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Semanário da Arquidiocese de São Paulo ano 59 | Edição 3008 | 26 de junho a 2 de julho de 2014

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Corpus Christi Tradição renovada no centro da cidade Cerca de 4 mil pessoas participaram da missa na Solenidade de Corpus Christi, na quinta-feira, 19, na praça da Sé, que culminou com a bênção do Santíssimo Sacramento em frente à Igreja de Santa Ifigênia, após procissão pelas ruas do centro antigo da capital. No caminho, o cardeal Odilo Pedro

Scherer, acompanhado dos bispos auxiliares e de mais de 150 padres, proferiu bênçãos em frente ao Pátio do Colégio e ao Mosteiro de São Bento – onde a procissão foi acolhida por um grupo de monges que entoavam cantos gregorianos.

‘A verdade vos libertará’ é lema de dom José Roberto

Em visita à Calabria, Papa Semana do Migrante condena crime organizado denuncia tráfico humano

Pela imposição das mãos do cardeal Odilo Pedro Scherer, o monsenhor José Roberto Fortes Palau, 49, foi ordenado bispo, em celebração no sábado, 21, em São José dos Campos (SP). Tendo como lema episcopal “A verdade vos libertará”, o novo bispo será designado para a Região Ipiranga, conforme informou o cardeal Scherer, em carta, na segunda-feira, 23.

No sábado, 21, em uma missa celebrada sob forte calor diante de uma multidão de 100 mil pessoas reunida na Esplanada de Sibari, cidade de Cassano, Itália, o papa Francisco afirmou que os mafiosos são “adoradores do mal”, que vivem da delinquência e do desprezo do bem comum. “Este mal deve ser combatido, afastado”.

Página 24

Santos Pedro e Paulo fecham festejos juninos Página 8

Páginas 11 a 14

Página 10

Em Santana, Bispo faz visita a Fundação Casa Página 20

‘Migração e liberdade’ foi o tema que direcionou a 29ª Semana do Migrante que teve seu encerramento no domingo, 22, com celebração na Catedral da Sé. O Serviço Pastoral dos Migrantes apresentou um levantamento com nomes de 14 operários mortos nas obras dos estádios da Copa. Desses, pelos menos 50% são migrantes internos. Página 16

Com base nos três ‘Ps’, Papa vai à Albânia Página 10

‘Na luta contra o encarceramento em massa’ Página 15


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editorial

Os mártires dos nossos tempos A terra fértil que resultou em abundantes frutos do Cristianismo dos primeiros séculos, foi semeada com o sangue dos mártires. O amor ao Mestre, mais forte que a morte, foi testemunhado com a entrega da própria vida, em nome do Evangelho. Começou com Estevão e continua nos dias de hoje. Milhões de cristãos ao redor do mundo sofrem no cotidiano o chamado “martírio branco”. Mesmo sem derramar seu sangue, sofrem represálias pelo simples fato de viver com coerência sua fé. “Remar contra a maré” do laicismo, do consumismo e do hedonismo, significa padecer ironias, ser tratado como cidadão

medieval, inimigo do progresso e dos novos tempos. E em algumas regiões a situação vai além. De acordo com levantamento do Instituto de pesquisa norte-americano Pew Research Center, 75% da população mundial vive em regiões com graves restrições religiosas. Grande parte desse contingente é formada por cristãos. Em alguns países onde o Cristianismo é minoria, governos e grupos extremistas proíbem a ação missionária da Igreja por conta de ameaças. A organização cristã internacional Portas Abertas (Open Doors) aponta que na Coreia do Norte, por exemplo, estima-se que entre

50 mil e 70 mil cristãos sofram diariamente com trabalhos forçados em campos de concentração. Na Somália, se um ex-muçulmano convertido ao Cristianismo for descoberto, será condenado sumariamente à morte. No Afeganistão, os cristãos são considerados inimigos de Estado. Nas Ilhas Maldivas, a constituição do País prevê que para viver lá é obrigatório ser muçulmano. Na Síria, país que padece de uma sangrenta Guerra Civil, igrejas têm sido profanadas e muitos cristãos martirizados. Por tudo isso, o papa Francisco manifesta de várias formas sua preocupação. Em recente entrevista ao jornalista

de origem judia Henrique Cymerman, Francisco disse que tem conhecimento de que em alguns países “ é proibido ter uma Bíblia, ensinar o Catecismo ou portar uma cruz”. O Papa prosseguiu dizendo estar convencido de que “a perseguição aos cristãos é mais forte atualmente do que nos primeiros séculos da Igreja. Hoje há mais cristãos mártires do que naquela época. E não me baseio em fantasias, mas em números”, concluiu. Nós, que por graça de Deus vivemos em ambiente de liberdade religiosa, devemos rezar por esses irmãos em Cristo e, na medida do possível, colaborar com a parcela da Igreja que sofre nesses países.

opinião

Deus está no desconhecido ou no conhecido? Marcio Antonio Campos

Diante de um desses mistérios da ciência, e são tantos, o leitor conhece alguém que tenha resolvido a questão invocando a intervenção divina? Talvez o próprio leitor esteja pensando assim. Não é assim uma maneira tão incomum de pensar, mas é um pouquinho perigosa. Esse conceito tem até nome: é o “Deus das lacunas”. Mas esse Deus é realmente o Deus cristão, aquele em que dizemos crer quando vamos à missa? O “Deus das lacunas” é aquele invocado como explicação para tudo o que a ciência não consegue explicar. Não sabemos como surgiu a vida na Terra? Foi Deus que, por uma ação direta, transformou a matéria inorgânica em orgânica, respondem, só para citar um exemplo. Parece tentador pensar assim, pois isso até reafirmaria o poder divino. Mas, e se um dia a ciência finalmente encontrar uma explicação? É aí que mora o perigo do “Deus das lacunas”. Os ateus militantes argumentam

Sergio Ricciuto Conte

justamente que a ciência vem desvendando tantas questões sobre a origem da vida e do universo que um dia não sobrará mais espaço para Deus, e, então, nos convenceremos de que Ele não existe. É por isso que não deveríamos buscar a Deus no desconhecido, mas naquilo que conhecemos. É a própria ciência que nos mostra como o universo é ordenado, a beleza das leis que regem a formação das galáxias, das estrelas, dos planetas, dos seres vivos... o livro da Sabedoria nos diz que Deus dispôs tudo “com medida, número e peso”. E foi justamente essa crença que levou ao desenvolvimento da ciência no fim da Idade Média. Afinal, se o universo fosse totalmente aleatório, e não ordenado, não faria sentido nenhum ten-

tar entender como ele funciona. Mas, se a ciência a cada vez explica mais coisas, que lugar tem Deus? Será que ele simplesmente causou o instante inicial, criando o universo e depois distanciando-se para deixar a criação cuidar de si mesma? O padre

jesuíta George Coyne, que já foi diretor do Observatório Vaticano – sim, o Vaticano tem um observatório astronômico! –, diz que Deus não é um “Deus de explicação” que serve de muleta para aquilo que não compreendemos, mas é fundamentalmente um “Deus de amor”; um Deus que nos quer tão bem que não apenas criou, mas que sustenta o universo com sua vontade, e mandou seu Filho para nos salvar. O padre Coyne ainda diz que há muitos cristãos que parecem até torcer para que continue havendo mistérios que a ciência não explique, para que possam recorrer a Deus como resposta. Mas, ele acrescenta, isso é exatamente o contrário de uma atitude verdadeiramente cristã. Deus nos deu a inteligência para que a usemos

nas visitantes de presos seja feita dessa maneira. O projeto de Lei nº 480/2013 seria desnecessário se no Brasil fosse adotado o mesmo sistema usado nos Estados Unidos, onde os visitantes e os presos não tem contato físico, existe um vidro separando-os. Eles se comunicam usando um telefone, e com isso não entram no presídio, celulares, drogas etc. e a revista aos visitantes não é necessária.

As revistas feitas aos visitantes é vexatória porque principalmente as mulheres levam para os presos, celulares, drogas etc., escondidas em locais dos seus corpos, que só são descobertas quando elas são obrigadas a pular com as pernas abertas. Existe sim um outro problema gravíssimo, que deveria ser tratado ou pela Pastoral Carcerária, ou outra organização católica que trata de menores de idade

infratores internados em casas singular, Sergio Ricciuto sabe nos para sua recuperação, que é a vi- encantar com sua arte. Com cersita íntima”. teza suas ilustrações vão dá mais Maria Gilka (por e-mail) leveza e vida para as próximas edições. Parabéns a todos da equipe Sobre o jornal de redação”. “Parabenizo o jornal O SÃO Renato Papis (por e-mail) PAULO por convidar o artista SerRedação do jornal O SÃO PAULO. gio Ricciuto para ilustrar as págiEndereço: Avenida Higienópolis, 890, São Paulo (SP), CEP. 01238-000. nas deste jornal. Conheci a obra de E-mail: osaopaulo@uol.com.br Sergio Ricciuto há um tempo e fiTwitter: @JornalOSAOPAULO Facebook: Jornal O SÃO PAULO quei encantado. Dono de um traço

para que, pesquisando sobre o universo, o mundo e a vida, descubramos cada vez mais as maravilhas daquilo que Deus criou e possamos glorificá-lo por aquilo que conhecemos, e não pelo que ignoramos. Não caiamos no golpe que coloca ciência e religião como inimigas, como se a ciência a cada dia fosse deixando menos e menos espaço para Deus. Em vez de inimigas, são companheiras: ambas buscam a verdade e, se a buscam honestamente, não têm como se contradizer, pois, como dizia Galileu, o autor da natureza e o autor da Revelação são o mesmo Deus. Que saibamos conciliar uma fé adulta com o entusiasmo pelos avanços da ciência, quando obtidos respeitando a dignidade do ser humano, e pelas descobertas que nos aproximam cada vez mais da compreensão sobre a genialidade criadora de nosso Deus. Marcio Antonio Campos, jornalista, é editor da Gazeta do Povo (Curitiba) e mantém o blog Tubo de Ensaio, sobre ciência e religião (www. gazetadopovo.com.br/blogs/tubo-de-ensaio).

espaço do leitor

Pastoral e Rede de Justiça Criminal apoiam projeto de lei pelo fim da revista vexatória (edição 3007)

“Sobre a matéria publicada na página 8 da edição 17 a 25 de junho de 2014, gostaria de fazer algumas observações. A legenda mostra uma mulher nua, algemada com os braços levantados sendo abraçada (apalpada) por mãos negras. Não me consta que a revista feita

Semanário da Arquidiocese de São Paulo

Mantido pela Fundação Metropolitana Paulista • Publicação Semanal • www.osaopaulo.org.br • Diretor Responsável e Editor: Padre Michelino Roberto • Reportagem: Cônego Antônio Aparecido Pereira, Daniel Gomes, Edcarlos Bispo e Nayá Fernandes • Institucional: Rafael Alberto • Fotografia: Luciney Martins • Administração: Maria das Graças Silva (Cássia) • Assinaturas: Djeny Amanda • Projeto Gráfico e Diagramação: Jovenal Alves Pereira • Edição Gráfica: Ana Lúcia Comolatti • Impressão: Atlântica Gráfica e Editora Ltda. • Redação e Administração: Av. Higienópolis, 890 - Higienópolis - 01238-000 • São Paulo - SP - Brasil • Fones: (11) 3660-3700 e 3760-3723 - Telefax: (11) 3666-9660 • Internet: www.osaopaulo.org.br • Correio eletrônico: redacao@osaopaulo.org.br • adm@osaopaulo.org.br (administração) • assinaturas@osaopaulo.org.br (assinaturas) • Números atrasados: R$ 1,50 • Assinaturas: R$ 45 (semestral) • R$ 78 (anual) • As cartas devem ser enviadas para a avenida Higienópolis, 890 - sala 19. Ou por e-mail• A Redação se reserva o direito de condensar e de não publicar as cartas sem assinatura • O conteúdo das reportagens, artigos e agendas publicados nas páginas das regiões episcopais é de responsabilidade de seus autores e das equipes de comunicação regionais.


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encontro com o pastor

‘Oremus pro Pontifice nostro Francisco’

Arcebispo metropolitano de São Paulo

cardeal odilo pedro scherer

No dia 29 de junho, a Igreja celebra a festa solene dos apóstolos Pedro e Paulo. De fato, é a comemoração do martírio desses dois “príncipes dos apóstolos”, cujo sangue foi derramado em Roma em testemunho por Jesus Cristo e pelo Evangelho; seus túmulos são venerados em Roma também em nossos dias. São Pedro representa a unidade da Igreja e o pastoreio universal das ovelhas do rebanho do Senhor, conforme encargo por ele recebido do próprio Jesus, após a ressurreição: “apascenta os meus cordeiros... apascenta as minhas ovelhas” (cf Jo. 21,15-17). Pedro também foi encarregado de “confirmar os irmãos na fé” (cf Lc 22,32) e esta missão já lhe é reconhecida pela Igreja apostólica; o próprio Paulo foi confrontar sua pregação com Pedro, “para verificar se eu não estava correndo em vão” (cf Gl 2,2.7-9). São Paulo representa a Igreja “em missão”, anunciando o Evangelho a todos os povos; ele mesmo reconhece que esta foi a missão recebida de Jesus e sua ação missionária ardorosa e incansável o demonstrou bem. A liturgia desta festa destaca o papel diverso dos dois apóstolos, mas que contribuíram para a mesma missão da Igreja: “por meios diferentes, os dois congregaram a única família de Cristo” (Prefácio da missa). O Papa, enquanto sucessor de Pedro, representa ambas essas missões da Igreja. Por isso, ele se ocupa e preocupa com a unidade da Igreja na confissão da mesma fé e com a superação das divisões; ao mesmo tempo, anima a Igreja para manter viva e dinâmica a ação missionária, em toda parte. O papa Francisco, como seus predecessores, está profundamente empenhado nesta dupla missão da Igreja de Cristo. Essa mesma dúplice missão também é compartilhada pelo colégio episcopal, junto com o Papa, e por todos e cada um dos bispos em suas dioceses. A missão evangelizadora não é

obra apenas de vontades e projetos humanos; a Igreja age e faz a sua parte, “confiada à graça de Deus”, como fizeram Paulo e seus companheiros de missão (cf At14,26). Por isso, a oração é necessária, quer para se colocar na sintonia constante com Deus e seu desígnio sobre nós e o mundo, quer para obter do Espírito Santo a fecundidade e o fruto para a sua ação. Na festa de São Pedro e São Paulo, a Igreja Católica comemora o “dia do Papa” e convida as suas comunidades, em todo o mundo, a fazerem oração pelo Sucessor de Pedro e a renovar a consciência da sua comunhão com ele; ao mesmo tempo, pede que expressem sua adesão ao Papa e sua missão, de maneira concreta, através do “óbolo de São Pedro”; com essa ajuda, o Papa pode realizar, em nome de todos, a caridade em situações de necessidade urgente, como catástrofes, e apoiar a vida e a missão da Igreja em lugares muito carentes.

Nos Atos dos Apóstolos, já aparece a origem da prática de “rezar por Pedro”: enquanto o apóstolo estava na prisão, por ordem de Herodes, “a Igreja rezava continuamente a Deus por ele” (At 12,5). Pedro é libertado da prisão por um anjo de Deus. E a Igreja nunca mais deixou de rezar “por Pedro” e o faz ainda hoje, na Oração Eucarística de cada missa, após a consagração. E não é outro o pedido do papa Francisco, desde o primeiro momento de sua apresentação ao mundo, após a sua eleição: antes de dar a bênção apostólica ao povo, ele convidou todos a pedirem a bênção de Deus para ele. Em muitas outras ocasiões, ele o fez publicamente e, em privado, encontrando as pessoas: rezem por mim! Já pude testemunhar vários desses pedidos pessoalmente. Portanto, “oremus pro Pontifice nostro Francisco”! No dia do Papa e todos os dias.

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agenda do Cardeal Sexta-feira (27) Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Dia de oração pela santificação do clero. 9h: Gravação de mídias. 16h: Missa no Santuário Sagrado Coração de Jesus em Mogi das Cruzes. 20h15: Missa na Paroquia Santa Rita de Cássia – Jubileu de Prata Sacerdotal do Pároco, Padre Jorge Bernardes.

Sabádo (28)

10h: Missa na Catedral da Sé – Memória de São Josémaria Escrivá. 14h: Reunião com a comissão para a beatificação de Madre Assunta Marchetti 20h00: Missa na Comunidade Sagrada Família – Vila Arapuá.

Domingo (29)

Solenidade de São Pedro e São Paulo. 11h: Missa com Ordenação episcopal de Mons. Carlos Lema Garcia, novo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, na Catedral da Sé.

Tweets do Cardeal

@DomOdiloScherer 24 – Viva São João Batista, precursor de Jesus Cristo, sol nascente que ilumina nossos caminhos! 22 – 1Cor 6,19-20 “Ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo? Então, glorificai a Deus com o vosso corpo.” 20 – “Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos!” 19 – Sb 16,20 “A teu povo nutriste c um alimento de anjos; de graça, enviaste do céu um pão, q contém em si todo o sabor”. 19 – Solenidade de Corpus Christi: “Eu sou o Pão vivo descido do céu; quem comer deste pão viverá para sempre”.

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4 | Fé e Vida |

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liturgia e vida SÃO PEDRO E SÃO PAULO 29 DE JUNHO DE 2014

palavra do papa

Não se pode amar a Deus fora da Igreja

Ana Flora Anderson

O bom combate A Igreja revela a sua sabedoria celebrando no mesmo dia a festa destes dois grandes santos. Paulo era um judeu culto, nascido em Tarso e mestre das escrituras judaicas. Pedro era um pescador na província longínqua da Galiléia. Ele seguiu a Jesus durante todo o seu ministério. Paulo chegou à fé ao encontrar Jesus Ressuscitado. Durante toda sua vida apostólica, Pedro concentrou-se na pregação aos judeus e Paulo aos gentios. A primeira leitura (Atos dos Apóstolos 12, 1-11) narra como as autoridades perseguiam os primeiros cristãos. O rei Herodes mandou matar Tiago e prender Pedro. Este, fortalecido pelas orações das comunidades, escapou da prisão para realizar sua grande missão. Na segunda leitura (2 Timóteo 4, 6-8.12-18) encontramos uma reflexão de São Paulo na prisão antes de sua morte. As palavras paulinas exortam seus discípulos a seguí-lo no bom combate guardando a fé. Paulo realizou a sua missão porque seu amor por Jesus dava-lhe esperança para anunciar o evangelho. O Evangelho de São Mateus (16, 13-19) narra a famosa cena em que São Pedro faz sua confissão de fé. Jesus disse-lhe que era só pela inspiração do Pai que ele confessava: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo! Jesus revela que Simão Pedro será a pedra sobre a qual a Igreja será construída. Pedro e Paulo são o sacramento vivo de uma Igreja com membros diferentes que formam um só Corpo! leituras da semana

Segunda-feira (30): Am 2, 6-10.13-16; Sl 49; Mt 8, 18-22; Terça-feira (1°): Am 3, 1-8. 4, 1-12; Sl 5; Mt 8, 23-27; Quarta-feira (2): Am 5, 14-15.21-24; Sl 49; Mt 8, 28-34; Quinta-feira (3): Ef 2, 19-22; Sl 116; Jo 20, 24-29; Sexta-feira (4): Am 8, 4-6.9-12; Sl 118; Mt 9, 9-13; Sábado (5): Am 9, 11-15; Sl 84; Mt 9, 14-17

Santos heróis do Povo 28 de junho Celebramos hoje o mais famoso dos escritores cristãos, do fim do século II: Santo Irineu. A Igreja sofria perseguição por parte dos imperadores. E era, ao mesmo tempo, dilacerada pelas heresias, que ameaçavam sua unidade na fé. Santo Irineu soube entender o seu tempo e fez a síntese genial do pensamento cristão para a época – e poderíamos dizer, também para nós, no dia de hoje. Fora discípulo de São Policarpo, que por sua vez, ainda recebera os ensinamentos da parte de São João, o Evangelista. Santo Irineu é, portanto um elo da Tradição Cristã. E um bispo mártir que será lembrado até o final dos tempos. Suas obras se conservam até o dia de hoje. E nas grandes universidades, há sempre novas pesquisas e teses sobre ele. Mas, além de sábio, o escritor de testemunha, foi um verdadeiro pacificador. Trouxe a paz! Dos tempos mais antigos, possamos aos mais modernos, na China. Exatamente no dia 28 de junho de 1900, portanto, nos albores do século 20, foram massacradas 4 jovens, de 11 a 18 anos: Lucia e três outras, chamadas “As três Marias”. Foram todas beatificadas por Pio XII, em 1955. Fonte: “ Santos e Heróis do Povo” livro do cardeal Arns

Papa francisco

Durante a audiência geral de quarta-feira, 25, o papa Francisco, em sua Catequese, ensinou que ser cristão implica em pertencer à Igreja. Afirmou que ninguém se salva sozinho e que a Igreja é uma família onde se transmite a fé de geração a geração. Segue a tradução dos principais trechos da Catequese do papa Francisco. Em minha primeira Catequese sobre a Igreja, partimos da iniciativa de Deus que quer formar um povo que leve a sua bênção a todos os povos da terra. Começa com Abraão e depois, com tanta paciência – e Deus tem tanta! –, prepara esse povo na Antiga Aliança para que, em Jesus Cristo, o constitua como sinal e instrumento da união dos homens com Deus e entre si. Hoje queremos nos deter sobre a importância, para o cristão, de pertencer a este povo. Não estamos isolados e não somos cristãos cada um por si, por conta própria. A nossa identidade cristã é pertença! Somos cristãos porque pertencemos à Igreja. É como um sobrenome: se o nome é “sou cristão”, o sobrenome é “pertenço à Igreja”. É muito belo notar como essa pertença vem expressa até mesmo no nome que Deus atribui a si mesmo. Res-

pondendo a Moisés, no episódio estupendo da “sarça ardente”, se define como o Deus dos patriarcas. Não diz: Eu sou o Onipotente...., não: Eu sou o Deus de Abraão, Deus de Isac, Deus de Jacó. Dessa maneira, ele se manifesta como o Deus que selou uma aliança com os nossos pais e permanece sempre fiel ao seu pacto, e nos chama a entrar nesta relação que nos precede. Essa relação de Deus com o seu povo nos precede a todos, vem daquele tempo. Nesse sentido, o pensamento vai em primeiro lugar, com gratidão, àqueles que nos precederam e que nos acolheram na Igreja. Ninguém se torna cristão por si só! Está claro? Não se fabricam cristãos em laboratório. O cristão é parte de um povo que vem de longa data. O cristão pertence a um povo que se chama Igreja e essa Igreja o torna cristão, no dia do Batismo, e depois no curso da Catequese. Mas ninguém, ninguém mesmo, se torna cristão sozinho. Se acreditamos, se sabemos rezar, se conhecemos o Senhor e podemos escutar a sua Palavra, se o sentimos próximo e o reconhecemos no irmão, é porque outros, antes de nós, viveram a fé e a transmitiram a nós. Recebemos a fé de nossos pais, de nossos antepassados. Se pensarmos bem, quem sabe, quantos rostos caros podem vir à nossa memória neste momento: o rosto de nossos pais que pediram para nós o Batismo; o rosto de nossos avós ou de qualquer outro familiar que nos ensinaram a fazer o sinal da cruz e a recitar as primeiras orações. Eu me recordo sempre o rosto da

freira que me ensinou o Catecismo, sempre me vem à mente – ela está no Céu com certeza, porque era uma santa mulher – mas eu a lembro e agradeço muito a Deus por essa freira. Ou mesmo, o rosto de um pároco, de um padre, ou de uma freira, de um catequista, que nos transmitiu o conteúdo da fé e nos fez crescer como cristãos...Esta é a Igreja: uma grande família, na qual se é acolhido e se aprende a viver como fiéis e discípulos do Senhor Jesus. Há quem acredite que possa viver uma relação pessoal, direto, imediato com Jesus Cristo fora da comunhão e da mediação da Igreja. São tentações perigosas. Como dizia o grande Paulo VI, são dicotomias absurdas. É verdade que, por vezes, caminhar juntos pode ser cansativo: pode acontecer que um irmão ou irmã nos crie problemas, nos escandalize...Mas o Senhor confiou a sua mensagem a pessoas humanas, a todos nós; e é nos nossos irmãos e irmãs, com os seus dons e limites, que nos vem ao encontro e se faz reconhecer. E isto significa pertencer à Igreja. Lembrem-se bem: ser cristão significa pertencer à Igreja. O nome é “cristão “, o sobrenome é “pertencer à Igreja”. Caros irmãos, peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja, a graça de jamais cair na tentação de dar pouca importância ao outro, de fazer pouco caso da Igreja, de achar que posso me salvar sozinho, de ser um cristão de laboratório. Não se pode amar a Deus sem amar os irmãos, não se pode amar a Deus fora da Igreja.

você pergunta

É certo orar para que alguém se liberte do álcool? Vigário Episcopal para a Pastoral da Comunicação na Arquidiocese de São Paulo

Padre Cido Pereira

“Padre, por que será que eu não consigo receber a graça da libertação do vício do meu marido? Será que estou pedindo certo? Ou será que a minha fé é pequena?” Quem pergunta é a Maria José, de Osasco (SP). Maria José, vou ser sincero com você. Você está recebendo muitas graças de Deus com sua oração e nem está se dando conta disso. A sua oração está impedindo que você desanime e perca a paciência. A sua oração estão aju-

dando a ser forte diante da cruz que é ter um marido alcoólatra. Porque sofre você, sofre o seu marido e sofrem também os filhos. É uma cruz individual e coletiva. Não se preocupe se está pedindo certo ou errado. Não se preocupe se sua fé é pequena ou grande. Não se trata disso. É que o tempo de Deus não é o nosso tempo. Além disso, minha irmã, a dependência do álcool ou de qualquer outra droga é tão forte, é como se a pessoa adquirisse uma segunda natureza. Faz-se necessário ter muita paciência. Eu acho muito bom que nossas comunidades disponibilizem espaço para os grupos de alcoólicos e outros tipos de dependência química, para

se encontrarem e neles as pessoas se ajudarem mutuamente na busca da libertação. Continue orando! Não desanime. E você e seus filhos ajudem seu esposo a se libertar. É preciso que ele entenda o quanto é amado e descubra que não vale a pena viver na escravidão do álcool. E é mais fácil entender isso da parte dele, naqueles momentos ainda que raros que ele está sóbrio. Vá em frente com sua prece. Quando você menos esperar a graça vai chegar. Se não chegar, paciência, sua consciência estará tranquila por não ter faltado amor e oração por aquele a quem você consagrou sua vida no Matrimônio.


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| Fé e Vida | 5

fé e cidadania

bioética

Um lugar para os haitianos

Bioética e religiões na Ásia

PADRE Antônio MANZATO

Quando ocorreu o terremoto no Haiti, em 2010, o mundo todo ficou abalado. A catástrofe foi tão grande que praticamente destruiu o País. Imediatamente, houve manifestações de solidariedade que vieram de todos os cantos do planeta. O Brasil tratou logo de ajudar de todas as maneiras possíveis. Doações de todo tipo foram enviadas, nossas comunidades participaram e rezaram muito por aquele povo irmão. Depois, o Brasil passou a comandar a tropa da ONU presente no Haiti para ali restabelecer a paz e a ordem. Até mesmo a seleção brasileira fez um jogo para ajudar o povo daquele País. Só que o tempo passou e, como tudo no mundo atual, fomos nos esquecendo. De vez em quando chegava alguma notícia sobre haitianos no

Acre, mas isso não suscitava maiores nhamento destas pessoas a postos de reações. Afinal, o Haiti não é aqui. trabalho ou moradia. Mais uma vez Só que, após quatro anos do ter- os pobres são largados e abandonaremoto, a situação no Haiti continua dos. Eles apenas querem trabalhar caótica. Muitos dos recursos pro- e sonham com uma vida melhor. metidos para a reconstrução do país Quem pode condená-los por isso? não chegaram, ou vieram em con- As autoridades se preocupam com ta- gotas e não produziram o que os turistas que vêm para a Copa e se esperava. Até porque na pobreza, a prioridade é Os haitianos chegam a São alimentação. O sofrimento ali permanece. Paulo; a Paróquia Nossa Senhora Agora os haitianos da Paz, do Glicério, é quem os chegam a São Paulo. A Paróquia Nossa Senhora da recebe, os acolhe e os ajuda em Paz, do Glicério, é quem os seus primeiros dias na cidade recebe, os acolhe e os ajuda em seus primeiros dias na cidade. Faz isso por solidariedade, quer que sejam bem recebidos. Mas por causa da fé que nos torna irmãos. os haitianos pobres não vêm para a As autoridades não se preocupam Copa, vêm para uma vida melhor. em recebê-los ou ajudá-los, e não Quem vai ajudá-los? E-mail: amanzatto@pucsp.br há projetos que estruturem o encami-

Espaço aberto

Quem sou eu? O que devo fazer? Que sentido tem a vida? Irineu Uebara

Sou o resultado de influências de muitos. Mesmo quando pretendo ser original, sou apenas pálido reflexo da multifacetada influência que, ao mesmo tempo, pesa como grande fardo, e me prepara para a persistência, resistência que a vida exige. Sou um mistério que quase nunca me revelo por inteiro. Quando tento, muitas vezes, penso que a fotografia poderia ser diferente. Às vezes, percebo-a apagada. Outras vezes, muito brilhante. Às vezes, viva e bonita. Outras vezes, morta e feia. Enfim, biblicamente, fui criado à imagem e semelhança de Deus. Não sou, portanto, um fantoche, nem boi de piranha, e tampouco bagaço da laranja. Dentro de mim há um coração que pulsa e um cérebro que pensa, uma alma que dá suporte ao conjunto físico. Sou aquilo que, pelo uso do livre arbítrio, me cons-

truí, em face das minhas escolhas, decisões, méritos, fracassos, acertos e erros; sou enfim, o responsável pelo que sou. Sou pessoa romântica, carrego poesia dentro de mim e, de vez em quando, ela se liberta e passeia escondida ou exibida em meus escritos. Gosto de ouvir, de falar, de escrever e cantar louvores à vida e ao Criador. Devo fazer-me instrumento que propicie aos outros que sejam felizes e assim fazendo encontro a minha felicidade. Minha postura deve ser a de cuidar bem de mim para que eu possa cuidar bem do outro. Minhas ações, gestos e atitudes devem se guiar pela Justiça, fonte de virtude. Fazer a minha parte deve ser a gestão persistente para ser instrumento de construção de um mundo melhor. Enquanto existir a miséria e o sofrimento no mundo devo ser uma voz que clama, reclama e incomoda.

Buscar a partícula de Deus na natureza, esquecendo-se de olhar para si, adentrar-se nos mistérios da consciência, revirar-se e analisar-se pelo avesso, anverso e verso, apequena a vida e a torna insignificante. Vida é sopro de Deus. É a prova por excelência do milagre. O sentido que a vida tem é exatamente o sentido que a minha existência a ela atribui, pelos gestos e atitudes. Pequeno se vivo o egoísmo com suas consequências: hipocrisia, impiedade, falsidade e tudo o mais que fere de morte a dignidade humana. Grande, se vivo a renúncia deliberada a tudo que degrada, destrói, infelicita a si e aos seus semelhantes. Só o amor ao irmão leva ao amor a Deus. Vida fechada em si é aborto da natureza. Abra-se! Abro-me! Irineu Uebara é advogado, candidato ao diaconato permanente e graduando em Teologia E-mail: uebaraadvogados@hotmail.com

há 50 anos

Cardeal Motta assume Arquidiocese de Aparecida Após 20 anos à frente da Arquidiocese de São Paulo, o cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, se tornou o primeiro o primeiro arcebispo de Aparecida (SP). O fato foi o destaque na edição de 28 de junho do O SÃO PAULO, que relembrou os feitos de seu episcopado em São Paulo desde 1944, sendo um dos mais notórios a multiplicação da quantidade de paróquias. “Das 125 existentes em 1944, quando o Cardeal Motta chegou a São Paulo, as paróquias passaram a 249”. O Semanário Arquidiocesano também publicou a mensagem de despedida do Cardeal, na qual agra-

deceu aos padres, bispos auxiliares e aos fiéis da maior metrópole do País. “A idade muita e a saúde pouca convenceram-me de me libertar do ônus pastoral paulopolitano, já muito acima das minhas possibilidades. Ademais, influiu decisivamente em mim, o empenho de continuar na gratíssima tarefa da construção da nova Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida [...] a todos vós, diocesanos de São Paulo, o meu Adeus! Um Adeus que não é mera despedida; é sim, uma prece, ao Deus, por todos Vós. É um voto para – até o Céu! ‘In sinu Jesu’, o meu Adeus!”.

O texto desta reflexão recolhe impressões e percepções de valores a partir de encontros, diálogos, leituras e viagem à China continental e Taiwan, em meados de maio, respondendo a um convite da Associação de Médicos Chineses de participar como conferencista em Xangai, num Simpósio Internacional sobre “Tratamentos fúteis e inúteis (Distanásia) e Cuidados Paliativos”. Aproveitamos a viagem e também visitamos as obras e trabalhos de nossos coirmãos Camilianos em Taiwan, que recentemente comemoraram 60 anos de presença naquela ilha, também chamada de “Formosa”. Lá eles demonstram uma expressiva e admirável presença na área da saúde, onde mantém um hospital geral de 700 leitos (Saint Mary`s Hospital) em Lotung, um centro para acolhida de idosos com 150 lugares, um centro para deficientes mentais com 130 leitos, um centro juvenil com 580 crianças e uma jovem Universidade em franca expansão com 3.800 estudantes, na sua grande maioria de enfermagem, devendo em breve expandir-se para outras profissões da saúde. Ao fazer essas anotações a respeito de um mundo tão diferente e diverso do nosso, lembro-me da leitura e estudo há alguns anos, de um autor norte-americano de sociologia religiosa, discorrendo sobre a tese de que o primeiro milênio da era cristã foi da civilização do mediterrâneo, o 2º. Milênio das civilizações - do Atlântico e o 3º. Milênio seria dos povos habitantes da região do Oceano Pacífico (Ásia). Não faltam evidências nesse sentido hoje. Percebe-se uma frenética evolução econômica nas megacidades, com aeroportos enormes, amplas viadutos, túneis e vias públicas limpíssimas com milhões de carros, trens de alta velocidade, metrô, mas com os costumeiros congestionamentos e poluição atmosférica, muito a gosto dos ocidentais. Adeus às bicicletas agora substituídas milhares de modernas motocicletas, principalmente em Taipei. A Ásia cobre uma imensa massa de água (Pacífico) e terra, que contém cinco das nações mais populosas do planeta e possui hoje 60% da população mundial. A China tem hoje 1.3 bilhão e a Índia 1.2 bilhão de habitantes. Todas as maiores religiões mundiais são originárias da Ásia: Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Nessa região do planeta, os cristãos são minoria, não passando de 3% a 5% da população. Esse continente também tem disseminada a prática da medicina tradicional chinesa, especialmente na China e outros países com maioria da população chinesa. No subcontinente Indiano a prática é da medicina Ayurvédica. Ao mesmo tempo, a globalização da economia e a rápida disseminação dos meios de comunicação social trouxeram dramáticas mudanças às culturas tradicionais e colocaram vários países asiáticos na liderança do crescimento econômico mundial. Falamos dos “tigres asiáticos” e a China continental é hoje a segunda economia do mundo, superando o Japão e devendo em breve, segundo economistas ocidentais, ser a primeira, ultrapassando os Estados Unidos. A China é, por assim dizer, um continente em si mesma, um país multiétnico, constituído por manchus, mongóis, tibetanos, de han (gloriosa dinastia que se manteve no poder por quatrocentos anos (206 a.C. a 220 d.C.) , muçulmanos entre outros. Esse País sempre se entendeu como “tudo quanto existe debaixo do céu: o centro do mundo por excelência”! E-mail: superintendenciausc@saocamilo.br

Todas as maiores religiões mundiais são originárias da Ásia: Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Nessa região do planeta, os cristãos são minoria, não passando de 3% a 5% da população Capa da edição de 28 de junho de 1964


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dicas de cultura

Ipiranga recebe exposição sobre a cultura maranhense O Quixote – Espaço Comunitário, unidade VII da Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga, realiza exposição sobre a cultura maranhense até 30 de agosto. Por meio de fotografias, são mostradas diversas manifestações da cultura maranhense, como a Festa do Divino, o Bumba-boi e o Tambor de Crioula. A entrada é livre. Para visitas monitoradas deve-se enviar e-mail: e-maildenise.azevedo@funsai.org.br. Espaço destinado a adolescentes de 12 a 18 anos, o Quixote também oferece com total gratuidade oficinas de teatro, circo, dança de rua, dança contemporânea, canto, música, percussão e rádio, que estão com inscrições abertas até 4 de agosto. Vagas limitadas. Informações e matrículas 2272-1921 ou quixote@ funsai.org.br.

Divulgação

O QUE: Exposição “Maranhão - Tambores para reencantar” QUANDO: diariamente até 30 de agosto, das 9h às 18h. QUANTO: Gratuito ONDE: Quixote - Espaço Comunitário (rua Clóvis Bueno de Azevedo, 145, Ipiranga – Sul, São Paulo). TELEFONE: (11) 2272-1921/ (11) 2061-2286 www.funsai.org.br/quixote

literatura

Pensando o Brasil: desafios diante das eleições 2014 Reprodução

As eleições de 2014 são importantes, porque elegeremos o(a) presidente, os(as) deputados(as), os(as) senadores(as) e os(as) governadores(as). As eleições têm uma incidência muito grande na vida da sociedade, das nossas cidades e comunidades, mas são também importantes, porque está em jogo o projeto político, social e econômico para o Brasil. Os cristãos comprometidos com a sua fé e todos os homens e mulheres de boa vontade são chamados a uma participação ativa e efetiva. Entregamos este precioso texto “Pensando o Brasil: desafios diante das eleições 2014” aos nossos irmãos e irmãs e pessoas de boa vontade. Ele ajudará na discussão, na participação das eleições deste ano e nas discussões sobre a reforma política tão necessária. Ficha Técnica Título: Pensando o Brasil: desafios diante das eleições 2014 Autor: CNBB

vamos cuidar da saúde!

Desnutrição A desnutrição é uma doença prevalente nos países subdesenvolvidos que podem ser apresentadas por alimentação inadequada (a forma mais frequente) e por consequência de doenças. Citarei as duas mais críticas.

Kwashiokor é um tipo de doença decorrente da falta de proteínas e vitaminas, geralmente associada com elevado consumo de carboidratos, tais como arroz, batata, milho, salgadinhos e doces. As crianças apresentam cabelo quebradiço, pele ressecada, apatia e olhos avermelhados. Outra desnutrição é conhecida por Marasmo, que ocorre quando a pessoa não se alimenta, durante

muito tempo, em quantidade suficiente de nutriente necessário ao bom funcionamento do corpo humano, apresentando índice de estatura e peso abaixo do normal, fraqueza e tontura, inchaço das pernas. É comum em crianças abaixo de 18 meses não amamentadas e idosos negligenciados. Em caso de má-nutrição severa, refrigerantes e salgadinhos podem ser fatais, pelo alto conteú-

O SÃO PAULO: UMA EQUIPE TRABALHANDO POR VOCÊ

FRANCISCO DAVID

Desde novembro de 2012, Francisco David Rodrigues dos Santos, 24, é colaborador de comunicação da Região Ipiranga. “Para mim, ser colaborador do O SÃO PAULO é ser ponte de informação da Igreja com o povo, para que conheça cada vez mais a Igreja em que está inserido”. Graduado em designer gráfico e atualmente cursando Publicidade e Propaganda, ele deseja que ao ter contato com os textos que escreve, “os leitores possam apreciar as matérias com curiosidade, para que sejam também eles informadores em suas comunidades e paróquias do bem que a Igreja faz. Precisamos multiplicar esse bem que a Igreja gera nas pessoas e para isso é preciso estar bem informado para informar bem”.

do de sódio, colesterol de baixa densidade e baixo valor nutritivo. Ambas podem ser reversíveis se forem diagnosticadas e tratadas adequadamente em quadros leves e moderados. Alguns cuidados fazem toda a diferença no combate dessa doença que é a principal causa de mortalidade infantil em todo mundo.

Cuidados pré-natais: Aleitamento materno

Desmame

Orientação nutricional durante o desenvolvimento da criança; Vacinação - que deve estar em dia, pois desta forma erradicamos muitas doenças, como difteria, coqueluche, tétano, paralisia infantil, tuberculose e sarampo. Se cuidarmos da saúde das crianças hoje, teremos menos problemas de saúde nos adultos de amanhã.

direito do consumidor

As diferenças de furto e roubo Imagine que eu estacione meu carro em frente à igreja que sempre vou aos domingos e, ao retornar, depois de 30 minutos, percebo que meu carro sumiu. Todos nessas horas de aflição dizem se lamentando: “fui roubado!”. Porém, o certo seria dizer fui furtado, pois no furto não há violência ou grave ameaça contra a pessoa, como no caso que nem vi furtarem meu carro. Já no roubo há violência ou grave ameaça contra a pessoa, seja com arma de fogo, brinquedo, intimidação, por exemplo. E eu posso processar por danos quem furtou meu carro e foi preso dirigindo-o? Na próxima edição, respondo. Saiba dos seus direitos, procure um advogado. Ronald Quene é advogado E-mail: ronaldquene@gmail.com


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CAMI

ESPIRITUALIDADE

Bullying: tormento para filhos de imigrantes nas escolas

Sou feliz porque necessito de poucas coisas

cami.imigrantes@terra.com.br

participante, morador da zona Leste: “meus irmãos estudam na Escola EE Escritor Juan Carlos Onetti e também sofrem maus tratos e xingamentos. Lá também as crianças são ameaçadas e a diretoria não faz nada. Não são só alunos envolvidos nessa prática, mas também educadores. Não dá para suportar isso, nós temos que falar e denunciar esses abusos que afetam psicologicamente, por toda a vida, essas crianças. Não podemos nos calar diante de uma realidade onde são machucados. Criar um disque denúncia seria boa opção.” sugeriu.

Agressões físicas, xingamentos, ofensas, intimidações, constrangimentos, discriminação e bullying, por parte de alunos adolescentes e crianças nas escolas da rede municipal e estadual em São Paulo, são fatores geram preocupação nas famílias de imigrantes, sobretudo, bolivianas que têm seus filhos afetados gravemente por problemas psicológicos e de segurança nas escolas. Diante dessa realidade, no dia 8 de junho, o CAMI realizou uma Assembleia Popular de Educação e Cidadania na praça Kantuta, onde os pais, mães, irmãos das ví- Encarar realidades timas de bullying e outras agressões as de- “É muito doloroso admitir que um filho seja nunciaram, no espaço de microfone aberto. vítima desse tipo de abusos e preconceitos, porém, é muito pior calar e ficar quietinho. Condutas que atormentam Os pais devem denunciar esses fatos e as es“A minha filha estudava na EE. João Ko- colas devem prestar assistência psicológica pke e ali, sofreu intimidações; numa oca- e pedagógica para reforçar a autoestima dos sião, pegaram o lanche e comeram na frente alunos”, exortou outro imigrante boliviano. dela. Outras alunas também foram espancaPara Rafael da Silva, do Núcleo de Edudas ou sofreram roubos“, denuncia um pai cação Étnico-Racial da Secretaria Municipal de família do Bom Retiro. Essas situações de Educação de São Paulo, o problema já é recorrentes com filhos de bolivianos tam- conhecido: “80% dos alunos imigrantes de 55 bém foram reforçadas no relato de outro nacionalidades da rede municipal são bolivia-

nos. Sabemos que sofrem xenofobia e racismo, um mal que permeia a sociedade brasileira e que se reproduz nas escolas”. Salientou que a prefeitura está tomando providências.

Harmonia, respeito e igualdade

“Meu filho tem nacionalidade brasileira, porém, pelo fato de ter a pele morena ele é discriminado, mesmo assim, tenta se socializar com seus colegas na escola”, diz uma mãe boliviana, moradora da zona leste. A violência escolar é um problema real e grave, independente da nacionalidade, do tamanho das escolas, da diversidade cultural ou nível socioeconômico dos estudantes. Nessa prática, participam não somente agressores e suas vítimas, mas também as testemunhas. É importante sensibilizar a população sobre essa situação e implementar estratégias de prevenção nas escolas. No encerramento, os participantes da assembleia aproveitaram para fazer um forte protesto, com abaixo-assinado, contra o Ministério do Trabalho por demorar até seis meses na emissão de Carteiras de Trabalho para estrangeiros. Por assessoria de imprensa

SERVIÇO PASTORAL DOS MIGRANTES

Migração e Liberdade: Migrar é direito, Tráfico Humano é Crime! DOM JOSÉ FERREIRA SALLES

Com o tema “Migração e Liberdade” e o lema “Migrar é direito. Tráfico humano é crime!”, a 29ª Semana do Migrante nos oferece uma oportunidade importante para refletir, questionar e fazer ações de prevenção, denúncia e de resgate da dignidade e cidadania das muitas pessoas que são aliciadas e se tornam vítimas do tráfico humano. Em tempo de megaeventos esportivos no Brasil, a Semana do Migrante traz à luz o drama do tráfico de pessoas, abordando o assunto em consonância com a CF-2014, mesmo porque as vítimas, conforme dados oficiais, são pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica em processo de migração. Essa realidade deve nos desinstalar de nosso bem-estar, da zona de conforto que nos faz indiferentes ao sofrimento dos migrantes que são violados em sua dignidade e liberdade de filhos e filhas do Criador. A imagem do cartaz faz pensar na migração como direito e ato de liberdade, enquanto que o tráfico de pessoas é prática que viola a dignidade humana, escravizando, explorando e atingindo, em sua maioria, mulheres, jovens e crianças, para atividades sexuais forçadas, remoção de órgãos e trabalho escravo, degradante ou em condições ilícitas e precárias. Cientes desse cenário de dor, temos o compromisso ético de reivindicar políticas públicas e garantia de meios para que essas pessoas sejam resgatadas,

acolhidas e reinseridas na família e na sociedade. Migrar é direito, traficar pessoas é um crime, um problema social grave e, lamentavelmente, uma prática em muitos países e “uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas”, como afirmou o papa Francisco. O encontro da Samaritana com Jesus à beira do poço de Sicar ensina que todos nós queremos ser acolhidos, amados, valorizados, compreendidos, aceitos. Mas para

chegar a esse grau de maturidade no relacionamento humano-afetivo há que superar e combater o preconceito e a discriminação nos seus diferentes âmbitos com ações de enfrentamento ao tráfico humano, em que mais de 80% são mulheres. As pessoas traficadas devem ser vistas na condição de vítimas e dessa forma, receber amparo dos direitos humanos. Como cristãos, nossas atitudes, a exemplo do Mestre, devem ser de acolhida, misericórdia e solidariedade, porque em cada migrante está impressa a imagem do próReprodução prio Cristo. Por isso, ao acolhêlos, temos, como nos ensina o papa Francisco, “uma oportunidade que a Providência nos oferece para contribuir na construção de uma sociedade justa, de uma democracia completa, de um país inclusivo, de um mundo mais fraterno e de uma comunidade cristã mais aberta, de acordo com o Evangelho”. Amados migrantes! Queridos irmãos e irmãs na fé! Mantenham viva a esperança de que um futuro melhor está reservado também a vós. Em vossos caminhos, possamos encontrar pessoas generosas capazes de práticas de acolhida, solidariedade e fraternidade. Abraço aqui as palavras do papa Francisco e as faço minhas: “para todos vós e para aqueles que dedicam suas vidas e suas energias ao vosso lado eu prometo a minha oração e concedo de coração a minha Bênção Apostólica”. Dom José Ferreira Salles é bispo de Pesqueira (PE) e presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes E-mail: spm.nac@terra.com.br

FREI PATRÍCIO SCIADINI

Fiz uma pequena viagem à Espanha e Itália na busca de ajuda para as nossas obras no Egito - temos dois hospitais e uma pequena escola. É a única maneira neste País para poder evangelizar e fazer o bem, dando assim testemunho do nosso ser cristão. Perdi a minha mala e fiquei sem nada. Me senti feliz em poder experimentar que é necessário tão poucas coisas para ser feliz. Uma camisa emprestada, uma calça que alguém que tem meu tamanho me dá, um sabonete sempre se encontra, e visto que tenho barba, não necessito de gilete. Nessa situação, dá para meditar e encontrei o segredo da felicidade. Hoje nós somos dominados pela economia, pelo ter sempre mais e mais. E isso nos dá uma ânsia terrível. Quando nos falta alguma coisa, nos encontramos como perdidos, sem saber o que fazer. A felicidade consiste em saber viver não procurando ganhar sempre mais, trabalhar sempre mais para poder gastar mais. Perdemos a liberdade de contentar-nos com o pouco que é suficiente. Para que ter vários pares de sapatos quando nunca é possível usá-los ao mesmo tempo porque temos somente dois pés? Meditei bastante o texto de Mt 6 “olhai os lírios do campo e as aves do céu... não semeiam, não fiam, não tecem, o Pai cuida deles”. Jesus veio para nos ensinar uma coisa simples, transparente: não acumulem tesouros sobre a terra que a ferrugem pode corroer, para acumular tesouros no céu, onde a ferrugem não chega. Compreendi que a infelicidade não está em não ter, mas em ter demasiado. Se cada um tomar consciência do necessário e repartir com os que não têm, encontrará a felicidade. Dizia-me uma pessoa: estou feliz porque agora trabalho meio período. E eu respondi: que bom, assim você pode descansar. Ele me respondeu: “descansar nada, assim posso ter outro trabalho e ganhar mais para comprar mais coisas”. Moral da história: era feliz porque trabalharia mais. Sou feliz porque me esforço cada dia em poder viver com pouco e ver se ajudo os outros a terem o pouco necessário para serem felizes. Por isso, decidi não dar coisas inúteis de presente, mas somente coisas úteis e que vejo que não têm. Só através da nova cultura de quem diz “não ao luxo, ao supérfluo”, e diz “sim só ao necessário”, podemos encontrar a comunhão da felicidade e da alegria. Penso na casa de Nazaré, onde havia um pouco de coisas, mas havia muito de Deus e de felicidade.


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Santos Pedro e Paulo encerram festas de junho Celebração no dia 29 é momento de festividades e de alegria, além de oportunidade de rezar pelo Papa Edcarlos Bispo

redação

Sergio Ricciuto Conte

O mês de junho é conhecido pelas suas festas populares de estrita ligação com as celebrações religiosas. Logo no início do mês, dia 1º, aconteceu, na paróquia Nossa Senhora do Ó, na zona norte, a Festa do Divino, e no último domingo de junho a comunidade de fiéis se reúne para celebrar São Pedro e São Paulo, a solenidade que encerra os festejos juninos. Paulo, apóstolo dos gentios, é celebrado em duas datas no calendário litúrgico. A primeira em 25 de janeiro, que recorda sua conversão, momento que passa de perseguidor a perseguido. E o seu martírio, dia 29 de junho, momento de sua vida em que “o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1, 21). Pedro recebeu de Cristo a incumbência de guardar a fé, “tu és Pedro, e sobre

esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno nunca prevalecerão contra elas” (Mt 16, 18). Assim, o apóstolo é lembrado por ser o primeiro papa da Igreja católica, que em Roma, deu a sua vida por Cristo e pelo seu reino. Dentro dos festejos populares, a festa de São Pedro é mais lembrada. O santo, padroeiros dos pescadores, é venerado em diversas cidades do Brasil, e a celebração em sua memória fecha os festejos juninos com muitas comidas típicas, danças e queima de fogos. As procissões em honra ao santo acontecem tanto nas ruas como no mar, nas cidades litorâneas, ou a beira dos rios, com comunidade de pescadores que se reúnem para navegar com a imagem do santo e pedir proteção e bênçãos nos trabalhos e atividades. Na Arquidiocese de São Paulo, as paróquias e comunidades dedicadas aos santos já preparam suas festas e tríduos. Muitas quermesses acontecerão em toda a cidade e lembram a alegria dos festejos populares que juntam fé e vida. Vale lembrar, ainda, que a Solenidade de São Pedro e São Paulo é um momento em que se recorda o ministério Petrino. Conhecido, também, como o “Dia do Papa”. Está celebração é um momento de orar pela vida do pontífice que está a frente da Igreja católica. Pedindo q Deus que lhe de sabedoria para conduzir o rebanho do Senhor.

Paróquia São Pedro Apóstolo - Vila Alpina Tríduo dias 26 e 27 às 20h, no dia 28 às 19h. No domingo 29, missa às 7h, procissão seguida de missa às 9h30 e às 18h, com bolo ao final da celebração. Paróquia São Pedro Apóstolo - Vila Oratório Festa dias 28 e 29 das 18h às 22h. No domingo 29, missa às 7h30, 10h, 15h e 18h. A celebração eucarística das 15h será presidida por dom Edmar Perón Paróquia São Pedro Apóstolo - Lapa 27, 28, 29 quermesse a partir das 18h. No domingo 29, missas às 8h às 10h; encerramento com a missa celebrada por dom Júlio às 19h Paróquia São Pedro Apóstolo – Tremembé Tríduo de São Pedro 26 e 27 ás 20h, no dia 28 às 17. Missas do domingo dia 29, às 8h, 10h, 15h e 18h30. Paróquia São Paulo Apóstolo - Belém Missas de domingo 7h30, 10h30 e 19h. Festa junina, sábado e domingo às 18h até 23h. Paróquia São Paulo Apóstolo - Jardim IV Centenário Quermesse dia 21, 22, 28 de junho. 5, 6, 12, e 13, 29 de julho às 19h Palestra de reflexão 27/06 às 20h sobre São Pedro e São Paulo com padre Edson Castro. No domingo 29 às 9h30 missa do Padroeiro

18 de outubro: ‘Dia de Aliança de Amor’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

Edcarlos Bispo

redação

Na quarta-feira, 18, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou a lei nº 15.462, de autoria da deputada Rita Passos, que instituiu o “Dia de aliança de amor” a ser celebrado em 18 de outubro. Na justificativa do projeto de lei, a deputada explica o surgimento da devoção à Mãe Rainha, conta a história desta devoção no Brasil, além de explicitar a força que a mesma possuiu no estado de São Paulo. “Destaca-se o Santuário de Schoenstatt de Atibaia, no Estado de São Paulo, denominado ‘Tabor da Permanente Presença do Pai’. Centro de peregrinação e oração é considerado um local sagrado, visitado por milhares de pessoas de todo o país, que vêm agradecer, pedir graças ou simplesmente conhecer, pois se trata de um lugar ‘onde é bom estar’. Possui um espaço próprio para abrigar 5000 pessoas sentadas, o maior entre os 150 san-

tuários do mundo e a capela é uma reprodução fiel da que existe em Schoenstatt, cidade localizada na Alemanha”, afirma o projeto. Na sua página em uma rede social, Rita comemorou e divulgou a aprovação da lei, além de mais uma vez explicar o seu sentido. “Agora o 18 de outubro é um dia de propagar a fé, na espiritualidade e na orientação para o trabalho apostólico, como ocorre na Alema-

nha há 100 anos na campanha fundada pelo padre José Kentenich”. Para o padre Alexandre Awi Mello, diretor nacional do movimento de Schoenstatt, a promulgação da lei divulgada no dia 19 no Diário Oficial do Estado, foi uma boa surpresa. O Sacerdote comenta que havia escutado algo sobre a lei, porém o fato dela ter sido aprovada, ainda o surpreendeu positivamente. “Na verdade tínhamos

escutado falar algo, mas fomos pegos de surpresa. Sabíamos da intenção da deputada, mas foi um reconhecimento nesse ano em que celebramos os 100 anos da criação da ‘aliança de amor’”. O Padre destaca, ainda que a lei é muito mais um reconhecimento que algo para a divulgação do movimento, dessa forma ela representa “um reconhecimento e uma expressão pública de um bem

que não é só do movimento de Schoenstatt, mas de toda a Igreja”. Nesta lei é perceptível o reconhecimento por parte do estado do bem – social e cultural – que a Igreja, neste caso uma obra dela, fornece a sociedade. “No momento eles estão dizendo que acreditam que a cultura do estado de São Paulo tem algo a agradecer ao cristianismo, a Igreja católica e, mais particularmente, ao movimento de Schoenstatt”, afirmou padre Alexandre. Sobre os 100 anos da Aliança de Amor, haverá, na Catedral da Sé, no dia 28 de setembro, às 15h, uma celebração, presidida pelo cardeal Odilo Pedro Scherer, em ação de graças por esta data. “A Aliança de Amor com Maria é a forma original que Schoenstatt possui de viver a aliança batismal. Nela se expressa e se garante nossa aliança com a Santíssima Trindade. É a ‘fonte de vitalidade e o centro da espiritualidade de Schoenstatt’, o coração de Schoenstatt”, descreve o site do movimento.


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A Igreja

Pelo Mundo

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Destaques das Agências Internacionais Padre MICHELINO ROBERTO, Diretor do o São Paulo

VATICANO

Papa exorta a não ceder à legalização de drogas O papa Francisco manifestou-se no sábado, dia 20, contra a legalização das chamadas “drogas leves”, chamando a atenção para o fato de que o problema da toxicodependência exige outro tipo de soluções. “Gostaria de dizer com muita clareza: droga não se vence com droga! A droga é

um mal, e com o mal não pode haver relaxamento ou cedência. Pensar em reduzir os danos ao permitir o uso não resolve de fato o problema”, declarou o Pontífice perante os participantes na reunião anual da International Drug Enforcement Confererece (IDEC), em Roma, que todos os anos reúne

os responsáveis das agências antidrogas mundiais. Francisco considerou “pelo menos questionável” a legalização de drogas consideradas leves, “mesmo de modo parcial”, e disse que tal decisão “não produzirá os efeitos esperados”, pois “o flagelo das drogas

continua a fazer estragos de forma e em dimensões impressionantes, alimentado por um mercado vergonhoso que atravessa fronteiras nacionais e continentais. Desse modo, continua a crescer o perigo para os jovens e adolescentes”. Fonte: Ecclesia

ÍNDIA

Um católico “dalit” é o vice-Primeiro Ministro de novo Estado da Índia O convertido católico Thatikonda Rajaiah é o vice-Primeiro Ministro do novo Estado indiano de Telangana. O inédito da notícia está no fato de Rajaiah ser um “dalit”, isto é, um pária ou “intocável”: ele integra o último escalão da hierarquia do sistema de castas da Índia, costume cultural e religioso que só lhes permite exercer as funções consideradas impuras ou repulsivas pelo resto da sociedade indiana, como lidar com o lixo, o esgoto e cadáveres, sem direito à propriedade ou qualquer esperança de ascensão social. Segundo a tradição indiana, um “dalit” não pode sequer ser tocado pelos membros das castas “superiores” (daí o título ‘intocável’).

T. Rajaiah foi educado na missão católica de Telangana, administrada pelos padres do PIME (Pontifício Instituto das Missões). Os bispos do Conselho Episcopal local (Andra Pradesh) lhe enviaram um telegrama de felicitações, fazendo votos de bom trabalho e garantindolhe apoio e orações. À ocasião, o Conselho dos Bispos enviou ainda um memorando ao governo do novo Estado. O documento recorda que “a Igreja em Telangana, não obstante seja minoria, contribui com 25% dos serviços sociais no campo da instrução, da saúde e dos serviços sociais, em especial destinados às faixas mais pobres”, e pede

que sejam canceladas as discriminações que os cristãos “dalits” sofrem; que se financiem as instituições educativas administradas pela Igreja; que seja removida a proibição de “propagar a própria religião, garantindo a liberdade de religião” e que seja prevenido todo tipo de violência intercomunitária. Além disso, os bispos convidam o executivo do novo Estado a apoiar os esforços da Igreja em fornecer infraestruturas para doentes, crianças de rua, sem-teto, desempregados, incapacitados e toxicômanos, e dar atenção à pastoral carcerária, aos direitos infantis e à emancipação feminina. Fonte: Fides

ESTADOS UNIDOS

FILIPINAS

Revista norte-americana adverte sobre falta de cobertura da perseguição aos cristãos no mundo

Próximo Congresso Eucarístico Internacional será nas Filipinas

A revista norte-americana “The Weekly Standard” advertiu recentemente sobre a “perseguição contemporânea dos cristãos”, destacando que o fenômeno requer atenção mundial porque “está ocorrendo em escala massiva, subestimada e, em muitas partes do mundo, está crescendo rapidamente”. O artigo intitulado “A guerra contra os cristãos” (‘The War on Christians’), escrito pelo pesquisador Paul Marshall, alerta que, segundo relatórios técnicos, “os cristãos são o grupo religioso mais perseguido do mundo”. Paul Marshall é o principal pesquisador do Centro

para a Liberdade Religiosa do Hudson Institute, e coautor do livro “Persecuted: The Global Assault on Christians” (‘Perseguidos: O Ataque Global contra os Cristãos’). “[Os cristãos] são objeto de perseguição em 151 países, isto é, em três quartos dos Estados do mundo”, declarou o autor, ressaltando que parecidos são divulgados pelas revistas Newsweek, The Economist e pelo grupo de apoio aos cristãos Open Doors. Entretanto, escreveu ele, “a maioria das pessoas no ocidente não é consciente destes fatos”. Fonte: ACI Digital / The Weekly Standard

A Arquidiocese de Manila acolherá em janeiro de 2016 o 51º Congresso Eucarístico Internacional. O cardeal arcebispo Luis Antonio Tagle explicou o sentido do lema do encontro, que é “Jesus em nós, a esperança da glória”. “Não estamos esperando em alguém distante. Colocamos nossa esperança em alguém que foi refugiado, alguém que foi traído, que não teve lar, alguém que foi objeto de escárnio, que foi assassinado, mas a quem Deus ressuscitou. Ele está em nós e por isso temos esperança”, explicou o Cardeal. – O Arcebispo ressaltou também a profundidade do tema abordado em contraste com os desejos superficiais que podem preencher a vida atual. “Não é acerca

dos caprichos passageiros e dos desejos, o que é mais profundo e que define o ser humano e a sociedade é a esperança; muitos de nossos desejos não se cumprirão, mas nossa esperança nunca faltará. E esperamos ter uma forte mensagem enquanto nos preparamos para o Congresso Eucarístico Internacional através de nossas vidas, através de nossas relações, através do dinamismo de Jesus, que está em nós”, concluiu. O Congresso Eucarístico Internacional será realizado em Cebú (Filipinas), entre os dias 24 e 31 de janeiro de 2016 e se espera que mais de 15 mil delegados internacionais e locais participem do encontro. Fonte: A12 notícias

BRASIL

Professora aposentada vive sonho de ser missionária no Xingu Ser missionária na Amazônia era o sonho da professora ouropretana Lúgera Silva, desde sua juventude. O sonho se tornou realidade no final de abril, quando ela foi enviada à Prelazia do Xingu, para a cidade de Altamira (PA), onde se encontra em plena atividade.

Nos dias de semana, Lúgera fica na cidade de Altamira, trabalhando na sede do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Nesse trabalho, ajuda na organização de uma Secretaria do Movimento e também na preparação de reuniões e encontros. “No final de semana, fico na cidade de

Brasil Novo, na Paróquia Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que tem 40 comunidades”, explica a missionária. Na Paróquia, Lúgera auxilia os padres José Geraldo Vidal e Antônio Claret Fernandes, que pertencem à Arquidiocese de Mariana e estão em missão no

Xingu há três anos. “Ao chegar aqui, tive uma acolhida calorosa e senti a alegria de rever os queridos padres amigos. Senti a tranquilidade de ser bem recebida, começando logo a participar das atividades: encontro de mulheres, torneio e reuniões”, ressalta. Segundo o padre Claret,

as demandas têm aumentado na região. “Hoje estamos acompanhando mais de 400 famílias”, esclarece. Outras 600 famílias, acampadas em Vitória do Xingu, cidade-sede de Belo Monte, começam a ser acompanhadas pelos missionários. Fonte: A12 notícias


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FILIPE DOMINGUES

Especial para O SÃO PAULO, em Roma

A primeira viagem do papa Francisco dentro da Europa será para a Albânia, um pequeno país no Sudeste europeu. Com cerca de 3,2 milhões de habitantes, a Albânia é menor do que muitas cidades brasileiras – São Paulo é quatro vezes maior –, o que faz pensar: por que Francisco vai à Albânia? Quando anunciou a viagem de um dia à capital Tirana (no Ângelus de 15 de junho), o Papa justificou: “Desejo confirmar na fé a igreja da Albânia e testemunhar o meu encorajamento a um país que sofreu por muito tempo como consequência das ideologias do passado.” A vaticanista de longa data Joan Lewis, norte-americana que trabalha para a emissora católica EWTN e para o site Vatican Insider, do jornal italiano La Stampa, costuma dizer que a essência do pontificado do papa Francisco pode ser resumida em três letras “P”: Pessoas, Pobreza e Paz. Talvez essa simplificação ajude a entender os motivos da viagem à Albânia.

Pessoas – Quando falou das “ideologias do passado”, Francisco se referia ao fato de que a Albânia foi, nas últimas décadas, um país marcado por forte opressão política e social. A região foi ocupada pela Itália fascista e pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial e, depois, viveu um longo e rígido governo comunista, de 1967 até o início dos anos 1990. Com o fracasso do comunismo, dezenas de milhares de albaneses atravessaram o Mar Adriático e fugiram para a Itália

Por que o Papa vai à Albânia? em barcos de pesca ou balsas improvisadas. Até hoje, são muitos os imigrantes albaneses na Itália, onde formaram família, arranjaram trabalho, e, mesmo com dificuldades, construíram suas vidas. O Bispo de Roma, na Albânia, vai ao encontro de muitos que não tiveram a mesma chance. O Papa sabe que a dura realidade da migração é a história, de muitas pessoas na Europa. Vale lembrar que sua primeira viagem dentro da Itália foi à ilha de Lampedusa, principal porta de entrada de refugiados que fogem da guerra e da pobreza na África, e onde milhares de migrantes morrem em pequenos barcos superlotados que naufragam no Mar Mediterrâneo. Aparentemente, o

senvolvimento da Agricultura (Ifad), uma agência das Nações Unidas, cerca de um quarto da população albanesa vive com menos de US$ 2 por dia (R$ 4,50). A pobreza maior está na zona rural e atinge principalmente mulheres e os jovens. Quase metade da população pobre tem menos de 21 anos. Em outras palavras, embora hoje a Albânia seja um país democrático e tenha apresentado um expressivo crescimento econômico, prevalece a pobreza. A presença do Papa Francisco na Albânia é mais um sinal de sua opção pelas periferias. Como disse o portavoz do Vaticano, padre Federico Lombardi, o papa Francisco queria que sua primeira viagem na Europa fosse para

Decisão de Francisco de visitar um dos países mais pobres da Europa se sustenta nos três ‘P’s do pontificado: Pessoas, Pobreza e Paz Papa, que desde o início de seu pontificado tem se aproximado dos sofredores, vai ao encontro de um povo que ainda sente as dores da perseguição e do refúgio nos regimes autoritários. Francisco segue, portanto, os passos de João Paulo II, que esteve na Albânia logo após a queda do regime comunista, em 1992. Pobreza – A Albânia é um dos países mais pobres da Europa. De acordo com o Fundo Internacional para o De-

“um país que está à margem” do sistema, com um passado de perseguição social e religiosa e que ainda vive na pobreza. “Ele vai encontrar os pobres e marginalizados e contribuir para o diálogo inter-religioso”, explicou. Além disso, a Albânia é o país de origem da família de Madre Teresa de Calcutá, um ícone do serviço aos mais pobres. Ela nasceu na região que hoje pertence à Macedônia, mas seus pais

Francisco ‘bate forte’ no crime organizado Padre Michelino Roberto

com agências

Em uma missa celebrada sob forte calor e diante de uma multidão de 100 mil pessoas reunidas na Esplanada de Sibari, na cidade de Cassano, Itália, o papa Francisco, durante a homilia, afirmou que os mafiosos são “adoradores do mal que vivem da delinquência , da violência e do desprezo do bem-comum. “Os mafiosos não estão em comunhão com Deus e estão todos excomungados” afirmou Francisco. Especialistas consideram que esta foi a denúncia mais forte que o Vaticano fez contra o crime organizado na Itália, nos últimos anos. Antes, em 1993, o papa João Paulo II tinha criticado fortemente a máfia siciliana. A missa aconteceu no sábado, 21, ao final de uma visita de quase nove horas do Santo

eram albaneses e, como definiu Lombardi, “é considerada a maior albanesa do século passado”. Alguns observadores do Vaticano arriscam dizer que o Papa poderia anunciar a canonização da Beata Madre Teresa durante a viagem, mas, por enquanto, isso é apenas especulação. Paz – O primeiro-ministro albanês, Edi Rama, disse que a visita do Papa promoverá “valores de coexistência em paz entre fés e etnias”. De fato, cerca de dois terços da população da Albânia é muçulmana. Os cristãos, que, portanto, são uma minoria, dividem-se em comunidades católicas e ortodoxas. E as religiões atualmente vivem em paz. Mas no período da ditadura comunista, os albaneses eram proibidos de ter uma religião. O ditador Enver Hoxha, que proclamou a Albânia o primeiro país ateu em 1967, destruiu igrejas, mesquitas e livrarias religiosas. Além disso, padres e imãs islâmicos eram presos como se fossem criminosos.

Padre à Calábria. Horas antes, Francisco já havia denunciado o sofrimento das crianças vítimas da máfia. “Jamais uma criança deve ser submetida a tais sofrimentos”, disse Francisco no interior do centro de detenção de Castrovillari, próximo de Cassano, referindo-se ao pequeno Nicola Campolongo, morto aos 3 anos de idade, vítima de um ajuste de contas de mafiosos. Na ocasião, o corpo da criança foi encontrado carbonizado juntamente com o do avô no interior de um carro incendiado. O menino tinha sido entregue aos cuidados do avô, depois dos seus pais terem sido condenados a penas de prisão por tráfico de drogas. “Este mal – clamou o papa em sua homilia – deve ser combatido, afastado. É preciso dizer-lhe ‘não’. A Igreja, que é tão engajada em educar as consci-

ências, deve sempre se comprometer a fim de que o bem prevaleça. É o que nos pedem nossos jovens, carentes de esperança”, concluiu Francisco. Após a missa, o Papa e sua delegação foram direto ao heliporto adjacente à esplanada e retornaram a Roma. Essa visita à Calábria é a quarta que o Papa fez na Itália, fora de Diocese de Roma. No ano passado, foi à Cagliari (Sardenha) e denunciou o desemprego dos jovens; a Assis, onde celebrou missa na Basílica de São Francisco e à Ilha de Lampedusa, onde chamou a atenção para o que denominou “globalização da indiferença”. Em Cassano, Francisco quis colocar em evidência o contraste entre a máfia que prospera graças ao crime organizado de um lado e uma população que está entre as mais pobres da Itália, de outro.

Aí entra o terceiro “P”. O Papa vem insistindo de forma concreta nas mensagens da liberdade religiosa e da paz, como fez recentemente reunindo os presidentes de Israel e Palestina ou, no ano passado, quando organizou uma oração pela paz na Síria e no mundo. Para Francisco, a paz entre os povos é possível e a religião não é um obstáculo. Pelo contrário, pode ser o melhor caminho. L’Osservatore Romano


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Corpus Christi:

Cardeal Scherer invoca bênçãos sobre a cidade e seus marginalizados Luciney Martins/O SÃO PAULO

cissão foi acolhida por um grupo Procissão pelas de monges que entoavam cantos ruas do centro velho gregorianos. reuniu milhares de Tradição renovada pessoas É a terceira vez que a assistenRafael Alberto

Especial para O SÃO PAULO

A participação no banquete eucarístico compromete para a transformação da cidade em que vivemos, para que seja mais digna da presença e da morada de Deus, afirmou o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, na homilia da missa na Solenidade de Corpus Christi, na última quinta-feira, 19, na praça da Sé. Cerca de 4 mil pessoas participaram da celebração, que culminou com a benção do Santíssimo Sacramento em frente à Igreja de Santa Ifigênia, após procissão pelas ruas do centro antigo da capital. No caminho, o Cardeal, acompanhado dos bispos auxiliares e de mais de 150 padres, proferiu bênçãos em frente ao Pátio do Colégio e ao Mosteiro de São Bento – onde a pro-

te social Cláudia Silva, 34, vai à procissão de Corpus Christi na praça da Sé acompanhada de sua mãe, Tereza Silva dos Anjos, 76. “A gente ia antes no interior. Minha mãe gosta muito de ver os tapetes. Aqui, o tapete não é muito grande, mas o povo ocupando as ruas do centro com cantos para Jesus é muito lindo”, explicou Cláudia. Desde 2012, quando da celebração dos 70 anos do Congresso Eucarístico realizado em São Paulo em 1942, dom Odilo retomou a antiga tradição de reunir, todos os anos, as comunidades da Arquidiocese de São Paulo para a celebração e procissão de Corpus Christi. “É um sinal da unidade de fé da Igreja, em torno da Eucaristia. Essa unidade se manifesta todas as vezes que participamos da missa, mas é bonito que essa fé seja anunciada também publicamente”, explicou o Cardeal.

Semana Eucarística

A semana que antecedeu a Solenidade de Corpus Christi foi marcada, nas paróquias, por reflexões sobre o tema dos discípulos de

Emaús. Para o Cardeal, ao reconhecerem Jesus no partir do pão, os discípulos renovaram suas forças para sair em missão. Por isso, a Eucaristia é permanente presença de Jesus Cristo no meio de nós. “Nós não estamos sozinhos levando a Igreja para frente. Jesus é o centro da Igreja e ele sempre de novo nos coloca no caminho da missão, para dizermos aos outros que está vivo e vive no meio de nós”, disse.

Banquete fraterno

Na homilia, dom Odilo afirmou que Jesus Cristo veio ao mundo para reunir, em torno de si, toda a humanidade. “Na missa, somos sinal de toda a família humana reunida, onde deve crescer o amor fraterno”, disse. O Cardeal explicou que, na Quinta-feira da Semana Santa, se recorda a Eucaristia, mas que, no contexto do Tríduo Pascal, não é possível refletir de maneira suficiente sobre esse mistério tão central na vida da Igreja. Dom Odilo também destacou que a fé da Igreja na Eucaristia é a mesma no mundo todo, a mesma fé transmitida pelos apóstolos e que vem da Ceia que Jesus fez antes de ser entregue à morte de cruz. “Deus reconcilia consigo a humanidade, no sacrifício de seu

Filho... Quando celebramos a Eu- aplausos da multidão de fiéis, caristia, é isso que celebramos”, Rosa e Pedro Bueno estavam de disse. olhos fechados e com uma fotografia do filho Henrique, de 2 Unidade anos, na mão. Os jovens se casaPara dom Edmar Peron, vigário ram em 2012 e Henrique, nasciepiscopal para a Região Belém, do três meses após o casamento, a Eucaristia reconstrói a Igreja e teve que permanecer dias na UTI renova os laços fraternos. “Tem para se recuperar de uma cirurgia muita gente achando que a Euca- no coração. “Hoje viemos apenas ristia ‘é minha’... Nós entramos agradecer”, explicou Pedro. no mistério da Eucaristia como Rosa, que trabalha com teleIgreja e ela nos faz corpo de Cris- marketing, lembra bem da data to”, explicou. em que, dois anos antes, esteve “Quando afirmamos que a naquele mesmo largo de Santa Igreja vive da Eucaristia, signi- Ifigênia. “Era 7 de junho de 2012. fica a centralidade que ela tem Estávamos muito chateados, pois enquanto presença viva e de for- o médico não via muitas possima tão próxima com que cada bilidades do Henrique viver...”. fiel recebe, comunga. Cristo vem Chovia muito, mas os dois quiaté o fiel e o fiel vai até Cristo. seram acompanhar a procissão E numa expressão do papa João de Corpus Christi. “Quando o Paulo II, o fiel se torna Cristo eu- Santíssimo passou por nós, escarístico”, afirmou o padre Hel- távamos no viaduto. Ajoelhei e mo Facciolli. foi como se eu sentisse Deus me “Celebrar Corpus Christi é confortando. É muito bom camicelebrar a presença do Senhor, o nhar com Jesus”, recordou Rosa. reconhecimento de que sua pre- Henrique se recuperou e Pedro sença se prolonga no sacrário, quer que o menino comece logo como uma presença de doação uma caminhada na Igreja. “A permanente. É publicamente mensagem de Jesus na Eucaristia manifestar a fé nesse mistério”, é de que ele continua conosco. disse. Sempre”, garantiu Pedro.

Enquanto o Santíssimo Sacramento era conduzido para dentro da Igreja de Santa Ifigênia, sob


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Fotos: Pascom das paróquias/Arquivos pessoais

De norte a sul, d

Paróquia São Patrício - Lapa

Paróquia Nossa Senhora da Consolação - Sé

Paróqia Nossa Senhora do Brasil - Sé

Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - Ipiranga

Paróquia Santo Expedito - Santana

Paróquia Nossa Senhora das Graças - Belém

Paróquia Sa

Paróquia São Miguel Arcanjo - Belém

Arquidiocese de São Paulo a


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de leste a oeste

Paróquia Bom Jesus dos Passos - Brasilândia

Paróquia Santan Joana D’Arc - Santana

anta Rosa de Lima - Santana

Paróquia Santa Adélia - Belém Paróquia Mãe de Deus - Brasilândia

Paróquia Santo Antônio de Pádua - Lapa

Paróquia São José Operário - Brasilândia

Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Ipiranga

adora o Cristo Eucarístico Luciney Martins/O SÃO PAULO


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A solenidade da mesa cotidiana Corpus Christi foi instituído pelo papa Urbano IV, em 1.264; desde lá, o calendário litúrgico reserva um dia no ano para esta celebração Nayá Fernandes Redação

Comer e beber. Gesto que dá sabor à vida cotidiana e tornase ainda mais especial quando a comunidade se reúne ao redor da mesa. Gesto essencial para uma vida equilibrada, muitos pedidos de casamento, por exemplo, acontecem ali, entre uma garfada e um gole de vinho. Foi assim desde o princípio. O Antigo Testamento narra a Páscoa celebrada com cordeiro e ervas. Os evangelhos também registraram como foi a ceia de Jesus com seus apóstolos. Mas ele, Jesus, na iminência

da morte, não somente repetiu as bênçãos próprias do seu tempo para aquele momento. O Profeta do Pai deu à mesa um novo significado. Ele anunciou a própria passagem da morte para a vida eterna, “deu-se em comida e bebida” e até hoje, os católicos em todo o mundo celebram a Páscoa do Senhor com a Eucaristia. A missa é o memorial da morte e ressurreição de Jesus, é a oração das orações na religião católica e com ela, os fiéis vivem o “já” e o ainda “não”, ou seja, experimentam a partilha e a presença do Mestre que os une e salva e, ao mesmo tempo, aguardam

uma ceia onde todos estarão juntos partilhando a alegria eterna no Reino de Deus, depois da morte de cada um. Mas, porque a quinta-feira, 19, foi um dia de celebrar solenemente esta vivência da partilha se ela acontece a cada domingo e para muitos até diariamente? Por que o calendário litúrgico reservou um dia do ano para a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo?

Origem de Corpus Christi

A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebra-

da na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. O papa Urbano IV quando cônego, Tiago Pantaleão de Troyes, recebeu, em Liège, na Bélgica, o segredo das visões da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que exigia uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Nascida em Liège, no ano de 1.192, Juliana entrou para o convento das agostinianas em Mont Cornillon, periferia de Liège, aos 14 anos, em 1.206. Aos 17 anos, em 1.209, começou a ter ‘visões’, exigindo da Igreja uma festa anual para agradecer o Sacramento

da Eucaristia. Com 38 anos, em 1.230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège, que 31 anos depois seria o papa Urbano IV (1261-1264). Ele tornou mundial a Festa de Corpus Christi, pouco antes de morrer. Mas a Solenidade começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1.230, com autorização do arcediago para procissão Eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1.247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou uma festa nacional na Bélgica. Luciney Martins/O SÃO PAULO

Milagre de ‘Orvieto – Bolsena’ Em 1.263, um padre alemão, Peter de Prague, durante uma peregrinação para Roma, parou em Bolsena, na Itália. Sabe-se que este padre afirmou que tinha dificuldades em crer que Jesus Cristo estava realmente presente na hóstia consagrada e isso o deixava perturbado interiormente. Mas, como disse uma vez Guimarães Rosa, ícone da literatura brasileira “quem desconfia fica sábio”. Aconteceu que este padre foi acometido pela sabedoria por excelência, a sabedoria divina. Enquanto presidia a missa, sobre o túmulo de Santa Cristina, após pronunciar as palavras da consagração, viu sangue minar da hóstia, escorrendo sobre suas mãos, sobre o altar e o corporal. A hóstia branca continha assim, o aspecto de carne viva. O Padre, inquieto, levou a hóstia e o corporal com as manchas de sangue para a sacristia e avisou às autoridades. O papa Urbano IV pediu aos bispos que levassem a hóstia e o corporal até Orviedo, cidade vizinha onde o Papa residia. Ele mesmo foi receber o Bispo que estava trazendo os objetos na ponte do Rio Claro, na entrada da cidade. Daquela ponte, o cortejo seguiu em procissão para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi considerada a primeira procissão com o corporal Eucarístico. Um ano após o milagre de Bolsena e 6 anos após a morte de irmã Juliana, que foi canonizada em 1.599, a festa de Corpus

Christi foi decretada para acontecer mundialmente pelo papa Urbano IV, em 1.264, há 750 anos. Como o papa Urbano IV morreu logo após a publicação do decreto, ele teve pouca repercussão, mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha. Assim, Corpus Christi tomou seu caráter universal definitivo, 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século 14, quando o papa Clemente V, em 1.313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Jú-

ris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. O corporal de linho com as manchas de sangue é ainda venerado e exibido em Orvieto. Em agosto de 1964, nos 700 anos da instituição da Solenidade de Corpus Christi, o papa Paulo VI presidiu missa no altar onde o corporal está guardado, na Catedral de Orvieto.

criatividade e tempo. No Brasil, algumas cidades são conhecidas internacionalmente pelos “tapetes” nas ruas, sobre os quais se caminha na procissão Eucarística. O estado de Minas Gerais, por exemplo, é marcado pela beleza dos tapetes que se tornam ainda mais admiráveis, quando rodeados de casas históricas e obras de arte, como as de Aleijadinho. Essa manifestação pública da fé, no E a procissão pelas ruas? entanto, começou em 1.317, quando papa Preparar a procissão de Corpus Christi é João XXII publicou o Corpus Júris, com o uma atitude que exigem solidariedade, qual decretava o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. Reprodução O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Solenidade de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a procissão Eucarística pelas ruas das cidades, como ação de graças pelo sacramento da Eucaristia. O novo Código de Direito Canônico, em 1983, mantém a obrigação de se manifestar ‘o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia’ e ‘onde for possível, haja procissão pelas vias públicas’, mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.

‘Missa de Bolsena’, obra de Raffaello Sanzio, inspirada no milagre Eucarístico

(Com informações de texto elaborado pelo monsenhor Arnaldo Beltrami).


Com a palavra

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Heidi Ann Cerneka

Lutar sem perder a ‘esperança e a persistência’ Luciney Martins/O SÃO PAULO

O SÃO PAULO – A privatização das penitenciárias representa um risco aos direitos humanos ou à segurança pública?

Edcarlos Bispo

redação

Uma mulher em liberdade lutando pelos direitos dos encarcerados, essa é a definição mais simples sobre Heidi Ann Cerneka, militante da Pastoral Carcerária desde 1997. Há 17 anos no Brasil, a americana, que faz parte da coordenação nacional da Pastoral para a mulher presa, está de malas prontas para voltar para seu País natal, onde irá estudar direito. “Fui no presídio com a equipe [da Pastoral] a primeira vez e descobri um mundo que estava abandonado. A população presa em geral é abandonada pelo Estado, mas também pelo povo da Igreja Católica. As mulheres mais ainda, porque parecia um mundo invisível, como se não existissem mulheres presas” comenta. O jornal O SÃO PAULO concede a palavra a Heidi, que fala dos momentos desse trabalho, faz uma avaliação do sistema penitenciário brasileiro, o aumento no número de encarceramentos no País, a situação das mulheres e outros assuntos. Heidi deixa uma mensagem para os integrantes da Pastoral Carcerária e deseja que “nunca percam a esperança e a persistência na luta”, além de pedir que “não esqueçam-se das mulheres e realmente fiquem na luta contra o encarceramento em massa que afeta as pessoas mais pobres e marginalizadas, especialmente”.

Heidi – A Pastoral Carcerária está terminando um relatório sobre privatização, mas eu, Heidi, diria que sim, representa um risco aos direitos humanos e a democracia. Seguramente, funcionários em presídios privatizados têm menos tempo de treinamento e a rotatividade de funcionários é alto (eles não ficam muito tempo)... mas o que mais me preocupa é a questão de transparência. O presídio privatizado vai garantir a entrada de visita familiar? Vai garantir os trabalhos de assistência religiosa e acesso as igrejas para os presos? Vai garantir entrada de conselhos da comunidade, de conselhos de direitos humanos, de saúde etc.? É claro que pela lei, são obrigados a deixar entrar todos esses grupos e ver o presídio inteiro, mas acredito que eles vão mais facilmente dificultar esses trabalhos de controle social e acompanhamento religioso.

“Nesta segunda categoria, entram não somente as pessoas presas, mas também suas famílias, e que o Estado não tem obrigação de garantir os direitos desta população”

O SÃO PAULO - Quais, na sua opinião, foram os momentos mais difíceis Um segundo mito é que existe cidadãos desse trabalho? e subcidadãos. Nessa segunda categoria, entram não somente as pessoas preHeidi Ann Cerneka – O mais difícil não sas, mas também suas famílias, e que o é o trabalho com os presos e as presas. O Estado não tem obrigação de garantir os mais difícil é trabalhar com funcionários direitos desta população. e um sistema que invalida pessoas como Esse sistema nunca vai resolver a quesser humanos e cidadãs, não merecedores tão de desigualdade e injustiça no País. de direitos e dignidade, e um Estado que Esse sistema trata indivíduos como o incentiva isso. problema em vez de reconhecer que o O mais difícil é trabalhar com uma Igre- problema que causa crime, violência e ja que prega justiça, amor e serviço e ver pobreza é coletivo, é econômico e soos líderes que não acham que esta justiça ciopolítico. e amor se estende à população mais ex- É muito mais fácil eu apontar uma pescluída. É um grande sinal de esperança soa ou umas pessoas e dizer “ele é o que temos agora um Papa que olha para problema e a causa da violência aqui na os presos e as presas, que chama a gente cidade” do que reconhecer a responsapara ser parceiros e parceiras na cons- bilidade social de todos nós, dizer “ele trução deste mundo novo, aqui, agora, é o produto de tudo isso” e ter de munesta terra! dar meu comportamento e meu estilo de vida. O SÃO PAULO – Que avaliação faz do sistema prisional brasileiro? O SÃO PAULO – Houve um primeiro passo para o fim da revista vexatóHeidi – O sistema prisional brasileiro ria. A Pastoral Carcerária é uma das está construído em cima de alguns mi- grandes batalhadoras nessa frente? tos. Primeiro, que punição e retribuição vão mudar pessoas para melhor e acabar Heidi – A Pastoral Carcerária, eu diria, com violência e que o medo de punição há décadas, denuncia essa ilegalidade (o resto de nós com medo de ser preso) com os familiares e queridos da populavai ajudar o resto da população a não ção presa. Por quê? Porque a Pastoral praticar crimes. Carcerária está dentro dos presídios, co-

tovelo a cotovelo com a população presa e seus familiares e tem ouvido o clamor destas pessoas há muito tempo. Não temos como ver algo deste nível na injustiça e indignidade que acha certo, por exemplo, obrigar a mãe de um preso a tirar toda sua roupa em frente de estranhos, agachar em cima de um espelho e ser tratada como suspeita só por causa de seu parentesco. Estamos com muita esperança, assim como o movimento, para acabar com a revista continua crescendo e o projeto de lei está no Congresso. O fim desta violação e ilegalidade está chegando.

O SÃO PAULO – O aumento do número de encarceramentos no Brasil se deve, na sua opinião, a que fatores? Heidi – Acho que são muitos fatores, mas elencaria dois: a injustiça e desigualdade, que às vezes causam revolta e/ ou desespero, e o outro fator é a lei das drogas que criminaliza o usuário, prevê sentenças altas (sempre falamos que a porta de entrada do presídio é grande, mas a porta de saída é muito pequena). Também tenho de dizer que a lentidão do judiciário contribui bastante para a superlotação e ao aumento da população prisional.

O SÃO PAULO – Enquanto mulher, como vê a situação das penitenciárias femininas no País? Heidi – A situação das penitenciárias femininas é muito assustadora e preocupante. Com certeza, nestes anos, há coisas que melhoraram. Quando comecei este trabalho, nenhuma mãe e nenhum bebê tinham direito de amamentação. Hoje é lei (aliás, era naquela época também, mas ninguém respeitava). O que nos deixa mais tristes é que a grande maioria de mulheres que encontramos nos presídios é de crime não violento, muitas vezes primária, e mais de 80% com filhos. Não há necessidade de deixar presa. Tem alternativas penais que ainda responsabiliza a pessoa pelo qual ela ou ele fez, mas não precisa deixar espremida em celas superlotadas, sem qualquer condições de higiene e saúde. O Estado de São Paulo, por exemplo, apesar de mais de 17 anos de luta, nunca tem levado à sério a questão de amamentação dos filhos das mães presas. É lei. É obrigação, mas parece que só cidadão comum (e “subcidadão”) tem obrigação de cumprir a lei. O Estado não tem. Isso não é peculiaridade de São Paulo. Outra Reflexão, acho importantíssimo lembrar que esse trabalho para um mundo mais justo, para um mundo sem cárceres (e sem violência), é de todos e todas. É muito cômodo achar que “a Pastoral Carcerária cuida disso e posso relaxar em meu cantinho da Igreja”, mas eu acredito que as pastorais existem para chamar todos nós para a militância!


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Migração: entre o risco e a liberdade Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Haitiano agradeceu a solidariedade dos brasileiros durante encerramento da 29ª Semana do Migrante, na Catedral da Sé Nayá Fernandes Reportagem no Centro

Winial Pierrette, 40, é haitiano, mas está no Brasil há 2 anos. Ele trabalha como pedreiro e aluga um quarto no Brás. “Ganho R$ 800,00 e R$ 500,00 vai para o aluguel. Não sobra quase nada para comer ou enviar para a família no Haiti”, afirmou o haitiano que deixou os 2 filhos e a mãe e veio para o Brasil em busca de oportunidades de trabalho. Mas Winial mostrou-se insatisfeito com as condições de trabalho que encontrou por aqui. “Até no Haiti, quando o Brasil joga é uma festa e as empresas liberam as pessoas. Aqui, o patrão libera, mas depois temos que pagar as horas não trabalhadas em dobro. Acho isso uma injustiça”, lamentou. O trabalhador haitiano é um dos mais de 20 mil que migraram devido à destruição causada pelo

Causas e consequências da migração são apresentadas em símbolos durante a missa no domingo, 22; a falta de água, por exemplo

terremoto em 2010 que ainda assola o seu país. E, mesmo tendo críticas às “injustiças brasileiras” ele pediu à reportagem para transmitir aos brasileiros um agradecimento pela solidariedade com os haitianos que chegaram em grande número nos últimos meses e ocuparam as dependências da Casa do Migrante, que pertence à Missão Paz, no Glicério, centro da capital paulista. “Queremos procurar os meios de comunicação para agradecer oficialmente a acolhida e as doações que recebemos”, disse Winial que estava desempregado, e por isso, ia todos os dias para a Missão Paz ajudar

os compatriotas que chegaram. Outro agradecimento foi dirigido à Missão Paz ao Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) e aos demais institutos e pastorais que trabalham diretamente na acolhida e assistência aos migrantes. Quem o fez foi o cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, presidente da celebração na qual se recordou o Dia do Migrante, domingo, 22, na catedral da Sé. A missa aconteceu durante a 29ª Semana do Migrante, 15 a 22 de junho, que teve como tema: “Migração e Liberdade” e lema: “Migrar é Direito: Tráfico Huma-

no é Crime!”. Países latino-americanos, Haiti, África, e, diversas regiões brasileiras participaram da celebração que chamou atenção para situações de exploração e sofrimento que vivem os migrantes, mas também para a grande riqueza cultural e humana que eles trazem. “Os migrantes vivem situações de sofrimento na partida e na chegada”, lembrou o Cardeal que fez um apelo a todas as igrejas e comunidades para que acolham os migrantes e que eles se sintam em casa. A resposta ao pedido pode colaborar para que eles estejam menos expostos ao tráfico, à prostituição, ao traba-

lho análogo à escravidão, ao uso e tráfico de drogas, situações às quais são mais vulneráveis. Com uma lata de água na cabeça, carregando um facho de cana, uma casinha feita de madeira ou vestidos com roupas típicas entraram em procissão os migrantes que deram a conhecer os motivos pelos quais migram e as diversas formas de violação dos direitos humanos pelos quais passam. Por fim, um canto emocionado foi dirigido à Maria, mãe de Deus e dos migrantes enquanto imagens de diferentes títulos de Nossa Senhora foram trazidas até o altar.

levantamento dos dados dos operários mortos nas obras dos estádios da copa feito pelo serviço pastoral dos migrantes (spm)

Antônio José Pita

Carlos de Jesus

Fabio Hamilton Cruz

Fábio Luiz Pereira

liveira José Afonso de O

José Antônio da Silva

José Elias Macha do

Marcleudo de Melo

Muhammad Ali Maciel

dos Santos Ronaldo Oliveira

Ponto de Vista Rezar a vida na celebração eucarística é atitude sábia de quem vive, no cotidiano, o seguimento de Jesus. Ver os nomes e alguns rostos dos operários mortos nas obras dos estádios da Copa do Mundo da Fifa espalhados pela escadaria da Catedral da Sé, me fez pensar isso.

E digo rezar a vida num contexto de dor e morte. Muitos dirão que uma coisa não tem nada a ver com a outra, que acidentes acontecem sempre. É verdade. Todos os dias morrem inocentes, muitas vezes, para sustentar o lucro e o luxo. Dos 14

mortos nos estádios, pelo menos 7 eram migrantes, a maioria do nordeste, uma das regiões mais pobres do Brasil. Mas as discussões sobre os gastos excessivos na Copa aos poucos vai dando lugar à euforia de uma possível vitória. Enquanto isso, no Catar, sede

da Copa em 2022 já morreram 1.200 imigrantes, enquanto trabalhavam na construção dos estádios e em obras de infraestrutura. O relatório é da International Trade Union Confederation. A estimativa da entidade é que, no total, 4 mil operários

morram até o começo dos jogos. Lá os trabalhadores enfrentam jornadas longas de trabalho num clima que se aproxima dos 50ºC. A maioria da mão-de-obra barata é formada por imigrantes do Nepal, Índia e Paquistão. Por Nayá Fernandes


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copa do mundo

Os quatro duelos até o hexa que vai buscar a vitória”, garantiu. Seleção vivenciará ‘mini Copa América’ ‘Mini Copa América’, sem risco de ‘Maracanazo’ até as Quartas de Caso avance para as Quartas de Final e deve ter Final, o Brasil seguirá em “clima Copa América”, tendo pela Alemanha, Estados de frente em 4 de julho, em Fortaleza, a Colômbia (líder do grupo Unidos ou França C) ou o Uruguai (segundo colonas Semifinais

cado do grupo D), que também se enfrentam no dia 28, às 17h, no Maracanã. Uruguaios e colombianos já duelaram uma vez na história dos Mundiais: na fase de grupos da Copa de 1962, quando o Uruguai venceu por 2 a 1. Com esse emparelhamento de confrontos em 2014, está descartado um “novo Maracanazo”, já que Bra-

Daniel Gomes Redação

Brasil e Chile iniciam no sábado, 28, às 13h, em Belo Horizonte, as Oitavas de Final da Copa do Mundo de 2014. Será o quarto duelo destas seleções na história dos Mundiais: os três anteriores foram vencidos pelo Brasil em 1962, 1998 e 2010. Nas duas últimas vezes, o confronto aconteceu na segunda fase do torneio, e em 1962, nas Semifinais, diante de 76 mil chilenos, no Estádio Nacional de Santiago, na capital daquele País, com o placar de 4 a 2, com dois gols de Vavá e dois de Garrincha. Dessa vez, o candidato a protagonista do confronto é Neymar, que já tem quatro gols no Mundial, e a coadjuvante, Fernandinho, que substituiu Paulinho no segundo tempo da vitória brasileira sobre Camarões, por 4 a 1, na segunda-feira, 23, e tem chance de ser titular entre os comandados de Luiz Felipe Scolari. “As pessoas achavam que o Chile seria descartado e não foi. Tem muita qualidade. Vamos conversar e tentar ganhar no sábado e passar outra etapa”, afirmou o técnico Felipão após a partida, também destacando a evolução do Brasil ao longo da Copa. Já Jorge Sampaoli, técnico da seleção chilena, comentou, após a derrota para a Holanda por 2 a 0, que definiu o Chile como segundo colocado do grupo B, que “o próximo rival será mais difícil que o de hoje. Será um jogo de alta intensidade e eles verão um Chile

sil e Uruguai, rivais na decisão da Copa de 1950, só podem se enfrentar até as Quartas de Final.

Nas semifinais, Estados Unidos, Alemanha ou França

Na fase Semifinal, em 8 de julho, em Belo Horizonte, os prováveis contra os quais a seleção já decidiu adversários do Brasil serão países títulos mundiais: Estados Unidos, a quem os brasileiros venceram Rafael Ribeiro/CBF na Final da Copa das Confederações de 2009; Alemanha, que sucumbiu diante de dois gols de Ronaldo `Fenômeno´ na decisão da Copa do Mundo de 2002; e França, que superou o Brasil na Final do Mundial de 1998. Estados Unidos e Alemanha decidem a liderança do grupo G na quinta-feira, 26, às 13h, em Recife. Os alemães jogam pelo empate para terminar na liderança. A França enfrentaria o Equador na quarta-feira, 25, no Maracanã, com grande vantagem para terminar na liderança do grupo E (o jogo foi concluído após o fechamento desta edição). Com os emparelhamentos da fase eliminatória da Copa, os mais cotados para uma eventual Final com o Brasil, em 13 de julho, no Maracanã, são Holanda ou Argentina (caso seja a primeira do grupo F), além da Alemanha (se terminar como segunda colocada do grupo G).

Espanha, Itália e Inglaterra: as decepções da primeira fase Da Redação

De modo surpreendente, três campeãs mundiais não avançaram para a segunda fase da Copa: a Espanha, vencedora em 2010, a Inglaterra, que conquistou a taça em 1966, e a tetracampeã Itália (1934, 1938, 1982 e 2006). Goleada pela Holanda, por 5 a 1, e derrotada pelo Chile, por 2 a 0, a Espanha despediu-se da Copa vencendo a Austrália por 3 a 0. Com o

Luciney Martins/O SÃO PAULO

desempenho, Vicente del Bosque, campeão do Mundo e da Euro 2008 e 2012, deve deixar o comando da Fúria. “Hoje encerramos seis anos na seleção. Seis anos em que praticamente formos os primeiros no ranking da FIFA. Uma geração que fez escola”, afirmou após o jogo, que também marcou a despedida de David Villa da Fúria, após 59 gols marcados pela seleção. No dito “grupo da morte”, a chave D do Mundial, a Costa Rica

surpreendeu e terminou na liderança, com sete pontos. As decepções foram Inglaterra e a Itália. Os ingleses chegaram à rodada final já sem chances de classificação. “É muito desapontante deixar o Mundial sem nenhuma vitória”, afirmou o técnico Roy Hodgson, após o empate em zero a zero com a Costa Rica, na terçafeira, 24. Já a Itália perdeu a classificação para a segunda fase ao levar um gol

do Uruguai a nove minutos do fim da partida, realizada também na terça-feira, em Recife. Após o jogo, o técnico Cesare Prandelli e o presidente da FEderação Italiana, Giancarlo Abete, pediram demissão. “Eu me demito. Mas o árbitro arruinou tudo”, disse em referência à expulsão do jogador Claudio Marchisio. Foi a segunda eliminação consecutiva dos italianos na primeira fase do Mundial. Isso aconteceu também em 2010. (DG)

Torcer muito, mas sem descuidar da saúde Daniel Gomes que não o faça em um dia isolado, sem Redação

Copa do Mundo não é época de descuidar a saúde. É o que alerta a médica Ana Paula Andreotti Amorim, integrante da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), que apontou que muitas pessoas descuidam de tratamentos médicos e fazem esforços que não estão acostumadas quando torcem. “A ideia é que se a pessoa não está acostumada a fazer determinado esforço,

orientação específica. Por exemplo, quem tem problema cardíaco ou é idoso não deve ficar pulando naquele dia se nunca pulou a vida inteira”, afirmou ao O SÃO PAULO. A médica ainda recomenda que quem for assistir aos jogos fora de casa deve se proteger do sol e do mormaço, utilizando bonés, chapéus e protetor solar, e não pode deixar de se hidratar, especialmente no caso de consumo álcool. “Com a emoção da torcida, a ingestão de álcool pode aumentar, o que gera desidratação, já que

as bebidas alcoólicas são diuréticas, e diferentes da água, que hidrata o corpo”. Outras dicas referem-se ao cuidado em consumir alimentos que podem causar intoxicação alimentar; procurar fazer alongamentos, caso se permaneça muito tempo sentado ou em pé; estar atento à tendência de aumentar o volume de voz em ambientes com muito barulho, o que pode provocar irritação da garganta; e para o caso dos pais, além de todos esses cuidados, também se manter atento à segurança das crianças.


18 | Região Brasilândia |

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‘Quem come deste pão viverá eternamente’ A Celebração de Corpus Christi lotou a Paróquia Bom Jesus dos Passos, na Freguesia do Ó, que se reuniu também para a confecção do tradicional tapete

sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Jesus por nós. Mesmo separando seu Corpo e seu Sangue, Jesus se conserva por

inteiro em cada uma das espécies. É pela Eucaristia, especialmente pelo pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos

parte na vida divina, nos unindo a Jesus e, por ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo. Essa antecipação da vida divina aqui na terra Renata Moraes

Renata Moraes

Colaboradora de Comunicação da Região

Nem mesmo o tempo frio, da manhã de quintafeira, 19, impediu BRASILÂNDIA os paroquianos da Igreja Bom Jesus dos Passos, na Freguesia do Ó, a se reunirem bem cedo para preparar o tapete de Corpus Christi. Crianças, jovens, adultos e idosos, todos reunidos para a preparação da festa do Corpo e do Sangue de Cristo. A Igreja, que em 2015 completará 40 anos de fundação, preparou um bonito e extenso tapete com serragens, sal grosso, areia e flores. Com desenhos, figuras de cálices e de Jesus nas mais variadas formas demonstraram ainda mais a religiosidade do povo daquela comunidade, que alegres trabalharam por mais de seis horas até o momento da Missa e da procissão do Santíssimo Sacramento. A celebração da Eucaristia aconteceu às 15 horas e foi presidida pelo padre Roberto Moura, atual pároco. Em sua fala inicial, padre Beto, como é popularmente conhecido, acolheu a todos, agradecendo o empenho da comunidade na preparação da solenidade. Na homilia, o Sacerdote exortou os fiéis sobre a importância da festa em honra ao Corpo e Sangue de Cristo, presença real de Jesus na vida de todos os cristãos. Explicando sobre a origem mundial da festa, desde o milagre de Lanciano até a intercessão de Santa Juliana entre os séculos IX e XIII. “A Eucaristia é o memorial

Na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, todo o povo prostra-se em adoração ao Santíssimo Sacramento

mostra-nos claramente a vida que receberemos no céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade. O centro da missa será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da redenção.”, explicou padre Roberto Moura. Após a celebração, todo o povo foi convidado a seguir o Santíssimo Sacramento em procissão sob o tapete, entoando cânticos de exaltação ao Corpo e Sangue de Jesus Cristo. E juntos, prostrados em adoração, sob o altar preparado no final da rua, os fiéis receberam a bênção final.

palavra do bispo

“Quando orardes...” (Lc 11,2) Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia

Dom Milton Kenan Júnior

A segunda seção da parte que trata da “Oração Cristã”, se dedica a aprofundar a oração do “Pai nosso”, a “oração do Senhor”, aquela que ele ensinou aos discípulos quando eles pediram que lhes ensinasse a rezar, como João Batista ensinou os que o acompanhavam (cf. Lc 11,1). Para nos falar da importância da oração do Pai nosso, o Catecismo apela para as palavras de um autor dos primeiros séculos da era cristã: “A Oração do Senhor é realmente o resumo de todo o Evangelho” (Tertuliano); e Santo Agostinho: “Percorrei todas as orações que se encon-

tram nas Escrituras, e eu não creio que possais encontrar nelas algo que não esteja incluído na oração do Senhor” (cf. CIC 2761-2762). A oração do Senhor, encontrada no centro do Sermão da Montanha, reúne todo o Evangelho em si. Santo Tomás de Aquino (como é citado pelo Catecismo) afirma: “A Oração do Senhor é a mais perfeita das orações [...] Nela, não só pedimos tudo quanto podemos desejar corretamente, mas ainda segundo a ordem em que convém desejálo. De modo que esta oração não só nos ensina a pedir, mas ordena também todos os nosso afetos” (n. 2763). Nós a intitulamos “A Oração do Senhor”, pois nela, “o Filho único nos dá as palavras que o Pai lhe deu. Ele é o mestre de nossa oração. Por outro [lado],

agenda regional

como Verbo encarnado, Ele conhece em seu coração de homem as necessidades de seus irmãos e irmãs humanos e as revela para nós; é o modelo de nossa oração” (n. 2765). O Catecismo, afirma, entretanto, que “Jesus...não nos deixa uma fórmula a ser repetida maquinalmente [...] Jesus nos dá não só as palavras de nossa oração filial, ele dá, ao mesmo tempo, o Espírito pelo qual elas em nós “são espírito e são vida” (Jo 6,63), tornando-nos participantes da relação misteriosa que existe entre ele e o Pai, unidos pelo Espírito Santo (n. 2766). A Oração do Senhor é também a oração da Igreja, que acolheu e viveu desde o início este dom indispensável das palavras do Senhor e do Espírito Santo. As comunidades primitivas a rezavam “três vezes ao dia”.

Por estar presente em todas as tradições litúrgicas, sobretudo, nos sacramentos da iniciação cristã, o Catecismo recorda que “no Batismo e na Confirmação, a entrega [“traditio”] da Oração do Senhor significa o novo nascimento para a vida divina. Como a oração cristã consiste em falar a Deus com a própria palavra de Deus, aquele [que] é “incorruptível mediante a palavra de Deus, viva e permanente” (1Pd 1,23), aprende a invocar seu Pai mediante a única Palavra que ele sempre atende” (n. 2769). No contexto da Eucaristia, “a Oração do Senhor manifesta também o caráter escatológico de seus pedidos. É a oração própria dos “últimos tempos”, dos tempos de salvação que começaram com a efusão do Espírito Santo e que terminarão com a volta do Senhor” (n. 2771).

Quinta-feira (26), 19h

Domingo (29), 17h

Abertura do Grupo de Oração Missão Raiz na Paróquia Bom Jesus dos Passos (rua Professor João Machado,856- Freguesia do Ó). Outras informações (11) 3976-4527.

Missa em louvor a São Pedro Apóstolo, após a missa festa na rua com barracas típicas na Comunidade São Pedro ( rua Manoel Ribeiro Rosa, 53, Jardim Cidade Pirituba). Outras informações (11) 3974-7204.


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| Região Belém | 19

Crianças emocionam na celebração da Padroeira João Carlos Gomes

Estudantes participaram de procissão para oferecer flores à Jesus e a Santa Marina João Carlos Gomes

Colaborador de comunicação da Região

Na quarta-feira, 18, cerca de 300 pessoas lotaram bELÉM Dom Edmar preside a missa da padroeira Santa Marina, na quarta-feira, 18, que reúne 300 pessoas, 60 dessas, crianças da Escola Santa Marina a Igreja Coração Eucarístico de Jesus e Santa palavra do bispo Marina, no Setor Carrão – Formosa da Região Episcopal Belém, para celebrarem o dia da padroeira, juntamente com auxiliar da reconsideramos a grata memó- do êxodo (ano A), da Páscoa e pois, participação sacramental o bispo auxiliar da Arquidiocese Bispo Arquidiocese na de São Paulo para a Região Epis- Região Belém ria da nossa redenção, no qual da Aliança (ano B) e do Pão da na vida de Jesus Cristo – vida copal Belém, dom Edmar Peron. somos afastados do mal e revi- Vida (ano C). doada, vida entregue – pois o Concelebraram o pároco Emergorados no bem, e progredimos O sentido teológico é aque- cálice de bênção é comunhão Dom Edmar son José da Silva, o vigário padre no crescimento das virtudes e le que foi colocado por Jesus com o sangue de Cristo, e o pão Peron Roque Kiefer e o diácono Bruno das graças” (Denzinger Hüner- Cristo: “Fazei isto em memória que partimos é comunhão com César Damasceno. Também parmann 846, = DH). de mim”. Colocar outro seria o corpo de Cristo (1Cor 10,16). ticipou da missa, o ex-pároco da Entre as solenidades do Senhor, Esta festa é celebrada com incorrer no erro gravíssimo de Essa comunhão vai nos confiSanta Marina e atualmente provin- durante o Tempo Comum, te- missa, seguida de procissão, separar a “hóstia consagrada” gurando com Jesus: “Este pão é cial da Congregação dos Palotinos, mos a do Santíssimo Sacra- sendo consagrada, na missa, a do “mistério pascal” do Senhor comido, mas na verdade não é responsáveis pela paróquia, padre mento do Corpo e do Sangue de hóstia que será levada em pro- (o que, às vezes, infelizmente, consumido; é comido, mas não José Elias Fadul. Cristo. Tal celebração tem suas cissão; tal procissão e bênção vemos acontecer!?). Em cada mudado, porque não é de modo raízes na devoção eucarística, ocupam o lugar dos ritos finais. santa missa, portanto, a Igreja algum transformado naquele Procissão com as crianças muito florescente a partir do sé- As três orações da missa perma- torna presente o Senhor, faz a que come, mas, se é recebido Se Santa Marina representou culo XII, que realçava a presen- neceram as mesmas do missal memória dele, do seu mistério de modo digno, aquele que o em vida a inocência e a pure- ça real de Cristo no sacramento de 1570, contudo – salientemos pascal, fato já acontecido, único, recebe é a ele amoldado” (Bula za, nada mais apropriado que e sua adoração. O papa Urbano – a liturgia da Palavra foi enri- irrepetível e sempre atual (1Cor Transiturus: DH 847). iniciar a celebração com uma IV, ao prescrever essa soleni- quecida com leituras próprias 11,23-26). Desse modo, a cada Por fim, com a procissão, procissão de 60 crianças e ado- dade para toda a Igreja, no dia para cada um dos anos: A, B e geração é dada a possibilidade somos chamados a participar lescentes da Escola Santa Mari- 11 de agosto de 1.264, com a C. Enquanto as orações refletem de participar do mesmo sacra- do esforço missionário de toda na, parceira da paróquia há 45 Bula “Transiturus de hoc mun- respectivamente a eucaristia mento do Senhor até que Ele a Igreja: levar Cristo pelas ruas, anos, ofertando flores para sua do”, procurou situar a presença como memorial da paixão de venha! “Anunciamos, Senhor, fábricas, lojas, shoppings... Sepadroeira. eucarística em seu contexto ori- Cristo, sacramento da unidade e a vossa morte e proclamamos ria deficiente a espiritualidade Feliz com o número expres- ginal: a celebração da morte e prefiguração do gozo da vida di- a vossa ressurreição. Vinde, Se- que valorizasse o tapete e a prosivo de jovens na missa, dom ressurreição de Cristo: “Este é vina, as leituras nos apresentam nhor Jesus!”. cissão, mas não desse testemuEdmar valorizou a presença dos o memorial… salvífico, no qual o mistério eucarístico a partir A comunhão eucarística é, nho de Cristo diante do mundo. jovens, que se assentaram nos primeiros bancos da igreja, e desataJoão Carlos Gomes cou as virtudes de Santa Marina e Tecnologia de todos os santos, como exema serviço da plos que devem ser seguidos. “A Palavra nossa Igreja reconhece nos santos Dom Edmar como Santa Marina, discípulos fiexplica para éis de Jesus, exemplos que todos os jovens que devemos seguir. Sinto-me feliz não carregam a em poder celebrar novamente Bíblia ‘porque com vocês e testemunhar que esta ocupa espaço comunidade, cheia de jovens, se na bolsa’, que esmera em ser discípula e missioexistem inúmeros nária de Jesus Cristo”. aplicativos que Ao fim da missa, dom Edmar trazem a Bíblia abençoou o já tradicional ‘bolo Sagrada para ser de Santa Marina’, que foi distrilida a partir dos buído para os presentes. smartphones.

Corpus Christi

agenda regional

Sexta-feira (27), 19h30

Sábado (28), 10h

Domingo (29)

Jubileu de Prata do padre José Fernando Ferreira na Área Pastoral Nossa Senhora do Carmo (rua Abner Ribeiro Borges, 36, Jardim Roseli).

Missa da Padroeira na Paróquia Imaculado Coração de Maria (avenida Rodolfo Pirani, 445, Jardim Rodolfo Pirani).

Às 7h30, missa do Padroeiro na Paróquia São Pedro Apóstolo Vila Oratório (avenida do Oratório, 6.276, Vila Industrial). Às 18h, Crisma Paróquia Sagrada Face (rua Mariazinha Vicenzotto, 41, Jardim Aricanduva).


20 | Região Santana |

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Pastoral do Menor evangeliza na Fundação Casa Ação evangelizadora é desenvolvida pela Comunidade Instrumento de Deus, que é responsável pela pastoral na Região Santana

ário — são aplicadas de acordo com o ato infracional e a idade dos adolescentes. A ação da Pastoral do Menor foi focada nos jovens que precisam ficar privados de liberdade. A Comunidade Instrumento de Deus aceitou o desafio e seu

primeiro ato foi realizar um retiro e depois, com auxílio da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, estudar o projeto “Evangelizando a Casa” que nasceu por sugestão da Pastoral da Juventude com o objetivo de levar Jesus Cristo aos jovens

acolhidos na Fundação Casa. O projeto teve início depois de um estudo realizado pelos membros da Pastoral que concluiu que a assistência da Igreja Católica nas unidades era muito fraca. A comunidade visitou a Fundação Casa de Franco da Rocha Pastoral do Menor

Diácono Francisco Gonçalves

Colaborador de comunicação da Região

Dentro da ênfase dada à evangelização por dom Sergio de Deus SANTANA Borges, na sua atuação como bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo na Região Santana, uma das pastorais que está desenvolvendo um trabalho especial é a Pastoral do Menor, que iniciou em São Paulo, em 1977, tendo como missão a promoção e defesa da vida da criança e do adolescente empobrecido e em situação de risco, Dom Sergio, padre Silvano e Vanderlei Araújo, da Pastoral do Menor, fazem visita à unidade da Fundação Casa desrespeitados em seus direitos fundamentais. Em setembro de 2013, dom palavra do bispo Sergio convidou a Comunidade Instrumento de Deus para iniciar um trabalho de evangelização com os jovens internos da Funauxiliar da dação Centro de Atendimento Bispo seus filhos, esperados com tanta se submetem a ambientes inna Socioeducativo ao Adolescente Arquidiocese alegria, não encontram casa ou salubres, cortiços, residências Região Santana (Fundação Casa), no bairro de apartamento, e a maioria não inadequadas onde todos vivem Vila Maria, onde há quatro unitem acesso aos programas de esprimidos em pequenos côDom Sergio dades e para onde são mandados moradia do Estado. A estrutura modos. Outros pagam aluguéis de Deus Borges os jovens RGG (residentes grave social organizada não é capaz absurdos e há aqueles que se gravíssimos). de acolher o sonho das jovens obrigam a permanecer na casa A Fundação Casa, institui- São José e a Bem Aventurada famílias por uma moradia ca- de seus pais. ção vinculada à Secretaria de Virgem Maria procuraram na paz de propiciar a intimidade Não podemos continuar Estado da Justiça e da Defesa pequena Belém uma habitação familiar e constituir o lar. São convivendo com a violação da Cidadania do Estado de São digna para a vinda ao mundo João Paulo II, quando visitou sistemática do direito fundaPaulo, tem a missão primordial do filho, tão esperado. Mas a Maceió, disse: “Todos clamam mental a uma moradia digna de aplicar medidas socioeduca- pequena cidade fechou as por- por moradia digna, por condi- para a família. É necessário tivas de acordo com as diretrizes tas para a família humilde e o ções de trabalho protegidas por uma atitude nova, portadora de e normas previstas no Estatuto único lugar que os acolheu foi leis justas e efetivamente cum- esperança e promotora da fada Criança e do Adolescente um curral, onde nasceu o Sal- pridas, por uma política de sane- mília e das condições mínimas (ECA), prestando assistência a vador do mundo. amento eficaz, um atendimento para seu pleno desenvolvimenjovens de 12 a 21 anos incomEsta história se repete todos hospitalar e um amparo à velhi- to. São João Paulo II disse que pletos. Eles estão inseridos nas os dias no imenso Brasil. Jovens ce justo e responsável”(Maceió, cabe a nós trabalharmos para medidas socioeducativas de pri- e adultos que iniciam a vida fa- 19/10/1991). transformar esta realidade: “Os vação de liberdade (internação) miliar e procuram uma habitaPara enfrentar o problema cristãos, como exigência de sua e semiliberdade. As medidas — ção digna para o nascimento de da falta de moradia, as famílias fé e de sua fidelidade a Cristo, determinadas pelo Poder Judici-

para adquirir experiência e, em dezembro de 2013, iniciaram sua missão “Evangelizando a Casa”. A pastoral realiza evangelização toda quarta-feira com os jovens reclusos através da partilha da Palavra, e reflexão. Em março de 2014, foi realizado com os jovens um domingo de louvor, encerrando com a missa. Após esse evento, a Pastoral do Menor iniciou a formação catequética dos jovens que receberão, no início de agosto, o sacramento do Batismo e primeira Eucaristia. Dom Sergio tem acompanhado esse trabalho e na comemoração do dia das mães, com padre Silvano Alves dos Santos, MSJ, vigário da Paróquia São José, Esposo da Virgem Maria, presidiu a Santa Missa dentro da unidade junto com os familiares desses jovens. A Pastoral do Menor, sob coordenação de Vanderlei de Araújo, agora está procurando fazer um trabalho de evangelização junto às famílias desses jovens, pois detectou que as famílias têm dificuldade em aceitar os jovens quando são postos em liberdade.

O direito de ter uma habitação digna

que nos faz ver seu rosto divino no pobre, no faminto, no homem da rua ou no prisioneiro, devemos ser os primeiros nesta missão. Ela não possui motivações ideológicas ou políticas. Ela é a expressão de nosso amor e serviço a Cristo em nossos irmãos. Somente assim a família brasileira poderá ser essa ‘Igreja doméstica’, onde a paz e a harmonia reinarão, tornando-se o berço de uma sociedade cristã [...]. Um país de tal expressão demográfica, necessita com urgência de uma política habitacional inteligente, baseada no fato evidente de que a casa não é algo mais, mas um componente fundamental de qualquer política autêntica!” (Maceió, 19/10/1991).


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| Região Sé | 21

Deus se manifesta na beleza da música Paróquia da PUC-SP oferece série de concertos musicais que destacam a arte e a cultura como expressão do divino

“As pessoas, em geral, estão acostumadas com uma música mais superficial, comercial, dançável. Não estamos mais habituados a sentar e contemplar a música, a perceber o que está além do que é tocado”, acrescenta a coordenadora.

Fernando Geronazzo

Para o pároco, padre Vando Valentin, a Série Sacra Música é uma ocasião de encontro. “É uma oportunidade para abrirmos a Igreja para que outras pessoas que por vários motivos talvez não viessem. Claro que esse é apenas um pequeno passo diante do longo caminho a ser percorrido. Mas é uma ocasião para experimentar essa abertura para que possam nascer passos maiores”. Diego Mesquita é músico violoncelista e veio ao evento pela primeira vez a convite do André Micheletti e gostou muito da iniciativa. “Eu não conhecia essa Série. É Fantástica. De altíssimo nível. Quero vir outras vezes. Precisa haver mais iniciativas desse gênero, pois a comunidade merece”. A pedagoga Lígia Socorro Souza Ferreira mora no bairro e

Colaborador de comunicação da Região

Em uma parceria com o Núcleo de Fé e Cultura da SÉ Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo, realiza há 12 anos a Série Sacra Música, que apresenta a beleza e a arte como expressão do sagrado. Nesse período, já foram realizados mais de 100 concertos com grupos amadores, semiamadores e profissionais. Todos se apresentam gratuitamente, doando seu trabalho. O projeto já recebeu músicos do Teatro Municipal de São Paulo, da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), da Universidade de São Paulo (USP) e corais e grupos instrumentais de capital, de cidades vizinhas e dos estados do Rio de Janeiro e Santa Catarina. Os concertos acontecem no último domingo de cada mês. Excepcionalmente em junho, a apresentação aconteceu no domingo, 22, com o André Micheletti é mestre e doutor em violoncelo nos Estados Unidos da América.

Manifestação do divino

A cantora lírica Solange Siquerolli coordena a Série e explicou para O SÃO PAULO, que a beleza e acústica da Igreja, patrimônio tombado, favorecem para a iniciativa. “Todos os músicos que tocam aqui, querem voltar”. Solange também chamou a atenção para o nome do projeto, que não se trata apenas de música sacra enquanto estilo musical. “A Série se chama ‘Sacra música’ porque quer dizer que a música em si é sagrada. Deus se manifesta a nós por meio da beleza da música”.

Fernando Geronazzo

Cultura do encontro

Violoncelista André Micheletti se apresenta na Série Sacra Música, da Paróquia Imaculado Coração de Maria

é estudante na PUC e costuma frequentar a Série desde 2007. “É uma iniciativa muito boa. Acredito até que precisa ser mais divulgada, pois são músicas de qualidade e um espaço para os próprios músicos apresentarem seus trabalhos”.

A próxima edição da Série acontece no dia 27 de julho, às 19h45, com o concerto “Canta Brasil”, do Coral do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, como músicas de Villa-Lobos, Renato Teixeira, Mil-

ton Nascimento, entre outros. A Paróquia Imaculado Coração de Maria fica na rua Monte Alegre, 948. Informações sobre a programação pelo e-mail seriesacramusica@ig.com.br ou pelo telefone (11) 3862-2498.

palavra do bispo

Caminhos de Iniciação à Vida Cristã (7) Bispo auxiliar da Arquidiocese na Região Sé

Dom Tarcísio Scaramussa

A Iniciação à Vida Cristã abrange muitas dimensões da vida de fé. Uma dimensão que está no coração do Evangelho é a caridade, a fraternidade e a justiça. Jesus disse que este é o distintivo principal de seus discípulos: “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). O processo de iniciação deve, portanto, dar atenção especial a esta dimensão. Na exortação apostólica Evangelii Gaudium, o papa

Francisco destaca a relação íntima que existe entre o anúncio do querigma e o serviço da caridade: “Este laço indissolúvel entre a recepção do anúncio salvífico e um efetivo amor fraterno exprime-se nalguns textos da Escritura, que convém considerar e meditar atentamente para tirar deles todas as consequências. É uma mensagem a que frequentemente nos habituamos e repetimos quase mecanicamente, mas sem nos assegurarmos de que tenha real incidência na nossa vida e nas nossas comunidades. Como é perigoso e prejudicial este habituar-se que nos leva a perder a maravilha, a fascinação, o entusiasmo de viver o Evangelho da fraternidade e da justiça” (E.G., n. 179)!

Como fundamento bíblico desta união, o papa destaca alguns textos: “A Palavra de Deus ensina que, no irmão, está o prolongamento permanente da Encarnação para cada um de nós: ‘Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes’ (Mt 25, 40). O que fizermos aos outros, tem uma dimensão transcendente: ‘Com a medida com que medirdes, assim sereis medidos’ (Mt 7,2); e corresponde à misericórdia divina para conosco: ‘Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado (...). A medida que usardes com

os outros será usada convosco’ (Lc 6, 36-38). Nestes textos, exprime-se a absoluta prioridade da ‘saída de si próprio para o irmão’, como um dos dois mandamentos principais que fundamentam toda a norma moral e como o sinal mais claro para discernir sobre o caminho de crescimento espiritual em resposta à doação absolutamente gratuita de Deus. Por isso mesmo, ‘também o serviço da caridade é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão irrenunciável da sua própria essência’. Assim como a Igreja é missionária por natureza, também brota inevitavelmente dessa natureza a caridade efetiva para com o próximo, a compaixão que compreende, assiste e promove” (idem, n. 179).

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22 | Região Ipiranga |

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Tapete promove integração entre as Pastorais Priscila Thomé Nuzzi

No Santuário de São Judas Tadeu, Solenidade do Corpo e Sangue de Jesus foi momento de partilha e convívio fraterno Priscila Thomé Nuzzi

Da região episcopal

Os tapetes de rua são uma tradição e manifestação ar- IPIRANGA tística popular realizada por fiéis da Igreja Católica, confeccionados para a passagem da procissão de Corpus Christi. Os desenhos utilizados são variados, mas enfocam principalmente o tema Eucaristia. Para confeccioná-los são utilizados diversos tipos de materiais, tais como serragem colorida, borra de café, farinha, areia, flores e outros acessórios. Na Paróquia/Santuário São Judas Tadeu, a ocasião de Corpus Christi, na quintaPastorais e movimentos trabalham na confecção do tapete feira, 19, proporcionou às

pessoas que compõem as diversas pastorais, movimentos e serviços, momentos de integração, arte, troca de experiências e talento, na confecção de tapetes em tecido decorados, que foram colocadas no corredor central da igreja nova para a saída da procissão, após a missa das 16h30. Segundo a coordenadora das equipes de Liturgia, Maria Yoshie, o intuito era justamente o de as pessoas trabalharem juntas no propósito de decorar a procissão. “Esta foi uma experiência enriquecedora, porque dois grupos, por exemplo, o de Liturgia e dos Ministros se reuniram aqui no Santuário, e fizemos os dois tapetes juntos, um emprestando material para o outro, e todos se sujando e se ajudando... No fim, foi muito divertido”, contou animada. Padre André Marana, scj, autor do projeto, diz que “o objetivo foi o de manifestar nossa fé, na presença de Jesus Cristo na Eucaristia, promovendo maior integração entre as Pastorais”. O resultado deste trabalho das pastorais pôde ser apreciado por toda a Comunidade.

Pastoral dos Coroinhas realiza encontro regional Da região episcopal

No sábado, 21, na Sede da Região Episcopal Ipiranga, aconteceu uma formação regional para os coroinhas, acólitos e cerimoniários. O padre Messias de Moraes Ferreira, coordenador regional da Pastoral Vocacional, iniciou o encontro com uma oração, rezando pelas vocações. Logo após, introduziu alguns temas sobre as vocações, também motivou o

grupo a rezar pelas vocações a abrir o coração e ouvir a voz de Jesus, pensar na própria vocação, deixandose conduzir pelo Espírito de Deus. Depois, o padre Roberto Lacerda, integrante do cerimonial da Arquidiocese de São Paulo, assessorou o encontro. Ele trabalhou temas como: a hierarquia eclesiástica, a missão do cerimoniário, acólito e coroinha e sua espiritualidade. Pascom Ipiranga

Coroinhas posam para foto ao lado dos padres Messias e Roberto

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| Região Lapa | 23

São Thomas More, padroeiro dos políticos Fiéis celebram o dia do santo participando de missa presidida pelo bispo dom Julio Endi Akamine

São Thomas More nasceu em 7 de fevereiro de 1.478 em Chelsea, Londres, na Inglaterra, casado e pai de quatro filhos, foi homem de estado, diplomata, es-

critor, advogado e homem de leis, ocupou vários cargos políticos e em especial de 1.529 a 1.532 o cargo de “Lord Chancellor” (Chanceller do Reino – o primei-

ro leigo em vários séculos) de Henrique VIII da Inglaterra. Considerado como um dos grandes humanistas do Renascimento. O rei Henrique VIII por quesBenigno Naveira

BENIGNO NAVEIRA

COLABORADOR DE COMUNICAÇÃO DA REGIÃO

Na manhã de domingo, 22, às 9h, na Paróquia São LAPA Thomas More, Setor Rio Pequeno, a reportagem da pastoral da comunicação da Região Episcopal Lapa, acompanhou junto com a comunidade a festividade do seu padroeiro. A missa foi presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese na No Setor Rio Pequeno, domingo, 22, comunidade celebra São Thomas More, um dos grandes mártires na Inglaterra Região dom Julio Endi Akamine e concelebrada pelo padre Jean Gardy administrador paroquial. palavra do bispo Cerca de 200 pessoas participaram das festividades. Na homilia, dom Julio destacou as virtudes de São Thomas auxiliar da More que foi um dos grandes már- Bispo balbucio admirável na sua sim- Mistério de Deus na história Salna tires da Inglaterra, juntamente com Arquidiocese plicidade e exatidão! Encontroa- vação. Região Lapa o bispo João Fischer, os quais, com mos nos parágrafos 257-260 do Para facilitar a compreensão, o testemunho cristão, combateram Catecismo uma síntese preciosa procure ler e refletir os parágraDom Julio Endi a favor da unidade da Igreja Católide toda a doutrina da Trindade. fos 257-260 do Catecismo e deAkamine ca Apostólica Romana, num tempo O assunto de nossa conversa pois aprofunde os pontos que se de hoje é, portanto, o mistério seguem: de muita violência e distanciamento de Deus. Do Evangelho do 12º Querido leitor do O SÃO PAU- da Santíssima Trindade. Mesmo 1. São Paulo narra em poudomingo do tempo comum dom LO, tente imaginar a dificulda- que nem tudo seja fácil e aces- cas e densas palavras que, num Julio destacou que não devemos ter de de explicar a uma criança de sível no primeiro momento, não determinado lugar e tempo veio medo e sim confiar totalmente em cinco anos um problema de físi- desanime. Estamos diante do Jesus de Nazaré, que se revelou Deus, que na pessoa de Jesus nos ca quântica. Em sã consciência, mistério de Deus: não basta a como um homem enviado de revelou todo seu amor e a certeza ninguém cometeria a temeridade inteligência. É preciso mergu- Deus e, ao mesmo tempo, como de que seremos vitoriosos contra de sobrecarregar a inteligência lhar nesse mistério sustentados Filho de Deus, como alguém qualquer tipo de mal. O Evangelho de uma criança com uma maté- pela oração e pela contempla- distinto e igual ao Pai. 2. São Paulo ainda acrescenchama atenção para o mal que de- ria tão exigente. Sabemos que há ção. O estudo do Catecismo só vemos temer, aquele que pode des- uma desproporção muito grande é frutuoso para a vida de fé se, ta que Deus enviou o “Espírito truir a alma, mas todo aquele que entre o problema de física quân- além da atividade intelectual, de seu Filho”, anunciando-o se declarar por Jesus diante dos ho- tica e a inteligência da criança. dedicarmos tempo para a oração como um “Outro” distinto e unimens, também Jesus se declarará Pois bem, entre a inteligência pessoal, a celebração da liturgia do a Deus Pai e ao Filho. 3. A partir desses dados, que por ele diante do Pai que está nos humana e o mistério da Trindade e a prática da caridade. há uma desproporção infinitaEm Gálatas 4,4-6, encontra- Paulo apresenta, chegamos, porcéus. mos um trecho que nos ajudará tanto, ao conhecimento dos Três Padre Jean antes da bênção fi- mente maior. Mesmo assim, o Catecismo refletir, não discorre teoricamen- distintos e intimamente unidos: nal agradeceu a presença de todos e de dom Julio. O Bispo manifes- não foge ao desafio de “balbu- te sobre a doutrina da Trindade, um (o Pai) enviou ao mundo os tou sua alegria pela participação ciar” algo sobre o mistério que mas simplesmente proclama o outros dois (o Filho e Espírito). 4. O texto paulino fala clarade toda comunidade e encerrou a Deus revela de si mesmo. E que fato admirável da revelação do celebração com a bênção final.

Padre Antônio

tões políticas e religiosas, mandou prender e matar seus opositores entre ele estava o chanceler Thomas More e o bispo católico João Fisher, as figuras mais influentes da corte, os dois foram decapitados: o primeiro foi João, em 22 de junho de 1535, e duas semanas depois foi a vez de Thomas, que não aceitou o pedido de sua família para renegar a religião católica e sua fé. São Thomas More antes de morrer fez uma declaração pública “Sedes minha testemunha de que eu morro na fé e pela fé da igreja de Roma e morro fiel servidor de Deus e do rei, mas primeiro de Deus”. Canonizado como santo da Igreja Católica junto com o bispo João Fischer, pelo papa Pio XI em 1935, que indicou o dia 22 de junho para sua festa litúrgica. O então papa João Paulo II, no ano de 2000 declarou São Thomas More padroeiro dos políticos.

O mistério da Santíssima Trindade

agenda regional

Sexta-feira (27), 19h

O jornal O SÃO PAULO está de cara nova

faça

Missa do padroeiro na Paróquia Sagrado Coração de Jesus (rua Francisco Ferrari, 130, Parque Continental).

Sábado (28), 9h Reunião da equipe da pastoral missionária para preparar a formação para o mês da Bíblia, Paróquia Nossa Senhora da Lapa (rua Nossa Senhora da Lapa, 298).

mente de duas missões: o Filho e o Espírito Santo foram enviados por Deus Pai. Essas duas missões trinitárias têm a mesma origem (Deus Pai) e o mesmo fim (a nossa filiação adotiva). 5. Além de terem a mesma origem e a mesma finalidade, as duas missões trinitárias estão em mútua relação. Deus Pai toma a iniciativa em enviar Jesus, seu Filho, ao mundo, e em enviar o Espírito de seu Filho aos nossos corações. O amor de Deus pelos homens é a única razão do envio do Filho. 6. As características dessas duas missões são bem distintas. A missão do Filho coincide com a sua encarnação para assumir e partilhar a vida dos homens. 7. A missão do Espírito, pelo contrário, tem um caráter invisível: não pode ser delimitada no tempo e no espaço, uma vez que Ele é enviado ao coração de cada fiel.

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24 | Geral |

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Monsenhor José Roberto é ordenado bispo e será designado auxiliar na Região Ipiranga Celebração aconteceu no sábado, 21, em São José dos Campos (SP), presidida pelo cardeal Odilo Pedro Scherer Luciney Martins/O SÃO PAULO

Daniel Gomes

Enviado especial a São José dos Campos (SP)

José de Souza Palau, 82, e Zamira Fortes Palau, 77, tiveram seis filhos. Alguns se formaram advogados, outros engenheiros e um deles seguiu a vocação sacerdotal: José Roberto Fortes Palau, 49, que no sábado, 21, na Paróquia Coração de Jesus (Igreja Coração de Maria), em São José dos Campos (SP), foi ordenado bispo pela imposição das mãos do cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo. “Meu filho sempre foi muito estudioso, sempre gostou deste mundo religioso. A mãe dele é muito religiosa também. Desde mocinho, ele mostrava que queria ser padre, já tinha dom para isso. É um prazer ver meu filho sendo bispo”, contou, ao O SÃO PAULO, José de Souza. Nascido em Jacareí (SP), em 9 de abril de 1965, dom José Roberto foi ordenado padre em 6 de fevereiro de 1993. Nomeado bispo auxiliar de São Paulo pelo papa Francisco, em 30 de abril deste ano, ele chega à maior Arquidiocese do País com a experiência de mais de duas décadas de trabalhos como pároco, reitor do Seminário de Teologia e vigário geral na Diocese de São José dos Campos.

‘Vou para São Paulo para dar o melhor de mim’

O lema episcopal do recémordenado – “A verdade vos libertará” – foi lembrado por dom Odilo durante a celebração, ao enfatizar que a verdade é o próprio Cristo, que orienta a vida das pessoas. Ainda segundo o cardeal Scherer, o bispo deve deixar-se conduzir pelo Espírito de Cristo, sendo instrumento da ação do Espírito Santo. O Arcebispo também ressaltou que o ministério episcopal é, antes de tudo, dom e graça de Deus para o serviço da Igreja. O rito de ordenação episcopal foi iniciado após a proclamação do Evangelho, com a leitura da bula pontifícia de nomeação, e seguiu ao término da homilia, com o propósito do eleito, prece litânica (Ladainha de Todos os Santos) e a imposição das mãos do Cardeal sobre o ordenando, seguida da prece de ordenação. O novo Bispo ainda foi ungido com o óleo crismal, recebeu o Livro dos Evangelhos, o anel (símbolo da fidelidade do bispo com a Igreja), a mitra (para a incessante procura da santidade) e o báculo pastoral (símbolo do serviço pastoral). Depois foi abraçado pelo Arcebispo e demais concelebrantes, entre os quais os bispos auxiliares da Arquidiocese; dom José Valmor Cesar Texeira, bispo de São José dos Campos; dom Di-

Encargo dos novos bispos na Arquidiocese

Em carta datada de 23 de junho, o cardeal Scherer informou que dom José Roberto receberá o encargo de vigário episcopal da Região Ipiranga enquanto o monsenhor Carlos Lema Garcia, que será ordenado bispo no domingo, 29, às 11h, na Catedral da Sé, assumirá o Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, que será criado na Arquidiocese.

Amigos testemunham virtudes de dom José Roberto Luciney Martins/O SÃO PAULO

Do enviado especial a São José dos Campos (SP)

Do enviado especial a São José dos Campos (SP)

Ao final da celebração, dom José Roberto, em conversa com a imprensa, comentou que espera encontrar na Arquidiocese de São Paulo “desafios próprios de uma grande metrópole, o desafio da pastoral urbana, para o qual a Igreja procura encontrar soluções pastorais na busca dos mais afastados, daqueles que, às vezes, receberam o sacramento do Batismo, mas estão afastados da Igreja”. Sobre a relação com a Diocese de São José dos Campos, por onde esteve por quase 30 anos, afirmou que “está guardada em meu coração”. Ele garantiu: “Vou para São Paulo para dar o melhor de mim, assim como procurei dar o melhor de mim enquanto estive em São José dos Campos”. O novo Bispo comentou, ainda, que foi bem acolhido pelo cardeal Scherer e os bispos auxiliares de São Paulo. “Vou aprender a ser bispo, vou precisar muito da ajuda de dom Odilo e dos bispos auxiliares”. (DG)

mas Lara, Arcebispo de Campo Grande; dom Moacir Silva, Arcebispo de Ribeirão Preto; e o cardeal Eusébio Oscar Scheidt, arcebispo emérito do Rio de Janeiro. Após a comunhão, dom José Roberto abençoou a assembleia, expressou sua gratidão ao papa Francisco e ao cardeal Scherer pela confiança, e citando uma homilia de São João Paulo II, comentou sobre a missão do bispo. “Os presbíteros de uma diocese, em geral, compreendem que pode faltar ao bispo dotes de administrador, de organizador, de intelectual, mas sofrem se não encontram nele a confiança de um irmão e a segurança impregnada de afeto de um pai. Que eu possa ser isso na Arquidiocese de São Paulo onde servirei como bispo auxiliar”.

Dom José Roberto recebe carinho de leigos da Diocese de São José dos Campos após ser ordenado

Ainda no sábado, 21, dom José Roberto Fortes Palau presidiu sua primeira missa como bispo. Foi na Paróquia Santo Agostinho, a qual ele assumiu ainda como comunidade, em 2011, e ajudou a transformar em paróquia. “O crescimento da nossa Paróquia foi justamente pelo trabalho de evangelização dele, porque a comunidade foi crescendo e houve a necessidade de construção de um local maior. Como evangelizador, ele fez com que o número de pessoas na Paróquia crescesse”, afirmou, ao O SÃO PAULO, Inês de Sales Dias Santos, 64, paroquiana. O zelo pastoral do recém-ordenado também foi lembrado por dom Moacir Silva, arcebispo de Ribeirão Preto, que foi bispo de São José dos Campos entre 2004 e 2013. Para ele, dom José Roberto está preparado para as atribuições de bispo auxiliar em São Paulo, por ser um servidor da vida da Igreja. Maria de Moura, 79, secretária de dom José Roberto há 22 anos, comentou à reportagem sobre as virtudes do novo Bispo. “Ele é muito competente, humilde, capaz de falar com qualquer pessoa no mesmo tom, trata as pessoas sem desigualdade, trata a todos como filhos de Deus. Ele ama muito a Igreja”. (DG)

O SÃO PAULO - edição 3008  

Jornal O SÃO PAULO semanário da Arquidiocese de São Paulo, há 58 anos levando informação e formação para os católicos de SP

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