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OS REFLEXOS DA CRISE
DESEMPRE Divulgação
ncerteza foi a palavra chave de 2016. Algumas perspectivas otimistas apontam que neste ano haverá uma pequena melhora na economia do país, mas até o momento o cenário continua praticamente o mesmo. Durante o ano passado, bastava olhar para o lado e víamos conhecidos ou familiares na busca por emprego. Segundo dados recentes, falta trabalho para 23 milhões de brasileiros, de todas as faixas etárias. O jornal Ponto traz, nesta edição, uma reportagem especial sobre o desemprego nas cidades de Volta Redonda, Barra Mansa e Pinheiral. E também apresenta as estratégias dos municípios para a reinserção de seus moradores no mercado de trabalho.
Administração Pública teve um desligamento em dezembro.
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Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a dezembro de 2016, Volta Redonda perdeu 3.699 postos de trabalho. Foram 19.577 admissões e 23.276 desligamentos, em todos os setores da economia da Cidade do Aço. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Joselito Magalhães, os números são reexos da grave crise nanceira e política que assola todo o país. “Temos a real noção da crise econômica que afeta o país e, mais profundamente, o Estado do Rio, mas nossa cidade é o centro de consumo da região e tem
Se comparado ao último semestre de 2016, a taxa de desemprego em Volta Redonda se mostra instável. O mês de setembro, por exemplo, fechou com saldo positivo de 604 novas vagas formais. Já no mês seguinte, o resultado foi negativo, com a perda de 38 postos de trabalho. Em novembro, os números voltaram a subir e o mês foi nalizado com saldo positivo de 387 vagas formais. Segundo Joselito, inicialmente, o governo municipal está melhorando o ambiente de negócios, reduzindo burocracias na formalização de empresas e i n c e n t i v a n d o o s Microempreendedores Individuais com a extinção de taxas. Volta Redonda perdeu 395 vagas formais em dezembro; Já Barra Mansa, perdeu 95 empregos no mesmo mês
muitos atrativos para quem quer empreender. Com isso, a atual gestão vem criando uma política de desenvolvimento econômico que nos trará resultados signicativos em breve”, enfatizou o secretário. Volta Redonda fechou o mês de dezembro com salgo negativo de 395 vagas formais. Foram 1.653 admissões contra 2.048 desligamentos. O destaque negativo cou por conta do setor de Serviços, que contratou 486 e demitiu 777 trabalhadores. O setor de Construção
Civil contratou 78 pessoas, em dezembro, e demitiu outras 172. Já o Comércio, contrariando a expectativa da maioria, contratou 581 e demitiu 657, com saldo negativo de 76 empregos. A Indústria de Transformação cou no “azul”. Foram 277 admissões e 223 desligamentos. O Serviço Industrial de Utilidade Pública teve 224 admissões e 214 demissões, com saldo positivo de dez empregos. O Extrativismo Mineral teve uma demissão, enquanto o agronegócio manteve quatro admissões. A
“Criamos um projeto chamado Vale Digital, que tem como objetivo buscar avanços tecnológicos e de inovação, com incentivos à criação de startups e incubadora de empresas. Unimos nesse projeto a equipe de governo municipal, as universidades e escolas técnicas e empresários. Também estaremos promovendo mudanças no atual modelo do VR Empregos; implantaremos uma nova política de balcão de empregos para atender às duas pontas, desempregados e empresas, identicando as necessidades das empresas e buscando essa mão de obra no mercado, e se for necessário,
Pinheiral perdeu 125 empregos formais em 2016 De acordo com os dados do Caged, de janeiro a dezembro de 2016, Pinheiral perdeu 125 postos de trabalho. Foram 644 admissões e 769 desligamentos, em todos os setores da economia. O município fechou o mês de dezembro com saldo negativo de 14 vagas formais. Foram 31 admissões contra 45 demissões. O destaque negativo, segundo o levantamento, cou por conta do setor de Serviços, com 23 desligamentos, contra 11 admissões. Os setores de Construção Civil e de Agropecuária tiveram apenas quatro demissões cada.
O sistema do Caged não apresentou alguns dados referentes ao município de Pinheiral. O saldo positivo cou por conta do setor de Comércio. Foram 15 admissões e nove desligamentos. Se comparado ao último semestre de 2016, a taxa de desemprego em Pinheiral também se mostrou instável. Em agosto, por exemplo, o saldo foi negativo de 18 vagas formais. No mês seguinte, o resultado foi negativo, com a perda de 24 postos de trabalho. Em outubro, esse número subiu para 54. Já em novembro, a perda de vagas formais caiu para 14, mesmo índice de dezembro.
Segundo informações da prefeitura, para colaborar na reinserção de seus moradores ao mercado de trabalho, a atual gestão possui projetos em andamento. Este mês, o governo municipal abriu o processo seletivo da secretaria de Educação para preenchimento de 113 vagas para diversos cargos. Outra ação que vem sendo tomada é a participação do prefeito Ednardo Barbosa, juntamente com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Pedro Paulo Santana, e demais prefeitos do Sul Fluminense, em um encontro mensal que visa criar ações em conjunto para promover o desenvolvimento das cidades da
região e com vista à realização do Fórum de Desenvolvimento Econômico. “A secretaria de Desenvolvimento Econômico está trabalhando para incentivar novas empresas a se instalarem em Pinheiral e na reavaliação de todas as concessões de áreas industriais. Três novas empresas poderão se instalar no município nos próximos meses. E para ofertar cursos prossionalizantes uma das ações está sendo tomada junto com o Sebrae”, informou a prefeitura em nota enviada ao jornal Ponto.
ECONÔMICA NA REGIÃO
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Só Volta Redonda perdeu mais de 3,5 mil postos de trabalho no ano passado
Barra Mansa tem índices menores, mas quadro também preocupa
m Barra Mansa, o cenário não é muito diferente de sua cidade vizinha, Volta Redonda. De janeiro a dezembro de 2016, o município perdeu 1.686 vagas formais. Foram 8.965 admissões contra 10.651 desligamentos no período, segundo informações do Caged. Em dezembro, de acordo com o levantamento, a cidade perdeu 95 postos de trabalho formais. Foram 700 admissões e 795 demissões – número considerado baixo, levando em consideração o índice populacional do município.
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O setor de Serviços fechou o mês de dezembro no “vermelho”. Foram 229 admissões e 356 desligamentos, um saldo negativo de 127 vagas formais. O Serviço Industrial de Utilidade Pública teve quatro admissões e 14 demissões. Já o agronegócio contratou sete e demitiu 12, fechando com saldo negativo de cinco vagas formais. O setor de Construção Civil fechou o mês de dezembro no azul. Foram 78 admis-
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sões e 54 desligamentos. O Comércio teve 279 admissões e 268 demissões. Já a Indústria de Transformação contratou 103 pessoas e demitiu outras 92.
uma avaliação escrita. “Estamos recebendo currículos desde quando assumimos a prefeitura. A procura é grande, por isso pensamos na seleção para atender de forma transparente e democrática a todos que vieram aqui em busca de uma oportunidade. Estamos criando um cadastro de reserva com prossionais que realmente sejam qualicados e, conforme houver necessidade e vaga, chamaremos essas pessoas”, explicou a secretária de Educação, Flávia Sampaio.
argumentou.
mesma e para a família. Só que chegou uma hora que a costura teve que virar meu trabalho. Não tinha outra saída. Comecei a fazer para o bairro e hoje ganho uma boa renda das costuras. Faço todo tipo, inclusive vestidos de madrinhas e de formaturas”, disse Ilda, enfatizando que, no nal do ano passado, aumentou sua verba com a proximidade dos bailes de gala.
O assessor técnico da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Barra Mansa, Deyvison Nascimento, destacou que o atual governo está negociando, com diversas entidades governamentais, projetos para o melhoramento da capacidade de mão de obra local. “Participamos de um seminário na Firjan, com organizações empresariais, buscando entender e mapear quais são as demandas das empresas quando buscam prossionais. A partir deste ponto, o município pode intensicar a busca por cursos de formação prossional que atendam a demanda existente no mercado”, explicou Deyvison.
CRISE
CRIE De acordo com os dados do Caged, de Muita gente se viu desocupada pela primeira vez em 2016. Para preencher o tempo e complementar a renda, algumas pessoas optaram por montar seu próprio negócio em casa. Uma forma de “não deixar a peteca cair”. É o caso da professora e doceira Cristiane Ramos. Moradora do bairro Cerâmica União, Cristiane empreendeu e hoje vende todos os tipos de doces. São clientes de diversos bairros de Volta Redonda e Barra do Piraí. “Me ajuda muito. Em janeiro a venda não é tão boa, mas de fevereiro em diante as
Barra Mansa abriu processo seletivo este ano. Desta vez, a secretaria de Educação montou um banco de reserva para professores. Os interessados entregaram os currículos, que foram analisados, e passaram por
encomendas aumentam muito. Todo mundo faz festa de aniversário, batizado, casamento, chá de bebê e de panela. Em todos esses eventos, tenho encomendas”, explicou Cristiane, que faz desde doces simples a chocolates eróticos.
E para fugir da crise não é preciso ter muitos dotes culinários. A dona de casa Salete Oliveira recorreu ao famoso geladinho e está levando a criançada do bairro Ponte Alta, em Volta Redonda, ao delírio. “No ano passado começamos a fazer e deu muito certo. Mas, com o tempo, acabei dando uma desanimada. Só que o retorno é bom. O dinheiro ajuda e muito. Decidi voltar no início desse ano e a venda está ótima. Os valores variam de acordo com o sabor, mas não passam de R$ 1. É gostoso, barato, refresca e ainda me ajuda”, destacou Salete, acrescentando que conta com o auxílio de todos da casa: “Todo mundo me ajuda. Acaba sendo um momento também de descontração”,
Ilda Fonseca trabalhou durante três anos em um escritório de contabilidade. Acostumada a ganhar seu próprio dinheiro, Ilda cou desempregada em meados no ano passado, por conta de diculdades nanceiras por parte da empresa, e teve que buscar maneiras de manter sua renda habitual. “Eu sempre soube costurar. Mas fazia para mim
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Doces, maças do amor, cupcakes e chocolates. Vale tudo para driblar a crise