Elucubrações Entre Loucos
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Elucubrações Entre Loucos
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Elucubrações Entre Loucos Sumário
Perfil do autor
05
Insônia
07
Noite Entre Amigos
09
H.D.K > LSF
11
O Barco
13
O Vinho
15
Afrodite
17
A última dança
19
Olho Mágico
21
Essa Luz
23
A Onda
25
Festa
27
Escalada
29
Dúvidas e Incertezas
31
Eu ... quem sabe...
33
Nós
35
Despedida
37
A morte e o forte
39
03 de julho
41
Gira mundo
43
Encontro com a Morte
45
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Elucubrações Entre Loucos
Fé
47
Apenas mais um fim
49
Sílabas
51
Pó
53
Eu vou
55
Tempos modernos
57
Muros
59
Um dia
61
Calendário
63
Esses Ss e Cs
65
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Elucubrações Entre Loucos Perfil do Autor Aparecido Salvador Junior nasceu na cidade de Rancharia, no interior do Estado de São Paulo, em 06 de outubro de 1985. Aos catorze anos começou a trabalhar, mais para adquirir maturidade e senso de responsabilidade que para ajudar no sustento da família, passando a conciliar as atividades profissionais e educacionais.
Em 2004 ingressou no serviço público, profissão pela qual se apaixonou e para a qual passou a dedicar todos os seus esforços profissionais nos anos que sobrevieram.
No ano seguinte iniciou o curso de licenciatura em letras na Faculdade de Ciências e Letras de Assis (UNESP), onde se formou no ano de 2008, apto para lecionar tanto a língua portuguesa quanto na língua alemã.
No fim do ano de 2008, a nomeação para um novo concurso público desencadeou uma sucessão de fatos que o levaram a, não só a erradicar-se em Araçatuba/SP, como também a iniciar o curso de bacharelado em direito.
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Elucubrações Entre Loucos
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Elucubrações Entre Loucos Insônia
O tic tac do relógio empoeirado O triste girar do ventilador de teto o calor insuportável, o suor escorrendo o lençol molhado A garrafa d'água e o vento
As horas parecem não querer passar O sono não vem, Morpheus não chega amanhã nos perseguirá por todo o dia menos uma noite de sono, não há quem desaperceba Mais dez minutos se passaram, aqui estou -7–
Elucubrações Entre Loucos ainda de pé diante da noite que passa envolto em silêncio e escuridão pensando na vida e na morte sentindo o tempo sem graça
A noite é deveras intensa há momentos de pura loucura e prazer em meio à escuridão fazer o que não se imagina em meio a uma sala escura sentir o sono que chega
Depois de breves elucubrações à volta de novo a cama, os lençóis e o sono mais uma vez a tentativa amanhã um novo dia quem dera pudesse não dormir viver intensamente cada noite sem sono, insone pela vida somente a sentir
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Elucubrações Entre Loucos Noite entre Amigos
Sentado na varanda, olhando as estrelas Numa noite quente, de um verão passado O céu todo iluminado, a boca seca, Lá embaixo barulho, um mundaréu de gente Abro mais uma garrafa e olho ao longe A lua brilha disforme num céu claro Meus pés descansam sobre a mobília Minha mente dispersa, entorpecida Mais um cigarro sai do maço Um trago, um gole, Outro trago, mais um gole Substituindo um abraço -9–
Elucubrações Entre Loucos
“Se você ouvisse as vozes que ouço a noite, acharia tudo que eu faço natural” Elas vêm de todos os lados, de todas as formas Entre um soluço e um trago, todas as noites
Mais uma garrafa, outro cigarro Sempre fiéis nos dias mais difíceis Trazendo conforto, paz e alegria
Até o último gole Até o último trago Até que se vá o último suspiro
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Elucubrações Entre Loucos H.D.K > LSF
Não falo, não grito, não digo fecho-me em pura infusão meu coração sem pulso minha mente em castigo
não há nada mais a querer nada a fazer ou inventar pensar, criar ou dizer as estrelas giram mais rápido
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Elucubrações Entre Loucos
o bailar do universo leva ao delírio ao deleite, a morte e ao destino ao crime, a pena e a prisão às delícias de um mundo sem razão fútil, leve, sem sentimento amado, pesado, ressentimento um pecado sem deus nem diabo sem peso, ou destino traçado
fervendo em pura ebulição entre gelo e fogo, transpiração um engodo sem luz pedra que reluz sem razão.
entre delitos e delicias deleite sem violência travestida em pura sapiência
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Elucubrações Entre Loucos O Barco
Quando abri a janela senti o ar frio Invadiu minha alma, flamejando Queimou meu coração e o partiu Deixou meu espírito delirando
Olhei ao longe e vi o mar As ondas vindo como sonhei Batendo nas pedras sob o luar tocando a areia por onde passei
Um barco embriagado dançava na noite entre cobras e corais bailava sem rumo ziguezagueando, açoitado pelas ondas Sem velas, sem cais, sem prumo - 13 –
Elucubrações Entre Loucos
Fechei os olhos e imaginei seu destino Quantos lugares visitou? Para onde iria? Talvez fosse apenas um devaneio de menino Quem é seu capitão? Quando enfim voltaria?
Quando abri os olhos vi Vi que meu barco não estava mais ali
Desapareceu no meio da noite branca Levou meus sonhos, alma e inocência A infância, o coração e a esperança Deixou apenas a visão do mar a única que ainda me encanta.
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Elucubrações Entre Loucos O VINHO
O doce líquido da uva corre, Vívido fluido inebriante, Ardente, distinto, gritante É tinto, rose e espumante,
Cerrado, forte, vibrante Um cálice de luz e poder Oculta sob o intenso semblante Um delicado e sensível sabor
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Elucubrações Entre Loucos Passa o tempo na adega, escondido, Cronos, em vão acredita, ameaça Dessa batalha sai fraco, vencido Baco não perdoa, pede mais uma taça
Inconseqüente o corpo se envolve A boca seca aspira mais um gole A cabeça gira, o olho não se move Em um instante perde-se o controle
Aos sentidos o suave sabor entorpece Dos dias mal vividos o louco se esquece Entre delírios o deleite conhece Em prazer e volúpia se aquece
Cessados os efeitos, à realidade retorna Ausência sentida no fundo da alma veracidade morna, mundo imperfeito Ao cálice se volta, o corpo tem sede
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Elucubrações Entre Loucos AFRODITE
Alegria e paixão, luxúria, enganação Roupas jogadas, respiração ofegante Olhos revirados, coração disparado palavras sussurradas, flagrante excitação
Suor escorrendo pela face Abraços quentes se vão Enlace de pernas e braços Ágeis movem-se as mãos
Furor de excitação e prazer Deleite, distração e encanto Delicias enlouquecem os santos Coração dispara e se vai - 17 –
Elucubrações Entre Loucos
Calor que percorre todo corpo Incandescentes sentidos e vozes Labaredas que sobem pelas pernas Eternas, ardentes chamas
Aproximam-se, tocam-se e ensinam sentem e trocam, mentem e gozam
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Elucubrações Entre Loucos A ÚLTIMA DANÇA
Olho aquela luz outra vez no espelho Ajoelho-me perante a imagem Um frio que percorre toda espinha Um tremor que fraqueja as penas
A boca seca não consegue gritar Aquela imagem me atormenta são vozes que ecoam na alma acalma-me a leveza do seu olhar
Um grito de desespero e dor Pavor, loucura e paixão O espelho reflete o passado A morte dança com o amor - 19 –
Elucubrações Entre Loucos
Correntes tilintam nos cômodos vazios Ouço o som das carroças que passam É a mesma imagem que surge no espelho A última prece não terá sido em vão
A última dança de um espírito pagão Que se vai inútil de volta à vida Maldita vida de flagelação De novo e de novo Em vão
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Elucubrações Entre Loucos OLHO MÁGICO
Sempre quis ter um olho mágico em casa Sabe aquele da TV, dos seriados fantásticos? Queria poder olhar sem que me vissem Ver o outro sem sair da minha casca Queria poder olhar sem ser visto Comentar sobre os defeitos alheios Rir dos trejeitos e enganar Sentir-me perfeito sem me expor - 21 –
Elucubrações Entre Loucos
Mas nunca tive um olho mágico Nunca pude me esconder atrás da porta Nem de um lado nem de outro “O inferno são os outros” Isso não deve ser só para poucos Sinto falta da porta entre nós
Queria mesmo é morrer só Sem olhos, sem portas, sem lados
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Elucubrações Entre Loucos ESSA LUZ
Um brilho eterno numa noite de inverno Reluzente, estonteante, miraculoso Um inferno fabuloso e demente Uma luz mágica de fulgor interminável
Olhe, sinta seu cheiro sufocante Se encante com o som fumegante Sinta o calor congelante Cante - 23 –
Elucubrações Entre Loucos
Essa luz que conforta e aquece Trás a alegria para a vida torta Arrefece a tristeza que nasce na alma Acalma a vil natureza morta
Sobre as árvores ilumina e aquece Esperanças e sonhos povoam A mente do caboclo destoa a lucidez esvai-se, enlouquece
Ó luz! Diga-me o que queres!
Pega o que desejas e vá Meu corpo tem sede de ti, Mas minha mente não esquece Vá e não volte mais, ó luz
Deixe-me em paz
No escuro.
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Elucubrações Entre Loucos A ONDA
Um dia o poeta gritou e pude ouvir Para pegar a onda era preciso estar “Na hora certa, num certo lugar” Enfrentá-la, sem nunca desistir
Era uma metáfora sobre a vida Incrível espelho do agora vontade de largar tudo, ir embora Pegar a onda ensandecida
Ele também disse aquele dia “feche os olhos, tome ar, é hora do mergulho” - 25 –
Elucubrações Entre Loucos Sem medo ou cuidado, todos ficaram mudos Tinha certeza que essa onda viria
É a hora certa, o mesmo lugar Cada dia sem sentido ganha novo brilho Agora é fechar os olhos, deixá-la guiar A onda traz a futuro, leva o tempo perdido
Pra onde você me levará? Aonde iremos juntos? Sinto que ainda tenho coragem e medo Percebo de longe quando vejo uma miragem Leve-me onda para os mais variados mundos “Só não se esqueça de que você também tem defeitos Não se esqueça, nunca fomos perfeitos”. Não me esquecerei, brilhante onda, me lembrarei Seja qual for o futuro, sob os meus pés ele estará.
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Elucubrações Entre Loucos FESTA
O brilho da lua sem graça O cheiro da erva ressecada O calor das paredes amareladas A sujeira do cimento e da massa
Gente que passa e repassa Espreme-se, meio sem graça O álcool destrói a couraça Em um minuto faz-se a desgraça
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Elucubrações Entre Loucos Amanhã ninguém se lembra de nada Queimadura de cigarro, boca inchada Bebida quente, viagem apertada Descalços na via toda empoeirada
De resto as fotos comprovam os fatos Os patos, os ratos e também os gatos No meio do caminho vão-se os sapatos Mundo perdido em meio aos retratos
Dia seguinte boca seca, cabeça doendo Historias engraçadas de amigos morrendo No melhor sentido da palavra Não era morte, estavam só vivendo
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Elucubrações Entre Loucos ESCALADA
Vou subindo até o topo sem medo, a respiração foge do corpo Um pouco de luz no horizonte Vento forte, chuva fina. Estarei louco?
Lá do alto tudo deve ser lindo Pressinto por onde passo, ainda vivo Lá de cima vou gritar enlouquecido Verei um mundo luminoso, Minha vida terá sentido - 29 –
Elucubrações Entre Loucos
Poucos metros me separam da glória Eterna, fraterna, inalcançável Poucos segundos restam de vida Sairei do mundo, viverei na memória
Vejo como tudo é belo Talvez esteja delirando Ou ainda sonhando Tudo brilha em torno dela
Atiro-me daqui de cima sem remorso Quando se chega tão alto, é o que se espera Lá embaixo vejo o fundo do poço Não desejo a fuga dos fracos tampouco o heroísmo de guerra.
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Elucubrações Entre Loucos DÚVIDAS E INCERTEZAS
No dia em que tudo se apaga O nada invade seu corpo Um sopro vazio de dor Uma ardente nova chaga
Tantos sonhos se vão num minuto Lágrimas escorrem pelo rosto O frio percorre todo o corpo Uma aposta, um erro absoluto
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Elucubrações Entre Loucos Na balança da vida, sonhos e planos Sofrimento eterno ou dor presente O quanto se pode agüentar? Pese-se. Dói dentro d’alma, o amor que se sente
A decisão que se toma leva a agonia Leva a alegria que habitava o coração Traz a angústia de vê-la sofrer Amargura no feito por não fazê-la feliz
O inverno entra pela porta deixada aberta Porta que se abre por medo e covardia Um futuro que nasce novo, incerto Queria vê-la feliz, um dia
Depois que a porta se fecha há o nada Somente o nada e a incerteza O vazio, a dúvida de ter feito a coisa errada Só quero que seu futuro não tenha tristeza
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Elucubrações Entre Loucos EU... QUEM SABE
Eu sou aquele que tudo vê aquele que tudo sabe aquele que nada enxerga aquele que tem as perguntas
sou aquele que leva ao paraíso aquele que foge da festa aquele, às vezes, indeciso o dono da jogada mestra
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Elucubrações Entre Loucos o louco que leva alegria um pouco de negro humor sem muita simpatia destruo-te fazendo um favor
palavras sem demagogia sinceridade sem harmonia atos sem anestesia levo toda sua alegria
mais um passo e será conquistado pelo jeito difícil tão atacado minha amizade não será um fardo você verá, sempre estarei ao seu lado
respeite o sono daquele que luta o descanso da vida bruta se estou quieto não encha não seja tão filho da puta
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Elucubrações Entre Loucos NÓS
Você utilizou seus meios mais fúteis Traiçoeira quase me pegou Em transe, você, fraca, tentou Mas seus atos foram inúteis
Seu ataque veio de inopino Por pouco tempo assustou o menino Que guiava pela estrada, indo e vindo Pensando em nada, nada sentindo
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Elucubrações Entre Loucos Em um segundo quis me levar Para seu mundo infeliz de dor e pesar Mas a ti, agora, só resta o sonhar Comigo, você jamais irá estar
No papel lembro-me do riso seu Sorrateiro, querendo calar o meu Você é fraca, incapaz, percebeu? Sou mais forte que você, enfim entendeu
Não voltes mais sem ser convidada De nada adiantam seus atos espúrios Lamúrias de um dia que não chegará Para ti, ao meu lado, nunca haverá nada
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Elucubrações Entre Loucos DESPEDIDA
É triste quando finalmente chega a hora Aquele sorriso de outrora não mais existe Um sentimento triste, futuro indeciso Às vezes é preciso, às vezes se insiste
As palavras de antes já não existem A conversa animada ficou no passado Olha ao lado e de nada lembra Tudo passa, o vazio vem
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Elucubrações Entre Loucos O vazio invade e trás o inverno Trás o inferno ao frio coração Leva a lágrima pelo portão aberto Resta a tristeza da decisão
Um dia isso passa, sempre passa Não é impossível, pense e faça O medo ataca o que muito pensa Um dia passa, um dia isso passa
Seria melhor não sentir Seria melhor poder sorrir Quem dera um dia poder sair Sem tristeza, te ver partir
Não há nada que se possa fazer Um ciclo termina, outro começa Não que um dia eu te esqueça Cada minuto foi um intenso prazer
Um dia passa, sempre passa...
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Elucubrações Entre Loucos A MORTE E O FORTE
Quando a morte encontra o forte Encontra a morte de sua própria sorte Que nãos mãos do forte perde-se ao norte Pois, Oh morte! a sorte pertence ao forte Para o forte não há sorte Nem morte Há apenas a morte Da sorte Pois só ao forte cabe a sorte da morte - 39 –
Elucubrações Entre Loucos E à morte, levar a sorte Do forte
Se não houvesse sorte O que seria da morte Andando longe ao norte Padecendo diante do forte?
Tem a morte a sorte A sorte de levar o forte Pois o forte não teme a morte Muito menos o caminho do norte
Ao forte cabe a morte À morte, a triste sorte. Ao norte, a sorte da morte À sorte, a morte do forte.
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Elucubrações Entre Loucos 03 DE JULHO
Hoje vi a morte e ela sorriu Vi o mundo, mas ele se partiu Fechei os olhos, mas eles se abriram Vi um deus, que de nada serviu
A luz do sol escureceu minha visão Meu coração disparou e esmaeceu A respiração fugiu, enfraqueceu No fim do túnel, vi meu irmão
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Elucubrações Entre Loucos Não me deixou partir e me chamou Me fez sorrir quando me xingou Estava ali quando tudo começou Já não estava quando acabou
A morte sorria com desdém O mundo se partia em vários pedaços A vida fugia entre os meus braços Os deuses diziam amém “Uma nova vida”, hão de dizer “nasceu de novo”, vão me falar É assim que é e assim deve ser Afinal, aos fracos, deuses não podem faltar.
O que fica é o dia em que vi o mundo de cabeça para baixo em que pude, por um segundo estar em cima e embaixo
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Elucubrações Entre Loucos GIRAMUNDO
Quando o mundo girou nada mais senti Olhava pelas janelas, queria ser um bem-te-vi Vi as glórias e derrotas que deveras vivi Respirava como criança, esperando cair
Os vidros partindo-se em pedaços Sonhos se desmanchando a cada rodopio O chão se aproximando e sumindo, esguio Girava o mundo diante dos meus olhos - 43 –
Elucubrações Entre Loucos Não temi pelo pior em nenhum momento A você me apresento e aguardo seu retorno Não guardo mágoas nem faço juramentos Apenas espero que não brinques mais com fogo
O mundo girou e você me perdeu Não acompanhou o momento que era seu Sua incapacidade decepcionou Com fraqueza você me atacou
Quando o giro parou te ouvi me chamar Uma voz inebriante que tentava conquistar Sussurrando baixinho, querendo me levar Falhou novamente, não vais me matar.
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Elucubrações Entre Loucos ENCONTRO COM A MORTE
Sua fraqueza me decepciona Não engana minha certeza Tua leveza nada emana Te amo, e te desprezo
Vi seu rosto sem cor e sem gosto Vi o oposto do pré-vida proposto Vi desgosto sobrevindo à ferida Via sua partida com um sorriso no rosto - 45 –
Elucubrações Entre Loucos Ri de ti como nunca dantes Como nunca antes enfim sorri Não cantes seu triste canto a mim Enfim, mais uma vez te venci
Dispensei mais uma vez seu frio beijo Em ti, tento, mas nada vejo Perceba sua mais nova derrota Fico sem medo, esperando sua volta
Você não é nada, não merece respeito Carece de força, só merece despeito Não pode com quem a enfrenta, Este é seu defeito Quando novamente nos encontrarmos Será, de novo, do meu jeito.
Vejam só como é Eu vi a cara da morte, mas ela não estava viva Furtiva, se aproximou como nem queria nada Enganada, saiu como chegou, calma e vingativa Perdida, mais uma vez saiu, derrotada
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Elucubrações Entre Loucos FÉ
Esperança e fé levam a glória Eterna memória que nunca se cansa Lembrança que lembra a escória Estória que leva a desgraça
A massa grita de pura dor Puro pavor, bendita sois vós A nós o amor que tens A tudo nosso mais belo Amém
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Elucubrações Entre Loucos Pecados perdido dentro da noite Penitência paga, Sagrada imagem Uma Mensagem de amor Louvado seja o senhor
Foi um dia de cão Antes de dormir faça sua oração O sermão falava de outros Nossos pecados estão perdoados
Que a paz esteja com você Que você não saiba o que faz Minha paz depende de ti Meu sucesso é sua desgraça
Dai graças e diga aleluia Aperte minha mão, me de um abraço Minha fé depende da massa Nenhuma desgraça ofende o irmão
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Elucubrações Entre Loucos APENAS MAIS UM FIM
De tudo aquilo que nasce Surge a esperança que cai A criança cresce e parte A arte soa, se esvai
Luz que nasce no frio da caverna Sentimento eterno de ódio e amor Sabor intenso, inferno de almas Moderno caos sincero
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Elucubrações Entre Loucos Algemas e palavras de ordem Guerras e lavras de ouro Garras em luta constante Um instante e tudo se acaba
Frágil ser ante o vasto mundo Nefasto errante submundo Imunda vida passante Num instante a luz se apaga
a natureza morta de cada um ninguém se importa em um segundo se acaba tudo um piscar de olhos e tudo desaba
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Elucubrações Entre Loucos SÍLABAS!
Foi. O momento passou, a luz se perdeu É. A escuridão nasceu, a noite chegou Não. Não quero enfrentar os monstros de lá Só. Perdido em sonhos, a deriva no mar
Diga. Qual é o motivo do mundo cair? Fale. Conte-me o que há adiante do muro Siga. Encante o céu com sua luz Jogue. Os dados serão o guia do amor - 51 –
Elucubrações Entre Loucos Levante, Bata a poeira e caia de novo Enfrente, O povo não sabe nem o que quer Evite, Aqueles que sempre te puxam pra baixo Derrote, a escuridão que traz o inverno
Só bata naquilo que deve odiar Só sinta aquilo que possa encontrar Não diga amigo, eu quero enfrentar Eu penso comigo, só quero amar
Sílabas, de um mundo novo nascerão enfim Pétalas, da rosa mais linda das capitais Fúlgidas, intensas estrelas no negro do céu Sôfregas, contemplando os homens sobre a terra
Só. Aqui o mundo nem parece tão triste Vá. Mude o que não te agrada Cá. Estamos nós aqui outra vez Dó, a primeira nota de nossas vidas
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Elucubrações Entre Loucos PÓ
O caminhar do destino entrega Não há vida que nunca se leva Momentos preciosos perdidos pra sempre Caminhos traçados em uma direção
Do pó vieste, ao pó voltarás Criança nasceu, criança morrerás É o ciclo da vida, morrer e nascer Nascer e morrer no ciclo mortal
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Elucubrações Entre Loucos O tempo é calculado em todo lugar Nem um minuto a mais ou a menos Cada segundo tem sua função Só com a morte a plenitude virá
Atitudes e atos serão pesados Amores e filhos considerados No fiel da vida todos pesados Vida e Morte dos desesperados
Do pó ao pó, da vida à morte Do nascimento ao fim Do leste ao oeste, do sul ao norte Das alegrias as tristezas enfim
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Elucubrações Entre Loucos EU VOU
Eu vou contra a onda que vem Divergindo da mãe e do pai Contra os que mandam e dizem o que Tirando o sono dos que dizem amém
Não sou um burguês sem cultura Freguês de propaganda e TV Coca-cola é a geração que passou Agora é meu olho que tudo vê
No meu coração sou o rei do planeta - 55 –
Elucubrações Entre Loucos Pego carona no rastro do cometa Em direção ao mundo infinito Digo tudo que deveria ser dito
Não há nada que eu deva temer Não há nada que eu não faça por merecer Eu vou confiante na força que tenho Vou com fé seguindo o caminho
Um dia serei recompensado Muito feliz, quem sabe até amado Não tenho dúvidas esse dia virá Não se preocupe, você saberá
Por isso eu vou sem medo ou temor Confio na força do homem Sou forte como a terra que cria Minha força vem do amor Se viesse comigo você entenderia
Vem comigo...
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Elucubrações Entre Loucos TEMPOS MODERNOS
Tic-tac, tic-tac, tic-tac Peraí, tem algo errado no ar Já é tarde e tenho que correr O mundo não pode parar Olhe a hora e veja Na globalização, parar é morrer No corre-corre da cidade grande Os carros somem no horizonte. A laranja mecânica atropela o mundo O mundo gira sem direção - 57 –
Elucubrações Entre Loucos
Os ponteiros giram pra qualquer lugar Carteiros poetas enfrentando a chuva A vida é breve, a natureza é leve O tempo é tudo no quase nada
Tic-tac, tic-tac, tic-tac Peraí, tem algo errado no ar
Hei Alice, aonde você vai? Já é tarde e o mundo está louco Um pouco mais louco do que já esteve Olhe os ponteiros indo e vindo
A hora da estrela chegou O dia D começou Sinta o sabor do futuro que chega Sinta a loucura da hora que vai
Tic-tac, tic-tac, tic ...
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Elucubrações Entre Loucos MUROS
Uma pedra a mais no muro da desonra Rabiscos e letras soltas no escuro Lamentações que se cruzam naquela parede A boca com sede e o sangue morto nas veias O caminho se acaba na base do muro a alegria se esvai no meio do fogo Lágrimas sofridas cortando uma cidade um bando de loucos que andam soltos
Armas protegendo túmulos velhos Arames farpados cercando a igreja Mãos juntas rezando aos céus Deus chora assistindo ao final - 59 –
Elucubrações Entre Loucos
Amores que nunca mais serão vistos Palavras que nunca mais serão ditas Crianças que não serão mais amadas Vidas perdidas sem nenhuma razão
Muros e grades cercando a cidade A cidade que queima a luz do luar Luz que apaga a alegria dos jovens Jovens calados entre muros e grades
Não há esperança no caos da razão Nada que se diga fará diferença O amor é um sonho muito distante Ao dinheiro os homens pedem a benção.
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Elucubrações Entre Loucos UM DIA
Não penso em tudo que já me ocorreu Não sinto tristeza pelo que já passou Águas passadas não furam a pedra Águas muito moles não movem moinhos
Moinhos de vento não serão mais dragões O pássaro azul voará pelos céus No teatro mágico poderei entrar Da pedra do gênese farei um colar
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Elucubrações Entre Loucos Nesse dia o mundo terá muita paz Nesse dia as crianças serão mais felizes Brincarão pelas ruas sem sofrimento Meninos de engenho serão livres assim
Um dia em que o mundo nascerá de novo Poderei cantar feliz com meu povo Um dia pra nunca mais esquecer Um dia pra levantar o troféu Um dia para chorar e sorrir
Um momento lindo virá enfim O teatro mágico exalará carmim O pássaro azul se juntará a mim Fraterno como os irmãos Abel e Cain
Em um carnaval greco-romano Em um bacanal santíssimo cristão Um dia como esse não dá pra esquecer Num dia como esses, me deixaria morrer.
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Elucubrações Entre Loucos CALENDÁRIO
Dia após dia caçando no escuro Hora após hora no meio da chuva Chuva que queima os olhos do mar Escuro que esconde a presa a correr
Um dia como este não se esquece Não se podia ter outro melhor o calor da água esfria meu corpo a dor da morte ecoa no ar - 63 –
Elucubrações Entre Loucos minuto a minuto eu penso em parar parece tão triste quando a vida termina o sangue que escorre não é mais o meu mesmo assim eu grito: Onde está Deus?
Um minuto que passa e a morte se aproxima Uma menina saltitante vestida de azul Sua pele suave esquenta minha mão Meu coração acelera com seu beijo e paixão
A festa esperada é logo ali a menina me chama pra irmos embora choro de medo do que há por vir eu nem percebo, ela sorri e chora.
Morte não me leve, ainda tenho tantos planos Eu sei que é tarde e já passaram tantos anos Deixe-me ficar, me conceda mais um desejo Eu só quero sentir mais uma vez o seu beijo
Eu só quero sentir, mais uma vez, Seu doce, quente, vivo beijo
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Elucubrações Entre Loucos ESSES Ss e Cs
Eu estava errado Somente sussurrando em seus ouvidos Simplesmente solitário, sozinho no meu Egoísmo de pensar Simplesmente em nós
Elogio sua essência Sugiro sejamos sábios Sem sofrer, sem sentir o sangue Escorrendo entre esses ecos Sujando seus sapatos - 65 –
Elucubrações Entre Loucos Eu sou seu ego sangrando Enquanto Seu sangue escorre sofrido Enquanto choro e sangro.
Cala-te Esqueça-te Suplique-me
Elogio sua essência Sugiro sejamos sábios Sem sofrer, sem sentir o sangue Escorrer entre esses ecos Sujando seus sapatos
Eu estava errado Somente sussurrando em seus ouvidos Simplesmente solitário, sozinho no meu Egoísmo de pensar Simplesmente em nós
Cegue-se Esvaia-se Suma
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