s e n s o i n co m u m
FOTOS: Ananda Dinato
quemévocê?
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n o v o cu rrícu lo d e m e d i ci n a t e m f o co e m at e n cã o p ri m á ri a ri v ali d ad e h i s t ó ri ca e n t re at lé t i cas d a u n i v e rs i d ad e
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f alt a d e i n ce n t i v o e s v az i a t e at ro s d e u b e rlâ n d i a
JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO - UFU - ANO 05 - Nº 1 9 - DEZEMBRO/201 3-JANEIRO/201 4
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OPIN IÃO
Editorial
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Charge
Lutando por espaço nos octógnos O MMA feminino não é um esporte tão reconhecido, falado e respeitado. O masculino nem tanto, mas todos sabem as dificuldades quando o assunto é esporte feminino, ainda mais quando se trata de luta. As mulheres vêm conquistando seu espaço nos rings mundiais não é de hoje e, aos poucos têm conseguido o território merecido, como grandes esportistas que são. A maior organização de MMA do mundo, o UFC, foi um dos primeiros a reconhecer o poder feminino nessa área, o poder de Ronda Rousey para ser mais específico. O presidente Dana White já tinha dado uma declaração no começo de 201 2 dizendo que jamais teríamos mulheres disputando no Ultimate Fighting Championship. Logo mudou de ideia e foi convencido da maneira mais simples: no octógono. Na época ainda lutadora do Strikeforce, recémcampeã e lutando para defender seu título diante da canadense Sarah Kaufman, Ronda Rousey impressionou o chefão do UFC com sua força, técnica e, principalmente, sua personalidade peculiar. Depois disso, não demorou para a categoria peso galo feminina ser criada no evento, ter Rousey como primeira contratada e campeã da organização. Ronda Rousey é americana, durona e precursora em tudo que fez até hoje no auge de seus 26 anos. Primeira mulher norte-americana a conquistar uma medalha olímpica no Judô (bronze em Pequim, 2008), primeira campeã feminina no UFC, primeira mulher a treinar uma equipe no The Ultimate Fighter, invicta em sua carreira no MMA, com sete vitórias em sete confrontos, todos por finalização com chave de braço que é sua especialidade. Ronda não é a garota boazinha, mas, assim como o próprio Dana White admitiu, é a principal (única) responsável pela entrada das mulheres no maior evento de luta livre do mundo. O principal reflexo da popularidade e talento de Ronda Rousey será a criação de mais uma categoria feminina no UFC: o peso palha. A notícia que abalou o mundo da luta foi confirmada pelo próprio Dana que, em entrevista, disse que a nova temporada do TUF (The Ultimate Fighter), que tem Ronda e sua arquirrival Miesha Tate como treinadoras, vem fazendo tanto sucesso que o fez pensar e trabalhar em uma nova divisão para mulheres. Lutadoras talentosas nessa nova categoria não faltam e espaço para elas, pelo jeito, não é mais problema. Sem dúvidas, o MMA feminino veio para ficar, não pelos rostos bonitos, mas sim pelas grandes atletas que esse esporte possui. »
Artigo
Opinião é questão de respeito Leidiane Campos
Todos nós possuímos opiniões. Isso é um fato indiscutível, onde não há espaço para dúvidas. Outro fato que não merece questionamentos é o de que cada indivíduo possui uma maneira própria de pensar e agir. Logo, cada ser humano se torna único em suas diferenças e, portanto, possui uma opinião que se difere da opinião dos demais. Mas, será que todos sabem disso? Atualmente inúmeras pessoas levantam bandeiras em favor da liberdade de expressão e de pensamento, esbravejam aos quatro ventos que ninguém deve julgar ninguém e que cada um deve viver sua vida da maneira que lhe for conveniente. É uma atitude bonita. Mas é também uma atitude hipócrita. Ao mesmo tempo em que indivíduos lutam pela liberdade de expressão, os mesmos, em cenas corriqueiras, desrespeitam e julgam preconceituosamente os valores e opiniões de outras. Ora, lutar por uma causa que nos é conveniente é muito fácil. Se sou x, vou defender a causa do x. Se sou y , vou defender a causa do y. Mas se eu sou w? Não preciso respeitar as causas do x e do y? “Nãaaao!”, dizem os pseudolibertários. Além disso, os seres humanos estão se tornando cada vez mais efêmeros. Mudam de causas, assim como mudam de roupa. “Se hoje me convém defender esta causa, vou defendê-la. Se amanhã não precisar mais dela, vou julgá-la”. E o mais triste é que, na maioria das vezes, esses indivíduos nem sequer sabem se o que estão falando e disseminando é o que de fato acreditam. Pior, será que eles realmente acreditam em alguma coisa? Lutar por algo, eles lutam. Mas qual o real motivo de uma luta totalmente esvaziada de sentido, onde a palavra de ordem é o desrespeito ao outro? Adianta defender uma causa baseando seus argumentos em insultos e críticas ao que não vai ao encontro de suas convicções? Você não está somente reproduzindo com os outros o que não quer que façam com você? Você pode possuir sua opinião e defendê-la, caso necessário. Este fato não pode ser contestado. O que você não pode é acreditar que suas ideias são as únicas que precisam ser validadas e defendidas até o último momento. Divergências existem e devemos aprender a conviver com elas. Em uma sociedade onde lutamos por tantas causas, que tal lutarmos por um pouco mais de respeito ao que nos é diferente? »
Expediente Reitor: Elmiro Santos Resende / Diretor da FACED: Marcelo Soares Pereira da Silva / Coordenadora do curso de Jornalismo: Ana Cristina Menegotto Spannenberg / Professores responsáveis: Christiane Pitanga, Ingrid Gomes, Marcelo Marques e Mirna Tonus Editores-chefe: Giovana Matusita e José Elias Mendes / Editores de capa: Leonardo Hamawaki e Paula Nascimento / Editores de páginas especiais: Francine Naves e Gabriel Rodrigues / Editoras de fotografia e arte: Marina Coll e Thatiana Angeli / Editores de opinião: Guilherme Fragosso e Nayara Ferreira / Editorialista: Aline Guerra / Revisoras: Mirna Tonus e
Ingrid Gomes / Finalização: Danielle Buiatti Atualidades // Editores: Alzira Riquieri e Maysa Vilela / Subeditores: Aline Guerra, Lucas Manaf, Nayane Dominique, Nivaldo Nascimento e Rinaldo Morais Ciência & Tecnologia // Editores: Anna Vitória Rocha e Priscila Diniz / Subeditores: Amanda Silva, Ananda Dinato, Felipe Flores, Gabriela Guimarães, Gabriel Zuccolotto, Laís Farago e Lorena Martins Cultura, esporte e lazer // Editores: Flahana Pfeifer e Victor Albergaria / Subeditores: Giovana Santos, José Pedro Bezerra, Lara Lacerda, Leidiane Campos e Maria Emília Duarte
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OPIN IÃO
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Crônica
Por que você não gosta de mim? José Elias Mendes
radicado em Londres, Mika. Cansado de ser rejeitado pelas gravadoras devido a seu estilo arrojado e inovador, Mika escreveu a canção que o colocou no topo das paradas: Grace Kelly. I ronizando o fato de ser recorrentemente comparado ao vocalista do Queen graças à sua capacidade de atingir tons agudos com a voz, ele canta que teve uma crise de identidade ao tentar ser “um pouco Freddie” e esbravej a: “Por que você não gosta de mim sem me exigir esforço?”. A alteridade, em oportuna definição de Frei Betto, é a capacidade de apreender o outro na plenitude da sua diferença. Tendemos a nos projetar no outro e a transformá-lo em ícones que temos por corretos. Acontece que a ausência de alteridade nas relações pessoais, ou seja, não perceber o outro em suas singularidades, acaba por gerar conflitos. “Que coisa mais traiçoeira é acreditar que uma pessoa é mais do que uma pessoa”, disse John Green em seu romance Cidades de Papel. O escritor norte-americano foi certeiro ao abordar a estranha mania da sociedade de formar imagens sobre os indivíduos. Criamos, diariamente, estereótipos e formulamos julgamentos baseados única e exclusivamente em signos de suas identidades sociais. Signos que são apenas peças do complexo quebra-cabeça que é a formação do ser humano. Acontece que os sujeitos se elaboram no bojo da cultura e a identidade é discursivamente construída. Desta forma, por meio da linguagem, a loira passa a ser burra. O gordo, piadista. A mulher de roupa curta é vadia e o homossexual é promíscuo. O negro é objeto sexual e o mendigo é vagabundo. O estudante de ciências humanas é hippie, o de exatas é homem com H maiúsculo e eu, é claro, torço pelo Cruzeiro. Eu poderia ser marrom, azul ou violeta celeste. Eu poderia ser cruzeirense ou ser Freddie Mercury. Mas eu não quero ser Freddie e, se estes são os dias das nossas vidas, por favor, não me parem agora. Eu quero me libertar. »
Ombudsman
Espaço do Leitor pensar e agir e a hipocrisia que cerca cada uma delas. A reportagem “Somos Plurais” também me chamou atenção, pois traz questionamentos sobre a identidade do ser humano e acaba “propondo” uma desconstrução de preconceitos a fim de viver a diversidade sem os “malditos” estereótipos impostos pela sociedade. Fernanda Resende Jornalista (repórter do G1 /Portal de Notícias da Globo) e escritora . »
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in c o m u
m
Tam b é m c o n trib u e n v ie sua iç ão p a sen so in ra c o m um ufu@ gm
ail. co m
ARTE: José Elias
Junção de opinião, cultura, educação, informação e serviços. É assim que descrevo o ‘Senso InComum’. O jornal mostra o que há de relevante para o meio acadêmico como para o público em geral. Utiliza de linguagem clara, descontraída e coesa e possibilita o entendimento e a interação dos leitores. Nesta edição, destaco o artigo “Opinião é questão de respeito”, escrito por Leidiane Campos. O texto traz uma reflexão sobre as formas de
ARTE: Paula Nascimento FOTO: Ananda Dinato
Cruzeirense. Logo eu, que não entendo patavinas de futebol, ganhei este apelido pelos corredores do local onde estagio quando cheguei pra trabalhar há uns meses. Eu estava de bigode. Por meses e por pura preguiça – que disfarço com o pretexto da falta de tempo – vinha cultivando um quase-nada de barba que meus hormônios me permitem. Acontece que eu tenho pavor de fazer a barba. Num esforço cavalar que, para mim, foi igual (ou pior) do que levantar uma barra de duas toneladas, barbeei parte do rosto para um trabalho da faculdade. Deixei o bigode. Mal sabia eu, no auge da minha ignorância futebolística, que usar bigode estava em alta entre os torcedores do Cruzeiro. Acontece que há poucos dias o time mineiro havia se consagrado tricampeão brasileiro numa belíssima – disseram – partida contra o baiano Vitória. O atacante, William, em apenas três meses de time caiu nas graças da torcida e seu bigode se converteu no símbolo do torcedor da Raposa, na insígnia do campeão. Na faculdade a coisa se deu um pouco diferente, pero no mucho. Em uma mísera semana de bigode, já perdi as contas das vezes em que desconhecidos, comparando-me ao falecido vocalista da banda britânica Queen, acharam prudente me cantar “We are the champions” enquanto eu andava pelo campus. Quisera eu que minhas duas novas alcunhas significassem que eu fosse um campeão, mas não. Acontece que meus novos apelidos significavam que a minha identidade social – detalhadamente arquitetada nos meus 24 anos de vida – fora reduzida a um bigode. Que meus leitores não me interpretem mal, visto que sou um grande fã do Queen, mas eu não quero ser Freddie Mercury. Não quero viver sob pressão, nem para sempre. Não quero sacudir você e não quero cantar uma rapsódia boêmia. Também não quero ser cruzeirense. E, essencialmente, eu não quero ser um bigode. Quem também não quis ser Freddie foi o cantor libanês
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ci ê n ci a&t e cn o lo g i a
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Saúde
Pesquisa sobre Hantavírus é premiada Leonardo Hamawaki
A hantavirose é transmitida pela inalaMesmo com o prêmio, o docente ção de um vírus presente nos dejetos relata a dificuldade de pesquisar no de ratos selvagens. Jean Ezequiel país. “Estudar virologia é comLimongi, professor da UFU, gaplicado. As verbas são pounhou o prêmio de melhor procas. Equipamento, material dução técnico-científica do químico e a logística são Ministério da Saúde em 201 3, caros. Grandes laboratórina pesquisa sobre o vírus. os têm dificuldades para A região estudada foi comprar os reagentes Triângulo Mineiro e Alto Paimportados, pois falta diranaíba, que concentra os nheiro. Com a burocracia maiores registros da doença o estudo fica interrompino país entre 20 e 25% dos do porque os utensílios casos, segundo o docente. param na alfândega. Há Para o professor, alguns mais empecilhos para fatores aj udam nesse alto conseguir os instrumentos índice. “A agropecuária é forte. do que trabalhar”. Os trabalhadores rurais têm contato estreito com o roedor. A pesquisa Ainda tem a época seca que coincide O estudo identificou um rato Leidiane Campos com a colheita. Esses ratos se alimen- FONTE:INFOGRÁFICO: responsável pela doença, o N ecromys Dra. Ana Alice Martin de Castro e Silva tam de sementes das culturas e quanLasiurus, típico do cerrado e da caado estes acabam migram para as fazendas”. tinga encontrado em áreas com bastante capim. O maior Segundo o pesquisador, o prêmio na 1 3º Mostra Nacional número de roedores se concentra no final do ano. Porém, de experiências bem-sucedidas em epidemiologia, prevena maioria dos casos está entre os meses de maio e ção e controle de doenças (EXPOEPI) é um estímulo para se- agosto. O professor conclui que “no fim do ano, época de guir o trabalho. “É importante receber um reconhecimento chuva os animais ficam na natureza, pois há alimento. nacional. A hantavirose quase ninguém pesquisa. Não existe N o meio do ano, há pouca comida, devido à colheita das doença rara, existe aquela que as pessoas não pesquisam”. culturas e à seca”. »
Assistência odontológica domiciliar Priscila Diniz
O projeto Atenção Odontológica aos Pacientes do Programa de Assistência Domiciliar do Hospital de Clínicas da UFU, criado em 2006 pela Faculdade de Odontologia, visa a integrar os alunos do grupo PET Odontologia ao Programa de Assistência Domiciliar (PAD), existente desde 1 996. O PAD surgiu com o objetivo de melhorar o atendimento aos desospitalizados e reduzir os custos hospitalares. O programa atende, com equipe multiprofissional, 250 pessoas que necessitam de tratamento contínuo em casa. A assistência é voltada a pacientes de baixa renda. Coordenado pela professora Andrea Gomes de Oliveira, a assistência odontológica oferece consulta em domicílio uma vez por sem an a, d e form a a com bin ar com a g rad e h orári a d os estu d an tes.
Cad a consul ta é fei ta por d oi s al unos matri cul ad os na d i sci pl i na d e estági o supervi si onad o e um al uno d o PET, com supervi são d a coord enad ora. El a menciona q ue “o atend i mento é fei to em um consul- Vera Lúcia de tóri o ambul ante, mal eta com os i nstrumentos necessári os”. Seg u n d o Fran ci en e G i ord an i , al u n a d o 1 0º períod o d o cu rso d e Od on tol og i a, o proj eto tem com o m ai or ben efíci o u m apren d i zad o para a vi d a. “Ver a d ebi l i tação d e u m paci en te e saber q u e el e ai n d a q u er q u al i d ad e d e vi d a, com o m asti g ar bem , ter d en tes bon i tos, m e en ch e d e esperan ça para fazer o m el h or”.
A paciente Vera Lúcia de Almeida tem 65 anos e é atendida pelo PAD. Ela sofre de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e respira por meio de aparelhos. Em janeiro de 201 4, foi atendida por alunas que, sob supervisão, emolduraram sua prótese dentária. Vera Almeida disse que há muito tempo queria ter um sorriso bonito e ainda brincou: “Quando minha prótese ficar pronta, vou passar batom para sorrir”. Os alunos de Odontologia podem participar do Programa de Assistência Domiciliar a partir do 5º período. As vagas são disponibilizadas por meio do PET Odontologia, disciplinas obrigatórias e estágios supervisionados. Para os interessados, os editais são divulgados no site www.fo.ufu.br. »
"Quando minha prótese ficar pronta, vou passar batom para sorrir"
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AT U ALI D AD E S
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FOTO: Eduardo Fernandes
Cieps colabora com grupos informais e associações para que tenham autonomia e competitividade no mercado
"Aqui não há empregados, existem companheiros", Flávia Neiva
Empreendimento solidário é possível? Lorena Martins
O Centro de Incubação de Empreendimentos Populares Solidários (Cieps) atua, oficialmente, desde 2008, desenvolvendo um trabalho com grupos informais, comunidades, cooperativas e associações. Por meio da economia solidária, o Cieps presta serviços de assessoria técnica, administrativa, jurídica e contábil para coletivos populares, a fim de que esses grupos possam gerar renda e, dessa forma, fomentar o desenvolvimento regional. O Cieps conta com 22 alunos vinculados à Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis (Proex) em sua equipe, bem como professores e colaboradores. Karina Mamede, aluna do curso de Jornalismo na UFU e bolsista na área de assessoria de imprensa do Cieps, assegura que “todos aprendem a trabalhar num viés solidário”, pois as funções são executadas diretamente com pessoas carentes. Os projetos são separados em três vertentes: Agricultura Familiar e Camponesa, Coleta Seletiva e Cultura.
Flávia Neiva de Oliveira, professora de Direito da UFU e coordenadora geral do Cieps, explica que a economia solidária é uma alternativa para se pensar o capitalismo atual. Por meio dela, é possível gerar renda sem explorar o outro ou degradar o meio ambiente. “Aqui não há empregados, existem companheiros, cooperados ou associados que produzem respeitando a natureza e respeitando o outro”, ressalta Flávia. Renato Rosifini cursa Administração na UFU e é bolsista há sete meses no Cieps. Para o futuro administrador, a experiência lhe permitiu pensar a realidade de forma mais ampla e enxergar a importância de dar oportunidades a quem precisa. Ele conclui que o resultado mais agradável é “o sorriso no rosto de um catador de lixo ou agricultor, quando nos dispomos a ajudar”. Para saber mais: o Cieps fica na Rua Tapuios, nº 1 .370, bairro Saraiva, em Uberlândia, e está sempre de portas abertas para novos colaboradores. Participar é simples, basta ter interesse na área de sustentabilidade, solidariedade ou cultura. »
Inglês sem Fronteiras agora também presencial Flahana Pfeifer
O programa Inglês sem Fronteiras (IsF) criado pelo Ministério da Educação (MEC), juntamente com a Secretaria de Educação Superior (SESu) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), inicia 201 4 com novidades. O curso intensivo da língua agora contará com aulas presenciais, totalizando 1 ,2 mil vagas disponíveis para alunos de graduação e pós-graduação que estejam regularmente inscritos e ativos no curso My English Online. De acordo com o coordenador do programa Ivan Ribeiro, o motivo inicial da criação do IsF foi a deficiência em inglês encontrada pelos alunos que queriam fazer parte do programa de intercâmbio Ciência sem Fronteiras (CsF). “A possibilidade de tentar mudar isso foi a criação de um programa que
pudesse auxiliar os alunos a melhorar o seu nível de proficiência. Não é algo garantido, mas nós iremos fazer o possível para contribuir com este avanço”, explica. O curso é aberto aos universitários, mas alguns cursos não são contemplados no programa Ciência sem Fronteiras, como no caso do estudante de Economia João Gabriel Tristante. “Meu curso não entra no CsF e penso que isso é uma falta de comprometimento do governo federal, mas acho que o IsF é uma ótima oportunidade para o desenvolvimento pessoal dos participantes”, afirma.
Mudanças
O IsF, que, em 201 3, contava apenas com curso on-line e workshops preparatórios para exames de proficiência, agora, oferece curso presencial de 64
horas em turmas de, no mínimo, dez e, no máximo, 20 alunos. Segundo Ivan Ribeiro, o curso oferece mais vagas, sendo que as apostilas ainda precisam ser adquiridas pelos alunos.
Inscrições As primeiras turmas do IsF abriram os trabalhos em janeiro e se encerrarão em maio, quando se iniciará nova etapa de inscrições. As novas datas estarão disponíveis a partir de abril no endereço www.isf.mec.gov.br. Para realização dos exames de proficiência TOEFL ITP e IELTS verificar o site: www.ileel.ufu.br/isf.»
Biblioteca: nova tecnologia agiliza cotidiano de estudantes Maria Emília Duarte O atual processo de automação facilita o uso das Bibliotecas UFU. Scanners planetários, sistema automático de empréstimo e devolução de livros, e
cessão temporária de netbooks são algumas das melhorias instaladas para agilizar o cotidiano dos alunos UFU. Confira a matéria completa: em sensoincomumufu.blogspot.com.br.
Fotos: Ananda Dinato
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Somospl As Ciências Sociais propõem uma reflexão que colabore na desconstrução dos preconceitos, para que seja possível compreender o universo da intolerância e da discriminação. Sendo assim, nada mais prudente que a diversidade.
N e m t u d o o q u e p are ce é Ide n t ida de s p lu ra is s e m o s t ra m m a is re a is q u e a s
Maysa Vilela “Não ando de salto no 3Q, não venho pra faculdade engravatada”, afirma Samara Castro, estudante de Direito da UFU. Segundo ela, apesar da necessidade de se adequar aos “padrões” quando se procura um estágio, esse estereótipo é uma mentira. “Os estudantes estão se sentindo mais livres para poderem ser quem realmente são”, afirma. Para Felippe Alves, do mesmo curso, o descrédito não está no modo de se vestir, o problema é a hipocrisia. “Isso nos levou a fundar um coletivo de arte engajada, no qual usamos a arte em projetos sociais transformando em prática as aulas e ajudando a quem precisa”, conta. Professor do curso de Ciências Sociais da UFU, Marcel Mano desenvolve projetos relacionados à Antropologia Cultural e Etnografia e explica que os grupos sociais precisam da definição de algo que lhes seja próprio e que os diferencie dos outros. “A identidade é o que dá ao indivíduo um caráter de pertencimento a um grupo”, explica. Para o professor, vive-se em uma sociedade complexa em que o indivíduo compõe sua identidade, que é dinâmica, a partir de diferentes circunstâncias. O ambiente universitário é repleto de estereótipos. Isabel Dias, estudante de Agronomia, curso conhecido por suas festas e estudantes de botina e camisa xadrez, sente-se parte desse imaginário e afirma que o cenário baladeiro e rústico não atrapalha na integração. Para Matheus Girotto, que também cursa Agronomia, as pessoas têm a consciência mais aberta com relação à diversidade. Entretanto, ele acredita que é comum os alunos mudarem seu jeito de ser para serem inclusos no grupo.
re p re s e n ta ç õ e s e s te re o t ip a da s
Na ótica da psicóloga Mariana de Oliveira, que atende no Setor de Atendimento Psicológico ao Estudante da UFU (SEAPS), a questão da adaptação na universidade é uma queixa comum. Ela explica que o indivíduo vai se desenvolvendo e criando sua identidade dentro de grupos sociais que tenham princípios semelhantes e, se não encontra, pode se frustrar e encontrar dificuldades de integração. “Muitos se sentem sozinhos nessa fase, podem sentir angustia, ansiedade e até se isolar”, completa. Fernando Marinho, estudante de Engenharia Elétrica, auxilia na organização de festas e descreve gostar de se envolver com isso, fortalecendo o estereótipo. Lucas Beato, da Mecânica, não se sente parte e conta que troca as “famosas festas” por programas que o ajudem a relaxar, como academia e futebol. “No meu grupo de amigos, sabemos respeitar as diferenças e não precisei me adequar a nenhum ‘padrão’”, conta. “Nunca me senti parte disso porque, tirando o chinelo, não uso roupas muito simples, não fumo maconha e nem quero ser militante”, afirma Pedro Grossi, estudante de Ciências Sociais. Ele diz que, apesar dos assuntos e interesses diferentes, a convivência é saudável. Recém-formada em Ciências Sociais pela UFU, Gabriela Morais afirma que o curso ainda é marginalizado e acredita que o enredo de “não dar dinheiro”, só ter hippie que fuma maconha e faz revolução é mito. “Diante da diferença, à sociedade não cabe um julgamento, cabe uma compreensão”, finaliza. »
plurais
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I n t o le râ n ci a v e rs u s d i v e rs i d ad e
Ananda Dinato
A intolerância mata, como prova a pesquisa do I nstituto de Pesquisa Econômica Aplicada que aponta que 39 mil negros foram assassinados no Brasil em 201 3, contra 1 6 mil assassinados "não negros". Ou sej a, as chances de um negro ser assassinado no Brasil são muito maiores. Outra pesquisa, do G rupo G ay da Bahia - a mais antiga associação de proteção aos homossexuais -, mostra que, a cada 26 horas, um homossexual foi assassinado em 201 2. J á para a pesquisa divulgada pela Rede de Desenvolvimento H umano, as estatísticas comprovam que pelo menos 30% das mulheres sofreram algum tipo de violência doméstica. Para combater a opressão sofrida pelos afrodescendentes, Uberlândia conta com o Enegrecer, maior coletivo nacional de juventude negra. Dandara Tonantzin, estudante de Pedagogia da UFU e militante do Enegrecer, explica que o objetivo é combater qualquer tipo de opressão. “Não dá pra gente pensar uma sociedade em que todos sejam iguais com o racismo arraigado do jeito que nós temos. Nós toleramos o outro até o ponto em que o outro fique no lugar dele. E qual é o lugar do negro na sociedade? [...] O negro pode estar onde ele quiser”, afirma. A intolerância ao que é diferente não é novidade social. De acordo com Débora Pastana, socióloga da UFU, novas são a repulsa e a incitação ao ódio. Quanto mais distante, melhor. “O movimento é de repulsa, de repudiar esse estra-
nho, de colocá-lo o mais distante que for possível”, ressalta. M atheus Amaral , estud ante d e Ci ênci as Soci ai s q ue atual mente compõe o “Em ci ma d o Sal to” - programa d e proteção a travesti s e transexuai s -, conta q ue, a parti r d e suas experi ênci as, tomou a i ni ci ati va d e promover o evento q ue comemorou o Di a N aci onal d a Vi sibi l i d ad e Trans na U FU . A i d ei a consi ste em um convi te para q ue as pessoas compareçam usand o sai as, i nd epend entemente d o gênero, e na real i zação d e d ebates em torno d a q uestão. »
Co n f li t o s d e i d e n t i d ad e Pe s q u is a do ra re fle te s o b re o
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Rinaldo Morais
A página do Facebook "Segredos UFU" causou polêmica no último dia 21 de janeiro por publicar anonimamente protestos e desabafos de alunos da UFU. Comentários de conteúdo violento, homofóbico e racista mostraram como a intolerância e o preconceito ainda estão presentes na Universidade. Para entender mais sobre esse ódio contra as diferenças, o Senso entrevistou Débora Pastana, doutora em Sociologia, que explicou mais sobre o estranhamento de identidades e também as possíveis causas da homofobia, que faz centenas de vítimas no país. Senso: Quais as possíveis razões dos conflitos gerados pelas diferenças? Débora: Na sociologia, há um debate sobre construção da identidade fundamentado por autores como Sennett e Baumann. Segundo eles, o individualismo exacerbado é uma das razões das crises de identidade coletiva. Ao cultivar laços sociais mais frágeis e mais frouxos, nossa identificação com o outro diminui.
Senso: Quando começam essas crises de identificação coletiva? Débora: Esses autores fazem uma ligação como próprio desenvolvimento do capital, que implicou uma vida mais apartada e segregada. A sociedade vai se afastando daquilo que é inconveniente. Os condomínios fechados, os shopping centers climatizados, são formas de excluir aquilo que é considerado ruim. No Brasil, é só pensar no abismo entre ricos e pobres, na enorme desigualdade social. Isso repercute em discriminação, em preconceito, em segregação de classe. Senso: O que a justiça pode fazer para combater essa intolerância? Débora: Ameaça já é crime no código penal, lesão corporal, injúria, crimes contra a personalidade. Porém, criminalizar ou tornar a pena mais severa não implica redução da intolerância. Aquele que é agressivo, que xinga, muitas vezes não acha que está cometendo crime. Ele acha que está no seu direito - cristão ou moral - de mostrar pra esse ou para aquele sujeito que ele é uma aberração. Grande parte dos agressores se acha no direito de moralizar aquilo que é diferente. »
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AT U ALI D AD E S
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FOTO: Lara Lacerda
Alunos acompanham atendimento em Unidades Básicas de Saúde a partir do primeiro período
Curso de Medicina altera currículo Lara Lacerda
As mudanças mais marcantes intensificam eixo reflexivo do curso. Há quem acredite que a reforma foi pre judicial para a formação médica
A Faculdade de Medicina (FAMED) da UFU foi fundada há 46 anos. Embora tenha passado por várias modificações, tais como ampliação do número de docentes e aumento no número de leitos do Hospital de Clínicas - que veio a se tornar o segundo maior hospital universitário do país -, o currículo só passou por alterações no final de 201 3. As discussões sobre a reforma curricular começaram em 2000, durante o I Fórum Sobre Ensino Médico da FAMED, que contou com a participação de todos os segmentos da faculdade. De acordo com a coordenadora do curso, Alessandra Ribeiro, em 2001 , já se falava em um currículo com a aprendizagem centrada no aluno e dirigido para as necessidades de saúde da população, mas foi apenas na segunda metade de 201 3 que a reforma se consolidou. “O mais importante é a quebra do paradigma de um modelo centrado no professor para um modelo centrado na aprendizagem do aluno e isso é realmente uma visão muito diferente para nós professores que viemos todos de um currículo tradicional, é um enorme desafio”, afirma a coordenadora.
O que mudou?
Uma das modificações mais marcantes do novo currículo foi que os dois semestres da disciplina Medicinas Preventivas e Comunitárias foram transformados em doze semestres do Eixo Saúde Coletiva, em que o contato médico-paciente se torna muito mais prático e didático com visitas às Unidades Básicas de Saúde. Outra mudança foi a criação do Eixo
Reflexivo. As matérias de Ética, Bioética e História da Medicina agora são presentes durante quatro anos da graduação. Cinco componentes principais compõem esse eixo: a humanidade, a ética e a bioética, a história da medicina, as relações intrapessoais e a habilidade de comunicação. Ao longo do primeiro período, os alunos têm assistido a filmes e feito narrativas a respeito do que é assistido. Até o final da graduação, serão introduzidos livros e realizadas dramatizações que simulem o contato entre médico e paciente. Para Helena Paro, uma das professoras do referido eixo, a importância de se introduzir as artes e a ficção é para que o aluno tenha a capacidade de se colocar no lugar do outro, de se transpor no outro, porque essa é uma característica essencial do médico. Aluno do primeiro período, Francis Clayton de Castro reconhece a importância de se melhorar a relação médicopaciente, mas acredita que isso não possa ser feito em detrimento da formação técnica porque a população demanda médicos que saibam diagnosticar e se relacionar com o paciente. “Várias horas semanais desse novo eixo, somada a diminuição da carga horária de aulas sobre medicina, prejudicam a formação dos alunos”, opina. Em contraposição, a professora Helena acredita que não falta conhecimento técnico-científico para a escola de medicina, o que falta é trabalhar a relação entre médico e paciente. “Não é difícil encontrar reclamações da sociedade em relação a um médico que não olha nos olhos do paciente, que não encosta no paciente e só pede exames”, finaliza. »
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cu lt u rae s p o rt e laz e r
Rivalidade
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FOTO: Divulgação
Medonha, da Medicina, de 1 996, agitava arquibancadas dos jogos
Pl a ca r en tre pa ssa d o e presen te Atléticas da UFU e rixas históricas são marcas dos eventos esportivos universitários
Amanda Silva
Há hostilidade, desde o início da UFU, entre alguns cursos Hoje, o evento é exclusivo dos alunos da UFU e seu immais antigos: Engenharias, Medicina e Educação pacto é menor na cidade. Os antigos locais, Física. A rivalidade aumenta nos eventos escomo o UTC, foram trocados pelo campus portivos, realizados há 49 anos, como a extinta Educação Física, o que restringe o públiLiga Esportiva dos Universitários de Uberlânco. Para Thalisson Fagundes, atual presidia e as Olimpíadas, que ainda existem e são dente da Atlética da Educação Física, “nem organizadas pela Divisão de Esportes. os estudantes param, mas o certo seria Em competições, provocações extrapolaque a cidade parasse e que alguns jogos vam o verbal e partiam para o físico, contexto fossem transmitidos pela TV local”. que se tornou mais amistoso. Com o desgaste A UFU cresceu e há novos cursos, Marcus Padua Netto pelas constantes confusões, o evento não aumentando a competitividade. Sílvio ocorreu em alguns anos, como em 1 996 e 2006, mas a vonPóvoa, presidente da Atlética da Medicina, diz que nunca tade dos alunos possibilitou que ele não morresse. viu tantas equipes universitárias treinando e melhorando Há 20 anos, a universidade desempenhava papel central seu nível técnico. em Uberlândia. Não havia o campus Educação Física e eventos esportivos aconteciam em ginásios e quadras no centro, o que aproximava a população. “Era a atração da ciClima de disputa dade, as pessoas se arrumavam como se fosse festa e ia Segundo Marcelo também o fato de treitodo mundo para o UTC”, relembra o médico Marcus Padua Spiezzi, ex-presidente da narmos frequentemente, Netto, 47, ex-membro da Atlética da Medicina. Atlética das Engenharias, o que nos permite uma A cidade se envolvia e enfeitava portas de casas com “apesar de alguns se senválvula de escape para o bandeirões das Atléticas. O médico ainda descreve que os jotirem ofendidos com a rinervosismo cotidiano”. gos de vôlei acabavam tarde da noite, mas, como a torcida validade, é o que sustenta O relacionamento pespermanecia e a linha do ônibus não passava mais no horário, as olimpíadas e faz os soal é essencial. Aprendemuitos alunos se deslocavam a pé do UTC para o Umuarama. atletas e a torcida darem se a conviver e respeitar, Após o conturbado evento de 1 995, “cancelaram os jogos de garra total”. Para não pascriam-se amizades com 1 996, o que dificultou para as Atléticas, pois o evento é o que sar dos limites, há converpessoas de cursos distinmais movimenta a área”, conta Ricardo Ivan, ex-presidente da sas entre as Atléticas para tos e também já graduaAtlética da Educação Física. Em 1 997, os jogos voltaram e “até tornar a relação menos das. Conversando com quem não fazia parte da UFU ficava ali assistindo”, rememora. conflituosa. Nélio Nasciveteranos “é que você mento, atual presidente da aprende um pouco mais, FOTO: Divulgação Atlética das Engenharias, sabe das histórias”, conta afirma que “a rivalidade é Nascimento. mais esportiva, uma relaPóvoa resume que “são ção amistosa”. alunos se empenhando e As olimpíadas são esforçando para valorizar o um espaço para aprennome da sua faculdade”. dizado sobre modalidaFagundes completa a ideia, des em geral. Para “a consciência de jamais Póvoa, a prática na unidesistir, torcer pelo próxiversidade é boa. “Os mo e fazer parte de uma alunos que começam a história são coisas que o gostar de esportes poesporte ensina, independem, no futuro, estimudentemente do curso que lar seus filhos. Há fazemos”. »
"Era a atração da cidade, as pessoas se arrumavam como se fosse festa"
Charanga, da Engenharia, fez parte da festa na década de 70
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FOTO: Anna Vitória Rocha
vazio Arena do Municipal, atual cenário de prática de esportes
A ausência de políticas culturais e informação encoberta a cena teatral uberlandense, separando público e artistas dos espaços de arte da cidade
Anna Vitória Rocha
Uberlândia conta hoje com cerca de seis companhias teatrais e muitos coletivos formados por estudantes, principalmente na UFU. Carlos Guimarães, jornalista, produtor cultural e autor de “Nau à deriva, o teatro em Uberlândia, de 1 907 a 201 1 ”, acredita que o problema principal seja fruto da falta de comunicação. “Se a população está desinformada, é porque ela não frequenta os teatros. Faltam projetos de formação de plateias e de popularização do teatro, por isso, as pessoas dizem que ele não existe”, afirma. A falta de informação não pode ser confundida com divulgação ineficiente. Segundo M ário Piragibe, professor e coordenador do curso de Artes Cênicas da UFU, os espetáculos da cidade sempre são anunciados na mídia local, mas essa estratégia, sozinha, não lota casa alguma. Formada em Artes Cênicas na UFU, Amanda Barbosa, que hoje dá aulas e faz parte da Trupe de Truões, grupo independente da cidade com mais de dez anos de história, cita o pesquisador Flávio Desgranges para abordar o tema: “Em ‘A pedagogia do espectador’ (Editora Hucitec, 2003), vemos que as crianças aprendem as regras do futebol porque estão em contato com elas desde pequenas. Para formar o espectador de teatro, é necessário o mesmo esforço”. Vinte anos depois de ser anunciado, o Teatro Municipal de Uberlândia foi inaugurado na metade de 201 3. Guimarães, que acompanhou o processo, conta que, ao longo desse período, só dois ou três espetáculos tiveram menos de meia casa cheia. Vale
destacar que houve oscilação de preços nas atrações, desde eventos gratuitos àqueles com ingressos a R$ 200. “Para multiplicar essa plateia, precisamos de campanhas de popularização, mais patrocínio, envolvimento da iniciativa privada e do poder público”, reitera. O aluguel do espaço custa R$ 750 a diária para grupos locais e R$ 1 ,5 mil para grupos de renome, de acordo com o último edital de ocupação. Segundo Amanda, da Trupe, “para ter lucro, você tem que lotar o teatro e, para isso, as pessoas têm interesse, o que não acontece”. O recurso mais comum para viabilizar uma produção hoje é por meio da isenção fiscal, em que uma empresa entra como patrocinadora e deduz o valor investido de seu imposto de renda. Guimarães explica que, antes da Lei Rouanet, era comum que uma grande empresa arcasse com os custos mais volumosos da produção e que restaurantes, hoteis e companhias aéreas contribuíssem num esquema de permuta. A união em favor de um bem comum some com as leis de incentivo, pois uma única empresa viabiliza a maior parte da produção e o interesse é fiscal, não artístico. Ao fim de cada apresentação no Teatro Municipal, era comum que o público aplaudisse de pé. “Se para os europeus isso é uma barbaridade, por outro lado, é um indício de que tem muita gente feliz porque está no teatro. Eu não teria problemas em lidar com muita gente aplaudindo de pé se a gente estivesse participando de um movimento de inclusão”, conclui Piragibe. »
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Experimente Enquanto isso, na terra do Sol nascente... Guilherme Fragosso Após mais de dois anos desde o lançamento do álbum GO, em janeiro de 201 1 , a banda de metal japonês girugamesh voltou a dar as caras no cenário musical. O mais recente trabalho, lançado no final de 201 3, intitula-se MONSTER e contém 1 2 faixas. Intro é a primeira faixa do álbum e, apesar da pouca duração, já nos apresenta sons cheios de energia e com uma parte instrumental contagiante. Em seguida, Drain, que acabou se tornando um vídeo promocional antes mesmo do lançamento, mantém o estilo e não decepciona, mas é a música VOLTAGE que mais impressiona. Pelo ineditismo, pelo jeito com que a banda conseguiu mesclar o pop e o metal, sem comprometer nenhum dos estilos. INCOMPLETE, que não sofreu alterações, e Zantetsuken, um pouco diferente da versão do single, também agradam bastante e não deixam o nível do álbum cair. Antlion Pit possui um som mais pesado, trabalhando mais a parte dos vocais e guitarra. Resolution é agitada e segue com a proposta. BAD END DREAM e Live is life não agradam e pouco podem se destacar. Zecchou Bang!!, que já decepcionava na versão antiga, não mudou para melhor. Another Way e ALONE se aproximam, de vez, do pop e fecham o álbum dignamente. Definitivamente, girugamesh conseguiu aperfeiçoar a mistura entre o pop, pegadas do eletrônico e o metal e criaram um estilo próprio, único, que se reflete em MONSTER. A harmonia das faixas é espetacular e tudo parece estar no seu devido lugar, no momento exato. O ponto alto fica por conta de Nii, o guitarrista da banda, que, com seus riffs , domina e consegue conduzir as músicas. Para quem nunca escutou, esta é uma ótima oportunidade de conhecer novos estilos e sair do comum. Pois este, sem dúvida, é o melhor álbum da banda em anos, aproximando-se dos melhores da carreira, como o NOW (2009) e 1 3’s Reborn (2006). » FOTO E ARTE: Divulgação
Para se emocionar
Sociabilidade
Cartas pra se sentir invisível Giovana Matusita
As vantagens de ser invisível
é um livro escrito por Stephen Chbosky em 1 995, que discute por meio de Charlie, um adolescente de 1 5 anos, drogas, sexo, transtornos psiquiátricos, abuso, relacionamento familiar e ambiente escolar. Não se trata de mais um livro clichê americano sobre o ensino médio e os grupos de amizades que se formam nessa época. O livro é todo escrito em formato de cartas, que Charlie envia a um amigo desconhecido, podendo ser interpretado como o próprio leitor. O personagem é bastante observador e sempre foi incompreendido, já que pensa diferente da maioria das pessoas. Sua vida é marcada por traumas, como o suicídio de seu amigo e a morte de sua tia, de quem era muito próximo. Em cada carta, Charlie conta detalhadamente sobre seu dia, suas ações, seus pensamentos e reflexões. É desse modo que nos aproximamos do personagem, que conseguimos sentir e analisar as situações que ocorrem durante a narrativa sob a mesma perspectiva a dele. Charlie era mais um espectador do que um ator em sua própria vida. É como se ele realmente fosse invisível, pois suas emoções não são expressas, ficam somente em seus pensamentos. Sua vida se transforma quando conhece Bill, Sam e Patrick. Bill é seu professor de Inglês, que o ajuda a desenvolver sua escrita, além de também incentivá-lo a interagir com as pessoas. Sam e Patrick são dois meio-irmãos que acreditam em aproveitar a vida e, assim, levam Charlie para festas e outros eventos que irão mudar a rotina do protagonista. Ele aprende a enfrentar situações totalmente novas e como conviver com pessoas que são completamente diferentes dele. Não se deixe enganar pela simplicidade de ser apenas mais uma história sobre a vida de uma adolescente. Por causa da ingenuidade do protagonista, que parece não ver maldade nas atitudes das pessoas, a narrativa transforma assuntos polêmicos em fatos simplórios, mascarando uma história muito complexa e única, em que você precisa extrair as lições e pensamentos. A adaptação para o cinema é uma agradável surpresa para os fãs do livro. Traz um elenco jovem e promissor, como Logan Lerman (Percy Jackson), Emma Watson (Harry Potter) e Ezra Miller (Precisamos falar sobre Kevin). É dirigido pelo próprio autor do livro, além dele ter escrito o roteiro e atuado como produtor executivo. Ou seja, trata-se de um projeto extremamente pessoal e isso fica claro na condução sensível da narrativa. »
Sobre câncer e outras coisas Felipe Flores A Culpa é das Estrelas , de John Green, é um livro que poderia ser sobre a vida de qualquer pessoa que estivesse portando um câncer. É a história de uma menina que sofre com essa severa doença e, por isso, vive com quase todo tipo de limitação e com o que ela chama de "privilégios do câncer". Uma narrativa tão real que exige do livro um adendo explicando que tudo não passa de ficção baseada em pesquisas. Green consegue captar a essência de uma jovem que, como qualquer adolescente, quer amar, ter amigas e poder ver e fazer coisas legais, mas que, ao contrário das garotas sem câncer, vive entre hospitais, sua casa e centros de apoio – uma vida de quem tem câncer. Em meio ao caos e à imprevisibilidade da
doença, a garota busca subterfúgio em um livro que ela ama. A partir daí, a vida de Hazel – a protagonista – vira uma grande aventura, mas que só o é aos olhos de quem tem câncer, pois o que ela passa a fazer é tentar ter uma vida um pouco mais distante da doença e é nesse ponto que o autor transforma a história em algo envolvente. Algo plausível e realista. A obra não possui defeitos em termos estilísticos e tem uma linguagem voltada ao público que pretende atingir: j ovens cheios de anseios, que podem ou não estarem na situação de H azel. Por fim, uma história que faz pensar e rever como tratamos as pessoas com câncer no mundo real. »
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E X P RE S S Ã O &arT E
Gabriel Rodrigues
His tóri a em qua drin hos éformato bas tante pop ular por con juga r ima gem e texto de form a seq uen cial . HQs são pro duzidas nas dife rentes regi ões e receb em nom es rela cion ado s com as caracterís tica s com uns às pro duç ões . A Turm a da Môn ica lidera o mercad o nacional. Dad os divu lgad os pelo Gru po Pan ini indi cam que 80% das ven das de gibis são prod uções de Mau rício de Sou sa, com 2,2 milh ões de exem plares ao mês. Qua drin hos tam bém são utili zad os com o recu rso s de aprend izag em . Pro va diss o é a qua ntid ade , prin cipa lme nte de tirin has , nos livro s didá tico s.
Pesqu isa e ad ap taç ão
Exe mp los são mu itas vez es utili zad os para aná lise e inte rpre taç ão de text o em Líng ua Por tug ues a. Voltado para a dive rsão e a cria tividad e, o ilus trad or Hug o Oliveira pos sui o pro jeto “De sen ha que mel hora”, que pro põe oferece r ofic inas de HQ' s para que cria nça s e ado lesc ente s pos sam des envolve r as hab ilida des com des enho s. “Qu ero exp and ir o pro jeto nes te ano de 201 4, para des cob rir e ince ntivar novos tale nto s da arte do des enh o”. As atividad es são itine ran tes; mai s info rmaç ões pod em ser obtidas ace ssa ndo o site ww w.h ugo cria tivo .com .
As universi dad es não fica m de fora nas pes quis as sobre HQs . Rafael Ven âncio, profess or do curs o de Jorn alism o da UFU e pes quis ador na área , é leitor ass íduo des de a infâ ncia . Hoj e, mui tos pers ona gen s são con hecidos por mei o de ada ptações para film es, anim ações, jogos, entre outras míd ias. É o cas o dos super-h erói s das editoras Marvel e DC Com ics. O pes quis ador explica que ess as prod uções em gera l visam a atin gir o gran de público e não se faz uma vers ão literal para agra dar os fãs de qua drin hos .
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rm a ç ã o o f n i e se n h o o n i a e D : e n i Fa n z a (d e s) h a rm em pu r
re teú d o d esp , colotto n c o u c Z e l d e e ri b Ga o cu sto a d os e ção d e baix strações e textos vari u d ro p m o C u la il u ial in cifan zin e veic políti ca. Com espec o , o s io s o po n te m e postu ra n sita en tre tem as com os, u s s a , s e z e às v a, jog in e tra H Qs, o fan z veg etari an ism o, cin em m e ia c n ê d o, a, fem in ism . esia, m ú sic ad rões experi m en tais iação d e fan ati c sp a abrev r en tre ou tro vem d e u m a “revista” ed itad a po e in z n fa ra , de um ren a, A palav se, portan to to Sil va e Caroli n a M o ta ra T . e in m ag az s). Ren a log s são m q u e os b m . m portu g u ê a e , c li ã p (f x n e , fa e um a Zin u ag e fan zin e Zon teú d o e li n g d is ed itores d o is, em relação ao con ua en volveu s tu a s ir e v d s o e ç in n z u ld ad e re n fa fala d a d ific os Den ise Lou e ta s s e li a in z rn n jo A obre fa arram m estrad o s o sobre o esti lo. “Esb ad e e e d o ã ç a rt ã li d se n iç a u m a plu ra ar u m a d efi em en con tr id ad e q u e n os rem ete ers ob em u m a d iv en eid ad e”. tina, Denise ias. a g L ro a c te ri e é h m a da A a um des míd fanzineiros as das gran sua ri ló g s a Ao estudar m ura m les não proc no de pessoas que cria sen serva que e ia d e de ti distribuição tram é o co funciO que regis articipam de redes de tudo parece p e , u ia q íd m m e a , ri s próp nte, o simple ma gráfico rro, o irrevere ndaloso volvem siste es)harmonia com o e ibido, o esca s. (d ro a p m o u , a m g e re r ona do, o b página » nal, o engaja eio às ilustrações das vulgar, o ba m is couber em e o q ue ma