CAMPANHA
3 FEVEREIRO 2011 ANO 97 - N.º 4845 FUNDADOR José Ferreira Lacerda DIRECTOR Rui Ribeiro
PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt
P. 8
ECONOMY
Nº DE2703206MPC
DESTAQUE
Da mensagem do Papa: “Todos os anos, na memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, que se celebra a 11 de Fevereiro, a Igreja propõe o Dia Mundial do Doente. Esta circunstância, como quis o venerável João Paulo II, torna-se ocasião propícia para reflectir sobre o mistério do sofrimento e, sobretudo, para tornar as nossas comunidades e sociedade civil mais sensíveis aos irmãos e irmãs doentes.” Encíclica Spe Salvi, 38: «A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a compaixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana».
“PELAS SUAS CHAGAS FOSTES CURADOS”
DR
Páginas 2 e 3
DIA MUNDIAL DO DOENTE
CULTURA
Museu da Comunidade Concelhia da Batalha
| Última
“MUSEU PARA TODOS”
abriu dia 29 de Janeiro
Animação na vila | P. 4
Opinião | P. 6
Quarentões cantam Janeiras em Mira de Aire O rescaldo
Dois textos essenciais para compreender o momento actual:
Teatro José Lúcio | P. 5
45.º aniversário assinalado
João César das Neves
O nó cego
António Barreto
No Concelho Geral | P. 7
ECLESIAL Entrevista do médico | P. 8
João Paulo II “nunca mostrou desespero” Início do 2.º Semestre | P. 9
Cursos no CFC e Escola “Razões da Esperança”
NERLEI em órgão Projecto “Ler em da Confederação Nomeação episcopal |P. 9 Vigário Paroquial Cidadania” leva Empresarial dos Marrazes livros ao público Portuguesa Junta de Leiria e ACILIS |P. 5
LMFerraz
SOCIEDADE
2 DESTAQUE
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
EDITORIAL
Rui Ribeiro
A Cruz é o “sim” de Deus ao homem
Dia Mundial do Doente 2011
“Pelas suas chagas fostes curados”
Queridos Irmãos e Irmãs! Todos os anos, na memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, que se celebra a 11 de Fevereiro, a Igreja propõe o Dia Mundial do Doente. Esta circunstância, como quis o venerável João Paulo II, torna-se ocasião propícia para reflectir sobre o mistério do sofrimento e, sobretudo, para tornar as nossas comunidades e a sociedade civil mais sensíveis aos irmãos e irmãs doentes. Se todos os homens são nossos irmãos, aquele que é débil, sofredor ou necessitado de cuidado deve estar mais no centro da nossa atenção, para que nenhum deles se sinta esquecido ou marginalizado; com efeito «a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é
DR
Fevereiro é o mês em que todos os anos a Igreja se associa de modo mais visível ao mundo da doença e procura perceber-se a si mesma melhor à luz do sofrimento. Com a celebração do Dia Mundial do Doente, o que está em causa não é uma questão de lembrar os doentes, e de alguma forma carpir diante de uma situação que choca sempre com a nossa mentalidade tão avessa à doença e ao sofrimento. O que a Igreja procura fazer neste como em tantos ouros sectores da vida é dar um sentido cristão e redentor a situações que comummente encaramos como precárias e até anti-humanas. Na verdade a fé, acaba por se traduzir numa mais valia e um “remédio” contra os males do pecado. Não se trata de trazer ou procurar curas milagrosas que desafiem todas as leis da natureza, mas sim de perceber e ultrapassar de forma redentora essas mesmas situações. O sofrimento humano ganha sentido quando analisado à luz do sofrimento do próprio Jesus. “Pelo seu sofrimento fomos redimidos”. Ou seja, pela sua dor a nossa dor foi vencida Celebrar o Dia e tornou-se para Mundial do doente nós meio de sané, pois, muito tificação. Aquilo mais que uma que antes nos reideia piedosa ou voltava, passamos que um momento assim a amar. Celebrar o Dia de comiseração. É Mundial do doenentrar no âmago te é, pois, muito da fé e da redenção mais que uma oferecida por Deus ideia piedosa ou ao povo que “vivia que um momento nas longínquas de comiseração. É regiões da morte e entrar no âmago do desespero da fé e da redenção oferecida por Deus ao povo que “vivia nas longínquas regiões da morte e do desespero”. Como em todos os anos, o Papa escreve uma mensagem para este dia e enquadra-o no contexto de um tema geral. Este ano, o tema é “pelas suas chagas fomos curados” e na mensagem que escreveu o Papa dirige uma palavra aos doentes e aos agentes de acção pastoral. Apontando já a realização do encontro mundial com os jovens em Agosto próximo em Madrid, o Papa dirige a estes palavras ricas de sabedoria: “Com frequência a Paixão e a Cruz de Jesus causam medo, porque parecem ser a negação da vida. Na realidade, é exactamente o contrário! A Cruz é o «sim» de Deus ao homem, a expressão mais elevada e intensa do seu amor e a fonte da qual brota a vida eterna. A todos vós jovens, doentes e sadios, repito o convite a criar pontes de amor e solidariedade, para que ninguém se sinta sozinho, mas próximo de Deus e parte da grande família dos seus filhos”. Nesta edição publicamos esta mensagem e fazemos uma pequena abordagem do tema do sofrimento à luz da fé. A todos os doentes que vivem o seu sofrimento de forma redentora, o nosso agradecimento.
Santuário de Fátima/Arquivo
prui@iol.pt
Bento XVI com os doentes, no Santuário de Fátima capaz de contribuir, mediante a compaixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana» (Carta enc Spe salvi, 38). As iniciativas que serão promovidas nas diversas Dioceses, por ocasião deste Dia, sirvam de estímulo para tornar cada vez mais eficaz o cuidado para com os sofredores, também na perspectiva da celebração de modo solene, que terá lugar em 2013, no Santuário mariano de Altötting, na Alemanha. À sociedade 1. Tenho ainda no coração o momento em que, durante a visita pastoral a Turim, pude deter-me em reflexão e oração diante do Santo Sudário, diante daquele rosto sofredor, que nos convida a meditar sobre Aquele que carregou sobre si a paixão do homem de todos os tempos e lugares, inclusive os
nossos sofrimentos, as nossas dificuldades e os nossos pecados. Quantos fiéis, no curso da história, passaram diante daquele tecido sepulcral, que envolveu o corpo de um homem crucificado, que corresponde em tudo ao que os Evangelhos nos transmitem sobre a paixão e a morte de Jesus! Contemplá-lo é um convite a reflectir sobre quanto escreve São Pedro: «Pelas suas chagas fostes curados» (1 Pd 2, 24). O Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou, e exactamente por isso aquelas chagas tornam-se o sinal da nossa redenção, do perdão e da reconciliação com o Pai; tornam-se, contudo, também um banco de prova para a fé dos discípulos e para a nossa fé: todas as vezes que o Senhor fala da sua paixão e morte, eles não compreendem, rejeitam, opõem-se. Para eles, como para nós, o sofrimento permanece sempre carregado de mistério, difícil de aceitar e suportar. Os dois discípulos de Emaús caminham tristes, devido aos acontecimentos daqueles dias em Jerusalém, e só quando o Ressuscitado percorre a estrada com eles, se abrem a uma visão nova (cf. Lc 24, 13-31). Também o apóstolo Tomé mostra a dificuldade em crer na via da paixão redentora: «Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei» (Jo 20, 25). Mas diante de Cristo que mostra as suas chagas, a sua resposta transforma-se numa comovedora profissão de fé: «Meu Senhor e meu Deus» (Jo 20, 28). O que antes era um obstáculo intransponí-
vel, porque sinal da aparente falência de Jesus, torna-se, no encontro com o Ressuscitado, a prova de um amor vitorioso: «Somente um Deus que nos ama a ponto de carregar sobre si as nossas feridas e a nossa dor, sobretudo a dor inocente, é digno de fé» (Mensagem Urbi et Orbi, Páscoa de 2007). Aos doentes 2. Queridos doentes e sofredores, é justamente através das chagas de Cristo que podemos ver, com olhos de esperança, todos os males que afligem a humanidade. Ressuscitando, o Senhor não tirou o sofrimento e o mal do mundo, mas extirpou-os pela raiz. À prepotência do Mal opôs a omnipotência do seu Amor. Indicou-nos então, que o caminho da paz e da alegria é o Amor: «Como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros» (Jo 13, 34). Cristo, vencedor da morte, está vivo no meio de nós E enquanto com São Tomé dizemos também: «Meu Senhor e meu Deus», seguimos o nosso Mestre na disponibilidade a prodigalizar a vida pelos nossos irmãos (cf. 1 Jo 3, 16), tornando-nos mensageiros de uma alegria que não teme a dor, a alegria da Ressurreição. São Bernardo afirma: «Deus não pode padecer, mas pode compadecer». Deus, a Verdade e o Amor em pessoa, quis sofrer por nós e connosco; fez-se homem para poder compadecer com o homem, de modo real, em carne e sangue. Em cada sofrimento humano, portanto, entrou Aquele que partilha o sofrimento e a suportação; em
DESTAQUE 3
O Mensageiro
cada sofrimento difunde-se a consolatio, a consolação do amor partícipe de Deus para fazer surgir a estrela da esperança (cf. Carta enc. Spe salvi, 39). A vós, queridos irmãos e irmãs, repito esta mensagem, para que sejais suas testemunhas através do vosso sofrimento, da vossa vida e da vossa fé. Ao Jovens 3. Considerando o encontro de Madrid, no mês de Agosto de 2011, para a Jornada Mundial da Juventude, gostaria de dirigir também um pensamento especial aos jovens, especialmente aos que vivem a experiência da doença. Com frequência a Paixão e a Cruz de Jesus causam medo, porque parecem ser a negação da vida. Na realidade, é exactamente o contrário! A Cruz é o «sim» de Deus ao homem, a expressão mais elevada e intensa do seu amor e a fonte da qual brota a vida eterna. Do Coração trespassado de Jesus brotou esta vida divina. Só Ele é capaz de libertar o mundo do mal e de fazer crescer o seu Reino de justi-
ça, de paz e de amor ao qual todos aspiramos (cf. Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude de 2011, 3). Queridos jovens, aprendei a «ver» e a «encontrar» Jesus na Eucaristia, onde Ele está presente de modo real para nós, até se fazer alimento para o caminho, mas sabei reconhecê-lo e servi-lo também nos pobres, nos doentes, nos irmãos sofredores e em dificuldade, que precisam da vossa ajuda (cf. ibid., 4). A todos vós jovens, doentes e sadios, repito o convite a criar pontes de amor e solidariedade, para que ninguém se sinta sozinho, mas próximo de Deus e parte da grande família dos seus filhos (cf. Audiência geral, 15 de Novembro de 2006). 4. Ao contemplar as chagas de Jesus o nosso olhar dirige-se ao seu Sacratíssimo Coração, no qual se manifesta em sumo grau o amor de Deus. O Sagrado Coração é Cristo crucificado, com o lado aberto pela lança, do qual brotam sangue e água (cf. Jo 19, 34), «símbolo dos sacramentos da Igreja, para que todos os
Visão cristã do sofrimento Os sofrimentos de valor infinito de Cristo Homem-Deus não têm necessidade de outras dores para salvar, constituindo a única causa de salvação para todos. O poder ilimitado dos seus sofrimentos confere aquilo que falta aos sofrimentos de cada homem que sofre. Todavia, há que efectuar a fruição dos dons produzidos pela cruz de Jesus Cristo. Jesus, por assim dizer, preparou uma mesa, onde não falta qualquer bem, senão alguém que ocupe o lugar à mesa e se nutra com o alimento preparado também para ele. O convidado, revestido dos sofrimentos que o próprio Deus oferece a cada um como hábito, completa a mesa. Cristo salva por intermédio da morte do seu Corpo de carne; o homem é salvo e ajuda a salvar com os sofrimentos de Jesus Cristo, que oferece a cada um o privilégio de sofrer como Ele e juntamente com Ele, em ordem a continuar a salvar nele, também mediante o sofrimento da sua própria carne. Os sofrimentos do cristão, vividos conjuntamente com os padecimentos de Jesus, permitem conceder os benefícios de Cristo ao seu Corpo místico. Por conseguinte, a Igreja não apenas é Corpo de Cristo que é salvo através dos sofrimentos do Homem-Deus, mas é também o seu Corpo Místico que continua a salvar o mundo mediante os padecimentos de cada um dos seus membros. Assim, eles completam por vocação recebida do Senhor, os mesmos sofrimentos de Jesus Cristo.
homens, atraídos pelo Coração do Salvador, bebam com alegria na fonte perene da salvação» (Missal Romano, Prefácio da Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus). Especialmente vós, queridos doentes, sentis a proximidade deste Coração cheio de amor e bebeis com fé e alegria de tal fonte, rezando: «Água do lado de Cristo, lava-me. Paixão de Cristo, fortalece-me. Oh, bom Jesus, ouve-me. Nas tuas chagas, esconde-me» (Oração de Santo Inácio de Loyola). Com Maria 5. Na conclusão desta minha Mensagem para o próximo Dia Mundial do Doente, desejo exprimir o meu afecto a todos e a cada um, sentindo-me partícipe dos sofrimentos e das esperanças que viveis quotidianamente em união com Cristo crucificado e ressuscitado, para que vos conceda a paz e a cura do coração. Juntamente com Ele ao vosso lado vigie a Virgem Maria, que invocamos com confiança como Saúde dos enfermos e Consoladora dos sofredores. Aos pés da
Joaquim Santos/Arquivo
3.Fevereiro.2011
D. António Marto numa visita ao Hospital de Leiria Cruz realiza-se para Ela a profecia de Simeão: o seu Coração de Mãe é trespassado (cf. Lc 2, 35). Do abismo da sua dor, participação no sofrimento do Filho, Maria tornou-se capaz de assumir a nova missão: tornar-se a Mãe de Cristo nos seus membros. Na hora da Cruz, Jesus apresenta-lhe cada um dos seus discípulos, dizendo-lhe: «Eis o teu filho» (cf. Jo 19, 26-27). A compaixão materna para com o Filho torna-se compaixão materna para cada um de nós nos nossos sofrimentos quotidianos (cf.
Acrescentando o adjectivo “místico” ao Corpo de Cristo, deseja-se ressaltar, sem pôr em dúvida a sua visibilidade, a dimensão espiritual e visível da Igreja. Indica-se que, sob forma de uma comunidade humana, se esconde uma realidade divina, que não pode ser compreendida pela experiência sensível, mas unicamente pela fé. Afirma-se que, além de ter, como qualquer outra forma de associação humana, uma finalidade e interesses comuns a todos os membros, a Igreja é, de resto, animada pela Graça divina que, por vontade do próprio Deus, se revestiu de elementos sensíveis no seio de uma comunidade de fiéis, tornando-se por meio deles acessível à experiência dos homens. É neste sentido que a redenção de Jesus levada a cabo de maneira completa “em virtude do [seu] amor satisfatório” permanece constantemente aberta a todo o amor que se exprime no sofrimento humano. Na dimensão do amor, a redenção já realizada até às últimas consequências, completa-se num certo sentido de maneira permanente. Impressionam profundamente as expressões do Santo Padre sobre o valor do sofrimento, quando afirma que “parece fazer parte da própria essência do sofrimento redentor de Cristo: o facto de ele solicitar a ser incessantemente completado”. Deste modo, “todo o sofrimento humano, em razão da sua união com Cristo no amor, completa o sofrimento de Cristo. Completa-o como a Igreja completa a obra redentora de Cristo”.
Homilia em Lourdes, 15 de Setembro de 2008). Conclusão Queridos irmãos e irmãs, neste Dia Mundial do Doente, exorto também as Autoridades a fim de que invistam cada vez mais energias em estruturas médicas que sirvam de ajuda e apoio aos sofredores, sobretudo aos mais pobres e necessitados e, dirigindo o meu pensamento a todas as Dioceses, transmito uma saudação afectuosa aos Bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas, aos
seminaristas, aos agentes no campo da saúde, aos voluntários e a todos os que se dedicam com amor a cuidar e aliviar as chagas de cada irmão e irmã doente, nos hospitais ou casas de cura, nas famílias: nos rostos dos doentes sabei ver sempre o Rosto dos rostos: o de Cristo. A todos garanto a minha recordação na oração, enquanto concedo a cada um a especial Bênção Apostólica. Vaticano, 21 de Novembro de 2010
Programa do Santuário de Fátima O Dia Mundial do Doente, a 11 de Fevereiro, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes/França, é celebrado anualmente pela Igreja Católica. Para 2011, o Papa propôs que as acções promovidas nas diversas dioceses por ocasião deste Dia, “sirvam de estímulo para tornar cada vez mais eficaz o cuidado para com os sofredores”. O serviço da pastoral da Saúde, em conjunto com o CVS – Centro de Voluntários do Sofrimento – tem vindo a promover no dia 11 de Fevereiro a celebração de uma Eucaristia na capelinha das Aparições. Este ano esta iniciativa passou a fazer parte do programa oficial do Santuário de Fátima e a ser organizada e promovida conjuntamente pelo mesmo Santuário, pelo Serviço de pastoral da saúde da diocese, pelo Movimento da mensagem de Fátima, pelo CVS e pelos Silenciosos Operários da Cruz. O programa definido é o seguinte: A tarde principia às 14h00, com a recitação do Rosário, na Capelinha das Aparições. Às 15h00, no Convívio de Santo Agostinho, no piso inferior da Igreja da Santíssima Trindade, será apresentada uma conferência e, às 16h00, terá início a Eucaristia com celebração da Santa Unção, na Capela da Morte de Jesus. Com base na reflexão proposta pelo Papa Bento XVI na sua mensagem para o Dia Mundial do Doente 2011, também em Fátima a iniciativa tem como tema “Pelas suas chagas fostes curados” (1 Pe, 2, 24). Refere o Papa na sua mensagem: “Queridos doentes e sofredores, é justamente através das chagas de Cristo que podemos ver, com olhos de esperança, todos os males que afligem a humanidade. Ressuscitando, o Senhor não tirou o sofrimento e o mal do mundo, mas extirpou-os pela raiz. À prepotência do Mal opôs a omnipotência do seu Amor. Indicou-nos então, que o caminho da paz e da alegria é o Amor: «Como Eu vos amei, vós também vos deveis amar uns aos outros» ”.
4 CULTURA
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
Grupo dos Quarentões anima a vila
Dia 3 de Fevereiro, na Biblioteca José Saramago
IPL apresenta estudo sobre a saúde dos estudantes do Ensino Superior
DR
Quatro docentes da Escola Superior de Saúde (ESSLei), do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), avaliaram o estado de saúde, necessidades, práticas e comportamentos determinantes da saúde de 1442 estudantes que frequentavam uma licenciatura numa das cinco Escolas do IPL. Desse estudo resultou o livro A Saúde dos Estudantes do Ensino Superior que será apresentado no próximo dia 3 de Fevereiro, pelas 18h30, na Biblioteca José Saramago (Campus 2 do IPL, em Leiria). O estudo realça a importância do IPL enquanto promotor da Saúde, assumindo-se como “escola saudável”, promovendo alterações estruturais e orgânicas do Instituto facilitadoras desse papel. Os resultados obtidos enfatizam a importância da Educação em Saúde na promoção de práticas e comportamentos saudáveis, considerando as diferenças de género e idade no planeamento e organização de acções em contexto escolar.
Centro de Interpretação Ambiental de Leiria
Uma oficina de trabalho “À volta dos chás”
No próximo dia 12 de Fevereiro terá lugar a oficina de trabalho “À volta dos chás”, no Centro de Interpretação Ambiental (CIA), entre as 14h00 e as 18h00. Promovido pela formadora Fernanda Botelho, a iniciativa consistirá na confecção e degustação de vários chás, podendo os participantes experimentar a diferença entre chás de plantas secas e de plantas frescas, aprendendo quais os atributos dos diferentes chás, tisanas e infusões, além da forma correcta de os confeccionar. Fernanda Botelho irá ainda ensinar a secar e conservar as plantas, bem como manter um cantinho de plantas para chás no jardim ou na varanda. Quem participar nesta iniciativa poderá levar uma planta verde ou seca e trocá-la por outra que queira experimentar. Fernanda Botelho é especialista em plantas aromáticas e medicinais, tendo frequentado vários cursos de plantas medicinais em Londres, Inglaterra, onde também trabalhou nessa área. Estudou na Scottish School of Herbal Medicine e tem vindo a desenvolver acções de formação para professores e alunos.
Na noite de 22 para 23 de Janeiro, Mira de Aire saiu à rua em peso para cantar as Janeiras por toda a vila. Com paragem em catorze pontos emblemáticos da vila e um percurso com mais de 10 quilómetros percorridos a pé, centenas de pessoas acompanham o grupo de Quarentões, responsáveis pela organização deste evento, “As Janeiras”. As ruas são cortadas ao trânsito e enchem-se de gente que vive esta noite com uma alegria e uma força contagiantes, que nem o frio consegue derrubar. Cada vez mais também, são acompanhados por convidados, amigos, vizinhos, ou simplesmente simpatizantes que reconhecem neste evento um carisma digno de fazer parte das suas agendas. Em todas as paragens são cantados temas cuidadosamente seleccionados, para essa noite, de um repertório compilado em livrinhos que são distribuídos juntamente com as tradicionais canecas para a ginja… não falta também o abafado, o pão com chouriço ou café d’Avó com “filhoses” que mantém o coração quente e a voz afinada. Como a tradição ainda é o que era, não faltaram o frio nem o luar… Uma noite inesquecível para todos os que participaram. A tecnologia também esteve presente com a ligação via skipe para um Quarentão residente da Alemanha (Paulo Adriano), que assim acompanhou a saída no largo da Igreja. Trata-se de
uma noite tão marcante que os pais dos dois quarentões que se encontram fora do país representaram os seus filhos de uma forma admirável, acompanhando todo o grupo em todo o percurso. A noite acabou na Baiuca, sede da Comissão dos Quarentões de 71, com um repasto para todos, proporcionado pelos mesmos, onde não falta o caldo verde para acalmar o estômago e repor energias da longa caminhada, que entra pela madrugada.
Fotos: DR
Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) • PLANETA ADORMECIDO | animação | de José Manuel Abrantes, Lígia Ribeiro e Luciano Ottani | 6 de Fevereiro, 11h00 e 15h30 Teatro Miguel Franco (Leiria) • A VERDADE DA CRISE | documentário | de Matt Damon | 6 a 8 de Fevereiro, 21h30; dia 9, 18h30 Cine-Teatro de Monte Real • REDE SOCIAL | drama | de Pierre David Fincher | c/ Andrew Garfield, Jesse Eisenberg, Rashida Jones | 4 e 5 de Fevereiro, 21h30; dia 6, 15h30 Cine-Teatro de Alcobaça • BURLESQUE | drama | de Steven Antin | c/ Cher, Christina Aguilera, Eric Dane | 6 e 7 de Fevereiro, 21h0; dia 6, 17h00
Cantar as Janeiras em Mira de Aire
Sobre os Quarentões Em Mira de Aire, a festa anual em honra da sua padroeira, N.ª Sr.ª do Amparo, é organizada pelos naturais ou residentes na terra que completam nesse ano quarenta anos e daí a designação de Quarentões. Este modelo de organização existe desde 1982, com os Quarentões de 62. Até então era organizada pelos “juízes da festa”. Esta Festa tem lugar no Natal, contudo existem alguns momentos de elevada importância, assumidos por esta comissão ao longo do ano, nomeadamente “As Janeiras”, “Almoço das Morcelas” entre outros, que permitem não só promover tradições regionais como também angariar fundos que permitam organizar a Festa em honra da Padroeira, o ponto alto. Este ano esta responsabilidade é da Comissão dos Quarentões de 71, sempre presidida pelo pároco de Mira de Aire, Padre Manuel Peixoto.
Com oficinas teóricas e práticas
“Passeios Fotográficos” em Ourém
DR
CINEMA
Começaram no dia 30 de Janeiro os “Passeios Fotográficos”. Mais de 40 participantes na primeira oficina de trabalho temática sobre fotografia, em Ourém. Uma adesão que superou as expectativas e que obrigou à divisão do grupo em duas turmas. Nesta primeira sessão, António Catarino, formador, trabalhou inicialmente, a vertente mais técnica desta arte. Depois foi proposta a recolha de imagens
que marcassem o passado, o presente e o futuro, na cidade de Ourém. 12 e 13 de Fevereiro, foram as datas apontadas para a oficina dedicada à Natureza e que terá como cenário o Agroal. Para já estão constituídas duas turmas contudo existe ainda a possibilidade de quem quiser participar nas próximas sessões o fazer, através da inscrição individual em cada passeio, no site do município.
CULTURA 5
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
Teatro José Lúcio da Silva
45.º aniversário assinalado
DR
O Teatro José Lúcio da Silva comemorou de 15 a 22 de Janeiro, o seu 45º aniversário, oferecendo a todos os seus espectadores uma programação bastante diversificada, que incluiu o teatro/comédia, cinema, música, dança e filmes/ concerto. A programação iniciou com a comédia “3 em Lua de Mel”. Nomes sonantes como Marina Mota e Carlos Cunha, João Duarte, Érica Mota, Rui de Sá, Sara Brás, Nuno Pires e Marisa Carvalho contagiaram os espectadores que se deixaram enredar por esta entusiástica comédia. Como não podia deixar de ser, o cinema não ficou esquecido com a exibição do filme vencedor dos Globos de Ouro 2011 – Rede Social. Ary dos Santos, teve um lugar de honra nesta programação, através do concerto “Ary o Poeta das Canções”, vivido pela magnífica voz de Quim Zé Lourenço, que cruzou sons da música clássica, contemporânea, jazz, world music e fado. Dando continuidade à missão deste Teatro: “Um
EXPOSIÇÕES
palco para todas as artes” foi exibido, no dia 20 de Janeiro, o filme/concerto AlgoRítmico, um programa que relaciona a Música com a Matemática, tendo por base os filmes dos realizadores canadianos Norman Mclaren e René Jodoi, destinado a alunos dos ensino primário e secundário. No dia seguinte, e porque a projecção de filmes marca a matriz inicial desta casa, levámos a cena, uma magnífica obra da história do cinema mudo o filme/ concerto - O Lírio Quebrado, musicado ao vivo pelo projecto ARTANE. Num ambiente descon-
traído as comemorações terminaram com a calorosa simpatia do público, cuja adesão a estas comemorações ultrapassou todas as expectativas, com o espectáculo de dança ‘Recuerdos’ numa fusão de ritmos latinos, passando pelo flamenco, tango argentino e salsa. Sobre o Teatro Entre 1966 até 2006, o Teatro José Lúcio da Silva dedicou cerca de 95% da sua actividade à projecção de filmes, sendo classificado como um dos melhores cinemas do País. A partir de 2007, este
organismo atravessa uma fase de mudança e remodelação focalizado em todas as áreas artísticas. Mantendo os mais elevados padrões de qualidade, o Teatro José Lúcio da Silva propõe-se oferecer uma programação cultural variada e abrangente, que fomenta os hábitos culturais da comunidade, de uma forma coerente, sustentada e eficaz. A captação de novos públicos tem sido também uma preocupação constante, sendo notório a componente de investimento no capital humano dos munícipes.
Junta de Freguesia Leiria assina protocolo com ACILIS
A Associação Comercial Industrial de Leiria, Batalha e Porto de Mós (ACILIS), representada pelo seu presidente Paulo Sousa, assinou nas instalações da Junta de Freguesia de Leiria um protocolo de colaboração com esta instituição, representada pela presidente Laura Esperança, que visa o acordo de gestão de tarefas para executar um projecto “Ler em Cidadania”. Esta iniciativa tem como objectivo proporcionar aos leirienses o acesso a livros de autores portugueses, colocados previamente em locais públicos devidamente escolhidos e poderão ser levados para casa para serem lidos. O objectivo, segundo Laura Esperança “é criar nos cidadãos hábitos de leitura e respeito pelo que podem usar e é de todos. Terão de cumprir as regras que lhes são sugeridas no uso dos materiais à disposição, e ao mesmo tempo,
Fotos: DR
Projecto “Ler em Cidadania”
contribuir dando o seu comentário ao conteúdo de materiais por si usado”, refere. A Junta de Freguesia gere o projecto, disponibilizando os recursos humanos necessários, neste caso os 26 voluntários que dispõe, e escolherá os locais públicos onde os livros devem ser colocados para leitura. Elaborará ainda um folheto que deve acompanhar os livros com a indicação de que os mesmos devem
ser devolvidos ao mesmo local com um comentário de uma única frase sobre o que pensou dessa obra. Já a ACILIS terá a responsabilidade de contactar as livrarias suas associadas a fim de disponibilizarem os livros necessários ao desenvolvimento do projecto, a fim de repor o stock de livros caso os mesmos não sejam devolvidos ao local de origem. Paulo Sousa congratulase com a iniciativa “por ser
num ano de poucos recursos. Mas a boa vontade dos voluntários e dos livreiros é de enaltecer”. Em breve serão divulgados os locais onde os livros serão colocados e o protocolo e parceria entra imediatamente em vigor, sendo válido por um ano e automaticamente renovável por iguais períodos de tempo até ao final do mandato do Executivo da Junta.
Castelo de Leiria •”Tijolo Parede” (~27/02) Teatro Jo´se Lúcio da Silva - Leiria •”O Teatro ontem e hoje” (~06/02) Edifício Banco de Portugal - Leiria •”Céu, Terra, Mar” - fotografia de Paulo Penicheiro (5~19/02) m|i|mo -Museu de Imagem e Movimento - Leiria •”Oficina do Olhar” (exposição permanente) •”Negativo Positivo” (~01/05) •”(RE)PLAY:M|I|MO REVISITADO” (~01/05) Fnac - LeiriaShopping •”Olhas as subclturas” (~21/02) Casa-Museu João Soares - Cortes •”Os grafitos medievais do Mosteiro da Batalha” (~1/04) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa •”Sacas de retalhos à moda antiga” (3ªs~6ªs) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •Museu do Vidro - Marinha Grande •”Vilma Libana”- arte da gravura em Vidro (~27/03) Galeria Municipal - Marinha Grande •”Transcendência” - vidro artístico contemporâneo (12/02~27/02) Teatro-Cine - Pombal •”Sensibilidades 25” - fotografia (~6/03) Paços do Concelho - Tomar •Noronha da Costa - pintura (~31/03)
MÚSICA | TEATRO | EVENTOS Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Encalhadas” - teatro (3/02, 21h30) •”Yduko” - descobre a música clássica (11/02, 14h00) Teatro Miguel Franco - Leiria •”Moustache” - música (3/02, 21h30) •”The Playar” - música (5/02, 20h30) •”Casa dos Penhores” - teatro (10/02, 21h30) •Concertos para bebés - brincadeiras com músicas (13/2, 10h30~11h45) Sala Jaime salazar Sampaio- Leiria •”Não chove de baixo para cima” - teatro (5/02, 21h30) •”Mãe-mão” - tearto do Biombo (6/02, 10h00~11h30) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira- Leiria •”Avô, conta-me uma história” (5/02, 16h00) •”Os meninos de todas as cores” - conto (11/02, 11h00 e 15h00) •”Urso branco e urso castanho” - conto (11/02, 11h00 e 15h00) m|i|mo -Museu de Imagem e Movimento - Leiria •”Câmara Obscura” - formação (8/02 e 15/02, 10h00 e 14h30) •”Oficina de Cianotipia” - formação (10, 17 e 24/02, 10h00 e 14h30) •”Oficina de Teatro de Sombras” - formação (terça a sexta) •”Oficina de Brinquedos ópticos” - formação (terça a sexta) •”Lanterna Mágica” - formação (terça a sexta) Moinho do Papel - Leiria •”Vamos à fábrica do papel” - formação (terça a sexta, 10h00 e 14h30) •”Quem sabe fazer pão!” - formação (terça a sexta, 10h00 e 14h30) Centro de Interpretação Ambiental - Leiria •”À volta dos chás” - formação (12/02, 14h00~18h00) Igreja de São Pedro - Leiria • II workshop de músoca antiga - formação (12 e 13/02, 10h00 e 14h30) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Tertúlia dos Anos de Ouro” (2ªs e 5ªs feiras, 15h00~17h00) •”Os Ursinhos na cama e a grande tempestade” (2ªs~6ªs, 10h e 14h30) •”História de Portugal em verso” - apresentação do livro (5/02, 15h00) •”Valores e relaç~pes interpessoais” - divulgando livros (2/02~25/02) •”Charley & Mimmo:grandes brincadeiras” - filme (9/02, 15h30) Museu do Vidro - Marinha Grande •”Meter as mãos no vidro” -infantil/juvenil (4ªs a 6ªs, 10h00 e 14h30) Museu Joaquim Correia - Mainha Grande •”És bom observador?Então tenta descobrir...” (15~25/02, 9h~10h30) Vila da Batalha • Campeonato Nacional de Marcha em Estrada (19/02) • Carnal da Batalha - desfile (6/03, 14h30) Biblioteca Municipal - Batalha •”Hora do conto” (5 e 26/02, 16h00) Teatro-Cine - Pombal •”Sensibilidades 25” - fotografia (~6/03)
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6 OPINIÃO RECORTES
João César das Neves Economista
O rescaldo In DN, 31.01.2011
Em 23 de Janeiro, com a reeleição do Presidente da República extinguiram-se não apenas a maioria que o elegeu mas também, e sobretudo, as minorias que se polarizaram nos candidatos derrotados. Descontado o eventual interesse dos elementos de análise que fornecem, os valores percentuais respectivos não servem rigorosamente para nada, nem dão qualquer autoridade ou força política aos vencidos. Por sua vez, a autoridade de Aníbal Cavaco Silva não sai beliscada, nem de perto nem de longe. Mas ainda há, aqui e ali, uns trejeitos ranhosos de gente que não desarma e, como não pode contestar a legitimidade da sua eleição, continua a regougar, a ratar, a roer, talvez a regurgitar e a remoer de novo, a propósito da figura e da força do Presidente, o qual, a despeito de vencedor, teria saído ingloriamente enfraquecido da eleição. Cavaco Silva não apenas ganhou com uma confortável maioria, como ganhou em todos os distritos, do Continente e das regiões autónomas, mas para essa malta é como se não tivesse ganho. Ganhou, mas agora há quem garanta que afinal ele... perdeu! Este prodígio dialéctico tem um intuito evidente, que é o de tentar desagregar na opinião pública os poderes que a Constituição confere ao Chefe do Estado, ou pela via de lhe quererem descortinar na prática uma diminuição de estatuto e de autoridade, ou pela das conclusões extraídas a fórceps de variados malabarismos aritméticos sobre os resultados eleitorais, ou ainda pela da crítica ao seu discurso de vitória na noite das eleições, em que, opinam eles de sobrolho contristado, deveria ter perdido a memória, oferecido a outra face e estendido a mão caridosa e conciliadora a quem o insultou sem escrúpulos. Alguns amigos meus terão também feito algumas reservas quanto a este último aspecto, talvez sem repararem que
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
Cavaco Silva se demarcou - e fez muito bem! - das porcarias da esquerda, sem deixar de se assumir como Presidente de todos os portugueses. Dizendo as coisas por outras palavras: as minorias vencidas extinguiram-se, mas ficaram no terreno uns agentes póstumos, ao serviço de uma conveniência política manhosa e obscura. Se pusermos a questão do cui prodest, vemos que essa retórica viciada e viciosa pessoalmente nem sequer aproveita muito aos derrotados que, sejam quais forem os seus méritos e deméritos, não vão a lado nenhum com a derrota; mas poderia aproveitar a um Governo que tem medo de ser posto a andar sem grandes delongas, por incompetente e má figura, e julga que assim faz funcionar mais umas válvulas de segurança. É também nessa perspectiva que podem ler-se os ditirambos à estabilidade a que o Governo se agarrou logo a seguir à vitória de Cavaco. É de supor que, na sua análise, o Governo trace um cenário de paupérrimo esquematismo e mais ou menos deste tipo: "Portámo-nos indecentemente com o Presidente, tivemos mesmo a badalhoquice de ajudar a insultá-lo, logo ele vai ajustar contas connosco depois de tomar posse, sendo preciso travá-lo, antes que nos ponha na rua e por isso toca a falar de estabilidade"... Com as suas arengas sobre a preciosa estabilidade que agora vislumbram como tão benfazeja para os destinos da Pátria, essas criaturas fingem não perceber que o que pode assegurá-la não tem a ver com ajustes de contas (hélas!), mas sim com outros factores, uns que se prendem com o comportamento do Governo no combate à crise, com particular relevo para a execução orçamental, outros que estão ligados ao endividamento do País e à sua credibilidade externa, à evolução dos indicadores de confiança, ao desemprego e ao agravamento dos problemas sociais dele decorrentes, etc., etc. A estabilidade não pode configurar um mero chavão para os lorpas ou para os próximos conclaves do Partido Socialista, nem deve funcionar como simples expediente para reconduzir Sócrates no cargo de secretário-geral do PS. Tem de servir de moldura a uma política útil, firme, rigorosa e exequível, com o objectivo de tirar Portugal da crise. De outro modo e dentro do buraco em que nos encontramos, a estabilidade pela estabilidade não serve para nada, a não ser para aumentar esse buraco e para ele se tornar ainda mais pantanoso.
RECORTES
António Barreto Sociólogo
O nó cego In Público, 24.01.2011
O nó cego na vida política portuguesa e o impasse na actividade económica e na situação financeira exigem acção. Depois de cinco anos de adiamento e de agravamento, após quase dois anos de suspensão e azedume, já não é mais possível fazer de conta, protestar de modo impotente ou olhar para o lado. O que se segue a esta eleição de calendário não é previsível. Grande remodelação? Coligação tardia? Demissão do Governo? Dissolução do Parlamento? Iniciativa presidencial? Novas eleições? Novos pacotes de austeridade? Chegada do FMI e do Fundo Europeu? Nova intervenção política da Alemanha e da União Europeia? Tudo pode acontecer. Os dirigentes políticos nacionais já quase não são mestres da sua decisão. As grandes instituições nacionais parecem cercadas e incapazes. Tal como estiveram desde as últimas eleições legislativas, há quase ano e meio, à espera de umas presidenciais ineficazes. Ignorância e covardia A falta de previsibilidade é má conselheira. Pior: revela a miopia dos responsáveis políticos, reféns de interesses particulares e de instâncias internacionais. Tudo o que podia ter sido feito há anos (coligação de governo, aliança parlamentar, plano nacional, programa de emergência, recurso financeiro internacional, etc.) foi adiado de modo incompreensível, por causa da incompetência, da ignorância, da covardia e da cupidez dos agentes políticos. Tudo terá de ser feito em piores condições e em mais terríveis circunstâncias. Há três ou quatro décadas que a história do nosso país é uma frustre sucessão de adiamentos. O fim da guerra, a democracia, a liquidação das “conquistas” de 1975, a abertura da economia, a revisão da Constituição, a reforma da Administração Pública e da justiça: eis, por defeito, uma breve lista do que fizemos tarde e mal, quando podíamos ter feito cedo e bem. No rescaldo das eleições presidenciais de 1996, detectavam-se facilmente os problemas políticos mais importantes para os quais uma resolução era necessária e um esforço urgente: a justiça e a corrupção. Nestes cinco anos, essas dificuldades agravaram-se. Justiça
deficiente e corrupção alimentamse reciprocamente e combinam à perfeição com um sistema de partidos e de governo que as tornou indispensáveis à sua manutenção. A Administração Pública submeteu-se ainda mais à voracidade partidária. Alguns interesses económicos, os que mais dependem do Estado e os que menos escrúpulos têm, souberam capturar as instituições públicas e a decisão governamental. Certos interesses profissionais e corporativos conseguiram também, por outras vias, fazer o Estado refém e organizar, a seu proveito, os grandes serviços públicos e sociais. Assim, o Estado perdeu a sua liberdade, a sua isenção e a sua capacidade técnica e científica. É o administrador dos interesses de algumas corporações e de alguns grupos económicos. Por esse serviço, o Estado cobra, para os partidos, uma gabela ou um tributo. A corrupção, em Portugal, não é apenas o pagamento ilegal feito para obter vantagens públicas. É um sistema, frequentemente legal, de cruzamento de interesses e favores, de benefícios e vantagens, ao qual ninguém, nos superiores órgãos de poder político, parece querer realmente colocar um travão. Fora dos órgãos de poder político, só a justiça poderia ser, em teoria, um freio e um antídoto a este sistema. Acontece que a justiça se transformou também em parte integrante deste sistema. A sua ineficácia ainda é o menor dos males. Bem pior, na verdade, são os protagonistas e os principais activistas do sistema judiciário (conselhos superiores e sindicatos) que pretendem agora, explicitamente, uma maior fatia dos proventos económicos e do poder político. Democracia em perigo O Governo, refém interna e externamente, administra a democracia como quem preside ao saque do Estado: na economia, satisfaz, para além das exigências do país, os interesses económicos; na sociedade, distribui, mesmo sem os recursos necessários, a protecção social. Enquanto houve crescimento económico, rendimentos e crédito externo, o Governo e os seus partidos alimentaram a democracia com aquela distribuição, compatibilizando assim as mais absurdas, socialistas e sectárias políticas sociais de saúde, educação e segurança social, com as mais predadoras e vorazes iniciativas capitalistas. Este mundo improvável acabou. Os recursos financeiros esgotaram. O crescimento económico estagnou. O crédito evaporouse. Pela primeira vez, em trinta anos, a democracia portuguesa está em perigo, porque perdeu os seus instrumentos favoritos. A nossa democracia ligou-se perigosamente aos favores concedidos e à demagogia providencial. Sem esquecer o facto de que a confiança nas instituições políticas, públicas e judiciárias, essencial à liberdade, estiola.O clima é mais importante
do que o raio de sol ou o aguaceiro de passagem. Criar riqueza e favorecer o investimento é essencial, mas tal não se fará sem um novo enquadramento geral. Decretos e truques de cartola nada resolvem, sem a confiança dos cidadãos e dos agentes económicos. Sem certeza e estabilidade, as intenções e as oportunidades são miragens. Sem lealdade legislativa, ninguém, cidadãos ou empresas, pode planear as suas actividades. Uma boa estatística, que inebria os medíocres, será sempre contrariada pela seguinte, bem mais cruel. Portugal parece não estar dotado das instituições políticas, dos órgãos de poder, de partidos políticos e de dirigentes à altura de resolver alguns dos problemas essenciais do presente. O processo político português está de tal modo feito que tudo contraria os esforços políticos para reordenar a vida pública e encarar de modo duradouro as necessidades de emergência. As soluções encontram-se na relação entre sociedade e responsáveis políticos, não mais em golpes de sorte partidários, em personalidades impolutas ou em arranjos de gabinete. Com perícia e responsabilidade, as soluções serão graduais e pacíficas, mas rápidas. Sem o que, bruscamente, nada de bom resultará. Impõe-se uma paz partidária, nem que seja apenas entre alguns partidos. E é necessária uma trégua social honesta e equilibrada. Sem abdicar da sua autonomia, patrões e sindicatos precisam de encontrar um ponto de entendimento sem intervenção dos partidos. Portugal em 2016 As peripécias, os acidentes de percurso, o carácter de algumas individualidades, a futilidade de tantos comportamentos políticos e a inutilidade das declarações públicas continuarão a ilustrar o roteiro da nossa jornada futura. Mas é possível detectar, indelével, sob a espuma do efémero, o percurso principal. Dentro de cinco ou dez anos, Portugal poderá ser governado de modo diferente. Com mais ou menos democracia. Em completa dependência do estrangeiro ou com uma relativa autonomia. Com graus de corrupção pelo menos controlados ou na submissão a uma partidocracia insaciável. Com novos partidos, novo sistema de governo e um regime diferente. O governo de maioria poderá ser a regra, mas a deriva minoritária poderá prosseguir. O regime parlamentar ou presidencial poderá substituir este arremedo que nos rege, fruto da invenção delirante de juristas medrosos e académicos sem visão da realidade. As eleições poderão ser nominais, mas a ditadura dos partidos poderá também manter-se no alheamento do soberano e dos direitos individuais. Os dilemas são estes. Inelutáveis. Mas as escolhas são nossas. Pelo menos em parte.
SOCIEDADE 7
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
Como vice-presidente do Conselho Geral
tecido empresarial. A posse dos eleitos, para o triénio 2011-2013, decorreu no dia 13 de Janeiro. António Saraiva é o presidente do Conselho Geral e da Direcção. José António Barros é o presidente da Mesa da Assembleia-geral e Jorge Rocha de Matos o presidente do Conselho Fiscal. Recorde-se que a CIP – Confederação Empresarial de Portugal foi criada na sequência de um entendimento entre a CIP (Confederação da Indústria Portuguesa), a AIP-CE (Associação Industrial Portuguesa - Confederação Empresarial) e a AEP (As-
sociação Empresarial de Portugal), com o objectivo de “passar a assumir as funções de natureza institucional, de representação e de ‘lobby’, que até agora eram desenvolvidos por estas três entidades associativas.” Por questões de simplificação administrativa, de natureza fiscal e de celeridade processual, a que também não foi alheio o facto de a CIP (Confederação da Indústria Portuguesa) ter legalmente assegurada a sua representação na Comissão Permanente da Concertação Social e em outros órgãos do Conselho Económico e Social que importa acautelar
Curso tem início a 12 de Fevereiro
Valorlis ensina a fazer agricultura biológica
DR
A Valorlis vai promover uma nova edição do curso de Agricultura Biológica, com o objectivo de ensinar aos participantes uma forma de agricultura natural, que respeita os ciclos da natureza e evita o uso de químicos, minimizando o impacto humano sobre o ambiente. Esta acção, que é já a décima primeira, terá início no dia 12 de Fevereiro. Miguel Aranda da Silva, administrador-delegado da Valorlis, salienta que «a procura dos cursos de agricultura biológica continua a ser muito grande, o
que mostra que as pessoas estão cada vez mais entusiasmadas com esta forma natural de cultivo, com respeito pelo ambiente e mais saudável». O curso decorrerá ao longo de 15 horas, com sessões aos sábados, na sede da Valorlis, em Parceiros, nos dias 12 e 19 de Fevereiro, 5 e 19 de Março e 2 de Abril, entre as 09h30 e as 12h30. Os formandos terão à sua disposição uma horta para colocarem em prática todas as técnicas que irão aprender.
e preservar, optou-se por criar a CIP – Confederação Empresarial de Portugal a partir da já existente CIP – Confederação da Indústria, que alterou os seus estatutos em conformidade. Complementarmente a AEP e a AIP-CE também procederam à alteração dos seus estatutos, deixando de exercer funções de natureza institucional e representativa (que se transferem para a nova Confederação) e passando a assumir funções, essencialmente operacionais, no âmbito daquilo que deverá ser o objecto de uma Câmara de Comércio e Indústria.
Loja Ponto Já de Leira comemorou 5 anos
101.000 Presenças registadas A Loja Ponto Já de Leiria comemorou, no passado dia 9 de Janeiro, o seu 5º aniversário. Desde a sua criação a Loja Ponto Já registou até este momento 101.000 presenças que utilizaram os mais variados serviços como: informações sobre os programas do Instituto Português da Juventude (Apoios ao Associativismo, Voluntariado Jovem, Campos de Férias, Ocupação de Tempos Livres), Cartão Jovem ou de Alberguista, reservas nas Pousadas da Juventude e utilização gratuita da Internet.
Ministro Jorge Lacão presidiu à inauguração
Escola Secundária de Ourém recuperada
DR
A NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria integra os órgãos sociais da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, ocupando uma das vicepresidências do Conselho Geral. Neste cargo a Associação está representada pelo presidente da Direcção, José Ribeiro Vieira. A CIP é uma estrutura associativa patronal de cúpula de natureza transversal, ou seja, que representa empresas de todos os sectores e regiões do país, com o estatuto de parceiro social, que dedicará uma atenção muito especial às PME (pequenas e médias empresas), dada a sua importância no nosso
DR
NERLEI integra órgãos sociais da CIP
Foram inauguradas, no passado dia 29 de Janeiro, as obras de requalificação da Escola Básica e Secundária de Ourém. Jorge Lacão, Ministro dos Assuntos Parlamentares presidiu às cerimónias. A comunidade educativa juntou-se no dia em que foram inauguradas as instalações renovadas da Escola Básica e Secundária de Ourém. Isabel Baptista, presidente do Agrupamento das Escolas de Ourém, fez as honras da casa e começou por fazer uma visita guiada às diferentes salas, equipadas com novos materiais, considerando
que “a escola de hoje corresponde às exigências do agrupamento”. “É impensável ter uma escola sem ter todos os recursos. Estes novos recursos potenciam um saber mais dinâmico, mais integrador, ao dar uma resposta mais eficaz e com maior qualidade”, afirmou Isabel Baptista. Isabel Baptista considerou que “agora estão reunidos os requisitos para proporcionar à comunidade envolvente estes equipamentos. Queremos uma escola de valores, uma escola de referência a nível regional”, sublinhando que “o futuro dependerá do que fazemos no presente”.
Administrador dos Serviços de Acção Social do IPL conclui tese de Doutoramento
Miguel Jerónimo investiga Acção Social no Ensino Superior Miguel Jerónimo, Administrador dos Serviços de Acção Social (SAS) do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), é o autor da tese de Doutoramento “O papel da Acção Social na igualdade de oportunidades de acesso e frequência de estudantes do Ensino Superior Politécnico Público português”, cuja defesa teve lugar no passado dia 14 de Janeiro na Universidad de Extremadura, Espanha, tendo merecido a classificação máxima – “sobressaliente cum laúde por
unanimidad”. O tema tratado é inédito e está na ordem do dia, particularmente no actual contexto de crise. Trata-se da primeira Tese de Doutoramento portuguesa a abordar especificamente o campo da acção social no Ensino Superior Politécnico. Também o autor, mediante o grau obtido, se tornou no 1.º administrador dos SAS de politécnicos portugueses e o 1.º não-docente do IPL com tal grau.
A importância da acção social no ensino superior é, para o autor, fundamental, na medida em que, como afirma, “todos nós conheceremos nossos concidadãos que neste momento desempenham tarefas de relevo, na sociedade actual, que nunca teriam acedido, frequentado e terminado com sucesso o ensino superior, não fora o apoio concedido, quer através de bolsas de estudos, quer através dos apoios indirectos – de que
destacaríamos o alojamento, a alimentação, a prática desportiva, o apoio na saúde e as actividades culturais”. Assim, Miguel Jerónimo questionou-se na sua Tese de Doutoramento sobre se “não teria sido uma enorme perda para a sociedade se todos esses estudantes carenciados tivessem sido impedidos de atingir o patamar mais elevado do sistema educativo”, A tese analisa de forma ampla o sistema da acção social no
ensino superior, procurando descobrir “se o sistema está apto a responder às solicitações para que foi criado e se o papel que desempenha está em conformidade com as expectativas que o poder político e a sociedade dele esperam”. Ao longo do trabalho, dá-se voz a mais de mil estudantes bolseiros e a pais de estudantes bolseiros, bem assim como aos Administradores dos Institutos Politécnicos Púbicos portugueses.
8 DIOCESE
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
Testemunho de Renato Buzzonetti, médico pessoal
CAMINHO... COM A
CARTA PASTORAL 17
3. A IGREJA, CASA E ESCOLA DA CARIDADE (...)
3.11. Família, o primeiro lar da caridade A primeira casa e escola onde somos iniciados à caridade e chamados a vivê-la e a testemunhá-la é, por natureza, a família. “A caridade bem ordenada começa na própria casa”, diz o adágio. É aí que fazemos a primeira experiência do amor humano mais gratuito e generoso: de pais e filhos e de irmãos. Hoje, múltiplos factores, desde o desencontro dos horários de trabalho até às solicitações das novas tecnologias, desde a ruptura cultural entre as gerações à perda de valores educativos, provocam um curto circuito na circulação e no crescimento deste amor familiar: na proximidade, na disponibilidade, no acolhimento, no diálogo e no sacrifício de uns pelos outros. A caridade, o amor gratuito, oblativo e generoso é o que torna mais bela a família. Por isso, sugiro a cada família fazer um exame de consciência sobre a qualidade das suas relações, cultivar gestos de partilha com os mais necessitados, educar os filhos para a generosidade e gratuidade no serviço aos outros. Com confiança e afecto faço um apelo: “Família, reacende o fogo da caridade que está em ti”! 3.12. A caridade, fonte de vocações Creio que, se durante este ano pastoral conseguirmos atear o fogo da caridade nas famílias e nas comunidades cristãs, poderemos ter fundada esperança numa primavera vocacional. Relembro o testemunho de Santa Teresa do Menino Jesus: “Compreendi que só o amor fazia actuar os membros da Igreja e que se o amor viesse a extinguir-se nem os Apóstolos continuariam a anunciar o Evangelho, nem os mártires a derramar o seu sangue; compreendi que o amor encerra em si todas as vocações”. O serviço de animação vocacional nas comunidades também é serviço de caridade!
Proposta para reflexão... idade • A
iro lar da car 3.11 - Família, o prime ssa comunidade está orpastoral familiar da no dar as famílias a serem ganizada de forma a aju escolas de caridade? o de vocações • O ser viç 3.12 - A caridade, fonte ivo act e está organizado de animação vocacional ? na nossa comunidade
João Paulo II “nunca demonstrou momentos de desespero” O médico pessoal do Papa, desde sua eleição até sua morte (1978-2005), Dr. Renato Buzzonetti, concedeu uma entrevista ao jornal da Santa Sé, em que se refere à sua missão de “velar pelo estado de saúde” de João Paulo II. Recordando a maneira com a qual se transformou em médico pessoal do Papa, explica: “Na tarde de 29 de Dezembro de 1978, quando trabalhava no hospital São Camilo, recebi uma ligação surpresa de Dom John Magee, da secretaria particular do Santo Padre, que me pedia para ir até lá”. Quando cheguei, “fui conduzido a uma pequena sala, e pouco depois, para minha grande surpresa, João Paulo II chegou acompanhado por dois médicos”. “Fez-me sentar à mesa e disse-me que queria nomearme seu médico pessoal (...). Na manhã seguinte, escrevi ao seu secretário particular, Dom Stanislaw Diziwsz, dizendo que aceitava.” O Dr. Buzzonetti recorda as relações “marcadas por uma grande simplicidade” com João Paulo II. “Da minha parte, sempre houve com ele uma sinceridade filial e respeitosa; e por parte do Papa, uma confiança afectuosa e que manifestava numa grande sobriedade de gestos e palavras.” João Paulo II era um
DR
[COLUNA SEMANAL]
“paciente dócil, atento, curioso por conhecer as causas de seus leves ou graves males, mas sem a curiosidade desesperada, ainda que compreensível, de alguns doentes”. “Nunca demonstrou momentos de desespero diante do sofrimento, que enfrentava com valentia”. Segundo o médico italiano, João Paulo II, “vivia uma união íntima com o Senhor, feita de orações e de contemplação contínua”. “Tinha uma fé de aço e uma alma na qual se misturavam o romantismo e o misticismo.” “Tinha uma inteligência penetrante, uma capacidade de decisão rápida e sintética,
uma memória segura e, sobretudo, uma capacidade evangélica para amar, compartilhar e perdoar.” Na entrevista, o Dr. Buzzonetti referiu-se também aos últimos momentos de João Paulo II, à “dor física”, mas sobretudo “à moral espiritual de um homem na cruz que aceitava tudo com valentia e paciência: nunca pediu calmantes, nem sequer durante a fase final”. “Era sobretudo a dor de um homem paralisado, imobilizado numa cama ou numa cadeira, que tinha perdido sua autonomia física.” No final de sua vida, João Paulo II já não podia fazer nada sozinho: “não
podia andar, mal podia falar com uma voz debilitada e fraca, a sua respiração estava cansada, alimentava-se cada vez com maior dificuldade”. Contudo, “quando chegou a hora da cruz”, o Papa “foi capaz de abraçá-la sem hesitar”. O médico pessoal de João Paulo II durante mais de 25 anos, também se referiu às viagens secretas do Papa para fora do Vaticano e das quais ele participou. “Durante os primeiros dois anos, tratava-se de saídas para as montanhas ou mar, perto de Roma, que incluíam longas caminhadas a pé ou muitas horas de esqui. Com a idade, os trajectos a pé ficaram mais curtos e as excursões, após as viagens de carro, concluíam com uma longa pausa na sombra de uma tenda com vistas relaxantes, ao pé de picos cobertos de neves e com um almoço na sua bolsa.” E conclui explicando como acabava a jornada, antes de tomar o caminho até Roma: “O Papa gostava de escutar cantos de montanha entoados pela sua pequena companhia, à qual se uniam os guardas do Vaticano e os polícias italianos da escolta; e pedia-me para liderar este coro improvisado, sob o olhar divertido de João Paulo II”.
Divulgação
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O Mensageiro
3.Fevereiro.2011
Início do 2.º Semestre Com início no dia 14 de Fevereiro, o Centro de Formação e Cultura (CFC) recomeça o seu curso de formação teológica para leigos, no Seminário Diocesano de Leiria. Este segundo semestre será marcado pela introdução de um novo curso: Espiritualidade cristã. Além deste são leccionados outros dois: História da Igreja e Sacramentologia.
DR
Centro de Formação e Cultura apresenta novo curso
A Espiritualidade Cristã Esta disciplina, integra o plano de formação complementar, e é orientada pelo Padre Adelino Guarda, às segundas-feiras das 19h15 às 20h45. Para muitos cristãos a espiritualidade diz respeito a determinadas práticas religiosas e devocionais e sugere atitudes concretas que interessam particularmente alguns; com efeito, há pessoas que experimentam uma grande receptividade
em relação à espiritualidade e consideram-na o remédio para todos os males da Igreja e do mundo; outras há que nem sequer suportam o que tal palavra sugere e pensam que a espiritualidade é sinónimo de fuga do mundo e da história, de renúncia e mortificação de tudo o que naturalmente nos agrada, de aceitação resignada das penas e misérias do “vale de lágrimas” em que vivemos. Afinal, o que é a espiritualidade? Qual o núcleo
essencial da espiritualidade cristã? O curso procura distinguir e relacionar a espiritualidade cristã com a reflexão teológica. Apresenta os fundamentos bíblicos e teológicos da espiritualidade e o conteúdo das principais escolas de espiritualidade. Trata os temas fundamentais da vida cristã, que melhor exprimem a sua estrutura e dinamismo, com referência explícita a Cristo, ao qual o cristão, sob a acção do Es-
pírito Santo, é chamado a conformar-se. Serão analisados alguns textos escolhidos dos fundadores de escolas e de teólogos representativos desta matéria.
munidades até aos grandes desafios do nosso tempo. Olharemos para as luzes e sombras desta história milenar, tentando perceber o fio condutor desta sobrevivência no tempo.
História da Igreja O curso será ministrado pelo Dr. Luciano Coelho, às segundas-feiras das 21h00 às 22h30. A história da Igreja é um peso ou uma motivação para os cristãos de hoje? Jesus foi crucificado há quase 2000 anos em Jerusalém. Desde então o Cristianismo espalha-se para todos os cantos do mundo e torna-se uma presença constante. Como é que um grupo restrito de discípulos, perseguidos e ameaçados conseguiu difundir a fé no crucificado-ressuscitado? Este curso faz uma síntese histórica dos dois milénios da era cristã: desde a vida das primeiras co-
Sacramentologia O programa do curso guiado pelo padre Carlos Cabecinhas, às quintas-feiras das 21h00 às 22h30, será focado nos seguintes pontos: Introdução e apresentação do programa, Os Sacramentos como celebração/Liturgia, Novidade dos Sacramentos cristãos, Aspectos gerais, Sacramentos da Iniciação cristã: introdução, Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência ou Reconciliação, Unção dos enfermos, Matrimónio, Ordem e a Conclusão. Somos cristãos porque um dia nos trouxeram à igreja e fomos baptizados, depois confirmados; como
cristãos, aproximamo-nos da Eucaristia, sacrifício de Cristo e banquete celeste, que alimenta continuamente essa vida, iniciada no Baptismo. Porque imperfeitos e limitados, sempre sujeitos a desviarmo-nos do caminho de salvação que Deus nos aponta, encontramos na Reconciliação a purificação das nossas faltas e o restabelecimento da nossa relação com Deus, com os outros e connosco próprios. E poderíamos continuar, indicando a presença e acção dos sete Sacramentos nas nossas vidas, referência fundamental para a vida cristã. Uma vez que não se pode reflectir sobre os sacramentos sem ter em conta a sua celebração, este curso inclui uma dupla perspectiva: teológica e litúrgica. Haverá uma introdução geral e depois o estudo de cada um deles.
BREVES
Escola Diocesana
Razões da Esperança
“ESCUTA quem + PRECISA”
A escola razões da Esperança vai iniciar as aulas no próximo dia 15 de Fevereiro no Seminário Diocesano de Leiria, realizando-se quinzenalmente, às terças-feiras das 21h00 às 23h00. O primeiro tempo, das 21h00 às 21h45 terá alternados dois cursos: “Perspectivas do Novo Testamento”, leccionado pelo padre Gonçalo Diniz e “Os cristãos, a morte e a vida eterna”, dirigido pelo padre Adelino Guarda. O segundo tempo, das 22h00 às 23h00, fica a cargo dos movimentos e serviços da Diocese.
‘ferramentas’ para a utilização do NT na oração pessoal e comunitária e nos diversos campos da vida e acção da Igreja. Ninguém ignora que entre todas as Escrituras, mesmo do Novo Testamento, os Evangelhos têm o primeiro lugar, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo encarnado, nosso salvador (DV 18). Os temas do curso são: O ambiente histórico do NT, Os escritos do NT e Os Evangelhos Sinópticos e os Actos dos Apóstolos.
Perspectivas do Novo Testamento As aulas deste curso pretendem apresentar algumas perspectivas do Novo Testamento. Não como objectivo de fazer um estudo aprofundado de cada livro, nem mesmo uma introdução, mas oferecer um guia para orientar no interior do NT e das partes que o compõem, fornecendo
Os cristãos, a morte e a vida eterna Qual é o projecto que Deus tem para este mundo? Numa sociedade onde tantas pessoas perdem o encanto pela vida, como falar de ressurreição? E o que é a vida eterna? Estas são algumas das questões que este curso se propõe reflectir. O cristianismo tem uma proposta
Escuteiros organizam recolha de bens alimentares original acerca do futuro do homem e a Igreja, à qual todos somos chamados, só na glória celeste alcançará a sua realização plena (cf LG 48). Entretanto, a morte é uma realidade inevitável que nos atingirá a todos e que desde já perturba e desconcerta. Os temas deste curso são: A vida cristã caminho para a plena comunhão com Deus, Sentido cristão da morte, A esperança dos novos céus e da nova terra, O Reino de Deus chegará à sua plenitude, Deus que ressuscitou o Senhor também nos ressuscitará a nós (1Cor 6,14) e Significado da profissão de fé “Creio na vida eterna”.
Nos próximos dias 5 e 6 de Fevereiro, o Agrupamento de Escuteiros 127 da Sé Catedral de Leiria vai proceder a uma recolha de bens alimentares e de higiene pessoal no Intermarché dos Marrazes. Esta acção de nome “Escuta quem + precisa” vai na 2ª edição e à semelhança do ano passado, faz parte do programa pedagógico deste ano escutista (Solidariedade e Serviço à Comunidade) e visa beneficiar duas instituições carenciadas da nossa paróquia (Internato Masculino dos Marrazes e Lar de Idosos São Francisco). Com base nos resultados do ano anterior, e sem querer “mandar” na generosidade das pessoas a organização apela para que a entrega não seja apenas de bens alimentares (leites, cereais, açúcar, conservas, grão, feijão, bolachas, etc.) mas também sensibilizam para a entrega de produtos de higiene pessoal/ limpeza (papel higiénico, guardanapos, gel de banho, sabonetes, pastas dentífricas, elixir bucal, lâminas de barbear, rolos de cozinha, etc.) com o objectivo de alguma forma dar resposta às necessidades específicas das Instituições referenciadas.
Nomeação episcopal
Concerto Canções de Esperança
António Augusto dos Santos Marto, Bispo da Diocese de Leiria-Fátima, faz saber quanto segue: Sendo necessário prover ao cuidado pastoral do Povo de Deus que nos foi confiado, havemos por bem nomear Vigário Paroquial dos Marrazes o Rev. Padre Jorge Domingues de Oliveira, que assumirá este múnus na data do presente decreto. Exercerá o seu ministério em colaboração com o Revº
Tal como foi anunciado nos concertos de 12 e 13 de Dezembro passado em Fátima, encontram-se já disponíveis para quem quiser, o duplo DVD integral dos Concertos, bem como um CD triplo com o som ao vivo, para quem queira respectivamente recordar em imagem ou apenas em som, aqueles mágicos momentos. Este material encontra-se no Seminário Diocesano de Leiria, e também poderá ser remetido para casa se for solicitado ao Seminário ou ao telemóvel 918652856.
Novo vigário paroquial dos Marrazes Pároco, P. Augusto Gomes Gonçalves, segundo a Lei da Igreja e em comunhão com o Bispo diocesano. Terá todas as faculdades previstas no Código de Direito Canónico, nomeadamente as consignadas no cânone 1111. Esta nomeação é válida pelo período de um ano. Leiria, 6 de Janeiro de 2011. † António Augusto dos Santos Marto Bispo de Leiria-Fátima
Gravação ao vivo
10 ECLESIAL
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
Comum (06/02/11)
Antífona de Entrada: Salmo 94, 6-7: Vinde, prostemonos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. O Senhor é o nosso Deus. Leitura I: Is 58,7-10 Salmo Responsorial: Salmo 111(112) Para os homens rectos nascerá uma luz no meio das trevas Leitura II: 1 2,1-5 Aclamação ao Evangelho: Aleluia. «Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor, quem me segue terá a luz da vida» EVANGELHO: Mt 5,13-16 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».
Cânticos | VI Domingo Tempo Comum (13/02/11) INÍCIO: Eu venho Senhor – Lau 377 Vamos confiantes ao trono da graça – Lau 843 SALMO RESPONSORIAL: Ditoso o que anda na lei do Senhor - Lau 296 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Recebestes um Espírito - Lau 716 Se me envolve a noite escura - Lau 744 COMUNHÃO: Se cumprirdes os meus mandamentos – Lau 740 Dou-vos um mandamento novo - Lau 301 PÓS-COMUNHÃO: Só no Espírito de Deus – Lau 789 O Senhor me apontará - Lau 601
Amândio, o mestre de muitas obras O Amândio é um jovem do Coimbrão. Depois de se integrar no Grupo Missionário Ondjoyetu, de um tempo de formação e discernimento, sentiu-se chamado a partir em missão, o que veio a acontecer em finais de Outubro passado. Vim encontrá-lo em Angola, a meio dos seis meses que decidiu dar à missão como missionário Leigo. Graças a Deus, está de saúde, tal como o resto da equipa, e anda muito bem disposto e animado. Como já todos sabíamos, o Amândio por aqui é tratado por mestre, porque o é, de facto. Embora seja carpinteiro, percebe de outras áreas de trabalho, o que é muito útil à nossa missão. Ainda ontem participei na missa da Pedra Um e lá tive a oportunidade de ouvir o agradecimento pela ajuda que deu na colocação dos pilares e cobertura dessa igreja, juntamente com o P. David. Embora esta não seja uma comunidade sob a responsabilidade da nossa equipa missionária, tendo sido pedida essa ajuda, ela foi dada.
AO SABOR DA PALAVRA
FINAL: Cristo é caminho - Lau 247 Povos da terra louvai – Lau 1116
Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com
Pequenos pormenores Sábado 19h00 – Sé 19h30 – Franciscanos
MISSAS DOMINICAIS
Domingo 08h30 – Espírito Santo 09h00 – Franciscanos 09h45 – Paulo VI 10h00 - S. Francisco 10h30 – Franciscanos 10h00 – S. Romão 11h00 – S. Agostinho 11h00 – Hospital 11h30 – Cruz da Areia 11h30 – Seminário e Sé 18h30 – Sé 19h30 – Franciscanos 21h30 – Sª Encarnação
5º Domingo do Tempo Comum
Ao ler as leituras deste domingo tive a “tentação” de não escrever nada. Há momentos em que me interrogo se aquilo que escrevo tem algum sentido, se vale a pena, se deste conjunto de palavras pode nascer alguma luz. Porque é de luz que Deus nos fala neste domingo. Já o profeta Isaías, antes, muito antes de Jesus, anuncia as obras de misericórdia: “se tirares de ti a opressão,
DR
Leituras | V Domingo Tempo
Janela Sobre a Missão
Como tem a carta de condução de veículos pesados, tem sido ele o condutor do nosso camião Mogui Mogui. Já fez várias viagens entre o Sumbe e o Gungo com materiais de construção, combustíveis e bens alimentares; em sentido inverso tem transportado carvão e produtos de produção agrícola, dando assim um grande apoio à comunidade. Mas o forte do seu trabalho tem sido no Gungo, em vários locais. Sendo o Gungo uma área muito vasta e rodando a equipa por lugares muito dispersos e distantes, é necessário ir melhorando as condições
de acolhimento da equipa e das estruturas da comunidade. Após a sua chegada organizou-se uma equipa de trabalho com cinco elementos que o acompanha e ajuda nas tarefas que realiza, além de muito aprenderem com ele, como já pude testemunhar. Dos muitos trabalhos realizados, destaco o que já fez na Donga, futura sede da missão: concluiu praticamente a reparação do telhado da casa da missão, reparou a casa de apoio que serve de refeitório e de sala de reuniões, tendo também substituído o telhado de capim por um de chapa
se deres do teu pão ao faminto, a tua luz brilhará na escuridão”. As verdades são intemporais, são sempre de hoje. E neste hoje a Palavra de Deus continua a ter sentido. Não podemos deixar de considerar como fundamental para a nossa existência humana o facto de sentirmos que a vida só é possível em comunhão, em partilha. E como cristãos não nos podemos divorciar deste projecto de vida, não podemos consentir que a humanidade se torne num conjunto de objectos que flutuam na água da realidade, conduzidos pelo acaso do tempo. Para que não sejamos vencidos pelo acaso, devemos procurar aprofundar a nossa Fé, procurando que o Caminho, a Verdade e a Vida sejam verdadeiramente o itinerário e a razão na nossa existência. De nada valem as palavras se elas não são a imagem da nossa vida. Por isso S. Paulo diz aos Coríntios: “A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação
do Espírito Santo.” Uma imagem vale mais que mil palavras, mas como eu não tenho jeito para o desenho como posso transmitir-vos Jesus Cristo. Cada semana há sempre um pouco desta angústia que me invade: o que escrever. E é no silêncio da noite que procuro encontrar na Palavra de Deus algo para partilhar convosco. Porque no fim de contas também tenho a certeza de que as palavras de Jesus, dirigidas a todos aqueles que nele acreditam e que por isso procuram viver de acordo com a sua mensagem, são primeiro dirigidas para mim. “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo. Não se acende uma lâmpada para pôr debaixo do alqueire.” Esta palavra de Jesus é para todos os cristãos, todos somos sal da terra e todos somos a luz do mundo, e não nos devemos acanhar por ser pequenos, ou fracos, ou limitados. Porque desde que haja um bocadinho de sal na comida e luz na escuridão já é positivo. E sabemos que, quando o sal está em
metálica. Numa outra aldeia, o Uquende, continuou os trabalhos de melhoria da casa da equipa missionária com realização de rebocos e piso em cimento, colocação dos esgotos da casa de banho e construção da fossa. Também nesta aldeia tem orientado o início das obras de construção da nova igreja. Vejo que o Amândio é muito apreciado pelas suas qualidades e pelo muito que sabe fazer e ensina. Para este povo, tão marcado pelo subdesenvolvimento e pela guerra, a presença de pessoas como esta é muito importante. A Missão também se faz pelo testemunho de fé, ensino através do trabalho e promoção das condições de vida das pessoas. Parabéns Amândio pelo teu trabalho e testemunho e que venham muitos como tu. Sumbe, 1 de Fevereiro de 2011 P. Vítor Mira
excesso, a comida se torna intragável (os meus colegas lembram-se de uma vez em que isso aconteceu por causa de mim). Sabemos também que a luz pode ser tão forte que nos cega e nos impede de ver. A nossa missão é de “dar sabor” ao mundo, garantir aos homens a perenidade da “aliança” e iluminar o mundo com a “luz” de Deus. Somos as testemunhas dessa realidade nova que nasce da oferta da salvação e da vivência das “bem-aventuranças”. Tudo na vida tem de ter uma medida e deve ser vivido com moderação, para que a renovação do mundo aconteça dia a dia, para que o nosso crescimento aconteça de forma harmoniosa. E a harmonia, na música ou na pintura, nasce das pequenas diferenças. Não posso escrever uma ópera apenas com uma nota, não posso pintar um quadro apenas com uma cor. A beleza nasce das diferenças e da sua conjugação.
IGREJA EM PORTUGAL 11
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
Educação
As novas regras de financiamento estatal para os estabelecimentos do ensino particular e cooperativo foram alvo de críticas dos bispos de Braga e de Beja, que se manifestaram contra a estatização da educação. Na sua nota semanal para a «Rádio Pax», também enviada à Agência ECCLESIA, D. António Vitalino, bispo de Beja, convida o Estado a respeitar a “iniciativa dos cidadãos” para que não haja um regresso à “ditadura” por serem contrariados “os princípios tão propalados da liberdade, da responsabilidade, da subsidiariedade e da proporcionalidade”. Referindo-se à polémica que opõe as escolas privadas com contrato de associação, financiadas pelo Estado, e o Ministério da Educação, o prelado da diocese alentejana sublinha que estes estabelecimentos “prestam um serviço público de altíssimo valor”, gratuito, e “custam muito menos, ao contrário do que alguns dizem, lançando números para a praça pública que não correspondem à verdade”. “Enquanto em relação às escolas particulares, o governo publica todos os contributos, quanto
DR
D. Jorge Ortiga e D. António Vitalino contra novas regras do Governo
às do Estado apenas dá a conhecer os custos com os professores”, alerta. A mesma questão tinha estado no centro das críticas de D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, para quem “o ensino privado é ensino público na medida em que está ao serviço de toda a sociedade na formação dos quadros directivos e do tecido produtivo do nosso país”. “Impõe-se a todo o custo uma ideologia educativa estatal com a consequente eliminação silenciosa de todas as propostas educativas que orientem para os valores do testemunho, da autoridade, da seriedade, da vontade de trabalho e de iniciativa, da fé e da visão cristã do mundo”, alertou o arcebispo de Braga, numa intervenção
proferida em Famalicão, no dia 29, falando ainda numa “polarização da perspectiva economicista da educação”. Na última semana, Isabel Alçada, ministra da Educação, afirmou, em conferência de imprensa, que o seu Ministério “pagou a alguns dos colégios” com contrato de associação “bastante mais do que seria justo, permitindo que alguns obtivessem elevadas margens de lucro”. Estes contratos visam a atribuição de um subsídio pelo Estado às escolas privadas que completem as insuficiências da rede pública de escolas. Para D. António Vitalino, “as escolas com contrato de associação prestam um serviço público de qualidade e têm direito a um
apoio justo, para o poderem fazer gratuitamente”. “Alguns governantes persistem em difamar os cidadãos conscientes e responsáveis, como se fossem malfeitores, quando na verdade são grandes benfeitores do progresso integral da sociedade”, assinala ainda. O Ministério da Educação publicou a 29 de Dezembro de 2010 uma portaria que define o apoio financeiro a conceder, no âmbito de contratos de associação aos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, prevendo um subsídio anual, por turma, de 80 080 euros. Entre Janeiro e Agosto do ano lectivo de 2010/ 2011 vigora um período de transição, em que, de acordo com a tutela, serão pagas “parcelas mensais às escolas com contrato de associação, tendo por referência o montante anual de 90 000 euros/turma”. O Decreto-lei que regula o apoio do Estado aos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo foi publicado, em «Diário da República», a 28 de Dezembro de 2010, permitindo a avaliação e renegociação dos contratos. OC
D. Walter Kasper profere conferência O padre Joaquim Carreira das Neves, antigo docente de disciplinas bíblicas na Faculdade de Teologia da Universidade Católica, lembra que “as grandes dificuldades” quanto ao entendimento entre os cristãos “não são do século XX ou XXI, mas do primeiro século”. No programa 70x7 emitido a 30 de Janeiro na RTP 2, o religioso franciscano defende que os livros da Bíblia revelam “muitas maneiras de pensar Jesus”: “É nestas muitas visões, que são como fotografias ou espelhos, que nós temos de compreender o cristianismo”, assinala. O pastor protestante Dimas de Almeida, por seu lado, salienta que o cristianismo das origens
“Identidade e Valores”
Ciclo de Conferências da Fundação «Cidade de Lisboa» O III Ciclo de Conferências da Fundação «Cidade de Lisboa» será subordinado ao tema “Identidade e Valores”. Uma iniciativa a realizar nos dias 3, 10 e 17 de Fevereiro e 2 de Março na sede da fundação, em Lisboa. O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, D. Carlos Azevedo, e António Barreto, presidente do Conselho de Administração da Fundação Manuel dos Santos, serão os oradores da primeira sessão (3 de Fevereiro) que terá como tema «Identidade e Valores». Um comunicado de imprensa enviado à Agência ECCLESIA indica também que a sessão de 10 de Fevereiro será sobre «Identidade e Valores na Justiça» com os prelectores António Lobo Xavier e António Vitorino. LFS
Fórum de EMRC em Fátima
Igreja prepara encontro de alunos Centenas de professores de todo o país estiveram reunidos em Fátima, de 28 a 30 de Janeiro, para um Fórum da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), sob o tema «Pelos seus actos os reconhecereis – a Proposta Cristã na Escola». Ao longo de três dias, “reflectiu-se sobre a educação, os alunos, o lugar da disciplina tendo-se a temática focado no testemunho cristão na Escola”, assinala a Comissão Episcopal da Educação Cristã, na sua página oficial na Internet. O Fórum contou com mais de 200 professores de EMRC de todo o país e outras 400 pessoas seguiram os trabalhos online, pelas redes sociais Facebook e Twitter. O mesmo SNEC vai promover, nos dias 4 e 5 de Março, o primeiro Encontro Nacional para alunos de EMRC do Ensino Secundário, sob o tema «À Procura da Beleza». Esta iniciativa vai decorrer em Lisboa, no Instituto Diocesano da Formação Cristã (Igreja do Sagrado Coração de Jesus). OC
Fundo Social Solidário
“Ecumenismo, hoje – Avanços e impasses” O anterior presidente do departamento do Vaticano responsável pela promoção da unidade dos cristãos, o cardeal alemão D. Walter Kasper, profere hoje, 3 de Fevereiro, em Lisboa, a conferência “Ecumenismo, hoje – Avanços e impasses”. A presença do prelado na sessão que decorre na Universidade Católica Portuguesa, às 18h30, enquadra-se na cerimónia do doutoramento ‘honoris causa’ que aquela instituição lhe vai conceder a 4 de Fevereiro. Walter Kasper foi nomeado em 2001 pelo Papa João Paulo II para presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cargo que exerceu até Julho de 2010.
BREVES
caracteriza-se, entre outros elementos, por uma “diversidade extraordinária”. “Os cristãos dos primeiros tempos viram-se como participantes de alguma coisa plural, mas sem que essa pluralidade fosse motivo para quebrar a unidade”, considera o professor do curso Ciências das Religiões da Universidade Lusófona. Para o padre João Lourenço, a Igreja Católica acentua a perspectiva da “unidade” em contraste com a “uniformidade”, esquecendo que esta não existe dentro dos movimentos e estruturas eclesiais. “Queremos implantar fora o que não existe dentro [da Igreja Católica], nem tem de existir”, frisa o professor de Bíblia na Faculdade de Teologia, que
preconiza o regresso dos cristãos à primitiva comunidade de Jerusalém, “não para ficar lá”, mas para ter “mais desejo de construir o futuro”. No entender de Dimas de Almeida “não há nenhuma Igreja cristã, seja católica ou protestante, que tenha toda a plenitude da riqueza”. De acordo com o pastor, é preciso que os cristãos passem por “um processo interior em que há um nascimento com o outro”, ou seja, em que não se procura mudar as convicções do interlocutor mas concretizar uma conversão com ele. O ecumenismo é o conjunto de iniciativas tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos. 70x7/RM
Dar apoio aos mais necessitados O Fundo Social Solidário, criado pela Igreja Católica, em 2010 para acorrer aos mais necessitados, distribuiu mais de 30 mil euros na primeira quinzena deste mês de Janeiro, apoiando 80 pessoas. Os números são revelados pelo site oficial da Caritas Portuguesa, que assume o encargo de os actualizar a cada duas semanas. Os pedidos, correspondentes a 41 casos, foram apresentados por sete das 20 dioceses territoriais de Portugal. O Fundo Social Solidário é uma estrutura nacional que apoia as Dioceses na resposta aos pedidos de ajuda e que depende, exclusivamente, de donativos. O saldo do Fundo é de 179 022 euros, conseguidos com contributos das dioceses e donativos de empresas e particulares. Em Dezembro de 2010, tinham sido distribuídos quase 74 mil euros a 323 pessoas. O Fundo tem um “carácter emergente” e visa “contribuir para a solução dos problemas sociais do país”, segundo o seu regulamento. A Equipa Nacional do Fundo Social Solidário é constituída por representantes da Comissão Nacional Justiça e Paz, Comissão Justiça e Paz dos Religiosos, Sociedade S. Vicente de Paulo e da Caritas Portuguesa, cujo presidente coordena esta equipa.
12 IGREJA NO MUNDO
BREVES Diálogo com os não crentes arranca em Paris
Novo departamento do Vaticano O Conselho Pontifício da Cultura (CPC) anunciou o arranque oficial de um novo departamento do Vaticano, denominado «Pátio dos Gentios», que visa “favorecer o intercâmbio e o encontro” entre crentes e não crentes. De acordo com um comunicado do CPC, organismo presidido pelo cardeal Gianfranco Ravasi, esta “estrutura permanente” vai realizar a sua primeira iniciativa nos próximos dias 24 e 25 de Março, em Paris. Na capital francesa, vão decorrer três colóquios sobre o tema «Religião, luz e razão comum»: na tarde do dia 24 de Março, na sede da UNESCO, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura; na manhã de 25 de Março, Sexta-feira, na Universidade de Sorbonne e, à tarde, na Academia de França. Depois dos colóquios, há lugar para uma “mesa-redonda” no Colégio dos Bernardinos, edifício histórico, do século XIII. O CPC anuncia ainda uma “festa” especialmente pensada para os mais jovens, tendo como tema «No pátio do Desconhecido», que vai ter lugar na catedral Notre Dame de Paris, no dia 25 de Março, com “música, espectáculos e um encontro de reflexão”, seguindo-se uma vigília de oração e uma meditação. O «Pátio dos Gentios» (Il Cortile dei gentili) evoca o espaço homónimo que, no antigo Templo de Jerusalém, hospedava os não judeus. O CPC, segundo as tarefas definidas em 1988 por João Paulo II, tem como missão promover as relações entre a Santa Sé e o mundo da cultura, “a fim de que a civilização do homem se abra cada vez mais ao Evangelho, e os cultores das ciências, das letras e das artes se sintam reconhecidos pela Igreja como pessoas ao serviço da verdade, do bem e do belo”.
Diálogo Teológico
Bento XVI recebe Comissão Internacional Mista Bento XVI pediu aos líderes católicos e ortodoxos um “clima de confiança e aceitação mútua”, em benefício de todas as comunidades cristãs, especialmente as que enfrentam “desafios e dificuldades” no Médio Oriente. Segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, o desafio foi lançado esta manhã, durante uma audiência do Papa com representantes da Comissão Internacional Mista para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais, no Palácio Apostólico do Vaticano. “Muitos de vós vêm de regiões onde os crentes e as comunidades cristãs enfrentam desafios e dificuldades, que são para todos nós motivo de grande preocupação” declarou Bento XVI. “Que a intercessão e o exemplo dos muitos mártires e santos, que deram um testemunho corajoso de Cristo em todas as Igrejas, tragam força e apoio a todos vós e às vossas comunidades cristãs”, salientou ainda. A Comissão Internacional Conjunta para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais foi fundada em 2003, numa iniciativa do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristão, em parceria com as autoridades das Igrejas Ortodoxas Copta, Síria, Apostólica Arménia, Etíope, Eritreia e sírio-malancar. O organismo reuniu esta semana em Roma, para abordar matérias como a comunhão e a comunicação que existia entre as Igrejas cristãs, antes de se dar a separação, há 15 séculos atrás, e o papel desempenhado pelo monasticismo na vida da Igreja primitiva. “Temos de estar confiantes de que a vossa reflexão teológica vai levar as nossas Igrejas não só a um entendimento mais profundo, mas a continuar com determinação esta jornada rumo à comunhão plena, conforme a vontade de Cristo” conclui Bento XVI. CP
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
Bento XVI alerta para «formas de opressão»
Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2011 Bento XVI apelou a um empenho da Igreja Católica pela “libertação de todas as formas de opressão” da humanidade e alertou para as consequências da globalização e do relativismo. Na mensagem para o Dia Mundial das Missões 2011 (23 de Outubro), divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé, o actual Papa cita Paulo VI (1897-1978) para afirmar não ser “aceitável que na evangelização se deixem de lado os temas que dizem respeito à promoção humana, à justiça” ou “desinteressar-se dos problemas temporais da humanidade”. Falando em “mutação cultural, alimentada pela globalização, por movimentos de pensamento e pelo relativismo imperante”, Bento XVI critica uma “mentalidade e um estilo de vida que prescindem da mensagem evangélica, como se Deus não existisse”. Nesse contexto, acrescenta, são exaltados “o lucro fácil, a carreira e o sucesso como objectivos da vida, em detrimento dos valores morais”. O Papa lembra que os
destinatários do Evangelho são “todos os povos da terra” e que a Igreja e os Cristãos não podem ficar tranquilos ao saber que “após dois mil anos ainda existem povos que não o conhecem e não escutaram sua mensagem de salvação”. Bento XVI acrescentou uma referência aos que, tendo recebido o anúncio do Evangelho, “o esqueceram e abandonaram, e já não se reconhecem na Igreja” e aos “muitos ambientes da sociedade tradicionalmente cristã” que se mostram “refractários em abrir-se à palavra da fé”. A missão, escreve, “é o serviço mais precioso que a Igreja pode prestar à humanidade e a cada pessoa que procura as razões profundas para viver em plenitude a sua própria existência”. O Papa pede que a preocupação missionária se estenda a “todas as actividades” dentro da Igreja, de forma constante e não apenas de um modo “esporádico”. “A atenção e a cooperação à obra evangelizadora da Igreja no mundo não
podem estar limitadas a alguns momentos e ocasiões particulares e não podem ser consideradas como uma de tantas actividades pastorais”, aponta o documento. O próprio Dia Mundial das Missões, acrescenta Bento XVI, “não é um momento isolado no decorrer do ano, mas é uma ocasião preciosa para questionar se e como se responde à vocação missionária, uma resposta essencial para a vida da Igreja”. A mensagem papal sublinha que a evangelização exige solidariedade e que esse é um dos objectivos do Dia Mundial, que por meio das Obras Pontifícias Mis-
sionárias pede “ajuda para o desenvolvimento das tarefas de evangelização nos territórios de missão”. “Trata-se de apoiar as instituições necessárias para estabelecer e consolidar a Igreja mediante catequistas, seminários, sacerdotes e contribuir para a melhoria das condições de vida das pessoas em países nos quais os problemas mais graves são os fenómenos da pobreza, da desnutrição, sobretudo infantil, das doenças, da carência de serviços sanitários e de educação”, assinala Bento XVI. OC
Fé católica é geradora de cultura
Congresso sobre a pastoral universitária O sacerdote que acompanha a Universidade Católica de Milão, Itália, defendeu que “depois de vários séculos de separação trágica entre fé e cultura”, o ensino superior constitui para a Igreja uma oportunidade para afirmar “um papel profético”. Para o padre Sérgio Lanza, a fé católica é geradora de cultura, pelo que se justifica a presença da Igreja nos espaços e ambientes do ensino superior, refere uma nota de imprensa enviada à Agência ECCLESIA pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), que organizou entre 27 e 30 de Janeiro um congresso sobre a pastoral universitária na cidade ale-
mã de Munique. No entender do presidente daquele organismo, o cardeal húngaro D. Péter Erd , a pastoral universitária deve esforçar-se por criar “um encontro entre a riqueza da mensagem evangélica e a pluralidade e vastidão dos campos do saber humano”. Por seu lado, o arcebispo de Munique, cardeal D. Reinhard Marx, frisou que a Igreja é chamada a elaborar uma nova síntese humanista no ensino superior, o que implica uma percepção global da ciência, a defesa da formação integral e a promoção de uma pedagogia baseada na confiança. O responsável pelo departamento da Universida-
de da CCEE, o bispo polaco D. Marek Jedraszewski, preconizou a necessidade de uma acção fundada sobre a razão, ao mesmo tempo que se abre ao bem comum da sociedade. Os 60 membros de 23 conferências episcopais presentes no encontro reflectiram sobre o tema ‘Formação, educação e Evangelho. Que perspectivas para a pastoral universitária na Europa?’, que foi dividido em três capítulos: os estudantes universitários hoje, a experiência da fé no meio universitário, diálogo entre fé e ciência e entre fé e cultura. Na assembleia tomou também assento uma comitiva do Vaticano com-
posta por elementos da Congregação para a Educação Católica e do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, além de representantes de associações universitárias. O programa do encontro incluiu uma visita às paróquias universitárias de Munique, onde os participantes conheceram a experiência piloto ‘Ora et labora’ (Reza e trabalha), que visa responder à dificuldade da gestão do tempo dos estudantes, sugerindo como podem organizar a sua agenda tendo em conta o estudo, a oração e o repouso. RM
OPINIÃO 13
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
TESTEMUNHAS DO AMOR
Pe. Jorge Guarda
Vigário Geral da Diocese
Etty Hillesum
O
amor gratuito é graça de Deus. Ele concede-o conforme entende, normalmente de modo surpreendente. Não o recebem somente os cristãos. Outros há a quem ele é concedido, por vezes num ambiente surpreendente. Uma rapariga judia recebeu e viveu esse dom divino até à morte, num campo de concentração nazi.
ANÁLISE POLÍTICA
Orlando Fernandes Jornalista
O fim de um mito
L
á correu tudo como previsto, com o tipo de bocejo que até tirou o apelo para seguir a televisiva noite eleitoral – isto, claro, sem diminuir no mínimo a determinante importância de uma vitória de Cavaco Silva contra Manuel Alegre. O único facto realmente assinalável foi a novidade do Cartão de Cidadão que impediu os cidadãos a votarem, o que constitui
Etty Hillesum nasceu em 1914, na Holanda. Aluna muito dotada, estudou direito e psicologia, mas gostava muito de literatura. Os pais eram judeus, mas não deram formação religiosa à filha. Foi encarcerada no campo de concentração de Westerbork, na Holanda, e, em 1943, metida num vagão para a morte em Auschwitz, na Polónia. Escreveu um diário entre 1941 e 1943, publicado em português, e dezenas de cartas. O “Diário” e as cartas documentam a riqueza interior e a luz que a habitava e constituía a força e o motivo para a sua vida e actividade: “Dentro de mim, há um poço fundíssimo. Lá dentro está Deus. Às vezes consigo lá chegar. Mas o mais frequente é o poço estar cheio de pedra e cascalho e Deus soterrado. Então é preciso desenterrá-lO”. De facto, encontra o modo de viver uma estreita relação pessoal com Deus mediante a oração. E defende-o quanto à responsabilidade pelo
campo de ódio, opressão e infâmia: “Não é Deus que nos deve explicações. Nós é que lhas devemos a Ele. Sei o que ainda nos pode esperar. Deus não nos deve explicações pelas coisas sem sentido que fazemos. Somos nós quem tem que dar explicações”. Numa carta, confidencia: “A miséria aqui é verdadeiramente terrível, e, no entanto, à noite, acontece-me com frequência caminhar ao longo do arame farpado e, então, do meu coração eleva-se uma voz – com tal força que não a posso evitar – e esta voz diz: a vida é uma coisa esplêndida e grande, mais tarde deveremos construir um mundo completamente novo. A cada crime ou horror deveremos opor um novo pedaço de amor e de bondade que conquistámos em nós mesmos. Podemos sofrer, mas não devemos sucumbir. Há um limite para todos os sofrimentos e talvez a um ser humano não seja dado suportar mais do que pode. De vez em
quando morre aqui alguém porque o seu espírito está despedaçado e já não consegue mais compreender. Em geral são pessoas jovens. As pessoas idosas estão implantadas num terreno mais sólido e aceitam o seu destino com dignidade e resignação. Sim, aqui vêse uma grande variedade de pessoas e pode observar-se a sua atitude face às questões mais árduas, as questões últimas.” Mais adiante, descreve como se sente: “A vida aqui não consome demasiado as minhas forças mais profundas – fisicamente vai-se talvez mais abaixo e muitas vezes está-se imensamente triste, mas o nosso núcleo interior torna-se sempre mais forte. Desejaria que fosse assim também para vós e para todos os meus amigos”. Mesmo sendo judia, cita as palavras de Jesus “não vos preocupeis com o dia de amanhã”, comentando: “É a única atitude com que se pode enfrentar a vida aqui. E assim em cada noite, com uma certa paz de
espírito, ponho as minhas muitas preocupações aos pés do próprio Deus”. Começou por viver o amor humano de modo frívolo, com os seus amantes. Depois, descobriu o amor gratuito e então recusou cuidar de si e defender-se, para se fazer companhia e ajuda para outros no “inferno” do campo de concentração. Descobriu então a liberdade interior, a ponto de dizer: “Não sinto que esteja nas garras de ninguém, só sinto estar nos braços de Deus”. Amar o próximo é o empenho principal da sua vida no campo. Põe-no em prática ouvindo as pessoas, consolando-as, visitando-as nas suas barracas, dando a ajuda ao seu alcance. “Este amor é como um ardor elementar que alimenta a vida”. E justifica: “O próprio facto de um coração poder desejar e amar assim tanto deveria ser contado entre os bens mais preciosos”. Rodeada de trevas, experimenta no seu íntimo a luz, como diz em oração:
“Tornaste-me assim tão rica, meu Deus! Deixa-me também distribuir aos outros às mãos cheias. A minha vida tornou-se um colóquio ininterrupto contigo. Às vezes, quando estou num canto do campo, com os pés sobre a tua terra, os meus olhos voltados para o céu, as lágrimas corremme pela face, lágrimas que brotam de uma profunda comoção e reconhecimento. Também à noite, quando estou deitada na minha cama e repouso em ti, meu Deus, lágrimas de reconhecimento correm-me pela face e esta é a minha oração”. Etty é um fortíssimo testemunho de que uma pessoa pode ser esmagada mas não vencida, ser conduzida à morte e deixar uma herança de vida: “Acontecem autênticos milagres numa vida humana. A minha é uma cadeia de milagres interiores. Faz bem poder de novo dizê-lo a alguém”.
uma interessante ironia paradoxal. Eu sei que este país é um interessante local onde não se liga peva a coisa alguma, excepto se tocar a dinheiro, mas mesmo assim trata-se “apenas” de um impedimento administrativo do exercício de voto, o que, em democracia, constitui uma gravíssima e imperdoável falha, de objectiva responsabilidade política do ministro da pasta, sendo mesmo necessário ser-se Rui Pereira, dos blindados destinados à cimeira da NATO, para continuar a assobiar para o lado. Fala-se da abstenção como outro relevante evento mas, não sendo coisa despicienda, também não sobressalta nem surpreende. Já Pitigrilli, humorista e filósofo do antigamente, proclamava o direito do cidadão se abster como virtude cívica e afirmação às vezes incisiva dessa qualidade. Com esta campanha e esta situação política, a mim, não tendo usado pinças, deu me a vontade
de lavar as mãos ainda na própria assembleia de voto, e não por ser personagem particularmente dada a abluções ou hipocondríaca temerosa de infecções. Por outro lado, se nos recordarmos de que nos cadernos eleitorais há mortos que, esses, não são administrativamente impedidos de votar – li que se trata de coisa para um milhão -, vê-se, pelo menos, que não foi o partido abstencionista que venceu. Neste domínio do repúdio ao sistema, é bem mais pertinente a alta percentagem de votos em branco, sendo que o fenómeno Coelho não passa de um típico e bem-vindo modo de exprimir divergência política de modo humorístico e integrado no processo democrático. Claro que ainda vai longe do Professeur Choron dos anos 80, em França, exibindo-se nu com plumas tricolores enfiadas no traseiro, mas este eleitor ainda tem muita esperança no impagável Vieira, a quem desde já oferece a sua assinatura
para candidato. Mesmo as coisas sérias não podem ser levadas excessivamente a sério. Palavras, leva-as o vento, mas é penoso, num discurso de júbilo e de vitória, ouvir a voz vingativa do vencedor, verberando a miserável campanha de que tinha sido vítima – tornando um epifenómeno num episódio marcante destas eleições. Não digo passar em claro, pois isso de dar a outra face ou equivalente é só para divindades que pregam a suprema humildade, mas uma simples referência que os portuguesas bem acolheriam, por exemplo, lembrando o “êxito” de Defensor Moura (isso mesmo, com letra minúscula), aplaudido por tantos quantos e 1,5% dos votos, último destacado, um terço do jovial madeirense sem dinheiro, sem campanha e sem partido. O homem esqueceuse de que é presidente de todos nós, mesmo dos que ele julgue uns “fdp”, e que já não era apenas o cidadão
Cavaco mas o eleito Presidente de Portugal. Quanto ao confronto expresso, tratou-se da vitória da moderação e estabilidade muito mais que um triunfo da direita sobre a esquerda, e nisso, vejo-me desagradadamente, de acordo com o execrável Sócrates. Não esquecer que a direita integrista não perdoou a Cavaco a complacência presidencial quanto ao casamento “gay”, que certa zona liberal se reviu mais em Nobre e que, afinal, como sempre se soube e muitas vezes se esquece, Cavaco Silva é um pragmático social-democrata. Aqui era essencial que Cavaco vencesse pois a alternativa tratava-se da vitória de um radical de esquerda, tolerando mal a economia de mercado, pelo que, ao fim e ao cabo, o importante nem era o triunfo de Cavaco mas a derrota de Alegre. A certa direita isto escapou claramente, no voto para a abstenção ou para Nobre, não tendo reparado
que o jogo era esse, um ou outro, sem “nuances”, sendo que todas as outras emanações de vontade ou de atitude se passavam noutro tabuleiro, noutra sabatina, esta floral, sem objectivo se não lúdico. Soares, talvez por ressentimento, falou de má escolha do PS, e na verdade se a disputa se pusesse entre Cavaco e Gama, por exemplo, teríamos sempre o triunfo da racionalidade pragmática, numa opção tranquila para os portugueses, pelo que qualquer clivagem que ocorresse não favoreceria Cavaco necessariamente. Doravante, a maioria que votou Cavaco Silva espera que venha o prometido e indiciado: uma magistratura activa, mas avessa a crises políticas, imparcial mas não flácida, privilegiando os bastidores mas sem esquecer a eventual postura peremptória.
14 OPINIÃO / INSTITUCIONAL TRIBUNAL ECLESIÁSTICO DE LEIRIA-FÁTIMA CITAÇÃO-EDITAL PROCESSO “SILVA-PEREIRA” (Nº 133) Corre seus termos, neste Tribunal, um Processo de declaração de Nulidade do Matrimónio celebrado entre MARIA DA GRAÇA CONCEIÇÃO DA SILVA, ora Autora, residente em França, e JOAQUIM CARREIRA PEREIRA, ora Demandado, residente em França, em parte incerta, com a última residência conhecida em Portugal, na freguesia dos Parceiros, concelho de Leiria; Não tendo sido possível obter o domicílio actual do Demandado, apesar das diligências efectuadas por este Tribunal, de acordo com o Código de Direito Canónico (cânones 1509 e 1510), fica o mesmo citado, por este meio, a comparecer neste Tribunal Eclesiástico, no prazo de trinta dias, a contar da data da publicação do presente Edital, para tomar conhecimento do processo em causa e nele poder intervir, de acordo com o Direito Canónico. Não podendo comparecer pessoalmente, poderá fazê-lo mediante procurador ou advogado munido de procuração autêntica, a emitir pela Câmara Eclesiástica de Leiria. Findo o prazo, sem que o Demandado compareça ou se faça representar, considera-se devidamente citado, prosseguindo os Autos os seus termos, sendo-lhe atribuído o estatuto de Parte Ausente. Leiria, 01 de Fevereiro de 2011 O Juiz Instrutor e Relator, (Dr. José da Conceição Martins Rodrigues e Gonçalves Afonso)
RECORTES
Aura Miguel
Vaticanista e jornalista
Confundir para reinar*
A
estratégia não é de agora e foi alvo de denúncias há mais de 15 anos pela Santa Sé. Em causa, a tentativa (bem sucedida) por parte de alguns ‘lobbies’ feministas e ‘gays’ em mudar, ao nível das legislações mundiais, algumas palavras de significado claro, por outras mais ambíguas. Por exemplo, em vez de “sexo”, passar a usar-se a palavra “género”.
Subjacente está a tentativa de eliminar as diferenças entre homem e mulher, considerando-as um mero condicionamento sócio-cultural. “Sexo” é uma palavra que sublinha a diferença entre homem e mulher, enquanto “género” é muito mais abrangente, porque em vez de apenas dois tipos – feminino e masculino – a nova expressão da moda abrange cinco: feminino, masculino, homossexual feminino, homossexual masculino e híbrido. Em Portugal, a esquerda rasga as suas vestes por a nossa Constituição (escândalo dos escândalos…!) ainda usar a palavra sexo… e propõe uma nova formulação do artº 13º para se eliminar, de uma vez por todas, esta expressão ultrapassada… A estratégia de confundir para reinar, sempre foi uma estratégia de poder. É por isso que é sempre bom saber o que está por trás das boas intenções daqueles que nos querem baralhar. * In RR online (21/01/11)
JOGOS | N.º 05/2011 (Confirme em www.jogossantacasa.pt) Euromilhões: 13, 23, 24, 41, 42 + 1, 5 Totoloto: 11, 17, 20, 31, 33, 43 + 14 Loto2: 12, 13, 25, 42, 45, 48 + 21 Joker: 8 6 5 9 7 9 3 Totobola: X22 221 22X 2111 FÁRMÁCIAS DE SERVIÇO Antunes (3), Lis (4), Oliveira (5), Sanches (6), Tomaz (7), Avenida (8), Baptista (9) e Central (10).
Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000
O Mensageiro 3.Fevereiro.2011
CARTÓRIO NOTARIAL DE MANUEL FONTOURA CARNEIRO PORTO DE MÓS Certifico para fins de publicação, que por escritura de justificação celebrada nesta Cartório Notarial, no dia vinte e oito de Janeiro de dois mil e onze, exarada a folhas oitenta e nove do livro de Notas para Escrituras Diversas Duzentos e Vinte e Seis– A. DAVID GONÇALVES RODRIGUES, divorciado, natural da freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho de Leiria, lá residente em Ulmeiro, NIF: 214 677 966, declarou: Que é dono e legítimo possuidor, com exclusão de outrem, do prédio rústico, sito em Pedrome, freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho de Leiria, composto de terra de cultura com oito oliveiras, com a área de oitocentos e sessenta metros quadrados, a confrontar do norte com Estrada, sul com Joaquim Jorge, nascente com Joaquim da Cruz Claudino e do poente com José Pereira da Cruz, não descrito na Segunda Conservatória de Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz sob o artigo 7 481 com o valor patrimonial de IMT 260,40. Que adquiriu o referido prédio por doação verbal de Manuel Rodrigues Manso, viúvo, residente que foi em Ulmeiro, Santa Catarina da Serra, Leiria, no ano de mil novecentos e setenta e cinco, ainda no seu estado de solteiro, tendo entretanto sido casado com Emília Maria Ribeiro Vieira sob o regime da comunhão de adquiridos; Não obstante não ter título formal de aquisição do referido prédio, foi ele que sempre o possuiu, desde aquela data até hoje, logo há mais de vinte anos, em nome próprio, defendeu a sua posse, pagou os respectivos impostos, gozou de todas as utilidades por ele proporcionadas, cultivou-o e colheu os seus frutos, sempre com o ânimo de quem exerce direito próprio, sendo reconhecido como seu dono por toda a gente, posse essa de boa fé, por ignorar lesar direito alheio, pacífica, porque sem violência, contínua e pública, por ser exercida sem interrupção e de modo a ser conhecida por todos os interessados. Tais factos integram a figura jurídica da usucapião, que o justificante invoca, como causa de aquisição do referido prédio, por não poder comprovar a sua aquisição pelos meios extrajudiciais normais. Cartório Notarial de Manuel Fontoura Carneiro, vinte e oito de Janeiro de dois mil e onze. A Colaboradora com delegação de poderes (Ana Paula Cordeiro Pires de Sousa Mendes)
F. Costa Pereira
CEDILE Telefone 244 850 690 ECOGRAFIA / DOPPLER / ECOCARDIOGRAFIA TAC / MAMOGRAFIA / RX / OSTEODENSITOMETRIA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA ARTICULAR Telefone +351244850690 / Fax 244850698 Largo Cândido dos Reis, Nº 11 / 12 • 2400-112 LEIRIA
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P/ Comparência ou Marcações - Tels. 244 811857 / 244 812441 Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, 79 - 1º - F 2400 LEIRIA
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Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria
- 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600
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Tabela de Assinaturas para 2010 Destino Nacional Europa Resto do Mundo
Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros
Preço avulso - 0,80 euros
DESPORTO 15
O Mensageiro
3.Fevereiro.2011
liga zon sagres
I LIGA
Andebol | Leiria
Challenge Cup
Atletismo | Leiria
Melhor de sempre
As equipas feminina e masculina – seniores – da Juventude Vidigalense garantiram a presença na fase final do campeonato nacional de clubes da 1.ª Divisão, agendada para a Expocentro, Pombal, nos dias 12 e 13 de Fevereiro. Considerado pelo clube leiriense como “o melhor apuramento de sempre”, ambas as equipas ficaram atrás de Sporting e Benfica, na qualificação – pista coberta – que decorreu em Pombal, a 29 e 30 de Janeiro. Entretanto, para a fase final da 2.ª Divisão qualificaram-se o Atlético Clube de Vermoil (Pombal) e o Clube de Atletismo da Marinha Grande, em femininos, e o Grupo de Atletismo de Fátima, em masculinos.
17.ª Jornada (22.01) Sp. Braga x V. Setúbal (2-2),
Benfica x Nacional (4-2), Rio Ave x V. Guimarães (2-3), P. Ferreira x U. Leiria (1-1), Olhanense x Académica (2-1), Beira-Mar x Porto (0-1), Naval x Portimonense (1-1), Marítimo x Sporting (0-3) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º
Equipa Porto Benfica Sporting V. Guimarães Nacional U. Leiria Sp. Braga Beira-Mar Olhanense P. Ferreira Marítimo Académica V. Setúbal Rio Ave Portimonense Naval
J 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17
V 15 13 9 8 7 7 7 5 5 4 4 5 4 3 2 2
E D Pts 2 0 47 0 4 39 4 4 31 4 5 28 4 6 25 4 6 25 3 7 24 8 4 23 7 5 22 8 5 20 7 6 19 4 8 19 5 8 17 5 9 14 4 11 10 3 12 9
Penafiel x Moreirense (1-1), Fátima x Gil Vicente (1-3), Estoril x Belenenses (1-1), D. Aves x Sp. Covilhã (2-0), Trofense x Santa Clara (3-2), Freamunde x Arouca (2-2), Leixões x Feirense (2-1) Equipa J V E D Pts 1.º Trofense 15 7 5 3 26 2.º Oliveirense 15 6 7 2 25 3.º Gil Vicente 15 6 6 3 24 4.º Arouca 15 6 6 3 24 5.º Feirense 15 7 3 5 24 6.º D. Aves 15 6 4 5 22 7.º Leixões 15 5 6 4 21 8.º Moreirense 15 5 5 5 20 9.º Belenenses 15 4 6 5 18 10.º Penafiel 15 4 6 5 18 11.º Varzim 15 3 9 3 18 12.º Santa Clara 15 4 5 6 17 13.º Estoril 15 4 5 6 17 14.º Freamunde 15 2 10 3 16 15.º Sp. Covilhã 15 4 3 8 15 16.º Fátima 15 2 4 9 10
18.ª Jornada (06.02) Porto x Rio Ave,V. Guimarães
16.ª Jornada (06.02) Penafiel x Varzim, Arouca x Santa
x Nacional, Marítimo x Sp. Braga (05.02), Portimonense x P. Ferreira, Sporting x Naval (04.02), Académica x Beira-Mar, U. Leiria x Olhanense (16h00),V. Setúbal x Benfica
Clara, Freamunde x Feirense (03.02), Leixões x Sp. Covilhã, Trofense x Gil Vicente, Estoril x Moreirense, Fátima x Oliveirense, D. Aves x Belenenenses
zona centro
série d
II DIVISÃO
III DIVISÃO
16.ª Jornada (22.01) Padroense x Gondomar (1-
0), Eléctrico x Coimbrões (1-2), Esmoriz x Sertanense (1-0), Pampilhosa x Sp. Pombal (0-1), Cesarense x Boavista (2-2), Sp. Espinho x Anadia (2-0), Al. Lordelo x Tourizense (0-0), Tondela x U. Serra (2-0) Equipa J V E D Pts 1.º Tondela 16 10 4 2 34 2.º Sertanense 16 9 3 4 30 3.º Padroense 16 8 5 3 29 4.º Coimbrões 16 7 5 4 26 5.º Boavista 16 6 6 4 24 6.º Sp. Espinho 16 6 6 4 24 7.º Gondomar 16 5 8 3 23 8.º Esmoriz 16 5 8 3 23 9.º Tourizense 16 6 3 7 21 10.º Anadia 16 5 6 5 21 11.º Al. Lordelo 16 5 5 6 20 12.º Pampilhosa 16 5 3 8 18 13.º Sp. Pombal 16 4 4 8 16 14.º U. Serra 16 3 5 8 14 15.º Cesarense 16 2 6 8 12 16.º Eléctrico 16 1 5 10 8 17.ª Jornada (30.01) U. Serra x Padroense, Gondomar
x Eléctrico, Coimbrões x Esmoriz, Sertanense x Pampilhosa, Sp. Pombal x Cesarense,Boavista x Sp. Espinho, Anadia x Al. Lordelo, Tourizense x Tondela
Natação | Leiria
15.ª Jornada (30.01) Nogueirense x Ac.Viseu (2-1), Ol.
Bairro x Gândara (3-0), Sourense x Ág. Moradal (2-1), Monsanto x V. Mocidade (3-2), Riachense x Marinhense (0-2), Tocha x B.C. Branco (1-4)
1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º
Equipa Nogueirense Monsanto Riachense Ol. Bairro Ac.Viseu Sourense Marinhense B.C. Branco Ág. Moradal V. Mocidade Tocha Gândara
J 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 15 16
V 10 10 9 8 8 7 6 5 5 5 4 1
E D Pts 5 1 35 2 4 32 4 3 31 3 5 27 3 5 27 4 5 25 3 7 21 5 6 20 3 8 18 1 10 16 3 9 15 0 15 3
16.ª Jornada (06.02) B.C. Branco x Nogueirense, Ac.
Viseu x Ol. Bairro, Gândara x Sourense, Ág. Moradal x Monsanto,V. Mocidade x Riachense, Marinhense x Tocha
associação de futebol de leiria
HONRA
Taça Cidade Os Pimpões, das Caldas da Rainha, venceram o Torneio de Natação Taça Cidade de Leiria, que decorreu na cidade do Lis, a 29 de Janeiro. A Associação de Solidariedade Académico de Leiria (ASAL) e o Náutico Académico de Coimbra completaram, respectivamente, o pódio. No capítulo individual, os melhores atletas foram os infantis A Catarina Gonçalves (ASAL) e João Correia (Os Pimpões), assim como os infantis B Joana Pereira (ASAL) e Guilherme Pina (Benedita S.C.N.).
15.ª Jornada (22.01) Varzim x Oliveirense (1-1),
16.ª Jornada, antecipada (30.01) Biblioteca x Marrazes
série e
III DIVISÃO 15.ª Jornada (30.01) Peniche x Oeiras (1-1),
Bombarralense x Crato (1-0), Sintrense x Sacavenense (0-1), Tojal x Caldas (1-3), Malveira x Odivelas (1-0), Alcochetense x 1.º Dezembro (3-1) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º
Equipa 1.º Dezembro Alcochetense Sintrense Peniche Caldas Sacavenense Bombarralense Tojal Oeiras Crato Malveira Odivelas
J 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16 16
V 10 9 8 8 7 7 6 6 5 4 3 4
E D Pts 3 3 33 4 3 31 4 4 28 3 5 27 3 6 24 3 6 24 2 8 20 1 9 19 4 7 19 4 8 16 6 7 15 1 11 13
16.ª Jornada (06.02) 1.º Dezembro x Peniche,
Oeiras x Bombarralense, Crato x Sintrense, Sacavenense x Tojal, Caldas x Malveira, Odivelas x Alcochetense
(1-1), GRAP/Pousos x Guiense (3-3), Alq. Serra x Beneditense (0-1), Marinha x Ansião (1-2), Fig. Vinhos x Portomosense (1-2), Pedroguense x Pataiense (3-0), Alvaiázere x Nazarenos (1-1), Gaeirense x Alcobaça (1-1) Equipa J V E D Pts 1.º Alcobaça 15 10 3 2 33 2.º Portomosense 15 9 2 4 29 3.º Nazarenos 15 7 6 2 27 4.º Beneditense 15 8 3 4 27 5.º Alvaiázere 15 7 5 3 26 6.º Pataiense 15 6 4 5 22 7.º Guiense 15 5 6 4 21 8.º Alq. Serra 15 5 6 4 21 9.º Marrazes 15 5 5 5 20 10.º Pedroguense 15 4 7 4 19 11.º GRAP/Pousos 15 5 4 6 19 12.º Marinha 15 4 4 7 16 13.º Ansião 15 4 3 8 15 14.º Biblioteca 15 2 6 7 12 15.º Fig.Vinhos 15 2 5 8 11 16.º Gaeirense 15 2 1 12 7 15.ª Jornada (13.02) Alvaiázere x Gaeirense,
Pedroguense x Nazarenos, Fig.Vinhos x Pataiense, Marinha x Portomosense, Alq. Serra x Ansião, GRAP/Pousos x Beneditense, Biblioteca x Guiense, Marrazes x Alcobaça
DR/INTER.IT
A equipa da Juventude Desportiva do Lis – seniores femininos – desloca-se a Antalya, Turquia, dia 5 de Fevereiro, para defrontar o Muratpasa Belediyesi SK, jogo a contar para a primeira-mão dos 1/8 final a Challenge Cup. A segunda-mão está agendada para o dia 12, 17h00, no Pavilhão de São Romão, Leiria.
“Ele lá em cima apontou para mim”
liga orangina
II LIGA
Futebol José Mourinho fala da sua relação com Deus
O melhor treinador do mundo, José Mourinho, que já representou a U. Leiria (2001/02), acredita que Deus também faz parte da sua carreira de sucesso. Rejeita as tradicionais superstições que envolvem a modalidade e revela que gosta de ler algumas páginas da Bíblia antes dos jogos. Uma entrevista concedida ao programa 70x70, da RTP, e que pode ser (re)vista em www.omensageiro.com.pt. “Quando leio a Bíblia não estou propriamente a pedir-Lhe para que me ajude. Eu não peço para que me ajude num jogo. Mas penso que se eu for um bom homem, um bom pai, um bom marido, um bom amigo, se tiver uma vida social compatível com aquilo que são os Seus ideais, penso que tenho mais possibilidade de... É uma coisa que me alimenta na fé”, refere o treinador da equipa – seniores masculinos – do Real Madrid, Espanha. O homem que recentemente foi eleito o melhor treinador do ano pela FIFA/ France Football revela ainda quais as suas convicções, as PUB
memórias pessoais que determinaram a sua vida e o que faz dele o special one, o especial. Para José Mourinho, a formação e a família também ocupam um papel importante na sua vida. “Eu tive formação académica porque quis ter e porque nasci numa família onde havia um certo controlo familiar”, refere, recordando a importância da mãe, professora, no seu percurso formativo, assim como a influência da mulher, que estudou filosofia. “Há uma coisa que digo sempre: tenho de tomar decisões mas tenho de ter razões para as minhas decisões” porque, reconhece, “o jogador de futebol não é fácil gerir”. Nos momentos de tensão, quando toma decisões por intuição e que determinam um jogo e, por vezes, uma época, reconhece também a presença de Deus. “Eu digo sempre: Ele lá em cima apontou para mim e disse tu vais ser um dos talentosos naquela área. E assim foi”, afirmou Mourinho.
“Sem ser aquele praticante profundo – que não o sou ou por personalidade ou pelo próprio estilo de vida que acabo por ter – acredito muito que ele está e que, da mesma maneira que me escolheu como um dos eleitos, eu tenho também uma missão a cumprir neste mundo”, precisa. “A minha leitura de duas, três, quatro páginas da Bíblia antes dos jogos é simplesmente um acto de fé e de me sentir bem”, acrescenta. As declarações de José Mourinho foram recolhidas em Madrid, no âmbito de um projecto editorial sob figuras empreendedoras em Portugal, promovido pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em parceria com o Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa e com a Universidade de Aveiro, a que o Programa 70x7 se associou. PJ com Ecclesia
ÚLTIMA 3FEVEREIRO2011
A dignidade consiste, não em possuir honrarias, mas na consciência que delas somos merecedores. Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga [384a.C.–322a.C]
Museu da Comunidade Concelhia da Batalha
Um “museu para todos” Embora sem uma data ainda agendada para a sua inauguração oficial, o Museu da Comunidade Concelhia da Batalha já abriu as suas portas ao público, no passado dia 29 de Janeiro, situado no largo Goa, Damão e Diu, nas antigas instalações da Caixa de Crédito Agrícola da Batalha. Dias antes, foi feita uma apresentação prévia aos jornalistas, em que o presidente da autarquia, António Lucas, lembrou o percurso da sua implementação, ao longo de mais de dois anos, visando garantir que fosse um trabalho de "alto nível de qualidade, inserido na linha da nova museologia e da sociomuseologia, que pretende valorizar a identidade e a história do concelho da Batalha e dos seus munícipes". Num investimento de cerca de 900 mil euros, o espaço teve de ser totalmente remodelado para esta finalidade, como uma forte aposta nas acessibilidades, estando adaptado para a visita de pessoas que sofram de deficiência motora, visual, auditiva ou outra. Mas "não é um museu para deficientes", afirma Josélia Neves, responsável por esta área, considerando que o conceito pretendido é o de "museu para todos", funcionando os textos de apoio, os audioguias, as réplicas tridimensionais e todos os instrumentos de acessibilidade como forma de melhorar a informação ao público em geral, inclusivamente para crianças, estrangeiros ou pessoas com maior dificuldade de apreensão das linguagens técnicas. Assim, a linguagem escrita e oral é simples, sem
perder o rigor científico, as vozes usadas são de gente da terra e os conceitos procuram a proximidade ao "coração" da terra em que vivemos. "Não está tudo acabado, nem é tudo perfeito, pois a ideia é mesmo promover a sua evolução permanente", salientaram os membros da equipa coordenadora, antes de iniciarem uma visita guiada pelo espaço. Em resumo, o Museu assume-se como um "centro de cultura vivo, reunindo as funções de investigação, conservação e valorização do património cultural e do modo de vida das gentes locais", pretendendo ser um retrato da vida deste território, desde as suas origens geológicas, paleontológicas e arqueológicas, percorrendo os principais acontecimentos históricos e artísticos até à actualidade. Está dividido em seis áreas temáticas: as Origens, Tempo e Memória, o Mundo da Biodiversidade, Tudo sobre Nós, Ninho dos Projectos – Actividades Comunitárias e Laboratório da Memória Futura. As Origens O geólogo António José Teixeira apresentou os conteúdos desta primeira área, onde se descreve a evolução do território e da vida desta região nos últimos 250 milhões de anos, até 1385, momento da Batalha de Aljubarrota e da promessa de D. João I de construir uma grande igreja em caso de vitória. Enchendo todo o primeiro piso, aqui encontramos a geologia e paleontologia do território, os primeiros seres humanos na Batalha, o percurso do paleolítico
à dominação romana e de Collippo ao Mosteiro. Em lugar de grande centralidade, a famosa estátua do magistrado romano encontrada em Collippo, território da nossa freguesia da Golpilheira, que pode agora ser observada num contexto interpretativo completo, onde até se poderá fazer uma visita virtual ao que teria sido aquela importante cidade romana. Tempo e Memória Subindo ao segundo piso, partimos de 1386 na descoberta da história da Batalha desde o início da construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória até a actualidade, "passando por todas as fases que permitiram à população desta terra ir conquistando pouco a pouco a sua autonomia e identidade, até se transformar no actual Concelho", como explicou Ana Mercedes Stoffel, também da equipa do museu. Aqui podemos observar capítulos como: "a construção do Mosteiro, nas suas diversas fases; os tempos de glória, com a elevação a vila, a concelho e a paróquia, com peças e documentos que demonstram a sua autonomia administrativa e religiosa, como o célebre sistema de pesos oficial enviado por D. Manuel; e dai até aos tempos de esquecimento, aos tempos de recuperação e aos modernos tempos de comunicação e cidadania. Mundo da Biodiversidade Em colaboração com especialistas desta área, o museu realizou um roteiro sobre a biodiversidade da região, com base numa das divisões mais tradicionais e conhecidas dos grandes
recursos da natureza: ar, terra, fogo e água. É um verdadeiro programa de sensibilização para que todos possamos contribuir para a preservação do meio ambiente, capaz de permitir a existência do ser humano no planeta. Tudo Sobre Nós Esta área exibe o concelho na actualidade, com as suas gentes, os seus saberes, tradições, artes e ofícios, numa leitura transversal do desenvolvimento do seu tecido social e económico. Tudo isto através de materiais que tornam palpável essa realidade, mas também por meio de filmes, ecrãs tácteis e uma maqueta interactiva de base topográfica, que permite conhecer as rotas e os caminhos culturais e naturais do território. Carlos Coucelo, autor da maqueta, explicou que é "um campo de trabalho aberto a outra colaborações, pois o software permite que sejam acrescentados e geridos outros dados, trazidos por exemplo pelos alunos das escolas". Ninho dos Projectos Actividades Comunitárias Dando lugar à "dinâmi-
ca e interactividade" que se pretende, este é um espaço polivalente para exposições temporárias realizadas com a comunidade local, aberto ao desenvolvimento de trabalhos de investigação nas mais diversas áreas. Na abertura, está patente uma mostra alusiva ao ensino na Batalha, onde, como explicou Patrícia Morgado, "foi recreada uma sala de aulas de meados do séc. XX, como muitos dos instrumentos pedagógicos e lúdicos próprios da época, e como referências a algumas das mais importantes figuras batalhenses ligadas ao ensino". Laboratório da Memória Futura Por fim, uma área onde se disponibilizam os trabalhos de investigação para este programa museológico, bem como a maioria das publicações já existentes sobre o concelho, mas aberta a todos os trabalhos de investigação sobre a região, numa perspectiva de actualização permanente da informação e do conhecimento disponível sobre a nossa realidade. Uma porta aberta ao futuro, que "todos os cidadãos são convidados a ajudar a construir", como
sublinhou o presidente António Lucas.
Visitas...
Resta-nos dizer que a única maneira de conhecer verdadeiramente este magnífico projecto é ir lá, ver, tocar e sentir. "Com os cinco sentidos", como defendem os que trabalharam neste projecto. Uma equipa que, para além dos nomes citados, contou com muitos outros colaboradores, nomeadamente, Ana Moderno, Elisabete Malafaia, José Travaços Santos, Pedro Dantas e Rui Cunha. A visita pode ser feita diariamente (excepto à segunda-feira), das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00. Os alunos dos estabelecimentos de ensino concelhios têm acesso gratuito. Adicionalmente, os naturais e residentes no concelho gozam de uma entrada gratuita nos primeiros três meses de funcionamento. Mais informações em www.museubatalha.com.
Texto e fotos Luís Miguel Ferraz