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Cultcom #6

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ABRIL_1 2020 REVISTA LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNG

#6

FERNANDA GENTIL

Os desafios da mulher, mãe e jornalista

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Carla Bigatto Releituras Frida Kahlo Exposição ‘O Pasquim 50 anos’ Eco Fashion Biblioteca Monteiro Lobato ‘Cultura de Imigrantes’

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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NESTA EDIÇÃO _3

Uma das criações de Ziraldo para o jornal O Pasquim, tema de exposição no Sesc Ipiranga

FALA, JORNALISTA!

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INTERNET | CURSOS ARTÍSTICOS GRATUITOS

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EXPOSIÇÃO | ‘O PASQUIM 50 ANOS’

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GRAFITE | ARTE PARA COMBATER A COVID-19

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LITERATURA | BIBLIOTECA MONTEIRO LOBATO

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FOTOGRAFIA | RELEITURAS DE FRIDA KAHLO

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OLHARES

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ESPECIAL | CARLA BIGATTO

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CAPA | FERNANDA GENTIL

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MODA | ECO FASHION

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GALERIA | ‘CULTURA DE IMIGRANTES’

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4_ FALA, JORNALISTA!

Alívio necessário

Profa. Me. Flávia Delgado

coordenadora dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Fotografia da Universidade Guarulhos (UNG)

SE AS NOTÍCIAS sobre a pandemia de coronavírus têm deixado o Brasil e o mundo atônitos nos últimos dias, uma nova edição da Cultcom, propondo uma viagem pelo mundo da cultura, é um bálsamo, um respiro e um necessário alívio neste momento de notícias tão difíceis. “A arte existe para que a realidade não nos destrua”, disse Friedrich Nietzsche (1844-1900), explosivo autor de “Ecce Homo” (1908). Ao levar esse pensamento à risca, muitas iniciativas no mundo digital têm estimulado e incentivado o estudo e a prática da arte, como forma de ampliar conhecimento e combater a ansiedade pelas incertezas do isolamento social. Mapeamos onde estão estas oportunidades. Também lembramos nesta edição um importante marco para a cultura em Guarulhos: os 80 anos da Biblioteca Monteiro Lobato, cujo importantíssimo trabalho de estímulo à leitura é uma referência para tantas gerações de estudantes da cidade. Uma historia de amor e resistência ao tempo. E falando em resistência, nossa reportagem visitou a exposição

interativa “O Pasquim 50 anos”, que marca as cinco décadas de um veículo de comunicação impressa que fez história. Relembram como o jornalismo escrachado e de resistência feito pelos fundadores Jaguar, Ziraldo, Tarso de Castro (1941-1991) e Sérgio Cabral incomodou e debochou da ditadura, a partir do final dos anos 1960. Não poderia deixar de ressaltar nossa capa, com presença solar da apresentadora multifacetada Fernanda Gentil, cujo carisma transborda para além do esporte. Depois de cobrir duas Olímpiadas e três Copas do Mundo, ela conta sobre suas incursões no cinema, no teatro, na literatura e, mais recentemente, em um programa de entretenimento ao vivo. Esta primeira edição de abril (sim, teremos outra ainda este mês!) é o resultado do trabalho interdisciplinar entre alunos do quinto semestre de Jornalismo e do terceiro semestre de Fotografia, cujas pautas conjuntas resultaram na informação visual de qualidade que ilustra as páginas que você vê e lê agora. Boa leitura! c

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REVISÃO Profa. Me. Lislei Carrilo

Universidade Guarulhos

EDITOR Prof. Esp. Alex Francisco

ANÚNCIOS Prof. Esp. Fábio Mar�ns

MANTENEDOR Ser Educacional

CHEFIA DE REPORTAGEM Alfredo Carvalho e Gustavo Adorni

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Prof. Esp. Alex Francisco

REDAÇÃO Alex Dinarte, Bianca Mendes, Charles Dieu, Diego Monteze, Gilvan Alves, José Neto, Junior Coneglian, Letícia Guerreiro, Luciana Ciani, Maria Paula Giacomelli, Matheus José, Natália Carvalho, Nathalia Regina e Paulo Roberto Junior

ENDEREÇO UNG Campus Centro Praça Tereza Cris�na, 88 CEP: 07115-280,Centro, Guarulhos - SP www.ung.br Instagram @ecos_ung Facebook @UnGECOS

FOTOGRAFIA Isabelle Peres, Juliana Oliveira e Julian Silva

FOTO DA CAPA Elvis Moreira DATA abril 2020 NÚMERO 06

REITOR Prof. Dr. Eloi Lago DIRETORA ADJUNTA DOS CURSOS DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS Prof. Dra. Miriam Bevilacqua COORDENADORA DOS CURSOS DE JORNALISMO, PUBLICIDADE E PROPAGANDA E FOTOGRAFIA Profa. Me. Flávia Delgado

Confira todas as edições em issuu.com/jornalismoung Cultcom é uma produção acadêmica desenvolvida na disciplina de “Tópicos Integradores II” pelos alunos do 5º semestre de Jornalismo da UNG, sob a supervisão do Prof. Esp. Alex Francisco. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução sem autorização prévia e escrita. Todas as informações e opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores e não refletem a opinião da UNG.

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Atue em redes sociais, internet, portais de notícias, TV, rádio, jornais, revistas, fotojornalismo e um universo de possibilidades.

JORNALISMO É NA UNG!


6_ INTERNET

Isolamento artístico Faber Castell disponibiliza cursos gratuitos online para incentivar a arte na quarentena; conheça outras iniciativas para desenvolver seu talento _POR JOSÉ NETO

A MUDANÇA NO cotidiano devido ao isolamento social fez com que as pessoas ganhassem mais tempo livre dentro de casa. Além de cuidar do lar, conversar com os filhos e mandar atividades para seus alunos, sempre sobra um tempo vago para a professora de artes Roberta Ragonha, 35 anos, fazer um curso em alguma das plataformas que estão disponibilizando aulas online grátis durante a quarentena. A educadora se deparou com a página da Faber Castell (cursos.fabercastell.com.br), cuja plataforma liberou 17 cursos com conteúdo de desenho e pintura, o que para uma docente de artes foi uma boa alternativa para passar o tempo e adquirir novos conhecimentos. “Me ajuda a treinar o meu desenho, melhorando minhas técnicas e me trazendo uma válvula de escape no meio dessa loucura toda”, afirma Roberta. Os cursos online têm sido uma boa alternativa para melhorar os dias de quarentena e estão ajudando muitos na busca por novos conhecimentos. “Como dizia Paulo Freire [educador, 1921-2997], ‘ensinar não é transferir

conhecimento, mas criar condições para sua produção ou construção’, e a aprendizagem acontece quando o indivíduo está profundamente envolvido e motivado para este processo. Ou seja, é neste contexto de isolamento social que surgem múltiplos recursos digitais em que é possível ajudar o aluno, de fato, a aprender de forma ativa”, comenta a pedagoga Vanessa Angélica Patrício, especialista em Metodologia do Ensino em Educação a Distância. Cursos didáticos, imaginativos, professores bem articulados aliados a um bom conteúdo de aprendizagem são as estratégias para de ajudar os brasileiros a ficarem em casa e, quem sabe, desenvolver habilidades artísticas. “Em um momento como esse, a Faber Castell assume o seu compromisso com a responsabilidade social, que é um de nossos princípios. Seguimos assim com o propósito de contribuir para que as pessoas possam imaginar e criar”, diz o gerente de comunicação externa da Faber Castell, Marcelo Vecchi. “Apoiar as pessoas no desenvolvimento do seu potencial criativo faz parte da nossa ABRIL_1 2020

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INTERNET _7

Foto Arquivo Pessoal

A professora de artes Roberta Ragonha aproveita a quarentena para fazer cursos online

missão. Ao desenvolver esse potencial as pessoas se divertem, se capacitam e estão mais preparadas para um mundo em transformação”, complementa. Toda essa situação de isolamento social e as questões de segurança podem ser estressante para quem está acostumado a um dia a dia fora de casa, seja trabalhando, estudando ou fazendo quaisquer outras atividades que o cotidiano habitual permitia antes da pandemia. “Programar um curso, uma atividade, algo que possa dar perspectiva de futuro ajuda a diminuir a ansiedade em situações de estresse”, afirma o doutor em psicologia pela Universidade São Paulo (USP) Paulo Félix Marcelino Conceição. Segundo o psicólogo ter uma saída com base no conhecimento para a atual situação que vivemos é uma maneira de enfrentamento pertinente. “Desenhar e pintar tem todo um papel terapêutico bastante importante no sentido de permitir fazer uma atividade, e fazer algo com as mãos pode ajudar a enfrentar a nova rotina de maneira psicologicamente saudável”. c

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Confira outros cursos online Pixar In a Box Voltado a modelagem 3D de ambientes, noções de construções de roteiro e animações Udemy Curso de edição de fotos, recorte e sobreposição de cores que apresenta o Photoshop CC 2019 Prime Cursos O curso apresenta a história da antropologia, conceitos de cultura e identidade entre outros tópicos Rock University Apresenta técnicas para fazer um bom texto para plataformas digitais e criar títulos criativos para sites


8_ EXPOSIÇÃO

A memória que nos contam _POR JOSÉ NETO

Foto Guilherme de Sousa

Sesc Ipiranga apresenta a história de O Pasquim em exposição com acervo dividido em espaços temáticos

CRIATIVO, DEBOCHADO E sem papas na língua. Esses são alguns dos adjetivos que fizeram a fama de O Pasquim (1969-1991), uma das publicações mais importantes do período da ditadura civil-militar (19641985). Após começar como um jornal de bairro na zona sul do Rio de Janeiro, e entre a boemia e a intelectualidade da patota pasquineira, o semanário marcou época com ousadia e irreverência, sendo até hoje pauta obrigatória nas aulas de jornalismo, além de estar eternizado na memória dos que tiveram a oportunidade de ler, viver, rir e apreciar o que nele foi noticiado. Para rememorar a trajetória do jornal, o Sesc Ipiranga, em São Paulo, apresenta a exposição “O Pasquim 50 Anos”, em cartaz até 12 de abril. Com curadoria de Fernando Coelho dos Santos, Zélio Alves Pinto, e expografia de Daniela Thomas, a mostra aborda a trajetória do jornal como se o próprio contasse sua história. “Conseguimos apresentar no espaço um ‘tantim’ de

cada aspecto da história do jornal de forma alegre e substantiva”, diz Santos. Em uma área da exposição chamada “O Som do Pasquim”, o público pode fazer um passeio musical ao ouvir os vinis lançados ao longo da história do jornal. A playlist traz Tom Jobim (19271994), Caetano Veloso, Jorge Ben, entre outros, além do álbum “Anedotas do Pasquim”, com piadas contadas por Ziraldo, Chico Anysio (1931-2012), Golias (1929-2005) e Zé Vasconcellos. No espaço “Gripe do Pasquim”, está um dos momentos mais tristes: a prisão de onze integrantes do semanário. A criativa cenografia remete a uma cela, que traz um vídeo de Ziraldo e Jaguar falando sobre o acontecido. “Foi para deixar registrado uma época do jornal de enorme relevância. Deu-se o nome de ‘Gripe’, pois não se podia contar que a maioria do pessoal estava preso”, explica Santos. “Procuramos colocar diversas publicações que foram retiradas das bancas, causando enorme prejuízo, para mostrar o que se tinha publicado e tinha ABRIL_1 2020

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EXPOSIÇÃO _9

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Foto Zé Barreta

sido censurado”, complementa. Dentre os muitos feitos apresentados sobre o tabloide, a exposição também mostra a herança deixada pelo jornal por meio de charges e capas históricas com seu ativismo satírico, que reforçam as novas formas de fazer jornalismo que O Pasquim criou. O jornal inovou ao publicar entrevistas tal como elas eram gravadas e que traziam comentários dos jornalistas, risadas, interrupções dos entrevistados, tudo em linguagem coloquial. “Eles criaram novos horizontes à imprensa, alternativa e tradicional. Eles criaram uma nova forma de apresentar o conteúdo, na diagramação, na colocação de comentários no trabalho dos colaboradores”, relembra Santos. Simultâneo à exposição, a Fundação Biblioteca Nacional lançou um site dedicado ao semanário. Na plataforma estão digitalizadas todas as 1.072 edições de O Pasquim, e também uma seção de memórias com textos produzidos pelos colaboradores do jornal. c

1. Algumas das capas históricas publicadas pelo O Pasquim 2. Cabine “O Som do Pasquim” permite ouvir os discos lançados na época do jornal

Serviço Exposição “O Pasquim 50 anos” Quando: até 12 de abril, de terça a sexta, das 9h às 21h30; Sábados, das 10h às 21h30; e domingos e feriados, das 10h às 18h30 | Onde: Sesc Ipiranga - Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo - SP | Grátis | Inf.: (11) 3340-2000


10_ GRAFITE

Foto Divulgação / PMG

Arte nos muros da cidade Conheça o coletivo de grafiteiros que revitaliza locais abandonados e leva arte no combate o coronavírus _POR LUANA CIANI

O grafiteiro Leonardo Oliveira, o Uebis, no mural feito no Parque Cecap

UM GRUPO DE grafiteiros se reuniu no final de março para produzir um mural solidário no Centro de Combate ao Coronavírus, o hospital de campanha montado no Parque Cecap. A iniciativa da Prefeitura de Guarulhos em parceria com o Sesc propõe usar a arte para dar leveza a um momento tão delicado. Para isso, um crew (como é chamado um coletivo de grafiteiros) reuniu 18 artistas de diversos bairros da cidade e que, há alguns anos, realizam trabalhos sociais revitalizando lugares abandonados e ensinando a arte do grafite a jovens por meio de palestras. A ação foi coordenada pelo artista plástico Leonardo Oliveira, o Uebis, e resultou em um muro em que estão desenhos de conscientização da saúde, entre outros temas. “Nossa ideia foi trazer desenhos muito coloridos e alegres para transformar o lugar em um local que seja agradável de ver, apesar de ser um espaço que trata de um assunto tão sério”, diz. “Precisamos que as pessoas que passam por aqui e estão vivendo um momento crítico e

complicado vejam beleza. A arte cura”. Levar mensagens de paz e quebrar preconceitos por meio da arte é o que motiva Thiago dos Santos, que participa do coletivo, a se expressar por meio do grafite. “Sou formado em Design Gráfico, mas desenho desde criança. Sofri muito com o preconceito e o racismo, e isso me deu forças para mostrar minha arte”, conta ele, que é apaixonado por quadrinhos e, por isso, recebeu o apelido de PretoMan. “Me sinto poderoso com este nome, disposto a enfrentar meus medos”, complementa. Sérgio Vieira, o Biro, também é um dos artistas que assina o muro no Parque Cecap. Ele trabalha com grafite desde 1995, e hoje, envolvido com a ilustração, pintura em tela e em muros de comércios e ações sociais, acredita que a arte urbana precisa de mais reconhecimento. “Enquanto poucos ganham muito dinheiro com a arte, muitos artistas independentes são discriminados pelas grandes marcas e pela sociedade”, diz. “Apesar da discriminação, o grafite é a arte da ABRIL_1 2020

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GRAFITE _11

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Foto Divulgação / PMG

2. O grafiteiro Sérgio Vieira, o Biro, e sua pintura de Marielle Franco (1979-2018)

Foto Arquivo Pessoal

moda e me sinto livre para expressar nas paredes o que realmente sinto”. Enquanto expressa o que sente, cada artista se desencolve dentro do grafite. É o caso de Marcos Paulo, o Pato, 42 anos. Artista plástico e tatuador, ele se inspira em Salvador Dalí (19041989), Pablo Picasso (1881-1973) e Frida Kahlo (1907-1957). “Busco uma identidade e quero aplicar conceitos em minhas obras Nessa área é preciso ter persistência. Não é fácil, ainda mais para quem busca alcançar a perfeição”. O coletivo é também formado pelos artistas plásticos Fernando Manoel (FND), Elisabeth Nataly (Beth), Luiz Carlos Sampaio (Samp), Matheus Moreira de Oliveira (Savana), Diego Canário (Spin), Daniel Gomes da Silva Junior (Menos1), Márcio dos Santos Cardoso (Bigzullu), João Paulo (Jota Pe), Marcos Paulo Feliciano (Pato), Valdir de Lima Oliveira (Bemik), Adriano Nery Da Silva (Soró), Jonathan Cerconi Pires (Goró), Wagner Alan Rodrigues (Bugi), Rafael Cassiano (Bera) e Ricardo da Silva Lopes (Porx). c

1. Mural do hospital de campanha também faz homenagem aos profissionais de saúde


12_ LITERATURA

Um espaço de amor aos livros Funcionários contam como a Biblioteca Monteiro Lobato, que completa 80 anos, é referência no incentido à leitura _POR NATHALIA REGINA _FOTOS JULIANA OLIVEIRA

ESTE ANO, A Biblioteca Monteiro Lobato, em Guarulhos, completa oito décadas. O espaço, localizado no centro da cidade, oferece ambiente tranquilo e agradável, frequentado por pessoas de diferentes idades, e vai além dos livros com uma programação de atividades com exposições, exibição de filmes, mural de poesias e teatro. O que tornou o local um dos preferidos do guarulhense. É com carinho que Rosangela Silva, 37 anos, lembra de sua relação com a biblioteca. “Saber que quando adolescente frequentei e fiz uso dos diversos serviços que, hoje, prestamos aqui, para mim, é uma grande alegria”, diz ela, atual coordenadora do espaço. Há dez anos, quando terminou a graduação, teve a oportunidade de fazer parte do quadro de funcionários que, assim como ela, desenvolveram laços afetivos com a Monteiro Lobato. Quem trabalha na biblioteca precisa ser colaborativo, principalmente nesse acervo que faz parte da cena cultural da cidade e guarda a memória de inúmeros

projetos em prol da literatura. Entre eles está o ônibus biblioteca. “Era divertido. O ônibus passava pelos bairros levando histórias e aventuras, assim todos tinham a biblioteca por perto. Até hoje me perguntam se o ônibus vai voltar”, diz Angelo Macedo de Oliveira, 64 anos, que trabalha há 20 anos no local. Antes da era digital, a biblioteca era ponto de referência para alunos e amantes da leitura, que faziam fila. “Tínhamos que cadastrar o usuários com todos os dados a punho e procurar os livros. Era uma correria. Tinha que ver se era poesia ou literatura, em quê se encaixava”, lembra Miriam Palma, 58 anos, há duas décadas no espaço. Mesmo com a chegada das plataformas que disponibilizam milhares de livros para download, a movimentação da Biblioteca Monteiro Lobato não parou. “Muitos ainda procuram se refugiar e ler um bom livro. Amantes da literatura nunca deixam de ir nem mesmo para pegar um livro e fazer sua leitura em casa”, ABRIL_1 2020

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LITERATURA _13

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conta Miriam, que, hoje, junto com a assistente bibliotecária Caroline Alves, 35 anos, publica a programação da biblioteca, com indidicações de leitura e o Varal Literário, nas redes sociais. Caroline, que está há 10 anos no acervo, teve a ideia de reinventar o varal de poesias para que ficasse mais atrativo. Agora, a parede tem uma tintura onde podem usar giz para deixar recados. “Uma jovem pediu para que sua poesia fosse deixada lá, para que outras pessoas pudessem ler. Aqui também é um espaço onde autores guarulhenses podem deixar suas obras para que outros conheçam”, diz. “Todas as ações que realizamos aqui são muito marcantes, pois nos empenhamos para que tudo dê certo”, complementa Miriam. A biblioteca, que no ano passado recebeu a exposição “Releituras em Foco”, dos alunos de Fotografia da Universidade Guaulhos (UNG), tem uma acervo de 80 mil livros, além de salas de aula para deficientes visuais, audiolivros e publicações em libras. c

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1. Corredor da seção de literatura da Biblioteca Monteiro Lobato 2. Angelo Macedo e Miriam Palma trabalham há 20 anos na biblioteca 3. Rosangela Silva coordena o espaço, que frequentave na adolescência


14_ FOTOGRAFIA

Com as tintas de Frida Kahlo Mostra virtual com releituras fotográficas inaugura a Galeria CAM e leva a obra da mexicana ao público em isolamento _POR JUNIOR CONEGLIAN Foto Patrick Moura

OS ALUNOS DO CURSO de Fotografia da Universidade de Guarulhos (UNG) criaram reinterpretações sensíveis das obras da artista mexicana Frida Kahlo (1907-1954). Batizada de “Releituras em Foco: Frida Kahlo”, a mostra estreia em 9 de abril, na abertura da galeria virtual CAM, no Instagram (@galeriacam_ ung). “Queremos compartilhar arte e fotografia por meio da tecnologia para levar um alento ao público nesse período de quarententa, por causa do coronavírus”, diz o professor Alex Francisco, que organiza o projeto. Entre as releituras estão os famosos retratos da artista, que pertenceu ao movimento realismo mágico, mas foi associada ao surrealismo por causa dos temas inquietantes. Frida ficou conhecida tanto pelas pinturas coloridas quanto pelos traumas físicos e psicológicos sofridos ao longo da vida. Era também revolucionária e se tornou nome conhecido e respeitado no movimento feminista. Desprezando as convenções de

beleza de sua época, a pintora retratava aspectos diferentes de si e é a ótica da internalização e individualidade que inspirou os alunos. “Na pesquisa, conheci o retrato de uma amiga de Frida, a Natasha Gelman, uma migrante da Tchecoslováquia, casada com Jacques. Ambos foram muito amigos do casal Frida e Diego [Rivera, pintor, 1886-1957]. Natahsa está representando o estilo clássico de uma mulher da época, diferente do estilo de Frida. Natasha tinha influencias europeias em suas escolhas de maquiagem, roupa e penteado”, conta o estudante Bruno Faria, 24 anos, sobre a interpretação que fez da obra “Retrato da Senhora Natasha Gelman” (1943). “Natasha representa uma mulher empoderada do século XX. Então, escolhi uma modelo que me fizesse ver todos esses atributos em uma mulher, porém, do século XXI”. Para a aluna Beatriz Alves, 22 anos, a simplicidade e a intensidade de Frida foram importantes ao escolher reinterpretar “Autorretrato com Colar”, ABRIL_1 2020

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FOTOGRAFIA _15

Foto Bruna Dare

Foto Thayane Lopes Foto Julian Oliveira

de 1933. A imagem foi produzida no Laboratório de Fotografia da UNG. “Minha releitura explora a sexualidade fluida, mas sem a identificação de um gênero. O colar de pérolas representa feminilidade, criatividade e pureza. Os olhos vermelho e azul sugerem tanto o sofrimento, quanto sua força diante do despreparo do atual governo e sua postura discriminatório”, comenta. Já o estudante Julian Oliveira, 24 anos, traz na releitura de “Autorretrato como Tehuana, ou Diego em Meu Pensamento” (1943) um visual que poderia ser classificado como surrealismo pós-humano. “A inspiração na tecnologia é muito presente na imagem, e esse ar de distopia e fascinação pelo tecnológico também. Tentei projetar essas referências na fotografia também com elementos marcantes, como os olhos cegos e o foco em uma marca conhecida mundialmente, além do simbolismo na testa, que hoje é desejado por quem tem uma rede social”, explica. c


16_ OLHARES

O jornalismo me formou artista _POR RAFAEL SANCHES ator pelo Teatro-Escola Célia Helena e jornalista pela Faculdade Casper Líbero

redações me ensinou a lidar com os mais variados tipos de pessoas, saber trabalhar em grupo e suportar, digo, compreender e dialogar com chefes rígidos – quando não estúpidos e mal-educados. Meus anos como jornalista também me ajudaram a trilhar outros caminhos dentro da arte, como roteiro, dublagem e locução. Afinal, passei a ser um leitor assíduo de fato quando entrei na faculdade – antes detestava ler, confesso. E quem lê muito, acaba aprendendo a escrever direito, além de construir um repertório gigante de referências, coisa que todo bom roteirista deve ter. Fora o período como colaborador na rádio universitária, que me presenteou com uma consciência vocal da qual não sabia que tinha. Ainda tenho absoluta certeza de que não quero que esteja escrito na minha lápide apenas: “Aqui jaz Rafael Sanches, jornalista”. Mas posso dizer que sou muito grato pelo jornalismo, por toda a base que ele me deu, pela formação como pessoa e, principalmente, por me dar a certeza de que o que eu amo é fazer arte. c

Ilustração Cauê Miranda / Instagram @tocaue

QUANDO ENTREI NA faculdade de Jornalismo, tinha quase certeza de que era isso que queria para a minha vida. Digo quase porque a decisão foi tomada naquele momento pós-colégio, em que nós “temos que” escolher o nosso futuro, mesmo sem conhecermos direito nosso presente. Curioso é que no último ano de escola tive meu primeiro contato com o teatro. Eu me apaixonei por aquilo. Mas é aquela coisa, né? “Por que não escolhe uma profissão de verdade?”. E guiado por essa pergunta acabei arquivando o teatro na gaveta dos sonhos e segui para o mundo corporativo. Resultado: depois de quatro anos de estudos e experiências em redações percebi que estava infeliz, confuso e insatisfeito. Eu tinha absoluta certeza de que não seria jornalista. Pelo menos não só isso. A vida tem muito mais a oferecer, e eu sentia que tinha talento para outras coisas que me interessavam mais. Em 2015, fui convidado para encenar a peça “Corpo Condenado”, do meu amigo dramaturgo Alex Francisco. Foi como uma salvação. O sonho saiu da gaveta e resolvi que estava na hora de mudar de vida. E não poderia ter feito uma escolha melhor. Por algum tempo passei a renegar o jornalismo. Acontece que, aos poucos, fui entendendo que minha formação não tinha sido um desperdício, mas sim um elemento agregador para a minha construção como artista. Lembrei que Nelson Rodrigues (1912-1980) era jornalista. Descobri que Brad Pitt e Wagner Moura também se formaram em jornalismo. E percebi como o jornalismo me construiu como uma pessoa que está sempre antenada a tudo, com um senso crítico apurado sobre os fatos do mundo, elemento fundamental para um profissional da arte. O fato de ter entrevistado muita gente e convivido em

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OLHARES _17

Fanático por esportes e novelas _POR RAONY PACHECO jornalista, diretor da RP2 Sport Marketing e professor do Projeto Conectados

Isso tem tudo a ver com o esporte. Um time ou um atleta, para ser campeão, deve-se aplicar a mesma metodologia dos atores e atrizes para obter vitórias. Existe o estudo do texto. Um time tem que estudar o adversário. As cenas devem ser gravadas diversas vezes para sair perfeita. Um atleta tem que treinar muito para se aperfeiçoar e vencer. O autor escreve cada capítulo. O treinador transforma cada treino em “capítulo” vitorioso para sua equipe ou atleta. Já pararam para pensar nisso? No caso do futebol, acredito que as semelhanças são ainda maiores. Um time tem que ter um “elenco” forte para ser campeão. As novelas de sucesso possuem total “entrosamento” entre seus integrantes. Se o todo não caminhar bem, não tem emoção, não tem audiência, não tem gol. Sem contar que o último capítulo dá o mesmo “frio na barriga” que antes de uma disputa de título de Copa do Mundo sendo decidida nas penalidades máximas. Depois de ler tudo isso, não deu vontade de saber se você é apaixonado por esporte, se você é um noveleiro? c

Ilustração Cauê Marcos de Miranda

SOU APAIXONADO POR esportes e isso fica evidente para quem me conhece pela primeira vez, confesso. Gosto de falar sobre as conquistas histórias de atletas em jogos olímpicos, de partidas memoráveis sobre futebol e, obviamente, como cada história esportiva torna-se fascinante. Histórias. Aí um ponto que me faz ter um amor paralelo ao esporte, que não fica atrás na questão do “fanatismo”, igual ao de qualquer torcedor que veste as cores do seu time, compra o seu ingresso e vai ao estádio. Que amor é esse? Novelas. As novelas na TV são uma evolução das radionovelas. Uma vez, perguntei para a minha vó como as pessoas se preparavam para escutar as histórias de romance e suspense pelo rádio. Ela me disse que todos se reuniam na sala, era um total silêncio à espera de cada fala, cada som. Os comentários, no dia seguinte, arrastavam-se entre homens e mulheres. Peguei essa pitadinha de curiosidade para já apresentar um ponto em comum. Afinal, os esportes também eram transmitidos pelas rádios. Primeira grande conquista do futebol brasileiro, por exemplo, em 1958, o título da Copa do Mundo, na Suécia, foi transmitida pelo rádio. O clima nas casas para ouvir os jogos? Igual ao de cada episódio da radionovela. Essa comparação, evidentemente, não consegui formatar na minha cabeça quando eu era mais novo, de fato. Mas é importante ressaltar que só existe o presente se o passado não for esquecido. E na sequência da minha analogia, não posso deixar de falar que cada novela me encanta pelo texto, interpretação dos atores e a forma como cada edição de um capítulo se transforma em injeção de ânimo para no dia seguinte, no mesmo horário, no mesmo canal, ligarmos a TV e não piscarmos a cada cena.


18_ ESPECIAL

CARLA BIGATTO

A notícia que quero dar é a da redução da desigualdade Radialista da Band News FM fala sobre representatividade feminina e o que aprendeu com o jornalista Ricardo Boechat _POR ALEX DINARTE E BIANCA MENDES

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SÃO POUCO MAIS de 12 anos na Band News FM. Na programação das manhãs, é Carla Bigatto quem abre o microfone para informar nos 96,9. Com a equipe da primeira emissora radiofônica do Brasil dedicada de maneira exclusiva ao jornalismo, a apresentadora coloca o sorriso na voz e fala com uma das maiores audiências do país. O equilíbrio diante do microfone veio do esporte. A precisão nos treinos até a adolescência na ginástica artística a disciplinou. “Temos que ter essa capacidade de cair e levantar. Isso o esporte trouxe para a minha formação e para a vida profissional”, considera Carla. De origem simples, foi o talento de atleta que permitiu o estudo em bons colégios por meio das bolsas. Foi no jornalismo impresso, no jornal diário Agora São Paulo, o início como repórter. Tempo em que a rotina era diferente. “Saía para a pauta de manhã e não sabia o que ia acontecer com a minha vida. Cobri um ataque do PCC em 2006, muita violência, chacinas”, recorda. Em 2007, Carla arriscaria uma mudança de ares. O novo rumo trouxe a chance no Grupo Bandeirantes de Comunicação. “Trabalhava com uma equipe, começaram a desfazê-la e na época apareceu a oportunidade da Band News FM”, complementa a jornalista Ela não era a “maníaca do rádio”, mas sempre estava com um aparelho ligado por perto. “Eu gostava [do rádio], mas ele entrou na minha vida por uma > Foto Prêmio Comunique-se / Divulgação


Foto Stéfani Inouye/ESPM

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“Até falar dele [Boechat] no passado é complicado. Ele tinha a mente acelerada, queria excelência”

A jornalista Carla Bigatto com o troféu do Prêmio Comunique-se em 2017

oportunidade profissional mesmo”, explica Carla. O trabalho começou na edição, passou pela coordenação de praças que a rádio abrange e chegou ao microfone por meio do “Tem Mulher na Área”, antigo quadro de futebol da emissora. “Eu amava, inventava coisas mirabolantes, analogias e o pessoal começou a gostar da minha participação. Comecei a treinar na apresentação e deu certo”, enfatiza a radialista. Para Carla, o degrau que separava os locutores dos ouvintes não existe mais. A audiência é protagonista. “Essa é uma mudança que eu vi no rádio, o ‘ouvir o ouvinte’. Essa proximidade fortalece com o tempo, o rádio é cada vez mais companheiro”, considera. A jornalista conta que na Band News FM tudo funciona como em uma orquestra. “É impressionante observar a capacidade daquelas pessoas, é difícil fazer o que elas fazem”, avalia ela, que

apresenta o “Jornal Band News” e “Band News no Meio do Dia”. “É como se minha mãe, uma senhora, estivesse ao meu lado e eu tivesse que contar algo que está acontecendo. A gente põe em prática sempre e ajuda demais na transmissão da informação”, detalha. Agora é que são elas Acabou-se o tempo em que a voz grave dava o tom. O momento é delas e, para Carla, não é concorrência. É aprendizado mútuo. A fase de exclusão das mulheres no rádio ficou para trás. “Agora temos grandes vozes como a Tatiana Vasconcelos, a Cássia Godoy. Estamos abrindo caminho”, constata. Entretanto, a desigualdade salarial e a violência ainda assola. Para a radialista, é angustiante noticiar casos em que as vítimas são mulheres. “Com a informação circulando, isso deveria diminuir e não diminui. Muitos homens ABRIL_1 2020

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Foto Arquivo Pessoal

Carla Bigatto ao lado de Eduardo Barão (centro) e Ricardo Boechat, no estúdio da Band News FM

ouvem as notícias e não conseguem se pôr no lugar da outra pessoa”, completa. Nos últimos três anos, Carla recebeu cinco prêmios: na categoria âncora de rádio, venceu a disputa do Troféu Mulher Imprensa em 2017, 2018 e 2019; já no Prêmio Comunique-se, a radialista faturou em 2017 e 2019 como apresentadora de rádio. “No Troféu Mulher Imprensa, fui indicada entre as finalistas pelos colegas. É legal saber que o trabalho está sendo reconhecido. O que a gente faz com a eficiência de se comunicar com as pessoas é o grande prêmio”, sintetiza a jornalista. Além do destaque na programação da Band News FM, Carla divide o horário com colunistas de renome, como Monica Bergamo e José Simão. Por um longo tempo, era com o jornalista Ricardo Boechat (19522019), que ela apresentava o “Jornal Band News”. “Até falar dele no passado

é complicado”, reflete. Como na época de atleta, via Boechat na figura de um treinador. “Ele percebeu que eu correspondia. Um dia aconteceu algo errado e levei uma bronca enorme, mas a culpa não era minha. Iria responder e parei. Depois de um minuto, ele já estava em outra. Ele tinha a mente acelerada, queria excelência, não era nada pessoal. Eu comecei a relevar e falar: ‘não, é o Boechat! Vale a pena!’”. Aos 38 anos, Carla não traça planos a longo prazo na carreira. Além de dar sequência ao sucesso no rádio, a apresentadora se dedica à sensação dos podcasts. Serena, a radialista registra um objetivo. “A notícia que quero dar é a da redução da desigualdade”. E a gratidão. “Tenho muito a agradecer a Band News FM por ter me dado oportunidade para algo que eu adoro fazer”, exclama. Quem ouve sabe, Carla Bigatto. O rádio não mente. c


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Foto Elvis Moreira

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CORRA FERNANDA GENTIL, CORRA Após fazer carreira no jornalismo esportivo, ela se desafia. Mulher e mãe, a jornalista tem pique para ser atriz, escritora e, agora, apresentadora do “Se Joga” (Globo) _POR NATÁLIA CARVALHO


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Foto Stéfani Inouye/ESPM

“Se alguém desconfiou de mim por eu ser mulher ou achou que eu não fosse conseguir por esse mesmo motivo, não tive tempo de ver essa pessoa, porque estava muito focada em alcançar meus objetivo” Fernanda Gentil ao lado de Sandra Annenberg, no Prêmio Comunique-se, em 2017

FERNADA GENTIL, 33 anos, é muitas em uma só. Mulher, mãe, jornalista, escritora e atriz, começou a carreira na cobertura esportiva, em 2009. Após dez anos na área, ela, que se define “movida a desafios”, ingressa em uma nova fase, agora no entretenimento, com o vespertino “Se Joga” (Globo). Ela teve contato com o mundo esportivo desde cedo. Seus pais sempre a incentivaram a praticar esportes, o que a fez se apaixonar pelo estilo de vida saudável. Já federada no vôlei de praia, Fernanda se encontrou em um momento crucial de sua vida. Precisava decidir se seguiria dedicada ao esporte como profissão ou se faria uma graduação. Uma certeza ela tinha: não queria se distanciar do mundo dos esportes. Foi então que optou pelo jornalismo, pois assim teria a oportunidade de viver e falar de um assunto que tanto gosta. Fernanda soube desde cedo o que queria. O SporTV era seu maior sonho

e, após muita dedicação, em 2009 conseguiu integrar o time de jornalistas esportivos do canal pago. Em dez anos no esporte, cobriu duas olimpíadas e três copas do mundo. “Após passar por vários produtos e funções no canal, bateu em mim a sensação de missão cumprida e, ao mesmo tempo, uma vontade de novos desafios”, diz. Foram muitos anos atuando em um ambiente predominantemente masculino, porém, ser mulher e estar na cobertura espotiva nunca foi uma questão para a jornalista. “Se alguém desconfiou de mim por eu ser mulher ou achou que eu não fosse conseguir por esse mesmo motivo, não tive tempo de ver essa pessoa, porque estava muito focada em alcançar meus objetivos”. De personalidade cativante e espírito inquieto, Fernanda não fica muito tempo em um local e gosta de se aventurar em diferentes áreas. Em 2016, lançou seu primeiro livro, “Gentil como a Gente” ABRIL_1 2020

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Fotos Divulgação

Momentos de Fernanda Gentil no espetáculo “Sem Cerimônia”

(Intrínsesa, 2016, 288 págs.), que tem como base o blog onde costumava escrever causos e conflitos de um casal que passa a viver junto. A página na internet bombou e o livro ganhou vida, com as histórias já publicadas e algumas novas, de autoria própria. Alguns anos depois, Fernanda se desafiou de novo. Em 2019, fez parte do elenco do filme “Ela Disse, Ele Disse”. O público teve a oportunidade de ver uma outra versão da jornalista, a de atriz, no papel da mãe de uma adolescente. “A ideia de participar do filme chegou como um convite da Thalita Rebouças, uma amiga muito querida, e eu topei. Adoro aprender e descobrir se consigo ou não. Se eu sentir que posso acrescentar o mínimo que seja, me desenvolver como pessoa, eu quero fazer. O filme entrou exatamente em todos esses requisitos e foi uma delícia de fazer”, lembra. Fernanda foi das telas para os palcos – haja pique! Em parceria com

o ator e produtor Léo Fuchs, conhecido pelo trabalho em “Meu Passado Não me Condena”, ela voltou a escrever e encenar histórias sobre a vida pessoal e profissional de maneira descontraída na peça “Sem Cerimônia”. “Foi mais um desafio imenso pra mim, mas mais que isso, uma oportunidade para eu passar as mensagens que sempre quis passar”. No palco, Fernanda está, pela primeira vez, mais próxima do público, sem uma câmera como condutora do que deseja falar que, no caso da peça, é propagar mensagens de amor e respeito ao próximo. “O retorno do público é o que me move para continuar com o ‘Sem Cerimônia’. Sem ele não existiria peça. Sempre com muito carinho, sempre de maneira muito quente, muito próxima, a gente promove até uma corrente no final da peça. É uma corrente do bem, com o único objetivo de ligar mais as pessoas mesmo sem se conhecerem. As lágrimas e as gargalhadas só me indicam >


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Foto Divulgação/TV Globo

Da esq. à dir.: Érico Brás, Fernanda Gentil e Fabiana Karla no “Se Joga” (Globo)

que realmente é uma receita que está dando certo”, comenta. Dentro de casa Fernanda teve o primeiro contato com a maternidade aos 22 anos. Muito nova, abraçou a criação do sobrinho, Lucas, que é filho biológico do irmão de sua mãe. O pequeno tinha apenas um ano e quatro meses quando a mãe biológica faleceu, e foi aí que a jornalista sentiu pela primeira vez o real significado do amor de mãe. Após oito anos, chegou em sua vida Gabriel, que possibilitou à jornalista viver um outro aspecto da maternidade: o de gerar uma vida. Em suas redes sociais, a apresentadora divide com os seguidores o dia a dia com os filhos e a relação com a também jornalista Priscila Montandon. Como toda mãe, e com a ajuda da companheira, se preocupa com a educação dos filhos. “Procuro tratar de todos os assuntos com eles de forma bem natural. Cada fase exige um tipo de

abordagem e uma linguagem específica, e é muito importante estarmos atentas a isso pra não pularmos etapas e nem queimarmos cartuchos”, compartilha. No momento em que a sociedade discute e aprende sobre a causa feminista e o machismo tóxico, a apresentadora se preocupa em introduzir os pequenos à realidade com muito diálogo. “Com o Gabriel tento quebrar esse conceito muito comum na idade dele de ‘meninos versus meninas’. Acho que essa segregação de atividades, cores e esportes por gênero é também a origem de muitas coisas ruins que a gente vê quando eles crescem”, diz. “Lucas, outro dia, estava assistindo futebol comigo e entrou uma comentarista falando do jogo. Eu olhei pra ele e provoquei: “ih, alá a mulher comentando futebol’. Ele me olhou, quase que com preguiça, e respondeu: ‘que que tem?’. Ou seja, bingo! Estamos no caminho certo”. Dividida entre as exigências profissionais e os compromisso do lar, a jornalista se desdobra para sempre se ABRIL_1 2020

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CAPA _27

“O mínimo que posso fazer é agradecer pelo que tenho, pelo trabalho, e valorizar muito mais a qualidade do tempo que tenho com minha família, do que a quantidade”

Foto Elvis Moreira

fazer presente no dia a dia dos meninos. “A quantidade de tempo que eu consigo ficar em casa, infelizmente, é sempre menor do que a que eu gostaria. E ainda assim me sinto privilegiada, porque sei da rotina de outras mulheres que precisam acordar antes de mim, dormir depois de mim, e ainda dar conta de muito mais coisas que eu”, fala. “Então, o mínimo que eu posso fazer é agradecer pelo que eu tenho, pelo trabalho, e valorizar muito mais a qualidade do tempo que tenho com a minha família, do que a quantidade”. Há quatro anos, Fernanda falou publicamente sobre seu relacionamento com Priscila. Falar sobre o namoro nunca foi uma questão para as duas, mas sim “quando” falar. “O dia que o fiz só ficou marcado pra mim como um dia de muito carinho, acolhimento, abraço e amor, em casa e no trabalho”, lembra. Fernanda sempre entendeu sua posição de privilégio sendo uma mulher famosa, branca, com uma boa condição financeira, e que vive dentro do que ela mesmo nomeia como “bolha”. Sabendo que essa não é a realidade de muitas pessoas, falar abertamento sobre seu relacionamento também foi uma maneira que encontrou de humanizar sua figura, se igualar e se aproximar de pessoas que vivenciam realidades distantes da sua. “Entendi que justamente por isso é importante que nós, da bolha, mostremos que temos muito mais a ver com o pessoal fora dela. Seja pela sexualidade, maneira de pensar, cor da pele, time ou pelo jeito de criar um filho”, observa. Agora, seu mais novo desafio é a linha de entretenimento da Globo, com o “Se Joga”, onde divide a apresentação com Fabiana Karla e Érico Brás. Fernanda se preparou para entender um novo mundo, com linguagem e conteúdo diferente do que estava acostumada. “E sigo aprendendo”, finaliza. c


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Eco fashion Contra a produção desenfreada e que agride o meio ambiente, acessórios sustentáveis renovam o conceito de moda _POR LUANA CIANCI E LETÍCIA GUERREIRO _FOTOS JULIAN SILVA

O ECO FASHION chegou com uma proposta de acessórios únicos, que não são produzidos em larga escala. A indústria da moda, que hoje é a segunda mais poluente do mundo, perdendo apenas para a do petróleo, precisou adaptar-se e modificar os meios de produção para evitar danos ao meio ambiente. Passou, então, a confeccionar peças com plástico reciclado, madeira reaproveitada e sementes, entre outros. Esta transformação por meio da moda ecológica ganhou destaque em lojas de grife renomadas e estilistas famosos, como Anya Hindmarch, em 2007, na Inglaterra. No Brasil, existem comunidades indígenas, como Kayapó, Mundukuru, Karajá, Ofayé Anodi e Mehinako, que realizam o trabalho do artesanato com matérias primas que são extraídas diretamente da natureza. Seguindo a tendência de moda sustentável, a artesã Thais Marques criou a loja Yuná Biojoias, que levanta a bandeira da sustentabilidade e do artesanato. A empreendedora sentiu a necessidade em fazer acessórios que fossem do seu agrado, pois não costumava encontrar em lojas comuns peças que lhe agradasse. “Utilizo materiais da natureza, como cascas e sementes, que encontro em caminhadas e viagens”, diz. “A maior dificuldade para a produção é trazer beleza e originalidade sem perder a pureza da natureza”, complementa. Seguindo a linha de acessórios ecológicos, a loja brasileira Paiol tem mais de 60 mil seguidores em suas redes

sociais e atua no mercado sustentável há mais de uma década. “Os acessórios são produzidos por vários artesãos diferentes, de várias regiões do Brasil, e a matéria-prima vem da natureza. Esses artesãos normalmente têm uma relação de muito respeito e cuidado com a natureza, por isso eles utilizam materiais naturais e sustentáveis”, diz o proprietário Lucas Lassem. Para Lassem, a maior dificuldade neste tipo de produção é conseguir a matéria-prima de qualidade, respeitando a natureza, o tempo das coisas e dar continuidade na produção. “As peças artesanais têm uma história. Elas estão vinculadas a alguma cultura e são feitas uma a uma, respeitando o tempo do processo produtivo e de onde vem a matéria prima. Não são peças industrializadas, feitas em larga escala”, explica. “Essa arte é importante para a manutenção de culturas tradicionais e geração de renda para grupos vulneráveis. Muitas comunidades e etnias brasileiras vivem exclusivamente da venda dessa arte”, complementa. Segundo o personal stylist Arno Junior, o mercado de acessórios sustentáveis está em ascenção. “O mercado de moda sustentável não é mais um conceito. Ele já está inserido em várias novas marcas e fizeram as antigas se adaptarem também. O ecológico hoje é essencial no mundo da moda. É o presente e o futuro”. Para o stylist, não existem regras para combinar as peças. “O importante é se sentir bem”, finaliza. c ABRIL_1 2020

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Colar de miรงangas Yawanawรก

Anel de madeira Hunikin | Colar de sementes Kayapรณ


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Colar de miçangas Waurá | Brinco miçangas Kayapó

Colar de semente olho de cabra e brinco de casca de árvore com agatha de fogo Yuná Biojoias

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Tiara de algodão Hunikin | Colar de miçangas Waurá

Tiara de palha e colar de cascas Waurá | Anel de madeira Hunikin

PRODUÇÃO Luana Ciani, Letícia Guerreiro, Luana Guerreiro e Julian Silva | MODELOS Paula Evelim e Wesley Souza AGRADECIMENTOS Yuná Biojoias (@Yuna.Biojoias), Loja Paiol (@lojapaiol) e Arno Júnior (@ArnoJr)


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A arte dos imigrantes A arte urbana ganha uma nova maneira de ser apreciada em São Paulo e vira tema do projeto “Cultura de Imigrantes” _POR CHARLES DIEU _FOTOS RENATA LIRA E LEANDRA BASTOS

“VER OS IMIGRANTES mostrarem sua cultura para diversas pessoas em pontos populares de São Paulo é muito bonito”, comenta a fotógrafa Renata Lira, que assina com Leandra Bastos o projeto “Cultura de Imigrantes”, tema do TCC delas no curso de Fotografia da Universidade Guarulhos (UNG). Por meio das lentes das fotógrafas pode-se ver a representatividade da arte urbana, seja pela sobrevivência dos artistas ou pelo entretenimento para o público. Os cliques trazem detalhes desses artistas de rua, mostram o quanto fazer arte tornou-se um recurso financeiro para os imigrantes que instalam – ou tentam instalar – suas raízes no Brasil. “São pessoas simples, esforçadas. A maioria deles expõe sua cultura nas ruas a fim de ter uma renda. Muitos não conseguem emprego por não falar o português bem”, diz Leandra. Assim, imigrantes sem um trabalho formal apelam para as ruas, uma forma de levar para casa o sustento adquirido com o seu dom. Em cada uma das fotos

do ensaio, as fotógrafas capturam a essência dessas artes e as características únicas que cada uma carrega. Talvez, a maior marca desses artistas urbanos seja justamente a sua riqueza cultural. Nas imagens, os espectadores aparecem curiosos para “saber mais” sobre aquela cultura. “No momento em os artistas se apresentavam, as pessoas paravam para assistir, admiravam, compravam objetos”, conta Renata. “Pode ser que não consigam introduzir sua cultura em todo o país, mas ali, no local, era passado algo de suas tradições, e maravilhadas, com certeza, as pessoas levavam algo consigo”, complementa a fotógrafa. O registro que fizeram no ano passado é diferente do cenário atual. Não há apresentações de arte nas ruas ou o “público apreciando”, pelo menos por enquanto, mediante a pandemia de Covid-19. O que levanta o questionamento de como estão esses imigrantes, que dependem da arte urbana, fazem para sobreviver. c ABRIL_1 2020

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