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A IDADE DA ALIENAÇÃO - edição n.º 22 jornal SBNL

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A IDADE DA Se Bem Nos Lembramos n.⁰ 22 Escola Secundária Vitorino Nemésio

SBNL

novembro 2023

ALIENAÇÃO

N.º1 NO PAÍS


CONCURSO NACIONAL DE JORNAIS ESCOLARES

N.º1 NO PAÍS 22/23


A ERA DA ALIENAÇÃO Jornal Se Bem Nos Lembramos edição n.º 22 | novembro 2023 ESVN


ndice Escola 8

notícias

10

eleição da estudantes

13

astronauta por um dia

16

uma série de acontecimentos improváveis que me levrarm de volta a casa

22

interpretação do tema do parlamento dos jovens: educação e democracia

associação

de

Política 23

o associativismo é importante para a sociedade

26

os jovens política?

estão

fartos

da

Tecnologia 30

o os jovens e as tecnologias

32

diz lá a verdade, já usaste o chat GPT?

34

porque é que os portugueses leem tão pouco?


Crítica 35

the last of us part II e o ciclo de vingança

Escrita Criativa 38

o beijo na testa

39

bandung

40

o teu cais

41

o meu mar

42

o alienista

43

intocável, inalcançável

44

i’m not a romantic...

Recomendações 45

de muse: edição dos anos 60

46

entre linhas

49

entre linhas: especial booktok

51 Ficha Técnica


alienação. Uma figura estranha num espaço escuro. (editorial)

A alienação é uma quebra, uma desconexão. É uma palavra pouco usada por nós mas uma ideia que está permanentemente ao nosso lado e dentro de nós. Hoje, os mais pobres estão alienados, os mais fracos estão alienados, nós estamos alienados dos outros, os outros estão alienados de nós, e mais, nós estamos alienados de nós próprios. Na Terra, parece ser mais difícil saber quem é de facto humano, em todas as suas definições exclusivas, do que apontar quem é alien, porque na diferença se encontra um pretexto para a desconexão. E quanto mais a tecnologia nos invade, quanto mais nos dividimos por trás de bandeiras, símbolos e outros escudos, mais nos perdemos dentro de nós próprios. No nosso interior, é mais difícil saber o que é de facto certo e nosso, em todas as suas definições contraditórias, do que rejeitar o que é errado. No fim de contas, quanto mais tudo se acelera, mais a realidade se perde numa absurdez irreal. Da mesma forma que o fruto da terra e o fruto da pessoa foram perdidos e transformados por meio da indústria e da técnica, a lógica é perdida e manipulada e tornada em caos.

A alienação é uma indústria porque a desconexão da realidade é uma indústria. E como toda a industrialização que já se viu, a alienação é uma técnica, é um método, e portanto é tida por mãos humanas.


Estamos nas mãos dos outros. Seria errado dizer que o comum mortal tem poder sobre estes problemas a nível planetário, e é também errado dizer que há alguém neste mundo com poder total sobre estes problemas (embora existam, de facto, riquezas tão grandes que não estarão muito longe disso). A alienação é, no fundo, algo cultural, porque a cultura será A Grande Condicionante de todos os fenómenos sociais. Isto é, está fora das mãos do indíviduo e descansa sobre as costas do coletivo, porque nenhuma mudança pode ser feita por um e toda a mudança é influenciada por esse um. Simultaneamente, o coletivo se tem partido em indivíduos - a cultura humana é cada vez mais individualista, e tudo o que remete e comunidade é repelido e rejeitado (digamos que o capitalismo é coletivo-fóbico e tem medo de modos tão simples de organização social como os sindicatos, e esta evolução causada e fomentada pelas suas principais cabeças). Talvez não seja exagerado dizer que a cultura se encontra agora com um novo paradoxo: individualiza-se, mas é, por definição, uma característica do coletivo. Termino reiterando a importância deste tema. Alien já não é o outro. Todos nós somos, de alguma forma, alienados.

Ana B. Pereira


ESCOLA

Dia mundial da alimentação

imagem: @vinemesio via instagram

No passado dia 16 de outubro, a Saúde Escolar comemorou o Dia Mundial da Alimentação.

A Saúde Escolar dinamizou a montagem de uma mesa de lanches saudáveis no bar da ESVN. Os alimentos foram disponibilizados gratuitamente graças ao apoio das empresas BioAzórica, Hipermercado Continente, Pomar da Ilha, Fruter Açores, Unicol, Quinta dos Açores, Padaria Délia Martins, Pronicol e Supermercado Guarita.


9

Jornal SBNL vence 1.º prémio a nível nacional

imagem: Público na Escola

No passado dia 31 de outubro o jornal SBNL foi premiado com o 1.º lugar, na sua categoria, do Concurso Nacional de Jornais Escolares no valor de 2000 euros.

Consulta a notícia completa em: https://www.publico.pt/publico-na-escola. Após conquistar o 2.º lugar da mesma competição no ano anterior, o jornal da nossa escola é novamente destacado nesta iniciativa do PÚBLICO na Escola. A cerimónia de entrega de prémios dar-se-á no dia 5 de dezembro, no auditório do Público, em Lisboa.


ESCOLA

Eleição da Associação de Estudantes de 2023, com testemunhos de António Alves e Rafaela Ramalho O que faltou, conselhos para próximos candidatos, abate dívida, e muito mais.

Entrámos em contacto com o presidente da lista C, António Alves, e com a atual presidente da AE, Rafaela Ramalho, para lhes colocar algumas questões:

imagem: @ae_esvn24 no instagram

No dia 9 de outubro começou a campanha das listas para Associação de Estudantes do ano 2023/2024. De um lado, a lista S que tinha como presidente Rafaela Ramalho, e, do outro lado, a lista C que tinha como presidente António Alves. Nesta semana, destacaram-se alguns momentos como as atuações de Waze, Rafael Martini entre outros e também o debate na quarta-feira, dia 11 de outubro. No dia 13 de outubro, foi o dia de votação, onde se verificou que a lista S foi a grande vencedora com 334 votos; a lista C obteve 182 votos. As eleições foram também marcadas por uma taxa de participação de cerca de 67%.

os da


Que lição retiras desta semana de campanha?

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AA: “Esta semana foi incrível, onde pude ver o que é estar à frente de uma lista para a associação de estudantes. Foi uma semana onde nos divertimos todos e onde aprendi muitas lições que irei certamente levar comigo durante toda a minha vida. Vi que o “estar à frente de uma lista” não é só dar a nossa cara, mas sim perceber que tipo de problemas existem na nossa comunidade escolar e como os podemos resolver. Retiro também, o facto de, apesar não termos sido a lista eleita, continuaremos a trabalhar em prol da escola, independentemente do cargo que ocupamos dentro da comunidade escolar.”

O que achas que faltou para conseguires ser a lista vencedora?

imagem: @lista.cesvn no instagram

Se tivesses de dar um conselho a quem quer criar uma lista, qual seria? AA: Criar uma lista é sempre um processo difícil e cheio de imprevistos, mas não deixem que isso vos impeça de o fazer. A vossa lista deverá ser diversificada e composta por alunos interessados e dedicados a fazer o bem pela comunidade escolar, pois no final de tudo é pela comunidade escolar e pelo bem da mesma que nos candidatamos à associação de estudantes.”

AA: “A perda de uma eleição é sempre um momento de aprendizagem, não consigo dizer ao certo o que faltou, talvez tenhamos sido pouco claros, ou talvez não conseguimos que as nossas medidas chegassem aos ouvidos de todos, nunca saberemos. Desde cedo fui membro de listas escolares, e nem sempre se ganha, e é nas nossas derrotas que conseguimos ver o que podemos melhorar para a próxima vez. Apesar do resultado, não posso deixar de agradecer a todos os que votaram em nós e acreditaram que seríamos a lista certa a vencer e a todos os que me acompanharam e apoiaram durante a semana de campanha e a preparação para a mesma. Queria deixar também um voto de congratulação à nova associação de estudantes da nossa escola e votos de um excelente trabalho para o bem da comunidade escolar.”

O que achas que foi determinante nesta semana de campanha?

RR.“A meu ver os aspetos mais determinantes nesta semana de campanha foram a relação que conseguimos estabelecer com os alunos, baseada na empatia, alegria, amizade e espírito de equipa entre todos, tendo tornado a semana de campanha num especial momento de confraternização e convívio.”


ESCOLA O que te levou a criar uma lista? RR:“Desde que comecei a frequentar a nossa escola secundária Vitorino Nemésio apercebi-me do valor e da importância do papel da Associação de Estudantes, afinal de contas este é o órgão que representa os alunos e é a sua voz. Por estes motivos, para mim, não fazia sentido encerrar este ciclo sem tentar viver esta experiência e poder fazer algo pela comunidade escolar.” Considerando uma das questões mais frequentes da comunidade escolar, o que pensa fazer para balancear o orçamento tendo em conta a dívida da Associação de Estudantes e o desejo de fazer baile de finalistas do nono e do décimo segundo ano?

E foi assim que se passou mais uma semana de listas para a AE. Congratulamos a lista vencedora e também a vencida pelo trabalho feito.

imagem: @ae_esvn24 no instagram

RR: “O orçamento da Associação de Estudantes está planeado e dividido em duas partes. Uma delas focar-se-á na angariação de fundos para a dívida da AE para com o Banco Montepio, pretendemos organizar eventos como takeaways, no intuito de angariar o valor suficiente para poder abater esta dívida. A outra parte garantirá que este trabalho não interfira no comprimento das propostas por nós apresentadas, sejam elas mais ou menos dispendiosas. Um exemplo é exatamente a dinamização dos bailes de finalistas. O baile de finalistas do 9º ano tem um intuito diferente do baile do 12º, Apesar de ambos terem visão para festejar o encerramento de um ciclo e início de outro, o baile do 9º ano seria muito menos complexo, queremos que os alunos tenham um momento de convívio e confraternização.

Relativamente ao baile de finalistas do 12º, a AE pretende manter as tradições dos anos anteriores. Há que ter em conta que toda a dinâmica da organização e dinamização dos bailes serão custos da AE, o que trará mais trabalho e responsabilidade, no entanto foi a solução que encontramos para conseguirmos cumprir todos os nossos objetivos com sucesso.”

Pedro Calca


13

astro nauta por um dia Sou o Rodrigo Correia, estudante sa ESVN e sou embaixador do Zero-G Portugal- Astronauta por um dia, Classe 2023. Entrei num concurso onde se inscreveram 552 jovens e fomos 30 os selecionados ao longo de várias etapas de testes, com o objetivo de participar num voo parabólico que simula a gravidade zero. A minha experiência deste voo foi extraordinária, nunca imaginei descolar-me do chão com um toque do mindinho. É uma sensação diferente, difícil de explicar, num segundo estamos colados ao chão e no outro a levitar no meio da aeronave.

imagem: zerogportugal.pt

Os sentidos ficam desorientados e confesso que no início dá um pouco de medo, ficar sem noção do cima ou baixo é algo que causa um "micropânico" até começar-mos a desfrutar da situação. O meu conselho a qualquer jovem entre os 14 e os 18 anos que esteja a ler isto é que participe na próxima edição. É uma experiência única e não tens nada a perder, para poderes "voar", só tens que arriscar. Podes obter mais informações no site da Zero-G Portugal: www.zerogportugal.pt

Rodrigo Correia


ESCOLA

imagem: cortesia de Francisco Cabral

A campanha Zero-G Portugal – Astronauta Por Um Dia, é uma iniciativa da Agência Espacial Portuguesa que dá a oportunidade a 30 estudantes de experienciarem condições de microgravidade, simulando a sensação que os astronautas vivenciam no espaço. Através de várias etapas de seleção são eleitos 30 finalistas, dos 14 aos 18 anos, que têm a possibilidade singular de realizar um voo de gravidade zero a bordo do Airbus A310 da Novespace. Depois de concorrer ao programa no ano passado e não chegar ao fim, tentei novamente e fiquei nos finalistas desta 2ª edição. Apesar de ter grandes expectativas, nunca esperei que a sensação de não sentir o peso do próprio corpo fosse tão incrível e única.

Porém, para chegar ao fim deste percurso é necessário passar as quatro etapas de seleção e os desafios que são apresentados nas mesmas. Na edição deste ano foram submetidas 552 candidaturas para 30 vagas disponíveis. Na primeira fase de seleção é pedido a submeter um pequeno vídeo no qual te apresentas e falas sobre ti. Podes falar dos teus interesses, motivações, objetivos e outras informações. Após este processo, qualificam 250 candidatos à segunda fase, sendo desta vez avaliadas as tuas capacidades de memória, velocidade e raciocínio espacial. Na terceira etapa, qualificaram 125 jovens e foi avaliada a tua aptidão física. Por fim os 60 aspirantes a Astronautas por um dia são avaliados numa entrevista, por videoconferência. Mesmo estando algo nervoso com todo o processo de seleção acabei por gostar muito de todo o percurso, que terminou no voo, e de ir conhecendo todos os outros candidatos. Durante o voo parabólico, os pilotos realizam uma manobra específica, a manobra parabólica, para recriar a sensação de estar em gravidade zero dentro do avião durante 22 segundos. São necessários três pilotos para manobrarem este avião tendo cada um funções muito específicas durante o voo. A manobra parabólica é repetida várias vezes durante o voo e está divida em três estágios: pull-up, a parábola e o pull-out. No pull-up os pilotos levantam o nariz do A310 Zero-G Airbus fazendo um ângulo de 50 graus, permitindo que a aeronave


15 transite de voo horizontal para uma subida acentuada. Os passageiros experienciam 1,8 vezes a atração gravítica da Terra, ou seja, se pesares 60kg, durante esta fase, vais sentir que pesas perto de 108kg. Esta sensação chama-se hipergravidade e dura aproximadamente 20 segundos. Após esta fase segue-se a parábola. Enquanto a aeronave continua a subir, os pilotos reduzem a aceleração e o avião entra numa trajetória descendente. A sensação de zero gravidade começa quando o avião inicia a queda livre e dura 22 segundos. No pull-out (iniciando-se com o avião inclinado para baixo) o nariz do avião é inclinado 42 graus para cima retomando uma trajetória horizontal, antes dos pilotos aumentarem gradualmente a velocidade e estabilizarem o voo. Neste momento, entre parábolas, voltamos a sentir a gravidade da Terra. Em Beja, cidade que nos acolheu para a realização do voo parabólico, passámos três dias que serviram para a nossa aprendizagem, mas também foi a oportunidade de criar laços fortes com todos os outros finalistas. Foi incrível passar aqueles dias na Base Aérea n.º 11 junto de tantas pessoas interessantes e dinâmicas! Algo que foi bastante positivo na experiência foi conhecer tantos jovens com interesses ou objetivos semelhantes aos meus. Foi também uma honra conhecer e conviver com verdadeiros astronautas e aprender física, fisiologia de voo, entre outros temas, com os nossos instrutores de voo. Por exemplo, a minha instrutora,

Laura André Boyet trabalha para a ESA e Novespace e acompanha astronautas em parte da sua preparação antes das missões. Outra personalidade que integrou o programa foi o astronauta JeanFrançois Clervoy que já realizou três missões no Space Shuttle da NASA e, por fim, o astronauta Matthias Maurer que permaneceu 176 dias, 2 horas e 39 minutos a bordo da Estação Espacial Internacional. Toda a experiência e convívio com estas pessoas tornou esta iniciativa uma oportunidade única na minha vida.

São iniciativas como esta que introduzem o espaço na vida dos jovens e alimentam o sonho de um dia existir um astronauta português. Ainda mais, independentemente da área ou profissão que queres seguir, não perdes nada em candidatar-te a esta experiência incrível.

imagem: cortesia de Francisco Cabral

Francisco Cabral aluno da ESJEA


ESCOLA

Uma série de acontecimentos improváveis que me levaram de volta a casa Pode-se imaginar a minha surpresa quando me deparei no hemisfério sul, a cerca de 14 270 quilómetros de casa. Para ser mais específica, estava na Indonésia, o arquipélago mais populoso do mundo, a maior comunidade islâmica do globo e talvez aquele sítio que menos esperava visitar na minha vidinha de açoriana. Tudo isto começou quase acidentalmente. Inscrevi-me nas Olimpíadas da Geografia porque é um hábito meu inscrever-me em todas as Olimpíadas que se apresentam, e era “só um teste de escolha múltipla”. Algumas semanas mais tarde, deparo-me com um formulário do Google com cerca de 40 questões de dar um nó na cabeça. Exigia muito da cultura geral, de matéria da disciplina de Geografia com que eu nunca tinha contactado, e de conjeturas com base em informação limitada, para além de

uma quantia exorbitante de neurónios. Serei honesta: pela questão número 30, comecei a fazer aquilo um pouco à sorte, porque estava exausta e com certeza, pensava, não passaria daquele teste. As classificações mais tarde mostraram que esta tinha sido a melhor prova dos Açores, e, portanto, eu tinha-me qualificado para a 1.ª eliminatória da fase nacional das Olimpíadas da Geografia, a realizar no final de maio de 2023, na Universidade do Minho. Impedi-me a mim própria de reconhecer o tamanho desta minha conquista. Apenas quando entrei nas salas do Instituto de Ciências Sociais, no polo de Guimarães da UM, e vi todas aquelas caras sérias, num grupo composto por estudantes mais velhos e professores continentais vestidos a rigor, é que, por assim dizer, me caiu o peso do mundo às costas. Pensei, claro, “Se passar à próxima sdfghjhgfd


17 eliminatória é um milagre”. Enverguei a minha melhor cara de intelectual inexpressiva e mais uma vez sentei-me em frente a um computador onde se exibia um formulário. Desta vez, eram só 30 questões e, entretanto, nos meses que tinham passado, já ganhara muita mais bagagem de conhecimento geográfico nas aulas, para além de alguns tipos de gráfico que estive a desenhar no voo para o Porto. Passei por aquelas questões com a determinação de um Aquiles, cada clique em “Próxima página” era como um tiro de pistola; eu era o cowboy que mandava no faroeste, mais! eu era um CEO a arrombar com as empresas concorrentes e o meu monopólio estava no horizonte! Pensei em tudo o que me poderia encher de algum tipo de confiança, nem que fosse através de alguma fantasia, e terminei o teste em meia hora, ainda com mais de metade da prova por decorrer. Em vez de clicar em “anterior” para rever as minhas respostas com calma, cliquei em “Submeter”. O meu futuro estava selado pela força de um tremelique de dedo e saí da sala de exame de peito aberto, como se tivesse ido tudo de acordo com o plano.

Durante o tempo em que esperei pelos restantes concorrentes acabarem a prova, contei toda esta saga psicológica ao professor que me acompanhou, o professor João Santos, o meu geógrafo da guarda durante todo este processo. Se tudo tinha sido, logo desde a primeira fase, uma partida do destino, que me tentava fazer subir as expectativas, não estava a funcionar. Pensei em tudo o que me poderia encher de algum tipo de confiança, nem que fosse através de alguma fantasia, e terminei o teste em meia hora, ainda com mais de metade da prova por decorrer. Em vez de clicar em “anterior” para rever as minhas respostas com calma, cliquei em “Submeter”. O meu futuro estava selado pela força de um tremelique de dedo e saí da sala de exame de peito aberto, como se tivesse ido tudo de acordo com o plano. Durante o tempo em que esperei pelos restantes concorrentes acabarem a prova, contei toda esta saga psicológica ao professor que me acompanhou, o professor João Santos, o meu geógrafo da guarda durante todo este processo. Se tudo tinha sido, logo desde a primeira fase, uma partida do destino, que me tentava fazer subir as expectativas, não estava a funcionar.


ESCOLA Os resultados tinham sido tão bons que não tinham passado apenas 5, como estava escrito no regulamento, mas sim 8 participantes. Passei. Passei em 7.º lugar - desempatei com o 8.º porque fui mais rápida. O professor João Santos deverá lembrar-se que eu, num momento baixo, não estava nada entusiasmada para continuar. Ora, devo apelar à empatia do leitor, e à sua imaginação, para que comece por entender o meu estado psicológico de sofrimento. Uma vez mais, teria de fazer frente a uma prova assustadora, com fome e sono - verdade seja dita, as mais desafiadoras limitações fisiológicas do adolescente contemporâneo - e, novamente, convencidíssima que o máximo que conseguiria conquistar seria o desapontamento. Uma vez mais o fiz, e saí daquela sala de testes, depois de bem mais de uma hora, com algum alívio e o sentimento de missão cumprida, porque mesmo sob pressão, os resultados refletem o que sei fazer. Entrámos pela última vez numa das salas do Instituto. Anunciariam os resultados do último para o primeiro lugar, de entre os 8 qualificados à segunda fase. Chamaram um, e outro e mais outro nome, mas não o meu. Mais outro nome, e outro, mas nenhuma Ana nem nenhuma Beatriz. Eu e dois colegas foram chamados para a frente da sala: estava no pódio. “Bem, devo ter ficado no 3.º lugar!”. Chamaram o 3.º lugar: João Santana, de Olhão, no Algarve.

Ganhei. 1.º lugar. Açores, Terceira, no primeiro lugar. Praia da Vitória, Vitorino a caminho das Olimpíadas Internacionais da Geografia. Dizer que foi uma surpresa seria minimizar a reação do professor João, e a minha também. O 2.º lugar, Konstantin Esik, a quem mais tarde chamaria Kostya, disse que tinha a impressão de que eu ia ganhar, e eu igualmente dele.

Passou-se maio, e começámos junho, e ir à fase Internacional, na Indonésia, mostrou-se uma empresa improvável. Não parecia haver maneira de cobrir os custos. A escola não o podia fazer e a maior parte dos patrocínios tinham sido esgotados na viagem a Guimarães, para além de que era totalmente impossível para a minha família. Se não tivesse sido a indignação da professora Rosa Pinto, presidente do Conselho Executivo da escola, ao ouvir que eu não conseguiria representar Portugal, que a fez ligar diretamente a um órgão do Governo Regional dos Açores, talvez esta história acabasse por aqui. A certa altura, a professora ligou-me e confirmou que havia viagem, havia dinheiro, portanto havia Açores na Indonésia, Terceira em Java. É claro que os meus agradecimentos se dirigem à professora Rosa, permanente guardiã dos méritos da Vitorino Nemésio, e também ao senhor professor António Bulcão, que efetivou o patrocínio da minha participação nas Olimpíadas Internacionais.


19 Passaportes, vacinas, autorizações, notários, videoconferências, roamings internacionais, roupas modestas, algodões, expectativas; assim se passaram os dias até 6 de agosto, quando parti de madrugada para Lisboa e me reuni com a equipa portuguesa nas Olimpíadas Internacionais da Geografia que, ao entrar num voo de 6 horas e meia rumo ao Dubai, automaticamente se tornou na Team Portugal da IGeo 2023. João Santana, novamente em ação, Konstantin Esik, vindo direitinho de Torres Vedras com um brilhante passaporte russo, professora Margarida Marques, alfacinha, sempre, e eu, de bandeira azul e branca na mão. O que nos poderia parar? 14 horas e 30 de avião e mais 3 de autocarro, sem dúvida. Apesar de tudo, chegamos a Jacarta, metrópole vibrante e escaldante do hemisfério sul, na província com o mesmo nome, relativamente pouco distante do litoral da ilha de Java.

Pelas autoestradas afastámo-nos do mar em direção à província de Java Ocidental, Jawa Barat, casa de 50 milhões de pessoas, e acabámos a nossa longa viagem na via principal da cidade de Bandung, rua Braga (sim, Braga). Pusemo-nos logo à conversa com as outras equipas. A Arménia, que tinha tido meses sem fim de preparação, o Canadá, que não fugiu à expectativa e era simpaticíssima, China-Macau, que nos mostraram a arquitetura portuguesa da sua cidade, Indonésia, que partilharam a felicidade de serem anfitriões de todo o mundo, Hungria, onde descobri mais um russo depois de lhe dizer que partilhava o nome com uma personagem da obra de Dostoievski, e a quem ensinámos, para horror deles, a cantar o “Ó malhão, malhão”, Tunísia, que logo reconheceu o azulejo azul no nosso uniforme de equipa, Estados Unidos da América, em que um dos team leaders era casado com uma lisboeta, e, claro, Brasil, que tentaram, sem sucesso, imitar o nosso sotaque europeu.

Team Portugal e a respetiva LO, a Afiny!


ESCOLA Não nos podemos esquecer da Tailândia, que chegou de fato, mas logo se mostrou tão simpática, e Suíça, onde estava escondido um brasileiro e entre os quais adotámos um falante de alemão que ouviu com paciência a “história do frango” (que, infelizmente, não posso partilhar aqui). Tive a atenção de dizer sempre que sou dos Açores, e não só de Portugal, e para muitas equipas, que vinham sobretudo das capitais, foi uma surpresa. E a bandeira azul e branca nunca me abandonou. Há um sentimento de orgulho muito específico com que se fica quando se entra nestes espaços internacionais. Numa conversa, procuramos normalmente o que temos de diferentes dos demais, porque é isso que temos a acrescentar à discussão. Portanto, o tema de conversa que nos representa tende a ser o conjunto das coisas que nos são mais mundanas e desinteressantes quando em casa. Neste tipo de espaços pacíficos internacionais, a diferença é mais fator de união do que exclusão; por alguma razão não passámos muito tempo com os franceses, ainda menos com os ingleses, nem com os holandeses, belgas ou polacos. Aproximava-se a hora dos testes, a derradeira prova da Geografia. Primeiro, um teste escrito; fácil, certo? Faço muitos destes na escola. Errado. Totalmente errado. Durante três horas, o meu raciocínio irrompeu pelas folhas adiante, que nunca pareciam acabar. Em segundo lugar, o teste de trabalho de campo, que ocupou um dia inteiro. Foram-nos tirados os telemóveis e não podíamos falar com a nossa equipa nem com os

nossos colegas. Enquanto muitos dos outros participantes pareciam estar a enfrentar esta experiência curiosa, o medo, com hesitação, eu vinha de uma prova nacional violenta, mesmo que menos completa ou menos exigentes que outras provas nacionais. Se sabia, escrevia com confiança; se não sabia, fazia como um bom geógrafo e inventava (deduzia, quero eu dizer). Foram nestas longas e cansativas horas que pude ter orgulho e sentir, nos interstícios da escrutinação, a calma que me andava a fugir desde que começara esta viagem com aquele icónico google forms. Isto porque o stresse é língua franca, e eu já me dava neste assunto. Escrevi, escrevi, escrevi, não tive medo de escrever. Em terceiro e último lugar, o teste multimédia, em que o Forms foi substituído pelo Power Point (podemos ir longe, mas nunca mais longe que uma gigante multinacional) que passou como um sopro de vento: foi agradável, foi rápido acima de tudo. Não obstante toda as atividades que nos prepararam e a inquietação para saber os resultados, também os últimos dias da IGeo passaram como uma brisa, e, sem nos apercebermos


21 bem de como, estávamos sentados na cerimónia de encerramento. Chamaram nomes, e chamaram nomes, e, desta vez, não chamaram o nosso. Rimo-nos na plateia, como bons portugueses, que já esperávamos todo este desfecho. Como bons portugueses, gritamos pelos nossos amigos que subiam ao palco com medalhas de bronze, prata e ouro. Ficámos histéricos quando anunciaram que a vencedora era uma nossa parceira da Team Thailand, e ainda mais quando a equipa com a melhor pontuação total era a da Roménia, aquela do rapaz que perguntara se teria direito a pausas para fumar durante o trabalho de campo. Voltámos a Portugal de mãos vazias e coração cheio. Nunca a derrota tinha sido tão fácil. Recentemente, tive a honra de apresentar o meu testemunho da IGeo no Encontro Nacional de Professores de Geografia, e logo no início do meu discurso sublinhei que tinha, efetivamente, ficado em 1.º lugar a nível nacional. “Porque o mais habitual é pensarmos que dos Açores não sai nada de bom” e fui interrompida por aplausos, não por ser eu a dizê-lo, mas por todos os insulares presentes já o terem sentido, por saberem que é verdade e quererem assinalar uma denúncia honesta. Muitos dos continentais que eu conheço parecem ter gosto em dizer que não é verdade, que os açorianos, na realidade, não são diminuídos em Portugal continental. Contudo, nenhuma destas pessoas já foi uma pequena criança caída de paraquedas no Porto, nem a única

representação dos Açores numa competição nacional, nem um trabalhador ou estudante deslocado em Lisboa. Oh, que claro é agora! Relembro toda a convulsão de emoções que me assoberbou durante as Olimpíadas Nacionais, relembro-as como medo de mim mesma, e só nestes momentos sobe à tona a sua origem. Medo de mim mesma, açoriana acima de tudo. Medo da soma das minhas fraquezas e das assunções dos demais. Medo de ser tida como alienígena. Em vez disso, recupero as lembranças das conversas ao jantar em Bandung, quando o mundo me rodeava e se sentava em volta da mesma mesa que eu. Grata por ser diferente. Grata por ter o que dar. Grata por ser algo, livre e novo. Estou de volta. Por fim, falta-me expressar o mais curioso: foi necessário ir ao outro lado do mundo para poder amar o sítio de onde vim. Afinal, a saudade é o sentimento português porque só longe de casa conhecemos o seu aconchego, e só sem os Açores percebo que não faço sentido sem eles.

Ana B. Pereira


POLÍTICA

Interpretação do tema do Parlamento dos Jovens educação & democracia A Revolução de Abril de 1974 teve um impacto profundo na educação em Portugal. O novo regime democrático, inspirado nos ideais de liberdade, igualdade e justiça social, promoveu uma série de reformas educacionais que visavam a democratização do ensino e a promoção da igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. De facto, o governo democrático tomou medidas na área da educação, como a extensão da escolaridade obrigatória para nove anos, incluindo o secundário; a criação de um sistema de ensino público gratuito e universal, independentemente da condição social dos alunos e, ainda, medidas para a promoção da igualdade de género no acesso ao ensino com, por exemplo, a criação de quotas para mulheres nos cursos superiores. Além disso, a Revolução promoveu um clima de abertura e debate na sociedade portuguesa, em que os professores e os alunos passaram a ter maior liberdade para discutir temas controversos e para participar na vida da escola. A Revolução de Abril é, portanto, um marco importante na história da educação em Portugal, que contribuiu para a redução das desigualdades sociais no acesso ao ensino.

Mas afinal, quais são os caminhos para uma escola participativa e plural nos dias de hoje após o 25 de Abril? São aqueles que promovem a valorização e diversidade de toda a comunidade escolar. São aqueles que fazem das escolas espaços de participação ativa de todos os seus membros e, ainda, aqueles que promovem o respeito pelas diferenças. É óbvio que é um processo que requer esforço e tempo, mas é um processo necessário de forma que as escolas possam ser realmente um espaço com diversidade, mas, ao mesmo tempo, com igualdade e respeito. No entanto, nem tudo é adquirido. Apesar de todo o progresso que este acontecimento trouxe ao nosso país, ainda prevalecem alguns problemas na área de educação. A falta de atractividade da profissão de docente, devido às más condições de trabalho, é visível, afastando possíveis candidatos a professores, e, ainda, adicionado ao envelhecimento da classe docente, provoca a redução da qualidade do ensino. Em último caso, esta situação pode dificultar a boa preparação das gerações futuras, e isto é algo inaceitável e preocupante. Outro aspeto importante a referir. Antigamente, toda a evolução da tecnologia era salutar nas escolas.


23

AMOR RESPEITO LIBERDADE

Contudo, nos dias de hoje, temos vindo a alterar esse pensamento, na medida em que é notável que quanto mais tempo as pessoas passam expostas a ecrãs, mais o impacto é negativo quanto ao desenvolvimento cognitivo nas crianças e nos jovens, nomeadamente a falta de concentração. Menos conseguem estar atentos por longos períodos e mais perdem a capacidade de raciocínio. Este é um assunto complexo e controverso, mas que nos deve pôr a pensar: Será que a evolução das tecnologias tem impacto no sucesso académico dos alunos? Este tema proposto pelo Parlamento dos Jovens pretende, de facto, discutir a forma como a educação pode contribuir para a promoção da pluralidade e da participação na escola. Sendo que a escola deve ser um lugar onde os alunos possam desenvolver as suas competências críticas e o seu espírito cívico, para que possam participar ativamente na sociedade. Na minha opinião, algumas questões que devem ser discutidas no âmbito desse tema são “Quais os problemas presentes no ensino?”; “O que se pode fazer para que a escola seja, realmente, um elevador social?”, em que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, independentemente da sua origem socioeconómica, e “Quais as soluções para resolver as adversidades prevalecentes na educação?” Em suma, considero o tema proposto pelo Parlamento dos Jovens oportuno e relevante, pois permite aos jovens refletir sobre o papel da educação na construção de uma sociedade não só justa, mas também promotora do sucesso e da emancipação das pessoas.

Catarina Frederico


POLÍTICA

O associativismo é importante para a sociedade? O que é o associativismo? Segundo a minha interpretação da definição de associativismo da câmara municipal de Montijo e de outras fontes, o associativismo é uma expressão organizada da sociedade que apela à responsabilização e intervenção dos cidadãos em várias dimensões da vida social.

Qual a importância do associativismo e das associações? O associativismo é importante pois cria uma proximidade entre um grupo de duas ou mais pessoas que têm algo em comum, seja isso conhecimentos ou a sua atividade, portanto juntam-se, não sendo isso para benefício próprio. Uma associação é um movimento no qual as pessoas se agrupam e convivem em torno de interesses comuns, construindo assim entidades com personalidade jurídica e com o objetivo de praticar a entreajuda e cooperar. As associações resultam sempre de um esforço comum de todos os participantes, primeiramente os

fundadores e seguidamente todos os associados, independentemente do nível de responsabilidade do cargo. Embora a criação de uma associação dependa sempre de um esforço comum, existem associações com os mais diversificados fins, com objetivos diferentes, levando a que existam muitos tipos de associações diferentes (culturais, recreativas, desportivas, de defesa do ambiente e património, desenvolvimento local, estudantes, moradores, pais, entre outras...)

O associativismo é para a sociedade?

importante

Após o esclarecimento destas duas questões, vou expressar a minha opinião sobre este tópico. Depois de uma breve pesquisa, conclui que sim, o associativismo é importante para a sociedade. As associações têm um papel útil na sociedade atual. Atualmente, as associações têm muita importância pois aproximam as pessoas e permitem muitas vezes a comunicação cara a cara, o que, especialmente entre os jovens é


25 extremamente importante para melhorar as capacidades de comunicação, por exemplo nas associações de estudantes, de jovens ou de defesa do ambiente, que é um tópico que é cada vez mais relevante para as populações jovens. As associações têm inúmeros efeitos positivos na sociedade atual, como melhoram a proximidade entre cidadãos e populações, trabalham em prol de um bem maior e de um objetivo comum a todos os associados. O associativismo também favorece a democracia, visto que tem em conta diversas opiniões, de várias pessoas das mais variadas etnias e grupos sociais e com diferentes valores e princípios, que muitas vezes apenas partilham o interesse por aquilo que as juntou numa determinada associação. O associativismo é importante a nível político e na representação social de certos grupos sociais mais vulneráveis e geralmente injustiçados. Muitas vezes, a participação em associações sem fins lucrativos é benéfica para os associados em termos de desenvolvimento e realização pessoal, devido ao sentimento de trabalho para uma boa causa, mas também para todos os envolvidos que serão beneficiados devido ao trabalho realizado pelos participantes dessa associação. Em conclusão, acredito que sim, o associativismo tem um papel importante para a sociedade e pode ter um papel de destaque na vida das pessoas, especialmente das mais vulneráveis e dos jovens.

Inês Bettencourt


POLÍTICA

Os jovens estão fartos da política? A política representa um conceito bastante amplo, fazendo parte da vida de cada indivíduo diariamente – apesar de por vezes não termos consciência –, quer através dos jornais ou da televisão, quer através das manifestações ou até mesmo de certas “conversas de café” que vamos ouvindo por aí. É, no entanto, a meu ver, uma temática pela qual os jovens manifestam cada vez menos o seu interesse, por diversas razões. Em primeiro lugar, os jovens têm vindo a demonstrar pouca curiosidade relativamente ao tema, pois associam a sua conceção a algo aborrecido e, pior, inútil. A grande maioria pensa com veemência que a política é um assunto apenas para os adultos, chato e de pouca relevância,

e no qual não se devem envolver de forma alguma. Um motivo plausível para tal será a associação da palavra “política” a problemas. Com as discussões entre membros da família, conhecidos ou comentadores televisivos, grande parte dos jovens desinteressa--se por considerar este tema, por assim dizer, sensível, e que só gera “chatices”. Basicamente, é, para eles, preferível ignorar a sua existência do que confrontá--la.Por outro lado, é de salientar que há e haverá sempre exceções à regra, nomeadamente aqueles que, ao invés de acharem que brigas e discussões representam situações que devem por bem ser evitadas, as consideram extremamente interessantes e procuram inclusive escutar com atenção ou até participar nas mesmas.


27 Por exemplo, há bastantes jovens que procuram ter um papel ativo na política e, por associação, na sociedade, inscrevendo-se em juventudes partidárias das suas regiões como é o caso da Juventude Socialista (JS) e da Juventude Social Democrata (JSD), consoante aqueles que consideram ser os seus princípios ideológicos (apesar de os mesmos estarem em constante mudança, acompanhando o crescimento destes jovens, e de ser impossível alguém concordar a 100% com algum partido). Esta questão da participação ativa na sociedade por parte deste infelizmente pequeno grupo de jovens é uma ponte para outro tópico, que acaba por ainda estar relacionado com o referido anteriormente: a construção mental daquilo que é a política. Para além da ideia de aborrecimento, destacam-se as opiniões de quem pensa que a política – um assunto tão abrangente e intimamente ligado a cada um de nós, de uma forma ou de outra –, não passa de um conjunto de lengalengas e de pessoas engravatadas que sabem usar “palavras caras”. Como na maior parte das vezes é necessário fazer alguma pesquisa ou simplesmente uma espécie de exercício mental para entender certas formas de expor argumentos daqueles a que chamamos políticos, os jovens acabam por aborrecer-se e desistir de “tentar entender” (algo que está diretamente relacionado com o incremento do hábito da inércia, sobretudo).

Porém, a política é muito mais do que isso: é um conjunto de, não só partidos, mas também pessoas e leis que nos representam a todos nós. Política é sinónimo de debate, de sociedade, de povo… Por alguma razão vivemos numa democracia, onde nos permitem escolher os nossos representantes. A política é simultaneamente atual e arcaica, pois remonta à época da Grécia Antiga: é uma palavra que tem origem no vocábulo politéia, utilizado para expor todos os assuntos associados à pólis (cidadeestado grega) e à vida em comunidade. Assim sendo, constatamos de imediato que o conceito de política diz respeito não só a políticos e a leis, mas também a questões meramente triviais que são tão importantes para todos nós, enquanto cidadãos. .


POLÍTICA Em segundo lugar, apesar de tudo isto, considero que este desinteresse também é característico da maior parte dos jovens devido à educação que têm na escola e em casa. Na escola, porque impera no nosso sistema de ensino atual uma grande desinformação sobre o tema em questão – ou porque não há tempo para o abordar em disciplinas como a Cidadania e Desenvolvimento ou porque simplesmente os alunos também não se pronunciam relativamente ao assunto, deixandose ficar com possíveis dúvidas que poderiam eventualmente colocar a um professor e não propondo nas várias assembleias em que participam (associações de estudantes, reuniões de conselhos de turma, etc.) palestras esclarecedoras.

Em casa, é perfeitamente normal que também não possuam as ferramentas necessárias que lhes permitiriam estar à vontade com esta matéria, principalmente os filhos de quem se abstém. A ridícula abstenção em Portugal apenas prova que os adultos não diferem muito dos jovens, na medida em que mantêm atitudes como ignorar assuntos de caráter tão significativo. Por último, mas não menos importante, considero que este desinteresse por parte de certos jovens (nomeadamente os mais envolvidos na referida temática) também é causado por atividades como o Parlamento de Jovens ou Associações de Estudantes, visto que muitos ficam como que “traumatizados” por serem derrotados ou por viverem algumas injustiças características da política. Por exemplo, isto acontece com frequência quando uma lista poderia ter tanta ou mais capacidade do que a que obteve a vitória, mas teve menos votos simplesmente porque tinha “menos gente popular” ou até mesmo porque o debate não correu exatamente como planeado.


29 Em casa, é perfeitamente normal que também não possuam as ferramentas necessárias que lhes permitiriam estar à vontade com esta matéria, principalmente os filhos de quem se abstém. A ridícula abstenção em Portugal apenas prova que os adultos não diferem muito dos jovens, na medida em que mantêm atitudes como ignorar assuntos de caráter tão significativo. Por último, mas não menos importante, considero que este desinteresse por parte de certos jovens (nomeadamente os mais envolvidos na referida temática) também é causado por atividades como o Parlamento de Jovens ou Associações de Estudantes, visto que muitos ficam como que “traumatizados” por serem derrotados ou por viverem algumas injustiças características da política. Por exemplo, isto acontece com frequência quando uma lista poderia ter tanta ou mais capacidade do que a que obteve a vitória, mas teve menos votos simplesmente porque tinha “menos gente popular” ou até mesmo porque o debate não correu exatamente como planeado. Todavia, continuam a existir sempre aqueles que realmente querem e têm prazer em fazer a diferença e em contribuir para um mundo melhor, mais inclusivo e com mais liberdade, seja na sua escola ou através de outros meios que lhes sejam alcançáveis. Fontes: https://mooc.campusvirtual.fiocruz.br/r ea/inovacao_medicamentos/conceito_d e_poltica.html

Catarina Costa


TECNOLOGIA

Os jovens & as tecnologias A relação entre os jovens e as tecnologias tem vindo a revelar-se, na minha opinião, cada vez mais prejudicial, constituindo uma das maiores problemáticas da nossa atualidade.

Em primeiro lugar, eu considero que as habilidades e personalidades das crianças e dos adolescentes são cada vez mais condicionadas pelas novas tecnologias, uma vez que a nossa juventude não consegue viver sem as mesmas, isto é, elas tornaram-se numa dependência incontrolável, em grande parte dos casos. Por exemplo, muitas vezes os jovens encontram-se nas salas de aula e não conseguem parar de pensar no telemóvel – nos jogos que poderiam estar a jogar, nas mensagens que têm para responder, etc. –, o que cria um enorme sentimento de ansiedade e até mesmo de angústia. Em segundo, as tecnologias trouxeram os “amigos digitais”, ou seja, as pessoas com as quais podemos dialogar através da Internet. Assim sendo, os amigos em carne e osso passaram a ter, muito regularmente, um papel secundário. xdcfghjhgfdfghbngfd

Por exemplo, é rara a criança que hoje em dia não prefere jogar jogos online como o Roblox, ao invés de brincar às escondidas ou à apanhada com “amigos a sério”, o que é bastante contraproducente ao seu desenvolvimento, nomeadamente ao nível social, já que é, para muitos, uma dificuldade olhar nos olhos dos outros, defender a sua opinião num debate ou até mesmo manter uma simples conversa. Em terceiro, as inovações tecnológicas como a Inteligência Artificial, apesar de terem bastantes benefícios e de serem excelentes ferramentas, são utilizadas com intenções caracterizadas pela carência de busca pelo progresso. Refiro-me, sobretudo, aos jovens que fazem trabalhos inteiros através da Inteligência Artificial, o que faz com que os mesmos não pensem e, consequentemente, cresçam cada vez


31 mais ignorantes, alheios ao que se passa ao seu redor. Por último, mas não menos importante, as tecnologias têm sido uma das principais causas do sedentarismo dos jovens, que preferem navegar pela Internet e pelas redes sociais, em vez de praticarem exercício físico. Por exemplo, em tempos idos era regular encontrar vizinhos a brincar e a correr na rua e pelos jardins depois das aulas, o que não se verifica atualmente, pois os jovens têm outras distrações associadas a estas inovações tecnológicas.

Para concluir, os jovens assumem amiúde o seu vício nas novas tecnologias, que os têm tornado menos ativos mentalmente, socialmente e fisicamente.

Catarina Costa


TECN0L0G1A

Diz lá a verdade, já usaste o chat GPT?

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Hipoteticamente, naquela aula de português, aquela em que olhas para o manual e apercebeste que não ouviste uma única palavra que o professor disse nos últimos vinte minutos, já te passou pela cabeça usar AI para te ajudar a orientar as ideias? Claro que, há uns anos atrás, esta questão nem nos passaria pela cabeça, sendo uma identidade virtual capaz de conceber uma consciência própria apenas um produto dos mais magníficos filmes de ficção científica. Será que o Matrix ou o Terminator previram parcialmente o futuro? Independentemente de tal, melhor será abordar a questão de qual é o papel que a Inteligência Artifical irá ter no nosso ensino e no desempenho académico dos alunos.


33 Primeiramente, ao meu humilde ver, esta funcionalidade que nos é agora oferecida é deveras útil e não creio que haja algum problema de usufruirmos dela para as simples necessidades do dia a dia. Parágrafos introdutórios, pequenas mensagens e até quando a preguiça fala mais alto e não nos apetece fazer scroll até à quarta página de pesquisa do Google, em busca de uma informação que aparentemente não existe; esta ferramenta apela à natureza “malandra” humana (o que te certifica que o que acabaste de ler foi escrito por mim?). Também é evidente que alguns dos benefícios do uso da AI pela comunidade escolar são o desenvolvimento da qualidade e eficiência da educação, sempre como complemento e exclusivamente com transparência e responsabilidade. Afinal, a transparência e responsabilidade são as características fundamentais de qualquer banal aluno português… Brincadeiras à parte, a minha costela de artista não é cega aos problemas que a utilização de AI pode vir a trazer à arte - a substituição da criatividade humana - e ao dilema dos direitos de autor. Os AI são alimentados por tudo aquilo que conseguem encontrar na internet, tal que a infinita base de dados que lhes é disponibilizada torna-se um buffet sem limites de informação. Se aquilo que por eles nos é oferecido provém do que já existe, não será, no fundo, como copiar? E será que estamos a perder a liberdade de publicarmos algo na internet sem perder a nossos direitos sobre essa propriedade? Além desta desvantagem, também a

interação humana é capaz de diminuir exponencialmente ao adotar este recurso. Alguns alunos, especialmente os que têm dificuldades ao nível da comunicação, iriam normalmente preferir uma componente tecnológica, em vez de perguntar ou recorrer a um professor ou colega. Ainda mais, isto pode levar ao acesso prevenível a informações incorretas.

Realço ainda os possíveis problemas de privacidade que podem vir a surgir desta situação, visto que a AI pode armazenar e compartilhar dados pessoais dos estudantes. Contudo, isto é comum não apenas nestes serviços, mas também nas redes sociais. Podemos dizer que é uma inconveniência do mundo digital.

Por fim, sim, continuarei a usar estas ferramentas quando delas necessitar, a minha posição quanto a este assunto é tão complicada como a questão em si. São diversos os pontos positivos e negativos que virão ao de cima quanto à inteligência artificial, porém deixo esta pergunta: Quando é que podemos dizer que a inteligência artificial foi longe demais? Não deveríamos parar antes que isto descarrilhe?

Beatriz Silveira


TECNOLOGIA

Porque é que os portugueses leem tão pouco? Quais os benefícios dos hábitos de leitura? Metade da população portuguesa não tem hábitos de leitura, isto é uma realidade que está diretamente relacionada com a educação, cultura, família e recursos socioeconómicos. Em primeiro lugar, isto deve-se aos portugueses passarem o seu tempo a trabalhar ou estudar na internet, uma vez que todos os recursos necessários estão apresentados em formato digital, não sendo preciso recorrer a meios literários tais como livros informacionais, jornais, entre outros. Estes também passam o seu tempo qualitativo em atividades de lazer proporcionadas pela variedade de opções que a Internet fornece, já que passou a ser uma fonte necessária para o dia a dia e uma vez que tudo o que se precisa está a um passo de um clique. Além disso, os mais assíduos leitores normalmente são os que foram influenciados com hábitos de leitura por parte familiar, sendo desde pequenos induzidos com idas a bibliotecas, feiras e também presenteados com livros e com a leitura dos mesmos.

Isto quer dizer que, por outro lado, quem não teve este privilégio, terá mais dificuldade a adquirir o hábito de leitura, embora a escola tente proporcionar-lhes tais benefícios. Ainda mais, a falta de tempo, interesse, preferência por outras atividades e recursos socioeconómicos contribuem para enormes desigualdades culturais. Em conclusão, os portugueses que têm hábitos literários têm mais capacidade de pensar, produzir, têm um conhecimento ampliado, raciocínio estimulado, criatividade, vocabulário superior, pensamento crítico e próprio do que os que não tem costumes de ler. Contudo, este grupo de leitores é pequeno, pelo que é fundamental entender este fenómeno e as suas consequências.

Leonor Borba


CRÍTICA

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The Last of Us Part II e o ciclo da vingança O vídeo-jogo “The Last of Us” foi lançado em 2013 e mesmo sendo um jogo de ação-aventura, o que mais se destaca é a história. Desde já aviso que, este texto contém “spoilers” enormes sobre a história, pelo que prossigam sob seu próprio risco. Estamos num mundo pós-apocalíptico onde, um fungo mutante transforma as pessoas em monstros canibais; a personagem principal, Joel, é um contrabandista encarregado de levar uma rapariga, Ellie, ao outro lado dos E.U.A., numa missão à procura de um grupo resistente. Durante a jornada destas duas personagens, assistimos à amizade que se vai desenvolvendo entre elas; Joel, que perdeu a sua filha no início do apocalipse, começa a tratar Ellie como sua filha e Ellie, órfã, também começa a ver Joel como uma figura paterna. Estas duas personagens passam por imensos eventos e conflitos, que as aproxima.

A muito esperada sequela deste jogo “The Last of Us Part II”, saiu em 2020. É considerado um dos jogos mais visualmente deslumbrantes da sua geração. O aspeto visual é absolutamente imersivo, com mudanças de atmosfera ao longo da narrativa. A estética é única e sombria, fazendo-nos pensar que estamos mesmo a viver num mundo de caos e decadência. Para também não falar da jogabilidade, do pormenor aos detalhes, das personagens cruas e realistas, dos atores fenomenais, da trilha sonora extraordinária, e da representação inclusiva… Além disso, como no primeiro, a história foi brilhante. Desenrola-se após cinco anos, centrando-se em Ellie, agora uma jovem mulher, e Abby, uma nova personagem. Passado pouco tempo, Ellie descobre que Abby e o seu grupo, mataram Joel.

imagem: playstation.pt


CRÍTICA Com este acontecimento, nós (os jogadores) e Ellie, ficamos furiosos com esta mulher, que nos tirou a pessoa que tanto adorávamos. Ellie parte, então, numa missão de vingança, levando muito tempo para encontrar Abby, e enfrentando muitos perigos, mas também questionando as escolhas que faz e as consequências da sua sede de vingança. Quando, finalmente, ficamos cara a cara, com a mulher que procurávamos, o jogo obriganos a mudar a perspetiva, fazendonos voltar a jogar, mas, agora, na pele de Abby, a personagem perseguida e assim aprendemos que ela tinha as suas próprias razões para fazer o que fez a Joel. Depois de sabermos isto, começamos a sentir mais empatia por Abby, a ponto de queremos que ela sobreviva. Neste momento, o jogador encontra-se em completo desacordo com as personagens, não querendo matar nenhuma, pois conhece o ponto de vista de ambas e sabe que esta luta só vai causar cada vez mais dor. Ellie não aguenta a culpa que sente por saber que, a mulher que matou o seu pai, ainda está viva e, por isso, deixa tudo para poder perseguir Abby, apesar da nossa vontade, ser que Ellie perceba que esse não é o caminho certo, e que devia voltar para o que resta da sua família, mas ela está completamente transtornada e dividida, vendo-se, na cara dela, que sabe que não deve fazer isto, mas não consegue parar.

Neste momento, o jogador encontra-se em completo desacordo com as personagens, não querendo matar nenhuma, pois conhece o ponto de vista de ambas e sabe que esta luta só vai causar cada vez mais dor. Ellie não aguenta a culpa que sente por saber que, a mulher que matou o seu pai, ainda está viva e, por isso, deixa tudo para poder perseguir Abby, apesar da nossa vontade, ser que Ellie perceba que esse não é o caminho certo, e que devia voltar para o que resta da sua família, mas ela está completamente transtornada e dividida, vendo-se, na cara dela, que sabe que não deve fazer isto, mas não consegue parar. A este ponto, nem queremos controlar a personagem de Ellie, pois não queremos matar Abby, mas ela não a consegue perdoar e quando, finalmente, está com a oportunidade de vingar o seu pai, percebemos que Ellie não está feliz, está a chorar, horrorizada com o que está a fazer, mas lembra-se de Joel alegre, a tocar guitarra, a primeira vez que se lembra dele como o homem que realmente foi, e não como era quando morreu. No fim, Ellie liberta Abby e dizlhe para se ir embora, sendo essa a última vez que estão juntas. Numa das últimas cenas do jogo (a minha preferida), vemos Ellie e Joel a fazerem as pazes, pois estavam em conflito e concordam que tentarão perdoar-se um ao outro, com tempo.

Essa foi a última conversa deles.


37 Esta história é simplesmente perfeita. Muitas pessoas não gostaram da sequela, mas acho que não perceberam o que o jogo estava a tentar dizer. Ellie escolheu a vingança, uma forma agressiva, violenta e odiosa, de superar a perda de alguém que amamos, mas na verdade, a vingança é simplesmente uma confissão de dor. A vingança nunca é boa, porque, se ela matasse Abby, um amigo desta, viria a matar Ellie e, depois, uma amiga da Ellie, iria matar esse amigo da Abby, e continuaria a acontecer sempre a mesma coisa, num ciclo de violência sem fim. Há pessoas que também dizem que foi um desperdício Ellie voltar atrás da Abby, para, no fim, acabar por não a matar, mas não percebem que foi um desperdício desde o início. Se ela tivesse matado a Abby, o Joel continuava morto. Matá-la não iria trazê-lo de volta. No primeiro jogo, a Ellie refere que o seu maior medo é ficar sozinha e o seu maior medo tornou-se realidade, pois perdeu todas as pessoas que amava por ter seguido o caminho da vingança, numa corrida que não tem linha final.

Este jogo também mostra a importância das decisões, pois se Ellie nunca tivesse voltado atrás da Abby, esta provavelmente teria morrido e, por isso e de certa forma, acho que, ir atrás dela, foi a melhor opção, até porque se Ellie não tivesse ido, continuaria sempre a pensar em vingança e nas memórias tristes do Joel, em vez das felizes e continuaria a sentir-se culpada. Também acho que a razão pela qual Ellie ficou tão obcecada em matar Abby, foi por sentir que ela lhe roubou tempo com o Joel, e o facto de, apenas na noite anterior à morte, terem feito as pazes, fê-la sentir-se mal consigo mesma, percebendo que devia ter falado com Joel há muito mais tempo, para repor a sua relação à que era. Penso que isto também mostra que precisamos de perdoar em vez de guardar rancor, pois nunca sabemos o que vai acontecer com as pessoas que amamos.

É melhor libertar a dor, do que contê-la, para não nos tornarmos no que mais odiamos. Esta história fictícia, conta uma mensagem que acontece muitas vezes na nossa realidade. A vingança, a violência e a guerra, nem sempre são a solução e podem causar um ciclo interminável de sofrimento, perda e medo. O perdão é importantíssimo, quem tem a capacidade de perdoar a si mesmo e aos outros, tem uma força incalculável. O vitorioso não é aquele que derrama mais sangue, mas sim o que salva mais vidas. Para terminar, acho que toda a gente devia jogar, ou ver este jogo, pelo menos uma vez, pois é uma experiência fantástica, que nos faz pensar na nossa própria moral e em vários dilemas éticos. Este vídeo-jogo é, definitivamente, o meu preferido e posso falar sobre ele durante horas (acho que isso deu para perceber). Como já referi, a história é brilhante, mas não só, o jogo é amplamente elogiado pelos seus gráficos impressionantes …no fundo, é uma obra-prima. Um jogo que nunca irão esquecer.

Leonor Carvalho


ESCRITA CRIATIVA

O beijo na testa E foi naquele momento em que tu olhaste para mim e me beijaste a testa que eu me senti novamente apenas uma simples criança, igual a quando os problemas não existiam, não tínhamos de nos preocupar com nada, nem com o que os outros pensavam de nós. Quando ainda não tínhamos problemas com os nossos pais, quando aqueles pensamentos desgastantes ainda não nos invadiam a cada momento, quando as coisas ainda eram simples e não complexas, quando o nosso único problema era ter caído e esfolado o joelho e só precisávamos de um beijo na testa do nosso pai para que tudo passasse. Foi assim que me senti, como se novamente um beijo na testa resolvesse tudo, como se por leves, mas prolongados segundos todos os problemas tivessem desaparecido e só restássemos nós os dois e aquele beijo na testa.

Margarida Faria


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Bandung Uma beleza desconfortável, aceitar que o mundo é como o vemos. Um deixar aparecer o mais patético do ser humano, que não se decide por aprovação. Toda a voz já foi silêncio como antes da vida não estávamos mortos, mas isentos. Como um Deus mortal se debruça sobre o penhasco e deixa ao vento o seu destino, eu me deito sobre o alcatrão em hora de ponta. Em toda esta dança mental parada há espaço para a euforia. Uma euforia do saber, da realidade, do ter sem prender, do ver o mundo que não se entrega, que não precisa de nós. Uma beleza daquelas que nos desorienta e que nos rouba a identidade, para nossa felicidade. Uma natureza férrea e contemporânea que se ergue impessoal e tão belamente desumana, irracional e inevitável. Porque todo o indivíduo foge de si, porque todos nascemos e já sabemos que algo está errado, e tudo está errado porque todos nascemos. Nascemos sobre o que não se percebe e inventamos palavras perante um mundo inominável. Uma beleza desconfortável porque só se extrai da pobreza e da má sorte, uma beleza desconfortável porque não pode ser descrita, uma beleza desconfortável porque no indistinto da sua impessoalidade está a resposta para tudo o que assombra a criatura do ser e a sua contra-criatura, dever-ser. Está lá e é invisível, incomunicável, imperceptível. Uma beleza desconfortável porque não se dá nem se esconde, porque não responde, porque não é absoluta nem particular. Uma beleza desconfortável porque não tem sentido.

Ana B. Pereira


ESCRITA CRIATIVA Renata Godinho

O teu cais Quem nunca se perdeu? Eu já me perdi por demasiado dar.

Terá sido um lapso meu?

Espero por ti, por não saber, se vens ou se vais, se no anoitecer, se no amanhecer, mas não pretendo sair do cais.

Não pretendo daqui sair, não quero de ti esquecer. Talvez por recear novamente ver-te partir ou por medo de não te voltar a ver.

Vejo as gaivotas pousar, e fazer do cais uma curta paragem. Enquanto faço deste o meu lar, destino de mesma paisagem.

Eternamente no cais, com esperança de que um dia voltes até mim. Observo a linha do horizonte, enquanto a minha dor não tem fim.


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Renata Godinho

O meu mar Por ti ainda quero esperar, com este meu riso de tormenta. Espero por um dia em que te possa mostrar, a vista que me ausenta.

Que me ausenta deste mundo onde me sinto invulgar. Talvez um dia, lá no fundo me sinta parte deste lugar.

De ti nada sei, espero sem reclamar. Se bem que até as ondas já decorei, não me basta conformar.

De mim tudo sei, falas e deixo-me calar. Vejo agora os danos que em mim deixei bastou-me o mar pra me encontrar.


ESCRITA CRIATIVA

O alienista Sou o ladrão da minha felicidade O impostor na minha própria vida O sentimento de saudade Mesmo antes da partida

Sou o trapaceiro que caminha Pelo meio da rua deserta Vendo a essência que era minha Arraiar p`la tua mão aberta

Sou o estranho no meio dos meus O sabotador que é deslembrado Aquele a quem não dizes adeus Quando passas mesmo ao lado

Sou o aldrabão da aldeia Que vives na ilusão de ser sagrado Mas na verdade ele tem por ideia De que sempre foi o alienado

Ana M. Borges


Ela conhece o outra beira do rio

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Que lhe fora prometida à nascença

Mas eu tenho-na na mão como uma bala

Ela existe porque sempre foi certa Eu existo porque a sorte cedeu Uma existe porque eram assim as probabilidades Outra existe por alma errante que se fez nascer

Ela existe, sim, se não material Intocável Alma gémea roubada Primeiro amor perdido

Abarcadora do seio que me leva Pelas ondas que venço Até à terra em que hei de sangrar Por falta de mar, por demasiado apego

A memória do Paraíso Primeiro

Intocável, inalcançável

Ela não sabe quem eu sou

Que me assombra como doença Fraqueza derradeira que me há de matar Tão velha eu lá serei, só eu saberei: “Foi essa sorte que me tocou Essa sorte perdida que sempre procurei Essa magia do meu orgulho Essa marioneta da Justiça Foi a intocável”

Ana B. Pereira


ESCRITA CRIATIVA

i’m not a romantic... I'm not a romantic but... Love to me is all the private smiles across a crowded room Reading together in a rainy afternoon Love is seeing beauty even in the darkest parts of you

Romantic comedies were never quite my style But one day I hope to tell my child That her mother has found a love in the small things, those meant to be less than mild

I'm not much of a romantic, but love takes me as someone who is rather watched than seen Watch someone in love and you'll see that despite everything hope prevails Despite everything love will never fail

Beatriz Silveira


RECOMENDAÇÕES

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Leonor Carvalho

de muse

Edição anos 60's #1 “Eleanor Rigby” – The Beatles (Revolver), 1966 #2 “Can’t Take My Eyes Off You” – Frankie Valli (Solo), 1967 #3 “Mrs. Robinson” – Simon & Garfunkel (Bookends), 1968 #4 “Non, je ne regrette rien” – Édith Piaf (Non, je ne regrette rien), 1960 #5 “A Little Less Conversation” – Elvis Presley (Almost in Love), 1968 #6 “Aline” – Cristophe (Cristophe), 1965 #7 “Sweet Caroline” – Neil Diamond (Brother Love’s Travelling Salvation Show), 1969 #8 “Sunday Morning” – The Velvet Underground & Nico (The Velvet Underground & Nico), 1967 #9 “It’s Not Unusual” – Tom Jones (Along Came Jones), 1965 #10“(I Can’t Get No) Satisfaction” – The Rolling Stones (Out Of Our Heads), 1965 #11 “My Way” – Frank Sinatra (My Way), 1969

Os anos 60's foram uma década importantíssima para o mundo da música. Foi nestes anos que o rock ‘n’ roll cresceu e se desenvolveu, com bandas como The Beatles, The Rolling Stones e The Velvet Underground & Nico e com cantores como Simon & Garfunkel e Elvis Presley. Era impossível fazer uma lista destes anos e não os referir por causa do seu enorme impacto e influência nesta era e para o resto do século. Também adicionei as músicas “Can’t Take My Eyes off You”, “Sweet Caroline” e “It’s Not Unusual” que, não sendo rock ‘n’ rol, são canções icónicas desta época que muitas pessoas reconhecem mas não sabem quem é o cantor ou a versão original ou até pensam que são mais recentes do que realmente são. No lado mais relacionado com o tema da edição, do existencialismo, decidi pôr duas músicas francesas “Non, je ne regrette rien” e “Aline” pois elas parecem que pertencem a um filme filosófico a preto e branco e com letras fantásticas e vozes ainda melhores, acho que é impossível não apreciar estas músicas. Para acabar, claro que tinha de haver uma canção de Frank Sinatra, “My Way” (que até é uma versão de uma canção francesa “Comme d’habitude”) é a mais popular mas tem razão para o ser, porquanto, enquanto a ouvimos, ela vai crescendo e com a voz de Sinatra faz-nos querer cantar com ele e, obviamente, tornou-se um dos seus maiores clássicos. Com isto tudo, acho que dá para perceber quão fantástico os anos 60 foram e acho que precisamos de apreciar ainda mais a música deste tempo.


RECOMENDAÇÕES

entre linhas

kit básico do existencialista

“Todos os contos”, de Franz Kafka (1908-1924) Os contos do mesmo autor d’A Metamorfose percorrem a vida absurda e desorientada do homem moderno, das primeiras décadas do século XX. Num período marcado pela primeira guerra mundial e as suas consequências para a Europa, burocracia, capitalismo e exploração humana são elementos recorrentes, muitas vezes espelhando o dia a dia do escritor. No entanto, perante a incompreensibilidade do universo, as personagens de Kafka são incessantes na sua busca pelo sentido e pela lógica das coisas. A tensão narrativa dos contos, mas também de toda a sua obra, encontra-se nesta luta autoperpetuada: quanto mais o homem tenta perceber o mundo, mais absurdo lhe parece. Não obstante, há uma esperança inerente a todos os contos de Kafka.

imagem: wook.pt

O ser e a vida. O existencialismo. A alienação é um dos temas prediletos da literatura de influência existencialista, seja alienação do mundo ou do “eu”. De uma maneira mais geral, esta corrente literária, que frequentemente se confunde com o pensamento filosófico com o mesmo nome, é repleta de ponderações sobre o sentido, o significado e o valor da vida. Começou já nos tempos da obra de Fiodor Dostoievski, cujos romances questionavam a existência e a condição humana através de narrativas belamente construídas. Esta lista, de Kafka, existencialista mais maduro, pela golden age dos filósofos dos anos 60, até ao pós-moderno distópico de Philip K. Dick, é a minha prenda para o leitor: um kit básico do existencialista.


“Siddharta”, de Herman Hesse (1922) Siddharta é o livro que representa melhor a ideia que geralmente temos do existencialismo: a busca pela iluminação (enlightement). O protagonista, que dá o seu nome ao livro, procura este entendimento superior na religião, na mente, no corpo, e finalmente, depois de todas estas tentativas falhadas, no rio. Esta magnum opus de Herman Hesse deixa o leitor com a grande conclusão de que a sabedoria não pode ser transmitida, apenas encontrada por cada um.

imagem: leyaonline.com

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Vencedor do prémio Nobel da Literatura em 1968, esposo da icónica filósofa feminista Simone de Beauvoir, Sartre era o menino do existencialismo nas décadas de 50 e 60, e A Náusea é a sua primeira publicação. Escrito em forma de diário, seguimos a luta diária de Antoine Roquentin com um mundo estranho e confuso. Antoine é um historiador que, ao reconstruir a história de uma figura do passado, faz a tentativa desesperada de construir uma significância para a sua existência, acabando por rejeitar o passado e o seu vazio. Esta obra é um autêntico vaivém de afirmações e negações, culminando em algumas luzes no meio da náusea. Por exemplo, as reflexões do protagonista levam-no a concluir que a aparência das coisas é uma máscara que encobre a absurdez da sua existência. Ainda mais, concluiu que a liberdade é um peso, e cada ação do ser humano significa o sacrifício de outra possibilidade de agir. É daqui que surge a mil-vezes repetida citação, talvez a favorita dos existencialistas: “A existência precede a essência”.

O estrangeiro”, de Albert Camus(1942) O estrangeiro é um livro que gira em torno de 3 mortes e um homem europeu na Argélia francesa, Meursault

imagem: livrosdobrasil.pt

“A Náusea”, de Jean-Paul Sartre(1938)


Primeiro, a morte da sua mãe, depois, o homicídio de um argelino árabe e, por fim, a execução do protagonista por assassinato. Mersault não chora no funeral da sua mãe e confessa o seu crime sem remorso, tornando-o um estrangeiro para a sociedade, desumano. Apenas quando aguarda a sua própria execução, “acorda”. Por um lado, Camus retrata a morte como uma experiência intrinsecamente humana, porque, sendo que somos a única espécie com uma consciência da morte, estamos mais alertas para a nossa existência. Por outro lado, o autor fala-nos dos sentimentos de culpa, que dividem o homem de sociedade - amestrado - e o homem selvagem - o estrangeiro. A culpa constitui um novo tipo de Justiça na modernidade, que abandonou os castigos físicos e optou pelos psicológicos. A culpa doméstica do ser humano. No fim da sua vida, Meursault encontra paz em saber que, no fundo, nada na sua vida importou porque levaria invariavelmente à sua morte. Sente-se feliz e percebe que sempre o foi.

imagem: portoeditora.pt

RECOMENDAÇÕES

A trama de Do Androids Dream of Electric Sheep é mais conhecida pela sua adaptação para o cinema, o clássico contemporâneo Blade Runner, mas a mensagem do livro é mais complexa e bastante diferente da do filme. Um mundo distópico assolado por guerra nuclear, onde a maior parte dos seres vivos estão extintos e os humanos criaram androides humanoides que os servem como escravos. Este é o pano de fundo para uma extensa coleção de reflexões sobre a empatia - O que é? Qual o seu papel na sociedade? Será que existe mesmo? Esta história de ficção científica acaba por fazer a questão inevitável: o que é real? Qual a linha que separa o real do artificial, e porque é que isso importa? Profundamente existencialista, servindo-se de um universo fictício detalhado, o livro pede precaução na maneira como escolhemos habitar o mundo e alerta para um futuro não tão absurdo.

imagem: portoeditora.pt

“Do Androids dream of electric sheep?”, de Philip K. Dick (1968)

Ana B. Pereira


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ESPECIAL BOOKTOK Nora leva uma vida desgostosa e quando fica entre a vida e a morte dá por si numa biblioteca onde o relógio está sempre à meia-noite e onde as estantes estão todas cheias de livros. Cada um deles mostra a Nora uma possibilidade diferente da sua vida conforme cada decisão. Cada decisão marca a diferença, não importa quão pequena seja. Cada um desses livros oferece-lhe a hipótese de experimentar uma outra vida, vida essa sem os mesmos erros que ela já cometera, contudo, será que algum desses caminhos lhe proporciona uma vida mais perfeita do que aquela que conheceu? Este é um livro que nos deixa a refletir muito. Será que sonhamos tanto com a felicidade e com a vida perfeita que não a conseguimos ver exatamente debaixo do nosso nariz? Às vezes são as coisas mais simples e quotidianas que nos fazem felizes, mas só nós iremos aperceber disso quando não as tivermos.

imagem: penguinlivros.pt

A biblioteca da meia noite, de Matt Haig

Pip está a terminar o liceu e para o seu trabalho de final de ano decide investigar o caso de Andie Bell, que foi assassinada pelo seu namorado Sal, que logo a seguir se suicidou - ou pelo menos era o que todos pensavam. Tomou essa decisão pois era próxima a Sal, desde pequena, e ele sempre foi muito amável, não fazia sentido na cabeça dela ele ter feito tal coisa, como seria possível? Ao longo da história, Pip vai descobrindo vários segredos, mas tudo isso tem um custo… Este é sem dúvida dos melhores livros que li, prende-te de tal forma que é quase impossível parar de ler. Recomendo imenso a quem gosta de crime e investigação pois não conseguirá, decerto, largar o livro.

imagem: presenca.pt

O homicídio perfeito, de Holly Jackson


RECOMENDAÇÕES

imagem: portoeditora.pt

A química dos nossos corações, de Krystal Sutherland Henry Page não estava à espera de se apaixonar, contudo as coisas tornam-se um pouco diferentes após conhecer Grace quando os dois são escolhidos para coordenar o jornal. Depois de tantos anos a salvo do amor, Henry descobre como amar lhe pode trazer felicidade e tristeza tudo ao mesmo tempo e na mesma pessoa. Eu, pessoalmente, adoro este livro pois acho que foge aos romances clichês, recomendo para quem está farto de adivinhar o final pois, com certeza, que até chegar à última página nunca saberá como realmente acaba. É também um livro que de certa forma nos deixa a refletir sobre algumas áreas da vida.

Margarida Faria


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A IDADE DA ALIENAÇÃO - edição n.º 22 jornal SBNL by jornalsbnl - Issuu