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Senso incomum 15 - abril/maio 2013

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música, sonhos e superação retomada cultural reabilitação virtual

U

a r u g e s ) n i ( FU

JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO UFU ANO 03 Nº 15 ABRIL- MAIO/2013

Glória!


EDITORIAL

Por que escolher UFU e Uberlândia ? A Universidade Federal de Uberlândia é a escolha de muitos na hora do vestibular, por motivos relacionados à cidade, ou por razões que dizem respeito à instituição. Fato é que a UFU tem se destacado dentre outras federais do país e a cidade tem apresentado um grande crescimento econômico e populacional. Uberlândia, cidade média promissora e com ares do interior. Hoje supera a cidade de Contagem, tornando-se a segunda maior cidade de Minas Gerais. De acordo com o Censo de 2010, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a cidade apresentou, desde o ano de 2000, um crescimento maior do que todo o Estado de Minas Gerais. De 501.000 habitantes em 2000 para 604.000 em 2010. A busca por um bom emprego parece não vir desvinculada também de qualidade de vida. Quanto à UFU, possui mais de 50 anos de existência. Hoje, ainda com muitos problemas a serem solucionados. Principalmente do ponto de vista de espaço físico para a quantidade de cursos e alunos, a universidade já é referência para estudantes de todo o país. São 32 unidades acadêmicas com 68 cursos de graduação, 37 programas de pósgraduação que oferecem 33 cursos de mestrado acadêmico, quatro cursos de mestrado profissional e 19 cursos de doutorado, atuando em diversos campi, distribuídos nas cidades de Uberlândia, Ituiutaba, Patos de Minas e Monte Carmelo. O Hospital das Clínicas (HC) da universidade é o maior prestador de serviços pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de ser referência para 30 municípios da região. É um privilégio fazer parte, ou melhor, ser “filho” dessa instituição.

VOZES

A valorização diária do Regional por Carlos Gabriel Ferreira

Cada cidade tem um jeito de expor sua cultura. Cada cidade é plural, é vida que se descobre na esquina. Pluralidade esta que se observa em entrelaçamentos e significados que se fazem de maneira maravilhosa. O retorno ao passado, aprendendo com o popular das culturas, é algo que forma socialmente qualquer indivíduo, atribuindo-lhe perspectivas imprescindíveis sobre a sua própria história. Toda cultura é um amplo âmbito de percepções que vão desde a negação, implícita ou explícita, de que os fatos por ela identificados contenham alguma forma de “saber”, até o extremo de atribuir-lhes a resistência contra a dominação de classe. Tratá-la como “tradicional” nada mais é do que resquício de uma cultura considerada “culta”. Pensar a cultura popular desta forma é o mesmo que reafirmar que a sua Idade de Ouro deu-se no passado, sendo vista hoje apenas como curiosidade. Quando é reproduzido este suposto “passado” acaba-se por transmitir o que se acredita que é verdadeiro. É o que acontece quando retratam na mídia casos deslocados de um movimento que toma meses para ser construído, transformando-os em festa carnavalesca. Uma cultura é indissociável à vida de seus par-

ticipantes e de seu momento histórico. Uberlândia, por sua vez, no que tange a sua rica cultura, tem como um dos principais elementos o congado. Sua origem no Brasil nos remete à vinda dos escravos africanos, quando foram cristianizados e suas religiões, oprimidas. Suas manifestações passaram a se realizar, portanto, no meio do mato, às cegas daqueles que pensavam, coitados, ter o poder. A data de provável origem do Congado em Uberlândia nos leva a 1874 e, desde então, existem diversos ternos que representam a cidade, como o Congo Prata e o Congo de Sainha, que, no mês de outubro, comemoram em nome de Nossa Senhora do Rosário. Suas danças, aos batuques da zabumba, nos transportam para um campo subjetivo de apreciação... Sabemos que a cultura do povo resiste à globalização, mas até quando sem perder esta essência? Voltemos a dizer: o congado, meio às suas saias que rodam no calor, e qualquer outra manifestação, são culturas vivas que se modificam no presente. Suas raízes formam hoje um emanharado de ideologias coexistentes. Os ternos encontram-se no centro da cidade para celebrar uma cultura que ainda existe no imaginário popular e ensina aos mais novos a alegria de continuar acima das diferenças.

Bazinga!

"Não adianta. Todos sabem que ela vem. Todo mundo sabe o que ela causará"

Expediente Reitor: Elmiro Resende Santos / Diretor da FACED: Marcelo Soares Pereira da Silva / Coordenador do curso de Jornalismo: Gerson de Sousa / Professores responsáveis: Ana Spannenberg, Christiane Pitanga, Marcelo Marques e Mirna Tonus / Edição de capa: Laura Máximo e Monique França / Edição de fotografia e arte: Guilherme Gonçalves, Lívia Machado e Mariana Molina / Arte capa: Lucas Angoti / Edição de opinião: Juliana Gaspar, Larissa Rosa, Raissa Dantas e Túlio Calegari / Revisão: Ana Spannenberg e Mirna Tonus/ Monitoria: Arthur Franco / Finalização: Danielle Buiatti

Gabriel Zuccolotto atualidades

Editores-chefe: Daniela Ávila e Marília Coelho Sub-editores: Aline Pires, Carlos Gabriel Ferreira, Igor Miranda, Juliana Gaspar, Laura Junqueira, Letícia França, Michelle Júnia, Priscila Mendonça e Verônica Jellyfes

ciência e tecnologia

Editores-chefe: Isabela Lavor e Taís Bittencourt Sub-editores: Emílio Lins, Hugo de Sousa, Luísa Salviano e Thiago Lima

Brasil: país proibicionista e higienista por Raíssa Dantas

No ano de 2012 os investimentos do governo federal em política antidrogas cresceram intensamente, tendo como foco ações repressivas e higienistas que enclausuram, nos já superlotados presídios, jovens negros brasileiros. A internação compulsória se materializa enquanto ação concreta aplicada do ideário governamental, que, maquiada na recuperação efetiva de usuários de drogas, mascara o cárcere forçado dos marginalizados sociais desamparados de educação, saúde, políticas preventivas e assistência real durante seu processo de desenvolvimento. Neste sentido, o tráfico de drogas é a primeira causa de crimes que mais encarceram no país, contabilizando 24% do número total de presos. Mais precisamente, nos últimos 16 anos, o Brasil triplicou o número de encarceramentos e 40% desse total são negros, pobres e estão na faixa etária de 18 a 24 anos. O que se explicita é que a política de drogas governamental é responsável, hoje, pela reclusão punitiva da juventude brasileira, negra e pobre. Entretanto, ainda há lucidez e combate na retaguarda dos movimentos antiproibicionistas e antimanicominais organizados. Como a mobilização na pesquisa realizada pelo Observatório Mineiro de Informações Sobre Drogas (OMID) que revela a desaprovação por 63% dos internautas participantes sobre a prática da internação compulsória. Este número apresenta um importante avanço para a população mineira, visto que São Paulo e Rio de Janeiro já aplicaram a prática higiene social, que poderá ser experimentada em outros estados brevemente. Tais políticas públicas se mostram equivocadas e urgentemente necessárias de mudanças radicais. Defender uma política de drogas que saiba respeitar os direitos humanos legalizando a produção, comércio e a distribuição como forma de combater o violento tráfico é tarefa de todo e qualquer sujeito comprometido com a construção de um mundo humano e justo. Fortalecer as políticas de redução de danos e educação adequada sobre as drogas é o principal passo para combatermos a desinformação que costuma criar uma cortina de fumaça entorno de temas tão delicados como a proibição das drogas. cultura e lazer

Editores-chefe: Isabel Gonçalves e Kênia Leal Sub-editores: Ana Luiza Honma, Caio Nunes, Débora Bringsken, Isabella Carvalho, Isley Borges, Lucas Bonon, Lucas Tondini, Neimar Alves e Raissa Dantas


SAÚDE

Sistema virtual recria membros superiores

Neimar Alves Repórter

Pesquisadores da UFU nas áreas de Engenharia Biomédica e Engenharia Elétrica desenvolvem um estudo que propõe amenizar problemas de adaptação às próteses médicas utilizadas por pessoas que tenham perdido membros superiores, e na recuperação de movimento de pacientes que sofreram Acidente Vascular Encefálico (AVE), anteriormente conhecido como Acidente Vascular Cerebral (AVC). Para isso, foi desenvolvido um sistema de realidade virtual que possibilita simulações de braços e próteses controlados por impulsos elétricos. Na Faculdade de Engenharia Elétrica (FEELT), da UFU, dois núcleos de pesquisa estão envolvidos no projeto, o Núcleo de Realidade Virtual e Aumentada e o grupo de Engenharia Biomédica com a linha de pesquisa em reabilitação. Estes últimos detectaram o problema no dia a dia das pesquisas, em que é preciso substituir o braço amputado ou ausente por meio de próteses. Existem diversos tipos de próteses, uma delas é a chamada mioelétrica, à qual a pesquisa é aplicada. Entretanto, a adaptação dos pacientes é trabalhosa, por ela ser pesada, normalmente esquentar muito e, de acordo com a parte amputada, ser

O projeto foi pensado inicialmente para amputados, porém os pesquisadores identificaram aplicabilidade em pacientes de AVE. O protótipo vem sendo testado com supervisão das fisioterapeutas e pesquisadoras Debora Vieira e Maristela Silva, no Laboratório de Engenharia Biomédica da UFU (BioLab). As profissionais determinam os exercícios de força a cada sessão, o mais básico consiste em pegar uma bola. O objetivo é proporcio nar um estímulo paulatino no cérebro. Com a movimentação, o sinal chega ao músculo e, embora ele não responda fazendo o movimento esperado dos braços, virtualmente a função é exercida e

acontece um treinamento para que a atividade cerebral seja preservada. João Pereira, 58, teve AVE há nove meses e é voluntário na pesquisa. Ele relata que sofreu uma tontura por vários dias e perdeu o movimento do braço direito. “Faço hidroginástica por recomendação médica há seis meses e melhorou muito”, avalia. “Antes do AVC eu só trabalhava e era muito sedentário”, completa. O projeto foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e permitiu a compra de software e hardware necessários. O eletromiógrafo capta os sinais dos sensores localizados nos músculos e deve ser integrado com o programa de computador que permite as análises pelos especialistas. “A gente está tentando analisar a capacidade do cérebro de entender o que o indivíduo está fazendo. Estamos colhendo dados de quando o paciente mexe a musculatura, e depois, vamos processar os sinais”, explica Vieira. A fisioterapeuta conta que, após o processamento, será possível “avaliar se está havendo aprendizagem, chamada de plasticidade. O córtex tem uma capacidade plástica de aprender ou se adaptar a novas situações, sendo preciso desenvolvê-la. A finalidade é que o cérebro treinado pode recuperar a capacidade física”.

descolamento de retina, desenvolvimento de úlceras corneanas e aquisição de conjuntivites”, explica. Outra consequência pode ser o ceratocone, que consiste na deformação da espessura e formato da córnea, provocando a alteração de imagens. Essa doença ocorre por predisposições genéticas, mas o principal fator é esfregar muito os olhos, especialmente em indivíduos que já apresentaram conjuntivite alérgica em alguma fase da vida. A enfermidade costuma surgir na adolescência e progride até os 30 anos. A médica afirma que, para esses casos, os tratamentos possíveis são o uso de óculos, lentes de contato rígidas, laser, transplante de córnea, entre outros.

Outro “vilão” da saúde ocular é o computador. Os efeitos atribuídos às horas em frente à tela são denominados por especialistas como Computer Vision Syndrome (CVS). Dentre os sintomas durante e após o uso estão: dor de cabeça, visão embaçada, vermelhidão, embaralhamento das letras, fadiga, sensibilidade à luz e secura dos olhos. Os universitários encontram-se no grupo de risco, pois passam muito tempo em frente ao computador, seja para estudar ou se entreter. O aluno de Engenharia Aeronáutica da UFU Higor Silva afirma que sente “incômodo nos olhos, malestar, adiga, lacrimejamento e dor de cabeça após longos períodos de utilização do aparelho”.

necessário um treinamento adequado e individual. O grupo de Engenharia Biomédica tem desenvolvido a capacidade de processar sinais elétricos enviados pelo cérebro e recebidos pelos músculos, com uma exatidão cada vez maior. “Às vezes, uma mensagem é enviada ao braço para movimentar em uma direção; se esse sinal não for processado de forma correta, muitas vezes a prótese não vai fazer o movimento esperado. É preciso aperfeiçoar técnicas de processamento de sinal elétrico existentes entre o cérebro e o músculo do ser humano”, explica Edgar Lamounier, um dos coordenadores do projeto.

Inovações

FOTOS: Neimar Alves. ARTE: Carlos Gabriel e Mariana Marques

Estudo pode ser usado na recuperação de vítimas de AVE ou na adaptação a próteses motoras

Assista a uma demonstração do equipamento em vídeo no Blog do Senso (in) Comum: http://sensoincomumufu.blogspot.com.br/

Cuidados podem evitar doenças oftalmológicas

Isabela Lavor Repórter

Coçar constantemente e com força os olhos, ficar muito tempo em frente ao computador, ler sob pouca luz e fumar são algumas situações que afetam a saúde ocular. Essas ações podem cauar enfermidades que demandam tratamentos mais complexos, com remédios ou cirurgias. Segundo a oftalmologista Paula Borges, uma reclamação comum dos pacientes jovens refere-se à baixa capacidade visual. A médica explica as consequências negativas da coceira no olho humano. “Ao coçar os olhos, podemos gerar anormalidades, como a formação ou piora de astigmatismo,

Consequência de hábitos

Ler com iluminação fraca também pode se tornar um transtorno. Esse hábito faz com que haja mais esforço para discernir as letras, tornando a leitura mais desagradável. Faz, inclusive, com que os olhos se cansem mais rápido porque as pupilas se dilatam com a finalidade de ampliar a entrada de luz, diminuindo a profundidade de foco. Em entrevista publicada pelo Ministério da Saúde, o retinólogo Sebastião Neto aponta uma doença intimamente ligada a esse vício. “O tabagismo aumenta o risco em cinco ou sete vezes de aparecer de forma mais precoce e mais grave a degeneração macular", diz.


UNIVERSITÁRIO

Estudantes questionam a Verba para apoio estudantil é função do estágio acadêmico considerado desafio para UFU Isley Borges

Emílio Lins

Repórter

Repórter

usar essa mão-de-obra para ‘economizar’ com encargos trabalhistas”, critica. O gerente defende que precisa haver responsabilidade por parte das instituições para lidar com essas atividades.

FOTO: Carlos Gabriel Ferreira

A trajetória de um estudante universitário rumo ao mercado de trabalho consiste em muitas etapas, desde o aprendizado teórico até as práticas do ramo. É nessa fase que o estágio se encaixa. Na teoria, é uma atividade de formação educativa e supervisionada, na qual o discente tem um maior contato com as atividades que ele vivenciará no mercado de trabalho. Na prática, há denúncias sobre a distorção do objetivo real do estágio. Ricardo Aiolfi, discente de Comunicação Social da UFES e estagiário do Ministério Público Federal no Espírito Santo, acredita que, muitas vezes, o aluno se submete a práticas que não o auxiliam na sua formação. “Já vi vários que faziam atividades de secretariado, como atender telefone, servir café”, afirma. Segundo ele, os professores não acompanham, e os estudantes passam a ver o estágio como o próprio emprego, sujeitandose a situações desnecessárias. Do outro lado, temos as empresas que determinam as funções do estagiário. Cristiano Alves Dias, gerente de recursos humanos da empresa Landix Sistemas, também crê que o estágio não esteja sendo aplicado da forma correta. “Algumas empresas, até pouco tempo, exerciam a prática de

Estágios dentro da UFU Na universidade, o questionamento não é diferente. Na campanha de eleição para a gestão 2013 do DCE, uma das pautas foi que o estágio interno não obrigatório da UFU estaria suprindo a falta de técnicos administrativos em alguns setores. O estagiário da Diretoria de Relações Internacionais Vinícius Soares acredita que seja “errado utilizar esta-giários para lugares de técnicos em áreas críticas, que têm muita responsabilidade sobre a pessoa”. Geovana Teixeira, Diretora de Ensino da UFU afirma que “não há, na Pró-Reitoria de Graduação, estagiários que estejam em descompasso entre o que desenvolvem aqui no campo de atuação profissional e sua formação estudantil”. Ela ressalta que a universidade está fiscalizando os estágios dentro da UFU. “Nós estamos atentos ao celebrarmos os convênios e assinarmos os contratos, para que o estagiário não se configure como mão-de-obra barata”, defende.

D ireitos dos es tag iários Garantias determinadas pela Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008 - O estágio não caracteriza vínculo de emprego de qualquer natureza, não sendo devidos encargos sociais, trabalhistas e previdenciários. - No caso do estágio não obrigatório é compulsório o pagamento de bolsa e auxílio-transporte ou outra forma de remuneração; já no estágio obrigatório, a bolsa é facultativa. - O estagiário tem direito a recesso de 30 dias quando o estágio tem duração de um ano; nos estágios com duração inferior, o recesso é concedido proporcionalmente. :

Mais informações no site do Ministério do Trabalho e Emprego: http://www.mte.gov.br

Diretor de assuntos estudantis ressalta importância de conhecer o perfil dos cotistas

O REUNI teve a sua implementação finalizada no último ano e, com ele, terminou o repasse de verbas pelo Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), que garantia suporte em transporte, moradia e alimentação para os estudantes. Neste contexto, o governo aprovou a Lei nº 12.711, chamada Lei de Cotas, na qual as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) devem observar recortes socioeconômico e étnico na seleção dos alunos. Na UFU, já em 2013, serão destinadas50%dasvagasaessepúblico. Mais cotistas, maior demanda por assistência estudantil. A assistente social responsável pela Divisão de Assistência ao Estudante, Maria de Fátima Oliveira, considera que “o REUNI foi um divisor de águas”. A partir do PNAES as universidades entenderam a importância de ter verbas destinadas à assistência. “Antes de 2008, nós passamos por momentos

complicados. Tivemos que dizer não para o estudante muitas vezes”, relata. Segundo ela, o governo federal já anunciou uma bolsa permanência de R$ 400,00 para alunos cotistas, mas esse valor é inferior ao fornecido atualmente, de quase um salário mínimo. O diretor de assuntos estudantis Leonardo Barbosa esclarece que a UFU receberá, no primeiro semestre de 2013, cerca de 500 estudantes cotistas. Entretanto, não é possível saber quantos irão solicitar assistência, pois ela somente é concedida a alunos que pertencem às classes C, D e E, cuja renda familiar seja inferior a um salário mínimo e meio. “Nós não vamos nos contentar com os auxílios que temos. Contudo, eu preciso esperar um pouco para conhecer o perfil do estudante cotista. A DIRES já solicitou ao CEPES uma pesquisa para delinearmos o perfil desses indivíduos”, completa.

Continua? O movimento estudantil, por meio de sua entidade representativa União Nacional dos Estudantes (UNE), reivindica a continuação do programa de expansão dos institutos federais de ensino superior. Os estudantes querem, agora, um REUNI 2, com foco da qualidade, melhora e aprimoramento do primeiro momento de expansão. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) caminha com a discussão no mesmo sentido, entendendo a importância da continuação da expansão das universidades públicas. Acesse o site do Ministério do Trabalho e Emprego: http://www.mte.gov.br


CONFLITO

Ocupação do Glória reúne mais de 2 mil famílias Administração superior da universidade é sensível à reivindicação do Movimento Sem Teto

Luísa Salviano e Raissa Dantas

FOTO: Luísa Salviano

Repórteres

O ano de 2012 ficou marcado nacionalmente como o ano com maior número de desocupações, incluindo Uberlândia com 21 ocorrências. No dia 13 de janeiro de 2012, aproximadamente 500 famílias ocuparam uma área de 63 hectares da Fazenda Glória, futuro Campus da Universidade Federal de Uberlândia. Os moradores dessa região, hoje nomeada de Bairro Prieto, vieram de acampamentos, ocupações e despejos, como o CEASA e Shopping Park. O líder do Movimento Sem Teto do Brasil (MSTB) Wellington Marcelino Romana, conhecido também como Marrom, entrou para o Movimento Sem Terra (MST) aos 17 anos. Seus ideias se distanciaram dos objetivos do MST e, então, surgiu a possibilidade de se conciliar ao Movimento Sem Teto, no qual as pessoas que habitam a área são trabalhadores que precisam de local para construir suas casas. Hoje, mais de 2,2 mil famílias vivem no Bairro Élisson Prieto e lutam pelo direito à moradia. Os moradores lidam com a falta de recursos no local, uma vez que, diante da solicitação de despejo do Ministério Público Federal (MPF), não é permitida a entrada de serviços da Prefeitura. Apenas no início desse ano, foi possível matricular todas as crianças em creches e escolas, além de conseguir acesso às Unidades de Atendimento Integrado (UAIs). Aproximadamente 7 mil pessoas estão cadastradas no programa “Minha Casa, Minha Vida” em Uberlândia. Parte dessas pessoas vive no Glória pois precisa ter

onde morar enquanto a fila do projeto não avança. Dona Geralda, que reside na ocupação com seu marido há um ano, conta que está cadastrada há dez anos no “Minha Casa, Minha Vida”, desde quando era “Casa Fácil”, programa habitacional do município. Proj etos e parcerias

Após a concretização da ocupação, foi fundada a Rede Élisson Prieto de Apoio à Ocupação do Campus Glória, para fortalecer a luta pelo direito à moradia, acompanhar e contribuir na formação política do movimento, nas atividades de comunicação e, ainda, na organização e acompanhamento de atividades públicas. Fernando Araújo, membro da rede de apoio, afirma que o movimento precisa de grupos que articulem por ele “A rede não invade o espaço e as decisões do MSTB, apenas ajuda a articular as decisões e os ideias do movimento”, diz. Os líderes do movimento destacam que ele tinha “uma história, uma utopia”. Seu projeto arquitetônico contaria com 2,2 mil residências, um local institucional do bairro Élisson Prieto, além de áreas para sede do MSTB, Organizações Não Governamentais (ONGs), Associação de Moradores e um espaço gerenciador de mão-de-obra. Marrom destaca a importância do projeto e explica: “O sonho construído era que nosso bairro fosse auto-sustentável”, tanto em infraestrutura, quanto em organização das pessoas. A questão burocrática é o que impede

FOTO: Raissa Dantas

Assembléia de moradores do bairro Élisson Prieto delibera sobre assuntos da comunidade

Moradores vivem em condições precárias e lutam contra a falta de recursos no local

a realização das negociações nos casos de desocupação. O prefeito de Uberlândia cidade Gilmar Machado propôs a verticalização do bairro para que mais pessoas sejam abrigadas no local. Marrom retoma que este não era o projeto inicial do movimento, mas se for condição para se manterem alocados, acatarão a proposta. A postura do MSTB e ocupantes é ficar na área até que o poder público consiga a casa própria para esses quase 9 mil habitantes da área. Intermediação

O Conselho Universitário (CONSUN) caracteriza a área ocupada como desnecessária às finalidades da Universidade pela Resolução Nº 06/2010. O documento afirma que a área ocupada não será utilizada para construção do Campus e nem prejudicará qualquer projeto. Eduardo Nunes Guimarães, vice-reitor da UFU, explicita que o contato com Município e União se dá na tentativa de solução do problema habitacional da área, que não é incumbência da Universidade. “Quem tem como fazer é o governo federal, através do Ministério das Cidades, ou a Prefeitura Municipal”, esclarece. Enquanto administração superior, o vice-reitor expõe sensibilidade no trato e acompanha diretamente o movimento de ocupação do Campus Glória, tendo em vista a não intenção por parte da Universidade ou do Movimento de enfrentamento para desocupação. “Na verdade nós não temos urgência, mas é que a le-

gislação tem prazos a serem cumpridos”, diz. Ele elucida, ainda, limitações legais na intervenção institucional, como uma possível doação da área, diante da ausência de prerrogativas para tal. Muito se especula sobre formas de negociação do perímetro uma vez que a administração da UFU não se posiciona no sentido de vendê-la em leilão, mas sim no de negociar amplamente. Marrom esclarece que o movimento não tinha conhecimento da resolução do CONSUN. “A partir do contato entre movimento e o professor Élisson Prieto, no último ano, tivemos a sensibilidade de entender que a terra era do governo federal, da UFU”, explica. Guimarães, questionado acerca das probabilidades vislumbradas entre UFU, Prefeitura Municipal e governo federal, explica: “O que imaginamos como resolução é a Universidade fazer a doação da área para o Ministério das Cidades e o governo fazer uma compensação financeira pra Universidade, então não se trata de uma venda”. O vice-reitor afirma ainda que essa compensação pode ser monetária ou em forma de infraestrutura para o Campus Glória, sem envolver transferência, visto que a área é da União. O que pode ser feito é a permuta do perímetro para outro órgão do governo. “Receberíamos uma compensação que nos garantiria a continuação do nosso projeto de expansão da educação com qualidade no Campus e a Prefeitura resolveria o problema social dessas famílias”, acrescenta Guimarães.


Laura Máximo Repórter

e se pegar fogo?

Universidade apresenta falhas na fiscalização de alarmes e extintores

Com cerca de 25 mil pessoas cruzando seus corredores todos os dias, a UFU é uma das trinta maiores universidades do país e conta com uma estrutura dividida em sete campi distribuídos em quatro cidades: Uberlândia, Patos de Minas, Ituiutaba e Monte Carmelo. Em cada campus, milhares de técnicos, docentes e estudantes passam grande parte de sua rotina e, por isso, esperam estar seguros contra eventuais acidentes dentro dos muros da instituição. Para manter a segurança de alunos e prestadores de serviços é necessário que a universidade invista em medidas de prevenção de desastres, como incêndios. Visando a segurança dessa grande quantidade de pessoas que passa diariamente pela instituição, a Diretoria de Infraestrutura da Universidade, após concluir o projeto arquitetônico de cada bloco, contrata empresas terceirizadas para realizarem serviços complementares. O responsável pela diretoria, Antônio Carlos dos Santos, afirma que a

Normas Segundo o Decreto 44.746 de 19 de fevereiro de 2008 são obrigatórios extintores a cada 20 metros, alarmes, mangueiras, saídas de emergência e iluminação sinalizando portas. Para prédios com mais de 700 m2, também é, necessária a presença de hidrantes. Em áreas de maior risco, o profissional técnico com especialização na área de combate a incêndio faz a proposição de acordo com o local e indica os meios preventivos ideais. Situação dos blocos da UFU de acordo com as normas de segurança do Corpo de Bombeiros (em observação realizada pelo Senso (in)comum entre 7 e 20 de março de 2013): 5O – Santa Mônica: Irregular, faltam extintores de incêndio. 5S – Santa Mônica: Irregular, não existe nenhum extintor no bloco. 5R–Santa Mônica: Irregular, faltam extintores de incêndio. 3Q–Santa Mônica: Irregular, faltam extintores de incêndio. 3D – Santa Mônica: Regular. 1B – Santa Mônica: Irregular, faltam extintores e não há iluminação de emergência. 1G – Santa Mônica: Irregular, não há iluminação de emergência. 8C – Umuarama: Regular. 4G – Umuarama: Regular. 2E – Umuarama: Irregular, não há iluminação de emergência. 1N – Educação Física: Irregular, não há iluminação de emergência.

#DISQUE DENÚNCIA 181

UFU não tem uma estrutura de corpo técnico hidráulico, elétrico e pneumático capaz de suprir as necessidades das edificações, por isso tem que transferir este trabalho. Segundo Santos, em casos de medidas contra incêndio, a empresa contratada desenvolve o projeto, e então o corpo de bombeiros avalia, aprova e torna lícito o planejamento de cada prédio. Depois disso, a fiscalização e manutenção de extintores e alarmes é feita pela Diretoria de Logística da UFU. Entretanto, o Tenente Relson Miguel de Macedo, do 5º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM), afirma que a Universidade não tem o auto de vistoria junto à entidade e que a inspeção dos blocos não é orientada por oficiais da corporação. É legalizada a contratação de pessoas qualificadas pelo Corpo de Bombeiros para propor normas contra incêndio e pânico. Esses profissionais devem analisar, avaliar e emitir pareceres relativos aos casos que necessitarem de soluções técnicas complexas.

Falta de estrutura do Campus da UFU em Patos de Minas Michelle Júnia

Uma carta aberta foi enviada ao Conselho Universitário da UFU pelos diretores e representantes dos cursos de Biotecnologia, Engenharia Eletrônica e de Telecomunicação e Engenharia de Alimentos do Campus da UFU em Patos no dia 19 de fevereiro. O documento apresenta o processo de implantação do Campus, os compromissos assumidos pelos representantes da cidade e as condições para a continuação dos cursos.

Denúncias

A carta contém 11 paginas apresentando um histórico das ações da UFU desde maio de 2010, quando o Campus foi criado. Os responsáveis afirmam que a UFU honrou os compromissos firmados com o município e investiu quantias com locação e adaptação de espaços para atender as necessidades. Também destaca a situação do terreno doado para construção da UFU. E ainda, que os compromissos firmados pela Prefeitura da cidade não foram cumpridos. O Palácio de Cristais, prédio cedido para as atividades dos cursos, é insuficiente, e ainda, foi solicitado o segundo andar pelo Prefeito Pedro Lucas como gabinete, o que é um compartilhamento inadequado de espaço.

Reivindicações

O documento pede o uso exclusivo do prédio pela UFU, já que outra atividade neste meio é uma falta de compromisso da Prefeitura Municipal com o Conselho Universitário. A situação preocupa a todos, incluindo o presidente da Câmara Municipal de Patos de Minas, vereador Otaviano Marques, que recebeu em seu gabinete uma cópia da carta enviada ao CONSUN da UFU, e, preocupado com a possibilidade de extinção do Campus de Patos de Minas, criou uma comissão especial para investigar os fatos contidos na carta.


Mas a manutenção da segurança da UFU fica a cargo da universidade. Extintores de incêndio a cada 20 metros, alarmes, mangueiras, saídas de emergência e iluminação adequada são condições obrigatórias para o funcionamento de prédios de porte semelhante aos blocos da universidade, mas foi constatado que, dos onze visitados nos campi de Uberlândia, apenas três estão regularizados segundo as normas gerais de segurança para evitar e combater acidentes (ver Box). Ana Maria Guirado Rodrigues, chefe do Setor de Engenharia de Segurança do Trabalho (SESET) da UFU, declara que as irregularidades são causadas pela demora na efetivação de licitações. A empresa prestadora desse tipo de serviço encerrou seu contrato e a nova ainda não começou a trabalhar nos campi. Segundo Rodrigues, outros problemas também ocasionaram a deficiência na manutenção, como dificuldade de acesso a determinados blocos no momento da fiscalização – já que alguns setores ficam

fechados –, escassez de profissionais responsáveis vinculados à universidade e falta de um projeto mais efetivo de combate a incêndio. O que se observa é que a tragédia na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 27 de janeiro de 2013, fez intensificar a fiscalização de medidas contra incêndio. Em Uberlândia, houve 42 vistorias. Seis casas noturnas tiveram que ser interditadas e vários bares se retrataram diante da mídia. Das boates fechadas, cinco já foram liberadas e uma recorreu à justiça contra o fechamento. O foco permaneceu principalmente nos pontos de lazer da cidade, sendo pouco questionadas as medidas de segurança de grandes prédios dedicados a atividades comerciais ou a instituições acadêmicas com grande aglomeração de pessoas, como é o caso da UFU. Segundo a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, a prioridade no momento é atender a demanda do disque denúncia.

Alunos questionam atendimento médico na UFU Diretoria responsável pela saúde reconhece problemas e prevê mudanças no funcionamento

Marilía Coelho Repórter

Serviço de assistência à saúde da Universidade no Campus Santa Mônica não atende as expectativas dos estudantes. Em situações de emergência, a universidade disponibiliza uma ambulância que fica em frente ao bloco 1 A, até as 17h30, mas nem sempre está no local por não ser exclusiva do Campus. O atendimento no ambulatório, localizado no mesmo bloco, é voltado para os servidores e para o auxílio em casos de eventualidade na comunidade universitária em geral. Uma estudante de Ciências Contábeis da UFU, que não quis ser identificada, já precisou de cuidados médicos no Campus e não conseguiu ser atendida. A aluna sofre de problemas cardíacos e desmaiou durante a aula, no bloco 3Q. A ambulância não se encontrava na UFU e não havia nenhum paramédico no momento. “Ninguém sabia o que fazer comigo, fiquei desacordada por mais de 20 minutos. Meu professor precisou parar a aula e me levar para o UAI”, conta a aluna. Ela ainda afirma que seus amigos e a coordenação do curso demoraram muito na procura da ambulância do Campus, e que esse tempo era essencial no seu caso. O atendimento do ambulatório é oferecido para situações emergenciais, e não de acompanhamento, mas muitas vezes os profissionais não estão capacitados para dar assistência em eventualidades. Mariana Assis, estudante de Relações Internacionais, também já ficou sem atendimento na UFU. A aluna cortou a boca e foi até o ambulatório. “Quando cheguei a paramédica disse que não sabia dar ponto e me aconselhou a lavar o local e tomar um remédio para dor”, afirma. Mariana precisou

ir a um hospital particular e dar quatro pontos no ferimento. “É um caso bem simples, mas não foram capazes de atender”, completa. José Humberto de Almeida, diretor da Diretoria de Qualidade de Vida e Saúde do Servidor (DIRQS) comenta que a intenção é estender o horário de atuação da ambulância para o período das 7 às 22 horas e explica que, dentro do serviço público, existem alguns trâmites a serem seguidos até que o horário seja alterado. “É reconhecida a necessidade, mas agora é questão de tempo”, completa. O ambulatório também funciona na parte da noite, mas existem projetos de ampliação do tipo e número de atendimento. No Campus Umuarama, o atendimento não é só voltado à saúde, mas existe uma diretoria que engloba assistência relacionada à saúde do servidor, engenharia de segurança, saúde ocupacional, perícia e avaliações. José Humberto ressalta que o espaço é pequeno, “então precisa ser feita uma diversificação dos horários para dar conta de atender tudo”. A DIRQS atualmente tenta uma parceria com o Hospital de Clínicas para dar suporte quando a ambulância da UFU estiver em manutenção. Para que servidores e estudantes não fiquem completamente descobertos, uma parceria está sendo pensada para que o hospital disponibilize um carro quando a ambulância não estiver disponível. “Muitos dos mal-estares não precisam necessariamente de ambulância, mas apenas do transporte até uma unidade de saúde mais próxima”, explica o diretor.


FOTO: Carlos Gabriel Ferreira

ALGUMAS ODES A DIONÍSIO E APOLO

FOTO: Carlos Gabriel

Bandas do cenário alternativo retomam espaço cultural da universidade com a volta do projeto UFUzuê

Carlos Gabriel Repórter

Junto ao palco, uma moça cantava os sons de um rock de décadas passadas. Com uma presença marcante, ela seguia com o seu timbre único aos balanços dos instrumentos ressoantes. Mari Tannús, de madeixas loiras, agradecia pela oportunidade de estar em contato com o público universitário e falava, sobretudo, da importância da retomada cultural para a cidade. No dia nove de março, ocasião oportuna após o Dia Internacional da Mulher, reestreava o programa UFUzuê Itinerante, projeto da Diretoria de Cultura (DICULT), agora em parceria com a Diretoria de Assuntos Estudantis (DIRES), que esteve inerte desde meados de 2009. Nas quartas-feiras de 2003, às seis da tarde, acontecia no bloco J do Campus Santa Mônica uma série radiofônica que levava ao público bandas do cenário alternativo. O programa mostrou grandes talentos da cidade e trouxe à tona grupos que tocavam apenas no interior de suas casas. O UFUzuê, que começou nas rádios no início do milênio, agora retoma seu rumo itinerante, passando a cada mês pelas unidades da UFU em Patos de Minas, Monte Carmelo, Ituiutaba e Uberlândia. O programa da DICULT é coordenado atualmente pelo diretor Luiz Carlos

(Lu) de Laurentiz, mas sua história nasce em gestões passadas, perpassando desde cenas circenses até a companhia do céu noturno do antigo Centro de Convivência. O mais importante é que o evento surge despretensiosamente, como forma performática, épica e transformadora da convivência cultural universitária. Como relata Lu, “o tempo histórico é outro, mas ainda respeitamos os ideais de ebulição. Não estamos passando a borracha em nada, mas mexendo em tudo”. Junto à retomada do UFUzuê, outros projetos, que antes não estavam presentes na agenda acadêmica, retornam aos ares da efervescência cultural. Programas como Clube de Cinema, O Samba Mandou Me Chamar e o festival comemorativo de 35 anos de federalização da UFU são propostas de eventos da DICULT que possuem o desafio de recuperar a convivência das várias tribos urbanas que constituem a universidade. Por meio da Rádio Universitária, destaca Lu de Laurentiz, os eventos são divulgados a fim de evidenciar ao público externo que o que está acontecendo dentro do âmbito universitário também é deles. A parceria com a DIRES, por sua vez, no caso do UFUzuê, surge como uma

oportunidade de financiamento para os eventos culturais da UFU. Como explica Leonardo Barbosa, diretor do setor, a DICULT nunca recebeu um orçamento que cobrisse a sua demanda. A colaboração, por outro lado, também poderia ser um pontapé para promover a coletividade. “Ora buscam soluções lá fora, como patrocínios, ora a gente tenta resolver internamente com DIRES ou com a DIREC, por exemplo, sem perder a característica de cada diretoria”, conta Leonardo. Convite à sociedade

O trabalho coletivo com a DIRES ainda desenvolve a oportunidade do movimento estudantil de se comunicar em um meio democrático, por meio de práticas culturais. Aos alunos, é concedida a possibilidade de se apropriar do espaço público universitário: é o que acredita Leonardo ao dizer que “precisamos pensar nas atividades de recepção dos calouros enquanto forma de conhecer as potencialidades da Universidade. A UFU não é só sala de aula”. Com estas ferramentas de intervenção cria-se um elemento capaz de auxiliar a formação social dos estudantes, de modo a se propiciar

um conhecimento extraclasse. O fato é que o intercâmbio cultural nestes espaços alternativos também amplia a possibilidade de conhecer grupos artísticos que não são vistos durante o dia a dia. Apesar de nunca ter tocado em um festival da cidade, Guilherme Caixeta, estudante e vocalista de uma banda criada recentemente, é uma pessoa com muitas expectativas – principalmente com relação a subir em um grande palco pela primeira vez: “Estamos treinando duro para conseguir mais do que já conquistamos neste primeiro mês. Ainda estamos sem nome para nosso grupo, mas sabemos que é preciso focar em parcerias para ganhar o público”. É neste aspecto que a DICULT promove a relação entre a academia e a sociedade. Por meio de editais, o setor pretende selecionar artistas da região e da Universidade que queiram se apresentar em seus espaços, seja de modo teatral, musical ou cinematográfico. Então, quem sabe, Guilherme e sua banda apareçam no próximo UFUzuê! Para ficar por dentro das notícias sobre os próximos eventos, basta acessar seu perfil no Facebook: facebook.com/dicult.ufu.


CONVIVÊNCIA

Novas propostas culturais para o Jambolão

Intervenções artísticas estão entre as ideias para melhor ocupação do espaço no Santa Mônica FOTO: Lívia Machado

Lívia Machado Repórter

Iniciativa da Diretoria de Assuntos Estudantis (DIRES), em parceria com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a Diretoria de Cultura (DICULT) da UFU, tem o intuito de reaproveitar o local conhecido por Jambolão a partir de uma nova proposta artística-cultural. Os campi da UFU apresentam espaços livres, dedicados ao descanso e ao lazer. O ambiente aberto entre os blocos I e H, no Campus Santa Mônica, sempre foi movimentado. Estudantes se reúnem no local durante os intervalos das aulas, após o almoço e, até mesmo, no fim da tarde. Historicamente, já foi palco para a formação de muitas bandas independentes, como a Porcas Borboletas, que hoje toca em festivais ao redor do mundo. O famoso Jambolão, árvore que caracteriza o ambiente, é testemunha de ideias vanguardistas e nomeia o festival Jambolada, cuja última edição ocorreu em 2010. Por ser um espaço de interação de cursos ligados às artes, como Dança, Música e Teatro e Artes Visuais ocorrem eventualmente intervenções culturais. A universitária

Estudantes utilizam o espaço do Jambolão como forma de lazer

de Ciências Sociais Bruna Cristine tem aulas no bloco H e frequenta o ambiente ao redor da árvore. Para ela, o Jambolão é um importante local de convivência. “Por ser um espaço aberto e cercado de natureza, é agradável, ótimo para shows e outros eventos. Devemos aproveitá-lo melhor”, afirma. Nícolas Dornelas trabalha no Restaurante Universitário da UFU e, para ele, o Jambolão é um espaço importante à medida que as pessoas vão lá para relaxar e socializar. “Já acompanhei muitas pessoas

discutindo os problemas, elaborando seminários e até mesmo comentando as eleições”, relembra. Reclamações de alguns professores quanto ao uso de drogas no local acenderam a discussão sobre a temática. De acordo com Leonardo Barbosa, diretor da DIRES, pretende-se fazer intervenções culturais no sentido de reocupar o espaço do Jambolão. A proposta foi colocada em uma reunião com a Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis (PROEX) e o Movimento Estudantil,

mas ainda não é oficial. “A ideia é, no próximo semestre, realizar um seminário sobre álcool e drogas e, desse seminário, surgir com algumas propostas culturais que contem com a participação dos frequentadores do espaço”, explica Leonardo. A sugestão foi apresentada ao Conselho Regional de Psicologia que mostrou interesse. “Queremos fazer uma abordagem não maniqueísta dos usuários, repensando a política do uso de drogas, mas sem criminalizá-los”, explica o diretor. De acordo com ele, a intenção é atrair pessoas que já fomentam o debate e, ao mesmo tempo, estabelecer contato com o Movimento Estudantil. Quanto à utilização do espaço, a proposta do DCE é aproveitá-lo junto com o pessoal dos cursos de Artes Visuais, Dança, Música, Teatro para a promoção de festivais de artes integradas, saraus, shows, intervenções artísticas com stêncil e grafitti. “Não deve ser uma imposição, todos têm que dar sua contribuição e ter o direito de participar”, completa Isadora Menezes, coordenadora de Comunicação do DCE.

Futuros engenheiros se rendem às acrobacias

Mariana Molina Repórter

Mais que líderes de torcida, as cheerleaders, bastante conhecidas nos filmes hollywoodianos, são atletas. A prática que se iniciou nos Estados Unidos, no século XIX, só chegou ao Brasil em 2008, principalmente após o lançamento de filmes como “As Apimentadas” e também com o seriado “Hellcats”, que retratam a vida das atletas. Ainda pouco conhecido, um grupo de cheerleading está sendo formado na UFU. Pertencente à Associação Atlética Acadêmica da Faculdade de Engenharia (AAAE) da UFU, a equipe formada por mulheres e homens está, desde dezembro de 2012, treinando a animação de torcida. Raynne Santos, aluna da Engenharia Mecânica e organizadora dos Cheers, diz que o que motivou a criação do grupo foi a vontade de entrosar as poucas

mulheres da engenharia. Além disso, Apesar dos movimentos difíceis, o ressalta: “Queremos estrear em esporte é considerado democrático. breve, nos apresentando no Com dedicação e força de vontade, Engenharíadas em Araxá”. qualquer um consegue participar. Pessoas mais fortes, ou fora de forma,

FOTO: Mariana Molina

Esporte exige esforço físico, coordenação e dedicação dos atletas

podem ser base, enquanto um atleta mais magro pode realizar as acrobacias, assim como alguém mais flexível fica responsável pelos saltos. O treinador e personal trainer do grupo Cedrick Willian é bailarino e especialista em ginástica artística de formação. Ele ensina para os atletas desde movimentos simples de dança, até acrobacias difíceis e arriscadas. O treinamento acontece de duas a três vezes por semana no ginásio G7, Campus Educação Física da UFU. Segundo Cedrick, a animação de torcida é encantadora, por ser uma mistura de música, dança e ginástica, em sincronia com acrobacias e coreografia. Além disso, destaca que “existem pesquisas que afirmam que times com torcidas fortes vencem mais competições, e está é a função dos Cheerleaders”.


PERFIL

“Limitação é algo que a gente coloca na cabeça” Esther Varoto, graduada em música pela UFU. Esclerose Múltipla. Conheceram-se em novembro de 2008.

Daniela Malagoli Repórter

Com dois anos, começou a cantar. Aos três, compôs a primeira música. Como não sabia escrever, pediu à mãe que anotasse. Com cinco anos, já lia partitura ao tocar flauta doce. Gravou o primeiro CD nessa idade. Com 15, virou professora. Cursou oito anos de violão, contrabaixo e guitarra no Conservatório Estadual Cora Pavan Capparelli, mas estudou sozinha para a prova de habilidade específica do curso de Música (Licenciatura em Violão Erudito), ingressando no curso em sétimo lugar, aos 19 anos. Um dia, após uma aula de canto na UFU, na semana do seu casamento, Esther sentiu uma sensação estranha nos braços. Na manhã seguinte, acordou com metade do corpo dormente. Não conseguia piscar o olho direito e sentia tonturas e náuseas. Passou muito mal, por três meses, quando já estava casada. Os médicos, inicialmente, desacreditavam no diagnóstico de Esclerose Múltipla. Ela desconfiava. E se preparou. Esther, que chora e em menos de dez segundos enxuga as lágrimas, não cancelou um dia de aula para seus alunos. Quando os movimentos da mão esquerda, necessários para sua profissão, ficaram travados por dois meses, um dos alunos a consolou: "Enquanto você estiver falando, está bom, eu já aprendo". Antes de a Esclerose Múltipla manifestarse, Esther pensava: “Eu sou jovem, aguenta corpo!” Sete meses depois dos primeiros sintomas, e após passar por oito

médicos, o diagnóstico foi confirmado. Uma das primeiras coisas que fez, em seguida, foi compor uma música em homenagem aos portadores da doença. “O que eu fiz os três primeiros anos depois que eu descobri a Esclerose é o que eu teria feito na minha vida toda se eu não a tivesse descoberto”. Ela preparou a qualidade do seu futuro, mas viveu, e vive intensamente o presente. “Andei muito de patins. Se eu fosse pra cadeira de rodas amanhã, pelo menos iria lembrar a sensação. Nadar, sentir seu corpo na água, como é importante! As pessoas deviam pensar nisso”. Ela define a doença: “Esclerose Múltipla não é sinônimo de loucura. É uma doença rara e diferente que as pessoas deveriam conhecer mais”. A jovem nunca perdeu o “bom humor e a vontade de viver”. Nos inúmeros exames de ressonância magnética que fez, brincava com os sons do aparelho como se fossem notas musicais. Esther, que parece uma pessoa sem o diagnóstico de uma doença degenerativa como a Esclerose Múltipla Surto-Remissão (ver infográfico), reconhece: “É uma doença que pode expor o portador a muitas deficiências físicas, e muitas delas felizmente podem ser revertidas com o uso de anti-inflamatórios potentes (corticosteróides)”. Esther adora passear no shopping, fazer compras. Sempre acompanhada do seu grande amor, do seu apoio, Elker Tonini. Ele é o seu porto seguro. E se o assunto é ela, ele não hesita. “Ninguém derruba a Esther, é guerreira”. Ele pre-

tende curtir todos os momentos da vida junto dela. A musicista fundou a Academia de Música Varotonini em 2011, dois anos antes de formar-se. Para o professor do Curso de Música da UFU André Campos, Esther é empreendedora e batalhadora. Ela admite: "É fruto de tudo que eu faço em minha vida, o que me move, me dá prazer, a música”. Esther é professora de canto, violão popular e erudito, guitarra base e solo, contrabaixo, viola caipira, bateria e percussão, musicalização infantil, composição, teoria e percepção musical, edição de partituras e preparação para habilidade específica em violão erudito. Tem contrato como compositora com a Editora Clube da Música, que é parceira da Sony Music. Compôs, interpreta e produz a trilha sonora da Novela Portal do Cerrado. Objetivos futuros: Mestrado em Musicoterapia. Maior dedicação à carreira solo. Expansão da Academia de Música Varotonini. “Esther pensa lá na frente”, afirma a professora do curso de Música da UFU Sandra Alfonso. Uma mulher bem-sucedida? “Intimidade com Deus, prazer em viver e acreditar em mim”. Foi o que fez Esther ser uma empresária de sucesso. O que a Esclerose Múltipla te ensinou, Esther? “Maturidade e paixão pela vida”. Qual a primeira coisa que gostaria que alguém soubesse sobre você? “Que eu curto a vida”. Esther, o que é limitação para você? “Limitação é algo que a gente coloca na cabeça”.

FOTOS: Daniela Malagoli

ARTE: Leonardo Faria


Alabama Shakes

Diga xis! Isabella Carvalho

FOTO: Divulgação

A banda norte-americana Alabama Shakes fez sua primeira apresentação em solo brasileiro no dia 30 de março, no festival Lollapalooza, em São Paulo. Considerados pela revista britânica NME como “a melhor nova banda do mundo”, os quatro integrantes apresentaram as músicas do seu primeiro e aclamado álbum "Boys & Girls". O grupo estourou em 2011 e tem como fãs pesos-pesados da música como Alex Turner, do Arctic Monkeys, Jarvis Cocker, do Pulp, Adele e Jack White, cantor que os carregou em sua última turnê, além de Paul Krugman, colunista do New York Times e vencedor do prêmio Nobel em 2008. Ouvindo o disco, é possível compreender tanto prestígio. A vocalista Brittany Howard, 23, dona de uma voz potente, comparada a Janis Joplin, trouxe para o álbum influências da soul music, como Otis Redding e James Brown, do rock pesado como Led Zeppelin e de bandas modernas como My Morning Jacket,

Radiohead e Drive-By Truckers. A banda apresenta nas onze faixas que compõem o disco, no meio de tanta mistura, o soul em seu estado puro, autêntico e gritado. Na faixa de abertura, “Hold on”, o guitarrista Heath Fogg traz à memória a melodia de “My girl”, dos Temptations, reforçando a idéia retrô. A letra sobre a crise existencial da cantora, o desespero carregado na voz e o ótimo dedilhado de guitarra do refrão, imprimem de cara a identidade da banda. Em “I found you”, torna-se nítido o potencial instrumental da banda. O teclado e a bateria constroem um refrão explosivo, mas é uma excelente paradinha para um riffdo baixista Zac Cockrell, que deixa toda a coisa mais emocionante. Imprimindo uma aura rockeira, “Rise to the sun” tem como destaque os elementos da bateria de Steve Johson. Marcada por um delicado riff de piano, “You ain’t alone”, uma power ballad, fecha a parte explosiva do álbum. “I ain’t the same”, devido aos vocais e à melodia furiosa, lembra Jackson 5 em seu auge. Pra fechar o álbum, “On your way” traz um solo de guitarra e a cantora permite que os instrumentos de cordas ganhem destaque. Alabama Shakes expõe o que tem de melhor em "Boys & Girls" e nos mostra o motivo desse hype no cenário musical.

"Belos e eternos nada" Raissa Dantas

Fernanda Young, que é conhecida por suas prosas densas e envolventes, imerge em "Dores do amor romântico" (2005) na experiência de seu primeiro – e único – livro de poesias. Em meio à primeira pessoa intensa, espontânea e direta, Fernanda deixa claro que em seu campo poético não existe engessamento de rigor técnico, possibilitando ao leitor provar tal escrita aplicada à temática do livro: os amantes histéricos, o tédio dos casais cômodos, a fúria dos abandonados e a melancolia dos platônicos. Tudo isso com pinceladas generosas de seu humor ácido.

FOTO: Raissa Dantas

Para os amantes de fotografia, "Tudo sobre fotografia" é um livro que reúne a história desta paixão, desde o seu surgimento até a atualidade. A obra, publicada no Brasil pela editora Sextante, tem 576 páginas cheias de história e, claro, fotografias. Tanto fotógrafos aclamados, como Henry

Laura Máximo

Cartier-Bresson, quanto anônimos estão presentes na obra. Cada tópico explora bem o assunto e detalha as imagens de forma extraordinária. É uma excelente forma de conhecer um pouco mais sobre fotografia, sobre os processos pelos quais ela está passando e, ainda, estar por dentro das novidades desse universo.

Amor em Amour FOTO: Divulgação

Isabel Gonçalves

"Amor", de título original "Amour", é um filme de língua francesa dirigido por Michael Haneke que conta a história Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva), um casal de idosos apaixonados por música clássica e literatura. Eles vivem sozinhos e independentes em uma bela casa em Paris, até que veem sua rotina mudar completamente com a chegada de uma grave doença degenerativa que acomete Anne. Aclamado pela crítica, Amor ganhou em 2013 o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e levou também a Palma de Ouro em Cannes no ano passado. Como afirma a revista Bravo, "Amor" retrata a doença de modo "terno e fortemente emotivo sem, no entanto, querer amenizar a dureza da situação". O enredo do filme poderia ser doloroso e pesado para o espectador, mas a direção de Michael Haneke deixou a história emocionante e sensibilizante, claro, deixando um pouco da dor, mas sem afugentar quem assiste à história. "Amour" fez um retrato realista, sem eufemismos e nada caricato da velhice, o que já era esperado de um diretor como Haneke. Muito sério em seu trabalho e sempre focado nas atitudes do ser

humano em condições extremas - como no filme "Violência gratuita" -, o diretor austríaco jamais faria um filme água com açúcar. Mas, talvez o maior destaque da trama seja o belo trabalho do casal protagonista, eles interpretaram com perfeição o relacionamento um com o outro perante a dor e o desespero. Emmanuelle Riva, principalmente, nos faz acreditar que realmente está doente, que não quer se alimentar, que tem dificuldades pra falar e se movimentar. Um trabalho que mereceria, sim, a estatueta de melhor atriz - para a qual foi indicada mas não ganhou. O nome do filme não foi dado à toa, ele retrata o que significa amar de verdade. Mostra que o amor vai além de declarações, flores e bombons. Ricardo Calil, crítico da Folha de São Paulo, afirma com propriedade que o filme de produção francesa "trata do mais nobre e decantado dos sentimentos sem cinismo ou artificialidade". Mostra que o sentimento é demonstrado em momentos como esse. Mostra que amar é, acima de tudo, ser companheiro na adversidade. Fala sem firulas ou sentimentalismo, um ótimo filme.


quando morar é um privilégio

OCUPAR É UMA REGRA.! "Minha casa ME ABRIGA Minha casa MINHA BRIGA." Créditos:

março de 2013 .

Ocupação Campus Glória, Bairro Élisson Prieto,

Carlos Gabriel Ferreira Isley Borges Luisa Salviano Raissa Dantas


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Senso incomum 15 - abril/maio 2013 by Jornalismo UFU - Issuu