NOTA PASTORAL
20 SETEMBRO 2012 ANO 98 - N.º 4926 FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt
FUNDADO EM 1914
DESTAQUE
CULTURA
De 1 de Maio de 1510 | P. 4
MISSÃO DA IGREJA NUM PAÍS EM CRISE
Descoberto foral Manuelino de Leiria Teatro José Lúcio | P. 5
“Noite solidária” com fados de Coimbra SOCIEDADE
Câmara de Leiria | P. 6/7
Imposto sobre imóveis não é agravado em 2013 Educação prioritária “no investimento público”
A crise económica e financeira é o resultado de uma crise mais profunda e que passa pela ausência de valores como respeito, justiça, solidariedade, entre outros. E se assim é, a solução da crise passa também pela afirmação desses valores. O caminho pode parecer doloroso e difícil, mas é possível. É essa perspectiva que lhe propomos nesta edição. Páginas 2 e 3
ECLESIAL
Serviços diocesanos | P. 9
Bispo apela à união na Igreja
Papa no Líbano | P. 12
DR
“Está na altura de muçulmanos e cristãos se unirem”
Joaquim Santos
POVO DE LEIRIA DESCONTENTE COM O GOVERNO Última
2 DESTAQUE
O Mensageiro 20.Setembro.2012
EDITORIAL EDITORIAL
Rui Ribeiro
Missão da Igreja no País
A crise tem uma porta de saída
Crónica de uma crise mais que anunciada
Os momentos de crise são sempre temidos. À partida eles trazem consigo o estigma da destruição e da morte. Depois de uma fase de medo, transformam-se em desânimo e incerteza que terminam numa visão catastrófica do futuro. Assim é na maioria das vezes, e assim é sobretudo quando não há outras referências na vida para lá do que é humano. O cristão, pela fé, encontra dinamismos novos e vive para lá das certezas que os olhos alcançam. Ele sabe, por isso, que os momentos de crise podem ser momentos de crescimento, momentos de transformação e portas de entrada para novas realidades. Sem querer fazer o elogio da crise, numa atitude que roçaria o masoquismo, o cristão sabe encontrar soluções onde mais ninguém esperaria encontrar. A lógica do Mistério Pascal, não é uma afirmação gratuita, nem é um bonito e gostoso paliativo. É uma realidade, uma certeza. É de facto preciso que “o grão de trigo morra, para que brote nova vida”, com mais pujança e mais confiança. Aplicada à vida social desta lógica, ajudará os políticos e os cidadãos a encontrar sementes de vida onde menos esperava; ajudará todos e cada um a acreditar que cada anoitecer desembocará numa aurora luminosa. Frases como “há mais para lá da crise” ou “a crise é uma oportunidade”, batem de forma sonora e algo arrepiante na nossa (...) a saída mente… Mas… são verdadeiras. da crise É preciso ser humilde, simples e não está só aceitar a verdade, mesmo quanna injecção do pronunciada por quem não de capital gostamos. Aliás a verdade não no país e nas depende de quem a proclama. A Igreja tem a missão de famílias, ser no mundo, luz e sal. Tem a solução está a missão de levar esperança na mudança onde só há desespero. Para isso de hábitos deve denunciar os erros, deve fazer-se ouvir e apontar caminhos, muitas vezes os menos apetecíveis e mais difíceis. Assim tem feito em Portugal a propósito de questões fracturantes como o divórcio, o uso do preservativo, o aborto, o casamento, etc. Tem sido incompreendida, tem sido perseguida, tem sido pouco ou nada ouvida. Agora a propósito da crise económica e financeira, ela tem denunciado erros, tem apontado caminhos e desde o inicio tem desenvolvido uma ideia que quase poderia ser um slogan “a crise económica e financeira é o resultado da crise ética e moral” que a sociedade portuguesa tem atravessado. Por isso a saída da crise não está só na injecção de capital no país e nas famílias, a solução está na mudança de hábitos. Precisamos convencer-nos que é urgente trabalhar mais e melhor, ir para o emprego mais cedo, não podemos continuar a ir ao restaurante todas as semanas, nem tirar o carro todos os dias da garagem, etc. Muita coisa tem que mudar na nossa vida, se quisermos mesmo sair da crise. Com a crise a chegar ao rubro com a contestação social, O Mensageiro faz uma breve resenha do contributo da Igreja nesta causa que é de todos.
DR
prui@iol.pt
Em 2011, no deflagrar da crise económica e financeira de que o País começou, então, a conhecer os contornos, O Mensageiro afirmava que a referida crise era mais uma crise de valores do que de dinheiros. A ideia subjacente a esta afirmação passava pela convicção, partilhada por muitos especialistas, economistas, sociólogos, filósofos e teólogos, de que a vida social assenta em pessoas e só posteriormente em números e moedas. Ou seja, a crise económica e financeira é o resultado de uma crise mais profunda e que passa pela ausência de valores como respeito, justiça, solidariedade etc. E se assim é, a solução da crise passa também pela afirmação desses valores. O caminho pode parecer doloroso e difícil, mas é possível. A Igreja, defensora da vida e da pessoa humana, sabe que é assim e desde sempre o tem afirmado. O primado da pessoa sobre a instituição ou a estrutura. No caso da crise económica e financeira que Portugal atravessa muitas e variadas vozes de pessoas e instituições da Igreja o têm afirmado. Um ano passado depois da entrada da troika (11.04.2011) no País, dizia o bispo do Funchal, D. António Carrilho, no dia 23 de Maio de 2012, que era preciso partir para novos “dinamismos, assentes nos valores do Evangelho”. Voltando-se para os cristãos, o prelado interrogava-se então sobre as comunidades cristãs e perguntava: “Será que cada paróquia conhece, aproxima-se e ajuda aqueles
que, de facto, precisam de conforto espiritual e apoio material, para se erguerem e enfrentarem, com fé e coragem, os caminhos difíceis das suas vidas?”. Na mesma ocasião, na Marinha Grande, D. António Marto falava aos empresários da Marinha Grande (21 de Maio 2012) e afirmava a necessidade de “uma nova cultura de solidariedade” que mostre como “as boas práticas éticas e a eficiência económica não são incompatíveis entre si”. E acrescentava que “o desenvolvimento integral é impossível sem o homem ético”. Para D. António Marto, a empresa “está para o tecido económico como a família está para a sociedade, sendo um bem social inestimável, uma vez que contribui para a erradicação da pobreza” e apontava o dedo para a “desregulação dos mercados”, que, na procura do lucro imediato e fácil da economia virtual, acabam por conduzir à crise na economia real. Como caminho de salvação, D. Antónioo Marto apontava já então para a necessidade de valorizar o “capital imaterial” ou “bens relacionais”, tais como a estima e a relação pessoal, e de promover um aumento da qualidade em todos os aspectos, bem como da honestidade. Terminava defendendo uma “ética do consumo” ou “responsabilidade social do consumo”, lembrando que este não é apenas um acto de compra e venda, mas deverá ser uma opção responsável, capaz de influenciar a oferta de bens e serviços das empresas. Já com a Troika de re-
gresso a casa e conhecidas as primeiras exigências impostas ao país, aumentavam os protestos e os descontentamentos. No dia 29 de Maio, o arcebispo de Braga rezava em Laúndos, concelho de Póvoa de Varzim, para que Portugal saia da “maldita crise económica” e para que acabem as “injustiças sociais”, a “pobreza” e o desemprego. Invocou também o auxílio da Senhora da Saúde, no santuário a ela dedicado, para pedir o termo do recurso ao aborto, a cura dos doentes, “nomeadamente com cancro”, o perdão para as pessoas “que se dedicam ao crime”, o socorro aos “idosos abandonados” e o fim do “terrorismo religioso”. Logo 3 dias depois, a 1 de Junho, o primeiro-ministro de Portugal considerou que a “conciliação da vida económica com os valores fundamentais” adquiriu “uma renovada urgência com a crise financeira”. Pedro Passos Coelho, que intervinha na abertura do V Congresso da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), pediu aos empresários e gestores que se assumam como “agentes decisivos da recuperação, transformação e modernização do país”. Na sessão de abertura da iniciativa, que teve por tema «Amor ao próximo como critério de gestão», o cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo referiu que se a sociedade colocasse em prática esta temática “deixaria de haver lugar para a violência e para o menosprezo”. Para D. José Policarpo, o amor “não é só sentimento”, é também
“luta pela verdade”, sendo por isso um desafio para os participantes no congresso da ACEGE assumirem-se como “protagonistas desta revolução cultural”. E afirma que se a lógica do amor fosse colocada em prática, “a sociedade era diferente e tinha um rosto novo”, frisou o patriarca de Lisboa. D. José Policarpo defendeu a necessidade de equidade, frisando que “não há soluções económicas nem políticas resolutivas das crises que se justifiquem sacrificando os mais desfavorecidos da sociedade”. Num tempo “adverso” e “particularmente difícil”, o presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores referiu que “a Igreja Católica é a maior história de amor em Portugal”. Ao falar sobre a ACEGE, António Pinto Leite sublinhou que nesta associação “não se fazem negócios e não se trocam cartões”. Na celebração do Dia de Portugal e das Comunidades, o bispo do Porto vincou que a identidade de um país reside no apoio prestado aos mais carenciados e sublinhou que a história dos portugueses está marcada por problemas económicos difíceis. A crise “ataca mais directamente” algumas pessoas mas é um problema que diz respeito a todos “porque a solidariedade é que faz uma nação”, afirmou D. Manuel Clemente. Com a aproximação da visita da troika, em Agosto, as vozes começaram a apontar para a frente e tentava-se falar mais de esperança do que de descontentamento. No dia 17 de Junho, de novo D. António Marto, apelou
DESTAQUE 3
O Mensageiro
a uma atitude positiva e de esperança perante as dificuldades actuais, falando a milhares de peregrinos reunidos no santuário da Cova da Iria. “Vivemos num tempo de crise, propenso ao pessimismo, somos atordoados por uma crueldade de notícias sobre o mal, a violência, que criam um sentimento de mal-estar e de impotência perante o poder avassalador do mal. O Senhor convida-nos a semear pequenas sementes de uma nova humanidade”. De particular realce o seu desafio aponta alguns exemplos de atitudes conforme esse convite de Deus: “Gestos de amizade, para quem está desesperado, um sorriso acolhedor para quem está só, um sinal de afecto e de proximidade para quem está angustiado, uma partilha com quem está carenciado”. A pesar de tudo, em Coimbra aumentava o tom das criticas e denúncias e palavras mais duras fizeram-se ouvir nas festas da rainha Santa, no dia 5 de Julho. Na sua intervenção, o padre António Jesus Ramos mencionou a “apagada e dolorosa situação de mágoa” em que Portugal se encontra por causa da “vilania de alguns que se propuseram servir o povo, mas não cumpriram a sua palavra”. O sacerdote referiu-se aos “muitos” que “fraudulentamente se apropriaram dos bens que eram de todos”, enquanto outros “construíram impérios de luxo e de grande poderio económico à custa do suor dos pobres”. Criticou os gestores que ignoram “o princípio inscrito na consciência de todos de ser desonestidade e injustiça que brada aos céus não pagar o devido salário a quem trabalha”.O director do jornal ‘Correio de Coimbra’ evocou também as pessoas “que entram no rol da pobreza envergonhada” e as que se juntam “à miséria dos sem-abrigo, dos pedintes à porta das igrejas, dos que sobrevivem recorrendo a pequenos furtos, dos que contam uma velha história inventada e repetida – o hospital, a doença, as
coisas da vida – e estendem a mão”. E realçou o exemplo das pessoas que oferecem o seu tempo para atenuar as necessidades dos pobres: “São centenas em Coimbra, e são milhares no país os voluntários, na sua maior parte inspirados nos princípios do cristianismo e ligados à Igreja Católica”. Fez-se ouvir, então a Conferência Episcopal. Na Assembleia de Julho o secretário disse em Fátima que os responsáveis da troika devem olhar com “realismo” para a situação no país e pediu a criação de um “clima de esperança”. “Sem confiança, sem esperança, não há clima de trabalho, de seriedade, de empenho, em que todos se sintam responsáveis pela solução da crise”, disse o padre Manuel Morujão. Segundo o secretário da CEP, os bispos acompanham a situação “com cuidado”, pedindo atenção aos “mais desfavorecidos, aos que são mais frágeis na sociedade”. “A Igreja não pode estar senão do lado dos mais fracos”, acrescentou. Para este responsável, a troika deve permitir que os portugueses comecem a ver “uma luz ao fundo do túnel”. O padre Manuel Morujão admitiu que o apoio das instituições “que estão a ajudar os que mais sofrem, no terreno”, tem diminuído nalguns casos e disse esperar um auxílio do Governo para superar situações que chegam a ser “verdadeiramente graves”. O Verão tornou-se quente, e o governo aumentou a carga fiscal. Facto que fez ouvir outras vozes. O presidente da Cáritas considerou de imediato que não havia espaço para aumentar a carga fiscal sobre os portugueses e que o acordo com a troika deve ser revisto no sentido de alargar o prazo de pagamento da dívida pública. “O nosso povo já não consegue suportar mais medidas de austeridade. Por muito boa vontade que tenha para ajudar o país a superar a situação gravíssima em que se encontra, já deixou de ter condições para o fazer porque a sua
vida atingiu o limite do que é razoável”. Eugénio Fonseca acentuou que “os encargos decorrentes do compromisso com a troika têm de ser distribuídos “com maior equidade social, o que não tem sido feito”: “Tem-se prejudicado essencialmente a classe média, que está totalmente esfrangalhada, e não se tem ido, muitas vezes, aos rendimentos dos que os possuem em maior abundância”. “Se temos sido tão bem comportados nos compromissos assumidos, há que estar de cabeça levantada e exigir prémios por eles. E não é favor nenhum que a troika nos possa fazer. Pode estar em causa a soberania do país se não acautelamos a salvaguarda dos valores e de obtenção de condições de vida para a nossa gente”, vincou. Na mesma altura, estávamos em Julho, o presidente da Assembleiageral das Conferências de São Vicente de Paulo afirmava que a acção da instituição tem procurado conter eventuais revoltas populares causadas pela pobreza. “Queremos ajudar Portugal para que não haja nenhuma convulsão social. Mas temos algum receio. Estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para evitar que isso aconteça”. As pessoas “com uma vida digna e organizada” que “perderam os empregos e não têm outra possibilidade de receber dinheiro estão fechadas em casa. Estes são os novos pobres, que ainda não desceram à rua”, sublinhou o responsável, que não sabe até quando será possível “aguentar” o “sufoco financeiro” dessas famílias. O agravamento da situação que se fez sentir nos meses de verão levou uma vez mais D. Jorge Ortiga a falar no final de Julho para pedir às famílias da região um esforço para saber “gerir o pouco, com prudência” num momento de crise económica no país. “Que sejamos capazes de economizar, de estruturar a economia familiar de modo diferente para encararmos
o futuro com serenidade. Continuamos a envolvernos numa sociedade de consumo que nos leva a fazer gastos desnecessários e a não economizar como deveríamos”. D. Jorge Ortiga desafiou ainda as comunidades cristãs a serem “verdadeiras comunidades de solidariedade”. Este o verdadeiro ponto de viragem, mudar economias depois de mudar hábitos de vida. Agosto foi o mês da corrida final para a visita da Troika. Correu a volta a Portugal, fizeram-se as festas, houve os jogos Olímpicos. Começou o campeonato. De novo do Funchal, pela voz de D. António Carrilho, veio o desafio e a importância de incluir os valores da “verdade e da justiça” na “definição” de soluções socioeconómicas que vão ao encontro dos desafios colocados pela crise. Durante a eucaristia de encerramento das comemorações em honra da padroeira da Madeira, Nossa Senhora do Monte, D. António Carrilho recordou que “muitos problemas humanos e sociais encontram perspectivas de solução a partir de dentro, do coração e da consciência do homem, iluminado pelo sentido de dignidade e fraternidade”. A Troika entrou no início de Setembro e D. António volta a lembrar o cerne da questão: “os cristãos devem afirmar-se como embaixadores da “solidariedade, partilha e serviço ao bem comum”, no meio de uma sociedade que está a “bater no fundo”. Recordou, então, no dia 18 de Setembro nas comemorações dos 500 anos da paróquia da Batalha, que “a crise económica actual é apenas “a ponta do icebergue duma outra crise mais profunda de ordem espiritual e moral”. De acordo com o prelado, “os cristãos são chamados a ser semeadores de uma nova humanidade”, tendo como referência “uma fé viva, activa e transformadora”. Na mesma ocasião, Vítor Melícias, provincial da Ordem
DR
20.Setembro.2012ro.2011
A crise que o país atravessa é mais profunda e de outra ordem que não a material Franciscana em Portugal, defendeu que o nível de austeridade aplicado pelo Governo começa a “atingir o exagero” e reclama medidas baseadas na “verdadeira fraternidade”. Ao seu estilo afirmou que “a crise actual está baseada no “egoísmo que tomou conta” da sociedade, pelo que é preciso regressar a uma cultura de entreajuda, entretanto perdida com o avanço da modernidade”. O franciscano recorda o exemplo das “antigas comunidades rurais”, onde “todos se conheciam, todos se sentiam responsáveis por todos, todos partilhavam alegrias e tristezas”. Sábado, dia 15, grandes manifestações contra as medidas de austeridade, transformaram-se numa única e gigantesca manifestação. Portugal saiu à rua e os ânimos exaltaram-se. Na segunda-feira, o Conselho Permanente da CEP, reunido em Fátima apela em Fátima à “estabilidade política” e ao consenso no país, afirmando a necessidade de “equidade” nas soluções e na distribuição dos “sacrifícios” perante a crise económica. Os bispos propõem um “equilíbrio convergente de vários elementos: criatividade nas empresas, caminhos ousados no financiamento, diálogo social em que pessoas e grupos decidam
dar as mãos, apesar das suas diferenças”. Nesse contexto, pede-se ainda “respeito pela verdade”, “generosidade para não dar prioridade à busca de interesses particulares” e “a honestidade para renunciar a caminhos pouco dignos de procura desses interesses”. Afirmações que podem ser encontradas na Nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa com o título “Missão da Igreja num país em crise”. A nota sustenta a urgência de uma “renovação cultural” que ultrapasse limitações dos “sistemas económicofinanceiros” e promova o “equilíbrio entre finanças e economia”, de modo ético. “Os mercados não podem separar-se do dinamismo económico, transformandose em fontes autónomas de lucro que não reverte, necessariamente, para o bem comum da sociedade”. Estamos em crer que os portugueses não podem querer mudar a situação de falência económica e financeira do país se não estiverem dispostos a mudar a situação cultural, os hábitos de vida e as formas de estar. Pe Rui Ribeiro
4 CULTURA
O Mensageiro 20.Setembro.2012
Achado histórico relevante
CINEMAS
Teatro Miguel Franco (Leiria) • MOONRISE KINGDOM | Comédia Dramática | de Wes Anderson | c/ Jared Gilman, Kara Hayward Norton, Tilda Swinton, Bil Murray | 22 de Setembro, 21h30, 23 de Setembro, 21h30, 24 de Setembro, 25 de Setembro, 21h30 e 26 de Setembro, 18h30 e 21h30. Cine-Teatro (Monte Real) • O FANTÁSTICO HOMEM ARANHA| Acção | de Marc Webb | c/ Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans | 29 de Setembro, 21h30 e 30 de Setembro, 21h30.
EXPOSIÇÕES
Castelo - Leiria •”Habitantes e Habitats” - exposição permanente •”Korrodi e o restauro do Castelo de Leiria” - exposição permanente Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •””Sorrisos” - Felicidade” - colectiva de fotografia (~30/09) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Filigrana” - criações de Helena Pereira (~21/09) m|i|mo -Museu da Imagem em Movimento - Leiria •”Cêramica reflexo de uma cultura” (~23/11) •”ANALOGIKA” - fotografia lomográfica (~30/09) •”Oficina do Olhar” - exposição permanente Edifício Banco de Portugal - Leiria •”Cidades, Quero-as comigo!” - pintura de M.ª Bernardes (~22/09) •”Artes de ESFRL” - mostra colectiva (~09) Fnac - LeiriaShopping •”Dennis Hopper, o mito sobrevive” - fotografia (~6/11) Casa do Terreiro - Leiria •”Sextas à noite no solar” - pintura de Clotilde Fava (~21/09) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa •”Água leva o regadinho” - engenhos tradicionais (~29/09)
22 de Setembro na CIBA
Oficina sobre cozinha medieval O Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (CIBA) vai realizar no dia 22 de Setembro mais uma oficina de trabalho de cozinha medieval denominada “A cozinha medieval de Verão” cujo público alvo são os profissionais e os curiosos pela cozinha. O objectivo desta acção é o de capacitar os formandos de conhecimentos práticos sobre a verdadeira cozinha medieval utilizada no Verão, os seus factos e mitos, que vão desde os simples ingredientes utilizados, ao saber fazer. O plano de trabalhos sugere algumas apresentações teóricas e práticas sobre o tema, tal como a preparação e confecção de pratos medievais, ministrado pelo Chef de Cozinha José Marques da Cruz, num ambiente criado para o efeito. A acção decorrerá entre as 11h00 e as 19h00 no CIBA
Descoberto o foral Manuelino de Leiria, de 1 de Maio de 1510 Os forais são, na história de um município, documentos fundadores e de importância maior. Leiria teve três cartas régias de foral. A primeira, de 1142, a segunda, de 1195 e, já no reinado de D. Manuel I, a sua terceira e mais duradoura carta foralenga, outorgada pelo monarca, em Santarém, a 1 de maio de 1510. Os forais eram textos legislativos nos quais se explicitavam os deveres e as regalias que os habitantes de um concelho deveriam ter para com o seu senhor e protector. Consignavam-se neles, assim, artigos sobre matéria de direito civil, penal e fiscal. Foi no final dos tempos medievais, sobretudo a partir da década de 1470, que se consciencializou, em Portugal, a necessidade de se proceder a uma reforma desses textos legislativos de importância maior na vida de cada concelho. Seria apenas com D. Manuel, todavia, que essa reforma tomou forma. Os forais outorgados por este monarca são geralmente designados por manuelinos, em sua homenagem. No essencial, atualizavam sobretudo as pautas de incidência fiscal sobre o comércio e a produção agrícola e manufatureira de cada terra. De cada foral manueli-
no eram feitos três registos: um que ficava arquivado na Torre do Tombo, de forma sumária ou extensa; outro que era enviado, em forma de códice em pergaminho e encadernação adequada, ao concelho e, um terceiro, também em códice pergamináceo, que ficava para o senhor desse lugar, no caso do senhorio não ser da Coroa. Do foral manuelino de Leiria conhecia-se, até há pouco tempo, a lição do registo da Torre do Tombo (Livro dos Forais Novos da Comarca da Estremadura, onde foi trasladado imediatamente a seguir aos de Lisboa e de Santarém, o que dá nota da importância política e simbólica de Leiria, naquele tempo, aqui apontada quase como a terceira terra mais importante da Comarca e uma das seis mais notáveis do Reino), para além de cópias tardias. Recentemente, na obra de José Manuel Garcia, dedicada aos forais manueli-
nos da colecção do Banco de Portugal, foi dada nota bibliográfica sumária de um códice, o do foral manuelino de Leiria, existente na colecção da Fundação da Casa de Cadaval. Por amabilidade do Dr. Pedro Pinto, do Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, a quem reiteradamente agradeço, essa informação foi-me transmitida. Julgava-se perdido, como escrevemos, qualquer exemplar, dos dois códices originais, deste foral de 1510. Felizmente subsistiu um deles, decerto o do senhorio, o que constitui, nos anais leirienses, um acontecimento historiográfico e patrimonial bibliográfico. Leiria era senhoriada, nesse tempo, pelos Marqueses de Vila Real. Deve ser o exemplar desta Casa que hoje se pode apreciar na Colecção dos Duques de Cadaval, em Évora. Constitui um exemplar magnificamente iluminado. Na portada do mesmo, em excelente estado de conservação, dominam os dourados nas esferas armilares e no brasão real. Na eclíptica das esferas armilares lê-se o milésimo 1510. O brasão real toca uma linha verdejante que recorda o Pinhal de Leiria. Impõe-se, assim, o estu-
O Mensageiro com Jornal das Cortes, n.º 298, 08-09-2012, pp. 1 e 5, com nota do historiador Saul Gomes
Uma iniciativa na vila da Batalha que envolve 350 figurantes
As”Festas das Coletividades e Tasquinhas” em Souto da Carpalhosa prometem manter a freguesia animada de 20 a 23 de Setembro. As festividades vão decorrer no parque da Charneca do Nicho, junto à Casa do Guarda, na Moita da Roda e pretendem ser uma mostra gastronómica, cultural e recreativa “do que de bom se faz na freguesia de Souto da Carpalhosa, sendo consideradas por muitos, as tasquinhas excelência nas proximidades”, adianta a organização em comunicado. Nesta sétima edição os visitantes vão ter à disposição 13 tasquinhas que apresentarão, a partir das 19h00, os mais deliciosos petiscos da região. Além disso também haverá artesanato trabalhado ao vivo.
Este domingo, a Praça Mouzinho de Albuquerque, na vila da Batalha, irá transformar-se para acolher mais uma reconstituição do Mercado do Século XIX, numa iniciativa que visa manter vivas as tradições da cultura popular e dos produtos comercializados nos mercados da época, envolvendo um total de 350 figurantes.
O objectivo é recriar o ambiente popular característico dos mercados existentes no século XIX, com animação diversificada recorrendo a figuras tipo da época. Os visitantes também vão poder adquirir alguns produtos como: sardinha assada, broa e pão cozidos a lenha, frutas e hortaliças e vinho de pipo.
DR
Tasquinhas no Souto da Carpalhosa
Reconstituição do Mercado do Século XIX
Petiscos na Charneca do Nicho
do codicológico, paleográfico e histórico (idealmente, até, uma edição fac-similada) deste precioso códice que, doravante, assume um lugar cimeiro entre todos os documentos que mais interessam à história da cidade de Leiria. Publica-se, nesta edição [posso enviar a quem solicitar], uma foto desta deslumbrante portada iluminada, cujas palavras de abertura, desse fólio 1, aqui deixamos também: «Dom Manuel per graça de Deus Rey de Portugual e dos Algarves daquem e dalem mar em Africa, senhor de Guine e da conquista e navegaçam e comercio d’Eteopia, Arabia, Persia e da Imdia. A quamtos esta nosa carta de foral dado aa nossa villa de Leiria virem fazemos saber que per bem das diligencias isames e imquiriçoes que em nosos regnos e senhorios mandamos jerallmente fazer pera justificaçom e decraraçom dos foraes delles e pera alguas sentenças e detriminaçoes que com os do noso comselho e letrados pasamos e fizemos acordamos visto ho...».
Esta reconstituição do Mercado do Século XIX envolverá sete ranchos
folclóricos e decorrerá das 15h00 às 18h30 e terá entrada livre.
CULTURA / SOCIEDADE 5
O Mensageiro 20.Setembro.2012
Actividades desportivas e culturais animam cidade
Leiria assinala Dia Europeu sem Carros No Sábado comemorase mais um Dia Europeu Sem Carros e por isso os automóveis estão proibidos de circular no centro da cidade de Leiria, nomeadamente entre a Rotunda do Sinaleiro e o Largo 5 de Outubro de 1910, entre as 8h00 e as 20h00. Um dia assinalado – a 22 de Setembro - a nível europeu a que o município de Leiria também se associa apresentando um leque variado de actividades aos leirienses e visitantes. No sábado das 9h00 às 13h00 terá lugar a II Caminhada no percurso Polis e estão ainda programadas visitas ao Moinho do Papel,
ao mIiImo e Castelo de Leiria, e das 15h00 às 20h00 terá lugar o 1º Peddy Paper, nas ruas da cidade. Entre as 15h00 e as 19h00, no Largo 5 de Outubro decorrerá uma recolha de sangue e entre as 15h00 e as 17h00 as filarmónicas desfilarão pelas ruas da cidade, nomeadamente, da Avenida Heróis de Angola até ao Mercado de Sant’Ana. Durante todo o dia, e no Largo do Papa, Largo Goa Damão e Diu, Largo 5 de Outubro de 1910 e Praça Rodrigues Lobo, terão lugar ateliers, exposição de veículos eléctricos e híbridos, bem como demonstração
de patinagem e energias renováveis, tendas de rastreio e gabinetes médicos, insufláveis, carros a pedais e boi mecânico. O dia acaba com a iniciativa Shop On, em colaboração com a Associação Comercial e Industrial e de Leiria, Batalha e Porto de Mós (Acilis), estando o comércio aberto das 20h00 às 24h00, implicando a interrupção do trânsito automóvel entre a Rotunda do Sinaleiro e o Largo 5 de Outubro, entre a Avenida Heróis de Angola e a Praça do Emigrante e entre a Rua Mouzinho de Albuquerque e a Rotunda do Estádio. A Rua Barão de Viamonte fica
com o sentido de marcha invertido de modo a garantir o desvio de veículos provenientes da Rua Mouzinho de Albuquerque. No dia 23 de Setembro, das 8h30 às 12h00, terá lugar a 1ª Mini Maratona de Leiria, organizada pelo Hospital D. Manuel Aguiar. A cidade de Leiria celebra o Dia Europeu Sem Carros desde 2000 com o objectivo de levar os leirienses a adoptarem comportamentos compatíveis com o desenvolvimento sustentável e de promover as deslocações a pé no centro da cidade.
Na ESAD.CR a partir de 24 de Setembro
Alunos finalistas de artes plásticas e design mostram trabalhos criativos A criatividade dos alunos finalistas dos cursos de Artes Plásticas, Design Industrial e Design de Cerâmica e Vidro 2011/2012 é o mote da exposição que vai estar patente ao público de 24 de Setembro a 7 de Outubro, na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (ESAD.CR). Uma mostra que visa a divulgação do trabalho dos alunos finalistas, por forma, a espelhar o per-
curso académico que cada um alcançou ao longo de três anos de trabalho. Em comunicado a ESAD.CR adianta que “A iniciativa surge também como um balanço em forma de leitura pessoal, clarificando e demonstrando a liberdade de expressão criativa, patente na diversidade dos trabalhos expostos”. Nuno Mangas, presidente do Instituto Politécnico de Leiria adianta que
“a ESAD.CR CR é, verdadeiramente, uma escola única no País que é altamente reconhecida nacional e internacionalmente”. Susana Rodrigues, directora da ESAD.CR, destaca “os prémios que os alunos e professores têm recebido em competições nacionais e internacionais, que são mais de 250 até ao momento, e em todas as nossas áreas de formação”. Uma mais valia que é
potencializada pela capacidade de internacionalização e cooperação que a escola mantém, actualmente, com duas dezenas de países, o que lhe permitiu receber, no último ano, cerca de 40 alunos estrangeiros. A exposição dos trabalhos dos alunos finalistas poderá ser visitada todos os dias, excepto ao Domingo, entre as 15h00 e as 20h00.
No Teatro José Lúcio da Silva
Noite Solidária com fados de Coimbra dade a Paróquia dos Pousos convidou a Paróquia dos Marrazes a realizar na noite desta sexta-feira, este espectáculo de solidariedade intitulado “Fado com Alma, Sons de Solidariedade” pela voz do fadista Manuel Guerra. A receita da venda dos bilhetes reverterá em valores iguais a favor das Obras da Igreja Paroquial dos Pousos e da Obra de
Castelo - Leiria •”Facécias” - comédias medievais (23/09, 16h00) •”A Demanda” - teatro amador de Pombal (27/09, 22h00) Teatro Miguel Franco - Leiria •”Dimas e gestas” - teatro palminha dentada (20/09, 22h00) •”Dead Combo” - música (21/09, 22h00) •”Ciclo de Jazz” - música (28/09, 21h30) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria • Contar e encantar histórias (19/09, 16h00) •”Dom Leão e Dona catatua” - bebeteca (20/09, 10h15 e 22/09, 16h00) •”Era uma vez um dia normal de escola” (28/9, 10h30 e 14h30) •”No Sul do Inferno” - livro de Daniel Cardoso (29/09, 17h00) Mi|mo - Museu da Imagem em Movimento - Leiria • Teatro de sombras e oficinas criativas (3ªs~6ªs) •”Férias de Verão” - actividades (2ªs~6ªs, 10h~12h30 e 14h~16h30) •”Nas terras do Lis e do Lena” - workshop causas (22/09, 9h~18h) •”Exclusão social, desemprego, entreajuda, criminalidade” - workshop (22/9, 9h00~17h00) Moinho de Papel - Leiria •“Viagem à Fábrica do papel (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •”Férias de Verão” - actividades (2ªs~6ªs, 10h~12h e 14h~16h00) Páteo do Mercado Sant’Ana - Leiria • 1º Festival de Música Popular (28/09~30/09, 16h00~24h00) O Nariz - Leiria •”A ligsaw” - música (28/09, 22h00) Agromuseu Municipal D. Julinha - Ortigosa •”Férias de Verão 2012” - actividades e jogos (2ªs~6ªs, 10h00 e 14h00)
João Vasco e Eduardo Jordão em Leiria
Teatro Miguel Franco acolhe espectáculo multimédia O Teatro Miguel Franco, em Leiria acolherá no dia 26 de Setembro, pelas 21h30, o espectáculo multimédia “20 Fingers”, organizado pela Associação António Fragoso. Um momento musical que colocará em palco um piano tocado a quatro mãos pertencentes a João Vasco e Eduardo Jordão que tocarão um reportório distinto, de Mozart e Schubert a Piazolla e Chico Buarque, acompanhados pelo vídeo jamming de Fabrice Pinto, numa concepção plástica de Bruno Cochat.
Rancho de Leiria organiza
“Noite de Música Popular Portuguesa” No Sábado a sede do Rancho da Região de Leiria será o palco para a realização de uma “Noite de Música Popular Portuguesa”, a partir das 22h00. Uma noite que será animada pelo grupo de música popular “Pinhal D’El Rei” e que contará com entrada livre. Uma iniciativa que segundo a organização serve para “marcar a abertura do espaço a outras expressões musicais, para além do folclore.
Em Leiria
“Cerâmica-Reflexo de uma Cultura”
DR
No dia 21 de Setembro, o Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria vai ser o palco para a realização de uma “Noite Solidária” com fados de Coimbra, pelas 21h30. Uma noite que reverterá a favor da reconstrução do auditório da Igreja de Nossa Senhora de Fátima que foi vandalizado há cerca de um ano. Num acto de solidarie-
MÚSICA | TEATRO | EVENTOS
reconstrução do Auditório da Igreja de Nossa Senhora
de Fátima, na Quinta do Alçada.
O mIiImo - museu da imagem em movimento, em Leiria apresenta a exposição “Cerâmica-Reflexo de uma Cultura”. Uma mostra representativa da indústria cerâmica na região de Leiria, numa parceria entre o Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto do Instituto Politécnico de Leiria, a Câmara Municipal e o próprio mIiImo - museu da imagem em movimento. A exposição pode ser visitada de Segunda a Sextafeira das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00 e aos sábados das 14h00 às 17h30.
6 SOCIEDADE Porta 65 Jovem facilita arrendamento de casa
De 25 de Setembro até dia 11 de Outubro estará a decorrer o período de candidaturas ao Programa Porta 65 Jovem. Trata-se de um programa que apoia o arrendamento jovem de habitação para residência permanente atribuindo uma percentagem de valor da renda como subvenção mensal. Um programa dirigido a jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos de idades. Os interessados podem obter mais informações nas Lojas Ponto JA do Instituto Português da Juventude (IPJ).
Medida tenta não agravar a situação financeira dos munícipes
Câmara Municipal de Leiria mantém taxa de IMI em 2013 No concelho de Leiria as Taxas do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) vão manter-se inalteradas no ano de 2013. A decisão da Câmara Municipal de Leiria afecta os prédios urbanos que ainda não foram avaliados, o que significa que a taxa a aplicar continuará a ser de 0,675%. No caso dos prédios avaliados mantém-se a taxa de 0,375%. A taxa a aplicar aos edifícios situados na zona declarada como Área Crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística do Centro Histórico da Cidade de Leiria sofre uma minoração de 23% no caso dos imóveis que ainda não foram avaliados, sendo a taxa efectiva de 0,52%. Os edifícios que já foram avaliados mantêm uma minoração de 20%, sendo a taxa efectiva de 0,30%. No caso dos prédios degradados localizados na zona declarada como Área Crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística do Centro Histórico, as taxas mantêm o agravamento de 30% para os edifícios não devolutos, percentagem que é agravada para o triplo no que diz respeito aos edifícios devolutos. De acordo com o Artigo 112.º do Código do IMI, as taxas a aplicar pelos Municípios situam-se entre 0,5 e 0,8% no caso dos prédios urbanos e entre 0,3 e 0,5% no caso dos prédios urbanos avaliados. Apesar das dificuldades económicas e financeiras que a Câmara Municipal de Leiria atravessa, agravadas pela Lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso, esta taxa não foi actualizada para não agravar mais as condições de vida dos munícipes do concelho.
20.Setembro.2012
NERLEI analisa últimas medidas de austeridade do Governo
Competitividade das empresas tem de ter avaliação mais abrangente A NERLEI – Associação Empresarial da região de Leiria em comunicado considera que a comunicação do primeiro-ministro ao País “não foi clara nem nas razões, nem no alcance e, muito menos, nos resultados esperados com estas medidas”. Por isso, a associação adianta que as medidas apresentadas, mais uma vez, apenas “se preocupam com o aumento da carga fiscal e não com a diminuição da despesa pública, não incluindo outras medidas que aumentem a competitividade das empresas, que não apenas os custos
do trabalho”. Embora veja com bons olhos a redução das contribuições para a segurança social por parte das empresas por defender que, no imediato, “pode trazer benefícios para a situação das pequenas e médias empresas e efectivamente salvar algumas e respectivos postos de trabalho”, a NERLEI pensa que a “melhoria da competitividade empresarial passa essencialmente por medidas que intervenham na estrutura de preços dos factores de produção, como é o caso dos custos com a energia eléctrica, gás natural e combustíveis que
tanto penalizam as empresas, e que estão bastante acima da média europeia, com grande benefício para as grandes empresas operadoras”. Além deste factor, e mais do que os custos de trabalho, é necessária, para o relançamento da actividade económica e do emprego, “uma política que garanta às empresas o acesso a crédito, mais fácil e com custo adequado para as PME pensando nós que a Caixa Geral de Depósitos poderia servir como banco de referência para a promoção e apoio ao desenvolvimento económico gerador de postos de trabalho”.
Por fim a NERLEI diz ter consciência “de que, dada a gravidade da situação económica, financeira e social do país estas, ou outras medidas, exigem um grande sentido de responsabilidade, e esperamos que o OE 2013 resulte de um consenso alargado entre as diferentes forças políticas para a redução da despesa pública e diminuição do peso do Estado na Economia, condição imprescindível para o sucesso de qualquer política de crescimento económico”.
Foram recolhidos 123 livros em Ourém
“Mochila Amiga” ajuda 32 famílias No concelho de Ourém foram recolhidas 26 mochilas, 123 livros e 210 tipos de material didáctico, como tesouras, lápis, canetas, cadernos e bolsas que permitiram ajudar 32 famílias. Uma ajuda que chegou através da Campanha de Solidariedade “Mochila Amiga” promovida pela Câmara Municipal de Ourém, através do Centro Comunitário de Voluntariado.
DR
Candidaturas de 25 de Setembro a 11 de Outubro
O Mensageiro
Aquando da entrega dos materiais às famílias contempladas Paulo Fonseca, presidente da Câmara Municipal de Ourém elogiou
a iniciativa e o “contributo de todos”, lembrando que “face ao contexto actual de crise, esta campanha revelase de especial importância,
na medida em que pretende apoiar as crianças e as famílias com maiores dificuldades no início de mais um ano lectivo”. A Campanha “Mochila Amiga” decorreu de 1 de Junho a 31 de Julho 2012 e teve como objectivo a recolha de mochilas e material escolar/didáctico novo ou usado (em bom estado de conservação).
Estudantes de cursos nas áreas do design e marketing com apoio extra
IPL seleccionado para as bolsas Seis licenciaturas do Instituto Politécnico de Leiria (IP Leiria) foram consideradas elegíveis para a candidatura às bolsas “Quero Estudar Melhor”, numa iniciativa do jornal Expresso e da empresa Prébuild. As candidaturas foram escolhidas “em nome da competitividade da indústria nacional e do desejável incremento do sector da economia portuguesa». Design Gráfico e Multimédia - regime póslaboral; Design Industrial;
Design de Ambientes; Design de Cerâmica e Vidro; Design Gráfico e Multimédia; e Marketing foram os cursos eleitos. Nuno Mangas congratula-se com a escolha, que «mostra bem a qualidade e pertinência dos cursos disponíveis no IP Leiria, que contam com uma enorme receptividade por parte do tecido empresarial e do mercado de trabalho e esta selecção atesta isso mesmo. Agora é tempo dos estudantes que ingressem
nestas licenciaturas, no ano lectivo que agora começa, se candidatarem e aproveitarem a oportunidade que o projecto oferece». O projecto “Quero Estudar Melhor” prevê entregar 30 bolsas de estudo que visam premiar o talento e o aproveitamento escolar de jovens alunos que se distingam pelo carácter exemplar dos seus métodos e processos de estudo, ambição e capacidade de trabalho, proporcionando-lhes as condições financeiras para
prosseguirem os seus estudos superiores. Podem candidatar-se jovens de nacionalidade portuguesa com idade até 18 anos (até 31 de Dezembro), que tenham frequentado o 12.º ano do ensino secundário no ano em que se candidatam, sem terem reprovado nos 10º, 11º e 12.º anos, e cuja média de frequência do secundário seja de pelo menos 14 valores. O prazo de candidaturas às bolsas decorre até 5 de Outubro.
SOCIEDADE 7
O Mensageiro 20.Setembroo.2012
Assunto vai à Assembleia Municipal de 28 de Setembro
A Câmara Municipal de Leiria defende a manutenção do actual mapa administrativo do concelho. A posição foi assumida e votada, por maioria, com as abstenções dos quatro vereadores do PSD, na reunião de executivo realizada, no dia 11 de Setembro, o que significa a defesa da manutenção das 29 freguesias que constituem o concelho de Leiria. Na mesma reunião o município deixou claro que “este mapa só deve ser alterado por opção voluntária das freguesias, através dos seus órgãos legitimamente eleitos”. O parecer sobre a reorganização administrativa do
território refere que, apesar de existirem 14 freguesias com menos de três mil habitantes, “apresentam tradições identitárias bem marcantes no que toca ao património material e imaterial, assim como serviços básicos que garantem uma dinâmica económica acentuada”. “Mesmo nas freguesias onde o número de habitantes é mais diminuto, só duas apresentam números abaixo de mil pessoas e nunca abaixo dos 770 habitantes, mas apresentam serviços (escolas, postos médicos, correios, caixas ATM, farmácias, etc.) que servem também as localidades vizinhas”, argumen-
ta o Município de Leiria. Acrescenta ainda que, nestas freguesias, as próprias instalações das juntas acabam por ser “a essência da presença da Administração Pública na sua proximidade com as populações”. O documento destaca, por outro lado, o facto de os executivos das freguesias serem constituídos por “cidadãos de extrema generosidade que se empenham de modo voluntário em acorrer céleres às inúmeras ocorrências que lhes são participadas” e alegam que “as áreas dos territórios de cada freguesia, tal como se encontram definidas, permitem esse acompanhamento célere
e eficaz”, com um “baixo custo de gestão”. “Todas as freguesias do concelho têm em curso projectos estruturantes, devido ao seu potencial de desenvolvimento”, sublinha ainda a Câmara Municipal de Leiria, que salienta, por último, que “o mapa administrativo do Município está fixado no imaginário das populações e na própria gestão municipal, sem criar constrangimentos especiais”. Um assunto que será discutido na próximo Assembleia Municipal marcada para dia 28 de Setembro, pelas 21h00, no Centro Associativo Municipal.
Banco de livros reduz despesa familiar
Município de Leiria investe 32 mil euros por dia em educação
Um edifício moderno e funcional
Centro Escolar de São Mamede já está a funcionar O Centro Educativo de São Mamede já está a funcionar. Localizado no centro da vila e próximo da junta de freguesia tem capacidade para acolher 150 crianças do Pré-escolar e do 1º Ciclo do Ensino Básico e apresenta-se em dois pisos, onde a modernidade é o traço de marca. Além das salas de aula o edifício está dotado de salas de informática, de espera, de professores, de gabinetes de trabalho, de refeitório, espaço para arquivo e ainda átrio de exposições. Quanto a recreio disponível e contabilizando a área coberta e descoberta as crianças terão à disposição cerca de 2.565 metros quadrados. A construção do Centro Escolar de São Mamede tem como objectivo dar resposta à Carta Educativa do Município da Batalha, que define para esta área geográfica respostas para o Pré-Escolar e 1º Ciclo do Ensino Básico em espaços renovados e modernos e dotados de equipamentos tecnologicamente evoluídos. No entender de António Lucas, Presidente do Município da Batalha, a abertura do Centro Escolar de São Mamede “consubstancia-se em mais um equipamento de qualidade à escola pública do concelho”. António Lucas destaca ainda que “as instalações modernas e funcionais do Centro Escolar de São Mamede, associadas ao trabalho empenhado de toda a comunidade educativa, traduzirse-ão, certamente, em excelentes resultados, com claros benefícios para os alunos e suas famílias”. A construção e apetrechamento do Centro Escolar de São Mamede ascende a um investimento de cerca de um milhão e trezentos mil euros, com apoio financeiro do Programa Mais Centro/União Europeia.
No Salão Paroquial de Fátima
Feira da Solidariedade DR
Trinta e dois mil euros por dia é quanto o município de Leiria investe na área da Educação, nomeadamente, para refeições, actividades extracurriculares, componente de apoio à família e transportes escolares. Os números foram revelados por Gonçalo Lopes, Vicepresidente e vereador da Educação na Câmara Municipal de Leiria durante a abertura do III Fórum de Educação e Responsabilidade Social que decorreu no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, para assinalar simbolicamente o início do novo ano lectivo. “Num papel de resposta aos novos desafios e problemas, devemos pensar a Educação colocando-a no centro das políticas e constituindo uma prioridade do investimento público”, defendeu Gonçalo Lopes. Perante o contexto de crise em que vivemos, o Vereador da Educação falou sobre as medidas de apoio sócio-educativo do
DR
Município de Leiria defende manutenção do mapa administrativo do concelho
Município de Leiria, com o intuito de auxiliar as famílias, como a reanálise de escalões face a situações de desemprego, o plano de pagamentos para valores em dívida, as bolsas de estudo para alunos do ensino superior e o projecto “Livro Meu, Livro Teu”, uma espécie de banco de livros, que veio reduzir a despesa familiar com a aquisição de livros. Durante a cerimónia, a Câmara Municipal de Leiria atribuiu, pela primeira vez, um prémio de mérito aos
129 alunos que mais se destacaram nos diversos graus de ensino das escolas do concelho, constituídos por vouchers culturais, como forma de reconhecimento do trabalho, do estudo e da dedicação. Anabela Graça, Presidente da Assembleia Geral da Associação de Desenvolvimento de Leiria (Adlei), manifestou a importância desta associação fazer parte da organização do evento. “A Adlei preocupa-se com uma escola de cultura cívica.”
No actual cenário, Anabela Graça entende ser relevante a cooperação entre todos os agentes educativos na resolução dos problemas, para se alcançar uma escola de qualidade. Nesse sentido, considera imperioso valorizar a escola, a acção dos professores e adoptar uma “cultura de responsabilidade e de cidadania”. Concluiu ainda destacando a importância dos prémios de mérito atribuídos pela Autarquia, como forma de reconhecimento e distinção do trabalho dos alunos.
O Salão Paroquial de Fátima acolhe esta Sexta-feira e Sábado a Feira da Solidariedade, numa organização do Centro de Recuperação Infantil Ouriense, Escola de Educação Especial “Os Moinhos”, Casa do Bom Samaritano; Centro João Paulo II e do Centro de Reabilitação e Integração de Fátima. A Feira da Solidariedade abre as portas na sexta-feira, pelas 14h00, com a actuação da Casa da Criança do Valinho, do Centro de Estudos de Fátima, do Colégio Sagrado Coração de Maria, Colégio de S. Miguel e Santa Casa da Misericórdia Fátima-Ourém. A Eucaristia está marcada para as 19h00 e à noite a partir das 21h00 a animação fica por conta das bandas The Sinners e The Peorth. No Sábado à tarde a animação fica por conta da Casa do Bom Samaritano; Centro João Paulo II, Centro de Reabilitação e Integração de Fátima, Centro de Recuperação Infantil Ouriense e Casa do Povo de Fátima. A Eucaristia está marcada para as 19h00 com animação do Agrupamento de Escuteiros de Fátima e à noite a partir das 22h00 actuará o Conservatório de Música de Ourém e Fátima e pelo grupo “Somos Um”. A entrada é livre.
8 ECLESIAL
O Mensageiro 20.Setembro.2012
Conclusões das Jornadas missionárias 2012
Vaticano II: 50 anos, Missão, Memória e Profecia Nos dias 14 a 16 de Setembro, reuniram-se no Centro Pastoral Paulo VI em Fátima, cerca de 300 pessoas nas Jornadas Missionárias Nacionais. O tema escolhido, “Vaticano II, 50 anos, Missão, Memória e Profecia”, pretendeu ajudar a viver o Ano da Fé numa perspectiva missionária. A alma da Missão é o dom total de si mesmo, ao estilo e plenamente configurado com a Missão de Jesus. Ao missionário e à Igreja pede-se contemplação, fidelidade e entrega total ao anúncio do evangelho a todos. O Concílio Vaticano II, convocado há 50 anos pelo beato João XXIII, foi uma lufada de ar fresco e apresentou à Igreja um documento ousado sobre a Missão. Um dos autores foi o jovem teólogo Ratzinger, atual papa Bento XVI. O De-
creto Ad Gentes afirma que a Igreja é por natureza missionária (AG2) e, talvez por isso, todos os documentos do Concílio ganharam esta dimensão. Tal significou uma nova fundamentação teológica no amor fontal da Trindade que gerou uma mudança de paradigma da missão. O documento que melhor traduz a recepção do Decreto Ad Gentes em Portugal é a Carta Pastoral dos Bispos de 2010, “Como Eu vos fiz, fazei vós também”. Nela se retomam as intuições essenciais do Vaticano II: a Igreja existe para evangelizar e deve dar testemunho do evangelho; a Igreja local é a protagonista da evangelização junto de todos, baptizados e não baptizados; o contributo dos leigos é fundamental nas áreas onde só eles podem intervir e no voluntariado; o testemunho,
o diálogo, o anúncio e a profecia são o novo rosto da Igreja missionária num mundo multicultural, multirreligioso e fragmentado social e economicamente; há necessidade de uma espiritualidade missionária que alimente uma atitude de vida de quem está disponível para ser enviado e partir. A Missão hoje ajuda a construir uma Igreja tes-
temunha do Evangelho, despojada de poder, assente no diálogo e na opção pelos mais pobres. Iniciativas como as geminações, voluntariado missionário, missões populares devem envolver crianças, jovens, adultos e idosos. É dando que se recebe e abrindo-se ao outro que se impede a asfixia das nossas comunidades cristãs. D. Henri Teissier, bispo
emérito da Argélia, testemunhou de viva voz e experiência feita a missão da Igreja num contexto 100% muçulmano. Falou da riqueza que é anunciar o Evangelho mesmo àqueles que não se querem converter. Partilhou experiências de testemunho radical como o dos monges trapistas de Tibhirine, martirizados em 1996, na Argélia. A Missão de presença e partilha de
LUZ ENTRE OS HOMENS
realizaram um encontro em Budapest, na Hungria, em 31 de agosto, 1 e 2 de setembro, onde participaram 12 mil jovens de 103 nações, entre os quais 200 portugueses. O “Genfest” de 2012, como chamam a este tipo de encontro, que já vai na sua 10ª realização, teve como mote “Fazer pontes” (let’s bridge). E um dos momentos altos foi precisamente sobre uma ponte do rio Danúbio, onde os jovens desfraldaram bandeiras e trocaram lenços entre si. Com o gesto simbólico quiseram significar o empenho em construir relações de fraternidade entre pessoas e grupos, na vida de todos os dias. O Papa Bento XVI dirigiu uma mensagem na qual encorajou os jovens presentes a serem “fortes” na fé católica: “Deixai que a alegria simples, o amor puro e a paz profunda que vem do encontro com Jesus Cristo vos façam testemunhas radiosas da Boa Nova perante os jovens das vossas terras”. A presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, interveio também com um apelo exigente: “Olhem para o alto. Mirem
longe e encontrarão um apoio seguro. Olhem para o amor que é Deus. Só ele dará solidez às vossas vidas, nas alegrias e nos sofrimentos. (...) Estejam do lado Dele, procurando ver as coisas e o mundo com os seus olhos, e vocês serão pilares firmes de pontes novas sobre as quais caminharão seguros, e muitos outros vos hão de seguir”. E animou-os: “Não tenham medo! Sejam vocês mesmos e insiram-se na sociedade, colocando à disposição de grandes e pequenos a vossa personalidade, a vossa competência e os vossos talentos. O contributo que podem dar é único, irrepetível, diferente do dos adultos. Eu, nós, a geração que vos precede, olha para vocês com confiança por tudo aquilo que vocês são e fazem. Tenham também vocês a mesma confiança”. E sugere-lhes que passem imediatamente à ação com um amor verdadeiro que começa nas pequenas coisas que fazem grande a vida e mudam a sociedade. A metáfora da construção de pontes foi o fio condutor de todo o acontecimento. Para além da experiência
do encontro com jovens de múltiplas nações, línguas e culturas, das relações belas e emocionantes, da festa, do convívio, houve relatos de histórias verdadeiras de construção de fraternidade em múltiplas situações. Do Egito, veio a experiência do envolvimento de pessoas de alguns bairros da capital que juntos pintaram o muro de uma escola para superar as tensões provocadas pelos acontecimentos da Praça Tahrir. Um jovem do México contou como decidiu responder com amor ao ódio que matou o seu primo na espiral de violência do narcotráfico. Um jovem tailandês narrou a sua experiência de colaboração com muitos outros jovens por ocasião das cheias que devastaram a sua cidade. Muitos outros falaram das suas escolhas ousadas para irem contra a corrente dos ambientes em que vivem. A parte final do encontro foi dedicada a celebrações de culto diversificadas conforme as pertenças religiosas dos jovens. A concluir, juntaram-se todos para um momento de recolhimento e silêncio pela paz. Na
missa católica, o Cardeal Peter Erdo, dissera: “Deus é o Criador de todos nós, é o esplendor da nossa vida. Nele toda a humanidade pode encontrar a sua unidade. Nele somos verdadeiramente irmãos”. O encontro esteve muito presente na internet, tanto nas redes sociais como em transmissões diretas, alcançando 450 mil pessoas. E teve ligações com vários outros lugares no mundo onde se juntaram jovens para um programa próprio e também em rede com o acontecimento de Budapest. Muitos jovens manifestaram o seu entusiasmo pela experiência vivida naqueles dias e pelo impulso que nela receberam. Um deles declarava no tweet: “É impossível permanecer indiferente. Podemos mudar o mundo, a começar por pequenos gestos”. De Budapest lançaram na ocasião o projeto “A revolução silenciosa”, um compromisso que assinaram e ao qual podem aderir todos os que se identifiquem com os seus objetivos. Para isso há um site na internet: http://www.unitedworldpro ject.it . No projeto procuram
Pe Jorge Guarda
Vigário Geral da Diocese
Jovens constroem pontes de fraternidade http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt
N
a humanidade de hoje estão em processo grandes transformações. Muitas geram incertezas, angústias, amarguras, sofrimento e desânimo. Mas há quem procure ver além deste cenário, que parece o único, e identificar sinais de fraternidade e de paz que mostram outra humanidade e geram esperança. Entre estes estão os jovens do Movimento dos Focolares, que
vida permite acolher o que os outros têm para nos dar da parte de Deus. O maior testemunho é dar a vida pelos não cristãos. Esperamos que o próximo Sínodo sobre a Nova Evangelização traga à Igreja um novo dinamismo missionário. Realizaram-se quatro workshop’s, em simultâneo, sobre Missão e infância, Missão e Juventude, Missão e voluntariado, Missão e Igreja Local. Foi dada a sugestão de que o domingo das Jornadas se torne progressivamente a Peregrinação Nacional da Missão. Solidarizamo-nos com o papa Bento XVI em visita pastoral ao Líbano. As próximas Jornadas Missionárias Nacionais decorrerão nos dias 20, 21 e 22 de Setembro de 2013.
Fátima, 15 de Setembro de 2012, memória de Nossa Senhora das Dores
envolver todas as pessoas que queiram juntar-se à multidão daqueles que em cada dia “escolhem dar sem receber, acolher em vez de discriminar, perdoar para reconstruir relações quebradas. A proposta é para que vivamos neste mundo numa nova perspetiva. Se é verdade que estamos mergulhados numa humanidade marcada por inúmeras fraturas do mundo, podemos empenhar-nos “para as recompor, silenciosa e ativamente”, vivendo como irmãos uns dos outros. O compromisso visa chegar à ONU para pedir a criação de um observatório internacional permanente que promova e verifique que a fraternidade se põe em prática por parte de pessoas, grupos, nações, inspirandose na “Regra de Ouro”: “Faz aos outros como gostarias que te fizessem a ti”. Como estes jovens também nós podemos ser e difundir a luz de Cristo na nossa vida quotidiana. Nota: com este artigo termina a série “Luz entre os homens”. Em sintonia com o “Ano da fé”, iniciarei uma nova série sob o titulo “O dom da fé”.
DIOCESE 9
O Mensageiro 20.Setembro.2012
Reunião dos responsáveis dos serviços diocesanos
“Temos um canteiro mas cuidamos todos do mesmo jardim” No passado dia 18, D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, convocou todos os directores de serviços diocesanos e seus colaboradores, para uma assembleia durante a qual assumiram de forma oficial novas funções 3 sacerdotes. D. António lembrou que "ao bispo compete organizar e amparar os servidores da Cúria que estão ao serviço da fé. Todos devem, porém, estar unidos nos mesmos objectivos, na comunhão de esforços. Temos um canteiro mas cuidamos todos do mesmo jardim. A Igreja diocesana não é uma empresa, é uma comunidade humana que vive de laços fraternos. O bispo é a sentinela vigilante, sensível às necessidades e à renovação contínua". Ainda no contexto da oração fizeram o seu juramento os empossados nas novas funções, a saber: Pe Armindo Pereira Janeiro, director do CFC Pe José Lopes Baptista, director do movimento da família do sacerdote Pe Isidro da Piedade Alberto, assistente Regional da Associação Católica de
enfermeiros e Profissionais de Saúde Seguiu-se uma exposição, pelo Dr. Pedro Gil, formado em direito, especialista na área da comunicação institucional, sobre a importância da Comunicação na Igreja. Não pondo em questão essa importância, que salta à vista, o conferencista, sublinhou alguns dos obstáculos relacionados com a comunicação na Igreja: pensar-se que a comunicação na Igreja se faz apenas com as instituições. Ela faz-se também a partir dos opinadores mais pequenos; pensar que trazemos para a Igreja a imoralidade que se faz sentir no mundo da comunicação; pensar que a verdade vale por si e para tanto não e preciso a comunicação; pensar que a relação com os jornalistas é perigosa. Para o Dr. Pedro Gil, a comunicação na Igreja começa de ser de capital importância nos momentos de crise. "Quando surgem problemas é obrigatório intervir para esclarecer as pessoas. E para isso é preciso saber intervir de forma ajustada ao ataque.
Vigararia de Leiria
Visita Pastoral Na passada sextafeira, 14 de Setembro, cerca de 140 membros dos Conselhos Pastorais e animadores da Lectio Divina, da vigararia de Leiria, reuniram-se com D. António Marto para desta forma darem início oficial à Visita Pastoral à vigararia. A reunião serviu para apresentar o sentido da visita pastoral e ao mesmo tempo serem apresentados alguns pontos para a organização de cada paróquia. A partilha que gerou
o referido encontro, deu para perceber como os cristãos da vigararia esperam com entusiasmo e com alguma curiosidade a presença de D. António Marto. Percebeu-se também que a expectativa é motivada pela certeza de que D. António é um pastor que sabe estar próximo e deixa bem gravada a sua solicitude pastoral. “Desejamos ver D. António entre nós como pai, guia e pastor deste rebanho que lhe está confiado”, dizia um dos presentes.
Nas situações de crise é possível não se sair mal, se soubermos comunicar. A regras psicológicas que ajudam. Por outro lado, e para lá da resolução destas situações, a comunicação na Igreja ganha importância porque em comunicação as emoções por vezes são mais importantes que os factos. E para isso é importante que a Igreja possa transmitir essas emoções". Mas a comunicação não é sé para resolver crises, é também uma questão de tempo, ou seja, chegar a tempo. "Dar conhecimento de factos em tempo adequado e oportuno. Para tanto é preciso estar por dentro das questões e saber organiza-las". Um terceiro ponto que valoriza a comunicação na Igreja é o facto de que "comunicar não é só para falar para fora, para dar informação. Antes de mais, comunicar é falar para dentro. A pretexto da comunicação para fora acaba-se por levar a proposta cristã". Depois falou do departamento da comunicação social na diocese que é um meio óptimo para ajudar
os meios de comunicação a perceberem o que é a diocese e ao mesmo tempo ajudar o bispo a perceber o funcionamento dos meios de comunicação social em geral. Tal departamento de comunicação tem como objectivo ajudar a concretização do plano pastoral; multiplica a relação com os meios de comunicação e leva-lhes a sua mensagem própria. A parte final da Assembleia serviu para ser apresentado o GIC, Gabinete de Informação e Comunicação da diocese de Leiria-Fátima. Trata-se de um Gabinete de apoio à comunicação. Este Gabinete é composto por um director, Pe Victor Manuel Leitão Coutinho, um secretário Dr Luis Miguel Ribeiro Ferraz, e dois colaboradores Pe Rui Acácio Amado Ribeiro e Pe Marco Paulo da Silva Brites. Neste sentido todas as paróquias e serviços diocesanos são convidados a socorrerem-se do GIC para divulgação das suas actividades e demais informações e para chegarem aos meios de comunicação social não eclesiais.
Breves “Expressar a Fé na catequese e na vida”
Encontro Diocesano de Catequistas no Seminário No próximo dia 29 de Setembro realiza-se o Encontro Diocesano de Catequistas com que se iniciam as actividades da catequese na Diocese de Leiria-Fátima. O encontro está marcado para as 15h00, até às 19h30, no ginásio do Seminário Diocesano de Leiria. Este ano com uma configuração diferente do habitual, terá como tema «Expressar a Fé na catequese e na vida», procurando aprofundar os principais conteúdos da Fé presentes no Credo. A marcar o início do Ano da Fé, pretende-se com este Encontro dar a possibilidade dos catequistas fazerem uma síntese da Fé dos Cristãos, numa tarde de reflexão orientada pelo Prof. Dr. Juan Francisco Ambrósio, professor da Universidade Católica Portuguesa. O encontro tem início às 15h00, e terminará com a celebração da Eucaristia às 18h30 na igreja do Seminário.
Ano lectivo 2012/13
Escola Diocesana Razões da Esperança inicia semestre É já a 25 de Setembro que começa o 1º semestre na Escola Razões da Esperança. O Sr. D. António presidirá à Eucaristia de abertura, na igreja do Seminário, às 21h00. Seguem-se as inscrições. O ritmo de funcionamento é quinzenal, sempre à terça-feira, no Seminário Diocesano de Leiria. Na primeira hora (das 21h00-22h00) repete-se a disciplina “Cristo: Deus e homem” que faz parte do curso básico e é “obrigatória” para quem pretende obter diploma. Será leccionada pelo padre Manuel Henrique. Os temas gerais que abordará são: o conhecimento de Jesus Cristo e a relação com Ele, imagens e aproximações a Jesus Cristo, a mensagem de Jesus e a revelação que faz de si mesmo. Também na primeira hora é oferecido um tema novo: “Concílio Vaticano II: ‘uma primavera inesperada’”, enquadra-se no Ano da Fé que assinala precisamente os 50 anos da inauguração do Concílio. Será leccionado pelo padre Adelino Guarda. Na segunda hora (das 22h00-23h00) funcionarão, como de costume os vários grupos para Catequistas, Cursistas; Lectio Divina; Canto; Escola de Leitores; Animação Vocacional; e CNE e Catequese 6º ano. A destacar, como novidade, o grupo “Catequese 6º ano” pensado para os catequistas que irão usar neste ano e nos próximos o novo catecismo. Quem não estiver interessado em nenhum destes grupos, pode frequentar somente a primeira hora. As disciplinas da 1ª hora têm uma duração de 8 horas lectivas, em 8 sessões. Em qualquer delas, podem inscrever-se todas as pessoas maiores de dezasseis anos. Estão abertas as inscrições. Mais informações junto do Centro de Formação e Cultura (Seminário Diocesano de Leiria), em www.leiria-fatima.pt/cfc, por e-mail: razoesd aesperanca@gmail.com, ou pelo tel. 244 103 816.
Movimento Cristão de Reformados
“Vida ascendente” inicia actividades O Movimento Cristão de Reformados, grupo de Leiria, informa a todas as filiadas e simpatizantes que as actividades vão iniciar no próximo dia 25 de Setembro (terça-feira) às 15h00.
10 ECLESIAL
O Mensageiro 20.Setembro.2012
Leituras | XXVI Domingo do Tempo Missões Comum (16/09/2012) Antífona de Entrada: Eu sou a salvação do meu povo, diz o Senhor. Quando chamar por Mim nas suas tribulações, Eu o atenderei e serei o seu Deus para sempre. Leitura I: Sab 2, 12.17-20 Salmo Responsorial: Salmo 53 (54), 3-4.5.6.8 (R. 6b) Refrão: O Senhor sustenta a minha vida. Repete-se. Leitura II: Tg 3, 16 4, 3 Aclamação ao Evangelho: Aleluia cf. 2 Tes 2, 14 Refrão: Aleluia. Repete-se. Deus chamou-nos por meio do Evangelho, para alcançarmos a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.Refrão. Evangelho: Mc 9, 30-37 Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntoulhes: «Que discutíeis no caminho?». Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou». Palavra da salvação.
Curso preparou católicos que vão para o estrangeiro O Curso de Missiologia, que terminou no inicio deste mês em Fátima, formou católicos que vão para o estrangeiro anunciar a mensagem cristã e também quem nunca saiu de Portugal mas que se compromete no apoio aos missionários. “Há pessoas que se estão a preparar para partir, enquanto que outras recorrem à formação para integrarem a animação missionária nas paróquias”, ou seja, servindo como agentes de apoio aos leigos e religiosos em missão, explicou à ECCLESIA o padre Alberto Silva, presidente dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG).
AO SABOR DA PALAVRA
Cânticos | XXVI Domingo do Tempo Comum (30/09/2012) INÍCIO Caminhamos para o Vosso altar - Lau 190 Pai, Filho, Espírito Santo - Lau 639 Somos a Igreja de Cristo - Lau 796
Pe. Francisco Pereira
SALMO RESPONSORIAL Os preceitos do Senhor alegram o coração - Lau 635
pe.francisco@mac.com
APRESENTAÇÃO DOS DONS Recebestes um espírito /Abbá, ó Pai - Lau 716
25º Domingo do Tempo Comum 23 de Setembro de 2012
COMUNHÃO Dou-vos um mandamento novo - Lau 301 Formamos um só corpo - Lau 406
Viver no serviço
PÓS-COMUNHÃO Cantar-vos-ei na presença dos ajos - Lau 208 Glória ao Pai que nos criou- Lau 413 FINAL Povo teu somos - Lau 677 Povos da terra louvai ao Senhor - Lau 1116
leia, assine, divulgue, anuncie!
O MENSAGEIRO
H
oje as pessoas vivem numa agitação permanente, quase sempre apressados para chegarem a algum lado, para serem os primeiros, para ganharem mais, para terem mais sucesso. Mas esta busca de felicidade acaba por ser uma busca vazia porque correndo para um lado e para o outro em busca de alguma coisa que dê sentido à vida acabam por não apreciar e não aproveitar a própria vida.
Os conteúdos do curso, divididos em dois anos, incluem “o sentido histórico”, as “práticas da missão” e a inculturação, ou seja, a adaptação da transmissão da mensagem à cultura local, além de noções de espiritualidade e fundamentação bíblica sobre a missionação. A iniciativa organizada pelos IMAG e Obras Missionárias Pontifícias pretende que o missionário “não trabalhe apenas a nível de ideias mas seja sobretudo facilitador de encontros”: “O que mais desejamos é que todas as pessoas se encontrem com Cristo”. As mulheres estiveram em maioria entre os mais
de 60 participantes, dos quais dois terços eram leigos: “Há uma grande procura de preparação ao nível do saber e também de obtenção de instrumentos para partir ao encontro de novos contextos, para os quais não se pode ir de ânimo leve”, referiu. Entre os alunos que nunca partiram para o estrangeiro estava Laura Borges, leiga de Mirandela pertencente à Liga Intensificadora da Acção Missionária, movimento inspirado na congregação dos Espiritanos: “A minha
missão tem sido sempre em Portugal, de apoio aos missionários”. A formação chegou também a religiosos de outros países destacados para Portugal, como a irmã Guadalupe Rosales, há oito anos a trabalhar no país. “É enriquecedor ouvir as experiências dos outros missionários”, salientou a freira da congregação mexicana Filhas de Santa Maria de Guadalupe, que tem uma comunidade na Marinha Grande, Diocese de Leiria-Fátima, orientada para apoiar o pároco, espe-
Os baptizados vivem a sua existência de uma forma diferente devido à esperança que têm: há algo mais importante que as coisas materiais. Jesus Cristo diz-nos no Evangelho deste domingo que no Reino de Deus os mais importantes são aqueles que servem os outros: “Quem quiser ser o primeiro há-de ser o servo de todos.” Não importa por isso chegar em primeiro lugar, ultrapassar os outros, o que é importante é que todos possamos chegar. Este espírito de doação não se pode comparar com a “caridade” que se pratica muitas vezes apenas para mostrar aos outros que também somos bons. É este zelo mal entendido que provoca discórdias, porque manifesta e alimenta a ambição de ser o primeiro, o mais importante, aquele que dá mais dinheiro para as obras de caridade. Na comunidade cristã, a única grandeza é a grandeza de quem, com humildade e simplicidade, faz da própria vida um serviço aos irmãos. Na comunidade cristã não há donos, nem grupos privilegiados, nem pessoas mais importantes do que as outras, nem distinções
baseadas no dinheiro, na beleza, na cultura, na posição social… Na comunidade cristã há irmãos iguais, a quem a comunidade confia serviços diversos em vista do bem de todos. Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir, de partilhar com os irmãos os dons que Deus nos concedeu. Terminou agora o período das romarias de verão: quantos foram aqueles que se preocuparam em celebrar verdadeiramente os seus padroeiros? Quantos foram aqueles que se preocuparam apenas por fazer uma festa maior, com melhores artistas e com fogo de artifício mais espectacular que os dos anos anteriores? A verdadeira paz nasce da harmonia criada a partir de dentro, a diminuição das paixões que acaba com a ambição de ter coisas. Só assim poderemos dar verdadeiro testemunho da nossa fé e da nossa esperança: se a nossa caridade for verdadeira. Dessa forma o cristianismo resistirá a todas as provas, porque assim é verdadeiro. E nós sabemos como aqueles que não acreditam põem sempre a nossa fé à prova, como aconteceu com
os protestos dos muçulmanos às palavras do Papa em Ratisbona. Mesmo os nossos vizinhos, agnósticos e ateus, estão muito atentos para ver se o nosso modo de agir é coerente com a mensagem que proclamamos. E não há coisa mais triste do que ouvir dizer de um cristão que tem uma vida dupla, sem estar de acordo com a fé que diz professar. O verdadeiro serviço aos homens, de nós como cristãos, é o dar testemunho daquilo que acreditamos. Ser imagem de Cristo que se fez pequenino, que no gesto de tomar uma criança e a apresentar como modelo nos mostra que o discípulo de Jesus é grande, não quando tem poder ou autoridade sobre os outros, mas quando abraça, quando ama, quando serve os pequenos, os pobres, os marginalizados, aqueles que o mundo rejeita e abandona. Aquilo que nos deve mover é a vontade de servir, de partilhar com os irmãos os dons que Deus nos concedeu. Assim seremos marcos que indicam o bom caminho aos homens de hoje.
PORTUGAL 11
O Mensageiro 20.Setembro.2012
Breves
“Futuro de Portugal precisa dos mais velhos”
Criação de “Senado”
“Em primeiro lugar, traduz um dos melhores sucessos das nossas últimas décadas, a saber, o considerável aumento da esperança de vida e da respectiva qualidade física e mental”, observou, antes de sublinhar a urgência de “repensar a tripartição habitual da existência - formação, actividade e reforma – num sentido geral, sucessivo e quase estanque entre cada fase”. D. Manuel Clemente elogiou, a este respeito, a disponibilidade dos mais velhos para acompanharem filhos e netos, “transformando a idade da reforma numa nova forma da idade, com novos papéis familia-
res e educativos”. Este responsável admitiu que não se pode considerar como um bem a diminuição da população jovem, “mais por razões sociais e económicas do que propriamente culturais”. Neste contexto, o bispo do Porto alertou para um “certo individualismo” que “retrai a constituição de laços conjugais e parentais, com as respectivas interdependências, que normalmente geram vida”. “Também não creio que a valorização prática do papel da família por parte do Estado seja um dado adquirido”, acrescentou. O vice-presidente da CEP aludiu a razões sociais
e económicas que tornam difícil a constituição e a manutenção das famílias, “por carências de emprego e estabilidade que inibem a geração de filhos, até em número suficiente para a simples continuidade inter-geracional”. O prelado deixou votos de que nas próximas décadas seja possível “conjugar conhecimento e sabedoria, em termos novos, muito novos até”. “Sabedoria é saber de experiência feito, ou experiência decantada, assimilada e transformada em vida”, explicou, e “induz um conjunto de qualidades e virtudes que não estão hoje em alta: prudência, ponderação, memória histórica, considerações humanistas em geral”. Em conclusão, D. Manuel Clemente sustentou que Portugal e outros países europeus “não sobreviverão sem incluir populações jovens doutros continentes” e que não haverá futuro “fora de uma verdadeira ecologia, tanto da natureza como do espírito”.
“Descobrir a solidez da fé: Urgência e Missão”
Semana Nacional da Educação Cristã A Igreja Católica em Portugal vai assinalar entre 29 de Setembro e 7 de Outubro a Semana Nacional da Educação Cristã e desafiar professores e catequistas a privilegiarem a consolidação da fé no meio das comunidades. Em nota pastoral enviada hoje à Agência ECCLESIA, a Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) recorda aos responsáveis diocesanos que trabalham nesta área a importância de saberem “comunicar” às crianças, adolescentes, jovens e adultos o mistério do Deus em que acreditam.
“A fé cristã começa por um encontro: alguém que encontrou Jesus, falou-nos dele e levou-nos a conhecêLo. É daqui que pode nascer uma verdadeira relação de amizade”, realça o organismo presidido por D. António Francisco dos Santos. Subordinado ao tema “Descobrir a solidez da fé: Urgência e Missão”, o documento da CEECDF aponta que “todos têm o direito de conhecer o verdadeiro rosto de Cristo” e os cristãos têm “o dever de O mostrar, sem medo, por meio de palavras e de obras”. “Integrados na comunidade dos crentes”, os educadores católicos são
chamados a ser “testemunhas” da mensagem da Igreja, “animados pelo amor” que emana da Palavra de Deus. A Comissão convida ainda “pais, educadores, sacerdotes e comunidades cristãs a contribuírem para a consolidação de uma crença que se encontra “para além dos conhecimentos que são resultado das ciências naturais”. Num mundo nem sempre aberto ao transcendente, faltam pessoas capazes de “escutar e acolher profundamente” o Evangelho e que ajudem a sociedade a “crescer no amor ao próximo”.
“Ressignificar a reforma” O Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes, no Porto, promove, dia 10 de Outubro, um colóquio sobre «Ressignificar a reforma». Esta iniciativa será no mesmo dia da abertura do ano desta instituição e decorrerá na Fundação Eng. António de Almeida. “Falar da Reforma significa reavaliar de novo o âmbito do trabalho, a sua natureza e as suas exigências”, refere o comunicado. Do programa constam os seguintes subtemas: A Reforma e a Problemática Económica Decorrente (Daniel Bessa); Fundamentos Ético-Jurídicos da Reforma (Frei Bento Domingues e Francisco Espinhaço); A Reforma e as Implicações Sociais (António Tavares, Misericórdia do Porto); História da Criatividade e da Produtividade na Idade Avançada (Ricardo Nicolau, Mário Cláudio, Carlos Carvalho Dias e Maria Amélia Ferraz); A importância Económica dos Reformados (Paula Cruz, Carlos Melo Brito, Manuel Braga da Cruz, José Marques dos Santos e Artur Pimenta Alves) e o último será Ano Europeu do Envelhecimento Activo e Solidariedade entre Gerações: os desafios (Joaquina Madeira).
Presidente da Cáritas Portuguesa aconselha
“Repartir os sacrifícios de forma equitativa”
O presidente da Cáritas Portuguesa considera que as medidas de austeridade anunciadas pelo ministro das Finanças “vão agravar a já tão precária” situação socioeconómica da sociedade portuguesa e “não irão atingir o objectivo da criação de mais emprego”. Eugénio da Fonseca sublinha à Agência ECCLESIA que seria um “ato de grande nobreza por parte do governo” se ponderasse as medidas divulgadas. O presidente da Cáritas Portuguesa aconselha o governo “a rever as medidas” porque “está provado que os sacrifícios não estão a ser repartidos de forma equitativa”. A austeridade “está assente” em medidas “injustas” que pode deixar consequências “irreparáveis para o futuro”, lamenta Eugénio da Fonseca. Para o presidente da Cáritas Portuguesa é “urgente que apareçam sinais que acalentem a esperança das pessoas”, no entanto esses sinais “não devem ser palavras bonitas, mas medidas efectivas de investimento”. O alargamento do prazo para o cumprimento do memorando da troika é motivo de regozijo para o presidente da Cáritas Portuguesa, mas este “deve ser para suavizar as medidas de austeridade”. Com o aumento da pobreza, o organismo dirigido por Eugénio da Fonseca terá mais solicitações de ajuda, no entanto o responsável revela que “não têm mais capacidade de resposta” para os pedidos. Perante esta situação, Eugénio da Fonseca reitera um pedido já feito: “No próximo Orçamento de Estado deve estar previsto uma parte que sirva de almofada para a resposta imediata às necessidades das pessoas”. “Não é apenas com políticas de corte que se galvanizam as pessoas para a recuperação do país”, afirma. DR
DR
O bispo do Porto defendeu a necessidade de integrar o contributo dos mais velhos na construção da sociedade portuguesa e apelou a “uma nova pedagogia cultural e social”. “Não seria demais, por exemplo, constituir a vários níveis uma espécie de ‘senado’, em que os mais velhos e experientes se pronunciassem preventivamente sobre medidas e projectos dos responsáveis activos, mesmo que só a título consultivo”, disse D. Manuel Clemente, numa intervenção hoje divulgada pelo site da diocese portuense. O também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) falava no encontro “Presente No Futuro - Os Portugueses Em 2030”, que decorreu no dia 14, organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que decorre no Centro Cultural de Belém, Lisboa. Segundo o bispo e historiador, o alargamento da faixa populacional mais velha da sociedade portuguesa tem “virtualidades” que ainda não foram totalmente consideradas.
Colóquio no Porto
O programa da Semana Nacional da Educação Cristã vai ter como ponto alto as Jornadas Nacionais de Catequistas, que terão lugar no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, entre 5 e 7 de Outubro. Destaque ainda para as peregrinações das Escolas e dos Educadores Católicos à Cova da Iria, nos dias 29 de Setembro e 7 de Outubro, respectivamente. A eucaristia de encerramento da Semana está marcada para as 11h00, na Sé de Santarém, e será presidida pelo bispo escalabitano, D. Manuel Pelino Domingues.
12 MUNDO
Audiência geral no Vaticano
Bento XVI explica símbolos do Apocalise No passado dia 12 de Setembro realizou-se a Audiência geral, no Vaticano, na qual o Papa explicou alguns dos símbolos do livro bíblico do Apocalipse, tendo vincado que não há preces desnecessárias e que os católicos devem evitar o derrotismo e não faltar à missa de domingo. Os fiéis devem estar certos de que “não há orações supérfluas, inúteis” e que “nenhuma se perde”, apesar dos seus “limites, cansaço, pobreza, aridez” e “imperfeições”, sublinhou Bento XVI na catequese a que a Agência ECCLESIA teve acesso. “Diante do mal tem-se muitas vezes a sensação de não se poder fazer nada” mas a oração, que permite a avaliação crítica da história e inspira os comportamentos pessoais, é a “primeira resposta e mais eficaz” para fortalecer o compromisso diário em “espalhar o bem”, referiu. A audiência foi dedicada à segunda parte do livro do Apocalipse, o último da Bíblia, que segundo o Papa é orientada para a abertura dos cristãos ao mundo, dado que a Igreja “não se fecha em si mesma mas enfrenta com coragem o seu caminho, no meio de dificuldades e sofrimentos”, vincando ao mesmo tempo que “o mal não vence o bem”. Na Audiência geral, ocorrida a 12 de Setembro no Vaticano, Bento XVI realçou que os cristãos nunca podem ser “pessimistas”: “sabemos bem que no caminho da nossa vida encontramos frequentemente violência, mentira, ódio, perseguição, mas isso não nos desencoraja”. “A oração é como uma janela aberta que nos permite ter o olhar dirigido para Deus, não só para recordarmos a meta a que somos direccionados, mas também para deixar que a vontade de Deus ilumine o nosso caminho terreno e nos ajude a vivê-lo com intensidade e empenho”, salientou. Depois de explicar que o anúncio da última vinda de Cristo apontado no Apocalipse não se refere apenas ao “fim dos tempos mas também ao presente”, Bento XVI pediu aos católicos para “serem fiéis à Santa Missa” de domingo, dia que é o “verdadeiro centro da semana”. A segunda parte do Apocalipse, palavra que no original grego significa “revelação”, apresenta os símbolos do “trono”, que significa o poder de Deus sobre a história, o “livro com os sete selos”, que se refere ao plano divino sobre o ser humano, e o “Cordeiro imolado”, uma alusão a Cristo, explicou em português. Dirigindo-se aos peregrinos lusófonos, o Papa saudou os fiéis das paróquias de Avintes e Alpendurada. “Lembrai-vos de que a vida de oração do cristão deve ter por centro a Missa dominical. É na Eucaristia que experimentareis como o Senhor Jesus vem e faz morada em quem n’Ele crê e acolhe”, disse Bento XVI, que pediu a Deus para abençoar os fiéis nas suas necessidades. Falando em italiano, o Papa agradeceu “o preciso contributo à nova evangelização” prestado pelas ordens dos Franciscanos Capuchinhos e do Oratório de São Filipe Néri, reunidas em capítulo geral, termo que designa as suas assembleias magnas.
13.Setembro.2012
“Está na altura de muçulmanos e cristãos se unirem”
Papa deixa mensagem no Médio Oriente Bento XVI regressou ao Vaticano após apelar ao respeito pelas diferenças e alertar contra o fundamentalismo. Bento XVI concluiu, no dia 16, uma viagem de três dias ao Líbano, a segunda ao Médio Oriente, depois de deixar várias mensagens em prol da tolerância e de uma “sociedade plural”, no respeito pelas várias religiões. “Está na altura de muçulmanos e cristãos se unirem para pôr termo à violência e às guerras”, disse o Papa este sábado, ao dirigir-se a milhares de jovens e, em particular, aos que tinham vindo da Síria para o acompanhar. A visita ao país dos cedros, que tinha recebido João Paulo II em 1997, fica marcada pela assinatura e promulgação da exortação apostólica “Ecclesia in Medio Oriente” (A Igreja no Médio Oriente). O documento sustenta a necessidade de “libertar” a religião do “peso da política”, deixando duras críticas ao “fundamentalismo religioso” e lançando um “veemente apelo a todos os responsáveis religiosos judeus, cristãos e muçulmanos da região, para que procurem, com o seu exem-
DR
Breves
O Mensageiro
plo e ensino, fazer todo o possível por erradicar esta ameaça”. A situação na Síria mereceu várias intervenções do Papa, começando logo no avião que o transportou desde o Vaticano, ao pedir o fim do fornecimento de armas ao regime de Bashar al-Assad e aos seus opositores. “Apelo à comunidade internacional, apelo aos países árabes para que, como irmãos, proponham soluções viáveis que respeitem a dignidade de cada pessoa humana, os seus direitos e a sua religião”, referiu hoje, por sua vez, perante mais de 350 mil pessoas. Bento XVI esteve no Líbano numa missão de reafirmação da identidade e da importância das comunidades cristãs num Médio Oriente que viu nascer a Igreja e que hoje vê fugir muitos dos seus
membros. A exortação apostólica pós-sinodal entregue aos patriarcas e episcopados católicos da região exige a “plena cidadania” para os fiéis que ali vivem desde o início do cristianismo. Coabitação e coexistência foram ideias dominantes nas intervenções papais, acompanhadas por centenas de milhares de católicos, para além de líderes religiosos, representantes políticos e do mundo cultural libanês. Perante estes responsáveis, o Papa apelou ao fim da violência e do desejo de “vingança” no Médio Oriente. “É preciso, evidentemente, banir a violência verbal ou física, que é sempre um atentado à dignidade humana”, referiu, na sexta-feira, dia em que se multiplicaram ataques contra embaixadas e símbolos
ocidentais por causa de um filme considerado ofensivo para a figura de Maomé. O exemplo do Líbano serviu para que Bento XVI apresentasse o país como um exemplo de que “dentro duma nação, pode haver colaboração” e um “diálogo respeitoso entre os cristãos e os seus irmãos de outras religiões”. Presença discreta na nova exortação papal, o conflito israelo-árabe, com epicentro na Palestina, mereceu a atenção dos patriarcas libaneses que intervieram junto de Bento XVI em diversas situações, com apelos a uma resolução definitiva, através da comunidade internacional, desta situação. Bento XVI deixou ainda uma mensagem para o futuro da região ao pedir que os jovens cristãos permaneçam no Médio Oriente, apesar de todas as dificuldades que encontram. “O desemprego e a precariedade não devem impelir-vos a provar o ‘mel amargo’ da emigração”, declarou. Esta foi a segunda viagem do Papa ao Médio Oriente, depois da visita que efetuou em maio de 2009 à Jordânia, Israel e Territórios Palestinos.
Síria
Fundação AIS apoia refugiados A Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS) já reuniu cerca de 280 mil euros para ajudar as populações sírias afectadas pela guerra civil e que procuraram refúgio no Líbano e em outros países vizinhos. Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, o organismo humanitário católico considera que a situação do povo sírio é de “excepcional gravidade” e apela à generosidade dos portugueses para poder continuar a apoiar quem vive “em tanto sofrimento”. De acordo com os da-
dos avançados pela AIS, a grande maioria dos refugiados sírios, mais de 150 mil, estão neste momento concentrados no Líbano, “em casas abandonadas ou em campos improvisados, especialmente no vale de Bekaa e nos distritos setentrionais de Trípoli e Akkar”. D. Issam John Darwish, arcebispo de Zahlé, na região centro do “país dos cedros”, destaca a presença de muitos cristãos que “viram as suas casas destruídas e saqueadas”, na sequência do conflito armado que decorre há mais de um ano
e meio entre o exército do Governo de Bashar alAssad e as forças rebeldes contrárias ao regime. O responsável católico considera que o papel das organizações humanitárias está a ser fundamental para minorar o contexto precário em que aquelas pessoas se encontram, uma vez que “o Estado libanês não tem fundos disponíveis”. “A Arquidiocese de Zahlé já estava a perguntar às pessoas da cidade se podiam fornecer alojamento, comida ou medicamentos, devido à falta de recursos próprios”, confidencia o
prelado. Informações recolhidas pela AIS junto das Nações Unidas acrescentam que o êxodo sírio também está a ter efeitos na Turquia, que já acolheu perto de 65 mil refugiados, na Jordânia, que tem mais de 50 mil, e no Iraque, que permitiu até agora a entrada de 15 mil sírios. “A situação em alguns destes países é também dramática, pois ninguém estava preparado para receber tanta população carente de tudo em tão pouco tempo”, salienta a Fundação.
OPINIÃO 13
O Mensageiro
ESBOÇOS - XIII
Joaquim Santos Jornalista
O povo saiu à rua e é quem mais ordena!
D
urante os próximos três anos, algumas dezenas de usurpadores de dinheiros públicos portugueses (equipa do FMI - Troika), vão comandar, a seu belo prazer, os destinos dos residentes em Portugal. Passámos a ser troikanos, comandados de forma selvagem e muito interessada, por esses homens e mulheres mistério, que lucram milhões e milhões connosco. Nem o próprio Governo de Portugal nos consegue defender, evitando rotas de colisão que nos conduzem para um abismo e muitas crises sociais de gravidade extrema. A cada dia que passa só se toma conhecimento dos cortes ou perdas de direitos, desrespeito por leis e pela Constituição. Algumas das medidas já definitivas e outras na lista para serem aprovadas, vão ser um retrocesso nas vidas de nós, troikanos, cada vez mais pobres e desprovidos de protecção como cidadãos felizes. Para além do anun-
OPINIÃO Valdemar J. Rodrigues
Elogio da aristrocacia (II)
P
ara o burguês, cobarde por natureza, ser honrado é ser “prudente”. Para o aristocrata ser honrado é ser aquilo que se é. O pequeno burguês quando falido regride filogenetica-
ciado aumento da taxa da Segurança Social, apenas um dos itens dos muitos que poderemos contabilizar no rol de injustiças, também vos quero descrever os previsíveis aumentos no desconto de mais 1% pelos independentes, na redução dos escalões do IRS, cortes nas pensões acima dos 1500 euros (medida menos má), novas regras no subsídio de desemprego (vão ser mais restritivas), aumento da tributação dos imóveis de valor relevante (mais de um milhão de euros, parece-me bem), rendimentos das mais-valias imobiliárias e dos rendimentos de capital (por exemplo, acções ou fundos) e os tão esperados carros de luxo, aeronaves e barcos (terão que pagar mais). Mesmo assim os mais ricos não são chamados a pagar o que deveriam, na sua proporcionalidade. Embora mais taxados, continuam numa taxa de esforço reduzida para a salvação nacional, cabendo à maioria de uma classe média depenada, a participação concreta para pagar as dívidas troikanas. E é justamente esta classe média troikana que se levanta de manhã, sem direitos porque até declara alguns rendimentos, deixa os filhos na escola (contribuem para a taxa da natalidade mas sem a ajuda do Estado), mergulham em empregos cada vez mais precários, recebem muitas vezes tarde e de mau modo, liquidam dividas de cargas fiscais brutais, de multas de trânsito, muitas delas sem sentido (existe uma caça à multa pelos policias que deveriam estar a proteger os
mente ao seu estado original de porco. O aristocrata falido continua sempre a ser um senhor. Portugal está cheio de burgueses falidos, ou a caminho acelerado da insolvência. Num trajecto que se afigura pouco sanitário e portanto nada edificante, é oportuno alertar, com a devida antecedência, para as eleições autárquicas que terão lugar no território indígena daqui a algumas dezenas de luas. Dado o plano inclinado em que se en-
Joaquim Santos
20.Setembro.2012
Fotografias da manifestação “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!”, Leiria, 15 de Setembro de 2012 cidadãos), cumprem com os pagamentos do IMI, imposto automóvel, prestação da casa e do carro (até as isenções desaparecem num ápice), já não falando do conjunto de despesas que existem como a alimentação, combustível, portagens (das mais caras da Europa), vestuário e saúde. Se somarmos o que uma família de classe média tem para pagar começa a não chegar para sobreviver condignamente, o que torna a vida insustentável.
Por outro lado, actos nobres como o mecenato, a ajuda de instituições válidas da sociedade civil, da Igreja, ou outras, começam a levar razias profundas. Se as pessoas não têm dinheiro para sobreviver, como ajudar estas organizações que actuam junto dos mais fragilizados? Nem os incentivos fiscais escaparam ao rol de cortes. Praticamente não existem. As pessoas não são números mas estão a sê-lo cada vez mais, porque para
além de não passarmos de meras estatísticas troikanas, também significamos mais somas de dinheiro para os políticos que retiraram muito dinheiro do erário público e nós é que o temos de restituir. Alguns escrevem ou dizem que poderemos vir a ser outra Grécia. Estive em Atenas em 2011 e o que posso garantir aos leitores é que nas muitas conversas que tive com os gregos, estes apenas exigem que os seus políticos, que tanto rouba-
contra, espera-se que a burguesia continue a apoiar as patranhas autárquicas que tem apoiado vai para duas mil luas de “democracia”, só que doravante, carecida de verbas para arraiais e outros carnavais autárquicos, incapaz de conter o resvalo para a imundície, devido à sua inescapável natureza. Teme-se o pior, desde logo a caça às bruxas e as tentativas de linchamento dos aristocratas que, por razões de higiene, ao longo deste tempo evitaram misturar-se
com ela. A aristocracia sabe há muito que conviver com a cortelha autárquica, mãe e chocadeira de todas as políticas que envergonham a Pátria, é duplamente lesivo da sua dignidade: primeiro porque inevitavelmente se suja, e segundo porque isso dá imensa alegria aos porcos, convencendo-os do tão perseguido axioma segundo o qual, no fundo no fundo, somos todos iguais (leia-se, somos todos a mesma merda – se é que ainda se pode escrever assim...).
A mediocridade burguesa nacional, mais uma vez ao longo da história, vê-se ameaçada do exterior, e mais uma vez procurará crucificar aqueles que não merecem. O hábito já vem de longe, desde os tempos de Cristo. Guardem-se pois os aristocratas! Mesmo sentindo tristeza ou pena, não se aproximem ou apiedem da burguesia que levou o país à ruína. Quando muito ajudem o povo por ela roubado e enganado! Boa noite e bom descanso para os bur-
ram, sejam eles a pagar o muito dinheiro desviado. Não será legítimo? No meu entender, para além de dar razão à Grécia, quase não me importaria de ser um grego, porque, entretanto, começo a envergonhar-me de tantos portugueses maldosos, alguns inertes porque lhes convém, outros cúmplices e nada actuantes, outros calados porque também receberam o seu quinhão. Assim, a taxa da segurança social que é paga pelo patronato, pode passar dos actuais 23,75% para os 18% que se falam. Nós, povo, pagamos mais, pela mesma medida. Ou seja, contribuiremos com os mesmos 18%, isto se for aprovado (esperamos bem que não passe). E já agora, pagaremos a quem? Aos pobrezinhos portugueses? Oxalá que assim fosse porque se tornaria numa das medidas mais justas. Os portugueses estão a ser mal tratados e tudo se transforma. Por isso, no dia 15 deste mês, o povo saiu à rua e demonstrou uma força brutal: a sua união. A manifestação “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” foi um sinal evidente de que as políticas e as medidas não servem aos cidadãos. Algumas delas até poderiam ser as mesmas e com o mesmo conteúdo, mas visando os afortunados desta pequena poção de terra. Vamos aguardar pela aprovação (ou não) do orçamento do Governo, a 15 de Outubro. Assim, vivemos a primeira guerra do século XXI, o conflito económico sem precedentes. Onde nos levará?
gueses que lerem isto, pois a sua alma é do que mais precisa: sopas, descanso e uma boa história da carochinha todas as noites na TV para adormecer. «Razão tinha o Tonico Bastos para se entreter, né filho?», diria José Mário Branco, um aristocrata daquele tempo em que ainda havia tempo...
Praia do Magoito, 15 de Agosto de 2012
14 INSTITUCIONAL
O Mensageiro 20.Setembro.2012
compraria um carro usado? Tire as conclusões da sua resposta e pode ser que encontre a pessoa certa (ou a «menos má») em quem votar. E não se esqueça que tem, além destes dois candidatos aqui referidos, mais uma dezena… Vale a pena pensar nisto!
OPINIÃO José Carvalho*
Berta Cabral e Vasco Cordeiro: a quem compraria um carro usado?
Post-Scriptum – conte esta história a quem está indeciso e, principalmente, a quem já está decidido!
DR
O
s açorianos vão ser chamados a decidir, a 14 de Outubro, quem vai dirigir os destinos do arquipélago nos próximos quatro anos. Serão 225.211 eleitores para eleger 57 deputados para a Assembleia Legislativa. A lista oficial, recentemente divulgada pelo Tribunal Constitucional, inclui 12 forças políticas em disputa: PS, PSD, CDS-PP, PPM, PCP e BE, que estão actualmente representados no parlamento regional; mas também o PCTP/MRPP, PDA, MPT, PTP, PAN e Plataforma de Cidadania, que foi constituída pelo PPM e pelo PND. Apesar de termos tantas forças políticas, e de acordo com a maior parte das opiniões de pessoas amigas que temos auscultado (e sem seguir qualquer critério), parece que dois candidatos têm forte possibilidade de vencer: Berta Cabral, apoiada pelo PSD; e Vasco Cordeiro, apoiado pelo PS. Em abono da verdade, e se nos é permitido, também temos de referir que existe, no conjunto das opiniões que ouvimos, vantagem para Berta Cabral. Contudo, e a um mês das eleições, a pergunta que todos colocam é simples: em quem confiar o voto? É esta a interrogação
do presente e que decidirá o futuro da região para os próximos 4 anos! Assim, e com vista a contribuir para ajudar os eleitores a decidir qual a melhor (ou a «menos má») opção, aqui segue uma pequena e simples história. Corria o ano de 1960. Disputavam-se as eleições presidenciais americanas entre John Kennedy (Partido Democrata) e Richard Nixon (Republicano). Nixon, e de acordo com algumas pessoas, era conhecido como um grande mentiroso. Porém, o dilema que se colocava era este: como dizer isso sem ofender e desrespeitar o candidato e o povo americano? E o que podiam fazer, então, os democratas? Numa táctica de marketing político, inteligentemente organizado, espalharam pelos Estados Unidos cartazes com a foto de Nixon e a frase: «você compraria um carro usado deste homem?» (Would YOU a used car from this man?). Os analistas políticos afirmam que esta campanha causou grande estrago na candidatura de Nixon, pois colocou o eleitor a reflectir na importância de se apoiar um candidato ho-
FARMÁCIAS DE SERVIÇO Sanches (20), Tomáz (21), Maio (22), Avenida (23), Baptista (24), Central (25), Godinho Tomáz (26) e Higiene (27). TELEFONES ÚTEIS Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal
Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000
nesto. Resultado: Kennedy ganhou as eleições! Porém, e em abono da verdade, também temos de dizer que Nixon seria eleito presidente em 1968 e reeleito em 1972. Mas, e a que propósito se conta esta história? É simples: por muitos dos nossos amigos que são elei-
tores acusarem os políticos de «mentirosos», «aldrabões» e «manipuladores». Políticos que em campanha eleitoral prometem uma coisa e depois fazem outra. Porque temos políticos que prometem e não cumprem a palavra dada. É por esta razão que todos nós, caros (e)leitores,
F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes
Rua João de Deus, 25- 1º Dt. - LEIRIA CONSULTAS COM HORA MARCADA 2ª, 4ª e 5ª: 11h-13h e 15h-19h, 3ª: 10h-13h e 15h-19h, Sábados: 9h30-15h Tel. 244 832406
- 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista
devemos colocar a mesma pergunta: «Berta Cabral/ Vasco Cordeiro: a quem
*Professor e Investigador de História
AVISO N.º 80/2012 Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística ALTERAÇÃO À LICENÇA DE OPERAÇÃO DE LOTEAMENTO ABERTURA DE PROCEDIMENTO DE CONSULTA PÚBLICA E NOTIFICAÇÃO PARA PRONÚNCIA DOS PROPRIETÁRIOS DOS LOTES CONSTANTES DO ALVARÁ DE LOTEAMENTO DA ZONA INDUSTRIAL DA COVA DAS FAIAS (T.108/82) PROCESSO DE LOTEAMENTO N.º 4/09 Lino Dias Pereira, Vereador do Pelouro do Ordenamento do Território, Urbanismo e Obras Municipais, no uso da competência delegada (Edital n.º 18/2012) torna público, nos termos da alínea d) do n.º 1, do artigo 70.º do Código do Procedimento Administrativo (C.P.A.), conjugado com o n.º 2 e o n.º 3 do artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de dezembro, na redação que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 26/2010, de 30 de março, bem como com o artigo 17.º do Regulamento de Operações Urbanísticas do Município de Leiria, que se submete a discussão pública, bem assim como a pronúncia dos proprietários dos lotes constantes do alvará de loteamento da Zona Industrial da Cova das Faias (T.108/82), emitido em 2000/09/14, e respetivos aditamentos, o pedido de alteração à licença de operação de loteamento, cuja apreciação decorre na Câmara ao abrigo do processo n.º 4/09. O pedido de alteração é apresentado pela Sociedade Larantigo – Sociedade de Construções, S.A. e pela Sociedade Imocash – Imobiliário de Distribuição, S.A., incide sobre os lotes 7 e 8 dos prédios descritos na Conservatória do Registo Predial de Leiria sob os n.º (s) 6181/20001219 e 6182/20001219 e inscritos na matriz urbana sob os artigos 7728 e omisso, respetivamente, da freguesia de Marrazes, lotes estes resultantes da operação de loteamento do prédio sito na Zona Industrial da Cova das Faias - Mata Nacional dos Pinheiros, na referida freguesia. A pretensão visa a anexação dos lotes 7 e 8 e consequente reformulação dos parâmetros urbanísticos, dando origem a um único lote, designado por lote 8. O período de discussão pública decorre pelo prazo de quinze dias úteis, contados a partir do primeiro dia útil seguinte à data da respetiva publicação em jornal e no sítio do Município de Leiria na Internet, podendo no decorrer deste período, os interessados vir a pronunciar-se por escrito sobre a alteração pretendida, mediante requerimento dirigido ao Ex.mo Presidente da Câmara Municipal de Leiria, a remeter ou entregar no Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística, deste Município, onde se encontra patente o respetivo processo, para eventual consulta, todos os dias úteis entre as 09:00 horas e as 16:30 horas. E para constar, se lavrou o presente Aviso e outros de igual teor, que vão ser afixados no edifício-sede do Município e da respetiva Freguesia, bem como de anúncio a publicar em dois jornais locais e no sítio do Município de Leiria na Internet. Município de Leiria, 27 de Agosto de 2012 POR DELEGAÇÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL O VEREADOR (Lino Dias Pereira)
- 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600
Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), Cláudia Mirra, José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo (CO1060), Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09
Tabela de Assinaturas para 2012 Destino Nacional Europa Resto do Mundo
Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros
Preço avulso - 0,80 euros
DESPORTO 15
O Mensageiro 20.Setembro.2012
Assocação de Futebol de Leiria
I Liga 3.ª Jornada 2 de Setembro Rio Ave x Académica (0-0) Marítimo x Sporting (1-1) Benfica x Nacional (3-0) Paços de Ferreira x Sp. Braga (2-0) Beira-Mar x Moreirense (1-1) Olhanense x Porto (2-3) Vitória de Guimarães x Estoril (2-2) Gil Vicente x Vitória de Setúbal (0-0) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º
Equipa Benfica Porto Moreirense P. Ferreira Marítimo Olhanense Sp. Braga Rio Ave Académica Gil Vicente Estoril V. Guimarães Beira-Mar V. Setúbal Sporting Nacional
J 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3
V 2 2 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0
E 1 1 2 2 2 1 1 1 3 3 2 2 2 2 2 1
D Pts 0 7 0 7 0 5 0 5 0 5 1 4 1 4 1 4 0 3 0 3 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 2 1
4.ª Jornada 23 de Setembro V. Setúbal x Olhanense . 16h00 Nacional x Paços de Ferreira . 16h00 Sporting x Gil Vicente . dia 24, 20h15, SportTv1 Estoril x Marítimo . dia24, 19h00 Porto x Beira-Mar . dia 22, 20h30, SportTv1 Académica x Benfica . 20h15, SportTv1 Sp. Braga x Rio Ave . 18h00, SportTv1 Moreirense x V. Guimarães . dia 21, 20h15, SportTv1
liga portuguesa de futebol profissional
II Liga 5.ª Jornada 2 de Setembro Oliveirense x Porto B (3-0) Sporting B x Marítimo B (3-2) Sp. Covilhã x Atlético (1-0) Belenenses x Naval (1-0) U. Madeira x Benfica B (0-2) Tondela x Sp. Braga B (2-1) D. Aves x Santa Clara (0-0) Portimonense x Feirense (2-1) Leixões x Freamunde (2-2) Penafiel x Trofense (1-1) Vitória de Guimarães B x Arouca (1-1) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º 17.º 18.º 19.º 20.º 21.º 22.º
Equipa Sporting B Belenenses Arouca Benfica B Oliveirense Leixões D. Aves Trofense U. Madeira Tondela Portimonense Penafiel Marítimo B V. Guimarães B Santa Clara Sp. Covilhã Naval Sp. Braga B Porto B Atlético Freamunde Feirense
J 6 5 6 5 5 5 5 6 5 5 5 5 5 6 5 5 5 5 5 5 5 5
V 5 4 3 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 0 0 1 0 0
E 0 0 2 1 1 1 3 2 2 2 1 1 0 3 2 2 2 3 3 0 2 1
D 1 1 0 1 1 1 0 2 1 1 2 2 3 2 2 2 2 2 2 4 3 4
Pts 15 12 11 10 10 10 9 8 8 8 7 7 6 6 5 5 5 3 3 3 2 1
6.ª Jornada 19 de Setembro Arouca x Sporting B (1-2) Porto B x Belenenses . 17h30, Porto Canal Santa Clara x Leixões . dia 13 de Outubro, 17h00 Feirense x D. Aves . 18h00 Benfica B x Tondela . 17h00, Benfica TV Naval x U. Madeira . 16h00 Atlético x Oliveirense . 16h00 Marítimo B x Sp. Covilhã . 16h00 Trofense x Vitória de Guimarães B (0-0) Freamunde x Penafiel . 20h30 Sp. Braga B x Portimonense . 16h00
Os melhores de 2011/12
A.C.R.D. Louriçal (excelência na formação em futsal) e U. Leiria (excelência em futebol 11), Cláudio Lourenço (treinador de formação em futsal), Filipe Faria (treinador de formação em futebol 11), Paulo Sousa (treinador de futebol 7), Teresa Jordão e Rogério Serrados (ambos treinadores de futsal), António Durão (treinador de futebol 11), Cristina Garcia (jogador de futebol 7), Margarida Marques e Rui Marques (ambos jogadores de futsal) e Cedric Jorge (jogador de futebol 11) foram considerados os melhores da época passada, tendo sido homenageados na V Gala do Futebol Distrital (14 de Setembro, Leiria). Entre as muitas homenagens feitas, destaque ainda para a selecção distrital feminina de futebol 7 em Sub-17, que pela primeira vez conquistou o respectivo Torneio Interassociações, feito alcançado no passado mês de Abril. A lista de todos os homenageados pode ser consultada em afleiria.com.
Atletismo | Checos e finlandesas vencem em Leiria
Sete medalhas vidigalenses A desistência do campeão nacional Benfica levou a que a representação portuguesa na Taça dos Clubes Campeões Europeus de juniores (15 de Setembro, Leiria) ficasse exclusivamente a cargo do clube organizador, a Juventude Vidigalense (JV). Um revés inesperado, que obrigou a uma reformulação dos objectivos iniciais. Os 5.º e 7.º lugares das equipas masculina e feminina não são de pódio, porém, os atletas do clube leiriense ainda conseguiram sete medalhas (uma de ouro, três de prata e três de bronze). “Ficámos tristes por não termos tido aqui a equipa do Benfica”, desabafou Paulo Reis no final do evento. Face a este cenário, “aquilo que estava planeado ser uma participação pontual em alguns eventos, por parte da Juventude Vidigalense, passou a ser a chamada apressada de alguns atletas à convocatória, ultrapassado o período de férias e com pouco tempo de treino, numa altura em que a equipa se prepara
Taça Distrito reformulada Já é conhecido o figurino da prova distrital, cujo arranque está agendado para o dia 14 de Outubro. Em virtude da inscrição de 20 equipas na 1ª Divisão – será dividida em duas séries, com 10 equipas cada – o campeonato só irá iniciar-se em Dezembro (dia 2). Assim, a Taça Distrito será a primeira prova oficial para essas equipas, numa pré-eliminatória a ser disputada em dois grupos, em formato de campeonato, em que todos se defrontam. Assim, a série A contará com Ansião, Motor Clube, Caseirinhos, Ranha e Moita do Boi, enquanto que a série B será constituída por Pedroguense, Alegre e Unido, Mata Mourisquense, Ilha e Albergaria dos Doze.
Pelo segundo ano consecutivo o Estádio Dr. Magalhães Pessoa recebeu a Taça dos Campeões Europeus para eventos até ao Verão de 2013”, pode ler-se em atleta-digital.com. Coube assim à JV assumir a representação lusa, que colectivamente resultou numa participação diferente de 2011, em que ambas as equipas subiram ao 3.º lugar do pódio. Um desfecho expectável, face ao contexto em que se apresentaram os colectivos do clube leiriense. Individualmente, destaque para a vitória de Juliana Pereira (lançamento do disco) e para as medalhas de prata de Ricardo Mendes (salto em altura e triplo
salto). Subiram ainda ao pódio Miguel Marques (2.º lugar no salto em comprimento), João Moniz (3.º nos 400 metros planos), Bernardo Lopes (3.º no lançamento do disco) e Marta Mendes (3.º no lançamento do dardo). No final, subiram ao pódio as equipas Tampereen Pyrintö (Finlândia; 102 pontos), SG Stavbar Nitra (Eslováquia; 100) e AV Lycurgus (Holanda; 98), em masculinos, e AK Olymp Brno (República Checa; 145.5), Sparta AM (Dinamarca; 118) e Tampereen Pyrintö (113).
federação portuguesa de futebol
federação portuguesa de futebol
federação portuguesa de futebol
II Divisão B sul
III Divisão D
III Divisão E
1.ª Jornada 2 de Setembro Fátima x Sertanense (2-1) Mafra x Louletano (3-1) 1.º Dezembro x Casa Pia (1-1) Carregado x Ribeira Brava (2-1) Quarteirense x U. Leiria (0-1) Farense x Fut. Benfica (1-1) Torreense x Pinhalnovense (1-1) Oriental x Oeiras (2-2) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º
DR/Juventude Vidigalense
liga portuguesa de futebol profissional
Equipa Mafra Carregado Fátima U. Leiria Oriental Oeiras Pinhalnovense Torreense 1.º Dezembro Farense Casa Pia Fut. Benfica Sertanense Ribeira Brava Quarteirense Louletano
J 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
V 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
E 0 0 0 0 1 1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0
D Pts 0 3 0 3 0 3 0 3 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 1 1 1 1 1 0 1 0 1 0 1 0
2.ª Jornada 23 de Setembro Sertanense x Oriental . todos os jogos às 15h00 Louletano x Fátima Casa Pia x Mafra Ribeira Brava x 1.º Dezembro U. Leiria x Carregado Fut. Benfica x Quarteirense Pinhalnovense x Farense Oeiras x Torreense
1.ª Jornada 2 de Setembro Marinhense x Sernache (0-2) Sourense x Alcanenense (2-1) Alcobaça x Torres Novas (3-0) Caldas x Sp. Pombal (1-2) Beneditense x Ol. Hospital (0-1) Penelense x Mortágua (3-2) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º
Equipa Alcobaça Sernache Penelense Sp. Pombal Sourense Ol. Hospital Mortágua Alcanenense Caldas Beneditense Marinhense Torres Novas
J 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
V 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0
E 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
D Pts 0 3 0 3 0 3 0 3 0 3 0 3 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0
2.ª Jornada 23 de Setembro Sernache x Penelense .Todos os jogos às 15h00 Alcanenense x Marinhense Torres Novas x Sourense Sp. Pombal x Alcobaça Ol. Hospital x Caldas Mortágua x Beneditense
1.ª Jornada 2 de Setembro Real x Pêro Pinheiro (1-1) Eléctrico x U. Tires (3-0) Sintrense x Lourinhanense (0-0) Fabril Barreiro x Cartaxo (3-0) Amora x Barreirense (1-3) Sacavenense x Peniche (7-2) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º
Equipa Sacavenense Eléctrico Fabril Barreiro Barreirense Pêro Pinheiro Real Sintrense Lourinhanense Amora Cartaxo U. Tires Peniche
J 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
V 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0
E 0 0 0 0 1 1 1 1 0 0 0 0
D Pts 0 3 0 3 0 3 0 3 0 1 0 1 0 1 0 1 1 0 1 0 1 0 1 0
2.ª Jornada 23 de Setembro Pêro Pinheiro x Sacavenense .Todos os jogos às 15h00 U. Tires x Real Lourinhanense x Eléctrico Cartaxo x Sintrense Barreirense x Fabril Barreiro Peniche x Amora
U. Leiria e Fátima em frente na Taça FUTEBOL – Dos cinco clubes da região que participaram na 2.ª eliminatória da Taça de Portugal (seniores masculinos), apenas U. Leiria SAD e C.D. Fátima seguem em frente. Curiosamente os únicos que jogaram no seu reduto. Eis os resultados dos jogos (16 de Setembro): Operário x Caldas (3-1), Fátima x Sp. Pombal (4-1), U. Leiria SAD x Ribeira Brava (1-0) e Penalva do Castelo x Peniche (1-0).
Derbie no arranque da 1ª ANDEBOL – Ditou o sorteio do Campeonato Nacional da 1ª Divisão (seniores femininos), que as duas representantes do distrito de Leiria se defrontassem na jornada inaugural, agendada para 13 de Outubro. Porém, o Colégio João de Barros (Pombal) x Juventude Desportiva do Lis (Leiria) não será o primeiro jogo de ambas as equipas no campeonato, pois foi adiado para 11 de Novembro, informa a federação no seu sítio na Internet (fpa.pt). A estreia no campeonato será assim na 2ª jornada, dia 20 de Outubro, com o CJB x JAC – Alcanena (17h00) e o JDL x Passos Manuel (18h00).
Bola vai começar a rolar em Leiria FUTEBOL – A Divisão de Honra da Associação de Futebol de Leiria (seniores masculinos) arranca no próximo domingo, dia 23, 15h00, com os jogos Vieirense x Marrazes, Portomosense x Meirinhas, Lisboa e Marinha x Pousaflores, Bombarralense x Pelariga, Alvaiázere x Pataiense, Avelarense x Atouguiense, Os Nazarenos x Guiense e GRAP/Pousos x Figueiró dos Vinhos.
ÚLTIMA 20SETEMBRO2012
É lícito afirmar que são prósperos os povos cuja legislação se deve aos filósofos. Aristótoles, filósofo grego [384 a.C. - 322 a.C.]
“Luto por Portugal” “Não roubem os meus pais” “Queremos as nossas vidas” “Que se lixe a Troika” “Queremos um futuro” “Viver sim, sobreviver não” “Queremos um futuro neste País” “Não me expulsem do meu País” “Sou mãe e avó mas acima de tudo sou portuguesa” “Basta”
Centenas em Leiria mas centenas de milhares no País
“Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” foi um cartão vermelho ao Governo Nasceu num movimento das redes sociais a manifestação “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” que mobilizou na tarde do dia 15 de Setembro largos milhares de pessoas em Portugal. O vínculo cooperativo dos portugueses com o actual executivo foi profundamente alterado depois de tanta gente na rua, também com a participação de centenas de leirienses no Largo Goa Damão e Diu. À hora prevista o protesto iniciou nas várias cidades de Portugal. Foi uma revolta popular de grande dimensão, a necessidade de outro 25 de Abril, ganhando voz contra o Governo porque muitos já passam fome, outros verificam o desemprego a subir sem controlo, filhos a emigrar, denunciando que os ricos são protegidos e a factura está a ser paga pelos pobres e classe média. Os adjectivos usados na manifestação foram dos mais duros dos últimos tempos, numa saída
de rua que se queria sem violência mas antes de um amplo protesto e sensibilização para mudança de rumo dos destinos de Portugal. As palavras justiça, Troika, revolta, injustiça, roubo, foram sublinhadas nas angústias explicitas nos cartazes que se viam pelas muitas ruas de Portugal. Os mais jovens ou mais idosos,
juntos, expressaram a indignação de não existirem mudanças, muito menos a vontade política para as aplicar. Os participantes chegaram mesmo a referir que nunca viram nada assim, referindo o fim do País e da sociedade portuguesa como coesa e pacífica. Muitos assumiram-se mesmo estreantes em manifesta-
ções, no sentido de defenderem o futuro da nação e das injustiças sociais que o Governo promove nas suas decisões políticas. Na cidade de Leiria a manifestação “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” foi pacífica mas nas cidades de Lisboa e Porto o protesto ganhou dimensões que ultrapassaram as
expectativas. Mesmo assim os ânimos exaltaram-se em frente do edifício que acolhe os elementos do FMI com alguns manifestantes a mandarem garrafas de cerveja, tomates e petardos, tentando alguns ultrapassar a cortina policial que protegia o imóvel. A Praça de Espanha acolheu o maior número de portugueses e o epicentro de mais acontecimentos de revolta, incluindo mesmo o arremesso de pedras, foi em frente da Assembleia da República, resultando em algumas detenções e feridos, incluindo um repórter de imagem do jornal Correio da Manhã. Um outro caso grave, embora isolado, aconteceu em Aveiro, com um jovem de 21 anos que se imolou com fogo, colocando álcool etílico sobre o seu corpo e ateando-se logo a seguir, correndo para o interior do edifício que acolheu o Governo Civil daquela cidade. Embora tenha sido imediatamente imobilizado e assistido pelo INEM,
resultou em queimaduras de 2º e 3º grau, com especial incidência na parte superior do seu corpo , tendo de receber assistência na respiração. Um outro protesto que aconteceu na cidade de Leiria foi uma vigília contra as privatizações previstas para Portugal, especialmente a das Águas de Portugal, um sector estratégico e essencial para a vida dos portugueses. “Temese muito, um cenário difícil e terrível para a vida dos portugueses, nesta e nas próximas gerações, se este Governo não for embora ou se não existirem medidas mais justas para todos”, foi desta forma que um dos manifestantes expressava a sua posição, sendo esta uma das muitas posições que eram apregoadas pelas centenas de pessoas que acederam ao convite. O País mobilizou-se e mais jornadas de protesto estão agendadas para breve, temendo-se que o cenário de tolerância e paz social possa estar colocado em causa.
Texto e fotos: Joaquim Santos