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4906#OMensageiro#19ABR

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CULTURA

19 ABRIL 2012

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ANO 98 - N.º 4906 FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

FUNDADO EM 1914

DESTAQUE

CULTURA

No Órfeão Velho | P. 5

Concerto em Leiria assinala Dia Internacional do Jazz Na Marinha Grande | P. 4

Exposição e palestra sobre o 25 de Abril de 1974 SOCIEDADE

Santo André, Leiria | P. 5/6

Hospital recebe Prémio Saúde Sustentável

...e cria consulta de reabilitação pediátrica Jantar-convívio | P. 7

Lar de Santa Isabel precisa de ajuda ECLESIAL

Paróquia dos Marrazes | P. 9

Vigararia de Leiria promove Vigília de Oração Vocacional

“Vamos adoptar um Seminarista” Iniciativa “Fé e Arte, um diálogo de séculos” | P. 9 Páginas 2 e 3

Que significado tem para si O MENSAGEIRO e como o poderiamos tornar mais significativo? Participe, enviando a sua resposta por correio postal Seminário Diocesano, 2414-011 Leiria ou electrónico jornal@omensageiro.com.pt

Visitas ao património religioso de Alvados e Porto de Mós Iniciativa


2 DESTAQUE

O Mensageiro 19.Abril.2012

EDITORIAL EDITORIAL

Rui Ribeiro prui@iol.pt

Palavras em desuso

Um estudo recente veio dizer que há temas da doutrina católica que estão em “completo desuso”. Não tanto pelos temas em si mesmo mas pela linguagem, que no entender dos intervenientes, parece ser desajustada ou até ferir a susceptibilidade de quem os ouve. Temas como, a confissão, a maternidade, a vocação, a santidade ou a ascese, entre muitos outros, foram considerados anacrónicos e suficientes, por si só, provocarem a desatenção do ouvinte. Parece que o assunto merece a atenção dos responsáveis, mas aqui interessa apenas pelo facto de uma das palavras que é referida como motivadora de desvio de atenção e precisamente a palavra vocação. Todo o contexto social, e talvez até religioso, em que vivemos leva a que esta palavra se considere arcaica, ou pelo menos demasiado conotada com uma determinada espiritualidade ou forma de vida. Tudo isso leva ao desinteresse ou à desmotivação Internamente quando ela surge entende-se a vocação no decorrer de como transversal um discurso. Efea toda a pastoral, civamente, houve o que abona em favor outros tempos e da sua importância. outros contextos, em que a palavra vocação era perfeitamente perceptível e podia ser tema de reflexão. Recordamos todos como nos anos 80 e 90, ela era perfeitamente entendida e até apreciada. Todo o discurso provocado e motivado por aquela palavra era então apreciado e acarinhado. Consequência do Concilio Vaticano II, ela entrou na corrente da comunicação e imperou de forma natural e perfeitamente aceitável. Hoje parece que já não é assim. A expressão bem como o conteúdo que lhe está associado parecem ferir os ouvidos. E se muitos se perguntam sobre o seu sentido, a maioria parece conota-la com determinadas formas de estar que não se ajustam ou não se compreendem na sociedade moderna. Mesmo num contexto social, já não se fala em vocação como forma de procurar um emprego. Este é muitas vezes a satisfação de uma necessidade, ou recurso para o capital. Apesar de tudo a Igreja continua todos os anos a falar das vocações e a dedicar-lhe especial atenção durante uma semana. Internamente entende-se a vocação como transversal a toda a pastoral, o que abona em favor da sua importância. E se o próprio conceito foi alargado e de alguma forma arejado, a verdade é que ainda falta percebe-lo na sua integridade. Um contributo para o esclarecimento semântico é a presente mensagem de Bento XVI, ao associar a vocação ao amor de Deus. O Mensageiro destaque nesta edição o assunto, por saber que apesar de cansados de ouvir falar dele, a verdade é que ainda não o entendemos.

De 22 a 29 de Abril de 2012

49.ª Semana das Vocações A Igreja celebra a 29 de Abril de 2012, o 49.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Mas toda a semana que se inicia no próximo domingo, dia 22, será especialmente dedicada à oração e à reflexão vocacionais, tendo como tema de fundo a mensagem do Papa “As Vocações, dom do amor de Deus” (ver página seguinte). Esta é uma realidade que toca todas as pessoas e que poderá estar adormecida em muitas consciências: Deus chama cada um de nós, de forma “pessoal e intransmissível”, indicando-nos um caminho seguro para sermos felizes e santos. Isto é, esse chamamento, seja a uma total consagração a Deus e à Igreja – no sacerdócio, na vida religiosa ou num instituto secular –, seja à vivência do amor matrimonial e familiar, seja ainda na opção pelo celibato não consagrado, é um dom pessoal que Ele nos oferece, indicando-nos “a via certa” para o cumprimento da Sua vontade a nosso res-

peito. Como lembra o Papa na sua mensagem, “a verdade profunda da nossa existência está contida neste mistério admirável: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um acto de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno”. Mas este é também um dom comunitário, pois o chamamento de Deus tem em conta os carismas e dons que Ele mesmo oferece a cada um de nós e é a chave para a nossa plena realização, enquanto indivíduos e enquanto membros – pedras vivas – de uma comunidade. Em âmbito mais vasto, também enquanto fiéis de uma única Igreja, a grande família dos Seus filhos. Nesta semana, somos especialmente convidados pelo Santo Padre a reflectir sobre a “vocação de especial consagração ao Senhor através da ordenação presbiteral ou da profissão dos conselhos evangélicos”. “Desejo que as Igrejas locais, nas suas várias compo-

nentes, se tornem «lugar» de vigilante discernimento e de verificação vocacional profunda, oferecendo aos jovens e às jovens um acompanhamento espiritual sábio e vigoroso”, refere Bento XVI. Na sua mensagem à Igreja portuguesa (ver abaixo), D. Virgílio Antunes, presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, sublinha que “no anúncio da Boa Nova, nas acções catequéticas, na celebração da liturgia e nos sacramentos, na prática da caridade, as vocações de consagração constituem um grande dom

para Igreja, e uma força de colaboração humana com a acção do Espírito Santo”. Esse é, portanto, um motivo para “elevar ao Senhor uma grande oração de louvor e acção de graças por todos estes seus servidores”. Mas é também um desafio, sobretudo aos jovens, a descobrirem a fé e abrirem-se ao amor de Deus, “porque esse é o caminho do compromisso eclesial e pode ser o caminho da descoberta da vocação sacerdotal”. Luís Miguel Ferraz

Mensagem da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios 1. As vocações, dom para a Igreja A Igreja volta a ter a possibilidade de reconhecer as vocações com que Deus a enriquece e a agradecê-las de todo o coração. Olha, de modo particular, nesta semana, para as vocações de consagração, tanto no sacerdócio, como na vida religiosa ou nos institutos seculares. Trata-se de uma multidão de homens e mulheres dedicados à missão da Igreja na totalidade do seu tempo, das suas capacidades e das suas pessoas. A comunidade cristã recebe cada dia o sinal do seu testemunho, que a leva desapegar-se das prisões da terra e a levantar os olhos para Deus, donde lhe vem a salvação. No anúncio da Boa Nova, nas acções catequéticas, na celebração da liturgia e nos sacramentos, na prática da caridade, as vocações de consagração constituem um grande dom para Igreja, e uma força de colaboração humana com a acção do Espírito Santo. Na Semana das Vocações, a Igreja toda e em todos os seus membros, deve elevar ao Senhor uma grande oração de louvor e acção de graças por todos estes seus servidores. 2. Vocações, dom do amor de Deus O papa Bento XVI enviou-nos uma

Mensagem subordinada ao tema: As vocações, dom do amor de Deus. Descobrimos, de novo, que os caminhos para a descoberta vocacional passam sempre pelo encontro com o Deus-Amor, que Jesus nos revelou. Quando nos deixamos entrar livremente nessa intimidade da relação pessoal à qual a voz de Deus nos chama, sentimos interpelações inevitáveis que não nos deixam ficar tranquilos enquanto não dermos uma resposta. Uma vez atingidos pelo amor de Deus, que se manifesta das mais variadas formas, não podemos mais afastar-nos dele e ganhamos a força para dar os passos do seguimento e da vocação. A Semana das Vocações, como a pastoral das vocações que a Igreja desenvolve em todas as suas acções, desafia-nos à criação das condições necessárias para os cristãos, sobretudo as crianças e os jovens, experimentem a alegria do encontro com o amor de Deus. Os meios são variados nas suas formas, mas incluem sempre a leitura da vida à luz da fé, a entrada em profundidade na oração e na escuta da Palavra de Deus, a inserção na vida da comunidade cristã, que celebra, evangeliza e pratica a caridade fraterna.

3. Vocação sacerdotal, mistério de amor Entre as vocações de consagração, emerge o sacerdócio, que configura de um modo especial o homem com a pessoa de Jesus Cristo. No sacerdócio refulge particularmente o rosto de Cristo, que ama o seu povo, a ponto de se oferecer por ele na cruz. A Semana das Vocações deve levar as comunidades locais, dioceses e paróquias, a reconhecer no padre, homem frágil como todos os outros, mas chamado e escolhido por Deus para receber a unção do Espírito e se tornar servo da Igreja. Se a partir da humanidade não é possível entender o mistério do padre, voltemo-nos para Jesus Cristo, Filho de Deus e, na sua pessoa, na sua vida e no seu amor se tornará mais claro. Aos jovens cristãos deixamos uma palavra de gratidão por tantos bons testemunhos que nos têm dado na descoberta da fé e na abertura ao amor de Deus. Incentivamo-los a não desistir, porque esse é o caminho do compromisso eclesial e pode ser o caminho da descoberta da vocação sacerdotal. † Virgílio do Nascimento Antunes, presidente da CEVM


DESTAQUE 3

O Mensageiro

19.Abril.2012ro.2011

Mensagem do Papa Bento XVI para o 49.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

DR

As vocações, dom do amor de Deus

Amados irmãos e irmãs! O XLIX Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no IV domingo de Páscoa – 29 de Abril de 2012 –, convida-nos a reflectir sobre o tema «As vocações, dom do amor de Deus». A fonte de todo o dom perfeito é Deus, e Deus é Amor – Deus caritas est –; «quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele» (1 Jo 4, 16). A Sagrada Escritura narra a história deste vínculo primordial de Deus com a humanidade, que antecede a própria criação. Ao escrever aos cristãos da cidade de Éfeso, São Paulo eleva um hino de gratidão e louvor ao Pai pela infinita benevolência com que predispõe, ao longo dos séculos, o cumprimento do seu desígnio universal de salvação, que é um desígnio de amor. No Filho Jesus, Ele «escolheunos – afirma o Apóstolo – antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em caridade na sua presença» (Ef 1, 4). Fomos amados por Deus, ainda «antes» de começarmos a existir! Movido exclusivamente pelo seu amor incondicional, «criou-nos do nada» (cf. 2 Mac 7, 28) para nos conduzir à plena comunhão consigo. À vista da obra realizada por Deus na sua providência, o salmista exclama maravilhado: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a Lua e as estrelas que Vós criastes, que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes?» (Sal 8, 4-5). Assim, a verdade profunda da nossa existência está contida neste mistério admirável: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um acto de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno (cf. Jer 31, 3). É a descoberta deste facto que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida. Numa conhecida página das Confissões, Santo Agostinho exprime, com grande intensidade, a sua descoberta de Deus, beleza suprema e supremo amor, um Deus que sempre estivera com ele e ao qual, finalmente, abria a mente e o coração para ser transformado: «Tarde Vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Vós estáveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim Vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria,

se não existisse em Vós. Chamastesme, clamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vós. Saboreei-Vos e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz» (Confissões, X, 27-38). O santo de Hipona procura, através destas imagens, descrever o mistério inefável do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existência inteira. Trata-se de um amor sem reservas que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. O meu antecessor, o Beato João Paulo II, afirmava – referindo-se ao ministério sacerdotal – que cada «gesto ministerial, enquanto leva a amar e a servir a Igreja, impele a amadurecer cada vez mais no amor e no serviço a Jesus Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, um amor que se configura sempre como resposta ao amor prévio, livre e gratuito de Deus em Cristo» (Exort. ap. Pastores dabo vobis, 25). De facto, cada vocação específica nasce da iniciativa de Deus, é dom do amor de Deus! É Ele que realiza o «primeiro passo», e não o faz por uma particular bondade que teria vislumbrado em nós, mas em virtude da presença do seu próprio amor «derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo» (Rm 5, 5). Em todo o tempo, na origem do chamamento divino está a iniciativa do amor infinito de Deus, que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. «Com efeito – como escrevi na minha primeira Encíclica, Deus caritas est – existe uma múltipla visibilidade de Deus. Na história de amor que a Bíblia nos narra, Ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos – até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até às aparições do Ressuscitado e às grandes obras pelas quais Ele, através da acção dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente. Também na sucessiva história da Igreja, o Senhor não esteve ausente: incessantemente vem ao nosso encontro, através de pessoas nas quais Ele Se revela; através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia» (n.º 17). O amor de Deus permanece para sempre; é fiel a si mesmo, à «promessa que jurou manter por mil gerações» (Sal 105, 8). Por isso é preciso anunciar de novo, especialmente às novas gerações, a beleza persuasiva deste amor divino, que precede e acompanha: este amor é a mola secreta, a causa que não falha, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Amados irmãos e irmãs, é a este amor que devemos abrir a nossa vida; cada dia, Jesus Cristo chama-nos à perfeição do amor do Pai (cf. Mt 5, 48). Na realidade, a medida alta da vida cristã consiste em amar «como» Deus; trata-se de um amor que, no dom total de si, se manifesta fiel e fecundo. À

prioresa do mosteiro de Segóvia, que fizera saber a São João da Cruz a pena que sentia pela dramática situação de suspensão em que ele então se encontrava, este santo responde convidando-a a agir como Deus: «A única coisa que deve pensar é que tudo é predisposto por Deus; e onde não há amor, semeie amor e recolherá amor» (Epistolário, 26). Neste terreno de um coração em oblação, na abertura ao amor de Deus e como fruto deste amor, nascem e crescem todas as vocações. E é bebendo nesta fonte durante a oração, através duma familiaridade assídua com a Palavra e os Sacramentos, nomeadamente a Eucaristia, que é possível viver o amor ao próximo, em cujo rosto se aprende a vislumbrar o de Cristo Senhor (cf. Mt 25, 31-46). Para exprimir a ligação indivisível entre estes «dois amores» – o amor a Deus e o amor ao próximo – que brotam da mesma fonte divina e para ela se orientam, o Papa São Gregório Magno usa o exemplo da plantinha: «No terreno do nosso coração, [Deus] plantou primeiro a raiz do amor a Ele e depois, como ramagem, desenvolveuse o amor fraterno» (Moralia in Job, VII, 24, 28: PL 75, 780D). Estas duas expressões do único amor divino devem ser vividas, com particular vigor e pureza de coração, por aqueles que decidiram empreender um caminho de discernimento vocacional em ordem ao ministério sacerdotal e à vida consagrada; aquelas constituem o seu elemento qualificante. De facto, o amor a Deus, do qual os presbíteros e os religiosos se tornam imagens visíveis – embora sempre imperfeitas –, é a causa da resposta à vocação de especial consagração ao Senhor através da ordenação presbiteral ou da profissão dos conselhos evangélicos. O vigor da resposta de São Pedro ao divino Mestre – «Tu sabes que Te amo» (Jo 21, 15) – é o segredo duma existência doada e vivida em plenitude e, por isso, repleta de profunda alegria. A outra expressão concreta do amor – o amor ao próximo, sobretudo às pessoas mais necessitadas e atribuladas – é o impulso decisivo que faz do sacerdote e da pessoa consagrada um gerador de comunhão entre as pessoas e um semeador de esperança. A relação dos consagrados, especialmente do sacerdote, com a comunidade cristã é vital e torna-se parte fundamental também do seu horizonte afectivo. A este propósito, o Santo Cura d’Ars gostava de repetir: «O padre não é padre para si mesmo; é-o para vós» [Le curé d’Ars. Sa pensée – Son cœur (ed. Foi Vivante - 1966), p. 100]. Venerados Irmãos no episcopado, amados presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, catequistas, agentes pastorais e todos vós que estais empenhados no campo da educação das novas gerações, exorto-vos, com viva solicitude, a uma escuta atenta de quantos, no âmbito das comunidades

paroquiais, associações e movimentos, sentem manifestar-se os sinais duma vocação para o sacerdócio ou para uma especial consagração. É importante que se criem, na Igreja, as condições favoráveis para poderem desabrochar muitos «sins», respostas generosas ao amoroso chamamento de Deus. É tarefa da pastoral vocacional oferecer os pontos de orientação para um percurso frutuoso. Elemento central há-de ser o amor à Palavra de Deus, cultivando uma familiaridade crescente com a Sagrada Escritura e uma oração pessoal e comunitária devota e constante, para ser capaz de escutar o chamamento divino no meio de tantas vozes que inundam a vida diária. Mas o «centro vital» de todo o caminho vocacional seja sobretudo a Eucaristia: é aqui no sacrifício de Cristo, expressão perfeita de amor, que o amor de Deus nos toca; e é aqui que aprendemos incessantemente a viver a «medida alta» do amor de Deus. Palavra, oração e Eucaristia constituem o tesouro precioso para se compreender a beleza duma vida totalmente gasta pelo Reino. Desejo que as Igrejas locais, nas suas várias componentes, se tornem «lugar» de vigilante discernimento e de verificação vocacional profunda, oferecendo aos jovens e às jovens um acompanhamento espiritual sábio e vigoroso. Deste modo, a própria comunidade cristã torna-se manifestação do amor de Deus, que guarda em si mesma cada vocação. Tal dinâmica, que corresponde às exigências do mandamento novo de Jesus, pode encontrar uma expressiva e singular realização nas famílias cristãs, cujo amor é expressão do amor de Cristo, que Se entregou a Si mesmo pela sua Igreja (cf. Ef 5, 25). Nas famílias, «comunidades de vida e de amor» (Gaudium et spes, 48), as novas gerações podem fazer uma experiência maravilhosa do amor de oblação. De facto, as famílias são não apenas o lugar privilegiado da formação humana e cristã, mas podem constituir também «o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada pelo Reino de Deus» (Exort. ap. Familiaris consortio, 53), fazendo descobrir, mesmo no âmbito da família, a beleza e a importância do sacerdócio e da vida consagrada. Que os Pastores e todos os fiéis leigos colaborem entre si para que, na Igreja, se multipliquem estas «casas e escolas de comunhão» a exemplo da Sagrada Família de Nazaré, reflexo harmonioso na terra da vida da Santíssima Trindade. Com estes votos, concedo de todo o coração a Bênção Apostólica a vós, veneráveis Irmãos no episcopado, aos sacerdotes, aos diáconos, aos religiosos, às religiosas e a todos os fiéis leigos, especialmente aos jovens e às jovens que, de coração dócil, se põem à escuta da voz de Deus, prontos a acolhê-la com uma adesão generosa e fiel. Vaticano, 18 de Outubro de 2011 PAPA BENTO XVI

Guião disponível em www.leiria-fatima.pt

Abril Vocacional na Diocese O Serviço de Animação Vocacional da diocese de Leiria-Fátima tem vindo a propor, nos últimos anos, que todo o mês de Abril seja dedicado à oração pelas vocações, uma ideia que surgiu do próprio Bispo diocesano, no apelo a uma “grande oração vocacional”. O convite é feito “a todos os fiéis católicos e às famílias, bem como às comunidades de vida consagrada, paróquias, movimentos, associações, novas comunidades e grupos apostólicos”. Pode ser uma hora dedicada à adoração ao Santíssimo Sacramento, uma oração mariana, uma celebração por faixas etárias, ou outra qualquer forma que cada grupo prefira. Como ajuda, este serviço disponibiliza – em www.leiria-fátima.pt – um guião com diversas propostas: adoração eucarística, rosário, leitura orante da palavra de Deus para crianças, adolescentes e jovens, e formulários de várias orações. Pode ser descarregado no sítio São já perto de uma centena as comunidades religiosas, paróquias e vigararias que aderiram à proposta, conforme a lista que pode ser consultada no mesmo sítio da internet. E há sempre lugar para mais que queriam aderir. O importante é rezar para que “a graça do chamamento divino seja escutado e acolhido também nos nossos dias”.


4 CULTURA

O Mensageiro 19.Abril.2012

Comemorações do 25 de Abril de 1974 Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) • OS MARRETAS | Comédia/Animação | de James Bobin | 13 de Maio, 15h30. Teatro Miguel Franco (Leiria) • LINHA VERMELHA-FILME SOBRE O 25 DE ABRIL | Documentário | de José Filipe Costa | 25 de Abril, 18h30 e 21h30. Cine-Teatro (Monte Real) • OS MARRETAS | Comédia/Animação | de James Bobin | 11 de Maio, 21h30 e 12 de Maio, 15h30.

EXPOSIÇÕES

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Portugal,entre hoje e ontem” “Floresta encantada” - fotos (~19/05) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Inês de Castro” - biograia da história D. Pedro e Dª. Inês (~30/04) •”Carnaval das frutas” - máscaras de carnaval (~30/04) •”Animais selvagens” - pintura de Orlando Domingues (~28/04) m|i|mo -Museu da Imagem em Movimento - Leiria •”Paixões por maratona” - fotografia (~28/04) •”Oficina do Olhar” - exposição permanente Edifício Banco de Portugal - Leiria •”No meu silêncio vejo-te em palavras” - pintura (~22/05) Centro de Interpretação Ambiental - Leiria •”Floresta Ribeirinha” (~30/04) Mercado de Sant’Ana - Leiria •”Uma carta coreográfica” - Madalena Victorino (22/04~29/04) Moinho de Papel - Leiria •”Englobasrte” - fotografias (28/04~12/05) Casa-Museu João Soares - Cortes •”A República” (~30/04) Exposalão - Batalha •”O Mundo dos Dinossauros” (~3/06) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) •”Mulher, cavalo e árvore” - desenho de Carlos Reys (3ª~sábados) •”25 de Abril de 1947” - fotografias de Alfredo Cubga (~30/04) Biblioteca Municipal - Ourém •”Espanta-me” - fotografia de António Flor (~30/04) •”Cartazes de Abril” - 25 de Abril (~30/04) Galeria Municipal - Ourém •”Exposição colectiva” - pintura (~6/05) Museu Municipal - Ourém •”Faz de conta” (~31/05)

Em Abril

Censura e atrasos de Portugal em debate O auditório da Biblioteca Municipal da Marinha Grande receberá no dia 25 de Abril, pelas 16h00, a palestra “A Censura e os Atrasos de Portugal” e o lançamento do livro “Segredos do Império da Ilusitânia – A Censura na Metrópole e em Angola”, da autoria do sociólogo José Filipe Pinto. A entrada é gratuita. A iniciativa é organizada pela Câmara Municipal da Marinha Grande e pelo Jornal da Marinha Grande, no âmbito das comemorações do 38º aniversário do 25 de

DR

CINEMAS

Abril de 1974. O autor abordará a censura e as suas implicações

durante a ditadura. Num momento em que se assinala mais um aniversário da revolução, a palestra pretende evocar o período que antecedeu a revolução, as suas implicações e lançar reflexões sobre o futuro de Portugal. José Filipe Pinto nasceu em Lavre, Montemor-oNovo, em 3 de Novembro de 1954. Académico Correspondente da Academia Internacional da Cultura Portuguesa, é Professor Associado na Universidade Lusófona de Humanidades

e Tecnologias, instituição onde, para além da docência, assume as funções de Coordenador da Linha em Relações Internacionais do Centro de Investigação em Ciência Política, Relações Internacionais e Sociedade e orienta várias teses e dissertações. Doutor em Sociologia Política e das Relações Internacionais pela Universidade da Beira Interior aguarda a marcação das Provas de Agregação em Ciência Política.

“Florbela” no Teatro Miguel Franco

Filme intriga público de Leiria Quem estava na expectativa de saber de que forma morreu a poetisa Florbela Espanca não ficou esclarecido depois de ter visto o filme “Florbela”, exibido no dia 11 de Abril no Teatro Miguel Franco. Insatisfeito com a explicação de que a poetisa morreu de tristeza, o público confrontou a actriz Dalila do Carmo e o realizador Vicente Alves do Ó, presentes na última sessão, que explicaram que preferiram deixar o final em aberto. A possibilidade de Florbela Espanca se ter suicidado, na sequência da

morte do irmão, foi uma das hipóteses avançadas pelo público. “É um mito que se criou à volta dela”, observou Vicente do Ó. “O Vicente acha que não, eu acho que sim. Acho que toda a gente se matou na vida dela: a mãe, o irmão e ela”, respondeu Dalila do Carmo, que desempenha o papel da poetisa no filme. “Os dados que existem é uma certidão de óbito assinada por um carpinteiro em como ela morreu de um edema pulmonar”, acrescentou a principal protagonista de “Florbela”. “O final fica em aberto e o

espectador tem a hipótese de o interpretar. A vida de Florbela vai permanecer sempre um mistério. É mais justo e mais leal não fecharmos portas.” Empenhado em combater a “ideia pré-concebida” de que Florbela Espanca é uma escritora “chata e depressiva, que só fala no amor e na morte”, o realizador Vicente do Ó sublinhou que a poetiza “era contrária ao preconceito dos códigos sociais, independentemente da forma como a julgassem”. “É um exemplo por isso. Pagou caro, mas foi a mulher que quis ser.”

Confrontada com o que interiorizou desta personagem, Dalila do Carmo confidenciou que se passou a sentir confortável em relação às pequenas coisas que procurava disfarçar. “Ainda hoje vivemos muito condicionados por padrões comportamentais”, justificou. “Na sua humanidade, Florbela tinha o melhor e o pior, como toda a gente. Tinha uma dimensão humana extraordinária.” Assistiram às três sessões do filme “Florbela”, exibido ontem no Teatro Miguel Franco, cerca de 200 espectadores.

“Autores da Liberdade” Prémios nacionais atribuídos pelo Jornal de Negócios e Sanofi

CHLP recebe Prémio Saúde Sustentável O Hospital de Santo André (HSA), unidade do Centro Hospitalar LeiriaPombal (CHLP), recebeu no dia 12 de Abril, pelas mãos do ministro da Saúde, Paulo Macedo, o Prémio Saúde Sustentável na categoria cuidados hospitalares. Os Prémios Saúde Sustentável são uma iniciativa do Jornal de Negócios e da Sanofi que visa distinguir e premiar entidades, individuais ou colectivas, públicas ou privadas, prestadoras de cuidados de saúde – hospi-

talares, cuidados primários ou cuidados continuados –, que se tenham destacado por promover e implementar princípios e acções de sustentabilidade com impacto tangível na saúde. Helder Roque, presidente do Conselho de Administração (CA) do CHLP, recebeu o prémio em representação da instituição, e salientou «o trabalho e o empenho de toda a equipa do HSA, que dia-a-dia se dedica a fazer deste um Hospital mais amigo dos

seus utentes e, ao mesmo tempo, mantendo extrema atenção à necessidade de racionalizar e tornar eficientes os procedimentos». «Pudemos perceber que transpareceu na nossa candidatura essa dedicação, e que ficaram claros os nossos resultados, o que muito nos orgulha, como nos orgulha, aliás, o reconhecimento deste júri e dos utentes que recebemos diariamente», salienta.

DR

A Biblioteca Municipal da Marinha Grande, situada no Jardim Stephens, tem patente uma mostra bibliográfica subordinada ao tema “Autores da Liberdade”, que se insere nas comemorações de mais um aniversário do 25 de Abril de 1974. Esta exposição está patente no átrio da biblioteca onde é possível encontrar vários autores intimamente ligados à liberdade, de entre os quais se destaca Sophia de Mello Breyner Andersen, Adriano Correia de Oliveira, Natália Correia, José Jorge Letria, José Carlos Ary dos Santos, Zeca Afonso ou Manuel Alegre. São referenciados autores que se opuseram ao regime que vigorava durante a ditadura e que recorreram à escrita e ao livro como manifestação de liberdade. Num excerto de um poema de Ary dos Santos, descreve-se o modo de vida do povo português na época antes da revolução: “Era uma vez um país onde entre o mar e a guerra vivia o mais infeliz dos povos à beira mar”. A exposição “Autores da Liberdade” está patente na Biblioteca Municipal da Marinha Grande, de 16 de Abril a 4 de Maio, de segunda a sexta, das 09h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00 e aos sábados, das 14h30 às 18h00.


CULTURA 5

O Mensageiro 19.Abril.2012

Alunos e professores do Curso Livre de Jazz do projecto Orfeão Velho | Fábrica – Movimentos Artísticos, dinamizado pelo Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OL CA), vão protagonizar um concerto no dia 30 de Abril, como forma de assinalar o Dia Internacional do Jazz. O espectáculo, de entrada livre, terá lugar na ACRENARMO – Associação Cultural e Recreativa dos Naturais e Ex-residentes de Moçambique, no largo de S. Pedro, junto ao Castelo de Leiria, a partir das 21h30. Neuza Bettencourt, directora pedagógica da Escola de Música do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (EMOL), considera que «esta é uma excelente oportunidade de dar a conhecer o trabalho desenvolvido pelo Curso Livre de Jazz, criado no âmbito do projecto Orfeão Velho | FÁBRICA, que pretende actuar como uma “incubadora de artes” dando

Leiria assinala Dia Internacional do Jazz

Concerto no Orfeão Velho

espaço à exploração de diversos géneros musicais e atraindo públicos mais diversificados a iniciativas originais que dinamizem a cidade e a região». O projecto Orfeão Velho | FÁBRICA nasceu no início do presente ao lectivo com o objectivo de despertar o interesse do público em geral para os mais diversos movimentos artísticos. A iniciativa conta com a realização de várias actividades culturais que vão desde a música à dança, passando pela performance e pelas

artes plásticas entre outras correntes artísticas. A par do Curso de Livre de Jazz, encontram-se igualmente a decorrer, nas instalações do Orfeão Velho | FÁBRICA, os cursos livres de Funk e Rock, que incluem aulas de canto e instrumento (como saxofone, trompete, piano, guitarra eléctrica, bateria, contrabaixo e baixo elétrico). Os cursos contam ainda com a realização de classes de conjunto de Combo Jazz, Combo Funk e Combo Rock, de Big Band e coro Jazz, e

Maratona na Marinha Grande

com aulas de Formação Teórico-prática de Teoria Musical, Treino Auditivo e Harmonia. «O Dia Mundial do Jazz é uma data que não podia passar ao lado desta instituição, que procura estar sempre atenta às diversas correntes musicais e artísticas, facto que se reflecte na diversificada oferta formativa que apresentamos aos nossos alunos», sustenta Henrique Pinto, presidente do OL CA.

Lapedo

Visita guiada e oficina de arqueologia No âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, realizaram-se nos dias 18 e 19 de Abril, no Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho, no Lapedo, visitas guiadas e oficinas de arqueologia sensorial. Este ano, o tema do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi “Do Património Mundial ao Património Local: proteger e gerir a mudança”.

A Câmara Municipal e o ISDOM – Instituto Superior D. Dinis vão promover o V Concurso de Fotografia do Concelho da Marinha Grande - Maratona Fotográfica 2012, na modalidade de fotografia digital, que irá decorrer no dia 21 de Abril, entre as 09h00 e as 19h00, com início e fim nas instalações do Arquivo Municipal, situado junto ao Parque da Cerca. Com o objectivo de estimular e promover a criatividade artística, a

produção cultural e o conhecimento e divulgação do concelho, promovem O Perspectivas – 5º Concurso de Fotografia do Concelho da Marinha Grande. Nesta maratona fotográfica poderão concorrer todas as pessoas com idade superior a 14 anos, devendo cada indivíduo assegurar os equipamentos e materiais necessários à participação na Maratona Fotográfica. O concurso irá decorrer num espaço geográfico do concelho da Marinha Grande.

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”A D.Dinis, o Trovador” - festival de tunas (21/04, 21h30) •”O Quebra Nozes” e “D.Quixote” (22/04, 18h00) • Daça conteporânea - Academia e Setúbal (24/04, 21h30) Teatro Miguel Franco - Leiria • Grupo Pinhal d’El Rei - comemoração 30 anos - múscia (21/04, 21h30) •”25 de Abril de 1974” - por Adelino Gomes (25/04, 9h30) Sala Jaime Salazar Sampaio - Leiria •”Dos pequenos gestos” - teatro a partir da infância (29/04, 11h00) O Nariz - Leiria •”Structura” - música (21/04, 22h00) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”1, 2, 3, tamanhos” - bebeteca (19/04, 10h15 e 21/04, 16h00) •”Eu visito a biblioteca” -visita guiada e actividade (23 e 30/04, 10) • Dia Mundial do Livro - actividades (23/04, 14h30 e 18h30) •”Os ovos misteriosos” - hora do conto (27/04, 10h30 e 14h30) •”Contos e cantigas” - história surpresa para pais e filhos (28/04, 16h) m|i|mo - Muse da Imagem em Movimento - Leiria • Cianotipia - oficina (19 e 26/04, 14h30) •”À luz da Primavera” - oficina (24, 10h00 e 15h00) • Câmaras obscuras - oficina (24/04, 10h00) • Teatro de sombras e oficinas criativas (3ªs~6ªs) Moinho de Papel - Leiria •“Viagem à Fábrica do papel (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Frei João se cuidados” - oficina (21/04, 15h00~16h30) Escola Superior de saúde - IPLeiria •“Novos rumos para a comunidade surda e para a interpretação da língua gestual” - seminário (21/04, 9h30~19h25) Cool Park - Cortes •”Sushi” - oficina (III edição) (22/04, 10h0~13h00) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa •”Pai tempo, seus filhos e seus frutos” - Dia Mundial da Terra (24/4,10h) Centro Tradicional - Marinha Grande •”Peddy-Paper” (25/04, 9h00) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Olá, eu sou um livro” - hora do conto (2ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •”Prisioneiros da Sociedade Livre” - lançamento do livro (21/04, 16h00) •”A censura e os atrasos de Portugal” - palestra (25/04, 16h00) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Colorir Abril” (18 e 24/04) •”À descoberta do património local” (~30/04, 14h30~15h30) Arquivo Municipa - Mainha Grande •”Maratona fotografica” - concurso (21/04, 9h00) Praça Guilherme Stephens - Marinha Grande •”25 de Abril” - comemorações (24/04, 22h00~00h40) Junta de Freguesia da Moita - Marinha Grande •”25 de Abril” - comemorações (24/04, 9h00~12h00) Parque da Cerca - Marinha Grande • Acção de sensibilizaão à astronomia (24/04, 21h00) • Feira de Artesanato (24/04, 21h00 e 25/04, 9h00~21h00) • Sessão de Riso (25/04, 10h00) Lago da República - Vieira de Leiria •”25 de Abril” - comemorações (24/04, 21h30~24h00) Biblioteca Municipal - Ourém •”Fora da Estante” - dia internacional do livro infantil (~30/04) Museu Municipal - Ourém •”Faz de conta” - oficinas pedagógicas (~30/04) •”A Moura Oureana” - oficinas pedagógicas (~30/04) Edifício Paços do Concelho - Ourém • Feira do Livro 2012 (~25/04)

Agrupamento de Escolas D. Dinis organiza

I Gala no dia 26 de Abril

No âmbito das Comemorações do Ano Internacional das Cooperativas, Desenvolvimento Sustentável, Prevenção e Erradicação da Pobreza, o Agrupamento de Escolas D. Dinis vai organizar a sua I Gala, a 26 de Abril, pelas 21h30, no Teatro José Lúcio da Silva, cuja receita reverterá a favor do Centro de Acolhimento de Leiria, que fornece refeições, roupas e medicamentos às pessoas mais carenciadas que procuram este apoio social.


6 SOCIEDADE

O Mensageiro 19.Abril.2012

Orientação terapêutica em determinadas patologias infantis e juvenis O Hospital de Santo André (HSA), unidade do Centro Hospitalar LeiriaPombal (CHLP), criou a consulta de reabilitação pediátrica para oferecer cuidados específicos e diferenciados aos utentes em idade pediátrica, promovendo uma melhor orientação terapêutica às crianças e apoio aos profissionais das diversas consultas de Pediatria. A Consulta de Reabilitação Pediátrica terá início dia 23 de Abril, e será da responsabilidade do serviço de medicina física e reabilitação do HSA. A consulta decorrerá às segundas e terças-feiras

com a fisiatra Mafalda Bártolo, e foram criados critérios de referenciação para a marcação de consultas e para os tempos de espera para iniciar tratamentos quando necessários, de acordo com os tipos de patologias. A consulta acompanhará crianças com diferentes patologias agudas ou crónicas, como a paralisia facial periférica, as patologias agudas do foro respiratório, os torcicolos musculares congénitos, as perturbações da mastigação ou deglutição, a patologia músculo-esquelética traumática. A referenciação destes utentes será feita

internamente, pelo serviço de pediatria e pelos centros de saúde. Também as crianças em pós-operatório de cirurgias ortotraumatológicas, com lesão encefálica ou vértebro-medular adquirida recente, com atraso do desenvolvimento da linguagem ou com perturbações específicas da linguagem (até aos sete anos de idade), com perturbações articulatórias (até aos 10 anos de idade), com atraso global do desenvolvimento psicomotor, com disrafismos medulares, com défice congénito de membros, ou crianças amputadas, com doenças

S

e é verdade que escrevemos que á escrevemos que o cronista poderá efectuar uma boa crónica desde um local distante do acontecimento, no caso das crónicas do Pe. José Lacerda, verifica-se que elas nunca iriam ter a mesma qualidade e força descritiva do cenário da guerra se o mesmo não as tivesse feito do local onde as escreveu. Se referimos na nossa investigação que a reportagem é feita, quase sempre, com o jornalista como testemunha ou então como enviado para apurar factos, também a crónica poderá ter mais veracidade e autenticidade, se elaborada do palco dos acontecimentos. Vejamos um dos muitos exemplos das crónicas, num relato impressionante do luto, só possível se presenciado.

«Saímos para a gare. Vemos mulheres a limpar as carruagens, mulheres a dirigir serviços, mulheres a trabalhar e todas elas cobertas de luto! Que sensação! Debaixo daqueles vestuários tão tristes, quantos corações não sentirão a perda de ente queridos! Não se queixam. Ocupam longe das linhas os logares, que os heróicos soldados da França ocupavam antes de irem cumprir o seu dever, defendendo a Pátria invadida pelo secu-

neuromusculares, ou com artrites idiopáticas juvenis serão acompanhadas na Consulta de Reabilitação Pediátrica. Lília Martins, coordenadora do serviço de medicina física e reabilitação, explica que «esta nova consulta permite-nos dar um melhor seguimento e um acompanhamento tanto abrangente como diferenciado às crianças que já são seguidas no CHLP, nas consultas de medicina física e de reabilitação, mas numa perspectiva mais direccionada para a Pediatria e para as necessidades dos nossos pequenos utentes».

Poderá ser a crónica uma forma de introduzir a imparcialidade disfarçada no jornalismo? Ou teremos a crónica como género de produção literária da era romântica do século XIX e século XX?

lar inimigo. Da mulher saem sempre os melhores exemplos e na hora actual vamos encontrar na mulher actos de heroismo e abnegação que o homem não seria capaz de praticar. A mulher franceza entregou á Pátria o marido, o filho, o irmão, as jóias, a alegria e a própria vida, entregando-se a misteres a que não estava acostumada» (Crónicas da Guerra, Notas e Factos III, Hendaye a Pau»; (O Mensageiro, Leiria 23 de Maio de 1917, nº 138, p.p.1 e 2). A profissão de jornalista está em constantes mutações, não só pela evolução tecnológica do século XXI, que não era ainda perceptível no início do século XX em que viveu o Pe. José Lacerda. Actualmente, o jornalismo e os seus suportes continuam a evoluir numa velocidade alucinante nas alterações de conceitos e formas, estando a crónica a voltar à

ribalta na comunicação social da actualidade, entrando na esfera da notícia e da reportagem. O jornalismo e os sistemas políticos estão, neste ainda início de milénio, a encontrar espaço próprios, num tempo onde os valores, os imperativos económicos e a noção de informação credível se questiona largamente. A crónica pode colocar um político a comentar a sua própria acção, sendo este factor tolerável. Pelo contrário, nunca o poderia fazer no género reportagem.

«A evolução das estruturas políticas marcou também profundamente a imprensa e o exercício do jornalismo» (Gaillard, 1971: 7). As crónicas que o Pe. José Lacerda escreveu teriam lugar no jornalismo contemporâneo? As novas oportunidades comunicacionais que surgiram como os blogues deram oportunidade a que surgisse uma nova geração de cronistas. A “internet” abriu alas a uma difusão imensa de crónicas escritas sem ser por jornalistas profissionais ou as ditas personali-

DR

Hospital de Santo André cria consulta de reabilitação pediátrica

Lília Martins, coordenadora do serviço de medicina física e reabilitação

dades de peso de outrora. Também o tempo em que são difundidas é completamente diferente. Se as crónicas manuscritas do Pe. José Lacerda levariam uma ou mais semanas a chegar ao seu destino através do envio de correio postal, actualmente, o jornalista pode estar no campo de batalha a relatar ou escrever em tempo real. O leitor ou espectador poderá, sempre que queira, acompanhar a evolução dos acontecimentos. Actualmente, diminuíram as grandes reportagens nos jornais portugueses e proliferaram na “internet” a produções de cronistas profissionais ou cidadãos que as cultivem à vontade de também eles ali difundirem as suas narrativas à escala mundial. Ficam acessíveis em todo o planeta, à distância de um click. Mas, também os jornais de papel estão a introduzir, cada vez mais, a crónica como elemento atractivo, que se dispersa no tempo, de edição em edição. As próximas gerações certamente irão analisar a sua isenção e o cruzamento das mesmas com a “internet”. Mas parece-nos que crónica e reportagem continuarão na senda da publicação, seja em papel ou suporte digital. O cidadão, sacerdote, capelão militar e jornalis-

REFLEXÕES SOBRE O SÉCULO XX - 21

Joaquim Santos Jornalista

Com a evolução tecnológica do século XXI, as crónicas do Pe. José Lacerda teriam lugar no jornalismo contemporâneo? ta José Lacerda, o mesmo que inspirou esta investigação, demonstrou nos seus textos, a capacidade de elaborar na distância da guerra, narrativas que criaram um cenário de realismo, numa observância pessoal do conflito, num regime voluntário, sem as condições técnicas e os salários que os actuais jornalistas de guerra auferem no século XXI.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 19.Abril.2012

Freguesias de Leiria mobilizam-se

Rede Intermunicipal para o Desenvolvimento

Não existem modelos organizacionais noutros países do mundo como as autarquias portuguesas. Num momento de dificuldades para algumas destas freguesias com a reorganização administrativa que o Governo quer impor, o Grupo Movimento das Freguesias de Leiria, constituído por um conjunto de autarcas e cidadãos leirienses estão a elaborar um plano que visa o seu reconhecimento como ‘Património Mundial da Humanidade’, um reconhecimento da UNESCO. Mas, o processo adivinha-se muito difícil e de uma grande complexidade. Noutras nações existem outros modelos de organização administrativa, certamente diferenciados, com vantagens e desvantagens em relação às formas de organização autárquica, sendo esse um dos factores que vão criar dificuldades à candidatura portuguesa. Ou seja, como distinguir o modelo português dos outros existentes noutros continentes? Outro dos obstáculos consiste na justificação de considerar uma forma de gerir publicamente uma autarquia como de interesse da escala UNESCO, perspectivando-se que esta candidatura não encontre uma posição confortável para o êxito. Mas, os argumentos dos autarcas e as suas convicções estão de ‘pedra e cal’.

DR

UNESCO reconhecerá as autarquias locais como Património Mundial?

Nas suas argumentações, recordam que “Portugal tem candidatado e conseguido elevar a património da humanidade parte da sua identidade histórica, cultural, arquitectónica, paisagística, sendo o fado o caso mais recente do reconhecimento mundial da nossa identidade, rica em valores, tantas vezes, por nós próprios, subvalorizados.”. Nesta perspectiva e esperança, a candidatura irá avançar com toda a força possível, servindo também de influência para o recuo da posição do Estado português em agregar algumas das freguesias. O grupo de trabalho que prepara esta candidatura, afiança mais argumentação, salvaguardando: “O caso da organização administrativa do nosso território em freguesias é um claro exemplo de subvalorização da nossa riqueza. Com efeito, é por todos reconhecido o excelente serviço que as fregue-

sias prestam à população, As freguesias prestam um importante serviço social de proximidade, só possível graças ao contacto do dia-adia. Veja-se o crescente caso dos idosos encontrados mortos em suas casas que, praticamente na totalidade, acontece nos meios mais urbanos. Também é reconhecido que as freguesias são quem melhor gere os escassos recursos ao seu dispor, conseguindo com eles verdadeiros milagres. É importante frisar que a esmagadora maioria dos executivos das freguesias não são remunerados e que as freguesias praticamente não trazem qualquer encargo para o país. Então, se as freguesias são, reconhecidamente, por todos, inclusive por quem está a propor a reforma administrativa, o melhor meio de servir e de chegar às populações, porquê acabar com elas? Porque prestam um serviço de excelência?”,

rematam. Com uma forte convicção de que este processo será reconhecido pela UNESCO, o Grupo Movimento das Freguesias de Leiria tece as suas considerações para a sua candidatura, a saber: “- Considerando que as freguesias prestam um serviço inestimável ao seu POVO, num verdadeiro exemplo de cidadania; - Considerando que a distribuição administrativa do nosso território por freguesias praticamente não traz encargos para o país; - Considerando que a administração do território português por freguesias é único a nível europeu, quiçá mundial; Propomos apresentar-se candidatura de modo a que, objectivamente, o sistema administrativo por freguesias seja elevado a PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE.”. A ver vamos os desenvolvimentos dos próximos meses porque o Governo parece determinado com o avanço desta reforma da organização administrativa do território. Embora não impeça que o Movimento das Freguesias de Leiria avance com a candidatura à UNESCO poderá de certa forma fragilizar o seu poder de argumentação com a extinção ou reagrupamento de centenas de freguesias portuguesas. Joaquim Santos

Na NERLEI

“Executive Coaching for Leaders” No dia 20 de Abril, pelas 9h00, a NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, em parceria com a TGA/ISPC (International School of Professional Coaching), vai realizar um pequeno-almoço de apresentação de “Executive Coaching for Leaders”. O orador, Viana Abreu, presidente da ISPC e fundador da Associação Portuguesa de Coaching, abordará questões como “Executive coaching: alcance resultados extraordinários na sua empresa” e “Como posso levar o coaching para a minha empresa?”.

Lar de Santa Isabel precisa da nossa ajuda

Saldo positivo nas contas de 2011 cio foi positivo no valor de dezasseis mil quinhentos e oitenta e seis euros e setenta cêntimos. Este resultado surge na sequência da recuperação de receitas de concessões, e da implementação do projecto “Dossier de Turismo e Negócios”, que consequentemente provocou um aumento

A Câmara Municipal da Marinha Grande promove uma conferência subordinada ao tema “Cidadania Global e Autoridades Locais: Um ponto focal para o Desenvolvimento”, no âmbito da Rede Intermunicipal de Cooperação para o Desenvolvimento, a realizar no Auditório da Biblioteca Municipal, no próximo dia 20 de Abril de 2012, a partir das 21h00. O Município da Marinha Grande integra o projecto “Redes para o Desenvolvimento”, enquanto parceiro, que é liderado pelo Instituto Marquês de Valle Flor. A par do Município da Marinha Grande, são também parceiros o Município de Loures, a organização não governamental (ONG) alemã FINEP e do Fundo Galego para a Cooperação e Solidariedade, em Espanha. Este projecto visa, sobretudo, “promover sinergias entre projectos de cooperação internacionais como estratégia eficaz para a redução da pobreza e para o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio; promover novos canais de comunicação entre autoridades locais a nível nacional e internacional, contribuindo para a Boa Governação a nível local”. Para além da Marinha Grande e Loures, aderiram já a esta rede os municípios de Amadora, Arraiolos, Cascais, Faro, Grândola, Maia, Miranda do Corvo, Moita, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal e Setúbal. Têm sido recebidos, entretanto, contactos de outros municípios que manifestaram já a sua intenção de aderir, a curto prazo, a esta rede. Entre as acções a realizar destacam-se a realização de assembleias públicas, debates e mesas redondas dedicadas à promoção da cidadania global com especial incidência em aspectos relacionados com desenvolvimento global e local, parcerias e cooperação.

Jantar-convívio de solidariedade na Batalha

Teatro José Lúcio da Silva O Teatro José Lúcio da Silva apresentou no passado dia 10 de Abril, à Câmara Municipal de Leiria, o relatório de gestão e contas do ano 2011 com saldo positivo, quer da análise financeira, quer na vertente de frequência e utilização. O resultado do exercí-

Reunião pública sobre cidadania global na Marinha Grande

no número de cedências onerosas para congressos e afins. No que diz respeito a despesas houve em 2011 a preocupação de reduzir, não só o prazo de pagamento a fornecedores, passando para trinta dias, como também o montante com dívidas de despesa

corrente, que a 31 de Dezembro era inferior a seis mil euros. Tendo em conta a conjuntura económica e financeira do país e em particular do Município, tem-se assistido a uma tendência na redução dos montantes de apoio atribuídos ao Teatro José Lúcio da Silva.

No próximo dia 4 de Maio pelas 20h30, no Restaurante “Quinta do Fidalgo” (Batalha), vai realizar-se um jantar-convívio com o objectivo de angariar fundos para a “Barraca”. A “Barraca” é uma valência do Centro Social Paroquial Paulo VI, nasceu com o objectivo bem definido de promover o convívio entre as pessoas e aí congregar vontades para a angariação de fundos a favor do Lar de Santa Isabel. Todos conhecemos as iniciativas levadas a efeito com esse fim por um grupo generoso de voluntários (as), nomeadamente durante o período da Feira de Leiria, com o funcionamento de um esmerado serviço de restaurante, bar e quermesse. Os interessados em participar no jantar devem inscrever-se junto dos voluntários ou no lar de Santa Isabel, ou ainda no cartório da Sé.


8 ECLESIAL

O Mensageiro 19.Abril.2012

Família há oito séculos

Santa Clara edificou a sua casa sobre a rocha firme e estendeu as raízes junto às águas correntes, então puras e límpidas, do Rio Ave na secular Vila do Conde. Em 1950 nos Setecentos Anos da morte de Santa Clara, o Cardeal Fernando Cento, então Núncio Apostólico em Portugal, afirmava: Entre os mosteiros de Portugal, recordamos, particularmente, o de Vila do Conde, pois que ele se refere a uma rica tradição na qual se cristaliza, por assim dizer, o espírito deste povo no que mais fidalgamente característico possui. Diz a tradição que D. Afonso Sanches andava com a ideia de construir naquela terra uma fortaleza. Mas eis senão quando lhe veio a inspiração divina que mais valeria para defesa do país um Mosteiro de Clarissas. Logo abandonou o primeiro

plano, para mandar erguer o cenóbio onde as vestais cristãs estariam alerta, como guardas avançadas junto do trono de Deus, a vigiar pelos destinos da Pátria. Começou-se então a construção em 1319, depois de obtida a respectiva autorização do Papa João XXII. Por vontade expressa dos seus fundadores, D. Afonso Sanches e sua mulher, D. Teresa de Martins, este mosteiro destinava-se a acolher as jovens da nobreza mais pobre, em que muitas delas nem sempre teriam vocação para a Vida Religiosa e muito menos para a clausura. Nele se professava a Regra de Urbano IV a qual permitia às Irmãs possuir terras e outros bens, aceitar doações, dotes e rendas. Seguiam todas pelo caminho estreito que conduz à vida? Nele brilhou sempre o ideal de Santa Clara? A

resposta é óbvia, pois, onde existe ser humano, existe a contingência própria da sua fragilidade. Face às vicissitudes do tempo, também este mosteiro sofreu as intempéries do relaxamento e foi vítima do declínio do primitivo fervor. Acreditamos porém que era mais intensa a luz que dele irradiava do que as trevas que o envolviam. Embora crescendo lado a lado, temos a certeza que foi mais abundante a colheita do trigo do que a do joio. Deus não perde batalhas, e sem qualquer dificuldade escreve direito por linhas tortas e também faz florescer lírios na estepe. Será lenda ou terá algum fundamento de verdade? Fica ao critério do olhar do coração e da pureza da fé. Neste real mosteiro de Vila do Conde, atraída pelo ideal de Santa Clara dera

entrada uma jovem a quem chamavam Menina do Merendeiro. Discreta, profundamente humilde, sempre disponível para servir o Senhor nas pessoas das suas Irmãs e realizar os trabalhos mais humildes. Era sempre a primeira a entrar no coro para a oração e a última a sair. Demorava-se longo tempo ajoelhada junto do altar da Sagrada Família por quem tinha especial devoção. Certo dia, pediu à Superiora licença para levar o lanche para a cela a fim de o partilhar com Menino Jesus, o Qual lhe prometera vir lanchar na sua companhia. Sem dar grande importância e certa de que tal fantasia seria passageira, a Superiora cedeu. Uma, duas, três vezes o mesmo pedido, a mesma anuência. Já intrigada, a Superiora não resistiu e, pé ante pé, aproximou-se da cela da Irmã… Qual não é a sua surpresa ao ouvir a voz de uma criança. Abre, de repente, a porta e vê somente a Irmã ajoelhada. A criança tinha desapareci-

LUZ ENTRE OS HOMENS

nasce em cada um dos seus discípulos “o homem novo”. Por isso, lembra-lhes:

versitário. Ainda jovem, tornou-se assíduo frequentador dos ambientes intelectuais e começou a colaborar com os seus escritos em jornais e revistas, adquirindo uma sólida cultura. A sua estatura intelectual, as opiniões fundamentadas e o seu catolicismo empenhado e coerente na vida quotidiana tornam-no rapidamente numa personalidade relevante e influente. Moderava debates sobre religião e política num círculo literário. Aos 20 anos, anuncia a um amigo a intenção de criar uma “Conferência de caridade”, uma associação de beneficência aos pobres, “a fim de pôr em prática o nosso catolicismo”, esclarecia. E assim, com mais seis companheiros, em 1933, dá início às “Conferências de São Vicente de Paulo”. Segundo as suas palavras, tratava-se “de um grupo compacto de homens decididos a usar todos os seus direitos como cidadãos, toda a sua influência, todos os seus estudos profissionais, para honrar o catolicismo em tempos de paz e defen-

dê-lo em tempos de guerra”. A esta iniciativa dedicaria boa parte da sua vida. Ao falar dos homens e mulheres que visitava, escreveu numa carta: «Deveríamos cair aos seus pés e dizer-lhes: Vós sois os nossos mestres e nós seremos os vossos servidores; sois para nós as imagens sagradas deste Deus que não vemos e, não sabendo amar doutra maneira, nós O amamos nas vossas pessoas». Em 1841, casa-se com Amélie Soulacroix, da qual teve uma filha. Viveu a sua vida com grande paixão e generosidade. Dedicou-se de corpo e alma ao ensino universitário. Ia pessoalmente aos bairros pobres de Paris e outras cidades. Promoveu a expansão das Conferências vicentinas no mundo. Publicou escritos históricos e literários e empenhou-se ativamente na luta pela liberdade civil, política e religiosa, sofrendo com as facções políticas opostas que dividiam os católicos entre si. Contribuiu também para a instituição das “Conferências quaresmais” na catedral de Notre-Dame

Junto às águas correntes

“Sois na terra a luz de Cristo, Vós que fostes batizados: O nosso mundo tem sede Das águas da vida eterna” (LH II, 500-501).

Pe Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

Ozanan: um intelectual que visita os pobres http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

U

m dos hinos da oração da Igreja chama aos cristãos “testemunhas da verdade”, exorta-os a não ficarem calados nem escondidos mas a percorrerem o mundo inteiro “proclamando a Boa Nova”, anunciando a todos “a paz e alegria”, que “a vida já vale a pena, pois Cristo venceu a morte” e que por Ele ressuscitado

Frederico Ozanan (1813-1853), um professor universitário francês e fundador das Conferências de São Vicente de Paulo incarnou bem na sua vida o que aquele hino refere. Nasceu em Milão (Itália), filho de Jean-Antoine, médico prestigiado, e de Marie Ozanan, mulher muito dedicada à assistência aos pobres e enfermos. Desde novo foi viver para Lião (França), onde iniciou os seus estudos. Aluno brilhante e leitor insaciável, ainda muito jovem aprendeu várias línguas e apaixonou-se pelo estudo da filosofia e pela investigação existencial e espiritual. Em 1831, foi para Paris onde estudou na famosa universidade da Sorbone. Ali fez o seu doutoramento, primeiro em Direito e depois também em Letras, tornando-se professor uni-

do. Pede explicações. Sem perturbações a Menina do Merendeiro explicou que aquela criança era o Menino Jesus que tinha vindo merendar com ela e agora tinha ido visitar os pobres. Incrédula, e não querendo fazer outros juízos, a Superiora dirigiu-se à igreja e, com assombro, viu que no altar da Sagrada Família faltava imagem do Menino Jesus. Chama outras Irmãs e vão juntas à cela da dita Irmã que serenamente continuava recolhida em oração. Com voz rude e dura, a Superiora pede de novo explicações. A Menina do Merendeiro dá a mesma resposta e pede-lhes que voltem à igreja onde já poderão encontrar o Menino. E, de facto, a imagem do Menino já lá estava no seu lugar. Unanimemente reafirmaram a santidade e virtude da Menina do Merendeiro Em 1517 sob a influência do franciscano Fr. Francisco Lisboa as irmãs aceitaram a Regra primitiva de Santa Clara e, do Mos-

teiro de Beja, vêm algumas Irmãs que implementam a reforma dos costumes e da disciplina. Em 1755 sentem o grande terramoto mas, segundo as Memórias do Convento, graças aos santos Fundadores, não se verificaram quaisquer estragos no edifício. Em 1834, no âmbito da “Reforma geral eclesiástica” empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios e casas de religiosos de todas as Ordens Religiosas. Estes decretos liberais viriam a condená-lo a uma lenta e penosa agonia, que culminaria com a morte da última Irmã em 1893. Os acontecimentos humanos podem destruir as pedras mortas do edifício, contudo as pedras vivas que reflectem a vida de Deus, essas nada nem ninguém lhes pode dar a morte. Têm promessas de vida eterna. Irmãs Clarissas de Monte Real

de Paris, com a finalidade de permitir aos jovens e adultos receber um ensinamento religioso renovado sobre as grandes questões que interrogam a sua fé. A partir de 1846 começou a sentir sintomas da grave infecção renal que vai perturbar a sua intensa atividade. Em 1853, consciente do mal que o mina, faz esta oração: “«Senhor, quero o que Tu queres, quero como o queres e por todo o tempo que o quiseres, quero-o porque Tu o queres». Morreu nesse mesmo ano, em Marselha. Em 1997, foi beatificado em Paris pelo Papa João Paulo II. Na homilia, João Paulo II disse de Ozanam: “Ele observa a situação real dos pobres e procura um empenho cada vez mais eficaz, para os ajudar a crescer em humanidade. Compreende que a caridade deve levar a trabalhar pela reparação das injustiças. Caridade e justiça caminham a par e passo. Tem a coragem lúcida dum empenho social e político de primeiro plano numa época agitada da vida do seu país, pois nenhuma sociedade pode aceitar a mi-

séria como uma fatalidade, sem que a sua honra não seja atingida.” O mesmo Papa sublinha a sua atitude de intelectual, dizendo: Ele “teve em vista antes de tudo a investigação e a comunicação da verdade, na serenidade e no respeito das convicções daqueles que não partilhavam as suas. «Aprendamos a defender as nossas convicções sem odiar os nossos adversários, escrevia ele, a amar aqueles que pensam diversamente de nós [...]; lamentemo-nos menos dos nossos tempos e mais de nós mesmos». Com a coragem do crente, denunciando todos os egoísmos, ele participa ativamente na renovação da presença e da ação da Igreja na sociedade da sua época.” Em suma, tendo sido um “homem de pensamento e de ação”, Frederico Ozanam continua a ser – afirma João Paulo II – “um modelo de empenho corajoso capaz de fazer ouvir uma palavra livre e exigente, na busca da verdade e na defesa da dignidade de toda a pessoa humana.”


DIOCESE 9

O Mensageiro 19.Abril.2012

Igreja da Gândara acolhe iniciativa da Vigararia de Leiria

Grande Vigília de Oração Vocacional

No âmbito da iniciativa “Fé e Arte, um diálogo de séculos”, organizada pelo Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima, irá realizar-se no sábado, dia 28 de Abril, a sexta visita guiada ao património religioso da diocese. Sob o título “Por terras do Lena”, visitar-se-ão em Alvados, a igreja paroquial e, em Porto de Mós, as igrejas paroquiais de S. João e S. Pedro e ainda a capela de Sto. António. Gonçalo Cardoso, Sónia Vazão, Filomena Martins e Paulo Matos serão os orientadores das visitas. Esta iniciativa tem alcançado um notável êxito pelo seu interesse, bem como pelo número de participantes, somando já várias centenas. Pelo Departamento de Arte e Património da Diocese de Leiria-Fátima M. Filomena Martins

Paróquia dos Marrazes

Vamos adoptar um Seminarista Foi assim que nasceu a ideia, em Outubro passado, através da equipa vocacional da paróquia de Marrazes, com a inquietação do que se poderia fazer na Semana dos Seminários. O que podemos fazer? Era a nossa pergunta. Rezar, é certo que se reza, mas levar a comunidade a uma responsabilidade concreta, rezar por alguém, com nome era o nosso objectivo. Surgiu assim a ideia de se elaborar uma pagela com a oração pelos Seminários e também com o nome

dum seminarista. Todos os voluntários iriam adoptar um seminarista rezando por ele todos os dias, o que se fez em todos os centros de culto da paróquia. A proposta foi muito bem aceite e as pagelas foram distribuídas nas Eucaristias dominicais nessa semana, a quem quis adoptar um seminarista concreto. Como resposta a esta iniciativa, no dia 10, a paróquia de Marrazes, teve a honra de receber estes dez jovens, que celebraram a Eucaristia connosco, presidida

pelo Padre Armindo Janeiro e concelebrada pelo pároco, Padre Augusto Gonçalves e pelo Padre André Batista. A igreja estava cheia, para acolher estes “ corajosos “ que, sem medo, mergulharam no amor infinito de Deus e que à semelhança de Maria deram o seu Sim. No final da celebração, tivemos um momento de diálogo e partilha em que cada um teve oportunidade de se apresentar e dar o seu testemunho, que deixou marcas a quem os ouviu com o coração. Estes

jovens que afirmativamente responderam ao convite de Jesus, que os chama, como a todos nós, nas mais diversas vocações: “ Vem e segue-Me” e “Bem aventurados os que O seguem sem olhar para trás”. Que Deus nos continue a dar a nós e a eles, a coragem para continuarmos todos juntos, no esforço da construção corresponsável do Reino de Deus. Equipa Vocacional

Casa de Retiros de S. José do Seminário Diocesano do Leiria

Tempo de Oração e Silêncio Na Oitava da Páscoa, realizou-se na Casa de Retiros da nossa Diocese, o primeiro Tempo de Oração e Silêncio, aberto a todos. Como foi anunciado, os responsáveis desta Casa tomaram a iniciativa de propor dois encontros por ano – um no fim-de-semana a seguir à Páscoa e outro no fim-de-semana a seguir ao Natal – para contemplar e saborear tão grandes Mistérios da nossa fé, em tempos tão oportunos! No final deste primeiro retiro de dois dias, os leigos que participaram louvaram e agradeceram a iniciativa e testemunharam, com muita alegria, como foi bom e importante o silêncio e a oração experimentados e vividos na contemplação

DA PÁSCOA DO SEMHOR! O orientador Padre Manuel Afonso, Director Espiritual do Seminário Maior de Braga e Superior da Comunidade Shalom da mesma cidade, ajudou a ver a importância do silêncio para a oração e propôs a leitura e meditação de alguns textos bíblicos sobre a Paixão, Morte e Aparições do Ressuscitado. Fê-lo de forma muito simples e profunda, sem discursos teológicos nem moralismos, ajudando-nos a ler e a confrontar a Palavra de Deus com a vida, em longos tempos de oração individual, e convidando a abrirmo-nos à presença de Deus em nós, no seguimento da experiência de Santo Agostinho: “Estavas dentro

Iniciativa “Fé e Arte, um diálogo de séculos”

Visitas “Por terras do Lena”

igreja da Gândara, Marrazes, e terá início às 21h00. Convidam-se todas as pessoas a participar neste momento de oração, com especial atenção para os jovens que frequentam o 10º ano de catequese. Os catequistas deverão para tanto motivar à participação e organizar a forma de transporte para facilitar. DR

A equipa vocacional da vigararia de Leiria, promove no dia 26 de Abril, quintafeira, uma vigília de oração pelas vocações. Integrada na temática da diocese para o presente ano pastoral, a vigília terá como fio condutor o desafio a ser Luz do mundo e tornar-se cada vez mais testemunhas de Cristo no mundo. A vigília acontecerá na

BREVES

de mim e eu era fora que Te procurava”! Meditar no silêncio da Cruz, colocando-nos dentro dos relatos da Paixão e contemplando o Cordeiro Pascal que se podia livrar da morte, mas que Se entregou para ser transformado e transformar a todos, faznos perguntar se também nós estamos dispostos a morrer, até para aquilo que em nós é bom, para vivermos mais n’Ele, por Ele e com Ele! As mulheres correram ao sepulcro procurando o corpo morto de Jesus, mas os Anjos disseram-lhes que Ele vivia e que esperava pelos seus discípulos na Galileia, era lá que O haviam de ver! Galileia é a nossa terra, o nosso quotidiano, o nosso

ser, é aí que Ele está à nossa espera! Quando se põe a caminho com os discípulos de Emaús, o Ressuscitado aquece-lhes o coração e no momento da fracção do Pão, reconhecem-No! Não podendo ficar calados, já sem medo, partem imediatamente para Jerusalém a anunciar que Ele está Vivo, Ressuscitou! O nosso encontro com o Ressuscitado impele à vida nova, ao anúncio, ao testemunho! É a vida nova do Ressuscitado que recebemos no baptismo e que continuamente nos é oferecida na e através da Igreja! Mesmo quando anoitece, Ele está sempre connosco! Jacinta Santos

Paróquia da Maceira

“Paixão e morte do Senhor” Foi na passada Sexta-feira Santa que a paróquia de Maceira pode assistir à representação bíblica da paixão e morte do Senhor. Com a organização a cargo da Pastoral Juvenil e com a participação de vários jovens e adultos no desempenho dos diversos papeis, esta encenação teve como protagonista o Rev. Pároco, padre Marcelo de Moraes, no papel de Jesus Cristo. Perante uma assistência de centenas de pessoas, foram meditadas diversas cenas da paixão, como a Ultima Ceia, a condenação por parte dos Sacerdotes no Sinédrio e por Pilatos no Pretório, a flagelação, o Calvário e a sepultura. Foi bonito ver o ambiente de meditação que se viveu pelas ruas do Bairro da Maceira Liz, enquanto a multidão, empolgada, acompanhava a caminhada de Cristo. O Cenário vivido na hora da crucifixão e morte de Jesus, com uma noite limpa e céu estrelado foi verdadeiramente comovente. Segundo opiniões de populares, “nunca antes tinham visto nada igual”.

3º Interescolas de EMRC

“Caminhos de Luz” No passado dia 11 de Abril reuniram em Fátima, no Colégio de São Miguel, cerca de 900 alunos do 2ºciclo de dezasseis escolas, para o 3º Interescolas. Este ano e, tendo em conta a temática pastoral da Diocese de Leiria – Fátima, o tema foi: “Caminhos de Luz”. Pretendeu-se ajudar os alunos a reflectir sobre a importância de ser Testemunha de Cristo, de Ser Luz: na família, na escola, no grupo de amigos, na sociedade, na Igreja. A parte da manhã contou com um momento de oração (Uma Luz brilha!), participação de escolas (A beleza da Luz), canções, grito de claques por escolas, convívio. À tarde, fazendo caminhada (A Luz do Caminho), dirigimo-nos para a Capelinha das Aparições onde realizámos um momento celebrativo e fomos recebidos pelo Senhor Reitor do Santuário, Pe. Carlos Cabecinhas. Foi o momento alto do nosso Encontro. Todas as Escolas levaram como símbolo / lembrança uma vela representativa do tema do Interescolas.


10 ECLESIAL

O Mensageiro

Leituras | III Domingo da Páscoa

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(22/04/2012)

JANELA SOBRE A MISSÃO

Antífona de Entrada: Salmo 65, 1-2 Leitura I: Actos 3, 13-15.17-19 Salmo Responsorial: Salmo 4, 2.4.7.9 (R. 7a);Refrão: Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz do vosso rosto. Repete-se Leitura II: 1 Jo 2, 1-5ª Aclamação ao Evangelho: cf. Lc 24, 32; Refrão: Aleluia. Repete-se; Senhor Jesus, abri-nos as Escrituras, falai-nos e inflamai o nosso coração. Refrão Evangelho: Lc 24, 35-48 Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?». Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles. Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de todas estas coisas». Palavra da salvação.

Cânticos | IV Domingo da Páscoa

Pe. Vitor Mira

vitormira67@gmail.com

Mensagem a partir do Mussende Olá amigos e amigas. Antes de mais, votos de Santa e Feliz Páscoa da Linha da Frente que está a trabalhar na missão do Gungo em Angola. Neste momento envio esta mensagem a partir do

AO SABOR DA PALAVRA

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(29/04/2012)

INÍCIO Cristo Jesus Tu me chamastes - Lau 248 Alegre-se o coração - Lau 142 SALMO RESPONSORIAL A pedra que os construtores - Lau 111 APRESENTAÇÃO DOS DONS Ó páscoa gloriosa - Lau 572 Vós me seduzistes, Senhor - Lau 877 COMUNHÃO Eu sou o bom Pastor - Lau 370 Eu vim para que tenham vida - Lau 382 PÓS-COMUNHÃO Recebestes um Espírito - Lau 716 Cantarei ao Senhor - Lau 211

FINAL Quero ouvir Teu apelo - Lau 712 Senhor eu seguirei o vosso exemplo - Lau 760

leia, assine, divulgue, anuncie!

O MENSAGEIRO

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

3º Domingo da Páscoa 22 de Abril de 2012

Algo de novo No último dia da oitava páscoa é-nos apresentada a Igreja, como comunidade de Homens Novos que se vai organizando em vista à construção do Reino de Deus aqui na terra. Na primeira leitura temos, numa das “fotografias” que Lucas apresenta da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade formada por pessoas diversas, mas que vivem a mesma fé num só coração e numa só alma; é

Mussende, um município ao norte da diocese do Sumbe, que já faz fronteira com as províncias de Malange e Bié. Fomos acolhidos pelos padres Reis e Adriano na casa desta missão. Estamos nós, a equipa do Grupo Ondjoyetu, e os pais das nossas manas Sofia e Inês que vieram visitar-nos e celebrar a Páscoa connosco. Estivemos no Gungo de quarta-feira da Semana Santa até segunda-feira. Celebrámos a Páscoa na Donga de uma forma muito festiva, como é próprio destas gentes e paragens. Desde quinta-feira Santa que chega cada vez mais gente à Donga para a celebração do Tríduo Pascal e no domingo esteve presente uma pequena multidão. Na missa da vigília pascal foram baptizadas 20 pessoas entre adolescentes, jovens e adultos,

uma comunidade que manifesta o seu amor fraterno em gestos concretos de partilha e de dom e que, dessa forma, testemunha Jesus ressuscitado. A comunidade cristã é uma “multidão” que aderiu a Jesus, aos seus valores, à sua proposta de vida. A Igreja não é um grupo unido por uma ideologia, ou por uma mesma visão do mundo, ou pela simpatia pessoal dos seus membros; mas é uma comunidade que agrupa pessoas de diferentes raças e culturas, unidas à volta de Jesus e do seu projecto de vida e que de forma diversa procuram incarnar a proposta de Jesus na realidade da sua vida quotidiana. Por isso temos de ultrapassar a tradicional imagem da Igreja: uma entidade que apenas se preocupa em impor regras à vida das pessoas, uma entidade formal e externa. A Igreja é um organismo vivo que cresce e se desenvolve, que sofre e que se alegra e que busca a felicidade na fidelidade da sua vida, fidelidade a Jesus, cabeça e alma da Igreja. Por isso no Evangelho sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado

DR

19.Abril.2012

tendo todos eles feito a sua Primeira Comunhão. Foram ainda baptizadas 13 crianças, filhas dos adultos que entretanto celebraram o seu casamento cristão no dia de Páscoa, e foram seis casais a fazê-lo. A equipa está boa de saúde e, como sempre, animada e motivada. Nem dois furos nos pneus do camião, no espaço de dois quilómetros (o que aconteceu na segunda-feira passada no regresso do Gungo), fez

perder a coragem e força de vencer obstáculos. Os pais das nossas missionárias já regressaram a Portugal sábado. Aproveitámos a viagem para ir por um caminho mais distante para que eles e alguns de nós possamos conhecer um pouco mais de Angola. Continuação de boas festas pascais na alegria de Jesus ressuscitado.

é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo. A comunidade dos crentes, que é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios (está fora) e que não faz caso do testemunho da comunidade, nem percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de integrar-se e participar da mesma experiência, pretende obter (apenas para si próprio) uma demonstração particular de Deus. A presença de Cristo ao lado dos seus discípulos é sempre uma presença renovadora e transformadora. É esse Espírito que Jesus oferece continuamente aos seus, que faz deles homens e mulheres novos, capazes de amar até ao fim, ao jeito de Jesus; é esse Espírito que Jesus oferece aos seus, que

faz deles testemunhas do amor de Deus e que lhes dá a coragem e a generosidade para continuarem no mundo a obra de Jesus. A segunda leitura recorda aos membros da comunidade cristã os critérios que definem a vida cristã autêntica: o verdadeiro crente é aquele que ama Deus, que adere a Jesus Cristo e à proposta de salvação que, através dele, o Pai faz aos homens e que vive no amor aos irmãos. Quem vive desta forma, vence o mundo e passa a integrar a família de Deus. Amar a Deus e aderir a Jesus implica, na perspectiva do autor da primeira Carta de João, o amor aos irmãos. Quem não ama os irmãos, não cumpre os mandamentos de Deus e não segue Jesus. É preciso que a nossa existência – a exemplo de Jesus – seja cumprida no amor a todos os que caminham pela vida ao nosso lado, especialmente aos mais pobres, aos mais humildes, aos marginalizados, aos abandonados, aos sem voz. É nesse amor que construímos a comunidade nova dos homens.


PORTUGAL 11

O Mensageiro 19.Abril.2012

Assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa

Cardeal-patriarca pede realismo e equidade em defesa do «bem comum» O cardeal-patriarca de Lisboa apelou, no dia 16 em Fátima, à “justiça” na resposta à actual crise económica em Portugal, sublinhando que o “realismo das situações” deve ter sempre em conta “a equidade”. “A verdade deve prevalecer sobre ideologias, o bem comum está acima de interesses individuais ou grupais”, disse D. José Policarpo, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), na abertura dos trabalhos da 179ª assembleia plenária deste organismo. Para este responsável, os bispos católicos devem ter em conta “as interpelações pastorais acrescidas devido ao momento que o país atravessa”. D. José Policarpo defendeu a construção de uma

“rede de solidariedade”, como “resposta própria” da Igreja, dirigindo-se ainda a políticos, associações de empresários e de trabalhadores, comunicação social e fazedores de opinião. “A todos pedimos, na especificidade do contributo próprio de cada um, a coragem da verdade, a generosidade das soluções propostas, a prioridade dada ao bem comum, a busca da justiça e da paz social”, prosseguiu. A assembleia plenária, órgão máximo da CEP, está a decorrer na Casa de Nossa Senhora das Dores, Santuário de Fátima, da Diocese de Leiria-Fátima, até hoje, quinta-feira. Durante os trabalhos, os bispos vão examinar os resultados do inquérito realizado em 2011 pela

Universidade Católica Portuguesa sobre ‘Identidades religiosas em Portugal: representações, valores e práticas’. A CEP vai ainda analisar duas notas pastorais: ‘Unidade da Europa, um projeto de civilização’ e ‘Celebrar e viver o Concílio Vaticano II’. A este respeito, o cardeal-patriarca de Lisboa recordou as propostas lançadas por Bento XVI pela celebração dos 50 anos da abertura do Concílio, a nova evangelização e a proclamação do Ano da Fé, que se inicia em Outubro. “Só o vigor de uma fé confessada permitirá a ousadia de novas formas de evangelizar em que a missão dos cristãos leigos é importante, no seio da família e das diversas

estruturas da sociedade”, observou. Segundo D. José Policarpo, o Concílio Ecuménico Vaticano II (1962-1965) “traçou as coordenadas de uma fé vivida, em Igreja, radicada na actualidade da Palavra de Deus, centrada em Jesus Cristo, capaz de ser anúncio de esperança para a sociedade contemporânea”. “Atrevo-me a propor que a concretização daqueles pontos comuns de renovação pastoral que vimos procurando, sejam, no próximo ano, vivências comuns do Ano da Fé, ao ritmo do Concílio e da Nova Evangelização”, disse o presidente da CEP, a entidade representativa da Igreja Católica em Portugal.

SNPES pede mais apoio do Estado para os estudantes

“Ninguém deixe de estudar” O Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior (SNPES) quer um Estado mais atento aos alunos carenciados e mudanças nas condições de acesso à educação, para evitar que esta se transforme num privilégio de poucos. Numa carta enviada à Agência ECCLESIA, endereçada ao secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró, os responsáveis católicos sustentam que o poder político deve assegurar que “ninguém deixe de estudar” devido a questões “exclusivamente económicas” ou para “esconder uma pobreza inesperada”. Numa altura em que muitas famílias são confrontadas com o “flagelo do desemprego” e com a “subida do custo de vida, especialmente na alimentação, no alojamento e nos transportes”, é preciso “não aumentar o valor das propinas, reforçar o montante do Estado para a Acção Social e tornar mais justos os

critérios de atribuição de bolsas”, propõe o SNPES. O texto, também enviado ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e ao Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, critica a “burocracia associada ao preenchimento do processo de candidatura à bolsa” e “a perda de apoio nos transportes para estudantes deslocados”. Questiona ainda a “justiça legislativa” que determina a “impossibilidade de aceder à Bolsa” nos casos em que “um membro do agregado familiar não tem a situação tributária regularizada”. “Claro que sabemos a sugestão de se tornarem agregados unipessoais ou bipessoais, contudo, parece-nos estranho a necessidade de promover esta mentira”, realçam os membros do Secretariado, que passam depois para a questão dos alunos que chegam a Portugal, vindos

dos países lusófonos. De acordo com o SNPES, “muitos deles vêm para Portugal com a hipotética garantia de receber uma Bolsa, que na verdade, em muitos casos, não existe”. Privados de uma realidade que tinham dado como garantida, “estes alunos passam por muitas dificuldades” e são obrigados a recorrer aos “fundos solidários” dinamizados pela Pastoral Universitária. Por outro lado, “muitos” alunos vindos dos PALOP “pressionam os fundos solidários, e outros apoios de Acção Social, no sentido de conseguirem o dinheiro suficiente para as propinas podendo assim regularizar o seu visto, deixando para segundo plano o seu percurso académico”. Para o SNPES, seria uma “boa prática, quando possível, exigir que o último semestre (ou o estágio ou a defesa) seja efectuado no próprio país de origem, podendo assim atribuir dupla

certificação, como já acontece em alguns casos”. Facilitar o acesso dos estudantes ao trabalho em “part-time”, como forma de assegurar uma maior sustentabilidade económica, “valorizar e incentivar o voluntariado” no ensino superior, numa lógica de “responsabilidade social” dos mais novos, e combater “desperdícios” associados a “praxes” e “semanas académicas” são outras sugestões contidas na carta remetida ao secretário de Estado do Ensino Superior. “Nos tempos actuais, revela-se ainda mais importante aprender a gerir os recursos, promovendo e incentivando um estilo de vida mais responsável socialmente entre os estudantes do ensino superior, motivando-os para a excelência como um critério de referência académica”, escrevem os membros do SNPES, liderados pelo coordenador nacional, Jorge Bernardino.

Instituição assina protocolo para prevenir e resolver situações

Cáritas critica penalização de fiadores

O presidente da Cáritas Portuguesa classificou hoje de injusta a legislação que permite às instituições de crédito recorrerem aos fiadores quando os devedores perdem involuntariamente parte dos rendimentos, como nos casos de desemprego ou redução de ordenado. “Não tenho qualquer relutância em afirmar que estamos perante uma injustiça”, afirmou Eugénio Fonseca à Agência ECCLESIA, acrescentando que “os bancos também devem ter co-responsabilidade na assunção dos encargos” e do “capital de risco”, não podendo ficar “apenas com os proveitos”. A instituição de acção social da Igreja Católica defende a criação do “fiador moral, pessoa acreditada por entidade idónea que garanta perante a instituição credora ou o Estado que a situação do devedor é involuntária e que, em circunstâncias normais, continuaria a assumir o seu compromisso”, explicou. A figura do fiador moral “aliviaria muito a pressão psicológica sobre as pessoas”, referiu Eugénio Fonseca, que chamou a atenção para as implicações individuais e sociais do endividamento, o problema “mais grave” de Portugal, a par do “desemprego”. “A primeira consequência é o sentimento de vergonha nas pessoas que sempre honraram os compromissos”, levando-as a “encobrir” a situação, pelo que quando pedem ajuda as quantias em dívida “impossibilitam uma solução por parte de instituições da sociedade civil”. A “pressão psíquica” pode “degenerar nas depressões, que por sua vez conduzem ao agravamento das condições económicas por causa do recurso a medicamentos que deixaram de ser comparticipados”, assinalou. A Cáritas, salientou, “está constantemente a ajudar no pagamento de medicamentos para doenças do foro mental”. “Em casos limite as pessoas suicidam-se, e por trás de um suicídio há sempre dívidas. A depressão é tão profunda que os devedores deixam de ter capacidade reflexiva e procuram essa solução radical, esquecendo que os familiares é que terão de assumir as dívidas”, apontou. Eugénio Fonseca saúda a lentidão da Justiça portuguesa quando está em causa o abandono forçado das habitações por incumprimento das rendas ou prestações: “Para estes casos – e só para estes, sublinho – felizmente que os nossos tribunais não são tão eficientes, porque se o fossem haveria muita gente com ordens de despejo”. “Há muitas vezes a complacência dos juízes, que retardam a solução porque sabem que as pessoas não fazem por querer”, referiu. A Cáritas Portuguesa assinou um protocolo com o Grupo Dinâmico, entidade que vai disponibilizar apoio gratuito “às pessoas que estão a viver os dramas incomportáveis do endividamento”, aconselhando-as “com vista ao redimensionamento das dívidas e à facilitação do diálogo com as entidades credoras”, disse Eugénio Fonseca. A selecção dos casos vai ser feita pelas delegações diocesanas da Cáritas, que os encaminham para a sede, em Lisboa, local onde o Grupo Dinâmico oferece mensalmente quatro atendimentos presenciais. O acordo, que não abrange casos em tribunal, contempla igualmente o acompanhamento jurídico de outras situações a partir da análise de documentos, dispensando o contacto presencial.


12 PORTUGAL

Congresso internacional no Vaticano

Recordar o imperador Constantino O Vaticano está a promover, desde a passada terça-feira, uma conferência para a apresentação de um congresso internacional sobre o imperador romano Constantino, que nasceu em 274 e faleceu em 337. A iniciativa decorre até sábado e está a ser organizada pelo Comité Pontifício de Ciências Históricas, no 1700.º aniversário da batalha da Ponte Milvio e da conversão de Constantino ao cristianismo. O congresso internacional tem como tema ‘Constantino o Grande. Nas raízes da Europa’.

Reflexões mais recentes da Igreja Católica

Conselho Pontifício para a Família lança manual

O Conselho Pontifício para a Família vai lançar um manual com as reflexões mais recentes da Igreja Católica sobre matérias como o aborto, o divórcio e o controlo da natalidade. Em declarações prestadas à Rádio Vaticano, o presidente daquele organismo, cardeal Ennio Antonelli, explica que “o objectivo da publicação é servir como instrumento de consulta para agentes da pastoral familiar, associações, movimentos, investigadores e políticos”. Os temas propostos, com base em mensagens de João Paulo II e de Bento XVI, vão desde a teologia à antropologia da família, da educação para o amor à preparação do matrimónio e da concepção da vida à morte natural. A obra, que terá uma tiragem inicial de 5 mil cópias, será apresentada durante o VII Encontro Mundial das Famílias, que terá lugar entre 30 de Maio e 3 de Junho, na cidade italiana de Milão.

Argentina

Igreja Católica propõe «Cem dias de solidariedade» A Igreja Católica da Argentina abriu no passado Domingo uma campanha de “Cem dias de solidariedade” para ajudar as vítimas da tempestade que se abateu há pouco mais de uma semana, na capital Buenos Aires. A catástrofe natural causou a morte a catorze pessoas e fez dezenas de feridos e desalojados, que agora vão precisar de meios financeiros para poderem ter acesso a “serviços básicos como água e electricidade”, realçam os bispos. Num comunicado veiculado pela Rádio Vaticano, o episcopado argentino apela aos fiéis para que se abram à “solidariedade” a partir do “compromisso com os mais carenciados”. A recolha de fundos vai decorrer até dia 29 de Julho, com o apoio logístico da Cáritas local.

19.Abril.2012

Papa na celebração do seu 85.º aniversário

Bento XVI apoia-se na “bondade de Deus”

DR

Breves

O Mensageiro

Bento XVI presidiu a uma missa no Vaticano, dia 16 de Abrl, por ocasião da celebração do seu 85.º aniversário natalício, durante a qual disse confiar na “bondade de Deus” para enfrentar “todas as forças negativas”. “Encontro-me perante a última etapa do percurso da minha vida e não sei o que me espera. Sei, contudo, que a luz de Deus existe, que Ele ressuscitou, que a sua luz é mais forte do que qualquer escuridão, que a bondade de Deus é mais forte do que todo o mal deste mundo”, afirmou, na homilia da celebração. Na missa privada, que decorreu na Capela Paulina do Palácio Apostólico, marcaram presença bispos germânicos e uma delegação da Baviera, terra natal do Papa, no sul da Alema-

nha, para além de vários cardeais. Bento XVI aludiu ao facto de ter nascido num Sábado Santo, no qual foi baptizado, um dia de “silêncio de Deus, de aparente ausência”, antes da festa da ressurreição. O Papa alemão revelou ainda a sua ligação particular a dois santos, nascidos em França, e que morreram a 16 de Abril: Bernadette Soubirous (1844–1879), a vidente de Lourdes, e Benoît-Joseph Labre (17481783), que apresentou como um “santo europeu”, que se dedicou à pregação itinerante. “Só Deus pode eliminar as fronteiras porque, no que diz respeito a Deus, somos todos irmãos, fazemos parte uns dos outros”, sublinhou. Sobre Santa Bernardet-

te, Bento XVI confessou a admiração pela capacidade de “ver a Mãe de Deus” e aquilo que lhe indicava, a “fonte de água viva, pura”. Após a missa, o Papa concedeu uma audiência à delegação vinda da Baviera, para assinalar este dia de aniversário. Joseph Aloisius Ratzinger nasceu na localidade de Marktl am Inn, na região da Baviera, a 16 de abril de 1927. Filho de um comissário da polícia e de uma cozinheira, foi ordenado padre a 29 de Junho de 1951, tinha então 24 anos, juntamente com o irmão, Georg Ratzinger, presente na celebração. Depois de concluir o doutoramento em Teologia ensinou em universidades de Bona, Münster, Tubinga e Ratisbona (Regensburg),

lições que foram parcialmente publicadas na obra “Introdução ao Cristianismo” (1968). A 28 de Maio de 1977 recebeu a ordenação episcopal, tornando-se arcebispo de Munique-Freising, tendo escolhido como lema ‘Colaborador da verdade’, e a 27 de Junho do mesmo ano foi nomeado cardeal por Paulo VI. João Paulo II nomeouo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e presidente da Pontifícia Comissão Bíblica a 25 de Novembro de 1981 e no dia 27 de Novembro de 2002 tornou-se decano do Colégio dos Cardeais, após votação dos seus pares. Joseph Ratzinger foi eleito sucessor de João Paulo II na tarde de 19 de Abril de 2005, no quarto escrutínio do conclave iniciado um dia antes, tendo escolhido o nome de Bento XVI. O actual Papa é o sexto mais velho dos últimos 700 anos e o mais idoso desde que Leão XIII faleceu, aos 93 anos, em 1903. O Vaticano disponibilizou um endereço electrónico para as pessoas interessadas em enviar as suas felicitações ao Papa: auguri.benedetto xvi@vatican.va

Bento XVI deixa apelos à unidade e conversão dos cristãos

Peregrinação da Túnica Sagrada Bento XVI dirigiu-se aos participantes na 20ª Peregrinação da Túnica Sagrada, na passada sextafeira, na diocese alemã de Tréveris, apelando à unidade dos cristãos e à abertura de coração para a “conversão” junto de Deus. A mensagem do Papa, publicada pela Rádio Vaticano, foi transmitida aos fiéis pelo cardeal Marc Ouellet, prefeito da Con-

gregação para os Bispos e enviado pontifício para o evento, que este ano tem uma forte componente ecuménica, contando com a participação de protestantes e ortodoxos. Indo ao encontro do lema da Peregrinação, “Reconduz à unidade aquilo que foi dividido”, Bento XVI sublinhou a importância dos cristãos “não permanecerem isolados” mas

“crescerem juntos na fé, na oração e no testemunho”. O Papa apontou ainda a “constante disposição” para a “conversão” e a “humildade” como uma das principais características para a Igreja continuar a ser “discípula” de Cristo. Milhares de fiéis acorreram à diocese mais antiga da Alemanha para participarem no lançamento das cerimónias, que marcam

também o 500.º aniversário da primeira exposição da túnica que terá sido usada por Jesus no dia em que foi crucificado. Tal como em 1512, os peregrinos que acorreram a Tréveris aclamaram a exposição da relíquia, sob o repicar dos sinos da Catedral.


OPINIÃO 13

O Mensageiro 19.Abril.2012

Velhos são os trapos (2)

ANÁLISE POLÍTICA

Agir com dignidade A Declaração Universal dos Direitos do Homem (de 1948) constitui, quanto a nós, uma das grandes referências no campo dos Direitos Humanos. No seu artigo primeiro estabelece que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.” Assim, compreende-se que a nossa Constituição (de 1976), no seu artigo 1.º tenha como suporte, no campo da ética pública, o princípio da dignidade da pessoa humana e incentive ao empenho de todos na construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Questionemo-nos então: como é que cada um de nós se sente implicado na construção desta sociedade solidária? Temos consciência das consequências que um Estado Social, assente neste princípio da solidariedade, acarreta? Se não existem direitos baratos e se o Estado Social se encontra economicamente debilitado quais são as prioridades? Que direitos têm que ser preservados? Que grupos devem ser protegidos? Teremos nós consciência que não poderemos ter o melhor de dois mundos? O que estamos dispostos a ceder? Este pensar o Estado e a sociedade pressupõe que saiamos do nosso círculo individual para considerar que existem problemas e necessidades que devem ser ponderadas num contexto coletivo porque relevam para todos. Importa que assumamos que quem é parte do problema é parte na solução. Para isso, é fundamental que nos comprometamos com os valores da responsabilidade e da solidariedade. Mas, que solidariedade? Uma solidariedade como disposição individual e coletiva para a ação e cooperação. Um agir pensado a partir da dignidade. Promover um ambiente de cooperação assente na comunicação é central para a mudança. Devemos sonhar uma sociedade solidária mas não devemos bloquear de tal modo que o ideal nos impeça de agir e fazer o que está ao nosso alcance. Importa, então, que o que fizermos façamos bem! E fazer bem implicame sempre na relação com o outro tão digno quanto eu. P` InterMEDIAR Filomena Carvalho Sofia Ferreira

Orlando Fernandes Jornalista

As ilusões da Troika

E

stamos prestes a fazer um ano de subordinação política e económica à ‘troika’ e, segundo nos vão dizendo, estamos a cumprir algo muito estranho que nos trouxe até aos 15% de desemprego (que, seguramente, continuará a crescer), a um aumento da carga fiscal que, na prática, se tem consubstanciado numa redução da receita fiscal, ao nascimento de um conjunto de novos pobres que, em vez de se autonomizarem do Estado, cada vez são mais dependentes deste para sobreviver (com as óbvias consequências para o sistema de Segurança Social), e a uma descrença colectiva e desagregação social que poderão causar feridas muito difíceis de sarar na nação. Não crítico o Governo por estar a fazer o enorme esforço de cumprimento do acordo que o País celebrou com as entidades internacionais, pois sem o mesmo já teríamos declarado falência. E, não tenhamos dúvidas, que a falência seria (ou será?) indubitavelmente pior do que os tempos que estamos a viver. No

entanto, convém também não cairmos em ilusões insensatas. É umas ilusões dizerem-nos que Portugal regressará aos mercados no dia 23 de Setembro de 2013 ou que os subsídios dos funcionários públicos cairão nas suas contas no ano x ou y. Como é evidente, nenhum membro do Governo poderá fazer essa afirmação com rigor que todos gostaríamos. Pelo contrário, se continuarmos a ignorar a importância da economia, o mais provável é que em Setembro de 2013 estejamos a celebrar um novo pacote de ajuda ou, na pior das hipóteses, a reestruturar a nossa dívida, o que levará a que Portugal deixe de contar para os mercados durante muitos e penosos anos. Para que esta não seja a nossa sina, não será necessário um milagre, mas são fundamentais duas coisas: primeiro que a Europa decida se quer continuar de ‘bailout’ em ‘bailout’ ou se quer ser uma verdadeira união económica e solidária; segundo, que a economia portuguesa sofra um choque de competitividade, não assente no investimento público desgarrado, mas sim num enquadramento fiscal, administrativo e jurídico verdadeiramente atractivo para o investimento empresarial e para a criação de riqueza e emprego. Se isso não acontecer, as afirmações dos membros do Governo não serão mais do que meras pseudo manifestações de confiança de um treinador que ao intervalo está a perder 5-0, mas que nos quer convencer que vai ganhar 5-6. E, no final, o mais que conseguimos foi saltar de uma ilusão cor-derosa para uma ilusão cor-delaranja. Por favor, poupemnos a isso…

Incentivo burocrático* Por José César das Neves

U

m facto surpreendente da democracia é a confiança implícita do público na capacidade do Estado em resolver os problemas sociais. Essa confiança é sucessivamente desiludida, pelo fiasco de sucessivos Governos mas, face ao engano, os eleitores limitam-se a transferir a fé para o executivo seguinte, sem nunca perder a esperança de algum vir a ser eficaz, apesar da evidência esmagadora em contrário. A ilusão nasce da ignorância generalizada da regra mais elementar da política: os ministérios são sempre os menos interessados em ter sucesso. Não é maldade. É incentivo. Um pequeno exemplo mostra esse efeito. Suponha por milagre que Portugal elimina a pobreza. Isso significaria o fim de largas secções do Ministério da Solidariedade, a redução drástica da Segurança Social e de múltiplas instituições de combate à miséria, com forte perda de influência e desemprego de vasto número de burocratas. Veja, pelo contrário, que o problema da pobreza se agrava em Portugal. Evidentemente que o ministério não é acusado desse mal e, em vez disso, ganha muito mais orçamento, influência e pessoal. Sendo assim, qual é o interesse da instituição em melhorar o problema que lhe está entregue? Todos os benefícios lhe vêm de ele agravar esse drama social. O que é verdade na pobreza aplica-se igualmente à educação, saúde, polícia, etc. Cada um desses departamentos do Estado vive de lidar com os males sociais e ganhará peso e importância quando eles aumentarem, entrando em decadência se a sociedade vencer os seus problemas. As Forças Armadas andam em baixa por falta de guerras, enquanto o Ministério das Finanças ganhou poder absoluto precisamente pelos enormes disparates da política orçamental recente. Nas empresas, se somos mal servidos mudamos de fornecedor. No Estado, o fiasco aumenta o poder do azelha. É verdade que o ministo, cujo mandato é curto, tem todo o interesse em mostrar serviço. Afinal é ele, e não o ministério, quem será julgado

e sofrerá o castigo de as coisas correrem mal. Aí operam duas outras regras essenciais do processo governamental, também geralmente ignoradas. A primeira é que o maior adversário do político é a burocracia, e vice-versa. A segunda é que, dos dois, esta manda muito mais que o primeiro. Tudo o que o Governo faz realiza-se através do aparelho administrativo, que por isso tem poder total. Muitos ministros saíram do mandato criticados por incapacidade. Mas aqueles que afrontaram a sua máquina foram os que acabaram a carreira ridicularizados, humilhados, desfeitos. Alguns nem chegaram a perceber o truque, de tal forma o mecanismo se lhes colou à pele. Este é o quadro geral do processo político em todo o lado. As sociedades mais bem sucedidades são aqueles que confiam em si próprias para tratar dos problemas, pedindo ao Estado que cumpra apenas funções de coordenação, estabilidade, justiça e equilíbrio, sem se ocupar de funções que não lhe competem. Infelizmente, a ilusão do paternalismo é poderosa, e mesmo as culturas mais abertas e livres sofrem uma erosão de autonomia. Se este é o quadro geral existem excepções curiosas. A situação portuguesa recente constitui um caso particular muito interessante de suspensão da primeira regra, com temporária coincidência entre os interesses social e administrativo. De facto nos últimos anos os nossos ministérios cresceram em poder e dimensão enquanto a situação nacional melhorava, tudo graças à dívida externa. Como não há almoços grátis, há um ano surgiu a inexorável conta, o que inverteu a circunstância. Perante a emergência financeira tudo mudou mas, paradoxalmente, repete-se pontualmente a coincidência de interesses, agora por razões opostas. Vivemos uma oportunidade rara pois, por uma vez e durante uns meses, as máquinas burocráticas têm mesmo de procurar resolver eficazmente os problemas que lhes estão entregues, sob pena de o País falhar e todos cairmos no abismo. Isto é apenas a tradução administrativa de uma velha regra biológica: nada une tanto os organismos como o perigo de morte. * In DN (16/04/12)


14 INSTITUCIONAL / SOCIEDADE

O Mensageiro 19.Abril.2012

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Ficha de Assinatura Assinaturas normal/benfeitor: 20/40 Euros (Nacional), 30/60 euros (Europa) e 40/60 (Resto do Mundo)

Tribunal Judicial de Leiria 5º Juízo Cível EDITAL 1ª Publicação Processo: 6016/10.1TBLRA Ação de Processo Ordinário N/Referência: 6796995 Data: 14-02-2012 Autor: Paulo José Carvalho Eutiquio Réu: 1ª Faustino, Luz & Filhos, Lda – 2º Nelson Alexandre Vieira Ferreira – 3º Sandra Cristina Madaleno dos Reis – 4ª Caixa Económica Montepio Geral. Nos autos acima identificados, correm éditos de 30 dias, contados da data da segunda e última publicação do anúncio, citando: Réu: Faustino, Luz & Filhos, Lda, NIF – 503141054, com último domicílio conhecido em Vale Gracioso, Azoia, 2400-827 Leiria e Réu: Nelson Alexandre Vieira Ferreira, NIF – 213571161, B.I. nº 11027615, com último domicílio conhecido em: Quinta da Alçada, Lote 11, 6º Dtº, Leiria Gare, 2415-569 Leiria, para, no prazo de 30 dias, decorrido que seja o dos éditos, contestarem, querendo, a acção acima identificada, com a cominação de que a falta de contestação importa a confissão dos factos articulados pelo(s) autor(es) e que em substância o pedido consiste a que seja reconhecido que o Autor tem direito a reter a fracção permutada pelo valor de 125.000,00 -, Fracção I do prédio urbano em propriedade horizontal descrito na 1ª Cons. Reg. Predial de Leiria sob o nº 1794/Barreira; A reconhecer a nulidade, inexistência ou ineficácia da escritura de mutuo com hipoteca e fiança celebrada em 11-Fev.-2088; Desonerar o Autor de qualquer responsabilidade no pagamento de qualquer ónus ou encargo por ele não assumido e titulado; Condenar o 2º réu e 3ª Ré a pagar toda a importância à 4ª Ré, recebida com a 2ª hipoteca que incide sobre a fracção permutada e ainda nas custas dos autos, tudo como melhor consta do duplicado da petição inicial que se encontra nesta Secretaria, à disposição dos citandos. O prazo acima indicado suspende-se, no entanto, nas férias judiciais. Terminando o prazo em dia que os tribunais estiverem encerrados, transferese o seu termo para o primeiro dia útil. Ficam advertido de que é obrigatória a constituição de mandatário judicial. Passei o presente edital que vai ser afixado. A Juíza de Direito, (Dr(a). Luísa Andreia Gonçalves Roriz Mendes) O Oficial de Justiça, (Olinda Costa) O MENSAGEIRO • Edição N.º 4906 • 19/04/12

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Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

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F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes

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30 anos da exortação ‘Familiaris Consortio’

Marcelo Rebelo de Sousa lamenta esquecimento em tempo de crise

O comentador político Marcelo Rebelo de Sousa afirmou em Lisboa, dia 17 de Abril, que o principal desafio que se coloca às famílias é de “cultura cívica”, frisando que as mesmas têm uma “responsabilidade acrescida” na actual situação económica do país. “Deixou de estar na agenda política, económica e social a questão da família e, num período de crise, isso é estranho, é incompreensível”, disse à Agência ECCLESIA o professor universitário, durante o encontro “A Família e o Direito - Nos 30 Anos da Exortação Apostólica ‘Familiaris Consortio’”, que decorre na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. Para este responsável, “é preciso olhar para políticas que promovam o papel da família”, marcada pela “desestruturação” da realidade portuguesa ao longo das últimas décadas. Nesse contexto, lamentou a “menorização” do papel das famílias e a “transferência errada” de funções para a escola, “que não está em condições de cumprir esse papel”. Rebelo de Sousa moderou o debate que se seguiu ao painel ‘A família no século XXI’, o qual contou com intervenções de D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, do cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo (Brasil) e Álvaro Laborinho Lúcio, antigo ministro da Justiça e juiz conselheiro jubilado. D. José Policarpo começou por afirmar que “na Igreja se continua a manter a busca da harmonia entre o que é perene e aquilo que é mutável”, sublinhando a complementaridade entre homem e mulher. “No dia em que a família for marcada pelo individualismo, nada será como dantes e nada nos garante que daqui a 100 anos tenhamos a família que aprendemos a amar”, referiu o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, citado pela edição electrónica da revista ‘Família Cristã’. D. Odilo Pedro Scherer, por sua vez, declarou que a Igreja “tem de ficar do lado da família, como sempre esteve ao longo da história” e que não se pode pedir ao Estado que substitua a família. “O Estado não é pai nem mãe, nem tem afecto, portanto não pode nunca substituir a relação familiar. O futuro da humanidade fica em causa se colocarmos em causa a noção de família e a desvirtuarmos, pois a família é a célula base da sociedade, que sem ela se desmorona”, considerou o cardeal brasileiro. O encontro “Família - Direito e Lei” recordou a exortação de João Paulo II ‘Familiaris Consortio’, assinada em 1981, na qual o Papa polaco afirma que “o matrimónio e a família constituem um dos bens mais preciosos da humanidade”. A iniciativa contou com a organização da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em articulação com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e a CNAF – Confederação Nacional das Associações de Família. In Ecclesia

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo (CO1060), Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2012 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 19.Abril.2012

II Divisão B

U. Leiria x Gil Vicente (0-0) Beira-Mar x Académica (2-1) V. Setúbal x V. Guimarães (1-0) Rio Ave x Feirense (2-2) Olhanense x P. Ferreira (1-2) Marítimo x Nacional (2-4) Sp. Braga x Porto (0-1) Sporting x Benfica (1-0)

Reguengos x Louletano (1-2) Monsanto x Fátima (0-5) Carregado x Pinhalnovense (2-3) Sertanense x Juventude de Évora (1-1) Torreene x Mafra (1-1) Tourizense x Caldas (4-0) Oriental x Estrelas Vendas Novas (2-0) 1.º Dezembro x Moura (1-1)

Pts 63 59 58 50 48 39 35 30 29 28 227 26 25 23 19 18

P. Ferreira x Sp. Braga (dia 20, 20h15, Sport Tv1) Benfica x Marítimo (dia 21, 17h00, Sport Tv1) V. Guimarães x U. Leiria (21, 19h15, Sport Tv1) Porto x Beira-Mar (dia 21, 21h15,TVI) Gil Vicente x Rio Ave (16h00) Feirense x V. Setúbal (16h00) Nacional x Sporting (19h15, Sport Tv1) Académica x Olhanense (23, 20h15, Sport Tv1)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

4.ª J. 15.04.12

Atlético x D. Aves (dia 21, 15h00, Sport Tv1) Moreirense x Estoril (11h15, Sport Tv1) Portimonense x Freamunde Leixões x Oliveirense Arouca x Trofense Santa Clara x Belenenses Sp. Covilhã x Penafiel Naval x U. Madeira

Pts 52 45 44 39 37 35 34 34 34 33 31 30 30 29 27 26

5.ª J. 22.04.12

D 4 3 8 9 7 9 10 10 12 9 11 8 10 9 13 12

D 6 6 3 8 6 9 4 8 13 10 15 12 12 13 17 17

Pts 54 54 53 52 50 43 42 42 37 32 29 28 26 25 23 17

Reguengos x Moura (todos às16h00) Louletano x Monsanto Fátima x Carregado Pinhalnovense x Sertanense Juventude de Évora x Torreense Mafra x Tourizense Caldas x Oriental Estrela de Vendas Novas x 1.º Dezembro

Sourense x Tocha (2-2) Sp. Pombal x Pampilhosa (1-2) B.C. Branco x Marinhense (1-0) Equipa B.C. Branco Pampilhosa Sourense Tocha Sp. Pombal Marinhense

J 4 4 4 4 4 4

V 2 3 0 1 1 1

E 0 0 3 1 0 0

D 0 1 0 1 3 3

24.ª JOR. 15.04.12 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Fig.Vinhos x Pedroguense (5-0) Meirinhas x Vieirense (1-2) Atouguiense x Alq. Serra (0-1) Nazarenos x Ansião (5-0) Avelarense x Biblioteca (1-4) Portomosense x Pataiense (3-3) GRAP/Pousos x Alvaiázere (2-1) Guiense x Marrazes (5-0) Equipa Alq. Serra Portomosense Nazarenos Guiense GRAP/Pousos Atouguiense Pataiense Vieirense Marrazes Alvaiázere Fig.Vinhos Avalarense Biblioteca Meirinhas Ansião Pedroguense

Pts 28 26 22 22 20 19

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Tocha x Sp. Pombal (todos às 16h00) Pampilhosa x B.C. Branco Marinhense x Sourense

V 18 15 14 15 15 13 11 8 8 8 8 6 5 5 2 2

E 4 5 8 3 2 3 6 8 6 4 4 6 8 7 3 1

D 2 4 2 6 7 8 7 8 10 12 12 12 11 12 19 21

Pts 58 50 50 48 47 42 39 32 30 28 28 24 23 22 9 7

NORTE

Pousaflores x Ranha (7-0) Boavista x Arcuda (0-0) Motor Clube x Caseirinhos (4-0) Alegre e Unido x Mata Mourisq. (0-2) Moita do Boi x Pelariga (0-2) Castanheira de Pêra x Ilha (2-2) Equipa Pelariga Pousaflores Moita do Boi Motor Clube Boavista Mata Mourisq. Alegre e Unido Arcuda Ranha Cast. Pêra Ilha Caseirinhos

J 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 19 19

V 17 14 12 12 11 8 8 5 6 4 2 3

E 2 3 3 1 1 7 3 6 2 1 5 0

D 1 3 5 7 8 5 9 9 12 15 12 16

Pts 53 45 39 37 34 31 27 21 20 13 11 9

Morte de Morosini (esquerda) e gesto de Di Natale (direita) comovem adeptos um pouco por todo o mundo FUTEBOL – Tinha 25 anos e morreu em campo. É por esse motivo que, a esta hora, milhões de pessoas em todo o mundo já ouviram falar de Piermario Morosini. Era sábado, 14 de Abril, e o Livorno – clube que representava por empréstimo da Udinese – jogava no reduto do Pescara (série B do campeonato italiano). Imagens que percorreram o mundo, através da televisão, com o jovem jogador a lutar pela vida após um ataque cardíaco. Já não tinha pais, nem irmão, que era deficiente. Restava-lhe uma irmã, também ela deficiente, por quem agora acode Antonio Di Natale (Udinese). Era amigo de Morosini e também ele está a comover o mundo. “Conhecia-o há sete anos, ele nunca fez saber que não tinha pai, nem

mãe. Tinha sempre um sorriso na cara e ajudava toda a gente”, refere Di Natale, em declarações publicadas no Record online. O capitão da Udinese, 34 anos, que pensa agora abandonar a carreira, é o principal rosto da solidariedade que entretanto surgiu em torno da irmã de Morosini, que se encontra internada no hospital em Itália. Sem familiares que a possam ajudar, Di Natale abriu uma conta em nome dela e entretanto já tem o apoio de mais colegas de profissão. “Farei tudo o que for possível para ajudar a irmã dele”, conclui. Esta é mais uma história que choca o mundo do desporto e que passa repetidamente na televisão. Tal como sucedeu com Miklós Fehér, a 25 de Janeiro de 2004, durante e após o V. Guimarães x Benfica. PJ

SUL

MANUTENÇÃO “D”

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º

Alcobaça x Riachense (2-2) Beneditense x Bombarralense (2-0) Folgou: Peniche Equipa Peniche Beneditense Alcobaça Riachense Bombarralense

J 3 3 3 3 4

V 2 1 1 2 0

E 0 1 2 1 0

D 1 1 0 0 4

Peniche x Alcobaça (todos às 16h00) Riachense x Beneditense Folga: Bombarralense

Pts 21 19 16 11 3

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

Campeãs nacionais! Um empate (2-2, Guarda), seguido de quatro vitórias (7-0, Portalegre; 2-0, Viseu; 4-1, Braga; e 2-0, Setúbal, na final) valeram à selecção da Associação de Futebol de Leiria o título. Foto: DR/AFL

Nadadouro x Unidos (1-3) Santo Amaro x Os Vidreiros (1-0) Praia da Vieira x Juncalense (0-2) Outeirense x Gaeirense (3-2) Pilado x Maceirinha (3-2) Folgou: Lisboa e Marinha Equipa Lisboa Marinha Outeirense Gaeirense Juncalense Pilado Maceirinha Os Vidreiros Santo Amaro Praia da Vieira Unidos Nadadouro

J 18 18 18 18 19 18 18 18 18 19 18

V 15 12 11 9 9 7 5 4 4 3 3

E 3 5 3 3 2 4 4 4 2 4 2

D 0 1 4 6 8 7 9 10 12 12 13

Pts 48 41 36 30 29 25 19 16 14 13 11

Unidos x Lisboa e Marinha (todos às 16h00) Os Vidreiros x Nadadouro Juncalense x Santo Amaro Gaeirense x Praia da Vieira Maceirinha x Outeirense Folga: Pilado

COC triunfa em duas frentes ORIENTAÇÃO – O Clube de Orientação do Centro (COC), Leiria, e os seus atletas estiveram em destaque nos campeonatos nacionais de BTT (distâncias longa e média) e na prova de estreia do circuito nacional urbano, que decorreram em Boticas (Montalegre) e no Porto, respectivamente, dias 14 e 15 de Abril. Na primeira prova, o clube leiriense venceu colectivamente em distância longa, feito repetido por Luísa Mateus (D45), em ambas as distâncias, bem como por Albano João (H50), em distância longa, prova em que o seu colega Pedro Serralheiro terminou no 3.º lugar. Albano João também foi 3.º lugar, mas em distância média. No final o COC foi 3.º, atrás do BTT Loulé e Associação de Deficientes das Forças Armadas, respectivamente. Entretanto, na segunda prova disputada, Joaquim Sousa e Andreia Silva (ambos em elites), bem como Celso Moiteiro (H21A), subiram ao lugar mais alto do pódio.

Kaminskaya e Ruivo tituladas

Motor Clube x Ilha (todos às 16h00) Caseirinhos x Pousaflores Ranha x Alegre e Unido Mata Mourisquense x Boavista Arcuda x Moita do Boi Pelariga x Castanheira de Pêra

I Divisão

III Divisão

J 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24

Marrazes x Fig.Vinhos (todos às 16h00) Pedroguense x Meirinhas Vieirense x Atouguiense Alq. Serra x Nazarenos Ansião x Avelarense Biblioteca x Portomosense Pataiense x GRAP/Pousos Alvaiázere x Guiense

I Divisão

federação portuguesa de futebol

4.ª J. 15.04.12

E 7 12 5 6 10 8 7 7 4 9 7 12 9 11 6 8

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º

5.ª J. 22.04.12

25.ª JOR. 07.04.12 27.ª JOR. 22.04.12

V 15 11 13 11 9 9 9 9 10 8 8 6 7 6 7 6

E 6 6 11 4 8 7 15 9 4 11 5 10 11 10 5 8

SUBIDA “D”

D. Aves x Portimonense (1-1) Estoril x Naval (2-0) Oliveirense x Arouca (2-2) Trofense x Leixões (0-2) Freamunde a x Sp. Covilhã (2-2) Penafiel x Atlético (1-0) Belenenses x Moreirense (1-0) U. Madeira x Santa Clara (2-0) J 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26

V 16 16 14 16 14 12 9 11 11 7 8 6 5 5 6 3

III Divisão

II LIGA

Equipa Estoril D. Aves Moreirense Leixões Naval Penafiel Atlético Oliveirense Trofense Belenenses Santa Clara Arouca U. Madeira Freamunde Portimonense Sp. Covilhã

J 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28

federação portuguesa de futebol

liga portuguesa de futebol profissional

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Orental Fátima Torreense Pinhalnovense Carregado Louletano Mafra Sertanense Vendas Novas Tourizense Juv. Évora 1.º Dezembro Monsanto Reguengos Moura Caldas

25.ª JOR. 22.04.12

28.ª JOR. 15.04.12 D 1 3 4 6 6 11 11 12 9 14 11 14 15 13 17 14

20.ª J.15.04.12

E 6 5 4 5 6 3 5 6 11 4 9 5 4 8 4 9

21.ª J.22.04.12

V 19 18 18 15 14 12 10 8 6 8 6 7 7 5 5 3

20.ª J.15.04.12

J 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26 26

21.ª J.22.04.12

Equipa Porto Benfica Sp. Braga Sporting Marítimo V. Guimarães Nacional V. Setúbal Olhanense P. Ferreira Gil Vicente Beira-Mar Rio Ave Académica U. Leiria Feirense

HONRA

SUL

Fotos: Getty Image

I LIGA

29.ª JOR. 22.04.12

26.ª JOR. 07.04.12 27.ª JOR. 22.04.12

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Espírito Di Natale

associação de futebol de leiria

federação portuguesa de futebol

liga portuguesa de futebol profissional

Vitória no Rallye Centro de Portugal do piloto Fernando Peres e do navegador João Pedro Silva, ao volante de um Mitsubibishi Lancer EVO VII. A prova, decorreu na Marinha Grande e São Pedro de Moel, dia 14 de Abril. Foto: DR/CAMG

NATAÇÃO – Nove medalhas foram conquistadas por duas jovens atletas de clubes do distrito de Leiria no campeonato nacional de seniores e juniores (Coimbra, 4 a 7 de Abril). Victoria Kaminskaya (Os Pimpões, Caldas da Rainha) sagrou-se campeã nacional nos 200 metros estilos, somando ainda os títulos de vicecampeã nos 200 metros bruços, 400 metros estilos e 100 metros mariposa. Já Filipa Vilas Ruivo (Clube Náutico da Marinha Grande) também se sagrou vice-campeã nacional, mas nos 200, 400, 800 e 1500 metros livres e 400 metros estilos.


ÚLTIMA 19ABRIL2012

Gosto de televisão porque ela permite falar coisas sobre as quais não acho que valha a pena escrever. Truman Capote [1924-1984]

Fim de uma era chega a 26 de Abril

para continuar a ter acesso aos canais nacionais de televisão em sinal aberto. As vantagens deste sistema de televisão são muitas e variadas: devido à natureza digital do sinal, a qualidade de som e imagem da emissão é muito superior à da emissão analógica; por outro lado, a TDT disponibiliza um Guia de Programação Electrónico (EPG) – guia de TV e barra de programação, para consultar os horários dos programas de televisão; além disso, a TDT permite também outras funcionalidades avançadas de utilização da televisão, como por exemplo, a Pausa TV (para parar e retomar a emissão de TV), a gravação da emissão ou o agendamento de gravações (para gravar, por exemplo, os seus programas

favoritos). Estas características apenas estão disponíveis nos descodificadores com funcionalidades mais avançadas (descodificadores com disco rígido). Estas vantagens são benéficas e inquestionáveis, não oferecendo à partida grandes problemas. Mas há outras, que oferecem problemas. Por exemplo uma das grandes vantagens que este apagão geral vai trazer é o facto de libertar espaço de frequências. Ou seja a TDT vai trazer um grande “dividendo digital”, que pode ser preenchido pela oferta de canais gratuitos. Em praticamente todos os países, esse dividendo é partilhado com os cidadãos através da oferta alargada de canais de televisão gratuitos, quase sempre liderada pelo serviço público de televisão. Mas em Portugal isso não vai acontecer. Em Portugal a implementação da TDT tem trazido benefícios para a televisão por subscrição. Já se sabe que mais 20% dos portugueses passaram a ter televisão paga, depois que começou este processo de introdução da TDT. A PT continua a ser a única entidade autorizada a emitir televisão em Portugal, situação que se prevê irá

continuar e que constitui um travão ao surgimento de novos canais de âmbito nacional, regional ou local na TDT. Teremos dentro de dias o lançamento do Canal Parlamento (ARTV) na TDT. Um canal que é serviço público, mas de pouco ou nenhum interesse para a maioria dos portugueses. O processo de implementação tem sofrido ao longo do país vários problemas. A maioria dos quais está relacionado com a inconstância do sinal.

Por vezes surgem picos em determinadas horas que fazem com que simplesmente a televisão deixe de transmitir ou captar qualquer sinal. A zona de Leiria tem sido uma das atingidas por este problema, o que tem motivado muitas reclamações. Esta situação, no entanto, deverá ficar resolvida a partir do dia 26, altura em que deverão terminar os ensaios e experiências.

DR

preço médio de 30 euros, o que totaliza 12 milhões de euros. No ano passado foram vendidos 426 mil equipamentos, a um preço médio de 32 euros, o que totaliza 13,6 milhões de euros. Contas feitas, no total, os portugueses já gastaram mais de 25,5 milhões de euros em descodificadores, de acordo com os dados disponibilizados pela Anacom. A TDT – Televisão Digital Terrestre – é uma nova tecnologia de teledifusão terrestre em sinal digital que funciona também através de antenas. Permite uma utilização mais eficiente do espectro radioeléctrico, razão pela qual a Comissão Europeia determinou que esta tecnologia fosse obrigatoriamente introduzida em todos os países da União Europeia e estabeleceu um prazo (até 2012) para o switch-off – desligamento – da transmissão analógica. A Portugal Telecom instalou toda a infra-estrutura de rede necessária para cobrir todo o país com Televisão Digital. A partir da data de switch-off (desligamento), o utilizador da televisão “tradicional” necessita obrigatoriamente de dispor do equipamento apropriado à recepção do sinal digital

DR

No próximo dia 26 será executada a 3ª e última fase dos “apagões”, com o desligamento dos últimos emissores e retransmissores do Continente, sendo alguns dos mais importantes da rede analógica, como é o caso da Lousã, Monte da Virgem e Montejunto. Assim termina a televisão analógica em Portugal. Até esta data as experiências que vão sendo feitas têm permitido a muitos espectadores continuarem a ver televisão sem no entanto terem procedido à mudança para a TDT. A partir do dia 26, isso não vai ser mais possível. Por isso, esta é a recta final para adquirir o receptor e continuar a ver televisão. Acabou o tempo da velhinha caixa de televisão que de preto e branco passou a cores ao longo dos tempos e que de um único canal passo a 4. Longe estão os dias em que muitos completaram o ensino obrigatório através das aulas que eram emitidas pela televisão. Longe os dias em que assistíamos de forma familiar à abertura dos canais e depois ao seu fecho. Hoje tudo é diferente, e a TDT é um novo passo que permite situações com que nunca sonhamos ou imaginamos se quer. A Televisão Digital Terrestre, chegou já em 2009, e tornou-se obrigatória por determinação da União Europeia, 2012. Obrigou a que muitos portugueses comprassem descodificadores para conseguirem receber o sinal digital. No total terão sido gastos, até Fevereiro 25,5 milhões de euros nestes equipamentos. Em Janeiro e Fevereiro foram vendidos 397 mil descodificadores, com um

DR

Os últimos dias da televisão analógica

Evolução da televisão em Portugal 1954/55 - Primeiro estudo do projecto de uma rede nacional de televisão 1955 - Fundação da RTP (Rádio Televisão Portuguesa) com um capital próprio inicial de 300 000 Euros. 1956 - Primeiras emissões experimentais feitas a partir da Feira Popular de Lisboa 1957 - As emissões a preto e branco passam a ser regulares, feitas a partir dos estúdios do Lumiar, em Lisboa 1972 - Arranque do segundo canal da RTP. 1975 - 25 de Abril leva à nacionalização da RTP, anteriormente na posse do Estado, da Igreja e da Rádio Renascença. 1977 - O “boom televisivo”, com o aparecimento das telenovelas, sendo de destacar a primeira, “Gabriela, cravo e canela” 1980 - Revolução na TV: a RTP emite os primeiros programas a cores 1992 - Com Cavaco Silva como 1º Ministro, surge o primeiro canal privado, a SIC (Sociedade Independente de Comunicação) 1993 - Criação da TVI (Televisão Independente), canal privado e na altura com fortes raízes cristãs 1994 - Nova revolução e novo “boom”: Aparecimento da televisão por cabo, proporcionando ao espectador mais canais tanto a nível nacional como internacional. 2012 – Implementação da televisão terrestre digital


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