DOCUMENTO
9 FEVEREIRO 2012 ANO 98 - N.º 4896 FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt
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FUNDADO EM 1914
DESTAQUE
MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O XX DIA MUNDIAL DO DOENTE
“LEVANTA-TE E VAI,
A TUA FÉ TE SALVOU!”
DR
O dia 11 de Fevereiro, dia de Nossa Senhora de Lourdes, é também o dia que a Igreja dedica ao doente. Motivo para que os cristãos possam reflectir, rezar e agir em prol dos doentes. Cada ano, o Papa escreve uma mensagem e nela lança uma frase que serve de tema para a celebração. Este ano, é de S. Lucas (Lc 17, 19): “Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!” O Mensageiro publica esta mensagem na íntegra, para ajudar os leitores cristãos a perceberem mais claramente o sentido da dor na vida do crente. Páginas 2 e 3 CULTURA
Porto de Mós descentraliza cultura | P. 4
Pólo da Biblioteca de Mira de Aire inaugurado na Casa da Cultura
SOCIEDADE
42 freguesias “desaparecem” no Distrito | P. 7
Reorganização do País avança...
Ministério apresenta plano para 2012 | Última
ECLESIAL
Diocese quer suscitar compromisso social | P. 9
Retiro Popular na Quaresma: “Fazer brilhar no mundo a luz de Cristo”
Governo celebra protocolo com Santuário de Fátima organiza simpósio | P. 9 “Concertos com História” em Leiria instituições de solidariedade social “Quereis oferecer-vos a Deus?”
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Ciclo de concertos celebra património | P. 5
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O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
EDITORIAL EDITORIAL
prui@iol.pt
O dia 11 de Fevereiro, dia de Nossa Senhora de Lourdes, é também o dia que a Igreja dedica ao doente. Motivo para que os cristãos possam reflectir, rezar e agir em prol dos doentes. Cada ano, o Papa escreve uma mensagem e nela lança uma frase que serve de tema para a celebração. Este ano, a frase escolhida é de S. Lucas: “Levanta-te e vai, a tua fé te salvou” (Lc 17, 19). Na mensagem que escreveu para esta ocasião, Bento XVI faz uma breve mas interessante reflexão sobre os chamados sacramentos de cura: Penitência e Unção dos Enfermos, “que encontram o seu cumprimento natural na Comunhão Eucarística”. O Papa alia, de forma original, a cura física com a cura espiritual. Ou seja, o doente pode encontrar na fé uma cura para os males de que a doença física é muitas vezes expressão, concretamente a solidão e a sensação de fraqueza e de inutilidade. Os sacramentos, como gestos salvadores de Deus na história, são também ocasião para que o crente se sinta amado, acompanhado e amparado por Deus. Eles são a expressão de que Deus salva, e a salvação é muito objectiva, concreta e particular. Por isso, o Papa escreve: “Desejo encorajar os doentes e quantos sofrem a encontrarem sempre uma âncora segura na fé, alimentada pela escuta da Palavra de Deus, da oração pessoal e A visão cristã da doença dos sacramentos, enquanto e do sofrimento não convido os pastores a peroferece um paliativo manecerem cada vez mais à sua celebração optimista, algo disponíveis para os enfermos”. sublimado, sobre A visão cristã da doença a realidade. O que e do sofrimento não oferece poderia desembocar um paliativo optimista, algo numa visão mágica da sublimado, sobre a realidafé, ou numa busca de de. O que poderia desemboum qualquer tipo de car numa visão mágica da fé, actividade curandeira. ou na busca de um qualquer tipo de actividade curandeira, até por parte dos agentes pastorais. Recentemente, D. José Policarpo publicou um conjunto de normas sobre a celebração de bênçãos, funerais e exorcismos, apelando, no caso destes últimos, a uma “boa articulação” entre as ciências médicas e a assistência espiritual. Pede um “acolhimento personalizado” de quem procura a Igreja para um exorcismo, para permitir “o discernimento de cada caso, também no que diz respeito a eventuais perturbações do foro psicossomático. Ignorá-las ou desprezá-las é uma falta de respeito pela pessoa que sofre, porque a induz em erro, a leva facilmente a uma passividade que a impede de um verdadeiro acto de fé, e pode mesmo dificultar a sua cura”. Em caso de celebração do exorcismo, é pedido que este se realize “de modo que se manifeste a fé da Igreja e não possa ser considerado por ninguém como acção mágica ou supersticiosa”, evitando fazer dele “um espectáculo para os presentes”. O aumento destes casos e de visões menos correctas está intimamente ligado aos problemas sociais e económicos da actual crise. Uma visão mais sã e doutrinal pode agora encontrar-se na mensagem do Papa para este Dia do Doente. O Mensageiro publica-a na íntegra, para ajudar os leitores cristãos a perceberem mais claramente o sentido da dor na vida do crente.
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Rui Ribeiro
Para uma visão cristã da doença
Mensagem do Papa Bento XVI para o XX Dia Mundial do Doente
“Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!” Amados irmãos e irmãs, Por ocasião do Dia Mundial do Doente, que celebraremos no próximo dia 11 de Fevereiro de 2012, memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, desejo renovar a minha proximidade espiritual a todos os enfermos que se encontram nos lugares de cura ou recebem os cuidados das famílias, enquanto manifesto a cada um deles a solicitude e o afecto da parte de toda a Igreja. No acolhimento generoso e amoroso de cada vida humana, sobretudo da frágil e doente, o cristão expressa um aspecto importante do seu testemunho evangélico, segundo o exemplo de Cristo, que se debruçou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para os curar. 1. Neste ano, que constitui a preparação mais próxima para o solene Dia Mundial do Doente, que será celebrado na Alemanha no dia 11 de Fevereiro de 2013 e que meditará sobre a emblemática figura evangélica do bom samaritano (cf. Lc 10, 29-37), gostaria de chamar a atenção para os «Sacramentos de cura», ou seja, o Sacramento da Penitência e da Reconciliação, e o Sacramento da Unção dos Enfermos, que encontram o seu cumprimento natural na Comunhão Eucarística. O encontro de Jesus com os dez leprosos, narrado no Evangelho
de são Lucas (cf. Lc 17, 11-19), de maneira particular as palavras que o Senhor dirige a um deles: «Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!» (v. 19), ajudam a tomar consciência acerca da importância da fé para aqueles que, angustiados pelo sofrimento e pela enfermidade, se aproximam do Senhor. No encontro com Ele, podem experimentar realmente que quantos acreditam nunca estão sozinhos! Com efeito, no seu Filho Deus não nos abandona às nossas angústias e sofrimentos, mas está próximo de nós, ajuda-nos a suportá-los e deseja curar profundamente o nosso coração (cf. Mc 2, 1-12). A fé daquele único leproso que, vendo-se purificado, cheio de admiração e de alegria, contrariamente aos demais, vai imediatamente até Jesus para lhe manifestar o próprio reconhecimento, deixa entrever que a saúde readquirida é sinal de algo mais precioso do que a simples cura física, pois constitui um sinal da salvação que Deus nos concede através de Cristo; ela encontra expressão nas palavras de Jesus: a tua fé te salvou! Quem, no seu próprio sofrimento e enfermidade, invoca o Senhor, está convicto de que o Seu amor nunca o abandona, e que também o amor da Igreja, prolongamento no tempo da Sua obra salvífica, jamais desfalece. A cura física, expressão da salvação mais profunda, revela deste modo
a importância que o homem, na sua integridade de alma e corpo, reveste para o Senhor. De resto, cada Sacramento expressa e põe em prática a proximidade do próprio Deus que, de modo absolutamente gratuito, «nos toca por meio de realidades materiais... que Ele assume ao seu serviço, fazendo deles instrumentos do encontro entre nós e Ele mesmo» (Homilia, Santa Missa Crismal, 1 de Abril de 2010). «Aqui, torna-se visível a unidade entre criação e redenção. Os sacramentos são expressão da corporeidade da nossa fé, que abraça corpo e alma, isto é, o homem inteiro» (Homilia, Santa Missa Crismal, 21 de Abril de 2011). A tarefa principal da Igreja é, sem dúvida, o anúncio do Reino de Deus, «mas precisamente este mesmo anúncio deve revelar-se um processo de cura: “...tratar os corações torturados” (Is 61, 1)» (Ibidem), em conformidade com a função confiada por Jesus aos seus discípulos (cf. Lc 9, 1-2; Mt 10, 1.514; e Mc 6, 7-13). Por conseguinte, o binómio entre saúde física e renovação das dilacerações da alma ajuda-nos a compreender melhor os «Sacramentos de cura». 2. O Sacramento da Penitência esteve com frequência no centro da reflexão dos Pastores da Igreja, precisamente devido à sua grande
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O Mensageiro
importância no caminho da vida cristã, uma vez que «toda a eficácia da Penitência consiste em restituir-nos à graça de Deus e em unir-nos a Ele numa amizade perfeita» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1.468). Dando continuidade ao anúncio de perdão e de reconciliação feito ressoar por Jesus, a Igreja não cessa de convidar a humanidade inteira a converterse e a crer no Evangelho. Ela faz seu o apelo do apóstolo Paulo: «Em nome de Cristo... sejamos embaixadores: através de nós, é o próprio Deus quem exorta. Suplicamo-vos, em nome de Jesus Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20). Ao longo da sua vida, Jesus anuncia e torna presente a misericórdia do Pai. Ele veio não para condenar, mas para perdoar e salvar, para incutir esperança também na obscuridade mais profunda do sofrimento e do pecado, para conceder a vida eterna; deste modo, no Sacramento da Penitência, na «medicina da confissão», a experiência do pecado não degenera em desespero, mas encontra o Amor que perdoa e transforma (cf. João Paulo II, Exortação Apostólica pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia,. Deus, «rico de misericórdia» (Ef 2, 4), como o pai da parábola evangélica (cf. Lc 15, 11-32), não fecha o coração a nenhum dos seus filhos, mas espera por eles, procura-os e alcança-os onde a rejeição da comunhão aprisiona no isolamento e na divisão, chamando-os a reunir-se ao redor da sua mesa, na alegria da festa do perdão e da reconciliação. O momento do sofrimento, no qual poderia surgir a tentação de se abandonar ao desânimo e ao desespero, pode transformar-se assim em tempo de graça para voltar a si mesmo e, como o filho pródigo da parábola, reconsiderar a própria vida, reconhecendo os próprios erros e fracassos, sentindo a saudade do abraço do Pai e repercorrendo o caminho rumo à sua Casa. No seu grande amor, Ele vigia sempre e de qualquer modo sobre a nossa existência, e espera-nos para oferecer a cada um dos filhos que volta para Ele, o dom da plena reconciliação e da alegria. 3. Da leitura dos Evangelhos sobressai claramente o modo como Jesus sempre demonstrou uma atenção particular para com os enfermos. Ele não só convidou
os seus discípulos a curar as feridas dos mesmos (cf. Mt 10, 8; Lc 9, 2; 10, 9), mas também instituiu para eles um Sacramento específico: a Unção dos Enfermos. A Carta de Tiago dá testemunho da presença deste gesto sacramental já na primeira comunidade cristã (cf. 5, 14-16): mediante a Unção dos Enfermos, acompanhada pela oração dos presbíteros, a Igreja inteira recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, a fim de que alivie as suas penas e os salve, aliás, exorta-os a unirse espiritualmente à paixão e à morte de Cristo, para contribuir deste modo para o bem do Povo de Deus. Tal Sacramento leva-nos a contemplar o dúplice mistério do Monte das oliveiras, onde Jesus se encontrou dramaticamente diante do caminho que lhe fora indicado pelo Pai, a senda da Paixão, do supremo gesto de amor, e aceitou-a. Naquela hora de provação, Ele é o mediador, «transportando em si mesmo, assumindo em si próprio o sofrimento e a paixão do mundo, transformando-os em clamor a Deus, levando-os diante dos olhos e até às mãos de Deus, e assim conduzindo-os realmente até ao momento da Redenção» (Lectio divina, Encontro com o Clero de Roma, 18 de Fevereiro de 2010). Mas «o Horto das Oliveiras é... inclusive o lugar a partir do qual Ele subiu ao Pai, tornando-se assim o lugar da Redenção... Este dúplice mistério do Monte das Oliveiras também está sempre “activo” no óleo sacramental da Igreja... sinal da bondade de Deus que nos toca» (Homilia, Santa Missa Crismal, 1 de Abril de 2010). Na Unção dos Enfermos, a matéria sacramental do óleo é-nos oferecida por assim dizer, «como medicamento de Deus... que agora nos torna seguros da sua bondade e deve revigorar-nos e consolar, mas ao mesmo tempo aponta para além do momento da enfermidade, para a cura definitiva, a ressurreição (cf. Tg 5, 14)» (Ibid.). Este Sacramento merece hoje uma maior consideração, quer na reflexão teológica, quer na obra pastoral em favor dos doentes. Valorizando os conteúdos da oração litúrgica que se adaptam às diversas situações humanas ligadas à doença e não só quando o doente está no fim da própria vida (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1.514), a Unção dos Enfermos não deve ser considerada como
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que «um sacramento menor» em relação aos demais. A atenção e a cura pastoral pelos enfermos, se por um lado é sinal da ternura de Deus por aqueles que se encontram no sofrimento, por outro traz benefício espiritual também aos sacerdotes e a toda a comunidade cristã, na consciência de que o que fazemos aos mais pequeninos, é ao próprio Jesus que o fazemos (cf. Mt 25, 40). 4. A propósito dos «Sacramentos de cura», santo Agostinho afirma: «Deus cura todas as tuas enfermidades. Portanto, não temas: todas as tuas enfermidades serão curadas... Tu só deves permitir que Ele te cure e não deves rejeitar as suas mãos» (Exposição sobre o Salmo 102, 5: PL 36, 1319-1320). Trata-se de meios preciosos da Graça de Deus, que ajudam o doente a conformar-se cada vez mais plenamente com o Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo. Juntamente com estes dois Sacramentos, gostaria de sublinhar também a importância da Eucaristia. Recebida no momento da doença ela contribui, de maneira singular, para realizar tal transformação, associando aquele que se alimenta do Corpo e do Sangue de Jesus, à oferenda que Ele fez de si mesmo ao Pai, para a salvação de todos. Toda a comunidade eclesial, e as comunidades paroquiais em particular, prestem atenção para garantir a possibilidade de se aproximarem com frequência da Comunhão sacramental àqueles que, por motivos de saúde ou de idade, não podem acorrer aos lugares de culto. Deste modo, a estes irmãos e irmãs é oferecida a possibilidade de revigorar a relação com Cristo crucificado e ressuscitado, parti-
cipando com a sua vida oferecida por amor a Cristo, na missão da própria Igreja. Nesta perspectiva, é importante que os sacerdotes que exercem a sua obra delicada nos hospitais, nas casas de cura e nas habitações dos doentes se sintam verdadeiros «“ministros dos enfermos”, sinal e instrumento da compaixão de Cristo, que deve alcançar cada homem assinalado pelo sofrimento» (Mensagem para o XVIII Dia Mundial do Doente, 22 de Novembro de 2009). A conformação com o Mistério Pascal de Cristo, realizada também mediante a prática da Comunhão espiritual, adquire um significado totalmente particular, quando e Eucaristia é administrada e acolhida como viático. Naquele momento da existência ressoam de modo ainda mais incisivo as palavras do Senhor: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54). Com efeito a Eucaristia, principalmente como viático, é — segundo a definição de santo Inácio de Antioquia — «remédio de imortalidade, antídoto contra a morte» (Carta aos Efésios, 20: PG 5, 661), sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai, que a todos espera na Jerusalém celeste. 5. O tema desta Mensagem para o XX Dia Mundial do Doente: «Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!», visa também o próximo «Ano da Fé», que terá início a 11 de Outubro de 2012, ocasião propícia e preciosa para redescobrir a força e a beleza da fé, para aprofundar os seus conteúdos e para a testemunhar na vida de todos os dias (cf. Carta Apostólica Porta fidei, 11 de Outubro de 2011). De-
sejo encorajar os doente e quantos sofrem a encontrar sempre uma âncora segura na fé, alimentada pela escuta da Palavra de Deus, da oração pessoal e dos Sacramentos, enquanto convido os Pastores a permanecerem cada vez mais disponíveis à sua celebração para os enfermos. Segundo o exemplo do Bom Pastor e como guias do rebanho que lhes foi confiado, os presbíteros sejam repletos de alegria, atentos aos mais frágeis, aos simples, aos pecadores, manifestando a misericórdia infinita de Deus com as palavras tranquilizadoras da esperança (cf. Santo Agostinho, Carta 95, I: PL 33, 351-352). Àqueles que trabalham no mundo da saúde, assim como às famílias que nos seus próprios entes queridos vêem a Face sofredora do Senhor Jesus, renovo o meu agradecimento e o da Igreja a fim de que, na competência profissional e no silêncio, muitas vezes inclusive sem mencionar o nome de Cristo, manifestam-no concretamente (cf. Homilia na Santa Missa Crismal, 21 de Abril de 2011). A Maria, Mãe de Misericórdia e Saúde dos Enfermos, elevemos o nosso olhar confiante e a nossa prece; a sua compaixão materna, vivida ao lado do Filho agonizante na Cruz, acompanhe e sustenha a fé e a esperança de cada pessoa enferma e sofredora ao longo do caminho de cura das feridas do corpo e do espírito. A todos asseguro a minha recordação orante, enquanto concedo a cada um uma especial Bênção Apostólica. Vaticano, 20 de Novembro de 2011, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. BENEDICTUS PP XVI
4 CULTURA
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
Município de Porto de Mós descentraliza cultura
CINEMAS
Foi inaugurado, no passado sábado, 4 de Fevereiro, o Pólo da Biblioteca de Mira de Aire, cujas instalações se situam na Casa da Cultura de Mira de Aire. A animar a cerimónia esteve um grupo de música da Escola Secundária de Mira de Aire. Este é um serviço assegurado pela Biblioteca Municipal de Porto de Mós, que numa primeira fase estará aberto de terça a sexta-feira das 14h00 às 18h00 e cujo espólio contempla algumas obras doadas por conterrâneos de Mira de Aire.
Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) • O GATO DAS BOTAS | Animação | de Chris Miller | 12 de Fevereiro, 15h30 Teatro Miguel Franco (Leria) • O MEU RAÚL | Documentário | de Patrícia Vasconcelos | 13 de Fevereiro, 21h30, 14 de Fevereiro, 21h30 e 15 de Fevereiro, 18h30
EXPOSIÇÕES
Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”utopia azul” - o olhar da criança voltado para o futuro (~25/02) m|i|mo -Museu da Imagem em Movimento - Leiria •”Da suspensão do tempo e outros registos” - foto. e escultura (~29/2) •”Zona Letal, Espaço Vital” - arte contemporânea (~14/04) •”Oficna do Olhar” - exposição permanente Edifício Paços do Concelho - Leiria •”As invasões francesas” - painés e vídeo (~31/03) Edifício Banco de Portugal - Leiria •”Do princípio ao fim” - joalharia contemporânea e pintura (~31/3) Fórum Fnac - Leria •”Um dia pergunto o teu nome” - fotografia de Cátia Alves (~20/02) Casa-Museu João Soares - Cortes •”A República” - colecção de António Pedro Vicente (~29/02) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) •”Mulher, cavalo e árvore” - desenho de Carlos Reys (3ª~sábados) •”O 18 de Janeiro de 1934” (~25/02) Galeria Paços do Concelho - Tomar • Desenho de Manuel Baptista (~31/03)
No Teatro José Lúcio da Silva
Exposição “Utopia azul” Entre os dias 4 e 25 de Fevereiro, está patente no Teatro José Lúcio da Silva a exposição “Utopia azul”, um projecto que tem como principal temática as crianças índigo (apresentam um novo e incomum conjunto de atributos psicológicos). Esta é uma iniciativa
MÚSICA | TEATRO | EVENTOS
voltada para o futuro, composta por diversos estilos, expressões artísticas e acções educativas e interventivas, que vão proporcionar ao público pontos de reflexão sobre a identidade de ser criança e, sobretudo, ser criança índigo. A cor azul será o elo que
liga todos os elementos da exposição. Segundo os defensores da existência de crianças índigo, a “aura” destas crianças é de uma cor azul forte. Em “Utopia azul”, através da liberdade criativa, a cor azul será um símbolo da quebra de fronteiras e refor-
ço dos laços que constituem a cadeia da humanidade. A exposição, cuja entrada é gratuita, pode ser visitada diariamente, das 18h00 às 22h00 e, nos dias de espectáculo, das 18h00 às 24h00.
Presidente da direcção reconduzido com 86,6% dos votos
Henrique Pinto reeleito no Orfeão A liderança de Henrique Pinto à frente da direcção do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OL CA) foi ontem, dia 31 de Janeiro, reconduzida nas eleições, que ficaram marcadas por uma forte adesão dos orfeonistas. Henrique Pinto mantém-se assim como presidente da direcção pelo 30.º ano consecutivo,
apresentando uma lista renovada, que «trará um novo “fôlego” à instituição que, com uma história longa, se quer sempre jovem, dinâmica e empenhada». Henrique Pinto explica que «esta renovação, acompanhada de uma baixa na idade dos directores, que abarca pessoas com experiência qualificada na gestão
escolar, no planeamento estratégico, tendo em conta o aprimorar da gestão por objectivos, na gestão financeira, no financiamento através do mecenato e da produção de serviços (escolares, artísticos, culturais), na coordenação de actividades e pessoas, assegura ainda uma continuidade e a possibilidade de, pela
emersão de novos líderes, se possa assegurar uma transição qualificada na instituição, por decalque dos bons exemplos nesta área, eficaz e pacificamente», como se observou, por exemplo «nas últimas décadas da Fundação Calouste Gulbenkian, ou nas instituições do norte da Europa».
No Edifício Banco de Portugal
Mostra de Joalharia DR
Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”A menina sem nome” - dança (11/02, 21h30) •”Fio de luz” - concerto especial de S. Valentim (14/02, 22h00) Teatro Miguel Franco - Leiria •”1º trupe de teatro juvenil de Leiria”- curso (9, 16 e 23/02, 17h30~20h) •”Casa ocupada - música de Linda Martini (10/02, 21h30) •”Os passeios dos gémeos” - concerto para bebés (12/2, 10h30 e 11h45) Sala Jaime Salazar Sampaio - Leiria •”As peúgas” - comédia de (maus) costumes (11 e 25/02, 22h00) •”Dos pequenos gestus”- teatro a partir da infância (26, 11h e 11/2, 16h) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”O baile de máscaras da Miffy” - conto (17 e 22/02, 10h30 e 14h30) •”Eu visito a biblioteca” - animação infantil (13, 20 e 27/02, 10h00) •”Contos e cantigas” - hora do conto (25/02, 16h00) m|i|mo - Muse da Imagem em Movimento - Leiria •”Oficina de cianotipia” (9, 16 e 23/02, 10h00 e 14h30 e 11/02, 15h00) •”Mimo dramático” - animação infantil (11, 18 e 25/2, 10h30~12h30) •”Zona Letal, Espaço Vital” - formação (11 e 18/02, 14h30~17h00) •”Câmara obscura” (14 e 28/02, 10h00 e 14h30) •”Atelier de som, poesia e desenho” (14 e 28/02, 10h00 e 15h00) •”Números com asas” - BEBETECA (16/02, 10h15 e 18/2, 16h00) •”Às quartas, danças e outros” - dança (29/02, 15h30) • Teatro de sombras e oficinas criativas (3ªs~6ªs) Moinho de Papel - Leiria • Oficina corações anamórficos - dis de S. Valentim (14/02, 9h e 16h) •”O Imperador e a sua amada” - dia de S. Valentim (14/02, 11h e 14h) •“Ai que susto!” - máscaras de pão (14/2, 14h e 16/2, 9h30 e 14h30) •“Viagem à Fábrica do papel (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Fazer farinha e transforma-lá em pão” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Queres pintar? Vai ao moinho vai...” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“O saber de mão em mão” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“A dobrar a dobrar no moinho vais criar” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“O meu caderno” ((3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) Casa-Museu João Soares - Cortes •“Vogais e consoantes...” - hora do conto (10/02, 10h00) •“Tardes na casa-museu João Soares” (22/02, 14h30~15h30) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”O tigre xadrez” - hora do conto (3ªs, 11h00 e 5ªs, 15h00) •”Mico, o ratinho valente” - filme (15/02, 15h30) Arquivo Municipal - Marinha Grande •”Ciclone de 1941” - apontamento documental (~29/01, 8h30~17h30) Cine Teatro Actor Álvaro - Vieira de Leiria •”O Tio Aquático”- V Festiv’Álvaro (~11/02, 17h30)
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Abriu pólo da Biblioteca de Mira de Aire
O Edifício Banco de Portugal, em Leiria, é palco, entre os dias 4 de Fevereiro e 31 de Março,
da exposição de joalharia contemporânea e de pintura “Do princípio ao fim”, da autoria de Sandrine Vieira e
Sílvia Patrício. Estas duas criadoras, uma pintora e uma designer, mostram o seu trabalho, onde abordam os temas do nascimento, do amor e da morte. Em suma, da vida. Através das suas obras,
as artistas procuram dialogar com o público uma nova forma de ver os três temas essenciais da vida. A entrada é livre, de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00, e, aos sábados, das 14h00 às 18h00.
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O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
Ciclo de concertos celebra património entre Fevereiro e Abril
“Concertos com História” em Leiria O ciclo “Concertos com História”, dinamizado pelo Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OL CA) vai levar música a diversos “palcos históricos” da cidade de Leiria, conciliando património musical e património histórico numa série de cinco concertos que decorrerão entre os dias 17 de Fevereiro e 27 de Março. Inspirado no roteiro “Do Moinho de Papel à Tipografia Judaica”, o ciclo de espectáculos de entrada livre, protagonizados por alunos e professores da Escola de Música do
DR Orfeão
de Leiria (EMOL), pretende dar a conhecer o contexto histórico dos vários locais emblemáticos da cidade onde decorrem os concertos.
«Cada um dos concertos será antecedido de um breve comentário sobre o percurso histórico do local onde decorre o espectáculo, permitindo contextualizar
a importância de cada um destes “palcos” na história da cidade de Leiria, e dar a conhecer o seu contributo cultural e social para o desenvolvimento da região», explica Henrique Pinto, presidente do OL CA. «Os locais que recebem estes espectáculos são verdadeiros “palcos históricos”, são locais que de uma forma ou de outra tiveram um papel importantíssimo na evolução da cidade pela ligação a personalidades de relevo que projectaram o nome de Leiria a nível nacional».
“O Passeio dos Gémeos” de embalar e chulas do deserto. Sim, porque o Rui Filipe gosta especialmente de compor quando inspirado pelos seus filhos gémeos. O Rui é já um companheiro dos Concertos para Bebés, a quem
vai dedicando anualmente alguns dos temas mais queridos aos melómanos de fraldas e seus papás. Envoltos em xailes coloridos, os teclados deixam espreitar mimos sonoros de ritmos contagiantes. Ficamos na
dúvida se é para adormecer ou bater o pé. As sessões dos Concertos para Bebés terão lugar às 10h30 e às 11h45 no domingo dia 12 de Fevereiro, no Teatro Miguel Franco em Leiria.
Orfeão dança “A Menina sem Nome”
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espectáculo realiza-se no dia 11 de Fevereiro, a partir das 21h30, no Teatro José Lúcio da Silva. O bailado conta a história de Mariana, uma menina que numa bonita manhã de primavera viu um passarinho entrar pelo seu quarto e “levar-lhe” o nome. Neste espectáculo serão recriadas
as aventuras desta menina que sai de casa em busca do seu nome, pedindo ajuda a várias pessoas, no entanto sem sucesso. Até que, estando prestes a desistir, encontra alguém com o “coração cheio de ternura” que lhe estende a mão e a ajuda a recuperar o seu nome.
Hospital de Santo André assinala Dia Mundial do Doente
SAMP dá música a doentes e visitantes O Hospital de Santo André (HSA) vai assinalar o Dia Mundial do Doente de forma muito especial, oferecendo, em colaboração com a Sociedade Artística e Musical dos Pousos (SAMP), uma tarde de música para os doentes internados e visitantes. Os músicos es-
tarão no HSA no dia 11 de Fevereiro, sábado, a partir das 16h00, e poderão ser encontrados um pouco por toda a parte, desde os espaços comuns às enfermarias. Às três profissionais que semanalmente tocam neste hospital, integradas
Inaugura no próximo sábado, dia 11, às 16h00, no espaço do ATELIER 19, em Alcobaça, a exposição de fotografia “17 Olhares”. Trata-se de uma mostra de trabalhos dos alunos do Curso de Iniciação à Fotografia Digital, orientado por António Catarino e promovido pela Inoutcister, entre Setembro e Novembro de 2011. A exposição ficará patente até 10 de Março de 2012.
Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira
Incentivar o gosto pela leitura A Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, leva a cabo nos dias 6, 13, 20 e 27 de Fevereiro, pelas 10 horas, o projecto “Eu visito a Biblioteca”, que visa desenvolver nas crianças o gosto pela leitura e pela utilização da biblioteca. Após a visita à Biblioteca, segue-se um momento lúdico para as crianças do pré-escolar, com um jogo ou uma história, e, para as crianças do 1º ciclo, um jogo para localização dos recursos de informação nas estantes
A minha escola adopta um museu, um palácio, um monumento...
EDOL apresenta adaptação do conto de Carolina Antunes Os alunos da Escola de Dança do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (EDOL) são os protagonistas do bailado “A Menina sem Nome”, uma adaptação do conto da autoria de Carolina Antunes, aluna da EDOL, numa criação conjunta dos diversos professores da escola. O
Exposição “17 Olhares”
Concurso Escolar
Concertos para Bebés Neste mês de Fevereiro, os Concertos para Bebés apresentam o novo concerto “O Passeio dos Gémeos”, com o convidado especial Rui Filipe e as Tecnologias Sonoras. Há carrosséis, canções
Fotografia em Alcobaça
no projecto “Saúde com Arte”, e nos programas “Allegro Pediátrico” (na Pediatria) e “ConSentir o Som” (na Psiquiatria, internamento de doentes agudos), vão-se juntar outros profissionais da SAMP, com o objectivo de envolver toda a comunidade hospi-
talar em torno da Música. Os momentos musicais serão protagonizados por duplas que vão percorrendo os corredores e algumas enfermarias, e ainda individualmente ou em grupo em locais predefinidos, interpretando pequenos excertos musicais.
O Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, o Instituto dos Museus e da Conservação e a Direcção Geral de Educação, organizam mais uma edição do Concurso Escolar “A minha escola adopta um museu, um palácio, um monumento…”, de forma a estreitar as relações entre as instituições de educação e de cultura e a promover o desenvolvimento da educação patrimonial. Os monumentos tutelados pelo IGESPAR que irão participar nesta edição são o Convento de Cristo, Mosteiro da Batalha, Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro dos Jerónimos, Panteão Nacional e a Torre de Belém
Filarmónica das Chãs agenda dois concertos
Espectáculos em Chãs e Leiria
A filarmónica de Chãs vai realizar um concerto da Orquestra de Sopros e Corais, a realizar na Igreja de Chãs, no próximo dia 12 de Fevereiro. Outro concerto já está agendado para o dia 3 de Março, com o nome de “Som - Imagem - Movimento”, juntando dança/música/voz, no Teatro José Lúcio da Silva. Estes concertos pretendem retratar uma parte da realidade da actividade cultural daquela associação, pese o facto de ser um trabalho feito em bases amadoras.
Grupo Recreativo da Corredoura
Noite de Fados
No próximo sábado, dia 11 de Fevereiro, o Grupo Recreativo da Corredoura (CRC), concelho de Porto de Mós, promove uma “Noite de Fados”, na sua sede. Os fadistas convidados são Fernando Almeida (Fado de Coimbra), Amadeus Soares (Fado de Coimbra), Tânia Sousa (de Porto de Mós) e António Bento (de Porto de Mós). O instrumental está a cargo de João Lamas (guitarra clássica) e José Lamas (guitarra portuguesa). Durante a sessão será servido um caldo verde, grelhados mistos, café da avó e filhós. O início está marcado para as 21h00 e as reservas podem fazer-se para o número 912927871.
6 TRADIÇÕES / HISTÓRIA
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
Escola e Jardim de Vale do Sumo mantêm tradição...
Senhora das Candeias O dia 2 de Fevereiro é o Dia de Nossa Senhora das Candeias e nós costumamos festejá-lo na nossa escola. Fizemos pesquisa sobre esse dia na internet, em livros e junto de pessoas mais velhas e descobrimos algumas tradições e provérbios! Nesta zona costumam fazer-se fritos (filhoses, ovos, etc.) para agradecer o azeite deste ano e pedir que não falte o ano inteiro, pois o azeite é importante para a nossa alimentação e para as candeias darem luz. Antigamente, as mães grávidas e as mães com filhos pequenos costumavam ir à missa para serem abençoados, tradição que ainda hoje persiste. Na nossa escola fizemos e comemos umas estaladiças e saborosas filhoses de esticar e ficámos todos deliciados! De barriga cheia e satisfeitos passamos uma tarde bem divertida! Este ano levamos para casa uma garrafinha de azeite extra-virgem para os nossos pais provarem e que foi feito com as azeitonas que apanhámos nas oliveiras da nossa escola. Alunos da Escola e Jardim de Vale do Sumo (Agrupamento de Escolas de Santa Catarina da Serra) edição nº 10, numa peN aquena nota de primeira página, O Mensageiro saúda o jornal Leiria Ilustrada pelo seu 10º ano de vida, mas apresentando reticências sobre o seu tipo de conteúdo editorial. Mais tarde, veio a desencadear-se uma disputa sem precedentes entre os dois jornais. «Entrou no décimo ano de sua publicação este nosso colega local. Embora sintamos o seu modus dicendi actual tão diferente do seu passado, isto não impede que o saudemos fazendo votos porque repita muitos e muitos aniversários»1. Jupéro assume, em quase todas as edições de O Mensageiro , os textos que criaram na época uma agitação social aos leitores leirienses, colocando em causa o novo liberalismo da República. O combate pela promoção dos velhos valores religiosos e pelos códigos da Igreja Católica, como suporte da estabilidade da sociedade, vai sendo apresentado nos seus conteúdos de primeira página, criando alarido entre as arcádias da urbe leiriense. Também se passava a ideia de que, num Portugal com uma significativa taxa de analfabetismo, não seria com o regime republicano que evoluiríamos no conhecimento. «Portugal é o paiz que tem sofrido nos últimos annos – abrangendo a vi-
gência do constitucionalismo – mais do que qualquer outro, quiçá por motivos de atrazo intelectual, da nefasta influência dos modernos evangelizadores, que sob a máscara de liberaes, tentam à compita, deschristianizar, paganisando, o povo português.»2. O Mensageiro vai continuando nas suas edições a publicar textos que promovem as suas causas mas também não ignora os acontecimentos republicanos. Assim, a tentativa de assassinato de Afonso Costa na cidade do Porto é notícia no semanário leiriense, juntamente com notas do estado da Nação. «No Porto, um rapaz de 14 anos, estudante, tendo o pae preso desde Outubro, acusado de ter tomado parte no movimento politico daquele mês, tentou assassinar o Dr. Afonso Costa, alvejando-o com dois tiros de revolver, que o não atingiram.»3. Reforçando o que se escreveu anteriormente, encontramos na primeira página um texto que promove uma manifestação de apoio ao actual Governo de Portugal. O Mensageiro abria o seu leque à divulgação plural dos acontecimentos, tentando ser um jornal aberto para todo o tipo de leitores, embora marcado pelas suas índoles católica e monárquica. «Realiza-se brevemente
Professoras, educadoras e funcionárias
Jardim-de-Infância
Turma A
Turma B
em Lisboa uma grande manifestação de sympathia e apoio ao actual governo promovida por uma commissão de patriotas, á frente da qual se encontra o nosso amigo Américo d’Oliveira…»4. Em 7 de Abril de 1915, na sua edição nº 27, O Mensageiro comunica que brevemente iniciará a publicação de folhetins com as ‘Constituições do Bispado de Leiria’, referindo que
nova entrada Bispal, o que veio a acontecer na sua publicação nº 29, de 21 de Abril de 1915. A Grande Guerra continua com a sua conhecida secção ‘A Guerra", dando uma panorâmica, semana a semana, sobre o conflito. Sobre a separação da Igreja do Estado, aparece, embora quatro anos depois, um texto de grande destaque na primeira página de
O Mensageiro é a ponte de ligação com o Bispado de Coimbra, com vista à restauração da Diocese de Leiria
esta obra será de grande valor histórico. Nesta mesma edição, numa pequena nota de primeira página, anunciava-se que no dia 15 de Abril de 1915, haverá a entrada solene do Bispo da Diocese, D. Manuel Luiz Coelho da Silva. O novo Prelado iria significar a mudança, a reconquista da Diocese de Leiria. Não se pode dissociar que o jornal O Mensageiro também pertencia, naquela época, à Diocese de Coimbra e por isso devia-lhe a divulgação daquela área geográfica com a cobertura dos acontecimentos desta
O Mensageiro, na sua edição nº 31, de 5 de Maio de 1915. Afonso Costa foi o alvo deste jornal católico que aborda uma lei que não foi consensual no Clero, muito menos aceite pelos católicos e por várias facções do Clero. «Mandava o Sr. Afonso Costa em casa alheia e que lhe parecia farta – daí grossa fatia ao afilhado Estado que tinha muitos meninos bonitos a sustentar. E conseguiu-o porque até hoje não foi entregue á Igreja, o que da Igreja é, ao clero o que ao clero pertence, aos católicos o que só os católicos podem
ceder»5. É curioso que os conteúdos deste semanário católico passam a dar grande destaque ao novo Bispo, reforçando e tornando cúmplices as relações do Clero de Coimbra com este jornal leiriense. A luta pela recuperação da Diocese de Leiria ganha assim outros contornos, mais discretos no jornal mas com mais intervenção nos bastidores. Passam a existir textos sobre a boa relação de todo o Clero com o Prelado. Aliás, sobre este assunto, da ausência de notas, no periódico, acerca da luta pela restauração da Diocese de Leiria, aparece um texto que justifica esse facto, especialmente depois da tomada de posse do novo Bispo da Diocese de Coimbra. «Hoje, como no início da campanha da restauração do nosso bispado os mesmos pensamentos e os mesmos desejos nos dominam. Os longos mezes de espera não teem por forma algum influído no nosso espírito levando-o a abandonar uma causa que é justa e de magno interesse religioso e social. Nem um momento ainda esmorecemos nem tão pouco nos atravessou o cerebro o pensamento de que os nossos desejos, que são os de milhares de crentes não seriam dentro em pouco satisfeitos»6.
REFLEXÕES SOBRE O SÉCULO XX - 11
Joaquim Santos Jornalista
A necessária aproximação ao Bispado de Coimbra como caminho para a restauração da Diocese de Leiria 1 Leiria Ilustrada, in O Mensageiro, nº 10, de 9 de Dezembro de 1914, p. 1. 2 Jupéro; «Verdades», in O Mensageiro, nº 18, de 2 de Fevereiro de 1915, p. 1. 3 «Dr. Afonso Costa, tentativa de assassinato», in O Mensageiro, nº 21, de 24 de Fevereiro de 1915, p. 1. 4 («Manifestação de simpatia ao governo», in O Mensageiro, nº 26, de 31 de Março de 1915, p. 1. 5 «Bens da Igreja – Quanto o Sr. Afonso Costa tirou à Igreja Católica para entregar ao Estado», in O Mensageiro, nº 31, de 5 de Maio de 1915, p.1. 6 «Restauração do bispado de Leiria», in O Mensageiro, nº 42, de 21 de Junho de 1915, p. 2.
SOCIEDADE 7
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
As freguesias que vão desaparecer no concelho e distrito de Leiria
Reorganização do País avança... O compromisso está firmado com a Troika e não há muita volta a dar para alterar o pano de fundo do cenário mais que certo da redução de freguesias em Portugal. O concelho e distrito de Leiria são afectados com esta directiva que muita tinta fará correr nos jornais, com a previsão de redução de 10 das actuais 29 freguesias do concelho e de 42 das actuais 148 freguesias do distrito. No conjunto total, o Governo pretende extinguir ou fundir cerca de 1500 freguesias, numa lógica de reorganização administrativa territorial que levará as Assembleias Municipais dos concelhos a definirem o plano das freguesias a agregar, em função dos parâmetros definidos na
proposta do governo. São vários os aspectos a tomar em conta como se as freguesias são rurais ou urbanas, o número de habitantes que as constituem e o seu distanciamento da malha urbana. Sobre as freguesias cujas regras vão obrigar a agregarem-se vão receber do Estado uma majoração de 15% da verba, através do Fundo de Financiamento das Freguesias. O documento verde que serve de base a esta mudança administrativa não estará ainda encerrado, de modo que os reajustamentos poderão existir, até que a lei seja aprovada e aplicada. A proposta de lei ainda vai ser discutida na Assembleia da República no final de Fevereiro. Nazaré, Pedrógão Gran-
de e Marinha Grande são os únicos concelhos do distrito de Leiria em que não se perspectiva mudança no mapa territorial. Em todos os outros 13 concelhos se perspectiva mexidas no território das freguesias que os compõem. A problemática da agregação de freguesias vai mexer com a história das populações locais, com as suas raízes e com o factor proximidade que os cidadãos tinham na resolução dos seus problemas. O mapa de Portugal vai ser alterado significativamente e até Julho de 2012 as Assembleias Municipais vão ter de decidir com carácter obrigatório, quais as freguesias dos concelhos de sua jurisdição que vão ser agregadas. Se até essa data não for executado o que
AGREGAÇÃO DE FREGUESIAS NO DISTRITO DE LEIRIA Concelho Actuais Futuras Dif. Alcobaça 18 12 -6 Alvaiázere 7 5 -2 Ansião 8 6 -2 Batalha 4 3 -1 Bombarral 5 4 -1 Caldas Rainha 16 10 -6 Castanheira Pêra 2 1 -1 Figueiró Vinhos 5 4 -1 Leiria 29 19 -10 Marinha Grande 3 3 0 Nazaré 3 3 0 Óbidos 9 7 -2 Pedrógão Grande 3 3 0 Peniche 6 3 -3 Pombal 17 13 -4 Porto de Mós 13 10 -3 Total 148 106 -42 ainda será aprovado na Assembleia da República em nova lei, será executada compulsivamente por uma entidade que fiscaliza e aplicará este projecto de agregação das freguesias. Joaquim Santos
Efeméride assinalada a 15 de Fevereiro
Centenário do Farol do Penedo da Saudade
DR
A Capitania do Porto da Nazaré e a Direcção de Faróis vão assinalar o Centenário do Farol do Penedo
da Saudade (1912-2012), que decorrerá no próximo dia 15 de Fevereiro, pelas 10h30, em São Pedro de Moel. O Farol do Penedo da Saudade, situado 800 metros a Norte de S. Pedro de Moel, entrou em funcionamento a 15 de Fevereiro de 1912. Tem uma torre com 32 metros de altura e fica situado a uma altitude de 55 metros. De Março de 1916 a Dezembro de 1919, o farol esteve apagado devido à I Grande Guerra. Inicialmente foi insta-
lado um aparelho óptico de 3ª ordem, grande modelo (500mm de distância focal), com a rotação da óptica produzida por uma máquina de relojoaria. A fonte luminosa utilizada era a incandescência pelo vapor de petróleo. A óptica primitiva não se manteria no farol por muito tempo, visto que foi deslocada para o novo farol do Cabo Mondego. De 3 de Março a 27 de Julho de 1921, o farol esteve novamente apagado para substituição da referida óptica. O aparelho lenticular então
instalado foi também de 3ª ordem, grande modelo, dando grupos de dois relâmpagos. O farol foi dotado de energia eléctrica com a instalação de grupos electrogéneos em 1947, só vindo a ser ligado à rede de distribuição pública de energia em 1980, ano em que foi iniciada também a sua automatização. A potência da lâmpada utilizada no farol, que em 1947 era de 6000 watts, foi sendo progressivamente reduzida para os actuais 1000 watts.
No IPJ de Leiria – 10 de Fevereiro
Colóquio “Os Perigos do Like” O IPJ de Leiria vai realizar no dia 10 de Fevereiro, às 21h00, um colóquio subordinado ao tema “Os Perigos do Like”. A iniciativa insere-se no âmbito das comemorações do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações e do Dia da Internet Segura, organizado pela Insafe com o tema em
2012 “Aproximar Gerações” e com o slogan “Descubra junto, o mundo digital... em segurança!”. Este colóquio tem como objectivo debater numa vertente pedagógica os “perigos” das novas tecnologias. Serão abordados os temas: a inserção de dados confidenciais (nos telemóveis, ipod, ipad, computadores,
Pensar antes de publicar...) no perfil das redes sociais facebook, msm; Direitos de Autor; Cyberbullying; Jogos on-line; bluetooth,... Destina-se ao público em geral, nomeadamente Educadores (Pais, Avós), Professores, Jovens, Adolescentes e Crianças. O colóquio terá como orador convidado Manuel
Silva, licenciado, formador em áreas como recursos humanos, marketing pessoal, ciências comportamentais, que abordará de uma forma simplificada estes temas actuais através de casos práticos e situações reais como forma de alertar ao uso indevido da imagem e identidade, a todos aqueles que vierem assistir.
Centro de Interpretação Ambiental de Leiria
“Pegada Ecológica - Floresta”
Nos dias 9, 10, 16, 17 de Fevereiro e 1 de Março, das 09h30 às 11h30, o Centro de Interpretação Ambiental de Leiria, junto ao Jardim de Santo Agostinho, promove mais uma actividade da “Pegada Ecológica”, subordinada ao tema das “Florestas”, numa organização da Autarquia e da Vertigem - Associação para a Promoção do Património. Dirigida aos alunos do 2º ao 4º ano, esta actividade abordará a evolução da floresta em Portugal e no Mundo, a sua relação com o ambiente, bem como a sua importância para todos os seres vivos, e especificamente a sua inter-relação com a agricultura e a alimentação do Homem.
Dinamizar o comércio local
Parceria ACILIS e Cinema City Com o objectivo de dinamizar o comércio de Leiria, a ACILIS e o Cinema City estão a desenvolver uma parceria que permite aos clientes dos nossos associados obterem descontos em sessões de cinema e também nas lojas aderentes. Assim, as lojas que aderirem a esta iniciativa terão vouchers do Cinema City para distribuir pelos seus clientes e aos quais deverá ser obrigatoriamente agrafado o talão de compra. O voucher permite ao cliente ir ao cinema com desconto - oferta de um bilhete de cinema na compra de outro - no dia 14 de Fevereiro (Dia dos Namorados). Por sua vez, os clientes do cinema será entregue entre o dia 10 e o dia 14 de Fevereiro, um talão de desconto de 15% em qualquer uma das lojas aderentes, válido até 19 de Março (Dia do Pai).
Compostagem e sensibilização ambiental
Oficina de trabalho em Alcaria A Junta de Freguesia de Alcaria, em parceria com a Câmara Municipal de Porto de Mós, vai organizar uma oficina de trabalho de compostagem doméstica, no próximo dia 18 de Fevereiro, às 09h30, junto ao Quintal Biológico. A iniciativa pretende formar e sensibilizar a população para a transformação de lixo doméstico em fertilizante natural.
Carnaval pela região Marinha Grande - Cerca de mil crianças dos jardins-
de-infância e escolas do 1.º ciclo do ensino básico das freguesias da Moita e da Marinha Grande irão participar no desfile de Carnaval promovido pelo Município, no dia 17 de Fevereiro, a partir das 09h30, no Parque da Cerca, na cidade vidreira. Pataias - Os tradicionais desfiles carnavalescos em Pataias vão sair à rua nos dias 19 e 21 de Fevereiro, a partir das 15h00. Os convidados para “reis do Carnaval de 2012” são João Vieira e Rita Moleiro. Em antecipação, haverá desfile infantil no dia 17, a partir das 10h00. Batalha - Como é tradição, a vila da Batalha vai acolher um corso carnavalesco, com a participação das colectividades, escolas, grupos de ATL e outras animações, no domingo, 19 de Fevereiro, a partir das 14h30, com a concentração junto ao pavilhão multiusos. Golpilheira - No sábado, 18 de Fevereiro, a partir das 21h30, haverá baile de Carnaval, no salão da igreja da Golpilheira. Com entradas grátis e “bar aberto”, haverá prémios de grupo e individual para os melhores mascarados.
8 ECLESIAL
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
Família há oito Séculos
CAMINHO... COM A
CARTA PASTORAL 17
3. Vasto mundo, minha paróquia 3.7 O diálogo entre fé e cultura No ano de 2012, o nosso Colégio Diocesano de S. Miguel celebrará o jubileu dos 50 anos da sua fundação, ao qual desde já dirigimos uma palavra de congratulação e parabéns. Por isso, vamos integrá-lo neste percurso pastoral de 2011/2012, com uma iniciativa a dinamizar pelo próprio Colégio sobre o tema “A Família, a Paróquia e a Escola – Pilares da Nova Evangelização”. c) Por fim, o património da história e arte é outro caminho de diálogo com a cultura e de aproximação das pessoas à fé. É pois um convite a todos a fazer um tesouro desta “via da beleza” que educa a mente e o coração humanos e os abre ao mistério d’Aquele que é, segundo Santo Agostinho, “a Beleza tão antiga e sempre nova”. Nesta linha, o Departamento Diocesano do Património cultural vai organizar alguns percursos ou roteiros por toda a Diocese para ajudar a descobrir os tesouros que muitas das nossas igrejas e outros locais guardam e que nós desconhecemos. Esta acção do Departamento Diocesano não poderia ser estímulo e modelo para iniciativas semelhantes a nível paroquial ou vicarial? Nesta linha permitam-me fazer uma interpelação a propósito das festas populares das nossas paróquias: não seria de aproveitar este ano pastoral para elevar o nível cultural destas festas que por vezes deixa tanto a desejar, com gastos tão dispendiosos? Promovam-se e valorizem-se os talentos artísticos e as iniciativas locais de animação, poupando em contratos com agentes exteriores.
Para reflexão... ltura
icação social tre fé e cu 3.7. O diálogo en rticipação no campo: da comun m a cultura pa , do diálogo co • Qual a nossa tal, da educação mediática e digi io da história e da arte? lares? ón através do patrim o nível cultural das festas popu ar ev • Procuramos el
Abraço universal Tal como os missionários dos tempos áureos dos descobrimentos também as Irmãs Clarissas se lançaram na aventura. Deixam para sempre família, comunidade de origem, pátria, e partem “sem capa nem bordão” para terras de missão. Uma partida definitiva. Partem para nunca mais voltar. Partem sem bilhete de regresso. Uma loucura! Loucos para o mundo mas sábios segundo Deus. São estes homens e mulheres, arautos do grande Rei, que oferecendo as suas vidas pela causa do Evangelho, escrevem as mais belas páginas da história da humanidade. Uns escrevem-na com tinta, muitos com a vida e outros com o sangue do martírio. Também um dia Santa Clara de Assis desejou partir para terra de “infiéis” tal como S. Francisco, para levar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo a todos os povos. Mas o projecto de Deus a seu respeito era outro e Clara acolheu livre e filialmente esse projecto. No seu coração virginal crepitava a chama viva do amor universal. No silêncio do pequenino mosteiro de S. Damião lançou a semente e, de mãos postas em oração dia e noite, foi suporte dos membros mais débeis do Corpo Místico de Cristo, como ela própria escreveu. E as suas Irmãs, ao longo
dos séculos, cuidaram dessa seara divina onde o Espírito do Senhor continuamente faz crescer e produzir frutos em abundância. Segundo alguns dados históricos, em 1680, existiam em todo o mundo 70 000 Clarissas em 2000 mosteiros e já se erguiam na Europa, América Latina e Ásia, esses oásis de oração, silêncio e adoração. Com o aparecimento de correntes hostis à vida monástica em vários países da Europa, muitos mosteiros foram extintos, os religiosos expulsos e os seus bens confiscados. Então, as Irmãs Clarissas, como os primeiros cristãos, concretizam o abraço universal dispersando-se pelos lugares mais recônditos dos cinco continentes. Nos finais do século XIX chegam aos Estados Unidos da América e em 1902 ao Canadá. Depois rumam em direcção ao Continente Africano. Em 1931 fundam mosteiros na Birmânia, Indochina e Tailândia. A estrela que se acendeu no horizonte de Deus, em 1211, propagou o seu brilho a partir de Assis até aos confins da terra. O impulso missionário, nascido no coração das filhas de Santa Clara, prossegue sem desfalecimentos, pausas ou cansaços. O Espírito Santo ignora a lentidão com afirma S. Ambrósio. Animadas e fortalecidas pelo Espírito
DR
[COLUNA SEMANAL]
do Senhor levam o ideal evangélico de Clara ao Japão, Filipinas e Oceânia. As Comunidades da América Latina, em grande florescimento, ramificam-se e partem para outros continentes, sobretudo para as novas comunidades cristãs de África. Um verdadeiro abraço universal que tem como centro e base o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo que Santa Clara viveu fielmente. Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. E a Ordem de Santa Clara na sua pequenez e fragilidade, porque constituída por pessoas humanas, torna-se nas mãos de Deus instrumento vivo e eficaz para o anúncio alegre e jubiloso do Reino dos Céus. Creio que aqueles que rezam fazem mais no mundo do que aqueles que lutam. Se tudo vai de mal a pior é porque há mais batalhas que orações. Se houvesse um só dia ou até mesmo um instante em que a terra não enviasse alguma oração ao céu, esse
dia, esse instante, seriam os últimos do mundo (Donoso Cortês). Neste abraço universal de continentes e povos os missionários levam Deus aos homens; por sua vez, as Irmãs Clarissas no silêncio dos seus claustros levam os homens até Deus. Como grão de trigo, cada Irmã Clarissa, livremente aceita morrer para que o campo de Deus produza frutos e frutos com abundância. Ninguém tem maior amor do quer aquele que dá a vida pelos amigos. Esta foi a missão nobre e sublime de Clara de Assis e é a missão de cada uma das suas seguidoras, esta é também a missão de cada cristão no seu meio ambiente. Cristo deu-nos o exemplo para que sigamos os seus passos. Todas as actividades missionárias estão sujeitas à lógica da semente que deve morrer para frutificar (Frei Giacomo Bini ofm). Esta é a lógica de Deus, a lógica do verdadeiro amor. Irmãs Clarissas de Monte Real
Casa de Retiros do Seminário de Leria
“Tempos de oração e silêncio” A Casa de Retiros São José do Seminário Diocesano de Leiria, para além de acolher iniciativas de outras entidades, vai oferecer a todos os interessados duas propostas anuais de oração e silêncio, centradas na meditação dos momentos fundamentais da vivência da fé cristã: a Páscoa e o Natal do Senhor. Deseja, deste modo, participar no grande desafio pastoral do nosso tempo que é a nova evangelização e contribuir para um maior e melhor conhecimento das razões
da nossa esperança! Habitualmente, a maioria das propostas realiza-se no tempo de preparação para a celebração do Nascimento e da Morte e Ressurreição do Senhor. A nossa intenção, segundo antiga tradição da Igreja, é oferecer estes dois tempos fortes de meditação do Mistério Cristão no final da primeira semana do Natal e no final da primeira semana da Páscoa para contemplar o mistério admirável da Encarnação do Filho de Deus e a grandeza do seu projecto de Salvação,
saboreando mais intensa e profundamente a força do seu amor por nós, causa da nossa alegria! O primeiro tempo de oração e silêncio, organizado pela Casa de Retiros do Seminário de Leiria, vai realizar-se nos próximos dias 13, 14 e 15 de Abril e será orientado Padre Manuel Afonso, Director espiritual do Seminário Maior de Braga e Superior da Comunidade Shalom. Começa com o jantar de sexta, às 20h00, e termina com o almoço de domingo.
O custo da estadia é de 60 por pessoa, em quarto individual, e 50 por pessoa, em quarto duplo. As inscrições terminam no dia 6 de Abril. Para mais informações e inscrições consultar o site da diocese de Leiria-Fátima, o número 244832760 ou directamente no Seminário diocesano de Leiria. Padre Manuel Armindo Pereira Janeiro (reitor)
DIOCESE 9
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
Diocese quer suscitar compromisso social e santificação no mundo mediante retiro popular na quaresma
“Fazer brilhar no mundo a luz de Cristo” Sob o título “Fazer brilhar no mundo a luz de Cristo”, a diocese de Leiria-Fátima acaba de publicar o guião para o retiro popular da Quaresma de 2012. Na apresentação, o Bispo D. António Marto aponta como objectivo para este ano desenvolver a espiritualidade do compromisso social e da santificação no mundo, em ordem a alcançar “uma vida espiritual de qualidade” que satisfaça plenamente a qualidade de vida humana que hoje tanto se procura. A proposta concretiza-se em encontros semanais, em grupo, para ler, meditar, partilhar e fazer oração com base num texto bíblico. Destina-se a todos os fiéis e mesmo a pessoas arrefecidas na fé. Pode ser adotada por grupos paroquiais, famílias, movimentos eclesiais, associações ou comunidades religiosas. Podem também constituir-se grupos espon-
tâneos que se reúnem em casas familiares ou outros lugares apropriados. A temática insere-se no dinamismo apontado para o presente ano na carta pastoral de D. António Marto “Testemunhas de Cristo no mundo”, na qual o bispo convida os seus diocesanos a testemunharem “a caridade de Cristo através das obras de justiça, de promoção do desenvolvimento humano e de paz, ao serviço da dignidade da pessoa numa sociedade justa e fraterna”. O título do guião exprime o objectivo do retiro: no mundo, onde quer que estejam, mediante a sua vida e obras, os cristãos fazem brilhar a luz de que são portadores. A palavra de Deus escutada, meditada, acolhida, partilhada e posta em prática na própria vida reacende ou aviva a luz de Cristo nos corações. Então, tornam-se portadores da luz que os
ilumina e impele a realizar boas obras na sociedade. A proposta inclui seis textos bíblicos e outros tantos exemplos de pessoas que incarnaram de modo admirável o testemunho cristão na sociedade. Os temas começam pelo convite a descobrir como viver a “santidade na vida quotidiana”. Depois, vem a perceção de que a luz de Cristo leva os seus discípulos à prática da “caridade social e política, empenhando-se na promoção do bem comum” e que o dom da fé opera uma “renovação pessoal, factor de transformação social”. Seguem-se os temas: “Presença cristã na cultura”, “Deus educa o seu povo” e, por fim, o testemunho da “Identidade cristã mediante o compromisso no mundo”. As figuras apresentadas são: o casal Maria e Luigi Quattrocchi, Robert Schuman, Luther King, António
Gaudí, Abúndio da Silva e Pier Giorgio Frassati. Além dos temas apresentados de modo acessível a qualquer pessoa ou grupo, o guião inclui orientações pedagógicas sobre a leitura orante da palavra de Deus (lectio divina), sugestões de cânticos, a biografia das figuras mencionadas e outras indicações para quem se propõe orientar ou fazer o retiro popular. O guião está publicado e pode ser pedido e adquirido na livraria da Gráfica de Leiria (tel. 244 832 336; fax 244 834 600; e-mail: graficadeleiria.contabilida de@gmail.com). Os textos podem também encontrar-se no sítio da Diocese na internet, www.leiriafatima.pt, de onde podem ser descarregados para a sua utilização. Padre Jorge Guarda, Vigário Geral
DR
“Quereis oferecer-vos a Deus?”
multidisciplinar”. Recorde-se que, ao longo de 2012, “o Santuário de Fátima convida crentes e não crentes a escutar e a procurar responder à pergunta que, no dia 13 de Maio de 1917, o pastorinho Francisco e as pastorinhas Jacinta e Lúcia escutaram vinda do Céu: ‘Quereis oferecer-vos a Deus?’”, e é nesse sentido que está a ser preparado o programa do simpósio.
“O Simpósio reúne um grupo de especialistas vindos de Portugal, da Espanha, da França, da Bélgica e dos Estados Unidos para dinamizarem os trabalhos, com os seus contributos específicos. Ao longo de três dias, pretende-se escrutinar a forma como hoje se compreende e realiza o oferecimento de si, os seus limites e dimensões; as suas possibilidades e equívocos; os seus fundamentos e
“Brilhe a vossa luz diante dos homens”
No próximo dia 15 de Fevereiro, pelas 21h00 no Hotel Dom Gonçalo em Fátima, vai realizar-se um encontro com o Sr. Bispo Diocesano Dom António Marto, subordinado ao tema “Brilhe a vossa luz diante dos homens”. Trata-se de um encontro Vicarial congregando as Paróquias de Fátima, Santa Catarina da Serra, Atouguia e São Mamede, destinado à população que está directamente ligada ao Turismo nomeadamente ao acolhimento ao peregrino.
Café com Histórias nas Pedreiras
“Voluntariado Missionário - Uma Entrega de Amor” “Voluntariado Missionário - Uma Entrega de Amor” é o tema que será abordado nas tertúlias da iniciativa Café com Histórias, no dia 10 de Fevereiro, às 21h00, no Centro Pastoral das Pedreiras. A iniciativa conta com a presença de Angélica Filipe que abordará o tema.
Visita Pastoral - 8 a 12 de Fevereiro
Marinha Grande
Santuário de Fátima realiza simpósio teológico-pastoral «“Quereis oferecer-vos a Deus?” – Horizontes contemporâneos da entrega de si» é o título do próximo simpósio teológico-pastoral promovido e organizado pelo Santuário de Fátima. Agendado para os dias 15 a 17 de Junho deste ano, decorrerá no Salão do Bom Pastor, no Centro Pastoral de Paulo VI, em Fátima. No texto de divulgação da iniciativa, a presidente da Comissão Organizadora, Isabel Varanda, destaca a pertinência da proposta apresentada: “A questão ‘Quereis oferecer-vos a Deus?’ não é, hoje, claramente, uma questão confortável. Terá ainda lugar e sentido, no tempo do humanismo secular, pensar a oferta de si a Deus? A complexidade teológica, religiosa, antropológica, social, existencial e ética da questão solícita, necessariamente, uma abordagem
Encontro vicarial com o Senhor Bispo
razões”, sublinha Isabel Varanda, docente e investigadora da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Quanto aos destinatários do simpósio, Isabel Varanda refere que “o evento destina-se a todos e a todas para quem Deus não é uma questão menor e se disponham ao trabalho concreto de procurar as ressonâncias contemporâneas da pergunta que os pastorinhos de Fátima acolheram há quase um século, e que concentra em si os alicerces e as dinâmicas essenciais da fé cristã: ‘Quereis oferecer-vos a Deus?’. O Santuário de Fátima anunciará, em tempo oportuno a abertura do período de inscrição para participação no simpósio teológico-pastoral. Sala de Imprensa Santuário de Fátima
8 de Fevereiro (quarta-feira) 15h30 - Encontro com doentes e idosos na Lar da Santa Casa da Misericórdia nas Vergieiras, celebração da Missa com Unção de Doentes, seguida de visita aos doentes da Unidade de Cuidados Continuados 18h00 - Encontro e jantar com a Comunidade das Irmãs de Nossa Senhora de Guadalupe 21h30 - Encontro com os dirigentes associativos e autarcas no salão da igreja 9 de Fevereiro (quinta-feira) 15h30 - Visita à comunidade de Albergaria 17h00 - Visita à comunidade de S. Pedro de Moel 19h00 - Missa em Picassinos 20h00 - Jantar partilhado em Picassinos 21h30 - Encontro com professores no salão da igreja de Picassinos 10 de Fevereiro (sexta-feira) 15h30 - Visita à comunidade de Amieira 17h00 - Visita à comunidade de Garcia 18h30 - Chegada ao Pilado 19h00 - Missa no Pilado 20h00 - Jantar partilhado no Pilado 21h30 - Encontro com casais no Sport Operário Marinhense 11 de Fevereiro (sábado) 11h00 - Encontro com as crianças do 1º ao 4º ano da catequese 12h30 - Almoço na residência paroquial 15h00 - Encontro com as crianças e adolescentes do 5º ao 8º ano da catequese 16h30 - Missa com crianças, adolescentes e jovens 18h00 - Encontro com os adolescentes do 9º e 10º da catequese, e grupos de jovens 19h30 - Jantar com família 21h30 - Assembleia paroquial na igreja paroquial 12 de Fevereiro (domingo) 10h30 - Acolhimento do Senhor Bispo no adro da igreja e missa 13h00 - Almoço para todos os paroquianos na FAE – inscrição prévia nas igrejas e no cartório
10 ECLESIAL
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
(12/02/12) Antífona de Entrada: Salmo 30, 3-4 Leitura I: Lev 13, 1-2.44-46 Salmo Responsorial: Salmo 31 (32), 1-2.5.7.11 (R. 7) Refrão: Sois o meu refúgio, Senhor; dai-me a alegria da vossa salvação. Repete-se Leitura II: 1 Cor 10, 31 – 11, 1 Aclamação ao Evangelho: Lc 7, 16; Refrão: Aleluia. Repete-se; Apareceu entre nós um grande profeta: Deus visitou o seu povo. Refrão Evangelho: Mc 1, 40-45 Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocoulhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte. Palavra da salvação.
Cânticos | VII Domingo Tempo Comum INÍCIO: Alegre-se o coração - Lau 142
(19/02/2012)
Humanizar a morte nos hospitais «A Morte e o Morrer entre o deslugar e o lugar. Precedência da Antropologia para uma Ética da Hospitalidade e Cuidados paliativos» é o título do trabalho de doutoramento do padre José Nuno, capelão do Hospital de São João, no Porto. Este sacerdote deseja que o seu novo trabalho “ajude a recuperar a humanidade da morte no hospital, porque a morte humanamente acolhida e vivida é a maior fonte de uma espiritualidade sadia”. Aqui deixamos o seu testemunho sobre este tema: “O objectivo do trabalho foi tentar compreender o sofrimento do nosso tempo na relação com a morte - o sofrimento dos que morrem, o dos familiares que os acompanham ou que fogem, o dos profissionais de saúde que se vêem a braços com uma realidade para que não são formados
AO SABOR DA PALAVRA
SALMO RESPONSORIAL: Salvai Senhor a minha alma - Lau 730 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Se vos amardes - Lau 749 COMUNHÃO: Dou-vos um mandamento novo - Lau 301 Eu vim para que tenham vida - Lau 382 PÓS-COMUNHÃO: Louvai, louvai o Senhor - Lau 479 FINAL: Senhor, tu amas o mundo - Lau 778
Pe. Francisco Pereira
Cânticos | Quarta-feira de Cinzas (22/02/12)
INÍCIO: Chegaram os dias de penitência - Lau 220
SALMO RESPONSORIAL: Pecámos Senhor: tende compaixão de nós - Lau 648 IMPOSIÇÃO DAS CINZAS: Irmãos convertei - Lau 441 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Escuta Israel - Lau 342 COMUNHÃO: Se cumprirdes os meus mandamentos - Lau 740 O meu alimento - Lau 562 PÓS-COMUNHÃO: Perdoai Senhor - Lau 661 FINAL: Senhor são muitos os nossos pecados - Lau 774 Irmãos convertei - Lau 815
pe.francisco@mac.com
6º Domingo do Tempo Comum 12 de Fevereiro de 2012
Os que não existem No tempo de Jesus o pior que podia acontecer a uma pessoa, mais do que a própria morte, era apanhar lepra. Essa doença significava que um leproso continuando a viver deixava de existir para os outros, era completamente esquecido pela comunidade, até pela sua própria família. Mesmo que se cruzasse com alguém ao longe era ignorado. Como dizia o livro do
em hospitais que não foram preparados para ser o lugar de morrer da maioria. De facto, é no hospital que morrem mais de 60% dos portugueses, já de há vários anos a esta parte. O processo de transferência começa a delinear-se na década de setenta do séc. XX. Primeiro no Sul, a acentuar-se depois também no Centro e Norte do país. À primeira vista, é um dado positivo: as pessoas têm acesso a cuidados de saúde, morrem assistidas, as famílias não se vêem sós com o seu doente sem saber o que fazer. Mas há
muito sofrimento por dizer. Por isso me dediquei a esta causa, convicto como estou - cada vez mais! - que ela é causa maior de muito do mal-estar da sociedade dos nossos dias. Esta questão impos-se-me como prioritária, pois humanizar é evangelizar: o Evangelho o que nos pede, antes de mais, é que sejamos dignos de viver como homens, que vivamos humanamente. E se não morremos humanamente, não podemos viver humanamente. Não se vive bem numa sociedade em que se morre mal - Não é possível
viver humanamente numa sociedade em que se morre desumamente. Qual a missão da Igreja diante da realidade como eu a conheci? Não valia a pena gastar-me exclusivamente a abençoar e a consolar as vítimas - e todos são vítimas, não apenas os doentes que morriam, nesta encruzilhada existencial e civilizacional que vivemos em que a morte não cabe - sem, ao mesmo tempo dar o melhor de mim na tentativa de humanizar a morte. Espero que este trabalho ajude a recuperar a humanidade da morte no Hospital, porque a morte humanamente acolhida e vivida é a maior fonte de uma espiritualidade sadia. O meu compromisso com esta causa considero-o absolutamente parte da minha missão como capelão hospitalar”.
Levítico falando dos leprosos: “Sendo impuro deverá morar à parte, fora do acampamento.” O afastamento leva ao esquecimento, aquilo que incomoda é afastado. Aquilo que não se vê, que não se sente, não existe. Esta é uma ideia que alguns filósofos preconizavam, e que nos dias de hoje começa a tomar mais peso: vemos quase todos os dias as pessoas a buscarem os seus 15 minutos de fama mesmo fazendo as coisas mais ridículas. Para que sejam vistos, para que sejam realidade. Para que existam. Ainda hoje temos muita gente que vive nestas condições, não por causa da lepra, mas por causa de outras coisas como a SIDA, a droga, a fome, a cor da pele ou até a sua fé. Os novos leprosos também são colocados à margem, esquecidos, expulsos da comunidade. E nós alinhamos nisso, também nos afastamos deles, também os olhamos de lado e dizemos “Impuro, Impuro”. Mas isso não acaba com o problema, eles continuam a existir, a pesar-nos na consciência: o seu silêncio
é um grito desesperado. É para combater esse silêncio que Jesus vem ao nosso encontro. Jesus com o milagre que vemos relatado no Evangelho deste domingo faz-se também um com os que são marginalizados. O facto de não entrar nas cidades revela que Deus vem para acolher os que estão de fora, os que foram expulsos, os que são rejeitados. Deus ama da mesma maneira cada pessoa, mesmo que ela seja impura, mesmo que esteja fora das normas impostas pela maioria. E como é que nós fazemos? Quando nos interrogamos sobre o que devemos fazer S. Paulo respondenos na carta aos Coríntios: “Fazei tudo para glória de Deus.” Isso significa que em cada coisa que fazemos é necessário colocar a intenção de Deus, fazer as coisas por causa de Deus, como se fosse Ele a fazê-las. Assim seremos capazes de fazer aquilo que verdadeiramente importa, aquilo que conta não só para a nossa felicidade, para o nosso ego, mas que conta para a totalidade do mundo. Nesta busca do
melhor seremos também capazes de ver aqueles que estão à nossa volta e que não existem para o cidadão comum: os rejeitados pela sociedade, os desprezados pelos outros, aqueles que desistiram da sua dignidade humana e se arrastam pelas nossas ruas à procura de salvação, tantas vezes à procura da morte. Procuremos todos dizer como o leproso do Evangelho: “Se quiseres podes curar-me”. Porque sabemos que ele nos diz “Quero: fica limpo.” Mas esta frase de Jesus não se fica por aqui, é preciso também o compromisso daqueles que são curados. O ir-se mostrar ao sacerdote significa também um desejo de se integrar na comunidade: os que estão à margem precisam também de se transformar, de ir ao encontro da comunidade, têm de se deixar transformar, não podem continuar na mesma. Será que queremos ser curados, que queremos que a nossa vida se transforme para que a comunidade seja harmoniosa e unida? É necessários caminharmos todos ao encontro uns dos outros.
DR
Leituras | VI Domingo Tempo Comum
PORTUGAL 11
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
“Melhorar as relações interpessoais” Mais de meia centena de pessoas decidiram começar o ano de 2012 fazendo formação com a associação Novahumanitas. Coimbra recebeu a sessão “Melhorar as minhas relações interpessoais”, com a orientação do padre Fernando Pascoal. Sara Carvalho participou neste encontro e salienta a riqueza do grupo: «éramos 18 pessoas, entre os 28 e os 67 anos, com percursos de vida bastante distintos. Facilmente senti que fazia parte daquele grupo de pessoas que procuram continuamente desenvolver-se, dando maior qualidade à sua própria vida e à de quem as rodeia». A jovem afirma que «as sessões da Novahumanitas têm sempre a capacidade de me surpreender» e acrescenta «é bom sentir que não estou sozinha neste caminho». Também em Janeiro, treze casais escolheram
dedicar um fim-de-semana ao seu crescimento. O tema desta sessão foi “Os entraves na vida de casal e na unidade de casal” e foi orientado pela Drª Aida Brito. A sessão serviu para cada casal olhar a realidade do casamento que vive e permitiu tempos de partilha a dois e em grupo. Para Aida Brito é «o trabalho de cada um e dos dois e a partilha profunda que ajudam a crescer como pessoas e como casal». Para a formadora responsável por esta sessão «dificuldades encontrá-las-emos sempre, teremos é de aprender a vivê-las de modo dialogante e ajustado». A Novahumanitas é uma associação sem fins lucrativos e de utilidade pública. Faz parte da associação de fiéis Mambré reconhecida em várias Dioceses em Portugal e em Espanha. A Novahumanitas situa-se no campo das
ciências humanas como uma “psicopedagogia do crescimento humano”, ajudando qualquer pessoa a descobrir e a desenvolver toda a riqueza que tem em si mesma. Realiza sessões de formação humana e espiritual em Lisboa, Fátima, Porto, Braga, Aveiro e Albergaria. Está presente também em Espanha, Cabo Verde e Angola. O calendário de actividades da associação para este ano será o seguinte: Fevereiro: 17 a 21 Ponta Delgada, “Ser pessoa unificada; 29 a 4 de Março– Braga/Soutelo, “Descobre-te a ti mesmo...”; Março: 9 a 11 – Fátima, “Aprender a analisar-me”; 16 a 18 – Coimbra, “Crescer em verdadeira autoestima”; 23 a 25 – Fátima, “Viver hoje o Sacramento da Reconciliação”; Abril: 27 a 1 de Maio – Fátima, “Descobre-te a ti mesmo...”; 27 a 1 de Maio
– Porto, “Para o que estou feito” Junho: 6 a 10 – Coimbra, “Dar qualidade à própria vida”, Julho: 13 a 15 – Coimbra, “A Eucaristia na minha vida”; 20 a 22 – Lisboa - “Viver o amor verdadeiro Agosto: 6 a 12 – Fátima, Retiro “Tenho sede de Deus - Orar os Salmos”; 29 a 2 de Setembro: Fátima, “Educar: a arte de ajudar a crescer” Setembro: 8 – Fátima – Encontro Regional Novahumanitas, Centro e Sul; 9 – Porto, Encontro Regional Novahumanitas, Norte; 12 a 16: Braga/ Soutelo, “Descobre-te a ti mesmo...” Outubro: 3 a 7 – Lisboa, “Descobre-te a ti mesmo...”; 19 a 21 – Coimbra, “Viver o amor verdadeiro...”; 31 a 4 de Novembro: “Determinar-me a crescer” Novembro: 9 a 11 e 16 a 18 – Fátima, “Aprender a analisar-me”.
Campanha solidária faz “cada vez mais parte da vida”
«10 milhões de estrelas» O balanço provisório da campanha “10 milhões de estrelas”, lançada pela Caritas Portuguesa durante esta quadra natalícia, aponta para um resultado “muito acima da meta traçada”, com um total de 500 mil velas vendidas. Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a entidade organizadora
considera que “a operação superou, uma vez mais, a meta traçada, que no início do evento era de “300 mil velas”, número que correspondia ao total das vendas em 2010. Para o presidente da Caritas Portuguesa, isto significa que a campanha solidária, criada há nove anos, faz “cada vez mais parte da vida” dos cidadãos,
afirmando-se também como “um contributo de extrema relevância” para a organização, que assim pode fazer face aos “muitos” pedidos de ajuda que vão surgindo. Um “compromisso” que, acrescenta Eugénio Fonseca, se vai “manter” ao longo deste ano, em que o organismo “procurará fazer o que estiver ao seu alcance
para alimentar a esperança dos portugueses”, nestes “tempos tão difíceis”. A iniciativa “10 milhões de estrelas” vai reverter, em 65%, para as diversas Caritas diocesanas espalhadas pelo país, que se debatem actualmente com falta de recursos para corresponderem aos problemas identificados no terreno.
Iniciativa Fé e Arte, um diálogo de séculos apresenta nova visita
“Por Terras da Colegiada” “Por Terras da Colegiada” é o título da próxima visita guiada no âmbito da iniciativa “Fé e Arte, um diálogo de séculos”, organizada pelo Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima que se realizará no próximo sábado, dia 25 de Fevereiro.
O programa contempla a visita a três igrejas do concelho de Ourém: antiga Igreja de Nossa Senhora da Purificação (Olival), Igreja da Conceição (Olival) e Igreja Colegiada de Ourém. As visitas serão conduzidas por Acácio de Sousa e Gonçalo Cardoso. Esta é já a quarta visita
guiada ao património da Diocese de Leiria-Fátima, tendo já alcançado um notável êxito pelo seu interesse, bem como pelo número de participantes, somando já perto de quatro centenas. Às visitas são normalmente associados alguns momentos musicais.
A participação é livre e gratuita. Existirá autocarro disponível, mediante pagamento de 7,50 e marcação prévia através do E-mail coelhomartins@iol.pt ou do telemóvel 962 540 255. O ponto de partida será no Seminário de Leiria às 14h00.
BREVES Patriarcado de Lisboa promove sessões
«Evangelização e Cinema»
O Instituto da Formação do Patriarcado de Lisboa iniciou no dia 6 de Fevereiro, na Igreja do Coração de Jesus desta cidade, um ciclo sobre «Evangelização e Cinema». A primeira sessão é sobre «O sagrado e o cinema» e tem como orador Carlos Capucho, professor da Universidade Católica Portuguesa, realça o programa enviado à Agência ECCLESIA. A conferência “Igreja, cinema, evangelização” vai ser proferida por Margarida Ataíde, dia 13, enquanto que, para o último dia, 20 de Fevereiro, está agendada uma mesa redonda “O cinema na minha vida”, com a participação de Francisco Perestrello, padre Vitor Gonçalves e Inês Gil. Esta é uma iniciativa integrada no ciclo «Leitura crente da actualidade».
DR
Começar o ano em formação com a Novahumanitas
Padre Lino Maia, reeleito dirigente da CNIS
“Sobrevivência das instituições é a maior urgência” A sobrevivência financeira dos organismos de apoio social é a prioridade mais importante para o presidente reeleito da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS). “A urgência das urgências é a promoção da sustentabilidade das instituições. Os recursos são escassos e os desafios são grandes porque temos de fazer mais com menos e não podemos fechar portas”, disse à Agência ECCLESIA o padre Lino Maia. O responsável que foi reeleito em Fátima para o terceiro mandato consecutivo à frente da CNIS disse que durante o período pré-eleitoral pôde “constatar no terreno o aumento das dificuldades” das cerca de 2700 instituições associadas. O dirigente, de 64 anos explicou que a sua presidência, até 2014, vai também dar atenção à “promoção dos valores, co-responsabilidade na contratação colectiva, formação, educação, acção social, saúde, desenvolvimento local, voluntariado e descentralização”. Este sacerdote, da Diocese do Porto, venceu a lista encabeçada pelo padre Arsénio Isidoro, do Patriarcado de Lisboa, naquela que foi a maior participação eleitoral da história da CNIS: das 2100 instituições com direito a voto, 954 expressaram a sua vontade, quando no anterior sufrágio tinham sido seis centenas. O reeleito elogiou “a postura extremamente digna” do oponente de 38 anos, que “mostrou grandes qualidades e vontade de colaborar”: “Terminou a sua intervenção no dia das eleições dizendo que ele, juntamente com quem o apoiou, integraria a equipa da CNIS”, assinalou. Das propostas feitas pelo padre Arsénio nas semanas que antecederam a eleição, o presidente da Confederação destacou a “necessidade da promoção de algum lucro por parte das instituições” para ser investido em serviços: “É uma proposta muito interessante que convém equacionar”, disse.
12 MUNDO
BREVES Jornal do Vaticano elogia «simetria» na eliminação de feriados
«Osservatore Romano» destaca fim de festividades O jornal do Vaticano destaca na sua edição de sábado, já nas bancas, a “simetria” na eliminação de feriados religiosos e civis, em Portugal, decisão confirmada pelo Governo após a última reunião de Conselho de Ministros. “Trata-se de cooperar, Estado e Igreja, para o bem do país numa fase particularmente difícil na vida social”, indica o artigo do ‘Osservatore Romano’. Segundo o quotidiano, “o aumento do número de dias de trabalho é uma necessidade imposta pela crise económica internacional, que colocou Portugal entre os países europeus mais expostos”. O secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros disse que o processo legislativo para a revisão do calendário, de feriados iria salvaguardar os “mecanismos que decorrem da Concordata” assinada com a Santa Sé. Luís Marques Guedes falava em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, em Lisboa, após a aprovação de uma proposta de lei com alterações ao Código do Trabalho que o Governo vai apresentar à Assembleia da República. O documento elenca como feriados a eliminar, por parte do Estado, os dias 5 de Outubro (implantação da República) e 1 de Dezembro (restauração da independência), estando propostos como feriados religiosos a retirar do calendário a solenidade do Corpo de Deus (celebrado anualmente a uma quinta-feira, 60 dias depois da Páscoa) e o 15 de Agosto (solenidade da Assunção de Nossa Senhora). Nos termos da Concordata de 2004, assinada entre Portugal e a Santa Sé, a República Portuguesa reconhece como dias festivos os domingos e os outros dias reconhecidos como ‘festivos católicos’ são definidos por acordo. As questões levantadas pela “interpretação do texto” da Concordata ou “quaisquer outras medidas tendentes à sua boa execução” são analisadas por uma “comissão paritária”, prevista no artigo 29.º do referido acordo internacional.
Bento XVI convida religiosos
«Ano da fé»
Bento XVI convidou os religiosos e religiosas da Igreja Católica a participarem de forma particular no ‘ano da fé’, que se inicia em Outubro, assinalando o 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II (1962-1965). O Papa adiantou que a Santa Sé vai disponibilizar propostas para que os religiosos vivam esta iniciativa como “um ano de renovação e fidelidade” e se “empenhem com entusiasmo na nova evangelização”. Quanto ao Dia do Consagrado, Bento XVI convidou a “louvar e dar graças ao Senhor pelo dom deste estado de vida”, valorizando o testemunho dos que “escolheram seguir Cristo através da prática dos conselhos evangélicos” de castidade, pobreza e obediência. Em diversas dioceses de Portugal, a data é assinalada com vigília de oração e missa, celebrações normalmente presididas pelo bispo. Os membros das congregações religiosas fazem a profissão pública dos conselhos evangélicos, assumidos por votos ou outros vínculos, vivendo em comunidade.
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
Papa pede atenção «concreta» aos mais necessitados
Mensagem para a Quaresma 2012 Bento XVI publicou, no passado dia 7, a sua mensagem para a Quaresma 2012, pedindo aos católicos de todo o mundo que façam deste tempo uma oportunidade para “prestar atenção ao outro”, com “preocupação concreta pelos mais pobres”. “Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda, quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã”, refere o texto, divulgado pela Santa Sé. O Papa critica “a indiferença” e “o desinteresse que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela ‘esfera privada’” na cultura actual, atitudes que quer ver contrariadas por um “olhar de fraternidade”. “O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentirse responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e,
em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro ‘alter ego’, infinitamente amado pelo Senhor”, pode ler-se. O documento, com versão em português, intitula-se ‘Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras’, expressão retirada da Carta aos Hebreus, do Novo Testamento. Bento XVI alerta para o perigo de “uma espécie de ‘anestesia espiritual’”, que impede de atender ao sofrimento alheio com um “olhar feito de humanidade e de carinho”. “O nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre”, observa. Recordando o episódio bíblico [livro do Génesis] em que Deus interpela Caim, a respeito do assassinato do seu irmão Abel, a mensagem papal incita a consciência de cada pessoa a sentir-se responsável por quem é “criatura e filho
de Deus”: “Também hoje Deus nos pede para sermos o ‘guarda’ dos nossos irmãos”. “O facto de sermos o ‘guarda’ dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual”, precisa. Bento XVI diz que a cultura contemporânea parece ter perdido “o sentido do bem e do mal”, sendo necessário “reafirmar com vigor que o bem existe e vence”. “O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem”, assinala. Esse bem, acrescenta, inclui a chamada “correcção fraterna”, numa “responsabilidade espiritual
pelos irmãos”. “A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de ‘corrigir os que erram’. É importante recuperar esta dimensão do amor cristão”, escreve o Papa. A mensagem de Bento XVI diz que os católicos não devem “ficar calados diante do mal” e lamenta que alguns prefiram, “por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum”. “A nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social”, prossegue. A Quaresma, que este ano começa a 22 de Fevereiro (quarta-feira de Cinzas), é um período de 40 dias - exceptuando os domingos -, marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário dos cristãos.
Simpósio em Roma
Bispos da Europa e África debatem novas formas de colaboração Um grupo de bispos católicos europeus e africanos vai reunir-se em Roma, Itália, de 13 a 17 deste mês, para um simpósio dedicado ao tema ‘A Evangelização hoje: comunhão e colaboração pastoral entre a África e a Europa’. A segunda iniciativa do género é organizada pelo Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar (SCEAM) e pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), refere um comunicado deste último organismo, enviado à Agência ECCLESIA. “Os bispos estão, mais do que nunca, plenamente conscientes de que existe
uma nova interdependência entre os seus continentes que os impele a enfrentar e a procurar juntos uma resposta aos desafios que têm em comum”, assinala o documento. Entre os participantes incluem-se D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, e o padre Manuel Barbosa, vice-presidente da União das Conferências Europeias dos Superiores/as Maiores, para além do padre Duarte da Cunha, secretário do CCEE. Além de cerca de 70 bispos delegados das Conferências Episcopais da
África e da Europa, marcam presença na iniciativa representantes da Santa Sé e de organismos parceiros como a fundação pontifícia Ajuda à igreja que Sofre. Esta iniciativa nasce do projecto de colaboração entre o SCEAM e o CCEE, que se iniciou em 2004, visando “aprofundar as responsabilidades comuns” em matéria de “evangelização e de promoção humana”. Ao longo dos últimos anos, os bispos africanos e europeus debateram temas como a escravatura, as migrações ou a acção missionária da Igreja Católica. Durante o próximo Simpósio, os participantes pretendem “avaliar o cami-
nho percorrido até agora, examinar a situação da comunhão pastoral entre a Europa e a África hoje e procurar áreas de colaboração para o futuro”. A iniciativa vai ainda perspectivar o próximo Sínodo dos Bispos programado para Outubro, no Vaticano, sobre o tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. No dia 16, após uma missa na Basílica de São Pedro, os participantes serão recebidos em audiência por Bento XVI. Os trabalhos vão decorrer à porta fechada e encerram-se com a publicação de uma mensagem conjunta.
OPINIÃO 13
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
LUZ ENTRE OS HOMENS
Pe Jorge Guarda
Vigário Geral da Diocese http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt
Francisco de Azeredo: A religião aliada à liberdade
A
fé, que noutras eras podia ser cega, hoje precisa de ter os olhos abertos […]. Precisamos provar praticamente aos livres pensadores que não nos esquivamos à discussão […]. É indispensável que haja academia, conferências, congressos, jornais, livros, tudo quanto seja conducente a apoiar a causa do catolicismo”. Assim afirmava, em 1873, o Conde de Samodães, Francisco de Azeredo Teixeira de Aguilar (1828-1918), um católico do Porto que se empenhou por testemunhar na vida pública a sua fé aliada à defesa da liberdade. Francisco de Azeredo Teixeira de Aguilar nasceu em Gaia no ano de 1828, filho de Francisco de Paula de Azeredo Teixeira de Carvalho, 1º Conde de Samodães, e de Maria do Carmo de Lemos Teixeira de Aguilar. Estudou matemática e filosofia na Universidade de Coimbra e engenharia na Escola do Exército, foi engenheiro civil e militar, deputado, par do reino, ministro da Fazenda, presidente da Câmara Municipal, Governador Civil e provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, escritor e jornalista. Em 1859, casou-se com Henriqueta Adelaide Vieira de Magalhães com quem teve cinco filhos. Herdou do pai o título de conde de Samodães. Lutou pelas causas liberais contra os absolutistas, foi preso e teve de andar fugido. Era um espírito resoluto e independente.
Em 1851, demitiu-se do Exército por discordar das medidas contra si tomadas que considerava injustas. Entretanto, foi eleito deputado às Cortes Constituintes. Em 1855, foi eleito senador da Câmara Municipal do Porto. Em 1858, sucedeu a seu pai como par do reino. Militou no Partido Progressista. Desempenhou importantes cargos e exerceu uma extraordinária atividade em múltiplas instituições e associações, entre as quais se destacam: a Academia de Belas Artes, a Sociedade Humanitária, a Associação Católica, a Ordem de S. Francisco, a Sociedade de Estudos e Conferências, a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, o Palácio de Cristal e a Companhia Vinícola do Norte de Portugal. Depois de uma vida intensa e agitada, faleceu no Porto em 1918. Francisco de Azeredo, Conde Samodães, era um espírito de vasta cultura. Falava várias línguas e andava a par da evolução do movimento científico e literário. Era considerado um verdadeiro sábio. Escreveu múltiplos artigos em revistas e jornais literários, científicos e agrícolas. Foi tradutor e publicou várias obras da sua autoria. Notabilizou-se também como orador e escritor católico. Entre outros, publicou “A liberdade da Igreja em Portugal” (1880), “Discurso em Honra da Cruz” (1873) e variados artigos no jornal “A Palavra”. Foi um combatente pela causa da “liberdade da Igreja”, ou seja, defendeu a sua autonomia de organização e apostolado, face às tentativas de a controlar por parte dos governos. Este homem procurou demonstrar na sua vida e ação “que se podia ser devotamente católico e empenhadamente político”, defender a liberdade dentro do regime constitucional e das suas instituições e militar na Igreja Católica. De facto, na Igreja, ele assumia uma participação “já de acordo com a cidadania plena que os tempos apeteciam, tanto no pensamento como na ação” (M. Clemente). Daí a defesa da necessidade do estudo, do debate, da promoção competente
da doutrina e da prática católicas, como atestam as suas palavras com que iniciámos este artigo. Ao defender a compatibilidade entre a fé católica e o regime político liberal, argumentava: “Poucas condições são indispensáveis para que as instituições velhas ou modernas ou futuras sejam aceitáveis [por um católico], e consiste em que haja governo e não anarquia […]; que não haja despotismo, porque é oposto ao princípio católico da liberdade individual, e que o governo se conforme com os preceitos da moral, revelada e ensinada por Deus. […] Pode-se ser liberal e católico sem contradição nem confusão de ideias: deve ser liberal o que for sinceramente católico, porque os princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade não foi a escola revolucionária que os criou, mas o cristianismo”. Abúndio da Silva, seu contemporâneo e participante do mesmo esforço por defender a causa da liberdade aliada e iluminada pela fé cristã, escrevia em 1908 sobre Francisco de Azeredo: “A religião, que conservou sempre a bom recato, a sua piedade […], nunca o impediram de segurar, com pulso rijo, a bandeira da liberdade […]. E que dizer do Conde de Samodães como o organizador do movimento católico em Portugal? O homem que se bateu pela liberdade política, consagrou também o melhor da sua vida a defender praticamente a liberdade religiosa, e a assegurar os católicos do seu direito de professarem e propagarem a sua fé. O movimento inicial da restauração católica do Porto saiu da Associação Católica; o impulso gerador da imprensa católica saiu de A Palavra. É o esforço destas duas criações que tem condicionado tudo o que entre nós se tem feito a bem do catolicismo e da democracia cristã. Pois tanto a Associação Católica como A Palavra são fundações do Conde de Samodães. Essa figura veneranda não é só, pois, o presidente de honra do movimento católico português; é o seu padroeiro”.
RECORTES
Pe João Aguiar Campos Administrador da r/com
O Espírito e a geografia curial
C
reio, sobretudo, que o Espírito continua a ser capaz de entrar em todas as salas, estejam ou não abertas as portas, suscitando impertinências que nunca O deixam prisioneiro. Realiza-se, dentro de dias, o IV Consistório do papado de Bento XVI. Nele serão criados 22 novos cardeais. Em Portugal olhamos para o acontecimento com um misto de alegria nacional e eclesial, pois entre os eleitos está o vimaranense D. Manuel Monteiro de Castro. É normal este regozijo. É, aliás, compreensível
que, especialmente em momentos de crise, todos os pretextos sejam bons para levantar o ego e fazer festa. Com uma ressalva, porém: que não se esqueçam, nas dobras do bairrismo, os méritos do eleito - uma vez que a sua escolha pressupõe uma vida pautada por sã doutrina, costumes, piedade e prudência. Nem se desvalorize, na alusão a trabalhos específicos, a grande responsabilidade de eleger um novo Papa; nem esse outro papel que Bento XVI fez questão de apontar no anúncio do Consistório: «os Cardeais têm a tarefa de ajudar o Sucessor de Pedro no cumprimento do seu Ministério de confirmar os irmãos na fé e de ser o princípio e fundamento da unidade e da comunhão da Igreja». Dito isto, uma palavra para as neblinas em torno da reunião de 18 de fevereiro; sobretudo as que se erguem dos vales de quantos gostam, também na vida da Igreja, de análises geoestratégicas e estatísticas… Concorde-se ou não, a verdade é que em torno da escolha dos novos cardeais abundam leituras e interpretações. Realçam, uns, o peso dos italianos e dos funcionários da Cúria e, em contrapartida, uma menor
«consideração» pelas Igrejas de África e América Latina, falando mesmo em «escassa universalidade». Outros, ou os mesmos, analisam o perfil dos eleitos, para concluírem que a presença de gestores ultrapassa a de teólogos. Se se atender aos números, estes parecem dar razão a quem assim pensa. Entendo, porém, que é injusto considerar que o Papa está distraído ou menos interessado no contributo que pode receber de quem vive geograficamente mais longe ou se confronta com realidades diversas. Mas creio, sobretudo, que o Espírito continua a ser capaz de entrar em todas as salas, estejam ou não abertas as portas, suscitando impertinências que nunca O deixam prisioneiro. Sem prescindir, por isso, do legítimo desejo de ver no Colégio de Cardeais mais Padres e Pastores de Igrejas particulares, faço minha a oração de Louis Fromy, leitor do “La Croix”: «que o Espírito inspire aos cardeais um sensus ecclesiae atual, realista e... missionário». Isto vence qualquer «geografia curial». In Ecclesia (07/02/12)
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14 OPINIÃO
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
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F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes
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Ficha de Assinatura Assinaturas normal/benfeitor: 20/40 Euros (Nacional), 30/60 euros (Europa) e 40/60 (Resto do Mundo) Nome: ___________________________________________ ____________________________________________ Rua: _____________________________________________ _______________ N.º _______________ Localidade: ____________________________ C. Postal: _____ - ____________________ Telf.: _______________________________ E-mail:___________________________@_______________ Enviar esta ficha, recortada ou fotocopiada, para: O Mensageiro - Lg. Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA ou forneça-nos os seus dados através do endereço de correio electrónico jornal@omensageiro.com.pt
FARMÁCIAS DE SERVIÇO Baptista (9), Central (10), Godinho Tomáz (11), Higiene (12), Antunes (13), Lis (14), Oliveira (15) e Sanches (16).
TELEFONES ÚTEIS
Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839
Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000
CARTÓRIO NOTARIAL DE MANUEL FONTOURA CARNEIRO PORTO DE MÓS Certifico para fins de publicação, que por escritura de justificação celebrada neste Cartório Notarial, no dia trinta e um de janeiro de dois mil e doze, exarada a folhas oitenta e sete do livro de Notas para Escrituras Diversas Duzentos e Cinquenta e Nove – A, MANUEL DE OLIVEIRA BONIFÁCIO e cônjuge HERMÍNIA DE JESUS PEREIRA TIMÓTIO, casados sob o regime da comunhão geral de bens, naturais ele da freguesia de Arrabal e ela da freguesia de Santa Catarina da Serra, ambas do concelho de Leiria, residentes na Rua 19 de Maio, Arrabal, Leiria, Nifs: 132 698 870 e 123 957 753, declararam: Que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrém, do seguinte bem: Prédio rústico, sito em Arrabal, freguesia de Arrabal, concelho de Leiria, composto de terra de semeadura com oliveiras, com a área de trezentos e onze metros quadrados, a confrontar de norte com Manuel de Oliveira Bonifácio, sul com caminho, nascente com Augusto Vieira Bernardino e poente com Estrada Municipal, não descrito na Segunda Conservatória do Registo Predial de Leiria inscrito na matriz sob o artigo 7.207, com o valor patrimonial IMT de 450,00. Que o bem veio à sua posse por doação verbal de Maria de Oliveira Bernardino, viúva, residente que foi em Parracheira, Arrabal, Leiria, no ano de mil novecentos e oitenta, já no seu estado de casados. Embora não tenham título formal de aquisição do referido prédio, foram eles que sempre o possuíram, desde aquela data até hoje, logo há mais de vinte anos, em nome próprio, defenderam a sua posse, pagaram os respectivos impostos, gozaram todas as utilidades por ele proporcionadas, cultivaram-no e colheram os frutos, sempre com o ânimo de quem exerce direito próprio, sendo reconhecidos como seus donos por toda a gente, fazendo-o ostensivamente, e sem oposição de quem quer que seja, posse essa de boa-fé, por ignorarem lesar direito alheio, pacífica, porque sem violência, contínua e pública, por ser exercida sem interrupção e de modo a ser conhecida pelos interessados. Tais factos integram a figura jurídica da usucapião, que os justificantes invocam como causa de aquisição do referido prédio, por não poderem comprovar a sua aquisição pelos meios extrajudiciais normais. Cartório Notarial de Manuel Fontoura Carneiro em Porto de Mós, trinta e um de janeiro de dois mil e doze. A colaboradora com delegação de poderes, (Ana Paula Cordeiro Pires de Sousa Mendes)
CARTÓRIO NOTARIAL DA BATALHA Notária: Sónia Marisa Pires Vala Certifico, para fins de publicação, que por escritura lavrada hoje, exarada de folhas cinquenta e uma a folhas cinquenta e duas, do Livro Cento e Setenta e Nove – B, deste Cartório. Leonor Pereira dos Reis, NIF 122 253 787 e marido José Carlos dos Santos Faustino, NIF 122 253 841, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia de Barreira, concelho de Leiria, onde residem na Rua de S. João, nº39 r/c Dto., no lugar de Telheiro, declaram que, com exclusão de outrém, a mulher é dona e legítima possuidora de metade indivisa do prédio rústico, composto de pinhal, com a área de mil setecentos e vinte e quatro metros quadrados, sito em Ramires, freguesia de Barreira, concelho de Leiria, a confrontar de norte e de poente com Francisco Vieira, de sul com caminho e de nascente com Jorge de Oliveira Simões, descrito na Primeira Conservatória do Registo Predial de Leiria sob o número mil e oitenta e quatro/Barreira, sem inscrição em vigor quanto ao referido direito, inscrito na matriz predial rústica sob o artigo 363, com o valor patrimonial correspondente de 1,64. Que, a mulher adquiriu o identificado direito predial no ano de mil novecentos e oitenta, ainda no estado de solteira, por compra verbal a Manuel Antunes Ramos, viúvo, residente na Rua Imaculada Conceição, nº88, Telheiro, Barreira, Leiria, não dispondo a justificante de qualquer título formal para o registar na Conservatória, mas desde logo entrou na posse e fruição do mesmo. Que em consequência daquela compra verbal, possui o identificado direito no prédio em nome próprio há mais de vinte anos sem a menor oposição de quem quer que seja desde o seu início, posse que sempre exerceu sem interrupção e ostensivamente com o conhecimento de toda a gente e a prática reiterada dos actos habituais de um proprietário pleno, com o amanho da terra, recolha de frutos conservação e defesa da propriedade, pagamento das contribuições e demais encargos, pelo que, sendo uma posse pacífica, continua, pública e de boa fé durante aquele período de tempo, adquiriu o referido direito no prédio por usucapião. Batalha, trinta e um de Janeiro de dois mil e doze. Funcionária com delegação de poderes, (Lucília Maria Ferreira dos Santos Fernandes)
500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600
Opinião | Memória cultural
H
á poucos dias, Seth Kugel escrevia, nas páginas do “New York Times”, uma reportagem sobre o desconhecido Norte de Portugal. Ao falar das pequenas vilas e aldeias, escrevia: “elas são encantadoras, com toda a certeza, mas estão também claramente a morrer”. Ou seja, os jovens são escassos e a maior parte das casas são utilizadas como residência de férias. Todos lhe contaram a mesma história: as quotas da União Europeia e os subsídios para não cultivar destruíram a agricultura. Como resultado, os filhos dos agricultores foram para as cidades estudar. O pior é contado ao jornalista por um local: “Isto levou a uma perda cultural incalculável. Milhares de anos de tradição e conhecimento perderam-se nos últimos 40 anos”. Poderíamos acrescentar a célebre ASAE às invenções que destruíram o interior e a sua cultura, quando foi pelo País fora fechar pequenas casas de pasto familiares, em nome da modernidade e de cumprir o que diziam os burocratas de Bruxelas que só comem hambúrgueres. É este o retrato real do interior do País, aquele que não se faz em Lisboa, entretido com distribuições dos lugares que a longa mão do Estado ainda permite. A austeridade vai ter dois efeitos contrários: há quem, com bom senso, vá regressar à terra e ao interior. Ali pode cultivar-se para comer. Nas cidades ninguém come betão e asfalto. Mas, em contrapartida, o Estado continua a destruir inclementemente tudo o que há no interior: vias ferroviárias, centros de saúde, escolas. Agora que Portugal, por força da crise, poderia reencontrar o seu interior, o Estado encarrega-se de tornar isso impossível. Quem quiser regressar ao interior, para ter uma vida melhor e mais saudável (ainda que com menos produtos de consumo) vai deparar-se com a retirada do Estado e dos instrumentos essenciais que este deveria colocar ao serviço das pessoas que pagam impostos. Enclausurados nos condomínios e nos centros comerciais citadinos os portugueses parecem ter esquecido o seu interior que é também a sua memória e o seu cimento cultural. Fomos assistindo, ao longo dos anos, a uma desertificação sistemática que começou com o fecho de belas estações de comboio, muitas delas hoje ao abandono. Quando se viu a hipótese de a CP vender uma locomotiva histórica da via da Régua, como se fosse quinquilharia, poucos foram os que clamaram, contra esta decisão que só olha para o cheque e esquece a memória ou a cultura. Ou simplesmente acha que ela se troca por dinheiro. Mas foi a isso que chegámos neste país, incapaz de saber preservar uma cultura milenar. Nem era preciso ir mais longe: basta ver o que tem acontecido, em Lisboa, aos edifícios pombalinos ou do período áureo do Estado Novo. 2012 vai claramente ser um ano em que Portugal tem de traçar uma linha na areia. Mas, como sublinhava o Banco de Portugal, o tempo não é fácil e poderão ser necessárias novas medidas de austeridade. Ou seja, adivinham-se mais impostos sobre aqueles que não podem fugir ao destino de quem trabalha por conta de outrem e não pode escolher paraísos fiscais para as suas poupanças. A época do salve-se quem puder, incentivada por esta sanha do Estado contra o que resta da sociedade civil, está agora aniquilar o resto do País e da sua memória cultural. Alexandre Herculano temia que o comboio destruísse para sempre o campo. Exagerava claramente. Mas nas últimas décadas temos assistido à destruição incessante do interior português, onde a herança cultural portuguesa era mais forte. Choraremos por isso. Orlando Fernandes, jornalista
Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo (CO1060), Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09
Tabela de Assinaturas para 2011 Destino Nacional Europa Resto do Mundo
Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros
Preço avulso - 0,80 euros
DESPORTO 15
O Mensageiro 9.Fevereiro.2012
19.ª JOR. 12.02.12
V 10 10 10 9 10 7 8 7 7 6 6 5 4 3 3 2
E D Pts 6 2 36 5 3 35 3 5 33 5 4 32 1 7 31 8 3 29 4 6 28 5 6 28 4 7 25 4 8 22 2 10 20 3 10 18 6 8 18 8 7 17 6 9 15 4 12 10
Moura x Mafra (todos às 15h00) Caldas x Juv. Évora Vendas Novas x Pinhalnovense 1.º Dezembro x Fátima Oriental x Louletano Tourizense x Reguengos Torreense x Monsanto Sertanense x Carregado
E D 5 2 3 5 7 3 6 4 5 5 3 7 5 6 8 4 4 7 6 6 6 6 5 7 4 8 6 7 6 7 3 11
Pts 35 30 28 27 26 24 23 23 22 21 21 20 19 18 18 12
Freamundex Moreirese (dia 9, 20h15, Sport Tv1) Portimonense x Estoril (11h15, Sport Tv1) Atlético x Santa Clara (15h00) Leixões x Arouca (15h00) Oliveirense x Trofense (15h00) D. Aves x Belenenses (15h00) Penafiel x U. Madeira (15h30) Sp. Covilhã x Naval (16h00)
17.ª J. 05.02.12
série D
Beneditense x Tocha (2-2) B.C. Branco x Marinhense (2-0) Peniche x Alcobaça (1-0) Riachense x Bombarralense (4-1) Sp. Pombal x Pampilhosa (1-4) Folgou: Sourense Equipa Pampilhosa Tocha B.C. Branco Sp. Pombal Beneditense Sourense Peniche Marinhense Alcobaça Riachense Bombarralense
J 15 16 16 15 15 15 16 16 15 16 15
V 9 7 7 7 5 6 5 6 4 1 0
E D Pts 1 5 28 6 3 27 5 4 26 3 5 24 9 1 24 6 3 24 8 3 23 3 7 21 5 6 17 4 11 7 6 9 6
Marinhense x Tocha (todos às 15h00) Alcobaça x B.C. Branco Bombarralense x Peniche Pampilhosa x Sourense Sp. Pombal x Beneditense Folga: Riachense
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o de garantir a presença nos 1/4 final. O mais longe que conseguiu chegar na competição foi precisamente aos 1/8 final, na última época, onde foi duplamente derrotada (17-29 e 19-25) pela equipa turca Muratpasa Belediyesi SK. Quanto à equipa adversária, que na última época esteve ausente das compe-
tições europeias, o melhor desempenho que tem no seu percurso é também uma presença nos 1/8 final da Challenge Cup. Trata-se de um feito que remonta à época 2005/06, quando foi afastada pelo ZRK “Split” Split (Croácia), após uma vitória (27-25) e uma derrota (20-28). PJ
Atletismo | Juventude Vidigalense vice-campeã
Melhor de sempre no nacional João Alexandre conquistou o título no triplo-salto, no decorrer do campeonato nacional de esperanças, feito que contribuiu para o 2.º lugar da equipa masculina da Juventude Vidigalense. No “medalheiro” final, contabilizou nove pódios.
Uma semana após ter garantido a presença das equipas seniores feminina e masculina na fase final do campeonato nacional de clubes, a equipa leiriense volta a destacar-se, desta vez no escalão de Sub-23. Ricardo Fernandes
associação de futebol de leiria
HONRA
1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º
Pedroguense x Guiense (1-6) Vieirense x Alvaiázere (0-1) Alq. Serra x Pataiense (2-0) Ansião x Biblioteca (0-2) Atouguiense x Avelarense (3-0) Fig.Vinhos x GRAP/Pousos (1-3) Meirinhas x Portomosense (0-4) Nazarenos x Marrazes (11) Equipa Alq. Serra Guiense Portomosense Nazarenos GRAP/Pousos Pataiense Atouguiense Marrazes Alvaiázere Avelarense Vieirense Fig.Vinhos Biblioteca Meirinhas Ansião Pedroguense
J 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16
V 13 10 10 9 10 9 9 5 5 4 3 4 3 2 2 1
E D Pts 2 1 41 3 3 33 3 3 33 5 2 32 1 5 31 4 3 31 3 4 30 5 6 20 4 7 19 4 8 16 6 7 15 3 9 15 5 8 14 6 8 12 3 11 9 1 14 4
Avelarense x Nazarenos (todos às 15h00) Pedroguense x Alvaiázere Portomosense x Atouguiense GRAP/Pousos x Meirinhas Guiense x Fig.Vinhos Pataiense x Vieirense Marrazes x Ansião Biblioteca x Alq. Serra
(1500 metros planos), Ricardo Mendes (triplo-salto) e a estafeta 4x200 metros conquistaram a medalha de prata, e João Leal (1500 metros), Adriano Lopes (800 metros) e a estafeta 4x200 metros, o bronze.
associação de futebol de leiria
associação de futebol de leiria
I Divisão
I Divisão
NORTE
1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º
Arcuda x Ilha (4-2) Pelariga x Mata Mourisquense (4-3) Castanheira de Pêra x Ranha (2-1) Moita do Boi x Caseirinhos (7-0) Boavista x Motor Clube (0-2) Alegre e Unido x Pousaflores (1-1) Equipa Moita do Boi Pelariga Pousaflores Motor Clube Alegre e Unido Boavista Mata Mourisq. Arcuda Ranha Cast. Pêra Caseirinhos Ilha
J 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13
V 11 10 10 7 7 7 4 4 4 4 2 1
E D 1 1 34 2 1 32 1 2 31 1 5 22 1 5 22 0 6 21 4 5 16 2 7 14 1 8 13 0 9 12 0 11 6 2 10 5
Pousaflores x Boavista (todos às 15h00) Alegre e Unido x Ilha Caseirinhos x Castanheira de Pêra Motor Clube x Moita do Boi Mata Mourisquense x Arcuda Ranha x Pelariga
13.ª J.05.02.12
J 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18
1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º
18.ª J. 12.02.12
18.ª JOR. 05.02.12
SUL
Equipa Torreense Carregado Oriental Fátima Pinhalnovense Mafra Vendas Novas Louletano Sertanense 1.º Dezembro Juv. Évora Moura Tourizense Monsanto Reguengos Caldas
V 10 9 7 7 7 7 6 5 6 5 5 5 5 4 4 3
III Divisão
II Divisão B
1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º
J 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17
federação portuguesa de futebol
federação portuguesa de futebol
Mafra x Caldas (3-3) Juv. Évora x Vendas Novas (1-0) Pinhalnovense x 1.º Dezembro (1-0) Fátima x Oriental (1-0) Louletano x Tourizense (0-1) Reguengos x Torreense (2-2) Monsanto x Sertanense (0-0) Carregado x Moura (3-0)
Equipa Estoril Moreirense D. Aves Naval Atlético Leixões Penafiel Arouca Santa Clara Oliveirense Belenenses Sp. Covilhã Trofense Freamunde U. Madeira Portimonense
1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º
14.ª J.12.02.12
Sp. Braga x V. Setúbal (dia 10, 20h15, Sport Tv1) Marítimo x Sporting (dia 11, 18h30, Sport Tv1) Benfica x Nacional (dia 11, 20h30,TVI) P. Ferreira x Feirense (16h00) Olhanense x Rio Ave (16h00) Beira-Mar x V. Guimarães (18h00, Sport Tv1) Porto x U. Leiria (20h15, Sport Tv1) Académica x Gil Vicente (dia 13, 20h15, Sport Tv1)
1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º
Ricardo L. Ferreia
E D Pts 3 0 45 4 1 40 4 2 37 5 3 32 5 4 29 2 8 23 6 6 21 5 7 20 4 8 19 7 6 19 4 9 16 6 8 15 2 10 15 3 10 15 2 11 14 5 9 14
É em Leiria que vão decorrer as duas mãos dos 1/8 final da Challenge Cup, que colocará frente-a-frente as equipas femininas da Juventude Desportiva do Lis e do HC Dnepryanka Kherson (Ucrânia). A primeira mão será dia 11 de Fevereiro, 17h00, e a segunda no dia 12, 12h00, ambas no Centro Desportivo Juve Lis (São Romão, Leiria). Seguir em frente será inédito. “A Juve [Lis], técnicos e atletas esperam conquistar um passo de ouro para a história do clube”, refere o clube em comunicado. Trata-se de uma oportunidade única de conseguir um feito inédito, que seria
13.ª J.05.02.12
V 14 12 11 9 8 7 5 5 5 4 4 3 5 4 4 3
“Passo de ouro” à vista
14.ª J.12.02.12
J 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17
Estoril x Atlético (5-0) U. Madeira x Sp. Covilhã (1-1) Oliveirense x D. Aves (1-1) Trofense x Freamunde (4-0) Belenenses x Penafiel (2-0) Moreirense x Arouca (0-2) Santa Clara x Leixões (2-0) Naval x Portimonense (2-1)
A selecção nacional de padres vai participar na sexta edição do respectivo Campeonato da Europa, que decorre, até dia 10 de Fevereiro, na cidade de Gyula, Hungria. O capitão da selecção, padre Marco Gil, referiu que a equipa portuguesa pretende “quebrar a malapata dos torneios anteriores” e “contar no historial com um campeonato”. Este padre da diocese de Braga – participou em quatro edições da também conhecida por Champions Clerum e foi considerado o melhor jogador na última edição, na Polónia – admitiu que a sua motivação e dos restantes elementos da equipa “está no título colectivo”. Os padres convocados são oriundos das dioceses de Vila Real (4), Viana do Castelo (3), Porto e Braga (ambas com 2) e de Lamego (1). Ao explicar a convocatória, o padre Marco Gil frisou que são estas as dioceses que “ficam nos lugares cimeiros” quando se realiza o campeonato a nível nacional. Liderados também por um sacerdote, José Cunha, da diocese de Viana do Castelo, o capitão da selecção adiantou que jogou futebol com o actual treinador e eram os dois “doentes” por este desporto, “nos tempos de seminário”. O treinador conhece os jogadores porque participou também em alguns campeonatos europeus e “é um autodidacta com muito jeito” e “com muito valor” Fazendo o paralelismo com os jogadores profissionais de futsal, o sacerdote de Braga considera que o “padre Iolando é o Ricardinho [considerado o melhor jogador português da actualidade]”, “o padre Rodrigo é Gonçalves Alves” e “o padre Jorge Agostinho é o Joel Queirós”. In Ecclesia
Andebol | Juve Lis na Challenge Cup
16.ª JOR. 05.02.12
Equipa Benfica Porto Sp. Braga Sporting Marítimo V. Guimarães Olhanense Académica Nacional Gil Vicente Beira-Mar Feirense Rio Ave P. Ferreira U. Leiria V. Setúbal
17.ª JOR. 29.01.12
V. Guimarães x Nacional (1-0) Rio Ave x Académica (0-0) Feirense x Benfica (1-2) U. Leiria x P. Ferreira (2-4) V. Setúbal x Olhanense (2-3) Sporting x Beira-Mar (2-0) Gil Vicente x Porto (3-1) Martítimo x Sp. Braga (1-2)
18.ª JOR. 12.02.12
17.ª JOR. 29.01.12 18.ª JOR. 12.02.12
1.º 2.º 3.º 4.º 4.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º
De olho no título
II LIGA
I LIGA
Futsal | Portugal
17.ª JOR. 12.02.12
liga portuguesa de futebol profissional
liga portuguesa de futebol profissional
SUL
Praia da Vieira x Outeirense (1-2) Santo Amaro x Pilado (1-1) Nadadouro x Maceirinha (1-1) Lisboa e Marinha x Gaeirense (5-2) Unidos x Juncalense (1-1) Folgou: Os Vidreiros Equipa Lisboa Marinha Outeirense Gaeirense Pilado Juncalense Maceirinhas Os Vidreiros Praia da Vieira Santo Amaro Unidos Nadadouro
J 12 11 12 12 12 12 12 12 12 12 12
V 11 7 7 6 6 4 4 4 2 1 1
E 1 3 2 2 1 3 3 1 3 3 2
D 0 1 3 4 5 5 4 7 7 8 9
Pts 34 24 23 20 19 15 15 13 9 6 5
Outeirense x Santo Amaro (todos às 15h00) Pilado x Nadadouro Maceirinha x Lisboa e Marinha Gaeirense x Unidos Juncalense x Os Vidreiros Folga: Pilado
Não existe outra via para a solidariedade humana se não a procura e o respeito da dignidade individual.
ÚLTIMA 9FEVEREIRO2012
Pierre Lecomte Du Nouy, escritor francês [1883-1947]
Ministério celebra protocolo com instituições de solidariedade
Governo estabelece parcerias sociais Apresentado projecto
Lar do Centro Social das Matas
DR
A União das Misericórdias Portuguesas, levou a cabo, no dia 1 de Fevereiro, em Fátima, a primeira de um conjunto de três sessões de apresentação e esclarecimento do protocolo de colaboração celebrado entre o Ministério da Solidariedade e da Segurança Social e as instituições sociais. Sendo estas sessões direccionadas para os provedores das Santas Casas e respectivos órgãos sociais, a primeira sessão contou com a presença do secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Marco António Costa, que salientou “o extraordinário trabalho que diariamente as Misericórdias levam a efeito na implementação de uma protecção social devidamente estruturada no País”. Este responsável referiu ainda que o acordo de colaboração celebrado com as instituições sociais (União das Misericórdias, Confederação Nacional da IPSS e União das Mutualidades) espelha a atitude com que
o actual Governo pretende desenvolver a sua acção, “numa relação de respeito para com os parceiros do sector solidário”. Salientando o facto histórico de este acordo ser, pela primeira vez em muitos anos, assinado logo no início do ano e com uma vigência plurianual, sublinhou que isso possibilitará às instituições sociais um planeamento de gestão mais eficiente, bem como uma preparação mais eficaz das respostas sociais que promovem. O secretário de Estado referiu que este é um “protocolo inovador e que apresenta uma nova visão
para as respostas sociais em Portugal, permitindo maximizar a capacidade instalada e uma adequação das respostas em função das necessidades”. De igual forma, a flexibilidade de gestão, bem como os instrumentos que são colocados à disposição das instituições, possibilitarão uma maior sustentabilidade das instituições. Espera-se que a inovação em áreas como o apoio domiciliário e os centros de noite venha possibilitar uma resposta de maior protecção e de apoio social. “O Governo institui, assim, um novo paradigma no relacionamento com o
sector social, que reforça os laços de confiança, tornando-se parceiro num caminho a percorrer lado a lado com as instituições”, afirmou Marco António Costa, elogiando o papel da União das Misericórdias que, “desde o primeiro momento, esteve disponível para colaborar com o Governo, desenvolvendo-se em conjunto, uma relação de cooperação constante, na busca das melhores soluções para um bem maior que é Portugal”. A próxima sessão promovida pela UMP será em Beja, para as Misericórdias do Sul do País, no dia 9 de Fevereiro.
No passado domingo, realizou-se nas Matas, uma sessão de apresentação do projecto do Lar do Centro Social desta freguesia. Uma sessão muito participada, com sala cheia, onde foi possível concretizar mais um passo no desenvolvimento deste projecto, considerado prioritário para os intervenientes políticos e sociais da freguesia e do concelho. Continuando a promoção da excelência social para o Concelho de Ourém, o Lar do Centro Social das Matas, é um equipamento há muito esperado por todos os habitantes da Freguesia das Matas. Aliás, o presidente do Centro Social de Matas, no seu discurso, fez questão de agradecer “todo o empenho e dedicação do anterior Presidente da Junta de Freguesia que em 2001 arrancou com o projecto, assim como à Dr.ª Lucília Vieira que enquanto Directora do Centro de Emprego aprovou a criação de uma Empresa de Inserção que tem desenvolvido o trabalho de apoio social na freguesia”. Destaque ainda para o apoio de 70%, que o Município prevê para esta obra, tendo referido “o esforço significativo que a autarquia está a fazer”, esforço esse que foi agradecido ao presidente da Câmara, Paulo Fonseca.
Banco Alimentar incentiva troca de papel por alimentos Os Bancos Alimentares Contra a Fome lançaram uma nova campanha “Papel por Alimentos”, de âmbito nacional, com contornos ambientais e de solidariedade com a qual pretendem incentivar a população a trocar papel usado por alimentos. Esta campanha integra-se num ideal mais vasto de sensibilização para a importância do papel de cada pessoa na sociedade e para a possibilidade de recuperar e reutilizar coisas que parecem não ter valor. Pretende envolver as instituições que diariamente se abastecem nos Bancos Alimentares e os voluntários que colaboram, mas também todas as pessoas e entidades que se queiram associar, nomeadamente a administração
pública e local. A campanha permitirá incentivar o voluntariado, desde logo porque todo o papel recolhido
terá que ser depositado pelos doadores nas instalações do Banco Alimentar Contra Fome da sua região.
Esta acção vai ser desenvolvida em parceria com a Quima, empresa de recolha e recuperação de desperdícios, que por cada tonelada de papel recolhido vai entregar o equivalente a 100 euros em alimentos, indicados pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares. A campanha tem também uma ambição de mudança de mentalidades e atitudes. Para o efeito foram produzidos pela Copidata toalhetes de refeição, através dos quais se pretende difundir a ideia de que é possível ser solidário se se tiver atenção à possibilidade de doar ou reciclar bens que, à primeira vista, parecem não ter valor (neste caso o papel). E para chegar aos mais jo-
vens, serão colocados toalhetes de refeição precisamente com esta mensagem em cantinas de universidades e escolas. A recolha é apenas de papel comum, revistas, jornais e publicidade. Não se aceita cartão nem papel plastificado. Quando as revistas ou livros tiverem capa plastificada, esta deve ser retirada. A delegação de Leiria do Banco Alimentar, sedeada nos Parceiros, recebe papel todas as segundas feiras de tarde. Neste momento já vai a caminho da segunda tonelada de papel recolhido e entregue. Tel: 244 825 330.