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trocas de lâmpadas 59 vezes Pág. 04
Dia das Mães Iperó | 12 de Maio de 2018 | Nº 66 - Ano 3 www.folhadeipero.com.br - Distribuição GRATUITA
Quando a vocação maternal prevalece sobre a profissional
Vestir as calças, camisa, botinas e, na cintura, uma arma. Este é, basicamente, o uniforme de trabalho de quem compõe a Guarda Civil Municipal (GCM) de Iperó. No entanto, no caso de Priscila Cristiane dos Santos Neves, e de Luciana de Moraes, a farda da GCM tem um peso ainda maior. As duas são mães, e revelam como a experiência da maternidade influencia no dia a dia da profissão. Pág. 07
Contas da Câmara de 2015 são vistoriadas pelo TCE Pág. 02 Prefeitura de Iperó pede doações para Centro de Memória Ferroviária Pág. 03
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Editorial I
Sem luz
peró é uma cidade considerada pequena, se comparada às vizinhas, e tem problemas como qualquer município desse porte teria, como a falta de um hospital ou geração de empregos desacelerada. No entanto, Iperó passa por um problema que chama atenção: o alto número de pedidos de trocas de lâmpadas. Somente de janeiro a abril deste ano, a Câmara já solicitou a substituição de lâmpadas queimadas 59 vezes. A Prefeitura, por sua vez, já realizou 148 trocas, no mesmo período. A Prefeitura, pelo menos, promete investir para melhorar o sistema. E esperamos, que logo que falte a luz, que esta seja reestabelecida rapidamente. Folha de Iperó
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Contas da Câmara de 2015 são vistoriadas pelo TCE A s contas da Câmara de Vereadores referentes ao ano de 2015 ainda estão em análise pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Julgadas pela última vez no último dia 18, o relator do processo, Robson Marinho, pediu vistas dos documentos apresentados, após argumentação da defesa. Era Sérgio Poli (PV) quem presidia a Câmara na época, e a motivação do processo julgado pelo TCE é a desproporcionalidade entre os servidores concursados e os comissionados. Isso porque, atualmente, a Câmara tem um assessor para cada parlamentar – ou seja, 11 – o que causa esse desequilíbrio. Este é o terceiro recurso apresentado pelo processo, que até então, tem parecer irregular, sob pena de pagamento de 200 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (UFESPs). Cada uma tem, atualmente, o valor de R$ 25,70, totalizando a multa em R$ 5.140 a Sérgio Poli, caso seja mantido o julgamento pela irregularidade. O advogado defensor da Câmara no caso é Roberto Thompson Vaz Guimarães que, em suas argumentações, lembrou que desde 2012 o TCE faz o apontamento de que a Câmara teria cargos demais em comissão, por isso, em 2014, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para que alguns cargos fossem extintos. Guimarães lembrou que, graças ao TAC, as contas de 2014 foram aprovadas, com recomendações. “Apesar das correções, faltavam pendências anteriores, inclusive anotadas nas auditorias apontadas por esse tribunal. O presidente, recebendo esses apontamentos em novembro de 2015, determinou que fosse feitos estudos para extinção de mais alguns cargos, ou conversão de provimento, medida que foi parcialmente adotada no fim de 2015 e início de 2016”, ressaltou. Em seu discurso, Guimarães explicou que só existem duas formas de adequar a proporcionalidade dos cargos em comissão e concursados: criar cargos na Câmara para fazer um concurso público – o que, na opinião dele, iria onerar a Casa – ou extinguir os assessores a que cada vereador tem direito, o que poderia prejudicar o trabalho dos parlamentares. “Eu baseio isso nos próprios percentuais anotados nesta conta de 2015. A Câmara pode gastar até 6% do orçamento do Município, mas gasta 2%”, afirmou o advogado, durante o julgamento. Retirado de pauta O projeto foi retirado de pauta pelo rela-
tor, Robson Marinho. O juiz lembrou, em seu discurso, que “esse tema de cargos comissionados e as despesas das câmaras tem sido amplamente debatido aqui nesse plenário. Mesmo com a crise, nós verificamos que as despesas das Câmaras têm aumentado, acima da inflação. Essa é a primeira grande preocupação”, destacou. “Com relação aos cargos, verificamos que o aumento de despesa não tem se dado só na questão de falta de controle de combustível, de telefone, de veículos, mas especialmente no aumento de números de cargos em comissão”. Marinho lembrou que foi vereador em 1977 e que, naquela época, a cidade em que legislou tinha 60 mil eleitores e não havia nenhum cargo comissionado. “O erro foi, na discussão da lei de responsabilidade fiscal, estabelecer um percentual extremamente alto. Hoje, a Câmara de Iperó, que tem um assessor para cada vereador e mais ou menos 20 funcionários, gasta 2%. Um dos problemas originais é
um percentual muito acima da realidade, estabelecido pela lei de responsabilidade fiscal, que é de 6%”. Com essa justificativa, ele pediu a retirada do processo da pauta. Expectativa Procurado, Sérgio Poli lembrou do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado, e que o direito de cada vereador ter um assessor é lei. “Isso foi criado em 2009, e fizemos tudo dentro dos conformes. Não tem lei que o Tribunal possa embasar para dizer que está errado. Todas as cidades estão passando por esse problema, e os deputados deveriam ver uma lei específica, para que seja revista essa proporcionalidade”, sugere. Mesmo assim, o presidente da Câmara se coloca à disposição do TCE. “O que for decidido, vamos cumprir, mas estamos confiantes que as contas serão aprovadas”. Não há data prevista para que as contas sejam julgadas novamente.
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Prefeitura de Iperó pede doações para Centro de Memória Ferroviária Guilherme Maganhato guilherme@grupozcomunica.com.br
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Prefeitura de Iperó está pedindo doações para a montagem do Centro de Memória Ferroviária. O pedido veio através da página oficial no Facebook, e pede que sejam fornecidos itens como quepes, uniformes, capacetes, lanternas, picotadores de bilhetes, passagens, bilhetes, carteiras funcionais, holerites, fotografias e quaisquer outros objetos ou documentos que tenham relação com a ferrovia. “O Centro de Memória Ferroviária de Iperó funcionará na estação ferroviária. Todas as doações devem ser entregues à Secretaria de Meio Rural, Ambiente e Turismo (SERAT). O
endereço é Rua Pedro Rezende Almeida, 25, Jardim Joseli”, informa a nota. A ideia nasceu graças a um acordo de cooperação técnica, entre a Associação Movimento de Preservação Ferroviária do Trecho Sorocabana, com sede em Sorocaba, e a Prefeitura de Iperó. Nesta parceria, a Prefeitura cedeu a Estação de Trem, enquanto a Associação vai disponibilizar pessoal capacitado para atender à população. “Por que um centro de memória, e não um museu? Porque todo projeto de museu, nasce como centro de memória. Legalmente, você só pode ter museu se houver um museólogo. Nossa intenção é, em uma etapa futura, poder agregar isso também”, destaca Eric Mantuan, 27 anos, presidente da Associação. Segundo Eric, a intenção é que o Centro de Memória seja implantado ainda esse ano, graças à colaboração dos iperoenses. “A associação tem um acervo de locomotiva, carro de passageiros, entre outro itens, tudo cedido pelo governo federal. Nosso papel é catalogar todas as doações, de acordo com sua importância histórica e até indicar à Prefeitura quais órgãos podem ter esse acervo também”, afirma. O jornalista explica que o município teve uma grande importância estadual com sua linha férrea. “Iperó foi um dos maiores entroncamentos ferroviários do Estado. O trem que partia de São Paulo para Presidente Epitácio passava por aqui e, ainda, uma linha se iniciava em Iperó e ia até Itararé, onde se ligava com uma rede que percorria o Paraná e Santa Catarina. No mapa ferroviário do Estado, Iperó
sempre teve uma importância muito grande, tanto de carga, como de passageiros”. O grande sonho da Associação é reviver uma linha de trem turística, de Sorocaba a Iperó, passando pela Fazenda Ipanema. “Essa é uma bandeira que a gente não quer deixar morrer, embora seja viável somente a médio prazo. Queremos possibilitar isso, além do
trem turístico entre Sorocaba e Votorantim”. Ainda segundo informações da Prefeitura, as doações ao Centro de Memória serão catalogadas e, no caso de fotografias, serão digitalizadas e devolvidas aos donos. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3266-3694 ou através do e-mail serat@ipero. sp.gov.br.
Em março, 24 novas vagas de emprego são criadas em Iperó
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e acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), aponta que, no mês de março, 24 novas vagas de emprego foram criadas em Iperó. Além disso, somente um setor fechou março com saldo negativo. Segundo os dados, a Indústria foi o setor que mais contratou no fim do primeiro trimestre: foram 71 pessoas contratadas e 59 demitidas, totalizando 12 novas vagas. O setor de Serviços ficou em segundo lugar, com 11 vagas criadas, já que foram 19 contratações e oito demissões. O Comércio também fechou positivo no mês de março, com três vagas criadas, já que foram 16 admissões e 13 desligamentos. A Construção Civil contratou três, mas desligou duas pessoas. A Extrativa Mineral admitiu e demitiu uma pessoa, enquanto que o setor de Serviços Industriais de Utilidade Pública, e a Administração Pública, não contrataram, nem demitiram. Somente a Agro-
pecuária teve saldo negativo, pois não contratou no mês de março, e demitiu três. No total, segundo o CAGED, foram 110 contratações em toda Iperó, contra 86 demissões. No ano Pode se fazer uma avaliação positiva, também, se analisados os números levando em consideração os últimos 12 meses. No acumulado, é o setor de Serviços que mais cresceu: foram 305 vagas criadas. Em segundo lugar fica a Indústria, com a criação de 108 vagas. A Agropecuária ficou em terceiro lugar, com sete vagas criadas, seguido pelo setor de Serviços Industriais de Utilidades Públicas, com seis vagas, e o Comércio, com cinco vagas criadas no saldo dos últimos 12 meses. A Extrativa Mineral contratou e demitiu dez pessoas, e a Administração Pública não contratou, nem demitiu. Neste período, somente o Construção Civil encolheu: foram 18 vagas fechadas em 12 meses.
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Em 13 sessões, vereadores pedem trocas de lâmpadas 59 vezes Guilherme Maganhato guilherme@grupozcomunica.com.br
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indicação é um instrumento que um vereador pode utilizar para solicitar uma ação rápida da Prefeitura, em relação a algum problema. Pode-se pedir, por exemplo, a instalação de placas de trânsito, melhorias nos asfalto ou pintura de ruas. E, somente nesse ano, em 13 sessões, decorridas em quatro meses, a Câmara de Iperó solicitou 59 vezes que lâmpadas queimadas fossem substituídas. Esta é um dos pedidos mais frequentes feitos pelos 11 vereadores. O levantamento da reportagem constatou que somente em uma sessão, não foi apresentado nenhum pedido. Na primeira sessão do ano, por exemplo, no dia 16 de janeiro, foram apresentados cinco pedidos, sendo um do vereador João Antonio Domingos dos Santos (PP), dois de Sergio Poli (PV) e outros dois de Valter Rodrigues (PV). Já na segunda sessão, foram três pedidos, sendo um de Benildo Santos Ribeiro (PV) e outros dois de João Antonio. A terceira sessão da Câmara foi, até agora, a que mais teve indicações de trocas de lâmpadas: 11, no total, sendo três do vereador Joel Francisco de Almeida (PSDB), 4 de João Antônio, dois pedidos de Edvani Zardeto (PR) e outros dois de Angelo Valário Sobrinho (PTB). O que chama atenção, ainda, é que em um dos pedidos – a indicação 57/2018, de João Antonio – cita quatro ruas: São Bento, Adib Eid,
Mauá, Francisco Gameiro, Orlando Sartorelli e avenida Brasil. Além disso, vias como a avenida Emílio Guazzeli, a própria avenida Brasil, além de bairros mais afastados, como Bacaetava e Nova Era, são os que mais aparecem entre as solicitações. Falta de controle Para alguns vereadores, o alto número de pedidos de trocas de lâmpadas acontece por uma falta de controle da Prefeitura. Para Luiz Fernando Paula Leite (MDB), o Fernando Daki, “a Prefeitura precisaria fazer a aquisição de um veículo e colocar funcionários da própria Prefeitura. Além de reduzir o custo, seria mais eficiente”. Isso porque, segundo o parlamentar, o Executivo contrata empresas para fazerem a troca. “Eu acredito que a empresa que ganha esse processo licitatório, aí espera juntar alguns pedidos, para poder viabilizar”, explica. “Se você pega um caminhão básico, que vai pagar entre R$ 100 mil, no máximo, e coloca 2 ou 3 profissionais para isso, que já tem no quadro da Prefeitura, seria melhor”. O presidente da Câmara, Sérgio Poli (PV) compartilha da mesma opinião de Daki. “No governo Dilma, foi passado para os municípios tomarem conta das lâmpadas. Normalmente chega para todos os vereadores, até na própria Prefeitura. Eu até sugeri, em uma das sessões, que a Prefeitura tivesse um carro próprio com uma esqueça para fazer isso”. Ele conta, ainda, que na região de George Oette-
rer, onde Sérgio Poli atua, há o pedido de troca de dez lâmpadas. Resposta A Prefeitura de Iperó foi procurada e, em nota, não esclareceu qual empresa faz a troca de lâmpadas, nem qual foi o processo de contratação, mas afirmou que “atualmente está em andamento um processo de licitação para novas ações relacionadas à manutenção da iluminação pública, onde a Prefeitura está buscando aprimorar e ampliar os serviços em todo o município”. Ainda segundo a nota, entre janeiro e abril deste ano, foram realiza-
das 148 trocas de lâmpadas gasto R$ 19,2 mil com a manutenção do sistema. Questionada sobre o valor de cada lâmpada, a Prefeitura informou que os valores das lâmpadas variam de acordo com a potência elétrica. “O fato de uma determinada lâmpada não acender, não significa necessariamente que o problema é com a lâmpada. Pode haver problemas com os reatores, fotocélulas ou fiações elétricas. São esses atendimentos que a Prefeitura realiza, visando o correto funcionamento do sistema”. No site oficial da Prefeitura, ainda, há um campo onde o munícipe pode registrar o pedido de troca de lâmpada.
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Vitor Lippi visita George Oetterer para anunciar recursos O Entre os benefícios está a assinatura do convênio para o asfalto da estrada do Ipatinga, ligação entre Sorocaba e o bairro de Iperó
deputado federal Vitor Lippi esteve em Iperó, visitando George Oetterer, e vistoriando os serviços realizados com recursos indicados pelo deputado ao bairro. Desde o início do mandato, em 2015, Lippi tem o maior número de emendas parlamentares encaminhadas para a cidade, um repasse garantido de mais de R$ 4 milhões
para a prefeitura executar obras. “Sempre tive muita proximidade com Iperó, desde os tempos em que fui prefeito de Sorocaba, e agora estamos começando a ver o reflexo do trabalho. As principais ruas receberam novo asfalto, uma verba que eu conquistei para a cidade junto ao Ministério das Cidades. Estamos acompanhando os detalhes
para a entrega do Posto de Saúde do Vileta e, claro, o asfalto da estrada do Ipatinga. Nossa prioridade absoluta aqui.“, concluiu Vitor Lippi. Ao todo, o ex-prefeito de Sorocaba garantiu mais investimento para a compra de equipamentos para a UBS Campos Vileta, recursos para a revitalização do trevo de acesso do bairro de George Oetterer e mais R$ 2 milhões para o início da obra de asfalto da estrada que liga Iperó
e Sorocaba. Para o deputado federal, o início das obras tem que acontecer o mais rápido possível. “Estivemos conversando com o prefeito Vanderlei e contamos com o apoio dos técnicos da Prefeitura para enfrentar todo o trâmite burocrático o mais rapidamente possível. Queremos iniciar a licitação da estrada do Ipatinga ainda este ano”, argumentou Vitor Lippi, médico de formação.
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DIA DAS MÃES: Quando a vocação maternal prevalece sobre a profissional Guilherme Maganhato guilherme@grupozcomunica.com.br
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estir as calças, camisa, botinas e, na cintura, uma arma. Este é, basicamente, o uniforme de trabalho de quem compõe a Guarda Civil Municipal (GCM) de Iperó. No entanto, no caso de Priscila Cristiane dos Santos Neves, e de Luciana de Moraes, a farda da GCM tem um peso ainda maior. As duas são mães, e revelam como a experiência da maternidade influencia no dia a dia da profissão. Priscila tem 37 anos, e é moradora do Jardim Irene. Ela tem duas filhas, uma de sete, e outra de 13 anos, e entrou para a corporação depois de ser mãe. “Eu era da área da saúde, e sempre achei essa profissão bonita. Então eu me divorciei e conheci meu atual esposo, que é da Guarda há 18 anos. Ele me incentivou, eu prestei o concurso, e passei. É uma profissão em que posso ajudar as pessoas”, ressalta. Toda vez que saio de casa para trabalhar, Priscila tem um objetivo: proporcionar segurança à população.“Não deixa de ser uma profissão de risco, mas eu dando o meu melhor, posso fazer com que minhas filhas, futuramente, possam ter mais segurança. É um trabalho de formiguinha”, destaca. Priscila conta que as meninas apoiam a profissão da mãe, e
que sua atividade ajuda muito na educação. “Minha mente sempre foi muito bem focada. Eu procuro mostrar sempre para elas o certo e o errado. É o que eu posso passar para elas, sempre orientar. Ainda mais a gente, que tem uma convivência maior com a criminalidade”. Equilíbrio No entanto, ser mãe e atuar na Guarda Civil Municipal também traz outras implicações. Priscila conta que já se deparou com ocorrências que, como mãe, a afetaram mais. “Eu estava na delegacia, apresentando uma ocorrência, quando a Polícia Militar chegou com um outro caso, de abuso a uma criança de três meses. É uma coisa que choca a gente. Quando se é mãe, a gente se coloca no lugar daquela situação”. E para poder encontrar o equilíbrio e não deixar que o trabalho afete em sua vida pessoal, Priscila recorre à religião. “Eu vou na igreja, sou evangélica, então eu procuro colocar Deus em primeiro lugar. Converso com Ele e peço para ele tirar sentimentos ruins de mim. Se a gente não souber e não conseguir separar, não dá para ficar na profissão muito tempo”. Já na convivência com as filhas, a rotina, para Priscila, não atrapalha. “Eu tenho uma escala boa: se eu trabalho hoje de manhã, no dia seguinte, só entro à noite, e
depois tenho dois dias de folga. Dá para ficar bastante com elas”. Insegurança Mas, quem está nessa profissão também sofre com a insegurança. É o caso de Luciana, na corporação há dez anos, e uma filha de cinco. Mãe solteira, Luciana mora em Tatuí e tem jornada dupla: trabalha na Guarda Civil Municipal de Iperó e é enfermeira no município vizinho. “Quando engravidei, minha vida mudou bastante. Passei a atuar na parte interna, por causa dos riscos, e trabalhei até cinco dias antes da minha filha nascer. Hoje penso mais nos riscos que posso correr”, afirma. Luciana conta que não hesita em agir em uma ocorrência, mas sempre pensa no futuro de sua filha.“A gente sai da nossa casa, deixando nossos filhos sendo cuidados por outras pessoas, para cuidar de alguém que a gente não conhece. Eu penso em sair da GCM, porque o risco, hoje, é para ela”. A Guarda lembra de uma ocorrência em que atuou: uma perseguição a bandidos, em um carro roubado, em uma área rural da cidade. “A gente sabia que podia encontrar com eles a qualquer momento, e que poderia ter uma troca de tiros e eu ser baleada. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi minha filha”, lembra. Na ocasião, os bandidos foram abordados por outros guardas, que estavam em uma outra viatura, em apoio à ocorrência. “A partir do momento que você está nessa profissão, mesmo à paisana, você corre o risco. Tem pessoas lá atrás, que se lembram de mim, e dentro de uma possibilidade, podem querer vingança”. A história de Priscila e Luciana mostra como o instinto materno, quando unido à vida profissional, pode causar diversas influências. Mesmo com pensamentos diferentes, uma coisa não se pode negar: ser mãe sempre vai ser a atividade principal de uma mulher – e isso sempre será motivo de orgulho.
Luciana mora em Tatuí e tem jornada dupla
Priscila é moradora do Jardim Irene
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