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4891#OMENSAGEIRO#5JAN

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DOCUMENTO

5 JANEIRO 2012 ANO 98 - N.º 4891 FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

P. 8

FUNDADO EM 1914

DESTAQUE

DR

O ano que agora começamos surge no horizonte impregnado de maus augúrios. A tão badalada crise que o ano 2011 nos deixou como herança apresenta-se mais assustadora e parece prolongar-se por todo este ano. Se no início de 2011, o Presidente da República falava de uma situação explosiva, no que às contas públicas dizia respeito, agora fala no risco de falência do “Estado Social”. É urgente começar já um processo de cura. O ano 2012 deverá marcar o início deste processo regenerativo. Há quem fale no fim de uma civilização. Esperamos que o fim de uma marque o início de outra. E que seja melhor. Páginas 2 e 3

CULTURA

SOCIEDADE

Dia 13: Solidariedade para os Bombeiros | P. 4

Antiga feira do gado das Colmeias | P. 6

Conservatório do Orfeão de Leiria | P. 5

Concurso da ACILIS | P. 7

José Cid em concerto na Batalha

Seniores dançam em Baile de Reis

S. Silvestre com menos visitantes Leirivisão venceu “Montra d’Arte”

TEMA

Revelados dados preocupantes | Última

Ano de 2011 foi o pior de sempre em nascimentos. APFN acusa Governo de “política anti-natalista” ECLESIAL

Visita pastoral do Bispo | Entrevista ao pároco do Arrabal | P. 9

D. António Marto em visita pastoral ao Sumbe, Angola | P. 10

“É urgente voltar à Eucaristia dominical”

“Uma grande alegria”

O Bispo de Leiria-Fátima partiu no dia 2 de Janeiro para uma visita pastoral de duas semanas à missão do Gungo, em Angola. À chegada, foi recebido com “grande alegria” por D. Benedito Roberto, bispo do Sumbe, e o grupo Ondjoyetu. DR

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Após a visita pastoral do Bispo diocesano, em Dezembro passado, o pároco do Arrabal afirma a preocupação em apostar na pastoral familiar e juvenil e melhorar a animação litúrgica, principalmente na Eucaristia dominical.


2 DESTAQUE

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

EDITORIAL EDITORIAL

prui@iol.pt

Se o fim de cada ano é marcado pela revista dos principais acontecimentos e personalidades que durante um ano marcaram a vida social, já o início de cada ano é marcado pelas previsões e prognósticos. Muitas vezes feitos a partir de ligeiros indícios e sinais que o ano que termina deixa antever. A história faz-se e constrói-se em linha sucedânea e o que somos hoje depende do que fomos ontem, tal como o amanhã está dependente do hoje. A nossa sociedade portuguesa está marcada pelos discursos do governo e do presidente da republica que nestas alturas têm privilegiado tempo de antena. Nos últimos anos os seus discursos têm sido, porém, cautelosos. Por um lado não querem alarmar os ânimos, mas por outro também nem sempre conseguem incutir coragem e optimismo. Com palavras menos claras, vão dizendo meias verdades e outras verdades veladas para que o choque não seja drástico. Mais tarde, quando as coisas se complicam, aparecem a recordar os seus discursos afirmando que já haviam dito o que afinal nunca disseram, pelo menos de forma aberta. Este ano, a conjuntura económico-social é de tal ordem agitada e até enigmática que as palavras parecem faltar para exprimir o que se sabe ou se prevê venha a acontecer. A futurologia não é fácil, numa época em que cada vez mais o tecido social funciona em rede e as decisões de uns têm repercussões inesperadas, sem aviso, a nível global. Há muito que a voz dos profetas, ligada a este tipo de adivinhação, deixou de ser escutada e seguida. Poucos são os que não querem ouvir os que falam sem serem “experts” nos assuntos que abordam. Já não queremos que os ditos profetas (sempre conotados com a religião) falem de assuntos políticos, sociais e, mais dia, menos dia, nem mesmo de assuntos religiosos. Se, por um lado, admitimos a transversalidade dos assuntos, por outro, fechamos os ouvidos quando alguém parece falar de assuntos que no entender de alguns não lhes dizem respeito. É assim que pouco ou nada ouvimos do que dizem os bispos portugueses quando falam da sociedade portuguesa. E no entanto não é de hoje a sua chamada de atenção para perigos e temas que hoje estão na ordem do dia. Aliás é uma característica positiva da Igreja, a sua capacidade de saber perscrutar e discernir as opções que se vão tomando. Pena é que em mitos casos caiam em fosso sem fundo. No início do novo ano O Mensageiro apresenta alguns aspectos que merecem atenção porque irão ser tema de discussão ao longo do ano. E deixamos o desafio para que se ouçam outras vozes, precisamente daqueles que na maioria das vezes conhecem a realidade concreta e não a dos gabinetes. Um bom ano 2012.

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Rui Ribeiro

Vozes que não queremos ouvir

O “Estado Social” em risco...

2012 sob o signo da prudência O ano que agora começamos surge no horizonte impregnado de maus augúrios. A tão badalada crise que o ano 2011 nos deixou como herança, apresenta-se mais assustadora e parece prolongar-se por todo este ano. No nosso caso, todos os quadrantes políticos e governativos advertem para o agravamento da situação. Se no início de 2011, o presidente da nossa República falava de uma situação explosiva, no que às contas públicas dizia respeito, agora fala em falência do estado social, que pode ocorrer durante o ano 2012. O fim do Estado social tal como o conhecemos é, de facto o mais certo para este ano. Grupos de cidadãos anónimos e indignados, e que não se identificam com qualquer corrente politica ou económica, agindo por vezes sem rumo definido, contestando pela simples contestação, vão trazendo ao debate algumas ideias e convicções que vão na direcção do fim do Estado

Social. A verdade é que já não podemos esperar muito desta grande máquina que é o Estado. As muitas competências e obrigações que lhe atribuímos na história da democracia, vão agora sendo retiradas aos poucos até ao dia em que mais nada reste. Cada vez mais vamos ficando entregues a nós próprios, até que a lei seja “cada um por si, salve-se quem puder”. O Estado social, como sistema em que o Estado providencia às necessidades comuns e em que todos assumem uma responsabilidade colectiva, está posto em questão e pode mesmo ter os seus dias contados. Alguns pensam, porém, que este fim anunciado se deve à falência dos sistemas económicos financeiros, ao capitalismo desenfreado e selvagem que atingiu as sociedades ocidentais. Mas a verdade é que para lá destes factores há que ter em conta a própria mentalidade que domina as consciências. Todas

as transformações trazidas pelo racionalismo e mesmo pelo humanismo ateu desembocaram em crescentes afirmações do individualismo e do subjectivismo. E é nestas formas de pensar e de estar que está a raiz da falência do sistema social. Pouco a pouco fomo-nos demitindo das nossas responsabilidades sociais, cada um se pôs a si mesmo no centro do mundo e das preocupações gerais. Como se só existisse “eu”. O “nós”, o colectivo desapareceu por completo. Cada um procura viver a sua vida sem dar explicações e sem se empenhar com o colectivo, com o bem comum, com a coisa pública. É este egocentrismo e egoísmo que está na raiz da falência que se adivinha do Estado Social. O ano 2012 adivinha-se um ano em que poderá ser dada a machadada final. Ficaremos sem Estado providente, sem direitos pelos quais se lutou durante décadas a fio, sem referências

colectivas e sem caminhos comuns. Por enquanto, e porque não se sabe ainda muito bem quais são as alternativas, caminhamos cada vez mais para uma situação caótica e de selvagem. Assim sendo, adivinham-se formas de viver muito complicadas e muito turbulentas para as sociedades e para os indivíduos. No dizer de alguns, e assim queremos também acreditar, esta situação pode ser uma oportunidade. Talvez que se vejam emergir novas formas de estar até mais benéficas. Mas é preciso desde já estar bem desperto e consciente para o que aí vem. Os avisos estão dados, os prognósticos estão feitos, é urgente começar já um processo de cura. O ano 2012 deverá marcar o início deste processo regenerativo. Há quem fale no fim de uma civilização. Esperamos que o fim de uma marque o inicio de outra, que seja melhor. Rui Ribeiro


DESTAQUE 3

O Mensageiro

5.Janeiro.2012ro.2011

O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Alfredo Bruto da Costa, reconduzido no cargo pela Conferência Episcopal Portuguesa, considera que o apelo à emigração feito pelo Governo aos desempregados “é uma estratégia de quem desistiu e declara a sua derrota”. O responsável considera que a acção do Executivo se opõe à “redistribuição da riqueza” defendida pelo Papa, ao não taxar todos os rendimentos. O especialista em questões de pobreza diz também que o Governo, mesmo que queira, pouco pode fazer para adequar as suas políticas à Doutrina Social da Igreja enquanto o lucro for o objectivo principal da economia mundial. Para este responsável, Portugal não está a encontrar adequadas modalidades de distribuição da riqueza porque a “explicação que os políticos têm dado é de que os principais objectivos são o cumprimento das metas do défice e da dívida. Mas a justiça social não está a ser cumprida porque nem todas as formas de rendimento são igualmente taxadas nem todos os níveis de rendimento são igualmente penalizados. A distribuição dos rendimentos é uma preocupação que tem de ser tida em conta porque a paz depende dela”. Neste sentido, prevê que os conflitos sociais podem acentuar-se pois que “a maneira como a população portuguesa está a encarar o que se está a passar tem sido mais no sentido de tentar “aguentar a barra” do que entrar numa linha de revolta. Mas é muito difícil dizer até onde é que esta resistência pode ir”. Um caminho possível para evitar maiores conflitos seria, no seu entender, tomar em conta os princípios da Doutrina Social da Igreja, mas tal não parece ser desejado pois que “a Doutrina Social da Igreja vai contra o sistema. A dificuldade não está na impossibilidade de a aplicar mas no modo como ela pode ser executada. O mais recente documento do Vaticano sobre a economia mundial mostra-o com muita clareza: não só aponta objectivos como diz que têm de ser atingidos de forma gradual e sensata, apontando alguns passos nesse sentido. Temos de ter muito claro o que é uma economia ao serviço das pessoas e, a partir daí, cumprir uma estratégia compatível com uma estabilidade que as sociedades

precisam, mesmo quando atravessam transformações profundas”. Por sua vez José Dias da Silva, especialista em Doutrina Social da Igreja, afirma que o próximo ano pode ser marcado em Portugal pela chegada ao “ponto de não retorno”, admitindo que a situação se tornaria “incontrolável”. “Se nunca foi fácil fazer futurologia, muito menos o é para os próximos tempos, pois todos os cenários são possíveis. Há aspectos que temos garantidos: mais fome, mais famílias ‘falidas’, mais desempregados, numa palavra, mais sofrimento”, refere, em texto publicado no semanário Agência ECCLESIA, perspectivando 2012. O membro da Comissão Diocesana Justiça e Paz assinala que as manifestações pacíficas “irão acontecer e multiplicar-se”, mas aponta para um “cenário mais negro”, que depende de algumas condições para se concretizar. “À primeira chamaria o ‘índice de sacrifícios e nada melhor que dar um exemplo para o tornar inteligível. Suponhamos que há um corte de 10% nos salários. Isto significa que quem ganha 800 euros sofre um corte de 80 euros; quem ganha 4000, terá uma redução de 400 euros. É evidente para todos que os 80 euros fazem muito mais falta”, explica. Para José Dias da Silva, “este desequilíbrio pode adquirir um peso tal que mobilize mesmo os mais indecisos”. O especialista, que integrou a Comissão Nacional Justiça e Paz no último triénio, aponta uma segunda condição, que apresenta como o “mínimo vital”, isto é, “o mínimo necessário para que cada pessoa possa viver com dignidade”. “Sem ele as pessoas são capazes de tudo, como nos mostram os balseiros, os boat people ou os magrebinos. É tal o seu desespero que se lançam numa aventura suicida pois sabem que correm enormes riscos de morrer, mas preferem morrer a lutar por uma vida digna do que morrer em casa de braços cruzados, minados pela angústia e a desesperança”, exemplifica. Um terceiro factor apontado no texto é a “governação adequada”, destacando que “os cidadãos têm de ser convencidos de que as medidas tomadas respeitam, razoavelmente, o critério da justiça e da equidade”. “Os governantes não podem dar razões objectivas que justifiquem slogans como ‘são sempre os mesmos a pagar a crise’. Não podem cair na imoralidade de olhar só os números e esquecer as pessoas que estão por detrás: a obsessão dos défices tem de ser substituída pela obsessão das pessoas”, assinala José Dias da Silva.

O cardeal-patriarca de Lisboa assinalou o início de 2012, afirmando que este ano “vai ser difícil” e que os católicos não têm prestado suficiente atenção à doutrina social da Igreja. “Todos anunciam 2012 como um ano difícil, exigente, em que, para não soçobrarmos no desânimo, precisamos de recorrer a todas as forças que nos dão coragem para lutar e que são o fundamento da nossa esperança e da nossa alegria”, disse D. José Policarpo na missa a que presidiu na paróquia de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, da Ramada, Concelho de Odivelas. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa assinalou que “a doutrina social da Igreja não tem estado muito presente no anúncio evangelizador”, apresentando estes ensinamentos como “a palavra da Igreja a iluminar e a dar sentido a cada realidade concreta”, com atenção às “questões sociais e económicas”. “Ela abrir-nos-á para o primado da generosidade sobre o egoísmo, ensinar-nos-á a privilegiar o bem-comum, ajudar-nos-á a não limitar os anseios do nosso coração à materialidade das coisas, mas a abrir-nos à dimensão transcendente do homem e da história”, prosseguiu. O cardeal-patriarca afirmou que, para os cristãos, Jesus é a “força para reagir às adversidades, o desafio de uma vida diferente, que há de transformar a sociedade como fermento na massa”. “O desafio da justiça e da paz sintetiza toda a mensagem cristã sobre a sociedade”, indicou ainda.

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Portugal perto do “não retorno”

Patriarca antevê “ano difícil”

Além da doutrina social, o patriarca de Lisboa apresentou como prioridade da nova evangelização o anúncio da “boa nova da justiça e da paz” aos jovens, através do “testemunho de vida” e valorizando o “optimismo” das novas gerações. D. José Policarpo citou a mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, que a Igreja Católica assinala hoje, na qual o Papa escreve que “no ano que termina [2011], cresceu o sentimento de frustração por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas raízes são primariamente culturais e antropológicas”. Para o presidente da Conferência Episcopal, “só homens justos podem construir a justiça, e só os que experimentaram a paz interior se tornam lutadores pela paz na sociedade”. “A paz e a justiça supõem a generosidade, a capacidade de dom, a harmonia interior, com os outros homens, em sociedade, com a verdade da criação e com a terra que habitamos”, declarou.

Bento XVI deseja

Futuro “com esperança” Bento XVI convidou hoje a comunidade internacional a “renovar o compromisso pela promoção da paz”, apelando, em particular, aos mais jovens, que desafiou a “olhar para o futuro com esperança”. O Papa presidia à missa no Vaticano, no 45.º Dia Mundial da Paz, que marca o início de 2012, este ano dedicado ao tema ‘Educar os jovens para a justiça e para a paz”. Durante a sua homilia, Bento XVI disse que “os jovens e as jovens de hoje crescem num mundo que se tornou, por assim dizer, mais pequeno, no qual os contactos entre as diferentes culturas e tradições são constantes. Para eles, hoje mais do que nunca, é indispensável a aprendizagem do valor e do método da convivência pacífica, do respeito recíproco, do diálogo e da compreensão”. O Papa destacou que a educação dos mais novos para a paz é “uma tarefa que diz respeito a cada geração”, agradecendo pelo caminho realizado “após as tragédias das duas grandes guerras mundiais” com a afirmação, por parte dos próprios jovens, “de muitas formas de compromisso social neste campo”. Segundo o Papa, a Igreja tornou-se “intérprete”, nos últimos tempos, da “exigência

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Presidente da Comissão Justiça e Paz apela à redistribuição da riqueza

de responder a um desafio decisivo, que é precisamente o da educação”. “Na era actual, fortemente caracterizada pela mentalidade tecnológica, querer educar e não apenas instruir é algo que não deve ser tomado como um dado adquirido, mas uma escolha; por outro lado, a cultura relativista coloca uma questão radical: ainda faz sentido educar? E, depois, educar para o quê?”, indicou. Mais tarde, na recitação da oração do Angelus, o Papa fez votos de “reconciliação e perdão para as áreas de conflito” no mundo, pedindo ainda “uma distribuição mais justa e equitativa dos recursos”.


4 CULTURA

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

Dia 13 de Janeiro nos Bombeiros Voluntários Tearo José Lúcio da Silva (Leiria) • CAÇADORES DE DRAGÕES | Animação | de Guillaume Ivernel, Arthur Qwak | 18 de Janeiro, 11h00 • BERLINGA - A ILHA DO FAROL | Documentário | de Paulo César Fajardo | 18 de Janeiro, 21h30 Teatro Miguel Franco (Leria) • CRAZY HORSE | Documentário | de Frederick Wiseman | 5e6 Jan. 21h30 • ISTO NÃO É UM FILME | Drama | de Mojtaba Mirtahmasb, Jafar Panahi | 14, 15, 16 e 17 de Janeiro, 21h30 e 18 de Janeiro, 18h30

EXPOSIÇÕES

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Tonekos” - uma porta aberta para a liberdade de um traço (13~31/01) •”Voando” - escultura de Luís Santos (~9/01) Teatro Miguel Franco - Leiria •”Presépios” - de Lena Riscado (~8/01) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Todas as noites acordam no dia” - pintura de João Pereira (~30/01) m|i|mo -Museu da Imagem em Movimento - Leiria •”Provas de cor” - arte (~7/01) •”Da suspensão do tempo e outros registos”-foto. e escultutras (~29/01) Fórum Fnac - Leria •”Um dia pergunto o teu nome” - fotografia de Cátia Alves (~20/02) Casa-Museu João Soares - Cortes •”A República” - colecção de António Pedro Vicente (~31/01) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) •”Mulher, cavalo e árvore” - desenho de Carlos Reys (3ª~sábados) •”O 18 de Janeiro de 1934” - exposição temporária

José Cid em concerto solidário na Batalha O músico José Cid vai oferecer um concerto solidário, no próximo dia 13 de Janeiro, às 22h00, no quartel dos Bombeiros Voluntários da Batalha. Este é o cumprimento de uma “promessa” feita pelo cantor e autor de alguns dos maiores êxitos da música portuguesa, aquando da sua passagem pela vila heróica nas últimas

festas de Agosto. Os bilhetes terão o custo simbólico de 5 euros e reverterão na íntegra para esta associação humanitária batalhense, podendo ser adquiridos no referido quartel e ainda na Câmara da Batalha, no Quiosque da Batalha e na perfumaria Jordão. LMFerraz

CINEMAS

na nossa estante

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Concerto de Ano Novo” - música (6/01, 21h30) •”Banco de tempo em Leiria” - palestra (8/01, 15h30) Teatro Miguel Franco - Leiria •Concertos para bebés” (8/01, 10h30 e 11h45) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Como se faz a paz” - hora do conto (6, 11, 20 e 25/01, 10h30) •”O pequeno rei” - hora do conto (6, 11, 20 e 25/01, 10h30) •”Contos e cantigas” - hora do conto (28/01, 16h00) •”Eu visito a Biblioteca (9, 16, 23 e 30/01, 10h00) Edifício Banco de Portugal - Leiria •”Fábrica do Pai Natal” (~8/01) Edifício dos Paços do Concelho - Leiria •”Cantar as Janeiras” - música (6/01, 17h00) m|i|mo - Muse da Imagem em Movimento - Leiria • Teatro de sombras (3ªs~6ªs) • Brinquedos óticos - oficina (3ªs-6ªs) • Formas de Pintura - oficina (3ªs~6ªs) •”Às quartas, danças e outros m|i|mos (11 e 25/01, 15h30) Moinho de Papel - Leiria •“Viagem à Fábrica do papel (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Fazer farinha e transforma-lá em pão” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Queres pintar? Vai ao moinho vai...” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“O saber de mão em mão” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“A dobrar a dobrar no moinho vais criar” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“O meu caderno” ((3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) Orfeão - Leiria • Oficina de danças de salão e baile de reis - dança (5/01, 15h00) Igreja de S. Francisco - Leiria • Concerto Coral com o Orfeão de Coellima (14/01, 18h009 Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa • A Passagem dos Reis Magos pelo Agromuseu (6/01, 10h00 e 14h00) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Os ratinhos do mar” - hora do conto (3ªs, 11h00 e 5ªs, 15h00) •”Wall.e” - filme (11/01, 15h30) Arquivo Municipal - Marinha Grande • Reconhecimento da importância do 18 de Janeiro (~31/01)

Carta aberta a António Lobo Antunes Carlos Pateira Edições Colibri […] Ó António, eu que de ti nada conheço, que não seja de todo público, escrevo-te porque, por omissão de qualquer outra possibilidade, só te posso querer bem. Já sei, já sei…Presumo que não seja caso único e, por isso mesmo, estou bem distante de querer ser original ou esperar surpreender-te. Nota que até podia acontecer que, se te conhecesse, pudesse até nem te gramar. Eu, um (in?)comum mortal sem… vergonha! Tu um (i?)mortal incomum cuja “vergonha” foi, potencialmente, por ti mesmo hipotecada. Eu, um singular anónimo, deitado ao mundo pela minha mãe na vulgar… “casa do povo”! Tu, pluralmente celebrado, superiormente reconhecido e distinguido, bem-nascido. […] um livro / três personagens em cena / um, António Lobo Antunes / porque então viu, contou e mais… / um outro, Carlos Pateira / porque então tudo viveu e mais… / Ana Leonor Pateira / porque sem o tanto mais que dela então emanava, os outros dois / nunca teriam sido actores naquela cena de vida. A ler de um fôlego, se não lhe faltar o ânimo.

Cinema no Estado Novo A encenação do regime Patrícia Vieira

Paisagens de Baco - Identidade, Mercado Desenvolvimento Ana Lavrador

Edições Colibri

Edições Colibri

Este livro analisa os filmes produzidos nas três primeiras décadas do Estado Novo, abordando temas como cinema e propaganda, filmes históricos, cinema e ruralidade, a figura feminina nos filmes da época, cinema e religião, ou filmes sobre o império colonial. A filmografia deste período pode ser mapeada ao longo de um continuum que se estende dos filmes mais abertamente propagandísticos aos que se afastam ou procuram mesmo contestar a hegemonia do salazarismo. Através de uma análise multifacetada destas obras, mais ou menos próximas do regime, emergem não só os traços fulcrais do Estado Novo mas também as suas contradições e fracturas. Os filmes são aqui considerados quer na sua faceta de objectos estéticos, que dialogam com as correntes cinematográficas do seu tempo e exprimem a visão artística dos actores, realizadores e técnicos que neles participaram, quer como criações de uma indústria sujeita aos condicionalismos do estadonovismo, que viu no cinema uma forma de difundir os seus princípios e que, por esta razão, estabeleceu um conjunto de mecanismos para estimular e controlar a produção fílmica.

Esta tese é um trabalho inovador com uma forte componente de aplicação prática na promoção dos vinhos e no desenvolvimento turístico das regiões vitivinícolas. O foco é a Paisagem, tema saliente no pensamento pós-moderno centrado em três conceitos fundadores: identidade, percepção e representação, como acção de comunicação. São estudadas cinco emblemáticas regiões vinhateiras de Portugal: Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada e Alentejo. A originalidade das paisagens vitícolas, um valor no quadro económico regional e nacional, está hoje ameaçada pela globalização e mecanização, promotoras de descaracterização e perda de oportunidades no âmbito do rural multifuncional. Especificamente procuram-se identificar elementos territoriais distintivos (marcas) que constituam referências de identidade para cada uma das regiões, contribuindo para a consolidação e/ou criação de uma imagem emblemática das regiões vinhateiras. A ideia é contribuir para a instrumentalização da paisagem transformando-a num produto vendável que agregue agentes socioeconómicos e promova a visibilidade externa das regiões e dos seus vinhos.

O nascimento da Margem Sul - Paróquias, concelhos e comendas (1147-1385) Francisco José Santos Mendes Edições Colibri A Península de Setúbal, como espaço administrativo, é hoje a parte Norte do Distrito com o mesmo nome, um território divido em nove concelhos, onde habitam cerca de 800 mil pessoas. Eclesiasticamente (com excepção de uma pequena parcela para lá do Sado, na Comporta) estes são também os limites da Diocese de Setúbal, criada em 1976. Esta obra aborda o espaço da Península de Setúbal do ponto de vista dos limites eclesiásticos e do estabelecimento da rede paroquial, num tempo que tem sido pouco estudado: o pós-reconquista, com as bitolas no ano da reentrada cristã na Margem Sul (1147) e a ascensão da nova dinastia de Avis (1385). Como nesta época falar de limites eclesiásticos é falar dos correlativos limites seculares,incontornável se tornou a referência, pari passu, aos aspectos administrativos, bem como aos diversos actores em presença, eclesiásticos e senhoriais. Do mesmo modo, e para explicar os alvores da organização então surgida, amplamente se trata da organização prévia à chamada Reconquista, bem como dos sucessos militares desta e sua repercussão no estabelecimento das centralidades e limites na região, centralidades e limites esses em boa parte ainda hoje vigentes.


CULTURA 5

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

Visitas guiadas nos primeiros domingos do mês

No Teatro José Lúcio em Leiria

Desde a sua abertura que o Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (MCCB) tem recebido diversas sugestões dos seus visitantes apontando para a importância da implementação de visitas guiadas. Assim, com início às 11h30 nos primeiros domingos de cada mês, haverá visitas guiadas para conhecer e aprofundar conhecimentos sobre o museu batalhense e as suas colecções, garantindo, desta forma, um acompanhamento personalizado. Com esta abordagem, a equipa do MCCB pretende dinamizar este espaço cultural, criando uma proximidade entre a instituição e o visitante, promovendo a integração e a partilha

DR

Museu da Batalha assinala Dia do Braille

de conhecimento e experiências. Em Janeiro, porque o primeiro domingo foi dia de Ano Novo, a visita será realizada no dia 8. Dia do Braille Sendo também por esta

ocasião comemorado o Dia Mundial do Braille, reforçase o convite a todas as pessoas cegas e com baixa visão a visitar este novo espaço cultural neste dia 8 de Janeiro, onde poderão desfrutar das soluções que estão à disposição deste tipo de

público (peças para tocar, trilho táctil, informação em Braille, áudio-guias…). Haverá ainda lugar para um jogo em Braille, que visa o reconhecimento deste sistema de escrita através de uma pedagógica e divertida descoberta do espólio do MCCB. Refira-se que o Dia Mundial do Braille se celebra a 4 de Janeiro com vista a sensibilizar os cidadãos para a temática da acessibilidade e da inclusão, particularmente das pessoas com deficiência visual. Adoptando o apelido do seu inventor, Louis Braille, trata-se de um sistema de escrita em relevo para leitura táctil, compondo-se de 63 sinais formados por pontos.

Oficina no Conservatório Sénior do Orfeão de Leiria nível intelectual. As actividades têm início às 15h00, com a aprendizagem de alguns passos de dança em estilos como o tango, rock e valsa, tendo posteriormente a possibilidade de pôr em prática e demonstrar os conceitos apreendidos no Baile de Reis do Orfeão de Leiria, que se realiza a partir das 17h00 nesta instituição de ensino artístico. Maria Adelaide Pinho, vice-presidente do OLCA e presidente do CSOL, salienta a importância da realização deste tipo de oficinas, que “demonstram o dinamismo das actividades promovidas pelo CSOL, que proporcionam aos seus alunos um contacto regular e efectivo com diversas áreas culturais, artísticas e científicas”. A vice-presidente do OLCA acrescenta ainda que “o facto de abrirmos as portas à participação de pessoas externas à instituição, nestas actividades, faz parte da nossa missão de proporcionar novas aprendizagem não só aos nossos alunos, mas à comunidade sénior leiriense, em geral,

sem esquecer o convívio e troca de experiências através das relações interpessoais”. Além das diversos oficinas de carácter científico e cultural, o CSOL realiza diversas actividades de carácter lúdico, envolvendo não só os seus alunos como toda a comunidade leiriense, com a realização de visitas guiadas a exposições, museus, viagens para assistir a espectáculos de música, teatro e dança, organização de palestras sobre literatura e música, entre outros. “O CSOL tem diariamente um impacto enorme para as dezenas de pessoas que frequentam semanalmente as suas actividades, quer em termos de aprendizagem musical e cultural, quer, e principalmente, na melhoria do seu bem-estar, da sua disposição para vida, sem esquecer, obviamente, do impacto que isso terá tido também para as suas famílias”, afirma Henrique Pinto, presidente do OLCA. O CSOL iniciou a sua actividade em 2008,

O Teatro José Lúcio da Silva (TJLS), em Leiria, é palco do Concerto de Ano Novo “Johann Strauss & Mozart”, no dia 6 de Janeiro, pelas 21h30. O Concerto de Ano Novo – “Johann Strauss & Mozart” chega a Portugal com mais de 50 músicos com instrumentos de sopro, que se juntam para recriar as eternas composições destes magníficos compositores. As mais célebres valsas e polcas interpretadas por esta orquestra serão acompanhadas pela elegância e ritmo de bailarinos que prometem encantar e deliciar todos os espectadores.

Dia 6 de Janeiro, na Igreja de S. Pedro

Concerto de Reis do Orfeão A Orquestra Paganini e Orquestra de Flautas do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OL CA) irão protagonizar o Concerto de Reis que a instituição de ensino de artes oferece à cidade de Leiria. O espectáculo terá lugar na Igreja de S. Pedro, no próximo dia 6 de Janeiro, sexta-feira, a partir das 21h00. «O Concerto de Reis já faz parte da tradição do Orfeão de Leiria, que ano após ano presenteia a cidade com um evento que pretende, não só assinalar o Dia de Reis, que marca o final da quadra festiva do Natal, mas, igualmente, receber o novo ano da melhor forma, o qual desejamos que seja menos austero que o anunciado, também a nível cultural», afirma Henrique Pinto, presidente do OL CA.

Centro de Interpretação Ambiental de Leiria

Seniores dançam em Baile de Reis Os alunos do Conservatório Sénior do Orfeão de Leiria (CSOL) vão aprender a dançar Tango, Valsa e Rock numa oficina de danças de salão, seguida de um Baile de Reis, que terá lugar no edifício sede do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OLCA), no dia 7 de Janeiro, sábado, a partir das 17h00. A iniciativa realiza-se no âmbito do plano de actividades do ano lectivo 2011/2012 do CSOL, mas prevê a participação de público externo à instituição, mediante inscrição prévia. Pretende-se “promover a melhoria da qualidade de vida dos mais velhos e motivar a sua participação activa na comunidade em que estão inseridos, como forma de combate ao isolamento e exclusão social, através da realização de actividades de carácter lúdico, cultural e pedagógico”. A metodologia utilizada nesta oficina irá proporcionar uma oportunidade de envolvimento cultural e artístico, através de um desafio físico que é simultaneamente estimulante a

Concerto de Ano Novo

inicialmente com um número reduzido de alunos, em fase experimental, e rapidamente veio a crescer. Conta actualmente com 104 alunos, distribuídos pelas disciplinas de Coro, Danças Tradicionais Europeias, História da Música, Formação Musical (em acordeão, órgão electrónico e flauta), e ainda com o Projecto 50+, que aplica o conceito inovador de biomúsica, uma terapia de relaxamento corporal e mental, e o projecto Seniores@piano, esta última ministrada mediante protocolo com a empresa Aulamúsica, que proporciona a aprendizagem de piano com recurso às novas tecnologias. Para mais informações e inscrições, os interessados poderão contactar o OLCA, pessoalmente, na avenida 25 de Abril, em Leiria, através do telefone 244 829 550, do e-mail geral@orfeaodele iria.com, ou consultar o site www.orfeaodeleiria.com e a página de Facebook do OLCA.

A escrita das plantas

O Centro de Interpretação Ambiental de Leiria (CIA) é palco no dia 7 de Janeiro, das 14h00 às 18h00, de uma oficina de trabalho intitulado “A escrita das plantas”, onde as plantas e as flores são o ponto de partida para a escrita. Os participantes são convidados a inspiraremse nas formas, cores, texturas, cheiros, ou sabores das plantas para criar contos, histórias ou poemas, criando pontes entre o olhar, o gesto e a palavra escrita. A formação está a cargo de Fernanda Botelho, que estudou em Londres plantas medicinais, pedagogia Waldorf e Montessori e yoga. Há cerca de 20 anos que é membro da Herb Society UK, escreve em revistas de jardinagem, publicou uma agenda 2010 e 2011 de plantas medicinais, aromáticas e condimentares, um livro infantil “salada de flores” e um guia prático de primeiros socorros “ As plantas e a saúde”.

Ourém

Assinados protocolos para AEC O Município de Ourém, enquanto entidade promotora das Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) em todas as escolas do primeiro ciclo do ensino básico, assinou os protocolos com os agrupamentos escolares, a INSIGNARE, o Conservatório de Música de Ourém-Fátima e a Ourearte, com vista à implementação das Actividades de Enriquecimento Curricular nas escolas do Concelho, para o ano lectivo de 2011/2012, que incluem o ensino do inglês, ensino da música, actividade física e desportiva e Animação sócio-cultural, a mais de 1700 alunos. Assim, para o Ensino do Inglês, da Actividade Física e Desportiva e Animação Sócio-Cultural foi celebrado o protocolo com a INSIGNARE – Associação de Ensino e Formação. Para o Ensino da Música foram celebrados novos acordos com o Conservatório de Música de Ourém e Fátima e com a Ourearte – Escola de Música e Artes de Ourém.


6 SOCIEDADE

O Mensageiro

5.janeiro.2012

São Silvestre de Colmeias

Antiga feira do gado com bom tempo mas menos visitantes A edição de 2011 da Feira de São Silvestre de Colmeias foi premiada este ano com o bom tempo que se fez sentir. Sem a habitual chuva e vento, apenas o frio se fez sentir, não sendo esse o motivo da vinda de mais visitantes ao recinto da feira no lugar da Chã. Pelo contrário, houve uma redução significativa de pessoas que decidiu não desfrutar do acontecimento que evoca a antiga feira do gado e do pinhão na freguesia de Colmeias, sempre com milhares de pessoas a acorrerem a tão importante acontecimento na região. A ancestral Feira de São Silvestre foi desde sempre

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o ano em que surgiu a Grande Guerra, nasceu na cidade de Leiria o jornal O Mensageiro. Este periódico veio alterar o paradigma de uma cidade francamente despovoada, com fracos índices de desenvolvimento e sem uma diocese autónoma. No início do século XX, Portugal era basicamente Lisboa, Porto e Coimbra. Os restantes distritos estavam remetidos para segundo plano, sendo o jornal O Mensageiro, nas mãos do seu fundador, José Lacerda, um dos maiores impulsionadores da viragem que veio dotar a cidade de novos ‘impulsos’ para o desenvolvimento que o novo século trouxe ao País. Portugal não entrou no conflito em 1914 porque assumiu a posição de neutral. No entanto, várias personalidades políticas defendem a posição de beligerante, entre as quais, uma se destaca, tornando-se num dos maiores adeptos do envolvimento português na Grande Guerra. Afonso Costa, que teve amplos destaques em textos nos vários jornais leirienses da época, nesses primeiros tempos da guerra começou com os seus pares a preparar estrategicamente o envolvimento de Portugal na Grande Guerra.

um certame de grande importância. Até a típica publicação Borda d’Água inclui todos os anos a calendarização da Feira de São Silvestre. O conhecido almanaque nacional, também vendido no recinto da Outra das vozes que mais se destacaram naquele tempo foi a de João Chagas, na época como diplomata português em Paris, indicado como chefe do primeiro governo pós-revolução, ao abordar publicamente os interesses distantes entre Portugal e Inglaterra. Segundo ele, qualquer parte do conflito que saísse vencedora iria disputar as colónias que Portugal detinha em África e, por isso, impunhase defender o território nacional, considerando-se que a neutralidade de Portugal em nada ajudaria a esse facto. Apesar de Portugal não enviar de imediato as suas tropas, a verdade é que se colocou logo num dos lados do conflito. O País tinha uma fraca expressão política no panorama europeu e no mundo, mas a Grande Guerra poderia afectar não só o território nacional, mas também os territórios de Ultramar, um feudo que ainda se desejava defender. Portugal não oficializou imediatamente o seu envolvimento no conflito. O País não tinha condições financeiras, muito menos estabilidade política para assumir um risco desta natureza. Por outro lado, os aliados britânicos dese-

Feira de São Silvestre, contém dados astronómicos, religiosos, conselhos úteis para agricultores e informações de carácter geral. Manuel Marto, 69 anos de idade, recorda-nos a antiga Feira de São Silvestre:

“Para termos a noção da importância do São Silvestre, era nesta antiga feira do gado que se regulava o valor da bolsa do porco a nível nacional. Começava às 7-8 horas, vinham camiões da Covilhã e outras regiões

A Grande Guerra mereceu a atenção especial do Pe. José Lacerda com as capelanias militares javam que Portugal não se envolvesse directamente na guerra. Apesar disso, se Portugal tomasse a decisão de se tornar beligerante, a Inglaterra não se oporia, parecendo quase uma contradição às tomadas de posição anteriormente assumidas. Os ingleses nutriam vários interesses na guerra, entre os quais as colónias portuguesas em África. Viria a ser África um dos pontos sensíveis do envolvimento de Portugal no conflito da Grande Guerra, especialmente quando os alemães invadem Angola. A necessidade de defender as suas colónias falou mais alto. Assim, se não foram enviadas tropas para a guerra em território europeu, logo em 1914, Portugal teve a necessidade de fazer deslocar as suas

tropas para as colónias que detinha em África, no sentido de defender estes territórios. No dia 9 de Março de 1916, a Alemanha declara guerra a Portugal. O facto de Portugal ter facilitado a passagem de tropas inglesas em Moçambique, proibirmos o fornecimento de carvão aos vapores da Alemanha e o confiscar navios alemães no Tejo, foram o pretexto para a Alemanha se posicionar oficialmente contra Portugal. O País é mergulhado num novo ciclo, tendo de efectuar preparativos rápidos para participar com as suas tropas no conflito. Na cidade de Leiria, foi publicado num jornal local, o comunicado que alterou por completo o paradigma português face à guerra. Portugal já estava como

do norte do País para venderem tecidos, chegavam também da nossa região imensas cargas de gado e faziam-se as vendas aos agricultores e criadores de gado do distrito”. Manuel Marto evocando os tempos antigos deste acontecimento anual de Colmeias carrega nas suas recordações os momentos finais da feira como uma alegria imensa para os colmeenses que se sentiam orgulhosos em cada realização. Aproveitava-se a data para que pela noite fora se comemorasse a passagem de ano. “Sobre os enormes cepos, numa fogueira que dava por vezes para dezenas de pessoas, aliado beligerante. O jornal leiriense O Anunciador, divulga o texto lido no parlamento, a 16 de Março de 1916, que consistia numa mensagem de Inglaterra ao governo português: «O govêrno de Sua Majestade estará ao lado de Portugal, em face do inimigo comum, e Portugal pode confiar em que a sua antiga aliada, a GranBretanha, lhe dará todo o auxílio que fôr possível ou necessário prestar» A 22 de Julho de 1916 foi criado o Corpo Expedicionário Português (CEP), preparado para a guerra da Flandres (Divisão de Instrução). Havia uma sociedade dividida sobre a participação de Portugal na Grande Guerra mas alguns de valores lusos como as colónias em África impunham ponderação. Em Londres, Afonso Costa, preparava esse esforço português. Naquela época, o diplomata português entendia que queriam remeter Portugal para um plano secundário. No entanto, percebia-se que ganhava cada vez mais força política o facto de os portugueses desejarem ir para o teatro das operações, assumindo esta missão, também para travar a temida descida dos alemães até ao sul da Europa.

juntavamo-nos todos pela madrugada dentro, envoltos em cobertores e com a companhia das raparigas que num cântaro levavam o típico café da borra”, recorda. A edição de 2011 da Feira de São Silvestre, já sem o gado no recinto, decorreu como nos últimos anos, com a vinda de feirantes que vendem um pouco de tudo. A quinquilharia, ferramentas, alfaias, roupa, objectos para o lar, brinquedos, promoção do jornal Notícias de Colmeias e até vários alfarrabistas, caracterizaram um certame que ainda atrai milhares de colmeenses e forasteiros. Texto e foto: Joaquim Santos

REFLEXÕES SOBRE O SÉCULO XX - 6

Joaquim Santos Jornalista

O Mensageiro acompanhou os acontecimentos da Guerra 14-18 O jornal O Mensageiro, no tempo em que foi criado o CEP, tinha quase dois anos de publicação. O periódico foi privilegiando os assuntos da Grande Guerra com o evoluir do conflito, da situação política em Portugal em relação à sua participação e também com abordagens às necessárias capelanias militares. José Lacerda troca correspondência com o Ministério da Guerra, alistando-se como capelão militar voluntário, cargo que veio a exercer pouco tempo depois da partida das primeiras tropas para a Flandres.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

Novo paradigma português no seu calendário

Prova de rally na Reixida

“Rota das Vinhas”

Em nome da reforma da economia de Portugal, invocando a Troika que empresta milhões para pagar dívidas atrasadas do País, os portugueses vão conhecer uma nova calendarização das suas vidas no ano de 2012. Chegados a esta nova era, numa das piores crises da história recente de Portugal, os cidadãos vão ver as suas carteiras emagrecer com mais impostos, produtos mais caros e uma previsível redução significativa do emprego. Depois de se ter esgotado o primeiro feriado do ano de 2012 (Dia 1 de Janeiro, Passagem de Ano - Dia Internacional da Paz), os portugueses abraçam mais trabalho com o previsível acréscimo de uma meia hora por cada dia de trabalho (podem acumular), num plano de Governo que reduzirá substancialmente as deduções específicas no IRS, efectivará aumentos consideráveis no acesso à saúde, não esquecendo os inesquecíveis cortes nos feriados ainda em diálogo na concertação social. Sobre a supressão dos possíveis quatro feriados nacionais (dois civis e dois católicos), várias personalidades já se pronunciaram publicamente, a favor e contra. No entanto, para o cidadão comum, conduz-nos a uma percepção clara de que quem paga a dívida de Portugal, é justamente a classe trabalhadora, os segmentos médios da sociedade, não aqueles que também cor-

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2012: mais trabalho, impostos e austeridade

rem para a comunicação social a lançar ideias ou decisões sobre os feriados porque só para alguns se traduz como penalizador já que são muitos os que continuam a passar ao lado dessas restrições que certamente serão impostas à sociedade. Na defesa do sim para a redução dos feriados, encontramos o argumento de ganhos elevados de milhões de euros para Portugal com a sua supressão Para Miguel Costa Nunes, editor do “Económico”, publicação on-line, refere que “A economia pode crescer o equivalente a 0,1% do PIB com a redução de quatro feriados, dois civis e dois religiosos: um ganho de 148 milhões. De acordo com os estudos mais recentes, cada dia de paragem equivale a perdas na ordem dos 37 milhões de euros. E Frasquilho refere-se a um valor máximo de poupança na ordem dos 148 milhões, correspondentes a quatro feriados.”, refere. Já o sociólogo António Barreto aponta outras pistas bem diferentes da redução

dos feriados portugueses. Assim, identifica as suas razões para o não, explicando que “Em Portugal o que é um problema muito grave são as tolerâncias de ponto, as tardes de véspera de feriado, as pontes de dias inteiros, as tolerâncias de ponto nas pontes. São problemas terríveis que os governos têm de mudar urgentemente”, disse. Tendo como lema a produtividade, o Governo quer avançar com a eliminação de alguns feriados ou que os mesmos sejam colados ao fim-de-semana, terminando com as excessivas pontes que se gozam. Na calendarização da Igreja Católica está como base de decisão, o dia de Corpo de Deus (feriado móvel que em 2012 se celebra a 7 de Junho) e Assunção de Nossa Senhora (15 de Agosto). Quanto aos feriados civis, em cima da mesa estão as datas que invocam a Implantação da República (5 de Outubro) e a Restauração da Independência (1 de Dezembro). O País atravessa um dos seus momentos de maior

exigência no plano económico. O acréscimo da meia hora de trabalho e os feriados, na óptica do Governo, podem significar uma ajuda para resolver os problemas da crise em Portugal. Para já, apenas foi discutida a medida no Conselho de Ministros, faltando a sua oficialização em Diário da República, tendo ainda um caminho a percorrer para a sua oficialização. O jornal O Mensageiro, em contacto com o deputado do Governo que representa o distrito de Leiria, Paulo Baptista (PSD), referiu que até ao momento apenas existe um “Consenso de Princípio que envolve a concordância entre todas as partes, Governo, Igreja Católica, Patronato e Sindicatos). O consenso parece não ser transversal porque falta precisamente uma parte essencial, a maioria dos trabalhadores portugueses que se mostra céptica e indignada com os efeitos positivos que esta resolução possa ter para melhorar as condições económicas de Portugal, sem que outras medidas sejam tomadas como a contenção da despesa pública e a supressão de muitas regalias de governantes e administradores públicos e privados. Mas, aquilo a que ninguém escapa na calendarização deste novo ano de 2012, são os aumentos de impostos e subida de preços, com efeitos desde o dia 1 de Janeiro. Joaquim Santos

Concurso da ACILIS A montra da Leirivisão, em Leiria, foi a mais votada pelo público, tendo vencido a primeira edição do Concurso Montra D’Arte, iniciativa organizada pela ACILIS. A artista criadora desta montra – Maria Dulce Bernardes – foi premiada com uma noite de alojamento para duas pessoas, com refeição e circuito SPA, no Palace Hotel Monte Real e com uma exposição

de arte na Galeria do Edifício do Banco de Portugal. A Leirivisão foi contemplada com um jantar para duas pessoas no restaurante Pipo Velho, associado da ACILIS, com um artigo no Boletim Informativo da ACILIS e uma página com galeria de fotos no portal da ACILIS. A montra da Loja dos Collants, também em Leiria, foi a segunda mais

votada pelo público, tendo sido atribuído ao artista criador desta montra – Luis Cruz Oliveira - uma noite de alojamento para duas pessoas, com uma refeição, no Hotel Villa Batalha. A sessão de entrega dos prémios decorreu no dia 2 de Janeiro, na sede da ACILIS. Das mais de 70 montras inscritas, ficaram a concurso 38, uma vez que o número de artistas inscri-

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Leirivisão vence “Montra D’arte”

tos foi bastante inferior ao número de montras. Esta iniciativa teve como objectivo dinamizar as ruas comerciais de Leiria, Batalha e Porto de Mós.

No próximo dia 8 de Janeiro vai decorrer a já tradicional 9ª resistência automóvel (3 horas) intitulada “Rota das Vinhas” na Reixida. Cada vez mais concorrida, a edição deste ano é limitada a 40 equipas. A organização desta prova, de cariz social, está a cargo da capela da Reixida, revertendo os lucros, para a “angariação de fundos para a aquisição de um imóvel, que servirá de apoio à população, sobretudo idosa”, refere o pároco, padre Rui Ribeiro. O programa será o seguinte: 8h00 - concentração nas boxes, 8h30 - treinos livres; 9h30 - treinos cronometrados; 13h00 - formação da grelha de partida; 14h00 - início da prova; 17h00 - termo da prova; 20h00 – jantar convívio e entrega de prémios.

Adequação de preços à nova realidade

Clube de Ténis de Leiria

Tendo em conta a grave crise económica que a Câmara Municipal de Leiria atravessa, os apoios aos clubes desportivos foram substancialmente reduzidos e em alguns casos cancelados. No caso concreto do Clube da Escola de Ténis de Leiria, a Câmara de Leiria informou que cessam a partir de Janeiro de 2012 os apoios relativos aos consumos de energia, gás e água e serão reduzidos os apoios concedidos através do PAD. Face ao exposto e depois de ponderados vários factores sócio-económicos, a direcção Clube da Escola de Ténis de Leiria, reunida no dia 20 de Dezembro de 2011, procurou adequar a nova situação à vida económica do clube, minimizando o inevitável agravamento dos preços a praticar junto dos associados e não associados, com efeitos a partir do dia 1 de Janeiro de 2012.

ADAE prepara novo concurso

Mais 27 projectos com financiamento aprovado No âmbito do sub-programa 3 do PRODER - Dinamização das Zonas Rurais, gerido pela ADAE – Associação de Desenvolvimento da Alta Estremadura, foram apresentados 52 pedidos de apoio ao investimento ao 2.º concurso deste sub-programa, provenientes dos cinco concelhos (Batalha, Leiria, Marinha Grande, Ourém e Porto de Mós) que fazem parte do território de intervenção da ADAE. O órgão de gestão da ADAE terminou a última fase de aprovação destes pedidos, resultando desta análise e decisão de aprovação, 27 pedidos de apoio que irão beneficiar de financiamento a fundo perdido. A totalidade de investimento aprovado ascende os 3,5 milhões de euros, com uma comparticipação pública de mais de 2,1 milhões. Entre as tipologias de investimento, destacam-se a criação de várias micro-empresas, o desenvolvimento de novos serviços de PME, a remodelação/adaptação de várias IPSS e colectividades, a beneficiação de várias estruturas públicas, que na sua totalidade permitem a criação de mais de 50 novos postos de trabalho. A ADAE encontra-se na preparação de um novo concurso para apresentação de pedidos de apoio ao investimento, que se situem entre os 5000 e 300.000 euros, com uma taxa de financiamento de 40%, 50% e 60%, para a medida 3.1 – Diversificação da Economia e Criação de Emprego, ou, no caso da medida 3.2 – Melhoria da Qualidade de Vida, investimento entre 5000 a 500.000 euros, com uma taxa de financiamento de 60% e 75%, com limite máximo de apoio de 200.000 euros.


8 ECLESIAL

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

[COLUNA SEMANAL]

CAMINHO... COM A

CARTA PASTORAL 12

3. Vasto mundo, minha paróquia 3.3. Eucaristia, pão repartido para a vida do mundo A espiritualidade do compromisso social do cristão alimenta-se não só na escuta da Palavra e na sua meditação, mas também na celebração da Eucaristia, para receber de Cristo um “novo olhar” sobre as realidades do mundo e uma “nova força” para a sua entrega. “As nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem consciencializar-se cada vez mais de que o sacrifício de Jesus é por todos; e, assim, impele todo o que acredita n’Ele a fazerse ‘pão repartido’ para os outros e, consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno... Na verdade a vocação de cada um de nós consiste em ser, unido a Jesus, pão repartido para a vida do mundo (...) Precisamente, em virtude do mistério que celebramos é preciso denunciar as circunstâncias que estão em contraste com a dignidade do homem, pelo qual Cristo derramou o seu sangue, afirmando assim o alto valor de cada pessoa” (SC nn. 88 e 89). Recomendo aos sacerdotes que tenham presente o tema deste ano pastoral nas homilias, as preparem bem e usem mais frequentemente a Oração Eucarística V/D do Missal Romano, intitulada “Jesus passou fazendo o bem”. A celebração da memória de alguns santos empenhados no campo social e político ou padroeiros de determinadas profissões proporciona ocasião para a oração e a consciencialização da necessidade do testemunho cristão no mundo.

Para reflexão... para a vida do mundo

o repartido fonte 3.3. Eucaristia, pã ade/paróquia é nossa comunid des da da a ali re iss M as e A • o olhar” sobr ov “n um de co te a entrega mo permanen ova força” para “n a um e do un do m do”? ra a vida do mun “pão repartido pa r? ra ho el m ra os fazer pa • O que podem

A Suíça deve a sua unidade como confederação de diferentes cantões, culturas e línguas a um homem cristão, Nicolau de Flue, a quem foi atribuído o título de “pai da pátria” pelo seu papel decisivo num período crítico do país. Dele disse o Papa Pio XII, em 1947, quando o canonizou, que é o santo dos suíços, “não só porque salvou a Confederação num momento de crise profunda, mas também porque traçou para o seu país as linhas dominantes duma política cristã”. Quem foi e o que fez de extraordinário este homem cristão? Nicolau nasceu em Flue, Suíça, no ano de 1417, numa família de agricultores. Desde novo mostrava uma natural inclinação religiosa e procurava lugares isolados no meio da natureza para melhor se recolher em oração. Aos dezasseis anos, enquanto guardava o seu rebanho, teve algumas visões que o levaram a compreender a sua vocação, a levar uma vida solitária e a dedicar-se à contemplação de Deus e dos mistérios divinos. Aos 22 anos, porém, foi chamado à vida militar. Mais tarde, comandou pessoalmente uma companhia de cem homens. Combateu com grande bravura e foi condecorado. Graças à sua intervenção, impediu que o exército incendiasse um mosteiro feminino, onde se haviam refugiado os inimigos. Foi um guerreiro destemido e misericordioso. Protegia as viúvas e os órfãos e não permitia que os vencedores cometessem actos de vandalismo em relação aos vencidos. Aos 30 anos, por insistência dos pais, casouse com Doroteia Wyss. Tiveram 10 filhos, um dos quais frequentou a universidade. O mais velho chegou a ser presidente da Confederação Helvética. Sem prejuízo da vida familiar, cultivou intensamente a espiritualidade: levantava-se de madrugada para rezar durante duas horas. Jejuava quatro dias na semana. Aos 50 anos, em 1467, com o consentimento da esposa, confiando ao filho mais velho a liderança da família, saiu de casa para se dedicar à vida eremítica num monte, abrigando-se numa gruta. Foram os seus próprios filhos que o ajudaram a construir uma capela no lugar de retiro do pai. Ali

Família há oito Séculos

Nicolau de Flue, ‘Pai da Pátria’ Suiça

se entregou à oração durante os vinte anos que ainda teve de vida. Quando morreu, em 1487, tinha ao seu redor a esposa e os filhos. Nesse tipo de vida ascética, ocupando-se da oração e da contemplação, praticando um jejum rigoroso pois alimentava-se somente da Eucaristia, a sua fama começou a crescer entre os habitantes da região. Procuravam-no sempre em maior número para lhe pedirem conselhos e se recomendarem às suas orações. Antes e depois da opção pela vida de eremita, Nicolau não deixou de participar na vida política do seu povo: foi juiz e conselheiro do seu cantão, deputado na Dieta federal, em 1462, tendo recusado o cargo de chefe de Estado. Influenciou positivamente o estabelecimento do tratado de paz perpétua com a Áustria, assinado em 1473. A sua obra pacificadora mais importante iniciou-se

em 1477 quando várias tenções ameaçaram a unidade entre os vários cantões que compõem a confederação suíça. Quando, após uma guerra contra o duque da Borgonha, os chefes das tropas confederadas se reuniram para deliberarem sobre divisão do espólio recolhido, surgiram tais discussões e divergências que se receou a eclosão de uma guerra civil. Um pároco, amigo de Nicolau, relatou-lhe o que estava a acontecer e pediu-lhe a sua intervenção. O eremita veio à assembleia e disse estar ali “para vos falar a propósito de vossas discórdias, que podem desfechar na ruína da pátria. Sou um homem pobre e sem letras, mas quero vos aconselhar na sinceridade de meu coração, e vos falo como Deus me inspira. Desejo-vos enorme bem, e se eu fosse capaz de vo-lo dar um pouco, quereria que minhas palavras vos conduzissem à paz”. A eloquente e autorizada intervenção foi

eficaz e as desavenças deram lugar à concórdia. Quatro anos depois, quando um dos cantões estava decidido a separar-se dos outros, um emissário foi dizêlo a Nicolau. O santo eremita passou então a noite a redigir um projecto de constituição que, no dia seguinte, foi aprovado por unanimidade dos membros da Assembleia, o que restabeleceu para sempre a unidade e a paz. Conseguiu assim fazer prevalecer, na prática e na teoria, “a ideia duma comum pátria, indivisa e capaz de ultrapassar as preocupações e os interesses cantonais”. Procurando unir-se sempre mais a Deus, São Nicolau de Flue recebeu do Céu a luz, a sabedoria e a arte de promover a concórdia e a unidade entre os homens e na sua pátria. A quem o vinha procurar ensinava esta oração: “Senhor, dai-me tudo o que me una a Vós e afastai tudo o que me separe de Vós”.


DIOCESE 9

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

Visita Pastoral à Diocese Entrevista com o padre António Pereira Faria, pároco do Arrabal

“É urgente voltar à Eucaristia dominical”

Que pensa desta iniciativa do Bispo diocesano fazer uma visita pastoral a todas as paróquias? Penso que a visita pastoral que o Bispo está a fazer à Diocese é uma iniciativa de grande alcance pastoral. As pessoas têm uma oportunidade única de conhecer e conviver com o seu Pastor, seu Pai na fé. Aquele que é o garante de comunhão com a verdadeira Igreja de Jesus Cristo. O Bispo pode conhecer mais de perto o povo que lhe está confiado e apercebese dos seus problemas, anseios e desejos. Como se preparou a comunidade para receber o Bispo? A preparação começou um ano antes, com o

Qual foi o critério na elaboração do programa? O programa foi elaborado, de tal modo, que fosse possível ao senhor Bispo contactar com o maior número de pessoas, nos diversos lugares e circunstâncias. Contacto com as crianças, idosos, jovens, operários, autarquia e colectividades existentes na Paróquia, que são em grande número. Que houvesse tempo para o senhor Bispo falar, conviver, celebrar a fé e escutar as pessoas.

a assumir com alegria a sua missão de leigos comprometidos na vida da Igreja.

Fotos: DR

O Bispo diocesano, D. António Marto, esteve em visita pastoral à paróquia do Arrabal, de 1 a 4 de Dezembro. A esse propósito, entrevistámos o pároco, padre António Faria.

anúncio nas Eucaristias dominicais e nos encontros com os grupos paroquiais e com a oração pessoal e comunitária. Mais proximamente, os representantes dos grupos paroquiais participaram na reunião vicarial convocada pelo senhor Bispo para falar dos objectivos da visita. O Conselho Pastoral organizou o programa. Fez-se a divulgação da carta do senhor Bispo e do programa da visita pastoral à Paróquia. Organizaram-se diversos grupos de oração (Lectio Divina). Na preparação, estiveram envolvidas muitas pessoas e entidades da Freguesia, para que tudo corresse bem e o senhor D. António Marto se sentisse bem acolhido e acarinhado pela comunidade do Arrabal.

De forma geral, como decorreu a visita? A visita decorreu bem, de acordo com o programa apresentado e que foi cumprido na íntegra. Havia uma grande expectativa na chegada do senhor Bispo e houve uma grande presença e participação das pessoas nas diversas acções realizadas. Viam-se pessoas entusiasmadas e interessadas na escuta da palavra que lhes era dirigida e manifestações de estima e amizade para com o senhor Bispo. Além

do programa previsto, ainda houve tempo para inaugurar uma pequena loja social, “A Lojinha de São Vicente de Paulo”. Houve algum momento especial que queira destacar? Eu diria que toda a visita foi um momento especial na vida da paróquia. Mas realço o encontro com todos os doentes e idosos na celebração da Eucaristia e administração da Santa Unção, celebração realizada no Centro Social

do Arrabal, que assiste quase todos os idosos da Paróquia. Encontro que tocou o coração de todos os doentes e familiares presentes e que eram em grande número. Destaco também o encontro com as crianças e adolescentes da catequese, onde houve um grande entusiasmo dos presentes, com o comentário próprio das crianças – “o Bispo é fixe” – e a assembleia paroquial em que, depois da apresentação dos grupos paroquiais, o senhor Bispo dirigiu uma mensagem muito fervorosa, que foi um desafio a cada uma das pessoas apresentadas

Qual a principal mensagem ou marca deixada por Dom António? As mensagens foram várias: necessidade dum compromisso e testemunho verdadeiramente cristãos, neste mundo tão cheio de confusões; que cada cristão se sinta uma “pedra viva” na Igreja; todos temos um papel importante nesta Igreja a que pertencemos. A fé que professamos, não deve ser uma fé teórica, mas uma fé viva, que leva ao compromisso apostólico. É urgente voltar à Eucaristia dominical. O senhor D. António deixou uma marca de alegria, proximidade e grande simplicidade, o que tocou fundo no coração das pessoas. O Bispo não é alguém distante, mas é um irmão entre irmãos. Quais as expectativas criadas a partir da Visita pastoral? Já foi definida alguma prioridade pastoral ou tomada alguma decisão em ordem à renovação da dinâmica paroquial? As consequências desta visita pastoral são um assunto a ser reflectido no Conselho Pastoral e a seu tempo pôr em prática o que for possível e mais urgente. Desde já, ficou a preocupação de apostar mais na pastoral familiar e juvenil e melhorar a animação litúrgica, principalmente na Eucaristia dominical.


10 ECLESIAL

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

Leituras | Epifania (08/01/12) Antífona de Entrada: cf. Mal 3, 1; 1 Cron 19, 12 Leitura I: I Is 60, 1-6 Salmo Responsorial: Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.1213 (R. cf. 11) Refrão: Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra. Repete-se Leitura II: Ef 3, 2-3a.5-6 Aclamação ao Evangelho: Mt 2, 2 Refrão: Aleluia. Repete-se; Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorar o Senhor. Refrão Evangelho: Mt 2, 1-12

Cânticos|II Domingo do Tempo Comum (15/01/12) INÍCIO: Toda a terra Vos adore - Lau 813 Senhor, Tu nos chamaste - Lau 782 SALMO RESPONSORIAL: Eu venho, Senhor, para fazer a vontade - Lau 379 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Recebestes um Espírito - Lau 716 COMUNHÃO: Senhor eu creio que sois Cristo - Lau 759 O Cordeiro de Deus - Lau 550 PÓS-COMUNHÃO: Cremos em Vós ó Deus - Lau 243 Quanta alegria é para mim - Lau 694 FINAL: Quero ouvir teu apelo Senhor - Lau 712 Quem me seguir - Lau 708

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AO SABOR DA PALAVRA

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

Solenidade da Epifania do Senhor 8 de Janeiro de 2012

Manifestações

A palavra Epifania significa, como todos estão lembrados, manifestação, mas não uma manifestação qualquer, como aquelas que costumamos ver nos noticiários, em que um grupo maior ou menor de pessoas percorre as ruas da cidade empunhando cartazes e gritando palavras de ordem, reclamando a falta de condições da sua vida: trabalhadores, estudantes, reformados, etc. A manifestação de que hoje falamos é precisamente o oposto a isso, é apenas a revelação, a quem o soube descobrir numa criança, do filho de Deus feito homem. Uma revelação para quem tinha o espírito aberto a descobrir nos sinais dos

D. António Marto em visita pastoral ao Sumbe, Angola

“Uma grande alegria” Pelas 7h30 locais do dia 2 de Janeiro de 2012 chegou a Angola D. António Marto, bispo da Diocese de LeiriaFátima, para uma visita pastoral que se prolongará por duas semanas. À sua chegada ao aeroporto de Luanda tinha à sua espera D. Benedito Roberto, bispo do Sumbe, e a equipa missionária da diocese que está a trabalhara na missão do Gungo. Ao fim da manhã D. António celebrou a sua primeira missa em terras africanas, confessando aí a sua comoção pelo momento que vivia; disse ainda que nesta sua viagem se sente missionário e que vem com o propósito de partilhar os dons de Deus mas também de levar um pouco da frescura da fé destas comunidades a uma Europa que parece cada vez mais velha, cansada e tíbia. No fim da missa os leigos que compõem a equipa missionária da diocese de Leiria-Fátima seguiram para o Sumbe a fim de continuarem os preparativos para a inauguração da segunda fase da casa Ondjoyetu, ao passo que os padres Vítor Mira e David Nogueira acompanharão D. António

nos próximos dias. O almoço deste primeiro dia teve lugar na Nunciatura Apostólica da Santa Sé em Luanda, a convite do Sr. Núncio, D. Novatus Rugambwa (de nacionalidade Tanzaniana), contando ainda com a presença de D. Benedito Roberto. A tarde deste primeiro dia em Luanda foi aproveitada para uma breve visita à cidade, estando previsto o jantar para a casa do Sr. Arcebispo de Luanda, D. Damião Franklim. A vista a Angola prosseguirá amanhã, terça-feira, com a passagem por Viana, Santuário da Muxima, Catete e chegada a Ndalatando, no Quanza Norte. O terceiro dia terá como destino a cidade de Malan-

ge com visita às Pedras Negras de Pungo Andongo e às cataratas Kalandula (antigo Duque de Bragança). O dia seguinte terá um percurso mais longo e será marcado pela entrada na diocese do Sumbe. D. António passará pelas missões do Mussende e Calucinga, chegando ao fim do dia à cidade de Cassongue onde está presente uma comunidade de irmãs das Servas de Nossa Senhora de Fátima, e entre elas uma irmã natural da nossa diocese. Dia 6, sexta-feira, será o da partida em direcção ao Sumbe onde o bispo de Leiria-Fátima chegará ao fim desse dia. Pelo caminho ainda terá a oportunidade de passar pelas paróquias de Waku-Kungo, Quibala

tempos a manifestação de amor divino pelos homens. Os sábios da época descobriram um fenómeno celeste diferente dos habituais, e sentiram que isso significava que, também na terra, tinha acontecido algo de especial e que deviam acorrer para testemunhar esse acontecimento notável. Ao contrário destes sábios vemos que os poderosos conterrâneos de Jesus, como o rei Herodes sabendo dessa boa nova se deixaram estar na sua comodidade, embora fosse primeiro para este povo que Deus tinha enviado o seu filho. É por isto que o profeta

Isaías na primeira leitura diz ao povo que se alegre, porque nasce uma nova luz para todos os Israelitas. Uma luz que significa a glória de Deus que desce sobre a cidade de Jerusalém, escolhida para conduzir toda a humanidade à presença de Deus, como um holofote que aponta o caminho a percorrer. A luz que desponta não se destina a ficar limitada ao pequeno grupo de pessoas que forma o povo judeu, é para ser espalhada por todos as nações, como diz S. Paulo na carta que escreve aos Efésios: “Os gentios receberam a mesma herança que os judeus.” Isto significa que o Menino Jesus veio para toda a gente, que não

faz distinções entre as pessoas, que todos merecem receber esta luz. Mas nem todos estão dispostos a deixar-se iluminar por Ele, porque estão habituados a viver no escuro e os seus olhos não suportam a luz viva, que faz doer: como na alegoria da caverna de Platão em que os prisioneiros apenas viam as sombras projectadas na parede e julgavam que essa fosse a realidade. Mas quando um se libertou, veio cá para fora e conseguiu ultrapassar a dor do primeiro contacto com a luz do sol descobriu quanto estava enganado. E tendo regressado à caverna para anunciar aos outros o que tinha descoberto acabou por ser

e Gabela. Este itinerário fará entrar em contacto directo com realidades de que o nosso bispo ouvia falar deste criança (no tempo do império colonial português tinha que se conhecer muitas coisas das antigas colónias) e, principalmente, contactar com outros bispos, missionários e comunidades que certamente constituirão um forte motivo de enriquecimento para ele. Sabemos que os que acolhem também vão sentir uma grande alegria por receberem o bispo da diocese a que pertence Fátima. O próximo sábado, dia 7, será o da inauguração da segunda fase da casa da missão do Sumbe. O programa começa com a missa às 9h00 na igreja da Pedra Um, seguindo-se a bênção das novas infra-estruturas e o almoço. Domingo, 8 de Janeiro será o dia de valorizar a geminação das dioceses com a celebração da Eucaristia na Catedral do Sumbe, presidida por D. Benedito Roberto e concelebrada por D. António. Padre Vítor Mira

morto por eles, que não acreditavam nas palavras de um visionário. Vamos todos manifestar o amor que este menino nos veio trazer, a luz que ilumina a nossa vida. Vamos anunciar aos outros, que preferem estar sentados nas suas poltronas a receber o que lhes aparece filtrado pelos jornais, pela rádio e televisão, que a vida é sempre muito bela, se a iluminarmos com a luz devida: a alegria da esperança que nos vem pela certeza da salvação trazida por um menino, mas que tem mais força de todos os governos do mundo porque consegue entrar e transformar verdadeiramente no coração dos homens.


ECLESIAL 11

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

DIOCESE

PORTUGAL

Encontros Sociais

Jornadas Balthasarianas em Lisboa

«Vida e Morte»

O cristão na cidade Ao longo do presente ano pastoral a paróquia das Cortes promove uma série de encontros mensais com o titulo genérico de “Encontros Sociais – O cristão na cidade” com o objectivo de trazer pessoas que sendo profissionais nos diversos ramos de actividade são também crentes de fé viva a activa. A sua presença vai no sentido de se apresentarem e contarem a sua experiência de fé vivida no contexto da profissão que exercem. Em linguagem simples e clara, os encontros desenvolvem-se ao

estilo dos antigos serões passados à lareira. Depois do testemunho trazido por um empresário da região, que a todos comoveu e encheu os corações, no passado dia 18 de Dezembro esteve à conversa alguém ligado ao mundo da arte e do espectáculo, um ambiente muitas vezes tido como avesso ao sentimento religioso e à fé. A partir da experiência pessoal do convidado, os participantes puderam conhecer melhor a importância e o valor da arte como lugar de expressão da espi-

ritualidade, ao mesmo tempo que reconheceram que os bastidores, apresentados como lugar triste e sofrido, são também lugar de fé e de relação com Deus. Na expressão do convidado da noite “sempre que somos bons profissionalmente, somos também reconhecidos e respeitados nas nossas convicções religiosas e outras”. O cristão na cidade não precisa de trazer consigo um cartaz identificativo, não precisa mesmo fazer muito alarido sobre as suas convicções, precisa

mais saber estar. Saber falar quando deve falar e saber calar quando deve calar. No mundo do espectáculo, muitas vezes, hastear bem alto o baluarte da fé logo de início pode ser um ponto de partida para cortar qualquer relação. Daí que seja importante a cautela e o profissionalismo no desenvolvimento das competências. O próximo encontro será no dia 18 de Janeiro e trará à conversa o mundo da segurança, concretamente com a intervenção de vários agentes da autoridade.

MASE organiza formação

Curso livre sobre «Arte sacra em Fátima» O Museu de Arte Sacra e Etnologia (MASE) vai realizar a 2.ª edição do curso livre “Arte Sacra em Fátima”, anunciou a instituição pertencente aos Missionários da Consolata em nota enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. A formação organiza-se em oito sessões, que abor-

dam temas como “Fátima, lugar do espaço sagrado: o desenvolvimento de um Santuário”, “Fátima e os objectos religiosos: incompatibilidade artística?” e “O Santuário do século XXI – a igreja da Santíssima Trindade”. O curso, que decorre de 17 de Janeiro a 13 de Março, das 18h30 às 20h00 das terças-feiras nas

instalações do museu, em Fátima, prevê visitas guiadas a espaços artísticos da Cova da Iria. As inscrições terminam a 12 de Janeiro, estando limitadas a 30 vagas. A formação é conduzida por Marco Daniel Duarte, director do Museu do Santuário de Fátima e responsável pela sua Secção de Arte e

Património. De salientar que o MASE recebeu recentemente uma menção honrosa do prémio de “Melhor serviço de extensão educativa”, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia, que destacou as actividades de carácter pedagógico e educativo promovidas pela instituição.

Jovens 1992/2012

Festa de S. Sebastião - Cortes Nos próximos dias 21 e 22 de Janeiro realizam-se os tradicionais festejos em honra de S. Sebastião, na paróquia das Cortes, sendo

organizada pelos jovens da paróquia que fazem, este ano, 20 anos. O programa será composto por actuações de grupos musicais, no

sábado: “Banda FV Music”, e no Domingo actuará a Filarmónica e a “Banda Kroll”. A celebração da eucaristia será às 11h30, no Domin-

go, seguindo-se a tradicional procissão em honra de S. Sebastião. Durante os festejos haverá serviço de bar e restaurante.

catequese; de 4 salas maiores para jovens, biblioteca, projecção de filmes; de 1 sala para formação de catequistas, de jovens e adultos, com capacidade para 50

pessoas sentadas. As actuais gerações podem usufruir, desde já, das instalações.

Centro pastoral da Gondemaria

Novas instalações Na última edição demos conhecimento da inauguração de uma obra que se inaugurou no dia 11 de Dezembro, o Centro Pastoral da Gondemaria.

Faltou-nos referir que esta obra dispõe de 1 restaurante com capacidade para 400 pessoas sentadas; de 1 cozinha espaçosa e moderna; de 12 salas para

«Vida e Morte – o horizonte da esperança cristã na obra de H.U.von Balthasar» é o tema das IV jornadas Balthasarianas, a realizar na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa, nos dias 13 e 14 deste mês. Segundo o programa, esta iniciativa pretende dar a conhecer a obra de “um dos maiores teólogos e pensadores do século XX” e “encontrar linhas e dinâmicas evangelizadoras do mundo contemporâneo”. Para além das várias conferências sobre a temática central, haverá também o lançamento do livro «Inferno ou Paraíso. O que podemos esperar?» do teólogo citado e a abertura de uma exposição «O juízo na iconografia cristã».

Bancos Alimentares lançam campanha

Trocar «papel por alimentos» A Federação dos Bancos Alimentares Portugueses (FBAP) vai lançar no início de 2012 a campanha “Papel por Alimentos”, em que cada tonelada de material recolhido será convertida em 100 euros para combater a fome. Segundo uma nota publicada no site oficial daquela organização de solidariedade social, esta iniciativa “integra-se num ideal mais vasto de sensibilização para a importância do papel de cada pessoa na sociedade e para a possibilidade de recuperar e reutilizar coisas que parecem não ter valor”. A partir do envolvimento das “instituições que diariamente se abastecem nos Bancos Alimentares”, os responsáveis da Federação esperam “incentivar o voluntariado” no meio de “pessoas e entidades” e contribuir para a “mudança de mentalidades e atitudes”, no que diz respeito a gestos como a reciclagem de bens. No sentido de sensibilizar os mais novos, a FBAP vai enviar “toalhetes de refeição” com este tipo de mensagens para cantinas de escolas e universidades.

Misericórida lança roteiro

Igreja de São Roque A Misericórdia de Lisboa vai lançar amanhã, sextafeira, o Roteiro Iconográfico e Devocional da igreja de São Roque, construída na capital no século XVI, com o objectivo de aproximar os visitantes da sua “riqueza” patrimonial. O Irmão-Provedor da Irmandade da Misericórdia e de São Roque, Pedro Pestana de Vasconcelos, sublinha que “Papas, reis, rainhas e príncipes, homens e mulheres de todas as condições e muitas nacionalidades encheram a igreja de imagens, relíquias, paramentos e alfaias litúrgicas, tecidos e panejamentos, pintura e, por fim, um órgão, tudo de grande qualidade e valor”, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA. O volume, coordenado por Helena Gonçalves Pinto, com coautoria de José Tomaz Ferreira e Jorge de Campos Teles, “complementa, na vertente devocional e iconográfica, o Roteiro da Igreja de São Roque, editado em 2008”, assinala a nota. A sessão de apresentação decorre às 16h30 na igreja situada no Largo Trindade Coelho. O conjunto de mármores, lápis-lazúli, jaspe, alabastro e bronze da capela de São João Batista, encomendada pelo rei D. João V em 1741 e desenhada pelos arquitectos italianos Salvi e Vanvitelli, constitui um dos principais motivos de atracção da igreja, que foi um dos primeiros espaços devocionais edificados pelos Jesuítas.


12 ECLESIAL

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

MUNDO

PORTUGAL

“Proclamar a Palavra de Cristo”

DR

A viagem de Bento XVI ao México e Cuba vai decorrer entre 23 e 28 de Março, anunciaram as respectivas Conferências Episcopais, que vão receber a primeira visita do actual Papa aos dois países. A deslocação conta com passagens pela cidade mexicana de León (23 a 26), Santiago de Cuba e Havana (26 a 28). O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, tinha revelado que o Papa não iria deslocar-se à Cidade do México, capital do país, por causa da “altitude”, optando pelo Estado de Guanajuato, na região central. Este responsável adiantou, por outro lado, que Bento XVI espera visitar o Líbano em 2012, afirmando que esta é “uma esperança, não ainda uma certeza”. O Papa foi convidado oficialmente pelo primeiroministro libanês, Najib Mikati, e a visita ao país pode ser a ocasião escolhida para a publicação do documento conclusivo (exortação apostólica) do Sínodo dos Bispos sobre o Médio Oriente, realizado no Vaticano, em 2010. A agenda de Bento XVI para o novo ano inclui ainda uma visita à cidade italiana de Milão, em Junho, por ocasião do Encontro Mundial das Famílias. No dia 12 de Dezembro, o Papa anunciou que iria visitar o México e Cuba, em 2012, antes da Páscoa [8 de Abril], para “proclamar a Palavra de Cristo” e reforçar a “convicção de que este é um tempo precioso para evangelizar”, lembrando João Paulo II que, em 1983 e na América Latina, lançou pela primeira vez o “programa de uma nova evangelização”. O beato João Paulo II visitou Cuba em 1998 e esteve no México em cinco ocasiões (2002, 1999, 1993, 1990 e 1979). Esta será a terceira viagem de Bento XVI ao continente americano, após as viagens ao Brasil (2007) e aos Estados Unidos da América (2008). No México, a viagem centra-se na cidade de León, onde o Papa deverá chegar na tarde de 23 de Março, sexta-feira, sendo acolhido oficialmente pelo presidente da República do México, com o qual terá um encontro no sábado à tarde. No dia 24, Bento XVI encontrar-se-á também com crianças e outros fiéis, na Praça da Paz da cidade de Guanajuato. No domingo, vai decorrer uma missa presidida pelo Papa no Parque Bicentenário, município de Silao, sob um monumento a Cristo-Rei, seguindo-se um encontro com representantes das 91 dioceses do México. À tarde, na catedral de León, durante a celebração de Vésperas, Bento XVI dirigirá uma mensagem aos episcopados da América Latina e Caraíbas. Na manhã do dia 26 decorre a partida para Cuba, com chegada a Santiago, onde o Papa vai ser acolhido pelo presidente Raul Castro e pela Conferência Episcopal Cubana, antes de uma missa, ao fim da tarde, na Praça da Revolução ‘Antonio Maceo’. Na manhã de 27, Bento XVI fará uma visita privada ao santuário mariano nacional de Nossa Senhora da Caridade, padroeira de Cuba, partindo depois, de avião, para a capital, Havana, onde deverá chegar ao meio-dia. O programa do segundo dia em solo cubano inclui um encontro com o presidente da República e uma reunião com os bispos locais. A viagem papal a Cuba encerra-se com uma missa na Praça da Revolução ‘José Marti’, Havana.

Bispo do Porto nomeado para membro do CPCS

“Uma estrutura de vivência e de convivência” O bispo do Porto mostrou-se surpreendido com a sua nomeação, por Bento XVI, como membro do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais (CPCS), anunciada na passada quinta-feira, pela Santa Sé. “Foi uma total surpresa e agora é mais um serviço”, referiu D. Manuel Clemente à Agência ECCLESIA, acrescentando que “o trabalho semanal nos programas ECCLESIA [RTP 2], desde 1998, e na Renascença, desde 2001, ajudará nesse sentido”. Para este responsável, “hoje a comunicação social não é um anexo da pastoral, mas sim uma dimensão essencial da evangelização”. “O mesmo se diga da linguagem ou dos tempos disponíveis para dizer, ver ou escutar. Uma ‘frente’ inevitável da ‘nova evangelização’”, sublinha ainda. O prelado, nascido em Julho de 1948, é actualmente vice-presidente da Conferência Episcopal Por-

DR

Viagem do Papa ao México e Cuba com data marcada

tuguesa e presidiu, entre 2005 e 2011, à Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais. Bispo do Porto desde 2007, D. Manuel Clemente foi antes auxiliar do Patriarcado de Lisboa (ordenação episcopal em Janeiro de 2000).

Em declarações à RR, este responsável disse que “hoje em dia viver é conviver, comunicar com aquilo que as novas técnicas permitem” e a “própria comunicação é uma estrutura de vivência e de convivência”. Sobre a sua experiência com os responsáveis do

Conselho Pontifício de que é agora membro, o bispo do Porto diz que se trocam “ideias” e “experiências” e acaba por se “criar um caldo de cultura para que a pastoral da Igreja, no seu conjunto, ganhe esta dimensão comunicacional”.

Movimento Pax Christi

Sensibilizar para a paz “é cada vez mais urgente” A educação para a paz é “cada vez mais urgente” no actual contexto de enfraquecimento dos valores, diminuição da disponibilidade dos pais para os filhos e aumento da dependência entre culturas, consideram dois dirigentes da Pax Christi Portugal. “Numa época em que a perda de referências e de valores sociais é uma realidade cada vez mais marcante para as gerações mais novas”, torna-se “cada vez mais urgente” aplicar “uma Educação para a Paz

autêntica que tenha por objectivo a aprendizagem destes valores”, assinalam a vice-presidente do movimento católico e o secretário-geral, em artigo publicado no semanário Agência ECCLESIA. Margarida Saco e Manuel Quintãos sustentam que as pessoas e ambientes próximos dos jovens dificultam a assimilação de uma cultura que proponha “alternativas ao conflito, à guerra e à vida insustentável” e questione “as desigualdades surpreendentes

em termos de riqueza, saúde, oportunidades de educação e expectativa de vida em todo o mundo”. No comentário à mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, que se assinalou a 1 de Janeiro, os responsáveis frisam que “educar para a Paz é uma tarefa que compete não só aos pais e professores, mas também às instituições sociais, às igrejas, aos meios de comunicação social e a toda a sociedade em geral”. Os autores recordam

que esta é a quinta mensagem papal para o Dia Mundial da Paz dedicada à importância da educação para a concórdia, depois dos textos de Paulo VI, em 1970, e de João Paulo II, em 1979, 1995 e 2004. O movimento internacional católico Pax Christi (Paz de Cristo) foi fundado em França no ano de 1945, com o objectivo de encorajar a reconciliação e a paz nos Estados afectados pela II Guerra Mundial.


OPINIÃO 13

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

LUZ ENTRE OS HOMENS

Pe. Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

Nivolau de Flue, “Pai da Pátria” Suiça

A

Suíça deve a sua unidade como confederação de diferentes cantões, culturas e línguas a um homem cristão, Nicolau de Flue, a quem foi atribuído o título de “pai da pátria” pelo seu papel decisivo num período crítico do país. Dele disse o Papa Pio XII, em 1947, quando o

A

época natalícia deveria poder trazer algum bom senso e alguma serenidade aos debates sobre o euro. Os líderes franceses precisam sobretudo de alguma serenidade, depois dos ataques públicos do primeiro-ministro, ministro das Finanças e governador do Banco de França ao estado da economia britânica. Talvez o espírito do Natal cristão pudesse apaziguar o nacionalismo gaulês e inspirar uma reflexão mais alargada sobre o estado das nossas sociedades ocidentais. Em vez de uma guerrilha de palavras contra o endividamento da economia britânica, talvez pudéssemos reflectir sobre as origens do endividamento de todas as nossas economias ocidentais, e não só europeias. Nesta perspectiva mais alargada, o endividamento ocidental sugere a existência de problemas culturais mais fundos do

canonizou, que é o santo dos suíços, “não só porque salvou a Confederação num momento de crise profunda, mas também porque traçou para o seu país as linhas dominantes duma política cristã”. Quem foi e o que fez de extraordinário este homem cristão? Nicolau nasceu em Flue, Suíça, no ano de 1417, numa família de agricultores. Desde novo mostrava uma natural inclinação religiosa e procurava lugares isolados no meio da natureza para melhor se recolher em oração. Aos dezasseis anos, enquanto guardava o seu rebanho, teve algumas visões que o levaram a compreender a sua vocação a levar uma vida solitária e a dedicar-se à contemplação de Deus e dos mistérios divinos. Aos 22 anos, porém, foi chamado à vida militar. Mais tarde, comandou pessoalmente uma companhia de cem homens. Combateu com grande bravura e foi condecorado. Graças à sua intervenção, impediu que o exército incendiasse um

mosteiro feminino, onde se haviam refugiado os inimigos. Foi um guerreiro destemido e misericordioso. Protegia as viúvas e os órfãos e não permitia que os vencedores cometessem actos de vandalismo em relação aos vencidos. Aos 30 anos, por insistência dos pais, casou-se com Doroteia Wyss. Tiveram 10 filhos, um dos quais frequentou a universidade. O mais velho chegou a ser presidente da Confederação Helvética. Sem prejuízo da vida familiar, cultivou intensamente a espiritualidade: levantavase de madrugada para rezar durante duas horas. Jejuava quatro dias na semana. Aos 50 anos, em 1467, com o consentimento da esposa, confiando ao filho mais velho a liderança da família, saiu de casa para se dedicar à vida eremítica num monte, abrigandose numa gruta. Foram os seus próprios filhos que o ajudaram a construir uma capela no lugar de retiro do pai. Ali se entregou à oração

durante os vinte anos que ainda teve de vida. Quando morreu, em 1487, tinha ao seu redor a esposa e os filhos. Nesse tipo de vida ascética, ocupando-se da oração e da contemplação, praticando um jejum rigoroso pois alimentava-se somente da Eucaristia, a sua fama começou a crescer entre os habitantes da região. Procuravam-no sempre em maior número para lhe pedirem conselhos e se recomendarem às suas orações. Antes e depois da opção pela vida de eremita, Nicolau não deixou de participar na vida política do seu povo: foi juiz e conselheiro do seu cantão, deputado na Dieta federal, em 1462, tendo recusado o cargo de chefe de Estado. Influenciou positivamente o estabelecimento do tratado de paz perpétua com a Áustria, assinado em 1473. A sua obra pacificadora mais importante iniciouse em 1477 quando várias tenções ameaçaram a

unidade entre os vários cantões que compõem a confederação suíça. Quando, após uma guerra contra o duque da Borgonha, os chefes das tropas confederadas se reuniram para deliberarem sobre divisão do espólio recolhido, surgiram tais discussões e divergências que se receou a eclosão de uma guerra civil. Um pároco, amigo de Nicolau, relatou-lhe o que estava a acontecer e pediulhe a sua intervenção. O eremita veio à assembleia e disse estar ali “para vos falar a propósito de vossas discórdias, que podem desfechar na ruína da pátria. Sou um homem pobre e sem letras, mas quero-vos aconselhar na sinceridade de meu coração, e falo-vos como Deus me inspira. Desejo-vos enorme bem, e se eu fosse capaz de vo-lo dar um pouco, quereria que minhas palavras vos conduzissem à paz”. A eloquente e autorizada intervenção foi eficaz e as desavenças deram lugar à concórdia. Quatro anos depois,

que as políticas deste ou daquele Governo, desta ou daquela moeda. E remete incontornavelmente para outra variável ainda mais preocupante: o declínio demográfico europeu. Endividamento e declínio demográfico sugerem a existência de uma sociedade cansada, envelhecida, sem ambição de longo prazo, sem horizonte de aspirações para além da geração presente. A redução dos horizontes geracionais é um incentivo poderoso à lógica da gratificação imediata, em contraste com a gratificação diferida. A gratificação diferida - que esteve na base da civilização europeia - gera poupança e investimento. O horizonte da poupança e do investimento foi sempre intergeracional: a motivação de cada geração começa na melhoria da sua própria condição, como observou Adam Smith, mas estendese às gerações vindouras.

A família heterossexual monogâmica emerge espontaneamente - e não como produto de desígnio político - como sede da racionalidade da poupança e do investimento, como sede de solidariedade espontânea entre gerações. Sem família, sem geração seguinte na qual projectar o esforço voluntário de poupança e investimento, o horizonte dos indivíduos reduz-se à gratificação imediata. A poupança cede gradualmente lugar ao consumo, o investimento é substituído pelo endividamento. A gratificação imediata é distintiva da chamada multidão solitária. Este é sem dúvida um ingrediente cultural incontornável da crise de endividamento ocidental. Ele alimenta, e é alimentado por um outro ingrediente crucial, de natureza política, mas também cultural: o crescimento do Estado e

da despesa pública, talvez o facto político mais saliente do século XX europeu. O estatismo é um poderoso factor adicional de uma cultura de dependência e desperdício, de gratificação imediata. Desprovido dos incentivos da propriedade privada, bem como da informação fornecida pelas escolhas dos consumidores em regime de concorrência, o estatismo é, literalmente, um buraco sem fundo. Basicamente, ele gera despesa e endividamento. Por outras palavras, o estatismo é um poderoso multiplicador da lógica da gratificação imediata. Num ambiente cultural ambicioso e empreendedor, seria de esperar uma espécie de indignação espontânea contra o despesismo estatal, contra os elevados níveis de impostos e de despesa pública, contra a centralização das decisões políticas, sobretudo contra transferências adicionais

dos centros de decisão política para entidades distantes e não controláveis pelos contribuintes. Tudo isto seria de esperar numa sociedade jovem e com horizonte intergeracional. Mas, numa sociedade envelhecida e cansada, a escassa esperança que resta tende a ser depositada em salvadores. Que algum poder central nos salve, das nossas dívidas, do nosso cansaço, do nosso aborrecimento. Não é esse, todavia, o espírito do Natal cristão que nesta época celebramos. Possa ele ajudar-nos a redescobrir o valor da pessoa e da sua consciência, da sua liberdade e da sua inesgotável criatividade espontânea, dos seus horizontes intergeracionais. João Carlos Espada, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa; titular da cátedra European Parliament/Bronislaw

quando um dos cantões estava decidido a separarse dos outros, um emissário foi dize-lo a Nicolau. O santo eremita passou então a noite a redigir um projecto de constituição que, no dia seguinte, foi aprovado por unanimidade dos membros da Assembleia, o que restabeleceu para sempre a unidade e a paz. Conseguiu assim fazer prevalecer, na prática e na teoria, “a ideia duma comum pátria, indivisa e capaz de ultrapassar as preocupações e os interesses cantonais”. Procurando unir-se sempre mais a Deus, São Nicolau de Flue recebeu do Céu a luz, a sabedoria e a arte de promover a concórdia e a unidade entre os homens e na sua pátria. A quem o vinha procurar ensinava esta oração: “Senhor, dai-me tudo o que me una a Vós e afastai tudo o que me separe de Vós”.

RECORTES

João César das Neves Economista

Endividamento e declínio demográfico* Geremek in European Civilization no Colégio da Europa, Campus de Natolin, Varsóvia. * In Público 2011-12-19.


14 OPINIÃO

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

COMENTÁRIO POLÍTICO

Orlando Fernandes Jornalista

A independência nacional

E

m Janeiro de 1892, Oliveira Martins, o ministro das finanças do governo de Dias Ferreira, discursou perante os deputados, num daqueles momentos típicos em que estávamos a um passo do abismo. E dizia: “nós chegámos a este estado, verdadeiramente anormal, de consumir exclusivamente produtos estrangeiros e de trabalhar exclusivamente com capitais estrangeiros; de nos dessalgamos anualmente com o serviço desses capitais e com o preço desses produtos!” A dívida pública esticava assim até ao limite dos absurdos. Excepto em pequenos períodos nunca aprendemos muito com a história. E é por isso que hoje estamos atados de pés e mãos ao empréstimo externo para que o País consiga, minimamente, continuar a funcionar. Sem austeridade não nos emprestam dinheiro para pagarmos as dívidas, com ela a economia vai ao fundo. Não é uma opção entre a espada e a parede: é pior!

Só que, desta vez, Portugal está ainda mais dependente do exterior. Não estamos apenas no período em que se discutem as causas da decadência nacional, como alertava Antero de Quental. Estamos na fase em que se terá de discutir as causas e os efeitos da dependência nacional. Já se entendeu que não há almoços grátis. Quem empresta dinheiro exige algo em troca. Primeiro foram o FMI, o BCE e a UE. Agora é a Alemanha, só que com requintes de malvadez. Abrirá os cordões à bolsa em troca da soberania dos países com problemas de crédito. Em termos reais, o que quer não é uma União Europeia é uma Grande-Alemanha. É neste jogo de nervos que a UE vai implodindo. Mas Portugal não tem muitas desculpas: colocouse na boca do lobo. Gastou o que tinha e o que não tinha porque o crédito parecia ser ilimitado. Construiu infra-estruturas sem sentido, destruiu os sectores agrícolas e industrial. Tudo para garantir rendas perpétuas, como sucedeu por exemplo com as PPP. Juntando a isso a nossa debilidade energética, o filme está composto. Só que, ao longo dos anos, tivemos uma elite que apenas se preocupou com os ganhos próprios, à sombra do Estado e das rendas e negócios que este garantia. Como o dinheiro vinha de fora ninguém se preocupou. Só que agora os bancos não emprestam e o BCE escuda-se na sua missão de apenas poder ajudar o sector financeiro. Como escrevia há dias Jack Ewing no “New York

FARMÁCIAS DE SERVIÇO Tomás (5), Maio (6), Avenida (7), Baptista (8), Central (9), Godinho Tomáz (10), Higiene (11) e Antunes (12).

TELEFONES ÚTEIS

Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal

Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

Times”, “para algumas pessoas o BCE é como um departamento de bombeiros que está a deixar a casa arder para ensinar às crianças a não brincarem com fósforos”. Fomos a criançada. Mas agora a casa está a arder. E o euro caminha a passos largos para um fim triste ou para uma moeda muito diferente. E os Estados, nesta completa brincadeira, ficaram presos da sua insignificância no seio do clube de burocratas de Bruxelas. Antes, os Estados podiam financiar-se junto dos seus bancos centrais. Em termos reais o custo disso era reduzido ou nulo. Hoje têm de se financiar no mercado financeiro a taxas de juro. Com o início do Sistema Monetário Europeu a França já pagou tanto de juros como a sua dívida actual. Se tivesse um banco central hoje não teria dívida pública. No meio de tudo isto é arrepiante a forma como Pedro Passos Coelho tem alinhado com as posições de Angela Merkel, o que lhe dá pouco espaço de manobra se o euro implodir ou se formos colocados à sua margem. E depois a sociedade portuguesa dificilmente engolirá durante muito tempo o fim da soberania em sectores determinantes como deseja uma dupla amoral (como se viu nesta crise), Sarkozy e Merkel. Ela que tentou decidir tudo sem ouvir ninguém. Há um último pormenor: a UE começou por ser uma união política. Se os políticos não se entendem, como querem que a economia reaja?

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RECORTES

Aura Miguel

Vaticanista e jornalista

Estender o olhar

O

brilho e o fulgor ofuscante destes dias de festa podem esconder muita coisa, alertou o Papa, na noite de Natal. O que deveria ser um tempo de convite para crescer em humildade simplicidade, transformou-se em festa de negócios. Ora, será que, depois da confusão dos presentes, dos petiscos natalícios, da correria para ver os saldos e, agora, dos preparativos para a passagem de ano, haverá tempo para parar e pensar no que verdadeiramente desejo para 2012? Ainda vamos a tempo de reflectir, porque ainda temos um dia e meio… Por isso, junto-me aos votos de Bento XVI para 2012: peçamos ao Senhor que nos ajude a estender o olhar para além das fachadas lampejantes deste tempo, a fim de podermos descobrir a autêntica alegria e a verdadeira luz. * In RR online (30/12/11

- 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista

CEDILE Telefone 244 850 690 ECOGRAFIA / DOPPLER / ECOCARDIOGRAFIA TAC / MAMOGRAFIA / RX / OSTEODENSITOMETRIA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA ARTICULAR Telefone +351244850690 / Fax 244850698 Largo Cândido dos Reis, Nº 11 / 12 • 2400-112 LEIRIA

Telemóvel: 917 511 889 Telefone: 244 828 450 Fax: 244 828 580 Rua Machado Santos, n.º 33 2410-128 LEIRIA

Telefones: BARREIROS (sede): 244 840 677 JUNCAL: 244 470 610 Fernando - 919 890 630

- 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo, Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2011 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 5.Janeiro.2012

Pts 33 33 27 25 22 17 16 15 14 14 14 13 12 12 11 8

Beira-Mar x Sp. Braga (dia 9, 20h15, Sport Tv1) Marítimo x Olhanense (16h00) Sporting x Porto (dia 7, 20h15, Sport Tv1) Rio Ave x P. Ferreira (16h00) V. Setúbal x Académica (dia 6, 20h15, Sport Tv1) U. Leiria x Benfica (18h15,TVI) Gil Vicente x Nacional (16h00) V. Guimarães x Feirense (20h15, Sport Tv1)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

federação portuguesa de futebol

V 8 7 8 7 7 6 5 4 5 4 4 2 3 2 2 2

E 3 4 1 3 2 4 4 7 3 3 3 6 2 5 4 2

D 2 2 4 3 4 3 4 2 5 6 6 5 8 6 7 9

Moura x Reguengos (todos às 15h00) Monsanto x Louletano Carregado x Fátima Sertanense x Pinhalnovense Torreense x Juv. Évora Tourizense x Mafra Oriental x Caldas 1.º Dezembro x Vendas Novas

12.ª J. 18.12.11 Pts 27 25 25 24 23 22 19 19 18 15 15 12 11 11 10 8

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

13.ª J. 08.01.12

13.ª JOR. 18.12.11 14.ª JOR. 08.01.12

Louletano x Reguengos (0-0) Fátima x Monsanto (3-1) Pinhalnovense x Carregado (0-2) Juv. Évora x Sertanense (2-2) Mafra x Torreense (0-0) Caldas x Tourizense (1-0) Vendas Novas x Oriental (1-3) Moura x 1.º Dezembro (0-1) J 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13

V 7 6 7 6 5 5 5 5 5 4 3 3 3 3 3 3

E 4 4 1 3 5 4 4 3 3 4 7 6 4 4 3 3

D 2 3 5 4 3 4 4 5 5 5 3 4 6 6 7 7

Pts 25 22 22 21 20 19 19 18 18 16 16 15 13 13 12 12

U. Madeira x Atlético (dia 5, 20h15, Sport Tv1) Estoril x Leixões (11h15, Sport Tv1) Freamunde x D. Aves (todos às 15h00) Oliveirense x Penafiel Trofense x Portimonense Belenenses x Sp. Covilhã Naval x Arouca Moreirense x Santa Clara

III Divisão

SUL

Equipa Oriental Torreense Pinhalnovense Fátima Vendas Novas Carregado Louletano Mafra Sertanense Moura 1.º Dezembro Monsanto Juv. Évora Tourizense Reguengos Caldas

J 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13

federação portuguesa de futebol

II Divisão B

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Estoril Atlético Leixões Moreirense D. Aves Oliveirense Naval Sp. Covilhã Santa Clara Penafiel Arouca Freamunde Trofense Belenenses Portimonense U. Madeira

série D

Peniche x Riachense (1-0) B.C Branco x Sourense (1-1) Tocha x Sp. Pombal (2-1) Marinhense x Pampilhosa (1-0) Bombarralense x Beneditense (0-4) Folgou o Alcobaça Equipa Sp. Pombal B.C. Branco Pampilhosa Tocha Sourense Beneditense Peniche Marinhense Alcobaça Bombarralense Riachense

J 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11

V 6 5 6 5 4 3 3 4 2 0 0

E 3 4 1 3 5 7 5 2 5 6 3

D 2 2 4 3 2 1 3 5 3 5 8

Pts 21 19 19 18 17 16 14 14 11 6 3

Marinhense x Sp. Pombal Beneditense x Peniche Riachense x B.C. Branco Sourense x Tocha Pampilhosa x Alcobaça (todos às 15h00) Folga o Bombarralense

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F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes

Rua João de Deus, 25- 1º Dt. - LEIRIA CONSULTAS COM HORA MARCADA 2ª, 4ª e 5ª: 11h-13h e 15h-19h, 3ª: 10h-13h e 15h-19h, Sábados: 9h30-15h Tel. 244 832406

Atletismo | Pombal

associação de futebol de leiria

Taça FPA

As provas de atletismo estão de regresso ao distrito de Leiria, com a(s) Taça(s) da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) de provas combinadas e velocidade e barreiras. A pista coberta da Expocentro, Pombal, será o cenário das provas, que estão agendadas para os dias 7 (a partir das 14h50) e 8 de Janeiro (10h00).

Andebol | Leiria

Dupla na final As equipas da Juve Lis (Leiria) e do Colégio João de Barros (Pombal) vão iniciar, no próximo fimde-semana, a fase final do campeonato nacional da 1ª divisão – seniores femininos. Depois de terem vencido os respectivos grupos, referentes à primeira fase, zonas 3 e 2, as duas equipas voltam a entrar na discussão do título nacional e do apuramento para as competições europeias, à semelhança de 2010/11. Na jornada inaugural da fase final, dia 7 de Janeiro, o Colégio João de Barros recebe o JAC – Alcanena (Pavilhão das Meirinhas, 17h00), enquanto que a Juve Lis recebe o Maiastars “B” (Pavilhão da Juve Lis, 15h00). Madeira SAD, Colégio de Gaia, C.S. Madeira, Alavarium, C.A. Leça e Gil Eanes completam as equipas desta fase.

HONRA

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

J 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11 11

V 9 7 7 6 5 6 5 4 3 3 3 2 2 1 1 1

E 1 2 2 3 4 1 3 2 5 4 3 5 3 5 2 1

D 1 2 2 2 2 4 3 5 3 4 5 4 6 5 8 9

associação de futebol de leiria

associação de futebol de leiria

I Divisão

I Divisão

NORTE

Marrazes x Alvaiázere (3-2) Ansião x Portomosense (0-3) Alq. Serra x Avelarense (3-0) Fig.Vinhos x Meirinhas (3-3) Pataiense x Guiense (1-2) Pedroguense x Atouguiense (5-6) Biblioteca x GRAP/Pousos (0-3) Vieirense x Nazarenos (1-2) Equipa Alq. Serra Guiense Portomosense Pataiense Nazarenos GRAP/Pousos Atouguiense Alvaiázere Vieirense Marrazes Fig.Vinhos Meirinhas Avelarense Biblioteca Ansião Pedroguense

O dia terminará com a I Liga e a visita do Benfica ao Estádio da Marinha Grande, 18h15, onde irá defrontar a U. Leiria.

Pts 28 23 23 21 19 19 18 14 14 13 12 11 9 8 5 4

Avelarense x Vieirense Meirinhas x Marrazes (todos os jogos às 15h00) Atouguiense x Fig.Vinhos GRAP/Pousos x Ansião Portomosense x Alq. Serra Nazarenos x Pedroguense Guiense x Biblioteca Alvaiázere x Pataiense

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Ilha x Castanheira de Pêra (0-2) Arcuda x Boavista (0-2) Pelariga x Moita do Boi (1-1) Mata Mourisq. x Alegre e Unido (0-1) Ranha x Pousaflores (0-2) Caseirinhos x Motor Clube (1-0) Equipa Moita do Boi Pelariga Pousaflores Alegre e Unido Boavista Mata Mourisq. Motor Clube Ranha Cast. Pêra Caseirinhos Arcuda Ilha

J 9 9 9 8 9 9 9 9 9 9 8 9

V 7 6 6 5 5 3 4 3 3 2 1 1

E 1 2 1 0 0 4 1 1 0 0 2 2

D 1 1 2 3 4 2 4 5 6 7 5 6

Alegre e Unido x Ranha Boavista x Mata Mourisquense Moita do Boi x Arcuda (todos às 15h00) Castanheira de Pêra x Pelariga Pousaflores x Caseirinhos Ilha x Motor Clube

22 20 19 15 15 13 13 10 9 6 5 5

9.ª JO.11.12.11

13.ª JOR. 28.12.11 D 0 0 2 2 3 6 5 4 5 5 7 6 9 7 8 9

se encontram na segunda metade da tabela. Por lá também está o Alcobaça, que tem uma deslocação marcada ao reduto do Pampilhosa. Na II Divisão o destaque vai para encontro entre o primeiro e último classificados, Oriental e Caldas, com a equipa do distrito de Leiria a necessitar urgentemente de pontuar, sob pena de cimentar a sua “candidatura” à descida. Quanto à Honra da AFL, o Portomosense x Alqueidão da Serra, por envolver equipas que estão na luta pela subida à III Divisão, é o jogo mais aguardado.

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

10.ª J.08.01.12

E 3 3 3 4 4 2 4 6 5 5 2 4 0 3 2 2

Benfica foi melhor (0-3) na última época

João Filipe Matias/Arquivo

V 10 10 8 7 6 5 4 3 3 3 4 3 4 3 3 2

O futebol está de regresso com o novo ano e promete emotividade. Da I Liga à Divisão de Honra da Associação de Futebol de Leiria (AFL), são vários os motivos de interesse. O U. Leiria x Benfica é apenas um. As atenções da tarde de domingo – todos os jogos agendados para o dia 8 de Janeiro, 15h00 – centram-se sobretudo na III Divisão, com dois derbies. Na Marinha Grande encontram-se Marinhense e Sp. Pombal, enquanto que na Benedita será a vez de Beneditense e Peniche. Ambos com a particularidade de envolverem equipas que, à excepção da pombalense,

9.ª JO.11.12.11

J 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13 13

Sp. Covilhã x Trofense (0-0) Arouca x Belenenses (2-0) Atlético x Freamunde (2-2) Portimonense x Oliveirense (0-1) Santa Clara x Estoril (1-2) Leixões x U. Madeira (1-0) Penafiel x D. Aves (0-1) Moreirense x Naval (1-1)

10.ª J.08.01.12

Equipa Porto Benfica Sporting Sp. Braga Marítimo Académica Beira-Mar Gil Vicente Feirense Olhanense V. Guimarães V. Setúbal U. Leiria Nacional Rio Ave P. Ferreira

14.ª JOR. 08.01.12

12.ª JOR. 11.12.11 14.ª JOR. 08.01.12

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Benfica x Rio Ave (5-1) V. Guimarães x Gil Vicente (1-1) Porto x Marítimo (2-0) Feirense x U. Leiria (2-1) Nacional x V. Setúbal (1-1) P. Ferreira x Beira-Mar (0-3) Académica x Sporting (1-1) Olhanense x Sp. Braga (3-4)

Ano novo, grandes jogos

11.ª JOR. 18.12.11

II LIGA

I LIGA

Futebol | Visita do Benfica e derbies marcam jornada(s) no distrito

12.ª JOR. 08.01.12

liga portuguesa de futebol profissional

liga portuguesa de futebol profissional

SUL

Unidos x Nadadouro (7-0) Os Vidreiros x Santo Amaro (1-0) Juncalense x Praia da Vieira (5-0) Gaeirense x Outeirense (2-2) Maceirinha x Pilado (1-2) Folgou: Lisboa e Marinha Equipa Lisboa Marinha Outeirense Gaeirense Juncalense Pilado Praia da Vieira Os Vidreiros Maceirinha Santo Amaro Unidos Nadadouro

J 8 8 8 8 9 8 8 8 8 9 8

V 8 5 5 5 5 4 3 2 1 1 1

E 0 2 1 0 0 0 1 2 2 1 1

D 0 1 2 3 4 4 4 4 5 7 6

Pts 24 17 16 15 15 12 10 8 5 4 4

Lisboa e Marinha x Unidos Nadadouro x Os Vidreiros Santo Amaro x Juncalense (todos às 15h00 Praia da Vieiria x Gaeirense Outeirense x Maceirinha Folga: Pilado

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ÚLTIMA 5JANEIRO2012

No mundo não tem boa sorte, senão quem tem por boa a que tem. Luís Vaz de Camões, poeta português [1524-1580]

Centro de Genética Médica Jacinto Magalhães revela dados preocupantes

Ano de 2011 foi o pior de sempre em nascimentos verdadeiro esforço por equiparar a média portuguesa à destes países, aproximando-a da meta dos 3% no total de nascimentos, tal representaria mais 2.000 nascimentos em Portugal. Já não se trata apenas de ajudar a concretizar os sonhos destes casais mas de uma verdadeira causa social, num momento em que Portugal tem a segunda taxa de fecundidade

mais baixa do mundo e não assegura a renovação de gerações”, reforça Cláudia Vieira, presidente da Associação Portuguesa de Fertilidade (APFertilidade). APFertilidade Esta associação foi legalmente constituída no dia 20 de Maio de 2006, na sequência de um movimento cívico protagoniza-

do por pessoas com problemas de fertilidade. Duas décadas após o início da Procriação Medicamente Assistida (APM) em Portugal, período marcado pela distribuição desigual dos centros de tratamento, pela ausência de legislação específica, pela limitação no acesso a diversas técnicas, pela falta de informação e por um manifesto desinteresse pelas

DR

Os dados do Centro de Genética Médica Jacinto Magalhães, do Instituto Ricardo Jorge, revelaram que 2011 foi o pior ano de sempre em nascimento de bebés a nível nacional. O investimento na procriação medicamente assistida (PMA) poderia fazer a diferença neste cenário negativo. Os números foram contabilizados através do teste do pezinho, realizado pelo Centro de Genética Médica Jacinto Magalhães, e revelaram 97112 nascimentos durante 2011, menos 4269 que em 2010. Esta foi a segunda vez que o número de nascimentos ficou abaixo dos 100.000, o pior registo de sempre. Quando a infertilidade afecta entre 10 a 15% da população em idade reprodutiva, o que representa 1 em cada 7 casais, um maior investimento nesta área poderia ajudar a inverter este cenário. E o esforço pode trazer benefícios reais: em Portugal a média de nascimentos por PMA é de cerca de 1% quando noutros países europeus ronda os 3%. “Os números apenas comprovam que se houvesse um

questões (médicas, psicológicas, sociais e económicas) relacionadas com esta doença, a APFertilidade nasceu como um projecto fundamentalmente destinado a apoiar, informar e defender esta comunidade. De modo a implementar o seu programa, a APFertilidade solicitou e obteve, em 2010, o estatuto de Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). Desde a sua fundação, a APFertilidade conta sobretudo com a generosidade e o voluntariado dos seus associados, tendo vindo a avançar de modo sustentado com um programa de acção que, tendo começado por colocar a infertilidade na agenda pública, se centra actualmente no apoio e na inclusão (legal e social) de todas as pessoas com este problema. O site da associação pretende funcionar como um grande centro de informação, orientado para a comunidade e para o indivíduo, funcionando simultaneamente como um fórum de encontro e debate sobre todas as questões (legais, médicas e científicas) relacionadas com a fertilidade.

Comunicado da APFN

Governo intensifica política anti-natalista O Governo definiu o que entende como “rendimento médio do agregado familiar” através da publicação da Portaria 311D/2011. Esta definição não leva em conta a existência de filhos no agregado familiar, pelo que todas as famílias com filhos são prejudicadas. O prejuízo aumenta à medida que o número de filhos cresce. A Portaria n.º 311-D/2011 não contempla a possibilidade de ainda haver famílias com filhos na regra do cálculo daquilo a que chama de “rendimento médio mensal do agregado familiar”. Ao não considerar que os filhos sejam considerados nesse cálculo, a Portaria prejudica fortemente as famílias com filhos. O prejuízo será tanto maior quanto maior for o número de filhos. Com a publicação desta Portaria, o Governo assume uma

posição anti-natalista, contrária ao seu programa eleitoral e o seu programa de Governo. Assim sendo, para este governo, os filhos, em vez de serem considerados como uma mais valia para o País, são acessórios dispensáveis. A APFN tem vindo a manifestar a necessidade de adopção de medidas de austeridade para neutralizar os efeitos da crise e permitir a recuperação do País. No entanto, a APFN protesta veementemente por essas medidas estarem a ser acompanhadas de uma política anti-natalista. As medidas agora adoptadas são, na prática, um reforço de um vasto conjunto de medidas antinatalistas a que o País foi

submetido nas últimas dezenas de anos. Esta levou a que Portugal seja hoje o segundo pior país do mundo em termos de índice sintético da fecundidade (número de filhos por mulher em idade fértil). Portugal está bem abaixo da China que tem um índice de 1.6 – mesmo considerando a duríssima política de filho único. O baixíssimo índice sintético de fecundidade de Portugal corresponde a um défice anual

de 60.000 nascimentos. Esta situação está a provocar um gigantesco desequilíbrio demográfico, que será ainda mais agravado pela crescente saída para o estrangeiro de jovens portugueses qualificados. Como é que será possível o País sobreviver a esta erosão? Como é que será possível resistir a uma fortíssima redução da sua população activa, quer pela sua saída do país, quer pelo reduzidíssimo número de nascimentos? A APFN apela ao Governo para que acabe de vez com a adopção de medidas anti-natalistas e que desenvolva políticas que combatam a acentuada queda da natalidade. Portugal só

será um país rico e recuperado da crise se tiver gente e para haver gente temos que salvaguardar as famílias que desejam ter filhos. Neste contexto, a APFN recomenda que o Governo considere o rendimento per capita para a definição de todos os escalões de rendimento, à semelhança do adoptado para a atribuição das bolsas de estudo. A adopção desta medida, da maior justiça, terá um ínfimo impacto nos diversos orçamentos estatais uma vez que, como já se sabe do Censos de 2011, são cada vez em menor número o número de famílias com dois ou mais filhos, sendo residual as que têm quatro ou mais, razão pela qual o País está a caminho do colapso.

Lisboa, 29 de Dezembro de 2011 Associação Portuguesa de Famílias Numerosas


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