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4903#OMensageiro#29MAR

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QUARESMA 2012

29 MARÇO 2012

RETIRO POPULAR

ANO 98 - N.º 4903

“Fazer Brilhar no Mundo a Luz de Cristo”

FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

Participe num grupo de lectio divina Informe-se na sua paróquia

FUNDADO EM 1914

DESTAQUE

Semana Santa

O PERCURSO MAIS IMPORTANTE DO ANO

LMFerraz

A organização do ano litúrgico pretende levar os católicos a celebrar sacramentalmente a pessoa de Jesus Cristo como “memória”, “presença”, “profecia”. No Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa, em que se (re)vivem os principais momentos da vida de Jesus e da fé cristã. Nela, o cristão percorre o caminho da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, encontrando aí as forças basilares da sua própria vida. Nesta edição, para além de fazermos uma visita à história desta “Semana Maior”, apresentamos o seu sentido litúrgico e destacamos algumas das celebrações programadas. Páginas 2 e 3

CULTURA

Objectos transformados em instrumentos | P. 5

ECLESIAL

SOCIEDADE

25 de Abril | P. 6

Lixo ganha ritmo no Orfeão de Leiria Adelino Gomes será orador nas comemorações em Leiria

Papa Bento XVI no México nos dias 23 a 25 de Março | P. 12

“Visita breve, mas intensa visita”

P. 8 e 9 | Diocese esteve em Fátima

“TESTEMUNHAS DE CRISTO NO MUNDO, A CONVITE DE MARIA”

Câmaras aderem | P. 7

Apagão nalguns municípios pela Hora do Planeta

LMFerraz

Última | Secretário de Estado da Cultura na Batalha

CENTRO DE INTERPRETAÇÃO CONTA HISTÓRIA DO MOSTEIRO

Best of Stock traz descontos à Batalha

Luís Oliveira

Na Exposalão | P. 7


2 DESTAQUE

O Mensageiro 29.Março.2012

EDITORIAL EDITORIAL

prui@iol.pt

Semana Santa, a Semana Maior

A vivência da fé cristã tem no ritmo do ano litúrgico um suporte extremamente útil e eficaz. Compreendê-lo significa aproximar-se mais do mistério que se celebra, mas também da fé que se vive. O percurso da vida de Jesus é afinal, o percurso da nossa própria vida. Ele veio para ser um de nós e transformar assim a nossa condição e situação. A celebração dos mistérios da vida de Jesus tem sempre um processo de memória e de actualização. Apesar disso, nem todos os cristãos percebem este ritmo e por isso nem sempre o assumem no seu quotidiano. A Igreja inicia por estes dias a chamada Semana Maior, por ser durante a mesma que se vivem ou actualizam os principais momentos da vida de Jesus e da fé cristã. De facto ao longo da Semana Santa, o cristão percorre o caminho da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, encontrando aí as forças basilares da sua própria vida. A via da cruz e a manhã da Ressurreição, são a verdade da vida de cada A liturgia, porém, histórica um de nós. Com Jesus na sua reforma carregamos a cruz, com sempre em execução, Ele morremos na cruz e tem apelado nos com Ele ressuscitamos últimos anos a na madrugada de douma maior vivência mingo. Esta semana, iniespiritual, propondo ciada com o Domingo momentos de de Ramos, apresenta reflexão, meditação uma forte componente e celebração mais para praticoncentrados na espiritual camente cada um dos Palavra de Deus, dias. A centralidade está, depois, nos dias do Tríduo Pascal, vividos de forma intensa e singular. A tradição, sobretudo, motivada pelos relatos de Egéria, preencheu estes dias com uma série de tradições pelas quais se tentava encenar os acontecimentos da vida de Jesus na sua última semana em Jerusalém. Representações da via-sacra, procissões de todo o tipo, e outras encenações adquiriram, em algumas regiões, uma grandiosidade tal que se transformaram em momentos propícios para aquilo a que se convencionou chamar turismo religioso da semana santa. O perigo é evidente: ficam-nos pelo visual, pelo sentimento e perdemos o sentido dos factos e acontecimentos. A liturgia, porém, na sua reforma sempre em execução, tem apelado nos últimos anos a uma maior vivência espiritual, propondo momentos de reflexão, meditação e celebração mais concentrados na Palavra de Deus, sobretudo nos salmos, e procurando desta forma compreender e viver mais o mistério. Os cristãos precisam de estar atentos e devem valorizar mais as propostas da liturgia. Na edição desta semana, para além de fazermos uma visita à história e à descrição dos factos, procuramos também apresentar o sentido litúrgico da Semana Santa. Ao mesmo tempo damos conhecimento de algumas das realizações que irão acontecer, chamado a atenção para os programas da Sé de Leiria e do Santuário de Fátima.

Semana Santa LMFerraz

Rui Ribeiro

O PERCURSO MAIS IMPORTANTE DO ANO

O ano litúrgico como hoje o conhecemos pretende levar os católicos a celebrar sacramentalmente a pessoa de Jesus Cristo como “memória”, “presença”, “profecia”. Na Igreja primitiva, o mistério, a celebração, a pregação, a vida cristã tiveram um único centro: a Páscoa - o culto da Igreja primitiva nasceu da Páscoa e para celebrar a Páscoa. No início da vida cristã encontra-se o Domingo como única festa, com a única denominação de “Dia do Senhor”. Por influência das comunidades cristãs provenientes do judaísmo, surgiu depois um “grande Domingo”, como celebração anual da Páscoa. A partir do séc. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos cristãos, começaram-se a celebrar na Terra Santa os acontecimentos da Paixão e morte de Jesus Cristo, nos locais e às horas em que eram relatados nos Evangelhos. Nasceu assim a Semana Santa e os peregrinos estenderam este uso a todas as igrejas. A celebração do baptismo na noite de Páscoa, já em uso no século III, e a disciplina penitencial com a reconciliação dos penitentes na manhã de Quinta-feira Santa, já no século V, fizeram nascer também o período preparatório da Páscoa, ou seja, a Quaresma, inspirada nos “quarenta dias bíblicos”. A Semana Santa apresenta-se, neste contexto, como a Semana Maior do ano litúrgico. Graças à peregrina Egéria, que viveu no final do século IV, conhecemos os rituais que envolviam estas celebrações no princípio do Cristianismo. Ela descreve no seu livro “Itinerarium” a liturgia que se desenvolveu em Jerusalém, teatro das últimas horas de vida de Jesus, e compreende o intervalo de tempo que vai do Domingo de Ramos à Páscoa. Na Idade Média, esta semana era

chamada a “semana dolorosa”, porque a Paixão de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspectos do sofrimento e da compaixão. Actualmente, muitas igrejas locais dão ainda vida a essa tradição dramática, que se desenrola em procissões e representações da Paixão de Jesus. São factos repletos de realismo, os que se celebram na Semana Santa. Vividos num mistério de fé, são também dramatizados em diferentes expressões e para reviver os quadros da paixão e morte de Cristo na cruz. A celebração dos mistérios da Redenção, realizados por Jesus nos últimos dias da sua vida, começa pela sua entrada messiânica em Jerusalém. O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a lembrança das Palmas e da Paixão do Senhor. Duas celebrações marcam a Quinta-Feira Santa: a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor. Antigamente, na manhã deste dia celebrava-se o rito da reconciliação dos penitentes, a quem tinha sido imposto o cilício em quartafeira de cinzas. A manhã foi preenchida pela Missa Crismal, que reúne em torno do Bispo o clero da Diocese e são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o Santo Óleo do Crisma. A origem da bênção dos óleos santos e do sagrado crisma é romana, embora o rito tenha marcas galicanas. Em conformidade com a tradição latina, a bênção do óleo dos doentes faz-se antes da conclusão da oração eucarística; a bênção do óleo dos catecúmenos e do crisma é dada depois da comunhão. Permite-se, todavia, por razões pastorais, cumprir todo o rito de bênção depois da liturgia da Palavra, conservando, porém, a ordem indicada no próprio rito. Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal

da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. É comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés). A simbologia do sacrifício é expressa pela separação dos dois elementos “o pão” e “o vinho”. Esse evento do mistério de Jesus também se tornou manifesto no gesto do lava-pés. Depois do longo silêncio quaresmal, a liturgia canta o Glória. No final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares. Na Sexta-feira Santa não se celebra a missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor, com a adoração da cruz. O silêncio, o jejum e a oração marcam este dia. A celebração da tarde é uma espécie de drama em três actos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão. O Sábado Santo é dia alitúrgico: a Igreja debruça-se, no silêncio e na meditação, sobre o sepulcro do Senhor. A única celebração primitiva parece ter sido o jejum. A Vigília Pascal é a “mãe de todas as celebrações” da Igreja. Celebra-se a Ressurreição de Cristo, a Luz que ilumina o mundo, e para transmitir esse simbolismo deve ser celebrada não antes do anoitecer e terminada antes da aurora. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Baptismo e, por fim, a liturgia Eucarística. Ainda hoje continua a ser a noite por excelência do Baptismo. Rui Ribeiro


DESTAQUE 3

O Mensageiro

29.Março.2012ro.2011

A Liturgia da Semana Santa

LMFerraz

Na Semana Santa a Igreja celebra os sagrados mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, encarnado para, no martírio da Cruz e na vitória sobre a morte, dar a todos os homens a graça da salvação. A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos; e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus. A Igreja recorda os louvores da multidão proclamando: “Hossana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38 - MT 21, 9). Com este gesto manifestamos nossa fé em Jesus Cristo, Rei e Senhor. Na Quinta-feira Santa celebramos a Instituição da Eucaristia. Neste dia, cada Bispo reúne o seu clero e celebra a Missa da renovação do sacerdócio, pois neste dia Jesus instituiu o Sacerdócio católico e a sagrada Eucaristia. É feita também a bênção dos sagrados óleos, com a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos (Baptismo, Crisma e Unção dos Enfermos). O motivo deve-se ao facto de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. Na Igreja primitiva o Baptismo, a Crisma e Primeira Eucaristia acontecia só na Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos: Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma), Para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento do sacerdócio (Ordem). A cor que representa esse óleo é o branco ouro. Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Baptismo. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para

o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha. Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa. Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou noite da quinta-feira santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia: 1 – Instituição da Sagrada Eucaristia, onde Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu a Deus-Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores. 2 – Instituição do Sacerdócio – “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia. 3 - Durante a missa ocorre o rito do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos. É um gesto de humildade e de santidade, um exemplo para os discípulos e para a toda a Igreja. “Eu vim para servir”. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda à noite. Após a Missa o altar é desnudado; ele é o símbolo do Cristo aniquilado, despojado, flagelado e morto por nossos pecados. Na sexta-feira celebra-se a Paixão e Morte de Jesus Cristo. Dia de silêncio, jejum e oração e de profundo respeito diante da morte do Senhor.

Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: Liturgia da Palavra, Adoração da cruz e Comunhão eucarística. Não adoramos a cruz como um objecto de madeira, mas adoramos o Cristo pregado na Cruz. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo. Neste dia, não se celebra a Santa Missa. No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”. Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “A mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: 1 - a bênção do fogo novo e do círio pascal; 2 - a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; 3 - a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; 4 - a renovação das promessas do Baptismo e, por fim, 5 - a liturgia Eucarística. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é, verdadeiramente, o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus na Sexta-Feira transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

Celebração do Triduo Pascal em Leiria Seguindo a liturgia da Páscoa, a paróquia de Leiria propõe um programa de celebrações que se centram na vivência do Triudo Pascal. Quinta-feira Santa 11h00 Missa Crismal 19h00 Celebração da Ceia do Senhor 22h00 Adoração Eucarística Sexta-feira Santa 09h00 Laudes e Ofício de Leituras 18h00 Celebração da Paixão do Senhor 21h30 Via-Sacra pela cidade Sábado Santo 09h00 Laudes e Oficio de Leituras 22h00 Celebração da Vigília Pascal

Semana Santa no Santuário de Fátima O santuário de Fátima propõe um conjunto de momentos e celebrações que muito poderão ajudar a viver a semana santa e a Páscoa. Domingo de Ramos 10:25 - Bênção dos ramos e procissão da realeza de Cristo - Recinto. 11:00 - Missa internacional - Recinto. 14:00 - Via-sacra - Recinto. 17:30 - Vésperas cantadas - Basílica. Quinta-feira Santa 09:00 - Laudes cantadas - Basílica. 14:30 - Vídeo “Via-sacra do peregrino” - Sala de projecções. 18:00 - Missa da Ceia do Senhor - Igreja da Santíssima Trindade. 23:00 - Oração comunitária da Agonia de Jesus - Capela da Morte de Jesus. Sexta-feira Santa 00:00 - Via-sacra - Valinhos - com início na Capelinha (levar pilha eléctrica). 09:00 - Laudes cantadas - Basílica. 15:00 - Celebração da Paixão do Senhor - Igreja da Santíssima Trindade. 21:00 - Via-sacra - Recinto. Sábado Santo 09:00 - Laudes cantadas - Basílica 10:30 - Vídeo “Via-sacra papal” - Sala de projeções. 12:00 - Rosário - Capelinha. 15:00 - Oração a Nossa Senhora da Soledade - Capelinha. 17:30 - Vésperas cantadas - Basílica. 22:00 - VIGÍLIA PASCAL - Igreja da Santíssima Trindade. Domingo de Páscoa 11:00 - Missa internacional - Recinto 17:30 - Procissão Eucarística - Recinto.

Representação da paixão na Bajouca Na sexta-feira santa, às 20h30, ocorrerá uma representação cénica da “Paixão de Jesus” na Bajouca, num olival em frente da igreja, onde serão montados palcos e as próprias árvores servirão de cenário. Com textos retirados dos Evangelhos, a representação vai situar-nos no chamamento dos Apóstolos, algumas cenas da vida pública de Jesus, paixão e morte no monte Calvário.

Semana Santa em Ourém De 1 a 08 de Abril, o centro histórico de Ourém vai ser palco de um conjunto de cerimónias que culminam com a encenação da Paixão e Morte de Cristo. O momento alto das celebrações acontece na sexta-feira santa, com a recriação da Via-Sacra, considerada a nível nacional como uma das encenações mais bem conseguidas. Pelo 14º ano consecutivo, cerca de 80 figurantes, acompanhados pela Sociedade Filarmónica Ouriense, vão dar corpo à recriação do último dia da vida terrena de Jesus Cristo, personificado, mais uma vez, por António Gonçalves. Com a ajuda da comunidade local, dos paroquianos e da autarquia, a Via-Sacra é um dos pontos altos das actividades culturais oureenses. Milhares de pessoas assistem anualmente a esta emotiva cerimónia. Com orações e cânticos religiosos, as 14 estações da Via-Sacra são recriadas tal como indica o relato bíblico – é julgado e condenado à morte, sofre três quedas, encontra a mãe, confronta as mulheres de Jerusalém e morre crucificado.


4 CULTURA

O Mensageiro 29.Março.2012

Entradas gratuitas, visitas guiadas e animação

Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) • ALVIN E OS ESQUILOS 3: NAUFRAGADOS | Animação | de Mike Mitchell | 15 de Abril, 11h00. Teatro Miguel Franco (Leiria) • BUDRUS | Documentário | de Julia Bacha | c/ Ayed Morrar, Iltezam Morrar | 4 de Abril, 21h30. Cine-Teatro (Monte Real) • ALVIN E OS ESQUILOS 3: NAUFRAGADOS | Animação | de Mike Mitchell | 14 de Abril, 21h30 e 15 de Abril, 15h30.

EXPOSIÇÕES

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Portugal,entre hoje e ontem” “Floresta encantada” - foto. de Paulo Rombo (~19/05) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Tokushima em Leiria” (~31/03) •”Inês de Castro” - biograia da história D. Pedro e Dª. Inês (~30/04) •”Carnaval das frutas” - máscaras de carnaval (2~30/04) •”Animais selvagens” - pintura de Orlando Domingues (3~28/04) m|i|mo -Museu da Imagem em Movimento - Leiria •”Paixões por maratona” - fotografia (~28/04) •”Oficina do Olhar” - exposição permanente Edifício Paços do Concelho - Leiria. •”As invasões francesas” - painés e vídeo (~31/03) Edifício Banco de Portugal - Leiria •”Do princípio ao fim” - joalharia contemporânea e pintura (~31/03) Moinho de Papel - Leiria •”Estórias Republicadas” (~31/03) Centro de Interpretação Ambiental - Leiria •”Loresta Ribeirinha” (~30/04) Museu Escolar - Marrazes •”Máscaras de Carnaval” (~30/03) Casa-Museu João Soares - Cortes •”A República” (~30/04) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) •”Mulher, cavalo e árvore” - desenho de Carlos Reys (3ª~sábados) Galeria Paços do Concelho - Tomar • Desenho de Manuel Baptista (~31/03) Biblioteca Municipal - Ourém •”Espanta-me” - fotografia de António Flor (2~30/04) •”Cartazes de Abril” - 25 de Abril (2~30/04)

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Giselle” - Russian Classical Ballet (29/03, 21h30) • Concerto Final do Curso de Dire. de Orquestra de Sopros (1/4,18h) Sala Jaime Salazar Sampaio - Leiria •”Dos pequenos gestos” - teatro a partir da infância (1, 15 e 29/04, 11h) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Pai, querido pai! Como é o teu?” - hora do conto (30/3, 10h30) •”Contos e cantigas” - contar e encantar” (31/03, 16h00) • História c/ teatro de sombras -Dia Inter. do Livro Infantil (2/4, 14h30) •”Férias da Páscoa” - actividades (2~4/04, 14h00~15h00) •”Eu visito a biblioteca” -visita guiada e actividade (2,9,16,23 e 30/3, 10) •”Os ovos misteriosos” - hora do conto (4,13,18 e 27/04, 10h30 e 14h30) •”Contos e cantigas” - história surpresa para pais e filhos (28/4, 16h) m|i|mo - Muse da Imagem em Movimento - Leiria • Teatro de sombras e oficinas criativas (3ªs~6ªs) Moinho de Papel - Leiria •“Viagem à Fábrica do papel (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) SAMP e Hospital Santo André - Leiria • Encontro Internacional Saúde com Arte (29 e 30/03) Sé - Leiria •”Concerto da Páscoa” - música (1/04, 15h30) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Mariana e a missão Primavera” - hora do conto (2ªs~6ªs, 10h e 14h) Casa-Museu João Soares - Cortes •”Viva a vida” (29/03, 15h00) Biblioteca Municipal - Ourém •”Fora da Estante” - dia internacional do livro infantil (2~30/04)

O Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (MCCB) comemora no domingo 1 de Abril o primeiro aniversário da sua inauguração. O programa contemplará diversas actividades destinadas a todos os que se queiram associar às comemorações do aniversário deste novo equipamento cultural instalado no centro da vila da Batalha. Com entradas gratuitas durante todo o dia, os visitantes que queiram aprofundar os conheci-

DR

CINEMAS

Museu da Batalha celebra 1.º aniversário

mentos sobre a exposição do Museu são convidados a participar em visitas

guiadas, decorrendo a primeira às 11h30 e a segunda às 14h30. Pelas 19h00,

segue-se um momento de confraternização, no qual a equipa do MCCB convida para a “Hora do Chá”. As comemorações terminam com uma visita acompanhada pela histórica da vila da Batalha. O ponto de encontro é às 21h00 no MCCB. O percurso prossegue com a contemplação nocturna pelos principais monumentos religiosos e civis de uma vila com muitas histórias e segredos para partilhar.

No Museu de Arte Sacra e Etnologia de Fátima

“Parlamentarismo” e “Visita aos Bastidores” O Museu de Arte Sacra e Etnologia, em Fátima, dos Missionários da Consolata, promove nestas férias da Páscoa “Visitas aos bastidores”. Assim, de 26 de Março a 8 de Abril, os grupos que o desejarem, independentemente da sua faixa etária, além da visita habitual às exposições permanentes e temporárias do museu, poderão visitar as salas de registo e de inventário, restauro e reservas, conhecendo um pouco mais do trabalho efectuado

nos “bastidores” do museu em prol da conservação, estudo e acondicionamento das peças do rico acervo deste espaço museológico missionário. Exposição prolongada A exposição itinerante “Assembleia da República – Breve História do Parlamentarismo Português” patente no MASE desde o passado dia 7 de Março irá ser prolongada até ao próximo dia 11 de Abril, quarta-feira.

A exposição, concebida pelo Museu da Assembleia da República e acolhida em Fátima através de uma parceria entre a Junta de Freguesia de Fátima e o MASE, pretende dar a conhecer, através de fotografias e documentos, a história do actual edifício da Assembleia da República, instalado no antigo Convento de São Bento da Saúde, bem como relatar aspectos históricos do parlamentarismo português. A par desta exposição

está patente uma mostra bibliográfica, reunindo livros e documentos com temáticas relacionadas com a Assembleia da República, bem como uma lista de eleitores de Fátima de 1918. A exposição tem recebido vários grupos escolares, mas também visitantes individuais, motivando a uma posterior visita ao histórico edifício da Assembleia da República. Horário: 10h0017h00 – Março; 10h0019h00 – Abril. Encerra à segunda-feira.

No Teatro José Lúcio da Silva

«Giselle», uma vida de mágoa O Teatro José Lúcio da Silva recebe no dia 29 de Março, quinta-feira, pelas 21h30, a Russian Classical Ballet com «Giselle», uma das mais expressivas obras-primas do ballet romântico. A narração centra-se numa história de amor

entre uma camponesa e Albert, Príncipe da Silésia, que se faz passar por um camponês para conquistar o seu grande amor. Perante a mentira, a alma de Giselle é consumida pela mágoa, falecendo devido a tão horrível dor infligida no seu frágil coração. Organi-

zado pelo Teatro José Lúcio da Silva, o espectáculo conta com música de Adophe Adam, libreto de Jules-Henri Vernoy de Saint-Georges e Théophile Gautier, coreografia adaptada por Marius Petipa e cenografia de Evgeny Gurenko. Figurinos de Irina Ivanova e desenho

de luz de Denis Danilov, contribuem para que este seja um marco importante no ballet internacional. A Russian Classical Ballet conta com a participação de bailarinos de notoriedade internacional, provenientes de prestigiadas companhias de ballet.

Apresentação em Leiria

Fingertips com nova vocalista = álbum “2” “2” é o nome do mais recente trabalho de Fingertips, a apresentar no dia 31 de Março, pelas 21h30, no Teatro José Lúcio da Silva. Depois da reestruturação da banda, com a entrada

de Joana Gomes como vocalista, este “novo” projecto recomeça com gravação em estúdio com a nova voz. Em 2011, lançam o primeiro álbum, mas, insatisfeitos, continuam a trabalhar

dentro de quatro paredes, criando este novo trabalho. “2” de “segundo” e “2” de “dualidade”. O segundo disco da banda, com Joana Gomes, e a dualidade que os abraça dia-

riamente faz deste álbum um ponto definitivo de viragem para o grupo português. O single “Running out of time”, já nas rádios, deixa a primeira impressão do novo trabalho.


CULTURA 5

O Mensageiro 29.Março.2012

Objectos do quotidiano transformados em instrumentos musicais

Entre os dias 28 de Março e 1 de Abril

III Curso de Direcção de Orquestra de Sopros

Lixo ganha ritmo no Orfeão de Leiria

O Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OL CA) vai dinamizar, entre os dias 28 de Março e 1 de Abril, a terceira edição do Curso de Direcção de Orquestra de Sopros, que culminará com um concerto protagonizado pelos participantes, no último dia do curso. A iniciativa dirige-se a estudantes e maestros, com conhecimentos musicais avançados, com ou sem prática de direcção de orquestra de sopros, que terão oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos técnicos e artísticos. No III Curso de Direcção de Orquestra de Sopros será dada aos alunos a oportunidade de trabalharem um repertório orquestral composto pelas obras “Flashing winds” de Jan Van der Roost; “Gulliver’s travels” de Bert Appermont; “Serenade” de Derek Bourgeois; “Children’s march over the hills and far away”, de Percy Grainger; e “Cantos populares portugueses” de Jorge Salgueiro, que serão apresentadas em concerto, no Teatro José Lúcio da Silva, a partir das 18h30 do dia 1 de Abril.

DR

O Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OL CA) vai apresentar a segunda edição do “Lixo com Ritmo”, uma oficina de percussão em que o lixo e os objectos do quotidiano ganham nova vida como instrumentos musicais. A iniciativa destina-se ao público em geral, dos 6 aos 96 anos, e terá lugar no m|i|mo – Museu da Imagem em Movimento, entre os dias 28 e 30 de Março, onde será também apresentado o concerto final, protagonizado pelos participantes da oficina, a partir das 21h00, do dia 30 de março. Bilhas, garrafas de água, bidões de metal e plástico, colheres de pau, travões de carros são alguns dos “instrumentos”, adaptados às diferentes faixas etárias, com que os participantes da oficina vão interpretar peças rítmicas, inspiradas no Samba Reggae, no Samba Funky, no Hip-Hop, no R&B, no Kizomba e noutros estilos musicais associados à cultura urbana. A oficina “Lixo com Ritmo” foi pensado com o objectivo de proporcionar a todas as pessoas, dos 6 aos 96, com ou sem formação musical, o contacto com a música através da percussão e o desenvolvimento de aptidões rítmicas de base, conciliando movimentos corporais com o som produzido por objectos utilizados no dia a dia. No

final da oficina, os participantes terão oportunidade de mostrar, em concerto, uma combinação de sons em construções rítmicas e melódicas, que foram desenvolvendo ao longo dos três dias de formação. Neuza Bettencourt, directora pedagógica da Escola de Música do Orfeão de Leiria (EMOL), explica que «este é um projecto muito interessante pela relação que estabelece entre as suas componentes artísticas e ambientais, permitindo-nos colocar as pessoas em contacto com os ritmos e com a música, e consciencializá-las do que podemos fazer para reutilizar e trazer de novo alguns objectos para as nossas vidas, de forma original». A directora pedagógica da EMOL salienta ainda a componente social da iniciativa: «reunimos no

mesmo projecto, pessoas de diferentes faixas etárias no sentido de promover um convívio salutar entre pais e filhos, avós e netos, reforçando laços afectivos através destes momentos de partilha». A oficina será orientada por Joaquim Alves, mentor do projecto, e António Casal, professor de percussão da EMOL. Joaquim Alves começou os seus estudos musicais na Escola Profissional de Música de Espinho, e mais tarde foi estudar para o Conservatório de Roterdão. Licenciado em Percussão pela Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo, trabalhou como artista convidado em orquestras reputadas como a Orquestra Gulbenkian, a Régie Sinfonia e a Orquestra do Norte. Foi monitor das oficinas Princípios do Ritmo, Ritmos Urbanos e

Ritmos do Mundo na Casa da Música no Porto inserido no seu Serviço Educativo e, em 2008, criou o “Lixo com ritmo”. António Casal foi aluno da EMOL entre 2001 e 2006, ano em que ingressou na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto, onde se licenciou na área de Instrumento da Área de Percussão. Venceu vários prémios, dos quais se destacam o primeiro lugar no Concurso Jovens Talentos da EMOL, em 2003 e 2005, no Concurso Nacional de Caixa de Aveiro, em 2005, e uma menção honrosa no Prémio Helena Sá e Costa, em 2009. Actualmente lecciona na Escola de Música do Orfeão de Leiria e na Escola de Música da Associação Filarmónica Bidoeirense, em Leiria.

Organização da Orquestra Típica de Ourém

Almoço para angariar fundos

A Orquestra Típica de Ourém, da Academia de Música Banda de Ourém (AMBO), irá realizar a terceira edição do almoço de Chícharos no próximo dia 1 de Abril, domingo, pelas 13h00, no Salão da Capela do Alqueidão – Ourém. O almoço-convívio tem por objectivo a angariação de fundos para a AMBO, sendo o Chícharo a iguaria eleita para os participantes degustarem. Na última edição participaram perto de três centenas de pessoas que quiserem saborear e contribuir para esta causa. O Chícharo, do latim Cicer, é uma planta leguminosa anual, cujas raízes se adaptam perfeitamente a terrenos calcários e pobres da Serra, não sendo necessário grandes cuidados com o amanho da terra. Apesar da sua relativa riqueza em lípidos, hidratos de carbono, fósforo e potássio, quando generalizado a toda a população, começou a ser acompanhado de carne e peixe. Hoje aparece valorizado como um produto tradicional, nomeadamente na estação fria, em prestigiados restaurantes ou nos diversos estivais de gastronomia. Em toda a região situada no maciço calcário da Serra de Aire, tradicionalmente o Chícharo era confeccionado com pão de milho a servir de base, bem oleado com azeite da região, acompanhado de bacalhau assado e cebola crua.

Orfeão de Leiria reúne jovens instrumentistas de várias escolas do País

Aperfeiçoamento musical em instrumentos de sopro A Escola de Música do Orfeão de Leiria (EMOL) vai dinamizar um curso de aperfeiçoamento musical destinado a jovens músicos, no sentido de desenvolver as suas competências técnico-artísticas na interpretação de instrumentos de sopro. O curso de aperfeiçoamento musical terá lugar no Auditório José Neto do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OL CA), durante os dias 28, 29 e 30 de Março e destina-se a instrumentistas de flauta transversal,

oboé, clarinete, fagote, saxofone, trompete, trompa e tuba. As inscrições para o Curso de Aperfeiçoamento Musical de Sopros estão abertas a alunos da EMOL e a alunos de outras escolas de música ou bandas filarmónicas. Esta iniciativa tem como principal objectivo oferecer aos estudantes de música uma experiência pedagógica diferente, que lhes permitirá ampliar e melhorar os seus conhecimentos técnicos e interpretativos, práti-

cos e teóricos. Neuza Bettencourt, directora pedagógica da EMOL explica que «o Orfeão de Leiria continua a apostar na diversidade pedagógica, procurando novas formas de ensino e de troca de experiências e conhecimentos, que permitam alargar a actividade da instituição através da partilha dos conhecimentos dos nossos professores nestas formações abertas a alunos de outras escolas ou bandas filarmónicas, que queiram apro-

fundar a sua técnica e os seus conhecimentos». As aulas integradas no Curso de Aperfeiçoamento Musical decorrem nos dias 28, 29 e 30 de Março, quarta, quinta e sexta-feira, entre as 09h30 e as 18h00, com pausa para almoço entre as 12h30 e as 15h00. O concerto final que integra o curso de aperfeiçoamento será aberto ao público, e terá lugar no Auditório José Neto a partir das 18h00 de sexta-feira, dia 30 de Março.

«Iniciativas como esta permitem a continuidade na difusão da arte e da cultura por intermédio da partilha de conhecimentos técnicos junto de alunos de outras instituições onde é também ministrado o ensino da música», refere Henrique Pinto, presidente do OL CA, salientando ainda que «as master classes, os estágios e os cursos de aperfeiçoamento musical constituem momentos únicos de convívio e entre professores e alunos».


6 SOCIEDADE

O Mensageiro 29.Março.2012

No Museu Joaquim Correia

“Colorir Abril” ensina a revolução O Museu Joaquim Correia, situado no Largo 5 de Outubro, na Marinha Grande, está a evocar a revolução do 25 de Abril de 1974, através da realização da oficina “Colorir Abril”, durante os meses de Março e Abril. Trata-se de uma iniciativa dirigida aos alunos dos 3.º e 4 anos do 1.º ciclo do ensino básico, com o intuito de explicar os acontecimentos dessa data e mostrar as diferenças de Portugal antes e após a revolução. A oficina começa com a leitura do livro “A revolução das letras – O 25 de Abril explicado às crianças”, de

O

Pe. José Lacerda voltaria a ser cidadão participativo na vida autárquica. Assim, assumiu a presidência da Junta dos Milagres, a 15 de Novembro de 1953, terminando o seu mandato apenas a 2 de Janeiro de 1971. A sua acção como autarca é reconhecida no jornal A Voz do Domingo, destacando que o sacerdote da paróquia de Milagres, obteve sucessos na sua acção dedicada àquela Junta de Freguesia, publicando um artigo que refere que a sua influência e actividade trouxeram "bem-estar material dos seus paroquianos conseguindo estradas, pontes, escolas, fontanários, etc., que tão necessários são para o progresso rural"(1). A 5 de Dezembro de 1958, o Bispo D. João Pereira Venâncio, nomeia o Pe. José Lacerda como Cónego honorário da Sé Catedral de Leiria. No dia 29 de Novembro de 1964, nos Milagres, o Pe. José Lacerda regista um testamento de todos os seus bens, incluindo nele a propriedade de O Mensageiro, a favor do Seminário Diocesano de Leiria. A 23 de Abril de 1971, o Pe. José Ferreira de Lacerda festeja os seus 90 anos de vida. Ao cumprir nove décadas de existência, encontrase com a sua saúde bastante débil. A 20 de Setembro de 1971, dia principal das festas do Senhor Jesus dos Milagres, depois de fazer um esforço físico, supostamente para transportar uma

Vergílio Alberto Vieira, com ilustrações de Freda Santos, da editora Palmo e Meio. A estória faz a recriação metafórica do 25 de Abril de 1974. A narrativa de Vergílio Alberto Vieira destaca-se pela brevidade e acessibilidade. Dando especial relevo à intervenção dos militares e à forma como os capitães deram corpo a um desejo geral da nação, a narrativa, mesmo protagonizada por letras, segue de muito perto a História. Segue-se uma conversa com os alunos participantes na oficina sobre conceitos como revolução, liberdade,

democracia, censura, a partir da qual as crianças são convidadas a fazer uma pintura ou desenho. Esta acção insere-se nas actividades educativas promovidas pela Câmara Municipal, que têm como objectivo a divulgação dos museus do concelho junto do público infanto-juvenil marinhense, através da estimulação do relacionamento das crianças com o meio envolvente aumentando assim o seu conhecimento histórico e cultural. As sessões decorrem nos dias 10, 11, 17, 18 e 24 de Abril.

peça de arte sacra ou uma alfaia litúrgica, o esforço físico provocou uma rotura de hérnia. O estado de saúde do sacerdote era grave. Viria a falecer naquela manhã, no Hospital D. Manuel de Aguiar, em Leiria, não resistindo a uma intervenção cirúrgica. José Lacerda, sacerdote, jornalista, capelão militar e cidadão interessado pela sociedade, com as suas posições declaradas da construção da cidadania na cidade de Leiria, deixou uma marca indelével, pelo alcance dos projectos que abraçou mas também pelas suas convicções, assumindo posições por vezes pouco populares para a sua acção de sacerdote, mas defendendo convictamente os seus ideais. Ouvimos três sacerdotes ainda vivos, que conheceram e privaram com o Pe. José Lacerda. Os depoimentos, recolhidos no Santuário e na Casa do Clero, em Fátima, e no Seminário Diocesano de Leiria-Fátima, ajudam-nos a caracterizar a personagem que estudamos. O Pe. Luciano Coelho Cristino(2) falou-nos quem foi e o que fez o Pe. José Lacerda nos principais momentos da sua vida. Sobre a Grande Guerra, objecto de estudo deste trabalho, referiu: «Ele foi um dos primeiros capelães que se ofereceram. Como se sabe, a assistência religiosa foi muito difícil de ser acei-

te. Foi o próprio governo inglês que pressionou os governantes portugueses a aceitarem os capelães que se ofereceram. Eles foram numa situação dramática, muito difícil. Este foi um acto de coragem. O Pe. Lacerda tirou os militares do desespero das tabernas de França. Imagine-se, foi este sacerdote monárquico que passou a exigir uma bandeira republicana para cobrir os caixões dos soldados portugueses»(3). Embora tenhamos recolhido variadas informações nas entrevistas realizadas com os sacerdotes que privaram com o Pe. José Lacerda, destacaremos de ora em diante os que nos falaram sobre a sua participação na Grande Guerra. Em todas essas entrevistas é evidente o testemunho importante da sua missão como capelão militar mas também os traços da figura carismática que sempre o marcou ao longo da sua existência. O testemunho do Pe. Manuel da Silva Gaspar(4), salienta isso mesmo: «Falava-se muito sobre o seu acto de coragem de se oferecer como voluntário Capelão Militar. Esse facto era comentado como acto de enorme valentia. Aliás, o Pe. Lacerda era conhecido como pessoa de grande carácter, sempre disposto a pôr as coisas no lugar delas»(5). Mas um outro testemunho era forçoso recolher, pelo seu valor mas também pelo simbolismo

Comemorações do 25 de Abril de 1974

Adelino Gomes em Leiria A cerimónia de comemoração do 38º aniversário do 25 de Abril em Leiria terá como orador Adelino Gomes, jornalista natural dos Marrazes, Leiria, que acompanhou a revolução no terreno, em 1974, como repórter da Rádio Renascença. O evento decorrerá no Teatro Miguel Franco, pelas 11h00, e é aberto ao público em geral. Antes, pelas 9h30, decorrerá a cerimónia do hastear da bandeira pelo Regimento de Artilharia 4, junto ao edifício dos Paços do Concelho. De seguida, actuará que tem no âmbito desta recolha. O Pe. António das Neves Gameiro(6) que foi uma figura crucial depois do falecimento do Pe. José Lacerda. Fez a gestão de alguns bens que o sacerdote deixara identificados em testamento e também assumiu a administração do jornal O Mensageiro, dando-lhe continuidade, tornando-o um projecto viável economicamente. No fundo, deu continuidade ao sonho do seu fundador. Nas suas memórias sobre a Diocese, recordou-nos o seguinte: «Tive conversas com o Pe. Lacerda sobre a experiência dele nas trincheiras da guerra, contando as peripécias que viveu no campo de batalha. Aquilo que mais me interessava e gostava de ouvir nos seus comentários, foi o amor que ele teve no restauro da Diocese. Foi para isso que ele fundou o jornal. A Diocese de Leiria tinha sido extinta e ele apareceu como um lutador por esta causa. Os primeiros anos do jornal falam disso. Ele falava deste facto com muito orgulho e paixão. Era realmente um homem apaixonado»7. Conforme podemos verificar, foi o Pe. José Lacerda que trouxe valor acrescentado à noção de voluntariado na cidade de Leiria mas também no País. Desde o início do conflito que se mostrou disponível para colaborar na minimização dos efeitos do conflito nos nossos soldados.

a Banda Filarmónica da SAMP – Sociedade Artística Musical dos Pousos. Adelino Gomes, 68 anos, trabalhou na rádio, em televisão, em jornais e revistas. De todas as reportagens que fez, destaca a do dia 25 de Abril (em co-autoria com Paulo Coelho e Pedro Laranjeira), a dos acontecimentos do 11 de Março e do início da invasão de Timor por tropas indonésias, ambas em 1975, e ambas para a RTP; e a da chegada das tropas da coligação internacional a Kwuait City, em Fevereiro de 1991, para o A marca do Pe. José Lacerda ficou bem perceptível entre a sociedade leiriense, sendo ainda hoje evocada, mesmo depois da sua morte no ano 1971(8). Após o falecimento do Pe. José Lacerda, a Voz do Domingo publicava um texto de reconhecimento à vida e obra do sacerdote, fazendo juz ao mérito do seu percurso: «Com o Sr. Cónego Lacerda, fundador de O Mensageiro a 5 de Outubro de 1914, perde a imprensa regional um dos seus mais lídimos representantes e um dos seus maiores valores. Dotado de forte personalidade, combativo, por vezes violento, soube manter-se toda a vida fiel aos seus ideais – a paróquia, a Diocese, o Distrito, a Monarquia. De lança em riste para defesa dos legítimos interesses regionais, tinha uma alma aberta aos mais sagrados interesses da Pátria e da Nação. E conservou até ao fim este vigor de espírito»(9). 1 Veja-se A Voz do Domingo, 8 de Dezembro de 1958, nº 1340, p. 7. 2 Sacerdote, ordenado a 15 de Agosto de 1962, licenciado em Teologia, Historiador. 3 Excerto da entrevista realizada na Reitoria do Santuário de Fátima, dia 5 de Janeiro de 2011. 4 Sacerdote, ordenado a 12 de Julho de 1942, licenciado em Teologia, foi Pároco da Sé Catedral de Leiria 5 Excerto da entrevista realizada na Casa do Clero de Fátima, dia 29 de Dezembro de 2010. 6 Sacerdote, ordenado a 12 de Agosto de 1956, licenciado em Teologia, nomeado Cónego da Sé Catedral de Leiria, por decreto de 10 de Abril de 1988,

“Público”. Doutorado em Sociologia, é investigador no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia e dá aulas no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa. Recebeu, há poucos meses, o Prémio Prestígio do Clube dos Jornalistas e foi distinguido, em 1991, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Foi ainda Provedor do Ouvinte da Radiodifusão da RDP – a rádio pública portuguesa, entre 2008 e 2010.

REFLEXÕES SOBRE O SÉCULO XX - 18

Joaquim Santos Jornalista

Retalhos de vida dos tempos do Estado Novo, até à sua morte, em 1971 administrador do semanário O Mensageiro. 7 Excerto da entrevista realizada no Seminário Diocesano de Leiria-Fàtima, dia 4 de Janeiro de 2011. 8 A vida e obra do Pe. José Lacerda perduraram para além de 1971. Em pleno século XXI, para além de reconhecimento público que se faz na cidade de Leiria, também o País, invocou José Lacerda como um dos nomes da República. Ele que foi um fervoroso monárquico, não foi esquecido em debates nacionais republicanos como o Congresso Nacional de História e Ciência Política "Outras Vozes na República 1910-1926" do Museu da Presidência da República, na cidade da Figueira da Foz ou no Congresso Internacional de História "100 Anos de Separação: Religião, Sociedade, Estado", na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa. 9 In Voz do Domingo, nº 2008, de 26 de Setembro de 1971, p. 5.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 29.Março.2012

Câmaras de Leiria, Marinha Grande e Batalha

Nos Marrazes

Apagão pela Hora do Planeta 2012 ligar-se a iluminação do Edifício dos Paços de Concelho, do Museu do Vidro e da Estátua Stephens. Na Batalha, as luzes do Edifício dos Paços de Concelho e do Museu da Comunidade Concelhia da Batalha serão também desligadas neste período das 20h30 às 21h30. O movimento, que começou em 2007 numa só cidade, rapidamente se tornou global, envolvendo 5.251 cidades, 1800 milhões de pessoas em 135 países em todos continentes, no ano passado.

De 30 de Março a 1 de Abril na Exposalão

Best Of Stock na Batalha

Dia da Árvore comemorado em escolas

Sensibilização ambiental na Marinha Grande A Câmara Municipal da Marinha Grande, através da Divisão de Ambiente, Serviços Urbanos e Protecção Civil, comemorou o Dia Mundial da Árvore, na passada segunda-feira, 21 de Março, através da plantação de espécies de arbustos em escolas do concelho. A iniciativa visou assinalar aquela efeméride, alertando para a importância da preservação do ambiente e da floresta e esteve integrada no Plano de Actividades de Sensibilização Ambiental daquele

serviço municipal. Funcionários da Câmara Municipal deslocaram-se ao jardim-de-infância de Casal de Malta e a outros estabelecimentos de ensino a fim de, com a ajuda das crianças, comemorarem este dia de forma ambiental, plantando tramagueiras e viburnos que foram colocadas no átrio da escola. A tramagueira é um arbusto glabro, muito ramificado, que cresce até 4 m. Tem casca castanha escura, com ramos finos, folhas bem ordenadas com 2 mm de comprimento, lan-

ceoladas triangularmente, agudas. O viburno é um tipo de arbusto com folhas decíduas e ramos horizontais. É uma planta muito completa e versátil, na medida em que ostenta flores brancas e perfumadas durante a primavera e a sua folhagem mantém-se verde escura durante todo o verão e Outono. O viburno é uma planta que se dá bem em solos húmidos e necessita de estar num local onde tenha uma exposição solar plena. Pode atingir cerca de 180 centímetros de altura

e 300 a 365 centímetros de largura. Foram explicadas de forma clara as vantagens das árvores e quais as consequências da falta delas. Explicaram-se também os procedimentos que todos devemos ter no cuidado com o ambiente, bem como com todas as plantas existentes. No final as crianças agradeceram a iniciativa com uma salva de palmas e interpretaram uma canção sobre o Dia da Árvore.

Câmara e INAG organizam sessão de esclarecimento A intervenção tem como objectivo a protecção, estabilização e consolidação das arribas que confinam com as Praias de S. Pedro de Moel e da Concha, em extensões de cerca de 800m e 200m, respectivamente, no concelho da Marinha Grande. A arriba da praia de São Pedro de Moel tem exibido uma acelerada evolução do processo erosivo. Estes fenómenos têm vindo a manifestar-se ao longo dos últimos anos, gerando aparentes basculamentos,

fissuras no pavimento da Avenida Marginal e recuos bastante acentuados das arribas. É tendo por base este enquadramento, que surgiu a necessidade urgente de elaboração do projecto para a estabilização das arribas de São Pedro de Moel, no concelho da Marinha Grande, elaborado pelo INAG, a partir do reconhecimento de superfície do local, do diagnóstico, da verificação e da análise de risco das actuais condições de estabilidade.

DR

Reunião sobre arribas de S. Pedro de Moel No dia 29 de Março, pelas 18h00, a Câmara Municipal da Marinha Grande e a Agência Portuguesa do Ambiente – INAG promovem uma sessão pública de esclarecimento sobre o projecto de estabilização das arribas, que decorrerá no Complexo de Piscinas Promoel, em São Pedro de Moel. A reunião com a população visa prestar esclarecimentos sobre a calendarização e trabalhos a realizar naquela praia, para estabilização das arribas.

O salão da Junta Freguesia de Marrazes (por cima da PSP) vai acolher nos dias 14 e 15 de Abril, pelas 12h00, a Festa dos Petiscos e Doces. Os sabores típicos da nossa região vão ser a degustação de dois dias gastronómicos nos Marrazes.

A Exposalão, na Batalha, vai acolher no próximo fim-de-semana, uma edição do “Best Of Stock”, um grande evento nacional de vendas que conta com a presença das mais reputadas marcas nacionais e internacionais, por menos de metade do preço. Com particular incidência na produção nacional, o “Best Of Stock” afirma-se como “uma grande plataforma de divulgação e promoção das nossas marcas, bem como de escoamento de excessos de stock”. Claro que, para além disso, é também uma excelente oportunidade para os consumidores, que podem encontrar grandes descontos entre os 50% e os 86% em produtos de moda, decoração, joalharia, desporto, calçado, acessórios e perfumaria, entre outras áreas. O evento tem portas abertas no dia 30 entre as 17h00 e as 22h00, no dia 31 entre as 11h00 e as 22h00, e no dia 1 de Abril entre as 11h00 e as 20h00.

DR

As Câmaras Municipais de Leiria, Marinha Grande e Batalha aderiram à “Hora do Planeta”, iniciativa que propõe o desligar de luzes entre as 20h30 e as 21h30 do dia 31 de Março. Como forma de aderir a esta iniciativa global de conservação de natureza, estes municípios comunicaram que irão desligar a iluminação de alguns locais emblemáticos. Assim, em Leiria, serão apagadas as luzes exteriores do Castelo de Leiria e dos Paços do Concelho. Na Marinha Grande irá des-

Festa dos Petiscos e Doces

Antigos alunos de escolas de Leiria

Uma mão cheia de convívios A Comissão de Antigos Alunos do Jardim-Escola João de Deus e das escolas primárias Amarela e de Santo Estêvão, vai realizar o seu quinto encontro, no dia 14 de Abril, pelas 13h00, no restaurante Pinhal da Quinta, em Monte Redondo. Nas quatro edições anteriores, os sempre alunos e amigos, reuniram-se para convívio mas muito especialmente para partilha das memórias dos seus tempos de escola e de uma cidade de Leiria com outras vivências históricas. Com o quinto encontro na agenda, a comissão pretende proporcionar aos participantes o rever de uma amizade partilhada desde a infância “da qual guardamos recordações que nos unem para sempre” e a rever e homenagear os professores “que, com a sua dedicação, empenho e muito trabalho nos acompanharam, nos ensinaram as primeira letras e, igualmente importante, os valores que nos tornaram os homens e mulheres que somos hoje”, refere António Júlio, um dos membros da organização. Para a edição de 2012, vão ser homenageados o exaluno Mário Matias (presidente da Caixa de Crédito de Leiria) e os antigos membros do Orfeão de Leiria. A comissão organizadora deste encontro pretende evocar o percurso de personalidades que se distinguiram no panorama da sociedade leiriense.


8 DIOCESE

O Mensageiro

Fotos: Luís Oliveira / Santuário de Fátima

29.Março.2012

Diocese esteve em Fátima

“Testemunhas de Cristo no mundo, a convite de Maria” O V Domingo da Quaresma foi marcado na diocese pela realização da 81ª Peregrinação a Fátima. O programa compreendia, como habitualmente, dois dias de actividades e de oração. No sábado, cerca de 300 jovens estiveram presentes para uma jornada de convívio e actividades que trouxeram algum colorido às ruas de Fátima. Desde a manhã foram chegando em grupo, a pé ou de automóvel, mas todos com o desejo de viver um dia diferente. O dia foi, por isso, muito animado e alegre. A noite foi preenchida com a realização do Festival da Canção. Mais de 1200 pessoas se juntaram para ouvir as 8 as canções concorrentes. Muito animado e muito alegre, este

momento festivo permitiu o desabafo de D. António que afirmou “algo está a acontecer entre os jovens da diocese; está em marcha uma transformação na pastoral juvenil”. Se todos foram vencedores, as três canções escolhidas pelo júri foram: 1º “Luz de Deus”, grupo de jovens de S. Mamede 2º “Somos Luz”, grupo de jovens 2000 3º “Pequenas Chamas”, grupo de jovens e Fátima O dia seguinte, domingo, o recinto foi-se enchendo lentamente pelos muitos peregrinos que iam chegando lentamente de todas as paróquias da diocese. Várias paróquias optaram por fazer o caminho a pé, acompanhados pelos seus párocos, outros organizaram-se com trans-

portes variados. Todos embebidos do verdadeiro espírito de peregrinos. Depois da oração da manhã, feita na igreja da Santíssima Trindade, os peregrinos caminharam

para a capelinha onde foi feita a recitação do rosário. Eram 11h00 quando os sinos dobravam e marcavam o início da celebração da Eucaristia. O sol que se fez sentir

durante todo a manhã, obrigou os peregrinos a procurarem algumas sombras, o que fez com que o recinto do santuário parecesse mais vazio que o habitual. Mas a hora do al-

moço permitiu verificar que eram afinal muitos os que quiseram marcar presença nesta peregrinação. Est só terminaria no final da tarde, depois da evocação festiva que aconteceu no Centro Pastoral Paulo VI e que foi uma festa diocesana para com as paróquias da batalha, Monte Real e Reguengo Fetal, pelos seus 500 anos de vida, e para com o Colégio de S. Miguel, pelos seus 50 anos. No regresso a casa perguntávamo-nos se valera a pena, se fazia sentido passar um dia em contexto de peregrinação. A resposta era óbvia e unânime. Claro que sim, Deus estava mais próximo e o por do sol podia agora ser visto com outros olhos.


DIOCESE 9

O Mensageiro 29.Março.2012

Homilia do Bispo

Sinto-me feliz e dou graças a Deus por mais uma vez estar aqui a presidir à peregrinação da minha querida diocese. É uma alegria para mim poder dirigir uma calorosa saudação a todos os diocesanos, extensiva também aos outros peregrinos. Permitam-me endereçar uma saudação carinhosa e uma bênção especial aos mais pequenitos, os meus amiguitos e amiguitas, que vejo aqui à frente em grande número; e uma outra saudação cordial aos jovens com quem estive ontem à noite no festival da canção. Foi um momento de beleza e de graça. A vossa presença em número significativo, a alegria dos vossos rostos, a beleza das vossas canções, o calor do vosso entusiasmo fizeram-me pressentir – se o meu sexto sentido não me engana – que estamos perante um novo entusiasmo na pastoral juvenil na nossa diocese e nas nossas paróquias. Afloraram-me à mente as palavras do profeta Isaías: “Eis que faço algo de novo. Já brota. Ainda não vedes?”. Viemos todos aqui hoje a convite de Maria, como reza o lema da nossa peregrinação: “Testemunhas de Cristo no mundo, a convite de Maria”. Esta peregrinação diocesana constitui um momento alto do nosso percurso pastoral. Queremos vivê-la como uma experiência espiritual rica de graça, deixando-nos iluminar pela Palavra de Deus que escutámos. A nossa vocação como Povo da Aliança A primeira leitura, do profeta Jeremias, é cheia de encanto e ternura. Apresentanos Deus a falar ao coração do povo, abrindo-o à esperança

numa primavera espiritual de grande renovação. Esta mensagem encontro-a expressa e actualizada, de modo belo e sintético, num dos prefácios eucarísticos da quaresma: “Vós, Senhor, abris de novo à Igreja o caminho do êxodo, através do deserto quaresmal, para que aos pés da montanha santa, de coração contrito e humilhado, tome consciência da sua vocação como povo da Aliança, reunido para escutar a vossa Palavra, cantar o vosso louvor e viver a experiência admirável dos prodígios da vossa graça”. Também aqui aos pés da montanha na Cova da Iria, Deus fala hoje, como outrora ao coração do seu povo: “Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo. Imprimirei a minha Lei no íntimo das vossas almas e gravá-la-ei no vosso coração”. Também nós hoje queremos renovar-lhe a nossa pertença cheia de confiança, dizendo: “Nós reconhecemos que Tu és o nosso Deus e nós somos o teu povo. Queremos que a tua Lei (Luz e Amor) esteja impressa no íntimos das nossas almas e gravada no nosso coração e não em tábuas de pedra ou folhas de papel”. Deste modo, renovamos a nossa fé e assumimos o compromisso de ser testemunhas desta fé com e como Maria, dizendo: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra”, segundo o teu desígnio de amor, o teu projeto de salvação. Queremos ver Jesus A passagem do Evangelho leva-nos a viver esta experiência da Aliança com Deus na pessoa de Jesus. De facto, põe à nossa contemplação um gru-

po de peregrinos gregos que subiram a Jerusalém para adorar a Deus, por ocasião da festa da páscoa hebraica. A verdadeira finalidade da peregrinação deve ser a de encontrar Deus e adorá-Lo. Mas atraídos por tudo quanto Jesus anunciava e fazia em nome de Deus, estes gregos exprimiram ao apóstolo Filipe um seu desejo íntimo: “Queremos ver Jesus”! Filipe e André transmitiram--no a Jesus. Para surpresa nossa, Jesus na sua resposta aponta o encontro para mais tarde, como quem diz: não basta um colóquio mais ou menos breve, uma troca de poucas palavras como quem pede um autógrafo ou tira uma fotografia com um VIP e volta para casa na mesma. Jesus marca encontro com os homens e o mundo de um modo novo e inaudito, no momento mais inesperado, na Cruz e na Ressurreição: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado...Quando for elevado da terra atrairei todos a mim”. Referia-se à sua elevação na Cruz. Sim, na Cruz nós tocamos o mistério de Deus “que amou tanto o mundo que lhe entregou o seu Filho único para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”: tocamos o mistério maravilhoso do Amor de Deus que, nas dimensões da cruz, desce do alto em vertical, jorrando do lado aberto de Cristo e se expande em horizontal, abraçando a todos os homens e todas as gerações através dos braços abertos de Cristo. Queremos ver Jesus: estas palavras tocam profundamente cada um de nós. Como homens e mulheres do Evangelho queremos ver Jesus, conhecê-lo de perto, amá-lo, segui-lo, servi-lo, testemunhá-lo num só coração e numa só alma. Mostrar Jesus através do testemunho da santidade de vida no mundo Queremos ver Jesus: este é o pedido que a humanidade dirige também hoje aos discípulos de Cristo. É urgente mostrar o rosto de Cristo, a beleza do seu amor que salva, para dar uma alma (vida) nova à nossa sociedade que está espiritualmente envelhecida e cansada. A cruz de Cristo educa-nos a mostrar o seu rosto sobretudo mediante a caridade. A Beata Madre Teresa de Calcutá gostava de distribuir o seu cartão de visita onde estava escrito: “Fruto do silêncio é a oração; fruto da oração é a fé; fruto da fé é o amor; fruto do amor é o serviço; fruto do serviço

é a paz”. Eis aqui traçado o caminho do encontro com Jesus. O mundo tem necessidade urgente do grande sinal profético da caridade fraterna, sobretudo em relação aos mais carenciados e sofredores: “sempre que fizestes isto a um só destes meus irmãos mais pequenos, a mim o fizestes”(Mt 25, 40). Não basta falar de Jesus. É preciso fazer vê-lo, de algum modo, com o testemunho eloquente da própria vida no mundo. Queremos ver Jesus – dizem alguns nossos contemporâneos afastados da fé – na santidade de vida quotidiana dos cristãos, na pessoa e na vida dos leigos, dos sacerdotes e dos consagrados: no testemunho duma fé viva, alegre, irradiante; na presença dos cristãos no mundo como lugar de vocação e missão, de graça e santificação; na qualidade de serviço, competência e dedicação com que trabalham no seu sector profissional; no empenho em contribuir para o bem comum na edificação duma sociedade justa, fraterna, solidária, pacífica. A transformação da sociedade, o projecto de sociedade não se reduz a um boletim de voto. É inseparável do empenho social pela dignidade da pessoa e da vida humana, pela justiça, pela verdade e transparência contra a corrupção e a fraude. Para ver Jesus e dar a vê-lo aos outros digo com o Beato João Paulo II “precisamos de santos que vivam no mundo; que não tenham medo de viver no mundo; que saboreiem as coisas boas do mundo; que se santifiquem no mundo, mas que não sejam mundanos”! Dirigindo-nos agora a Maria Santíssima, também nós lhe suplicamos: “mostrai-nos Jesus bendito fruto do vosso ventre”! Mostrai-no-lo hoje na vossa ternura materna como O mostrastes aqui aos Pastorinhos deixando-os encantados pela beleza do seu amor. Mostrai-no-lo hoje como o fizestes através do Beato João Paulo II, há precisamente 27 anos, no dia da solenidade da Anunciação do Senhor, ao dar cumprimento ao vosso pedido de consagração do mundo ao vosso Imaculado Coração e desde então começaram a cair os muros de divisão entre os povos. Ajudai-nos a ser testemunhas autênticas de Cristo no mundo de hoje de modo que resplandeça e brilhe a beleza do rosto de Cristo, verdadeira Luz do mundo. † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima

BREVES Publicação do padre Artur Oliveira

Salmos Responsoriais Feriais O Padre Artur Oliveira, capelão e responsável da música litúrgica no Santuário de Fátima durante 25 anos, musicou os Salmos Responsoriais dos dias feriais de todo o ano. Num primeiro volume, apresenta os tempos do Advento, do Natal, da Quaresma e da Páscoa. Num segundo volume apresentará o Tempo Comum. Esta obra do Autor, distribuída pelo Secretariado Nacional de Liturgia, tem como único objectivo, ajudar os que cantam diariamente o Salmo Responsorial do Leccionário ferial. Como cantor diário dos textos da Liturgia, cedo se apercebeu das tremendas dificuldades em encontrar o Refrão adequado a cada dia para os Salmos Responsoriais». Para ir ao encontro desta carência de textos musicados, criou a obra que põe à disposição das comunidades portuguesas. Os interessados podem adquiri-la também na portaria do Seminário de Leiria.

Em todo o mês de Abril

Imploremos novas vocações Em ordem a favorecer a oração insistente, o Serviço de Animação Vocacional propõe aos fiéis, famílias e comunidades da diocese de Leiria-Fátima, como nos anos passados, que façam de Abril um inteiro “mês vocacional”. A prece “ao Senhor da Messe que mande operários para a sua Messe” (Mt 9,38) ganhará assim uma expressão viva, intensa e significativa. A proposta é que cada comunidade, paroquial ou de vida religiosa, e qualquer grupo que o queira se inscreva assumindo um dia e organize um tempo dedicado à oração pelas vocações. Que sugerimos para essa oração? Pode ser a “lectio divina”, a adoração ao Santíssimo Sacramento, o rosário, etc; procure-se divulgar a iniciativa localmente, por forma a que outras pessoas possam também participar; no caso de haver comunidades próximas (religiosas ou paroquiais) que coincidam no mesmo dia, se possível juntem-se para fazer a oração. Seria particularmente interessante que se organizassem encontros entre as comunidades religiosas e as das paróquias; envolva-se as crianças, os adolescentes e os jovens em modalidades apropriadas a cada idade. O Serviço Diocesano de Animação Vocacional irá disponibilizar um guião com subsídios.

Casa de Retiros do Seminário de Leiria

“Tempo de Oração e Silêncio” Jesus retirava-se frequentemente sozinho para orar em lugares onde o isolamento e o ambiente sereno e silencioso o ajudassem a uma maior experiência de comunhão com o Pai. Com o objectivo de seguir a escola e a pedagogia do Mestre, a Casa de Retiros S. José, do Seminário Diocesano de Leiria, vem procurando cultivar um ambiente acolhedor e recolhedor dentro e fora da Casa. Neste sentido, a casa de Retiros S. José irá propor um “Tempo de Oração e Silêncio” aberto a todos os cristãos que queiram acolher o método e a pedagogia de Jesus que frequentemente se retirava em oração para que a intimidade com o Pai se fosse fortalecendo. Os interessados em acolher esta proposta que decorrerá nos dias 13 a 15 de Abril podem procurar mais informações no Seminário de Leiria ou em www.leiriafatima.pt/seminario. Padre André Batista


10 ECLESIAL

O Mensageiro 29.Março.2012

Leituras |Domingo de Ramos Paixão do Senhor (01/04/2012) Leitura I: Is 50,4-7 Salmo Responsorial: Salmo 21 (22) Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes? Leitura II: Filip 2,6-11 Aclamação ao Evangelho: Filip 2,8-9 Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor. EVANGELHO (procissão dos Ramos): Mc. 15, 1 - 39 Evangelho N. Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos. Naquele tempo, ao aproximarem-se de Jerusalém, cerca de Betfagé e de Betânia, junto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente e, logo à entrada, vereis um jumentinho preso, que ninguém montou ainda. Soltai-o e trazei-o. E se alguém perguntar porque fazeis isso, respondei: ‘O Senhor precisa dele, mas não tardará em mandá-lo de volta’». Eles partiram e encontraram um jumentinho, preso a uma porta, cá fora na rua, e soltaram-no. Alguns dos que ali estavam perguntaram-lhes: «Porque estais a desprender o jumentinho?» Responderam-lhes como Jesus tinha dito e eles deixaram-nos ir. Levaram o jumentinho a Jesus, lançaram-lhe por cima as capas e Jesus montou nele. Muitos estenderam as suas capas no caminho e outros, ramos de verdura, que tinham cortado nos campos. E tanto os que iam à frente como os que vinham atrás clamavam: «Hossana! Bendito O que vem em nome do Senhor! Bendito o reino que vem, o reino do nosso pai David! Hossana nas alturas!»

Visita Pastoral 30 de Março a 1 de Abril

Cânticos | Páscoa Quinta-feira Santa [05 de Abril] Entrada - Toda a nossa glória - (LAU 810; CLP 2) Salmo Responsorial - O cálice da bênção - (LAU 548; CLP 3) Lava-pés - Dou-vos um mandamento novo - (LAU 301) - Senhor, tu vais lavar-me os pés - (LAU 784; CLP 4) Apresentação dos Dons - Onde há caridade verdadeira - (LAU 626; CLP 7) Comunhão - Vinde comer do meu pão - (LAU 864; CLP 10) - O Corpo de Jesus é alimento - (LAU 551) Pós-Comunhão - Ó Sagrado Banquete - (LAU 576; CLP 13) Trasladação do Santíssimo - Celebremos o mistério - (LAU 219A; CLP 14) Final - Cantemos a Jesus Sacramentado - (LAU 215; CLP 15) Sexta-feira Santa [06 de Abril] Salmo Responsorial - Pai, nas vossas mãos - (LAU 637; CLP 17) Apresentação da cruz - Eis o madeiro a cruz - (LAU 52; CLP 19) Adoração da cruz - Vinde, adoremos o Senhor - (LAU 1055) - Bendita e louvada seja - (LAU 174; CLP 22) - Por nosso amor - (LAU 667) Comunhão - Todas as vezes - (LAU 814; CLP 25) - Se alguém quiser seguir-me - (LAU 739) Pós-Comunhão - O Senhor salvou-me - (LAU 739; CLP 28) - O Cordeiro que foi imolado - (LAU 1143) Vigília Pascal [07 de Abril] Apresentação da luz - A luz de Cristo - (LAU 44; CLP 30) Incensação - Senhor, tu és a luz - (LAU 779; CLP 30) - A luz de Cristo ilumina - (LAU 100) Aclamação ao Precónio - Glória a Ti, Jesus Cristo - (LAU 59; CLP 30) - Glória a Ti, glória, Senhor - (LAU 58)

AO SABOR DA PALAVRA

Alpedriz 30 de Março (sexta-feira) 16h30 – Alpedriz (Igreja: Chegada e palavra de boas vindas) 17h00 – Alpedriz: Missa (Sacramento da Unção dos doentes) 19h00 – Ribeira do Pereiro: Oração do Rosário e jantar partilhado 21h00 – Alpedriz: (capela de S. António) Encontro de crismandos e outros jovens 31 de Março (sábado) 15h30 – Alpedriz: Encontro com crianças do 1º ao 6º anos 17h00 – Alpedriz: Encontro com adolescentes do 7º ao 9º anos 18h30 – Montes: Bênção dos Ramos (junto à fonte); Procissão até à igreja e Missa. Segue-se o jantar partilhado. 21h30 – Alpedriz: Assembleia Paroquial de colaboradores 1 de Abril (Ramos) 16h00 – Alpedriz: Bênção dos Ramos (junto ao pelourinho); procissão até à igreja; Missa e celebração do crisma; Lanche partilhado.

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

Domingo de Ramos 1 de Abril de 2012

Contra corrente Hossanas e glórias é o toda a gente deseja: ser notado no meio dos seus pares, ser aclamado como alguém com valor. mas a vontade das multidões anda ao sabor do vento, de quem a conseguir atrair pelos sentimentos. Um político, um futebolista ou um actor tanto são adorados como deuses, como são rejeita-

dos e espezinhados como lesmas. E nós também nos deixamos arrastar por essas modas, pela fama, nossa e dos outros: apoiamos aqueles que são apoiados e rejeitamos aqueles que os outros rejeitam. Quem escolhe de forma diferente da maioria das pessoas e apontado como marginal. No tempo de Jesus foi isso que aconteceu: as pessoas que O aclamaram como Messias, com hossanas, quando ele entrou em Jerusalém facilmente esqueceram aquilo que tinham dito quando os chefes os levaram a pedir a morte de Jesus. Tudo era espectáculo: tanto a aclamação daquele messias como depois a sua condenação e crucificação. O que eles queriam era estar felizes e satisfeitos sem que ninguém os incomodasse. Mas Jesus era incómodo: porque os obrigava a sair da sua mediocridade, porque exigia que cada um fosse uma pessoa inteira e autónoma, descobrindo em si os valores da vida e do amor. Jesus sabia que essa acla-

Salmos responsoriais [1] - A bondade do Senhor - (LAU 96; CLP 31) - Mandai, Senhor, o Vosso Espírito - (LAU 488) [2] - Guardai-me, Senhor - (LAU 421; CLP 32) [3] - Deus fez maravilhas - (LAU 281; CLP 33) [4] - Louvar-vos-ei, Senhor - (LAU 485; CLP 34) [5] - Das fontes da salvação - (LAU 266; CLP 35) [6] - Senhor, vós tendes palavras - (LAU 786; CLP 36) - As vossas palavras, Senhor - (LAU 168) [7] - Como o veado anseia - (LAU 228; CLP 37) Bênção da água - Fontes do Senhor - (LAU 56; CLP 41) Aspersão - Vós que fostes baptizados - (LAU 880; CLP 41) Apresentação dos dons - Rainha dos céus, alegrai-vos - (LAU 949; CLP 42) - A dextra do Senhor - (CLP 43) Comunhão - Felizes os convidados - (LAU 393; CLP 45) - O Senhor ressuscitou - (LAU 607) Pós-Comunhão - Dai graças ao Senhor - (LAU 1132; CLP 47) - Cantai comigo - (LAU 205) Final - Ressuscitou. Aleluia - (LAU 718; CLP 48) - Hinos de glória - (LAU 424) - Ressuscitou. Aleluia - (LAU 719) Domingo de Páscoa [08 de Abril] Entrada - Hoje é dia de festa - (LAU 425; CLP 50) - O Senhor ressuscitou - (LAU 608; CLP 51) - Na sua dor - (LAU 718; CLP 48) Salmo Responsorial - Eis o dia que fez o Senhor - (LAU 312; CLP 53) Apresentação dos Dons - Rainha dos céus, alegrai-vos - (LAU 949; CLP 42) Comunhão - O Senhor ressuscitou - (LAU 607; CLP 65) - Felizes os convidados - (LAU 394) Pós-Comunhão - Ressuscitou. Aleluia - (LAU 719) Final - Aleluia. Louvor a vós, ó Cristo - (LAU 149; CLP 59) -------------------------------------------------------------------------------------------LAU - “Laudate” CLP - “Cadernos Litúrgicos - Páscoa” (Dioc. Leiria-Fátima)

mação era temporária, sabia o que lhe iria acontecer, e apesar disso aceita a vontade do Pai. Tornando-se homem fez-se totalmente igual aos seus irmãos. Pela sua obediência cumpria a vontade de Seu Pai, sabendo que o seu amor pelos homens implicava o seu sacrifício de uma forma extrema. Foi por esta doação que Deus O exaltou ressuscitando-o, como nos diz S. Paulo na sua carta aos Filipenses. É esta a sua exaltação: a sua ressurreição, o vencer a morte, o único STOP ao qual todos os homens obedecem. Os acontecimentos que, nesta semana, vamos celebrar, garantem-nos que o caminho do dom da vida não é um caminho de “perdedores” e fracassados: o caminho do dom da vida conduz ao sepulcro vazio da manhã de Páscoa, à ressurreição. É um caminho que garante a vitória e a vida plena. A confiança em Deus era grande, por isso podia dizer como o profeta Isaías: “O senhor Deus veio em meu auxílio, por isso não fiquei envergonhado.” É pelo sacrifício de Jesus que

ele se torna verdadeiramente o Messias, o salvador, por isso é que só depois da sua morte se diz pela boca do centurião: “Na verdade este homem era filho de Deus”. Realmente só então Jesus se tornou no verdadeiro Messias pois só então a sua obra ficou completa, atingindo assim o seu auge. A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na ressurreição que gera vida nova. E nós, hoje, além de reconhecermos que Jesus é o Messias necessitamos de provar essa profissão de Fé pelas nossas obras. Se não o fizermos somos como os judeus do tempo de Jesus, que O aclamaram por palavras mas quando tiveram de tomar uma atitude optaram pela via mais fácil. Muitas vezes é necessário avançar contra a corrente, em vez de nos deixarmos ir na onda, com a confiança de que são precisas muitas pedras para fazer um dique que conduza a água para o sítio certo.


ECLESIAL 11

O Mensageiro 29.Março.2012

Família há Oito Séculos Em 1288, o ideal de Santa Clara começou a brilhar na cidade das sete colinas. Este Mosteiro de Lisboa nasceu da iniciativa de quatro senhoras da alta nobreza da cidade: D. Inês Fernandes, Maria Martins, Maria Domingues e Clara Eanes que, nesse mesmo ano, obtiveram autorização do Papa Nicolau IV. Começou a ser construído no lugar do actual Largo da Trindade, mas dois anos depois foi transferido para o actual Campo de Santa Clara, junto a São Vicente de Fora. Quatro anos depois foi entregue às Irmãs Clarissas. Santa Clara é, sem dúvida, a força cósmica que continua no curso dos séculos, a manter, nas suas rotações regulares, o sistema sideral dos Evangelhos de Assis, seara mística a germinar de pólo a pólo (Sousa Costa). Santa Clara quis assim agraciar com a sua presença a capital do reino de Portugal. Em 1551, a Comunidade era formada por uma centena de Irmãs, por isso houve necessidade de ser restaurado e ampliado ficando a sua igreja a ser a maior de todos os mosteiros existen-

tes da cidade de Lisboa. A parte habitacional tinha capacidade para mais de duzentas Religiosas. Mas, em 1755 foi desferido um duro golpe. Era o dia 1 de Novembro, pelas nove e meia da manhã, a crosta terrestre rompeu-se no mar, a terra tremeu com tal violência que grande parte da cidade ficou reduzida a escombros. Com magnitude de 8,5 graus, um dos maiores sismos de que há memória, o terramoto de 1755 é considerado a primeira grande catástrofe natural da História. Hora e meia depois chegava o tsunami, gerado pela deformação no fundo do mar quando se deu o sismo, e inundou a zona ribeirinha da capital. Por último, os incêndios. Os fogões no casario denso, sempre acesos, atearam fogos que cobriram Lisboa de denso fumo negro ao longo de três dias. Dias intermináveis de pavor e angústia que se generalizou por toda a cidade. Também o mosteiro de Santa Clara foi apanhado nesta terrível tragédia. O seu esplendor e beleza arquitectónica foram reduzidos a cinzas. Momentos

de prova e grande sofrimento para toda a Ordem das Irmãs Clarissas. Terão morrido dez mil pessoas, entre as 200 mil que habitavam na cidade. Entre esses milhares 56 Irmãs deste mosteiro perderam a vida debaixo dos escombros. As poucas Irmãs que sobreviveram foram transferidas para Mosteiro da Piedade da Esperança, de Lisboa. Pouco tempo depois uma nova cidade renasce das cinzas: ruas espaçosas e geométricas na Baixa, tal como se conhece agora. À pergunta: “Para quê ruas tão espaçosas?” Pôde-se escutar a resposta: “Porque um dia serão demasiado estreitas.” A cidade erguida sobre as ruínas – cujos trabalhos de reconstrução foram dirigidos por Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal – parece querer apagar da memória tão grande tragédia. Na história da humanidade Deus faz surgir pessoas que por si mesmas se impõem, não pelos seus feitos meramente humanos que, mais cedo ou mais tarde, sucumbem e são esquecidos, mas pela força e durabilidade de suas

DR

Sobre as sete colinas

vidas santas e repletas da presença de Deus. Apesar do trágico destino daquele mosteiro, a cidade de Lisboa, passados sete séculos da chegada do ideal clareano, continua ainda hoje a render a sua homenagem àquela que sendo rica e nobre se fez pobre por amor de Jesus, àquela que não edificou nem reconstruiu a cidade dos homens mas deu vida a uma Família que tem promessas de vida eterna. E, se um dos seus mosteiros foi reduzido a cinzas, as Irmãs Clarissas em muitos outros continuaram na mesma cidade, de mãos estendidas, portas escancaradas e olhar vol-

tado para o céu, em prece ardente pela amada cidade. Ainda hoje os veraneantes podem passear pelo lugar a que se chama Campo de Santa Clara e contemplar por toda a cidade alfacinha a beleza de muitas igrejas dedicadas à Virgem Santa Clara de Assis. Se as forças da natureza reduziram aquele mosteiro a cinzas, pelo poder de Deus muitos outros mosteiros seriam erguidos em Portugal. Se as forças telúricas sepultaram este edifício na penumbra do esquecimento, a luz e a santidade que as Irmãs, apesar das suas fragilidades, dali aspergiram sobre

Temas de interMediação

o mundo e especialmente sobre a metrópole, jamais força alguma poderá apagar da história da humanidade. Porque os seus nomes foram inscritos pelo próprio Deus no livro da vida. Santa Clara é real e verdadeiramente, entre mil e mil flores plantadas por Cristo, uma dessas flores gigantescas da Cristandade, abrindo a sua piedosa corola sobre quantos se deleitam ao odor da paz; repartindo seus saborosos frutos de santidade por todos os que se afervoram no ideal do bem” (Sousa Costa). Irmãs Clarissas de Monte Real

Silêncio … chegou a hora de olhar e escutar o outro! (1) comunicação eficaz (entre aquilo que se quer dizer, se diz, e é recebido). Processo de comunicação Em termos linguísticos podemos definir a comunicação como «o processo de enviar e receber mensagens». Tal sucede quando alguém (emissor) pretende expressar algo a outrem (receptor) a partir de um código, a que designamos mensagem. Esta definição, aparentemente simples, torna-se mais complicada quando se observa uma relação interpessoal (entre duas ou mais pessoas). A experiência mostranos que este processo, aparentemente simples

falha muitas vezes. O significado formado pelo receptor quando dá o seu feedback não coincide necessariamente com aquele que o emissor conferiu à mensagem, ou porque pressupôs elementos que o emissor não deu, ou porque o próprio emissor não foi suficientemente esclarecedor na sua forma de comunicar, isto é, não conseguiu traduzir os seus pensamentos em palavras claras e precisas. A maior ou menor confiança/credibilidade que se dá ao outro, a atenção que dou ao outro, o tempo que demoro a comunicar, o tipo de linguagem que utilizo determinam a eficácia da

comunicação. A importância da comunicação nos conflitos A (má) comunicação pode ser, em si mesma, causa de muitos conflitos. Quando uma pessoa interpreta mal o que a outra quis dizer e reage defendendo-se perante aquilo que considera uma ofensa, a tensão do conflito aumenta e a sua solução torna-se ainda mais longínqua. Pelo contrário, quando as pessoas em conflito estabelecem uma comunicação eficaz e clara permite-lhes chegar à raiz do conflito e encontrarem soluções satisfatórias para ambas. (continua)

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Todos nós, por sermos partes integrantes de um todo que é O MUNDO, utilizamos a comunicação para nos relacionarmos. A maior ou menor eficácia do nosso relacionamento depende, em grande parte, da nossa capacidade de comunicar. As palavras que proferimos (linguagem verbal), os gestos (um sorriso, uma lágrima, um abraço, um aperto de mão, o dar a mão) ou as atitudes que tomamos são as formas de comunicação mais comumente utilizadas. As estatísticas dizem- -nos que a linguagem não verbal, no qual se inclui a expressão facial e corporal, os gestos, tem maior impacto na


12 MUNDO

O Mensageiro 29.Março.2012

Bento XVI no México Depois de uma longa viagem de 14 horas o Papa aterrou no México, no aeroporto internacional de Silao, estado de Guanajuato. À sua espera estavam 3 mil pessoas para ouvirem o seu primeiro discurso. Bento XVI começou por dizer que estava impressionado com o bom acolhimento ali sentido, apelou à liberdade religiosa e lembrou as vítimas da violência do país. Depois percorreu as estradas e ao longo de 38 quilómetros foi saudado por mais de 600 mil fiéis, qe gritavam ‘Benedicto, hermano, ya eres mexicano’ (Bento, irmão, já és mexicano). Segui-se a celebração da Eucaristia, em privado, na capela do Colégio Miraflores, cidade de León, onde se ficou hospedado. No segundo dia desta visita ao México, o papa começou por rezar de manhã diante de um quadro da Virgem de Guadalupe, padroeira da América Latina. Depois o papa visitou o presidente mexicano, Felipe Calderón e dirigiu ainda uma saudação às crianças reunidas na Praça da Paz. A propósito das crianças, Bento XI encontrou-se pessoalmente com familiares de pessoas atingidas pelo narcotráfico e a criminalidade e manifestou a sua solidariedade às crianças que são vítimas da violência, pedindo à Igreja e à sociedade do México que construam para elas “um mundo melhor”. Bento XVI convidou os mexicanos a serem construtores de paz, frisando que “o discípulo de Jesus não responde ao mal com o mal, mas é sempre instrumento do bem, arauto do perdão, portador da alegria, servidor da unidade”. “Jesus quer escrever em cada uma das vossas vidas uma história de amizade”, disse ainda às crianças presentes, destacando que o amor de Cristo é “o segredo da verdadeira felicidade” e a força necessária para “mudar o mundo”. O Papa declarou que cada criança é “um presente de Deus para o

México e para o mundo”. E continuou: “Quero aqui elevar a minha voz, convidando todos a protegerem e cuidarem das crianças, para que nunca se apague o seu sorriso, podendo viver em paz e olhar o futuro com confiança”. O Papa afirmou que os menores ocupam “um lugar muito importante” no seu coração e lembrou, em particular, as que “suportam o peso do sofrimento, o abandono, a violência ou a fome, que nestes meses, por causa da seca, se fez sentir intensamente nalgumas regiões” do México. “Vós, meus amiguinhos, não estais sozinhos. Contai com a ajuda de Cristo e da sua Igreja, para levardes uma vida de estilo cristão” Bento XVI convidou as crianças a participarem na missa dominical e na catequese, antes de recordar o exemplo dos beatos Cristóvão, António e João, os meninos mártires de Tlaxcala. “Eram crianças como vós, e deles podemos aprender que, para amar e servir, não há idade”, acrescentou, ladeado por três crianças que soltaram pombas brancas. Numa intervenção saudada por várias salvas de palmas e gritos dos presentes, o Papa despediu-se com pedidos de oração para que o México seja “um lar onde todos os seus filhos vivam com serenidade e harmonia”. “Bem gostava de ficar mais tempo convosco, mas tenho de partir”, concluiu, já depois das 19h30 locais (mais sete em Lisboa), afirmação que gerou uma reacção de entusiasmo. No terceiro dia o papa deixou a sua residência na cidade mexicana de León para presidir a uma missa com centenas de milhares de pessoas. Cerca de 350 mil pessoas marcam presença no Parque do Bicentenário [da independência mexicana], localizado entre as cidades de Silao, Guanajuato e León, que o Papa percorreu, no seu papamóvel, cumprimentando

DR

“Visita breve, mas intensa visita”

a multidão. A missa, com início marcado para as 10h00 foi concelebrada por 300 cardeais, arcebispos e bispos, para além de 3000 padres. Durante a celebração, Bento XVI ofereceu um mosaico, que foi colocado no interior do santuário de Cristo Rei. Bento XVI alertou para as consequências da pobreza, da criminalidade, da corrupção e do narcotráfico, lembrando ainda as famílias de emigrantes, realidades particularmente sentidas nesse país. “Neste tempo em que tantas famílias se encontram divididas ou forçadas a emigrar, quando muitas sofrem por causa da pobreza, da corrupção, da violência doméstica, do narcotráfico, da crise de valores ou da criminalidade, recorramos a Maria à procura de conforto, fortaleza e esperança”. O Papa falava perante centenas de milhares de pessoas, às quais dedicou uma reflexão sobre a devoção dos católicos à Virgem de Guadalupe, padroeira dos mexicanos e da América Latina, pedindo que a mesma não seja apenas sentimentalismo. “É a Mãe do verdadeiro Deus, que nos convida a

permanecer à sua sombra pela fé e a caridade, para deste modo superarmos todo o mal e instaurarmos uma sociedade mais justa e solidária”. Depois sobrevoou de helicóptero a imagem de Cristo Rei, em Silao, referência para milhares de católicos que se constituíram num exército popular para defender a liberdade religiosa, combatendo ao grito de ‘Viva Cristo Rei’. Embora não tenha marcado presença fisicamente junto ao monumento, o Papa inaugurou à distância, algumas horas mais tarde a nova iluminação do Cristo Rei, após o encontro com os bispos da América Latina, na Catedral de León, para a recitação da oração de Vésperas. Bento XVI disse que este é um “lugar emblemático da fé do povo mexicano”, no qual se revela que a realeza de Jesus “não é como muitos a entenderam e entendem”. Perante os bispos mexicanos, da América Latina e das Caraíbas, o Papa denunciou todas as formas de “perseguição” contra os católicos, manifestando preocupações “com as limitações impostas à liberdade da Igreja no cumprimento da sua missão”. O tema esteve em cima

da mesa num encontro privado com o presidente mexicano Felipe Calderón, num momento em que se discute uma reforma constitucional no México. No domingo, Bento XVI despediu-se do México pedindo que a Igreja Católica e a sociedade civil se mobilizam a fim de garantir “uma vida digna, justa e pacífica para todos”. “Desejo renovar, vigorosa e claramente, um apelo ao povo mexicano para que permaneça fiel a si mesmo e não se deixe amedrontar pelas forças do mal”, disse, no discurso que proferiu no aeroporto de Guanajuato, meia hora antes do início do trajeto para Santiago de Cuba, O Papa elogiou a “fé em Jesus Cristo” e a “devoção carinhosa à sua Mãe”, no México, antes de assinalar os “sinais de preocupação” que continuam a causar “tantas dilacerações”. “Levo-os igualmente comigo, compartilhando tanto as alegrias como o sofrimento dos meus irmãos mexicanos”, acrescentou. Nesse contexto, Bento XVI alertou contra uma “mentalidade utilitarista, que acaba sempre por sacrificar os mais frágeis e indefesos”.

“A Igreja exorta todos os seus fiéis a serem também bons cidadãos, conscientes da responsabilidade que têm de se preocupar com o bem dos outros”, referiu ainda. O Papa foi saudado pelo presidente mexicano, Felipe Calderón, que falou em “três dias de intensa emoção”. Falando numa visita “breve, mas intensa visita”, Bento XVI, prestes a completar 85 anos, disse levar “muitas experiências inesquecíveis”. “Queridos amigos mexicanos, digo-vos ‘adeus’ no verdadeiro sentido da bela expressão tradicional hispânica, ‘Ficai com Deus’. Sim, adeus; até sempre no amor de Cristo, em que todos nos encontramos e encontraremos”, , antes de entrar a bordo do B777 da Alitalia, perante cerca de 3 mil pessoas. O Papa passou pelas cidades mexicanas de Guanajuato, León e Silao, na região central, uma das mais católicas do país e ligada em particular ao monumento a Cristo Rei. Bento XVI conclui a sua primeira visita ao México, maior país católico de língua hispânica, onde deixou vários alertas contra a criminalidade, a violência e o narcotráfico que provocaram dezenas de milhares de mortes. A Santa Sé estima que mais de 2,5 milhões de pessoas acompanharam o Papa, muitas vezes ao som do grito ‘Benedicto, hermano, ya eres mexicano’ (Bento, irmão, já és mexicano). Como é habitual, Bento XVI enviou um telegrama ao presidente Calderón, após deixar o México, agradecendo pela hospitalidade recebida nessa “nobre nação”. A mensagem papal desafia os cristãos a fomentarem “os valores morais e cívicos”, para que se “consolide a convivência social pelos caminhos da paz, da concórdia e da solidariedade”.


OPINIÃO 13

O Mensageiro 29.Março.2012

A

emancipação da mulher é uma notável conquista dos tempos modernos. Há 50 anos, o Concílio Vaticano II, ao descrever a condição do homem no mundo, no esforço por investigar “os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho”, observava que “as mulheres reivindicam, onde ainda a não alcançaram, a paridade de direito e de facto com os homens” (GS 9). Felizmente, muito se avançou no sentido do reconhecimento da igual dignidade e direitos dos homens e das mulheres. No entanto, a situação de igualdade da mulher ainda não é respeitada sempre e em toda a parte, o que requer a continuidade do esforço por parte de todos em ordem a termos uma sociedade justa, fraterna e democrática. No contexto de luta pela igualdade, soam estranhas e provocam reação e rejeição as palavras de S. Paulo quando exorta as mulheres a submeterem-se aos maridos (cf Ef 5, 21-33). É certo que o apóstolo convida os cristãos a submeterem-se ou subordinarem-se “uns aos outros” por causa da fé em Cristo,

Q

uando um dia se escrever a história deste tempo, a primeira década do século surgirá como uma era de desorientação e decadência. Alguns elementos que justificarão esse severo juízo são hoje já visíveis. Por muito que o PS queira esconder ou iludir, a linha económica e social dos últimos anos foi desastrosa. Os nossos problemas sócio-económicos são terríveis mas, quando se escrever essa história, pouco mais restará que a sua memória, pois empresas e comunidades costumam recuperar bem, mesmo de crises sérias. Esta triste década deixará cicatrizes fundas e duradouras no ânimo nacional, mas será noutras áreas. Como de costume, os problemas realmente importantes passam despercebidos à actualidade. Do delírio dos últimos anos, que poderá ser tão decisivo que deixe marcas

e os maridos a amarem as suas mulheres “como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” e como se amam a si mesmos. D. Anacleto Oliveira, interpretando esta passagem bíblica no sentido do amor recíproco e da relação de todos com e em Jesus Cristo, esclarece: “só na medida em que todos a Ele se subordinam, é que a todos é dito, incluindo aos maridos: ‘subordinai-vos uns aos outros’. Pelo Batismo, todas as diferenças deixam de ser motivo de exclusão e opressão. Mais: cada cristão deve considerar os outros superiores a si mesmo... nas suas diferenças, incluindo as de organização social”. Então, se marido e esposa estão unidos em Cristo e se amam ao modo d’Ele, “a subordinação dela deixa de se basear em normas sociais, mas na comunhão com Cristo, de que também participa o marido” (Cf “Um ano a caminhar com S. Paulo”, p. 89). Pegando nas referidas palavras de S. Paulo e interpretando-as em sentido não comum nem óbvio, Costanza Miriano, jornalista da televisão pública italiana,

escreveu o livro com o título polémico e provocatório: “Casa-te e sê submissa: prática extrema para mulheres sem medo”. O curioso é que teve êxito de vendas e deu bons frutos em muitas mulheres, que passam o livro de mão em mão. A autora está convencida de que hoje muitos conflitos matrimoniais poderão resolver-se se a mulher entender o seu verdadeiro talento de esposa e mãe: a submissão do serviço, a sua capacidade de mediar, de unir, em vez de dividir. O ponto de partida do seu livro foram as conversas ao telefone com uma amiga, tentando convencê-la a casar-se, pois poderia ser feliz com o seu noivo. Deu-se conta de que há mulheres que têm expectativas irreais e ideias erradas sobre o amor e o matrimónio. Para ela, a palavra submissão que usa S. Paulo situa-se não na lógica do poder mas “do serviço recíproco, que é o serviço a que está chamada a mulher”. O homem, por seu lado, “está chamado a servir de maneira diferente: deve estar pronto a morrer pela sua esposa, como Cristo

morreu pela Igreja”. Para a mulher, ser submissa, no sentido paulino, “significa, literalmente, estar por debaixo para ser suporte de todos os membros da família, para acompanhar os mais débeis”. À pergunta se uma mulher assim submissa pode ser feliz, Costanza Miriano responde: “É um verdadeiro talento. Podemos trabalhar e ter muito mais êxito, porém o que melhor sabemos fazer e o que responde aos desejos mais profundos do nosso coração é essa capacidade se servir e unir as pessoas. O amor da mulher é mais altruísta e leva o homem a sair de si, enquanto a mulher recebe (a relação física é uma representação do espiritual). Os homens e as mulheres necessitam de recuperar esses talentos específicos, pois complementam-se entre si”. No livro, escrito com muito humor e leveza, a autora, casada e mãe de 4 filhos, deixa conselhos às esposas: que saibam acolher com doçura e paciência os maridos, que os olhem de modo positivo e saibam aceitar o bem que há

neles, que saibam controlar a própria língua e guarda certas coisas para dizer no momento mais oportuno, a não ficarem num amor apenas sentimental mas de decisão, que saibam aceitar as próprias limitações e as do marido. Fala também da missão de mãe. Diz que é um erro as mães não saberem ser firmes e terem medo de causar frustrações nos filhos. Isso causa neles insegurança e indecisão. Deverão ser mais naturais e menos ansiosas na relação com eles. Depois da atenção às esposas e mães, Costanza volta-se agora para os maridos e prepara um livro sobre eles. Analisa a frase de S. Paulo: “Maridos, estai prontos a dar a vida pelas vossas esposas”. Entende que “se a mulher tende a controlar tudo, o homem tende para o egoísmo”. Por isso, as palavras do apóstolo são apelo ao heroísmo dos maridos. O apelo do livro não é o de recuperar o passado de domínio do homem sobre a mulher mas o de exortar ambos a viverem a relação de amor na reciprocidade

sociais que durem décadas? Que é que atinge a estrutura mais nuclear de Portugal? Não é difícil encontrar agressões recentes a esse nível, gerando chagas nacionais. Com a taxa de fertilidade das mais baixas do mundo, o casamento em vias de extinção, o divórcio em níveis nunca vistos e a educação na quinta década sucessiva de crise, não admira que as próximas gerações acusem este tempo dos seus males. As poucas crianças a quem hoje é permitido nascer serão educadas numa precariedade familiar e escolar difícil de imaginar. Isto gerará efeitos muito depois de esquecida a crise económica. Esta evolução tem muitas causas e origens, mas os dirigentes políticos, quando em vez de a combaterem insistem em agravá-la, assumem terrível responsabilidade. Os dois últimos governos,

enquanto arruinavam financeiramente o país, aumentavam a desigualdade social e distorciam o tecido produtivo, dedicaram-se nas horas vagas a desmantelar algumas das leis mais básicas da família, vida e educação. A alucinante cavalgada regulamentar incluiu mais de um diploma radical por ano durante duas legislaturas: Lei 32/2006 de 26 de Julho (reprodução artificial), Lei 16/2007 de 17 de Abril e Portaria 741-A/2007 de 21 de Junho (liberalização do aborto), Lei 61/2008 de 31 de Outubro (banalização do divórcio), Lei 60/2009 de 6 de Agosto (educação sexual laxista), Lei 9/2010 de 31 de Maio (casamento entre pessoas do mesmo sexo), Decreto-Lei 138-C/2010 de 28 de Dezembro (estrangulamento do ensino privado) e Lei n.º 7/2011 de 15 de Março (mudança do sexo). Em todos os casos foi im-

posta uma regulamentação extremista e culturalmente agressiva, distorcendo e invertendo atitudes e instituições multisseculares. Em questões justamente chamadas fracturantes, que geram intensos debates por todo o mundo civilizado, de uma penada Portugal saltou de uma posição equilibrada para o extremo do espectro. Em todos os casos um punhado de deputados, autoerigidos defensores da modernidade, achavam-se com mandato sobre a tradição nacional e impunham a sua visão irresponsável. Os vetos do Presidente da República, as críticas da Igreja e de muitas forças sociais, a elementar prudência, foram simplesmente ignorados. Como parolos arvorados em modernaços, ao desplante juntavam a cegueira, no mais puro autismo político. No único caso em que a população foi consultada fez-se magna fraude

política. Depois da rejeição do aborto no referendo de 1998, a votação foi repetida em 2007, com uma subtil mudança na argumentação. A segunda campanha não falou de embriões, partos e hospitais, mas de mulheres presas (que de facto não existiam). Aprovada a despenalização, o Governo legislou coisa muito diferente, a liberalização e subsidiação do aborto. Isto chega para mostrar a má-fé. Como entretanto o país entrou em emergência financeira devido aos outros erros conjunturais, pretende-se agora que estas agressões caiam no esquecimento. Está em assinatura pública a petição “Defender o Futuro” (www.peticaopublica.com/ ?Pi=P2012N22192), que solicita à Assembleia da República que reconsidere os atentados e reponha o equilíbrio. Talvez a nova

LUZ ENTRE OS HOMENS

Pe Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

O dom da mulher na família http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

dos dons: cada um oferece o seu dom próprio e acolhe o do outro, valorizando-o como o seu. Assim conjugam igualdade no valor e na dignidade de ambos com a diferença de talentos, sensibilidades e modo de ser com que se fazem felizes um ao outro e à própria família.

RECORTES

João César das Neves Economista

Defender o futuro*

maioria entenda que por aqui passam as verdadeiras reformas estruturais, determinantes do futuro nacional. * In DN (26/03/12)


14 OPINIÃO

O Mensageiro 29.Março.2012

H

á mais em comum entre Portugal e a Irlanda do que o gosto pior, boa cerveja, vocação para a hospitalidade, paixão por boa música ou ser berço de grandes poetas. Mais do que as virtudes, são hoje os defeitos das suas economias que os fazem partilhar o estado de desgraça: têm os mesmos e alarmantes níveis de desemprego (a roçar nos 15%), ambos viram o custo do trabalho desvalorizar 1,7% no final do ano (quando na zona euro subiu 2,8%), os dois acabaram a mendigar ajuda internacional para garantir a sua sobrevivência nos mercados (ainda que ainda não possam garantir o seu regresso) e nenhum pode garantir neste momento que não

voltará a precisar de pedir mais dinheiro. Depois de décadas eufóricas de crescimento – muito à conta de grandes multinacionais, aposta em tecnologia de ponta e atracção de imigrantes altamente qualificados -, a Irlanda perdeu o título de ‘tigre celta’, para se transformar num gato obeso, preguiçoso e inofensivo. Preso na armadilha de uma bolha imobiliária, de um sistema financeiro intoxicado, passou de predador a presa dos mercados. Já os portugueses podiam não ter o mesmo instinto predador do ‘tigre’ irlandês, mas o que lhe faltava em ferocidade, sobrava-lhes em disciplina. Mas, depois de elogiado como o ‘bom aluno’ da

Ficha de Assinatura Assinaturas normal/benfeitor: 20/40 Euros (Nacional), 30/60 euros (Europa) e 40/60 (Resto do Mundo) Nome: ___________________________________________ ____________________________________________ Rua: _____________________________________________ _______________ N.º _______________ Localidade: ____________________________ C. Postal: _____ - ____________________ Telf.: _______________________________ E-mail:___________________________@_______________ Enviar esta ficha, recortada ou fotocopiada, para: O Mensageiro - Lg. Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA ou forneça-nos os seus dados através do endereço de correio electrónico jornal@omensageiro.com.pt

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Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

Europa, Portugal passou a menino mal comportado que, pior fazer mal os trabalhos de casa, acumulou erros e faltas que levaram os mercados a chumbá-lo. Por tudo isso, portugueses e irlandeses estão hoje unidos pela fraqueza, pela austeridade, pela boa vontade de Bruxelas – e claro, pela mesma repulsa em serem comparados aos gregos, esses indisciplinados. De passagem por Lisboa, o vice-presidente da Comissão Europeia, Olli Rehn, encontrou mais um ponto em comum entre portugueses e irlandeses: “o forte consenso político a suportar o programa” de ajustamento. É um facto: não fosse esse entendimento e, provavelmente, seríamos hoje mais gregos

do que o desejado. Mais um elogio a reforçar a lista de semelhanças entre os dois países, os bons alunos da ‘troika’. No entanto, não é nas semelhanças com os irlandeses que os portugueses se devem concentrar, mas sim nas diferenças que, uma vez mais, os voltam a afastar. Pouco mais de um ano depois de receber o resgate de 85 mil milhões de euros, a economia irlandesa mantém o regime de austeridade e dá os primeiros sinais de crescimento. Tímidos e inseguros, é certo, mas sempre são sinais bastante mais positivos do que aqueles que a economia portuguesa deixa: obrigada a seguir uma rigorosa dieta orçamental,

Portugal não cresce. Pelo contrário: continua a encolher e não se prevê uma reviravolta a curto prazo. Para dar a volta a este estado de coisas, talvez não fosse má ideia Portugal retirar algumas lições da história irlandesa. Mas apenas as boas – como a aposta no empreendedorismo, em ‘clausters’ e inovação, numa rede de países unidos pela mesma língua, pela exportação dos seus produtos mais competitivos – que fizeram da economia irlandesa o ‘tigre celta’. Portugal ainda não tem garantido o seu regresso à selva dos mercados – mas é bom que, antes de o fazer, tenha as garras bem afiadas.

ANÁLISE POLÍTICA

Orlando Fernandes Jornalista

Portugal no bom caminho

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Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo (CO1060), Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2011 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 29.Março.2012

II Divisão B

Académica x Marítimo (dia 30, 20h15, Sport Tv1) Porto x Olhanense (dia 31, 19h00, Sport Tv1) Benfica x Sp. Braga (dia 31, 21h15, Sport Tv1) Feirense x Beira-Mar (16h00) Nacional x Rio Ave (16h00) Gil Vicente x V. Setúbal (16h00) U. Leiria x Sporting (18h15,TVI) V. Guimarães x P. Ferreira (20h15, Sport Tv1)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

1.ª J. 20.03.12

Estoril x Trofense (dia 31, 16h00) Leixões x D. Aves (dia 31, 17h00, Sport Tv1) Moreirense x Atlético (11h15, Sport Tv1) Santa Clara x Freamunde (16h00) Sp. Covilhã x Oliveirense (16h00) Arouca x U. Madeira (16h00) Naval x Belenenses (16h00) Portimonense x Penafiel (16h00)

Pts 49 43 41 37 35 34 32 31 30 28 28 28 27 26 25 23

2.ª J. 01.04.12

D 3 3 7 5 9 8 8 11 10 8 8 10 9 10 11 13

D 2 6 5 8 8 4 8 8 11 13 10 12 10 11 15 14

Pts 49 47 46 45 45 39 37 37 34 28 25 25 25 22 22 17

Monsanto x Juv. Évora (dia 31, 15h00) Louletano x Fátima (todos às 16h00) Reguengos x Pinhalnovense Carregado x Mafra Sertanense x Caldas Torreense x Vendas Novas Tourizense x 1.º Dezembro Oriental x Moura

Marinhense x Pampilhosa (1-3) B.C. Branco x Tocha (4-2) Sourense x Sp. Pombal (0-1) Equipa B.C. Branco Sp. Pombal Pampilhosa Sourense Tocha Marinhense

J 1 1 1 1 1 1

V 1 1 1 0 0 0

E 0 0 0 0 0 0

D 0 0 0 1 1 1

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Alq. Serra Portomosense Nazarenos GRAP/Pousos Guiense Atouguiense Pataiense Alvaiázere Vieirense Marrazes Fig.Vinhos Biblioteca Avelarense Biblioteca Ansião Pedroguense

Pts 21 20 19 19 18 16

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Pampilhosa x Sourense (todos às 16h00) Tocha x Marinhense Sp. Pombal x B.C Branco

V 16 14 13 14 13 12 11 8 7 7 7 5 5 4 2 2

E 4 4 7 2 3 3 5 4 7 6 3 7 6 7 3 1

D 2 4 2 6 6 7 6 10 8 9 12 10 11 11 17 19

Pts 52 46 46 44 42 39 38 28 28 27 24 22 21 19 9 7

Equipa Pelariga Pousaflores Moita do Boi Boavista Motor Clube Mata Mourisq. Alegre e Unido Ranha Arcuda Cast. Pêra Ilha Caseirinhos

ORIENTAÇÃO – Albano João (H50), Joaquim Sousa (H40; na foto) e João Bernardino (H16) venceram na primeira-mão do XX Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre. A prova, em que participou o trio de atletas do Clube de Orientação do Centro (COC), surgiu integrada no “XII Trofeo Orientación Internacional Diputación de Còrdoba / I Trofeo Adamuz World Ranking Event” (Córdoba, Espanha, 23 a 25 de Março). O clube leiriense acabou por sobressair entre as conquistas lusas ao ser o único colectivo a registar múltiplas vitórias dos seus atletas. Das 39 vitórias possíveis, os portugueses somaram 10, três das quais de atletas do COC (classificação completa disponível em www.orient acioncalifas.es). O XX Campeonato Ibérico regressa nos dias 29 e 30 de Setembro, integrado na prova Poiares Ori-2012.

NORTE

Caseirinhos x Ranha (0-3) Motor Clube x Mata Mouriquense (1-3) Pousaflores x Arcuda (6-3) Alegre e Unido x Pelariga (1-4) Boavista x Castanheira de Pêra (2-0) Moita do Boi x Ilha (1-1) J 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18

V 15 13 11 11 10 7 8 6 5 4 2 3

E 2 2 3 0 1 6 2 2 4 0 4 0

D 1 3 4 7 7 5 8 10 9 14 12 15

Pts 47 41 36 33 31 27 26 20 19 12 10 9

Ilha x Caseirinhos (todos às 15h00) Ranha x Motor Clube Mata Mourisquense x Pousaflores Arcuda x Alegre e Unido Pelariga x Boavista Castanheira de Pêra x Moita do Boi

I Divisão

III Divisão

J 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22

Marrazes x Pedroguense (todos às 15h00) Vieirense x Fig.Vinhos Alq. Serra x Meirinhas Ansião x Atouguiense Biblioteca x Nazarenos Pataiense x Avelarense Alvaiázere x Portomosense Guiense x GRAP/Pousos

I Divisão

federação portuguesa de futebol

Títulos à vista DESPORTO – Andebol (feminino e masculino), futebol 11 (masculino) e futsal (feminino e masculino) são as modalidades colectivas pelas quais o Instituto Politécnico de Leiria (IPL) se poderá sagrar campeão esta época/ano lectivo. Tudo se decidirá nas fases finais dos Campeonatos Nacionais Universitários (CNU’s), de 14 a 22 de Abril, em Braga e Guimarães. “[O IPL] estará presente com mais de 100 estudantes-atletas, representados por cinco equipas colectivas e duas modalidades individuais”, refere a instituição em comunicado. A equipa feminina de andebol do IPL é a principal favorita nos CNU’s, onde irá defender o título conquistado em 2011. Já para a equipa de futebol 11, será a oportunidade de repetir os triunfos alcançados em 2006/07 e 2008/09.

SUL

MANUTENÇÃO “D”

1.ª J. 20.03.12

E 7 10 5 10 5 7 8 4 6 10 10 7 9 8 7 5

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º

2.ª J. 01.04.12

23.ª JOR. 25.03.12 24.ª JOR. 01.04.12

V 14 11 12 9 10 9 8 9 8 6 6 7 6 6 6 6

E 10 5 7 3 6 12 7 7 4 4 10 7 10 10 4 8

SUBIDA “D”

U. Madeira x Moreirense (0-3) Belenenses x Estoril (2-2) Freamunde x Arouca (2-0) D. Aves x Sp. Covilhã (1-0) Atlético x Portimonense (0-1) Oliveirense x Naval (3-2) Penafiel x Leixões (0-1) Trofense x Santa Clara (2-1) J 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24

V 13 14 13 14 13 9 10 10 10 8 5 6 5 4 6 3

III Divisão

II LIGA

Equipa Estoril D. Aves Moreirense Naval Leixões Atlético Penafiel Trofense Oliveirense Arouca Freamunde Santa Clara Belenenses U. Madeira Sp. Covilhã Portimonense

J 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25

federação portuguesa de futebol

liga portuguesa de futebol profissional

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Torreense Oriental Carregado Pinhalnovense Fátima Mafra Sertanense Louletano Vendas Novas Juv. Évora Reguengos 1.º Dezembro Tourizense Monsanto Moura Caldas

Campeões ibéricos

Pedroguense x Vieirense (1-3) Fig.Vinhos x Alq. Serra (3-2) Meirinhas x Ansião (1-0) Atouguiense x Biblioteca (3-0) Nazarenos x Pataiense (2-1) Avelarense x Alvaiázere (1-0) Portomosense x Guiense (4-1) GRAP/Pousos x Marrazes (2-0) Arquivo

Pts 58 57 56 45 44 36 29 29 26 25 24 24 23 20 18 17

22.ª JOR. 25.03.12

25.ª JOR. 25.03.12 D 2 1 2 5 6 10 11 7 10 13 14 12 11 14 16 13

23.ª JOR. 01.04.12

E 4 6 5 6 5 3 5 11 8 4 3 6 8 5 3 8

18.ª J.25.03.12

V 18 17 17 13 13 11 8 6 6 7 7 6 5 5 5 3

19.ª J.01.04.12

J 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24 24

18.ª J.25.03.12

Equipa Sp. Braga Porto Benfica Marítimo Sporting V. Guimarães Nacional Olhanense Gil Vicente P. Ferreira Rio Ave V. Setúbal Académica Beira-Mar U. Leiria Feirense

Moura x Fátima (3-2) Pinhalnovense x Louletano (5-0) Juv. Évora x Atl. Reguengos (0-0) Mafra x Monsanto (1-1) Caldas x Carregado (2-2) Vendas Novas x Sertanense (0-1) 1.º Dezembro x Torreense (1-1) Oriental x Tourizense (1-1)

Bombarralense x Riachense (0-1) Beneditense x Peniche (0-3) Folgou: Alcobaça Equipa Peniche Beneditense Alcobaça Riachense Bombarralense

J 1 1 0 1 1

V 0 0 0 1 0

E 0 0 0 0 0

D 0 1 0 0 1

Pts 18 15 11 7 3

Peniche x Bombarralense (todos às 16h00) Alcobaça x Beneditense Folga: Riachense

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

19.ª J.01.04.12

25.ª JOR. 01.04.12

Olhanense x Benfica (0-0) Sporting x Feirense (1-0) Beira-Mar x Nacional (0-3) V. Setúbal x U. Leiria (1-0) Rio Ave x V. Guimarães (0-1) P. Ferreira x Porto (1-1) Marítimo x Gil Vicente (3-2) Sp. Braga x Académica (2-1)

Trio do COC

HONRA

SUL

26.ª JOR. 01.04.12

24.ª JOR. 25.03.12

I LIGA

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

associação de futebol de leiria

federação portuguesa de futebol

liga portuguesa de futebol profissional

Santo Amaro x Lisboa e Marinha (0-1) Praia da Vieira x Unidos (0-1) Outeirense x Os Vidreiros (4-2) Pilado x Juncalense (0-3) Maceirinha x Gaeirense (1-2) Folga: Nadadouro Equipa Lisboa Marinha Outeirense Gaeirense Juncalense Pilado Maceirinha Os Vidreiros Praia da Vieira Santo Amaro Nadadouro Unidos

J 17 16 16 16 17 17 16 16 16 16 17

V 14 11 10 8 8 7 5 4 3 3 2

E 3 4 3 2 2 4 3 1 3 2 3

Lisboa e Marinha x Nadadouro Unidos x Santo Amaro Os Vidreiros x Praia da Vieira Juncalense x Outeirense Gaeirense x Pilado Folga: Maceirinha

D 0 1 3 6 7 6 8 11 10 11 12

Pts 45 37 33 26 26 25 18 13 12 11 9

Selecção de bronze ATLETISMO – A selecção da Associação Distrital de Atletismo de Leiria terminou o XII Quilómetro Jovem (Lisboa, 24 de Março) no 3.º lugar, ficando logo atrás das suas congéneres do Porto e Lisboa, respectivamente. Individualmente o destaque vai para a prova dos 1000 metros planos, onde a selecção leiriense conquistou duas medalhas, por intermédio da juvenil Filipa Eutíquo (1.º lugar) e da iniciada Joana Ferreira (3.º).

Célia Vieira com estreia dourada CICLISMO – Célia Vieira (União de Ciclismo) venceu, na categoria de veteranos, a prova inaugural do nacional de ciclismo (Anadia, Aveiro, 24 e 25 de Março), “repetindo assim o êxito de 2011”, recorda o clube leiriense, em comunicado.

Marinhense vence Master’s PATINAGEM – Sporting Clube Marinhense (Marinha Grande), Hóquei Clube de Leiria e Biblioteca de Instrução e Recreio (Nazaré) ocuparam, respectivamente, os lugares do pódio do Torneio Master’s da Associação de Patinagem de Leiria. Decorrido em Santa Eufémia, Leiria, 24 e 25 de Março, contou com 80 patinadores de 11 clubes.

30 melhores em Leiria

Festa do Vitória, em Setúbal, e regresso da União às derrotas. Segue-se recepção ao Sporting. Foto: António Cotrim/Lusa

NATAÇÃO – O nacional de natação sincronizada reune, dia 31 de Março, a partir das 15h00, nas Piscinas Municipais, os 30 melhores atletas portugueses.


ÚLTIMA 29MARÇO2012

O ideal cristão não foi considerado deficiente depois de testado. Foi considerado difícil e deixado de lado. Gilbert Keith Chesterton, escritor inglês [1874-1936]

Secretário de Estado da Cultura presidiu à inauguração na Batalha

Centro de Interpretação conta história do Mosteiro e seu contexto O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, presidiu, no passado dia 22 de Março, à inauguração do Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha. “Este é um exemplo de captação e utilização eficazes dos apoios comunitários disponíveis para o património”, afirmou o governante, considerando que se trata de um “investimento enriquecedor” não só para a compreensão do Mosteiro, mas também para a “relação entre o património, a paisagem, o ambiente e o turismo”, uma rede que “potencia o crescimento económico”. Essa é aposta de futuro para a Secretaria de Estado da Cultura, nas redes de património cultural que “funcionem de forma integrada, criando sinergias e aproveitando de forma

e de algumas investigações inéditas, em particular sobre a história do território e da paisagem associada ao monumento. Segundo nota do IGESPAR, “este novo Centro de Interpretação irá proporcionar uma visita diferente e mais completa ao Mosteiro da Batalha, classificado Património Mundial desde 1983, possibilitando aos visitantes uma melhor compreensão dos seus espaços, da sua evolução construtiva e da sua contextualização histórica e simbólica”. Isto “numa atmosfera que convida a embarcar em

numerosas viagens pela memória do lugar e pela simbólica do monumento”. Ao mesmo tempo, este “enriquecimento da visita” reforça a atractividade deste destino turístico e, por arrasto, do “triângulo monumental complementado pelo Mosteiro de Alcobaça e pelo Convento de Cristo, em Tomar, e do eixo turístico-cultural que beneficia da proximidade de Fátima, um dos principais destinos de turismo religioso de todo o mundo”.

Textos e fotos: Luís Miguel Ferraz

Presidente da Câmara envia recado ao Governo eficaz os recursos existentes”, revelou Francisco José Viegas na ocasião. A nova infra-estrutura não vai passar desperce-

bida aos visitantes. Tratase de um longo corredor “negro” que ocupa todo o espaço da antiga Adega dos Frades, em cujo interior se podem observar vários nichos expositivos com peças originais do Mosteiro e, em grande destaque, diversas projecções audiovisuais com imagens e textos explicativos, algumas com tecnologia tridimensional. Tudo isto, dividido em cinco grandes conjuntos temáticos: o território e a paisagem envolvente; a Batalha de Aljubarrota e a doação do Mosteiro aos frades dominicanos; a cons-

trução do Mosteiro; a vida em convento; e o restauro a partir de 1840. A estrutura expositiva foi desenhada pelos arquitectos Francisco Vieira de Campos e Cristina Guedes, o projecto museológico tem a assinatura de Gabriella Casella, Catarina e Francisco Providência, e o comissariado científico é da responsabilidade de Saul António Gomes, historiador da Universidade de Coimbra, e de Pedro Redol, actual director do Mosteiro da Batalha, que foram também os autores dos conteúdos expositivos

Portagens na A19 devem acabar

Na presença do secretário de Estado, o presidente da Câmara da Batalha, António Lucas, não desperdiçou a oportunidade para enviar um recado ao Governo a propósito da A19, a recentemente inaugurada variante da Batalha. Segundo o autarca, “a via foi construída para desviar o trânsito da frente do Mosteiro da Batalha, mas não está a cumprir esse objectivo”, uma vez que o facto de ter portagens afasta os automobilistas da sua utilização. “Está ali uma auto-estrada sem automóveis”, enquanto continuam a circular pelo IC2 “cerca de 40 mil viaturas por dia”, afirmou. A única solução será acabar com as portagens neste troço, até porque “o Estado tem de suportar aquele investimento, por ser uma parceria público-privada, e não é por mais uns cêntimos, que no fundo é a receita das portagens, que devemos continuar a penalizar o Património da Humanidade que aqui temos”, defendeu António Lucas.

Novo Centro de BTT da Batalha oferece 265 Km de trilhos cicláveis

DR

O primeiro centro do País homologado pela Federação Portuguesa de Ciclismo

Foi inaugurado no dia 26 de Março o Centro de BTT da Batalha, localizado na aldeia da Pia do Urso, São Mamede, com a presença do secretário de Estado do Desporto e da Juventude e do presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo. Constituído por 265 quilómetros de trilhos cicláveis, devidamente sinalizados e apoiados por um edifício dotado de diversas valências, o Centro de BTT da Batalha – Pia do Urso destina-se a todo o tipo de praticantes de BTT, tendo uma orientação principalmente turística e de lazer. Os trilhos dividem-se em sete percursos, com quatro níveis de dificuldade. Cinco dos percursos iniciam-se na Pia do Urso e os restantes dois na vila da Batalha.

Este é o primeiro Centro de BTT do País homologado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, dada a qualidade da rede de trilhos e das instalações que disponibiliza aos praticantes desta modalidade. Ainda neste âmbito, foi criada uma parceria com diversas infra-estrutura hoteleiras, de restauração e lojas de bicicletas, que pretende criar uma cadeia de valor associada ao conceito do Turismo de Natureza, com descontos e promoções. De referir que o município da Batalha conta ainda com oferta significativa ao nível dos percursos pedestres, com quatro rotas de grande beleza, bem como uma das zonas de escalada de referência nacional.


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