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Txano e Oscar 2 - Operaçao Maxi (Cap.1-2)

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Copyright © 2017 Julio Santos García & Patricia Pérez Redondo © Texto: Julio Santos García, 2017 © Ilustrações: Patricia Pérez Redondo, 2017 Tradução: Élcio Carillo Correção de textos: Marcos Mauro Layout e design: Julio Santos & Patricia Pérez Título: Operação Maxi Coleção: As aventuras de Txano e Oscar Número: 2 www.txanoyoscar.com julioypatri@txanoyoscar.com Xarpa Books Obra registrada em SafeCreative.

A obra «As aventuras de Txano e Oscar - Operação Maxi» foi criada por Patricia Pérez e Julio Santos e está sujeita a uma licença Creative Commons Reconhecimento-NãoComercial-SemObraDerivada 4.0 Internacional. Podem-se consultar os termos da licença na seguinte url: https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/deed.pt_BR


Operação Maxi Ilustrações Texto Patricia Pérez Julio Santos


Oscar Txano Olá! Meu nome é Txano, e este aqui ao lado é meu irmão Oscar. Nós somos gêmeos e, em nossa primeira aventura, um estranho meteorito verde nos transformou em telepatas.

Sônia Raul Esses dois são Raul e Sônia, nossos super amigos. Nós quatro adoramos qualquer coisa que tenha ar de mistério, e montamos um quartel-general na casa da árvore de nosso quintal.


A menorzinha da família é nossa irmã Sara-Li. Ela encontrou a Maxi numa caixa de papelão na rua e convenceu mamãe a trazê -la para a casa. Nossa pequena amiga chama-se Flash, e é uma esquilo fêmea muito especial.

Sara-Li

Flash

Maxi O de cabelo ruivo e com uma barbinha esquisita é nosso pai. Ele se chama Alexandre, mas todos o chamam de Alex. Ele tem uma loja de antiguidades na cidade.

Bárbara

Alex

Nossa mãe se chama Bárbara e é tradutora. Quando nós deixamos ela brava... Ufff! Fica pior que um furacão!


Em um parque de Twin City, uma figura escura esperava, escondida, atrás de uns arbustos. A poucos metros, um grupo de meninas brincava, alegre, enquanto um cachorro que estava com elas corria pelos arredores. De repente, um apetitoso biscoito em forma de osso aterrissou no chão, na frente do animal e começou a se mover em direção aos arbustos. O cachorro correu atrás dele, mas quando já estava a ponto de alcançá-la, umas mãos fortes o agarraram.


Quando as meninas perceberam sua ausência, o cachorro já estava muito longe dali e, durante os dias seguintes, muitos outros mascotes teriam o mesmo destino. Em todas essas desaparições estava a chave para construir o quartel-general da turma de Txano e Oscar, embora eles ainda nem soubessem disso.


Treinando

Após passarmos duas semanas malucas depois de encontrar o meteorito, incluindo uma manhã inteira tirando plantas do quarto de Sara-Li, voltamos à normalidade nos últimos dias. Se é que se pode chamar de normalidade ficarmos brincando com a nossa telepatia a maior parte do tempo. Já imaginou o que é, num belo dia, você, de repente, poder falar com seu irmão e com os seus mascotes usando só a sua mente? Incrível, não? Mas foi isso mesmo o que aconteceu com a gente. Nessa manhã, nós já tínhamos passado um bom tempo praticando, e era a vez do Oscar, que se concentrou para me enviar seu pensamento. E logo uma imagem foi aparecendo em minha cabeça. — Ah? É uma menina dançando sobre a grama, na margem de um lago com passarinhos e musiquinha?

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— disse eu, olhando para o meu irmão com estranheza. — Será que sequestraram você? Extraterrestre, saia já do corpo do Oscar! — Espera, espera… eu ainda não terminei. De repente, a musiquinha mudou e, da água, surgiu um monstro, como aquele do lago Ness, que se aproximou da margem e esticou seu longo pescoço para engolir a menina num só bocado. E tudo isso arrematado por um sonoro arroto dinossáurico.

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— Ok! O monstro come a menina e arrota. Isso já se encaixa mais com o seu cérebro desequilibrado — disse eu, enquanto o Oscar ria da sua própria encenação. — Reconheça que ficou joia — disse ele, fazendo cara de esperto. — Bem, não ficou mal — reconheci. — Mas agora é a minha vez. Preste atenção, que aí vai! Concentrei-me e comecei a projetar minha ideia. Eu tinha gostado da cena do Oscar, mas queria preparar outra versão. A imagem suave da grama e do lago continuavam ali, mas o monstro Nessie já não era tão temível, e parecia que estava com dificuldades. De repente, elevou-se vários metros sobre a água e começou a girar sobre si mesmo, sem controle. Depois de um bom número de giros, foi parando, pouco a pouco, com expressão contorcida e a língua de fora. Mas não terminavam aí os tormentos do pobre monstro. Ele começou a inchar, como se algo o inflasse por dentro, e seus olhos quase saltaram para fora. Quando já tinha se transformado numa enorme bola, da qual só saíam para fora as patas e o pescoço, arrebentou em mil pedaços, desintegrando-se em forma de confete, que caiu em câmera lenta sobre a água.

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E, no centro da explosão, livre de novo, a menina de antes flutuava satisfeita, brilhando como se dentro do seu corpo possuísse uma lanterna. — Você se superou! Menina luminosa desintegra monstro por dentro e o converte em confete. Gostei! — disse Oscar. Você já percebeu a que tipo de coisa nos dedicávamos! Depois de vários dias de treino, podíamos projetar quase tudo na mente um do outro. O mais complicado era que tínhamos que fazê-lo às escondidas, porque não queríamos que nossos pais soubessem. No começo, eram só palavras ou números; depois, conseguimos enviar imagens e, agora, já podíamos enviar tudo junto. Tínhamos experimentado, inclusive, transmitir sons, cantarolando mentalmente as músicas dos filmes dos quais gostávamos, e também isso funcionava. Mas conseguir o mesmo com a Maxi e a Flash não foi tão simples. Quando nós usávamos ordens simples, como “vem” ou “senta”, funcionava bem. Mas quando tentávamos transmitir a elas algo mais complicado, a maior parte das vezes elas nos olhavam sem entender nada. No entanto, logo percebemos que se nós transmitíssemos para elas as palavras junto com uma

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imagem que as descrevesse, imediatamente elas captavam a ideia e começavam a usá-la. Com este truque, pudemos nos entender com elas sem problemas. E, à medida que os dias passavam, a comunicação ia ficando mais fácil. Porém, tantos dias seguidos de brincadeira tranquila em nosso quarto não era algo normal, e nossa mãe, que às vezes parecia poder ler o pensamento sem meteorito, nem nada, estava estranhando um pouco.

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Você sabe… não se pode ocultar nada das mães por muito tempo, e eu notava, em seu olhar, que ela suspeitava de alguma coisa. Até então, meu irmão e eu tínhamos ficado de acordo em manter segredo, mas agora que nossa nova habilidade estava controlada, começamos a nos perguntar qual seria o momento mais adequado para contar aos nossos pais. O Oscar opinava que ainda era um pouco cedo, embora eu não tivesse muita certeza disso. Conhecendo os “poderes” da nossa mãe, ela não iria demorar muito em averiguar o assunto e, naturalmente, seria melhor que nós mesmos lhe disséssemos, antes que ela descobrisse por sua conta. Mas a quem nós estávamos morrendo de vontade de contar era ao Raul e à Sônia. Eles eram os nossos melhores amigos e, durante o verão, costumávamos passar um montão de tempo juntos, embora, desta vez, tivesse acontecido casualmente que, logo que as aulas terminaram, a Sônia fosse passar umas semanas na casa de seus avós e o Raul viajasse de férias com sua família. Nós quatro íamos ao mesmo colégio e nos conhecíamos desde que éramos muito pequenos. Havíamos brincado juntos muitos anos . Éramos muito diferentes, mas, talvez até por isso mesmo, nos dávamos tão bem.

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Sônia era filha única. Seus pais estavam separados e ela vivia com a sua mãe. Era muito inteligente e tinha uma memória prodigiosa. E isso sem precisar de nenhuma pedra verde. Você podia perguntar qualquer coisa que ela tivesse ouvido antes, e ela dificilmente não lembraria. Quando brincávamos de adivinhar filmes escutando somente uma frase, ela ganhava quase sempre. Sônia dominava os computadores. Bem, a tecnologia em geral era a sua praia. Certamente era herança de família, porque a sua mãe trabalhava com a nossa tia Laura numa empresa de desenvolvimento de videogames e era muito boa nisso. O Oscar e ela tinham uma relação de amor-ódio muito especial. Andavam sempre às turras por qualquer coisa, mas quando se punham a trabalhar juntos em alguma coisa, o resultado era quase sempre incrível. Creio que meu irmão gostava um pouco dela. Mas se alguém lhe perguntasse, ele punha uma cara de pôquer e mudava de assunto na velocidade da luz. Raul não tinha a memória de Sônia e tampouco era um fissurado da tecnologia como o Oscar, mas era uns 30 centímetros mais alto que nós três. E o melhor era que, apesar de ser superalto e superforte

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para a sua idade, nunca o tinha visto abusar de ninguém. Ele adorava os truques de mágica e era um grande mágico amador. O Raul também era muito bom em todos os esportes e, no colégio, sempre queriam escolhê-lo para os times que se formavam. Que vontade de estar com eles! Tínhamos tantas coisas para lhes contar que não iríamos nem saber por onde começar!

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Outra vez juntos

Quanto Sônia e Raul voltaram das suas férias, nós telefonamos e marcamos para ir ao parque com eles. Eles moravam a poucas quadras de distância e, como nossa casa ficava no caminho, costumávamos esperá-los brincando até que eles viessem nos encontrar. E, assim, fazíamos juntos o resto da caminhada. Mas esse não era um dia normal, e meia hora antes deles chegarem nós já estávamos esperando sentados nas escadas da varanda — e, por sinal, bastante nervosos. Maxi havia ficado com a nossa irmã, mas Flash, a nossa esquilazinha, vinha conosco. A pobrezinha estava escondidinha no bolso do agasalho esportivo que o Oscar tinha colocado para esta ocasião. Tínhamos pedido a ela que esperasse ali, até que a apresentássemos.

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QuerĂ­amos ir por partes, e apresentar a Flash seria a primeira coisa. Depois, buscarĂ­amos o jeito de contar sobre a telepatia.

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Depois do professor Antonov e de Sara-Li, a Sônia e o Raul iriam ser os primeiros a saber. E, ainda que fossem nossos amigos de toda a vida, tínhamos um pouco de medo da sua reação. — Como poderíamos contar a eles? — perguntei, recostado nos degraus. — Veja o que lhe parece isto: “Olá…! Um meteorito verde e explosivo nos transformou em telepatas” — disse o Oscar, confirmando minhas suspeitas de que ele não iria me ajudar muito. — Não seja selvagem! — bufei. — Não podemos dizer isso desse jeito. — Então, me diga você como devemos contar pra eles — protestou. — Devemos dizer cantando um rap? — zombou ele, enquanto gesticulava com as mãos, como se fosse um rapper. — Não sei ainda, mas, antes de tudo, nada de contar logo que chegarem aqui, porque eu garanto que vão começar a gritar. E se a mamãe sair na janela, poderá descobrir. — Certo, certo! Deixo para você contar. Mas pode ir pensando em algo, porque eles já estão chegando — disse o Oscar, ao mesmo tempo que se levantava para pegar a bicicleta e acenava para eles. Eu também me levantei de um salto e o segui nervoso.

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No entanto, depois de cumprimentá-los com toques de mãos e alguns comentários sobre a nova bike da Sônia, o nervosismo desapareceu e nós fomos para o parque como se tivéssemos passado juntos o verão inteiro. Chegamos no nosso banco habitual, ao lado da pista de skate e, ainda sentado no selim, olhei ao meu redor. Pensava que ali estávamos nós, nossos amigos, nosso parque e nosso banco e que, se não fosse pelo pequeno detalhe de que um meteorito verde tivesse explodido no nosso nariz, tudo continuaria como sempre. —  Aaah! —  disse Raul, espreguiçando-se. — Adoro que meus pais tirem suas férias logo que acabam as aulas no colégio, porque agora temos todo o verão pela frente para estarmos juntos — acrescentou, enquanto se sentava no encosto do banco. — Como foram as suas férias? — perguntei, sentando-me ao lado do Raul. — O camping em que estivemos era superlegal — respondeu ele. — Tinha uma hiperpiscina com dois tobogãs gigantes e uma ilhota no meio. — Cara! Adoro as piscinas com ilha — disse o Oscar. — Mas só se for uma ilha em que se pode subir.

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— Pois é, nesta podia subir e tinha até uma palmeira e tudo — respondeu o Raul. — Eu passava o dia inteiro ali, brincando com os meus primos. A única coisa ruim foi que, na segunda semana, veio hospedar-se ao nosso lado uma família com uma criança pequena, que queria ficar comigo o tempo todo. No começo foi engraçado, mas depois começou a ficar pesado — continuou Raul, fazendo cara de aborrecimento. — Por fim, eu tive que inventar que estava em tratamento de uma doença muito contagiosa e ela foi toda assustada contar para os seus pais. Ainda bem que, depois disso, não deixaram ela se aproximar de mim… Que chato! — Mas eu tinha vontade de voltar …! — disse a Sônia, ainda sentada na bike, na nossa frente. Eu estava morrendo de tédio na casa dos meus avós. Acho que naquela cidade, quando chega o verão, todas as crianças da minha idade vão embora, ficando somente os que são muito pequenos ou os que são bem mais velhos — queixou-se. E como não me deixavam ir com os mais velhos, eu me saturei de montar quebra-cabeças de 40 peças com as crianças da casa do lado. Uma chateação! O Oscar deixou a bike apoiada e sentou-se ao meu lado.

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— Pelo menos, minha avó me ensinou a jogar cartas — continuou a Sônia, sem muito entusiasmo. De tarde, costumavam vir suas amigas para jogar uma partida e, quando alguma delas não podia vir, me deixavam jogar. No começo, me pareciam vovozinhas fofas, mas se você visse elas jogando… Ufa! Não tinha jeito de vencê-las. Parecia até que elas tinham telepatia! — disse Sônia, pondo os dedos nas têmporas e fazendo cara de concentração. Ora essa…! Parece que a bendita palavrinha nos persegue, pensei eu. — Bem! E vocês, como foram? Ainda não contaram nada — disse Raul, interrompendo meus pensamentos. — Quais são todas essas coisas que vocês têm para nos contar…? Olhei para o Oscar em busca de ajuda, mas ele encolheu os ombros e, com um sorrisinho na cara, fez um gesto, convidando-me para começar quando eu quisesse. Respirei fundo e inclinando-me para eles, comecei: — Bem, a primeira coisa é…, é… — eu disse, titubeante — apresentar para vocês um novo membro da turma. — E apontei para o Oscar, esperando que a Flash fizesse sua aparição.

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Mas a Flash não apareceu e, em seu lugar, o agasalho esportivo do meu irmão começou a se mexer como se tivesse vida própria. A Sônia e o Raul recuaram surpresos, e o Oscar aproveitou para teatralizar ainda mais a situação, fingindo que estava assustado.

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— Socorro! Ajudem-me! Tenho um alienígena dentro de mim! — gritava, enquanto seu bolso não parava de se mexer. — Socoooorro! A Flash estava valorizando seu papel, antes de sair. Certamente, havia combinado isso com o Oscar. Eles eram tal e qual. Os nossos amigos, que já o conheciam bem, foram se aproximando com cuidado até que meu irmão achou que já estavam suficientemente próximos. Neste momento, deu um grito e caiu de costas sobre o banco, mexendo-se como se os seus intestinos estivessem sendo esmagados. Colocou as mãos em torno do bolso e, dando outros gemidos, de um salto apareceu a Flash entre elas. Sônia e Raul deram tal pulo que faltou pouco para caírem sentados. — Mas será você ficou maluco? — gritou Sônia, à medida que recuperava a respiração. — Você quase me matou de susto! Meu irmão endireitou-se no banco, morrendo de rir. Que encenação os dois haviam montado sem me dizer nada! Essa coisa de telepatia nas mãos do Oscar era muito perigosa… O Raul também se recuperou e os dois se aproximaram da nossa esquilinha com curiosidade.

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O Oscar estava com ela na palma da sua mão, com orgulho, e aproximou-a deles para que a vissem. — Apresento a Flash! — disse ele. — Uma nova amiga.

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