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Senso incomum 22 bx

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ILUSTRAÇÃO: Erika Abreu

s e n s o i n co m u m

S er

Pág. 6 e 7

5.

J o rn ali s m o p o s i t i v o é p o s s ív e l 8 .

1 0.

P o lít i ca am b i e n t al n a U F U ?

V o lu n t ari ad o , v i v ê n ci a d e g rat i d ã o

JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO - UFU - ANO 05 - Nº 22 - JUNHO/JULHO-201 4


2OPIN IÃO

n. jun/ 201 4 22 jul

IN

Editorial Procura-se respeito, recompensa-se bem Marcelo França Está tudo certo em recompensar um filho por ter sido uma boa criança até que ele desobedeça aos pais. Está tudo certo em dar o brinquedo desejado até que o aluno pare de estudar por não ter ganhado presente ao mostrar a nota satisfatória. Está tudo certo até que alguma situação saia do controle. Aliás, controle é o que menos se tem ao recompensar uma criança por uma ação, convencionada “boa”. Não é ousado dizer que o controle está na mão da criança. Se ela quer ser recompensada, basta se esforçar para conseguir o prêmio. De alguma forma, o ser humano percebe o que é vantajoso para si e como conseguir isso. O caminho até o prêmio fica claro após algumas tentativas. O problema é quando a criança não quer tanto ser premiada ao ponto de encarar o caminho até ele. O que acontece quando o brinquedo, celular ou dinheiro não é bom o suficiente para compensar o esforço de escovar os dentes, fazer a tarefa de casa ou obedecer aos pais? A criança deixa de ganhar dessa vez e na próxima, a boa ação compensará tudo.

É claro que todos já foram recompensados alguma vez na vida. Isso não significa que o mundo está cheio de interesseiros e mercenários que agem de acordo com a recompensa. Mas existem obrigações naturais que devem ser aprendidas desde cedo. Não é certo pagar pelo respeito e boa fé. Caso seja necessário pedir desculpa à criança, peça. Caso seja necessário escutá-la, escute. Quanto mais comuns essas ações forem construídas, melhor. Assim, com o tempo, elas se tornam espontâneas. No fim das contas, ninguém quer se relacionar com pessoas mimadas que não aceitam menos do que esperam. Ninguém quer aguentar gente desrespeitosa. É bom tomar atitudes sem pensar no que iremos ganhar com isso. É bom respeitar e ser respeitado por todos, sejam adultos ou crianças. Isso não significa que crianças não podem ganhar presentes, desde que eles não sejam recompensas para atitudes ditas como virtudes de um bom relacionamento social. Porque se for assim, é hipocrisia dizer que os filhos de hoje já não respeitam os pais. »

Educando

Ombudsman

Erich Vallim Vicente – editor chefe da A Tribuna Piracicabana, de Piracicaba (SP)

A iniciativa dos alunos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em definir o bem-estar como capa desta edição da publicação da Faculdade de Jornalismo é positiva em dois aspectos. Primeiro, por estar ligada à tendência de propor pensamentos alternativos quanto à maneira de enxergar os problemas da vida. O combate à lógica Ocidental, nesta ótica, significa aprendizado em buscar elementos de raciocínio de outro contexto cultural para inseri-lo realidade objetiva da maioria dos leitores. Também é positiva a iniciativa de

aprofundar na opção de vida zen como contraponto à edição anterior, na qual o estresse e a depressão são colocados como “mal do Século”. Desta forma, os alunos conseguiram fazer uma leitura do próprio material que produz de maneira muito propositiva, que, no bom jornalismo, é sempre bastante aconselhável. A matéria sobre “Jornalismo positivo” entra como apêndice da matéria de capa por acrescentar visão teórica sobre a importância de uma publicação mais otimista. Apenas deve-se tomar cuidado para esta visão menos

sanguinária acerca da profissão não signifique “Jornalismo ingênuo”. Outro fator relevante da produção é a capacidade de conseguir, ao mesmo tempo, dialogar com leitores fora do círculo acadêmico (a matéria de capa consegue) mas sem perder o olhar crítico quanto à comunidade, como no caso da discussão ambiental a ser aplicada no ambiente universitário. Produzir material jornalístico precisa ter a noção de se relacionar no plano macro (temas universais) como micro (temas locais).

Ed i t o re s - c h e fe : Luisa Ca lefi e Marcelo Fra nça . / P ro d u ç ã o d e a r t e : Erika A breu / C o l a b o r a ç ã o d e re p o r t a g e m : Bruna Ta rcita no, L eidia ne Ca m pos, Ma riely Da lm ônico e Grupo Ca choeiro / R e p ó rt e re s : Luisa Ca lefi e Ma rcelo Fra nça / C rô n i c a s : Bruna Ta rcita no, Ca roline de

Ca m a rgo Bufelli, Mona lisa Fra nça da Silva e Rena to Pinheiro / Ed i t o r i a l : Ma rcelo Fra nça / Fo t o g r a fi a : Ma ria Pa ula Ma rtins, Ma ria na A lm eida , Micha el Kea lton Ba rcelos e Sérgio Da lláglio / D i a g r a m a ç ã o e Fi n a l i z a ç ã o : Da nielle Buia tti

Expediente R e i t o r: Elmiro Sa ntos Resende / D ire t o r d a FA C ED : Ma rcelo Soa res Pereira da Silva / C o o rd e n a d o r a d o c u r s o d e J o r n a l i s m o : A na Cristina Menegotto Spannenberg / P ro fe s s o r a d a d i s c i p l in a : Ingrid Gomes / J o r n a l i s t a re s p o ns á ve l : Ingrid Gomes MTB 41 . 336 /


IN

n. 22 jun/jul 201 4

OPIN IÃO

Crônicas

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É ... eu me achei nela ILUSTRAÇÃO: Pixabay

Monalisa França da Silva

Conversas ... Ah as conversas, são elas que fazem que um pouco de mim saia e um pouco das pessoas entre em mim e me faça alguém melhor. Pois bem, em uma dessas conversas, uma amiga e daquelas bem queridas, veio me contar um pouco de suas experiências e um pouco do que ela própria chamou de ‘crise dos 20’. Eu, claro, parei e dediquei a ela um pouco do meu tempo, dos meus ouvidos e da minha mente, para processar tudo o que deveria ouvir e consequentemente, o que iria falar a ela. Como sempre faço, antes que ela começasse o assunto, enquanto ela falava de outras coisas, vinha pedindo sabedoria a Deus, não só para ouvi-la, como também para aconselhá-la, humildemente, se isso a ajudasse. Paramos então, à esquina de uma rua na faculdade e ela começou a dividir comigo, ali mesmo, todos os dilemas que estava vivendo, que iam desde seu curso, à sensação de não pertencimento a ele, até questões que envolviam o coração. Ah, esse tal de coração, sempre pregando peças. Ela contava, narrava os fatos e eu ali, a ouvindo atenciosamente, até que em um momento, parei e a olhei bem e vi que,

naquela pequena pessoa, muito minha amiga, eu havia achado a Monalisa de alguns anos atrás. Uma Monalisa que havia vivido muitos dilemas, assim como ela. Problemas, momentos dolorosos, daqueles onde não sabemos nem quem somos, muito menos o que gostamos. Percebi que eu, Monalisa, não sou um ser isolado; vi que assim como eu, ela também estava passando por uma crise, o que não é de se estranhar, porque estranho seria se nós, seres imperfeitos, não as tivéssemos. Enfim, terminei a conversa com ela, com a sensação de dever cumprido, com a sensação de que consegui compreendê-la, assim como um dia, alguém me compreendeu e me ajudou a superar a minha crise, que não foi bem dos 20, mas teve uma certa proporção. Termino este texto, agradecendo a ela por ter me confiado seus dilemas, seus problemas, me ter destinado do seu tempo e com certeza, pedindo a Deus pra que a conserve na minha vida por muitos anos, pra que tenhamos conversas . . . aaah, conversas, daquelas que guardarei pra sempre! »

Segunda-feira ILUSTRAÇÃO: Pixabay

Renato Pinheiro

Começa o dia e a ducha fria ainda me dói. Às sete o pão com manteiga feito na chapa já está no prato, ao lado da caneca com café e do cinzeiro. As duas metades do pão são suficientes, meia caneca de café está ótimo, dois cigarros, um após o outro, completam o que estiver faltando. O jornal acompanha o café-da-manhã, há tempo para as notícias mais importantes. Dois travestis foram mortos por um grupo de estudantes na Augusta, algo descrito pelo repórter como “ato homofóbico”, mas, sinceramente, não importa. Às oito e meia começa meu horário na contabilidade. O percurso requer apenas uma condução, caso raro em São Paulo. O caminho até o metrô permite outro cigarro, no frio o trajeto chega a ser agradável. Na estação gente como eu vai e vem, geralmente em passos apressados ou correndo, atrasados. O grande relógio de ponteiros no meio do pátio me alivia, não é preciso correr. No trem já não há mais assentos vagos, então me aperto ao lado de um senhor de terno. Logo na primeira parada um homem vestindo-se com trapos, o cabelo sujo e a barba comprida, entra cambaleando e pede dinheiro aos

passageiros. Alguém levanta a mão com uma nota de dois reais, mas o homem rapidamente é colocado para fora antes de o trem partir. O senhor de terno diz-lhe alguma injúria e o trem parte. A empresa espera-me com a grande porta aberta. Alguns “bom-dia” são dirigidos a mim no trajeto até minha sala. O chefe está parado na porta. Estranho. Antes que eu possa entrar, diz-me que atrasei alguns relatórios e que estes deverão estar em sua sala em uma hora, digo-lhe que “sim, senhor” e, com um suspiro, adentro o cubículo. Hoje, em especial, a desolação incomoda-me um pouco mais, talvez algumas tragadas ajudem. Termino os relatórios, pego um copo de café com a secretária e dirijome à saída. Na grande porta encontro o funcionário que trabalha na sala ao lado da minha com uma caixa de papelão nas mãos contendo algumas bugigangas. Foi demitido, chora ao me contar que sua filha está grávida. Conforto-o com algumas palmadinhas no ombro, dizendo que conseguirá outro emprego, e ele sai. Sinto-me triste ao pegar o maço e encontrar apenas um cigarro. Fumo, tomo o café e, revigorado, volto ao trabalho. O ofício ocorre normalmente, a dor de cabeça elimino com uma aspirina. Às sete da noite termino os últimos relatórios, torcendo para que nada tenha passado desapercebido novamente. Deixo a empresa com certo nervosismo, num reflexo apalpo o bolso da calça e deparo-me com o maço vazio, a cabeça volta a doer. No caminho de volta o tempo parece

passar mais rápido, cochilo por alguns minutos no banco do metrô, acordando nas paradas de cada estação. Em uma das paradas, reparo no fundo do trem um jovem, sozinho, com os pés no banco da frente, tocando gaita. Por um momento a música pop que sai dos auto-falantes do metrô some, e consigo ouvir os assovios do jovem perfeitamente. Causam-me certo desconforto. Somente um desocupado é capaz de tocar gaita no metrô às sete e meia da noite. Penso que os jovens são assim mesmo, e cochilo novamente. Antes de chegar em casa, passo na padaria do bairro e peço dois maços de cigarro. Em casa, ligo a televisão e o Bonner encara-me com um olhar sério. Preparo um copo de bourbon barato e ouço o afago do âncora sentado no sofá. O país só cresce, ele diz. Terminado o segundo copo, e o jornal televisivo, encontro-me sem sono. Me sinto um pouco aflito, preocupam-me as contas que terei de pagar no fim do mês. Alcanço uma caixa de calmantes e uma outra de relaxantes musculares na prateleira do banheiro, tomo os dois à seco. Em alguns minutos estou melhor, um pouco tonto, mas sonolento. Procuro meu quarto e encontro a cama desfeita, como havia deixado de manhã. Deito e os assovios da gaita do jovem do metrô invadem meus pensamentos. Imagens de pássaros engaiolados surgem como flashes à medida que as notas tomam forma. Durmo, satisfeito, pois é certo que amanhã virá novamente. »


4O P I N I Ã O

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Crônicas

Metástase não é comida francesa Bruna Tarcitano

"Significa que está tomando o corpo todo, filha". Quando minha mãe, há algumas horas, me mandou mensagem sem qualquer indício de exclamação ou "emoticon", não imaginei que tudo girasse em torno da palavra "metástase". É certo que sempre, ou quase sempre, amei com tanta intensidade as palavras quanto uma criança a um pirulito, mas a palavra "metástase" nunca nem chegou perto de mim. Agora buscando memórias distantes, lembro-me vagamente de duas amigas fazerem menção ao nome, com os olhos no chão e o coração em frangalhos, e eu, que sempre soube lidar melhor com os problemas alheios, preocupei-me apenas em trazer aqueles olhos pro céu e o coração pra perto de mim. Até algumas horas atrás, o que era "metástase" na minha cabeça? Orientação de trânsito. "O museu fica logo após a metástase entre a Avenida Kennedy e a Costa Machado". Um tipo de raridade espacial, daquelas que acontecem uma vez em cada século. "Não perca hoje à noite a metástase dos planetas". Nome de comida fina, talvez. "De entrada aspargos à metástase". "Metástase" podia ser qualquer coisa, até nome de remédio que faz arder. Mas não, todo mundo deve saber o significado da infeliz palavra. Eu que, provavelmente, vivo andando por aí achando que as coisas são fáceis e com o céu azul que essa cidade tem, então, piorou. Hoje é domingo, dia de ver filme e não fazer

nada, além do mais, comprei minha passagem da tão esperada volta pra casa e pro colo de gente mais velha, que tem o poder de me fazer sentir segura. Eu estava feliz, estava de bobeira e tão tranquila quando a palavra "metástase" chegou, que sua sonoridade de berro histérico fez minha cabeça girar. "Os médicos da sua avó disseram que é metástase", minha mãe disse. E tudo o que consegui pensar foi "ok, então a vovó ou quase foi atropelada na metástase da rua, ou sofreu de intoxicação alimentar pela comida chique, ou ainda desmaiou com tamanha beleza da metástase dos planetas". E em seguida disse "significa que está tomando o corpo todo, filha", confundindo mais ainda minha cabeça, que não conseguiu fazer ligação com os possíveis significados de "metástase". Agora sei o que o nome significa, porque minha mãe, com muita dor no coração e uma força quase heróica para não chorar, foi a que restou para me explicar como as coisas seriam daqui pra frente. E finalizando com "ela não vai aguentar por muito tempo", fez desmoronar meu sonho de que "metástase" teria alguma coisa a ver com comida francesa. Estou assustada porque, sempre ou quase sempre amei as palavras, mas essa não amo e, com toda a sinceridade de uma criança, queria ter o poder de transformá-la em um remédio que arde, mas que pode curar. »

Pai, me assaltaram! Caroline de Camargo Bufelli

Meu pai já me dizia, em caso de assalto entrega tudo, tudo que tiver e não olha no olho de quem for. Já me dizia e me preparava para o pior, para o que fosse acontecer no mundo lá fora quando eu, sua filha indefesa, fosse precisar enfrentar. E me dizia isso desde pequena, quando sempre acompanhada do mais atencioso cuidado e proteção, eu não fazia à mínima ideia do que era um assalto. Ter suas coisas tiradas, a vida lhe dando um tapa na cara, que isso, rapaz, sei nada sobre isso. E me criava, me dando tudo do bom e do melhor, cama quente, escola paga, roupa nova para os aniversários de quinze anos que tinha para ir ao final de semana, levava e buscava de carro nas portas das festas, cheias de seguranças e filhos de médicos e, junto de minha mãe, me recomendava para nunca beber no copo de outra pessoa – pode ter droga, podem lhe machucar. Como obediência, sempre assimilei tudo o que me ensinavam. Ter juízo, não dar ouvido a estranhos, não aceitar carona de gente que bebeu, não beber se fosse dirigir e ah! Mãe, corre, passei no vestibular. Vou morar fora, ter mobília, talher novo, amigos, professores, caminhos, bares e experiências novas. Vou crescer, aprender, seguir meu caminho e fazer trabalhos, muitos trabalhos. Meu pai também me dizia para sempre correr atrás dos meus sonhos. Acreditar que eu posso dar meu melhor em tudo, e seguir em frente, sem precisar machucar ninguém para conquistar meu espaço e meus propósitos. Segui feliz e vesti a camisa da faculdade. Fazer tudo na mais alta qualidade que eu puder em agradecimento a cama quente, a escola paga, as roupas novas de todos os aniversários de quinze anos que eu fui, e as caronas até altas horas da madrugada das festas cheias de segurança e filhos de médicos. Aí me assaltaram. Assustaram-me com uma arma, me pediram meu celular e me olharam nos olhos sem que eu pudesse desviar a tempo. Provaram-me na pele todos os debates que participei na universidade, em que eu tentava me transformar, evoluir, entender o mundo, compreender a

sociedade, fazer parte dela, de alguma maneira e entender o porquê certas coisas aconteciam. Quando eu burlei uma regra que meu pai havia me imposto e olhei bem fundo nos olhos daquele cara, eu entendi como a vida funcionava. Entendi que ele nunca teve uma cama quente, uma escola paga, roupas novas nem caronas para as festas cheias de seguranças e filhos de médicos. Enquanto eu aprendia a segurar em lápis e ouvia, quando errava, que eu poderia ser melhor, aquele cara aprendeu a segurar em arma e apanhava quando fazia algo errado. Apanhou quando nasceu, quando cresceu. Apanhou do pai, apanhou do irmão, apanhou do cara forte da escola, do policial. A parte mais triste foi quando apanhou da vida. Aí eu vi que eu não era vítima. Ele, aquele que me apontou uma arma, é quem era. Ele, com aqueles olhos arregalados, não sabe como será o dia de amanhã. Enquanto para mim o amanhã é sempre um novo dia, ele vive na incerteza do dia seguinte. Enquanto eu sou assaltada e na semana seguinte ganho um celular novo, ele precisa assaltar pra que possa continuar na vida. Ele precisa assaltar para que possa continuar apanhando e possa continuar vivo. Entreguei, e poderia ter entregado tênis, relógio, meu medo e minhas questões. Seria a vida de uma pessoa tão ruim, capaz de fazer-lhe provar do mal que lhe pertence e gerar tamanho medo em outro alguém, só para poder sobreviver? Será tão ruim esse mundo ao ponto em que eu, menina criada com cama quente, escola paga, roupa nova e carona para festas cheias de segurança e filhos de médicos, pudesse perder as esperanças? Suas circunstâncias eu nunca soube. Um celular, em si, é só um celular, mas a necessidade de tirar de alguém, além de mais complexa, traduz o mundo em menos de um minuto e nos faz crer que o que necessitamos não é discutir sistema penal, mas sobre até que ponto você chora pelo seu celular e dorme bem com a vida que tiram daqueles que nunca souberam o que é viver. »


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AT U ALI D AD E S

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Por uma

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positividade comunicativa Instituto IVE propõe formas alternativas de produzir comunicação

Leidiane Campos

Você provavelmente já ouviu a expressão “se torcermos o jornal, sairá sangue”. Acostumou-se a ver e ler os noticiários do dia esperando qual será a tragédia da vez. Foi pensando nesta situação que o projeto Imagens e Vozes de Esperança, o IVE, resolveu planejar uma solução. Coordenado pela entidade não governamental Brahma Kumaris, o plano tem a proposta de apresentar aos profissionais da comunicação a possibilidade de trazer ao público uma visão mais positiva frente aos acontecimentos sociais. A missão proposta pelo projeto é fortalecer e transformar o papel da mídia como um agente de benefício mundial. Os idealizadores do IVE acreditam que os profissionais da comunicação sejam capazes de gerar conteúdos construtivos, que amplifiquem a esperança humana e que colaborem com ações que promovam a vida. A meta primordial da organização é trazer à tona o que há de bom no mundo. Para o projeto, os profissionais da mídia devem se posicionar no papel de investigadores de histórias inspiradoras que ainda não tenham sido compartilhadas.

E na prática?

A estudante do 6º período de Jornalismo da UFU, Daniela Malagoli, acredita que a mídia “já tem influenciado esse pensamento mais positivo”. Para a estudante, o jornalismo tem um papel fundamental na vida em sociedade. “A proximidade entre a mídia e nós é tanta que nem mesmo percebemos”, ressalta. Daniela destaca que buscar um jornalismo positivo é, na realidade, “estimular através da verdade”. No acordo com Daniela, a jornalista e docente universitária, Patrícia Amaral, reflete que as matérias positivas são importantes, pois trazem para as pessoas um pouco mais de esperança. Para ela, a sociedade sente a necessidade de se

espelhar em bons exemplos e é neste sentido que projetos como os do IVE podem ser possíveis e viáveis. A jornalista explica que os profissionais da mídia têm “que começar a buscar o diferente, buscar o novo”. E foi buscando bons exemplos que a jornalista Mônica Cunha constituiu o exercício de sua profissão. A editora e apresentadora do programa televisivo Bem Viver conta que está sempre em busca de histórias de esperança. “No Bem Viver sempre tentamos levar essa mensagem positiva”, destaca a jornalista. Para Mônica, “os bons exemplos precisam ser reforçados, ressaltados”, pois esta maneira de se pensar a comunicação desperta o que há de melhor nas pessoas. A jornalista acredita que o jornalismo positivo já está dando seus sinais à sociedade, trazendo “mais leveza a dias de violência crescente, corrupção sem fim e injustiças sociais”. Para ela, não há como fugir da realidade que nos cerca, mas é possível ao jornalista transmitir “histórias melhores, que inspiram e recuperam”. O importante para a apresentadora é “não desistir da beleza da vida”, pois a comunicação positiva é um chamado que se faz sempre presente. “A cada dia essa voz me chama e eu sigo”, reflete.

Aprova a ideia?

Mas e agora, cá entre nós: essa proposta é realmente interessante? Para a assídua leitora das notícias diárias, Liliane Carla, o que se vê hoje na mídia é a ênfase nas tragédias. A estudante não considera a exposição destes fatos algo essencialmente ruim, pois acredita que, apesar de tudo, “temos que ser realistas”. Liliane, no entanto, pontua que a transmissão noticiosa do que há de negativo na sociedade se tornou massiva. Assim, para ela, esta nova maneira de se pensar a construção das notícias pode ser benéfica, pois propicia às pessoas “uma nova visão do mundo”. »


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No caminho iluminação 22 jul

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Entrevista perfil

Em busca de outros olhares, Adriana na linhagem Zen Budista equilíbrio, c e entende que viver é estar em plen com o todo, por isso o amor a tod Bruna Tarcitano

ILUSTRAÇÃO: Pixabay

De óculos redondos, estilo John Lennon, e os cabelos pretos curtos, Adriana Muniz Retamal, conhecida no Zen como Adriana Myoden, chega dizendo que não é tão importante assim para dar entrevista. Sua expressão é alegre, seu falar calmo, seu olhar vai além e logo vemos que sua mente é sábia. Pede um minuto de silêncio e respiração profunda e – por mais notável que seja o desconforto de todos na coletiva de imprensa – permanece ali, em paz, serena, com o coração e a mente abertos. Abre os olhos e pega seu Rakusu, explicando aos olhos curiosos que é a miniatura do manto do monge – um documento – que ela desdobra com cuidado e recita “[...] vasto é o manto da libertação, sem forma o campo de benefícios, uso os ensinamentos do Tatagata para salvar todos os seres”. Afinal, diz “gratidão” e pede um pouco de lenço, explicando “é que assim, quando eu recito um verso que acho bonito eu choro. É um

clássico”. E as lágrimas caem imediatamente pelo sorriso de Myoden.

Menina dos mendigos

Adriana nasceu em Santarém, no Pará e quando pergunto quando decidiu seguir o Zen Budismo, diz apenas que desde pequena foi muito apaixonada por tudo. Relembra, rindo, das palavras de sua irmã “Adriana conversa com mendigo e cachorro todos os dias”. Ainda jovem, formou-se em Design de Interiores pela Universidade Federal de Uberlândia. Foi perto dos 28 anos que “a ficha começou a cair”, encontrando o Via Zen em Porto Alegre. Sua mente é cheia de memórias de um mundo belo e cheio de Budas. Myoden escolheu como professora a pau"“Myo” signific listana e roqueira Coen Roshi, por quem demonstra muito versão mais carinho. A monja fez claridade do a ordenação leiga de Adriana, que passou lua, enquanto a ser Myoden e, ano “dharma”, tudo que vem, fará sua transição para a sagrado ou monástica. “Foi olho universo. Em no olho e eu falei ‘é tradução, M ela’, mas não sabia nem onde nem significaria “b quando”. transmiss A principal prática do Zen Budismo é o Zazen, “sentar em zen”. É manter a postura ereta, o olhar na diagonal e os polegares levemente encostados, deixando os pensamentos passarem. É estar atento à respiração e, no lugar de deixar sua vida no comando automático, tomar o controle do seu navio.


o da ...

a Myoden vê calma interna na conexão os os seres.

Vendo os Budas no inferno

Até pelo fato de Myoden ser do rock sua prática Zen é outra. Em suas chocantes palavras, “eu gosto de ver Budas no inferno, sabe?”. Ela gosta de mendigos, adictos, prostitutas e alcoólatras, não só no sentido de ajudá-los, mas também por se ca, numa sentir ajudada por eles o tempo toPara ela, todos os seres têm naampla, a do. tureza Buda e os vícios são apenas sol e da “vício da falta de amor”. Foram várias às vezes nas quais o “den” é Myoden mencionou alguma experio o que é ência fora do comum com mendigos. u todo o Ela é extremamente apaixonada pelos seres humanos e vê em cada ser um m uma mestre e um Buda. A prática Zen Budista conciliada Myoden o trabalho no meio corporativo brilhante foicomdesafiadora no início, mas hoje, são”. traz “vantagens sem limites”, explica. Ela conta que procura tratar todos bem, e gosta de entrar nas obras, mesmo que os pedreiros achem loucura. “Eu quero ficar suja de terra, quero ajudar pessoas a construir casas”. Em 201 2, participou do Retiro de Rua, feito pelo Zen Peacemakers, grupo de Zen Budismo socialmente engajado. Myoden fez

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7 FOTO: Grupo Fotojornalismo

Prática zen budista é alicerce para a vida, engajado e de abertura de consciência

parte da edição paulista do retiro, vivendo praticar permacultura e cuidar da plantação durante quatro dias como sem teto na Praça de hortaliças orgânicas do Sítio Namastê, em da Sé, centro de São Paulo, Uberlândia, também junto com outros Zen budistas. são coisas que a Adriana é apaixonada doce Myoden faz, “É interessante ser sem teto, porque a gente vive para ter por todos os preceitos com o rosto cheio teto”. A ideia é olhar para as de alegria. Zen budistas. Segundo coisas de uma perspectiva diEla termina a ferente e mais apaixonada. entrevista com proa monja, os preceitos funda gratidão, me de ouro a conduzem a arrepiando Boemia Zen da cabeMyoden sempre gostou do não fazer o mal, fazer o ça aos pés. É uma rock e da boemia, o que não garota sorridente, de bem e fazer o bem a mudou muito desde que cocabelos pretos e ócutodos os seres, e isso los redondos, que meçou com suas práticas. O que gosta é de observar os ce- permeia até mesmo a partiu mudando a vinários a partir de outro ponto são não apenas do cervejinha com os de vista, afinal, para a Ordenada que é ser Zen, mas Leiga, os preceitos Zen budistambém do que é ser amigos. Entretanto, tas dão total liberdade. ser humano. também acredita que umEnfim, Tom Jobim, Cássia Eller, repete as Queen, Cazuza, Janis Joplin e viver gera impacto e palavras da monja Chico Buarque estão por seu Coen: “Ser Zen é admite que é muito Facebook, assim como mentrocar pneu, as difícil viver assim. sagens alegres de eventos mãos sujas de Zen. Adriana ama cerveja esgraxa. Ser Zen é ser pecial, tomar vinho, ir a bares e shows e se pedreiro, fazendo e refazendo casas. É ser a equilibrar no slack line. Bater papo com os respiração que respira em cada ação. Ser Zen moradores de rua, manter sua sala de Zazen, é ser tempo, ser Zen é ser existência”. »


8 AT U ALI D AD E S

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Meio Ambiente

Política ambiental da UFU: do papel para a prática?

Luísa Calefi e Marcelo França

Gestão e educação

Em 2007, um grupo de especialistas iniciou o trabalho de identificação do direcionamento dos resíduos da universidade e, com isso, foi proposta a criação da Comissão de Gerenciamento de Resíduos. A partir dela, foi desenvolvida a primeira versão da política ambiental para a UFU, que incluía a criação da Comissão Permanente de Gestão Ambiental (CPGA), a qual teria a finalidade Resíduos Sólidos é pauta primeira da Lei 1 2. 305 de 201 0, sobre impacto ambiental de gerenciar ambientalmente a universidade com a participação de professores, técnicos e alunos. Com a mudança está sendo acumulado. Não está sendo manipulado. Optamos por na política ambiental da UFU, a CPGA foi extinta e criou-se, então, a não tratar”, afirma. Ainda de acordo com o diretor, a opção pelo não Comissão Institucional de Gestão e Educação Ambiental (CIGEA) tratamento na universidade é a falta de condição para executar essa com a finalidade de supervisionar a Política Ambiental da UFU. tarefa. Na universidade há o Laboratório de Resíduos, onde, segunDe acordo com Euclídes Honório de Araújo, diretor de sustendo Júlio César Costa, técnico em meio ambiente responsável pelo tabilidade da UFU, a CIGEA ainda não está em funcionamento, laboratório, funciona uma unidade de gerenciamento criada em mas será composta por cinco técnicos administrativos: dois liga2007 que, por motivos de administração, permaneceu fechada. De dos à educação e três aos hospitais; cinco docentes e cinco aluacordo com Araújo, houve a abertura do laboratório, mas ainda há a nos, sendo dois da pós-graduação. “Só ele (reitor) pode nomear. A necessidade de contratação de mais profissionais. CIGEA funcionou extraordinariamente e agora espera para se reuO advogado, Thiago Deienno ressalta a necessidade de a Uninir de forma definitiva.” A CPGA foi proposta para atuar como um versidade estar atenta à qualificação técnica das empresas e se órgão executor que acompanharia de perto os processos ambientais e daria respostas, caso necessário. Segundo o professor Mau- elas possuem autorização pelos órgãos ambientais para realizar esse serviço. Ele afirma ainda que a contratação de empresas terro Marques Burjaili, a criação da CIGEA divide educação e gestão. ceirizadas não isenta a UFU das responsabilidades ambientais. O professor afirma que a gestão engloba educação e que o direci“Além da responsabilidade solidária por danos ambientais, a Lei de onamento correto dos resíduos deve ser feito de forma sistêmica Resíduos Sólidos afirma expressamente que todos os que fazem por todos da comunidade acadêmica. Tomando o conceito de universidade interligada em todas as es- parte da cadeia de manejo e geração do resíduo são responsáveis feras, a CGR propôs o compromisso formal que foi consolidado no por ele”, completa Deienno. artigo terceiro da Política Ambiental: “A UFU se compromete a agir em prol da prevenção da poluição e da conservação e restauração Unisinos do meio ambiente, atendendo aos requisitos legais aplicáveis e ISO 1 4001 é uma norma conhecida internacionalmente que transcende-los, como forma de exemplo, quando possível, proporci- estabelece um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) com equilíbrio onando a melhoria contínua do seu desempenho ambiental, para o entre lucratividade e redução do impacto ambiental. A Universidadesenvolvimento sustentável, em todos os seus espaços de atuade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) foi a primeira universidade ção”. Contudo, segundo o diretor de sustentabilidade, a primeira a receber a certificação na América Latina, em 2004. De acordo tentativa de implantação da Política Ambiental não deu certo. com a representante do SGA da universidade, Susana Brand, o processo de certificação ambiental levou cerca de dois anos e a Lei Federal política ambiental usada foi elaborada pela administração da uniDe acordo com a lei 1 2.305, de 2 de agosto de 201 0, o Plano de versidade, pelo Sistema de Gestão Ambiental e comissão de proGerenciamento de Resíduos Sólidos (PNRL) deverá ser elaborado fessores e funcionários designada para o processo. por instituições de serviço público de saneamento, indústrias, serA Universidade realiza coleta seletiva e possui uma estação de viços de saúde, mineração e estabelecimentos comerciais ou tratamento de esgoto doméstico e pré-tratamento de efluentes prestadores de serviço que gerem resíduos perigosos ou em voluquímicos e biológicos gerados, além de fazer compostagem dos mes desproporcionais aos domiciliares. O plano de gerenciamento resíduos vegetais. No entanto, ainda de acordo com a represendeverá conter exigências mínimas como o diagnóstico dos resídu- tante, em relação à logística reversa, que ainda não é realizada na os gerados, ações preventivas, além de metas e procedimentos universidade, será feito um projeto piloto para as lâmpadas fluopara diminuição dos resíduos sólidos gerados. A lei também introrescentes. “Trabalhamos diariamente com a melhoria contínua do duz o conceito de logística reversa, que cria a obrigação do consu- sistema de gestão ambiental”, afirma Susana. »

FOTOS: Sérgio Dalláglio

Com o objetivo de diagnosticar e direcionar corretamente os resíduos da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) criou-se a Comissão Gestora de Resíduos (CGR), composta a partir da constatação da necessidade de implantar uma política ambiental na universidade. Segundo a coordenadora da CGR, docente Márcia Gonçalves Coelho, a ausência da política que amparasse legalmente os compromissos que a universidade deveria assumir com o meio ambiente era usada como justificativa para o descarte incorreto dos resíduos. A política ambiental proposta pelo grupo passou por modificações, foi aprovada em 201 2, mas aguarda implantação.

midor devolver para os fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, independente do serviço público de limpeza, os resíduos de agrotóxicos; pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes; lâmpadas; e eletroeletrônicos. De acordo com Araújo, a Universidade optou por contratar empresas para recolher os resíduos gerados pela instituição. “Tudo


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UFU se adapta para gerenciamento de resíduos eletroeletrônicos Luísa Calefi e Marcelo França Dar a destinação adequada aos resíduos eletroeletrônicos de órgãos públicos é uma questão que envolve a burocracia da diferenciação entre itens do patrimônio público e material de consumo, além do envolvimento de resíduos de variadas utilidades. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), institutos e faculdades ficaram sem cartuchos de impressora durante um período de aproximadamente dois meses devido ao processo de regularização ambiental em relação às empresas fornecedoras e à implantação do processo de logística reversa, que foram medidas para viabilizar a coleta dos resíduos pelo setor empresarial para que possam ser reaproveitados ou receberem destinação final adequada. De acordo com Eunir Augusto Reis Gonzaga, coordenador de planejamento de gestão ambiental da Diretoria de Sustentabilidade (Dirsu) da UFU, há uma gama significativa de resíduos que envolvem os produtos eletroeletrônicos e materiais como cartuchos de impressora. Há duas classes de resíduos: os componentes eletrônicos e a tinta. Euclídes Honório de Araújo, diretor de sustentabilidade da UFU, diz que por haver objetos considerados patrimônio, o processo de logística reversa se torna mais complicado visto que o descarte é de procedimento diferenciado.

Cartuchos de impressora

Os cartuchos de impressora apresentam componentes plásticos, metais e tinta. A classificação desse resíduo, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), é classe I, ou seja, apresenta riscos à saúde pública e ao meio ambiente ou características como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. Os cartuchos de impressora apresentam metais pesados em sua composição e segundo o professor Bruno Teixeira Ribeiro, pesquisador na área de manejo e conservação do solo

e água, esses metais, dependendo das condições, podem atingir o lençol freático, comprometendo a qualidade da água. No processo de logística reversa, a responsabilidade pela destinação adequada dos produtos é compartilhada. No caso da UFU, segundo o coordenador Gonzaga, a Dirsu abriu processo de licitação para contratação de empresas que possuíssem certificação ambiental para o fornecimento de cartuchos para a universidade, visto que a empresa que antes fornecia os cartuchos, não possuía a certificação. No período desse processo de licitação, que durou cerca de dois meses, os institutos ficaram sem cartuchos. Gonzaga relata que em 201 3, a universidade chegou a ter um estoque de sete mil cartuchos em um galpão, visto que havia dificuldades para leiloá-los e nem sempre o processo de recarregá-los dava certo. Foi feita, então, a nova licitação procurando uma maneira de diminuir o montante estocado. Assim, de acordo com o coordenador, o contrato estabelecido entre a empresa ambientalmente certificada e a universidade estabelece que ao fornecer os cartuchos de impressora para a UFU, a empresa recolherá os usados.

Patrimônio e leilões

Outro problema identificado na gestão de resíduos eletroeletrônicos em órgãos públicos é a questão que envolve os patrimônios. Há a necessidade de fazer o descarte desses resíduos sem que haja prejuízo para o patrimônio público. Gonzaga aponta objetos como teclados, mouses e telefones como exemplos de material de consumo e, por outro lado, impressoras como bens patrimoniais. “Quando um equipamento é patrimônio, você não pode simplesmente descartar. Você tem que dar baixa no patrimônio, tem que ter um leilão, levar isso a público. Existe um procedimento diferente”, completa. »

Impactos ambientais das Usinas guari, mais de 50% do rio se tornou lago. iniciadas. O docente da Faculdade de EngeAinda de acordo com o professor, a nharia Elétrica, José Rubens Macedo Jr, construção de hidrelétricas gera impacto não só ao meio ambiente. “A constru- lembra que a escassez de água pode causar alterações na qualidade da ção é impactante ao meio ambiente e, energia, por meio de interrupções ou principalmente, ao trabalhador. Há a racionamento. Ele ainda diz que o uso perda de identidade e de cultura”, comde outras fontes de energia é vantajopleta. so. “A diversificação da matriz energéApesar dos impactos, as hidrelétritica diminui os riscos associados à cas possuem importância econômica e escassez de água nos grandes reservasocial para o País. De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elé- tórios”. » trica, 63,03% da energia elétrica produzida no Brasil ocorre em 1 .1 33 usinas hidrelétricas em operação, porcentagem que poderá ser aumentada com a conclusão de 45 empreendimentos em construção e 1 95 outorgados, mas que não ti- Uberabinha. Baixo nível de água nos afluentes dos rios represaveram as obras dos afeta produção de energia

FOTO: Sérgio Dalláglio

Marcelo França Na correria do dia a dia, ao acenderem lâmpadas ou ligarem aparelhos elétricos, poucos param para pensar em como a energia elétrica é produzida e distribuída. Os recursos hídricos do Brasil garantem para as hidrelétricas um papel fundamental na produção de energia. No entanto, os impactos causados pela construção de represas geram alterações ambientais que, no máximo, são amenizadas por ações indenizatórias ou pelo deslocamento de exemplares da fauna e flora para outras regiões. Antes de represar uma área há o trabalho de realocação de exemplares de espécies da fauna e da flora, mas a mudança no habitat natural das espécies rompe um sistema que dificilmente se recuperará. O docente do Instituto de Geografia, Vicente de Paulo da Silva, afirma que no caso da Usina de Nova Ponte, espécies de peixe deixaram de existir no local e animais que vivem nas margens sofreram alterações em seu sistema natural. Ele acredita que com a construção de seis usinas no rio Ara-


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Compartilhando e somando : a importância do trabalho voluntário FOTO: Mariely Dalmônica

Ser voluntário é algo enriquecedor, se planta o bem e dinheiro algum consegue pagar tanta sabedoria colhida próxima década, o próprio médico disponibiliza em seu site especificações sobre a doença e dicas para lutar contra ela em www.vencerocancer.com.br. Com tantos índices negativos, como um paciente que luta contra uma doença tão agressiva pode esquecer-se dela por alguns minutos? O câncer deve ser enfrentado por um time, que inclui profissionais de saúde, voluntários, paciente, familiares e amigos. Há 1 8 anos foi criado em Uberlândia uma ONG aliada ao Hospital do Câncer, o “Grupo Luta Pela Vida”, que organiza o corpo de voluntários do hospital, o grupo conta com cerca de 450 voluntários, dividiFilipe Coutinho durante a páscoa no Hospital do Câncer dos em 20 equipes. Além de transbordar solidariedade, o Mariely Dalmônica grande objetivo dos voluntários é humanizar o ambiente hospitalar e proDesde que me entendo por gente meus pais sempre diziam que todo ser porcionar apoio aos pacientes e humano tem que fazer o bem ao próxi- familiares. As ações realizadas pelo hospital são mantidas por doações mo, independente de ser uma pessoa da comunidade, sejam roupas, sapajovem, velha, criança ou até mesmo tos, livros e até mesmo alguma um animalzinho. Cresci e vi que tem gente que realmente leva muito a sério quantia em dinheiro, e também apoio tal aprendizado, realizando todo tipo de das empresas de Uberlândia e região. trabalho voluntário. No ano passado foi feita uma exHá três anos minha mãe descoposição fotográfica com pacientes briu que estava com câncer de mado hospital no mês de outubro, que ma e eu pude compartilhar essa é conhecido como “Outubro Rosa”, jornada de sofrimento e muitas aleépoca para alertar as mulheres sogrias posteriores, ela sempre me bre o perigo do câncer de mama. A conta várias histórias que aconteceexposição foi nomeada como “Linram com ela no interior do hospital, e das de Viver”, e minha mãe foi uma sobre os voluntários que sempre esdas pacientes convidadas a serem tão com um sorriso no rosto. “Eu fotografadas, “Participar dessa exchegava no hospital para mais uma posição foi um marco em minha viquimioterapia, aí vinha um voluntário da, e o Grupo Luta Pela Vida sempre que se sentava ao meu lado e comefoi muito acolhedor comigo e com çava a jogar conversa fora, eu nem todos os pacientes do hospital, ficonhecia a pessoa e ela saía de onde quei surpresa com o convite”, conta estava pois me achou ‘pra baixo’”, re- Marisa. lata minha mãe, Marisa. Os voluntários praticam atividaSegundo um dos maiores oncolo- des recreativas no hospital, proporgistas do Brasil, Fernando Coitat Macionando bem-estar físico, luf, futuramente a doença será a psicológico e social ao paciente que maior causa de morte no mundo na está se tratando. Tive a oportunida-

de de conhecer Filipe Coutinho, de 26 anos, que é voluntário há um ano no hospital, que ele chama carinhosamente de “Hospital da Gratidão”. “Eu sou uma pessoa que nasceu pra fazer coisas boas para os outros, e não pra mim diretamente”, conta o voluntário. Quando um paciente do hospital falece, Filipe diz que é algo muito impactante, “mas eu fico satisfeito pelos sorrisos e obrigados que a gente ganha lá, e esse é o nosso pagamento”, compartilha. Segundo o site do “Instituto Oncoguia”, cerca de 50% dos casos de câncer no mundo têm cura. O voluntário ainda diz que “A questão psicológica que ajuda demais. Eu não vejo sentido uma pessoa sorrir com um câncer espalhado no corpo inteiro, mas a pessoa sorri, então eu não sei a explicação. Pra mim é totalmente gratificante, é uma obrigação do ser humano ajudar o outro”. Minha mãe sempre diz que “As pessoas que realizam o voluntariado precisam de um grande suporte emocional para sempre estarem ajudando o paciente e garantir uma boa relação entre os dois. E isso eu vejo sempre no hospital, os voluntários tratam todos tão bem, não só os pacientes, mas também os acompanhantes”. Os serviços voluntários são e sempre serão tratados como algo enriquecedor para o indivíduo que o pratica. O Hospital do Câncer de Uberlândia recebe todo tipo de contribuição, e ultimamente uma diferente doação vem chegando com mais frequência, são as doações de cabelo para a confecção de peruca para as pacientes. As irmãs Maria Clara Castro, 1 5 e Marcela Castro, 9, decidiram cortar seus cabelos curtinhos e doar as mechas ao hospital, a irmã mais velha diz “eu me sensibilizei, alguém pode precisar bem mais do que eu. Fiquei bem emocionada quando eu fui levar o cabelo no hospital do câncer, é quando realmente você tem a sensação de missão cumprida”. Marcela acrescentou “eu queria também ver outra criança feliz, depois de cortar eu dei um gritinho e falei: pronto, cortei! Me senti feliz, muito!”. »


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P ro j e t o Cach o e i ro ap re s e n t a ro t as d as Cach o e i ras d o T ri â n g u lo M i n e i ro L FOTO: d ívia R o M rig u es

Desenvolvido por seis alunos do curso de Jornalismo da UFU, o site é uma opção ecoturística de lazer

a ch a d o

Carlos Gabriel Ferreira, Emílio Lins de Sá Vieira, Isley Borges da Silva Junior, Laís Pinto Ortiz, Lívia Rodrigues Machado e Raissa Dantas de Sousa

Facilitar o acesso da população de Uberlândia e região às cachoeiras: este é o objetivo do Cachoeiro, que tem brincadeira no nome e muita gente aventureira no Triângulo Mineiro. Se nossa cidade é conhecida por sua logística de FOTO: Raissa Dantas de Sousa negócios, também merece ser valorizada pelas suas quedas naturais. Pois bem, aqui nós estamos, seis jornalistas em formação, apresentando uma alternativa barata para tirar qualquer um da zona de conforto. Por detrás de tudo, o projeto apresenta, principalmente, que a natureza é muito mais do que um refúgio das grandes selvas de pedras, mas também uma forma de turismo acessível a toda população. Ao perceber uma ausência de informações entre as possibilidades turísticas que o cerrado mineiro proporciona e a demanda da população por programas de lazer gratuitos e de qualidade, o projeto se desenvolveu ao longo de oito meses. Unindo “Cachoeira” e “Roteiro”, o Cachoeiro selecionou e visitou, inicialmente, cinco cachoeiras para fazer registros fotográficos, narrar aventuras e mostrar as trilhas e rodovias em vídeos instrutivos de “como chegar”. Tudo isso apoiado na linguagem do Jornalismo Gonzo, técnica que se aprofunda no trabalho antropológico do jornalista, ressaltando, acima de tudo, o envolvimento e os olhares do repórter com a situação narrada. O resultado foi um trabalho autoral, verdadeiro e bem apurado, refletindo as nossas

impressões e vivência durante o processo. A ideia de se jogar no cerrado e tornar isso um manifesto jornalístico nasceu em meio a discussão de criação de um projeto prático final exigido pela graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia. Desde outubro de 201 3, o Cachoeiro tem preservado o seu lado B da situação e é de todo mundo, além de ser gratuito e colaborativo. Desde sua gênese, o grupo buscou a colaboração de várias personalidades, como biólogos, praticantes do reiki, ciclistas e publicitários. Queremos mesmo é algo plural, bonito e democrático! O mais interessante é que, dos seis criadores, nenhum se parece com outro: e isto está presente nas diferentes perspectivas de cada cachoeira visitada, seja nos vídeos, fotografias ou textos – cada um emprega a personalidade forte que tem. Em cada entrevista realizada, percebeu-se que o Projeto Cachoeiro, além de ser um produto inovador, considerando que não há nenhum similar no mercado, ele é, acima de tudo, necessário, pois também leva em consideração a conscientização de seu público para a preservação do meio ambiente e das quedas naturais. O site está no ar e é o nosso convite ao desconhecido, para sair da zona de conforto. Desde então, já tivemos um feedback bacana através de comentários no site, mensagens nas redes sociais e pessoas que nos procuraram no Facebook para parceria em outros projetos. Ou seja, com pouco tempo de vida, o Cachoeiro é referência para aqueles que buscam um contato mais próximo com a natureza, de uma forma simples, acessível e quase sem custo financeiro. Jorge Amado já dizia que só os malandros são felizes, porque os malandros conhecem a cidade com a facilidade de um sorriso. Nós concordamos com veemência. O que está por vir “é tudo nosso”. »

SER VI Ç O : Projeto Cachoeiro – roteiro de cachoeiras de Uberlândia e região http://projetocachoeiro.com.br http://fb.com/projetocachoeiro http://instagram.com/projetocachoeiro


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FOTO: Michael Kealton Barcelos

Um sorriso, um olhar, um pôr do sol. Cada minúcia do tempo que não vemos. O dia a dia agitado, o ciclo vicioso que nós mesmos criamos e a rotina impetuosa e incessante que insistimos em cumprir nos privam detalhes encantadores que transformariam segundas-feiras chuvosas. São milhares de organismos que criam o sistema único no qual vivemos. Cada animal, seja pequeno ou grande, seja o bicho homem ou não, é um pequeno motor de tudo que ocorre perto de nós. O mundo é muito maior do que nossa bolha. A gargalhada sincera, a lágrima inesperada, a luz que se acende e a noite que se vai. Todas elas dotadas de iguais importâncias. Mesmo que a gente não consiga, infelizmente, enxergá-las. »

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FOTO: Sérgio Dalláglio

FOTO: Sérgio Dalláglio

FOTO: Mariana Almeida

FOTO: Mariana Almeida

FOTO: Maria Paula Martins


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