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Jornal Contraponto - Ed. 14 out/nov 20

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Divulgação

ZÉ DO CAIXÃO é cultuado em novas produções do cinema de terror no Brasil PÁGINA 7

JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE GUARULHOS

economia PÁGINA 4

Consumo de alimentos orgânicos cresce na pandemia Famílias usam criatividade para reformar e gastar pouco Edilaine Tenório

cidades PÁGINA 3

OUTUBRO / NOVEMBRO DE 2020

ANO 13

EDIÇÃO Nº 14

Na crise, trabalhador abre negócio ou tem 2º emprego Cenário motivado pela pandemia elevou a taxa de desemprego e comprometeu a renda PÁGINA 4 A Covid-19 mudou a realidade dos brasileiros em relação a trabalho. No levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre maio e julho, o

desemprego aumentou 20,9%. Com o dinheiro do mês ameaçado, muitas pessoas passaram a ter um segundo plano para a renda. Para aqueles cujo desemprego bateu à porta, a

chance de ganhar dinheiro foi investir o pouco que tinha em um negócio próprio. A boa experiência os tem ajudado a pensar no pós-pandemia. Já para outros, a instabilida-

de do salário de comissão motivou a busca por um segundo emprego. Assim, mesmo que temporário, os cuidados com a saúde e o tempo com a família ficam em segundo plano.

Academia de pedra auxilia jovens no combate às drogas

Com parques abertos, prática de exercícios requer mais cuidados

Projeto realizado na Casa Eterna Morada, em Itaquá, faz sucesso e reúne amantes do fisiculturismo PÁGINA 3

Especialista explica se há motivos para se preocupar com a reinalação tóxica em atividades ao ar livre PÁGINA 6 Divulgação / PMG

EDITORIAL

Tempos pandêmicos

Vendedor de quebra-queixo cativa público e viraliza na web diversão PÁGINA 8

Arquivo Pessoal

CCXP Worlds será online e com versão gratuita

Cada edição do jornal Contraponto leva em seu DNA a marca do instante presente. E o momento pelo qual passamos, aos sete meses de pandemia e seus preocupantes reflexos, são o natural destaque deste número. PÁGINA 3

CONVIDADO

A contação de causos Inácio Rodrigues

Os causos são formas abertas da invencionice popular oral com algumas mutações dos contos maravilhosos ou tradicionais e são marcados por uma variação de linguagem própria das regiões interioranas. PÁGINA 3

PANDEMIA MUDA ROTINA DA ALDEIA FILHOS DESTA TERRA

Índigenas da cidade convivem com a Covid-19, deixaram de vender artesanato e suspenderam rituais, alguns trabalham fora da comunidade e outros vivem de doações; eles são atendidos pela UBS do Cabuçu PÁGINA 3 Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

Rosimeira Lima e o marido querem realizar o sonho dele ter um filho

Felipe Carvalho e Ana Carolina Pagliusi se reconhecem pelo sorriso

Fertilização in vitro tem 65% de chance de sucesso, mas porcentagem depende da idade da mulher PÁGINA 5

Psicóloga explica que há diversos tipos de sorrisos e que expressão verdadeira dura apenas 4 segundos PÁGINA 7

Inseminação ajuda casais a realizar sonho de ter filhos A estudade Giuliana Mafra Baiochi fará cosplay no evento este ano

Mulheres e homens sorriem de modos diferentes, diz pesquisa


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OUTUBRO / NOVEMBRO 2020

opinião

contraponto

cidade

EDITORIAL

O jornal Contraponto é um dos projetos laboratoriais do curso de Jornalismo da Universidade Guarulhos (UNG) que, há 11 anos, tem procurado ser a mídia escrita – a princípio impressa, depois digital – pela qual nossos alunos exercitam a prática do jornalismo noticioso, mais factual, o hard news, focado, preferencialmente, nas notícias de Guarulhos e região. Cada edição leva em seu DNA a marca do instante presente. E o momento pelo qual passamos, aos sete meses de pandemia e seus preocupantes reflexos, são o natural destaque deste número. Dos 305 povos indígenas remanescentes no Brasil, cinco compõem a aldeia multiétnica Filhos Desta Terra, na região do Cabuçu, uma área outrora rural, hoje afetada pela forte expansão urbana. A comunidade constitui um dos grupamentos indígenas

em contexto urbano mais representativos do país, e as condições sanitárias e a vulnerabilidade desta população ao Covid-19 preocupam as autoridades e já impuseram mudanças na rotina de subsistência e das tradições do grupo que, lembremos, compõem uma faixa prioritária no momento da vacinação, quando ela chegar. Nas demais regiões da cidade, o isolamento social, a crise e os consequentes os altos índices de desemprego têm obrigado muita gente a ressignificar a relação com trabalho e dinheiro. Como tantos trabalhadores Brasil afora, Guarulhos também tem suas histórias de empreendedores que arregaçaram as mangas para sobreviver e trabalhadores obrigados a buscar o segundo emprego como alternativa contra a insegurança laboral imposta pelos tempos pandêmicos.

JORNALISTA CONVIDADO

A contação de causos | Inácio Rodrigues

Jornalista, doutor em Língua Portuguesa e professor da Universidade Guarulhos (UNG)

Os causos são formas abertas da invencionice popular oral com algumas mutações dos contos maravilhosos ou tradicionais e são marcados por uma variação de linguagem própria das várias regiões interioranas do Brasil, sobretudo, da denominada caipira, correspondente ao espaço, outrora, desbravado (ou dominado) pelo movimento das Bandeiras. A contação de causos, muitas vezes, ocorre simultaneamente à prática profissional dos que dela fazem uso, ou em momentos próximos ou posteriores ao trabalho, o que é propiciado pela ausência de separação rígida entre trabalho e lazer e pelo exercício de atividades profissionais em grupo, o causo pressupõe relação intergrupal. Além de uma relação interface os participantes da contação têm uma aproximação de repertórios sustentados pela tradição, o que facilita a leitura dos processos enunciativos, prescindindo de mediação de canais materiais de comuni-

cação, exigindo do contador e do auditório apenas a voz e a presença física, dentro de um universo simbólico e imaginário aproximados. Portanto, o motivador da narrativa é a criatividade, posta pelo uso de uma linguagem comum, transmitida em situações de encontro e revelando aspectos de uma cultura encerrada numa tradição secular, que valoriza a riqueza e modos de viver a realidade intragrupo. Tal viver pressupõe construções metafóricas que revelam toda a inventividade do uso da língua e de outras linguagens como elementos de interação, que são motivados pela observação tanto de seu próprio espaço e de outros em relação à este, mas mediados por histórias reconhecíveis dos enunciatários. E a figura emblemática na contação de causos, o caipira, é a garantia de euforia para os próprios sujeitos na atividade de interação discursiva, pois simboliza os anseios e vicissitudes de uma comunidade.

O vendedor de quebra-queixo Moisés Lopes Pereira esbanja simpatia pelas ruas de Guarulhos

Edilaine Tenório

Tempos pandêmicos

Ambulante cativa público e faz sucesso com vídeos na internet Moisés Lopes Pereira começou a vender doces na infânca, para ajudar a mãe; há mais de 40 anos nas ruas, renda ajudou a criar três filhos | EDILAINE TENÓRIO

Pelas ruas de Guarulhos, o grito “olha o quebra-queixo saboroso!” anuncia que Moisés Lopes Pereira, 57 anos, está próximo, com o costumeiro avental branco e a forma de alumínio sobre a cabeça. Mais velho de sete irmãos, Pereira perdeu o pai na infância e precisou trabalhar de engraxate para ajudar em casa. Foi quando a mãe teve uma ideia. “Eu tinha 13 anos quando ela pediu para um vizinho nos ensinar a fazer quebra-queixo. Na primeira vez que saí para vender, o doce acabou, vendi tudo”, conta. Com o dinheiro, o novo ambulante e a mãe compraram mais ingredientes e uma forma maior. “Fui vender outra vez e não parei mais”. E lá se foram mais de 40 anos nas ruas. As vendas ajudaram a família, mas, dois anos depois, Pereira perdeu a mãe. Mesmo abalado, ele continuou a fazer e vender o doce para cuidar dos irmãos. Na adolescência, casou-se com Aurenice Vitto dos Santos, sua esposa até hoje. “Nos conhecemos na escola, e

aos 16 anos tivemos nosso primeiro filho. Continuei a vender quebra-queixo e trabalhei em dobro, porque queria dar estudo para meus filhos”, lembra ele, que é pai de três filhos, todos formados na área da saúde. Após tanto tempo nas ruas, Pereira ficou popular. O grito, reconhecido de imediato, foi ideia de um cliente que achou a iguaria saborosa. Não demorou muito para publicarem vídeos do bordão nas redes sociais. O vídeo publicado pela confeiteira Neiara Mattos tem mais de 3 mil curtidas e dois mil compartilhamentos. “Conheço o Moisés há 30 anos. Me recordo dos gritos dele desde pequena. Quis gravar para mais pessoas conhecê-lo. Um trabalhador com uma linda história, merece ser conhecido além do quebra-queixo”, relata. Com o sucesso nas redes, as vendas do doce cresceram. “Um grupo de crianças me viu e gritou ‘olha o quebra-queixo saboroso!’. Foi quando percebi o sucesso dos vídeos”, conta Pereira. Mas, outro ingrediente faz os doces feitos por Pereira ganharem o público: o carisma e

contraponto MANTENEDOR Ser Educacional REITOR Prof. Dr. Eloi Lago DIRETORA ADJUNTA DOS CURSOS DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS Profa. Dra. Miriam Bevilacqua COORDENADORA DOS CURSOS DE JORNALISMO, PUBLICIDADE E PROPAGANDA E FOTOGRAFIA Profa. Dra. Flávia Delgado

EDITORES Prof. Esp. Alex Francisco Profa. Me. Lislei Carrilo REDAÇÃO Daiane Crema, Edilaine Tenório, João Paulo Silvino, Jhonatan Silva, Suellen Vitória, Thais Nunes e Yasmin Abbud PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Prof. Esp. Alex Francisco

a generosidade do vendedor. Maria de Fátima Barbosa, comerciante do bairro Cocaia, em Guarulhos, é a prova das qualidades do ambulante. “Para aqueles que não podem comprar, ele faz questão de oferecer um pedaço. Sempre que passa pela rua, pergunta se a pessoa está bem. A humildade de Moisés reflete no trabalho dele”. Por conhecer muitos bairros da cidade, Pereira vê de perto os problemas que ele e os clientes enfrentam todos os dias. “Passo por comunidades e vejo que a prefeitura oferece poucas oportunidades aos moradores. Não há lazer, não há saneamento. Isso precisa mudar”, critica ele, que também foi impactato pela pandemia do coronavírus (Covid-19). “Por quase um mês fiquei sem sair de casa. Parou o trabalho, mas as contas não”. Com a retomada, Pereira segue todas as normas de higiene e segurança para voltar às ruas. “Saí com medo de me arriscar e não vender nada, mas, me surpreendi. Com mais pessoas em casa, as vendas aumentaram. Lucrei mais na pandemia do que em dias normais”, conta.

ENDEREÇO UNG Campus Centro Praça Tereza Cristina, 88 CEP: 07115-280, Centro, Guarulhos - SP www.ung.br Instagram @ecos_ung | Facebook @UnGECOS Confira todas as edições em issuu.com/jornalismoung Contraponto é um jorna laboratório produzido por alunos do curso de Jornalismo da UNG.


contraponto

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cidade

Pandemia muda rotina e rituais de aldeia guarulhense

Academia de pedra auxilia jovens no combate às drogas Projeto realizado na Casa Eterna Morada, em Itaquá, faz sucesso e reúne amantes do fisiculturismo

Uma academia feita de pedra, com halteres e anilhas produzidas com cimento e cano PVC para deslizar na barra ganha destaque na Casa Eterna Morada, um centro de apoio ao dependente químico, que atua há cinco anos em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo. A “academia raiz” foi idealizada pelo serralheiro Reinaldo de Paula. Ele teve ajuda de amigos e donos de academias da região, que doaram máquinas para ajudar o projeto. Os treinos são oferecidos aos jovens no período de seis a nove meses do tratamento oferecido pela instituição, para que possam desenvolver disciplina por meio de atividades físicas. Assim, a iniciativa têm sido um apoio aos internos em recuperação. “Os treinos têm dado a mim estabilidade física e mental nos momentos de estresse e abstinência”, conta o ajudante geral Manoel Giovanni da Silva. Há sete meses em tratamento, o ajudante geral Maksuel Alves Vieira Rocha conta que teve ensinamentos durante os treinos na academia. “Devemos sempre concluir o que começamos, e com as atividades distraio a mente e evito maus pensamentos”.

No comando do projeto, De Paula se tornou, segundo os alunos, um exemplo a ser seguido. Desde a juventude, o treinador pratica musculação, mas um desentendimento familiar o levou para as ruas de São Paulo, onde passou a conviver com a realidade da Cracolândia, no Centro. Na época, ele havia se tornado um viciado em cocaína e crack. “Todo meu esforço, e tudo que eu fazia era para alimentar meu vício”, lembra ele, que esteve três anos em situação de rua e no tráfico, e passando também pelo sistema penitenciário, local onde observou uma academia improvisada, que viria a ser a inspiração para o projeto na Casa Eterna Morada. “Não tínhamos máquina de supino, anilhas e muito menos halteres. Era só o foco e o sonho”, complementa o treinador O sucesso da “academia raiz” em Itaquá é tanto, que o local recebe a visita de amantes de fisiculturismo todos os dias. A estrutura conta com dois bancos de supino, dois aparelhos de remada alta e baixa, legpress, três pneus de caminhões pendurados, simulando o saco de pancadas e diversos halteres e anilhas feitos de cimento para treinos livres, podendo trabalhar todos os grupos musculares.

Mais de 110 indígenas da Filhos Desta Terra, que reúne sete etnias, foram testados entre junho e julho; 28 pessoas contraíram Covid-19 Divulgação / PMG

| JOÃO PAULO SILVINO

Índígenas da Filhos Desta Terra são atendidos pelos profissionais das UBSs da cidade | SUELLEN VITÓRIA

João Paulo Silvino

O treinador Reinaldo de Paula (à esq.) e o aluno Maksuel Alves Vieira Rocha, que treina na academia feita de concreto e PVC

Em março, quando a Prefeitura de Guarulhos decretou calamidade pública devido à pandemia de Covid-19, alguns casos de indígenas infectados já haviam sido confirmados na aldeia Filhos Desta Terra. A Unidade Básica de Saúde (UBS) dos bairros Cabuçu e Soberana, em parceria com o Instituto Butantan, testou 119 indígenas entre os meses de junho e julho. Na ocasião, foram identificados 28 pessoas com coronavírus. O líder da etnia Tupi, Awa Kuaray Wera, 48 anos, conta que a pandemia afetou a rotina de toda a aldeia. “Não estamos participando de feiras, nem vendendo nosso artesanato, muito menos fazendo nossos trabalhos e rituais coletivos. Temos que seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde [OMS] para diminuir a transmissão da Covid-19”. A maioria dos indígenas veio do Nordeste. A aldeia é multiétnica e reúne sete etnias: Kaimbé, Pankararé, Pankararu, Wassu-Cocal e Xucuru, mas apenas os Tupis e os Pataxós falam a língua nativa. Segundo o líder Wera, falta saneamento

básico no local desde 2017. Então, para manter a higiene na aldeia, instalaram uma ligação clandestina de água. Para sobreviver durante a pandemia, alguns indígenas trabalham fora da aldeia ou recebem doações de cestas básicas. A maior referência de saúde indígena na cidade é a UBS Cabuçu, onde 101 indígenas foram cadastrados nos serviços de atendimento. Estima-se que 60 deles vivem na aldeia Filhos Desta Terra, e até novembro de 2020, nenhum óbito por Covid-19 foi registrado. Os líderes das etnias têm acesso direto, via WhatsApp, ao gerente da UBS Cabuço, Victor Hugo Frozel Sena. “Temos duas equipes em nossa UBS. Os indígenas são referenciados pela Equipe 114 e atendidos pelo médico Rafael Nunes e pela enfermeira Célia Riberio. Alex Dias, um dos nossos agentes de saúde, vai até a aldeia duas vezes por semana para checar se está tudo bem”, explica Sena. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 apontam que 41.794 vivem no estado de São Paulo. Destes, 12.977 vivem em contexto urbano, e 1.434 na ci-

dade de Guarulhos. A capital paulista tem o maior número de indígenas vivendo em contexto urbano, é a quarta maior população de indígenas entre as demais cidades, o que não impede que a população sofra preconceito. “Os indígenas não são como aqueles do passado. É preciso conhecer a realidade desses povos para que não aconteça um ‘covidcídio’”, comenta o sociólogo e indígena da etnia Guarani, Emerson de Oliveira Souza. O sociólogo alerta que o cenário é conturbado. “Tem a presença da bancada ruralista que odeia os povos indígenas e um ministro do Meio Ambiente que não gosta do meio ambiente. Se as ações do Estado continuarem equivocadas e tardias, etnias inteiras podem ser extintas”, reflete. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou, com vetos, o projeto que tinha como objetivo medidas para tentar proteger povos indígenas durante a pandemia de Covid-19. Segundo dados divulgados pela Articulação de Povos Indígenas do Brasil (Apib), até outubro, 38.338 indígenas foram infectados e 866 morreram.


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contraponto

economia | JHONATAN SILVA

Em 2019, o setor de alimentos orgânicos faturou no Brasil mais de R$ 4 bilhões e registrou alta anual de 15%. Em fevereiro deste ano, um pouco antes da pandemia de Covid-19, a Associação de Promoção de Orgânicos (Organis) estimava uma alta de mais de 10% na produção. Com o cenário pandêmico e o isolamento social, o setor aumentou em 50% no varejo e triplicou a produção. Porém, devido a pandemia, o acesso até esses alimentos, seja em mercados ou feiras livres, está mais restrito, além dos preços altos e da instabilidade econômica. Segundo a Organis, os produtos orgânicos podem custar até 200% a mais em relação a produtos convencionais. “Alimentos orgânicos são caros. Agora, com o aumento dos preços dos alimentos, fica quase impossível ter uma alimentação 100% orgânica”, explica Stella Caires, 23 anos, estudante de Publicidade e Propaganda. Como o cenário atual é de adaptação, para manter esse estilo de vida algumas estratégias foram tomadas para que o consumo mais saudável não ficasse de lado. Com os preços cada vez mais altos nas prateleiras, e o momento de distanciamento social, o plantio de orgânicos em casa se tornou a opção mais viável. Stella passou a cultivar tomate, alface e rúcula em casa. “Eu mesma planto o que como. Tenho opções de alimentos orgânicos à disposição em casa, desde ervas a árvores frutíferas, além de ovos”, conta ela. Pets também receberam atenção com uma alimentação mais saudável. Durante a pandemia, a estudante de química, Júlia Almeida, 19 anos, iniciou o plantio de milho para acrescentar na alimentação de seus animais de estimação. “Consumo bastante e utilizo também para a ração dos meus pets, por isso comecei um plantio específico para eles”, explica ela, que é consumidora de alimentos orgânicos há dez anos. O nutricionista Felipe Castro Bomfim valoriza os benefícios de uma alimentação com produtos orgânicos. “Uma alimentação a base de orgânicos é mais natural, traz maiores benefícios à saúde, pois não vamos ingerir nenhum alimento que tenha contato com produtos químicos, como agrotóxicos, transgênicos, hormônios e antibióticos”, finaliza.

Com renda comprometida, trabalhadores se reinventam Segundo dados do IBGE, desemprego aumentou 20,9% no Brasil; abrir o próprio negócio ou ter um segundo emprego são alternativas Arquivo Pessoal

Consumo de orgânicos cresce na pandemia

Caroline Eduarda de Andrade (à esq.) e Ivana Marques começaram a vender marmitas saudáveis | DAIANE CREMA

A pandemia de Covid-19 mudou a realidade dos brasileiros em relação a trabalho. De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre maio e julho, o desemprego aumentou 20,9%. Com o dinheiro do mês ameaçado, muitas pessoas passaram a ter um segundo plano para a renda. Foi o que aconteceu com as amigas Ivana Marques Xavier, 32 anos, e Caroline Eduarda de Andrade Zamai, 29 anos. As duas trabalhavam no setor da aviação. “Ficamos desempregadas, e a pandemia afetou muito o nosso setor.

Chegamos a procurar emprego em outras áreas, mas está muito difícil voltar ao mercado de trabalho”, conta Ivana. Durante o isolamento social, as amigas começaram a produzir marmitas saudáveis, para consumo próprio, e postaram nas redes sociais. Depois que os amigos perguntaram se elas estavam dispostas a vendar, elas encontraram uma maneira de se recolocarem no mercado. “A pandemia abriu portas para as pessoas mudarem suas carreiras e estilo de vida”, afirma Ivana. “Com certeza nós vamos manter nossa nova atividade e colocaremos mais opções em nosso cardápio”, complementa.

O psicólogo especialista em orientação vocacional Gleidson Martins explica que o trio desemprego, ansiedade e isolamento social afetou a criatividade de algumas pessoas. “De um lado, vimos um grupo de indivíduos que aproveitaram o momento para se reinventar. De outro, pessoas que se viram desoladas, sem rumo, completamente perdidas. O ‘novo normal’, vinculado pela mídia, gerou em algumas pessoas a necessidade de se fazerem produtivas o tempo todo. Do ponto de vista da saúde emocional, isso também não foi visto como algo saudável, aumentando o nível de ansiedade”. Mesmo com o desemprego

crescendo durante a pandemia, houve quem decidiu procurar uma nova atividade em meio às incertezas da doença. “Comecei a trabalhar em dois empregos por medo de que, por conta da quarentena e de um possível lockdown, o meu primeiro trabalho, que é comissionado, acabasse fechando e eu ficaria sem nenhuma renda, ainda mais agora que tenho um bebê”, conta Thiago Ribeiro, 28 anos, que, durante o dia é escrevente do 1º Cartório de Notas de Guarulhos e, à noite, agente de portaria na Prefeitura de Guarulhos. Segundo Ribeiro, a oportunidade surgiu no fim de fevereiro, às vésperas da pandemia. “É bem difícil conciliar família e vida social quando se tem dois empregos. O tempo é super escasso e o cansaço muito grande. Mas, nas horas de folga sempre dá pra tirar um tempo pra assistir um filme com a família”, explica. “Acredito que, quando essa crise passar e as coisas começarem a ‘voltar ao normal’, vou deixar o segundo emprego para poder ter mais qualidade de vida e mais tempo em casa, porque viver assim, trabalhando em dois lugares diferentes, é muito desgastante”, complementa o trabalhador. Para o psicólogo Martins, essa cultura das pessoas buscarem uma nova fonte de renda tornou-se comum por necessidade, mas a ansiedade durante a crise sanitária também afetou na decisão. “É natural termos um nível de ansiedade, porém, com o isolamento social e as incertezas no mundo do trabalho isso se exacerbou tendendo para um modelo disfuncional do comportamento”, conclui.

Reformas aquecem a economia e despertam criatividade

Com mais tempo em casa, moradores adotaram métodos como a bricolagem para gastar menos | YASMIM ABBUD CAMELO

Com a pandemia, muitas pessoas passaram a ter mais tempo em casa e começaram a notar que o lar precisava de alguns reparos. Quem passou a trabalhar em sistema home office também precisou pensar em como parte da moradia podia se tornar uma ambiente confotável para o trabalho. Nas redes sociais é possível observar usuários compartilhando os pequenos reparos que fizeram em casa, as chamadas “obras formiguinha”, jargão do setor civil para mudanças feitas por conta própria, com o método da bricolagem ou do modo convencional, ao contratar profissionais autônomos. Essa onda contribuiu para a economia do setor da cons-

trução civil se manter em movimento. Segundo o Indicador de Varejo da Cielo (ICVA), entre março e julho, o faturamento de materiais de construção foi o segundo que mais cresceu no país, ficando atrás apenas de supermercados. Com esse cenário, reparos que eram postergados antes da pandemia puderam, de fato, ser realizados com mais tempo para planejar e executar. A estudante Beatriz Frutuoso Silva, 19 anos, não ficou satisfeita com a reforma que fez em seu quarto, em 2016. Em isolamento, ela conseguiu tirar do papel o projeto da nova reforma: contratou profissionais para pintarem e trocarem o piso, e fez tudo mantendo as devidas medidas de distanciamento. Ela também se arriscou na

bricolagem e pesquisou tutoriais na web para fazer decorações criativas para o ambiente. “Estou comprando materiais para fazer uma luminária pendente. É um projeto simples, que vou economizar bastante”. A bricolagem pode ser utilizada para economizar uma boa quantia. Foi o caso do autônomo Thomas Silva da Mata, 19 anos. Na pandemia, ele e o pai mudaram completamente um quarto, trocaram a pintura e fizeram móveis com paletes e caixotes de madeira. “Meu pai guarda muito material, então já tínhamos a tinta dos caixotes, a das paredes. Os paletes eram da empresa [onde trabalha com o pai] e de feirantes, que iriam jogar fora”, conta. “Parece que mudamos de casa. Uma mudança assim causa uma

sensação boa, como quando você compra algo novo. É uma renovação de energias”. Apesar de a bricolagem ter sido uma grande febre em todo tipo de reforma durante a pandemida de coronavírus, algumas pessoas ainda preferiram mudar da maneira antiga: comprando produtos prontos e novos. Geovanna Maria Pignatari, estudante de 23 anos, conta que reformou a sala de casa na pandemia, aproveitando o tempo livre e uma oportunidade financeira que surgiu. Ela mandou pintar a casa toda e comprou novos móveis para a sala. “Fui buscar inspiração nas redes sociais para novos itens para a casa. Optei por cores que combinassem com a decoração e mantivesse o ambiente harmônico”, comenta.


contraponto

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OUTUBRO / NOVEMBRO 2020

saúde Inseminação ajuda casais a realizar sonho Fertilização in vitro tem 65% de chance de sucesso, mas porcentagem depende da idade da mulher e cai após os 40 anos

Desde os 19 anos, a auxiliar administrativa Juliana Bonacina sabia que tinha problema com ovulação e que precisava de tratamento para ter filhos. Foi o que fez após se casar. Depois de vários exames e tentativas, ela e o marido optaram pela fetilização in vito. Com o sonho realizado, o casal foi surpreendido com uma gestação de gêmeas. “Não quis escolher o sexo. Queria me surpreender, e nasceram Alice e Cecilia”, lembra Juliana. A realidade da auxiliar administrativa é muito comum na vida daqueles que não conseguem ter filhos por problemas de saúde, como infertilidade, miomas e síndrome do ovário policístico. A inseminação, uma técnica cientificamente realizada desde 1779, torna-se a opção viável. O tratamento consiste na introdução dos es-

permatozoides no útero, com objetivo de realizar a fecundação do óvulo. Além da inseminação artificial, existe a técnica de fertilização in vitro, que consiste em uma coleta de gametas masculinos e femininos, para que a fecundação aconteça em um laboratório, em ambiente controlado e, depois, transferido para o útero da mãe. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que o número de fertilizações por meio de inseminação artificial cresce no Brasil. Segundo o 12° Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), em 2018, foram realizados 43.098 ciclos de fertilização in vitro, enquanto em 2017 foram 36.307 procedimentos. Segundo o médico especialista em reprodução humana, Daniel Faúndes, para que uma inseminação artificial tenha sucesso é necessário que a mulher

tenha, pelo menos, uma das tubas uterinas permeáveis ou seja, aberta. “As tubas das mulheres devem ser mais abertas para que ela consiga ovular com medicamentos, e o marido precisa ter uma amostra seminal mínima 5 milhões de espermatozoides/ml”, explica. “Depois é feita a capacitação espermática [preparação que é feita da amostra seminal no laboratório antes da inseminação] ou fazer uso do banco de sêmen”, complementa o médico Faúndes. A inseminação artificial, segundo o especialista, tem 16% de texa de sucesso. Já uma fertilização in vitro, a média de 65%. Mas, na medida em que a idade da mulher aumenta, a taxa de sucesso diminui, em especial após os 40 anos. Aos 50 anos, a dona de casa Rosemeire Lima, que é mãe de três filhos, começou um novo relacionamento. O novo parceiro não tem filhos, e ela

Atue em redes sociais, portais de notícias, TV, rádio, jornais, revistas, fotojornalismo e um universo de possibilidades.

JORNALISMO É NA UNG!

Arquivo Pessoal

| THAIS NUNES

Rosimeira Lima e o marido querem realizar o sonho dele ter um filho

começou um tratamento para engravidar, já que tem laqueadura há 19 anos - e esse é um processo irreversível. A opção, foi procurar por fertilização in vitro. O casal espera começar o

tratamento em 2021. “Precisarei usar óvulos doados, e minha filha irá doar. Fiquei muito feliz pela atitude dela, e por poder fazer esse sonho que divido com o meu marido”, conta.


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OUTUBRO / NOVEMBRO 2020

contraponto

saúde

Mau funcionamento do intestino pode causar problemas emocionais

Com parques abertos, prática de exercícios requer mais cuidados

Médico explica que alimentação saudável é essencial para o sistema digestivo

Médicos acreditam cada vez mais que a função do sistema digestivo vai muito além de processar a comida que ingerimos, e que há uma relação entre o bom funcionamento do intestino e as questões emocionais. “Algumas doenças do sistema digestivo podem alterar a qualidade de vida e ocasionar indiretamente problemas emocionais, como irritabilidade, tristeza, ansiedade e até depressão”, diz o médico gastroenterologista Túlio Medeiros. O intestino é considerado por muitos médicos o segundo cérebro, por conter cerca de 500 milhões de neurônios que regulam a peristalse (movimento involuntário do intestino), sensibilidade, absorção de nutrientes e demais funções intestinais. “O sistema nervoso intestinal funciona de forma independente do cérebro, mas apresenta intima conexão com ele. Falhas nessa comunicação podem desencadear interpretações erradas dos estímulos nervosos e promover o aparecimento de alguns sintomas, como constipação, diarreia, dor e distensão abdominal”, afirma o gastroenterologista. Idalino Correia Caires, 54 anos, trabalha como líder de manutenção predial e relata que, após uma crise de nervoso, passou mal e teve que ir ao médico. Foi quando descobriu que tinha gastrite nervosa. “Gerou em mim irritabilidade

e fiquei ansioso, pois as crises aconteciam de repente ocasionando dores estomacais, tonturas e mal estar”, conta. A professora de educação física Patrícia Ramos da Silva, 42 anos, relata que, depois de descuidar da alimentação e não tomar água com frequência, começou a sentir dores no estomago e dificuldades de ir ao banheiro, além de mudanças repentinas de humor, que a levaram a consultar um medico. Após exame de colonoscopia, constatou que estava com irritação no intestino. “Tive que cortar da alimentação leite e derivados. Foram dois meses sofrendo”, relata Patrícia. “Após um longo processo de reeducação alimentar, hoje consigo dar aulas sem dores e sem estresse e ir ao banheiro todos os dias”, diz a professora.

Cuidar para o bom funcionamento do sistema digestivo pode, mesmo que de maneira indireta, ajudar no tratamento de doenças como a depressão e a ansiedade. “O controle das doenças intestinais, principalmente aquelas que alteram muito a qualidade de vida, como a Síndrome de Intestino Irritável e as doenças inflamatórias [retocolite e doença de Crohn], com certeza melhoram os sintomas de ansiedade e depressão do paciente”, diz o médico Medeiros. Segundo o especialista, o bom funcionamento do intestino está diretamente relacionado a hábitos alimentares saudáveis. “Uma alimentação equilibrada e balanceada, com ingestão regular de fibras, frutas e verduras, é essencial para um intestino saudável”. Pixabay

| JOÃO PAULO SILVINO

Ilustração mostra o sistema digestivo humano

Festas devem ter apenas moradores da casa | JUNIOR CONEGLIAN LEIAJÁ SP

O fim de ano se aproxima e com ele o período das festas, que reúnem familiares e amigos. Há sempre a expectativa de organizar as noites de Natal e Réveillon, onde os consumidores movimentam os centros das cidades e os supermercados em busca de enfeites e ingredientes para as tradicionais ceias. Porém, em 2020, as festividades pedem maior cautela por causa da pandemia de coronavírus (Covid-19). Diante de crise sanitária, a reunião de pessoas para os festejos torna-se um impasse. “O ideal é que as comemorações sejam feitas apenas pelos residentes da casa”, recomenda o médico epidemiologista

José Geraldo Leite Ribeiro, do Grupo Pardini. “Se esta não for uma opção viável, é imprescindível que todas as medidas de segurança sejam atendidas”. As medidas precisam seguir a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das autoridades de saúde, com o uso de máscaras, manter o distânciamento e usar álcool em gel, entre outras. “É preciso pensar que a partir do momento que você se aproxima de alguém sem máscara, você se expõe à possibilidade de contágio”, diz Ribeiro. O epidemiologista afirma que para casas de praia, hotéis e clubes este não é o melhor momento de atender os eventos, que costumam aglomerar convidados. A autônoma Marizete San-

tana, 50 anos, é a anfitriã das festas de Fim de Ano na casa de praia que tem no litoral norte de São Paulo. Este ano, ela não poderá reunir os familiares e amigos como de costume. “Acredito e tenho a consciência de que este momento pede maior reclusão. Dessa vez, precisaremos ser mais seletivos por conta da doença [coronavírus], enquanto comemoramos apenas com as pessoas que moram em casa”, comenta. Segundo o epidemiologista Ribeiro, a prevenção é ainda o único método contra a Covid-19. “Ainda não temos vacina, e também ainda não foi comprovada a eficácia da Coronavac [vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela empresa Sinovac Biotech]”.

Arquivo Pessoal

Especialista explica se há motivos para se preocupar com a reinalação tóxica em atividades ao ar livre

Célia Evangelista passou a correr por orientação médica | THAIS NUNES

Depois de quase seis meses de pandemia, a reabertura do comércio e a volta gradativa à normalidade, os parques de Guarulhos, na grande São Paulo, que foram fechados em março, passaram a funcionar nos finais de semana, e muitos aproveitaram para retomar as atividades físicas. Com a restrição dos espaços públicos, muitos praticantes tiveram que se adaptar com o que foi possível. O estudante de Recursos Humano William Patéz, 25 anos, se adaptou do jeito que pôde para continuar os treinos de corrida. Ele corria na ciclofaixa do Parque Cecap. “Faço exercícios há mais de um ano, e, agora, coloco o fone de ouvido e corro no quintal de casa mesmo”, comenta. Com o retorno da ciclofaixa, Patéz voltou a correr. Começou com 3 km e subiu o ritmo até os 7 km. Também adepta dos exercícios ao ar livre há mais de três anos, a chefe de departamento pessoal Cassia Oliveira, 24 anos, explica que estava com receio de se exercitar usando máscara e tocar nos aparelhos da academia. “Corro pela manhã antes de ir ao trabalho e, à noite, faço boxe na academia perto de casa. Esses meses praticamente parei. Fui voltando aos poucos para ver como o corpo reage. Venho tomando todos os cuidados”, conta. Segundo a médica do esporte Lara Ramalho, o recomendado é que o praticante aumente aos poucos o ritmo dos exercícios e não coloque na cabeça o pensamento de correr atrás do tempo perdido. “Todos temos memória muscular. O aumento de volume de treino precisa ser gradual. 10% por semana, seria uma forma mais segura para não se prejudicar”, orienta. O uso da máscara é essencial para quem pratica corri-

da. A líder de produção Ana Célia Evangelista Nunes, 50 anos, conta que vê um número grande pessoas correr sem a proteção. “Comecei a praticar corrida há pouco, por orientação médica. Tenho receio em ir neste momento, mas não corro em grupo, nem toco em aparelhos da praça, e estou sempre de máscara”, comenta. Durante um corrida, o vírus pode ser transmitido em até dez metros depois de onde o corredor passou, segundo a médica Lara. “Então, é importante o uso da máscara sempre durante a corrida, e atrás de pessoas que estão de máscara também, de preferência em zig-zag, porque a distância reduz muito quando se está atrás”, explica. Muitos praticantes ainda têm receio de voltar, pois souberam, até mesmo por médicos e estudiosos, que havia o risco de reinalação tóxica, que seria causada pelo gás carbônico, por conta da proteção da máscara. Porém, não é algo confirmado pela especialista da área da medicina do esporte. “Não existe máscara ideal, mas é extremamente importante usá-la”. Lara ainda aponta que existe um aumento da inalação de CO2, o gás carbônico que é produzido pela respiração, por conta da barreira da mascará. “Você acaba inalando de novo. Você só vai ter esse gás carbônico junto com o O2, que é o oxigênio responsável por tudo que tem dentro de nós funcionar, e o corpo vai querer limpar isso, fazendo com que a frequência respiratória aumente”, explica. Com o uso contínuo da máscara, a pessoa respira mais vezes por minuto, isso pode dar a sensação de sufocamento e falta de ar. “Mas apenas em exercícios de altíssima intensidade. Não é uma reinalação tóxica, e sim uma inalação a mais de gás carbônico, mas o corpo resolve isso”, finaliza Lara.


contraponto

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saúde

diversão Divulgação / Globo Filmes

Psicóloga explica como são os diferentes tipos de sorrisos Pesquisa mostra que expressão verdadeira dura apenas 4 segundos, e que homens e mulheres sorriem de maneiras diferentes na sociedade | EDILAINE TENÓRIO

A coordenadora contábil Ana Carolina Pagliusi e o engenheiro Felipe Carvalho, juntos há quatro anos, rompem a barreira de gênero no quesito sorriso. “Ele sorri mais e acaba me fazendo sorrir também”, diz Carolina. O casal reconhece as mudanças de humor e diferentes tipos de sorrisos um do outro. “Às vezes, queremos esconder algo, mas somos denunciados pelo sorriso”, diz ele. A comunicação não verbal engloba expressões corporais, faciais, gestos, aparência e postura. A psicóloga Heloisa Carla Soares da Silva explica que o corpo emite uma série de mensagens das quais as pessoas fazem interpretações sobre o que queremos dizer ou sentimos através de significados atribuídos culturalmente a cada uma desses sinais. “Quando estamos em um momento de tensão, por exemplo, o sorriso pode ser um aliado”, diz Heloisa. A psicóloga explica que o sorriso do candidato é um fator analisado pelos recrutadores em processos seletivos para empregos. “Um sorriso verdadeiro demonstra maior receptividade e fornece ao entrevistador um sinal de que o candidato está confiante. Já um sorriso não verdadeiro demonstra que a pessoa está desconfotável no processo”, finaliza Heloisa.

Arquivo Pessoal

Após estudar sorrisos por 20 anos, a psicóloga Marianne LaFrance, graduada pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, conta, no livro “Função dos lábios: sorrisos de vida, morte, confiança, mentira, trabalho, memória, sexo e política”, que um sorriso verdadeiro dura apenas quatro segundos, e que os demais é uma questão de sobrevivência, para que não sejamos “lidos” facilmente. Segundo Marianne, os sorrisos são divididos em duas principais categorias: verdadeiros e falsos. Os verdadeiros são expressões genuínas de sentimentos positivos, alegria e satisfação e, geralmente, são rápidos. Os sorrisos falsos são mais longos e não expressam o que o autor está realmente sentindo. Servem para relações entre pessoas e são socialmente úteis. Embora o sorriso, na maioria das vezes, signifique felicidade, não é em todo lugar do mundo que ele é interpretado da mesma maneira. Dar a mão, sorrir, fazer uma reverência, como curvar-se para alguém, são comportamentos que podem demonstrar uma posição social em estruturas distintas. A antropóloga e professora da Universidade Guarulhos (UNG) Ana Claudia Fernan-

des Gomes explica que, historicamente, não era permitido as pessoas sorrirem constantemente. Analisando os quadros da Idade Antiga e Média, os personagens, normalmente, são apresentados de maneira séria. “Existia uma associação de o sorriso ser algo demoníaco. A referência de uma pessoa séria e comportada era muito valorizada na época”, explica. A partir do século XX e da expressão da Arte Moderna e Contemporânea surgiram figuras sorrindo e mostrando os dentes. “O que era considerado sinônimo de poder, pois durante o Brasil colonial, por exemplo, nem todos possuíam dentes”, detalha a antropóloga. “Comer doces era privilégio das classes ricas, e o hábito de higiene bucal tornou-se uma representação social de poder”, complementa Ana Claudia. Segundo a psicóloga Marianne LaFrance, existem diferenças de gênero no ato de sorrir: as mulheres sorriem mais que os homens. O sorriso se mostra como uma máscara social em muitos momentos. As mulheres precisam estar sempre sorridentes, enquanto aos homens cabe estar de “cara fechada”, como forma de demonstração da masculinidade. Entretanto, na prática nem sempre é assim.

Juntos há quatro anos, Felipe Carvalho e Ana Carolina Pagliusi se reconhecem pelo sorriso

O ator Daniel de Oliveira, na cena do filme “Morto Não Fala” (2018)

Filmes de terror e suspense marcam o cinema nacional Produções brasileiras se destacam pela originalidade e trazem à tona nomes que se consagraram no gênero | DAIANE CREMA

Na década de 1960, os filmes de José Mojica Martins (1936-2020), o Zé do Caixão, começaram a ganhar espaço na telona. Com produções como “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964) e “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver’ (1967), o cineasta contribuiu para que o terror cravasse seu espaço no cinema nacional. Para o escritor, tradutor e pesquisador de horror da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/ USP) Oscar Nestarez, os filmes do artista são os maiores marcos do gênero no Brasil. “Por algum tempo, o trabalho de Mojica foi quase isolado. Não havia outro diretor que se empenhasse no horror da mesma forma”, explica. Além disso, o especialista classifica o cinema de terror e suspense nacionais como muito mais do que bom. “O nosso horror é ótimo, às vezes maravilhoso. Concordo com o Carlos Primati quando ele diz que ‘a beleza do cinema nacional de horror é não se preocupar em imitar, com diretores e diretoras que buscam caminhos próprios de expressão”, diz o Nestarez, apontando nomes como Dennison Ramalho, Gabriela Amaral Almeida, Juliana Rojas, Marco Dutra e Rodrigo Aragão. O gestor ambiental Fernando Souza de Almeida, 32 anos, virou fã dos filmes de terror e suspense após assistir roduções independentes. Para Almeida existem ótimas produções do gênero no cinema brasileiro, mas um diretor virou seu favorito. “Os primeiros filmes dirigidos pelo Zé

do Caixão, pela originalidade, atenção aos efeitos práticos, bom uso do preto e branco, evocando o movimento Expressionismo Alemão [19201930], e o estilo de esquetes improvisadas, contempladas pela força de vontade do protagonista em instituir o gênero do terror no Brasil. Legado inquestionado”, conta. Outra entusiasta é a atendente de cinema Tayna Silva Ferreira, 23 anos, que já começou a colocar as séries e filmes em dia desde o começo da pandemia, e afirma que começou a se apaixonar pelos nacionais depois que passou a pesquisar por obras que fugiam do script hollywoodiano. “Um dos melhores filmes de suspense que assisti foi “Bacurau” (2019). O filme retrata várias questões reais do nosso país e diz muito sobre resistência, que nos dias de hoje é um tema muito presente na vida do brasileiro, sendo uma grande crítica social e tendo representatividade e empoderamento para quem assiste”, afirma. O pesquisador Oscar Nestarez comenta que existem muitas obras que marcaram o cinema nacional, e que as pessoas deveriam conhecer para saber como o país tem grandes produções. Ele indica três obras: “O Despertar da Besta (O Ritual dos Sádicos)” (1969), de José Mojica Martins; “A Sombra do Pai” (2018), de Gabriela Amaral Almeida; e “Morto Não Fala” (2018), dirigido por Dennison Ramalho. “Indico por ser um filme que abraça a temática dos fantasmas, mas a atualiza e carrega para um contexto essencialmente urbano / paulistano”, comenta.


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contraponto

diversão

CCXP Worlds será online e com versão gratuita Um dos maiores festivais de cultura geek e nerd, em tempos de pandemia, terá experiência inusitada em painéis virtuais da Marvel Studios, Kevin Feige, e a atriz de “Game of Thrones” (HBO 2011-2018) e “X-Men: Fênix Negra” (2019), Sophie Turner. “Vou sentir falta da energia do pessoal, o contato humano e da experiência de dormir na fila”, complementa. Além das atrações nos painéis, o concurso de cosplay atrai o público. Esse ano, o concurso funcionará de forma hibrida, sendo a inscrição e as primeiras eliminatórias online e a final presencialmente, no palco da CCXP Worlds. Giuliana Mafra Baiochi, estudante de 20 anos, faz cosplay há quase oito anos. É a primeira vez que participa do concurso. Preocupada com os detalhes da roupa, dessa vez, ela começou a se preparar no início do ano. “Agora serei avaliada. A situação é bem diferente e sinto uma obrigação maior de estar com tudo perfeito”. Giuliana vai representar a personagem Vi, do jogo “League of Legends”, e pretende participar do concurso em edições presenciais. “Sou apaixonada por esse tipo de concurso e a maneira como a CCXP faz tudo com muito cuidado, valorizando cada processo na confecção de um cosplay, é incrível. Gostaria que todos os concursos fossem assim. Pretendo participar enquanto a CCXP existir”.

A estudade Giuliana Mafra Baiochi fará cosplay no evento este ano Guilherme Leão Barros

Este ano, a Comic Con Experience, um dos maiores festivais de cultura nerd/geek, recebeu o nome de CCXP Worlds: A Journey Of Hope, e será realizado no formato online, de 4 e 6 de dezembro, por causa da pandemia de coronavirus (Covid-19). O acesso ao evento será por meio de uma plataforma gratuita com pré-inscrição. O acesso aos palcos e painéis será gratuito, mas há a possibilidade de adquirir credenciais pagas que dão acesso a workshops e masterclasses exclusivos. Segundo o site oficial do festival, o formato vinha sendo discutido durante os meses do isolamento. Como é um evento que reúne milhares de pessoas em um só lugar, não poderia ser realizado em seu formato tradicional. Com o anúncio do acesso virtual gratuito, muitos fãs que não participaram de edições passadas, por questões financeiras, puderam fazer sua inscrição grátis. A estudante Giovanna Barbato Silva, 19 anos, conta que vai assistir pela primeira vez o evento por ter acesso gratuito, já que nas edições passadas a questão financeira a impediu de participar. “Tenho grandes expectativas para o evento e acho que vai ser diferente das outras edições, sem a interação direta com os fãs, mas ao mesmo tempo parece ser mais íntimo, como estar em uma webcam com os artistas”, comenta. A estudante revela que está animada para ver a atriz Lana

Parrila, da série “Once Upon a Time” (2011-2018). Outros atores como Sean Maguire, Kathryn Newton, Vince Vaughn, Katee Sackhoff, Jim Beaver, Édgar Vivar e Rodrigo Lombardi, além de quadrinistas como Gail Simone, Humberto Ramos, Jorge Jimenez, estão confirmados. Os palcos tradicionais da CCXP serão mantidos na versão virtual, como o Thunder Arena, onde são feitos anúncios e premières de diversas produções; o Omelete Stage, onde são realizadas entrevistas exclusivas com os convidados; e o Game Arena, que conta com lançamentos e competições. Marcos Vinícius Santos Lordelo, estudante de 19 anos, participará pela primeira vez do evento e conta que está ansioso pelos painéis da Thunder Arena e, espera que sejam confirmados atores do Universo Marvel e DC Comics na atração. “Sempre acontece alguma grande revelação, seja o anúncio de um filme ou seu trailer, ou então um jogo novo que será lançado. Estou bem curioso e ansioso”, comenta. Além do público novato, aqueles que já participaram em outras edições também pretender assistir no formato online. Guilherme Leão Barros Martins, estudante de 18 anos, esteve nas convenções de 2018 e 2019. “Mesmo sendo virtual, acho que a CCXP ainda pode me proporcionar mais experiências incríveis”, revelou. Ele ainda conta que as melhores lembranças que têm do festival são de quando viu o presidente

Arquivo Pessoal

| YASMIM ABBUD CAMELO

SERVIÇO CCXP Worlds: A Journey of Hope. Quando: de 4 a 6 de

dezembro. Onde: www.ccxp. com.br. Ingressos: desde acesso gratuito a credenciais pagas de até R$450,00 + frete.

Painel com o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige

Uma revista nova, leve e antenada. A gente fala de cultura de um jeito diferente. Seja cult. Seja Cultcom. edições disponíveis no issuu.com/jornalismoung 100 95 75


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