GENTE QUE FAZ
O professor ideal
Feliz Dia dos Pais “só o impossível acontece. o possível apenas se repete ...” (Poeta Chacal)
Edição 293
José André é o professor ideal, pelo retrato que me fizeram alguns de seus ex-alunos. Certamente irá contestar esta frase, mas quando por acaso perguntei a uma de suas ex-alunas se ela tinha um exemplo de “paizão” para homenagearmos neste dia dos pais de 2022, ela não pestanejou: “tenho!” E me fez encontrar este que deixa o clima da sala de aula com uma atmosfera onde professores e alunos interagem continuamente. Criam vínculos relacionais entre eles, necessários para uma vida de sala de aula agradável - bem-estar de cada um e bem-estar do grupo de classe - adequado para aprender, baseado no bom relacionamento, na segurança, na justiça e no pertencimento. Seus alunos acreditam que em suas aulas existem boa autoestima, coesão grupal e respeito. O professor age através de seus valores, suas atitudes, seus gestos profissionais, além disso é muito simpático, falante, empolgado - gosta do que faz e mostra isso no afeto que demonstra para os seus pupilos. Sigmund Freud evoca três “profissões impossíveis”: cuidar, educar, governar. Profissões impossíveis porque profissões humanas acima de tudo; e, portanto, intervêm em um campo onde o desejo de agir e a necessidade de resultados devem ser abordados com humilde ambição. Nesses ofícios, o resultado da ação realizada não depende apenas da competência do ator principal, mas também de quem aceita recebê-lo, apropriar-se dele e persegui-lo. Assim, ao contrário de tantas outras profissões, nestas o know-how profissional não é suficiente. O poder de ação do educador não é nada sem a capacidade de resposta do aluno. O processo de fabricação de qualquer objeto moldado é passivo - a ação de tratar, governar ou educar é antes de tudo uma aventura de co-elaboração. Entre todas as profissões humanas consideradas “impossíveis”, as profissões da educação ocupam um lugar especial no espaço social. Situadas na fronteira entre um dentro e um fora, no limite entre um antes e um depois, na ruptura entre o eu e o outro, suas ações se dedicam a dar espaço; o educador trabalha para ampliar o número daqueles que podem se beneficiar de direitos ou recursos materiais ou intelectuais. José André não só passa o conteúdo, ele ajuda adolescentes a encontrar seu lugar na vida. Ninguém cresce ou “se vira” sozinho, e o dever de transmissão é a primeira responsabilidade do educador; este é um requisito para a sobrevivência de sua espécie como humana. Essa capacidade de transmissão não é inata, a posição de educador é adquirida pelo empenho. Aquele que acompanha o crescimento de outro se apodera do tempo em suas três etapas: o passado, o presente e o futuro. A competência essencial do educador reside na sua capacidade de enlaçar o momento presente da relação educativa ao passado e ao futuro. O pai encontra seu filho, o mestre seu aluno quando estão construindo sua própria trajetória. Conversando um pouquinho com José André entendi essa alegria de Maryah e de Rafael. Vi nele o encontro de educador e pai, portanto: feliz dia dos pais, José André. Que continue moldando gente, estamos precisando. Júnia Botelho Homenagem Jornal Vale Vivo
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