estudantes não serem obrigados a percorrerem grandes distancias e não perderem o seu tempo em transportes públicos. Para os equipamentos de saúde foi determinado o raio de 800m para as Unidades Básicas de Saúde e 2.000 para Centros de Saúde especializados e Pronto Socorros. A intenção é de atender a nova demanda projetada para a região, e evitar que a população tenha que enfrentar grandes períodos de espera e percorrer longas distâncias para ser atendida pelo serviço público de saúde. O eixo definido para os equipamentos de cultura e lazer, que também incluem as praças e os espaços livres, foi de 800m. A intenção é de priorizar as áreas livres de convívio e promover mais opções de lazer para a população.
Figura 8. – Figura 3. Equipamentos e raios de influência. Fonte: Elaborado por Anita Denari Piffer com base no projeto de TFG ‘’Novo Ceag20
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6. Conclusão Durante as pesquisas e estudos realizados ao longo de todo este trabalho, foi possível mostraram a importância da questão do entendimento do território como um todo - desde o contexto social, econômico e até mesmo pelo ponto de vista ambiental. Deste modo, a análise simultânea em diversas escalas possibilitou a avaliação de questões relevantes e o estabelecimento de premissas, a fim de tentar solucionar ou minimizar os problemas, buscando pode ressignificar os espaços trazendo maior vivacidade nos espaços públicos e priorizando a circulação de pedestres ou através de transportes coletivos, por meio da reestruturação da metrópole a partir do desenho urbano e de suas potencialidades urbanas, assim como o planejamento adequado para cada localização especifica. Além disso, a cidade de São Paulo necessita de projetos amplos, quetenham como condição o uso múltiplo de suas águas. Cuja existência é vista como um problema, quase sempre ligada à existência de esgoto, poluição e enchentes. Porém a mudança desse paradigma só ocorrerá quando a metrópole passar por amplas transformações, a partir da con sideração dos seus rios, durante a ocupação territorial.
Figura 9. –Estratégicas Urbanísticas Fonte: Elaborado por Bruna Tavares de Pinho. 22
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