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Edição 005 - Jornal Ponto

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ponto


OS REFLEXOS DA CRISE

DESEMPRE Divulgação

ncerteza foi a palavra chave de 2016. Algumas perspectivas otimistas apontam que neste ano haverá uma pequena melhora na economia do país, mas até o momento o cenário continua praticamente o mesmo. Durante o ano passado, bastava olhar para o lado e víamos conhecidos ou familiares na busca por emprego. Segundo dados recentes, falta trabalho para 23 milhões de brasileiros, de todas as faixas etárias. O jornal Ponto traz, nesta edição, uma reportagem especial sobre o desemprego nas cidades de Volta Redonda, Barra Mansa e Pinheiral. E também apresenta as estratégias dos municípios para a reinserção de seus moradores no mercado de trabalho.

Administração Pública teve um desligamento em dezembro.

I

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a dezembro de 2016, Volta Redonda perdeu 3.699 postos de trabalho. Foram 19.577 admissões e 23.276 desligamentos, em todos os setores da economia da Cidade do Aço. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Joselito Magalhães, os números são reexos da grave crise nanceira e política que assola todo o país. “Temos a real noção da crise econômica que afeta o país e, mais profundamente, o Estado do Rio, mas nossa cidade é o centro de consumo da região e tem

Se comparado ao último semestre de 2016, a taxa de desemprego em Volta Redonda se mostra instável. O mês de setembro, por exemplo, fechou com saldo positivo de 604 novas vagas formais. Já no mês seguinte, o resultado foi negativo, com a perda de 38 postos de trabalho. Em novembro, os números voltaram a subir e o mês foi nalizado com saldo positivo de 387 vagas formais. Segundo Joselito, inicialmente, o governo municipal está melhorando o ambiente de negócios, reduzindo burocracias na formalização de empresas e i n c e n t i v a n d o o s Microempreendedores Individuais com a extinção de taxas. Volta Redonda perdeu 395 vagas formais em dezembro; Já Barra Mansa, perdeu 95 empregos no mesmo mês

muitos atrativos para quem quer empreender. Com isso, a atual gestão vem criando uma política de desenvolvimento econômico que nos trará resultados signicativos em breve”, enfatizou o secretário. Volta Redonda fechou o mês de dezembro com salgo negativo de 395 vagas formais. Foram 1.653 admissões contra 2.048 desligamentos. O destaque negativo cou por conta do setor de Serviços, que contratou 486 e demitiu 777 trabalhadores. O setor de Construção

Civil contratou 78 pessoas, em dezembro, e demitiu outras 172. Já o Comércio, contrariando a expectativa da maioria, contratou 581 e demitiu 657, com saldo negativo de 76 empregos. A Indústria de Transformação cou no “azul”. Foram 277 admissões e 223 desligamentos. O Serviço Industrial de Utilidade Pública teve 224 admissões e 214 demissões, com saldo positivo de dez empregos. O Extrativismo Mineral teve uma demissão, enquanto o agronegócio manteve quatro admissões. A

“Criamos um projeto chamado Vale Digital, que tem como objetivo buscar avanços tecnológicos e de inovação, com incentivos à criação de startups e incubadora de empresas. Unimos nesse projeto a equipe de governo municipal, as universidades e escolas técnicas e empresários. Também estaremos promovendo mudanças no atual modelo do VR Empregos; implantaremos uma nova política de balcão de empregos para atender às duas pontas, desempregados e empresas, identicando as necessidades das empresas e buscando essa mão de obra no mercado, e se for necessário,

Pinheiral perdeu 125 empregos formais em 2016 De acordo com os dados do Caged, de janeiro a dezembro de 2016, Pinheiral perdeu 125 postos de trabalho. Foram 644 admissões e 769 desligamentos, em todos os setores da economia. O município fechou o mês de dezembro com saldo negativo de 14 vagas formais. Foram 31 admissões contra 45 demissões. O destaque negativo, segundo o levantamento, cou por conta do setor de Serviços, com 23 desligamentos, contra 11 admissões. Os setores de Construção Civil e de Agropecuária tiveram apenas quatro demissões cada.

O sistema do Caged não apresentou alguns dados referentes ao município de Pinheiral. O saldo positivo cou por conta do setor de Comércio. Foram 15 admissões e nove desligamentos. Se comparado ao último semestre de 2016, a taxa de desemprego em Pinheiral também se mostrou instável. Em agosto, por exemplo, o saldo foi negativo de 18 vagas formais. No mês seguinte, o resultado foi negativo, com a perda de 24 postos de trabalho. Em outubro, esse número subiu para 54. Já em novembro, a perda de vagas formais caiu para 14, mesmo índice de dezembro.

Segundo informações da prefeitura, para colaborar na reinserção de seus moradores ao mercado de trabalho, a atual gestão possui projetos em andamento. Este mês, o governo municipal abriu o processo seletivo da secretaria de Educação para preenchimento de 113 vagas para diversos cargos. Outra ação que vem sendo tomada é a participação do prefeito Ednardo Barbosa, juntamente com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Pedro Paulo Santana, e demais prefeitos do Sul Fluminense, em um encontro mensal que visa criar ações em conjunto para promover o desenvolvimento das cidades da

região e com vista à realização do Fórum de Desenvolvimento Econômico. “A secretaria de Desenvolvimento Econômico está trabalhando para incentivar novas empresas a se instalarem em Pinheiral e na reavaliação de todas as concessões de áreas industriais. Três novas empresas poderão se instalar no município nos próximos meses. E para ofertar cursos prossionalizantes uma das ações está sendo tomada junto com o Sebrae”, informou a prefeitura em nota enviada ao jornal Ponto.


ECONÔMICA NA REGIÃO

GO

Só Volta Redonda perdeu mais de 3,5 mil postos de trabalho no ano passado

Barra Mansa tem índices menores, mas quadro também preocupa

m Barra Mansa, o cenário não é muito diferente de sua cidade vizinha, Volta Redonda. De janeiro a dezembro de 2016, o município perdeu 1.686 vagas formais. Foram 8.965 admissões contra 10.651 desligamentos no período, segundo informações do Caged. Em dezembro, de acordo com o levantamento, a cidade perdeu 95 postos de trabalho formais. Foram 700 admissões e 795 demissões – número considerado baixo, levando em consideração o índice populacional do município.

E

O setor de Serviços fechou o mês de dezembro no “vermelho”. Foram 229 admissões e 356 desligamentos, um saldo negativo de 127 vagas formais. O Serviço Industrial de Utilidade Pública teve quatro admissões e 14 demissões. Já o agronegócio contratou sete e demitiu 12, fechando com saldo negativo de cinco vagas formais. O setor de Construção Civil fechou o mês de dezembro no azul. Foram 78 admis-

NA

sões e 54 desligamentos. O Comércio teve 279 admissões e 268 demissões. Já a Indústria de Transformação contratou 103 pessoas e demitiu outras 92.

uma avaliação escrita. “Estamos recebendo currículos desde quando assumimos a prefeitura. A procura é grande, por isso pensamos na seleção para atender de forma transparente e democrática a todos que vieram aqui em busca de uma oportunidade. Estamos criando um cadastro de reserva com prossionais que realmente sejam qualicados e, conforme houver necessidade e vaga, chamaremos essas pessoas”, explicou a secretária de Educação, Flávia Sampaio.

argumentou.

mesma e para a família. Só que chegou uma hora que a costura teve que virar meu trabalho. Não tinha outra saída. Comecei a fazer para o bairro e hoje ganho uma boa renda das costuras. Faço todo tipo, inclusive vestidos de madrinhas e de formaturas”, disse Ilda, enfatizando que, no nal do ano passado, aumentou sua verba com a proximidade dos bailes de gala.

O assessor técnico da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Barra Mansa, Deyvison Nascimento, destacou que o atual governo está negociando, com diversas entidades governamentais, projetos para o melhoramento da capacidade de mão de obra local. “Participamos de um seminário na Firjan, com organizações empresariais, buscando entender e mapear quais são as demandas das empresas quando buscam prossionais. A partir deste ponto, o município pode intensicar a busca por cursos de formação prossional que atendam a demanda existente no mercado”, explicou Deyvison.

CRISE

CRIE De acordo com os dados do Caged, de Muita gente se viu desocupada pela primeira vez em 2016. Para preencher o tempo e complementar a renda, algumas pessoas optaram por montar seu próprio negócio em casa. Uma forma de “não deixar a peteca cair”. É o caso da professora e doceira Cristiane Ramos. Moradora do bairro Cerâmica União, Cristiane empreendeu e hoje vende todos os tipos de doces. São clientes de diversos bairros de Volta Redonda e Barra do Piraí. “Me ajuda muito. Em janeiro a venda não é tão boa, mas de fevereiro em diante as

Barra Mansa abriu processo seletivo este ano. Desta vez, a secretaria de Educação montou um banco de reserva para professores. Os interessados entregaram os currículos, que foram analisados, e passaram por

encomendas aumentam muito. Todo mundo faz festa de aniversário, batizado, casamento, chá de bebê e de panela. Em todos esses eventos, tenho encomendas”, explicou Cristiane, que faz desde doces simples a chocolates eróticos.

E para fugir da crise não é preciso ter muitos dotes culinários. A dona de casa Salete Oliveira recorreu ao famoso geladinho e está levando a criançada do bairro Ponte Alta, em Volta Redonda, ao delírio. “No ano passado começamos a fazer e deu muito certo. Mas, com o tempo, acabei dando uma desanimada. Só que o retorno é bom. O dinheiro ajuda e muito. Decidi voltar no início desse ano e a venda está ótima. Os valores variam de acordo com o sabor, mas não passam de R$ 1. É gostoso, barato, refresca e ainda me ajuda”, destacou Salete, acrescentando que conta com o auxílio de todos da casa: “Todo mundo me ajuda. Acaba sendo um momento também de descontração”,

Ilda Fonseca trabalhou durante três anos em um escritório de contabilidade. Acostumada a ganhar seu próprio dinheiro, Ilda cou desempregada em meados no ano passado, por conta de diculdades nanceiras por parte da empresa, e teve que buscar maneiras de manter sua renda habitual. “Eu sempre soube costurar. Mas fazia para mim

Reprodução Facebook

Doces, maças do amor, cupcakes e chocolates. Vale tudo para driblar a crise


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