JORNAL LABORATÓRIO
CENTENÁRIO
DO CURSO DE JORNALISMO
Goiânia recebe exposição dadaísta
GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2017
FUTEBOL AMERICANO
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
ANO XV
MOBILIZAÇÃO
Alunos ocupam escolas em reação à terceirização da educação estadual
Escola Municipal trabalha com inclusão de pessoas com deficiência auditiva p. 11
samambaia EDUCAÇÃO ÉTNICORACIAL
Editora de Capa LARISSA ARIEL | Criação e Design de Capa LARISSA ARIEL | Fotografia CARLOS SIQUEIRA
A ausência de discussão sobre os negros nas escolas e universidades p. 8 e 9
Alline Flores
nº 076/
Time goiano se destaca no esporte que tem virado mania nacional
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LIBRAS
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EDITORIAL
O
GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2017
- OPINIÃO -
RUMO R
SEMPRE EM FRENTE! POR Evaldo Gonçalves | DIAGRAMAÇÃO Julie Tsukada
particular permeia esta edição do Jornal Samambaia. Ela fecha um ciclo, o dos estudantes da turma de 2016 de Jornalismo Impresso II e abre o novo ano de 2017. Para abrimos o ano de 2017 e o envolvimento dos estudantes da turma de 2016 de Jornalismo Impresso II trazemos até vocês múltiplos olhares sobre nosso contexto. Dada vive! Assim nos expressamos no texto que celebra os 100 anos do revolucionário movimento dadaísta, mas não só de plasticidade vive a arte e assim ocupamos as páginas do jornal com música que se espalha por Goiânia, na Orquestra Sinfônica de Goiás e pela UFG, com o projeto de Formação de Plateias na Emac. E falando em UFG, nem só de gente (e de macacos) vive o Câmpus Samambaia. Esse tipo de questionamento levou à criação do Instituto Boitatá, cuja história contamos aqui. Os ataques à edu-
cação seguem e prosseguem, mas contra estes, mostramos saídas exitosas, como a oferecida pela Rede Federal de Educação, cujo exemplo do Colégio de Aplicação da UFG mostramos. Por outro lado, como na edição 75 que falamos sobre as religiões de matriz africana, escancaramos novamente um grito de socorro que as pessoas negras verbalizam cotidianamente. O peso que sofremos com o racismo nos dá forças para dizer que não é só em 20 de novembro, quando celebramos Zumbi, que devemos pautar as relações étnico-raciais. Os olhares tortos, os risos escondidos e até mesmo os escancarados nos perseguem. No fim do ano passado a atriz Zezé Motta contou que em toda sua carreira só foi paga para atuar em três comerciais, sendo que um deles sequer foi veiculado. A justificativa? Nossos clientes não vão aceitar sugestões de uma negra! É para superarmos situações como essa que enfrentamos nossa jornada. E, assim, ocuparemos todos os espaços com nossos corpos negros!
- CRÔNICA -
ADEUS, JORNALISMO!
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espeço-me desse ano difícil. Digo “Adeus!” não sem um quê de melancolia, não sem antes olhar pela última vez a paisagem escorada sobre os meus ombros. Despeço-me. E sei que todo mundo agora também se despede de alguma coisa, qualquer coisa que seja. “A arte de perder”, diz Elizabeth Bishop, “não é nenhum mistério”. A arte da despedida é justamente o exercício diário de aprender a perder, e perder com dignidade. Bishop perdeu o relógio da mãe, três casas amadas, duas cidades, dois rios, um continente. Sentiu falta de tudo isso, claro. Mais tarde viu que isso também não era nada sério. Observo as pessoas meu redor. Algumas dizem “Viva”, outras “Finalmente”. Estão ávidas para deixar alguma coisa, qualquer coisa no passado. Como se o ritual de fogos de artifício inspirasse a fé da renovação universal. Amanhã será
melhor. Tem de ser melhor. Precisamos acreditar nisso, senão, do que adiantaria? Particularmente, também estou exercitando a minha própria despedida. Olho ao redor: os prédios acadêmicos, fantasmagóricos, os macacos pendurados pelos pés-famintos nos mastros, os estudantes-zumbis – debaixo de óculos escuros – cansados e sonolentos demais para sorrir. Os professores que também perderam aquela “coisa” pelo caminho, desconfio que a paixão. Mais ao longe, grandes descampados soprando um avião que voa baixo, cheiro de marijuana, cheiro de pizza e refrigerante, pipocando pelos corredores afora. E eu que nunca cheguei verdadeiramente a pertencer a este lugar. Eu que nunca toquei senão a superficialidade destas arestas, destes personagens cotidianos... Despeço-me com um quê de angustia. Como se algo me escapasse.
Não sei bem dizer o que é. Talvez seja apenas a passagem do tempo, outra etapa concluída da biografia ocidental: nascer, estudar, trabalhar. Um suspiro salta do meu peito. As pessoas estão planejando férias, a deposição de um presidente, cinema, diplomas, encontros na madrugada estrangeira, goianiense. Despeço-me como se já não estivesse aqui. Como se o adeus, a única certeza da vida, a morte a última despedida, fosse o ensaio geral para as pequenas separações que praticamos diariamente.
Reprodução
POR Ana Luiza Alves | DIAGRAMAÇÃO Julie Tsukada
Óh, aquele ali em frente é o “Esteves sem metafísica”. Como por mágica ele também olhou para trás e nos viu. Estávamos todos ali nos despedindo. “Acenou-me adeus, gritei Adeus ó Esteves!, e o universo reconstruiu-se-me sem ideal, nem esperança”. Bishop não estava errada. “A arte de perder não é nenhum mistério. Por mais que pareça”, continuemos a escrever! como se isso também fosse sério.
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FIC Ano XVII - Nº 76, Fevereiro de 2017 Jornal Laboratório do curso de Jornalismo Faculdade de Informação e Comunicação Universidade Federal de Goiás
Orlando Afonso Valle do Amaral REITOR
Luciene Dias
Estudantes da disciplina Jornal Impresso II
Julie Tsukada
Estudantes da disciplina Jornal Impresso I
Angelita Pereira de Lima
COORDENADORA GERAL DO SAMAMBAIA E COORDENADORA DE PRODUÇÃO
Ângela Teixeira de Moraes
MONITORIA E SUPERVISÃO EDITORIAL
DIRETORA DA FACULDADE DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COORDENADORA DO CURSO DE JORNALISMO
EDIÇÃO EXECUTIVA E DIAGRAMAÇÃO
PRODUÇÃO
Contato - Campus Samambaia | Goiânia-GO - CEP 74001-970 | Telefone: (63) 3521-1854 - email: samambaiamonitoria@gmail.com | Versão online no issu.com/jornalsamambaia | Impressão pelo Cegraf/UFG - Tiragem de 1000 exemplares
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GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2017
-EXPRESSÃO -
100 ANOS DE DADAÍSMO RECEBEU O TÍTULO DE CAPITAL BRASILEIRA DO MOVIMENTO, QUE MARCOU ÉPOCA REPORTAGEM Amanda Lopes Sales EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
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Natália Moura
HOJE Em 2016, o dadaísmo completa cem anos. Isso não significa que o movimento exista até hoje: ele foi substituído pelo surrealismo pouco tempo depois de seu nascimento em Zurique. O que se comemora esse ano, portanto, é o legado deixado pelo movimento dadaísta, cujas principais ideias resistiram ao tempo e se concretizam no fazer artístico da contemporaneidade. O grito do dadaísmo reverberou, sobretudo, na percepção do que é arte. A possibilidade de produzir sem preocupação com a forma é uma das influências. O dada se sustenta também na crítica da própria arte. Toda manifestação cultural institucionalizada, hegemônica, normativa, é inimiga do dadaísmo. O mestre em arte e cultura visual, Renato Cirino ministrou uma oficina de cinema dadaísta, no evento Dadaspring que aconteceu em Goiânia. Para ele, o movimento influenciou de modo marcante a arte. “O dadaísmo é um movimento legítimo para a manifestação de sensibilidade”, afirmou Cirino. De acordo com ele, o
Reprodução
magine um cenário de guerra. Os corpos, os estampidos das armas, a confusão de pessoas fugindo, a devastação. Durante a segunda metade do século 20 a Europa foi abaixo com a Primeira Guerra Mundial. Quase nada se manteve intacto. Inclusive a arte. Foi sob o plano de fundo do primeiro grande conflito armado da humanidade que nasceu o dadaísmo. O movimento surge para questionar os padrões estéticos de uma sociedade obsoleta que mesmo com tamanho conhecimento científico e artístico sucumbiu a uma disputa por território. Foi na Suíça, mais especificamente Zurique, que artistas plásticos e escritores se refugiaram sob o manto de um movimento vanguardista que mudaria em definitivo o rumo da arte. O nome dessa reunião de artistas foi escolhido para reforçar a ruptura proposta. A lenda é que o poeta Tristan Tzara abriu um dicionário
em uma página aleatória e a primeira em que bateu os olhos foi ‘dada’. O significado da palavra (em francês, “cavalo”) pouco importava, o movimento já tinha nome e adeptos. A escolha do termo, que não se remete a nada formal ou metodológico, mostra a ruptura de artistas avessos a formalismos e institucionalizações.
que o diferencia de outros movimentos artísticos e o consolida no tempo é essa legitimidade. O importante para o dada não é estabelecer uma forma, mas transmitir uma mensagem por meio de uma manifestação artística. E isso nunca foi tão atual. Produzir arte é muito mais fácil hoje do que quando surgiu o dadaísmo. Sendo assim, qualquer um com uma mensagem poderia ser artista. Cirino lembra de sua área de atuação – o cinema dada. Com aparelhos
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O dadaísmo é um movimento legítimo para a manifestação de sensibilidade. RENATO CIRINO
Mestre em arte e cultura visual
smartphones e com a convergência digital (TV, cinema, rádio, livros em um único dispositivo móvel), tornouse mais fácil captar e editar imagens. Como o cinema dadaísta não exige uma forma específica, produzir conteúdo se torna o papel de quem estiver interessado, não apenas de alguns poucos especialistas. Por isso o dadaísmo deixou suas marcas na contemporaneidade, pois torna a arte palpável, acessível e concreta não apenas para ser apreciada de forma distante, mas para ser ativamente construída. Nesse aspecto o que falta à arte contemporânea não é produção, mas apreciação. Fomos ensinados que, se tudo é arte, então nada é arte. Não é bem assim. O dadaísmo prova que não. As primeiras obras dadaístas concretizavam as críticas e a irreverência do movimento na forma de colagens. Os artistas plásticos se utilizavam de jornais, papeis, objetos descartados para compor suas obras, o que, à primeira vista, causa estranhamento. Mas com uma análise mais cuidadosa é possível entender que qualquer objeto ressignificado pode ser arte. Esse objeto não é necessariamente concreto. O dadaísmo ensina que a arte pode ser o corpo, a voz, a ideia, o espaço. E, por isso, a influência do movimento raramente estará nas paredes estáticas de uma galeria. DADASPRING
Da², uma das obras expostas na exposição “Ruminescências” em Goiânia
arte, sempre regadas à música e à boemia como era típico dos dadaístas. Cem anos mais tarde, um outro Cabaré Voltaire abriria suas portas para a celebração da arte. Dessa vez, a mais de nove mil quilômetros de distância de Zurique, em pleno cerrado brasileiro. Goiânia recebeu a placa do Cabaré para comemorar o centenário, e por isso produziu um evento que foi chamado de DadaSpring. A primavera dadaísta em Goiás começou, na verdade, em 2002, na casa do artista plástico e produtor
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EM 2016, GOIÂNIA
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Em Zurique, a sede do movimento dadaísta foi batizada de Cabaré Voltaire. Era um espaço de encontro de artistas, de apresentações culturais, de discussões sobre o destino da
cultural Babidu Barboza. A casa dele foi escolhida para ser sede do Cabaré Voltaire goiano porque há mais de dez anos ela é local de encontros regados a música, performances, discussões e saraus. A semelhança com os artistas suíços não passou despercebida. O Cabaré já tinha lugar. Por isso, em 2014, com a aproximação do centenário do dadaísmo, surgiu a ideia de oficializar o Cabaré Voltaire em Goiânia e realizar um evento para celebrar as influências do movimento. A parceria entre o grupo de artistas EmpreZa e a produtora Balaio tornou possível a realização de uma semana de programação dada no planalto central do Brasil. Um dos eventos promovidos, na primavera dadaísta, em outubro de 2016, foi a exposição Ruminescências, instalada na galeria da Faculdade de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás (UFG). A exposição é composta por obras e instalações de artistas do Centro-Oeste e celebra o dadaísmo com toda sua irreverência. As obras não têm muito em comum a não ser o fato de que todas geram um estranhamento inicial. Mas a proposta é justamente essa. Uma exposição que não glorifique a forma, mas a expressão da arte por si só. Um dos curadores, o artista plástico Paul Setúbal, explicou que o nonsense que Ruminescências promove é um traço do dadaísmo. Paul conta ainda que o próprio nome da exposição foi pensado aos moldes dadaístas. A palavra Ruminescências não existe na língua portuguesa, mas junta os vocábulos ruminar e essência para dar a ideia de uma arte que promove, o tempo todo, uma reflexão sobre si mesma.
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GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2017
- MÚSICA -
MEIO-DIA NO CONCERTO Rafaella Pessoa
O ESPAÇO DA MÚSICA CLÁSSICA EM GOIÁS POR MEIO DA ORQUESTRA FILARMÔNICA REPORTAGEM Emilly Viana EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
OFG executa repertórios clássicos ao lado Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás peça são as instruções da produção do concerto para apreciar ao máximo a interpretação da obra considerada um marco no universo clássico. Se as músicas mais reproduzidas no mundo durante o ano passado não chegam a cinco minutos, a Titã promete uma hora de tirar o fôlego. Metódico, o maestro britânico Neil Thomson, regente titular e diretor artístico da OFG, ergueu a batuta, instrumento para determinar o tempo da música e suas dinâmicas, e iniciou a composição ao meio-dia – os sons da natureza presentes na melodia e o caráter dramático da obra de Mahler inspiraram o trabalho conjunto das orquestras, que deixaram Thomson boquiaberto no primeiro ensaio. Aos 50 anos, o maestro já conduziu orquestras consagradas mundialmente, como as orquestras Sinfônica e Filarmônica de Londres, e atua em Goiás desde 2014. A escolha pelo regente in-
Rafaella Pessoa
uase 50 pessoas chegaram atrasadas para o concerto da Orquestra Filarmônica de Goiás (OFG) em um domingo, segunda semana de outubro, quando o grupo se reuniu pela segunda vez no ano com os jovens da Sinfônica do Estado. Nos 17 metros do palco do Palácio da Música, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, 115 músicos tocavam Variações Sobre um Tema de Haydn, de Johannes Brahms, enquanto os atrasados esperavam do outro lado dos portões, em silêncio. Duas mulheres da administração distribuíam ficha técnica e recomendações para o público diverso: havia crianças que ainda estavam nos primeiros anos de alfabetização e servidores públicos aposentados; um fazia companhia aos dois filhos já adultos e outro levava a mãe, de 78 anos, para ouvir e ver uma orquestra ao vivo pela primeira vez. Dois rapazes, Renato e Edu, celebravam mais um mês de relacionamento - se encontraram há um ano no Teatro Goiânia, ocasião em que a orquestra tocou a Sinfonia nº 4, que Tchaikovsky compôs há 119 anos para a mulher que mudaria sua vida. Apesar de perder as sete peças de Brahms, que duraram 20 minutos, os portões se abriram para os ouvintes tardios que esperavam ansiosos pela Titã, Sinfonia n.º 1 do maestro e compositor Gustav Mahler. Silêncio, telefones desligados e aplausos apenas no final de cada
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É, para mim, a oportunidade de celebrar a riqueza da vida musical de Goiânia. NEIL THOMSON
Maestro da Orquetra Filarmônica de Goiás ternacional buscou oferecer experiência e cuidado para a orquestra que passava por um período de formação, recebendo o apoio de músicos locais e da superintendente Ana Elisa Santos. A preparação para a Titã durou uma semana. Nas apresentações dessa temporada, a OFG convidou a Orquestra Sinfônica Jovem com disposição em alcançar a capacidade máxima instrumental do repertório clássico de Mahler e levar para a plateia a intensidade necessária. Há ainda, na iniciativa, um interesse educacional. Os jovens obtêm experiências reais de como músicos profissionais trabalham. Entusiasmo e qualificação lado a lado. O fim da apresentação deixou a plateia de pé em sete minutos de aplausos e apresentação dos músicos de cada seguimento. Instrumentos de sopro, oboés, pratos e violinos e violoncelos, destaques da interpretação, revelaram rostos e sorrisos. Os jovens da Sinfônica posaram em selfies com a família e foram saudados pelos instrumentistas veteranos. PÚBLICO
Músicos já se apresentaram para 30 mil pessoas neste ano
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Jhessyka Monteiro
O concerto lotou o espaço de 1.400 cadeiras da plateia inferior do Palácio da Música. Assistir às apresentações da Orquestra Filarmônica de Goiás, que man-
tém a entrada franca como atrativo e parte da democratização musical proposta pela organização, se tornou corriqueiro para uma parcela da população de Goiânia. Só neste ano, a OFG se apresentou em 30 eventos para mais de 30 mil pessoas em Goiás e todo o país. No ano passado, foram realizados 48 concertos que reuniram um público de cerca de 45 mil pessoas. O repertório traz programas diversificados com composições russas, brasileiras e cinematográficas. De Mozart a Tchaikovsky, os concertos são recheados de obras nacionais de Heitor Villa-Lobos, César Guerra-Peixe e até peças icônicas como Tico Tico no Fubá, de Zequinha Abreu. Os músicos ainda executaram, no último mês de agosto, trilhas sonoras de John Willians, que marcaram filmes como Star Wars, Indiana Jones e Superman, durante o crepúsculo no Parque Vaca Brava. Apesar da rotina atribulada, a história da Filarmônica, sediada no Centro Cultural Oscar Niemeyer, é recente. A orquestra foi criada em 2012 por músicos descendentes da antiga Orquestra de Câmara Goyases. Thomson diz que se apaixonou pela banda filarmônica desde o primeiro dia na capital. “É, para mim, a oportunidade de celebrar a riqueza da vida musical de Goiânia”, conclui o maestro.
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GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2017
- MEIO AMBIENTE -
SÓ DE GENTE VIVE O CAMPUS?
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INSTITUTO BOITATÁ PROMOVE CONSCIENTIZAÇÃO PARA PRESERVAR FAUNA DA UFG REPORTAGEM Ana Carolina Petry EDIÇÃO Bruna Policena DIAGRAMAÇÃO Cainã Marques
ATUAÇÃO
MAURIVAN RIBEIRO
Fundador e Diretor Admnistrativo do Instituto Boitatá Atualmente, em terra goiana, três projetos estão em desenvolvimento, um deles com a equipe de educação ambiental do Zoológico de Goiânia. Baseado na Organização Estadunidense “Save the Frogs”, o Instituto Boitatá promoveu uma ação educativa nesse ano no Zoológico, nomeada de Dia Mundial Salvem os Sapos. Mais de 2 mil pessoas passaram no local para saber mais sobre anfíbios e répteis. Foram realizados desenhos, pinturas de rosto e atividades com as crianças, que foram as mais atingidas pela ação. Elas demonstraram grande interesse pela importância desses animais. Um dos fundadores e diretor administrativo da ONG, Maurivan Vaz Ribeiro, fala, com um sorriso no rosto, sobre o impacto do projeto com relação às crianças. “Percebemos que elas não têm medo. Elas veem sapo, cobra e ficam impressionadas”. Segundo ele, é com esse intuito que o Instituto quer ser reconhecido, passando conhecimento e educação, corroborando à preservação desses animais.
Reprodução
A sede do Instituto está localizada em Goiânia como seus maiores. Porém, isso não impede que o Boitatá tenha repercussão nacional. Também existem atividades fora do estado, como no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais.
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O papel da ONG também é o de suprir o que não é abordado nas escolas, pois de lá sairão os futuros biólogos e interessados em continuar esse trabalho.
Anfíbios são uma das grandes preocupações do Instituto Boitatá
O “Anfíbios do Campus” é outro projeto com o intuito de estudar e registrar as espécies no campus Samambaia da UFG. A ideia é conscientizar a comunidade universitária sobre a existência e a necessidade de conservação dos anfíbios. Já foram registradas 22 espécies ao longo de um ano de projeto e a finalidade do Instituto é escrever um livro com todos os registros, tornando pública essa experiência, já que a maioria das pessoas não sabe dessa variedade.
comunidade do Campus Samambaia é extremamente necessário para ajudar a preservar as espécies. Os gestos, o sorriso e o olhar do diretor administrativo, ao falar sobre o Instituto, denotavam que, mais do que um diretor, se tratava de um homem entusiasta da preservação ambiental e de uma relação harmônica com a natureza. É essa relação de admiração com relação aos outros seres viventes que rodeiam a humanidade que é repassada nas palestras promovidas pelo Instituto Boitatá. O amor pela causa faz com que a população que participa dos projetos compreenda, de fato, a necessidade da preservação ambiental.
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ntigamente o local que hoje habita a UFG era da natureza e dos animais. As edificações surgiram e com elas vieram pessoas de fora e de dentro do Estado de Goiás. Então as espécies que ali viviam, principalmente répteis e anfíbios, foram negligenciados e deixados à mercê dos feitos humanos. No entanto, nem todos deixaram essa situação passar despercebida. Três amigos viram naquele espaço a importância de fortalecer e preservar aqueles seres vivos. Assim surge o Instituto Boitatá de Etnobiologia e Conservação da Fauna, em 2014. O centro cresceu e, hoje, tem reconhecimento nacional, além de projetos em diversos locais do país e parcerias com várias universidades federais e outras organizações. A motivação para iniciar o trabalho da ONG veio da insatisfação com as consultorias ambientais. Os fundadores perceberam que os dados que coletavam não estavam sendo aproveitados e nem contribuindo para o meio ambiente. Sendo assim, o Instituto floresceu com o pensamento focado na preservação da natureza. E essa educação é transmitida para o meio acadêmico por meio de Simpósios, Congressos e Palestras.
Foto do projeto Quelônios-da-Amazônia, parceria do Instituto Boitatá com o Cetas/IBAMA, UFG, UEG e PUC/GO
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Amanda Soares
CONSCIENTIZAÇÃO A educação ambiental por meio de palestras nas escolas, para a comunidade universitária e para a população em geral é a melhor forma de conscientizar. Maurivan Ribeiro diz que o papel da ONG também é o de suprir o que não é abordado nas escolas, pois de lá sairão os futuros biólogos e interessados em continuar esse trabalho. Além disso, o conhecimento de anfíbios e répteis pela
O Instituto Boitatá poderá utilizar todos os meios adequados e permitidos na lei para consecução das finalidades, podendo, inclusive, desenvolver outras atividades acessórias voltadas ao desenvolvimento dos objetivos institucionais por meio de: realizar bazares, feiras, cursos, palestras, venda de produtos relacionados com a Associação (...). Desde que o pacto não implique em sua subordinação ou vinculação a compromissos e interesses conflitantes com os objetivos da Associação, nem arrisque sua independência. Fonte: Instituto Boitatá (http:// institutoboitata.org/)
- SAÚDE -
NOS LABIRINTOS DO ALZHEIMER
DIAGNOSTICADAS COM A DOENÇA, O CARINHO DOS CUIDADORES FAZ TODA A DIFERENÇA REPORTAGEM Ludmilla Lobo EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
Isadora Tristão
sabel, é pra lavar o cabelo?” A voz vem do banheiro e seria comum em uma casa com crianças. Mas, não! A pergunta vem de dona Ana, que tem 93 anos. A sobrinha, a quem dona Ana está se dirigindo, também não se chama Isabel, mas para a senhora toda mulher da família que se dispõe a ajudá-la tem o nome de Isabel. De onde veio esse nome, ninguém sabe dizer, mas todos sabem bem como começaram as “estranhas manias de Tia Ana”. Primeiro veio o forte apego por uns “trocados”, que tinham lugar especial em fundos falsos costurados por ela mesma na maioria de suas roupas. “Depois, com a morte do esposo, as manias se tornaram ainda mais acentuadas. A partir daí, não era apenas a preocupação com o dinheiro, mas com o vestido, que não poderia ser colocado no varal sem dona Ana, que tem 1,54m, subir a uma cadeira para, assim, guardá-lo ainda molhado. O diagnóstico veio quando Ana do Prado tinha 90 anos. A primeira consulta foi com um médico geriatra, que, ao ouvir que a idosa andava muito esquecida e confusa, indicou um neurologista. Foi a primeira vez que a família teve o contato direto com a doença de Alzheimer, mais conhecida como Mal de Alzheimer. No Brasil, a estimativa é de que mais de um milhão e duzentas mil pessoas sofrem com esse problema. Os números são resultados de análises comparativas com a população de outros países e de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do grande número de registros, não existem estudos minuciosos sobre os casos brasileiros do Alzheimer. No entanto, ao redor do mundo, médicos e cientistas buscam entender quais são as causas da doença que representa mais de 50% dos casos de demência, que é toda patologia capaz de afetar o cérebro e suas funções cognitivas, como a memória e a linguagem. Normalmente, a doença é detectada por meio de um teste mental em forma de questionário, que avalia a capacidade de atenção, memória, e concentração do paciente. DOENÇA O Alzheimer começa no tronco cerebral e, posteriormente, causa a morte
de células nervosas e a perda de tecidos do cérebro. Placas de proteína se agrupam entre essas células, interrompendo a comunicação com os neurônios. A doença não se desenvolve de uma hora para outra. Um estudo conjunto de universidades suíças mostrou que os primeiros sinais no cérebro aparecem 20 anos antes dos primeiros sintomas. Segundo o neurocirurgião Eduardo Queirós, a maioria dos pacientes é diagnosticada um ano após a família notar pequenos “esquecimentos”, muitas vezes confundidos com sintomas da idade avançada. O especialista complementou que não existe um marcador biológico que confirme a doença. O reconhecimento da enfermidade é feito por meio da exclusão de outras patologias com sintomas parecidos,
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PARA PESSOAS
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GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2017
Reunião da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz)
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samambaia
O corpo funciona com um conjunto de proteínas, carboidratos e gorduras, e não de um único nutriente. LEANDRO ARAÚJO Nutricionista
que são detectadas em tomografias e ressonâncias magnéticas. A maioria das pessoas que apresenta esse quadro clínico tem mais de 65 anos. O perfil dos pacientes chama a atenção pela semelhança em suas características. Geralmente são idosos com baixa ou nenhuma escolaridade e que apresentaram sinais de depressão com o avanço da idade. Além disso, outra semelhança é o fato de não terem uma vida muito ativa. Também é um dado importante a maior ocorrência da doença em mulheres. De acordo com dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), no Brasil já são mais de 1,2 milhão de pessoas diagnosticadas com a doença. A primeira pergunta daqueles envolvidos indiretamente com este acome-
timento é sobre a existência, ou não, da cura. Os médicos apontam que o Mal de Alzheimer é uma doença crônica. Entretanto, medicamentos podem ser prescritos para amenizar os sintomas da doença, como calmantes nos dias em que o paciente está mais agressivo ou agitado. Algumas fórmulas mais avançadas podem retardar os sintomas, atuando diretamente nos neurotransmissores. APOIO Várias cidades do Brasil contam com uma unidade regional da Abraz. De acordo com a presidente Regional de Goiás, Stella Mares, a assistência aos cuidadores dos pacientes diagnostica-
ALIMENTAÇÃO A combinação de uma alimentação saudável e a prática de atividade física é conhecida por prevenir várias doenças. No entanto, algumas vitaminas e alimentos específicos aparecem como “amigos” do bom funcionamento cerebral. Segundo o nutricionista Leandro Araújo, o Ômega-3, que é uma gordura insaturada, encontrada em peixes e sementes, como a chia e a linhaça, aumenta o desenvolvimento das células nervosas, além de atuar na transmissão de impulsos nervosos entre neurônios. Cientistas ainda estão estudando quais são os resultados deste tipo de gordura no corpo e como seria sua atuação no cérebro. Alimentações balanceadas preveniriam o Alzheimer? “Os estudos que temos na atualidade não têm uma conclusão sobre o Ômega-3 porque não é possível isolar apenas um nutriente e dizer que só ele é bom para o organismo, porque o corpo funciona com um conjunto de proteínas, carboidratos e gorduras, e não de um único nutriente,” afirmou o nutricionista.
dos com Alzheimer é o principal objetivo da instituição. A Associação oferece encontros entre profissionais da área da saúde e aqueles que convivem com a doença, solucionando dúvidas e proporcionando um ambiente de troca de experiências entre os participantes. A organização sem fins lucrativos não conta com patrocinadores. As reuniões e palestras são realizadas no Hospital Geral de Goiânia (HGG), que há mais de 10 anos tem parceria com a Abraz. O grupo não fornece atendimento médico, ou remédios para portadores do Mal de Alzheimer, mas indica onde e como o paciente pode receber esses serviços. Ainda segundo Stella Mares, a maioria das dúvidas é solucionada em grupos do Aplicativo Whatsapp, ou diretamente com membros da diretoria da Abraz. A Abraz Goiás participa do Conselho Estadual de Saúde, além de manter contato com o Conselho do Idoso e com a Delegacia do Idoso. A organização busca apoio de órgãos estatais para a construção de centros de convivência para a terceira idade, assim como espaços mais acessíveis que concedam abrigo aos idosos. Além das orientações ligadas à doença de Alzheimer, o grupo promove a ideia de que todo idoso tem o direito de envelhecer com dignidade e respeito. Em Goiânia, as reuniões ocorrem às últimas quintas-feiras de todo mês no HGG, localizado no setor Oeste. Os encontros começam às 20h e têm entrada gratuita. A organização não conta com voluntários dedicados exclusivamente à instituição. “Para aqueles que puderem colaborar como voluntários, há muito trabalho a ser feito. Incentivamos a pesquisa acadêmica, a confecção de mensagens, cartazes, folhetos e mídias em geral”, disse Stella Mares. Tudo isso para conscientizar os cuidadores sobre as formas de zelo àqueles que sofrem com o mal Alzheimer. A tentativa é a de proporcionar, à população idosa, um espaço de carinho e de respeito.
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GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2017
- MOBILIDADE -
CAIPIRAS DA BOLA OVAL SUPERA ADVERSIDADES E É ORGULHO PARA GOIÁS NO FUTEBOL AMERICANO REPORTAGEM Rafael Tomazeti EDIÇÃO Isadora Tristão
Larissa Farias DIAGRAMAÇÃO Larissa Farias
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Fundado em 2010 por um grupo de amigos, o Goiânia Rednecks é um time de futebol americano que começou sua trajetória no mundo do esporte na modalidade Flag Football, na qual não há contato físico entre os atletas. O termo Rednecks, em tradução livre do inglês, quer dizer “pescoços vermelhos”. Nos Estados Unidos, a terminologia é utilizada pejorativamente para se referir aos “caipiras”, que têm a nuca avermelhada por conta da exposição ao sol no trabalho rural. Hoje, com orgulho de representar o “caipira” estado de Goiás, o time integra a Superliga Nacional de Futebol Americano. Contudo, para chegar à principal competição do esporte no Brasil, os Rednecks enfrentaram muitos percalços. O primeiro dos obstáculos para os guerreiros do futebol americano é o local de treinos. Com quatro treinamentos semanais, o time precisou recorrer a favores. Inicialmente, na época que ainda atuavam na modalidade Flag, alguns jogadores disponibilizavam as quadras de seus edifícios ou casas para a preparação. Praças e parques públicos também receberam treinos da equipe. Para deixar de ser nômade e aprimorar o rendimento em campo, o Goiânia Rednecks procurou parcerias. Em 2014, o Goiás Esporte Clube cedeu a estrutura do Serrinha para os treinos do time. Com a preparação em dia, os “caipiras” foram vice-campeões do Cerrado Bowl, disputado contra times de Brasília. À época, o jogo do time contra o Brasília Alligators recebeu mais de 2 mil torcedores, maior público de sua história. Atualmente, os Rednecks dividem os treinos entre os clubes da Asbeg e da Telegoiás. As finanças também causam preocupação. Sem patrocínio, o dinheiro que mantém o time vem dos bolsos dos pró-
Emilly Vianna
TOUCHDOWN!” Esse era o grito que ecoava das arquibancadas de um dos campos do clube Ferreira Pacheco após o tight end de Júlio Barcelos invadir a end zone pela única vez no jogo contra o Cuiabá Arsenal e colocar o Goiânia Rednecks à frente no placar por sete pontos. O time do Mato Grosso, atual campeão nacional de futebol americano, acordou, anotou 43 pontos e venceu a partida. Nem por isso os fãs dos Rednecks se calaram. Centenas de torcedores com o rosto pintado em vermelho e azul marinho sorriam, gritavam e, mais do que tudo, apreciavam a beleza do ascendente esporte. No final do embate, os jogadores do Goiânia Rednecks não se prostraram, apesar do abatimento natural ocasionado por uma derrota de 43 a 13. Todos tomaram o rumo das arquibancadas, saudaram o público, concederam autógrafos e tiraram fotos com todos os que requisitavam qualquer atenção. Algum atleta famoso em campo? Não! Apenas desconhecidos que fizeram o amor pela bola oval se transformar em um time de sucesso.
HISTÓRIA
Rednecks versus Tubarões do Cerrado, no Estádio do Goias na Avenida 85
prios jogadores. “Essa é nossa maior dificuldade. Tudo se dá por conta dos atletas”, relata Danilo Freitas, jogador de defesa e diretor de comunicação dos Rednecks.
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clubes. A Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) tem 31 times na modalidade Fullpad, a principal da bola oval. Há três anos o número não passa-
Nosso time é amizade, somos irmãos. DOUGLAS SANTOS
Wide Receiver no Rednecks
Por ser um esporte internacional e ainda pouco praticado no Brasil, o futebol americano é de alto custo. “Todo equipamento é importado”, diz Freitas. O traje esportivo custa cerca de 2 mil reais. Para migrar da modalidade Flag Football para Fullpad, pela qual há contato físico entre os atletas, eles precisaram desembolsar cerca de 50 mil reais para custear os equipamentos necessários e ingressar na Superliga. RECOMPENSA O futebol americano é um esporte em ascensão não apenas no Brasil, mas também no mundo. Estima-se que 160 milhões de pessoas assistiram ao último Super Bowl – final da liga de futebol americano dos Estados Unidos – em todo o globo. O evento é o terceiro mais visto no mundo dos esportes, atrás apenas da Copa do Mundo de futebol e também das Olimpíadas. No Brasil, 4,3 milhões de pessoas acompanham assiduamente a temporada da liga de futebol americano dos EUA, a National Football League (NFL). Os números são da Rede de Programação de Esportes e Entretenimento (ESPN), emissora que detém os direitos de transmissão do campeonato norte-americano. O crescimento em território brasileiro é seguido pelo aumento do número de
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GOIÂNIA REDNECKS
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va de dez. Uma das equipes que entrou na onda do Fullpad, o Goiânia Rednecks contou com o apoio do Goiânia Tigres e os Guarás, que se juntaram aos “caipiras” para que o time pudesse disputar a principal liga do esporte no Brasil. Mesmo com as dificuldades constantemente relatadas, os atletas preferem ressaltar o amor pelo futebol americano. “É apaixonante”, diz Victor Hugo Souza, que atua como jogador de defesa. “Nosso time é amizade, somos irmãos”, conta o wide receiver Douglas Santos. Com o espírito batalhador que os forjou, os Rednecks fizeram história. Mesmo com as adversidades, o time de Goiânia chegou aos playoffs da Superliga Nacional após uma surpreendente temporada. Os “caipiras” ficaram atrás apenas do poderoso Cuiabá Arsenal e dos Tubarões do Cerrado no Grupo 2 da Conferência Oeste da liga. Nos playoffs e com fome de mais, como diz o lema da equipe, o Goiânia Rednecks busca revanche contra os mato-grossenses . MULHERES Futebol americano também é coisa de mulher. Criado pelas namoradas dos atletas dos Rednecks, o GoRednecks é o time feminino de Flag Football dos “caipiras”. Cansadas de apenas acompanhar os treinamentos do time masculino – que duram cerca de três horas –, elas resolveram se unir e formar sua própria equipe no mês de fevereiro de 2016. A adesão feminina ao GoRednecks foi impulsionada pela divulgação de seletivas durante o intervalo dos jogos do time masculino. O resultado do trabalho conjunto é uma equipe composta por 30 atletas, número respeitável para um esporte que ainda engatinha no Brasil. Após duas partidas amistosas na categoria Flag, algumas das atletas cogitaram deixar essa modalidade e assumir a Fullpad, mas a iniciativa ainda não floresceu. “Sempre chegamos à conclusão de permanecer no Flag”, revela a jogadora Duda de Paula. A wide receiver do GoRednecks explica que, por conta do alto risco de se machucar, muitas mulheres desistem do contato da categoria principal do futebol americano: “Temos muito contato físico. Sempre estamos sem unha do pé, dedos machucados, roxos e arranhados. Aí, logo a vontade do Fullpad acaba (risos)”, completa.
- EDUCA
O DIA DA CONSCIÊNC
A EDUCAÇÃO ÉTNICORACIAL DEVE SER TRABALHADA TODOS OS DIAS, NÃO APENAS NO DIA 20 DE NOVEMBRO REPORTAGEM Ludmila Almeida EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
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Dayane Borges
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reivindicações para que o tema viesse à tona foi uma conquista de alunas mobilizadas na Reitoria da UFG, na ocupação ocorrida em junho de 2016. Se na universidade, tida como um espaço de pensamento crítico, ainda há dificuldades de discussões, no ensino básico a situação se complica ainda mais. Ana Mábia Lourenço, estudante de História na UFG e participante do LaGente, só começou a ter contato com a discussão étnico-racial a partir do cursinho preparatório Faz Arte – UFG. Segundo ela, somente quando conseguiu ingressar na Universidade, ela percebeu que as disciplinas não passavam por essa questão. “Era algo tratado de forma rápida, não tinha aprofundamento”, disse. Vale dizer que apenas no ano passado a disciplina de História da África se tornou obrigatória para o curso de História.
Minha avó [preta] queria ser enfermeira, mas ela nunca teve essa oportunidade. JANAINA DE OLIVEIRA Estudante de Jornalismo
mos de impedimento a outras posições, além de formas de exploração que torna o corpo indicador estável de um papel social imutável nas relações de poder. SILÊNCIO Para os negros e as negras do país, o dia 13 de maio de 1888 foi apenas o dia da Lei Áurea, institucionalizada e espetacularizada pela princesa Isabel. A tal aclamada liberdade e reconhecimento de humanidade, 128 anos depois daquele 13 de maio, ainda não chegou. Os negros(as) foram transferidos(as) da senzala para a periferia. Foram separados do dito espaço de progresso e modernidade, a cidade, para o espaço marginal, que “precisa” ser esquecido. “E estamos falando da maioria da população brasileira”, como aponta Zanza Gomes, docente da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Zanza ministra uma disciplina sobre literatura negra e sociedade, e percebe a deficiência de exercício intelectual sobre a cultura negra no Brasil. O fato de que as questões étnico-raciais sejam, muitas vezes, vistas como desnecessárias, quando na verdade elas fazem parte da história da maioria do país, só denota o quanto o esquecimento a essa população foi forjado na sociedade brasileira. A disciplina que a professora da FIC leciona é uma das 22 que atendem cerca de 900 alunos, oferecidas a partir da reivindicação por mais discussão, na Universidade, sobre gênero, sexualidade e questões étnico-raciais. Essas
Aparecida Costa, professora da rede pública e estudante de jornalismo na UFG, conta que mesmo na universidade se percebe a formação de grupos que excluem pessoas negras. “É como se os negros devessem apenas se unir entre si”. Isso significa que há necessidade de mais discussão e de mais professores interessados na temática. Há apenas uma professora negra no curso de jornalismo, e que se proponha ao debate desses temas complexos e extensos. Esse número é sintomático dos preconceitos brasileiros.
VOZES Para promover a difusão da cultura africana nas escolas como parte do currículo, para um pensamento plural da formação brasileira, no ano de 2003 foi implantada a lei 10.639, porém sua execução é outra história. Ana Lúcia Lourenço pesquisa em seu mestrado sobre a implantação da lei 10.639 no ensino de geografia, e diz que essa lei veio através de uma pressão da luta do movimento negro e aponta que um dos problemas é a falta de meta para implementação efetiva das abordagens, além da falta de fiscalização e formação dos professores, mesmo quando se tem material para tal trabalho. Janaina de Oliveira aponta que foi no ambiente acadêmico, em contato com os coletivos, que ela se descobriu negra. Antes, em seu ensino básico e médio, esse fato era silenciado, ainda mais no convívio familiar. Anna Cleuma, discente de jornalismo na UFG que ingressou pela lei de cotas para negros e estudantes de escola pública, lembra que tanto em seu ensino fundamental quanto no médio a temática em relação aos negros(as) era realizada apenas no dia da consciência negra. E, mesmo assim, o tom do debate não abordava o que os negros faziam além de serem escravizados ou de praticarem sua religião. Para Anna, na UFG as coisas não mudaram muito. Segundo ela, os alunos que ingressam nessa instituição, geralmente, fazem cursinhos preparatórios particulares, o que requer uma condição financeira mais alta. Assim, um ambiente que promete ser espaço de aprendizagem sobre diferenças tem suas pautas conduzidas pelo julgamento do professor e da turma com a maioria branca. Ludmila Almeida
uem nunca foi chamado de morena(o), morena(o) clara(o), moreno(a) escuro(a), café com leite, chocolate, mulata em vez de negra(o)? É quase uma incontável paleta de cores que se tornam usuais na procura de se afastar da cor não padrão, que foge das características europeias consideradas mais “bonitas” e “naturais”. “ Cabelo ruim, cabelo duro, cheiro de negro, pele suja” são algumas das nomeações naturalizadas que indica que ser negro(a) no Brasil ultrapassa uma percepção de pele, estética, e se torna uma categoria política, de luta contra hegemônica, em prol de uma vida digna e não racista. Janaína Oliveira, estudante de Jornalismo e participante do Coletivo Magnífica Mundi, conta que sua infância foi marcada pela rejeição do termo ‘negra’, por ser uma palavra forte, pesada, “feia”, tanto que até se sentia mal quando a usava, e que até sua avó preta se denominava como morena escura. A rejeição desse termo é marcada pelo processo de seu uso, em que, na maioria das vezes, se encontra associado a aspectos tidos como subalternos e que lembram uma história, contada por apenas um lado – europeu – e marcada por uma opressão aparentemente sem nenhuma importância. “Quem quer ser preto? Se o preto na TV aparece como o bandido, assaltante, o que é morto, a menina que engravida, a empregada...” exemplifica Ana Lúcia Lourenço, mestranda em Geografia e participante do grupo de estudos LaGente - Laboratório de Estudos de Gênero, Étnico-Raciais e Espacialidades. A formação de discursos racistas pode até parecer imperceptível para quem os usa, mas dilacera a subjetividade do outro ao naturalizar dizeres que provocam uma ação estigmatizante sobre o outro. Gislene Mendes, professora de escola infantil e pós-graduada pela UFG em Educação Infantil, percebe isso em seu dia a dia ao ter que se deparar com comentários vindos de pessoas que deveriam ter uma maior sensibilidade ao falar certas coisas, considerando ainda o ambiente educativo. Porém, isso não é o que acontece. Relata a professora que, enquanto as crianças de sua turma brincavam
ao lavar bonecas, a própria dirigente da instituição chegou a comentar, ao olhar uma criança lavando uma boneca negra, que aquela deveria ser esfregada com mais força. Isto é, a ideia de ser negro(a) se liga culturalmente à noção de sujeira. O que deveria ser visto como apenas um maior nível de melanina na pele é colocado, pelo processo cultural euro-anglo-ocidental de saber e poder, como algo ruim, como uma característica de vergonha. “Minha avó [preta] queria ser enfermeira, mas ela nunca teve essa oportunidade” relata Janaina Oliveira ao falar do quanto a sociedade ainda cria mecanismos de exclusão pela condição social, financeira, em meio a uma cultura orientada por estereótipos. Nessa cultura, a mulher negra está apenas ligada ao desejo sexual, criando mecanis-
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Discentes da Faculdade de Informação e Comunicação - FIC.
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UCAÇÃO -
CIA SEM CONSCIÊNCIA
LEI 10.639/03
- Os professores devem ressaltar em sala de aula a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos, valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importantes intelectuais negros brasileiros, a cultura (música, culinária, dança) e as religiões de matrizes africanas. - Com a Lei 10.639/03 também foi instituído o dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro), em homenagem ao dia da morte do líder quilombola negro Zumbi dos Palmares.
Ana Lúcia e Ana Mábia Lourenço são irmãs e estudam sobre a questão étnico-racial dentro da universidade. riferia? Mas no desenrolar da atividade algumas meninas negras já começaram a se identificar como crianças bonitas e também princesas” destaca Gislene, com felicidade, ao contar sobre sua experiência e de que é possível termos esperança na construção de uma sociedade com mais igualdade de diferenças. “A gente percebe na pele que o racismo está muito enraizado em nosso cotidiano. Quando eu cheguei na Universidade me causou angústia não ver meus pares, até mesmo um amigo que era negro, não se assumia. E até hoje, na faculdade de História, eu ainda não tenho nenhum professor ou professora negra” aponta Ana Mábia, de forma preocupada, ao indicar a deficiência de suporte sobre essas discussões na licenciatura. Ainda há muito desinteresse sobre o que é a África e sua produção de conhecimento, afirma a estudante, pois em seu contato com as escolas, no período de estágio e ensino básico, percebeu que ainda não se aplica de fato. Erinaldo Dias, professor efetivo da Faculdade de Informação e Comunicação, inicia dizendo “nasci negro, mas minha consciência de ser negro foi adquirida”, a aceitação de sua identidade negra foi um processo de luta entre o senso comum e o ingresso no ambiente acadêmico. Segundo Erinaldo, no Ceará, por ser o primeiro Estado do Brasil a abolir a escravidão muitos não se consideram negros, inclusive ele, e sim moreno, moreno jambo, pardo, mas nunca negro. Somente na Universida-
de nos grupos de pesquisa de temática racial, é que veio o reconhecimento. O professor, ainda diz que enquanto pesquisador negro se comprometeu, pela sua trajetória, no sentido político e social, a visibilizar a produção de “informação étnico-racial da população negra”, tema de seu doutorado. Para Ana Lúcia, o único momento em que as escolas procuram militantes negros para trabalhar a questão racial é no dia da Consciência Negra, o resto do ano é como se essa questão não existisse, mas não se pode culpabilizar as escolas, a universidade, pois é uma série de ações que contribuem para uma superficialidade de uma data que deveria ser tratada além do apenas mostrar trabalho nesse dia. “As pessoas acham que trabalhar simplesmente o 20 de novembro e fazer feijoada e cartazes na escola, já estão trabalhando toda a questão de consciência negra e já acham suficiente” diz indignada. O dia da Consciência Negra é um adicional à lei 10.639 e inclui no calendário escolar o dia 20 de novembro como o dia de Zumbi dos Palmares, considerado o maior líder quilombola do Brasil, símbolo de resistência, liberdade cultural e de luta. A data foi escolhida por ser o dia da morte do líder quilombola, para que não só ele venha ser lembrado, mas que a luta negra em resistência à escravidão seja refletida em ações contínuas pelo ensino da cultura afro-brasileira. Para Erinaldo, esse dia deve estar aplicado em todo o currículo anual,
pois marca a luta do movimento negro em acreditar que é pela educação e pela educação étnico-raciail que podemos dialogar e promover a igualdade na sociedade por uma consciência do preconceito. Para Zanza o dia 20 de novembro vem para contrapor ao 13 de maio, pois na primeira data somos os espectadores, já na segunda temos a oportunidade de sermos ouvidos de alguma forma. Por isso, Ana Mábia, critica que a escola precisa se preocupar ao menos em falar o que significa realmente o dia da consciência negra, quem era Zumbi e sua importância no processo de libertação negra, e porque foi escolhida essa data. Ludmila ALmeida
- Torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio.
Ludmila Almeida
Anna Cluema pondera que há ali um discurso de mudança, mas que, na atitude, as pessoas mostram outra face. Vercilene Francisco Dias, discente de direito na UFG e primeira quilombola Kalunga aprovada no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Goiás, é ingressa pela lei de cotas e demonstrou bom desempenho na prova mais aguardada pelos concluintes de seu curso, mostrando que o que falta em nossa sociedade é a oportunidade de acesso. A discente conta que na graduação não se sentiu contemplada com discussões sobre a questão racial, isso só é rompido quando se reunia em grupos de pesquisa à parte. O que configura em um problema que ainda estagna a Universidade como um todo, ao escolher tais temáticas como importantes e obrigatórias e outras, tão expressivas socialmente, como optativas, conforme o interesse do estudante. Gislene, ressalta que a representatividade negra é importante ser trabalhada em sala de aula, em especial, no ensino infantil, na construção de afetos e de percepção de si, pois mesmo sendo crianças seu olhar para o mundo é marcado por preconceitos e ofensas que parecem “certos” para repreender o outro. A professora ainda diz que mesmo na graduação não tendo o devido contato com a temática étnico-racial, apenas pelo curso de complementação docente para a lei 10.639 e pela pesquisa na pósgraduação sobre “Racismo no ensino infantil”, hoje ela consegue tanto discutir ao longo do ano sobre a questão quanto ver resultados desse ato no respeito entre as crianças. “Em uma das atividades levei um livro que falava sobre uma princesa negra que morava na periferia, logo todos ficaram confusos, como uma princesa pode ser negra e morar na pe-
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Anna Clauma e Aparecida Costa.
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- UNIVERSIDADE -
A MÚSICA NA COLETIVIDADE Reprodução
NÚCLEO LIVRE PROPORCIONA A ESTUDANTES ENCONTRO COM A MÚSICA ERUDITA REPORTAGEM Aline Rodrigues EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
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Bate-papo com o cantor Tom Zé durante edição do Música no Campus, projeto que aproxima o público com a MPB conhecida como “Música na Escola de Música”, a iniciativa viabiliza o acesso a essa arte, tanto na perspectiva da MPB quanto da vertente clássica. Uma vez na semana, diversos artistas internacionais ou locais, incluindo docentes e discentes da Escola de Música e Artes Cênicas (Emac) da UFG, são convidados para se performarem pela iniciativa. DISCIPLINA Com o sucesso do projeto de extensão, paralelo à criação dos núcleo livres (NL) dentro da Universidade, logo surgiu a ideia da disciplina “Formação de Platéia”. Com isso, a música, que parecia restrita, passa a ser uma possibilidade para todos. No primeiro momento da aula, é passado aos estudantes noções básicas de teoria musical. Já a segunda parte da disciplina é voltada ao projeto de exten-
Pude conhecer um pouco mais, ouvir coisas novas e descobrir como a música clássica pode ser encantadora. JULIE TSUKADA Estudante
são que oferece apresentações de coros e recitais com diversos instrumentos. Como toda matéria de NL, o intuito não é formar estudantes na área. Além do ensino da teoria, o objetivo em si é “tentar fazer com que os alunos sejam ouvintes, espectadores mais críticos”, pontua o flautista e professor da disciplina, Luis Carlos Furtado. Ademais, essas aulas visam despertar linguagens e músicas com as quais os estudantes, muitas vezes, não estão habituados.
Reprodução
uando falamos em música, logo vem à cabeça aquelas preferidas, que apreciamos na internet, na televisão, no celular ou até por meio do rádio. Entretanto, você sabe o que é música? A palavra “mousike” é um conceito grego que significa “a arte das musas”. Diversos autores defendem que esta é a arte de organizar sensível e logicamente uma combinação coerente de sons e silêncios. Já no sentido restrito, a música é a arte de transmitir efeitos sonoros, harmoniosos e esteticamente válidos, através da voz ou de instrumentos musicais. A música é algo que acompanha o nosso dia-a-dia. Porém, na maioria das vezes, a apreciação musical proporcionada por grandes espetáculos é, majoritariamente, restrita às pessoas de classe média ou alta, certo? Não necessariamente. Hoje, inúmeros conservatórios e escolas de música oferecem esse tipo de entretenimento por uma quantia simbólica ou até de forma gratuita. Acontece que geralmente essas apresentações não são devidamente divulgadas e, por consequência, não são conhecidas. O projeto de extensão da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) da Universidade Federal de Goiás, “Música em Cena”, por exemplo, tem sido responsável pela promoção de diversas apresentações na Universidade. Antes
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Dayane Borges
Estudantes de Música realizam apresentação para os visitantes no Auditório da EMAC
OLHARES Apesar de alguns estudantes não entenderem a importância da disciplina, e, muitas vezes, se matricularem pela necessidade de preencher a carga horária, outros acabam se tornando adeptos dessas novas formas de apreciação. Julie Tsukada, estudante de Jornalismo que cursou o núcleo livre no primeiro semestre de 2015, foi impulsionada pela dinamicidade da disciplina. A estudante, que tem como principais gêneros musicais indie e pop/rock, teve o primeiro contato com a música clássica no NL e com isso, acabou se rendendo a esse novo estilo musical. “Foi muito bom, pude conhecer um pouco mais, ouvir coisas novas e descobrir como a música clássica pode ser encantadora”, afirma. As apresentações musicais do projeto de extensão, recitais e, algumas vezes, apresentações teatrais, ocorrem todas às quartas-feiras no período matutino, a partir das 10 horas, no auditório da Emac. Nesse horário, por volta de 40 pessoas se reúnem para apreciar repertórios que vão de Heitor Villa-Lobos a Ludwig van Beethoven. Tal como na Grécia Clássica, em que as nove musas faziam uso da música para falar com os deuses e com o povo, o cenário é uma apreciação artística voltada ao coletivo.
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- EDUCAÇÃO -
M Ã O S Q U E FA L A M COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA É DESAFIO COLETIVO PARA A EDUCAÇÃO REPORTAGEM Gustavo Mota
Thiago Abreu
EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
Amanda Soares
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ma escola vista de fora não parece mais do que uma simples instituição de ensino. Mas, dentro de cada uma, há histórias e percalços que indicam possíveis vitórias ou fracassos de um indivíduo. Assim, tornar e mantê-la inclusiva são ações que vão além da legislação. Nas paredes da Escola Municipal Engenheiro Antônio Felix da Silva, estão dispostos cartazes na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Constituídos inicialmente para as aulas da disciplina, os cartazes transformam-se em fundamentais marcas da comunicação e envolvimento promovidos entre os estudantes ouvintes e surdos. FORMAÇÃO
APRENDIZADO Nas paredes da instituição recém-reformada, a professora Lucirene Corrêa dispôs cartazes em Libras, lembrando, in-
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cursar uma graduação presencial. Em sua cidade, o estudante trabalhava como intérprete da linguagem de sinais, mas enfrentava a desvantagem de não ter uma formação acadêmica na área. O aluno apontou o fato de ter atuado como intérprete, antes de chegar à universidade, como uma facilidade para sua inserção na turma, especialmente entre os estudantes surdos. O curso não
Os estudantes surdos dependem da visão
para entender o que o professor fala (...),
mas muitas vezes se sentem isolados
devido às dificuldades de comunicação. LEANDRO VIANA
Estudante de licenciatura em Libras na UFG Júlia surda moderada, no meu primeiro contato com ela, pensei em como eu poderia trabalhar. Afinal, ela fala, consegue ouvir um pouco...” . Apesar disso, Corrêa afirma que, no convívio diário, é percebível a dificuldade de audição de sua aluna. “Quando a gente fala pelas costas ela não ouve. Quando ela está de frente une o pouco que ouve com a leitura labial e recebe a mensagem perfeitamente”. Questionada em como se sente aprendendo Libras, a pré-adolescente disse, timidamente, que gosta. Nas palavras de Lucirene, por ser um processo gradual, Júlia percebe, a cada dia, que precisa aprender a se comunicar por meio da Língua Brasileira de Sinais.
exige que os ingressantes conheçam a linguagem de sinais, mas Leandro avalia que “o fato de conhecer Libras me permitiu unir os surdos na turma”. Segundo ele, os alunos surdos preferem que o curso seja todo oferecido em linguagem de sinais. O jovem considera que, caso implantada a totalidade do curso em Libras, o aprendizado do graduando pode ser mais eficaz. “A partir do quinto período, todas as aulas já são oferecidas em língua de sinais”, aponta o estudante, que apoia a medida.
CONTRADIÇÕES Leandro avalia como positiva a abertura das empresas para o especialista em Libras. “Hoje existe muita procura por profissionais e pouca oferta no mercado”, constata o aluno. O mercado em língua de sinais é recente, mas o estudante considera que a promulgação do decreto 5626, de 2005 (confira mais informações no box), ajudou a fomentar a busca por profissionais da área, como também levou especialistas de diversas esferas a tentar conhecer a linguagem inclusiva. Apesar disso, as empresas contradizem o próprio discurso inclusivo e ainda privilegiam profissionais ouvintes em detrimento dos especialistas surdos. “É bem estranho, porque se trata de uma linguagem feita para surdos, e nós, ouvintes, caímos de paraquedas na profissão e tomamos os empregos deles”. Leandro apontou também que, além da graduação, o especialista com deficiência auditiva se sente isolado no meio profissional. O estudante apontou que os surdos têm maiores dificuldades de acesso ao mercado, e citou como exemplo um concurso público, realizado recentemente pela Prefeitura de Goiânia com objetivo de preencher vagas para professor de Libras, em que havia 11 vagas para ouvintes e uma única oferta para surdos. “Para essa única vaga, concorreram cerca de 60 pessoas”, lamenta o aluno. Gustavo Mota e Tiago Abreu
Depois que a família de Júlia matriculou-a na Escola Municipal Engenheiro Antônio Felix da Silva, localizada no Jardim Europa, na região sudoeste de Goiânia, um novo universo comunicacional surgiu para a, hoje, pré-adolescente. Por meio de avaliações médicas, foi descoberto um diagnóstico de surdez. Aos poucos, a jovem perdia sua audição e, por isso, era necessário seu aprendizado em Libras. Anos depois e com a audição menor, Júlia Nunes, nome fictício, comunica-se de várias formas. O processo, nas palavras da diretora Kalinka Aragão, visa adaptá-la para o futuro e garantir sua inclusão social. Essa formação, segundo ela, surge a partir de uma necessidade. “Isso faz com que nós criemos toda uma estrutura para atendê-los. Esta é uma escola inclusiva”, afirmou. Kalinka pondera que o processo de Júlia envolveu, a princípio, certo receio da jovem. Mas, com uma postura adequada da professora de Libras, a aceitação perante a nova língua se tornou maior. Hoje, segundo ela, até seus colegas são interessados em se comunicar por meio das mãos.
clusive, do Dia Nacional do Surdo, comemorado em 26 de setembro. Ela, que se formou em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), interessou-se pela Língua Brasileira de Sinais após conviver com alunos surdos e sentir a necessidade de estabelecer um diálogo com eles. Hoje, profissional da área, lida com Júlia. “Todas as pessoas com as quais trabalhei eram surdos totais. E, sendo a
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INCLUSÃO DE PESSOAS
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PARADOXO O estudante de licenciatura em Libras, Leandro Viana Silva, está no oitavo período do curso. Ele destacou um paradoxo existente na Universidade: a realidade da graduação ainda é muito excludente para os alunos surdos, que têm direito a apenas 15 vagas reservadas em um total de 40 disponibilizadas pela UFG. Durante os quatro primeiros períodos, as aulas são oferecidas em sua totalidade por professores ouvintes (que não possuem acometimentos quanto à audição), com o apoio de intérpretes em sala. Entretanto, em muitas das vezes, os mediadores estão sujeitos a falhas de interpretação. Além disso, precisam acompanhar o ritmo do docente, o que exige uma atenção nem sempre alcançada. “Os estudantes surdos dependem da visão para entender o que o professor fala por meio do intérprete, mas muitas vezes os alunos com deficiência auditiva se sentem isolados devido às dificuldades de comunicação”, conclui o graduando. Leandro é de Imperatriz, no Maranhão, e optou pela formação na Universidade Federal de Goiás porque queria
Cartazes inclusivos no mural da E. M. Engenheiro Antônio Felix da Silva
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- ESPORTE -
RAQUETES QUE INCLUEM Reprodução
RESPEITO MÚTUO É A PRINCIPAL REGRA DO SEGUNDO ESPORTE MAIS PRATICADO NO MUNDO REPORTAGEM Jefferson Ribeiro Radi EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO m jogo realizado com uma raquete própria que lembra a raquete do tênis, mas de tamanho menor. Os jogadores estão em uma quadra reduzida se comparada àquela na qual jogam Roger Féderer ou Rafael Nadal. O comprimento é de 13,4 metros, enquanto a do tênis de quadra é de 23,77. O uso de uma peteca no lugar de uma bola, feita oficialmente com 16 penas de ganso e pesando apenas 6 gramas. O objetivo principal é fazê-la tocar no campo adversário, passando por cima da rede. A tática também envolve impedir que isso ocorra. Ação ofensiva e defensiva. Três parciais. O famoso melhor de três. Assim é o badminton. Nascido na Índia e com o nome de ‘Poona’, a prática gerou interesse em oficiais ingleses que estavam a serviço no país e a levaram para a Europa. O nome “badminton” surge na década de 1870, quando uma nova versão começa a ser praticada em uma propriedade do Duque de Beaufort’s, chamado Badminton, em Gloucestershire, Inglaterra. Com o passar dos anos foi se popularizando, levando à criação de uma organização para regulamentares competições e regras, que foi fundada em 1934. Atualmente chamada de Federação Mundial de Badminton (BWF), a instituição, que se iniciou com 9 países filiados, hoje possui um total de 176. No Brasil, o esporte se firma quando ocorre a primeira Taça São Paulo, em 1983. Entretanto só 10 anos depois que é criada uma instituição representante nacional, a Confederação Brasileira de Badminton. Um ano antes, em 1992, torna-se modalidade olímpica e, em 1995, é inserido nos jogos Pan-Americanos. A popularidade do badminton é tamanha que ele é o segundo esporte mais praticado no mundo. A maioria dos praticantes vem do Oriente e os países da região são vencedores em jogos olímpicos na modalidade. Os atletas, entre os três tempos, descansam e recebem ordens táticas do técnico em intervalos de 2 minutos entre as parciais. Há um intervalo de 1 minuto quando alcançados os
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Alunos praticam Badminton, esporte que conquista cada vez mais adeptos pela sua praticidade primeiros 11 pontos de um jogador. Ganha o jogo quem vencer duas parciais, perfazendo, em cada uma, um total de 21 pontos. Para ganhar, tal como em jogos de vôlei, é necessário que os jogadores abram, no mínimo, uma vantagem de 2 pontos com relação aos adversários. SOCIAL Em Goiás, a partir dos esforços do professor de Educação Física, Saulo Soares da Silva, foi criada a Federação Goiana de Badminton (FGOB). Saulo praticou vôlei até os 28 anos mas, depois disso, ao conhecer o badminton, passou a se dedicar a ele. Trabalhando com crianças, o educador físico decidiu disseminar o esporte. Para o professor, o atrativo está na praticidade para aprender o jogo. “O que é bom no badminton é o fato de a criança já poder brincar no primeiro dia ’’, diz. Para Mariane de Souza Soares, filha do treinador, a experiência com o esporte é bem diferente se comparada a outras práticas, pois, além de punições aos jogadores que cometem deslizes, há a obrigatoriedade de um pedido de desculpas. ‘’Você tem de ter muito respeito pelo seu adversário. Se você grita com ele, você é punido. Se você faz algo, tem de pedir desculpa: é regra, é obrigatório. Então, a gente tenta passar isso para quem está aprendendo. Para as crianças, dentro das escolas.’’ Saulo já trabalhava no Colégio Estadual Robinho Martins de Azevedo, no Jardim Nova Esperança, e no Colégio Municipal Leonísia Naves de Almeida, no setor Morada do Sol, quando conheceu Ana Carolina de
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Gabriela Campos
O que é bom no Badminton é que a criança já pode brincar no primeiro dia. SAULO SOARES DA SILVA Educador Físico
Oliveira Campos, de 10 anos. À época, entre as rotinas dos dois colégios, ele intercalava aulas com o clube da AABB de Goiânia e, ali, entrou em contato com a menina, que se apaixonou, de cara, pelo badminton. Por pouco tempo, Ana Carolina praticou o esporte, recebendo as motivações de seu professor. Ela veio a falecer em 2007, vítima de um tipo raro de leucemia. O amor da garota pelo badminton motivou seus pais à criação de uma entidade voltada ao esporte. Celma Grace de Oliveira, mãe de Ana Carolina, e seu marido decidem criar o Instituto Ana Carol (IAC). “Ele foi criado com o desejo de fazer valer os sonhos de Carol, e de tantas mulheres que não conseguem encontrar oportunidades para demonstrar talentos e capacidades…’’, como descreve a página do Facebook. Celma tem 46 anos e é formada em Geografia. Além de criadora, é também presidente do Instituto Ana Carol, fundado em 2009, sem fins lucrativos. Além dessa instituição, após a morte da filha Celma também criou o Instituto Bordana (Cooperativa das Bordadeiras do Cerrado Goiano). O nome vem da junção das palavras “bordado” e “Ana”, que incentiva o bordado tradicional apoiando crianças, jovens e mulheres. Já o IAC, além de auxiliar esporadicamente com recursos o projeto
social que o professor Saulo faz nas escolas, levando o badminton a meninos e meninas, ajudou na criação da Federação Goiana de Badminton. A Federação tem, atualmente, Saulo como presidente e Celma como vice. De acordo com praticantes da modalidade, o incentivo no Brasil ainda é pequeno devido ao baixo retrospecto na mídia, se comparado a outras práticas esportivas. O esporte recebeu maior visibilidade aqui graças às Olimpíadas, mas, mesmo assim, ainda não foi suficiente. De acordo com Mariane, há ainda um preconceito, muito em razão da leveza da bola e à facilidade para aprender. Entretanto, como medalhista, afirma que o esporte tem suas dificuldades. “Não é qualquer um que, no início, vai conseguir cortar ou rebater mais forte”. Quanto à Celma, que ressignificou a morte da filha a partir do badminton, pretende principalmente preservar e manter viva a memória de sua filha ajudando outras pessoas, lembrando sempre a alegria e a satisfação enormes que Ana Carolina tinha ao praticar o badminton. ‘’Como disse o professor Saulo uma vez: ela era muito especial porque quando acertava, sorria, e quando errava também. Tinha uma alegria e uma energia imensa que contagiava a todos”, finalizou.
samambaia
GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2017
-EDUCAÇÃO-
ESCOLA SEM EMPRESA E ENTREGA EDUCAÇÃO PÚBLICA PARA A INICIATIVA PRIVADA REPORTAGEM Cláudia Castro
Letícia Michalczyk
EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
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Lucas Botelho
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REAÇÃO Tendo em vista esse modelo de educação reflexiva, os estudantes formaram o Movimento Secundaristas em Luta - GO, para protestar contra a instauração das OS’s na educação e reivindicar um ensino de qualidade. Após promoverem protestos a fim de demonstrarem a insatisfação coletiva e não serem ouvidos, as alunas e alunos convocaram uma assembleia e, no dia nove
Sofremos, e muito, com a repressão dos policiais, mas resistimos. JÚLIO CÉSAR Estudante
do Rafael Saddi, professor de História na Universidade Federal de Goiás, “em Goiás esse processo de corrupção é muito mais evidente, porque as OS’s. estão diretamente vinculadas a uma máfia muito antiga”. MÁFIA No dia 18 de agosto de 2016, a Seduce divulgou que o Grupo Tático de Resgate (GTR) havia sido selecionado para gerir 23 escolas públicas em Anápolis. O presidente dessa instituição é José Roldão Barbosa, porém, antes dele, também foram presidentes André Luiz das Dores e Antônio Carlos Noleto. Ambos respondem processo por desvio de dinheiro e crime de concussão por meio das OS’s que administram a saúde pública em Goiás. José Roldão Barbosa – atual presidente – também é filiado ao PSDB desde 2009, o mesmo partido do governador Marconi Perillo. Antes do segundo edital das OS’s ser derrubado, a Secretaria de Educação chegou a divulgar o nome de quatro Organizações Sociais que estariam encarregadas de gerir as escolas estaduais de Goiás. Entre elas, também estava a GTR, qualificada pelo governador como organização social apenas alguns dias antes de ser selecionada. De acordo com a professora Jane Darley Alves dos Santos, a privatização da educação afeta diretamente os professores. “As OS’s preveem que a escola pode manter um corpo docente vinculado ao Estado de 30%, mas os outros 70% podem ser por contratos, porque quem vai pagar os professores são os gestores estaduais e então eles podem manipular a autonomia desses docentes”, afirma. Nos EUA, escolas que seguem um modelo chamado de “Charter Schools”, que funciona de forma semelhante às OS’s, várias instituições de ensino estavam falsificando os resultados ao invés de trabalharem com as dificuldades dos alunos que não estavam tendo o rendimento esperado. Segundo Raquel Teixeira, é nesse mo-
de dezembro de 2015, o colégio estadual José Carlos Almeida, localizado no centro de Goiânia, foi ocupado pela primeira vez. Após o primeiro colégio ser ocupado, outra assembleia foi convocada, desta vez para a ocupação do colégio Robinho Martins de Azevedo, região noroeste. “Quando a gente fez a assembleia para ocupar o Robinho foi muito interessante, porque você via nos olhos dos estudantes que eles realmente estavam entendendo e que eles queriam abraçar a causa”, conta Júlio. Aos novatos, logo foi explicado como funciona toda a organização de uma ocupação. Cada comitê foi definido. Um grupo era responsável pela comida, outro pela limpeza, outro pelos eventos culturais, outro pela segurança e, assim, o grupo de adolescentes geriu o colégio Robinho durante quase dois meses. No período das ocupações diversas atividades foram promovidas pelos secundaristas. Os próprios professores iam até a escola e ministravam aulas alternativas, que prendiam a atenção dos alunos. Eram promovidas também rodas de conversa e oficinas. “Isso intensificou o interesse de alguns estudantes pelo conhecimento”, afirma Thales, secundarista que participou efetivamente das ocupações no colégio Cecília Meireles, em Aparecida de Goiânia.
À medida que a informação ia se espalhando, mais escolas eram ocupadas. Goiânia foi tomada de norte a sul, assim como outras cidades do estado. Com a luta, veio a repressão. Como os ocupantes não cometeram crime algum, a tática da polícia era a intimidação. Não possuíam permissão para prender, mas não havia quem os impedisse de agredir. “Eu estava em cima do muro pegando as doações e um policial chegou gritando para descer do muro, como eu não obedeci, ele puxou um cassetete da cavalaria e começou a me bater até eu descer”, relata Thales. O mesmo ocorreu com Júlio. “Sofremos, e muito, com a repressão dos policiais, mas resistimos”. E continuaram resistindo por mais de 60 dias. JUSTIÇA Em fevereiro, quando a última escola foi desocupada, o MP-GO já havia derrubado o segundo edital das OS’s proposto pela Seduce. No dia 20 de outubro, os estudantes obtiveram uma nova vitória. A promotora de justiça Carla Brant propôs ação civil pública contra o Estado de Goiás e a Seduce, em razão de irregularidades e inconstitucionalidade no Edital de Chamamento Público n° 3/2016 para contratação de Organização Social na área da educação, em Anápolis. A promotora aponta como ilegais a contratação de professores pelo regime celetista, o repasse de verba da Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) às OS’s, bem como a falta de comprovação da economicidade da contratação para gerir as unidades escolares. A luta dos secundaristas ainda se somou recentemente, em conjunto com estudantes universitários, às reivindicações contra projetos como a Escola sem Partido, a militarização das instituições de ensino, a Medida Provisória (MP) proposta para modificar o ensino médio e a PEC 241/55. Um levantamento realizado pela Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) mostrou que, em todo o país, mais de 1.154 unidades de ensino ocupadas por alunos, mostrando que, nas ocupações, os estudantes agem em prol do futuro da educação brasileira. Secundaristas em Luta - GO
ram doze horas e trinta minutos de um sábado. Em um dia comum, o espaço interior àqueles muros de concreto estaria vazio e silencioso, mas aquele não era um dia comum. Entre aqueles muros de concreto, havia barulho e agitação. Naquela manhã, o prédio do Colégio Estadual José Carlos Almeida (JCA) havia sido ocupado por estudantes, em uma ação contrária à medida de terceirização da educação estadual em Goiás. O calendário marcava 17 de setembro de 2016 e, em dois, dias seria liberado o terceiro edital proposto pela Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), que iniciou a privatização do sistema educacional que atualmente é gerido pelo Estado. A movimentação da luta dos estudantes chamou a atenção. Menos de uma hora após o prédio ser ocupado, quatro camburões da polícia militar (PM) já estavam estacionados em frente ao colégio. Liderados pelo Tenente Cel. Edson, os policiais se posicionaram em frente ao portão, na tentativa de intimidar os estudantes e obrigá-los a desocupar o espaço. “Cadê o mandado de despejo?”, questionou um dos alunos. A resposta foi direta: “invasor não tem mandado!” Como se estivessem entrando em um campo de guerra e lidando com criminosos de altas habilidades, os PM’s, equipados com escudos de proteção, cassetetes, capacetes, gases tóxicos e até mesmo armas de fogo, quebraram as trancas dos portões e invadiram o colégio. Naquele dia, foram presos cerca de 50 adolescentes e estudantes. A luta, entretanto, não começou ali. Ela vem percorrendo um longo caminho desde o ano passado, num movimento em que 28 escolas foram ocupadas em Goiás. Após dois meses de ocupação, o segundo edital das Organizações Sociais (OS’s) foi barrado pelo Ministério Público de Estado de Goiás (MP-GO), mas um terceiro projeto de privatização logo foi elaborado e divulgado pela Seduce em setembro. No dia 9 de dezembro, o movimento completou um ano de resistência. O modelo de educação proposto pela Seduce propõe que, inicialmente, parte das escolas estaduais de Goiás sejam administradas por OS’s. Por definição, as Organizações Sociais são entidades privadas sem fins lucrativos que recebem sub-
delo que a Secretaria da Educação está se inspirando ao implantar as OS’s em Goiás.
Lucas Xavier
MOVIMENTOS SOCIAIS
venção do governo para prestarem serviços públicos. O objetivo é que as escolas em Goiás sejam geridas e administradas por empresas terceirizadas, de forma que elas tenham total autonomia a respeito da educação dos alunos, sem necessidade de aprovação ou fiscalização da Secretaria. O Estado estabelece um contrato com a empresa e ela tem a obrigação de divulgar ao portal de transparência a quantia gasta semestralmente. Porém, sem especificações exatas da forma como essa quantia foi gasta, o que facilita o desvio e a corrupção do dinheiro público. Segun-
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GOVERNO REPRIME
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Estudantes em frente ao colégio JCA, momentos antes da PM invadir
- A Ç Õ E S A F I R M AT I VA S -
ALÉM DA DECOREBA COLÉGIO DE APLICAÇÃO SE DESTACA POR
FORMAÇÃO CRÍTICA E APLICADA REPORTAGEM Wilton Matheus EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO Larissa Ariel
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GOIÂNIA, FEVEREIRO DE 2017
FORMAÇÃO De acordo com o doutor em Educação e diretor do Cepae, Alcir Horácio da Silva, a escola possui a maioria dos profissionais formados com mestrado e doutorado. A estimativa do diretor é que o número de docentes titulados seja superior a 90%. “Para fazer pesquisa, extensão e inovação, o professor precisa de tempo. Ele não precisa correr de escola em escola. A maioria, aqui, é composta por doutores, o que proporciona conhecimento acima dos colégios do Município e do Estado”, conta Horácio. Em contrapartida, a estudante do terceiro ano do Ensino Médio, Bruna Gabriely Bueno, 17 anos, discorda que a qualificação de pós-graduação seja suficiente. “As áreas de exatas são fracas, muitos professores são doutores na matéria, mas não são doutores em lecionar. Isso acaba criando um desinteresse dos alunos diante da falta de didática e de dinâmica”, comenta Bruna. O aluno Saymon Gomes identifica os mesmos problemas. Desde que entrou na escola, percebeu certa defasagem no ensino de Matemática. “Muitos alunos, ao longo do Ensino Fundamental, não aprendem devidamente os conteúdos necessários para quando forem entrar no segundo grau”, revela. Para Saymon, quando se inicia uma das mais im-
Wilton Matheus
Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae) se diferencia ao oferecer , da alfabetização ao Ensino Médio, uma formação que não se pauta pela “decoreba”. Diferentes das demais escolas de âmbito Municipal e Estadual, as escolas de aplicação saem do ensino focado apenas em vestibulares ou na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Elas procuram uma formação mais ampla, que envolve desde os processos seletivos para a entrada no Ensino Superior a outros segmentos que se focam na realidade dos trabalhadores brasileiros. Além disso, são estimadas áreas que dependam de pesquisa, extensão e inovação. O aluno Saymon Gabriel Gomes, de 17 anos, está cursando o segundo ano do Ensino Médio na escola. Desde o quinto ano do Ensino Fundamental no Cepae, ele aprova o método da instituição. “Ao contrário do sistema decoreba, pelo qual o estudante é forçado a decorar inúmeras coisas, mas não sabe sequer o
que elas sejam , o porquê que elas são assim, o Cepae ensina de verdade”, avalia o Saymon.
portantes fases do ensino básico, os alunos se sentem prejudicados na compreensão dos conteúdos de Física e, “principalmente, de Química”. Diante desse contexto, professores dessas áreas precisam voltar o conteúdo para ensinar alguns assuntos de Matemática, disciplina essencial para o ensino das duas matérias. Entretanto, conforme informações dos próprios alunos, a escola já realizou o reparo e passou a iniciar o ensino de Química no nono ano do
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TCCM Outro diferencial é que, ao concluir o terceiro ano, os estudantes realizam um Trabalho de Conclusão de Curso do Ensino Médio (TCCM). “Nossos alunos saem na frente com o Trabalho de Conclusão. Os estudantes aprendem regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), aprendem o que são objetivos gerais e específicos, como também os elementos básicos de uma
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Ao contrário do sistema decoreba, o Cepae ensina de verdade. SAYMON GABRIEL
Estudante do Segundo Ano do Cepae Ensino Fundamental. Entretanto, a medida não atende as atuais turmas de segundo e terceiro anos. A despeito dos pontos positivos e negativos, comuns a quaisquer instituições educativas, o Cepae tem o mérito de capacitar professores para lecionar em escolas de todo Brasil. “Temos aqui supervisão de estágio para alunos do Mestrado e da graduação. Fazemos e oferecemos uma formação de estudantes que vão trabalhar nas demais redes do governo e, também, na rede privada”, aponta Alcir Horácio. O Cepae é uma das primeiras escolas do país que possui curso de Mestrado em Ensino Básico, com curso stricto sensu e lato sensu.
pesquisa”, diz o diretor. A consequência de o aluno sair da escola de aplicação sabendo dessas regras, e com capacidade para exercê-las, é que ele não irá depender de qualquer instituição. Para o diretor isso gera autonomia. “O vestibular é consequência do que fazemos aqui. É uma formação integral”, conclui. Apesar de alguns estudantes, que não são alunos do Cepae, se assustarem com o TCCM, os estudantes do colégio veem o trabalho como uma prévia do futuro trabalho de conclusão de curso na Universidade, o famoso TCC, que os universitários têm de fazer ao final de suas graduações. “O TCCM segue os mesmos parâmetros do TCC das faculdades. Nele, o aluno escolhe um tema de seu interesse e procura um professor da instituição para o orientar, de acordo com a área de conhecimento do docente. Caso ambos, tanto aluno como professor, aceitem o projeto conjunto, os dois assinam um termo de compromisso. Então começam a realizar as pesquisas”, explica o estudante Saymon. EXTENSÃO
Saymon Gabriel Gomes, estudante do segundo ano do Cepae
São diversos os trabalhos de extensão na escola. Na área da Arte e da Música, eles são desenvolvidos em parceria com as faculdades específicas de cada ramo. A aluna Bruna procura participar dessas atividades. “A maioria das extensões acrescentam muito em nossas vidas. O Cepae tem evento de música, tem mostra de trabalhos, promove discussões sobre temas da atualidade. Tivemos também uma discussão sobre Organizações Sociais (OS’ s), políticas, além de outros temas. Particularmente, procuro participar de todas”, pondera a aluna Bruna, sobre a importância dos eventos.
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AS ÁRVORES SÃO A VIDA DO CAMPUS ROTINA ACADÊMICA, MAS CAUSA PROVOCA PROBLEMAS REPORTAGEM Fausto André EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO
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Isadora Tristão Larissa Farias
Fausto André
muito difícil encontrar um morador de Goiânia que não tenha reclamado pelo menos uma vez na vida do calor. E com razão. A cidade chegou a registrar 38,8 graus Celsius no último dia 17 de setembro, uma temperatura recorde segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O que os goianienses talvez não saibam é o papel das redondas mongubas, das frondosas sibipirunas e dos ocasionais ipês de folhas amarelas que ocupam as ilhas das milhares de avenidas e ruas e os 191 parques e bosques espalhados pela capital. Estes números, colocados em perspectiva, classificam Goiânia como a cidade mais arborizada do Brasil, segundo o IBGE de 2010, e a sua vasta coleção de 950 mil árvores de 382 espécies diferentes possui um papel fundamental na amenização da temperatura e na manutenção da umidade do ar. “Em lugares com adensamento e concentração de árvores, você tem uma exigência menor de ar-condicionado nos meses quentes”, afirma o biólogo Magno Castelo Branco, da ONG Iniciativa Verde. Este ranking se mantém até hoje pelo Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU), em vigor desde dezembro de 2003, que se propõe a realizar uma gestão inteligente do plantio de cada espécie em determinadas áreas deacordo com seu desenvolvimento, de modo a não interferirem nas fiações elétricas, quebrarem as calçadas ou gerarem outros transtornos.
Nas primeiras horas úteis da manhã, a Praça Universitária já transborda com movimento. Apesar do frescor matinal e da aeração esperada de sua grande extensão, o ir e vir de carros e ônibus que ali passam, junto à cacofonia de seus pneus no asfalto e o falar alto dos estudantes contrastam com a indiferente tranquilidade das árvores altaneiras que ali resistem às controversas revitalizações de 2011 que envolveram o corte de diversas mongubas aparentemente saudáveis, e até mesmo a ataques como a queimada criminosa ocorrida contra uma gameleira em agosto desse ano. Resistem, principalmente, como as últimas âncoras naturais de uma vida que não gire completamente em torno da pressa, do estresse e da fumaça quente saída dos escapamentos. Em contrapartida, o verde predominante no Campus Samambaia justificam o seu nome. As árvores aqui dominam a visão, aliando-se à leve umidade do solo vinda dos primeiros dias chuvosos do mês de outubro e à característica fauna dos macacos e dos ocasionais cachorros adotados pelos funcionários, dando um ar bucólico e naturalista que se complementa à atmosfera intensa de atividades acadêmicas, concedendo ao Campus II da UFG uma característica única. Um espaço não só de estudos e formação, mas um lugar atraente para uma pausa da pesada rotina e aproveitar alguns momentos em um ambiente onde a natureza envolve, abriga e influi na maneira das faculdades funcionarem. Nesta disparidade atmosférica entre os dois campus, a relação dos seus estudantes com o espaço ao seu redor é bastante diferente também. Quem estuda na Praça Universitária, apesarde sentir que a presença das árvores como composição de ambiente seja importante, admite que não tem tempo ou o costume de integragir com o pouco natural existente no mar urbano. Enquanto quem estuda no Campus Samambaia não consegue imaginar o que seria de suas experiências vividas no espaço da universidade sem a presença das árvores, seja por se deitar ao pé de uma copa para cochilar depois do almoço ou em uma roda de violão com amigos.
As árvores transformam a paisagem do Campus II
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Carros de segurança da UFG fazem a ronda por todo o campus
Em lugares com adensamento e concentração de árvores, você tem uma exigência menor de ar-condicionado nos meses quentes. MAGNO CASTELO BRANCO
Biólogo na ONG Iniciativa Verde BOSQUE Localizado no interior do Campus Samambaia, o Bosque Auguste de Sant-Hilare contém aproximadamente 20 hectares de uma mata primitiva, escura e claustrofóbica em suas trilhas, com o cheiro de orvalho e o frescor das copas ainda perceptível para quem chega antes das 7:30 na faculdade, quando o calor já mascara a mata não deixando nada além de uma visão triste de um conglomerado cercado e inacessível de árvores, e o sons que se confundem entre meras brisas balançando os galhos ou dos macacos que fazem isso ao se locomoverem, entre assobios. Originalmente o Bosque foi um espaço pensado para estudos, ensino e pesquisa, em especial sobre Educação Ambiental, bem como para a visitação da comunidade e também a conservação da sua flora variada, constituinte de Ipê Amarelo, Jatobá, Garapa, Pau’Óleo, Canela de Velho, Gitó ou Marinheiro, Mandiocão, Jacarandá, Escorrega-Macaco, Angico e Cedro. Tendo sido um espaço antes preferencial de convivência dos alunos (tanto no interior de suas trilhas quanto nas mesas que ficavam em sua orla), o bosque acabou sendo cercado e fechado em 2014 devido à problemas com o tráfico e uso de drogas. Apesar de ter havido desde então diversas mobilizações e atividades pela conscientização do bosque, como a campanha “Vamos conversar sobre o bosque? Diz aí!” realizada em agosto de
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CAMPUS MUDA A
UFG
Fausto André
A ARBORIZAÇÃO NO
2014 nas proximidades da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), do Instituto de Química (IQ), do Centro de Convivências e do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae), e de existir um projeto para a requalificação do Bosque decorrente desta campanha, a mata ainda prossegue fechada e com a sua orla em obras que não possuem prazo claro para terminar. SEGURANÇA Os dois Campus da UFG têm suas claras diferenças de rotina durante o dia, mas durante a noite gozam de características parecidas. Além de haver atividades acadêmicas acontecendo, os espaços abertos são mais utilizados neste horário para eventos como mostras artísticas e shows. No entanto, problemas estruturais como falta de iluminação em lugares densamente arborizados, o tráfico livre de drogas e o crescente número de assaltos nos últimos dois anos contribuem para uma sensação de insegurança dentro da universidade. Em junho deste ano, após uma denúncia de estupro ocorrida dentro do Campus Samambaia (cuja veracidade seria questionada depois), a Reitoria acabou sendo ocupada por estudantes, em sua maioria mulheres, em protesto ao caso e exigindo um posicionamento da universidade. Uma das pautas do movimento era a segurança dentro do campus, especialmente durante a noite.
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OLHARES
FOTOS E TEXTO
Larissa Artiaga | EDIÇÃO E DIAGRAMAÇÃO Julie Tsukada
Projeto Gelateratura Em meio ao caos da cidade o único meio que parece nos transportar de verdade para fora da realidade continua sendo um bom livro. Pelo menos, este é o lema do projeto Gelateratura. A iniciativa consiste na instalação de geladeiras cheias de livros em locais públicos de Goiânia , como Praças e Terminais de Ônibus por exemplo, e é promovida pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) e RedeMob Consórcio em parceria com a Oficina Cultural Geppetto, idealizadora da Gelateratura, e Prefeitura de Goiânia. Qualquer pessoa pode pegar, ler e doar títulos de vários gêneros literários. Para participar basta abrir a geladeira de conhecimento mais próxima.