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4901#OMensageiro#15MAR

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QUARESMA 2012

15 MARÇO 2012

RETIRO POPULAR

ANO 98 - N.º 4901

“Fazer Brilhar no Mundo a Luz de Cristo”

FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

Participe num grupo de lectio divina Informe-se na sua paróquia

FUNDADO EM 1914

DESTAQUE

CULTURA

Cruz da Areia | P. 4

INTERMEDIAR, PARA GERIR CONFLITOS

“O ENCONTRO DE VONTADES É CAPAZ DE CRIAR SOLUÇÕES”

Lurdes Breda: uma “pequena” grande visita ao Colégio Centro de Interpretação|P. 5

Mosteiro da Batalha apresenta novidade SOCIEDADE

Professor Marcelo Rebelo de Sousa na Batalha | P. 7

“Os jovens são solução para a crise” Paulo Portas no colégio de São Miguel | P.7

“Nós podemos!”

Freguesias contra a Lei | Últ. Alguém classificou já a nossa geração como “a geração do conflito”, seja nos negócios, na família, ou até na religião. Destacamos nesta edição uma associação cuja finalidade é ajudar na gestão de conflitos. A particularidade que mereceu a nossa atenção está no facto de o espírito cívico e humano que lhe está subjacente poder ser facilmente assumido como cristão. Páginas 2 e 3 RD

ECLESIAL

Autarcas de Leiria unidos contra modelo de revisão administrativa

EVENTO

Padre David Nogueira Ferreira com novas funções | P. 8

Nomeado pároco de Monte Real e Director do Serviço de Animação Missionária Iniciativa “Fé e Arte, um Diálogo de Séculos” | P. 8

Próxima visita, dia 24: “Rota da pedra lavrada” Encontro diocesano na comemoração do Dia de Baden Powell | P. 9

“O sim de B.P.” juntou 1500 escuteiros no Arrabal

Página 9

RD


2 DESTAQUE

O Mensageiro 15.Março.2012

EDITORIAL EDITORIAL

A vida privada do cidadão é cada vez menos privada para ser pública. Se, no passado ainda recente, cada um tinha “as suas coisas” e se sentia dono e senhor do que lhe dizia respeito, a verdade é que nos tempos que atravessamos as coisas já não são assim. O cartão de cidadão passou a ser o cartão que, em qualquer lugar e momento, põe a público tudo o que somos, o que temos e até o que não somos. O dinheiro que temos e que no passado escondíamos bem perto de nós num ritual feito de secretismo e mistério, aparece agora posto a público, mesmo quando queremos uma consulta no hospital. A Internet, por fim, foi o golpe final de todo este processo e tornou-se a sentença de morte da esfera privada. Ou seja, o privado é cada vez mais público e o público é cada vez mais devassado. Para muitos, esta situação é inaceitável e até intolerável, já que representa uma perda da privacidade e da própria identidade. Para outros, porém, esta situação é mais do que justificável, Muito do trabalho pois poderá até ser uma e da acção que se forma de robustecer o indiespera da Igreja víduo, na medida em que o para ser mais livre insere-se nesta capacita e aberto. perspectiva de Assim sendo, parece-nos mediação. Ela que são maiores os benefíé mediadora de cios do que os prejuízos. Por conflitos e, durante isso, não há que ter medo gerações, foi mesmo de expor a vida pessoal, exímia nesta arte. porque os benefícios dessa exposição poderão ser bem maiores. É assim que a mediação, como forma de ajuda na resolução de conflitos, ganha sentido e se torna benéfica. Mediar um conflito, seja ele de que natureza for, exige total conhecimento das partes mediadas, ou seja, exige abertura, verdade e sinceridade. Características que vão desaparecendo e, por isso mesmo, os conflitos vão também aumentando. Aliás, os conflitos surgem e crescem na mesma medida em que cada uma das partes procura puxar para si toda a razão e toda a verdade, ao mesmo tempo que não admite qualquer razão e qualquer verdade para a outra parte. Mediar conflitos exige, pois, um intercâmbio de verdade e de honestidade. Mas exige também que o mediador seja pessoa discreta, profissional e merecedora de confiança. Qualidades que se adquirem pela prática, mas também pela motivação que está subjacente à qualidade de mediador. Muito do trabalho e da acção que se espera da Igreja insere-se nesta perspectiva de mediação. Ela é mediadora de conflitos e, durante gerações, foi mesmo exímia nesta arte. Continua a sê-lo, mas muitos, por variadas razões, não a procuram. Preferem refugiar-se em outras instituições, profissionais e técnicas modernas. Nesta edição destacamos uma associação cuja actividade é mediar conflitos. A razão da nossa escolha está nos valores que a mesma associação defende e que animam a sua acção. Identificamo-nos com o trabalho e com a acção de todos os que procuram, sem fins lucrativos, mediar toda a ordem de conflitos.

Intermediar, para gerir conflitos

“O encontro de vontades é capaz de criar soluções” DR

prui@iol.pt

Mediar conflitos

P. Jerónimo

Rui Ribeiro

Alguém classificou já a nossa geração como “a geração do conflito”. O facto de estarmos num período de transições rápidas e profundas tem, como consequência, a convivência simultânea de várias formas de pensar e de agir. Tal situação gera, obviamente, alguma tensão e conflito. Este está presente em todos os sectores da vida, desde os negócios, à família, à religião e à vida social no seu todo. Gerir conflitos, mais que uma habilidade, torna-se uma profissão e uma forma de estar na vida.

Se, à primeira vista, esta situação parece assustar, já que ela acarreta a intrusão de elementos estranhos ao próprio conflito, por outro lado, ela alia introduz desde logo a capacidade de aceitar pacificamente a presença de outros. É também esta uma forma de superar o individualismo que nos envolve. Aceitar a mediação nem sempre é fácil, mas é, na verdade, um caminho para solucionar os problemas e, no caso do cristão, é também uma forma para redescobrir o próprio Jesus Cristo e toda a doutrina da fé.

O Mensageiro quer estar atento aos acontecimentos do nosso quotidiano e pretende ajudar na formação humana e cristã dos seus leitores. É nesse espírito que, nesta edição, destacamos uma associação cuja finalidade é ajudar na gestão de conflitos. A particularidade que mereceu a nossa atenção está no facto de os seus promotores estarem embebidos de um espírito humano que pode facilmente ser assumido como cristão.

O que é a associação “Intermediar” e qual o porquê deste nome? Trata-se de uma associação sem fins lucrativos, constituída em 2010 com sede em Leiria, que aposta, fundamentalmente, na área da divulgação, formação e prática da mediação de conflitos e negociação cooperativa. Congrega um grupo de mediado-

res especializados e com formação académica superior em diferentes áreas, permitindo conciliar áreas do saber tão diversas como a jurídica, a psicológica, a comunicação social, os direitos humanos e a cidadania, etc. O nome “Intermediar” é uma composição nossa, para designar o nome extenso de “Associação de Mediadores do Oeste”.

Como nasceu a ideia e formar esta associação? A ideia de formar esta associação surgiu por parte de alguns dos associados fundadores. Terminado o curso de Mediação de Conflitos, ministrado no IPL, este grupo de amigos, também embebidos pelo espírito jovem e empreendedor, pensaram constituir a associação. Para além da criação de uma saída profissional, pareceu-nos que a ideia tinha espaço de concretização na nossa zona.

Entrevista de Rui Ribeiro

Quais as linhas e pressupostos que estão na sua base de constituição? Na base da constituição da associação estão princípios de ética pública, responsabilidade social e participação cívica, pela via da escuta activa, assertividade e negociação cooperativa. Destacamos sobretudo essa componente ética e cívica, porque, como já dissemos, a associação não tem fins lucrativos e por isso não é o aspecto comercial que se sobrepõe. Queremos sempre contribuir para uma melhor sociedade e melhor relacionamento social.


DESTAQUE 3

O Mensageiro

15.Março.2012ro.2011

O que faz um associado da Intermediar, quais são os seus deveres e direitos? Aos associados da Intermediar são-lhes proporcionadas vantagens, desde logo, ao nível do pagamento dos serviços da própria associação. Os sócios têm benefícios na ordem dos 15% de redução no preço dos serviços que os processos acarretam. Sendo sócio, o principal dever é que respeite o Código Deontológico da mediação e estatutos da Intermediar. Os associados serão certamente quem se identifica com os objectivos. Fazem alguma selecção ou promovem um conhecimento alargado da Intermediar? Pode associar-se qualquer pessoa, singular ou colectiva, que se identifique com o objecto, missão e valores da associação. Por isso, antes de fazer a inscrição como sócio, deve fazer uma formação que ajude a perceber esses objectivos e valores. Quais as formações que têm em agenda, nesse sentido? Apesar de estarmos ainda no início da nossa intervenção e desenvolvimento, temos já algumas acções formativas, das quais destacamos: o Curso de Gestão de Relações Interpessoais e de Conflitos (parceria com o Centro de Formação e Cultura da Diocese de Leiria-Fátima); o Curso de Gestão de Conflitos Organizacionais (com a NERLEI); a oficina de Mediação de Relações Interpessoais e de Conflitos (com a Academia ABC da Marinha Grande). A par destes cursos, que estão a decorrer e se inserem num projecto concreto, temos também a possibilidade de programar outras formações, à medida que as várias IPSS e outras organizações nos solicitem.

Actuais membros da direcção P. Jerónimo

Como está organizada em termos estruturais? A Intermediar é composta por três órgãos sociais. São eles a Assembleia Geral (Presidente: Filipe Conceição; Vice-Presidente: Cátia Figueiredo), a Direcção (Presidente: Ângela Lopes; Vice-Presidente: Filomena Carvalho; Tesoureira: Filipa Caetano; Secretária: Sofia Ferreira; Vogal: Carina Vilela), e o Conselho Fiscal (Presidente: Ana Vieira e Vogais: Filipa Nogueira - também responsável pela comunicação social e relações com o exterior - e Ângela Simões). Esta é a vertente estrutural. Depois, existe todo o leque de sócios e de especialistas nas várias áreas de acção e intervenção da associação.

Quem deve recorrer à Intermediar? Ou, dito de outra forma, há um perfil comum sinalizado? Pode pedir os nossos serviços qualquer pessoa, singular ou colectiva, que se identifique com o objecto da Intermediar e que acredita na mediação como forma complementar ou alternativa de resolução de conflitos. Este é o ponto essencial: é preciso acreditar na mediação como caminho válido. Só assim se poderá contar com total abertura, necessária para que a mediação surta algum efeito. A Intermediar propõe que seja a própria pessoa a encontrar a solução para o seu conflito, tendo, como facilitador da comunicação, o mediador. Quase poderíamos dizer que não solucionamos os conflitos, mas conduzimo-los a uma porta de saída, desde que os oponentes sejam claros e se deixem conduzir. A solução será sempre a que eles acordarem e concluírem como sendo a melhor. Na condução deste processo, o mediador não será certamente um simples ouvinte. Que apoios práticos oferece? Antes de mais oferecemos a presença de alguém especializado no sector em causa. Temos acompanhamento por mediadores especializados nas áreas de mediação familiar, laboral, penal, escolar, comunitária e bancária, em contexto de mediação de conflitos e negociação cooperativa. Depois, também promovemos formações e oficinas para crianças, adolescentes, jovens e adultos, nas mesmas áreas, bem como em relações interpessoais, cidadania, ética e direitos humanos ao nível familiar, escolar, empresarial e comunitário. Finalmente, não menos importante, oferecemos consultadoria jurídica nestas variadas áreas. Mas, em concreto, na gestão de um conflito, como decorre o processo de ajuda?

A metodologia usada é um pouco complexa para ser explicada e exposta sem mais, até porque os casos são sempre diferenciados. Mesmo com um padrão de acção, a verdade é que há diferenças consoante as situações. Normalmente, o que dizemos é que aqueles que necessitarem de apoio na área da mediação e negociação cooperativa entrem em contacto telefonicamente ou por correio electronico, expondo brevemente a situação em causa. Neste primeiro contacto, deve ser também identificada a parte oponente. Posteriormente, contactamos essa pessoa para saber se quer resolver a questão pela via da mediação e, em caso positivo, marca-se uma sessão de esclarecimento da mediação. Mesmo sendo esse processo assim personalizado, haverá com certeza uma linha comum. Que palavras-chave poderiam caracterizar a vossa forma de estar e de trabalhar? De facto, há uma série de palavras-chave que, não apenas orientam o nosso trabalho, como também são como que a nossa “roupagem”. Identificamo-nos nessas palavras que estão na base estatutária da associação. São elas: Pessoa, Cidadania, Dignidade, Solidariedade, Respeito, Responsabilidade, Assertividade, Cooperação e Tolerância. Por aqui se pode perceber bem quem somos e o que queremos. Uma palavra final, dirigida a quem estiver interessado em conhecer melhor a associação? Acreditamos que toda a pessoa é digna de ser escutada e capaz de escutar. Sabemos, pela nossa experiência, que a solução para os seus conflitos pode ser encontrada por si e confiamos que a sua vontade pode fazer a diferença. E terminamos com uma citação, que é como que a nossa fé: “O encontro de vontades é capaz de criar soluções”.

Ângela Lopes (Presidente) - Advogada licenciada pela Faculdade de Direito de Coimbra.Curso Teórico-Prático de Mediação de Conflitos pela Consulmed e o Instituto Politécnico de Leiria. Especialização em Negociação Estratégica pela Universidade Pablo de Olavide em Sevilha. Formação em Programação Neurolinguística. Presidente, Associada, formadora e mediadora da InterMEDIARAssociação de Mediadores do Oeste. Filomena Carvalho (Vice-Presidente), licenciada em Direito pela Universidade Internacional, com o curso de Formação NEEP – Novos Empresários de Elevado Potencial, promovido pela F+G – Formação e Gestão S.A., docente na ESTG do IPL desde 2002, tendo sido Coordenadora de Curso nos cursos de Gestão e Administração Pública e Administração Pública e Coordenadora do Programa Sócrates-Erasmus, doutoranda em “Jurisprudencia Ordinária y Constitucional”, na Universidade da Extremadura, Cáceres, com Diploma de Estudos Avançados com o tema “Direitos Humanos e Grupos Vulneráveis”, especialista em Educação para os Direitos Humanos e Cidadania, título obtido na Universidade Carlos III, Madrid e formadora na área da Mediação de Conflitos. Associada honorária da interMEDIAR – Assoc. Mediadores do Oeste. Sofia Ferreira (Secretária), Psicóloga, Licenciada em Psicologia - Ramo de Orientação Escolar e Profissional pela FPUC, Pós- Graduada em Consulta Psicológica e Psicoterapia pelo IPAF, Curso Teórico--Prático de Mediação de Conflitos ministrado pela Consulmed em parceria com a ESTG do IPL, e especialização em Mediação Familiar pela Jurisolve. Associada, formadora e mediadora da InterMEDIARAssociação de Mediadores do Oeste. Filipa Caetano (Tesoureira) - Licenciatura em Direito pela Universidade de Coimbra. Curso Teórico-Prático de Mediação de Conflitos pela Consulmed e Instituto Politécnico de Leiria. Jurista (direito canónico). Associada, Fundadora, formadora e Mediadora da InterMEDIAR– Associação de Mediadores do Oeste. Filipa Nogueira (Responsável pela Comunicação Social) -Licenciatura em Direito pela Universidade de Coimbra. Pós Graduaçao em Comunicação Social (Televisão). Curso Teórico-Prático de Mediação de Conflitos pela Consulmed e Instituto Politécnico de Leiria. Jurista. Associada, Formadora, Mediadora e Responsável pela Comunicação Social e Relações com o Exterior da InterMEDIAR–Associação de Mediadores do Oeste. Carina Vilela (Vogal) - Licenciada em Serviço Social pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria. Curso Teórico-Prático de Mediação de Conflitos pela Consulmed e Instituto Politécnico de Leiria. Exercício de funções em Projectos de intervenção social, comunitária e escolar. Associada, formadora e mediadora da InterMEDIAR - Associação de Mediadores do Oeste.


4 CULTURA

O Mensageiro 15.Março.2012

Escritora Lurdes Breda no Colégio Conciliar de Maria Imaculada

EXPOSIÇÕES

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Reflexões em cidades alfa” - pintura de Maria D. Bernardes (~25/03) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Tokushima em Leiria” (~31/03) m|i|mo -Museu da Imagem em Movimento - Leiria •”Paixão por maraona fotográfica” •”Oficina do Olhar” - exposição permanente Edifício Paços do Concelho - Leiria. •”As invasões francesas” - painés e vídeo (~31/03) Edifício Banco de Portugal - Leiria •”Do princípio ao fim” - joalharia contemporânea e pintura (~31/03) Moinho de Papel - Leiria •”Estórias Republicadas” (~31/03) Museu Escolar - Marrazes •”Máscaras de Carnaval” (~30/03) Casa-Museu João Soares - Cortes •”A República” (~30/04) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) •”Mulher, cavalo e árvore” - desenho de Carlos Reys (3ª~sábados) Espaço Jovem - Porto de Mós •”Máscaras de Carnaval” (~23/03) Galeria Paços do Concelho - Tomar • Desenho de Manuel Baptista (~31/03)

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”É como dizo outro” - teatro (15/03, 21h30) • Winx ao vivo - concerto ao vivo (18/03, 15h00) •”radical Wrong” - dança (22/03, 21h30) Teatro Miguel Franco - Leiria •”Comida colorida, estória garantida” teatro (15/03, 10h00 e 14h30) • Fado com alma - música (24/03, 21h00) Sala Jaime Salazar Sampaio - Leiria •”As peúgas” - teatro ( 17/03, 22h00) •”Dos pequenos gestos” - teatro (18/03 e 25/03, 11h00) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Eu visito a Biblioteca” - visita emomento lúdico (19/3 e 26/3, 10h00) •”Pai, querido pai! Como é o teu?” - hora do conto (16, 21 e 30/3, 10h30) •”Que medo” - BEBETECA (22/03, 10h15 e 24/03, 16h00) •”Contos e cantigas-contar e encantar” (31/03, 16h00) m|i|mo - Muse da Imagem em Movimento - Leiria • O Moleiro, o Menino e o Burro- oficina (17/03, 15h00 e 16h30) • À luz da primavera - oficina (17/03 e 31/03, 15h00) • Dia do pai - oficina de brinquedos óticos (19/03, 10h00) • Dia Mundial da Agricultura - oficina (20/03, 10h00) • Dia Mundia da Floresta - teatrinho de sombras (21/03, 10h00) • Dia Mundial da Água - actividades (22/03, 10h00) • Teatro de sombras e oficinas criativas (3ªs~6ªs) Centro de Interpertação Ambiental - Leiria •Pegada Ecológica (15/03 e 16/03, 9h30~11h30) Moinho de Papel - Leiria •“Viagem à Fábrica do papel (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Floresta reciclada” - oficina (21/03, 9h30~11h00) •“O segredo do rio” - animação infantil (22/03, 14h30~16h30) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa • Dia Mundial da Floresta no Agromuseu (21/03, 10h00 e 14h00) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Mariana e a missão Primavera” - hora do conto (2ªs~6ªs, 10h e 14h) Casa-Museu João Soares - Cortes •”Viva a vida” (15, 22 e 29/03, 15h00) • Tardes na Casa-Museu João Soares (14/03, 14h30~15h30)

Na terça-feira, dia 28 de Fevereiro, recebemos uma visita muito especial no Colégio, a escritora Lurdes Breda. Nascida a 5 de Maio de 1970, e vinda de propósito de Montemor-o-Velho para nos visitar, esta senhora é portadora de uma deficiência motora, o que, no entanto, não a impede de ultrapassar os obstáculos, lutar pelos seus sonhos e em todo o que acredita, promovendo, assim, a integração das pessoas portadoras de deficiência, na sociedade. Lurdes Breda, autora de diversas obras, dialogou com os alunos desde o préescolar até ao 9.º ano sobre as suas motivações, o que faz no dia-a-dia (visita algumas escolas), a sua enorme

DR

Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) • GESTO | Documentário | de António Borges Correia | c/ António Coelho, Irina Pereira, Alexandra Lencastre e Adriano Luz | 14 de Março, 14h30 e 21h30. Teatro Miguel Franco (Leria) • MEL | Drama | de Semih Kaplanoglu | c/ Bora Altas, Erdal Besikçioglu, Tülin Özen | 21 de Março, 18h30 e 21h30.

Uma “pequena” grande visita

paixão pela escrita e falounos também da sua pessoa. Feliz e orgulhosa de si mesma e de tudo aquilo que já conseguiu alcançar, Lurdes repete diversas vezes a frase: “Para ser feliz tenho de me aceitar como sou”, não se sentindo assim, de forma alguma, prisioneira do seu próprio corpo. Com a sua visita e todo o seu discurso, Lurdes

deu-nos força para nunca desistirmos de nada, por muito que custe, visto que também teve de lutar contra inúmeras adversidades e rejeições para conseguir publicar as suas obras. Este grande testemunho de vida ainda faz voluntariado no APPACDM, uma associação que apoia deficientes mentais em Montemor-o-Velho.

Por fim, assistimos à visualização de um vídeo elaborado por uma aluna do Colégio, que serviu para ficarmos a conhecer melhor a escritora. Houve também ainda tempo para serem colocadas algumas interessantes questões pelos mais curiosos, a quem Lurdes teve todo o prazer em responder. Lurdes Breda ambiciona publicar muitas mais obras, pois, apesar de não ter uma vida fácil, as crianças e o facto de saber que pode vir a marcar a diferença motivam-na diariamente. Pareceu escasso o tempo passado com esta grande mulher, que certamente irá ficar na memória de todos os alunos do nosso Colégio. Ana Rita e Maria Leitão – T.9.1

Museu Joaquim Correia

Colorir Abril na Marinha Grande Vai decorrer no Museu Joaquim Correia, situado no Largo 5 de Outubro, na Marinha Grande, nos meses de Março e Abril, a oficina de trabalho “Colorir Abril”, no âmbito das comemorações do 25 de Abril de 1974. Esta acção insere-se nas actividades educativas promovidas pela Câmara Municipal, que têm como objectivo a divulgação dos museus do concelho junto do público infanto-juvenil marinhense, através da estimulação do relacionamento das crianças com o meio envolvente aumentando assim o seu conhecimento histórico e cultural. A organização pretende ainda despertar nas crianças o gosto pela observação

DR

CINEMAS

de obras de arte, permitindo a sua educação estética e o desenvolvimento da sua sensibilidade artística, sendo fundamental dar a conhecer as obras do escultor Joaquim Correia. “Colorir Abril” visa mostrar a importância e o significado da revolução

do 25 de Abril de 1974, mostrando as diferenças que existiam no modo de vida de então comparado com o actual. Objectiva ainda consciencializar as crianças para conceitos relacionados com a revolução, como liberdade, censura e democracia.

A oficina é iniciada com a leitura do livro “A revolução das letras – O 25 de Abril explicado às crianças”, de Vergílio Alberto Vieira, com ilustrações de Freda Santos, da editora “Palmo e Meio. O livro aborda o 25 de Abril de 1974, mostrando a importância dos conceitos como a liberdade, democracia e censura através da pintura e do desenho livre. Esta actividade destinase a crianças com idades compreendidas entre os 8 e os 10 de idade, a frequentar o 3º e o 4º ano das escolas do 1º ciclo do ensino básico e decorre nos dias 20 e 21 de Março; 10, 11, 17, 18 e 24 de Abril.

Páscoa no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha De 27 a 30 de Março, os mais jovens têm diversas actividades à sua disposição no Museu da Comunidade Concelhia da Batalha, através do seu serviço educativo. Oficinas de expressão plástica e visitas

temáticas são algumas das iniciativas a desenvolver numas férias da Páscoa que se pretendem criativas e divertidas. O programa poderá ser consultado em www.museubatalha.com.

Visitas guiadas Recordamos que o Museu está a organizar aos primeiros domingos de cada mês um programa de visitas guiadas, que decorrem entre as 11h30 e as 12h30, sendo dirigidas

a todo o público. Pretendese dar a conhecer e aprofundar os conhecimentos sobre o Museu e as suas colecções, garantindo--se um acompanhamento personalizado.


CULTURA 5

O Mensageiro 15.Março.2012

Inauguração do Centro de Interpretação

História e tradições japonesas em Leiria

“Toskushima em Leiria”

Com comissariado científico da responsabilidade de Saul António Gomes, da Universidade de Coimbra, e de Pedro Redol, actual director do Mosteiro da Batalha, autores de conteúdos

expositivos e dinamizadores de uma vasta equipa de especialistas – originando a produção de investigações inéditas, em particular sobre a história do território e da paisagem associada ao

monumento –, a estrutura expositiva, projectada pelos arquitectos Francisco Vieira de Campos e Cristina Guedes, apresenta o projecto museológico e museográfico integrado com a assinatura de Gabriella Casella, Catarina e Francisco Providência. A obra agora aberta ao público, financiada no âmbito do QCAIII, constitui um investimento fundamental para a qualificação da visita a este monumento inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO, contribuindo quer para o enriquecimento da visita, quer para o reforço da sua atractividade, não só para a Vila da Batalha mas também para o triângulo monumental complementado pelo Mosteiro de Alcobaça e pelo Convento de Cristo, em Tomar, e para o touring turístico-cultural que beneficia da proximidade de Fátima, um dos principais destinos de turismo religioso de todo o mundo.

Orfeão dedica fim de semana à dança cinas de elevada qualidade, com a particularidade de abrangerem crianças e adultos, professores e alunos, no sentido de promover o gosto pela dança e incentivar, quem sabe, a formação de futuros bailarinos». A directora pedagógica da EDOL refere ainda que «a qualidade dos cursos será assegurada por uma equipa composta por profissionais de mérito e vasta experiência, e com provas dadas no campo da dança e da música, de nacionalidade portuguesa e estrangeira». As aulas de dança clássica ficarão a cargo de Maria Luísa Carles, natural do Panamá, directora de produção da Companhia Nacional de Bailado e pro-

fessora de Técnica de Dança Clássica na Escola de Dança do Conservatório Nacional; e de Luísa Vendrell, detentora do “Teaching Certificate” da Royal Academy of Dance de Londres e professora na Escola de Dança do Conservatório Nacional. A professora Eliana Mota, coordenadora e professora de Dança Contemporânea e Expressão Criativa na Academia de Dança de Alcobaça, será responsável pelas aulas de Dança Jazz nos níveis de iniciação, intermédio e avançado. Por sua vez, as aulas de dança contemporânea serão orientadas pelas professoras São Castro e Catarina Moreira. São Castro, formada em dança no Ballet Teatro Escola Profissional

Galeria Mouzinho de Albuquerque

“Aparências” na Batalha

Cursos e oficinas dinamizados pela EDOL nos dias 24 e 25 de março A Escola de Dança do Orfeão de Leiria (EDOL) vai dinamizar uma série de cursos livres e oficnas de dança, durante o fim de semana de 24 e 25 de Março, direccionados a crianças a partir dos dois anos, adultos e professores. As actividades contemplam vários géneros de dança, do clássico ao contemporâneo, passando pelo jazz, sem esquecer as actividades adaptadas às crianças nos ateliers Dança a Dois e Dança Criativa, e as aulas de pilates e Danças do Mundo, para os seniores. Ana Manzoni, directora pedagógica da Escola de Dança do Orfeão de Leiria (EDOL) salienta que «este ano vamos garantir mais uma série de cursos e ofi-

A cidade de Tokushima, no Japão, geminada com Leiria desde 1969, dá a conhecer as suas tradições e história, bem como produtos tradicionais desta região asiática, desde o dia 12 de Março, através da exposição “Toskushima em Leiria”. A exposição, patente na Galeria da Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira até 31 de Março, contará com diferentes materiais de divulgação, como projeções, painéis, vídeo e fotografias, entre outros. Haverá ainda um espaço dedicado à exibição de uma das mais importantes e tradicionais indústrias de Tokushima: a produção de têxteis e roupas em índigo. A iniciativa pretende igualmente assinalar o primeiro aniversário do tsunami que, em 2011, devastou o Japão, contando para tal como um pequeno núcleo fotográfico. Esta acção é promovida pela Universidade de Tokushima, com o apoio da Câmara Municipal de Leiria. A entrada na exposição é livre e esta pode ser visitada à segunda-feira e ao sábado, das 14h00 às 20h00, e de terça a sexta-feira, das 10h00 às 20h00.

DR

Inaugura no próximo dia 22 de Março, pelas 17H00, o Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha, com a presença do Senhor Secretário de Estado da Cultura. Este novo Centro de Interpretação irá proporcionar uma visita diferente e mais completo ao Mosteiro da Batalha, classificado Património Mundial desde 1983, possibilitando aos visitantes uma melhor compreensão dos seus espaços, da sua evolução construtiva e da sua contextualização histórica e simbólica. Uma estrutura-corredor longilínea, ocupando todo o interior da antiga Adega dos Frades, é modulada interiormente por superfícies e nichos expositivos onde são apresentadas ao visitante, de forma apelativa, peças originais do Mosteiro enquadradas por abundantes recursos audiovisuais e textos explicativos, numa atmosfera que convida a embarcar em numerosas viagens pela memória do lugar e pela simbólica do monumento.

DR

Novidade no Mosteiro da Batalha

do Porto e licenciada pela Escola Superior de dança, trabalhou com grandes nomes da dança como Rui Lopes Graça, Olga Roriz e Clara Andermatt. Catarina Moreira é actualmente docente da Escola de Dança do Conservatório Nacional e da EDOL. Foi bolseira da Companhia Paulo Ribeiro e participou em projectos de Vasco Wellenkamp, tendo integrado o elenco da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo de Lisboa. Tem tido inúmeras coreografias suas premiadas em concursos nacionais e internacionais, como aconteceu recentemente no Concurso TanzOlympic Berlin 2012, que decorreu em Fevereiro.

Tem lugar no próximo Domingo, 18 de Março, às 15h00, na Galeria de Exposições Mouzinho de Albuquerque, a inauguração da exposição de pintura intitulada “Aparências”. A mostra compreende trabalhos da autoria de Mico Moleirinho, Olimpio Pereira e Sara Bardini, ficando patente ao público até ao dia 25 de Março e podendo ser visitada diariamente das 10h00 às 19h00. A entrada é gratuita.


6 SOCIEDADE

O Mensageiro 15.Março.2012

Junta de Freguesia leva a efeito evento solidário

Festival de Sopas na Batalha Em Leiria

Curso de Iniciação à Astronomia no CIA Estão abertas, no Centro de Interpretação Ambiental de Leiria (CIA), as inscrições para o Curso de Iniciação à Astronomia, “Aprenda a apreciar a noite para conhecer as maravilhas do céu”, que terá lugar no dia 28 de Abril. Ministrado por José Matos, astrónomo da Associação de Física da Universidade de Aveiro e formador na área da astronomia, este curso de iniciação é destinado a todos os observadores interessados em conhecer o céu nocturno e técnicas de observação. Haverá também uma sessão prática de observação nocturna ao telescópio. Dirigido a maiores de 14 anos, o horário é das 14h30 às 19h30 e das 21h30 às 23h30 e tem o custo de 25 euros.

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oucos meses depois da partida do CEP para a guerra da Flandres, o Pe. José Lacerda consegue cumprir o seu sonho de integrar o palco deste conflito como capelão militar voluntário. Na edição nº 136, de 9 de Maio de 1917 de O Mensageiro, entre outros textos que davam conta da partida do Pe. José Lacerda para junto dos soldados portugueses da Flandres, é publicado um comunicado daquele capelão, dedicado aos seus leitores e amigos. É justamente nesta edição que se inicia um ciclo de publicações do Pe. José Lacerda os quais mostram a sua presença e cobertura jornalística naquele conflito mundial, através das muitas crónicas que faz editar no seu O Mensageiro. Assim, na página 2, dá início à sua primeira edição das Crónicas da Guerra / Em Campanha, esta escrita no momento da sua partida desde Lisboa (estação do Rocio). «A máquina alimentada a lenha e carvão arrasta vagarosamente os muitos vagons que compõem o comboio, repleto de passageiros»1. Com este primeiro texto do Pe. José Lacerda Crónicas da Guerra o pe-

No próximo sábado, 17 de Março, a Junta de Freguesia da Batalha organiza um Festival de Sopas no Pavilhão Multiusos da Vila. O evento, cujas receitas revertem a favor dos Bombeiros Voluntários e da Santa Casa da Misericórdia da Batalha, tem início às 19h00. Por apenas cinco euros, o visitante poderá provar 20 tipos de sopa diferentes, cuja confecção estará a cargo das colectividades da freguesia. O evento contará ainda com animação musical a cargo de Vergílio Pereira e Manuel Ribeiro.

Papel por alimentos para Banco Alimentar

Passeio solidário na orla costeira A Câmara Municipal da Marinha Grande promove a realização do passeio solidário “Pense em si, Pense nos outros! - Da orla costeira ao Ribeiro de São Pedro”, no dia 24 de Março, pelas 14h30. Trata-se do segundo passeio solidário promovido este ano. Convidam-se todos os interessados a conhecer as maravilhas do património natural e construído de S. Pedro de Moel. O desafio é fazer um passeio com um propósito solidário. Os Bancos Alimentares iniciaram no final do ano passado esta campanha com contornos ambientais e de solidariedade no âmbito da qual o papel angariado é convertido em produtos alimentares. A Campanha “Papel por Alimentos” integra-se num ideal mais vasto de sensibilização para a importância do papel de cada pessoa na sociedade e para a possibilidade de recuperar e reutilizar coisas que parecem não ter valor.

riódico leiriense iniciou um novo ciclo editorial. Na cidade do Lis, a dinamizar o jornal, ficou Júlio Pereira Roque (Jupéro) e da Flandres, o Pe. José Lacerda passa a enviar relatos do conflito, publicados quase todas as semanas em O Mensageiro, identificados como forma de crónica. Estes textos fizeram história no jornalismo leiriense, por conseguirem envolver os leitores, mas também pelos factos relatados conseguirem, naquela época de grande confusão política e social, tocarem de forma especial os seus receptores, muitos deles com os seus maridos, filhos, irmãos ou amigos a combaterem na Flandres. A escrita simples do Pe. José Lacerda é muito descritiva da acção e desenvolvimento do conflito com os seus textos a ganharem em cada edição uma beleza estética, gramatical e uma riqueza humana. Com a sua partida para França não abandonou um outro objectivo encetado com a fundação do seu periódico. A 7 de Outubro de 1914, fomentando um movimento para restaurar a Diocese de Leiria, reconquistando-a à Diocese de Coimbra e ao Patriarcado de Lisboa, já referimos

noutros registos anteriores que José Lacerda fundou o jornal O Mensageiro, como veículo de uma causa desejada pelo clero e por muitas forças da sociedade leiriense. Sobre este propósito, refere Afonso Zuquete: «É da mais elementar justiça reconhecer que a restauração do Bispado de Leiria se ficou devendo, quási exclusivamente, aos esforços do Rev. Sr. Pe. José Ferreira de Lacerda, Pároco da Freguesia dos Milagres, que foi o renovador da campanha pró-bispado, iniciando a terceira tentativa, que conduziu com êxito, até final. É inegável que foi à sua decidida energia e persistente combatividade que Leiria ficou devendo a restauração do seu Bispado secular. A cidade tem o indeclinável dever de lhe ser grata» (Zúquete, 1945: 57). Para perceber o contexto do passado, a Igreja em Leiria tinha vivido momentos históricos muito difíceis, causados pelas muitas mazelas na sua estrutura organizativa e hierárquica, herdadas no século anterior. Em 1833 tinha sido proposto pela Junta de Exame a redução dos Bispados do Reino para apenas oito, pondo em causa o futuro do Bispado de

Leiria. No ano seguinte, 1834, dá-se a extinção das Ordens religiosas em Portugal, havendo como consequência o encerramento do Seminário de Leiria. Mesmo assim, o Bispado de Leiria ainda resiste até 4 de Setembro de 1882, altura em que surge uma decisão final sobre a sua extinção, do Cardeal D. Américo, aprovada por carta régia. A Diocese é anexada à de Coimbra, com vinte e três freguesias do concelho de Leiria, duas do concelho de Pombal. As restantes vinte e cinco freguesias são entregues ao Patriarcado de Lisboa. «A política liberal portuguesa não admitia a sobrevivência das antigas estruturas eclesiásticas regulares, tendo uma concepção de pastoral religiosa exclusivamente secularista. A extinção das velhas estruturas eclesiais regulares vindas do Antigo Regime foi extremamente dolorosa na diocese, desenvolvendo-se um clero diocesano que se mostrava incapaz de qualquer renovação significativa. O resultado veio a ser a extinção da diocese em 1882 para só ser restabelecida no século XX» (Gomes; 2001: 79-80). Na sociedade leirien-

IP Leiria apresenta projecto inovador

Cadeira de rodas comandada por voz e pelo movimento dos olhos O Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do Instituto Politécnico de Leiria (IP Leiria) apresentou publicamente, no dia 13 de Março, o protótipo da “Cadeira Móvel Autónoma”. Trata-se de um projecto desenvolvido pelo curso de Informática para a Saúde, que consiste num módulo low cost adaptável a uma cadeira de rodas convencional, ligado a um computador portátil, que permite o seu controlo por voz e pelo movimento dos olhos. O protótipo concilia uma solução de reconhecimento de comandos activados por voz e uma aplicação que determina o desejo de movimentação do utilizador através do movimento dos olhos, captado por uma webcam. As indicações de voz e movimento dos olhos são processadas simultaneamente para reforçar a fiabilidade dos comandos transmitidos à “Cadeira móvel Autónoma”. O Curso de Informática para a Saúde do IP Leiria é o único a funcionar actualmente no País, e tem por objetivo fornecer aos estudantes conhecimentos e competências de base relacionados com a saúde, estabelecendo a ligação entre o mundo das tecnologias e a sua aplicação nos cuidados de saúde (médico-hospitalar, desportiva, estética, entre outras). Este curso tem grande procura por parte dos estudantes, e suscita grande interesse por parte das entidades empregadoras, que procuram regularmente estagiários nesta área.

se, muito especialmente no seio do Clero, existia há 34 anos uma não resignação das principais forças políticas, sociais e religiosas, traduzindo-se numa enorme vontade de recuperar a Diocese de Leiria. A luta tinha sido iniciada apenas três anos depois da extinção da Diocese de Leiria, com o livro Um Bispo segundo Deus, de Silva Araújo, enviado a todos os bispos do reino em 1885. A publicação veio provocar algum alvoroço mas não conseguirá atingir o seu intento. A segunda tentativa de restaurar a Diocese de Leiria foi protagonizada pelo Pe. Júlio Pereira Roque que quando se apercebeu que no dia 8 de Novembro de 1903 é sagrado o Arcebispo de Mitilene e Auxiliar de Lisboa. Júlio Pereira Roque dinamizava O Portomosense, periódico da vila de Porto de Mós. Foi precisamente neste jornal, com publicação bem distante de Leiria, até porque as comunicações não se faziam como hoje, que o sacerdote inicia um ciclo de publicação de artigos pró-restauração, começando no nº 243 desse periódico, de 21 de Novembro de 1903, o artigo que deu como título "Um Alvitre – o

REFLEXÕES SOBRE O SÉCULO XX - 16

Joaquim Santos Jornalista

As três tentativas de restaurar a Diocese Bispado de Leiria". Foi mais uma tentativa fracassada. Mesmo contando com o inimaginável apoio do bispo de Coimbra D. Manuel de Bastos Pina que imediatamente apoiou a ideia de devolução das freguesias de Leiria e Pombal que lhe tinham sido confiadas em 1882, a possibilidade de concretização do restabelecimento da Diocese de Leiria não se viria a consumar. 1 Pe. José Ferreira de Lacerda; Crónicas de Guerra, in O Mensageiro, nº 136, de 9 de Maio de 1917, p.2.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 15.Março.2012

Professor Marcelo Rebelo de Sousa na Batalha

Universidade Aberta e Câmara de Porto de Mós

O professor Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) esteve na Escola Básica e Secundária da Batalha, no dia 9 de Março, no âmbito do concurso “DN Escolas”, promovido pelo Diário de Notícias. O salão estava a “abarrotar” com alunos, professores e outras pessoas que aproveitaram esta sessão aberta ao público para ouvir o ilustre comentador político. O catedrático foi entrevistado por alguns dos alunos que redigiram um dos editoriais vencedores do concurso do DN, sobre a promoção dos “produtos portugueses”, que foi também o tema central da conversa. A esse propósito, o próprio cenário incluía uma projecção de imagens e uma mostra “ao vivo” de produtos e serviços regionais, como vinho, azeite, artesanato, obras de cantaria, materiais de promoção turística do património ou da natureza, etc. “O facto de haver jovens, raparigas e rapazes como vocês, que acreditam em Portugal e no que é português é uma das razões para acreditarmos que há solução para esta crise”, afirmou MRS, salientando que é preciso “não ficar de braços cruzados, deixar a posição comodista de não fazer nada e começar a fazer alguma coisa”. Ainda a este propósito, o professor criticou a concorrência desleal de alguns países com maior escala produtiva que chegam a “perder dinheiro para competir”, e defendeu

LMF

“Os jovens são solução para a crise”

que a solução passa por aumentar as exportações e, por outro lado, “tornar os produtos nacionais mais competitivos” no mercado interno, investindo em áreas como a formação dos trabalhadores e empresários, a melhoria dos processos e custos de produção e a forma de distribuição e marketing. Tudo isto com uma “grande dose de imaginação, com uma maior relação entre as empresas e as universidades e com uma aposta clara no empreendedorismo”, apontou. No debate que se seguiu, com intervenção de alunos da plateia, os temas foram variando, mas manteve-se a tónica. “Comecem a trabalhar desde cedo, não fiquem parados, inventem actividades produtivas, porque isso aumentará a vossa relação com o mundo empresarial e a capacidade de responderem aos de-

safios do futuro”, aconselhou MRS. E sublinhou a importância das “relações de proximidade que ainda existem em meios pouco urbanizados”, como o caso da Batalha, como uma mais-valia para a qualidade de vida, sem deixar de manter as portas abertas a “oportunidades lá fora”. Sendo “fundamental perceber quais os gostos e capacidades de cada um” para tomar uma decisão sobre o futuro profissional, há que ter noção de que é necessário “estar preparados para a mudança e a mobilidade, com muita capacidade de comunicação, diálogo e respeito pelas diferenças”. Satisfazendo a curiosidade dos presentes, o professor explicou em traços gerais como funcionam os bastidores dos programas televisivos em que participa e como se prepara para ter “comentário pronto” aos

assuntos da actualidade. “Dá muito mais trabalho do que parece, exige pesquisa e muitas leituras”, mas também se torna mais fácil com os anos de experiência e com a “intuição e os truques que vamos aprendendo”. No final, ficou no ar uma espécie de tabu: “Entretanto, vou mudar radicalmente de vida… fazer algo que nunca fiz… terei talvez de me relacionar com a agricultura…”. E mais não disse. Mas partiu dessa sua experiência curricular multifacetada, com tarefas diversas e desafios constantes, para deixar o repto final, carregado de optimismo: “Aproveitem todas as oportunidades, vivam sem saudosismos e virados para o futuro”. Luís Miguel Ferraz

Protocolo de colaboração para Centro Local de Aprendizagem

A Universidade Aberta e a Câmara Municipal de Porto de Mós assinaram no dia 7 de Março, o protocolo de colaboração que pretende a criação de um Centro Local de Aprendizagem no concelho de Porto de Mós. Segundo João Salgueiro, presidente da Câmara de Porto de Mós, este projecto “vai trazer uma oferta de oportunidades de aprendizagem às populações” que por várias razões se viam impedidas de adquirir novas conhecimentos, situação agora ultrapassada. Esta nova realidade, afirma o Presidente da Câmara, aumentará “ o nível de desenvolvimento pessoal e profissional, tornando o concelho e a região mais ricos em termos de recursos humanos e mais preparados para uma sociedade mais competitiva e inovadora”. Palavras anuídas pelo reitor da Universidade Aberta Paulo Dias que referiu, na sua intervenção, que o Centro Local de Aprendizagem pretende ser uma extensão da Universidade que, através dos meios tecnológicos mais actuais, visa facilitar o acesso das populações ao ensino superior e à formação de âmbito específico, facultando, para isso, todas as ferramentas e recursos. O protocolo estabelecido ontem assegura a coordenação de todos os processos pedagógicos e planos de formação, por parte da Universidade Aberta, sendo as questões logísticas responsabilidade da Câmara Municipal.

Parlamento dos Jovens / Secundário – Leiria

Mesa distrital está constituída

Seleccionados no dia 7 de Março, na Direcção Regional do Centro do IPJ de Leiria, estão eleitos os deputados que irão constituir a mesa da sessão distrital a realizar no próximo dia 20 de Março no Auditório do IPJ de Leiria. São eles: André Cabral, da Escola Secundária Eng.º Calazans Duarte – Marinha Grande (presidente), Maria Ana Henriques, da Escola Secundária Domingos Sequeira (vice-presidente) e Sofia Fialho, do Externato Cooperativo da Benedita (secretária). Recorda-se que, relativamente à sessão distrital, participam 18 escolas do ensino secundário num total de 57 deputados (36 deputados efectivos + 18 deputados suplentes + 3 deputados mesa). Este programa, que a Assembleia da República organiza em colaboração, entre outras entidades, com o Instituto Português da Juventude, tem por objectivo promover a educação para a cidadania e o interesse dos jovens pela participação cívica e pelo debate de temas de actualidade. Este ano o tema seleccionado para a sessão do secundário é: “Redes Sociais: participação e cidadania”.

DR

Paulo Portas no Colégio de S. Miguel | “Nós podemos!”

O colégio de S. Miguel, teve a honra de receber o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, no dia 6

de Março, no âmbito do projecto promovido pelo Diário de Notícias cujo temática se centra na Educação para os Media.

A nossa aventura começou há alguns meses atrás, com a criação de um editorial sobre um tema que se inserisse numa editoria do DN – autossuficiência de Portugal – que permitiu a passagem do grupo a esta 2ª fase, com apenas 60 escolas a nível nacional! O ministro, apesar da sua preenchida agenda, aceitou ser entrevistado

pelo grupo “Verborreia”. Perante uma plateia onde estavam todos os alunos do 10.º ano e algumas turmas do 11.º e 12.º, foram discutidos temas da actualidade (o futuro de Portugal) que deixaram os alunos com novas esperanças e ambições para o futuro. Ninguém ficou indiferente à maneira como Paulo Portas falou de economia,

política, história, da autosuficiência de Portugal, de importações/exportações, de empreendedorismo, da envolvência na política por parte dos jovens… enfim, foram muita aprendizagem! O Ministro não nos deixou sem antes mostrar a atitude a ter no futuro: a mensagem foi de empreendedorismo, de um Portugal

que tem de seguir para a frente e, acima de tudo, a atitude positiva que cada jovem deve ter perante as adversidades. O famoso “Yes we can”, do presidente Barack Obama, foi o mote para todos os que estavam presentes: “Nós também podemos!” Catarina Gonçalves, Eduardo Ribeiro, Luísa Nunes e Margarida Perfeito (alunos do 10º ano)


8 DIOCESE

BREVES Na Casa de Retiros do Seminário de Leiria

Páscoa do Senhor

De 13 a 15 de Abril realizar-se-á um encontro subordinado ao tema “Tempo, Oração e Silêncio”, no Seminário Diocesano de Leiria, orientado pelo padre Manuel Afonso (Dir. Espiritual Seminário Maior de Braga e superior da comunidade Shalom de Braga). Uma proposta da Casa de Retiros do Seminário de Leiria aberta a todos para, juntos, “contemplarmos a vida na sua plenitude” Esta é uma oportunidade que nos é dada para O contemplarmos nessa imensidão de Amor, que nunca se esgota e está sempre presente na nossa vida. É um despertar para a contemplação da verdadeira Beleza, que é Jesus Ressuscitado, Vivo no meio de todos nós e em cada um em particular. O encontro será de 13 a 15 de Abril, no Seminário Diocesano de Leiria, As inscrições decorrem até ao dia 6 de Abril. Pela Organização Carolina Ângelo

Fé e Arte, um Diálogo de Séculos

“Rota da pedra lavrada” Na sequência das visitas organizadas pelo Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima, dando especial atenção ao diálogo entre a fé e a cultura, realizar-se-á, no próximo dia 24 de março, a quinta visita guiada ao património edificado da Diocese. Desta vez, seguiremos a “Rota da pedra lavrada” com visitas à Igreja Matriz da Batalha, capela de N. Sra. da Conceição, nas Brancas e Igreja Paroquial e Ermida de N. Sra. do Fetal, no Reguengo do Fetal que comemora, em 2012, 500 anos de freguesia. Convidamos todos os interessados a participar nesta visita que será acompanhada pelo Dr. Júlio Órfão. Para quem viajar de autocarro, este sairá do Seminário Diocesano, pelas 14h00 e o preço da viagem será de 7,5 euros. A concentração será às 14h45, junto à Igreja Matriz da Batalha. Para mais esclarecimentos, contacte-nos pelo telefone 962540255 ou pelo email: coelhomartins@iol.pt Pelo Departamento do Património Cultural Filomena Silva Martins

Acção de divulgação no Seminário

Queres conhecer o grupo missionário Ondjoyeto? O Grupo Missionário ONDJOYETU, da Diocese de Leiria-Fátima, irá promover uma acção de divulgação para todas as pessoas que se sintam especialmente interpeladas pela vocação missionária da Igreja e queiram conhecer melhor este grupo e o seu trabalho ou até vir a integrá-lo. Este encontro de apresentação decorrerá na próxima sexta-feira, dia 16 de Março, às 21h00 no Seminário de Leiria.

Visita Pastoral

Paróquia da Maceira Conforme anunciamos nas últimas edições o Bispo Diocesano D. António Marto está a realizar a Visita Pastoral na paróquia da Maceira, de 14 até ao dia 17 de Março.

O Mensageiro 15.Março.2012

Padre David Nogueira Ferreira com novas funções

Nomeado Pároco de Monte Real e Director do Serviço de Animação Missionária O Senhor Bispo de Leiria-Fátima nomeou o P. Dr. David Nogueira Ferreira, Pároco de Monte Real e Diretor do Serviço de Animação Missionária. O P. Dr. David Nogueira Ferreira tomará posse, da paróquia de Monte Real, no dia 18 de março durante a celebração da Eucaristia das 11h00. Substitui no cargo de Director do Serviço de Animação Missionária o P. Vítor José Mira de Jesus que foi enviado para prestar serviço missionário na Diocese do Sumbe, em Angola. Leiria, 8 de Março de 2012 P. Vítor Coutinho, Chefe de Gabinete Episcopal

Família há oito Séculos

Pontos luminosos Celebramos no dia 19 de Março, solenidade do glorioso Patriarca S. José, os 40 anos da inauguração do Mosteiro de Santa Clara e do Santíssimo Sacramento, em Monte Real. Dia de acção de graças e de louvor a Deus que, sem cessar, realiza maravilhas no meio do Seu Povo. Há 800 anos, se Clara tivesse decidido construir a sua casa sobre a fragilidade de um reino ou principado meramente humanos, possivelmente hoje não seria Santa Clara de Assis. Se há 80 anos uma jovem chamada Joaquina Marques Fragoso optasse por continuar a sua carreira de docente e edificasse a sua casa sobre a fragilidade do meramente normal e comum, possivelmente hoje não recordaríamos a Madre Maria Teresa do Menino Jesus, fundadora deste Mosteiro. Se a bela e nobre Clara tivesse restringido a sua vida a um pequeno círculo familiar, não celebraríamos hoje os oito séculos desta grande Família da Ordem das Clarissas. Se a Madre Maria Teresa não respondesse ao chamamento de Jesus e não desse o salto na fé, numa consagração total da sua vida a Deus, possivelmente hoje este mosteiro não existiria. Mas não. Clara e Joaquina tiveram o ensejo de edificar as suas vidas sobre a rocha firme e inabalável que é Jesus e o seu Evangelho. Ousaram olhar mais longe e imergiram-se numa realidade pejada de eternidade e de beleza divina. Um caminho sem retornos, semeado de

altruísmo e heroicidade que só os pobres de espírito e os puros de coração são capazes de percorrer. Duas figuras femininas deveras singulares que se deixaram apaixonar por Cristo e pelo Evangelho na mais profunda radicalidade. Com uma fé inabalável aceitaram sem qualquer hesitação o desafio que Deus lhes fez. Celebramos os oito séculos de vida desta grande Família das Clarissas nascida do incondicional Sim de Clara de Assis. Celebramos os 80 anos desse mesmo Sim da Madre Maria Teresa. Celebramos os 40 anos da inauguração do Mosteiro de Monte Real, nascido no Coração de Deus e que a Madre Maria Teresa concretizou no tempo e no espaço. 800 Anos! 80 anos! 40 anos! Datas que marcam a nossa história de Irmãs Clarissas e que estão intimamente ligadas ao número 40 tão presente na Sagrada Escritura que significa o tempo de Deus. Porque, na vida, não existem acasos mas em todos os acontecimentos está sempre a mão de Deus. “Deus disse a Abraão: Ergue os olhos para o céu e conta as estrelas, se fores capaz. Pois bem, será assim a tua descendência” (Gn 15,5). Ao fixarmos o nosso olhar no firmamento do nosso Deus também nós podemos contemplar essa estrela, Clara de Assis, e a miríade de outras estrelas que como ela continuam a reflectir na cidade dos homens o brilho e a beleza da Cidade de Deus. As Irmãs Clarissas são essa inume-

rável descendência que o Pai das misericórdias fez e faz nascer em cada dia no seio da sua Igreja. Alguém escreveu: Quando à noite o Pai olhar do céu para a terra pode contemplar uma plêiade de pontos luminosos que são os mosteiros onde Jesus, Luz do mundo, é continuamente adorado no Sacramento do seu Amor. Ponto luminoso é também este mosteiro porque nele há quarenta anos habita, dia e noite, o verdadeiro Sol, o Dia sem ocaso, Jesus Cristo. Esta é a única razão da sua existência, do valor da sua importância e da sua actualidade. Deste ponto luminoso que Deus quis acender no cimo “do Monte Real”. Traços simples, sem riquezas ou requintes arquitectónicos, o mosteiro é na verdade a casa de Deus e a porta do céu. A sua maior riqueza, o seu tesouro, a sua pérola preciosíssima é o Santíssimo Sacramento. Nele nos movemos, para Ele existimos, com Ele vivemos. É o mosteiro das mãos postas como a Madre Maria Teresa o designou.

Sim, mãos postas em adoração, louvor, súplica e intercessão por toda a humanidade. É na verdade ponto luminoso de esperança, clarão da presença do amor de Deus no meio do Seu Povo. Acreditamos que, na noite escura da humanidade, este mosteiro surge como pequeno ponto luminoso a reflectir a intensidade do seu brilho na imensidade do universo de Deus. No nosso mundo tantas vezes demasiado agitado, as comunidades monásticas, verdadeiros oásis do espírito, lembram-nos a necessidade do silêncio nas nossas vidas, para realizar em nós uma autêntica harmonia espiritual e desta forma voltar o nosso olhar para Deus. Mesmo que vivam num isolamento voluntário, na realidade estão no coração da Igreja, fazem correr nas suas veias o sangue puro da contemplação e do amor de Deus. Os mosteiros são oásis através dos quais Deus fala à humanidade” (Bento XVI). Irmãs Clarissas de Monte Real


DIOCESE 9

O Mensageiro 15.Março.2012

Leiria-Fátima em peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora

“Testemunhas de Cristo no mundo, a convite de Maria” A diocese de Leiria-Fátima vai realizar a sua 81ª peregrinação a Fátima, nos dias 24 e 25 de Março sob o tema “Testemunhas de Cristo no mundo, a convite de Maria”. Tema e programa inserem-se no presente ano pastoral e no itinerário de preparação para a celebração do Centenário das Aparições. Na sua carta pastoral para o presente ano, o bispo D. António Marto escreve: “Podemos associar-nos espiritualmente ao lema do Santuário para este ano: “Quereis oferecer-vos a Deus?”. É o pedido que Nossa Senhora faz aos pastorinhos e espera a resposta da nossa generosa disponibilidade aos desígnios de Deus para a salvação e a paz do mundo lacerado por injustiças, ódios e conflitos. A peregrinação diocesana no 5º Domingo da Quaresma há-de ajudar--nos a acolher o convite de Maria e a corresponder-lhe tornando-nos construtores de relações de paz, promovendo a reconciliação e a justiça e empenhando-nos na defesa do bem comum e da solidariedade”. Dia 24, sábado: Actividades para jovens e escuteiros orientados, respectivamente, pelo Serviço Diocesano de Pastoral Juvenil e a Junta Regional do CNE. Os programas específicos

são divulgados por estes organismos. No Domingo, integram-se na peregrinação geral com os outros fiéis, vivendo uma experiência da família eclesial diocesana. Dia 25, domingo: 8h00 - 9h00. – Confissões na Capela da Reconciliação, da Igreja da Santíssima Trindade 8h45 - Concentração e oração da manhã na igreja da Santíssima Trindade. 9h40 - Caminhada para a Capelinha e saudação a Nossa Senhora 10h00 - Oração do Rosário, celebração da Eucaristia e bênção dos doentes 14h30 - Evocação festiva no Centro Paulo VI, com apresentação multimédia e musical das paróquias que celebram 500 anos (Monte Real, Batalha e Reguengo do Fetal) e do Colégio de S. Miguel na comemoração dos seus 50 anos. A fim de congregar os peregrinos por vigararias com as bandeiras das paróquias e de outros organismos e entrarem juntos, as pessoas devem dirigir-se à porta indicada para a respectiva Vigararia, como segue: Do lado Norte (lado de Leiria) Colmeias: porta de S. Matias (13) Leiria: porta de S. Judas Tadeu (12)

Marinha Grande: porta S. Tomé (11) Milagres: porta S. Bartolomeu (10) Monte Real: porta S. André (9) Do lado Sul (lado de Fátima) Batalha: porta S. Simão (7) Fátima: porta S. Tiago Menor (6) Ourém: porta S. Mateus (5) Porto Mós: porta S. Filipe (4) No guião distribuído aos peregrinos vem um desenho da igreja com numeração e identificação das diferentes portas e indicação da que está atribuída a cada Vigararia. Como nos anos anteriores, estão a ser distribuídos um cartaz e um guião para que os peregrinos possam participar melhor nos diversos momentos da peregrinação. O guião inclui o anúncio solene a fazer nas comunidades cristãs, a oração para o início da caminhada, a via-sacra, meditações para a oração do rosário, orientações para a celebração da reconciliação, orações e cânticos. A caminhada espiritual anual dos católicos da Diocese até Fátima já vem desde 1932, dois anos após o bispo D. José Alves Correia da Silva ter declarado dignas de crédito as aparições da Virgem Maria na Cova da Iria. Padre Jorge Guarda, Vigário Geral

Encontro diocesano na comemoração do Dia de Baden Powell

“O sim de B.P.” juntou 1500 escuteiros no Arrabal

Fotos: DR

Mais um ano e mais um dia de Baden Powell (B.P.), sim esse Senhor que um dia plantou uma semente na Ilha de Brownsea e teve um crescimento exponencial no mundo inteiro. No passado dia 4 de Março, o agrupamento 1167 Arrabal e sua paróquia acolheram cerca de 1500 escuteiros católicos da região de Leiria que participaram nas comemorações do dia de BP, com o tema “O SIM de B.P.”, à semelhança do Sim de Maria mãe do escuta. Aproveitamos a oportunidade para reforçar o nosso compromisso com Deus, com a família e sociedade. É preciso que cada escuteiro diga Sim a todos os níveis de desenvolvimento: físico, afectivo, carácter, espiritual, inte-

lectual e social. O agrupamento1167 do Arrabal mobilizou-se inteiramente, para acolher as celebrações do grande dia, em estreita colaboração com a Junta Regional de Leiria e seus departamentos. Só unidos podemos realizar …. Promoveram atividades que se iniciaram logo pela manhã, com a Eucaristia presidida por D. António Marto, Bispo da diocese Leiria-Fátima, no pavilhão Polidesportivo do Arrabal, na qual estiveram também presentes o Presidente da Camara Municipal de Leiria, Raul Castro, Vereador da Cultura Gonçalo, Presidente da Junta de Freguesia Arlindo Brites, Comandante dos Bombeiros Paulo Sousa, Américo Oliveira primeiro

dirigente do Agrupamento 1167 e diversos representantes das associações da freguesia, bem como pais, amigos e restante paróquia. Foi um momento de partilha, grande alegria, para a região escutista de Leiria e para a freguesia do Arrabal. Tivemos oportunidade de acolher e dar a conhecer a nossa freguesia e a realidade local, aos diversos agrupamentos da diocese. Foi uma ocasião única para estreitarmos laços de amizade, desenvolvermos competências e partilhar vivências escutistas. Um dia repleto de actividades em honra do fundador do escutismo. Foi uma iniciativa muito positiva, apesar de S. Pedro assustar

alguns, estiveram quase todos. Ficaram satisfeitos, divertiramse, esse era o objectivo principal, cada secção cumpriu actividades diferentes baseadas em várias passagens da vida de B.P. Os pais e outros adultos também puderam viver o seu momento, num jogo com várias etapas realizadas para o efeito. Garanto que estiveram interessadíssimos e muito motivados. O serviço de restaurante foi assegurado pelos pais dos escuteiros do agrupamento, sob a coordenação da colaboradora Graça (cozinheira). A animação musical (eucaristia, cerimónia de abertura e encerramento) esteve a cargo dos elementos do Arrabal em

estreita colaboração com o clã Sto Agostinho, elementos do agrupamento de Monte Real e Sta. Catarina da Serra. Agradecemos a colaboração incondicional de todos, em especial aos elementos do agrupamento do Arrabal (pais e famílias), Sta. Catarina da Serra, Monte Real e Clã Sto. Agostinho, Junta freguesia do Arrabal e Caranguejeira, bombeiros da 6 ª Secção Sul, concelho de Leiria. “O melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes.” A mensagem é de B.P. Forte canhota. Mais próximo. Madalena Francisco (Chefe)


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O Mensageiro 15.Março.2012

Leituras | IV Domingo da Quaresma Janela Sobre a Missão (18/03/2012)

Antífona de Entrada: cf. Is 66, 10-11 Leitura I: 2 Cr 36, 14-16.19-23 Salmo Responsorial: Salmo 136 (137), 1-2.3.4-5.6 (R. 6a) Refrão: Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém, fique presa a minha língua. Repete-se Leitura II: Ef 2, 4-10 Aclamação ao Evangelho: Jo 3, 16; Refrão: Grandes e admiráveis são as Vossas obras, Senhor. Repete-se; Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito: quem acredita n’Ele tem a vida eterna. Refrão Evangelho: Jo 3, 14-21 Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus. Palavra da salvação.

Cânticos | V Domingo da Quaresma

(25/03/2012)

INÍCIO: Caminha povo de Deus - Lau 188 Congregados num só povo - Lau 237

Mudança de Missionários no Gungo A última semana foi marcada por duas alterações na constituição da equipa missionária. Após cerca de cinco anos e meio de trabalho missionário no Gungo, o Pe. David despediu-se desta comunidade e regressou a Portugal dia 8 de Março. Podemos dizer que a despedida se deu em vários momentos. Devido à extensão do Gungo, houve uma primeira despedida na aldeia do Uquende e outra na da Tuma. Nas duas, veio ao de cima o sentimento de gratidão a Deus e das pessoas ao padre David, e viceversa, por toda a vivência e partilha ao longo destes anos. Foram lidas mensagens de reconhecimento e cantados cânticos que foram teatralizados por vários grupos cuja existência e dinamismo muito se deveram ao trabalho missionário do Pe. David.

AO SABOR DA PALAVRA

SALMO RESPONSORIAL: Dai-me, Senhor - Lau 264 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Meu Deus na simplicidade - Lau 494 Pobres e fracos que somos - Lau 663 COMUNHÃO: Eu vim para que tenham vida - Lau 382 Eu sou o Bom Pastor - Lau 370 PÓS-COMUNHÃO: Glória ao Pai que nos criou - Lau 413 O Senhor salvou-me - Lau 609 FINAL: Dá-nos um coração - Lau 259 Não fiqueis tristes - Lau 511

MISSAS DOMINICAIS

Sábado 19h00 – Sé 19h30 – Franciscanos Domingo 08h30 – Espírito Santo 09h00 – Franciscanos 09h45 – Paulo VI 10h00 - S. Francisco 10h30 – Franciscanos 10h00 – S. Romão 11h00 – S. Agostinho 11h00 – Hospital 11h30 – Cruz da Areia 11h30 – Seminário e Sé 18h30 – Sé 19h30 – Franciscanos 21h30 – Sª Encarnação

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

4º Domingo da Quaresma 18 de Março de 2012

Tomar iniciativas

A vida eterna é uma dádiva total e incondicional de Deus. A 1ª leitura, do Livro das Crónicas relata-nos o período que os judeus viveram no exílio, uma espécie de sábado: tempo de expiação e renovação: a destruição de Jerusalém, o incêndio do Templo e a deportação do Povo de Deus para a Babilónia são vistas pelo Cronista como o resultado lógico dos

Um outro momento de despedida aconteceu na igreja da Pedra Um, paróquia onde está construída a casa da Missão do Ondjoyetu na cidade do Sumbe. Por várias razões existe uma relação próxima entre a equipa missionária e esta comunidade. Esta também quis ter um gesto de gratidão para com o Pe. David pelo grande contributo que deu para a colocação do telhado daquela igreja, algo por que esta comunidade esperava havia vários anos. Sentimos que não foi fácil ao Pe. David esta despedida pois se ele foi provado por muitas dificuldades ao longo do seu tempo de missão, também por isso mesmo se sentiu mais ligado àqueles por quem e com quem sofreu. Parabéns Pe. David pelo teu testemunho e entrega à missão. No mesmo dia desta partida, uma hora depois, chegava a Elsa Pedro, uma

jovem de 24 anos, residente na paróquia dos Milagres. Já em 2010 ela tinha estado em missão no Gungo durante dois meses, no tempo das suas férias escolares. Agora, que terminou o seu curso de fisioterapeuta, disponibilizou-se para vir como missionária leiga voluntária por um período de oito meses. Também a esta jovem agradecemos a sua disponibilidade e testemunho de desprendimento que a fazem deixar tudo para cumprir o mandato missionário de Jesus. Ainda que as pessoas vão mudando, o programa de trabalhos continua no seu ritmo porque há sempre um fio condutor que liga toda esta acção. No dia seguinte à sua chegada a Angola a Elsa já subiu com a equipa para o Gungo, mais concretamente até à sede da missão, na Donga. Por aqui vai ficar durante três semanas, integrando-

-se no trabalho da Pastoral da Criança. Neste momento estamos a concluir a primeira cisterna na aldeia do Uquende, no contexto da campanha dos “Presentes Solidários”, levada a cabo no Natal. A moagem também está a beneficiar dos últimos retoques e nesta semana começa a trabalhar a título experimental. Também nesta semana 22 catecúmenos vão reunir--se na Donga durante três dias num retiro que será mais um importante passo em direção ao baptismo que, se Deus quiser, irão receber na próxima Páscoa. Algo que nos alegra e dá força nesta missão que Deus nos chama a cumprir é sentir que temos muita gente que nos acompanha de vários modos e assim sabemos que esta missão não é apenas dos que cá estamos mas de todas essas pessoas.

pecados da nação. A “terra de Deus”, martirizada pela injustiça e pelo pecado, deve descansar durante setenta anos, até que seja renovada e volte a ser de novo a “casa” do Povo de Deus. Quando o homem prescinde de Deus e escolhe caminhos de egoísmo e de auto-suficiência, está a construir um futuro marcado por horizontes de dor e de morte. A nossa experiência de todos os dias mostra como a indiferença do homem face a Deus e às suas propostas gera violência, opressão, exploração, exclusão, sofrimento. E apesar disso Deus oferece ao seu Povo a oportunidade de um novo começo, mantendo viva a esperança. De acordo com a carta que S. Paulo escreve aos Efésios, Deus ofereceu uma nova vida ao homem, ressuscitando-o e sentando-o com Cristo no céu. A salvação não é uma conquista do homem, nem resulta das obras ou dos méritos do homem, mas é puro dom de Deus. Deus introduz na nossa

realidade humana dinamismos de superação e de vida nova que apontam para o homem novo, livre das limitações, da debilidade e da fragilidade. Aqueles homens e mulheres que acolheram o dom de Deus são chamados a dar testemunho de um mundo novo, livre do sofrimento, da injustiça, do egoísmo, do pecado. Por isso, os crentes têm de anunciar e de construir um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano. No Evangelho, Jesus descreve a Nicodemos o projecto de salvação de Deus: é uma iniciativa do Pai, tornada presente no mundo e na vida dos homens através do Filho e que se concretizará pela cruz/exaltação de Jesus. Jesus, o “Filho único” enviado pelo Pai ao encontro dos homens para lhes trazer a vida definitiva, é o grande dom do amor de Deus à humanidade. O Messias não veio com uma missão judicial, nem veio excluir ninguém da salvação. Pelo contrário, Ele veio oferecer aos homens – a todos os

homens – a vida definitiva, ensinando-os a amar sem medida e dando-lhes o Espírito que os transforma em Homens Novos. O amor de Deus traduz-se na oferta ao homem de vida plena e definitiva. É uma oferta gratuita, incondicional, absoluta, válida para sempre e que não discrimina ninguém. Aos homens – dotados de liberdade e de capacidade de opção – compete decidir se aceitam ou se rejeitam o dom de Deus. Às vezes, os homens acusam Deus pelas guerras, pelas injustiças, pelas arbitrariedades que trazem sofrimento e morte que pintam as paredes do mundo com a cor do desespero… O nosso texto, contudo, é claro: Deus ama o homem e oferece-lhe a vida. O sofrimento e a morte não vêm de Deus, mas são o resultado das escolhas erradas feitas pelo homem que se obstina na auto-suficiência e que prescinde dos dons de Deus. Somos dignos da missão, da confiança que Jesus põe em nós?


PORTUGAL 11

O Mensageiro 15.Março.2012

A LOC/MTC (Movimento de Trabalhadores Independentes) vai promover, neste mês de Março, três Encontros Interdiocesanos com o objectivo de debater, aprofundar e procurar respostas para as situações de desemprego massivo, de trabalho cada vez mais precário e mercantilizado, bem como das migrações e mobilidade a que os trabalhadores e as suas famílias estão cada vez mais sujeitos. A preparação destes Encontros começou nas equipas de base, através de Revisões de Vida, onde foram partilhadas situações concretas de pessoas ou famílias a viverem realidades. Destas reflexões sobressaem situações de cada vez mais famílias com membros desempregados, com um aumento acentuado do seu empobrecimento que leva a deixarem de ter possibilidades financeiras para o acesso aos bens alimentares, à saúde, à educação, à habitação, dentro do mínimo necessário para

DR

“Debater, aprofundar e procurar respostas para as situações de desemprego massivo”

se viver com dignidade; no aumento da incerteza, do medo e da insegurança sobre o futuro, porque a facilidade para despedir e a precariedade e baixos salários dos novos empregos mostram uma realidade com tendência a piorar as suas condições de vida. As “fatalidades” deste tempo que vivemos têm de ser fortemente contrariadas por quem acredita na Justiça e no Amor de Deus. O tempo litúrgico da Quaresma desperta nos homens e nas mulheres de fé a necessidade da conversão e da mudança. Do profeta Isaías vem-nos o desafio de fazer do jejum um meio de romper com as ligaduras da

iniquidade e de desatar os nós do jugo e da opressão, fazendo repartir por todos o pão do trabalho e da fraternidade. As prioridades no debate e na acção política e sindical têm de incluir a urgência de implementar um novo modelo de desenvolvimento económico, promotor da valorização do trabalho humano e da justa remuneração de quem o executa; assente na conciliação entre a vida profissional e a vida familiar; privilegiando mais equidade social, melhor redistribuição das riquezas e mais respeito pelo meio ambiente e pela natureza. Porque consideramos

premente o envolvimento de todos quantos sentem a sua vida afectada pelas realidades deste tempo, e conscientes da importância da formação e da informação para um maior estímulo à intervenção cívica, estes encontros serão mais uma etapa para incentivar a acção individual e colectiva dos membros e dos grupos do Movimento. O Encontro da Zona Centro será no dia 17 de Março, na casa das Irmãs Dominicanas em Aveiro, rua de Espinho (animador da reflexão – Rogério Roque Amaro, economista e professor no ISCTE). O Encontro da Zona Sul será no dia 18 de Março, no Centro Paroquial do Montijo (animador da reflexão – Alfredo Bruto da Costa, Professor e presidente da CNJP). Na Zona Norte, o encontro será no dia 25 de Março, no Centro Cultural e Pastoral Diocesano de Braga, rua de S. Domingos (animador da reflexão – Abel Pinto, economista e membro da CDJP de Coimbra).

Conferência Episcopal apela à dádiva de sangue

“Dar sangue é oferecer a própria vida” O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) apelou, em comunicado, à dádiva de sangue, após os alertas deixados neste sentido pelos responsáveis nacionais. “Tendo em conta a falta de sangue que se tem verificado nos hospitais, os bispos de Portugal exortam a que os potenciais doadores exercitem este grande acto de generosidade, recorrendo a um centro de sangue do hospital da sua zona”, refere um comunicado da CEP enviado à Agência ECCLESIA. O documento assinala

que, “de algum modo, dar sangue é oferecer a própria vida, um magnífico gesto de altruísmo e fraternidade solidária”. O presidente do Instituto Português do Sangue disse que os stocks de sangue não estão em situação de ruptura e que os hospitais estão a ser abastecidos, mantendo o apelo para que os portugueses continuem

a doar sangue. “Não podemos dizer que existe qualquer situação dramática ao nível dos stocks de sangue neste momento. Não existe de todo”, declarou Helder Trindade, em declarações à Lusa. Segundo este responsável, estão disponíveis para já “as reservas habituais de sangue para esta época”, admitindo que se está a atravessar uma fase em que “tem havido menos dádivas”. O Conselho Permanente é um órgão delegado da assembleia dos bispos católicos, com funções de preparar os seus traba-

lhos e dar seguimento às suas resoluções, reunindo ordinariamente todos os meses. Os bispos que constituem o Conselho Permanente da CEP reuniram-se hoje em Fátima para preparar a próxima assembleia do episcopado, em Abril. A Assembleia Plenária, órgão máximo do episcopado, vai reunir-se entre 16 e 19 de Abril para quatro dias de trabalhos inaugurados, pelas 16h00, com o discurso do presidente da CEP, D. José Policarpo, cardealpatriarca de Lisboa.

BREVES

DR

Encontros Interdiocesanos de Formação

Conselho Nacional de Pastoral Juvenil em Fátima

“Desafios e perspectivas da pastoral juvenil no mundo actual”

Nos próximos dias 16 e 17 de Março, o Conselho Nacional de Pastoral Juvenil reúne em Fátima com todos os directores diocesanos, respectivos assistentes e movimentos juvenis. Em informação enviada à Sala de Imprensa do Santuário de Fátima, a organização informa que “o Conselho é um fórum privilegiado de debate, estudo, actualização dos anseios dos jovens, dos seus ambientes e das propostas pastorais mais adequadas para promover a comunhão de diversidades, o aprofundamento de conteúdos e acções concretas relativos aos jovens”. “Desafios e perspectivas da pastoral juvenil no mundo actual” é o tema proposto à reflexão do Conselho, que reúne na Casa de Nossa Senhora das Dores, no Santuário de Fátima. O encontro inicia às 21h30 de sexta-feira, dia 16, com a saudação do director do Departamento Nacional de Pastoral Juvenil (DNPJ), padre Eduardo Novo. Segue-se a intervenção do sacerdote salesiano, padre Rui Alberto, sobre o tema “A Pastoral Juvenil no contexto da ‘Nova Evangelização’”. Na manhã do dia seguinte, D. Ilídio Leandro, bispo de Viseu e membro da Comissão Episcopal do Laicado e Família, falará ao grupo sobre “Novos Desafios ‘Evangelizar é a missão’”. Durante esta reunião serão ainda apresentados o Projecto do Plano Pastoral do DNPJ para o triénio 20122015, e as várias actividades previstas para médio prazo, tais como o Fátima Jovem 2012, o Festival da Canção Religiosa e o Festival Jota, sem esquecer a perspectivação da Jornada Mundial da Juventude 2013.

FEC promove ciclo de conversas

“Alternativas em debate” O grupo “Alternativas - Cristianismo e Mudança”, uma iniciativa da FEC - Fundação Fé e Cooperação (ONGD), que reúne diferentes personalidades e organizações de entidade cristã, está a promove conversas abertas, ao fim da tarde, durante o mês de Março, na Livraria Ferin, no Chiado. Uma proposta para o tempo de Quaresma, que quer pensar o desenvolvimento humano tendo a cidadania global como chave de leitura. Descobrir novos caminhos para a economia comum e para o bem-estar de cada pessoa e das comunidades. Parar e olhar para os sinais dos tempos e as inquietações da actualidade. Redescobrir o potencial de cada pessoa e o seu papel na sociedade. Convidadas várias pessoas de diferentes áreas, que darão um olhar cruzado sobre a realidade e perspectivas reflectidas de acção. As próximas conversas, com entrada gratuita, estão agendadas para: 20 de Março (terça-feira), 18h00 (Cristianismo e Mudança: inquietações comuns, diversidade de respostas) e 30 de Março, (sexta-feira), 18h00 (Das nossas acções ao Desenvolvimento Global: entre as políticas e a participação).


12 MUNDO

BREVES ONU

Santa Sé lamenta violência contra crianças no mundo O representante da Santa Sé no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, Suíça, manifestou a sua preocupação pela violência exercida contra as crianças no mundo. D. Silvano Tomasi afirmou que 300 mil crianças estão envolvidas actualmente em mais de 30 conflitos armados e que a maioria dessas crianças é recrutada de modo “brutal”. Numa intervenção proferida na 19ª sessão do conselho, hoje enviada à Agência ECCLESIA, o arcebispo italiano destacou ainda que há 215 milhões de crianças que trabalham, 115 mil das quais em trabalhos perigosos. O prelado manifestou preocupação pelo bem-estar físico, psicológico e espiritual dos menores, encorajando a ratificação do Protocolo Opcional à Convenção de Direitos Humanos da Criança. “Cada membro da família humana deve dividir a responsabilidade para proteger as crianças, garantindo-lhes o direito a dignidade”, disse. A respeito do problema da pedofilia, o representante da Santa Sé sustentou que a Igreja Católica está a tomar medidas contra os abusos dentro da instituição. Noutra intervenção, no Conselho dos Direitos Humanos da ONU, D. Silvano Tomasi abordou a discriminação e violência de género, sublinhando que os princípios proclamados na Declaração Universal dos Direitos do Homem já abrangem tais questões e garantem que não deve existir qualquer discriminação. “As novas tentativas de criar direitos para as minorias, para pequenos grupos, não vão na direcção correcta”, alertou o arcebispo, para quem “os direitos particulares vão enfraquecer o princípio da universalidade dos direitos”. “Este é o ponto crucial a ser levado em consideração”, observou, antes de criticar a introdução do “matrimónio entre pessoas do mesmo sexo”, por considerar que se trata de “uma interpretação nova desta instituição”.

Cáritas internacional apresenta relatório

“Rosto feminino da migração” A confederação internacional da Cáritas, organização católica para a solidariedade e ajuda humanitária, revelou um relatório sobre o “rosto feminino da migração”, alertando para a saída forçada de 100 milhões de mulheres dos seus países. No documento, publicado por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado no passado dia 8, a instituição lamenta a falta de sistemas eficazes para evitar a exploração e os maus-tratos. “É preciso mudar urgentemente a nossa maneira de pensar a emigração feminina, porque os sistemas existentes fracassam ao não protegê-las”, afirma Martina Liebsch, directora na ‘Caritas Internationalis’. Segundo esta responsável, os maus-tratos às mulheres migrantes são, muitas vezes, “invisíveis” e ocorrem no serviço doméstico, para além dos problemas criados pelo tráfico de pessoas e a prostituição. A Cáritas pede que as mulheres possam emigrar em condições de segurança e protecção, sublinhando que, em muitos casos, os filhos das migrantes ficam com outros familiares e crescem sem as suas mães.

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Iniciativa do Vaticano quer promover diálogo para “cultura da legalidade”

“Pátio dos Gentios” A cidade italiana de Palermo vai receber a 29 e 30 de Março a próxima sessão do ‘Pátio dos Gentios’, tendo como pano de fundo a influência da Mafia e a pluralidade de culturas. A iniciativa do Conselho Pontifício da Cultura (CPC), destinada ao diálogo com os não crentes, vai ser dedicada ao tema ‘Cultura da legalidade e sociedade multirreligiosa’, refere o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC). “O diálogo entre as religiões e o diálogo interreligioso e intercultural constituem um recurso crucial” para ampliar “a cultura da legalidade e para contribuir para reforçar o tecido democrático e espiritual” da ilha, refere o texto de lançamento do encontro. Segundo a Santa Sé, este é um compromisso “urgente e nobre”, tendo em conta que “a Mafia, também graças à crise económica mundial, se tornou

a primeira empresa italiana em facturação”, tendo-se transformado num “inquietante” actor global com “fortes ramificações na Europa, América e Ásia”. O documento recorda que Palermo, principal cidade da Sicília, é a “a capital da Mafia” mas é também “a cidadesímbolo da luta contra a Mafia”, já que nela foi assinada, em Dezembro de 2000, a Convenção das Nações Unidas contra a criminalidade organizada internacional. Em Palermo e na Sicília, o ‘Pátio dos Gentios’, que em Novembro chega a Guimarães, coloca no centro dois valores fundamentais: a Justiça, na união entre moralidade e legalidade, e a tradição multirreligiosa e multicultural que distinguiu a ilha mediterrânica. Para o presidente do

CPC, “o encontro entre crentes e não crentes ocorre quando se deixam para trás apologéticas ferozes e dessacralizações devastadoras”. O cardeal italiano Gianfranco Ravasi pede aos participantes para serem coerentes “com a sua visão do ser e da existência, sem deformações sincretistas ou aproximações propagandísticas”. Bento XVI visitou a Sicília em Outubro de 2010, tendo deixado por palavras e gestos simbólicos contra

a Mafia, que qualificou como “um caminho de morte, incompatível com o Evangelho”. Antes do regresso a Roma, no caminho para o aeroporto, Bento XVI quis que o cortejo parasse em Capaci, no local onde aconteceu o atentado contra o juiz Giovanni Falcone, depositando ali uma coroa de flores e rezando em silêncio, em memória de todas as vítimas de organizações mafiosas e da criminalidade organizada.

Bento XVI encontrou-se com o líder da Igreja Anglicana

Católicos e anglicanos reforçam “elo de ligação” Bento XVI e o primaz da Igreja Anglicana, arcebispo Rowan Williams, reforçaram a aposta no diálogo ecuménico, durante uma homenagem ao Papa São Gregório Magno, responsável pela cristianização de Inglaterra a partir do século VI. A iniciativa teve lugar no mosteiro camaldulense de Monte Célio, em Roma, local de onde, por iniciativa do histórico Papa italiano, partiu Santo Agostinho da Cantuária, acompanhado por outros 40 monges, para evangelizar a nação anglo-saxónica. Na oração de vésperas que preencheu o evento, Bento XVI destacou a importância do mosteiro en-

quanto “local de nascimento de um elo entre a Igreja de Roma e o Cristianismo da Inglaterra”. Uma ligação que, segundo o Papa, começou a ser reforçada “especialmente a partir do Concílio Vaticano II” e que hoje já faz parte da “tradição” das duas Igrejas. De acordo com o serviço de informação da Santa Sé, o encontro entre Bento XVI e o arcebispo da Cantuária foi o terceiro do género a ter lugar naquele local de culto, depois de João Paulo II se ter reunido com os arcebispos Robert Runcie, em 1989, e George Carey, em 1996. “Espero que a nossa presença aqui permaneça não só com um sinal de en-

contro fraterno mas como um estímulo para todos os fiéis, tanto católicos como anglicanos, rumo à unidade”, sublinhou Bento XVI. Para o primaz da Igreja Anglicana, “é sempre bom tocar o solo onde começou a missão cristã de Inglaterra” e “honrar a história de figuras como São Gregório e Santo Agostinho”. “Temos um antepassado comum que nos dá uma relação de familiaridade e estamos a trabalhar para que essa relação seja de novo plena, sacramental e visível”, salientou o responsável anglicano, que vai permanecer mais dois dias na capital italiana. Antes da oração de vésperas, o dia ficou marcado

por uma audiência privada entre os dois líderes religiosos, que foi pautada pela abordagem à situação dos cristãos no Médio Oriente e pela preparação do Sínodo para a Nova Evangelização, que vai decorrer no mês de Outubro, no Vaticano. Ainda no plano das relações ecuménicas, o Vaticano revelou que o coro anglicano da abadia de Westminster (Londres) vai cantar com o coro da Capela Sistina na solenidade litúrgica dos Santos Pedro e Paulo, a 29 de junho, no Vaticano. É a primeira vez, em 500 anos, que o coro pessoal do Papa vai cantar em conjunto com outro coro.


OPINIÃO 13

O Mensageiro 15.Março.2012

LUZ ENTRE OS HOMENS

Pe Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

Uma ideia para repensar a catequese http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

N

o sábado, 10 de março, assisti em Fátima a um painel sob o título “Por um projeto de pastoral integrada: Família, Escola e Paróquia”. Um dos intervenientes falou da catequese familiar e do caminho que essa iniciativa está a fazer com o objetivo de envolver

RECORTES

Henrique Raposo

Cronista do Expresso

Mulheres, uni-vos!

E

ra uma vez um escriba que trabalhou uma temporada na Alemanha. No primeiro dia, como bom português, o escriba não saiu à hora certa. Ficou a trabalhar até tarde. No dia seguinte, o chefe chamouo: “Heinrich Raposieren, não voltas a fazer isso; se

a família na catequese dos filhos participando ativamente no conhecimento e na experiência da fé integrados na comunidade paroquial e com o apoio desta. Foi neste ambiente que me surgiu a ideia que aqui partilho. Devo dizer que participei na elaboração dos catecismos da segunda fase que estavam em uso até há pouco. São conhecidas as dificuldades e a difusa sensação de insucesso do atual projeto de catequese da infância e adolescência com a duração de 10 anos. Ouvem-se com frequência sacerdotes, catequistas e pais a queixarem-se de que o percurso é excessivamente longo e que a sua associação à escolaridade obrigatória não favorece o específico da educação cristã que se pretende. Por vezes faltam catequistas para garantir o funcionamento de todos os anos e ainda há paróquias sem o percurso completo. Aqui e ali, procuram-se variantes no método e nos

conteúdos para tornar mais atrativa a experiência catequética. Não seria o caso de repensar a catequese como se pratica hoje, em ordem a torná-la mais frutuosa, ainda que mais reduzida nos anos de duração. Qual é a ideia que proponho? Que a iniciação cristã das crianças e adolescentes dure apenas 5 anos. Começaria na idade escolar com a apresentação das crianças pelos pais na comunidade paroquial. O primeiro ano ficaria ao cuidado dos pais que, apoiados pelos catequistas, deveriam iniciar as crianças no conhecimento de Deus e nas orações cristãs no ambiente familiar. Nos dois anos seguintes, as crianças frequentariam a catequese paroquial conhecendo Jesus, aprendendo a relacionar-se com ele e descobrindo a Bíblia como palavra de Deus; depois, aprenderiam os conteúdos essenciais da fé cristã. Esta primeira fase concluir-se-ia com a profissão de fé, evocando e renovando a graça

recebida no batismo. O terceiro ano seria dedicado à iniciação aos sacramentos, à oração e à espiritualidade cristã; nesse ano, não necessariamente no fim, seria feita a primeira comunhão. O quarto ano seria dedicado à dimensão vocacional e seu amadurecimento, em ordem a preparar os jovens cristãos para viverem a sua fé no dia a dia e a inserirem-se na comunidade cristã; nele seria celebrado o sacramento do crisma, completando-se assim a iniciação cristã. Após esta fase, o acompanhamento dos adolescente e dos jovens seria garantido pelas comunidades cristãs mediante as múltiplas iniciativas de uma criativa e variada pastoral da adolescência e da juventude. Contribuiriam nesse sentido as propostas dos movimentos eclesiais, de grupos e das comunidades cristãs. Durante a juventude, deveria haver a proposta de um novo itinerário de formação cristã que

não fazes o teu trabalho até às quatro e meia, então, não sabes trabalhar”. Ao início, o escriba não encaixou aquele rigor, e participou na indignação portuguesinha que recebia via telefone: “epá, estes tipos são mesmo frios”. Mas o tempo, a vidinha e a fruição do horário 8h-16h mudaram a perspectiva do pobre escriba. Nesta saga luso-germânica, o alemão é que tinha razão. O Herr chefe limitou-se a colocar o dedo na ferida de uma nobre tradição portuguesa: estar muitas horas no trabalho não é o mesmo que trabalhar durante muitas horas. Naquele dia, o escriba passou muito tempo a beber bicas colectivas (com as eslavas), a cochichar e a facebookar (um cochicho armado aos cucos). Resultado? Ficou a trabalhar até às tantas para compensar as horas perdidas. Durante muito tempo, o escriba pensou que o reparo do Herr chefe estava relacionado apenas com a

produtividade. Mais uma vez, o escriba estava errado. A Mãe e a Família também estavam presentes naquele choque tuga-teutónico. Não é difícil perceber porquê. O horário de trabalho em Portugal é o horário do solteirão inveterado. Acorda-se tarde, começa-se a trabalhar tarde, trabalha-se até tarde, marcam-se reuniões para as 7 da tarde. É como se toda a gente trabalhasse na redacção de um jornal diário. Este dia-a-dia pode ser perfeito para o Don Juan trintão, mas é infernal para a mulher com filhos e, sobretudo, para a mulher que quer ter filhos. A gravidez, a licença de parto e o filho são três figuras que não rimam com este quotidiano feito à medida do marmanjo com cromossoma Y e hábitos de noctívago: “os bifes vão para a cama às dez e meia. Que totós!”. Repare-se que não é uma questão

de ritmo, mas de horário. O ritmo de trabalho do Herr chefe é frenético, mas acaba às quatro da tarde. O resto da tarde é da família e, já agora, da pirâmide demográfica. Uma sociedade que transforma a gravidez numa ameaça para a própria mulher já não é bem uma sociedade. É um suicídio demográfico em câmara lenta e sem banda sonora. Sim, sem banda sonora. Não há um acorde de preocupação sobre este assunto. Aliás, o melhor comentário que o escriba já ouviu sobre o “inverno demográfico” português veio da boca de um indivíduo que come salsicha com couve todos os dias. O Herr chefe não é tão frio como parece. Nós, com a nossa bravata latina, festiva e machona, é que estamos a ficar frios. Demograficamente frios. Demograficamente fritos.

atualizasse a iniciação feita na infância. Poderia ter a duração de apenas um ano mas abarcando as várias dimensões da fé e da vida cristã, com especial destaque para a vocação e missão no mundo e na Igreja. Por fim, também na idade adulta, haveria o acompanhamento e apoio formativo variado mediante propostas oportunas de comunidades, grupos e movimentos. Como na fase juvenil, deveria haver uma nova proposta de itinerário de renovação da formação cristã, dirigida a todos, englobando as várias componentes do catecismo cristão numa visão adulta. Para ser viável, não poderia ter a duração de mais de um ano. Como a anterior, na juventude, além de catequeses, deveria incluir celebrações e momentos de experiência espiritual. Teria que incluir os principais desafios e provas por que passam os adultos cristãos na sua vida familiar, profissional e social.

Todo este itinerário deveria ser acompanhado pelas comunidades cristãs e incluir a revalorização da celebração dominical da Eucaristia. Por outro lado, é indispensável desenvolver em todas elas um ambiente fraterno caloroso, relações de amor recíproco e de entreajuda e múltiplos serviços e experiências espirituais. As paróquias não poderão reduzir-se a centrais de serviços religiosos. Deverão tornar-se autênticas comunidades de pessoas, onde todos têm voz e vez e onde podem encontrar um ambiente familiar que favoreça o crescimento até à plena maturidade espiritual. Assim brilhará nelas a luz de Cristo e os homens serão atraídos para desejarem partilhar a vida cristã.

Ficha de Assinatura Assinaturas normal/benfeitor: 20/40 Euros (Nacional), 30/60 euros (Europa) e 40/60 (Resto do Mundo) Nome: ___________________________________________ ____________________________________________ Rua: _____________________________________________ _______________ N.º _______________ Localidade: ____________________________ C. Postal: _____ - ____________________ Telf.: _______________________________ E-mail:___________________________@_______________ Enviar esta ficha, recortada ou fotocopiada, para: O Mensageiro - Lg. Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA ou forneça-nos os seus dados através do endereço de correio electrónico jornal@omensageiro.com.pt


14 INSTITUCIONAL CARTÓRIO NOTARIAL A CARGO DA NOTÁRIA ANA PAULA PINTO ALVES CERTIDÃO Nos termos do artigo n.º 100º do Código do Notariado, CERTIFICO, PARA EFEITOS DE PUBLICAÇÃO, que por escritura lavrada no dia nove de março de dois mil e doze, exarada a folhas cento e dezassete e seguinte do livro de notas para escrituras diversas número Dois, deste Cartório Notarial, sito na Avenida Marquês de Pombal, Galerias S. José, lote doze, Loja H, na cidade de Leiria, a cargo da notária, Ana Pala Pinto Alves, os outorgantes: DIAMANTINO FRANCISCO MARTO, contribuinte número 132 569 205, e cônjuge, MARIA EUGÉNIOA MARTINS ALVES MARTO, contribuinte número 132 569 191, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, como declararam, naturais, ele da freguesia de Milagres, concelho de Leiria e ela da freguesia de Sacavém, concelho de Loures, residentes na rua Central, n.º 219, Texugueira, freguesia de Bidoeira de Cima, concelho de Leiria, declararam: Que, com exclusão de outrem, sã donos e legítimos possuidores, de metade, única parte que possuem, o que declaram sob sua inteira responsabilidade, do prédio rústico, sito em glebas, freguesia de Bidoeira de Cima, concelho de Leiria composto de pinhal e mato, com a área de três mil metros quadrados, a confrontar de norte com Aires Fernandes Lisboa, de sul com Aires Fernandes Lisboa, de nascente cm Aires Fernandes Lisboa e de poente com Fernando Silva, inscrito na respectiva matriz, na indicada proporção de metade, em nome de Joaquim da Silva, sob o artigo número 1606. Que o indicado prédio se encontra descrito na Segunda Conservatória do Registo Predial de Leiria sob o número mil setecentos e cinquenta e três da dita freguesia de Bidoeira de Cima, não se encontrando no entanto lá inscrito o direito que lhes pertence. Que entraram na posse do identificado bem, na indicada proporção, em data que já não sabem precisar mas que se situa por volta do ano de mil novecentos e oitenta e oito, já no estado de casados, através de uma compra meramente verbal que, na indicada proporção de metade, ajustaram fazer ao referido Joaquim da Silva e cônjuge, Maria de Jesus, residentes que foram e Bidoeira de Baixo, mencionada freguesia de Bidoeira de Cima, compra essa que não lhes foi nem é agora possível titular por escritura pública, dado o falecimento dos vendedores. Desde a mencionada data tomaram a posse efectiva do aludido prédio, na indicada proporção de metade, tendo vindo desde então a gozar, em conjunto com os restantes proprietários, atualmente Carina Alves Marto, casada, residente na rua das Cabeças Redondas, Barosa, Leiria, todas as utilidades por ele proporcionadas, nele praticando os actos materiais de fruição e conservação correspondentes ao direito de propriedade, designadamente, vendendo árvores para corte, limpando o mato e avivando as estremas, tudo na convicção plena que sempre tiveram e têm de ser de facto proprietários na indicada proporção de metade. Todos estes actos de composse foram, como se disse, praticados pelos justificantes, em nome próprio e pessoalmente, durante mais de vinte aos, sem interrupção e ostensivamente, com o conhecimentos e o acatamento de toda a gente da região, sendo por isso uma posse pacífica, contínua e pública, que conduz à aquisição por usucapião, que expressamente invocam, não tendo os justificantes, dado o modo de aquisição, documentos que lhes permitam fazer a prova do seu direito de propriedade plena, na indicada proporção de metade, pelos meios extrajudiciais normais. Leiria, nove de Março de dois mil e doze A Notária, (Ana Paula Pinto Alves)

CEDILE Telefone 244 850 690

O Mensageiro 15.Março.2012

CARTÓRIO NOTARIAL DA BATALHA Notária: Sónia Mansa Pires Vala Certifico, para fins de publicação, que por escritura lavrada hoje, exarada de oito a folhas nove, do Livro Cento e Oitenta - 13, deste Cartório. António de Jesus Rosa, NIF 162 696 981 e mulher Conceição das Neves Ribeiro Rosa, NIF 199 169 020, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho de Leiria, onde residem na Rua Fernando Moniz, n°3, no lugar de Loureira, declaram que, com exclusão de outrem são donos e legítimos possuidores do prédio rústico, composto de terra de semeadura, com a área de quinhentos e sessenta e cinco metros quadrados, sito em Fazarga, freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho de Leiria, a confrontar de norte e de nascente com Conceição das Neves Ribeiro, de sul com Maria Emília de Jesus Rosa e de poente com Rua Nova da Fazarga, não descrito na Segunda Conservatória do Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz predial rústica sob o artigo 11.234, com o valor patrimonial de 310,00. Que, adquiriram o identificado prédio no ano de mil novecentos e oitenta, por doação verbal de João Rosa e mulher Maria Inácia de Jesus, pais do justificante marido, residentes que foram no lugar de Loureira, Santa Catarina da Serra, Leiria, não dispondo os justificantes de qualquer titulo formal para o registar na Conservatória, mas desde logo entraram na posse e fruição do mesmo. Que em consequência daquela doação verbal, possuem o identificado prédio em nome próprio há mais de vinte anos sem a menor oposição de quem quer que seja desde o seu inicio, posse que sempre exerceram sem interrupção e ostensivamente com o conhecimento de toda a gente e a prática reiterada dos actos habituais de um proprietário pleno, com o amanho da terra, recolha de frutos, conservação e defesa da propriedade, pagamento das contribuições e demais encargos, pelo que, sendo uma posse pacífica, contínua, pública e de boa fé durante aquele período de tempo, adquiriram o referido prédio por usucapião. Batalha, sete de Março de dois mil e doze. A funcionária com delegação de poderes, (Liliana Santana Santos) Liliana Santana dos Santos - 46/4

Telemóvel: 917 511 889 Telefone: 244 828 450 Fax: 244 828 580 Rua Machado Santos, n.º 33 2410-128 LEIRIA

Telefones: BARREIROS (sede): 244 840 677 JUNCAL: 244 470 610 Fernando - 919 890 630

F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes

Rua João de Deus, 25- 1º Dt. - LEIRIA CONSULTAS COM HORA MARCADA 2ª, 4ª e 5ª: 11h-13h e 15h-19h, 3ª: 10h-13h e 15h-19h, Sábados: 9h30-15h Tel. 244 832406

ECOGRAFIA / DOPPLER / ECOCARDIOGRAFIA TAC / MAMOGRAFIA / RX / OSTEODENSITOMETRIA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA ARTICULAR

CARTÓRIO NOTARIAL DA BATALHA Notária: Sónia Mansa Pires Vala Certifico, para fins de publicação, que por escritura lavrada hoje, exarada de dez a folhas dez, do Livro Cento e Oitenta - B, deste Cartório. Maria Emília de Jesus Rosa, N1F 207 343 446 e marido José Lourenço Ribeiro, NIF 202 077 845, casados sob o regime da comunhão geral, naturais, ela da freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho de Leiria, ele da freguesia de Orbacém, concelho de Caminha, residentes na Rua Central, n’163, Loureira, Santa Catarina da Serra, Leiria, declaram que, com exclusão de outrem são donos e legítimos possuidores do prédio rústico, composto de terra de semeadura, com a área de quinhentos e sessenta e cinco metros quadrados, sito em Fazarga, freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho de Leiria, a confrontar de norte com António de Jesus Rosa, de sul com Lucilia Vieira Neves, de nascente com Lucilia Vieira Neves e António de Jesus Rosa e de poente com Rua Nova da Fazarga, não descrito na Segunda Conservatória do Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz predial rústica sob o artigo 11.233, com o valor patrimonial de 310,00. Que, adquiriram o identificado prédio no ano de mil novecentos e oitenta, por doação verbal de João Rosa e mulher Maria Inácia de Jesus, pais da justificante mulher, residentes que foram no lugar de Loureira, Santa Catarina da Serra, Leiria, não dispondo os justificantes de qualquer titulo formal para o registar na Conservatória, mas desde logo entraram na posse e fruição do mesmo. Que em consequência daquela doação verbal, possuem o identificado prédio em nome próprio há mais de vinte anos sem a menor oposição de quem quer que seja desde o seu inicio, posse que sempre exerceram sem interrupção e ostensivamente com o conhecimento de toda a gente e a prática reiterada dos actos habituais de um proprietário pleno, com o amanho da terra, recolha de frutos, conservação e defesa da propriedade, pagamento das contribuições e demais encargos, pelo que, sendo uma posse pacífica, contínua, pública e de boa fé durante aquele período de tempo, adquiriram o referido prédio por usucapião. Batalha, sete de Março de dois mil e doze. A funcionária com delegação de poderes, (Liliana Santana dos Santos)

Tribunal Judicial de Leiria 5º Juízo Cível EDITAL Processo: 6016/10.1TBLRA Ação de Processo Ordinário N/Referência: 6796995 Data: 14-02-2012 Autor: Paulo José Carvalho Eutiquio Réu: 1ª Faustino, Luz & Filhos, Lda – 2º Nelson Alexandre Vieira Ferreira – 3º Sandra Cristina Madaleno dos Reis – 4ª Caixa Económica Montepio Geral. Nos autos acima identificados, correm éditos de 30 dias, contados da data da segunda e última publicação do anúncio, citando: Réu: Faustino, Luz & Filhos, Lda, NIF – 503141054, com último domicílio conhecido em Vale Gracioso, Azoia, 2400-827 Leiria e Réu: Nelson Alexandre Vieira Ferreira, NIF – 213571161, B.I. nº 11027615, com último domicílio conhecido em: Quinta da Alçada, Lote 11, 6º Dtº, Leiria Gare, 2415-569 Leiria, para, no prazo de 30 dias, decorrido que seja o dos éditos, contestarem, querendo, a acção acima identificada, com a cominação de que a falta de contestação importa a confissão dos factos articulados pelo(s) autor(es) e que em substância o pedido consiste a que seja reconhecido que o Autor tem direito a reter a fracção permutada pelo valor de 125.000,00 -, Fracção I do prédio urbano em propriedade horizontal descrito na 1ª Cons. Reg. Predial de Leiria sob o nº 1794/Barreira; A reconhecer a nulidade, inexistência ou ineficácia da escritura de mutuo com hipoteca e fiança celebrada em 11-Fev.-2088; Desonerar o Autor de qualquer responsabilidade no pagamento de qualquer ónus ou encargo por ele não assumido e titulado; Condenar o 2º réu e 3ª Ré a pagar toda a importância à 4ª Ré, recebida com a 2ª hipoteca que incide sobre a fracção permutada e ainda nas custas dos autos, tudo como melhor consta do duplicado da petição inicial que se encontra nesta Secretaria, à disposição dos citandos. O prazo acima indicado suspende-se, no entanto, nas férias judiciais. Terminando o prazo em dia que os tribunais estiverem encerrados, transferese o seu termo para o primeiro dia útil. Ficam advertido de que é obrigatória a constituição de mandatário judicial. Passei o presente edital que vai ser afixado. A Juíza de Direito, (Dr(a). Luísa Andreia Gonçalves Roriz Mendes) O Oficial de Justiça, (Olinda Costa)

Telefone +351244850690 / Fax 244850698 Largo Cândido dos Reis, Nº 11 / 12 • 2400-112 LEIRIA

FARMÁCIAS DE SERVIÇO Godinho Tomáz (15), Higiene (16), Antunes (17), Lis (18), Oliveira (19), Sanches (20), Tomáz (21) e Maio (22).

TELEFONES ÚTEIS

Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria

Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

- 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo (CO1060), Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2011 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 15.Março.2012

II LIGA

E 5 4 4 5 5 2 9 5 3 8 8 3 5 5 8 3

21.ª JOR. 11.03.12 D 1 2 2 5 5 10 7 10 12 9 9 13 12 12 11 15

Pts 53 52 52 41 41 32 27 26 24 23 23 21 20 20 17 15

Nacional x Porto (dia 16, 19h00, Sport Tv1) Benfica x Beira-Mar (dia 16, 21h15, Sport Tv1) U. Leiria x Rio Ave (dia 17, 16h00) Feirense x Sp. Braga (dia 17, 20h15, Sport Tv1) Académica x P. Ferreira (16h00) V. Setúbal x Marítimo (18h00, Sport Tv1) V. Guimarães x Olhanense (20h15, Sport Tv1) Gil Vicente x Sporting (dia 19, 20h45,TVI)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Estoril D. Aves Moreirense Atlético Naval Penafiel Leixões Arouca Santa Clara Trofense Oliveirense U. Madeira Freamunde Belenenses Sp. Covilhã Portimonense

J 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22

V 13 9 10 9 8 8 9 6 7 8 7 6 5 5 5 4

E 6 10 5 7 10 8 4 10 7 4 6 8 9 8 7 5

D 3 3 7 6 4 6 9 6 8 10 9 8 8 9 10 13

Pts 45 37 35 34 34 32 31 28 28 28 27 26 24 23 22 17

Estoril x U. Madeira (dia 17, 16h00) Belenenses x Oliveirense (dia 17, 17h00, Sport Tv1) Naval x Trofense (11h15, Sport Tv1) Leixões x Freamunde (15h00) Arouca x Portimonense (15h00) Sp. Covilhã x Atlético (16h00) Moreirense x Penafiel (16h00) Santa Clara x D. Aves (16h00)

Rui Silveirinha campeão

“Crise” de clubes em Leiria FUTEBOL – São menos 19 os clubes inscritos na Associação de Futebol de Leiria (AFL) após três épocas (2009/10, 163; 2010/11, 150; 2011/12, 144). Este é um dos dados que ressaltam do estudo feito pela associação, a par de um crescimento no número de praticantes.

Apesar de uma ligeira quebra de 2010/11 para 2011/12, a realidade é que a “crise” de clubes não se repercute nos praticantes. Tal se ficará a dever ao facto de a não inscrição ou desistência de alguns clubes ser compensada pela inscrição de mais equipas por aqueles que se filiam na AFL.

associação de futebol de leiria

III Divisão

24.ª JOR. 18.03.12

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Moura x Pinhalnovense (2-2) Juv. Évora x Fátima (3-1) Mafra x Louletano (0-1) Caldas x Reguengos (1-1) Vendas Novas x Monsanto (2-0) 1.º Dezembro x Carregado (1-3) Oriental x Sertanense (2-0) Tourizense x Torreense (1-1) Equipa Torreense Oriental Carregado Pinhalnovense Fátima Mafra Vendas Novas Louletano Sertanense Juv. Évora 1.º Dezembro Reguengos Monsanto Tourizense Moura Caldas

J 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23 23

V 13 14 12 13 12 9 10 9 8 8 6 5 4 4 5 2

E 8 3 6 3 6 10 4 7 7 3 6 8 9 9 4 7

D 2 6 5 7 5 4 9 7 8 12 11 10 10 10 14 14

Fátima x Pinhalnovense (todos às 15h00) Louletano x Juv. Évora Reguengos x Mafra Monsato x Caldas Carregado x Vendas Novas Sertanense x 1.º Dezembro Torreense x Oriental Tourizense x Moura

22.ª J. 11.03.12

23.ª JOR. 11.03.12

SUL

Pts 47 45 42 42 42 37 34 34 31 27 24 23 21 21 19 13

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

série D

Bombarralense x Alcobaça (0-1) Pampilhosa x Tocha (1-1) Sp. Pombal x B.C. Branco (2-1) Sourense x Peniche (1-0) Beneditense x Riachense (1-0) Folga: Marinhense Equipa Sourense B.C. Branco Tocha Sp. Pombal Pampilhosa Marinhense Beneditense Peniche Alcobaça Riachense Bombarralense

J 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20

V 10 10 9 10 10 9 6 7 5 1 0

E 7 5 8 4 2 4 11 8 6 5 6

D 3 5 3 6 8 7 3 5 9 14 14

Pts 37 35 35 34 32 30 29 29 21 8 6

Equipas que seguem para a próxima fase: Subida: Sourense, B.C. Branco, Tocha, Sp. Pombal, Pampilhosa e Marinhense. Manutenção: Beneditense, Peniche, Alcobaça, Riachense e Bombarralense.

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Vieirense x Alq. Serra (0-2) Pedroguense x Ansião (4-1) Fig.Vinhos x Biblioteca (2-1) Meirinhas x Pataiense (2-1) Atouguiense x Alvaiázere (2-1) Nazarenos x Guiense (1-0) Avelarense x GRAP/Pousos (1-2) Portomosense x Marrazes (3-2) Equipa Alq. Serra GRAP/Pousos Portomosense Nazarenos Guiense Pataiense Atouguiense Alvaiázere Marrazes Vieirense Fig.Vinhos Avelarense Meirinhas Biblioteca Ansião Pedroguense

J 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20

V 15 13 12 11 12 11 10 8 7 5 5 4 4 4 2 2

E 4 2 4 7 3 5 3 4 6 7 3 6 6 6 3 1

D 1 5 4 2 5 4 7 8 7 8 12 10 10 10 15 17

Marrazes x Vieirense (todos às 15h00) Alq. Serra x Pedroguense Ansião x Fig.Vinhos Biblioteca x Meirinhas Pataiense x Atouguiense Alvaiázere x Nazarenos Guiense x Avelarense GRAP/Pousos x Portomosense

17.ª J.11.03.12

II Divisão B

O aumento de praticantes é sobretudo visível no futebol de 7, 5 e 4, a única variante que tem crescido desde 2009/10. O mesmo acontece com os escalões de formação, os que mais contribuem para o universo de praticantes. Mais dados sobre o estudo em www.afleiria.com.

associação de futebol de leiria

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I Divisão

I Divisão

NORTE

Pts 49 41 40 40 39 38 33 28 27 22 18 18 18 18 9 7

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

18.ª J.25.03.12

federação portuguesa de futebol

21.ª JOR. 18.03.12

federação portuguesa de futebol

20.ª JOR. 11.03.12

HONRA Sp. Braga mais eficaz, União com zero pontos. Foto: Lusa

Atletismo | Leiria

(400 metros livres) duas de bronze (100 metros costas e 50 metros livres). Uma participação em que esteve “muito bem”, segundo o treinador João Paulo Fróis, que em que comunicado destacou ainda ao facto do atleta ser “um estreante nestas andanças”. Os restantes medalhados foram David Carreira, com uma de prata (100 metros bruços) e outra de bronze (100 metros livres), e o experiente Nuno Maximiano, que conquistou a prata (50 metros livres).

Ilha x Ranha (0-1) Mata Mourisquense x Caseirinhos (5-1) Arcuda x Motor Clube (0-1) Cast. Pêra x Alegre e Unido (1-4) Moita do Boi x Boavista (0-3) Pelariga x Pousaflores (4-2) Equipa Pelariga Pousaflores Moita do Boi Motor Clube Boavista Alegre e Unido Mata Mourisq. Arcuda Ranha Cast. Pêra Caseirinhos Ilha

J 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17

V 14 12 11 10 10 8 6 5 5 4 3 2

E 2 2 2 1 0 2 6 4 2 0 0 3

D 1 3 4 6 7 7 5 8 10 13 14 12

Caseirinhos x Ranha (todos às 15h00) Motor Clube x Mata Mouriquense Pousaflores x Arcuda Alegre e Unido x Pelariga Boavista x Castanheira de Pêra Moita do Boi x Ilha

Pts 44 38 35 31 30 26 24 19 17 12 9 9

17.ª J.11.03.12

V 16 16 16 12 12 10 6 7 7 5 5 6 5 5 3 4

Arquivo

J 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22

U. Madeira x Belenenses (2-2) D. Aves x Estoril (2-0) Trofense x Moreirense (2-1) Oliveirense x Santa Clara (1-0) Atlético x Leixões (1-0) Penafiel x Arouca (2-1) Portimonense x Sp. Covilhã (2-1) Freamunde x Naval (1-1)

NATAÇÃO – Três provas, três títulos nacionais em natação adaptada. Rui Silveirinha foi o atleta do Bairro dos Anjos em destaque no campeonato nacional de Primavera (Povoa de Varzim, 25 e 26 de Março), ao conquistar três medalhas de ouro na categoria S5 (50 metros costas, 100 e 200 metros livres). No total o clube leiriense contabilizou nove pódios. Edgar Carreira foi outro dos atletas do Bairro dos Anjos em destaque, ao somar à medalha de prata

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

18.ª J.25.03.12

23.ª JOR. 18.03.12

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Marítimo x Feirense (2-1) Sp. Braga x U. Leiria (2-1) Porto x Académica (1-1) Olhanense x Nacional (4-4) Rio Ave x V. Setúbal (3-0) Beira-Mar x Gil Vicente (1-0) P. Ferreira x Benfica (1-2) Sporting x V. Guimarães (5-0)

22.ª JOR. 18.03.12

22.ª JOR. 11.03.12

I LIGA

Equipa Porto Benfica Sp. Braga Sporting Marítimo V. Guimarães Olhanense Nacional Rio Ave Gil Vicente Académica P. Ferreira V. Setúbal Beira-Mar Feirense U. Leiria

Pleno de vitórias

liga portuguesa de futebol profissional

liga portuguesa de futebol profissional

SUL

Nadadouro x Santo Amaro (3-0) Lisboa e Marinha x Praia da Vieira (4-0) Unidos x Outeirense (2-6) Os Vidreiros x Pilado (1-0) Juncalense x Maceirinha (2-3) Folgou: Gaeirense Equipa Lisboa Marinha Outeirense Gaeirense Pilado Maceirinha Juncalense Os Vidreiros Praia da Vieira Santo Amaro Nadadouro Unidos

J 16 15 15 16 16 15 15 15 15 16 16

V 13 10 9 8 7 7 5 4 3 3 1

E D Pts 3 0 42 4 1 34 3 3 30 2 6 26 4 5 25 2 6 23 3 7 18 1 10 13 3 9 12 2 11 11 3 12 6

Santo Amaro x Lisboa e Marinha Praia da Vieira x Unidos Outeirense x Os Vidreiros Pilado x Juncalense Maceirinha x Gaeirense Folga: Nadadouro

Quatro pódios em Meeting Internacional

A juvenil Juliana Pereira (na foto) foi a atleta da Juventude Vidigalense que mais se destacou no XVIII Meeting Internacional de Lançamentos (Quinta do Anjo, Setúbal, 10 e 11 de Março), ao conquistar as medalhas de ouro (peso) e prata (disco). Quem também subiu ao pódio foram Tiago Pereira (martelo; seniores), com a medalha de ouro, e Bernardo Lopes (peso; seniores), com a prata.

Futebol | Leiria

Final da Taça Distrito à vista Já são conhecidos os jogos das 1⁄2 finais da Taça Distrito da Associação de Futebol de Leiria, nos diferentes escalões (masculinos) Assim, em seniores, o jogo grande será o Guiense x Portomosense, enquanto que o Marrazes deslocar-se-á ao reduto do vencedor do Outeirense x (Alegre e Unido x GRAP/Pousos). Em juniores, o sorteio ditou: Guiense x GRAP/ Pousos e p. Pombal x Boavista; em juvenis: U. Leiria “B” x Marinhense “B” e Vieirense “A” x Marinhense “A”; em iniciados: U. Serra x Vieirense “A” e Beneditense x Guiense.

Toneladas de solidariedade Mais de nove (9.563 Kg) aquelas que se angariaram na iniciativa promovida pelo antigo futebolista Futre, em Santa Catarina da Serra (10 de Março). Caras conhecidas, entre apresentadores de televisão, músicos e antigos futebolistas (na foto Costinha, antigo guardaredes da U. Leiria), fizeram “uma perninha” em prol da luta contra a fome. O público respondeu em massa e a quantidade de alimentos recolhida para a Cruz Vermelha triplicou em relação à edição anterior. Foto: Paulo Reis


ÚLTIMA 15MARÇO2012

O problema dos nossos tempos é que o futuro já não é o que era. Paul Valéry [1623-1662]

Freguesias de Leiria combatem a Lei 44/XII

Autarcas unidos contra o modelo da revisão administrativa Se dúvidas ou críticas existem sobre as afinidades, ou cepticismo político, com a reunião de 12 de Fevereiro, na sala da Filarmónica dos Marrazes, dos deputados e presidentes das Câmaras e Juntas de Freguesia de facções políticas diferentes, todos lutando pela causa da não aplicação da lei nº 44/XII – Reorganização Administrativa Territorial Autárquica, dissipam-se as ideias de que não se pode lutar por causas comuns, em torno do mesmo objectivo. Odete João e João Paulo Pedrosa, deputados eleitos pelo círculo de Leiria no PS; João Salgueiro, António Lucas e Raúl Castro, presidentes das Câmaras de Porto de Mós, Batalha e Leiria, respectivamente; alguns presidentes de Junta de Freguesia do concelho de Leiria e vários dos seus membros, expressaram a sua vontade de desenvolver acções conjuntas em torno da defesa da continuidade da autonomia das autarquias locais, chegando mesmo a apontar o dedo à lei 44 do actual Governo como inconstitucional, injusta e penalizadora. Depois de mais de 1200 autarcas terem participado num “Encontro Nacional de Freguesias”, realizado no dia 10 de Março pela Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), resolveram os autarcas de Leiria encetarem dois dias depois, um movimento que visa provar as conclusões desta reunião e desencadear acções de luta locais. Assim, entendem que a lei nº 44 “não preconiza um modelo adequado à realidade social portuguesa, não garante ganhos de eficiência e eficácia do poder local, não respeita a vontade dos cidadãos, não traduz qualquer ganho para o erário público e não contempla qualquer benefício para as populações e a organização do poder local”. Manuel Cruz, presidente da Junta de Freguesia de Cortes, um dos estrategas

do Movimento Freguesias de Leiria, abriu a sessão referindo-se aos objectivos em torno deste projecto com o seu próprio exemplo, lembrando que “fui eleito por um voto na minha freguesia e esse voto fez toda a diferença, por isso é preciso acreditarmos até ao fim”. O autarca recorda os muitos afazeres destes presidentes de Junta, com uma gestão próxima dos cidadãos, desenvolvendo obras nas freguesias, com o conhecimento de causa das necessidades e dos problemas das populações. Manuel Cruz recorda que a lei até pode ser aproveitada para corrigir algumas assimetrias ou realidades que não devem existir na organização administrativa, apenas deverá desaparecer o ponto número 4. Desta forma grande parte deste problema estará resolvido, ressalvando que “pode haver a reorganização administrativa mas não queremos é a forma como está para ser feita”. O deputado João Paulo Pedrosa sublinha o facto de que “esta lei não resolve nenhum problema, agrava-os, não se está a levar em conta as atribuições e competências”. Aquele representante de Leiria na Assembleia da República chega mesmo a assumir que se o seu partido fosse a favor da lei, ele não estaria a favor dessa posição. “Acho completamente injusto que se tenha começado pelas Juntas de Freguesia. Não aceito isto. Sou de uma freguesia com seis mil eleitores e tenho

um presidente de Junta a meio tempo. Depois, vejo municípios com três mil eleitores, com presidente de câmara, vereadores, secretárias e outro pessoal de vários serviços autárquicos”, afiançou o deputado que entende que a lei ainda pode ser travada, fazendo o Governo recuar. Odete João partilhou a mesma opinião do seu colega de bancada, adiantando que “o processo de reorganização administrativa de Portugal começou pelo fim, começaram a casa pelo telhado”. A deputada acusa o actual governo de legislar e logo a seguir avançar com as medidas, não ouvindo a população e que a lei 44 pode criar situações que não fazem qualquer sentido. O presidente da Câmara de Porto de Mós, João Salgueiro, veio ao encontro do Movimento das Freguesias de Leiria, para legar a sua opinião aos autarcas que pretendem lutar pela não agregação das suas autarquias. Referindo-se ao seu concelho, o autarca confidenciou que na sua óptica,

apenas uma situação tem lógica, no caso das 13 freguesias que administra. O responsável político de Porto de Mós chegou mesmo a questionar se “será que alguma Assembleia Municipal vai ter a coragem de propor a extinção de outras freguesias?”, respondendo de imediato que “não vai haver ninguém neste País que consiga fazer isso”. Em Porto de Mós, apenas as freguesias de São João e de São Pedro poderão ser agregadas mas o assunto é pacífico há muito tempo. “Devem existir reformas se houver poupança de recursos e melhorias que sirvam as populações”, falou António Lucas, presidente da Câmara Municipal da Batalha, e foi desta forma que iniciou a sua intervenção, criticando o Governo, que deveria ter começado nos concelhos e só depois reorganizar as freguesias. O autarca da vila da Batalha aponta mesmo o dedo ao seu território, exemplificando que a sede da Junta de Freguesia da Batalha está a 50 metros da Câmara Municipal, “sendo

este tipo de situações um bom motivo para corrigir”. O presidente da Câmara da Batalha atendendo que a freguesia da Golpilheira pode estar em risco de ser agregada, disse “podemos apresentar propostas às regras desta lei”. Critica o modelo que está para ser implementado pelo Governo, até porque “a transferência de competências não foi estudada, existe um pressuposto errado sobre o que a Troika fez a Portugal, até porque nem existe no resto da Europa a figura da freguesia”. Lucas pretende aproveitar uma Comissão Técnica e analisar a situação do seu concelho, reafirmando que haverá uma proposta a fazer ao Governo para que a Batalha tenha um desfecho feliz. O autarca aponta as suas razões e no seu entender, “na brutalidade de termos de agregar a freguesia da Golpilheira, irei propor que a sede da freguesia da Batalha deixe de ser no centro da vila e passe para o território desta autarquia que se extingue, passando a chamar-se freguesia Batalha/Golpilheira, concentrando ali os seus serviços”. António Lucas entende que em democracia e perante uma lei injusta, não podendo ser anulada ou impugnada, poder-se-á encontrar soluções com serenidade. No entanto, o autarca ainda aguarda por possíveis mudanças, até porque tem esperanças que venha a ser publicada uma directiva que contemple o mínimo de quatro fregue-

sias por concelho, estando o problema da Batalha completamente resolvido com esta norma. Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria, completou o painel dos autarcas camarários presentes no Movimento das Freguesias de Leiria, recusando a lei nº 44, até porque quando a mesma surgiu o “chavão usado era a poupança mas já se está a provar o contrário”. Castro deixa o aviso que o Governo está a lançar para a sociedade uma problemática grave, criando “uma salada russa num assunto muito sério, podendo haver uma crispação elevada em todo o País que levará à queda do Governo, até porque o País tem assuntos mais urgentes para tratar e não é a reorganização das freguesias um assunto prioritário”. Questionando a coragem das Assembleias Municipais, o presidente da Câmara de Leiria tem dúvidas se “algum autarca conseguirá assumir este tipo de risco, a agregação das freguesias, até porque temos alguns casos de freguesias que no passado muito lutaram pela sua independência e agora podem voltar a perder a sua identidade e autonomia”. No final, lamentou-se a não presença de deputados do PSD, eleitos no ciclo de Leiria e desejou-se que o modelo de reorganização administrativa das freguesias do concelho de Leiria não seja implementado sem ouvir em primeiro lugar as populações e autarcas e que seja aprovada legislação reguladora das competências próprias das freguesias e dos respectivos meios financeiros. Na agenda está a organização de uma manifestação nacional a 31 de Março, e, Lisboa, num movimento de cariz cultural, etnográfica, demonstrativa das raízes, da riqueza e da representatividade das freguesias.

Texto e fotos: Joaquim Santos


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