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4870#OMENSAGEIRO#28JUL

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DESPORTO

28 JULHO 2011

Pequenos gestos que fazem a diferença P. 7

ANO 97 - N.º 4870 FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

FUNDADO EM 1914

DESTAQUE

“AS NOSSAS PARÓQUIAS SÃO LARES DE ESPERANÇA?”

DR

Que pudemos fazer para que as paróquias sejam lares de esperança? Estas e outras questões foram o ponto de partida para o Congresso Europeu de Paróquias, que damos conta nesta edição. Pág. 2 e 3

CULTURA

Jardim de Camões | P. 4

“Welcome to the pops” em Leiria

“DoBop&drums” | P. 5

SOCIEDADE

Novo Governo | P. 6

Jamboree na Suécia |P. 9

Preparar futuro de Portugal e da Europa

Quarteto de Câmara de Ourém | P. 7 saxofones em Reconhecimento S. Pedro de Moel ao mérito Verão animado | P. 4/5

ECLESIAL

associativo

Festas, música, Turismo em Potugal|Últ. desporto e Em Agosto, tradições em as férias... Leiria e Marinha

Escuteiros de Leiria em Acampamento Mundial “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na Fé” | P. 9

Milhares de jovens esperados em Fátima, rumo à Jornada Mundial da Juventude

Julho a Setembro | P. 9

Festas religiosas na Diocese Quatro décadas de perseguição... | P. 8

A Igreja “Clandestina”


2 DESTAQUE

O Mensageiro 28.Julho.2011

EDITORIAL

prui@iol.pt

A paróquia, minha casa

O Colóquio Europeu de Paróquias é um encontro de pessoas de paróquias e comunidades cristãs dos países da Europa. De dois em dois anos, num país europeu diferente, estes cristãos encontram-se em colóquio, onde partilham as suas experiências no que concerne a Igreja e a sociedade, partindo do seu envolvimento pastoral. Pretendem, assim, participar com a sua própria identidade na construção europeia. Recentemente um inquérito realizado concluiu que a religiosidade está presente em 74% dos europeus. Apenas 15% não têm qualquer princípio religioso. 50% têm alguma prática religiosa, na maioria casual e apenas individual. Para os cristãos católicos a religiosidade vive-se num contexto paroquial, em comunidade e de forma colectiva. É uma marca fundamental que está, no entanto, a ser posta em questão pela mentalidade individualista que mina a sociedade. A referência paroquial está a perderse lentamente. Mesmo entre nós, um casal jovem na nossa diocese, cresce de forma que pretende galopante o anonimato social e baptizar o seu religioso. Os cristãos, sobretudo filho, deve faze-lo em contexto urbano, desconhepreferencialmente cem a sua referencia paroquial e na paróquia da sua comunitária, não acompanham o residência. É essa quotidiano da paróquia e muitas a sua comunidade vezes pretendem mesmo perde referência e é tencer a uma paróquia que não essa a sua “casa de corresponde à sua residência. A ligação afectiva a um determinado oração” espaço, com referencias familiares e culturais, leva muitos cristãos a procurarem a sua referência religiosa longe do lugar onde residem e onde afinal deve estar a sua comunidade. A Igreja privilegia a residência. Ou seja, o cristão deve ter como comunidade de referência aquela que corresponde ao seu local de habitação. Aí deve inserir-se e fazer todo o percurso catecumenal. É a paróquia na sua missão administrativa mas também espiritual. A paróquia como verdadeiro lar de acolhimento. A facilidade de deslocação e as referências afectivas não justificam que o percurso de vida cristã se faça em outra paróquia, longe do quotidiano, sem acompanhamento personalizado e próximo. Aliás essa facilidade de deslocação é bilateral e seria preferível fazer deslocar os familiares até ao local onde se faz o percurso de vida cristã. Concretamente, um casal jovem que pretende baptizar o seu filho, deve faze-lo preferencialmente na paróquia da sua residência. É essa a sua comunidade de referência e é essa a sua “casa de oração”. A facilidade com que poderia deslocar-se até à paroquia dos avós da criança, deveria aplicar-se em sentido inverso. Ou seja, facilitar a vinda dos avós até à comunidade paroquial de residência, onde será efectuado o baptismo. Este é apenas um exemplo das muitas dificuldades que as paróquias estão a atravessar. Os tempos são conturbados e lentamente estão a por em questão a realidade paroquial. O Colóquio Europeu de paróquias pretende ser um espaço de discussão de assuntos relacionados com esta temática. Este ano debruçou-se sobre a paróquia na sua dimensão de lar, espaço de encontro. A experiência das dificuldades atravessadas pelos países do Leste Europeu, serviu de mote para a reflexão. As conclusões virão em breve, entretanto O Mensageiro adianta alguns subsídios para a reflexão, para que também entre nós o assunto seja reflectido.

DR

Rui Ribeiro

Colóquio Europeu de paróquias

“Dar conta da esperança que está em nós” (1Ped.3,15) Estávamos em 1959, quando o Pe Francois Conan, na altura pároco de Saint Séverim de Paris, deu inicio aos colóquios Europeus de Paroquiais (CEP). A iniciativa pretendia ser uma resposta aos desafios vindos do Concilio Vaticano II, e que propunham um olhar mais atento sobre as paróquias e a sua importância no desenvolvimento da Igreja. Vários bispos, por isso mesmo, lhe deram desde logo o seu apoio. Em 19661 realizou-se o primeiro encontro com a presença de muitos sacerdotes, vindos de 7 países. O primeiro encontro foi o mote para que se formulasse o desejo de voltar a encontrar-se para partilhar experiências, pôr em comum ideias e projectos, e trabalhar para uma Europa entendida como comunidade de povos. Desde 1973, os leigos passaram a tomar parte nestes encontros anuais, até ao ponto de se tornarem maioria nos tempos actuais. Por sua vez, os bispos acompanham os trabalhos e têm manifestado o seu interesse nestes encontros. Nos dias 17 a 22 de Julho realizou-se o 26º encontro . Teve lugar em Nyíregyháza, Hungria, e o tema escolhido foi “Paróquia, lar de esperança”. O testemunho da resistência às perseguições religiosas e o diálogo entre igrejas cristãs foram dois dos caminhos apontados neste encontro para aumentar a esperança nas comunidades católicas. Os testemunhos de sofrimento “são significativos” para a Europa Ocidental, que

“põe de lado a Igreja, considerando-a desnecessária e ultrapassada”, disse o padre João Castelhano, um dos três delegados portugueses presentes no encontro. Os participantes ouviram testemunhos que relataram “a experiência dos campos de concentração nazis” e o período do “comunismo” na Europa de Leste, ambos no século XX. “As comunidades orientais sentiram sempre a necessidade de Deus no meio das perseguições”, salientou o sacerdote de 78 anos, acrescentando que os “exemplos do Leste podem ajudar os ocidentais a descobrir essa carência”. Os 150 participantes de 16 países presentes no colóquio exploraram também a via do diálogo entre fiéis de diferentes Igrejas cristãs para consolidar a esperança nas suas comunidades. O programa incluiu a intervenção de monges beneditinos belgas que acolhem católicos, ortodoxos e protestantes nas suas liturgias romanas e bizantinas, além do testemunho do ecumenismo na Hungria, onde há uma “colaboração muito próxima” entre as Igrejas católica e greco-católica. As conferências salientaram que “a paróquia só pode ser lugar de esperança na medida em que leve os cristãos a viver a união a Jesus Cristo”, fortaleça a “comunhão entre os fiéis” e se volte para os mais carenciados. A temática deste ano parte do pressuposto que as dificuldades do tempo presente, ao nível social, económico e cultural, são factor de

receio e incertezas. Os escândalos internos da Igreja são um factor acrescido para estas incertezas. Assim corremos o risco de fundar a fé apenas na esfera privada, individualista o devocional. Ora a fé, como diz a cara ao Hebreus, “´é a certeza das coisas que se esperam”. A confiança em Deus como resposta ao seu amor, faz-nos descobrir e acolher no tempo presente a esperança de um mundo novo, mais fraterno e reconciliado. O colóquio foi assim um convite a olhar com confiança a realidade actual da vida paroquial, diocesana e europeia. Partindo da análise e conhecimento da Igreja do Leste Europeu, pretendeu-se encontrar caminhos de saída para as dificuldades actuais. Para ajudar na reflexão do encontro foram lançadas 3 questões pertinentes: Que significado tem para nós, ser homem ou mulher, de esperança? As nossas paróquias são lares de esperança? Porque? Que pudemos fazer para que as paróquias sejam lares de esperança? Os testemunhos e conferências do encontro poderão passar ao lado da Igreja portuguesa, dado que os colóquios nacionais de paróquias foram interrompidos em 2010, embora esteja em aberto a possibilidade de os retomar.


DESTAQUE 3

O Mensageiro 28.Julho.2011

A Paróquia, uma Comunidade de fiéis Paróquia - esta palavra vem do latim “paroecia” que por sua vez deriva do grego “paroikia” e significa habitar junto de, ser vizinho, viver juntos, estrangeiros domiciliados num território, ou a ‘peregrinatio’ do povo. Os primeiros cristãos consideram-se peregrinos a caminho de uma pátria, não possuindo carta de cidadania terrestre, consideram-se uma ‘paroikia’. A paróquia aparece assim, não como a comunidade que vive à volta de um pastor e de um lugar de culto, mas uma comunidade de fé que vive neste mundo como peregrina.

DR

A Paróquia e o pároco segundo o Código de Direito Canónico O direito canónico diz que a paróquia “é uma determinada comunidade de fiéis, constituída de forma estável na Igreja particular, cuja cura pastoral, sob a orientação do bispo diocesano, se encomenda a um pároco, como seu pastor próprio (c.515). ‘comunidade de fiéis’ - Recolhe a visão do Vat.II. Ela deixa de ser apenas uma circunscrição territorial acentuando a sua dimensão comunitária. Tornase assim, no aspecto pastoral, menos administrativa e mais ministerial, mais personalizada. Isto aparece claramente no Directório dos Bispos onde se afirma o que deve ser a paróquia: “uma comunidade de fé, de liturgia, de caridade, e sinal da presença de Deus no mundo; continuidade na exposição da palavra de Deus e na celebração do culto litúrgico; uma presença personificada da Igreja... dinamizando a cristianização das relações humanas entre os vizinhos (n.175). Ela é chamada à comunhão ad intra, fazendo de todos os seus membros não uma massa, mas uma comunidade. Chamada à comunhão ad extra, com a Diocese, com as outras

paróquias, movimentos e com o mundo. de forma estável’ - O CIC de 1917 entendia a estabilidade com perpetuidade. O CIC actual quer dar-lhe estabilidade. Sendo uma pessoa jurídica é por si perpétua. Mas esta perpetuidade pertence à paróquia e não ao pároco. Por isso, já o CD.n.31 dava os critérios de estabilidade, pedindo que se acabasse com a distinção de párocos amovíveis e inamovíveis, e que o critério da estabilidade deva ser o bem das almas. Por isso o CIC é pela nomeação dos párocos por tempo indefinido deixando às Conferências episcopais o poder determinar o tempo concreto (c.522). A C.E.P. optou pelos seis anos, mas sublinhando: “que os párocos possam excepcionalmente ser nomeados por um período inferior a seis anos. Tal nomeação será renovada automaticamente por um novo sexénio, e assim sucessivamente, sempre que o bispo, para bem das almas, não determinar expressamente o contrário, pelo menos dois meses antes de se perfazer o prazo... o bispo deve usar tal faculdade, somente quando considerar oportuno, não sendo para ele uma lei (Dec. 5). Portanto o CIC é pela estabilidade, o resto são excepções. O critério dessa estabilidade será sempre o bem das almas. sob a autoridade do bispo... pastor próprio’ - Parecem duas expressões contraditórias. É que, pastor próprio dá a entender que é único e não um vigário do bispo. Por outro lado, ao usar a expressão, sob a autoridade do bispo parece haver uma outra capitalidade. Na prática não há este problema, ou seja, o bispo não é o pároco de todas as paróquias. O pároco é verdadeiramente o pastor em comunhão com o bispo, e é pastor próprio, isto é, tem todos os poderes necessários para desempenhar a sua missão.

Tipos de paróquias - O CIC no c.518 prevê: a paróquia territorial (tradicional): o critério seguido pelo Código foi o territorial, como elemento acolhido, mas não o essencial. a pessoal: “em razão do rito, da língua, ou da nacionalidade dos fiéis de um território, ou inclusive por outra determinada razão”. quase paróquia (c.516): equipara-se à paróquia ... e é uma determinada comunidade de fiéis encomendada como pastor próprio, a um sacerdote, mas que, por circunstâncias peculiares não foi erigida em paróquia. A Paróquia, mais que um território, estrutura ou edifício, é uma comunidade de fiéis, isto é, uma comunidade onde se descobre o rosto familiar e próximo da Igreja. Está constituída na Igreja Particular, como uma célula sob a autoridade do Bispo Diocesano, cujo cuidado pastoral se recomenda a um Pároco que exerce de maneira autónoma, porém em colaboração com o Bispo, cujo dever é “acompanhar as pessoas e famílias ao longo de sua existência na educação e crescimento de sua fé” (Puebla 644). A Paróquia é, em certo sentido a própria Igreja que vive entre as casas de seus filhos e de suas filhas. É a casa comum onde todos são bem acolhidos. É o lugar da comunhão dos crentes e, por sua vez, sinal e instrumento da comum vocação à comunhão. A Paróquia é o lugar de encontro do cristão, das famílias, onde se dá a comunicação fraterna de pessoas e de bens. As paróquias são células vivas da Igreja e lugares privilegiados onde as famílias podem viver a experiência do encontro com Cristo e de sua Igreja.

Paróquias Europeias

Mantiveram a fé” no Leste da Europa

“Nos países da Europa do Leste, durante o período das ditaduras comunistas, a religião era o inimigo a ser derrubado”. É o que lembrou p. Kálmán Peregrin, franciscano, no 26º Encontro europeu das Pároquias (CEP). O religioso revelou que “foram, em particular, perseguidos os católicos porque se referiam a Roma e manifestavam de modo concreto que a pessoa tem certas áreas que não são de competência da ditadura do Estado”; a história, depois, demonstrou que “as Igrejas que se separaram de Roma foram aniquiladas pelo poder”. A técnica encontrada nos Países comunistas para “oprimir” as comunidades eclesiais era a de “acusar uma pessoa de um crime que não tinha cometido”. Na Hungria, por exemplo, p. Kiss Szales, de quem está em andamento o processo de beatificação, “ negou-se a trair o segredo da confissão após alguns jovens, que frequentavam um grupo, se terem vingado dos soviéticos por terem violentado as suas irmãs” e por isso foi preso e morto. Um seu irmão de hábito, p. Lukács Pelbárt, “foi falsamente acusado de ter armado 10 mil pessoas para libertar Szales e deportado para a Sibéria”. Em todos os Países comunistas a repressão da religião não foi executada do mesmo modo: “Na Hungria – lembrou p. Peregrin – em 1971 aconteceu o último processo contra uma pessoa que pertencia à Igreja e em 1977 foi libertado o último preso por motivos religiosos”. No entanto, se não foram fechadas as igrejas, no país húngaro as dificuldades foram muitas, e aqui como em outros países “as escolas, os hospitais, mas também todas as actividades pastorais desenvolvidas pelos religiosos foram eliminadas, as ordens religiosas dissolvidas e monges e monjas mandados a trabalhar; muitos deles, porém, mantiveram sua fé e transmitiram-na nos lugares onde se encontravam”. O religioso, em seguida, sublinhou que, apesar das tentativas do governo, “não se conseguiu na Hungria separar os grego-católicos de Roma”. Também se alguns sacerdotes, chamados “sacerdotes de paz”, por medo ou por conveniência, “colaboraram” e “seguiam as ordens do Estado em lugar de actuar as orientações do seu bispo”. O franciscano destacou, depois, que os problemas nascidos naqueles anos arrastaram-se até hoje, porque “alguns católicos acostumaram-se a viver no socialismo e perderam completamente a sua identidade missionária, renunciando, de facto, a transmitir a fé”. “Mas – concluiu -, Deus, que jamais abandona seus filhos, deulhes a força de superar a opressão do dragão vermelho”.

XXVI Colóquio Europeu de Paróquias

Comunicado Final

Este foi um colóquio onde pudemos viver o tema da Esperança a partir do testemunho das Igrejas de Leste, com a sua experiência de perseguição, de guerra, de desespero, vivida durante o período comunista e com a experiência ecuménica testemunhada por dois monges belgas do Mosteiro de Chevetogne, que relacionaram a salvação do mundo com a união dos cristãos, no essencial da fé e na aceitação da legítima pluralidade. Perante os testemunhos de perseguição e desespero do tempo de guerra, fica a pergunta: Onde podemos agarrar-nos quando perdemos o pé? A esperança é uma necessidade fundamental, leva-nos a tomar consciência do que somos, do desejo de sobreviver face à morte, do tempo que temos à nossa frente; faz-nos descobrir a confiança na família, nos outros, no Outro. A exemplo de Cristo no Calvário, que grita: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?”, mas que mostra também a sua confiança: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E esta confiança culmina na Ressurreição. Como lugar de esperança, a Igreja, a Diocese, a Paróquia não deve estar preocupada com a sua própria imagem ou o seu poder. Isso provoca um enquistar-se sobre si mesma, um fechar-se aos outros. Provoca amargura, azedume. Acolher os outros abre portas, dá lugar à esperança, à fraternidade universal. A Eucaristia é a presença viva de Cristo dada aos Homens. É abertura à esperança: - Na fraternidade; - Na meta final: “ Anunciamos Senhor a Vossa morte, proclamamos a Vossa Ressurreição, Vinde Senhor Jesus!”. Jesus ressuscitado encontra-se com os discípulos. Os de Emaús e os de hoje! Abre as Escrituras: “Nãos nos ardia cá dentro o coração quando nos explicava as Escrituras?”. Entra em suas casas. Parte o pão. Ontem, como hoje! Através de nós, Paróquia, através de nós cristãos. “Passadora” do Evangelho aos que passam por ela, a paróquia será, para todos, lugar de esperança. Delegação portuguesa em Nyíregyháza


4 CULTURA

O Mensageiro 28.Julho.2011

Promoção da Praia da Vieira

“Portugal em Directo” e “Telejornal”

CINEMAS Cine-Teatro de Monte Real • INDOMÁVEL | drama | de Joel Coen e Ethen Coen | c/ Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon e Josh Brolin | 4 de Agosto, 21h30

EXPOSIÇÕES Teatro Miguel Franco - Leiria •”Os sabores da terra” - Duarte Belo (~25/09) Edifício Banco de Potugal - Leiria •”Nada e comum 2011” (~4/09) m|i|mo -Museu de Imagem e Movimento - Leiria •”Oficina do Olhar” (exposição permanente) •”Provas de cor” - arte da fundação EDP (~23/10) •”Entremuralhas 2010” - retrospectiva por Ricardo Graça (~10/08) Casa-Museu João Soares - Cortes •”Os grafitos medievais do Mosteiro da Batalha” (~31/07) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa •”Jogos e brincadeiras de outros tempos” (~31/09) Escola Primária João Leal - Coimbrão •”Recordar é viver” (~14/08) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Aristides de Sousa Mendes” - divulgação de livros (~29/07) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa •”Jogos e brincadeiras de outros tempos” (~31/08) Biblioteca Municipal - Porto de Mós •”Os Sentidos da Pintura” - Cláudia Narciso (~29/07) Biblioteca Municipal - Ourém •”Um certo olhar” - fotografia de Fernando e Eduardo Souto (~30/7) Galeria Municipal - Ourém •”Sons e Terra” - escultura e pintura (~31/07) Edifício dos Paços do Concelho - Ourém • Trabalhos de Artistas e Artesãos de Ourém (~29/07) Paços do Município - Pombal •”Pombal e a Guerra Peninsular” (~31/07) Praça Marquês de Pombal - Pombal •”A Lenda do Bodo em BD” (29~31/07) Paços do Concelho - Tomar • Fotografia - Fernando Lemos (~30/09)

O programa “Portugal em Directo”, da RTP, transmitiu um directo desde a Praia da Vieira, freguesia de Vieira de Leiria, na passada quinta-feira, 14 de Julho, entre as 18h00 e as 19h00. A jornalista Carolina Ferreira esteve em directo no Largo dos Pescadores (junto ao Monumento ao Pescador) e entrevistou a Vereadora da Câmara Municipal da Marinha Grande, Cidália Ferreira, que abordou as potencialidades não apenas daquela praia como do concelho. Daniel Nunes, um dos proprietários da companha de pescadores “Viking”, salientou a importância da preservação da arte xávega na Praia da Vieira, assegurada pelos pescadores daquele lugar que continuam a fazer da pesca uma forma de vida e de arte. Adelino Clara da Silva (“Coelho”), proprietário de um dos restaurantes da Praia da Vieira que mais tradição tem na confecção do arroz de marisco, abordou a importância deste prato finalista do concurso “7 Maravilhas da Gastronomia”. Também nesse dia o “Telejornal” da RTP1 transmitiu directos da Praia da Vieira para apresentação de peças jornalísticas relacionadas com aquela estância balnear e, sobretudo, com o Arroz de Marisco.

Baile de Verão ao som da pop O Jardim Luís de Camões, em Leiria, será palco da actuação da Sociedade Filarmónica Maceirense, na sexta-feira, 29 de Julho, pelas 22h00, no âmbito da iniciativa Bailes de Verão. Subordinada ao tema “Welcome to the pops”, esta filarmónica apresentará temas da música pop, desde os anos 60 até à actualidade. A iniciativa “Bailes de Verão”, promovida pela Autarquia, em colaboração com as Filarmónicas do Concelho, realiza-se entre os dias 1 de Julho e 9 de Setembro, às sextas-feiras, pelas 22h00, no Jardim Luís de Camões. As sextas-feiras em Leiria serão, garantidamente, uma atracção nas noites quentes da época estival e prometem muita festa e alegria para todas as idades. O tradicional “baile” que alguns recordam com saudade e a outros desperta a curiosidade está de regresso.

No Concelho da Marinha Grande

Animação de Verão nas praias Entre os meses de Junho e Setembro, a Câmara Municipal da Marinha Grande realiza um vasto programa de animação cultural e desportiva, nas praias do Concelho. O objectivo é dar as boas-vindas aos milhares de pessoas que escolhem o património natural, histórico e cultural do Concelho da Marinha Grande para descansar e/ou visitar, proporcionando-lhes momentos de diversão, bem-estar e lazer. Todos os anos, a Câmara Municipal da Marinha Grande organiza um vasto programa cultural que, além de divertir, é uma montra das suas tradições e raízes culturais. A participação em qualquer actividade é gratuita, por isso, não fique em casa e junte-se à festa.

Substituição de caixilharia

Museu Joaquim Correia beneficiado

na nossa estante

O Falar de Marvão Teresa Simão Edições Colibri O estudo intitulado “O falar do Marvão”, que em boa hora vem a lume com a chancela da Colibri, situa-se na esteira da tradição dialectológica fundada, em Portugal, por José Leite de Vasconcelos, e continuada, décadas depois, pelo professor Luís Filipe Lindley Cintra. A obra de Teresa Simão, fruto da dissertação de Mestrado apresentada à Universidade de Évora, além de trazer novos e relevantes avanços para o conhecimento do falar de Marvão, passa a constituir a memória imprescindível de uma parte importante do património oral do Norte alentejano.

Kifófo Hombo: cabra – cega Francisco Martins da Silva Edições Colibri Francisco Martins da Silva conduz-nos pela existência incerta de um conjunto de personagens envoltas no roldão da recente história de Portugal. Este emocionante romance começa em Angola, nos anos sessenta, com a guerra Colonial como fundo, passa pela descolonização, e acompanha as vicissitudes das suas personagens ate aos dias de hoje.

O Museu Joaquim Correia, situado no Largo 5 de Outubro, na Marinha Grande, vai ser alvo de beneficiação para substituição da caixilharia deste espaço de cultura instalado no Palácio Taibner de Morais, também conhecido como Palácio dos Barosas, recuperado e adaptado para receber o valioso espólio artístico do escultor. A obra de requalificação do Museu Joaquim Correia insere-se num conjunto de intervenções de regeneração urbana que a autarquia está a levar a efeito, com vista à requalificação do património edificado municipal. Dada a degradação a que se encontram votadas as caixilharias originais do Museu Joaquim Correia, propõe-se a sua substituição por caixilharia em PVC, dotando este equipamento cultural de um nível de conforto e segurança mais adequados à sua correcta preservação, bem como do acervo que aí se encontra. A intervenção inclui também a pintura das paredes exteriores do edifício, assim como a reparação dos gradeamentos das varandas.

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F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes

Rua João de Deus, 25- 1º Dt. - LEIRIA CONSULTAS COM HORA MARCADA 2ª, 4ª e 5ª: 11h-13h e 15h-19h, 3ª: 10h-13h e 15h-19h, Sábados: 9h30-15h Tel. 244 832406

DR

Castelo de Leiria •”Entremuralhas” - festival gôtico 2011 (29~31/07) • Yoga no Castelo (30/07, 10h00) m|i|mo - Leiria •”Ver,imaginar e criar até onde a imaginação te levar” (30/7, 15h e 16h) Jardim Luís de Camões - Leiria •”Bailes de Verão” - animação de rua (~9/09, sextas- feiras, 22h00) Casa dos Ataídes - Leiria •”Noites no palácio” - Swingsamp (28/07, 22h00) Jardim Olímpico Duarte Alves - Monte Real •”Praça Viva” (~17/09) Largo da Capela - Pedrógão •”Praça Viva” (~10/09) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”O Gato e o Rato” - hora do conto (2ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) Auditório António de Campos - Vieira de Leiria •”O meu filho chama-se Laura” - teatro (29/07, 22h00) Mosteiro da Batalha •”Concerto em Rede” (30/07, 18h00) Museu Municipal - Ourém •”O brinquedo” - oficinas pedagógicas (~29/07)

DR

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Jardim Luís de Camões, em Leiria


CULTURA 5

O Mensageiro 28.Julho.2011

Alunos do 8º Estágio Internacional de Orquestra

Os alunos do 8º Estágio Internacional de Orquestra, que decorre até 31 de Julho no Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OL CA), irão protagonizar um dos concertos integrados na iniciativa Música nos Mosteiros Portugueses Património da Humanidade, nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, a partir das 18h00 de sábado, dia 30 de Julho.

O 8º Estágio Internacional de Orquestra, organizado pelo OL CA, com o alto patrocínio da Associação de Municípios da Região de Leiria (AMLEI), reúne em Leiria mais de 100 alunos portugueses e estrangeiros, para uma experiência única de aperfeiçoamento musical e intercâmbio cultural enriquecedor, com a direcção artística do prestigiado maestro francês, Jean-Sébastien Béreau.

Sob a direcção dos alunos da Master Class de Direcção de Orquestra, será apresentado um repertório composto por obras de Ludwig van Beethoven e Alexander Borodin, num concerto que contará, ainda, com a participação do violinista Manuel Doutrelant e do violoncelista Pierre Joseph, na interpretação de obras do compositor Johannes Brahms. Os concertos oferecidos

pelo Orfeão de Leiria aos Mosteiros Portugueses Património da Humanidade, no âmbito da parceria desenvolvida com o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) e com o Centro Nacional de Cultura (CNC), terminam no dia 24 de Setembro, com um espectáculo protagonizado pelo coro Ninfas do Lis, que terá lugar no Mosteiro de Alcobaça, às 16h00.

Música em São Pedro de Moel

A Casa-Museu Afonso Lopes Vieira, em São Pedro de Moel, acolheu o concerto do Quarteto e Saxofones “DoBop&drums”, inserido no Ciclo de Concertos Primavera Erudita, no dia 17 de Julho. O público pôde assistir à actuação de um projecto que surgiu de um gosto comum pela formação que é o quarteto de saxofones. Visto todos os seus elementos terem por base a formação na área clássica, seria a forma mais natural de desenvolver música em conjunto nessa mesma área. A ideia base do projecto “DoBop & drums” surge como sendo a recriação do

à

DR

Quarteto de saxofones na Casa-Museu

quarteto tradicional do jazz (instrumento de sopro, instrumento harmónico, contrabaixo e bateria). Sendo omitido o instrumento harmónico, este acto obri-

ga a uma reinvenção e reestruturação dos temas. É adicionado também alguma componente tecnológica ao grupo, como sons ambientes ou samples, de modo

a criar um ambiente mais actual e moderno. “DoBop & drums” tenta explorar novos caminhos, não se limitando ao material já existente, mas sim tentando transmitir a ideia de que esta formação não se limita aos padrões que estão definidos. A música é e sempre será uma linguagem, uma transmissão de sentimentos que não se podem limitar às regras que se tentam impor. O grupo integra os saxofonistas João Capinha, Joaquim Pequicho, Nuno Mendes e Raimundo Semedo e a participação especial de João Rijo.

DR

Concerto no Mosteiro da Batalha

mIiImo - museu da imagem em Movimento

Sonhos pintados de cor

O mIiImo - museu da imagem em Movimento, em Leiria, leva a cabo no dia 30 de Julho, às 15h00 e às 16h00, a oficina “Sonhos Pintados de Cor”, realizada no âmbito da exposição de artes plásticas “Provas de Cor”, composta por parte da colecção de arte da Fundação EDP. Pela mão de Patrícia Martins, os mais novos são convidados a apreciarem, a imaginarem e a criarem, até onde a imaginação os puder levar. Com a duração de 45 minutos, a oficina das 15h00 é para crianças dos 4 aos 9 anos e a das 16h00 é para jovens dos 10 aos 15 anos.

Praça Viva em Leiria

Animação dos principais destinos turísticos do concelho O Jardim Luís de Camões, em Leiria, é palco, no dia 28 de Julho, pelas 22h00, do Baile dos Candeeiros, inspirado em rituais e tradições que remontam ao final dos anos 60. A iniciativa decorre no âmbito do Praça Viva. Em Monte Real, o próximo fim-de-semana tem como atracção principal as Festas da Rainha Santa Isabel, no Jardim Olímpio Duarte Alves. Na sextafeira, 29 de Julho, pelas 22h00, actua Virgílio Pereira, acordeonista; no sábado, a partir das 21h30, é a vez das Bandas Acesso e Red. No domingo, 31, a animação está a cargo da Chaparral Band, com início às 22h00. A Praia do Pedrógão acolhe a festa do hip-hop, na sexta-feira, 29 de Julho, pelas 22h00, no Largo da Capela, com XL, figura de destaque do Hip-Hop da zona centro do país. No sábado, 30, é a vez do ritmo lusobrasileiro, Heliac, que animará esta noite de baile, a partir das 22h00.

Acrenarmo – Associação Cultural e Recreativa dos Naturais e Ex-Residentes de Moçambique

Festa “Sons de Garagem - Anos 80” No passado sábado, dia 16 de Julho, realizou-se a 1ª festa de garagem organizada pela Acrenarmo, na sua Sede. Este evento veio juntar-se aos diversos que se têm feito na sede da Acrenarmo e que contribuem não só para a dinamização da zona circundante do Castelo de Leiria, como para própria Associação. Foi utilizada a sala polivalente da associação, usada para diversas actividades, como aulas de ginástica, aulas de ca-

vaquinho, danças, exposições, convívios, palestras, etc. Além desta sala, o bar associativo deu o apoio necessário, para zona de estar e de diversão através dos meios que usualmente dispõe, nomeadamente, mesa de snooker, matraquilhos, música ambiente, televisão, livros e jogos de tabuleiro diversos. Não obstante a noite ter sido ensombrada pelo tempo pouco favorável, e os acessos cortados por obras na via pública que apa-

nharam desprevenidos os convivas, ainda assim foram muitos os que se deslocaram à sede da Acrenarmo para este Sons de Garagem 80, que juntou mais de uma centena de Amigos e que foi animada pelo DJ Vasco Noronha, organizador e promotor do tão mediático evento “Paradise Tributo” e percursor do movimento Leiria “foreveryoung” O pátio exterior à sede estava preparado de forma a alargar o convívio para um ambiente mais

arejado e espaçoso, mas infelizmente a chuva e o vento impossibilitaram a sua utilização. As condições estavam criadas para que fossem recebidas 500 pessoas, não comprometendo o conforto e a boa disposição de todos. Ainda assim, a Acrenarmo e o movimento Leiria “foreveryoung” motivados por esta boa experiência, começam já a pensar na segunda edição do Sons de Garagem 80, mas ainda

sem data definida. As obras de acesso ao castelo prometem terminar em breve, permitindo a fácil acessibilidade à Acrenarmo. Com uma existência de 26 anos, a Acrenarmo deseja continuar a partilhar o convívio a boa disposição e a amizade.


6 CULTURA / SOCIEDADE

O Mensageiro 28.Julho.2011

Medidas do Novo Governo 29 e 30 Outubro 2011

Congresso de História e Património da Alta Estremadura Conscientes da importância do conhecimento da história e do património para a identidade local e para o desenvolvimento regional, o Centro do Património da Estremadura (CEPAE) e a Câmara Municipal de Ourém vão coordenar a organização nos dias 29 e 30 de Outubro o primeiro Congresso de História e Património da Alta Estremadura. A área geográfica abrangida pelas comunicações é o distrito de Leiria e o concelho de Ourém. A organização aceita inscrições para assistir ao congresso ou participar através da apresentação de uma comunicação ligada às temáticas arqueologia, história, história da arte, património cultural, património Natural e ao Municipio de Porto de Mós.

14º Encontro de jovens lusodescendentes Município de Alcobaça é anfitrião

O Município de Alcobaça foi convidado, pela Coordenação das Colectividades Portuguesas de França (CCPF), a ser entidade anfitriã do 14.º Encontro Europeu de Jovens Lusodescendentes (EEJL). Desta forma, o evento irá decorrer, no concelho de Alcobaça, de 31 de Julho a 06 de Agosto e contará com a participação de cerca de 50 jovens dos 18 aos 30 anos de idade. Tratando-se de um encontro europeu de lusodescendentes que tem como objectivo do Município, por um lado, dar a conhecer da melhor forma possível uma realidade que, de certa forma, paira no imaginário destes jovens indo ao encontro das suas expectativas e, por outro, tentar despertar uma maior curiosidade pelo País que, na sua maioria, não os viu nascer mas pelo qual nutrem um sentimento de pertença. Na programação proposta pretende-se dar a conhecer aos jovens não só o concelho de Alcobaça mas proporcionar, igualmente, um conhecimento mais alargado da região em que nos encontramos inseridos.

EB1 de Ilha de Cima

Prémio Eco-Código ganho A EB1 de Ilha de Cima foi contemplada com o 3.º Prémio no 11.º Concurso Nacional Poster Eco-Código 2011, na categoria “Multitemas - 1.º escalão”. O prémio será entregue no dia 7 de Outubro, no âmbito da Cerimónia de Entrega das Bandeiras Verdes 2011, em Oliveira de Azeméis. O Concurso Nacional Eco-Código pretende estimular a participação e a criatividade dos jovens envolvidos no Programa Eco-Escolas através da produção de um trabalho de comunicação: o poster. O Eco-Código corresponde a um dos elementos do programa: o 7.º passo da metodologia proposta. O EcoEstudante deverá conseguir identificar um conjunto de atitudes e comportamentos conducentes à melhoria do ambiente na escola, em casa e na sua região. O Eco-Código deverá expressar uma declaração de objectivos, traduzidos por acções concretas, que todos os membros da comunidade deverão seguir, constituindo assim o código de conduta ambiental da escola. Todas as escolas candidatas à Bandeira Verde devem ter o seu Eco-Código divulgado na escola preferencialmente no Regulamento interno. A opção de apresentar o Eco-Código em forma de poster visa facilitar a comunicação e divulgação dos princípios que cada Eco-escola se compromete a respeitar.

«Compromisso de coesão dentro da Europa muito mais forte» «Saímos hoje de Bruxelas mais tranquilos quanto ao caminho que vamos ter de fazer, com um compromisso de coesão dentro da Europa muito mais forte do que aquele que tínhamos quando aqui chegámos e com um sentimento de grande empenhamento, quer da Comissão Europeia, quer do BCE, quer do FMI, mas sobretudo de todos os governos, para tornar mais robusta a resposta europeia à crise», afirmou o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho no final da reunião de Chefes de Estado e de Governo da Zona Euro, que aprovou um segundo programa de ajuda à Grécia e melhorou as condições dos programas de ajuda a Portugal e à Irlanda. No final de reunião, Pedro Passos Coelho afirmou que os líderes da Zona Euro acordaram as condições para resolver, de uma forma credível, a questão da Grécia, e alcançar uma reforma a nível europeu que permita a Portugal e à Irlanda verem «aumentadas as condições de sucesso» dos seus programas. Depois desta decisão, os mercados não terão mais razões para duvidar das condições de sucesso do programa de Portugal. «Foi muito importante que todos estes países [da Zona Euro] tivessem concordado em que a situação grega é única e não tem paralelo em qualquer outro país europeu, nem sequer naqueles países que, como Portugal e Irlanda, estão ao abrigo de programas», acrescentou o chefe do Governo. Contudo, «o facto de ser estendido a Portugal e à Irlanda o mesmo tipo de condições que foram acordadas agora» à Grécia, se constitui uma boa notícia, não deve constituir «qualquer pretexto para que se pense que se pode abrandar o ritmo de aplicação do programa», uma vez que os tempos são «extremamente exigentes e difíceis». «As condições mais favoráveis que foram obtidas para a Grécia no âmbito do novo programa serão também aplicadas em Portugal e isso é igualmente

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Preparar futuro de Portugal e da Europa

importante (...). Poderemos dispor também de mais tempo no que respeita aos reembolsos da assistência que estamos a receber e passaremos também a poder beneficiar de um nível de juro que tornará o caminho que estamos a fazer mais sustentável», afirmou o Primeiro-Ministro, referindo-se à extensão do prazo máximo dos empréstimos de sete anos e meio para 15 anos, e à redução da taxa de juro para cerca de 3,5%. Estas medidas não só contribuem para um mais eficaz cumprimento do programa de auxílio financeiro, como «favorecem uma leitura por parte dos mercados» de que as reformas que vão ser feitas «apontam para um nível de sustentabilidade da dívida pública e regresso a um crescimento económico sustentável, que era questionado por algumas agências de rating, e que agora será mais difícil de sustentar», uma vez que a cimeira da Zona Euro arranjou uma solução «credível» para o caso grego, afirmou Pedro Passos Coelho. Reforço do ensino do Português e da Matemática O Conselho de Ministros de 21 de Julho aprovou a redacção final do decretolei que revê a organização curricular dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico. Em primeiro lugar, reforça-se a aprendizagem de duas disciplinas estruturantes, a Língua Portuguesa e a Matemática, aumentando o número total de horas em cada uma dessas disciplinas, suprimindo, para isso a Área de Projecto e ajustando a carga horária do Estudo Acompanhado. Em segundo lugar, reduzse a dispersão curricular nesses mesmos ciclos, fortalecendo as condições de ensino de duas disci-

plinas fundamentais. Em terceiro lugar, aumenta-se a autonomia das escolas para organizarem os tempos lectivos e os horários. Finalmente, introduzemse Provas Finais de Ciclo no 6.º ano de escolaridade, permitindo uma avaliação externa nesta fase crucial do percurso escolar dos alunos. Estas modificações vigoram já no ano lectivo de 2011/2012. Dívidas decorrentes do não pagamento de taxas de portagem Acordo entre o InIR e a DGCI viabiliza a cobrança coerciva Iniciativa vai acelerar a cobrança das dívidas originadas pelo não pagamento de portagens. Sinergia entre o Instituto de Infraestruturas Rodoviárias e a Direcção-Geral de Impostos gera poupança significativa de encargos para o erário público. A partir de 22 de Julho a Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) vai passar a efectuar a cobrança coerciva das dívidas dos utentes que não procedem ao pagamento das taxas de portagem nas infra-estruturas rodoviárias. Sempre que um utente passe numa portagem sem proceder ao pagamento da respectiva taxa, incorre numa infracção que, não sendo regularizada após notificação das concessionárias rodoviárias, dá origem à instauração de um processo de contra-ordenação. O InIR é o instituto público com a competência para proferir decisões administrativas em processos de contra-ordenação desta natureza. Se o infractor não proceder ao pagamento da contra-ordenação, o InIR instaura o respectivo processo de execução de dívida. Anteriormente, a cobrança era efectuada

através da instauração de acção executiva nos Tribunais Comuns, com as condicionantes inerentes ao processo judicial. A partir desta data, a cobrança coerciva destas dívidas - taxa de portagem, coimas e custos administrativos - passa a ser efectuada pela DGCI, através dos seus Serviços de Finanças e do sistema de cobrança coerciva, nomeadamente o sistema de penhoras e o sistema de leilão electrónico dos bens penhorados. O novo sistema funcionará em resultado de um protocolo hoje assinado entre a DGCI, a DGITA e o Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (InIR), tendo já sido carregados no sistema de cobrança coerciva da DGCI os primeiros processos. Após a instauração dos processos de execução pelo InIR, a DGCI procede à citação dos devedores e à penhora de bens, nomeadamente a penhora electrónica de veículos automóveis que, após o registo, passarão imediatamente para a fase da apreensão e da venda. Logo que penhorados os veículos, estes são carregados por via electrónica na rede informática da PSP e da GNR para apreensão, mediante um interface electrónico que foi recentemente implementado, em resultado de um protocolo celebrado entre a DGCI e as forças policiais. Uma vez apreendidos os veículos, serão removidos do local onde forem encontrados pelas forças policiais para depósitos das entidades que procederão ao seu leilão e venda. Esta iniciativa traz benefícios concretos ao nível de recursos públicos, ao permitir uma poupança significativa de investimento em meios materiais e humanos, evitando a duplicação de custos para o erário público. Do ponto de vista operacional, vem gerar ganhos de eficiência no curto prazo, provenientes do aproveitamento da infra-estrutura tecnológica e da experiência da DGCI em matéria de cobrança coerciva, aliada às competências do InIR em processos de contra-ordenações em matéria rodoviária.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 28.Julho.2011

Apelo solidário teve resposta

vendedor, que era o seu ganha-pão.

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Na nossa edição de 30 de Junho, publicámos uma nota sobre o João, um rapaz leiriense que está a passar momentos difíceis e doença, que lhe causam igualmente problemas financeiros, para suportar o custo dos tratamentos. Tivemos alguns ecos a esse apelo à solidariedade, um dos quais veio do grupo HRV - Equipamentos de Processo, S.A., que manifestou desejo e conhecer o João e acompanhar o seu processo. É com muita alegria que publicamos uma nota enviada pelo departamento financeiro da empresa, com o seguinte teor: “No seguimento do vosso apelo, e depois de falarmos e visitarmos o João, achamos que podemos e devemos ajudá-lo. Sendo assim, a nossa empresa irá assumir o pagamento das despesas dos tratamentos do João, durante os 3 meses, ou alguns mais caso seja necessário. Já contactámos o Hospital D. Manuel de Aguiar. Não faz

parte da nossa maneira de estar no mercado fazer publicidade a estas situações, mas porque notámos certo interesse da parte do João em dizer algo sobre este assunto, deixamos aqui esta nota. Por nós, a simpatia e a alegria do João foram toda a compensação”. Em nome do João, o jornal O Mensageiro agradece a todas as pessoas que responderam a este apelo. Para lembrar, de novo, o assunto, voltamos a publicar o texto, pois o João, mesmo com esta ajuda nos tratamentos, agradece a todos os que possam dar algum contributo, dado que a doença o impede de exercer o seu trabalho de

Ajudem o João! O João Domingos é um rapaz de 35 anos, de Leiria, casado e com um filho de 2 anos, que, como ele diz “é a minha razão de viver”. Tem uma doença que se chama Fibrose Pulmonar Crónica Grave, que se caracteriza pelo espessamento e cicatrizes profundas no interior dos pulmões. Trabalhava como vendedor de pipocas e farturas e, devido ao facto de apanhar chuva e frio muitas vezes, teve uma pneumonia em 1998 que não ficou bem curada. Esta deixou-lhe mazelas no pulmão, que mais tarde agravaram. Em Agosto de 2006, teve uma recaída e esteve internado no Hospital dos Covões (Coimbra) durante 3 meses ligado a um ventilador, pois o seu estado era muito grave. Felizmente, graças a uma boa equipa médica e a toda a família e amigos que o apoiaram, melhorou. Saiu do hospital com

oxigénio, que faz agora em casa durante 18 horas por dia. Desde então até hoje, tem estado internado várias vezes, porque a doença se tem agravado, apodrecemlhe os dentes, perde peso e não tem força no corpo. No último internamento, o médico aconselhou-o a fazer um tratamento ao pulmão nos Cuidados Continuados Integrados de Coimbra, Viseu, Mira ou Mealhada, porque em Leiria a lista de espera é de 5 meses e, devido ao seu estado de saúde, tem de ser com urgência. O preço é de 175 euros por mês, durante 3 meses. Posteriormente, os médicos farão nova análise do seu estado de saúde e verão se ele precisa ou não de mais sessões. Há uma conta para quem quiser ajudar – um ou dois euros podem fazer a diferença – com o NIB 0018.0000. 01818217021.82 (Santander). Vanessa Silva

Ourém

Com o objectivo de promover o reconhecimento público de todos aqueles que têm contribuído para os bons resultados alcançados nas diferentes áreas culturais e desportivas, no Município de Ourém, realizou-se no dia 15 de Julho o Encontro de Mérito Associativo. Na abertura deste encontro, José Fernandes realçou que “Ourém tem uma riqueza associativa extraordinária. Tem equipas, campeões, treinadores, dirigentes, grupos de referência que merecem o nosso aplauso e reconhecimento. Hoje vão passar pelo palco para que se torne mais visível, o que vai acontecendo nos diferentes espaços e que nem sempre podemos acompanhar. Hoje são eles as estrelas que brilham em tantas e tantas manifestações desportivas e culturais que são essen-

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Reconhecimento público ao mérito associativo

ciais para afirmar a nossa identidade e valor”. As homenagens e distinções foram intercaladas com momentos de espectáculo proporcionados pela Casa do Povo de Fátima, com o grupo das Sevilhanas, pelo Clube Atlético Ouriense, com o grupo de Judo, pelo Grupo de Teatro Apollo e pela Academia de Dança da Escola Arabesque. Deolinda Simões, presi-

dente da Assembleia Municipal, sublinhou o “trabalho e esforço dos dirigentes e dos muitos jovens que passaram pelo palco do Cineteatro e que espalham o nome de Ourém pelo mundo” , acrescentando que “antigamente não se dava o valor que hoje se dá a estes jovens e que esta noite fez vir à superfície tanto campeão”. “O somatório do vosso esforço é o nosso orgulho”

afirmou Paulo Fonseca, na intervenção que fez no Encontro de Mérito Associativo. O presidente da Câmara destacou três palavras: gratidão, apelo à união e estimulo. “Era fundamental haver este momento em que pudéssemos dar azo ao nosso orgulho. Uma primeira mensagem tem de ser de gratidão por haver tantas e tantos que de uma forma desinteressada têm dado o melhor de si para que as nossas associações cheguem tão longe”, afirmou Paulo Fonseca. O autarca deixou ainda um apelo para “que todos, de Fátima à Freixianda, de Alburitel ao Olival, de todos os cantos do concelho possam experimentar o orgulho que temos por tão grande nível de qualidade. O caminho para se ser forte é falarmos a uma só voz”, disse o presidente apelando à união.

Joaquim Santos

“Ajudem o João”

SPO alerta para patologias como o glaucoma e as retinopatias

Doenças oculares podem influenciar a segurança ao volante Agora que muitos portugueses se preparam para fazer várias horas ao volante rumo aos destinos de férias, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) deixa um alerta: ter atenção ao estado da visão é fundamental para uma condução segura. Fernando Bivar, membro da SPO, explica que “há doenças oculares que não têm sintomas na sua fase inicial mas podem comprometer a qualidade da visão e, logo, a segurança da condução. Falamos do glaucoma, retinopatia diabética, retinopatias pigmentadas ou problemas do nervo ótico. As doenças que alteram a transparência do olho também podem ser problemáticas pois causam maior sensibilidade à luz”. O especialista refere ainda que é fundamental “corrigir adequadamente os erros refrativos (miopia, hipermetropia e astigmatismo) antes de conduzir, ou seja, perceber se vê bem ou se precisa de usar óculos. Já quem utiliza lentes de contacto deve ter sempre perto de si uns óculos de substituição, para o caso de perder uma lente. Quem viaja durante o dia não deve esquecerse de utilizar óculos de sol com lentes polarizadas”. Há ainda fatores externos que podem influenciar perceção visual na condução automóvel aos quais todos os condutores devem estar atentos. Fernando Bivar realça a iluminação como sendo um dos elementos primordiais de segurança na condução. A iluminação excessiva, por exemplo, pode reduzir a sensibilidade da retina e até mesmo causar dor física. Assim, o encandeamento, originado pelos faróis de um carro que circula em sentido contrário mas também pelos painéis vídeo/LCD colocados nas vias rodoviárias, pode desencadear uma situação de enorme perigo. Existem outros parâmetros de avaliação da visão que devem ser tidos em conta quando se vai conduzir: a acuidade visual, o contraste, a perceção das cores e da profundidade e o campo visual. Uma situação frequente de limitação do campo visual resulta, por exemplo, da colocação de painéis publicitários nas vias. O especialista chama ainda a atenção para o facto de a ingestão de medicamentos, o álcool e a sonolência influenciarem indiscutivelmente a visão e os reflexos. Manuela Carmona, presidente da SPO, defende que “os problemas de visão podem estar na origem de acidentes de viação gravíssimos, uma variável que as autoridades ainda não conseguem controlar. Mas a segurança rodoviária depende muito dos comportamentos individuais de cada condutor pelo que cada um de nós deve assegurar-se de que a sua visão se encontra em perfeitas condições, procurando fazer revisões regulares junto do seu oftalmologista assistente, de forma a detetar precocemente doenças oculares”.


8 ECLESIAL

O Mensageiro 28.Julho.2011

Sob a perseguição

A Igreja “Clandestina” mentar a Cruz”. Eis um significativo exemplo das angústias por que passavam os candidatos ao sacerdócio sob o regime comunista. Trata-se do Pe. Frantisek Polak, de 35 anos de idade, salesiano, que dá o seguinte depoimento: “Nasci em Vysoka Pri Morave, pequena aldeia da Eslováquia, perto de Brastislau. Os meus pais eram religiosos e deram-me uma educação cristã. Durante a adolescência tive que lutar pela minha fé: era pouco recomendável frequentar a paróquia. Mas o ateísmo do Estado ajudou de certo modo a minha vocação. Na minha aldeia havia mais de duzentos anos que não surgiam vocações sacerdotais; sou o primeiro desde o fim de 1700. Em 1974 encontrei um salesiano, Pe. Ivan Grof, que era professor e fazia apostolado clandestino. Tornou-se meu director espiritual, e através dele aproximei-me dos salesianos. Mas, para tornar-me aspirante, tive que esperar quatro anos; a polícia secreta estava sempre na espreita e nós tínhamos que ser muito prudentes. Comecei a estudar Pedagogia na Universidade. Quase chegara ao

término quando a polícia secreta descobriu que eu era cristão. O Decano da Faculdade convocou-me e ameaçou expulsar-me. Eu era ‘causa de vergonha para 3.000 estudantes’, disse-me ele. Felizmente consegui acabar o curso, mas, já que estava rotulado, não obtive a licença para ensinar. Em 1980 comecei a trabalhar como simples operário em Pomprad, numa pequena fábrica de transformadores de electricidade. A seguir, tentei também actuar como educador num Internato para estudantes de escola média; mas, após cinco dias de trabalho apenas, o meu

chefe chamou-me e disseme que sabia que eu era cristão. E fui obrigado a deixar o emprego. Por último encontrei trabalho como técnico de uma firma de implantes de aquecimento em grandes condomínios. Entetanto eu estudava às ocultas Filosofia e Teologia. Em 1979 tornara-me noviço e em 1980 fiz os meus primeiros votos, tudo sempre às escondidas. Até muitos confrades salesianos ignoravam tudo isso; procurávamos dar o mínimo de publicidade possível a tais coisas porque havia infiltração e espiões até entre os Religiosos. Sabíamos, por exemplo, que um sacer-

dote era capitão da polícia secreta. Fui ordenado clandestinamente sacerdote aos 19/02/1988 em Brastislau por Mons. Jan Chryzostom Korec, que então era bispo clandestino e hoje se tornou bispo residencial da diocese de Nitra. Tudo foi resolvido pelos meus superiores, em particular pelo Padre Inspector Provincial da Congregação Salesiana, Pe. Kaiser. Sabíamos que se aproximava o dia da ordenação, mas não sabíamos nem onde, nem quando, nem o nome do bispo que ordenaria. O lugar em que eu seria ordenado, foi-me comunicado apenas uma

hora antes da cerimónia, era o pequeno apartamento em que morava Mons. Korec. A cerimónia não foi solene; o rádio ficou ligado a todo volume durante a celebração; havia música rock soviética para perturbar os microfones de espionagem escondidos pela polícia secreta na casa do bispo. Lá fora chovia, e mesmo o tempo litúrgico — era Quaresma — pareceu-me um sinal do deserto em que nós, cristãos da Tchecoslováquia, peregrinávamos naquela época. Após a ordenação nenhum dos meus parentes sabia que eu era sacerdote; nem minha mãe, nem meu pai, nem os meus irmãos. Era demasiado perigoso para eles. Comuniqueilhes a realidade três dias antes de partir para Roma em Dezembro de 1989. Hoje estudo na Faculdade de Ciências da Educação da Pontifícia Universidade Salesiana em Roma. Estou a especializar-me em catequese e pastoral da juventude; a princípio eu queria estudar teologia, mas os meus superiores explicaram-me que há grande necessidade, na Tchecoslováquia, de trabalho pastoral em favor dos jovens”.

A Clara nada faltava para ser vulgarmente feliz. Não lhe faltavam principescos pretendentes e a família desde cedo pressionava-a a casar, como era uso. Mas Clara, inteligente como era, fingiu adiar para mais tarde o assunto a pretexto de ser demasiado jovem, enquanto no seu íntimo ia tecendo o seu próprio destino e foi recusando uma a uma todas as propostas de casamento. Alguém tinha chegado antes – Jesus Cristo. Por Ele, como S. Paulo, considerava tudo como lixo e coisa vã. Tinha decidido consagrarLhe toda a vida. Entretanto, aparece Francisco que também ele se tinha apaixonado por Cristo a viver a radicalidade do Evangelho. Clara viu nitidamente por ele o caminho a seguir. Após vários encontros,

Francisco encoraja Clara a seguir os projecto secreto que há muito trazia no coração. E dá-se o escândalo! Apenas com 18 anos ela deixa a mansão paterna e consagra a sua vida a Jesus Cristo, o mais belo dos filhos dos homens, apesar da feroz oposição e perseguição da sua poderosa família, dando início a uma nova forma de vida consagrada que tem como regra: "Observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo sem próprio, em obediência e castidade". Fá-lo sob a direcção de Francisco. Ao longo de quarenta e dois anos viveu no pequeno mosteiro de S. Damião, perto da cidade de Assis, em contínua oração, adoração e louvor. Gastou a vida em penitência alegre, caridade

jubilosa no trabalho, na simplicidade e humildade, sempre na mais extrema pobreza por amor ao Senhor Jesus Cristo pobre e crucificado. Sentindo-se Igreja, amou-a de todo o coração assim como a toda a Humanidade. O fascínio da sua vida evangélica rapidamente se espalhou e muitas jovens lhe seguiram os passos. Em 1253, ano da sua morte, já existiam mais de cem mosteiros. Recentemente numa das suas catequeses de quarta-feira, o Papa Bento XVI afirmou: "Uma das Santas mais amadas é, sem dúvida, Santa Clara de Assis. O seu testemunho mostra-nos como a Igreja inteira é devedora a mulheres intrépidas e ricas de fé como ela, capazes de dar um impulso decisivo para

a renovação de Igreja" (OR, 2126). Santa Clara de Assis continua a exercer um poderoso fascínio no mundo e na Igreja do terceiro milénio. Passados oito séculos ela é a Mulher Nova porque foi capaz de viver a radicalidade evangélica na sua mais sublime expressão. Santa Clara não renunciou a coisa alguma, apenas escolheu a melhor parte, optou pelo essencial, decidiu-se pelo Tudo, por Aquele que "tem em tudo o primeiro lugar" – Cristo. Encontrou a fonte e nela se deixou saciar. Hoje, "Impõe-se reencontrar Santa Clara, o seu carisma, a beleza da sua vocação, porque é importante para vida da Igreja" (João Paulo II – 1982). Irmãs Clarissas de Monte Real

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As quatro décadas de perseguição religiosa (19501990) na Tchecoslováquia, na Hungria, na Romênia e na Bulgária suscitaram o heroísmo dos católicos, que lutaram para sobreviver; especialmente importante era, para eles, poder contar sempre com o ministério de seus presbíteros e bispos. Principalmente na Tchecoslováquia vêm a público pessoas que dizem ter recebido clandestinamente de bispos legítimos a ordenação sacerdotal ou mesmo a episcopal; entre essas pessoas há homens casados. Eram ordenados candidatos que a polícia secreta não suspeitaria pudessem receber ordens sacras segundo a praxe habitual da Igreja Católica. Refere o bispo Mons. Pavel Hnilica: “As perseguições que sofremos, foram piores do que as que Nero e Diocleciano no início da era cristã infligiram aos cristãos. Talvez o preparo doutrinário dos nossos sacerdotes não esteja à altura do preparo dos ocidentais, mas certamente é mais profunda a fortaleza espiritual dos nossos. Isto nos leva a agradecer a Deus o próprio comunismo, porque ele nos fez realmente experi-

Família há VIII Séculos

Santa Clara 11 de Agosto! Neste dia a Igreja celebra Santa Clara de Assis. Nasceu na cidade de Assis, Itália, em 1193, de Favarone Ofreduccio e Hortolana, ambos de famílias nobres e poderosas. Abundavam em luxo e fausto, mas também eram ricos de princípios e valores nobres e dignos. " Sua mãe – narra o biógrafo – sentindo aproximarse a hora do nascimento da sua primogénita, enquanto orava diante do Crucifixo, implorando a graça de uma hora feliz, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Não receies, senhora, porque de ti nascerá, sã e salva, uma luz de brilho mais claro que o próprio dia". Por isso, no Baptismo a senhora Hortolana quis dar à filha um nome-luz: Clara! A menina ainda

muito jovem revela-se uma verdadeira "senhora". Na família recebeu sólida formação humana e cristã em ambiente cavalheiresco. Protagonista da educação era a mãe, centro do lar. Como qualquer jovem nobre, Clara aprendeu a arte dos bordados, fiação, e todos os segredos da arte caseira próprios da sua condição nobre que, nessa época, faziam de uma senhora como ela, uma verdadeira enciclopédia. E, mais ainda, foi educada nas letras, onde o latim era predominante. A famosa beleza de Clara não era apenas física mas, essencialmente, fruto de uma outra beleza, muito superior à beleza natural, beleza que brotava do seu coração límpido, bondoso e casto e enchia os salões palacianos de Assis.


DIOCESE 9

O Mensageiro

28.Julho.2011

BREVES

Jovens peregrinam à Cova da Iria antes de Madrid

JMJ também passa por Fátima que aproveitam para vir a Fátima em peregrinação. A organização é da Delegación de Infancia e Juventud de Coria-Cáceres”, sublinha esta responsável em entrevista à Sala de Imprensa do Santuário de Fátima. As nacionalidades que se farão representar em Fátima são também muito diversas e bem expressivas da grandeza e do impacto da Jornada Mundial da Juventude. Do Brasil deslocar-se-ão a Fátima 13 grupos, dos Estados Unidos 11, do Canadá 4, do Equador outros 4 e de França 3. Polónia, Argentina, Nova Caledónia e Vietname trarão, cada país, dois grupos ao Santuário de Fátima. Índia, Rússia, Porto Rico, Chile, Holanda, Iraque, Filipinas, Taiwan (CN), México, Timor Leste – cada um destes países trará um grupo a Fátima. Também em Portugal, os jovens se estão a organizar para as Jornadas e a incluir o Santuário de Fátima no trajecto. “O Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa é disso um bom exemplo, com um grupo de 2000 jovens e outro de 350”, destaca Natalina Ferreira. A organização destas peregrinações é de diversa ordem. É desenvolvida por organizações diocesanas de juventude, paróquias, movimentos juvenis, sacerdotes e/ou agências de viagem e peregrinação. “De entre os grupos que se fizeram anunciar, há 6

compostos por peregrinos de diferentes nacionalidades: Filipinos e Indianos residentes nos Emirados Árabes, jovens da Arábia, jovens ligados a congregações, como as Oblatas de Maria Virgem de Fátima, e a movimentos eclesiais, como o Caminho Neocatecumenal ou as Milícias de Santa Maria”. O Santuário de Fátima pretende acolher estes grupos da melhor forma possível e realça o interesse dos jovens por uma peregrinação a este santuário como uma boa oportunidade de aprofundamento da fé e de interiorização da mensagem de Fátima. Em termos práticos, as solicitações têm sido várias: alojamento, refeições, local para tomar duche, espaço coberto para acampar, local para a celebração da Eucaristia, quando trazem sacerdote, informação sobre o Santuário, horários das nossas celebrações e outros programas, como visitas guiadas. O Santuário procura dar resposta positiva a estas solicitações. “Em relação ao alojamento, em algumas datas não temos mais disponibilidade; quanto às refeições, há dias em que estamos no limite máximo, nas casas do Santuário. No que respeita às celebrações, para os grupos mais numerosos disponibilizamos a própria Igreja da Santíssima Trindade. Quando é possível, reservamos uma capela para cada grupo ou propomos que participem nas celebrações oficiais, uma vez que,

Escuteiros de Leiria na Suécia

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Vários grupos de jovens de diferentes nacionalidades juntam à deslocação a Espanha para participação na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), de 16 a 21 de Agosto, em Madrid, a peregrinação ao Santuário de Fátima. Alguns prevêem passar pelo santuário antes da JMJ, outros marcaram a vinda a Portugal para depois deste grande encontro. Até inícios do corrente mês de Julho, foram vários os grupos que se anunciaram junto dos serviços do Santuário. “Até este momento, fizeram-se anunciar 64 grupos de jovens, que indicam participar também nas JMJ. Destes, 45 vêm antes das jornadas e 19 vêm depois”, revela Natalina Ferreira, directora do Serviço de Peregrinos (SEPE) do Santuário de Fátima. Os grupos são diversos e continuam a anunciar-se. Dos grupos já inscritos, 42 têm até 100 peregrinos, 17 têm entre 100 e 500 peregrinos. Três grupos dos mais numerosos vêm do Brasil: um com 615 jovens, outro com 1000 e outro com 1500. De Lisboa deslocar-se-á a este santuário um grupo de 2.000 jovens. O maior dos grupos trará a Fátima 2.500 jovens. “Este maior grupo, de 2.500 pessoas, inclui peregrinos de língua espanhola de diferentes países, sobretudo da América do Sul. São jovens que, antes das jornadas, se vão juntar na diocese de CoriaCácares, em Espanha, e

Acampamento Mundial

para além das missas em português, temos a missa oficial em italiano, inglês e em espanhol”, explica Natalina Ferreira. Duas outras propostas estão a ser bem acolhidas pelas organizações que prepararam a peregrinações. A primeira passa pelo convite à participação no Rosário oficial, em que os mistérios são recitados nos diferentes idiomas, e, a segunda, pela possibilidade de grupos de jovens levarem o andor de Nossa Senhora na durante a procissão. A própria Casa do Jovem, aberta habitualmente só aos fins-de-semana de Julho e Agosto, alargará o período de funcionamento para prestar um melhor acolhimento: estará aberta nos dias 11, 12, 15, 16, 22, 23, 24 e 25 de Agosto, jornadas com maior número de grupos de peregrinos jovens inscritos. “Os acolhedores estarão à disposição para apresentar a mensagem de Fátima, passar um filme, falar sobre a espiritualidade do lugar, para ouvir os jovens, para conversar. É também um local propício à oração, uma vez que a Casa do Jovem tem capela própria”, sublinha Natalina Ferreira. LeopolDina Simões Sala de Imprensa do Santuário de Fátima

Meses de Julho a Setembro

Grupo Esloveno fez retiro em Fátima

Festas Religiosas na Diocese

Agradecer a Nossa Senhora De 18 a 22 de Julho, decorreu no Santuário de Fátima um retiro de oração de um grupo de 93 sacerdotes e leigos provenientes da Eslovénia. Ao celebrar doze anos de existência, a Comissão eslovena para a Consagração aos Corações de Jesus e Maria escolheu Fátima como lugar privilegiado para os exercícios espirituais. “Nos anos muito difíceis para o nosso povo, durante

a segunda guerra mundial, em 1943, o bispo esloveno Gregorij Rozman pôs toda a sua confiança na promessa de paz que Nossa Senhora tinha feito em Fátima se fosse feita a consagração ao seu Coração Imaculado. Em sintonia com o Papa Pio XII, aquele bispo esteve entre os primeiros na Europa, precedido apenas pelos bispos portugueses, que corresponderam ao pedido de Nossa Senhora.

Após uma sólida preparação em todas as paróquias nos Cinco Primeiros Sábados do mês, entre Janeiro e Maio de 1943, a solene consagração ao Coração Imaculado de Maria teve lugar em Lubliana, no último Domingo de Maio de 1943, no Santuário mariano de Rakovnik, orientado pelos sacerdotes salesianos”, recorda Dragica Cepar, porta-voz do grupo. Os exercícios espiritu-

Entre os dias 25 de Julho a 8 de Agosto, está a decorrer na Suécia, o 22º Acampamento Mundial do Escutismo (Jamboree). Nesta actividade, cujo número de total de Escuteiros calcula-se que seja cerca de 40.000, estarão presentes 53 escuteiros de diversos Agrupamentos da Região de Leiria (Vieira de Leiria, Arrabal, Nossa Senhora das Misericórdias, Ourém, Maceira, Amor, Sé Leiria, Boa Vista, Bajouca e Santo Agostinho), que irão integrados no Contingente de Portugal (861 elementos). O Jamboree tem como tema principal “Simplesmente Escutismo”, os escuteiros participantes irão desenvolver novas habilidades e compartilhar os seus conhecimentos e experiências, enquanto trabalham para uma maior compreensão internacional, fazendo o que mais amam: Simplesmente Escutismo. Dentro do tema geral, existem três conceitos importantes que estarão presentes em todos os aspectos do Jamboree: Encontros O Jamboree vai promover encontros entre as diferentes culturas, religiões, países e continentes. Os participantes vão ficar a conhecer aqueles que vivem fora de sua própria comunidade local e descobrir que estranhos podem se tornar amigos e próximos. As reuniões serão realizadas em todos os lugares, desde as actividades para subcampo , desde pequenas fogueiras para eventos na imensa arena. Todos os aspectos do campo favorecerão o encontro. Natureza Este Jamboree vai estar perto da natureza. De facto, os escuteiros vão viver no meio da natureza por duas semanas, num imenso campo rodeado por árvores e florestas. O programa do Jamboree vai usar o ambiente natural como uma ferramenta de aprendizagem, demonstrando a sua vulnerabilidade e o que as pessoas podem fazer para melhor proteger o mundo em que vivemos. Solidariedade O Jamboree vai incentivar a solidariedade entre escuteiros de todas as idades, e promover a unidade entre as várias associações de todo o mundo. Também irá ajudar a ver que compartilhamos uma responsabilidade comum para com o nosso mundo. O Jamboree vai promover o respeito pelas outras pessoas, enfatizando a igualdade de direitos e da paz e no Jamboree em si, todos são iguais, independente de quaisquer características pessoais ou de fundo. No final do Jamboree espera-se que os Escuteiros participantes possam dizer que viveram as duas melhores semanas das suas vidas, que tenham orgulho em ser Escuteiros e que tenham aprendido sobre as pessoas e culturas de todo o mundo.

ais realizados na última semana em Fátima foram orientados pelo arcebispo emérito D. Alojz Uran, com a colaboração do presidente da Comissão, o abade emérito Anton Nadrah, e os sacerdotes membros. O grupo era composto por 93 pessoas: 45 leigos, entre os quais algumas famílias, e 48 sacerdotes diocesanos, religiosos de várias ordens, seminaristas, diáconos permanentes e uma religiosa.

Tradicionalmente nos meses de Verão com a chegada dos imigrantes, intensifica-se as festividades religiosas na Diocese. Para além de proporcionarem momento de encontro e convivo, elas são essencialmente homenagem dos crentes aos seus Santos Padroeiros. Na impossibilidade de reproduzirmos o programa de cada uma das festas de que vamos tendo conhecimento, deixamos as datas das que chegaram até nós: Dias 30 e 31 de Julho, no Telheiro, Festa em honra da Imaculada Conceição; Dias 1, 2, 3 e 4 de Agosto, nos Marrazes, Festa em honra do Santíssimo Salvador; Dias 6, 7 e 8 de Agosto, na Barreira, Festa em honra do Santíssimo Salvador; Dias 16, 17, 18 e 19 de Setembro, nos Milagres, Festa em honra do Senhor Jesus.


10 ECLESIAL

O Mensageiro 28.Julho.2011

Comum (31/07/2011)

Antífona de Entrada: Salmo 69, 2.6 Leitura I: Is 55, 1-3 Salmo Responsorial: Salmo 144 (145), 8-9.15-16.1718 (R. cf. 16); Refrão: Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome. Repete-se Leitura II: Rom 8, 35.37-39 Aclamação ao Evangelho: Mt 4, 4b; Refrão: Aleluia. Repete-se; Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Refrão EVANGELHO: Mt 14, 13-21 Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Disse Jesus: «Trazei-mos cá». Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. Palavra da salvação.

Cânticos | XIX Domingo do Tempo

Comum (07/08/2011)

Janela Sobre a Missão

Partida atribulada Dia 24 de Julho foi o dia do regresso a Angola do P. David e da Ana Sofia. Uma forte comitiva acompanhou-os na despedida e, apesar de alguns corações estarem um pouco “apertados”, os sorrisos acompanharam este momento pela alegria que sentimos por haver gente com coragem que continua a levar por diante este projecto. Depois de muitos beijos, abraços, lágrimas e acenos de mãos, lá deixámos de os ver numa esquina do aeroporto. Presumíamos nós que tudo estava a decorrer com a normalidade habitual, quando recebemos um chamada da Ana Sofia a informar que tinham perdido o avião. Como esta nossa missionária é muito brincalhona, foi difícil acreditar que era mesmo verdade. Foi como se levássemos uma pancada na cabeça. Com era possível? E agora que fazer? E as malas, estariam a “viajar” ou teriam sido retiradas do avião? E havia uma preocupação suplementar: o dia 25 de

Julho era a data-limite do visto de entrada da Ana Sofia. E se não houvesse voo?... Graças ao telemóvel, fomos tentando dar força e transmitir serenidade aos nossos passageiros ao mesmo tempo que acompanhávamos o “evoluir dos acontecimentos no terreno”. Entretanto, parámos na estação de serviço de Aveiras de Cima para dar tempo e decidir o que fazer. Viemos a saber que a porta de embarque fechou 15 minutos antes da hora do voo e que os nossos missionários lá chegaram um pouco depois dessa hora. Depois de termos sido informados que as bagagens tinham sido recuperadas e que já tinham conseguido lugar para o voo da noite, decidimos repartir uma parte do grupo que tinha acompanhado os nossos missionários. Uma parte continuou a viagem de regresso a casa na carrinha da D. Inês e do Dr. Luís, enquanto o Amândio, eu e o Alexandre (no carro

AO SABOR DA PALAVRA

sa, nunca estão satisfeitas com aquilo que têm, o que origina que outros tenham menos do que aquilo que necessitam. Então o que podemos fazer? Deus diz-nos, na primeira leitura, que só Ele mata a fome e a sede das pessoas. Que mesmo sem dinheiro podem aproximar-se de Deus, porque n’ Ele encontram aquilo que verdadeiramente enche o homem: a justiça, a paz, a verdade. A Palavra de Deus não é para ser lida literalmente, mas antecedendo o texto das bem aventuranças que Jesus haveria de proferir mais tarde, o sentido é mais abrangente para o homem. Encontramos esta mesma vontade que Deus tem de dar, no Evangelho, quando Jesus dá de comer a mais de cinco mil pessoas, multiplicando cinco pães e dois peixes. Mas mais uma vez, não é esta a fome que Jesus quer matar, é uma fome mais profunda, mais interior. Porque não

DR

Leituras | XVIII Domingo do Tempo

deste) voltámos para trás para ir recolher os nossos malogrados viajantes. Do aeroporto, já com as emoções mais serenadas, e depois de termos sido convidados pela mana Elsa, dirigimo-nos para o apartamento onde tem vivido como estudante, em Barcarena. Aí tomámos o já desejado almoço que a nossa anfitriã já tinha preparado. Aí estivemos toda a tarde e aproveitámos para fazer algum trabalho nas listagens e facturas do contentor. Ao fim da tarde rumámos ao aeroporto onde já estavam os pais da Ana para nova despedida, desta vez definitiva, graças a Deus. Viemos a saber que a Inês Angélica e Teresa, que tinham dito que iriam ao

Gungo, afinal estavam em Luanda para lhes fazer uma surpresa e quem apanhou a surpresa e até o desgosto foram elas. É caso para dizer: “A Missão também é isto”. Já hoje estivemos em contacto com os nossos missionários; a viagem até Luanda correu bem (engraçado, que o voo da noite partiu meia hora atrasado) tal como a que tiveram até ao Sumbe, onde chegaram a meio da tarde. Agora, com a equipa mais recomposta e reforçada desejamos-lhe uma boa missão e que estas provações nos ajudem a fortalecer a nossa coragem e confiança. Um abraço.

basta dar uma esmola e matar temporariamente a fome a alguém. É preciso mudar a atitude de vida de todas as pessoas, para que sejam mais responsáveis e solidárias. Não nos podemos esquecer que a pessoa humana é um ser muito complexo, e que para a construção e existência de si mesmo concorrem muitos factores. Não podemos pois cuidar apenas de alguns aspectos da vida humana. Não podemos olhar apenas para a dimensão material. Deparamo-nos todos os dias com gente que precisa de alguma coisa, mas não podemos optar pelas soluções mais fáceis, como algumas pessoas defendem. Porque a maior fome das pessoas não é apenas alimentar, é também espiritual, mas poucos ligam a isso. O paraíso não é viver numa prisão dourada, com medo constante de perder as riquezas que se têm, protegido por grades, muros e alarmes, escondendo o que

se tem, com medo sequer de os mostrar a alguém. O paraíso é viver em harmonia com toda a realidade que nos rodeia: afinal Adão e Eva não tinham roupa, não tinham jóias, não tinham TV nem internet, não iam de férias ao estrangeiro, não eram donos de multinacionais, mas viviam no paraíso. E é isto que precisamos de encontrar: esta tranquilidade interior, que nos satisfaz plenamente porque nos mostra aquilo que verdadeiramente vale a pena, e assim podemos, como diz S. Paulo aos romanos, descobrir o amor de Deus que nos dá a coragem necessária para enfrentar a vida com serenidade, com tranquilidade e com o coração cheio de paz, conscientes de podemos entregar a sua vida como dom, correndo riscos na luta pela paz e pela justiça, enfrentar os poderes da opressão e da morte.

P. Vítor Mira

INÍCIO: Quem poderá subir - Lau 709 Senhor quem entrará - Lau 773 SALMO RESPONSORIAL: Mostrai-nos o Vosso amor - Lau 502/503 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Tu que nas margens do lago - Lau 827 COMUNHÃO: Eu sou o caminho - Lau 371 Quando Te encontro - Lau 691 PÓS-COMUNHÃO: Nada Te perturbe - Lau 70 FINAL: Cristo dará a liberdade - Lau 246 Sábado 19h00 – Sé 19h30 – Franciscanos

MISSAS DOMINICAIS

Domingo 08h30 – Espírito Santo 09h00 – Franciscanos 09h45 – Paulo VI 10h00 - S. Francisco 10h30 – Franciscanos 10h00 – S. Romão 11h00 – S. Agostinho 11h00 – Hospital 11h30 – Cruz da Areia 11h30 – Seminário e Sé 18h30 – Sé 19h30 – Franciscanos 21h30 – Sª Encarnação

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

18º Domingo do Tempo Comum 31 de Julho de 2011

Paraíso A imagem que temos do paraíso é de um sítio onde nada falta, onde a abundância atinge todas as pessoas. Mas esse mundo maravilhoso é uma utopia. Todos sabemos que é difícil, se não impossível, fazer com que toda a gente tenha o suficiente para ser feliz. Sobretudo porque vemos que as pessoas querem sempre mais alguma coi-


ECLESIAL • PORTUGAL 11

O Mensageiro

28.Julho.2011

D. Manuel Clemente (Porto)

Bispo envia mensagem aos jovens O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, divulgou uma mensagem, através do canal de partilha de vídeos Youtube, convidando os jovens, em especial os cristãos, a tornarem-se “verdadeiramente fraternos” em relação “a todos e cada um”. O prelado sublinha, na intervenção de quase três minutos, que “este verão será marcado, directa ou indirectamente, para muitos jovens cristãos e até nem cristãos”, pelas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), em Madrid. A edição de 2011 das

JMJ, a maior iniciativa juvenil católica, realiza-se na capital espanhola de 16 a 21 de Agosto, contando com a presença do Papa nos últimos dias do encontro. D. Manuel Clemente parte do tema das Jornadas, ‘Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé’, que considera “programático”. “Para nós cristãos, concretamente para os jovens, Jesus é uma verdadeira raiz da sua vida, uma radicação dos seus sentimentos, dos seus pensamentos, da sua maneira de ver a vida e de conviver com os outros”, indica.

“Ser jovem cristão é aderir a esta totalidade, a esta radicação da vida na pessoa de Jesus Cristo e na convivência com ele”, refere ainda o bispo do Porto. Para este responsável, a “palavra” de Jesus tem hoje “o rosto de cada cristão, concretamente de cada jovem cristão entre os outros jovens de quem tem de ser próximo, amigo, também e sempre testemunha do Evangelho”. Aos cristãos, observa, compete a missão de manter viva a sua fé e encher o mundo de “verdade, de justiça e de paz”.

“A fé é uma convivência que nunca mais acaba”, é uma “convivência que permanece, com Jesus Cristo, que nunca cansa”, precisa D. Manuel Clemente. O bispo do Porto deseja aos jovens “um verão muito feliz”, fazendo votos de que seja “uma oportunidade de se radicarem mais em Jesus Cristo”. “Que a vida de Jesus Cristo seja a esperança do mundo inteiro”, conclui. O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil tem apontado para a presença de 15 mil portugueses em Madrid, para a JMJ 2011.

Jornadas de Comunicação Social 2011

«Era digital: revolução na cultura e na sociedade» Estão abertas as inscrições online para as Jornadas de Comunicação Social 2011, promovidas pela Igreja Católica em Fátima, entre 29 e 30 de Setembro, tendo como tema «Era digital: revolução na cultura e na sociedade». A iniciativa, organizada pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja traz o Portugal o responsável do Vaticano para esta área. D. Claudio Maria Celli,

presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, organismo da Santa Sé, vai encerrar as jornadas com uma conferência sobre o tema «Era digital e comunicação na Igreja Católica». O programa das Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais inclui uma mesa-redonda sobre o «relevo da comunicação social» na acção da Igreja e no jornalismo. Seguem-se momentos

de trabalho específicos para directores de secretariados diocesanos das comunicações sociais, de gabinetes de imprensa e assessores de comunicação bem como para directores de meios de comunicação social, jornalistas e profissionais dos media. As Jornadas destinam-se a todos os profissionais de comunicação, quer ligados a meios de inspiração cristã, quer a outros que abordem notícias e questões relacio-

nadas com a Igreja. A agenda do encontro inclui a abordagem de questões concretas que os participantes considerem pertinentes, momentos de comentários e debate após as conferências e trocas de experiências sobre o trabalho já realizado nesta área. As inscrições podem ser feitas através do site www.ecclesia.pt/ jornadas2011, que oferece ainda o programa completo da iniciativa.

Primeira reunião em Portalegre

BREVES Convívios Fraternos

Jovens anunciam Deus pelas ruas de Estremoz Cerca de duas dezenas de jovens, ligados ao Movimento dos Convívios Fraternos (MCF) da diocese de Évora, vão realizar uma jornada de evangelização na cidade de Estremoz, entre 30 de Julho e 7 de Agosto. De acordo com Sofia Silva, uma das organizadoras do evento, em declarações prestadas à Agência ECCLESIA, “vão ser sete dias de contacto directo com as pessoas, porta a porta, para levar um pouco de Deus aos outros”. Haverá ainda tempo para, em cada noite, promover a leitura e reflexão do Evangelho, “mostrando como é que a Palavra de Deus se pode encaixar na vida de cada um”, explica. Esta iniciativa tem o nome de “Atreve-te” e realiza-se normalmente durante as férias missionárias que o MCF realiza todos os anos. “O atrevimento pode ser de parte a parte, é nosso porque chegamos ali para falar de Deus, e é das pessoas, porque têm de estar abertas para receber essa palavra e seguirem esse objectivo”, explica a jovem, que integra o movimento há mais de três anos. Aos 21 jovens que se preparam para partir neste projecto, pede “acima de tudo, que não tenham medo e se entreguem nas mãos de Deus, porque de certa forma foram chamados a levar aos outros a alegria”. Por vezes, as pessoas não respondem ao chamamento e há portas que permanecem fechadas. Nesses momentos, em que até podem surgir “más respostas”, o segredo passa por “ir buscar forças à oração e manter a confiança em Deus”, aponta Sofia Silva. No entanto, de acordo com aquela responsável, quando a vontade em transmitir a fé encontra acolhimento junto do outro, do desconhecido, que não tem à partida nenhuma razão para escutar, há algo de muito especial que acontece. “Recordo-me do ano passado, quando fizemos o porta a porta, houve uma senhora mais idosa que me deu um abraço e disse: ‘ainda bem que veio’”, revela a jovem, considerando que “são estes os momentos que marcam”. Este novo grupo será acolhido pelas paróquias de Santa Maria e Santo André, que se comprometeram nessa semana a assegurar casa e comida para todos. O Movimento dos Convívios Fraternos pretende desenvolver a vocação apostólica e missionária no meio da comunidade, de modo a que jovens e adultos se comprometam a evangelizar o meio em que vivem e aceitem o chamamento de Deus, na vida sacerdotal ou consagrada.

«Grupo dos Amigos do Caminho de Santiago»

Maratona de oração online

O Secretariado da Mobilidade Humana da diocese de Portalegre-Castelo Branco promoveu no dia 24 de Julho, em Marvão, o primeiro encontro do ‘Grupo dos Amigos do Caminho de Santiago da Beira Baixa, do Norte Alentejano e Ribatejano’. Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, Júlia Adega, uma das fundadoras, revelou que vários dos participantes partilharam o que mais os “impressionou” ao longo

Cerca de 2100 pessoas estiveram envolvidas, nos dias 24 e 25 de Julho, numa maratona de 24 horas de oração com transmissão online, realizada pelo Movimento Encontro de Jovens (MEJ) Shalom. De acordo com o coordenador do evento, João Carita, em declarações prestadas à Agência ECCLESIA, “o objectivo foi essencialmente retirar os participantes do seu quotidiano habitual, levando-os a experimentar coisas diferentes dentro da fé, utilizando neste caso as novas tecnologias”. Para a organização, mais importante do que o volume de tempo que cada pessoa passou a rezar foi o facto de “se ter incluído Deus nos projectos de fim-de-semana”. João Carita espera que esta actividade ajude a “despertar” a curiosidade religiosa das diversas comunidades, especialmente aquelas que andam mais afastadas de Deus.

DR

do caminho, referindo “o cansaço, as bolhas nos pés, os albergues, os encontros e desencontros, mas sobretudo a alegria e a emoção sentidas por cada um ao chegar a Compostela”. Uma das rotas do Caminho Português para aquela cidade da província espanhola da Galiza atravessa o território da diocese de Portalegre-Castelo Branco, depois de passar pelo Baixo Alentejo. O Caminho de Santiago, em sentido alargado,

Novas tecnologias na descoberta de Deus

designa os itinerários provenientes de vários pontos da Europa em direcção

àquele que a tradição diz ser o túmulo do apóstolo São Tiago Maior.


12 ECLESIAL • MUNDO

BREVES Jornadas Mundiais da Juventude favorecem

«Geração identificada com a fé» O arcebispo de Madrid considera que a etapa das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), que a sua comunidade se prepara para acolher entre 16 e 21 de Agosto, permite criar uma “geração identificada com a fé, em comunhão com a Igreja”. Na encerramento de um curso de verão intitulado “os jovens e a Igreja Católica”, organizado pela universidade Rei Juan Carlos em Aranjuez, D. António Maria Rouco convidou os jovens a “abrirem caminho à evangelização”, apoiados num “acontecimento de extraordinária importância”. De acordo com a agência Zenit, o prelado aproveitou ainda para recordar as palavras de João Paulo II, fundador das JMJ, em 1989, quando a arquidiocese de Santiago de Compostela acolheu o evento. Tal como agora, o arcebispo foi anfitrião do evento e reteve o convite deixado pelo Papa polaco aos mais novos, para que “vivessem a sua vocação e missão de uma forma directa, centrada em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida”. As metas estabelecidas ano após ano pela pastoral juvenil, consolidadas agora por Bento XVI, são mesmo o “segredo do sucesso das jornadas”, permitindo a descoberta de “novos caminhos”, sublinha.

Papa encoraja trabalho na educação e cultura

Instituição Teresiana

O papa Bento XVI enviou uma mensagem à associação internacional de leigos Instituição Teresiana, encorajando o seu trabalho na educação e cultura. No texto, divulgado pela Rádio Vaticano, o Papa convida os membros da organização “a entregarem-se à apaixonante tarefa de despertar a alma cristã e humana no mundo da educação, da cultura e da promoção integral da pessoa”. A Instituição Teresiana (www.institucionteresiana.c om) está reunida em assembleia plenária, que decorre desde o dia 18 até 28 de Julho, na localidade madrilena de Los Negrales, Espanha. Bento XVI faz votos que o trabalho do instituto dê “muitos frutos”.

Entre natureza e leituras

Férias do Papa

O jornal do Vaticano revelou que Bento XVI tem passado os seus dias de férias em Castel Gandolfo, arredores de Roma, entre a “meditação, a leitura pessoal, a atenção pela natureza e o descanso”. Na edição de 22 de Julho de ‘L’Osservatore Romano’ o quotidiano destaca que este é “um tempo de trabalho mais intenso e mais recolhido”, que inclui encontros com colaboradores directos e mesmo, na segunda-feira, uma reunião com o primeiro-ministro da Malásia. A crónica sublinha que o horário do Papa é “ligeiramente adiantado” em relação ao habitual, nestas semanas, com passeios “pela natureza”, habitualmente à tarde, na companhia do seu secretário particular e colaboradores mais próximos, com os quais reza o terço. As viagens a Espanha, em Agosto, e à Alemanha, em Setembro, fizeram com que Bento XVI levasse muitos “mapas e livros” desde o Vaticano. O Papa está ainda a trabalhar no último volume da sua obra «Jesus de Nazaré», cujo terceiro livro se vai centrar nos chamados «Evangelhos da infância». Os 50 anos da abertura do II Concílio do Vaticano (11 de Outubro de 1962) estão, segundo o jornal da Santa Sé, presentes nas preocupações do Papa, que participou nesse encontro mundial “desde o início”.

O Mensageiro 28.Julho.2011

Noruega

Cáritas Portuguesa solidária com população Responsáveis católicos consideram o país nórdico um exemplo de abertura e tolerância face a outras culturas A Caritas Portuguesa associou-se ao “dolorosíssimo sofrimento” da população da Noruega marcada, no dia 22 de Julho, por um duplo atentado que retirou a vida a 91 pessoas. Numa carta dirigida à embaixadora norueguesa em Portugal, Inga Magistad, o presidente deste organismo humanitário católico manifesta a “mais veemente solidariedade aos familiares dos que estão feridos no corpo e na alma”, e pede “ao Senhor da Paz que acolha no seu reino os que pereceram”. Eugénio Fonseca espera ainda que “apesar da revolta e necessária justiça humana reparadora das atrocidades cometidas”,

Deus “derrame sobre os corações de todos os noruegueses sentimentos de paz e compaixão, mesmo que seja compreensível a revolta que em si possam conter”. “É com grande pesar e tristeza que a Caritas Portuguesa se associa ao dolorosíssimo sofrimento do povo da Noruega, de modo especial, ao dos familiares de todos os que foram vítimas de um acto de horrorosa barbaridade, como nunca tinha acontecido desde a II Guerra Mundial”, assinala o texto. A Cáritas considera que “a Noruega é um exemplo para todo o mundo, não só de desenvolvimento económico e social, como também de tolerância e de abertura para com diferentes visões do mundo”. “Acreditamos, por isso, que nada poderá pôr

em causa esta forma de soberania”, conclui a mensagem de condolências à representação diplomática da Noruega. A nação nórdica foi abalada dia 22 pela explosão de uma bomba junto à sede do Governo, em Oslo, que causou 8 vítimas mortais. Pouco depois, seria conhecido outro acto de violência, desta vez na ilha de Utoeya, onde 82 jovens, segundo a última contagem das autoridades, foram mortos a tiro enquanto participavam num acampamento do Partido Trabalhista, atualmente no poder. Em declarações à Rádio Vaticano, o bispo de Oslo, D. Bernt Ivar Eidsvig, admite que “a tragédia afectou cada um” dos habitantes da capital norueguesa, para lá de quaisquer “diferenças políticas, religiosas ou

culturais”. No passado domingo, Bento XVI manifestou a sua “profunda dor” pelos atentados, classificando como “graves” os ataques na Noruega. “Mais uma vez, infelizmente, chegam notícias de morte e de violência. Todos sentimos uma profunda dor”, disse o Papa, em Castel Gandolfo, arredores de Roma, onde se encontra a passar férias. O Núncio Apostólico na Noruega, D. Emil Paul Tscherrig revelou que as palavras do Papa “foram transmitidas aos fiéis durante a missa de domingo”, em todas as paróquias, e que as mesmas foram “consideradas pela população como um grande acto de solidariedade”.

Programa de Bento XVI na Alemanha

Terceira visita do Papa ao seu país natal A sala de imprensa da Santa Sé divulgou o programa da visita de Bento XVI à Alemanha, a decorrer entre 22 a 25 de Setembro, que inclui encontros com a comunidade judaica e muçulmana. A terceira viagem do Papa à sua terra natal, após as de 2005 (Jornada Mundial da Juventude) e 2006 (visita à Baviera, região onde nasceu), conta com passagens por Berlim, Erfurt, Etzelsbach e Friburgo, tendo como lema ‘Onde há Deus, há futuro’. Esta vai ser a primeira viagem com estatuto de visita de Estado, pelo que os primeiros momentos da agenda de Bento XVI em solo germânico são dedicados a encontros com responsáveis políticos. A chegada a Berlim, no dia 22, quinta-feira, está prevista para as 10h30 locais (menos uma em Lisboa) e a cerimónia de boas vindas, com o primeiro discurso papal, acontece no castelo de Bellevue, às 11h15, seguida de uma visita de cortesia ao presidente alemão.

Da visita destacam-se os encontros com a chanceler Angela Merkel, na sede da conferência episcopal alemã, antes de uma visita ao Parlamento federal, com os representantes da comunidade muçulmana na Nunciatura Apostólica, anda estará com representantes do Conselho da Igreja Evangélica Alemã no convento dos Agostinhos, onde tem lugar uma celebração ecuménica, com discurso de Bento XVI; encontro com o antigo chanceler Helmut Kohl, no

seminário desta cidade, antes da reunião entre o Papa e representantes das Igrejas Ortodoxas na Alemanha. Está previsto o encontro com seminaristas e com o Conselho do Comité Central dos Católicos Alemães (ZDK). Na Feira de Friburgo, o Papa preside a uma vigília de oração com os jovens. O dia final da visita, 25 de Setembro, começa com uma missa no aeroporto turístico de Friburgo, pelas 10h00, a que se segue um almoço com os membros da Conferência Episcopal

Alemã e, às 16h20, um encontro com os magistrados do Tribunal Constitucional Federal. O último encontro da visita papal é dedicado por Bento XVI aos “católicos comprometidos na Igreja e na sociedade”. A chegada a Roma está prevista para as 20h45 desse domingo, após seis voos, 12 discursos, três homilias, duas saudações e mais de 2750 quilómetros percorridos em 84 horas e meia.


OPINIÃO 13

O Mensageiro 28.Julho.2011

RECORTES

Aura Miguel

Vaticanista e jornalista

Monsenhor Junmin: A bem da Igreja universal*

C

om a revolução cultural, a Igreja foi suprimida na China, mas, nos anos 80, o Governo de Pequim mudou de estratégia. A Irmã Peter, religiosa do Sagrado Coração, hoje com 90 anos, foi presa em 1958 e obrigada a trabalhos forçados. Trabalhou na construção de casas e pontes e depois numa fábrica de carros. O bispo Jin Peixian, hoje com 83 anos, passou 10 anos na prisão e mais tarde foi enviado para um campo de trabalho agrícola. Cecília Tao Beiling, leiga, aos 19 anos foi levada para uma “quinta de re-educação” e por lá ficou mais de oito anos, sem hipótese de escolha.

RABISCOS

Pedro Jerónimo Curioso dos media

O “caso” do casamento que começou 1h30 depois, devido ao atraso da noiva

A milhares de católicos aconteceu o mesmo. Com a revolução cultural, a Igreja foi suprimida. Mas, nos anos 80, o Governo de Pequim mudou de estratégia e autorizou que a Igreja abrisse as portas, mas sob o seu controlo: criou-se, então, a “Associação da Igreja Católica Patriótica”, não reconhecida pelo Papa e que tem vindo a ordenar membros próximos do partido para bispos de várias dioceses chinesas. Uma destas ordenações realizouse ontem, em Shantou. Os bispos que nela participaram arriscam a excomunhão. Alguns dias antes, quatro deles foram detidos pela polícia e obrigados a participar, mas houve um quinto bispo que se recusou a ir. Monsenhor Paul Pei Junmin, bispo de Liaonig – cuja ordenação é reconhecida pelo Vaticano - resistiu às pressões do Governo e, apoiado pelo seu clero e fiéis, não participou na ordenação de ontem. Não sabemos o que agora lhe vai acontecer. Mas a sua firmeza de pastor e o seu amor ao Papa são já, certamente, uma força de bem a favor da Igreja universal. Obrigada Monsenhor Junmin! * In RR online (15/07/11)

N

otícias que metam a Igreja, ou qualquer um dos seus membros, em situações ditas polémicas, aguçam o interesse do público e, consequentemente, dão audiência aos média que as reproduzem. Foi o que sucedeu, no início desta semana, com um dos destaques no único diário da região, que apresentava em primeira página o título “Padre abandona noivos no altar”. Após um início de leitura pouco claro – «Casal de noivos critica actuação de padre dos Marrazes, que abandonou a igreja sem realizar a cerimónia.» (...) «o caso ocorreu no passado dia 25 de Junho, na Batalha,

C

simples mas carregados de mensagem publicados no jornal paroquial. Habitueime assim a admirar a sua simplicidade e disponibilidade para a família, os vizinhos e muitos outros que beneficiavam do seu amor e da sua palavra. O modo como viveu e testemunhou a fé e o amor na família e na comunidade faz com que mereça também figurar nesta galeria das “testemunhas do amor”. A sua luz deve brilhar diante de nós para que, vendo as suas boas obras glorifiquemos a Deus, que a dotou de dons que ela soube fazer render nas condições próprias da sua vida. Emília Pereira Mónico nasceu em 1933 na Caranguejeira (Leiria) numa família numerosa de 13 filhos. Para ajudar a cuidar dos irmãos desde cedo, só pôde estudar até à terceira classe, o que muito a desgostou, pois desejaria ser professora. Apesar disso, não deixou de cultivar a leitura, diariamente, e a escrita, fazendo poemas. Foi camponesa e dona de casa e nisso foi feliz. Casou-se, teve 4 filhos que educou esmeradamente juntamente com o marido. Ajudou também no cuidado e educação dos 12 netos. Aos filhos e aos netos deixou o conselho: “Sejam bons para vocês e o resto está feito”. E explica o sentido das suas palavras: “Se eles forem bons para

eles, serão bons para Deus e serão bons para a sociedade”. Com o casamento, foi residir para a paróquia de Santa Eufémia onde viveu até ao falecimento, em 10 de Julho de 2011. O marido, os filhos e os netos foram naturalmente a sua prioridade no amor e na dedicação: “Entregavase plena e intensamente à família e não perdia uma oportunidade para educar, testemunhando com a sua vida, a sua experiência e o seu exemplo, alicerçados na fé cristã e nos valores em que acreditava”, como testemunham os filhos. Na recente celebração dos 50 anos do matrimónio, os filhos fizeram aos pais a seguinte de dedicatória: “Neste dia tão especial da vida dos nossos pais e da nossa, queremos agradecer o dom que eles são para nós. O seu espírito de luta, a fé, o amor e os valores, fizeram de nós a família que hoje somos. O testemunho de vida que nos transmitiram será sem dúvida o farol que nos iluminará pela vida fora”. E a Emília Mónico elogiou “o bom marido” e os filhos, dizendo: “Dou graças a Deus pela família que tenho”. Também na Igreja, na paróquia e na sua aldeia manifestou o seu amor de várias formas. Mantinha uma boa relação com as pessoas e ajudava-as de todos os modos que lhe era possível. Alimentava a

sua fé em Deus e testemunhava-a participando na vida da comunidade cristã quer cantando no coro da igreja quer fazendo parte dos movimentos eclesiais: Apostolado da Oração e Conferência de S. Vicente de Paulo. Mas o seu zelo apostólico não tinha fronteiras. Por isso, colaborava generosamente com os missionários na difusão de revistas e na angariação de apoios económicos para que o Evangelho de Cristo chegasse a todos os homens. Uma sua amiga das lides apostólicas na paróquia testemunha que ela soube fazer render “a cem por um” os muitos dons recebidos de Deus. Passou a vida “a fazer o bem na oração, no trabalho, na poesia, nos bordados, no grupo coral, na Conferência Vicentina, na ajuda aos outros quando precisavam, mesmo em trabalhos duros”. Por isso, considera a sua partida para a eternidade “uma perda incalculável e quase insubstituível”. E dirigindose a ela diz-lhe: “Viveste a vida a correr e sem perda de tempo, como a mulher forte do Evangelho. Sei que o teu lema era ‘rezar, trabalhar e despachar’, por isso, o Senhor te chamou depressa como viveste, talvez para te dar o prémio de todo o bem que fizeste” (Celeste Roda).

onde cerca de uma centena de pessoas, entre crianças e idosos, se prepararam para testemunhar o casamento, sendo a cerimónia celebrada por um padre dos Marrazes» –, o adiantar da mesma permite uma melhor percepção. Retiram-se, da notícia, algumas ideias: 1) o atrasado de 15 minutos, por parte da noiva, motivou a atitude do padre, que é 2) a única pessoa, dos envolvidos, identificada pelo nome; 3) os noivos terão sido alertados para a necessidade de serem pontuais – o padre tinha outro compromisso, 45 minutos após a hora marcada para o início da celebração em causa; 4) o

previsível celebrante terá salvaguardado a sua saída, questionando o pároco da Batalha para a possibilidade de o substituir; 5) a celebração realizou-se 1h30 depois do previsto. Entretanto, soube-se que o caso terá chegado às redacções de vários média regionais, através de um relato muito semelhante ao publicado pelo diário, a começar pelo título, igual em ambos os casos. O relato terminava com um “até à data, os noivos e familiares não receberam qualquer pedido de desculpas pelo episódio lamentável”. Feita a exposição, ficam algumas questões: Quem faltou ao assumido, isto

é, quem não foi pontual, o padre ou os noivos? Qual o objectivo de expor este caso – seja pelos próprios, por familiares ou amigos? No email enviado às redacções e na notícia publicada é referido que o padre “esqueceu-se de informar que qualquer atraso teria como consequência o cancelamento da cerimónia”. O casamento não se realizou? Se não começou a horas, de quem foi a responsabilidade? Uma última nota para a abordagem jornalística, no que toca à não identificação das pessoas envolvidas, à excepção do padre. Por outro lado, ainda que o jornal tenha colocado em

prática o princípio do contraditório, tentado obter declarações do padre envolvido e ouvindo o bispo diocesano, parece ter feito uma abordagem muito “colada” ao comunicado que recebeu. Publicar que o padre “avisou o noivo, de forma agressiva” ou que o mesmo “deixou claro que isso [cancelamento do casamento] seria um problema dos noivos”, é assumir que os factos ocorreram tal e qual como foram reportados pela fonte inicial. Para além dessa, quantas outras foram ouvidas, no sentido de se chegar a fortes evidências que foi realmente assim que tudo se passou?

TESTEMUNHAS DO AMOR

Pe. Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

Emília Mónico

onheci a Emília Mónico desde há muitos anos, pois era da minha aldeia. Em pequeno, via-a nos trabalhos agrícolas e algumas vezes fui a sua casa pedir água, que sempre me dava com simpatia e boa vontade. Ao domingo, via-a passar à minha porta a caminho da igreja, de manhã, para a missa ou, à tarde, para a oração do rosário. Li os seus poemas


14 INSTITUCIONAL / OPINIÃO CARTÓRIO NOTARIAL DA MARINHA GRANDE NOTÁRIA – Ana Luísa Cabral e Melo Pereira Guerreiro Certifico, para fins de publicação, que no Livro de Notas para escrituras diversas número 87 – A, deste Cartório, a folhas 36 e seguintes, foi lavrada escritura de Justificação Notarial, no dia 20 de Julho de 2011, na qual SILVANO HELENO DA SILVA e mulher MADALENA ROSÁLIA DOS SANTOS SILVA, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, naturais da freguesia de Maceira, concelho de Leiria, onde residem Estrada da Marinha Grande, nº 64, Telheiro, declararam que, são donos e legítimos possuidores com exclusão de outrem do prédio rústico composto por terra de semeadura, sito em Fontinha, Telheiro, freguesia de Maceira, concelho de Leiria, com mil duzentos e quarenta metros quadrados, a confrontar do Norte com caminho público, do Sul com Olímpio Rodrigues e outro, do Nascente com Elsa Ascenso e Manuel Ribeiro e do Poente com Verónica Santos, inscrito na matriz em nome do justificante marido sob o artigo 15.683, com o valor atribuído de mil euros, não descrito na Segunda Conservatória do Registo Predial de Leiria. O prédio veio à posse dos aqui justificantes no ano de mil novecentos e setenta e nove, por doação meramente verbal feita a ambos, por Manuel dos Santos Júnior e madalena Maria, casados sob o regime da comunhão geral e residentes que foram em Telheiro, Maceira, Leiria. Assim, desde aquela data, possuem o referido imóvel, há mais de vinte anos, amanhando-o, cultivando-o, usufruindo do mesmo, posse que sempre foi exercida por eles de forma a considerarem ta imóvel como seu, sem interrupção, intromissão ou oposição de que quer que fosse, á vista de toda a gente do lugar e de outros circunvizinhos, sempre na convicção de exerceram um direito próprio sobre coisa própria. Esta posse assim exercida deve-se reputar de pública, pacífica e de boa-fé. Por tal motivo e muito embora não possa exibir o respectivo título de aquisição, o certo é que adquiriram o mencionado prédio para seu património próprio por USUCAPIÃO, que aqui invocam, sem possibilidade de comprovar, pelos meios extrajudiciais normais o seu referido direito. Está conforme. Marinha Grande, 20 de Julho de 2011 A Notária, (Ana Luísa Cabral de Melo Pereira Guerreiro)

Ficha de Assinatura Assinaturas normal/benfeitor: 20/40 Euros (Nacional), 30/60 euros (Europa) e 40/60 (Resto do Mundo) Nome: ___________________________________________ ____________________________________________ Rua: _____________________________________________ _______________ N.º _______________ Localidade: ____________________________ C. Postal: _____ - ____________________ Telf.: _______________________________ E-mail:___________________________@_______________ Enviar esta ficha, recortada ou fotocopiada, para: O Mensageiro - Lg. Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA ou forneça-nos os seus dados através do endereço de correio electrónico jornal@omensageiro.com.pt

FARMÁCIAS DE SERVIÇO Baptista (28), Central (29), Godinho Tomáz (30), Higiene (31), Antunes (1), Lis (2), Oliveira (3) e Sanches (4).

TELEFONES ÚTEIS

Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te

Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

O Mensageiro 28.Julho.2011

ÚLTIMA COLUNA

D. João Alves

Bispo Emérito de Coimbra

Mesmo para fazer o bem é precisa atenção e imaginação

H

á muito bem que fica por realizar por falta de um pouco mais de atenção e de imaginação. Cito, de seguida, três casos em que se resolveram problemas porque se atendeu à situação de pessoas necessitadas e se teve um pouco de imaginação para encontrar a justa solução. São dois casos realizados por pessoas que mos contaram com simplicidade e o terceiro, passado comigo, que o dou, agora, a conhecer. Penso que a leitura destes casos pode estimular outras pessoas a proceder de modo semelhante e a proporcionar mais felicidade. O primeiro refere um agregado familiar cujo pai era desconhecido. Restavam três pessoas – mãe e dois filhos, estes menores de seis e de sete anos. Aquele aglomerado familiar vivia à volta da mãe que trabalhava algumas horas por dia e com o que lhe ofereciam lá ia conseguindo levar a sua barca da vida. Os problemas nunca faltavam acerca da casa e da sua renda, acerca do acompanhamento dos filhos nas

horas de trabalho da mãe, acerca da satisfação das dívidas correntes contraídas com aquela comunidade em que faltava o pai. Impressionou a têmpera rija daquela mãe. Fatigada, não voltava a cara ao trabalho pelo amor aos filhos. A pessoa que me contou este caso referiu que teve pena daquela mãe que ao ir para o trabalho a tremer deixava os filhitos entregues a eles próprios, o que não a deixava descansada. Procurei, disse-me a senhora, encontrar um lugar nos tempos livres o que consegui, deixando tranquila aquela mãe e os seus filhos. O outro caso trata de um homem envelhecido e andrajoso que, diariamente, dava a volta aos recipientes dos resíduos a ver se encontrava alguma ajuda que lhe desse jeito. Certo dia meti conversa com ele, que não era de muitas falas, e pergunteilhe depois de o saudar: Então essa sua procura, dá-lhe o que deseja? Seguiu-se silêncio só quebrado quando lhe disse: Não tenha receio que eu só desejo ajudá-lo. Então ergueu a cabeça e perguntou-me: Quem é o senhor? E porque quer ajudar-me? Nunca houve quem se interessasse por mim e mesmo o senhor já passou por mim várias vezes e só hoje é que diz que se interessa por mim? Eu vou responder-lhe às perguntas que me pôs: Eu sou sacerdote que tenho passado por si para ir celebrar a missa a uma capela daqui perto. Porque não me interessei antes por si? Por não querer parecer que estava a forçar a sua privacidade. E, por alguma timidez em avançar. Porque quero ajudá-lo?

Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244

Porque acho que posso abrir-lhe a porta de uma melhor situação para a sua vida. Qual? - perguntou-me logo. Um lar com boas condições capaz de lhe proporcionar paz e bem estar. Quanto se paga? -perguntou-me. Desculpe, isso não é o que mais interessa agora. O que lhe pergunto é se gostava de ir para um lar assim, onde encontrasse pessoas da sua idade, felizes e amigas. Eu vou pensar e amanhã dou-lhe a resposta. No dia seguinte lá estava de rosto mais aberto e a dizer-me: Agradeço a sua oferta e aceito-a, mas temos de conversar. E foi o que fizemos. Hoje é uma pessoa feliz no lar que cuida dele com amor como dos demais que lá vivem. Aquele desleixo e silêncio era o peso da sua vida sem nenhum sentido nem amor. Hoje, bem vestido e alimentado nem parece a mesma pessoa, é um homem novo que faz bem escutar. Passou a tratar dos jardins da casa que são o encanto de todos. Sentiu-se que havia ali um novo homem. Nunca disse quem era, mas todos acreditavam que estava ali uma pessoa importante que sofrera muito com a esposa e os filhos. O terceiro caso diz respeito a um agregado familiar constituído por mãe adoentada e dois filhos de menor idade. Todos muito amigos e os filhos com uma grande ternura pela mãe que os ama de verdade. Conseguia fazer, por vezes, algumas horas de trabalho sempre que a saú-

de o tolerasse. Certo dia, contou-me a senhora de uma mercearia, que entraram pela porta duas crianças abaixo dos 8 anos. Foram mirando os alimentos expostos e ficaram perto da senhora da mercearia. Com olhos de mãe descobriu que aquelas crianças estavam mal alimentadas. Perguntou-lhes: Vocês têm fome? Responderam: temos, ainda não comemos nada. E a vossa mãe? Está a trabalhar mas sempre a queixar-se de dores no corpo. Venham cá – E levou-as para dentro. Deu-lhes um bom prato de sopa que eles comeram sem demora. Depois deilhes duas sandes bem sortidas. No fim preparou o necessário para o jantar deles e da mãe que eles levaram. No dia seguinte veio a mãe com os dois filhos a agradecer tanto bem que lhes tinha sido feito. Ficaram a conversar. A senhora da mercearia perguntou à mãe: Não gostaria que os seus dois filhos ficassem acompanhados enquanto trabalha? - Ai se gostava! Era um mimo. - Então vamos tratar disso! E, pouco depois, estavam, nos tempos livres do Centro Social Paroquial. Estes são três casos de necessidades, mas como estes existem muitos outros. Viviam com graves deficiências, mas pelo diálogo encontrou-se melhor solução. Há tantos casos que se arrastam e se complicam só porque faltou um pouco de atenção e imaginação.

832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo (CP7104), Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2011 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


OPINIÃO / DESPORTO 15

O Mensageiro 28.Julho.2011

A

economia portuguesa está na situação habitual da selecção nacional: além de ter de ganhar todos os jogos para conseguir o apuramento, depende ainda do resultado de outros encontros. O memorando da troika tem de ser cumprido mas não chega. Só se a Europa vencer alguns desafios financeiros é que seremos repescados. Este paralelo entre as situações económica e futebolística é bastante mais profundo do que parece. O País, como aconteceu tantas vezes à nossa equipe, mudou de seleccionador nacional. O novo plantel de Passos Coelho criou boas expectativas, recuperando-se alguma esperança. O prognóstico para os próximos jogos é moderadamente optimista. Ou razoavelmente pessimista segundo a maioria. Chegámos a esta situação ambígua porque o anterior treinador, excelente nas conferências de imprensa, acumulou derrotas dentro das quatro linhas. Em Setembro de 2008, quando o campeonato aqueceu decisivamente na crise mundial, nós ainda dependíamos só de nós. Após quinze anos de endividamento a pontuação era fraca, desanimante mesmo, mas seria possível assegurar a passagem à fase seguinte apenas com os nossos resultados. Os erros tácticos e

as oportunidades perdidas dos últimos três anos deixaram-nos com uma mera possibilidade matemática de apuramento. Claro que, como acontece no futebol, também na situação económica as culpas nunca são dos jogadores. Nas análises de bancada os responsáveis são sempre o árbitro, o relvado ou os juízes de linha. Antes de mais a culpa é da Europa e do FMI, responsáveis máximos das nossas dificuldades. Mas desta vez acusar o árbitro roça o inacreditável. A chamada troika do Fundo, Comissão e Banco Central veio ter connosco com um enorme saco de dinheiro, precisamente no momento em que ninguém nos empresta. Aliás é bom lembrar que fomos nós, em desespero, que recorremos a eles. Junto com o empréstimo, a troika trouxe um conjunto de condições que, vistas honestamente, são sensatas e indispensáveis. Podem não ser suficientes, mas são necessárias. Criticar o árbitro que marcou um penálti a nosso favor e ainda recomenda boas tácticas é suprema tolice. A alternativa que alguns sugerem -rejeitar a ajuda, renegociar a dívida e sair do euro-implicaria fazer o ajustamento, não em três anos, mas em três minutos. Com o mercado fechado e sem apoio internacional,

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CONSULTAS ÀS TERÇAS E QUINTAS FEIRAS POR MARCAÇÃO

o país teria um colapso imediato. A qualidade do relvado é também desculpa habitual. Por isso tantos criticam os mercados selvagens e irracionais. Mas ninguém disse mal deles enquanto nos endividávamos alegremente nos últimos 15 anos. Como sempre, os bancos e investidores são excelentes quando emprestam e vilões ao exigirem juros. Porque, é bom que se diga, ninguém pretende que liquidemos a dívida e os mercados até gostariam de nos emprestar bastante mais. Apenas exigem garantias de pontualidade no pagamento das prestações. Foi a incapacidade de cumprir isso que nos trouxe a este extremo. Ultimamente, porém, a maior raiva está reservada aos juízes de linha, as agências de rating. A Moody’s há dias, ao baixar a notação da nossa dívida, mereceu críticas arrasadoras de todos os quadrantes nacionais e internacionais. Na véspera o Dr. Silva Lopes, uma das nossas vozes mais respeitadas, afirmara precisamente o mesmo: Portugal não é diferente da Grécia e o empréstimo de 78 mil milhões é “largamente insuficiente” (Lusa, 4/Jul). Estas posições podem ser consideradas demasiado negativas, mas são plausíveis. O economista foi louvado no Expresso de 9 de Julho pela sua co-

FOTOJORNALISMOS

RECORTES

João César das Neves Economista

Conversas e golos* ragem enquanto o mesmo jornal arrasava a Moody’s. Como sempre gostamos de criticar o nosso clube, mas não admitimos que outros o façam. O que realmente aconteceu aqui é que a Europa quer validar um golo nosso marcado fora de jogo e para isso silencia o juiz de linha. Na economia, como no futebol, não conta a conversa mas os golos. O campeonato está difícil e podemos ser desclassificados. Mas a arbitragem torce por nós e está ansiosa que ganhemos. O que há a fazer é esquecer tretas e especulações e chutar à baliza. * In DN (18/07/11)

Rumo aos mundiais | Victoria Kaminskaya (Os Pimpões, Caldas da Rainha) vai representar Portugal nos campeonatos mundiais de juniores, agendados para Lima, Perú, de 16 a 21 de Agosto. Será a sua segunda internacionalização, depois da estreia nos campeonatos da Europa - Belgrado, Sérvia, 6 a10 de Julho - onde o melhor resultado alcançado foi o 15.º lugar (400 metros estilos). Foto: DR

Campeã(s) das Beiras | A equipa feminina da Juventude Vidigalense renovou o título de campeã das Beiras, numa prova que decorreu no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, Leiria, dia 24 de Julho. Já a equipa masculina, ficou a um ponto da vitória - Gira Sol R.C. (146) -, terminando no 2.º lugar (145). Foto: DR

Divulgação

Quem de duas, fica com uma | A Taça JV (Juventude Vidigalense) reuniu, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, Leiria, dia 23 de Julho, os melhores atletas nacionais no escalão de iniciados, com a vitória a sorrir ao clube anfitrião (masculinos) e à A.A.T. Cartaxense (femininos). C.A. Marinha Grande (3.º lugar, masculinos) e A.C. Vermoil (3.º, femininos) foram os restantes clubes da região a subirem ao pódio. Foto: DR

Consultório - R. João de Deus, 17-1ºEsq. - Leiria

Telefones: 244 832 288 e 244 870 500

Duatlo em Ourém | Sérgio Silva (Sr. Camarnal) e Ana Filipa Santos (Clube de Triatlo Fundão) venceram o Duatlo de Ourém - 17 de Julho - que reuniu cerca de 400 atletas. Foto: DR


ÚLTIMA 28JULHO2011

As viagens são na juventude uma parte de educação e, na velhice, uma parte da experiência. Francis Bacon, político, filósofo e ensaísta inglês [1561-1626]

Crianças e adultos de malas feitas O mês de Agosto é tradicionalmente conhecido como o tempo de férias. Algumas empresas fecham, as escolas encerram, os organismos públicos trabalham a ‘meio gás’, apenas o sector do turismo (viagens, restauração e serviços) trabalham na sua máxima força. Apesar de 2011 ser um ano que traz meses de férias supostamente com mais condicionalismos financeiros, nem por isso os números representam decréscimo no sector turístico. Os fins-de-semana prolongados e as férias gozadas pelos portugueses, revelam que parece nem existir austeridade em Portugal, com uma vaga de veraneantes que aproveitam o belo sol do Algarve, os destinos paradisíacos do norte ou a descoberta das ilhas dos Açores e Madeira. Mas os números do Instituto Nacional de Estatística, até Maio deste ano, não é isso que revelam. Os estabelecimentos hoteleiros registaram até ao mês cinco de 2011,

3,6 milhões de dormidas, representando um acréscimo homólogo de 8,2%. Para este crescimento contribuíram apenas os não residentes (+17,6%), já que os residentes apresentaram uma evolução negativa (-10,6%). Os principais mercados emissores continuam a revelar resultados em crescimento face ao mês homólogo do ano anterior, com destaque para o britânico, o brasileiro, o francês e o irlandês. Os proveitos totais atingiram 176,6 milhões de euros e os de aposento 117,9 milhões, equivalendo a variações homólogas positivas de 7,3% e 8,6%, respectivamente. A quantidade de portugueses em férias não parece estar tão alta como alguns órgãos de comunicação social apregoam. Se à primeira vista parece que não houve quebra de veraneantes portugueses (mas os dados do INE contrariam esta análise), poderá haver no sector a economia paralela ou o recurso a férias partilhadas, em casas de amigos. É cer-

to que os preços baixaram drasticamente face a outros anos que tinham procuras intensivas de turistas estrangeiros, sobretudo da Alemanha e Inglaterra, que agora redescobriram outros destinos ainda mais baratos, nomeadamente países bálticos ou balcãs. Mas, também a restauração se queixa, referindo quebras nas vendas. Um estudo desenvolvido pelo IPDT (Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo), revela que perto de 64% dos portugueses não vai gozar férias em 2011. Obviamente que estes dados não passam de uma previsão, existindo apenas uma noção clara apenas em meados ou finais de Setembro. No entanto, é curioso verificar as razões invocadas pelos portugueses, sendo a que mais se destaca é a de ordem financeira. Embora esta previsão do IPDT tenha valores aproximados ao ano anterior, com as intenções de férias dos portugueses para este Verão

DR

Em Agosto, as férias...

a serem semelhantes, há que ter em conta que 2011 talvez traga números diferentes, pela simples razão dos portugueses estarem a efectuar férias ‘cá dentro’. Se os números até Maio de 2011 dão um decréscimo nas dormidas de cidadãos nacionais, veremos como decorrem estes meses de Junho a Setembro, época alta no turismo português. Mas, o mês de Agosto está à porta, a época do ano em que os infantários fecham, não dando escolhas possíveis aos pais que com os seus filhos querem estar neste mês de eleição. Apenas a subida dos preços e o maior número de turistas podem impedir o gozo de umas férias em pleno, realidade minimizada com

um mês de ‘esmero’ para desfrutar das belas praias mediterrânicas do Algarve ou então toda a costa da Região de Turismo LeiriaFátima, com cada vez mais praias distinguidas pelos seus valores se segurança, ecologia e qualidade dos serviços prestados. Chegam todos os anos turistas de todo o mundo para conhecerem os monumentos da nossa região (Mosteiro da Batalha e de Alcobaça, Santuário Mariano da Cova da Iria, grutas e termas, o verde do Pinhal de Leiria e obviamente as praias com a sua deliciosa gastronomia). Na opinião de alguns especialistas, fazer turismo em Portugal pode significar poupar significativamente e po-

derá redescobrir imensos locais, mesmo aqueles que nem são tão turísticos. A Região de Turismo LeiriaFátima é uma das zonas de melhor oferta turística, com um clima mais ameno e um leque imenso de propostas que preenchem os veraneantes de fora e de dentro. Também o comércio nas cidades desta região e as ofertas culturais são imensas e de significativa qualidade. Os dois próximos meses de 2011 serão certamente o auge do turismo português. Com o cenário de conjuntura económica difícil para as famílias, porquê lá fora quando tem dentro de portas? Joaquim Santos

Dados reais de 2010

Turismo em Portugal Segundo os dados disponíveis da OMT (Organização Mundial do Turismo), as contas satélite do turismo 2010 apontam para um crescimento homólogo da procura turística, medida pelo consumo do turismo no território económico, de 7,9% em termos nominais, aproximando-se dos 16 mil milhões de euros. A oferta turística, medida pelo valor acrescentado gerado pelo turismo registou igualmente um acréscimo nominal de 6,4%, correspondendo a 6,3 mil milhões de euros. Neste ano, a balança turística portuguesa apresentou uma evolução positiva significativa, com as receitas do turismo a atingirem 7.611 milhões de euros e as despesas turísticas 2.953 milhões, ambas equivalendo a crescimentos homólogos de 10,2% e 8,9%, respectivamente. O saldo da balança turística foi de 4 658 milhões de euros, superior ao do ano anterior em 11,0%. Segundo os resultados do Inquérito às deslocações dos re-

sidentes, o qual observa especificamente as viagens turísticas dos residentes realizadas para um destino fora do seu ambiente habitual, quer para Portugal quer para o estrangeiro, cerca de 4 milhões de residentes (37,4% da população residente) efectuaram, em 2010, pelo menos uma deslocação em que tenham dormido uma ou mais noites fora da sua localidade de residência. Em Portugal, no mesmo ano efectuaram-se cerca de 15,4 milhões de viagens por motivos turísticos, 89,5% das quais dentro do território nacional e as restantes, cerca de 1,6 milhões, para um destino localizado no estrangeiro. Pouco menos de metade das viagens (48,6%) realizaram-se por motivo de “Lazer, recreio e férias”, seguindo-se a “Visita a familiares e amigos”, associada a 39,2% das deslocações, e os motivos “Profissionais e de negócios”, que totalizaram cerca de 1,2 milhões de viagens (7,5%). As deslocações dos resi-

dentes geraram um total de 68,1 milhões de dormidas fora da sua residência habitual. O alojamento privado foi o preponderante, com 74,3% do total de dormidas. O alojamento fornecido gratuitamente por familiares ou amigos foi predominante nas dormidas associadas às deslocações para “Visita de familiares ou amigos”, representando 82,6% do total, contrariamente às viagens “Profissionais e de negócios” em que este meio de alojamento apenas registou 14,9% do total. As dormidas em estabelecimentos hoteleiros corresponderam a 20,7% do total, sendo o meio de alojamento mais expressivo nas deslocações por motivo de “Lazer, recreio e férias”, com 27,5%. Em 2010, os resultados da oferta nos meios de alojamento turístico colectivo foram globalmente positivos, indiciando uma tendência de recuperação da actividade turística após a evolução desfavorável de 2009, associada à crise económica global.

Em Julho de 2010, o conjunto dos meios de alojamento dispunha de 484 252 camas, capacidade de alojamento superior à do período homólogo em 1,2%. A hotelaria representava 57,7% do total da oferta de alojamento, os parques de campismo 37,6%, o turismo no espaço rural 2,7% e as colónias de férias e pousadas de juventude 2%. Em termos anuais, os meios de alojamento turístico apresentaram 45 milhões de dormidas, valor que representa um acréscimo homólogo de 1,5%, para o qual contribuíram tanto os residentes (+1,6%) como os não residentes (+1,4%). Considerando apenas a hotelaria, em Julho de 2010 estiveram em actividade 2011 estabelecimentos, com uma oferta de 279 506 camas e 47 452 pessoas ao serviço. Em comparação com o período homólogo, estes indicadores cresceram respectivamente 1,2%, 2,1% e 2,8%. O movimento anual de

hóspedes e dormidas foi também positivo: 13,5 milhões de hóspedes que originaram 37,4 milhões de dormidas, equivalendo a acréscimos homólogos de 4,7% e 2,6%, respectivamente. Para esta melhoria contribuíram tanto os residentes (+4,1% nas dormidas), como os não residentes (+1,7%), estes últimos representando 63% do total. Algarve, Lisboa e Madeira continuam a ser os principais destinos turísticos, tendo concentrado mais de 70% do total das dormidas. Quanto ao tipo de estabelecimento, os hotéis mantêm a liderança (58% do total), principalmente as unidades de quatro estrelas, que representaram cerca metade das dormidas em hotéis. Seguem-se, em termos de importância relativa, os hotéis-apartamentos (15,3%) e os apartamentos turísticos (10,1%). Os proveitos totais atingiram 1 808 milhões de euros e os de aposento 1 226 milhões, correspondendo a variações homólogas positivas de 2,5% e

3,0%, respectivamente. Os parques de campismo aumentaram a sua oferta em Julho de 2010, relativamente ao período homólogo: 227 parques (mais dois do que em 2009), com capacidade para alojar 181 954 campistas (acréscimo de 0,8%). No entanto, em 2010 verificou-se uma redução da procura, já que as dormidas decresceram 3,5% face a 2009, correspondendo a 6,5 milhões. No período em análise, estiveram em actividade 36 colónias de férias, com uma oferta de 4 873 camas, constatando-se uma redução no número de estabelecimentos (menos dois) e na capacidade oferecida (- 20,6%). Também as dormidas (601 mil) decresceram em relação a 2009 (- 8,5%). Pelo contrário, as pousadas de juventude apresentaram resultados globais positivos, totalizando 50 estabelecimentos (mais dois do que em Julho de 2009), com capacidade de alojamento de 4 652 camas, tendo registado 531 mil dormidas anuais, mais 5,9% do que as observadas em 2009.


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