Pres tes a e xplodir
Brunner Macedo
JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO UFU ● ANO 02 ● Nº 06 ● DEZEMBRO/2011 - JANEIRO/2012
Fim de período pode causar es tresse em es tudantes universitários [ 3 ] ATUALIDADES: Moradia estudantil deve ser entregue em 2012 [3] • Idosos conquistam mais espaço no ensino superior [4] • CIÊNCIA: Projeto busca melhorar qualidade de vida de travestis [5] • Alunos da UFU reinventam o clássico "jogo da cobrinha" [6] • CULTURA & LAZER: Deficientes visuais praticam futebol na universidade [7] • Banda " SaiaJeans" apresenta música japonesa em Uberlândia [8]
Editorial
Jeitinho brasileiro
Final de semestre na universidade é sempre a mesma coisa: trabalhos, provas, pesquisas e tudo que for possível para ser aprovado. O problema é que as pessoas têm o costume de deixar tudo para a última hora, o chamado “jeitinho brasileiro”. Esse acúmulo de tarefas e responsabilidades pode acarretar problemas na saúde dos estudantes. O estresse é o sintoma mais comum nesses períodos. O sono já não é mais o mesmo, um bom desempenho se torna obrigação e, às vezes, o fato de morar longe da família contribui para o típico desgaste físico e mental. O organismo começa a responder. Entram em ação inibidores de sono. Um consumo exagerado
COMENTÁRIO
Travessias para a segurança
destes só piora a situação. Dormindo, o corpo descansa e armazena o que é aprendido durante o dia. É inegável que muitas coisas se acumulam no final, mas não é com energéticos e cafeína que a situação ficará melhor. Boa alimentação, exercícios físicos e boas condições de lazer são as alternativas. Manter a cabeça arejada e sem muitas preocupações, também. A melhor saída é organizar a vida estudantil durante o semestre e não deixar muitas atividades para um único mês. Mesmo assim, todos merecem o descanso como recompensa. Então, boas festas e um próspero ano novo. São os votos do Senso (in)Comum.
A Universidade Federal de Uberlândia, por meio da Diretoria de Obras da Prefeitura Universitária, elaborou o projeto e realizou a instalação de travessias elevadas no campus Santa Mônica, no mês de agosto. Foram construídas 30 lombadas que funcionam como redutores de velocidade. A medida visa a diminuir o índice de acidentes, que contabiliza neste ano de 2011 dois atropelamentos, e também garantir aos alunos com necessidades especiais uma maior acessibilidade no espaço interno da UFU. As lombadas foram construídas em vários pontos da faculdade, como nas portarias de acesso das avenidas João Naves de Ávila e Segismundo Pereira e nas principais ruas que cortam o campus.
Olhe o todo e não só as partes Bazinga!
Amanda Pereira
Se os acidentes de trânsito são hoje uma das principais preocupações da população de uma forma geral, na comunidade acadêmica ela é ainda maior, uma vez que os pedestres são maioria. Mesmo que no início esta novidade de travessias elevadas causasse em nós, estudantes, certa estranheza e incompreensão, foi entendido com o tempo que a medida adotada pela faculdade era realmente necessária para garantir a segurança de todos. Porém, não adianta somente construir as lombadas e achar que todos os problemas da logística do trânsito no interior da universidade foram resolvidos. É preciso uma campanha de conscientização que esclareça e torne potencial o respeito que deve existir entre pedestres e motoristas do campus.
VOZES
Ana Beatriz Tuma
Os Programas de Saúde da Família (PSFs) foram criados em 1993, no governo Itamar Franco, com o intuito de promover a saúde, prevenir e reabilitar os pacientes portadores das doenças mais freqüentes, que são excluídos do serviço de saúde pública. Os PSFs são constituídos por equipes multiprofissionais compostas por um médico, quatro agentes comunitários e um enfermeiro e/ou auxiliar de enfermagem, que atendem, no máximo, 1000 famílias de determinada comunidade, a qual, normalmente, é periférica. No entanto, o atendimento não abrange a todas as pessoas que necessitam dele. Segundo o Ministério da Saúde, para se implantar um PSF é considerado que a maior parte da população da cidade (70%) depende do serviço público de saúde, mas isso não é seguido à risca pelos municípios. Tendo Uberlândia como exemplo, pode-se afirmar que apenas 33% do público-alvo dos Programas de Saúde da Família são atendidos pelas 42 equipes, que, na verdade, deveriam ser 126 na Cidade. Além disso, em Uberlândia, há problemas nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs), que, geralmente, abrigam os
PSFs. “Nos PSFs que existem, as estruturas físicas não são boas, não são adequadas, não existe um número suficiente, às vezes, de consultórios, ou mesmo a infraestrutura da casa que está alocado o PSF não está boa em todos os lugares”, explica a médica de família Naíra Medina Ribeiro, que atua na UBSF Morumbi IV. A realidade deveria ser diferente, visto a importância de se ter próximo, principalmente das comunidades periféricas, os PSFs, pois, pelo menos a saúde, seria uma garantia. No atendimento, o médico segue os conceitos da área, como a atenção de primeiro contato: integrada, que busca olhar o ser humano como um todo e não os órgãos separadamente; e contínua, considerando-se também o contexto social e a situação de vida, como econômica, as relações afetivas etc., do paciente. Os governos municipal, estadual e federal devem também seguir os conceitos da medicina de família e comunidade para verem que, no caso de Uberlândia, o “todo” da população excluída pelos serviços públicos de saúde precisa do atendimento de bons PSFs e não só “partes”, os 33% beneficiados com o atendimento atualmente.
Expediente
ciência
Editora-chefe: Natália Nascimento Sub-editores: Ana Beatriz Tuma, Ana Clara Reitor: Alfredo Julio Fernandes Neto/ Diretora Maceo, Ana Flávia Bernardes, Andrêssa Lis, Angélica Guimarães, Bruna Isa Sanchez, Letícia da FACED: Mara Rúbia Alves Marques/ Coordenadora do curso de Jornalismo: Adriana Alessi, Maria Tereza Borges, Renata Ferrari e Renato Faria Omena/ Professoras responsáveis: Ana Spannenberg, Angela Grossi, Mirna Tonus e Mônica Rodrigues Nunes/ Edição de capa: Letícia Alessi e Nayla Gomes/ Edição de fotografia e Editora-chefe: Valquíria Amaral arte: Ana Clara Macedo, Brunner Macedo e Sub-editores: Ana Gabriela Faria, Clarice de Renato Faria/ Edição de opinião: Deisiane Freitas, Gisllene Rodrigues, Karla Fonseca, Cabral, Ronian Carvalho, Valquíria Amaral e Lucas Bonon, Lucas Martin, Patrícia Alves, Vanessa Duarte/ Revisão: André Victor Moura, Vanessa Borges, Victor Masson e Yara Diniz José Pedro Bezerra, Laura Laís, Lucas Martin, Marcos Reis e Mariana Goulart, Sabrina Tomaz/ Monitoria: Eric Dayson, Lucas Felipe Jerônimo As imagens que foram utilizadas na página 8, nas e Marina Martins/ Finalização: Danielle Buiatti seções Senso Musical, Página Aberta, Sessão Pipoca e Penso, Logo Clico, são de divulgação.
cultura e lazer
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Brunner Macedo
CASOS E ACASOS
Clichê: lixo no lixo Sábado a noite, eu estava andando pelo bairro procurando algum lugar tranquilo para comer. Encontrei uma lanchonete, fiz meu pedido e fiquei aguardando na praça em frente. Depois de algum tempo, o rapaz do caixa acenou. Peguei o pacote e segui andando. Passei por uma esquina, numa rua bem movimentada, toda imunda de lixo. Além do mau cheiro, havia baratas por toda parte. As crianças que brincavam ali pareciam nem notar aquele descaso público. Reparei também nas pessoas. Um senhor, já com seus 70 e poucos anos, sentado em um banco me chamou a atenção. Simplesmente estava lá, ignorando o resto do mundo. Usava uma boina marrom e trazia consigo uma bengala já bem surrada, além de uma sacolinha plástica. Logo que ele se levantou, vi que tinha
Yara Diniz
esquecido a sacolinha no chão. Depressa apanhei-a e saí correndo atrás do homem. Eu lhe entreguei. Ele nada disse, apenas me olhou direto nos olhos por um momento interminável. Depois só assentiu com a cabeça e voltou a andar. Voltei para o meu banco, comi, fiz uma horinha e fui embora. No caminho avisto à frente o tal homem. Vi o que me intriga até agora: ele joga a sacolinha no lixo. Deveras fiquei confusa. Lembrei da imundice dos entulhos da esquina, das crianças e das baratas. Se, por um acaso, o tal homem se sentiu envergonhado quando eu lhe entreguei o lixo que ele deixou na praça, e por isso jogou fora, ótimo! Embora não tenha sido meu propósito, tenho certeza que aquele indivíduo vai pensar duas vezes antes de largar qualquer papelzinho de bala por aí.
RESENHA
O Clube do Filme
Você tiraria seu filho da escola? O crítico e escritor David Gilmour, tirou e propôs uma educação alternativa. O garoto Jesse poderia sair da escola desde que assistisse três filmes por semana escolhidos por seu pai, pois David era um ex-crítico de cinema. Jesse aceitou, já que estava reprovando no ensino médio. Essa escolha do canadense David Tiragem: 2000 exemplares Gilmour é contada no livro "O Clube do Filme" Impressão: Imprensa Universitária/Gráfica UFU ( The Film Club). Na obra, são mostradas as E-mail: sensoincomumufu@gmail.com discussões semanais de pai e filho sobre vários Blog: sensoincomumufu.blogspot.com destaques do cinema: A Doce Vida, Instinto Twitter: @_sensoincomum Selvagem, O Poderoso Chefão, entre outros. Telefone: (34) 3239-4163 O livro foi lançado no Brasil em 2009 e
Nayla Gomes
agradou muitos leitores por ser uma história simples e dinâmica. Porém, deve-se conhecer muito sobre cinema ou pesquisar bastante. David Gilmour é um grande crítico cineasta, por isso vários filmes comentados por ele no livro chegam a ser desconhecidos por grande parte do público. "O Clube do filme” não fala apenas sobre filmes, seus diretores, produtores e atores. O livro se destaca por mostrar a atitude “estranha” que um pai teve para “educar” seu filho adolescente e a possibilidade de ter uma conversa aberta com o filho, neste caso, por meio do cinema.
MUNDO UNIVERSITÁRIO
Estresse pode prejudicar estudantes
Inibidores de sono são alguns dos recursos usados para enfrentar final de semestre Renato Faria
Acúmulo de atividades exige determinação de alunos no fim do período
A
rotina dos alunos no fim dos semestres apresenta um número considerável de atividades: provas, entrega de trabalhos, seminários, preocupação com notas, estágios, finalização de projetos e pesquisas. Isso gera estresse na vida dos discentes, uma vez que os cursos exigem desempenho na execução de tarefas, responsabilidade e compromisso.
O estresse é uma resposta do organismo às situações do cotidiano, decorrente das pressões, da correria e da acumulação de atividades em um curto espaço de tempo, explica a médica Maria Tereza Queiroz de Morais. “Quando a pessoa está estressada, é porque ela tem uma sobrecarga de atividades no seu dia a dia. Ela começa a ficar cansada, desestimulada,
apática e perde totalmente o ânimo”, declara. A saúde pode ser afetada com o excesso de trabalho e a falta de descanso, podendo desencadear doenças e transtornos psicológicos. “É como se as defesas baixassem. A gente vai tentando de tudo para sobreviver às questões, mas chega um momento em que o organismo não suporta tamanha carga”, explica Fanny Melo, psicóloga e especialista em psicanálise. Jéssica Belchior, estudante do curso de Engenharia Civil da UFU, diz que já pensou em procurar auxílio de psicólogos pelo fato de se preocupar exageradamente com seu desempenho nas disciplinas. “Dores de cabeça são contínuas, depois de passar o dia inteiro na faculdade. Já procurei médicos e a opinião geral é que o principal motivo é o meu estresse cotidiano com estudos e atividades relacionadas”, conta. Fatores externos também podem auxiliar no desenvolvimento do estresse, como é o caso da graduanda Mariana Sivieri Lambertucci, do curso de Fisioterapia da UFU, que mora longe dos pais para estudar. “Sinto falta de ter pessoas ao meu lado me ajudando a superar as dificuldades na faculdade. Às vezes, penso em desistir e voltar para casa”, relata. Maria Tereza recomenda aos alunos que organizem melhor o tempo para realizar as atividades exigidas pela universidade, dormir no mínimo oito horas por dia, fazer exercícios físicos, dedicar um tempo ao lazer e alimentar-se de forma saudável. “Alimento é o subsídio para você colocar as células do corpo para funcionar.
Ana Flávia Bernardes e Renata Ferrari
O que você come é transformado em energia”, afirma.
Estimulantes O uso de inibidores do sono como pó de guaraná, ervas e bebidas energéticas é a alternativa que alguns estudantes encontram para se manterem acordados ao estudarem os conteúdos exigidos nas provas, principalmente no final do semestre. Para Alberto Peregrino, neurologista e especialista em medicina do sono, as substâncias utilizadas pelos alunos retardam o sono, porque contêm alto teor de cafeína. O neurologista diz que alguns estimulantes inibem substâncias responsáveis pelo sono, como a adenosina e gualanina que, em contato com a cafeína, ficam inativas. Se por um lado os inibidores atenuam a sonolência, por outro, não melhoram a concentração para quem deseja estudar, explica Alberto. Ele diz que a memória é trabalhada enquanto dormimos, principalmente durante os sonhos, então, para assimilar melhor os conteúdos ao estudar, o ideal é dormir bem à noite. João Lucas Batista, graduando do curso de Física, afirma que já usou coca-cola e tereré, erva mate misturada com boldo, a fim de passar a noite acordado para estudar. “Costumo tomar um litro de tereré ou 700 ml de refrigerante. Eu me sinto agitado, o sono já não atrapalha, mas com o tempo a mente fica cansada", alerta.
Moradia Estudantil: realidade Universitários buscam formas de complementar renda em 2012 Karla Fonseca
Karla Fonseca
Atual estágio das obras no bairro Tibery
E
m entrevista coletiva realizada em 2009, o reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Alfredo Júlio Fernandes Neto, afirmou que as obras da moradia estudantil seriam iniciadas em março de 2010 e que a estrutura estaria à disposição dos estudantes em junho daquele mesmo ano. Entretanto, esse prazo não foi cumprido devido ao atraso nas obras. De acordo com Renato Alves Pereira, responsável pela Prefeitura Universitária , a construção passou por problemas, mas já está em sua fase final. “Estamos novamente em ritmo normal na construção e com a expectativa de que, sem maiores transtornos, a gente possa ter, finalizando o
primeiro semestre, o processo de inauguração", declara. Uma comissão no Conselho de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis (CONSEX) foi formada para fixar as regras do regimento interno da moradia. Segundo Camila Souza, membro da comissão e estudante do curso de Ciências Sociais, está em elaboração o edital para a escolha dos discentes que irão alojar-se: “Poderão concorrer todos os estudantes matriculados nos cursos de graduação da UFU”. Ela enfatiza que os alunos deverão estar dentro dos critérios socioeconômicos que estão sendo definidos e carecem de aprovação do Conselho. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) tem voz e voto na comissão do CONSEX. Para Inaê Vasconcellos, membro da entidade, a conclusão das obras é algo a ser comemorado, mas, quanto à elaboração do regimento, ressalta: “Infelizmente, a participação não foi efetiva, de todos os estudantes. Se todos os representantes estudantis tivessem ido, seria uma comissão paritária”. Ainda de acordo com Inaê, a existência de uma moradia para os estudantes da UFU é uma luta histórica. Há 30 anos, essa responsabilidade passa pelas mãos de várias gestões do DCE e, em 2007, recebeu verba do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). No entanto, as obras só puderam ser iniciadas em 2010, quando a Universidade recebeu recursos do Ministério da Educação por meio do REUNI.
A
o ingressar na universidade, os estudantes se deparam com novas responsabilidades. Muitos saem de casa e precisam controlar a mesada que lhes é enviada, pois os gastos com moradia, transporte, xerox, alimentação e contas são grandes. Para complementar a renda, alguns buscam arrecadar dinheiro dentro da instituição onde estudam, vendendo informalmente produtos, como cosméticos, bijuterias, bolsas e até doces. Outros procuram bolsas e estágios remunerados. O graduando Heldson Luiz da Silva, do curso de Ciências da Computação, estagia no Centro de Ensino à Distância (CEAD) para complementar sua renda e não sobrecarregar o pai com o custo de pequenas necessidades. “Como eu também ganho bolsa alimentação do RU (Restaurante Universitário), o que eu ganho aqui é mais destinado a coisas que eu preciso, como xerox, notebook, passes de ônibus”, comenta. Os estágios oferecidos na universidade ajudam os alunos com um orçamento extra todo mês e proporcionam experiência no mercado de trabalho. De acordo com a psicóloga Fernanda Morais, “é importante que o jovem procure uma forma de renda sim, desde que não atrapalhe sua vida acadêmica”. Por outro lado, há aqueles que tentam conseguir dinheiro para investir em sua vida social. Ana Luiza Bernardes dos Santos, estudante de Medicina Veterinária, vende cosméticos e
Bruna Isa Sanchez
destina o lucro das vendas ao lazer. O aluno do curso de Teatro Rafael Patente é bolsista de um projeto de extensão e afirma que atividades assim contribuem para a formação profissional. “O projeto é vantajoso tanto pela experiência adquirida, quanto para auxiliar na minha renda, com transporte, alimentação e gastos para comprar parte do cenário ou figurino que utilizo nas peças”, declara o estudante. Fernanda Morais comenta que é vantajoso o universitário ter oportunidades de obter renda, porque isso contribui para o seu crescimento pessoal e profissional. “O aluno tem que ter uma força de vontade muito grande para conciliar os estudos com atividades extras, pois isso vai exigir mais da pessoa, mas a experiência lhe ajudará a ter mais responsabilidade”, acrescenta a psicóloga. Bruna Isa
Estágio proporciona experiência ao graduando
EDUCAÇÃO
Cresce ingresso de idosos nas universidades Desafio é acompanhar o ritmo do ensino superior, mas interesse nos estudos é mantido Mariana Goulart
Nogueira: “A convivência com os colegas rejuvenesce"
O
artigo 21 do Estatuto do Idoso determina que o Poder Público deve criar oportunidades de acesso à educação para as pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. No entanto, o nível de escolaridade dos idosos brasileiros é considerado baixo: 50,2% frequentam a escola menos que quatro anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar desse cenário, um novo panorama tem sido construído nas universidades do país. Em 2009,
3.798 idosos ingressaram em universidades (ver gráfico), de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Na UFU, 13 alunos com 60 anos ou mais ingressaram em graduações entre 2010 e 2011. Sônia Santos, professora do curso de Pedagogia e de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da instituição, acredita que, atualmente, o Brasil consegue atender boa parte das necessidades educacionais dos idosos, com projetos de alfabetização e inclusão social. “Acho fantástico os idosos estarem na universidade. Já tivemos alunos no curso de Pedagogia e eles foram excelentes, tinham muita disciplina, compromisso e desejo de aprender”. Os motivos que levam os idosos a voltarem aos estudos são vários. Rosane Borges, 60, reingressou na universidade quando seus filhos cursavam graduação. Aos 18 anos, ela começou o curso de Biologia, mas abandonou para cuidar da família. Com os filhos criados, optou pela graduação em História e, em seguida, pelo mestrado. Ao saber que poderia eliminar algumas matérias do currículo de Artes Visuais, Rosane, que é ceramista, prestou o vestibular e começou mais um curso. “Fiquei muito tempo sem estudar, mas há 15 anos eu estudo sem parar”.
Religião ultrapassa os muros da igreja
Já a situação de Itagiba Nogueira, 62, é diferente. O engenheiro agrônomo decidiu graduar-se em Filosofia na UFU depois de se aposentar. “Eu sempre me interessei por Filosofia. Havia cursado algumas disciplinas isoladas, porque o diploma de curso superior te permite isso. Quando me aposentei, vi a oportunidade de fazer a graduação”. Os desafios encontrados pelos alunos em sala de aula muitas vezes dizem respeito ao ritmo de estudo imposto no ensino superior:
Idosos ingressantes no Ensino Superior no Brasil (por áreas gerais)
Coletivos defendem organização estudantil
Estudantes se mobilizam e formam grupos Debates e atividades são formas de dentro da Universidade conscientização política Valquíria Amaral
Valquíria Amaral
Psicóloga avalia positivamente debate religioso
A
Universidade Federal de Uberlândia é um local de ensino, pesquisa e extensão, e a convivência entre os estudantes fazem da instituição também um lugar de atividades relacionadas a interesses pessoais. Assim, alguns alunos aproveitam o espaço acadêmico para compartilharem momentos religiosos por meio de dois grupos cristãos – ABU e GOU – que realizam encontros periodicamente. A instituição é laica e a iniciativa dos alunos de se reunirem nos Campus da UFU é própria, sem apoio do governo federal. A ABU (Aliança Bíblica Universitária) faz reuniões em diferentes horários, nos campi Santa Mônica e Umuarama. Nathália Kamanici, estudante de Direito Noturno e coordenadora das reuniões de quinta-feira à noite no Santa Mônica, explica que a aliança busca convidar estudantes de várias religiões para orarem e estudarem a bíblia. “Além de entreter, a reunião
Mariana Goulart
“Não tenho mais o mesmo pique para acompanhar os períodos mais puxados. Além disso, a minha memória já não é a mesma coisa”, diz Rosane. Se para os estudantes com mais de 60 anos acompanhar os períodos é difícil, o relacionamento com os demais alunos é visto como algo positivo. Para Rosane, a relação com os colegas é muito saudável: “Eu não me sinto a mãezona da turma, às vezes, esqueço quantos anos eu tenho porque eles me tratam de igual para igual”.
ainda leva a pessoa a refletir sobre a vida, a querer encontrar um propósito maior para viver”, conta. Já o GOU (Grupo de Oração Universitário) é vinculado à Renovação Carismática Católica e é inserido em um movimento presente em diversas Universidades do Brasil, o “Ministério Universidades Renovadas”. Angélica Reis, estudante de Engenharia Química e coordenadora do Ministério em Uberlândia, diz que esse movimento nasceu de um sonho: “O sonho de construir uma sociedade melhor através da formação de profissionais justos que trabalhem de uma forma diferente dentro da sociedade”. As coordenadoras dos grupos relatam que o objetivo de discutir a religião na Universidade é aproximar o estudante de sua espiritualidade e motivar os alunos a terem bons resultados nos cursos. O estudante de Geografia Diego Moreira, integrante do GOU, conta que, ao entrar na UFU, procurou o grupo, e afirma que reunir-se com pessoas de mesma fé que a dele interfere positivamente na nota das disciplinas que cursa. Segundo Maria de Lourdes Costa, psicóloga do SEAPS (Setor de Atendimento Psicológico ao Estudante), o movimento religioso dos estudantes da UFU pode gerar benefícios psicológicos ao aluno. Ela acrescenta que todas as vivências dos pacientes devem ser valorizadas, inclusive a religião.
O
s coletivos são grupos universitários que promovem a politização dos alunos e lutas estudantis a partir de debates dentro da comunidade acadêmica. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), existem os Coletivos “Viramundo” e “Dialogação”, criados em 2008 e 2009, respectivamente. O estudante de pós-graduação e membro do “Dialogação” Ricardo Tadokoro diz que o grupo surgiu devido ao descontentamento de estudantes com a desorganização do movimento estudantil. Para ele, a ideia é ser menos dependente do Diretório Acadêmico (DA), do Centro Acadêmico (CA) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Tadokoro conta que a necessidade de se organizarem para discutir a realidade da universidade e os problemas do movimento fez estudantes de vários cursos formarem o coletivo. Eles defendem, por exemplo, a ampliação das políticas de assistência estudantil como um componente para garantir a permanência do aluno sem condição econômica dentro da UFU. Os membros do “Dialogação” são contra o projeto de expansão da universidade, pois entendem que ele a transformará em um espaço onde a formação humana será colocada em segundo plano: “A gente defende que a universidade seja um espaço para além da sala de aula, que a universidade deva ser um espaço de vivência, de formação humana mesmo”, declara. Tadokoro.
Clarice de Freitas
Para Hinuany Melo, integrante do “Viramundo”, a formação política provoca melhorias e transformações na realidade social. Para isso, o coletivo promove mesas de discussão e atividades como oficinas de camisetas, campanhas como a “Já Basta!”, a Calourada Alternativa e o Cine Consciência Coletivo.
E o DCE?
Inaê Vasconcelos, membro da atual gestão do DCE, diz que as divergências políticas se devem ao fato de a entidade defender os programas de expansão das universidades. Para Vasconcelos, “a universidade deve ter uma funcionalidade para a sociedade, e por isso é sempre bom ela se ampliar”. Ela afirma que o DCE não exclui os coletivos e não tem o hábito de deixar faltar informação a respeito das pautas da universidade. Clarice de Freitas
Cine Consciência : formação política na UFU
SOCIAL
Projetos abrangem ações voltadas a travestis “Em Cima do Salto” influencia na criação da ONG Triângulo Trans Amanda Pereira Firmino
Ambulatório onde ocorrem atendimentos do “Em cima do Salto”
O
ferecer a possibilidade de melhor qualidade de vida a partir da discussão de questões que envolvem sexualidade, direitos humanos, saúde, inclusão é o que promove o programa “Em Cima do Salto: Saúde, Educação e Cidadania”, destinado a travestis e transexuais em Uberlândia. Criado pela
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a iniciativa conta com o apoio do curso de Psicologia e está alocado na Divisão de Relações Comunitárias da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX). O “Em Cima do Salto” nasceu de uma pesquisa de campo promovida pela médica
Flávia Bonsucesso Teixeira com um grupo de distribuição de preservativos. É feita ainda uma alunos na disciplina de Medicina Comunitária I visita a cada 15 dias às pensões onde elas em 2006. O grupo verificou que, além do residem para acompanhamento. desconhecimento com relação às doenças Paralelamente a esses projetos, existe sexualmente transmissíveis, a falta de plano de um espaço voltado ao atendimento clínico e vida devido à iminência de morte era algo psicológico de travestis e transexuais. comum entre as travestis. Segundo Flávia, “só Localizado no Ambulatório Amélio Marques, será desenvolvida uma prática de prevenção a do Hospital das Clínicas da Universidade, o qualquer agravo se você tiver um projeto, uma “Ambulatório da Saúde” realiza consultas expectativa de vida, já que a média das travestis médicas às quintas-feiras, das 17 às 21 horas, brasileiras gira em torno de 30 anos”. sob a coordenação técnica de Rita Rocha. De O primeiro projeto voltado à acordo com a psicóloga, está em estudo a comunidade de travestis e transexuais foi o criação de um centro voltado para a cirurgia de “Conhecer para transformar: educando pelos transgenitalização que poderá ser implantado pares”, também coordenado por Flávia no mesmo local. Teixeira. Com o objetivo de promover o Para Ricardo Soares, um dos bolsistas diálogo a respeito de saúde e educação entre do programa, o primeiro aprendizado profissionais e estagiários da Psicologia e as adquirido é respeitar as diferenças e não fazer travestis, as reuniões quinzenais, realizadas no distinção entre as travestis e as demais pessoas. campus Umuarama da UFU, têm se tornado Ele acrescenta que a iniciativa leva à um espaço para a discussão e construção construção não somente do caráter, de cidadania. mas também do seu lado O programa também O “Ambulatório da profissional enquanto futuro conta com “Vida nas calçadas: Saúde” realiza médico. atenção prestada no campo”, consultas médicas às Os frutos dos projeto coordenado pela quintas-feiras, das projetos começam a ser psicóloga Rita Martins Rocha, que 17 às 21 horas colhidos. A Organização Nãotem como foco a execução de um Governamental (ONG) Triângulo trabalho de rua em Uberlândia. Todas as Trans, criada em fevereiro de 2010, é a quartas-feiras, alunos e profissionais dos cursos primeira associação de travestis e transexuais de Medicina e Psicologia vão aonde as travestis de Uberlândia e região, e nasceu da iniciativa se encontram durante a noite para fazer a das participantes do “Em Cima do Salto”.
Insetos auxiliam a desvendar crimes Ecologia e biodiversidade também são beneficiadas entomologia forense – aplicação do A estudo dos insetos em investigação criminal –
dá suporte para obter várias informações sobre o que aconteceu com um corpo ou qualquer outro material que possa servir como hospedeiro, inclusive as drogas. O projeto “Diversidade, variação sazonal e biologia de insetos de importância forense em ambientes naturais e antrópicos na região de Uberlândia, MG”, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), utiliza este estudo para geração de um banco de dados na solução de crimes. Júlio Mendes, doutor em Parasitologia com ênfase em Entomologia Médica e coordenador do projeto, afirma que a aplicação, em investigações criminais, do estudo dos artrópodes, filo no qual se incluem os insetos, está em uma fase de geração de dados. Isso, porém, não significa que a entomologia já não possa ser aplicada. “Quanto mais avançamos, maior segurança nós ganhamos na utilização desse conhecimento”, observa Mendes. O professor explica que em uma investigação criminal, às vezes, há necessidade de determinar com certa precisão o intervalo entre o momento em que o indivíduo foi morto e aquele em que foi encontrado. Com a decomposição do corpo é possível determinar esse tempo, dependendo do estágio de desenvolvimento das espécies colonizadoras.
Amanda Pereira Firmino
André Víctor Moura André Víctor Moura
Descarte de baterias e pilhas O
Júlio Mendes apresenta coleção de referência de insetos
“É o chamado Intervalo Post Mortem (PMI)”, afirma Mendes. O conhecimento do bioma Cerrado, que contribui para as áreas de ecologia e biodiversidade, ajuda nas investigações. Para exemplificar, o pesquisador cita os casos de apreensão de cocaína no Brasil, pois, ao conter resquícios de insetos de uma região X, tem-se a possibilidade de rastrear a origem da droga a partir das espécies catalogadas nas pesquisas. A estudante Fernanda Franco, do curso de Biologia da UFU e estagiária na Polícia Civil
de Uberlândia, diz que a entomologia é uma área muito recente no Brasil. Ela relata que gostaria de ajudar nas investigações da polícia aplicando a técnica, mas tem incompatibilidade de horários. “Em função dessa dificuldade, o perito fica com receio de me ligar para ajudar caso um crime seja descoberto de madrugada”, completa. A entomologia forense “não só ajudaria como também complementaria o serviço”, afirma o perito da Polícia Civil de Uberlândia Hudson Caetano da Silva.
Augusto Ikeda
curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) possui um projeto que visa a promover o descarte correto de pilhas e baterias usadas por meio de um “papa pilhas”. A técnica Márcia Batistela e a aluna Emanuele Franciscon são hoje as principais responsáveis por sua execução. A iniciativa começou em maio de 2011, depois que a técnica decidiu criar um coletor de pilhas e baterias usadas no bloco 2E do Campus Umuarama. Posteriormente, a ideia foi levada para a Escola Municipal Orlanda Neves Strack, no Bairro Minas Gerais, onde são realizadas visitas e palestras sobre o assunto, com alunos do oitavo ano do Ensino Fundamental. O objetivo é conscientizar o público-alvo sobre os riscos do descarte inadequado de pilhas e baterias, que podem provocar sérios danos ao ambiente e possuem componentes nocivos ao organismo humano. Márcia revela que já foram recolhidos 42 quilos desses materiais, e que ainda há trabalho a ser feito. A técnica lembra que caminhões da coleta seletiva costumam recolher esse tipo de resíduo, assim como supermercados, bancos e lojas em geral.
INFORMÁTICA
Curiosidades “Jogo da cobrinha” tem nova versão Renato Faria e Ronian Carvalho
Cupins de 10 bilhões de dólares
Alunos colocam em prática conhecimentos de programação
Chega a 10 bilhões de dólares o valor da madeira que os cupins destroem por ano em todo o mundo. Um método fácil de eliminá-los, quando entram voando em casa, é colocar um prato com água de forma a refletir a luz de uma lâmpada. Os cupins afogam-se na água, atraídos pela "ilusão de ótica".
Vanessa Duarte
Um milhão em 12 dias
Se alguém contasse em voz alta, 24 horas por dia, sem parar - 1... 2... 3... até um milhão - de maneira a dizer um algarismo ou número por segundo, gastaria nada menos que doze dias para terminar a enumeração. O aplicativo pode ser instalado em smartphones
S
Por que a pele enruga no banho?
A epiderme dos nossos dedos é composta por uma proteína chamada de queratina que forma uma barreira protetora contra umidade, bactérias e corpos estranhos. Em contato prolongado com a água, as células acabam absorvendo-a e inchando. Para que o volume de água absorvido caiba dentro da pele, ela precisa se enrugar.
nake World é o primeiro game que a Innovare Games, especializada em desenvolvimento de jogos eletrônicos, lançou no Android Market. Dois integrantes da empresa e estudantes do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Raysllan Nascentes Pereira e Rodrigo Rodrigues dos Santos, são os responsáveis por criarem o jogo. Eles receberam o apoio de Ronaldo Castro de Oliveira, coordenador do curso de Ciência da Computação, e Marcelo Rodrigues, coordenador
Arte: Karina Mamede
Enquanto muitos passam a vida procurando o verdadeiro amor, Dan Holmes, de 29 anos, busca por um padre que aceite celebrar a cerimônia de casamento entre ele e seu videogame Playstation2. Dan já conseguiu formalizar seu casamento de forma legal, mudando seu nome para Playstation 2.
Mercado de jogos
O Snake World pode ser adquirido no An-
droid Market, pertencente à Google, que permite a instalação de aplicativos em aparelhos como smartphones e tablets, sem que a pessoa precise conectá-los a um computador. Até hoje, foram vendidos dez jogos para brasileiros, mas o principal público-alvo do game são norte-americanos e europeus. Santos explica que “a tecnologia com Android é nova no Brasil e poucas pessoas a possuem em seus celulares, além de poucos brasileiros terem a cultura de comprar jogos”. Conforme dados da NPD Group, empresa americana que realiza pesquisa de mercado, a indústria de jogos eletrônicos cresceu mais de 400% em faturamento, de 1999 até 2009. O mercado conta com dois tipos de jogadores, os denominados casuais, que buscam jogos mais leves e com pequenas histórias, e os chamados hardcore, que procuram jogos mais longos, com temas mais violentos e pesados. Raysllan Pereira
Novo jogo tem gráficos melhores e mais fases
TECNOLOGIA
Sistema de captura de movimentos atrai pesquisadores O
O amor é lindo!
do curso de Sistemas de Informação. O aplicativo, que tem o objetivo de evitar que a cobra morda o próprio corpo, é considerado uma nova versão do Snake (conhecido como “jogo da cobrinha”), encontrado emcelularesdesde1990. “Ainovação está no fato de nosso jogo possuir gráficos melhores, além de variações com obstáculos”, afirma Santos. Ao todo, o game possui nove fases: Classic, Ice Land, Fire Temple, City, Thunder Strike, Forest, Cemetery, Wall ofDeath e Meteor Shower. Os criadores acreditam que, ao produzirem o jogo, eles colocaram em prática conhecimentos que adquiriram em sala de aula e, principalmente, atingiram um dos objetivos da faculdade, que é preparar o aluno para criar em ambientes novos, no caso deles, a plataforma Android. Para Raysllan Pereira, o processo de criação de um jogo exige muita paciência, persistência e mente aberta para aprender coisas novas, “as coisas fluem muito lentamente no início e, com a prática, vão fluindo melhor, e o trabalho vai rendendo mais”. De acordo com Santos, é importante que a pessoa comece a fazer jogos mais simples e, à medida que ela for adquirindo mais experiência, será capaz de criar games mais complexos. Luiz Henrique Farcic Mineo, graduado em Ciência da Computação e um dos jogadores, acredita que o Snake World é ideal para passar o tempo. Para ele, os criadores conseguiram inovar, de forma interessante, um jogo que era clássico e foi desenvolvido para aparelhos com display de baixa resolução. “Eles conseguiram agregar diversas características, vários cenários, vários itens que realmente aumentam a diversão do jogo”.
Vanessa Duarte
termo Motion Capture também conhecido como Mocap é usado para descrever o processo capaz de captar todas as articulações realizadas em três dimensões (3D) pelo ser humano. Para “gravar” os movimentos são utilizados equipamentos como câmeras de vídeo, sensores eletromagnéticos, marcadores, dispositivos eletromecânicos e outros. Estudiosos de diversas áreas do conhecimento estão dedicando suas pesquisas a esse tema devido a suas diversas formas de aplicação. O pesquisador Daniel Furtado, do curso de Engenharia Elétrica, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), explica que, durante a captação dos movimentos, são colocados no corpo de uma pessoa marcadores capazes de transmitir ao computador toda a trajetória de sua articulação no espaço. Sobre as diferentes aplicações, Furtado diz que “estas imagens podem ser utilizadas para animar um personagem em um filme ou em um jogo e estabelecer parâmetros como a velocidade do movimento”. Além disso, segundo ele, podem auxiliar pessoas em eventuais esportes para otimização de movimento e também para encontrar diagnósticos médicos de disfunções no caminhar da pessoa. A utilização dessa tecnologia na indústria
de filmes e games é cada vez mais recorrente e permite criar personagens como os jogadores nos jogos da FIFA ou mesmo os chimpanzés do filme Planeta dos Macacos. Em entrevista ao Portal UOL, o ator Andy Serkis chegou a dizer que “a tecnologia é perfeitamente capaz de captar os movimentos mais sutis dos músculos, dos nervos. Se existe uma técnica específica para o desempenho em mocap é ser preciso”. O ator interpreta o chimpanzé Caesar e já participou de vários filmes utilizando Mocap como o personagem Smeagol no primeiro filme da trilogia O Senhor dos Anéis.
Mocap na UFU
Em parceria com os professores Adriano Alves Pereira e Selma Milagre, do curso de Engenharia Elétrica, e com aluno de Odontologia Douglas Bellomo, Furtado desenvolveu recentemente um software capaz de registrar os movimentos da mandíbula de uma pessoa em três dimensões. Ele explica que são colocados marcadores em vários pontos do rosto e quando a pessoa faz alguns movimentos de abertura e fechamento de mandíbula, o sistema consegue obter alguns parâmetros como o quanto que a mandíbula se deslocou pra dentro ou pra fora. De acordo com o pesquisador esse
Nayla Gomes
software facilita que os especialistas na área odontológica encontrem disfunções associadas à articulação. Para desenvolver esse sistema foram utilizadas três câmeras de infravermelho e os marcadores que funcionam como sensores. A tecnologia já foi aplicada em mais de 20 pessoas. Atualmente, Furtado desenvolve o projeto de um método que poderá ser usado para reconstruir os movimentos. A pesquisa permitirá a análise de articulações e auxiliará no tratamento e diagnóstico de pacientes com problemas ortopédicos e também em estudos de melhora no desempenho de atletas. Por enquanto, o projeto é um protótipo que está na fase computacional. Divulgação
Esquema de funcionamento do Mocap
ESPORTE
Goalball promove inclusão
OFICINAS
Modalidade possibilita atividade a deficientes visuais
Cíntia Sousa
levanta a sua autoestima”. Dias explica que uma das dificuldades enfrentadas pelo projeto consiste em ser um esporte coletivo, já que muitos optam por modalidades individuais. “Os atletas preferem deixar um esporte coletivo e vão para o atletismo, onde a possibilidade de conseguir uma bolsa atleta é maior”, desabafa, explicando que esse outro esporte, que é individual, possui auxílio estadual e nacional; já as modalidades coletivas, apenas apoio nacional. Dias revela ainda que um dos seus desejos é conseguir “uma ajuda financeira para manter esses atletas”. Neste segundo semestre de 2011, o grupo participou d VII Taça Araxá de Goalball e do Regional Sudeste I, em Belo Horizonte. Os treinamentos acontecem no campus da Educação Física, no ginásio G2, às terças e quintas-feiras, das 16 às 17h40 e, aos sábados, das 15 às 17 horas. Para participar, basta que o atleta procure o NIAFS para se inscrever Sáude (NIAFS), da FAEFI, que também oferece gratuitamente. a pessoas com necessidades especiais a prática de atletismo, bocha, futebol de 7, halterofilismo, Entenda a modalidade O goalball é um jogo entre duas hóquei sobre o piso e natação. equipes de três jogadores, praticado em uma Na UFU, o projeto conta com duas quadra fechada, dividida em três áreas. No equipes, uma masculina e outra feminina, que, ao fundo da quadra, estão os gols. O objetivo é todo, possuem 14 atletas. Gisele Ferreira da Silva fazer gol e, para isso, um jogador arremessa a diz que o goalball é audição, percepção: "Nós, bola em direção ao adversário, enquanto este com problema de visão, dependemos de sentir o tenta defender com o corpo. que está perto". O treinador das equipes A bola é maciça, mas oca e com oito Fernando Dias destaca que os benefícios da furos, para que o barulho dos guizos possa ser prática desse esporte são “a melhora de qualidade de vida, a questão da socialização, do convívio, da escutado. Todos os atletas jogam com os interação com pessoas com o mesmo tipo de olhos vendados. A partida é narrada pelo deficiência”. Maria José de Freitas Bruno, dona árbitro com comandos em inglês e a torcida Zezé, dedicou a vida ao goalball. Aos 57 anos, só pode se manifestar no momento do gol. declara: “Você viaja, conhece outras pessoas, isso Durante o jogo, o silêncio é essencial. Cíntia Sousa
Jogadores treinam no ginásio G2, na Educa
F
eche os olhos. Agora, tente orientar-se apenas pela audição, ouça com atenção os ruídos ao seu redor. Difícil? Para os praticantes do esporte paraolímpico goalball, é a audição que os guia dentro da quadra. A modalidade foi criada após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, pelo alemão Sett Reindle e o austríaco Hanz Lorenzen, com o objetivo de proporcionar atividade física para os combatentes que retornavam da guerra com problemas de visão. Em Uberlândia, o esporte foi apresentado por Alberto Martins da Costa, docente da Faculdade de Educação Física (FAEFI), da Universidade Federal de Uberlândia, na década de 1980. A modalidade integra as atividades do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisa em Atividades Física e
BIBLIOTECA
Semuc disponibiliza acervo audiovisual
Terminal oferece computadores com sintetizador de voz Sabrina Tomaz
A área de DVDs do Semuc é a mais frequentada
D
iscos de vinil, partituras musicais, CDs, DVDs, fitas de VHS, fitas cassete, cartazes e peças teatrais. O Setor de Multimeios e Coleções Especiais (SEMUC), localizado na Biblioteca do
campus Santa Mônica, possibilita tudo isso para alunos, professores e técnicos da UFU. Criado na década de 1970, o lugar é uma oportunidade para os usuários somarem conhecimentos por meio de palavras, sons e imagens. Segundo Maria Aparecida de Freitas, responsável pelo SEMUC, o acervo de DVDs é um dos mais requisitados do local. O empréstimo permite a cada estudante ficar com até dois filmes durante três dias. Comédia, romance, drama e suspense são alguns dos gêneros encontrados no Setor. “Os vídeos disponíveis são obtidos a partir da escolha dos professores da UFU”, conclui Maria. Mateus de Paula, aluno do curso de Relações Internacionais, frequenta o espaço pelo menos duas vezes por semana. Ele acha importante a Biblioteca oferecer esse serviço e recomenda alguns vídeos. “Um filme de comédia muito bom é ‘O Grande Lebowski’; já para quem gosta de drama, ‘O Oléo de Lorenzo’ é muito bonito”, diz. O SEMUC também possui salas de audiovisual com equipamentos eletroeletrônicos para uso dos acervos. Os estudantes, professores e técnicos podem aproveitar os espaços individuais ou em grupo, com capacidade para
Sabrina Tomaz
até 20 pessoas. Roberto José da Cruz, técnico administrativo da Faculdade de Educação (FACED), conheceu o Setor quando fazia a graduação e se apaixonou pelo lugar. “Eu já levei grupos de até dez alunos para assistir a filmes no ambiente, e fui com colegas ver outros filmes”, conta.
Acessibilidade
Em 2009, o Setor implantou um espaço para alunos com deficiência visual. O terminal é iniciativa do Centro de Ensino, Pesquisa, Extensão e Atendimento em Educação Especial (CEPAE) e sua estrutura oferece computadores com sintetizador de voz que narra o texto da tela. Conta ainda com uma aluna estagiária para auxiliar nas pesquisas e no atendimento do públixo em geral. Késia Pontes, aluna do CEPAE, utiliza o terminal e considera muito relevante os estudantes com essa deficiência possuírem autonomia de prestigiar um livro digitalizado, um DVD, ou ouvir música. Uma das reivindicações da aluna é sobre a expansão desse terminal. “O certo seria os alunos terem esse atendimento e esse software em todos os laboratórios, e não só na Biblioteca”, ressalta.
Arte para a comunidade O
Angélica Guimarães
projeto Arte e Comunidade: Estêncil para intervenção urbana, também conhecido como Extenso Estêncil, objetiva revitalizar as mesas da UFU e as fachadas da ONG Periferarte. Élson Felice é o coordenador artístico e articulador sociocultural do projeto e conta que a iniciativa “vem mostrar que arte, qualquer pessoa pode fazer”. A atividade foi idealizada pela artista plástica Moema Torres, inspirada no projeto JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube) da profissional paulistana Mônica Nador. Moema se interessou pelo trabalho de Mônica, em que relaciona a arte com a comunidade por meio do estêncil. O projeto envolve alunos do curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Uberlândia e visa a ensinar à comunidade do bairro Canaã, por meio da ONG Periferarte, a técnica de pintura estêncil, em que se transfere um desenho para uma superfície através de um molde vazado. A iniciativa conta com cinco artistas plásticos e cinco estudantes de artes da UFU, sendo quatro bolsistas e uma colaboradora. As oficinas de capacitação com os moradores do bairro são chamadas de “Vivência artística”, nas quais os alunos fazem os desenhos que serão moldes para pintura da fachada da ONG e das mesinhas nas áreas verdes da UFU. De acordo com Élson Felice, os membros do projeto já estão na fase de intervenção urbana. A colaboradora Karen Fidelis acredita que os alunos da UFU que participam do Extenso Estêncil têm a oportunidade de conhecer outra realidade, que vai além dos muros da universidade: a de um bairro periférico. A bolsista Marta Barbosa testemunha: “Você consegue ler a história deles a partir do resultado do mural que está construindo”. Para Juliana Trindade, coordenadora e fundadora da ONG, o intercâmbio entre UFU e Periferarte, proporcionado pelo projeto, é importante. “É uma chance de ter um contato com os universitários, para as pessoas do Canaã sentirem que a universidade não está tão distante”, afirma. Os resultados esperados no período entre maio e o final do ano são pintar as mesas da UFU e as três fachadas da ONG Periferarte. O blog e o perfil do projeto no facebook já estão ativos. Moema pretende ainda fazer uma revista acompanhada de um CD com as imagens e depoimentos das pessoas que fizeram parte do projeto. Angélica Guimarães
Comunidade e UFU: unidos pela arte
Programe-se
MÚSICA
Banda 'Os SaiaJeans' invade Uberlândia
Grupo tem cultura japonesa como inspiração Em dois anos, o grupo fez cinco shows E les usam saias e tocam música de anime. Essa é a definição da banda Os SaiaJeans, for- na região, dois deles na CATSU (Convenção de
mada em outubro de 2009, que toca temas de produções japonesas em eventos para fãs do gênero. Influenciados por clássicos como Cavaleiros do Zodíaco, os jovens Diogo Victal, Bruno Teixeira, Pablo Avendaño, Lucca Dias, Ícaro Couto e Vinicius Oliveira decidiram se unir. O tecladista Avendaño, que faz Engenharia Química na UFU, diz que a escolha do estilo se deu por ser o único ponto em comum entre eles. O nome da banda vem do desenho Dragon Ball, no qual os personagens são da raça Sayajin. O guitarrista Bruno Teixeira, que estuda Engenharia Mecânica, diz que a escolha surgiu de muita discussão, até ele e o baixista Ícaro, que é barman, decidirem usar o trocadilho. “A gente pensou: tem que chamar SaiaJeans, mas a gente tem que tocar de saia. Uma semana depois, a gente se reuniu, cortou umas calças jeans e virou isso aqui”, fala, apontando para a saia.
Animes e Tokusatsus de Uberlândia), em que teve a chance de ser conhecido pelo público da cidade. Entre os fãs que vão ao evento, chamados de otakus, está Bruno Calil, doutorando em Engenharia Biomédica da UFU, que elogia afirmando que a banda tem forte presença de palco. “Nós vemos que o pessoal do SaiaJeans realmente senta pra avaliar quais músicas apresentarão e, uma das coisas mais importantes, eles realmente ensaiam”, completa. No repertório da banda, estão músicas dos anos 1980 e 1990 e também atuais. Os membros contam que passaram por dificuldade com a escolha musical, pois queriam tocar o que gostavam e as pessoas não reconheciam as canções. Outro problema apontado pelos SaiaJeans é a falta de espaço para tocar em Uberlândia, por se apresentarem para um público restrito. Victal, vocalista do grupo e aluno de Psicologia, diz que as pessoas da cidade não incentivam os grupos lo-
Amanda Pereira, Ana Beatriz Tuma e André Moura
Maria Tereza Borges
Divulgação
Teixeira: " A saia é para as pessoas lembrarem da banda"
cais e tendem a valorizar mais o que vem de fora. Os integrantes afirmam que são lembrados por causa da saia e recebem retorno pela internet. “Esse negócio da saia é para entrar na cabeça das pessoas, fazer se lembrarem da banda. É a mais genial de todas as nossas ideias”, diz Teixeira. “É uma piada entrar no palco. Ninguém pensa em banda de macho cabeludo usando uma saia jeans”, diverte-se o também guitarrista Lucca Dias.
CATSU - 2ª edição A Convenção de Animes e Tokusatsus de Uberlândia acontece há quatro anos na cidade e conta com shows, apresentações de cosplay e estandes com produtos temáticos. O evento será realizado nos dias 21 e 22 de janeiro, no Colégio Êxitus. Informações no site www.catsu.com.br NBB - Novo Basquete Brasil A quarta temporada do campeonato nacional de basquete conta com a participação do time Unitri/Universo de Uberlândia. As disputas começaram em novembro de 2011 e terminarão em meados de 2012. Entre os jogos em Uberlândia está o de 17/12/2011, no Ginásio do UTC contra o time de Joinville http://migre.me/6bBSV .
Natal em Uberlândia A Prefeitura organiza para o mês de dezembro diversas programações natalinas. Além dos eventos, é possível conferir as decorações de natal na cidade. Veja a programação completa em http://migre.me/6gU7R
Senso Musical
Augusto Ikeda e Karla Fonseca
Cold Play Mylo Xyloto
Filipe Catto Fôlego
O cantor é uma grande surpresa da MPB. O gaúcho, que vive em São Paulo, possui um tom de voz agudo, considerado raro na música popular. Seu álbum “Fôlego”, lançado em outubro de 2011, foi muito elogiado e a música principal, “Saga”, se tornou tema de novela global.
O quinto álbum do grupo inglês foi gravado com base em “uma história de amor com final feliz”, segundo o vocalista Chris Martin. Para este novo trabalho, a banda optou por um som mais despojado, acústico e íntimo, comparado ao seu antecessor, Viva la Vida.
Sessão Pipoca
Ana Clara Macedo, Bruna Isa Sanchez e Nayla Gomes
Um dia
O filme narra o romance de Emma e Dexter, dois jovens que se conheceram na noite em que se formaram na Universidade. Desde então, encontraram-se todos os anos, no dia 15 de julho, para conversarem sobre suas vidas. A estreia será no dia 2 de dezembro .
Beastly - A Fera
A trama conta a história de Kyle Kingson, amaldiçoado por uma colega depois de humilhá-la na escola. Após ser transformado em aberração, ele é mandado para o Brooklyn, onde descobre que só terá a sua beleza de volta se fizer com que alguém consiga amá-lo.
Graveola e o Lixo Polifônico Eu preciso de um liquidificador
50/50
A vida de Adam muda quando ele descobre ter câncer. Kyle, seu melhor amigo, utiliza a doença de Adam para se dar bem com as mulheres. Nas poucas chances que lhe restam, Adam conhecerá Katherine, uma jovem psicóloga que irá virar sua cabeça de vez .
Dois coelhos
Edgar, um sujeito cansado da desgraça social e da corrupção, resolve fazer justiça com as próprias mãos. Ele arma um plano que coloca os políticos gananciosos frente a frente com os bandidos. Conforme a trama se desenrola, o passado obscuro de Edgar é revelado.
A banda mineira deve ter se inspirado na sua própria mistura de ritmos – rock, samba, funk, bossa nova e pitadas de música latina – para o batismo desse novo CD. Lançado em outubro de 2011, o disco usa a “reciclagem musical” como base de seu trabalho e tem letras bem-humoradas.
Penso, logo clico!
Ana Flávia Bernardes, Lucas Martin e Patrícia Alves
Como o próprio slogan do site diz, o portal Techtudo torna a tecnologia descomplicada. Lá você encontra desde dicas de informáticas até curiosidades sobre o assunto. Além disso, o canal disponibiliza aplicativos e programas para downloads. http://www.techtudo.com.br/ A blogueira Acid Girl é a responsável pelo blog de humor Acidez Feminina. Destinado ao público feminino, dá dicas sobre o conturbado relacionamento entre homens e mulheres. Se você é menor de 18, é melhor não acessar! http://acidezfeminina.com.br/
Conversa de homem não é só no bar ou no futebol! O blog Papo de Homem é um espaço de interação entre amigos que postam sobre diversos assuntos do universo masculino. Mas as mulheres que querem tentar desvendar os segredos dos homens também podem ler. http://papodehomem.com.br/ Na base do improviso, espontaneidade e indignação, Gil Brother comenta de maneira crítica e engraçada assuntos que estão em alta na mídia. O protagonista do Canal Away fala o que lhe vem à cabeça aproveitando a liberdade da internet para expor suas ideias peculiares. http://www.canalaway.com.br/
Página Aberta
Mariana Goulart
Para Seguir Minha Jornada - Chico Buarque
Marina
A Casa dos Náufragos
O livro de Regina Zappa retrata, por meio de fotos, a vida de Chico Buarque de Holanda, conhecido como um dos ícones que mais tem enriquecido a cultura brasileira nos últimos 50 anos. A obra apresenta várias fases da vida do cantor e suas relações com vários músicos conceituados que fizeram parte de sua trajetória.
Carlos Ruiz Zafón conta a história de Óscar Drai, um jovem que passa o dia andando pelas ruas de Barcelona observando os casarões abandonados. Ao entrar em um desses lugares, ele conhece Marina, uma garota que o leva para um passeio no cemitério da cidade a fim de mostrar os mistérios que rondam o local.
William Figueras é o protagonista do drama de Guillermo Rosales. Exilado político em Miami, ele é internado pela família em um asilo para doentes mentais. Figueras vê a situação como um prenúncio de sua morte. A história do personagem se assemelha com a do autor que também deixou Havana e se mudou para Miami.