Skip to main content

4871#OMENSAGEIRO#04AGO

Page 1

SOCIEDADE

04 AGOSTO 2011

Aberto concurso público | P. 7

ANO 97 - N.º 4871

Maceira vai ter Centro Escolar

FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

Festival de Gastronomia | P. 7

Leiria “Às mil maravilhas”

FUNDADO EM 1914

Análises à água | P. 6

Praia das Pedras Negras tem “Qualidade de Ouro”

DESTAQUE

UMA SÓ FAMÍLIA HUMANA

Hugo Vieira

De 6 a 14 de Agosto decorre a XXXIX Semana Nacional das Migrações, que se reflectirá de modo particular no Santuário de Fátima, nos dias 12 e 13, com a Peregrinação do Migrante. D. Arlindo Gomes Furtado, bispo de Santiago (Cabo Verde) presidirá. P. 2/3

Prática centenária | Últ.

Um olhar sobre a Arte Xávega da Praia da Vieira CULTURA

Jovens em concerto | P. 5

Batalha na rota da Música nos Mosteiros

Retratista do povo | P. 4

Leiria na última exposição de Zé Penicheiro

DESPORTO

Campeonato de Portugal | P. 15

Juventude Vidigalense com estaf(et)a de títulos

ECLESIAL

Pe Carlos Cabecinhas| P. 9

Tempos difíceis fazem crescer a “sede de milagres” Férias diferentes, para mães especiais Mensagem de Bento XVI | P. 8

Diferentes povos, “uma só família”

DR

Em Fátima| P. 9


2 DESTAQUE

O Mensageiro 04.Agosto.2011

EDITORIAL

prui@iol.pt

“Uma só Família Humana”

Somos mais que um

A próxima semana é vivida, pelo menos dentro da Igreja Católica, na atenção, oração e reflexão sobre as migrações. Este ano o tema escolhido pelo Papa Bento XVI é “Uma só Família Humana”, e com ele procura chamar a atenção para um dos princípios da doutrina social da Igreja, o destino universal dos bens. Partindo da convicção de que todos os homens são filhos de Deus em igualdade de circunstâncias e na certeza de que Ele é o criador de todas as coisas, a Igreja afirma que toda a criação é colocada ao serviço de todos os homens. A propriedade privada é uma conquista das sociedades sedentárias e industrializadas. No princípio não era assim. Ninguém chamava seu ao que quer que fosse e todos percebiam que nada era de ninguém, ou melhor ainda, que tudo era de todos. Neste, como em tantos outros sectores Quando perdemos da vida, foram as nossas o sentido do que ideias e os ossos ideais nos une, criamos o que lançaram a corrupterreno fértil para ção. Desviamos o sentiinventar razões do comum dos bens e da que nos separem história para a esfera do privado e começamos a chamar nosso ao que efectivamente era de todos. Achamo-nos no direito de conquistar e de nos assenhorarmos daquilo que não nos pertencia. O usucapião é a forma mais emblemática alguma vez inventada pelo ser humano para se apoderar de tudo, espartilhando o universal. Este processo prolonga-se, depois, para uma multiplicidade de acontecimentos e consequências: guerras, ódios, invejas, competições e corrupções à mistura. Quando perdemos o sentido do que nos une, criamos o terreno fértil para inventar razões que nos separem. Bento XVI, já por variadas vezes, tem voltado à origem e sem medo arrisca falar no destino universal dos bens. Corre aqui mais uma vez o perigo de não ser compreendido ou ser criticado, sobretudo porque a sua linguagem, a da Igreja, rema contra a corrente de um tempo que pugna sempre mais pela propriedade privada e pelo individualismo. Portugal, forçado pela Europa, entrou num caminho perigoso neste sentido. As privatizações anunciadas e já começadas, são o exemplo do que hoje entendemos por sucesso e felicidade. Se há aspectos positivos, não deixa de haver outros negativos. Por isso, todo o processo deverá ser bem pensado, discutido, analisado e decidido. Falar das migrações, é uma oportunidade para reavivar a consciência colectiva do que somos e do destino para onde caminhamos, não como seres individuais mas como um todo colectivo. Contra a tendência já instalada de ver tudo sob a esfera do privado (atenda-se que até o valor da vida já é pensado em termos individuais) aí está uma vez mais a voz profética da Igreja a lembrar-nos que somos mais que indivíduos. Há um património colectivo e há uma pertença que não podem fechar-nos uns aos outros, mas que pelo contrário são a razão da solidariedade, da paz e do amor. Muito bem diz o papa, somos “uma só família humana”.

DR

Rui Ribeiro

Semana Nacional das Migrações

Por ocasião da peregrinação internacional de Agosto, nos dias 12 e 13, realiza-se no Santuário de Fátima a Peregrinação do Migrante, uma iniciativa da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) inserida na 39.ª Semana Nacional das Migrações, de 6 a 14 de Agosto. Preside à peregrinação D. Arlindo Gomes Furtado, bispo de Santiago, Cabo Verde. “Em cada ano uma comunidade específica de imigrantes ou as comunidades portuguesas de determinado país são colocadas como intenção especial da peregrinação. Este ano, queremos realçar a comunidade imigrante de Cabo Verde que tem uma forte presença em Portugal. Por isso, apelamos a uma participação massiva de todos os imigrantes caboverdeanos na Peregrinação”, exorta a OCPM na sua página oficial na internet. No dia 12, a missa da vigília, celebrada no altar do recinto logo após o rosário das 21h30, é presidida por D. António Vitalino Dantas, Bispo de Beja e Presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana. Na manhã do dia 13, preside às celebrações D. Arlindo Gomes Furtado. A Eucaristia inicia às 10h00. “Uma só Família Humana” é o tema da Semana das Migrações, o mesmo da mensagem do Papa Bento XVI para o 97º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. «Todos, tanto os migrantes como

as populações locais que os acolhem, fazem parte de uma só família e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal, como ensina a Doutrina Social da Igreja», refere Bento XVI na sua mensagem. É esta a tónica que se pretende acentuar promovendo uma tomada de consciência de que as sociedades actuais são, cada vez mais, multiétnicas e interculturais, constituídas numa só família de irmãos e irmãs, chamados ao diálogo que promove uma convivência frutífera e serena no respeito pelas legítimas diferenças e pela verdadeira justiça social. O projecto eterno de Deus para a humanidade é, de facto, constituir “uma só família humana”, filhos do mesmo Pai revelado em Jesus Cristo, que se sentem como verdadeiros irmãos, independentemente da sua origem étnica, cor de pele, religião ou condição social, não havendo espaço para racismos, xenofobias ou exclusões, nem para a criação de guetos ou de tensões. Ser família humana é reconhecer no outro, no diferente, um irmão no mesmo percurso de vida, o que só é possível quando se caminha com o outro e não contra o outro. Os milhões de pessoas que se lançam na aventura de procurar um lugar onde se possam estabelecer e trabalhar, na busca de condições de vida com o mínimo de dignidade e com

algum horizonte de esperança, entre eles milhões de portugueses e milhares de imigrantes a residir em Portugal, assim como as populações autóctones, precisam de se dar as mãos, para construir uma nova civilização, no respeito mútuo pela diversidade e pela riqueza humana que cada pessoa transporta. A Semana Nacional das Migrações, assim como a Peregrinação anual do Migrante e do Refugiado a Fátima, oferecem à Igreja uma oportunidade para reflectir sobre o tema relacionado com o crescente fenómeno da migração. Como diz o Papa Bento XVI, trata-se de uma oportunidade “para rezar a fim de que os corações se abram ao acolhimento cristão e trabalhem para que cresçam no mundo a justiça e a caridade, colunas para a construção de uma paz autêntica e duradoura. «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34) é o convite que o Senhor nos dirige com vigor e nos renova constantemente: se o Pai nos chama para sermos filhos amados no seu Filho predilecto, chama-nos também para nos reconhecermos a todos como irmãos em Cristo”. A propósito deste tema O Mensageiro transcreve uma entrevista feita a António Vitorino, antigo Comissário Europeu, e publicada pela agência ecclesia.


DESTAQUE 3

O Mensageiro 04.Agosto.2011

Olhando para esta década do terceiro milénio os fluxos migratórios alteraram-se significativamente? Eu penso que há dados de continuidade e dados de mudança. Os dados de continuidade são que a pressão migratória se manteve mas, manifestamente a partir de 2008, a partir da crise financeira global, verifica-se uma diminuição dessa pressão migratória, quer dos fluxos legais quer dos fluxos ilegais. Isso corresponde aliás a uma das características dos fluxos migratórios no mundo contemporâneo. Eles são extremamente sensíveis às oportunidades de trabalho e quando há, naturalmente, uma retracção da oferta de trabalho nos países mais desenvolvidos os fluxos migratórios também tendem a compreender esses sinais e retraírem-se. Há um elemento muito importante de compreensão também. Embora haja essa retracção, isso não significa que haja um retorno em massa, isto é, aqueles emigrantes que estão nos países desenvolvidos, designadamente no caso do continente europeu, nos Estados Unidos da América e no Canadá, embora atingidos muitas vezes em primeira linha pelo impacto negativo pela crise financeira não retornam ao país de origem. Isto é, tentam usar as suas reservas, a solidariedade familiar e da comunidade onde se inserem para passarem os períodos de crise à espera de dias melhores. Também no caso português? Sim, também no caso português. Houve uma retracção nos fluxos migratórios, talvez aqui haja algumas destrinças a fazer, a comunidade brasileira continua a ser a mais importante, o ritmo de aumento manteve-se durante os primeiros tempos da crise e agora terá abrandado um pouco mais. Não houve contudo um retorno em massa. Que indexação têm estes fluxos migratórios à resolução dos problemas demográficos? É uma ilusão pensar que

a imigração é a solução do envelhecimento demográfico que é um padrão muito preocupante em todo o continente europeu, e nalguns países em particular, entre os quais o português. É um elemento que pode contribuir para o rejuvenescimento da população mas não resolve… Não é possível criar essa ilusão que esse rejuvenescimento se resume ao aumento de fluxos migratórios, se vir os censos, cujos números preliminares foram agora divulgados, chega-se à conclusão de que o aumento líquido da população portuguesa é, em quase 90%, fruto da imigração. O que significa que há um problema para além do fluxo migratório que é o próprio comportamento da sociedade portuguesa, no que diz respeito à diminuição da taxa de natalidade. E, portanto, uma política de rejuvenescimento da população, primeiro não produz efeito “ao virar da esquina”, estamos sempre a trabalhar em ciclos longos; em segundo lugar, tem a ver com os incentivos que são dados para que as pessoas possam ter filhos e garantir condições económicas e sociais para a educação desses filhos; em terceiro lugar, tem a ver com o combate cultural, muito da quebra da natalidade resulta do aumento do egoísmo e do fechamento dos agregados familiares e da desagregação de alguns agregados. A questão do rejuvenescimento da população também passa pela alteração dos padrões culturais das pessoas: menos egoísmo, menos consumismo, maior realização pessoal na criação de uma família e na existência de crianças nas famílias. Voltemos a esse problema dos fluxos migratórios, mesmo do caso português. É assim tão significativa a saída de portugueses, nomeadamente para a Europa, nos últimos anos? Sim, tem-se verificado um aumento continuado. Eu tenho nesta matéria uma posição algo particular, na medida em que normalmente não tenho uma visão negativa desses movimentos, pelo contrário.

Posso mesmo dar-lhe o meu próprio exemplo, eu incentivo os meus filhos a que parte da sua formação académica e profissional seja feita no estrangeiro porque esse é o mundo em que eles vão viver. É preciso distinguir muito claramente o que é a emigração derivada das condições económicas, que era a esmagadora maioria dos emigrantes das década de 60 em Portugal, do que é hoje que, tendo uma base económica, designadamente a falta de oportunidades de trabalho para jovens licenciados em Portugal, gera um movimento circular porque nos meus contactos com os emigrantes portugueses, designadamente os qualificados que saem, é de que eles saem e isso vai enriquecer-lhes a sua vida profissional mas eles mantêm todos a firme convicção de que na primeira oportunidade regressam. Portanto há uma diferença substancial no padrão da emigração hoje com aquela que era há 30 anos atrás. Hoje a emigração é de quadros muito mais qualificados o que ajuda também a fazer uma ideia diferente e uma imagem diferente do país no estrangeiro. São pessoas que vão e que se valorizam a elas próprias e que valorizam os países onde vão estar a trabalhar e que têm e mantêm uma ligação de retorno a Portugal. Em resumo, eu não creio que as pessoas devam emigrar porque sim, mas há um aumento de emigração que temos de ver como uma oportunidade e não como uma fatalidade. Em todo o caso também há os que emigram porque precisam… Certo. Continua a haver emigração económica mas essa há desde sempre… Repare que houve uma altura que se calculava que cerca de 120 mil portugueses estariam a trabalhar na construção civil em Espanha. Foi uma altura em que houve um grande boom em Espanha e uma retracção do investimento em obras públicas e em construção civil em Portugal. Esses trabalhadores não eram qualificados e muitas

DR

Migrações, uma década em revista

vezes iam fazer trabalhos extremamente árduos em Espanha, que não os fariam em Portugal, onde esses trabalhos são destinados aos imigrantes de países terceiros. Gera também uma maior tensão social? Não gera no sentido de dizer que tenhamos um problema generalizado nessa matéria, mas um potencial desse tipo de conflitos existe. Portanto, maior é a responsabilidade das autoridades públicas, dos serviços sociais, mas também da sociedade civil e das próprias comunidades de emigrantes nas políticas de integração da sociedade portuguesa nestes tempos de crise onde os factores de atrito são potenciados. Os que já cá estão integrados e vêem agora esta situação poderão ver um fim antecipado e inesperado? Eu espero que não, vamos ver. Sejamos extremamente claros, há maior tensão, pode haver concorrência directa aos postos de trabalho entre imigrantes e portugueses e isso tem de ser visto com muito cuidado e muita ponderação. Convém recordar aos portugueses que esses imigrantes que estiveram a trabalhar em Portugal na última década contribuíram com os seus impostos e se hoje estão em risco social têm direito à protecção social em condições equi-

paradas à dos cidadãos portugueses. Portanto, eu acho que o Governo anterior tomou uma decisão acertada que foi de reduzir as exigências da prova de meios para efeitos de renovação das autorizações de permanência no território nacional tendo em linha de conta os impactos da crise nas comunidades de emigrantes e o valor da solidariedade não se distingue nem em função da território de origem, nem da nacionalidade nem cor da pele, é um valor de solidariedade humana. Pelo que se percebe será também uma tendência do actual Governo? Ainda é cedo para julgar, mas eu acho que sim. Portugal é um país que tem a felicidade, e sublinho bem esta expressão, a felicidade de não fazer da política de imigração uma arma de conflito político interno. E isso é um factor distintivo de Portugal em relação a muitos países europeus onde a imigração é um assunto de controvérsia interna e mais, essa controvérsia é um local de cultura onde medra a xenofobia, o racismo e a discriminação. Portanto eu espero que essa característica se mantenha no actual Governo. Qual é o papel que as associações e ordens religiosas têm na integração e no diálogo, seja pessoal com os imigrantes seja com as instituições que

determinam as políticas de imigração? Nós temos também a felicidade de ter uma sociedade civil no seu conjunto e com especial destaque para a Igreja Católica e às instituições ligada a ela, que atribui uma relevância à questão da integração dos imigrantes, não só teórica ou retórica, mas estando presente no terreno. Isso é referenciado às associações patronais, aos sindicatos que têm um papel muito importante, às autarquias locais e toda a sua rede e à própria Igreja Católica, na plataforma de integração aos imigrantes que eu coordeno na Fundação Calouste Gulbenkian e que congrega todas as fundações portuguesas. O papel desempenhado pela Obra Católica tem sido muito importante, não apenas do ponto de vista de protecção social mas também do ponto de vista cultural, do ponto de vista do diálogo pela tolerância, diversidade e diálogo inter-religioso, porque é um elemento de integração dos imigrantes. Reconhecemos que muitos deles não têm a mesma religião que a maioria dos portugueses professa. Este diálogo tem encontrado sempre na Obra Católica das Migrações não apenas um defensor mas também um actor activo de promoção dessa tolerância, desse diálogo e dessa pluralidade.


4 CULTURA

O Mensageiro 04.Agosto.2011

Em 2007, ano que assinalou 50 anos de artista, Zé Penicheiro expôs em Leiria

EXPOSIÇÕES Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Sensibilidades 25” - fotografia (25/08~30/09) Teatro Miguel Franco - Leiria •”Os sabores da terra” - Duarte Belo (~25/09) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •Trabalhos de Carla Fontes e Francisco Santos (~31/08) Edifício Banco de Potugal - Leiria •”Nada e comum 2011” (~4/09) m|i|mo -Museu de Imagem e Movimento - Leiria •”Oficina do Olhar” (exposição permanente) •”Provas de cor” - arte da fundação EDP (~23/10) •”Entremuralhas 2010” - retrospectiva por Ricardo Graça (~10/08) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa •”Jogos e brincadeiras de outros tempos” (~31/09) Escola Primária João Leal - Coimbrão •”Recordar é viver” (~14/08) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Divulgando... aos+pequenos” (~31/08) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa •”Jogos e brincadeiras de outros tempos” (~31/08) Biblioteca Municipal - Ourém •”A natureza das paisagens” - fotografia de Pedro Martins (8/8~2/9) Galeria Municipal - Ourém •”Era uma vez” - pintura de Ricardo Passos (6~28/08) Edifício dos Paços do Concelho - Ourém •”O castelo visto pelas criaças” - mostra e desenhos (8~31/08) Paços do Concelho - Tomar • Fotografia - Fernando Lemos (~30/09)

2011: última exposição do homem que tão bem retratou o povo

Já foi em 2007 que Zé Penicheiro realizou a sua última exposição em Leiria. Em Maio desse ano, apresentou uma mostra de pintura que o artista identificou como “Leiria- Jardim de memórias”. A exposição realizou-se no ano em que o artista plástico assinalava 50 anos de carrei-

ra e decorreu no edifício do Banco de Portugal “revelando uma pujança de traço e uma notável capacidade de captar ambiências, sublinhando a eterna juventude criativa do pintor”, revelava um amigo do pintor. Neste ano de 2011, Zé Penicheiro vai assinalar 90 anos de vida e prepara para Outubro a sua última exposição. A mostra decorrerá em Aveiro e reunirá várias pinturas de um dos grandes valores da pintura em Portugal. A temática de Leiria é um dos grandes destaques porque o artista ainda detém na sua posse algumas telas, constituindo este acontecimento um dos motivos particulares e de oportunidade para adquirir uma obra prima de raríssima beleza.

Texto e foto: Joaquim Santos O passeio - Leiria - fins do séc. XVIII”

Quem é Zé Penicheiro? na nossa estante

D. António Antunes – Bispo de Coimbra Pedro Moniz Textiverso D. António Antunes nasceu em 18-11-1875 na aldeia da Cumeira, freguesia da Barreira, concelho de Leiria. Aos 11 anos, foi matriculado no Seminário de Leiria e ordenado sacerdote a 17 de Julho de 1898. Foi nomeado Bispo Auxiliar de Coimbra em 1919, Coadjutor com futura sucessão, em 1924, e Bispo residencial em 1936. Durante o seu bispado: inaugurou a Casa dos Retiros (1937); reconstruiu a sede do C.A.D.C. (1939): e foram remodelados os três edifícios do Seminário, com a substituição dos telhados e consolidação das paredes (1942-1943). Em Outubro de 1936, abre o Seminário Menor da Figueira da Foz. Em 2007-1948, faleceu mas permanece o exemplo e a obra.

Tempo com Espectador – Ensaios de Literatura Portuguesa Manuel G. Simões Edições Colibri “Tempo com Espectador” reúne uma série de ensaios sobre literatura portuguesa, que vão da Idade Média ao século XX, na perspectiva de quem observa o fenómeno literário inserido num contexto cultural e espacial externos, o que propiciou a análise do encontro entre duas ou mais literaturas. Daí que frequentemente a exegese contemple o problema da intertextualidade e a abordagem de temas não muito frequentados pela crítica: o percurso do Iluminismo português; a errância e seus efeitos no tecido literário (de “Sôbolos rios” à contemporaneidade); ou a influência da Bíblia na poesia portuguesa finissecular, por exemplo.

Zé Penicheiro nasce na aldeia beirã de Candosa, Tábua, mas a partir dos 2 anos passa a viver na Figueira da Foz. Em 30 de Junho de 1978, em entrevista que na altura deu ao semanário “barca nova” dizia o artista: “ter nascido em Candosa foi um mero acidente. Considero-me figueirense de raiz, tão novo para aqui vim”. Filho de um carpinteiro, de ascendência humilde, as dificuldades económicas impossibilitam-no de seguir qualquer curso de Artes Plásticas ou Belas Artes. Como habilitações literárias “tenho apenas um diploma oficial: o da instrução primária. Frequentei é certo a Escola Comercial e a Academia Figueirense, mas quedei-me por aí, pela curta frequência. Tenho é uma larga experiência da Universidade da Rua, onde aprendi tudo quanto sei e onde conheci as figuras que têm inspirado toda a minha obra”, disse ainda Zé Penicheiro em discurso directo, em 1978, ao extinto semanário figueirense citado acima. Inicia a sua carreira artística como caricaturista e ilustrador. Colabora em diversas publicações: jornais do Porto, Lisboa e província, “Primeiro de Janeiro”, “A Bola”, “Os Ridículos”, “O Sempre Fixe”, “A Bomba” “Barca Nova” e outros, publicam os seus “cartoons” de humor.

Criador duma expressão plástica original, que denomina de “Caricatura em Volume”, inicia o seu ciclo de exposições, nesta modalidade, a partir de 1948. António Augusto Menano, poeta e escritor figueirense, em artigo publicado em 18 de Outubro de 2001, no jornal “Linha do Oeste” traça um esboço escrito sobre o Zé: “A arte é indivisível de quem a produz, da acção do artista, da sua invenção criadora. A obra de Zé Penicheiro, a sua forma, o modo como se desenvolve artisticamente, traduz o seu diálogo com a matéria”. E mais adiante: “Zé Penicheiro é memoralista, um moralista, um comprometido. Faz-nos recordar tipos arquétipos de actividades quase desaparecidas numa escrita sobre a pureza estética, que estará patente

em toda a sua obra. Compromete-se, está ao lado dos mais fracos, do povo, retrata-os, mostra-os como se de uma “missão” se tratasse, obrigação profunda de retorno às raízes, outra forma de pintar a saudade”. E a terminar o artigo, escreve António Augusto Menano: “Mas a arte de Zé Penicheiro não esquece o lugar. Os lugares: a infância, as praias, as planícies, as serras, e as cidades da sua vida, “diálogo” de que têm surgido algumas das sua melhores obras. Nesta sociedade pós industrial, da informática e do virtual, Zé Penicheiro mantém-se fiel aos seus “calos”, que está na base de um percurso tão “sui generis”. Zé Penicheiro, a Universidade da rua na origem de um artista. Os bonecos, o nanquim, o guache, o óleo – uma vida inteira a retratar as alegrias e tristezas de um povo admirável. António Agostinho

Peixeiras


CULTURA 5

O Mensageiro 04.Agosto.2011

Espectáculo com jovens do 8.º Estágio Internacional de Orquestra

Música no Mosteiro da Batalha

CINEMAS Cine-Teatro de Monte Real • INDOMÁVEL | drama | de Joel Coen e Ethen Coen | c/ Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon e Josh Brolin | 4 de Agosto, 21h30

Fotos: DR

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

As Capelas Imperfeitas do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, foram o palco do concerto do 8.º Estágio Internacional de Orquestra da Região de Leiria/Fátima e do ciclo Música nos Mosteiros Portugueses Património da Humanidade, realizado no dia 30 de Julho. Protagonizado pelos cerca de 100 jovens músicos e maestros oriundos de vários países que se reuniram em Leiria para o Estágio entre 18 e 31 de Julho, este espectáculo contou com uma plateia de mais de três centenas

de pessoas Entre os convidados estiveram Gonçalo Couceiro, director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), Rui Cunha, chefe de divisão da Câmara Municipal da Batalha, e Pedro Redol, em representação do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, e muitas outras personalidades, que assistiram a um momento muito especial, com alguns dos mais promissores talentos musicais da actualidade. Jean-Sébastien Béreau,

director artístico do 8.º Estágio Internacional de Orquestra da Região de Leiria/Fátima, seleccionou seis dos 35 maestros que participaram na Master Class de Direcção, para dirigirem uma orquestra composta por 76 jovens instrumentistas, que interpretaram obras de Beethoven e Borodin. O concerto contou ainda com as actuações do violinista Manuel Doutrelant e do violoncelista Pierre Joseph, que, também sob a orientação dos alunos da Master Class de Direcção de Orquestra, interpreta-

ram obras do compositor Johannes Brahms. A iniciativa Música nos Mosteiros Portugueses Património da Humanidade resulta de uma parceria entre o Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OL CA), o IGESPAR e o Centro Nacional de Cultura (CNC), com o intuito de dinamizar os Mosteiros Portugueses Património da Humanidade através da realização de concertos entre os dias 11 de Junho e 24 de Setembro de 2011.

Na Casa dos Ataídes

A Casa dos Ataídes, uma das mais emblemáticas do centro histórico, foi recentemente recuperada pela Fundação Caixa Agrícola de Leiria. Com o objectivo de divulgar a qualidade da recuperação efectuada na casa, devolvendo-lhe o fulgor e o protagonismo outrora vividos, serão realizados espectáculos quinzenais, na segunda e

DR

SwingSamp nas “Noites no Palácio”

última quinta-feira de cada mês, com início em Julho e término em Setembro. No passado dia 28 de Julho, a SwingSamp foi a protagonista de uma des-

tas “Noites no Palácio”, conquistando os aplausos e admiração de um público nitidamente satisfeito. Sendo uma das formações residentes da SAMP,

a SwingSamp apresenta um carácter de “Big Band”. Foi fundada em 1980. Actualmente dirigida pelo maestro Sérgio Ventura, dedica-se exclusivamente ao repertório swing e é constituída por músicos de várias filarmónicas da região de Leiria, para além de instrumentistas convidados.

Castelo de Leiria •”Castelos de Sonos” - música (6/08, 22h00) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Eu e a biblioteca estamos de férias” - actividades (~31/08) •”Pare! Leia!” - montras de livros (~31/08) •”Contos e cantigas” - hora do conto (~17/08) m|i|mo - Leiria • Oficinas de teatro de sombras e brinquedos ópticos (3ª~6ª feira) • Oficina de cuanotipia (4, 11 e 18/08, 10h00 e 14h30) Jardim Luís de Camões - Leiria •”Bailes de Verão” - animação de rua (~9/09, sextas- feiras, 22h00) Moinho de Papel - Leiria • Animação infantil - actividades (3ª~6ª feira, 10h00 e 14h30) Cool Park - Cortes •”Cool Weeks” - ATL (~31/08) Agromuseu Municpal Dona Julinha - Ortigosa •”Joaninha voa, voa...” animação infantil (9/08, 14h00) Sismaria •”Festival de Folclore” (6/08, 21h00) Jardim Olímpico Duarte Alves - Monte Real •”Praça Viva” (~17/09) Largo da Capela - Pedrógão •”Praça Viva” (~10/09) Praia - Pedrógão •”Cria e reutiliza” (4, 10, 17, 24 e 31/08, 10h00 e 14h30) • Torneio Quadros Voleibol (6 e 7/09) •”Mesas pedagógicas” (6, 13 e 20/09, 15h00~17h00) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Pimpim tem medo do escuro” - hora do conto (3ªs, 11h e 5ªs, 15h) •”Pinturas” - desenhos para colorir/desenho livre (2ªs, 15h00) •”Divulgando os nossos livros” (~31/08) •”Lola Virgínia, o desastre está prestes a chegar” - filme (10/8, 15h30) Arquivo Municipal - Marinha Grande •”Memórias” - apontamento documental (~31/08, 8h30~17h30) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Na ponta dos dedos” - actividades educativas (4/08, 15h00~17h00) •”Pim pam pum,dois traços menos um”-actividades educativas(5/8,15h) Casa-Museu Afonso Lopes Vieira - Marinha Grande •”Poesia e origami” (5 e 17/08, 11h00) •”Sessão de poesia” (6/08, 21h30) Praia - Vieira •”27º Festival de Folclore da BIP” (6/08, 21h00) Praia - São Pedro de Moel • Sessão de poesia (6/08, 21h30) Jardim Olímpico Duarte Alves - Monte Real •”Praça Viva” (~17/09) Museu Municipal - Ourém •”Faz de conta” - aficinas pedagógicas (~31/08) •”Descobrir a Floresta” - oficinas pedagógicas (~31/08)

Museu de Arte Sacra e Etnologia no P2 O Museu de Arte Sacra e Etnologia, dos Missionários da Consolata, em Fátima, irá participar no suplemento P2 do Jornal Público dedicado à Arte Sacra Nacional. Sete peças deste espaço museológico constarão nas 100 obras de arte sacra do património eclesial português. Comemorando este ano o seu vigésimo aniversário, este museu

missionário, de características únicas em Portugal, pretende dar a conhecer o espírito missionário da Igreja, permitindo aos visitantes conhecerem algumas das realidades encontradas pelos missionários no mundo. Para além de uma fantástica colecção de arte sacra portuguesa, repleta de Meninos Jesus, Presépios, Oratórios e

Cristos dos séculos XIV ao XX, o visitante poderá fruir de uma interessante colecção de objectos etnográficos de povos africanos, índios e orientais, trazidos pelos missionários para o velho continente, ao longo dos anos. Apresenta ainda, na “Sala dos Pastorinhos”, as relíquias dos beatos Francisco e Jacinta Marto.

Ao longo do ano, poderão visitar-se exposições temporárias de temáticas diversas, assistir a concertos, palestras, animações, entre muitas outras actividades culturais. Para grupos, o museu dispõe de um serviço educativo que realiza visitas orientadas através de guias com formação científica e pedagógica.

Para além de um pátio interior com um agradável jardim para repousar ou ler um livro, os visitantes poderão conhecer os belos e cuidados jardins dos Missionários da Consolata. É o único espaço museológico de Fátima integrado na Rede Portuguesa de Museus.


6 CULTURA / SOCIEDADE

O Mensageiro 04.Agosto.2011

Excelência da água

Projecto Saber Nadar

Os alunos dos Agrupamentos da Maceira, Dr. Correia Alexandre (Caranguejeira), Marrazes e Rainha Santa Isabel (Carreira), no concelho de Leiria, que se encontrem a frequentar os 3º ou 4º anos no próximo ano lectivo irão ter dez sessões de natação no 1º período, integradas nas Actividades Extra Curriculares (AEC). O projecto Saber Nadar, que foi aprovado no dia 26 de Julho em reunião de Câmara de Leiria, abrangerá um total de 1.121 crianças (54% do total dos alunos do concelho) dos quatro agrupamentos de escolas que se dispuseram a flexibilizar os horários, por forma a que os alunos possam ter aulas de natação. Estas serão asseguradas pelos professores de actividade física e desportiva. Os 151 alunos do Agrupamento de Escolas da Maceira abrangidos por este projecto terão aulas na Piscina Municipal da Maceira. No caso das 139 crianças do Agrupamento de Escolas Dr. Correia Alexandre, utilizarão a Piscina Municipal da Caranguejeira. Os 424 alunos do Agrupamento de Escolas dos Marrazes usarão o Complexo Municipal de Piscinas de Leiria. Já as 407 crianças do Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel frequentarão a Piscina do Hotel D. Afonso, em Monte Real. O projecto Saber Nadar tem como objectivo proporcionar às crianças a adaptação ao meio aquático, dentro das normas de segurança, e decorrerá entre os dias 15 de Setembro e 16 de Dezembro de 2011. As aulas serão apoiadas em material didáctico, tais como coletes, escorregas, colchões, chouriços, arcos, pranchas, etc. Os transportes serão assegurados pela Câmara Municipal de Leiria. Todos os agrupamentos de escolas do concelho foram contactados para participar neste projecto, embora apenas quatro se tenham mostrado receptivos a flexibilizar os horários, por forma a permitir que os seus alunos tivessem aulas de natação.

Animação infantil na praia do Pedrógão

“Verão no Centro Azul”

DR

De 2 a 26 de Agosto, em plena época balnear, o Centro Azul da Praia do Pedrógão promove actividades lúdico-pedagógicas de educação ambiental, que abordam várias temáticas ambientais, com especial enfoque para os ecossistemas marinhos e dunares.

DR

Alunos do 3º e 4º anos vão ter aulas de natação

A praia das Pedras Negras, no concelho da Marinha Grande, foi distinguida com o galardão “Praia com Qualidade de Ouro 2011”, pela Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza. A Quercus resolveu seleccionar todas as praias que em Portugal tiveram sempre qualidade de água classificada como boa entre 2006 e 2009 e classificada como excelente em 2010, com análises sempre excelentes ao longo da época balnear de 2010. Note-se que, desde 2010, a melhor classificação da qualidade da água das zonas balneares é “excelente”, ao contrário da designação anteriormente em vigor de “boa”, de acordo com a legislação europeia e nacional. Esta avaliação efectuada pela Quercus é muito mais limitada em comparação com a atribuição da Bandeira Azul, ao basear-se apenas na qualidade da água das praias, apesar de ser mais exigente neste aspecto em específico. A classificação geral das praias em termos de qualidade da água é dispo-

nibilizada pelo Instituto da Água ao abrigo da legislação nacional e comunitária. O objectivo da Quercus é realçar as garantias de praias que ao longo de vários anos (cinco, neste caso), apresentam sistema-

ticamente boa qualidade, e que portanto, oferecem uma maior fiabilidade no que respeita à boa qualidade da água, confirmando ainda a sua excelência na última época balnear.

Pedras Negras Depois de uma vastidão de praias arenosas que se estendem de Norte para Sul, é na praia das Pedras Negras que surgem sinais de alteração na paisagem dunar - afloramentos de margas escuras e avermelhadas, contendo placas de gesso. Estes materiais rochosos são dos mais antigos da região (com 210 a 245 milhões de anos) e foram classificados pelo geólogo Paul Choffat em 1882, como constituintes de “...uma série de importantes fenómenos que se passaram na região... a que deu o nome de áreas ou vales tifónicos, por analogia à lenda do Tifo ou Tifão que rompeu o ventre da mãeTerra para nascer, pois que também aqui veem à luz as entranhas do princípio do Período Secundário da Terra”. Seguindo o passadiço de madeira para Norte e em seguida ao longo do caminho florestal, chega à Árvore Notável das Pedras Negras, um magnifico exemplar de pinheiro-bravo “serpente” de grande dimensão.

Comemoração na praia do Osso da Baleia

Dia Nacional da Conservação da Natureza assinalado com actividades O Município de Pombal assinalou no dia 28 de Julho a comemoração do Dia Nacional da Conservação da Natureza, na Praia do Osso da Baleia, com a actividade “APROMAR - Agir, Preservar e Respeitar o Mar”. Nesta iniciativa participaram cerca de 50 pessoas, desde crianças e adultos, que através da sua participação no jogo de sacos (corrida de sacos associado a perguntas e respostas sobre a importância da conservação e preservação da natureza, com destaque para as dunas e sua vegetação) e nos ateliês de reutilização (construção

DR

DR

Praia das Pedras Negras tem “Qualidade de Ouro”

de um brinquedo a partir de garrafas de plástico) e de pintura, ficaram mais sensibilizados para a im-

portância da conservação das dunas e sua vegetação e mais despertos para os comportamentos a adopta-

rem em prol do ambiente em geral e da praia em particular. De salientar a realização de questionários aos banhistas com o intuito de conhecer os seus hábitos e comportamentos, bem como sensibilizá-los para a preservação e conservação das dunas e vegetação. Foram, ainda, afixados nos painéis informativos diversos trabalhos alusivos à preservação e à conservação das dunas e da sua vegetação elaborados pelos alunos do 1.º CEB da EBI Gualdim Pais e da EB1 de Casal Fernão João.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 04.Agosto.2011

Novamente no Marachão

Festival Regional de Gastronomia vai trazer sabores e sons a Leiria

Maceira

Centro Escolar vai nascer

DR

O Festival Regional de Gastronomia vai decorrer de 26 de Agosto a 3 de Setembro, nos Terraços do Marachão, este ano a apanhar alguns dos emigrantes de Agosto. A edição de 2011, organizada pela Entidade Regional de Turismo de Leiria-Fátima e pela Câmara Municipal de Leiria, com a colaboração dos municípios de Batalha, Marinha Grande, Ourém, Pombal e Porto de Mós, mostrará a diversidade e variedade gastronómica destas localidades, dedicando-se ao tema “Às mil maravilhas”. O certame gastronómico orgulha-se de nas suas iniciativas apresentar o que de melhor se faz a nível gastronómico mas também com as tradições das regiões que integram o festival. Segundo a organização, “o objectivo deste certame é contribuir para a

preservação e divulgação da verdadeira essência e história dos pratos típicos desta região. A qualidade e o rigor são outras qualidades que diferenciam esta actividade no calendário de eventos nacionais”. “Face à influência que tem de concelhos com mar e com serra, o Turismo

de Leiria-Fátima oferece uma diversidade e riqueza gastronómica muito singulares”, sendo este um dos principais fundamentos das entidades que participam no festival. Outra das causas desta iniciativa prende-se com o facto de “contribuir para a preservação e divulgação

da verdadeira essência e história dos pratos típicos desta região”, afiança a organização. As margens do rio Lis vão ter mais brilho com 10 dias de boa gastronomia e animação, não faltando em 2011 uma feira de mel.

Joaquim Santos

Centro de Recuperação Infantil de Fátima

Grupo Catarino oferece “pellets” No âmbito da sua política de responsabilidade social, o Grupo Catarino acaba de concretizar mais um gesto de solidariedade para com uma instituição que desenvolve trabalho meritório. A entidade beneficiária foi o CRIF – Centro de Recuperação Infantil de Fátima, tendo o Grupo Catarino oferecido 10 toneladas de “pellets”, um produto combustível destinado a alimentar a

caldeira de aquecimento da piscina de hidroterapia daquela instituição. Os dois representantes do Grupo Catarino, Ana Rebelo e José António Rodrigues, foram recebidos pelo Sr. Padre Pereira, Presidente do CRIF, que agradeceu a oferta, de forma calorosa, salientando que ela é de grande utilidade para a instituição. O CRIF foi criado em 1977 e começou com 18

alunos na área da educação especial (crianças entre os 6 e os 18 anos, com casos de deficiência mental). Ao longo do tempo detectou outras necessidades, pelo que contratou psicólogos, técnicos de serviço social, educadores de infância, professores de educação física, terapeutas de fala e outros técnicos. Actualmente apoia mais de uma centena de utentes, dos seis aos 50 anos, dos

concelhos de Ourém, Leiria, Batalha, Porto de Mós e Alcanena. Para além do ensino de várias disciplinas, o CRIF proporciona diversas actividades, entre as quais hipoterapia e equitação adaptada, fisioterapia, psicomotricidade, terapia ocupacional, educação física, psicologia, terapia da fala, apoio de serviço social e hidroterapia.

A abertura do concurso público para adjudicar a empreitada de construção do Centro Escolar da Maceira foi aprovada no dia 26 de Julho, em reunião de Câmara Municipal de Leiria. O novo centro escolar passará a ter dez salas de aulas, oito das quais para os estudantes do 1º ciclo e as restantes duas para os alunos do pré-escolar. No total, terá, assim, capacidade para 232 crianças. Recorde-se que as instalações da escola do 1º ciclo, que irão agora ser ampliadas, foram oferecidas ao Município de Leiria pelo Conselho de Administração da CMP – Cimentos da Maceira e Pataias, SA, em Maio. A doação, que decorreu ao abrigo da Lei do Mecenato, incluiu ainda os edifícios da Escola Básica e Secundária de Maceira e o Ginásio Escolar. A criação do Centro Escolar da Maceira vai ser submetida a uma candidatura ao Programa Mais Centro, para que possa ser comparticipada por fundos do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN). Telheiro e Parceiros serão as próximas freguesias a ser dotadas de centros escolares.

Centro de Interpretação Ambiental de Leiria

Sessão de astronomia

O Centro de Interpretação Ambiental de Leiria, junto ao Jardim de Santo Agostinho, será palco de uma sessão de astronomia de Verão, no dia 10 de Agosto, pelas 22h00. Será realizada uma observação nocturna, precedida de uma palestra de enquadramento, a cargo de José Matos, da Associação de Física da Universidade de Aveiro - FISUA, sendo a participação livre e gratuita.

Passeio pedestre nocturno A Câmara Municipal da Marinha Grande vai realizar mais um passeio pedestre, desta vez nocturno, que se realiza no dia 6 de Agosto, a partir das 20h00, entre Vieira de Leiria e a Praia da Vieira. O ponto de encontro está marcado para as 20h00

de sábado, 6 de Agosto, junto ao palco do Parque Mártires do Colonialismo, na Marinha Grande, de onde os participantes serão levadas em autocarros até ao Pavilhão Gimnodesportivo de Vieira de Leiria, situado junto à Escola EB 2/3 Padre Franklin.

Daí partem em direcção à Praia da Vieira, com passagem pelo Ribeiro da Tábua e pela margem esquerda do Rio Lis. O percurso terá a duração de 8 km e um grau de dificuldade reduzido. Os participantes interessados em ir ter directamente ao Pavilhão

Gimnodesportivo, deverão estar no local às 20h20. A Câmara Municipal assegura o seu transporte no final do percurso, da Praia da Vieira para o ponto de início do percurso. Todos devem apresentarem-se com calçado e vestuário confortável, próprio para o efeito.

DR

De Vieira de Leiria à Praia da Vieira


8 ECLESIAL

O Mensageiro 04.Agosto.2011

Família há VIII Séculos

Células vivas do Coração da Igreja Estamos a celebrar os oito séculos do nascimento da Ordem de Santa Clara. Na verdade o Senhor faz grandes maravilhas” na sua Igreja, “Santo é o seu Nome”. No livro do Apocalipse, S. João contempla “uma multidão que ninguém podia contar, vinda de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono de Deus e na presença do Cordeiro, vestidos de branco e com palmas nas mãos. Então um dos anciãos perguntou-me: Estes que estão vestidos de branco quem são e donde vieram? E eu respondi-lhe: “Meu Senhor, Tu é que o sabes”. Disse-me ele: “Estes são os que vêm da grande tribulação, lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono

de Deus, servindo-O de dia e de noite no seu templo; e Aquele que está sentado sobre o trono abrigá-los-á na sua tenda” (7,9-13.15). Esta visão que S. João descreve leva-nos a fixar o nosso olhar nesta grande Família, que é a Ordem de Santa Clara ou Irmãs Clarissas. Alguém pode também perguntar: As Irmãs Clarissas quem são e de onde vieram? De onde vieram? Pensadas por Deus desde toda a eternidade nasceram no tempo há 800 anos em plena Idade Média. Tal como tantas Ordens e Congregações Religiosas também elas tiveram a sua origem n’Aquele que é o Princípio e o Fim de todas as coisas. Uma Família que “não nasceu do sangue nem da carne nem da vontade do homem mas sim de Deus” (Jo 1,13) e da grandeza da

vida de uma jovem que sem “ses” ou “mas” decidiu entregar-se totalmente a Deus, vivendo heroicamente o santo Evangelho. O facho da luz que se acendeu no coração da jovem Clara de Assis, há oito séculos, perpassou o coração da história, do tempo e do espaço e continua vivo e resplandecente no século XXI em cada uma das Irmãs que vive com fidelidade a sua vocação. Também como S. João podemos contemplar as miríades de Irmãs que ao longo de oito séculos conservaram, sempre acesa, a chama inextinguível desta Forma de Vida que Santa Clara de Assis acendeu no candelabro da Casa de Deus e que Jesus, Luz do mundo, continua a alimentar com o azeite da sua graça e da sua presença no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

E, quem são? A esta interrogação responde o Papa João Paulo II que, pouco tempo após a sua eleição ao dirigir-se expressamente às Irmãs Clarissas afirmava: “A vossa Forma de Vida colocavos no coração do mistério da Igreja. A vossa oblação de amor é integrada pelo próprio Cristo na sua obra de redenção universal”. Segundo estas afirmações do Vigário de Cristo, as Irmãs Clarissas são células vivas no Coração da Igreja, em favor de toda a Humanidade. E, Bento XVI sublinhou recentemente a verdade da mesma doutrina, nas palavras proferidas às Clarissas de Albano: “Não imaginais como sois importantes para a vida da Igreja. No silêncio da clausura e no dom total e exclusivo de vós mesmas a Cristo, vós prestais à Igreja um serviço precioso. Vós,

Irmãs Clarissas, sois a alma do mundo porque acompanhais toda a Humanidade com as vossas orações”. E, “as cintilações da estrela, Clara de Assis, à distância de 800 anos-luz não se extinguiram em poalha luminosa, mas os seus revérberos espargem brilho que é para toda a eternidade, cada vez mais refulgente” (“Clara a Constelação e o Signo”). Clara de Assis aceitou o desafio, jovem desperta que era, não se deixou encandear por ofertas fáceis e baratas que a sociedade lhe oferecia em abundância, deixou tudo, abraçou Cristo pobre, entregou-se sem reservas ao verdadeiro Amor, combateu o bom combate, recebeu o prémio. A sua vida de jovem realizada, que viveu a vida, é desafio para todos, principalmente para os jovens

de hoje tão saturados do efémero que apenas semeia o vazio e frustração no coração e na vida. Quem quer competir com esta jovem original cuja vida foi e continua a ser padrão para tantas jovens? Clara avistou novos e infinitos horizontes, lançou-se na corrida sem olhar para trás, encontrou Jesus e abraçou-se com Ele. Clara avistou novos e infinitos horizontes, lançou-se na corrida sem olhar para trás, encontrou Jesus e abraçouse com Ele. Também agora Jesus espera de outras jovens o abraço num sim generoso e determinado, como o de Clara de Assis. Irmãs Clarissas de Monte Real

Mensagem do Papa Bento XVI (…) À luz do tema «Uma só família humana», deve ser considerada especificamente a situação dos refugiados e dos outros migrantes forçados, que são uma parte relevante do fenómeno migratório. Em relação a estas pessoas, que fogem de violências e de perseguições, a Comunidade internacional assumiu compromissos bem determinados. O respeito dos seus direitos, assim como das justas preocupações pela segurança e pela unidade social, favorecem uma convivência estável e harmoniosa. Também no caso dos migrantes forçados a solidariedade alimenta-se na «reserva» de amor que nasce do considerar-se uma só família humana e, para os fiéis católicos, membros do Corpo Místico de Cristo: somos de facto dependentes uns dos outros, todos responsáveis dos irmãos e das irmãs em humanidade e, para quem crê, na fé. Como já tive a ocasião de dizer, «Acolher os refugia-

dos e dar-lhes hospitalidade é para todos um gesto obrigatório de solidariedade humana, para que eles não se sintam isolados por causa da intolerância e do desinteresse» (Audiência geral de 20 de Junho de 2007: Insegnamenti II, 1 [2007], 1158). Isto significa que todos os que são forçados a deixar as suas casas ou a sua terra serão ajudados a encontrar um lugar no qual viver em paz e em segurança, onde trabalhar e assumir os direitos e deveres existentes no país que os acolhe, contribuindo para o bem comum, sem esquecer a dimensão religiosa da vida. Por fim, gostaria de dirigir um pensamento particular, sempre acompanhado da oração, aos estudantes estrangeiros e internacionais, que também são uma realidade em crescimento no âmbito do grande fenómeno migratório. Trata-se de uma categoria também socialmente relevante na perspectiva do seu regresso, como futuros dirigen-

DR

«Uma só família humana»

tes, aos países de origem. Eles constituem «pontes» culturais e económicas entre estes países e os que os recebem, e tudo isto se orienta para formar «uma só família humana». É esta convicção que deve apoiar o compromisso a favor dos estudantes estrangeiros e acompanhar a atenção pelos seus problemas concretos, como as dificuldades económicas ou o mal-estar de se sentirem sozinhos ao enfrentar um ambiente

social e universitário muito diferente, assim como as dificuldades de inserção. A este propósito, apraz-me recordar que « pertencer a uma comunidade universitária significa estar na encruzilhada das culturas que formaram o mundo moderno» (cf. João Paulo II, Aos Bispos dos Estados Unidos das Províncias eclesiásticas de Chicago, Indianapolis e Milwaukee em visita «ad limina», 30 de Maio de 1998, 6: In-

segnamenti XXI, 1 [1998], 1116). A cultura das novas gerações forma-se na escola e na universidade: depende em grande medida destas instituições a sua capacidade de olhar para a humanidade como para uma família chamada a estar unida na diversidade. Queridos irmãos e irmãs, o mundo dos migrantes é vasto e diversificado. Conhece experiências maravilhosas e prometedoras, assim como, infelizmente,

muitas outras dramáticas e indignas do homem e de sociedades que se consideram civis. Para a Igreja, esta realidade constitui um sinal eloquente do nosso tempo, que dá mais realce à vocação da humanidade de formar uma só família e, ao mesmo tempo, as dificuldades que, em vez de a unir, a dividem e dilaceram. Não percamos a esperança, e rezemos juntos a Deus, Pai de todos, para que nos ajude a ser, cada um em primeira pessoa, homens e mulheres capazes de estabelecer relações fraternas; e, a nível social, político e institucional, incrementem-se a compreensão e a estima recíproca entre os povos e as culturas. Com estes votos, invocando a intercessão de Maria Santíssima Stella maris, envio de coração a todos a Bênção Apostólica, de modo especial aos migrantes e aos refugiados e a quantos trabalham neste importante âmbito.


DIOCESE 9

O Mensageiro 04.Agosto.2011

BREVES

Homilia do Reitor do Santuário de Fátima

Tempos difíceis fazem crescer a «sede de milagres»

Em honra do Santíssimo Salvador

DR

O reitor do Santuário de Fátima apelou, no dia 1 de Agosto, domingo, à partilha e à “atenção aos outros”, num momento de crise em que, reconhece, “cresce a sede de milagres”. “Nestes tempos difíceis que vivemos, cresce a sede de milagres: gostaríamos que Deus viesse resolver, de forma imediata, fácil e indolor, os nossos problemas e os problemas daqueles que nos cercam”, alertou este responsável. Na homilia da missa a que presidiu no recinto, diante de várias dezenas de grupos de peregrinos, o padre Carlos Cabecinhas abordou o chamado “milagre da multiplicação dos pães”, atribuído pelos Evangelhos a Jesus. “Esquecemo-nos facilmente que Jesus continua a fazer milagres, mas fá-los através de nós. Jesus continua a multiplicar os pães e a saciar a fome, mas fá-lo através da nossa partilha e atenção aos outros”, referiu. “O milagre da multiplicação dos pães é o milagre que acontece sempre que,

Barreira em Festa

como Jesus, nos enchemos de compaixão e nos dispomos a partilhar, a ajudar, em vez de nos limitarmos a despedir os que, a nosso lado, sofrem com um seco arranja-te”, disse ainda. Neste contexto, o sacerdote pediu aos presentes que se disponham a “sentir como seu o sofrimento dos outros, mas com a intenção de fazer qualquer coisa por aquelas pessoas: aliviar o seu sofrimento, libertá-los daquilo que os oprime, dar-

lhes a alegria de viver”. O reitor do Santuário de Fátima lembrou o trabalho desenvolvido pelos muitos voluntários que se colocam ao serviço dos mais necessitados. “Como não recordar que, nestes tempos de necessidade e privação para tantas pessoas, tenha aumentado o volume das ofertas para os mais pobres, a partilha de quem tem pouco, mas que faz o milagre de multiplicar os

pães?”, sublinhou. Segundo a sala de imprensa do Santuário de Fátima, “anunciaram-se como participantes na missa internacional, celebrada às 11h00 no recinto de oração, grupos de peregrinos de Portugal, Espanha, Itália e Vietname. Um outro grupo em peregrinação a Fátima veio do Brasil, do Santuário de Nossa Senhora do Carmo em Curitiba”.

Solidariedade em Fátima

Férias para mães de deficientes As ‘Férias para Mães’ de pessoas com deficiência começaram no dia 1 de Agosto, em Fátima, envolvendo 150 pessoas numa iniciativa que desperta a sensibilidade religiosa dos participantes incapacitados, oferece apoio moral aos pais e proporciona uma experiência de voluntariado. “Tentamos usar várias linguagens para chegar a todos, como o desenho e o teatro”, explicou a irmã Patrícia Rolando à Agência ECCLESIA, acrescentando que “todos os anos chegam cada vez mais inscrições”, feitas por pais que podem optar por acompanhar os filhos, voltar à sua actividade laboral ou partir para férias. O programa de cada um dos sete dias do encontro

inclui brincadeiras, jogos, música, reflexão sobre temas religiosos e visitas a locais onde ocorreram as aparições do anjo e de Virgem Maria, na Cova da Iria, bem como à casa onde moravam os pastorinhos, em Aljustrel. As ‘Férias para Mães’, que se realizam no Centro Francisco e Jacinta Marto, em Montelo, constituem para “muitos jovens” a oportunidade de visitarem pela primeira vez a Cova da Iria, nota a religiosa italiana que desde há quatro anos se envolve na iniciativa. Nesta edição privilegiou-se quem nunca esteve presente, tendo ficado de fora 20 interessados, pois as regras estabelecem que em cada um dos três turnos, dois para participantes dos 7 aos 20 anos

e outro para adultos dos 21 aos 40, não pode haver mais de 50 pessoas entre crianças, jovens, voluntários, religiosas e pais. Os pais vivem “uma experiência muito forte”, dado que a partilha de vivências contribui para que se “dêem forças mutuamente”, e também porque reagem favoravelmente ao modo como as crianças são acolhidas: “Eles ficam sem palavras de agradecimento ao verem que os filhos foram tratados como pessoas e não como objectos”, afirmou a irmã. A iniciativa constitui um desafio para os voluntários estreantes: “Chegam sempre com receio porque têm de cuidar das crianças logo no primeiro dia e não sabem como estar com pessoas com deficiência. Mas

com o passar do tempo ficam admirados pela simplicidade de estar com eles”, referiu a responsável. As ‘Férias para Mães’, parceria entre a comunidade religiosa dos Silenciosos Operários da Cruz, a que pertence a irmã Patrícia, e o Movimento Mensagem de Fátima, revelam como as crianças com deficiência “são muito sensíveis à transcendência”. A religiosa de 33 anos recorda um episódio ocorrido em 2010, num momento de oração: “Um menino com uma deficiência bastante grave olhou para Jesus na hóstia [Santíssimo Sacramento] e disse simplesmente ‘olá!’. Para nós foi um sinal de que reconheceu uma presença”.

Os “mordomos” da Barreira (os jovens de 40 anos) vão organizar a romaria do Santíssimo Salvador, padroeiro mor da paróquia, depois da realização da festa das tasquinhas em fim de Junho no jardim do Visconde da Barreira e da excursão ao Luso e Buçaco em 29 de Maio. Os convidados para a festa, a ter lugar no dia 6, 7 e 8 de Agosto são o grupo de dança Hip-Hop “Dance Fusion”, a actuação do grupo “Sãos & Salvos”, o Rancho Folclórico da Barreira, a Banda “4EVER” e a actuação do Acordeonista Vergílio Pereira. Serão três dias de festa, culminados com o encerramento do arraial com Fogo de Artificio, às 24h00. Será uma oportunidade de convívio para toda a comunidade, cuja missa solene e procissão terão lugar pelas 11h30. São duas as festas anuais. Em Janeiro, é a vez do Santo Amaro, discípulo de São Bento, ser festejado, enquanto no primeiro fim-de-semana de Agosto, temos o Santíssimo Salvador. Não falta a habitual quermesse e serviço de restaurante, recolha de andores, e sorteio das rifas. Pedro Moniz

Igreja Velha, Colmeias, em Festa

Em honra de Nossa Senhora da Piedade De 5 a 8 de Agosto irá decorrer a tradicional festa em honra de Nossa Senhora da Piedade, na Igreja Velha, Colmeias. O programa da festa será o seguinte: No dia 5, sexta-feira, haverá confissões às 19h30, seguindo-se a missa às 20h30. Neste dia haverá uma sardinhada e será o organista “Big Jovem” a animar a noite. No sábado a missa e procissão de velas com a imagem de Nossa Senhora de Fátima será às 20h30. Actuará, neste dia, a banda musical “Made in Portugal”. Durante o domingo haverá a recolha dos andores e as ofertas, às 14h30, seguindo-se a missa e procissão com a imagem de Nossa Senhora da Piedade. Ainda será apresentado um concerto com a Filarmónica de Vermoil, actuação do Rancho Folclórico da Boavista e os artistas da terra apresentam um espectáculo intitulado “Gatos no Telhado”. A banda desta noite será o trio musical “2D’Arromba”. No dia 8, a missa e procissão com a imagem de Santo António será às 19h00, o baile será animado pelo Duo Musical “Bruno Matias” e actuará a banda musical “Ondas”. Durante os dias de festa haverá um serviço de restaurante e quermesse para os visitantes.


10 ECLESIAL

O Mensageiro 04.Agosto.2011

Comum (07/08/2011)

Antífona de Entrada: Salmo 73, 20.19.22.23 Leitura I: 1 Reis 19, 9a.11-13ª Salmo Responsorial: Salmo 84 (85), 9ab-10.11-12.1314 (R. 8); Refrão: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor e dai-nos a vossa salvação. Repete-se Leitura II: Rom 9, 1-5 Aclamação ao Evangelho: Salmo 129 (130), 5 Refrão: Aleluia. Repete-se; Eu confio no Senhor, a minha alma espera na sua palavra. Refrão EVANGELHO: Mt 14, 22-33 Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendoO a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus». Palavra da salvação.

Cânticos | XX Domingo do Tempo

Comum (14/08/2011)

INÍCIO: Juntos como irmãos - Lau 462

Janela Sobre a Missão

Caridade traduzida em gestos A diocese de Leiria-Fátima acaba de enviar para Angola, através do Grupo Missionário Ondjoyetu, dois contentores de 40 pés com um total de cerca de 42 toneladas de bens diversos, concluindo assim um processo que já se tinha iniciado há alguns meses atrás. Após a revisão do projecto da segunda fase da casa da missão que a diocese de Leiria-Fátima tem no Sumbe, foi necessário fazer o levantamento de todos os materiais de construção necessários à sua edificação e passíveis de serem transportados em contentor. A fase seguinte passou pela recolha desses materiais: uns adquiridos, outros oferecidos. Bens como portas, janelas, sanitários, entre outros, foram aproveitados de remodelações de outras obras. A recolha foi de tal modo exaustiva que para a construção da segunda fase da casa da missão no Sumbe só será

AO SABOR DA PALAVRA

SALMO RESPONSORIAL: Louvados sejais Senhor - Lau 476 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Pobres e fracos que somos - Lau 663 COMUNHÃO: Formamos um só corpo - Lau 506 PÓS-COMUNHÃO: Cantarei eternamente - Lau 214 FINAL: Povo teu somos - Lau 677

Cânticos | Solenidade da Assunção

de Nª Srª ao Céu (15/08/2011)

INÍCIO: Toda sois formosa ó Maria - Lau 967 SALMO RESPONSORIAL: À vossa direita Senhor - Lau 893 APRESENTAÇÃO DOS DONS: O pão que comemos - Lau 570 COMUNHÃO: O trigo que Deus semeou - Lau 618 PÓS-COMUNHÃO: Quero ser como tu - Lau 946 FINAL: Com minha mãe estarei - Lau 915

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

19º Domingo do Tempo Comum 7 de Agosto de 2011

A brisa que sopra Para muita gente Deus ainda continua a ser uma pessoa assustadora, alguém que se diverte com as nossas dores e problemas, com a nossa fragilidade, quase um papão para os adultos, à espera de qualquer engano ou desvio nosso para nos devorar e destruir. E se algumas pessoas se sentem bem assim, temendo um Deus terrífico e sanguinário, não arriscando fazer nada com medo de fazer

DR

Leituras | XIX Domingo do Tempo

necessário adquirir o tijolo, cimento, areia, brita e água. Além do já referido, também seguem nos contentores pneus e consumíveis para as viaturas, uma betoneira, um cilindro de condução manual, moldes para manilhas de poços e de estrada, uma estrutura para um telhado de uma igreja, diversas ferramentas para apoio às obras e aos projectos de desenvolvimento na área das construções e agricultura. Tendo em conta as grandes carências que existem no Gungo, também foram

enviados duas centenas de sacos de roupa, muitos outros de calçado e ainda cadeiras, beliches, bancos corridos, livros e material escolar, “jerricans” para transporte de água e combustíevis, bolas de praia e de futebol, artigos religiosos e de apoio espiritual e à formação, entre muitas outras coisas. Tudo isto só foi possível graças à generosidade de uma verdadeira multidão de pessoas individuais, mas também de empresas, paróquias e instituições que das mais diversas formas colaboraram com a

alguma coisa errada, há outras pessoas que negam Deus, porque não aceitam esse Deus tenebroso. À semelhança dos antigos deuses pagãos dos povos vizinhos de Israel, como Baal (o deus do trovão e das tempestades) ou Asserá, ou como os “deuses” contemporâneos, que se manifestam também pelo barulho e pelas acções espectaculares, como podemos inclusivamente ver em muitos programas de televisão, em que o que importa é gritar mais do que os outros. Ninguém pode dizer que essa é a imagem que a Igreja, hoje, dá de Deus. Deus é um pai/mãe carinhoso(a), que ama de igual maneira todos os seus filhos. E se antigamente se mostrava Deus como um soberano terrível é porque o homem usava, e usa, imagens humanas para representar o divino, usava, e usa, categorias humanas para falar de Deus. Mas assim como a sociedade humana se transforma e se aperfeiçoa (de acordo com o próprio projecto de Deus), as categorias humanas usadas

para falar de Deus vão-se aperfeiçoando, correspondendo cada vez mais à real essência de Deus. A própria doutrina vai progredindo, crescendo, para uma maior compreensão (embora nunca total) do mistério de Deus. Porque o próprio Deus se apresenta como alguém que se interessa pelos homens e pela sua salvação. Por isso mesmo Deus mostra-se a Elias, não no trovão, no tremor de terra, nem na tempestade, nem no fogo, mas presente na brisa suave, na tranquilidade, na intimidade, no silêncio que ecoa no coração de quem procura a comunhão com Deus. É este o sentido central da mensagem da liturgia deste domingo: Deus é fonte da paz e de tranquilidade. No próprio Evangelho vemos Jesus a retirar-se, depois de um dia cansativo e agitado, para que, ao fim da tarde, presenciando talvez o pôr-do-sol, se encontrasse com seu Pai, para recuperar a força espiritual, para se encher de novo da Graça necessária para dar aos outros, para realizar a obra da

oferta de bens diversos, em descontos significativos, trabalho voluntário de recolha, transporte, selecção e embalamento de todos estes artigos. O carregamento teve lugar sexta e sábado últimos com uma bela equipa de voluntários que demoraram praticamente 24 horas a encher os dois contentores, praticamente tudo à mão. A diversidade da carga e o desejo de aproveitar todos os espaços levou a tão demorado processo que valeu a pena pois conseguimos enviar tudo o que estava nas listas. Os contentores seguiram já para Lisboa em camião, donde seguirão de barco para Luanda e daí para o Sumbe, de novo em camião. Um grande bemhaja a todas as pessoas que tornaram possível mais este importante passo na caminhada que a nossa missão no Gungo está a dar. Padre Vítor Mira

salvação dos homens. Hoje mesmo lia um extracto da autobiografia de Bono, o vocalista dos U2, na qual diz que a descoberta da Graça transformou a sua vida, ao sentir que Deus quer viver em ligação profunda com os homens e que o Seu amor vence a nossa incapacidade de alcançar a perfeição e as nossas faltas, um amor revelado na doação total de Cristo na Cruz. Depois do encontro com o Pai, Jesus vai ao encontro dos discípulos, no meio do lago, e diz-lhes: “Coragem! Sou eu, não temais.” Ainda hoje Jesus nos continua a repetir esta frase. E nós, muitas vezes, fugimos dele, com medo dos trovões e do papão. E quanto mais fugimos mais perdidos estamos, no oceano imenso do vazio da vida, ou na floresta de bens que nos cercam, nos enleiam e nos tapam a claridade com as suas ramagens frondosas, no meio do barulho que ecoa, anunciando felicidades a todo o passo, mas que nos confundem, como gritos num labirinto.


ECLESIAL • PORTUGAL 11

O Mensageiro 04.Agosto.2011

JSF preparam actividades missionárias

«O que mais trazemos é o sorriso e alegria» As comunidades angolanas de Kalandula e São João de Lobito e os concelhos portugueses de Beja, Bragança, Castro Daire e Moimenta de Beira foram destinos de iniciativas missionárias protagonizadas pelo grupo católico Jovens Sem Fronteiras (JSF). Onze pessoas do movimento ligado à congregação religiosa dos Missionários Espiritanos partiram para Angola com o objectivo de trabalhar em Kalandula, centro-norte do país, região que sofreu as consequências da guerra civil, revela uma nota enviada à Agência ECCLESIA. O comunicado adianta que alguns membros dos JSF pertencentes à paróquia da Foz do Sousa, em Gondomar, diocese do Porto, vão trabalhar em Agosto na sua ‘gémea’ angolana, São João do Lobito, no litoral centro do território. “O que mais trazemos é

o sorriso e alegria. É a melhor prenda que se pode receber”, diz Inês Santos, que participou em três iniciativas missionárias dos Jovens Sem Fronteiras no Brasil e em Portugal (Norte e Alentejo). Em declarações ao programa da ECCLESIA na Antena 1, a bióloga de 26 anos salienta que volta a casa “muito entusiasmada” por querer partilhar o que vive, acrescentando que “sobretudo quando se parte para longe regressa-se com um espírito ainda mais missionário”. Em 2010 esteve um mês na periferia de Belo Horizonte, capital do estado brasileiro de Minas Gerais: “Visitámos idosos e pessoas acamadas, e a fé deles, apesar das dificuldades, nunca acabava”, testemunha Inês Santos, pertencente à paróquia do Barreiro, diocese de Setúbal. “Eles têm uma fé muito

grande. Foi o que mais trouxe do Brasil”, acrescenta a investigadora, que este ano retorna ao Alentejo num grupo composto por 16 jovens e um padre: “Vamos trabalhar na área da pastoral, participando na eucaristia e animando vigílias, terços e procissões”. Da sua primeira experiência alentejana, a missionária recorda que havia “menos participação” dos fiéis relativamente à semana que passou em Lamego, no Norte, mas “o facto é que ao fim de dez dias as igrejas enchiam”: “Sentimos que fomos fazer qualquer coisa que marcou a população, fazendo com que ela nos quisesse acarinhar e agradecer”. A semana em que Inês vai participar, em Montes Velhos, diocese de Beja, inclui convívio com as crianças e encontros “com as pessoas na rua”, além de visitas ao lar da terceira

idade, uma das atividades preferidas da voluntária, que gosta de passar as tardes com idosos: “Eles ficam contentes por ter alguém mais novo que as ouça”. “Recebemos mais do que damos”, reconhece Inês Santos, que também valoriza a aprendizagem da vida comunitária, inerente às iniciativas dos Jovens Sem Fronteiras, através da troca de experiências, partilha dos mesmos bens e realização comum de tarefas. As paróquias de Izeda (Bragança), São Joaninho (Castro Daire) e Montes Velhos (Aljustrel) completam, em Agosto, o programa dos JSF, movimento que vai estar na Jornada Mundial da Juventude, de 16 a 21 desse mês, em Madrid, com a presença de jovens integrados nas suas dioceses de origem.

DR

Semana de estudos da Acção Católica Rural

pela Casa do Oeste e conta com a participação de mais de 30 pessoas, sobretudo famílias que disponibilizaram o seu período de férias para abordar esta temática. “Esperamos que venham com espírito aberto e que quando regressarem às suas terras comecem a fazer alguma coisa, na sua rua, no grupo de amigos, nas associações a que pertencem, para tornar a socie-

dade mais justa e solidária”, sublinha Luís Nunes. Para além de um maior colectivismo, a ACR considera que o contexto actual pede uma dose suplementar de proactividade, para que não se desaproveitem algumas das boas oportunidades que se têm aberto na região, sobretudo ao nível do sector agrícola. Segundo o membro da equipa diocesana do mo-

Dois mil jovens com Patriarca de Lisboa

50 anos de sacerdócio

Mais de 2000 jovens vão estar presentes na celebração eucarística presidida por D. José Policarpo a 15 de Agosto, dia em que celebra os 50 anos de ordenação sacerdotal, revela o site do patriarcado de Lisboa. A missa vai decorrer no dia 15 de Agosto, pelas 16h00, no Mosteiro dos Jerónimos, e é considerada “o ponto alto” das comemorações do jubileu sacerdotal do cardeal lisboeta. No local vão marcar presença os 2017 jovens que a diocese leva às Jornadas Mundiais da Juventude, de 16 a 21 deste mês, em Madrid. O dia 20 de Agosto será “o momento para juntar família, conterrâneos, amigos e o clero do patriarcado” em Alvorninha, terra natal de D. José Policarpo, nas Caldas da Rainha. Do programa consta a celebração eucarística ao ar livre, às 12h00, naquela localidade, seguida de almoço convívio. A 9 de Outubro realiza-se na Escola Salesiana do Estoril o encontro com as famílias, que está a ser preparado pelo Sector da Pastoral Familiar da diocese de Lisboa. A concluir este tempo de comemorações, o cardealpatriarca vai presidir, no dia 25 de Outubro, aniversário da dedicação da catedral, a uma concelebração que reunirá o colégio episcopal e clero, seguindo-se depois uma refeição no Seminário dos Olivais, Lisboa. Padre desde 15 de Agosto de 1961, D. José Policarpo foi ordenado bispo em 1978 e é patriarca de Lisboa desde 1998, após a morte de D. António Ribeiro, tendo sido nomeado cardeal em 2001, por João Paulo II.

Diocese do Porto

Famílias buscam soluções de «mudança» A Acção Católica Rural (ACR), ligada à Igreja Católica, iniciou, no dia 1 de Agosto uma semana de reflexão sobre o papel que cada pessoa poderá ter na “mudança” do país, a nível económico, social e cultural. A iniciativa está a decorrer na Lourinhã, uma zona na qual “as dificuldades da crise mais se têm feito sentir, com a queda abrupta na construção civil e no comércio a deixar muita gente desempregada”, de acordo com Luís Nunes, da equipa diocesana da ACR, em Lisboa. “As pessoas dizem que isto está mau, que é preciso mudar, mas não se questionam sobre o que é que podem fazer para que a mudança aconteça, há cada vez mais individualismo e os problemas colectivos são deixados apenas à responsabilidade do Estado”, lamenta aquele responsável, em declarações prestadas à Agência ECCLESIA. A 36ª edição desta Semana de Estudos é acolhida

BREVES

vimento, “também aqui há uma reflexão a fazer, de considerar o trabalho agrícola como digno e uma opção de futuro para as pessoas”. No próximo ano, esta associação de leigos católicos conta realizar um encontro sobre “as dificuldades e potencialidades do Oeste”, no sentido de identificar mais opções de desenvolvimento para a região.

Cáritas distribui 20 toneladas de alimentos A Cáritas Diocesana do Porto está a distribuir cerca de 20 toneladas de produtos alimentares desde o dia 2 até ao próximo dia 5 deste mês, informou a organização católica, em comunicado, num apoio três vezes superior ao do ano anterior. Segundo os responsáveis pela instituição, a iniciativa visa a “a ajuda directa a 312 famílias, num total de 838 pessoas”, acrescentando que o número de agregados familiares apoiados “quase triplica em relação ao ano de 2010”. Os géneros alimentares provêm do Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados – PCAAC. “Na conjuntura socioeconómica actual, a Cáritas Diocesana do Porto entende que é importante salientarem-se todas as iniciativas de ajuda às pessoas que se encontram em situação de pobreza, carência e/ou exclusão social”, assinala o comunicado enviado à Agência ECCLESIA. Os cabazes alimentares são constituídos por 20 produtos distintos, incluindo arroz, massas, farinha, leite, bolachas, cereais, queijo e manteiga. “A constituição de cada cabaz tem por base o número de elementos de cada agregado familiar e também as suas idades”, precisa a Cáritas. A organização católica de solidariedade e ajuda humanitária refere que vai continuar a “apoiar mais de 200 famílias, com a distribuição de cabazes mensais, compostos por produtos equiparados aos que integram o referido Programa Comunitário”, a expensas da própria instituição. Durante a primeira fase da operação de distribuição dos cabazes alimentares, a Cáritas destaca a “colaboração de um grande número de voluntários e voluntárias”, para além da cedência de um espaço para armazenamento dos bens alimentares.


12 ECLESIAL • MUNDO

«Jovem Guarda Suíça» vai receber Bento XVI Cerca de 60 jovens espanhóis vão receber Bento XVI em Madrid, no próximo dia 18 de Agosto, trajados com a farda da “Guarda Suíça”, corpo militar responsável pela segurança do Papa, revelou a agência Fides, do Vaticano. A iniciativa decorre no âmbito da próxima edição das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), que a cidade espanhola organiza entre 16 e 21 de Agosto, Madrid, tendo como tema a frase “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” De acordo com o director desta “Jovem Guarda Suíça”, trata-se de uma iniciativa “nascida a partir do afecto pelo Papa, em particular de João Paulo II, aquando da sua primeira visita a Espanha, em 1982”. Desde essa data, sempre que Karol Wojtyla passou por aquele país, em 1993 e 2003, foi acompanhado por aquele grupo especial. Na confecção dos uniformes para este ano foram utilizados cerca de 450 metros de tecido e 4200 metros de fita, envolvendo um total de mais de 5 mil horas de trabalho.

Nova aplicação informática dedicada a João Paulo II O Vaticano apresentou uma nova aplicação informática para os participantes na próxima edição das JMJ. A «GPII» toma o nome do Papa João Paulo II (iniciais em italiano), fundador das JMJ, e destina-se a dispositivos móveis como iPhones, entre outros. Esta aplicação está disponibilizada em cinco línguas, incluindo o português, oferecendo, segundo o serviço de informação do Vaticano, “ampla documentação sobre a história de todas as JMJ, programas, orientação por GPS, etc.”. Entretanto, através do site www.pope2you.net, os participantes nas próximas JMJ podem convidar os seus amigos para a edição de Madrid, através do envio de cartões electrónicos para endereços de correio electrónico ou directamente para qualquer perfil criado nas redes sociais. Este site está também a preparar o chamado ‘Book of Faces’, livro de rostos, que será lançado alguns dias antes das JMJ 2011, com as fotos que os participantes enviarem.

Arquitectura vai ser branca, «efémera» e «económica» Os cenários para as celebrações com mais participantes a que Bento XVI vai presidir durante a JMJ vão ser brancos, efémeros e económicos. As decorações, “jovens, alegres e modernas”, pretendem “sublinhar a presença do Papa entre os mais de um milhão de jovens que se esperam em Madrid”, explicou o autor dos cenários, Ignacio Vicens, citado pelo site da JMJ. O arquitecto optou pelo branco para as decorações que os peregrinos e o Papa vão encontrar na Praça Cibeles e no aeródromo de Cuatro Vientos, cor que oferece a possibilidade de receber projecções e jogos de luzes. Na Praça Cibeles, um dos locais mais emblemáticos da capital espanhola, o cenário procura respeitar o edificado, referiu Ignacio Vicens, que na segunda-feira apresentou simulações das suas criações. No aeródromo vai ser instalada uma superfície de 200 metros contendo “uma grande montanha onde se sentará o Santo Padre, debaixo da sombra de uma árvore metálica”, além de motivos que servem de ponto de referência para os jovens, o coro e a orquestra.

04.Agosto.2011

Papa quer mais do que noções «culturais e técnicas»

Novas gerações precisam de «amor» Bento XVI afirmou que o “crescimento das novas gerações” não depende apenas de “noções culturais e técnicas”, numa mensagem divulgada pelo Vaticano. Segundo o Papa, os jovens precisam “sobretudo de amor, que vence o individualismo e o egoísmo”, tornado as pessoas atentas às necessidades dos outros, mesmo “quando não se pode receber nada em troca, especialmente agora”. A saudação papal enviada à congregação dos reli-

giosos somascos, fundada no século XVI, sublinha que “a juventude, sobretudo a que se encontra em dificuldades, não pode ser deixada só”. “Deus tem os seus planos, mesmo quando não conseguimos compreender as suas disposições”, observou. Na mensagem, o Papa aludiu à libertação da cadeia, há 500 anos, do fundador deste instituto católico, o padre Jerónimo Emiliani, atribuída pela tradição à

intervenção miraculosa da Virgem Maria. Este acontecimento, refere Bento XVI, modificou “o curso de uma vida humana e deu início a uma experiência de vida consagrada muito significativa para a história da Igreja”. Os somascos dedicamse, em particular, à área da educação, junto de crianças e jovens, seguindo as indicações do seu fundador, recordado pelo Papa por causa do seu serviço aos “órfãos, doentes e abando-

nados”. “A atenção à juventude e à sua educação humana e cristã”, escreve, “continua a ser um compromisso da Igreja”. Bento XVI conclui desejando que os católicos estejam atentos a “qualquer pobreza da juventude, moral, física, existencial, e acima de tudo à pobreza do amor, raiz de qualquer problema humano sério”.

Morreu núncio apostólico nos EUA

D. Pietro Sambi serviu a diplomacia da Santa Sé O arcebispo italiano D. Pietro Sambi, de 73 anos, faleceu no dia 27 de Julho nos EUA, país onde desempenhava as funções de núncio apostólico (embaixador da Santa Sé), anunciou o Vaticano. O prelado, que serviu a diplomacia da Santa Sé durante mais de quatro décadas, tinha sido submetido a uma cirurgia pulmonar e o seu estado de saúde agravou-se nas duas últimas semanas, tendo falecido no Johns Hopkins Hospital de Baltimore.

distinguira-se antes como representante diplomático do Papa em Jerusalém e na

Palestina. O funeral vai ter lugar na basílica nacional da Imaculada Conceição, de Washington DC, no dia 6 de Agosto. “Como núncio em Israel e delegado apostólico para a Palestina, desenvolveu um intenso trabalho em favor dos cristãos da Terra Santa”, assinala a Rádio Vaticano, a respeito do falecido arcebispo italiano. Argélia, Bélgica, Burundi, Camarões, Chipre, Cuba, Índia, Indonésia e Nigéria foram outros dos países por onde passou D. Pierto Sambi, desde 1969.

de facto, convidados neste mês a encontrar um pouco mais em profundidade a sua relação com Deus e consigo, através do jejum, da oração”, indica. Este é o primeiro Ramadão depois da chamada “primavera árabe” que abalou os regimes de vários países do norte de África e do Médio Oriente desde o início do ano. D. Pier Luigi Celata considera “natural” o desejo de “novas estruturas institucionais” que sejam “expressão de um autêntico respeito pela dignidade de cada pessoa e dos seus

direitos fundamentais”, uma aspiração que diz ser partilhada pelos cristãos, em primeiro lugar no que se refere a uma “efetiva liberdade religiosa”. “As comunidades cristãs presentes no mundo árabe partilham plenamente os desejos, as preocupações, o compromisso próprio de todos os cidadãos desses países”, indica este responsável. Todos os anos, no final do Ramadão, o ‘Id al-fitr’, o CPPDIR escreve uma mensagem endereçada aos muçulmanos de todo o mundo.

DR

JMJ 2011

O Mensageiro

Nomeado núncio nos EUA por Bento XVI, em 2005, D. Pietro Sambi

Santa Sé saúda mundo muçulmano

Início do Ramadão O secretário do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso (CPPDIR), organismo da Santa Sé, manifestou, no dia 1 de Agosto, a “proximidade espiritual” da Igreja Católica ao mundo muçulmano, no início do Ramadão. “Aos nossos irmãos muçulmanos asseguramos, acima de tudo, a nossa proximidade espiritual, formulando o desejo que possam realizar tudo o que o seu coração de crentes em Deus deseja para eles mesmos e para todos os homens, como, por exemplo, uma maior atenção aos pobres

e marginalizados, o respeito pela vida humana e a paz”, disse à Rádio Vaticano o arcebispo italiano D. Pier Luigi Celata. O Ramadão, nono mês do calendário islâmico e período de jejum para centenas de milhões de muçulmanos, começou hoje, lembrando em particular a obrigação da oração e da solidariedade para com os pobres. Para o secretário do CPPDIR, este é um mês “particularmente importante, na dimensão pessoal e familiar, mas também na dimensão social”. “Os muçulmanos são,


OPINIÃO 13

O Mensageiro 04.Agosto.2011

TESTEMUNHAS DO AMOR

Pe. Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

Maria José Nogueira Pinto

B

rilhe a vossa luz diante dos homens...” (Mt 5, 16). Estas palavras de Jesus no Sermão da montanha vieram-me espontaneamente à memória quando ouvia os testemunhos sobre Maria José Nogueira Pinto,

ANÁLISE POLÍTICA

Orlando Fernandes Jornalista

Razões radicais

A

revolta nacional contra a Moody’s continua a crescer. Depois do ataque terrorista e cobarde contra a economia portuguesa, multiplicam-se as petições e movimentos na Internet para responder à agência de ‘rating’ na mesma moeda.

aquando da sua passagem para a eternidade. Eram convergentes no elogio ao modo como esta mulher cristã soube viver e agir. O seu último texto, “Nada me faltará”, publicado já depois da morte, mais do que testamento foi a revelação da luz e da força da fé em Cristo que a moveram. Maria José Nogueira Pinto nasceu em Lisboa, no ano de 1952. Tirou o curso de direito, casou com Jaime Nogueira Pinto e teve três filhos. Conheceu o exílio e a experiência dos campos de refugiados. Fez investigação, exerceu vários cargos em instituições públicas e privadas, empenhou-se na política e foi deputada no parlamento português. Interveio na comunicação social expondo e defendendo valores, convicções e ideias para o bem dos cidadãos e do país. Morreu a 6 de Julho de 2011, aos 59 anos. Viveu e praticou o amor ao seu próximo na família, na vida profissional e na actividade pública. Em jovem aprendeu que o amor é “uma extrema atenção”. E assim o praticou na família e entre os amigos, como testemunha o marido: “Foi essa extrema atenção que pro-

curámos praticar entre nós e estender à pequena tribo que fomos criando: filhos, netos, amigos. Descobrir, perceber, antecipar o que o outro quer, o que lhe faz falta, o que o vai alegrar. E evitar e prevenir o que o pode magoar ou fazer-lhe mal. A Zezinha tinha essa extrema atenção, até ao pormenor”. Também no seu trabalho e nas suas lutas, a Nogueira Pinto era movida pelo amor ao próximo, como revela o marido: “Tinha, naturalmente, o sentido evangélico de atenção aos pobres, aos mais abandonados, aos mais desagradáveis, àqueles que ninguém queria. Neles, via o próximo, a imagem de Cristo”. A fé cristã e os seus valores eram a fonte quer do seu viver quer dos seus empenhos, como explica ainda o marido: “Essa fé viva, animada por uma oração e uma prática constantes, inspirava o seu pensamento social, uma exigência funda de justiça que não era a caridade bem ordenada e doseada dos convidados ociosos da existência, nem a solidariedade dos tecnocratas do ‘combate à exclusão’. Era um cristianismo social, em que procurava servir o pró-

ximo, no realismo do estudo das situações de pobreza e de carência que conhecia e procurava conhecer de perto – como directora da Maternidade Alfredo da Costa, como provedora da Santa Casa da Misericórdia, como vereadora da Câmara de Lisboa”. Com a mesma viva fé que sempre a acompanhou, soube amar a vida e por fim desprender-se dela, quando chegou a doença implacável. É ainda o marido a contar: “Primeiro, não teve medo. (...) O Cristo das Bem-Aventuranças em que sempre acreditou, o amigo de Lázaro, não a abandonou. Fez tudo o que tinha de ser feito para tratar-se, submeteu-se disciplinada e animosamente à dureza dos tratamentos, à procura de alternativas. Com uma serenidade, uma doçura, uma preocupação de não nos preocupar ou sequer de nos ocupar muito. Foi estóica e heróica, mas a sorrir, lúcida, sem ressentimento nem revolta, aceitando o que achava que agora lhe era exigido. E mantendo todas as rotinas da normalidade, das suas ocupações”. Vasco Graça Moura, embora não crente, exterioriza

a marca que esta mulher lhe deixou: “Impressionou-me profundamente a maneira como ela transfigurou a sua educação católica numa experiência pessoal e muito intensa de intimidade com o sagrado e esta em código de conduta moral e norma de actuação prática na vida de todos os dias. Fiquei com a ideia de que a crença cristã foi por ela interiorizada de tal maneira que tornou cada acto da sua vida numa profissão de fé e num exercício de alegria íntima. (...) Ficou-me também a impressão de que a palavra de Deus em que acreditava - e por isso queria, sabia e conseguia vivê-la como alimento espiritual quotidiano - lhe era, ao mesmo tempo, condição e explicitação constantes de uma plena realização pessoal, na própria ascese que procurava para o seu itinerário, na compreensão tolerante do próximo, nos valores da solidariedade e da cidadania, na firmeza com que defendia os princípios que para ela valiam na vida pessoal e na sociedade”. Mais significativo ainda é o seu testemunho. No artigo acima mencionado revela as suas motivações e convicções. Viveu a po-

Facilmente percebemos que estamos a atirar paus contra blindados. As agências de ‘rating’ estão noutro campeonato, jogam na divisão da economia global e Portugal não tem força para atingir as Mood’s ou para mudar as regras do jogo. O sentimento de injustiça que impera por cá é legítimo mas não deve toldar a objectividade no ataque aos problemas da economia, nem deve degenerar na desmoralização das pessoas. Independentemente das decisões das agências de ‘rating’, é preciso cumprir o que está determinado com a ‘troika’. Não se pode facilitar um milímetro na correcção dos desequilíbrios da economia portuguesa, sobretudo ao nível do défice e do endividamento do Estado. Há quem faça uma pergunta perigosa: para quê

suportar mais sacrifícios, se no final Portugal continua a ser castigado pelas agências de ‘rating’, pelos investidores e tem de pagar um financiamento cada vez mais caro? A pergunta parece fazer sentido mas mistura várias questões. Portugal chegou a esta situação de pré-falência por culpa própria. Não foram as agências de ‘rating’ que adoptaram as más decisões de política económica. Portanto, temos que fazer a nossa parte para resolver os problemas e relançar o crescimento económico, sem o qual Portugal está definitivamente condenado. E as medidas que o Governo ainda tem para anunciar vão ser duras. Depois há a dimensão de política internacional, onde Portugal deve actuar, mas que não exclui a anterior. Obviamente que o Governo deve pressionar, na União Europeia, para

que as agências de ‘rating’ sejam controladas e para que haja uma resposta comunitária para a crise. A decisão da Moody’s tornou ainda mais evidente que alguns problemas financeiros de Portugal resultam das fraquezas da União Europeia. Há uma parte da crise que já não está nas nossas mãos. A incapacidade de ter um plano de ataque coordenado, estruturado, claro e forte aos problemas de financiamento dos países periféricos está a empurrálos para o precipício. Em vez de uma corda para nos tirar do buraco, os líderes europeus, com os seus ziguezagues, estão a atirarnos areia para cima. A questão das agências de ‘rating’ é só mais um exemplo. Desde o rebentar da crise do ‘subprime’ que se discute a criação de uma agência europeia ou legislação mais apertada para

controlar o trio de agências anglo-saxónicas. Resultados? Nada. A União Europeia está bloqueada. A medir pelo coro de protestos internacionais contra a decisão da Moody’s, pode ser que seja desta. Para já fica a decisão do Banco Central Europeu que permite que os bancos nacionais mantenham o seu único financiamento. A actual crise é a mais profunda e complexa dos últimos cem anos porque Portugal terá de mudar a estrutura da economia para relançar o crescimento económico, mergulhado em dívidas e no meio de uma Europa perdida no seu labirinto. Não vai ser fácil, mas não podemos desistir só porque enfrentamos fortes ventos contra.

lítica, como aprendera em família, “com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria”, procurando agir com justiça e solidariedade. Em toda a sua vida, sentiuse amparada e guiada por Deus: “Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé. Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor. Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.” A luz que havia nesta mulher brilhou diante dos homens e estes reconheceram-na. Por isso, admiraram a grandeza e autenticidade da sua vida.

OMENSAGEIRO Diferentes meios, o mesmo compromisso: (in)formação diferente


14 OPINIÃO

O Mensageiro 04.Agosto.2011

A

Grã-Bretanha está envolvida num escândalo terrível. Isso não é propriamente novidade, mas desta vez há algo inesperado: a queda de um diário sensacionalista. Nunca antes os maus da fita eram jornalistas. O News of the World, fundado em 1843, era o periódico de língua inglesa mais vendido em todo o mundo. O seu fim, a 10 de Julho, revela várias coisas sobre o nosso tempo. O jornalismo de escândalo deste tipo de publica-

ções é desconhecido em Portugal. Apesar das críticas à qualidade da nossa imprensa, ela está vários furos acima do que os tablóides produzem. Não se trata de um traço cultural, porque no liberalismo e na República de há cem anos também cá havia o insulto institucionalizado e a mexeriquice operacional da imprensa de valeta. Mas hoje os portugueses não compram este tipo de lixo. A cena britânica inclui o melhor e o pior no jornalismo mundial, numa cultura

de abertura e liberdade que tudo permite. É muito curioso notar também que o pecado que eliminou o News não foi nenhuma das barbaridades que cometeu ao longo dos anos. Não morreu por causa da chantagem, maledicência, calúnia e destruição de carreiras. Nem sequer foi o uso de escutas ilegais e subornos, que já tinha sido denunciado há dois anos quase sem efeitos. A queda súbita veio quando se soube que as práticas também atingiram vítimas

de terrorismo ou familiares de soldados. A indignação só surgiu quando os alvos de espionagem foram, não famosos, mas membros do público. Alguém que poderia ser um dos leitores. Aí o jornal perdeu tudo. Outro elemento essencial é que este caso não representa uma redução do poder da imprensa, senhora suprema da sociedade mediática. Não foi a polícia, o Governo ou os tribunais a denunciar o caso, mas o The Guardian em Julho de 2009. Fundado em 1821, é PUB

CEDILE Telefone 244 850 690 ECOGRAFIA / DOPPLER / ECOCARDIOGRAFIA TAC / MAMOGRAFIA / RX / OSTEODENSITOMETRIA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA ARTICULAR Telefone +351244850690 / Fax 244850698 Largo Cândido dos Reis, Nº 11 / 12 • 2400-112 LEIRIA

F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes

Rua João de Deus, 25- 1º Dt. - LEIRIA CONSULTAS COM HORA MARCADA 2ª, 4ª e 5ª: 11h-13h e 15h-19h, 3ª: 10h-13h e 15h-19h, Sábados: 9h30-15h Tel. 244 832406

Instituto Euro-Americano De: Investigação, diagnóstico e tratamento clínico de doenças nervosas e mentais

DR. FERREIRA DO VALE (MÉDICO ESPECIALISTA)

CONSULTAS DE NEUROPSIQUIATRIA

P/ Comparência ou Marcações - Tels. 244 811857 / 244 812441 Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, 79 - 1º - F 2400 LEIRIA

Telemóvel: 917 511 889 Telefone: 244 828 450 Fax: 244 828 580 Rua Machado Santos, n.º 33 2410-128 LEIRIA

Telefones: BARREIROS (sede): 244 840 677 JUNCAL: 244 470 610 Fernando - 919 890 630

ESTOFOS FERREIRA Reparação de estofos em todos os estilos

Homenagem de um amigo

PLACAS DE ESPUMA ESPUMA POR MEDIDA COLCHÕES DE ESPUMA COLOCAMOS PALHINHA EM CADEIRAS

hoje a segunda publicação em inglês mais lida na Net, a seguir ao New York Times, de 1851, que por coincidência foi o segundo a expor o escândalo a 1 de Setembro de 2010. Isto significa que o sacrossanto poder da imprensa se mantém incólume. Aliás, como a Scotland Yard vem acusada de receber subornos do News e o Governo tinha várias ligações ao mesmo jornal, os poderes oficiais estão tão vulneráveis neste como em todos os ataques anteriores desde Watergate. Continua a ser uma luta de notícias contra políticos. E nunca ganham os governantes. O primeiro-ministro foi envolvido porque teve ao seu serviço um anterior editor do jornal. Assim ressurge o elemento mais indispensável, mas também o mais estúpido destes processos: todos se divertem a atacar o poder, obcecados com os detalhes do caso, esquecendo o bem público, os problemas nacionais, o futuro do país. Nestes momentos a sociedade mediática torna-se infantil, quase demente. Mesmo que as piores suspeitas se confirmassem, que pode isso valer em comparação com o normal funcionamento das instituições democráticas? Outro elemento insólito é o principal suspeito, o magnata Keith Rupert Murdoch, dono do jornal. O bilionário australiano de 80 anos, que do nada construiu um enorme império mediático, é conhecido pela sua agressividade, nos negócios e nas publicações, e naturalmente fez muitos inimigos. A humilhação pública de alguém que há semanas era todo-poderoso soa a justiça poética.

RECORTES

João César das Neves Economista

Pecado mortal de tablóide* Julgamos contemplar a fragilidade do poder, que rapidamente se esvai. Mas a economia não tem a vulnerabilidade mediática da política e o império empresarial sobreviverá quase intacto. O problema realmente curioso, deste como de tantos outros casos semelhantes, está na sua razão profunda. Por que motivo o cidadão contemporâneo, supostamente tão tolerante e relativista, se torna por vezes moralista fanático, com contornos inquisitoriais? Como conciliar esta mistura incongruente de laxismo e severidade? O News of the World cometeu as tropelias mais infames durante décadas perante o aplauso geral. Agora cai sob a censura generalizada sem perceber bem porquê. Esta história vem envolvida em contradição, manipulação e hipocrisia. Como eram as notícias do News of the World. * In DN (01/08/11)

Tel.: 244 823 666 Telm.: 934 298 892 • 919 589 310 • 964 262 046 Rua Manuel António Rodrigues, N.º 2 • LEIRIA

FARMÁCIAS DE SERVIÇO Sanches (4), Tomás (5), Maio (6), Avenida (7), Baptista (8), Central (9), Godinho Tomáz (10 ) e Higiene (11).

TELEFONES ÚTEIS

Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te

Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244

832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo (CP7104), Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2011 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 04.Agosto.2011

Futebol | U. Leiria muda-se para a Marinha Grande

Três épocas, três relvados sintéticos A Câmara da Marinha Grande e a União Desportiva de Leiria, Futebol, SAD assinaram, a 29 de Julho, o protocolo de utilização do Estádio Municipal da Marinha Grande para as épocas desportivas de 2011/2012, 2012/2013 e 2013/2014. O acordo foi assinado entre o Presidente da Câmara da Marinha Grande, Álvaro Pereira; e o Presidente e o Vogal do Conselho de Administração da União de Leiria, João Bartolomeu e Mário Vieira da Cruz, respectivamente. O Município estabeleceu a parceria uma vez que, no âmbito das suas atribuições, pretende contribuir para o desenvolvimento económico, social, cultural e desportivo do Concelho da Marinha Grande e da Região de Leiria, assumindose a actividade de futebol profissional como um dos meios privilegiados para esse efeito. O Município e a União de Leiria SAD têm como objectivo a dinamização e o desenvolvimento de actividades desportivas no concelho da Marinha Grande - Distrito de Leiria, actividades essas a serem desenvolvidas nomeada-

mente por intermédio do Estádio Municipal da Marinha Grande, constituído por dois campos relvados, o principal e o de apoio, ginásio, gabinete de fisioterapia, balneários, lavandaria e rouparia, posto médico, gabinetes, auditório, sala de imprensa, bancadas, tribuna presidencial, tribunas e camarotes para a comunicação social e gabinetes para os árbitros e delegados técnicos. Construção de campos relvados sintéticos Como contrapartida pela cedência do Estádio Municipal da Marinha Grande, a União de Leiria SAD compromete-se a disponibilizar e instalar um relvado sintético de quarta geração, com medidas oficiais, por cada época desportiva em que vigore o contrato, em local a indicar pelo Município. As condições prévias do espaço físico onde ocorrer a instalação devem ser asseguradas pelas entidades beneficiárias. A instalação de cada relvado sintético será assegurada pela União de Leiria SAD, respectivamente até aos dias 31 de Agosto de

2011, 31 de Agosto de 2012 e 31 de Agosto de 2013. A instalação dos relvados sintéticos só se tem por concluída no momento em estes se encontrem aptos para utilização. O Município tem direito à utilização e exploração de todos os lugares do Estádio fora do período de realização dos jogos de futebol que a equipa profissional da União de Leiria realizar e, durante o período dos referidos jogos, dos lugares definidos no presente contrato. Condições da utilização do estádio O protocolo estabelece também outras cláusulas para a utilização e exploração do Estádio Municipal da Marinha Grande, por parte da União Desportiva de Leiria. As obras de melhoramento necessárias na época desportiva 2011/ 2012, identificadas para a adequada utilização por parte da União de Leiria SAD daquele estádio municipal, custos e encargos associados à realização das obras regulamentarmente impostas pelas entidades que superintendem o fu-

PUB

tebol (FPF, LPFP e UEFA), serão integralmente assumidos pelo Município. Caberá à Câmara Municipal garantir a manutenção do relvado do Estádio. O estádio irá ser utilizado para todos os jogos de futebol daquela equipa de futebol profissional, em quaisquer competições, oficiais ou particulares, nacionais ou internacionais, incluindo o jogo de apresentação da equipa no início de cada época. As utilizações semanais dos relvados escolhidos pela União de Leiria para efectuar as suas sessões preparatórias da competição, devem ter em conta as condições técnicas em que os mesmos se encontrem. Podem ser utilizados outros espaços desportivos do Município, existentes ou projectados, para a realização de treinos e jogos de futebol, desde que sejam salvaguardadas as condições da prática desportiva, mediante prévio acordo entre as partes. A União de Leiria SAD é a entidade responsável pelo cumprimento de todos os requisitos legalmente exigidos relativamente à segurança de todos os jogos,

FOTOJORNALISMOS

Nulo na apresentação | U. Leiria x Olhanense (0-0) foi o resultado do jogo que serviu de apresentação do plantel da equipa leiriense para a nova época. O Estádio da Marinha Grande (31 de Julho), foi o palco do jogo. Foto: João Filipe Matias

pelo sistema de emissão e controlo das acreditações de acesso ao Estádio Municipal da Marinha Grande, quer em dias de jogo, quer nos dias em que não ocorram jogos, neste último caso com excepção dos trabalhadores do Município. A União de Leiria assegura que as entidades responsáveis pela transmissão televisiva dos jogos disputados no Estádio Municipal da Marinha Grande utilizem, obrigatoriamente, a infra-estrutura existente para o efeito. Todas as receitas relativas às transmissões televisivas dos jogos disputados pela equipa profissional de futebol da União Desportiva de Leiria – Futebol, SAD no âmbito da “Liga Zon/Sagres”, da Taça de Portugal e da Taça

Atletismo | Campeonato de Portugal

Estaf(et)a de títulos

Diogo Marouco, João Moniz, Artur Koshchuk e Diogo Santos (4x100 metros planos), Verónika Zhukova, Cátia Ferreira, Daniela Ferreira e Sara Martins (4x100 metros planos), e Diogo Marouco, João Moniz, Diogo Santos e Tiago Silva (4x400 metros planos) constituíram as estafetas vencedoras, Juventude Vidigalense (JV), no Campeonato de Portugal, que decorreu Estádio Universitário de Lisboa, nos dias 30 e 31 e Julho. Ao ouro o clube leiriense juntou ainda bronze, também com uma equipa de estafetas. Cátia Ferreira, Carine Moreira, Marta Mendes e Sara Martins (4x400 metros planos) subiram ao último lugar do pódio, numa prova ganha pela quadra da A.D.R.E. Palhaça (Oliveira do Bairro). O mesmo lugar alcançou o vidigalense Diogo Santos (400 metros com barreiras), numa prova ganha por Jorge Paula (Benfica). Destaque ainda para os títulos das leirienses Vânia Silva (Sporting), no lançamento do martelo, e Irina Rodrigues (Sporting), no lançamento do disco.

da Liga pertencem, em exclusivo, à União de Leiria, SAD. A totalidade da publicidade na zona imediatamente adjacente ao recinto de jogo (primeira e segunda linhas) que não esteja abrangida pelo contrato referente às transmissões televisivas, durante a realização dos jogos de futebol da União de Leiria é exploração exclusiva desta. No estádio e no local onde se realizarem as conferências de imprensa deve existir publicidade institucional ao Município expressa e visível.

Futebol | Leiria

Beneditense sobe Na sequência da desistência da U.D. Serra (Santa Catarina da Serra, Leiria), que assim não irá participar na III Divisão 2011/12, ficou em aberto um lugar para outra equipa da Associação de Futebol de Leiria (AFL). Este será ocupado pela A. Beneditense C.D., que terminou a Divisão de Honra da AFL 2010/11 no 2.º lugar, atrás do Ginásio de Alcobaça, que já tinha garantido, por direito próprio, um lugar na III Divisão. Esta decisão foi anunciada pela AFL no seusite (afleiria.com), dia 1 de Agosto, que adiantou ainda que o lugar deixado agora em aberto pelo Beneditense será ocupado pelo C.C. Ansião (14.º lugar na Honra da AFL 2010/11), que assim não desce de divisão.


ÚLTIMA 04AGOSTO2011

Vinde após mim, e farei de vós pescadores de homens. Jesus Cristo

A pesca para além de ser uma das principais actividades económicas foi papel fundamental na origem da Vila “Vai, vai! Vai que é rasa!”. É esta a expressão mais utilizada pelos pescadores da Praia da Vieira que serve de sinal para entrar com o barco no mar. O acto de colocar o barco no mar é muito importante porque tem de acontecer num momento específico, quando vem a “rasa”. A “rasa” é um período de tempo, muito curto, quando existe uma pausa na formação de ondas. É um momento em que o mar fica “liso”, e é neste instante que os pescadores aproveitam para colocar a embarcação no mar. É uma situação que exige experiência para saber qual o melhor momento para entrar no mar. São minutos que exigem grande concentração e esforço por parte dos pescadores, porque ao mínimo deslize ou hesitação, pode dar-se um acidente. A arte xávega é um tipo de pesca que é praticado na Praia da Vieira. É uma pesca de arrasto, em que o barco sai de terra, deixando uma corda que está sempre em contacto com o barco. Este distancia-se da costa para largar as redes. Depois de

deixadas as redes, regressa para terra, sendo as redes puxadas até à praia. Pescador há 20 anos, Luís Domingues de 38 anos, dono de três embarcações, afirma que a vida de pescador é muito complicada e que os pescadores desta região estão muito limitados para praticarem a sua actividade profissional. Para além dos obstáculos que a própria vida de pescador impõe, os pescadores deparam-se ainda com dificuldades no que diz respeito aos meios que têm disponíveis. O pescador, Luís Domingues, defende que há falta de meios para os pescadores desempenharem a sua profissão. Andar no mar exige muita atenção e concentração, os acidentes acontecem quando menos se espera, e com o mar todo o cuidado é pouco. Para além de todo cuidado que é necessário para lidar com o mar, a arte de pescar implica também um sacrifício por parte dos pescadores. O pescador João Duarte, de 26 anos, afirma que uma

DR

A arte xávega da Praia da Vieira

das maiores dificuldades é levantar-se às “5h00 para ir para o mar”. Acrescenta ainda que integrou a vida de pescador “para ganhar algum dinheiro extra” de forma “a ajudar nas despesas”. Para o pescador João Duarte, quando “ as coisas correm bem, tem-se uma sensação de êxito” e esta sensação faz com que se supere todas as dificuldades que a actividade de pescador implica. Na Praia da Vieira, as principais diferenças entre a pesca actual e a pesca praticada antigamente, tra-

duzem-se na substituição dos remos pelo motor e os tractores substituem os animais e os homens no acto de puxar as redes. Registou-se uma evolução através do uso de motores na pesca, mas os barcos e as redes que são utilizadas são praticamente as mesmas. Praia de Vieira A Praia da Vieira pertence à freguesia de Vieira de Leiria e ao concelho da Marinha Grande. A actividade piscatória teve um papel fundamental na

origem da Praia da Vieira, porque foi um dos principais factores de fixação populacional. Esta zona do litoral tornou complicado a fixação de populações devido à acção do mar, do vento e das areias. Devido a estas dificuldades, o Reino, incentivou a prática da actividade de redes de arrasto que permitiu a formação de pequenas comunidades de pescadores. A actividade piscatória gerou outras actividades económicas à sua volta, como o comércio local de pescado e o desenvolvimen-

to de um serviço de restauração à base de peixe. São actividades como esta que permitem à Praia da Vieira manter-se como uma zona de atracção turística. Actualmente, têm sido notórias as restrições colocadas à pesca artesanal, o que faz com que se percam tradições e comportamentos que estiveram na origem desta localidade com fortes raízes piscatórias. Os locais e o património que se destacam na Praia da Vieira são: a Capela da Praia da Vieira, as casas típicas, pequenas e construídas em madeira e o Rio Liz. As principais actividades económicas são a pesca e o turismo. Ao nível da gastronomia destaca-se a petinga de caldeirada, o carapau ensopado e o arroz de marisco.

Hugo Vieira Aluno do Mestrado Jornalismo e Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Na Praia de Vieira de Leiria, arte xávega todos os verões

Estamos em pleno Verão e nesta altura os pescadores da Praia de Vieira de Leiria, como em outros locais do litoral central Português, lançam as suas redes ao mar, continuando uma prática centenária que remonta aos seus antepassados. É esta a altura ideal para pescar, dado que o mar assim o permite. Passada esta “autorização”, o mar fecha-se de novo, ávaro, e não permite que ninguém se atreva a desafiá-lo para praticar este tipo de pesca. O termo xávega deriva do árabe xxaabbaakkaa, que significa rede e é usado tanto para definir rede para pesca de arrasto, como o próprio barco (de fundo chato) que transporta a rede para o lanço. Pescar não é uma arte. Pescar serve-se de artes. A denominação de Artes (de Xávega) é por isso usada para se referir ao ofício da pesca de cerco de arrasto para terra, tradicional. No passado, foram estas as principais razões que levaram os pescadores da Praia de Vieira de Leiria a procurar no Tejo o

peixe que o mar lhes negava durante quase todo o ano – daí as migrações, em meados do século dezanove, que estiveram na origem da fixação dos pescadores da Vieira no rio Tejo, e mais tarde no Sado. Pode também contemplar nesta zona as antigas casas de madeira dos pescadores - os chamados palheiros - praticamente desapareceram, para dar lugar a hotéis, moradias e condomínios, tal como se encontram em toda a costa Portuguesa. Aproveitando a imagem das fachadas tradicionais dos antigos palheiros, foi construído um aparthotel na praia da Vieira, cuja concepção arquitectónica apresenta interesse turístico. Será porventura o sítio mais interessante para se conhecer. Aproveitando também a maneira tradicional de cozinhar, própria dos pescadores, corre hoje em Portugal uma campanha para eleger o arroz de marisco - à maneira da Praia de Vieira de Leiria - como uma das maravilhas gastronómicas nacionais.

DR

Uma prática centenária

Na avenida marginal construída em calçada portuguesa, encontram-se motivos marítimos. No entanto, o que mais atrai os visitantes é a actividade da pesca de cerco de arrasto para terra. Nos meses de Verão já identificados, a praia enchese de actividade, com a presença de três barcos meia-lua, típicos dos pescadores da Arte – o mais belo barco do mundo,

como alguém diz. Cada qual à vez se faz ao mar, lança as suas redes de acordo com as técnicas ancestrais da Arte e depois recolhem-nas em terra, de acordo com outro ritual ancestral (auxiliado por tractores), normalmente na presença de muitos populares. A operação finda com a recolha do pescado e a sua venda, quer a mercadores, quer na pequena lota da praia.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
4871#OMENSAGEIRO#04AGO by O Mensageiro - Issuu