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Senso incomum 017 - ago/set 2013

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JORNAL‐LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO UFU ANO 03 Nº 17 ‐ AGOSTO ‐ SETEMBRO/2013

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jogos vir tuais

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cursos gratuitos

mais médicos

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EDITORIAL

Direitos básicos

Alimentação e transporte são direitos de todo cidadão, afirma a Constituição Brasileira. Os estudantes conhecem tais direitos e, no espaço das universidades públicas, há muito reivindicam que eles sejam garantidos plenamente. Mas a ampliação do número de vagas no ensino superior público, propiciada pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) resultou no aumento de demanda por esses serviços básicos e, consequentemente, deixou explícitas as necessidades urgentes por melhorias estruturais, algumas há décadas sem alteração. Na Universidade Federal de Uberlândia, dois serviços, em especial, revelam essa urgência. O primeiro é o Restaurante Universitário (RU), utilizado por centenas de estudantes diariamente para uma alimentação que se adeque aos horários apertados entre dois turnos de aula e aos recursos financeiros limitados. Atualmente, o RU é foco de reclamação diária, especialmente pelo tempo gasto nas filas, que resulta no efeito contrário do pretendido, ou seja, não ajuda o universitário a “poupar” tempo, ao contrário, acaba gerando atrasos entre uma matéria e outra. O outro gargalo é o transporte intercampi, um serviço gratuito para deslocamento de estudantes entre os atuais três (em breve, quatro) campi da UFU na cidade de Uberlândia. Muitas vezes, estudantes cursam disciplinas em campi diferentes em um mesmo dia e o deslocamento através do transporte público municipal não garante o cumprimento dos seus horários adequadamente. Tais demandas exigem posicionamentos rápidos para implementação de medidas a curto e médio prazo no sentido de solucionar os problemas e permitir aos estudantes concentrarse no essencial, sua formação. O estudante é a razão de ser de uma instituição educacional e garantir condições básicas, como alimentação e transporte, oferecerá condições para construção de uma formação cada vez mais sólida.

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Bazinga!

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Expediente O jornal-laboratório Senso (in)Comum é produzido por discentes, docentes e técnicos do curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia, como projeto de graduação e atividade curricular. instituição

Reitor: Elmiro Santos Resende Diretor da FACED: Marcelo Soares Pereira da Silva Coordenador do curso de Jornalismo: Gerson de Souza equipe

VOZES

Novas ideias e novos ares nos Campi Emílio de Sá

Democracia. Uma palavra que parece trazer uma definição clara e de simples entendimento, mas que traz consigo um leque de significados e interpretações políticas das mais variadas. Os conceitos de democracia se distinguem conforme a orientação política de cada indivíduo. A medida mais democrática para um grupo pode ser vista como absurda para outro. Para mim, creio que uma palavra seja essencial para a compreensão de todo processo democrático: o diálogo. Com temas importantes sendo discutidos na universidade, como o transporte intercampi e a ampliação do Restaurante Universitário, percebemos um novo contexto político na UFU. Pautas que há tempos eram reivindicadas pelo movimento estudantil e pelo estudante comum reaparecem com força. Porém, agora, sentimos uma disposição política de diretores e pró-reitores em escutar o aluno e dialogar. Esta é a diferença crucial entre o que acontece hoje nos campi e o que acontecia há tempos atrás.

Toda universidade deveria funcionar como um laboratório para uma sociedade melhor, inclusive quando o assunto é democracia. Mas não é isso que víamos na UFU e nem que o vemos em várias faculdades pelo país, onde reitores, que mais parecem proprietários das instituições, agem de forma unilateral, ignorando as pautas estudantis. Ignorar a voz do estudante é incoerente por si só, pois esta é a principal e maior engrenagem que move uma universidade pública. Não ouvir o que o aluno tem a dizer é se isolar da instituição como um todo. O transporte intercampi vem sendo discutido com as entidades representativas dos estudantes na UFU, assim como a ampliação do RU e medidas provisórias para amenizar o problema das filas. Enquetes e mapeamentos foram feitos com o fim de escutar o que o aluno deseja. Se os projetos vão sair do papel ou não, só o tempo dirá. Mas a conversa e a abertura política, que não víamos há certo tempo, está acontecendo. O interesse em chamar os re-

Editora-chefe: Ana Spannenberg (MTb 9453) Reportagem, redação e edição: Emílio Lins de Sá Vieira, Laura Máximo e Marcos Vinícius Reis Arte e Diagramação: Danielle Buiatti colaboração

Reportagem e redação: Neimar Alves e Taís Bittencourt Opinião: Daniela Malagoli, Guilherme Gonçalves, Isley Borges e Neimar Alves Fotografia: Emílio Lins de Sá Vieira, Marcos Vinícius Reis, Neimar Alves e Paula Nascimento Tiragem: 2000 exemplares Impressão: Imprensa Universit./Gráfica UFU E-mail: sensoincomumufu@gmail.com Blog: sensoincomumufu.blogspot.com Twitter: @_sensoincomum Telefone: (34) 3239-4163

presentantes estudantis em uma mesa para conversar, escutar e tentar chegar a soluções de uma forma minimamente coletiva é um passo básico, porém, importantíssimo para qualquer administração de universidade pública. Felizmente, a UFU avançou nesse aspecto. Não é uma questão de defesa de setores, grupos ou gestões. É uma defesa à parte do processo democrático tão negligenciado na nossa política: o diálogo.


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TECNOLOGIA

Jogos virtuais podem auxiliar crianças deficientes Projeto usa musicoterapia e fonoaudiologia para melhorar fala e cognição

Laura Máximo e Neimar Alves Repórteres

Os cursos de Engenharia Biomédica e Engenharia Elétrica da UFU desenvolvem um projeto de pesquisa que cria jogos virtuais pedagógicos voltados para a reabilitação psicomotora e de fala de pacientes da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) da cidade. A pesquisa começou em 2012 e tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). O custeio com equipamentos e bolsas de pesquisa é de pouco mais de R$ 33 mil. A Faculdade de Engenharia Elétrica (FEELT) possui um grupo que desenvolve ambientes virtuais e jogos utilizando realidade virtual e realidade aumentada. O Laboratório de Engenharia Biomédica (BIOLAB), por sua vez, trabalha com a reabilitação motora e aquisição e processamento de sinais. Os pesquisadores da UFU e os profissionais da área de saúde da AACD, que incluem fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, entre outros, aprofundaram as possibilidades de projetos aplicando o know-how teórico da UFU em situações práticas na AACD.

Brincar e tratar Ao contrário do puro entretenimento dos jogos tradicionais, os seri-

ous games desenvolvidos (“jogos sérios”, na tradução literal do inglês) prezam pela qualidade de vida dos usuários. Um desses games é desenvolvido pela estudante de Engenharia Biomédica Natália Silva, sob orientação de fonoaudiólogos da AACD no qual, com técnicas de realidade aumentada, a criança treina o aprendizado de sons e voz e a memória auditiva (ver box). O setor de Musicoterapia na AACD de Uberlândia restringe o tratamento de acordo com o comprometimento motor das mãos dos pacientes, além de haver quantidade limitada de instrumentos musicais disponíveis. As teclas de um teclado convencional são, por vezes, muito estreitas e alguém com deficiências motoras não conseguiria manuseá-lo usando somente os dedos. Já os jogos virtuais permitem a sua utilização por um número quase infinito de pessoas e podem ser acessados também em casa. Os pesquisadores desejam que, em breve, os sistemas sejam disponibilizados via internet. “Participar desse projeto tem sido algo desafiador, mas também muito gratificante, pois o intuito é que a ferramenta que está sendo desenvolvida seja realmente utilizada pelo nosso público-alvo, que são pacientes com disfunções motoras e cognitivas”, afirma Silva que desenvolveu o serious game musical. Os pacientes ainda não testa-

ram a ferramenta. Os pesquisadores e os profissionais da AACD estão manipulando os dispositivos para sugerir melhorias. A previsão é iniciar os testes em outubro deste ano, após autorização do Comitê de Ética da UFU. A também estudante de Engenharia Biomédica, Taciana Abdala, trabalha com um jogo na área de fonoaudiologia. Os profissionais desenham uma série de atividades, verbos, substantivos e complementos ligados ao cotidiano das crianças e criam um quadro. O fonoaudiólogo realiza uma entrevista para levantar o que é mais importante para o dia a dia da criança e, a partir disso, as imagens são impressas. O paciente deverá carregar o quadro para poder se comunicar e mostrar as figuras que correspondem ao seu pensamento ou vontade. Esse equipamento beneficiará algumas crianças atendidas pela AACD que não se comunicam por diferentes razões. “Elas têm capacidade de comunicação, mas não têm a voz”, esclarece o doutorando em Engenharia Elétrica Kenedy Nogueira. O princípio de funcionamento é muito parecido com o do jogo musical. Algumas situações cotidianas foram impressas em papel (marcadores) e cadastradas no software. Por exemplo, no caso das ações de comer e beber, existem marcadores cadastrados como sujeitos da frase (o desenho de um garoto e o desenho de uma garota), mar-

cadores para verbos (comer e beber) além dos complementos das frases (suco, leite, bolo, etc). Basta a criança selecionar os desenhos que preferir e colocá-los em frente a webcam. O computador vai ler os desenhos e uma voz irá dizer a frase da maneira correta. Por exemplo, “Eu quero comer bolo”. Não importa a ordem que os marcadores forem colocados, pois existem crianças não-alfabetizadas e que não conhecem regras de construção de frases. “O protótipo está com a voz da Taciana, contudo, a gente quer permitir que a mãe ou o pai ou o responsável pela criança grave a própria voz porque assim, a criança vai ter uma voz mais familiar”, destaca Nogueira.

Futuro da pesquisa Os pesquisadores pretendem levar o projeto a diante. “Podemos pegar as ferramentas e aplicar em outras instituições, tem a possibilidade de surgirem outros projetos baseados nos que já existem. Sempre aparecem mais perguntas e você tem um campo aberto para outras pesquisas”, relata Edgard Lamounier, professor de Engenharia Biomédica e um dos coordenadores da pesquisa. “A tecnologia é barata, é open source [livre e gratuita] e os materiais são recicláveis como no caso do papelão. A ideia é incentivar a iniciação científica”, reforça Kenedy Nogueira.

Entenda o ser ious game musical Papel, computador e webcam ajudam crianças a se comunicar melhor Marcadores, ou seja, símbolos codificados na forma de imagens impressas em pa‐ pel são posicio‐ nados em uma mesa, as ima‐ gens são capta‐ das por uma webcam conectada ao computador com o software desenvolvido pelos pesquisadores.

O software interpreta cada marcador como uma nota musical diferente e o paciente visu‐ aliza animações coloridas na tela no lugar de meros papéis impressos. A criança, ao tocar cada um dos marcadores, ouve o som da nota correspondente a ele.

O papel é a superfície es‐ colhida pois as crianças podem mexer sem riscos de se ma‐ chucarem. Como os marcadores podem ser feitos em diferentes tamanhos, mini‐ mizam a dificul‐ dade de alguém com coordenação motora deficitária.


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SAÚDE

Pesquisa mapeia sabedoria popular sobre plantas Trabalho envolveu troca de saberes entre moradores e pesquisadores nos distritos de Uberlândia Marcos Vinícius Reis e Neimar Alves Repórteres

O Projeto de pesquisa e extensão feito por professores e estudantes do Instituto de Biologia da UFU foi até distritos rurais de Uberlândia para estudar o conhecimento popular dos moradores sobre plantas. Os habitantes se propuseram a colaborar e, ao mesmo tempo, desejavam um retorno de saberes por parte da Universidade através da educação ambiental. O levantamento etnobotânico teve financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Em 2007, os pesquisadores começaram a colher informações sobre cultura popular a respeito de plantas, tanto no ambiente rural como nos quintais dos moradores. Nas fazendas e sítios da região foram catalogadas 128 espécies sendo 110 nativas do cer-

rado. Já nos quintais, observou-se maior número de plantas exóticas. “Nos quintais, basicamente o conhecimento popular é sobre plantas de fim alimentar e para uso medicinal. No ambiente rural, a gente encontra conhecimento sobre plantas de uso alimentício e medicinal, mas também para a construção de utensílios e cercas”, esclarece a professora de Ciências Biológicas da UFU, Lúcia Guido. Os pesquisadores aplicaram questionários nos distritos, caminhavam diretamente com moradores enquanto observavam as explicações e realizavam coletas de amostras. As espécies eram depositadas no herbário da Universidade – o Herbário Uberlandense – e passavam por um processo de identificação. Os conhecimentos populares relatados também eram comparados com os registros de nomes científicos e populares já catalogados pelo herbário.

O projeto também deu origem a dores de plantas. Para assistir ao “Cautrabalhos acadêmicos, monografias e sos do Cerrado”, acesse o blog do uma dissertação de mestrado. Estu- Senso (in)comum. dantes e professores se mobilizaram FOTO: Marcos Vinícius Reis para retornar conhecimento para as comunidades na forma de educação ambiental. Em Martinésia, os alunos levavam uma planta de casa para ser estudada toda semana. Ao final, foi elaborada uma cartilha. Em Cruzeiro dos Peixotos, os estudantes foram a quintais para conversar com os conhecedores de plantas. Havia ainda atividades lúdicas para associar as plantas às suas características corretas. Por fim, em 2010, a pesquisadora Lúcia Guido coordenou o documentário “Causos do Cerrado”. Um profissional de cinema foi convidado para conduzir o processo de gravações em Cruzeiro dos Peixotos e Tapuirama Guido relata que a equipe tentou durante uma semana, sendo auxiliado Lúcia retornar o conhecimento para a população por alunos, professores e os conhece- na forma de educação ambiental

Equipamento inédito pode evitar acidentes com rede elétrica Dispositivo é capaz de detectar quando um cabo de transmissão de energia se rompe e cai no chão Neimar Alves

um cabo é o faiscamento que pode Rompimentos de cabos de energia provocar incêndios, muito comuns na elétrica são muito perigosos. O conta- zona rural. As empresas de energia to com um ser vivo causa a morte na elétrica normalmente são obrigadas a grande maioria dos casos, devido à al- pagar indenizações em casos de incita tensão das linhas de transmissão. dentes como esses. Outro efeito causado pela queda de Um projeto da Faculdade de Engenharia Elétrica FOTO: Arquivo pessoal (FEELT) da UFU, feito a pedido da Companhia Energética de Minas Gerias (CEMIG), está aprimorando as técnicas atuais de detecção de rompimento de cabos. “O cabo cai e a corrente tende a ser muito pequena e o detector convencional não vai identificar que houve um defeito. Incêndios por faiscamento de cabos são comuns na zona rural Repórter

O diferencial dessa nossa pesquisa está na forma com que vamos detectar que tem algo errado”, afirma José Wilson Resende, professor de Engenharia Elétrica da UFU. Na rede elétrica existem grandes fusíveis chamados de religadores que agem em caso de sobrecarga, mas eles não têm atuação quando ocorre o rompimento de cabos, já que dificilmente há alteração significativa de tensão. Os pesquisadores criaram um circuito que, quando implantado nos religadores tradicionais, identifica o rompimento de cabos independente da tensão, ou seja, mesmo quando não há sobrecarga. Uma empresa de Uberlândia utilizou os estudos da equipe da UFU para a fabricação do circuito. “Quando um cabo cai e toca o solo, a forma de onda desse sinal é alterada. É uma alteração muito sutil, porém, com as técnicas computacionais e matemáticas é pos-

sível detectar essa alteração. O equipamento é que vai detectar essa ocorrência do tipo que exige a interrupção e vai enviar um sinal para que o religador possa interromper o circuito”, explica Fernando de Castro, Engenheiro de Sistemas Embarcados da empresa envolvida. O dispositivo e a pesquisa são inéditos uma vez que o problema ainda não havia sido solucionado a nível mundial. O investimento total para a construção do equipamento foi de R$ 1,3 milhões, a UFU e a CEMIG devem compartilhar a sua patente. Os testes realizados na concessionária comprovam a eficácia da pesquisa. Em um ambiente controlado, técnicos rompem cabos sobre diferentes superfícies como grama, asfalto e terra para analisar o desempenho do sistema. Até o fim do ano, o estudo deve ser encerrado e a inovação poderá ser comercializada.


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EDUCAÇÃO

Plataformas online oferecem cursos gratuitos Os chamados MOOCs já chegaram ao Brasil com disciplinas em língua portuguesa

Marcos Vinícius Reis

FOTO: Marcos Vinícius Reis

Repórter

Diversas universidades ao redor do mundo estão oferecendo cursos a distância gratuitos, com emissão de certificados, por meio de plataformas online. As disciplinas são as mais variadas possíveis: vão de Introdução à Aerodinâmica a Misticismo Europeu Moderno, passando por categorias do conhecimento humano como artes, educação, engenharia, negócios e nutrição, entre muitas outras. A Universidade de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts são apenas duas das instituições pioneiras que estão apostando nesse novo modelo de ensino. Mais conhecidos como MOOCs (sigla em inglês para Curso Online Massivo e Aberto), os cursos nesse formato tiveram seu início em 2008, com o oferecimento da disciplina “Connectivism and Connective Knowledge” (em tradução livre, Conectivismo e Conhecimento Conectivo) pela Universidade de Manitoba, Canadá. Mas foi em 2012 que a nova modalidade de ensino à distância se expandiu. Os MOOCs são caracterizados pela gratuidade e pela coletividade. Como qualquer um pode se inscrever, é

online são positivos, justamente por essa característica de complementariedade. “Todos [os cursos] que eu realizei foram relacionados com a temática do curso e me ajudaram bastante nas aulas presenciais da universidade”, ressalta.

Imperfeições

Muitos MOOCs oferecem certificados digitais de conclusão de curso aos estudantes aprovados

comum que eles reúnam inúmeras pessoas de todas as partes do mundo. A metodologia de aplicação das disciplinas pode diferir entre um e outro, mas costuma contemplar recursos próprios aos ambientes digitais, como vídeos, fóruns, formulários e textos, além de poderem incluir avaliação interativa entre os participantes. Rogério Justino, graduado em História e estudante do primeiro ano de Pedagogia da UFU, realizou dois cursos no Coursera, um sobre História do Rock, pela Universidade de Rochester, e outro sobre Tecnologias da In-

formação e Comunicação Aplicadas à Educação, pela Universidade Nacional Autônoma do México. Ele conta que as disciplinas resultaram em uma boa experiência, tendo sido bem pensadas e estruturadas. Elas, contudo, não podem ser realizadas a qualquer momento. “O curso não fica aberto. Ele tem uma data de início e uma data de fim. Você tem que se matricular naquele período”, comenta. Vinícius Vieira, estudante do terceiro ano do curso de Pedagogia da UFU, acredita que os impactos ocasionados pela realização das disciplinas

Apesar de serem gratuitos e acessíveis, a prevalência de cursos em língua inglesa pode ser um empecilho para estudantes que não tenham fluência no idioma. Estão surgindo, contudo, plataformas em outras línguas, como a brasileira Veduca. Esta já oferece três disciplinas com certificação: Bioenergética (UnB), Física Básica (USP) e Probabilidade e Estatística (USP). Outra questão em discussão se refere aos baixos índices de conclusão e aprovação nos MOOCs. Mas o assunto ainda depende de pesquisas aprofundadas para ser melhor delineado.

Conheça: Acesse o blog http://sensoincomumufu.blogspot.com.br/ e conheça algumas das plataformas dedicadas a MOOCs.

Reestruturações em bibliotecas da UFU beneficiam acadêmicos Novos armários e sistemas de autoatendimento podem facilitar a rotina de usuários do acervo Marcos Vinícius Reis Repórter FOTO: Marcos Vinícius Reis

Engenhoca: Máquina de auto‐devolução separa livros pela área do conhecimento

As bibliotecas da UFU têm passado por reformas que visam otimizar o atendimento à comunidade acadêmica. As medidas, que incluem a reestruturação dos armários e a utilização de sistemas de autoatendimento, garantem mais segurança aos objetos dos estudantes, diminuem as filas e reduzem a circulação de pessoas nos saguões. As mudanças já foram materializadas nos campi Santa Mônica e Umuarama, e existem planos para a extensão das melhorias nas demais bibliotecas. Uma das modificações implementadas foi a substituição dos antigos escaninhos. Conforme Kelma Patrícia de Souza, diretora do Sistema de Bibliotecas, os armários estavam saturados e não ofereciam segurança ao usuário.

“Nós chegamos ao número de 29 cadeados roubados em dois dias”, afirma. Com a reforma, os cadeados foram trocados por fichas e o espaço disponível para o armazenamento de volumes quase duplicou. Além disso, foram instalados escaninhos de diferentes tamanhos, de modo que possam atender às necessidades dos acadêmicos.

Autoatendimento Com os serviços de autoempréstimo e auto-devolução é possível retirar e entregar materiais bibliográficos por meio de máquinas, sem a intermediação dos servidores. O recurso viabiliza a redução de filas e diminui a circulação de pessoas no interior das bibliote-

cas. Os funcionários podem, assim, atender outras demandas dos estudantes, como dificuldades para a renovação de livros e impressão dos Guias para pagamento de multas. O sistema, que ainda está em fase de testes, deverá ser estendido às bibliotecas dos campi de Monte Carmelo, Patos de Minas e Ituiutaba, além do campus Glória. Paula Raquel Viegas, estudante do último ano do curso de Direito da UFU, diz que gostou do serviço, visto que ele possibilita a devolução do material em qualquer horário. Apesar de acreditar que o saldo final das mudanças é positivo, a aluna critica a ausência de orientação por parte dos servidores: “faltou ensinar a usar o sistema”.


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FOTO: Emílio de Sá

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Antigas pauta ampliação das in Universitário e a impla transporte intercampi, urgentes com o crescim número de estudantes.

Construção de novo RU deve ser iniciada em breve Emílio de Sá, Laura Máximo e Marcos Reis Repórteres

Fim das aulas da manhã ao meiodia. Quarenta minutos, ou mais, esperando na fila do RU. Se servir e engolir a comida em vinte minutos. Início das disciplinas da tarde às 13h10. Nas frases anteriores está descrita a rotina de muitos estudantes da UFU que sofrem diariamente com as deficiências dos Restaurantes Universitários, principalmente no campus Santa Mônica, gastando grande parte de um tempo de descanso, ou até mesmo estudo, em filas lentas e superlotadas. A estudante do terceiro período de Psicologia, Lorrayne Martins, é bolsista do RU e conhece bem essa realidade: “dependendo do tamanho da fila eu chego atrasada na aula à tarde e ainda como muito rápido, o que é incomodo”, diz. A aluna tem a maioria das suas aulas no Umuarama, mas cursou algumas disciplinas no Santa Mônica e reconhece que a ampliação ou a construção de um novo restaurante no campus é urgente, pois as filas do mesmo são bem maiores e mais

demoradas. Construído em 1995 e com uma estrutura que não suporta grandes reformas, o RU Santa Mônica deixa a desejar em produtividade e em tamanho, por isso, sua reforma é uma das reivindicações históricas do movimento estudantil da universidade. Com a adesão da UFU ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), o problema se agravou. Foram criados 14 novos cursos de graduação em Uberlândia e se ampliaram vagas em graduações já existentes. Em quatro anos, o número de estudantes da universidade saltou de 11 mil para cerca de 24 mil alunos e, mesmo com a demanda duplicada, a produção e distribuição de alimentos nos campi não se modificou quase nada. A situação se tornou insustentável. Frente a esta realidade, a Diretoria de Assuntos Estudantis (DIRES) lançou um comunicado aos usuários do serviço, afirmando estar ciente da delicadeza da questão e propondo medidas alternativas a curto-

prazo até que seja possível a ampliação do RU Umuarama e a construção de um novo restaurante no Santa Mônica. Uma das soluções imediatas propostas pela diretoria foi disponibilizar marmitas com o preço menor que o almoço completo no RU, mas essa não foi aceita pelo movimento estudantil. “Além da questão do impacto ambiental, a gente se preocupa com a saúde do estudante. Porque os riscos de contaminação que o aluno corre por essa medida são muito grandes”, esclarece a membro da atual gestão do DCE/UFU, Alecilda Oliveira. Em um plebiscito realizado em dois de setembro, os estudantes da universidade também disseram não à comida embalada: 42% dos que votaram preferiram o convênio com restaurantes em volta do campus a adaptação de espaços como os saguões dos blocos 5O e 5R para que se transformem em refeitórios, mesmo que essa providência demore oito meses para ser implantada. As três opções disponíveis para votação seriam medidas paliativas utilizadas somente durante a construção e reforma dos

RUs.

A universidade tem contrato com empresa terceirizada, em que nele está prevista a produção de quatro mil refeições diárias, mas a necessidade obriga os restaurantes a extrapolarem este número. “Nós estamos fabricando 4.300, 4.500 e já tivemos pico de 4.900 refeições”, afirma o diretor da DIRES, Leonardo Barbosa. Segundo ele, a ideia é construir dois novos restaurantes em Uberlândia. Um no campus Santa Monica para seis mil refeições e outro no Umuarama, para duas mil refeições, ampliando consideravelmente a capacidade de atendimento nos campi. A proposta, mais sólida que as de curtoprazo, demoraria cerca de dois anos para ser concluída e está sendo estudada por arquitetos da UFU. Além das mudanças nos campi de Uberlândia, a construção do RU de Ituiutaba já foi licitada e o projeto do restaurante de Monte Carmelo está sendo feito. Barbosa pede paciência à comunidade universitária: “essa gestão recebeu uma herança muito dura pra administrar em quatro anos. E sem os recursos do REUNI”, explica.


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as dos estudantes na UFU, a nstalações do Restaurante antação de um sistema de tornam‐se cada vez mais mento da instituição e do

Transporte intercampi à vista? Emílio de Sá e Laura Máximo Repórteres

É comum ver cartazes com promessas de implantação do transporte intercampi na UFU há alguns anos, principalmente em períodos de eleições para a Reitoria ou para o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Mas, mesmo prometido e estudado por gestões da administração superior da universidade, essa mobilidade se tornou quase um mito, por nunca ter sido concretizada efetivamente. Será que dessa vez o projeto sairá do papel? Comum em diversas universidades, o transporte intercampi consiste na oferta de ônibus exclusivo e gratuito para os estudantes. Circulando entre os campi, ele permitiria maior agilidade no acesso às atividades acadêmicas de diversos cursos. A condução é importante, ainda, para garantir assistência aos discentes, sendo integrante de medidas de auxílio à permanência estudantil. Alunos como Guilherme Sousa, do 4º período de Engenharia Biomédica, seriam beneficiados com essa medida. O estudante tem cinco disciplinas com aulas no campus Santa Mônica e duas no Umuarama e conta que, muitas vezes, chega a demorar 50 minutos para ir de um ponto a outro. “Algumas

matérias têm os horários muito próximos, então o transporte ia ajudar a economizar tempo. Às vezes nem dá pra almoçar, o horário de almoço é o tempo que leva pra chegar ao outro campus”, afirma o estudante.

Planejamento Devido a sua importância para a comunidade estudantil, a medida de implantação dessa mobilidade foi amplamente discutida durante a paralisação dos professores e alunos no ano passado, junto a outras propostas recorrentes, como a ampliação do Restaurante Universitário. "Essa foi a oportunidade que o comando de greve nos deu, fazer algumas reuniões com a reitoria, colocar essas necessidades e poder discuti-las", afirma a estudante Flávia Franco, do nono período de História e integrante do movimento estudantil. Depois de muitas negociações entre o Comando Local de Greve Estudantil e a Reitoria, foi definido que ônibus facilitadores do trajeto entre locais de aulas distantes seriam disponibilizados a partir do primeiro semestre letivo de 2013. Isto seria possível pois, segundo a administração anterior, um estudo sobre essa

mobilidade já estava sendo realizado. No mês de março, o Senso (in)comum procurou a atual equipe da Reitoria, que também apresentou como proposta o transporte intercampi. Na época, o diretor de logística da UFU, Wesley Marques, relatou não ter tido acesso aos estudos supostamente realizados na gestão anterior e afirmou que a nova diretoria já estava encaminhando análises sobre diversos aspectos cruciais para o sucesso da condução. Avaliações sobre a quantidade de veículos disponíveis na universidade, contratos de manutenção, rotas a serem feitas, horários e tipos de automóveis são necessárias. Usando inicialmente apenas um veículo, Wesley afirma que "a princípio nossa ideia seria sair do Umuarama, pegar os meninos na moradia estudantil, fazer o trajeto passando pelo campus Educação Física e vindo até o Santa Mônica. Esse seria o meio mais viável". Com o tempo, a frota de ônibus ou microônibus cresceria e abrangeria também o campus Glória e cidades vizinhas.

reuniões com a administração da Universidade. O contato com o movimento estudantil e as entidades representativas dos discentes foi feito com o fim de ouvir as demandas dos alunos sobre o transporte. Por meio de sua página no Facebook, o DCE também disponibilizou um questionário para que os estudantes opinassem a respeito das melhores rotas e horários. Mais recentemente, o Coordenador da Diretoria de Assuntos Estudantis (DIRES), Leonardo Barbosa, mostrou confiança no projeto. Segundo ele, o planejamento do transporte intercampi já está pronto, mas ainda não saiu do papel devido à intenção da Reitoria de institucionalizar a proposta. “O professor Elmiro entendeu que seria importante que nós institucionalizássemos o transporte intercampi. Ou seja, transformar o transporte em uma resolução da UFU de modo que esse ficasse no tempo para além dessa gestão. Se ele fosse somente uma política, correríamos o risco, havendo mudança da gestão, de perder o transporte intercampi”, explica o diretor. “Nós não temos nenhuma dúvida de Perspectivas que muito breve esse transporte vai estar rodando, vai estar funcionando, O Diretório Central dos Estudan- facilitando a vida dos três campi”, tes foi consultado sobre a questão em afirma.

FOTO: Emílio de Sá

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ENTREVISTA

“Não resolve só aumentar médicos, teremos que pensar uma política de fixação no interior” Emílio de Sá

FOTO: Paula Nascimento

Como ficou claro na proposta do Repórter projeto, não precisaríamos de tantos O programa Mais Médicos do médicos estrangeiros, inicialmente. Nosso maior problema é a distribuição. Governo Federal vem cau‐ Nós temos, no país, uma relação de 1,8 sando polêmicas junto aos médicos por mil habitantes, mas exisprofissionais do país. O pro‐ tem regiões no nosso país em que existe uma relação muito acima disso e outras jeto anuncia medidas que que possuem uma relação bem baixa, visam melhorias na saúde, como o Norte e o Nordeste. Houve um como a importação de pro‐ estudo do Conselho Federal de Medicina que mostrou que mesmo os médicos fissionais estrangeiros e a estrangeiros, ao validarem seus diploresidência de alunos do cur‐ mas no Brasil, se direcionavam para as so de Medicina no SUS. A regiões metropolitanas. Eu creio que professora Alessandra Ribei‐ não resolve só aumentar o número de médicos. Nós teremos, sim, que pensar ro, doutora em Imunologia e uma política que garanta a fixação desParasitologia e atual coor‐ ses médicos no interior. denadora do curso de Medi‐ O governo voltou atrás da decisão cina da UFU, falou sobre o de aumentar o curso de Medicina assunto ao Senso (in)co‐ em dois anos, mas manteve a proposta de residência no SUS. Foi a mum.

atitude certa a se fazer ou essa proposta ainda não contempla a classe médica?

Qual é o seu posicionamento soA gente considera essa uma decisão bre o programa Mais Médicos do mais viável, até porque a Escola de MeGoverno Federal? dicina da UFU passa, hoje, por um moNão é a única forma de resolver o problema de saúde do nosso país. Isso também depende de investimentos em infraestrutura, em outros recursos humanos para compor uma equipe multiprofissional, equipamentos, materiais permanentes e materiais de consumo. Nós temos 1700 municípios com uma relação de médicos por habitante muito baixa, menor que um para mil habitantes, e temos 900 municípios que não têm médico nenhum. Priorizando atender essas regiões, que são regiões mais vulneráveis, precisaremos, sim, de mais médicos. Mas nós também precisamos de uma série de outros recursos pra compor mais saúde.

mento de reformulação curricular. Existe um novo currículo, um novo projeto pedagógico, com proposta de implementação pra outubro. Nós consideramos desnecessária a extensão do curso de graduação de Medicina, que já é um curso com uma carga horária muito intensa. Também consideramos mais viável a formação do especialista em áreas básicas, uma formação inicial na atenção primária à saúde.

Em relação às melhorias na saúde, muito se fala em programas a longo prazo. Mas, em relação ao curto prazo, qual é a melhor atitude para se resolver os problemas O Brasil tem quantidade de médi- emergenciais? cos proporcionalmente menor Eu penso que nós temos que, de faque países desenvolvidos. O go- to, olhar com mais cuidado pra atenção verno apresenta a importação de primária à saúde, que é onde mais de médicos estrangeiros como uma 80% dos problemas serão resolvidos. E das soluções para este problema. é claro que não pode faltar melhoria de Qual é a sua opinião sobre esta re- recursos. Recursos financeiros e recursolução? sos, porque o médico sozinho não traz

Para Alessandra Ribeiro, coordenadora do curso de Medicina/UFU, é preciso priorizar a atenção primária à saúde

saúde. Nós precisamos trabalhar dentro de uma equipe multiprofissional, de equipamento, de materiais, de medicamentos, de um sistema funcionante. Pra que o médico consiga ficar no interior, é preciso que esse sistema funcione no interior também.

proposta inicial da medida provisória. Nós temos acompanhado de perto o movimento nacional e tentado trazer, pra dentro do curso de Medicina, a oportunidade de debate junto à comunidade acadêmica.

Não existe um consenso, até porque são questões muito polêmicas. Temos realizado debates abertos com comunidade a cada 15 dias. Isso tem acontecido desde a implementação da medida provisória. As diferenças de opiniões são muito bem-vindas nesse momento. Dentro da FAMED existe uma tendência à confirmação de uma adesão ao projeto Mais Médicos, entendendo o papel da escola como apoiadora de políticas públicas de saúde diante de uma flexibilização do governo em relação à

em relação a essa política. São preocupações que não surgiram agora. São preocupações que nos acompanham há vários anos na área da saúde. E é oportuna a movimentação diante dessa medida provisória. Esses posicionamentos, mesmo que divergentes, trazem a oportunidade de debater grandes assuntos da saúde do nosso país. Esse é mais um dos momentos de quebra de grandes paradigmas na saúde e na educação médica, e quebrar um paradigma não é fácil.

Qual é a sua visão sobre o posicioComo esse programa federal está namento dos médicos e as críticas sendo discutido na FAMED? Exis- feitas a isso? te muita divergência no debate ou Eu acho que existe uma preocupahá uma opinião majoritária? ção real por parte de muitos médicos


cultura e lazer

senso

comum Agosto/Setembro de 2013

n°17

Esse é o rap de Uberlândia em ação

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FOTO: Arquivo Diorge Santos

Rappers uberlandenses são responsáveis por criar eventos na cidade

Laura Máximo Repórter

Dr. Dre, 2pac, Racionais MCs e MV Bill. É provável que você já tenha ouvido esses nomes e saiba que eles são potências em âmbito internacional ou nacional de um ritmo nascido nas ruas: o rap. A sigla, que significa rhythm and poetry, em português, ritmo em poesia, tem batidas pesadas e letras fortes, geralmente denunciando a realidade pobre e violenta da vida na periferia. As rimas e o estilo questionador do hiphop, antes vistos com grande preconceito, ganharam o mundo e se popularizaram no Brasil. Em nossa cidade não poderia ser diferente. Hoje, a cena rap uberlandense conta com vários grupos, duplas e rappers solo, acompanhando a

História do rap O rap como conhecemos hoje deriva de uma fusão de ritmos originários de diversos cantos do mundo, principalmente da música porto-riquenha, jamaicana e afro-americana em geral. Este gênero musical foi levado pelos jamaicanos para os Estados Unidos e, no começo da década de 1970, bairros pobres de Nova Iorque conheceram a mensagem dos primeiros rap-

tendência impulsionada por novas fusões do ritmo. Segundo pesquisa realizada pelo mestre em História e Cultura, Edmilson Anastácio, a produção de rap em Uberlândia se fortaleceu na década de 1990. Os primeiros MCs (mestres de cerimônia) foram influenciados pelos festivais de dança da cidade, que sempre envolviam o break e o street dance entre suas apresentações. Original C e Fator RH, ambos nascidos em bairros da periferia por volta de 1995, são conhecidos como os primeiros grupos do estilo a alcançarem o interesse do público. De lá pra cá, o número de conjuntos na cidade cresceu bastante, mas os incentivos e a quantidade de eventos continuaram limitados. “É complicado porque ainda existe uma resistência

com o rap aqui em Uberlândia. Ainda está bem restrito. Os próprios rappers organizam os shows e chamam os outros para participar. Apoio é zero, se você não fizer com suas próprias mãos, não sai nada”, diz o músico e produtor Diorge Santos. Dono da Dy Assalto Produções e acostumado a gerenciar artistas de diversos estilos de segmentos musicais, do funk ao new metal, Diorge diz que ainda há preconceito e defende que o rap denunciativo e questionador não vende. Ele acredita que o investimento em batidas mais animadas e a mescla de ritmos tende a ajudar o artista na divulgação de seu trabalho e na quebra de estereótipos. Pare ele, falta uma visão empresarial nos artistas de Uberlândia: “O funk antes era mais

discriminado que o rap, mas hoje ele está mais difundido, porque o funkeiro hoje tem uma visão de mercado, de artista”. MC Robinho, da dupla Organismo Rap, acredita que o que falta é produção concreta. Segundo ele, poucos grupos de Uberlândia têm trabalhos gravados. “Tem que ter material para o público ouvir”, analisa. Devido ao pequeno número de eventos na cidade, os integrantes do grupo Família Elementos, criado em 2012, ainda não conseguem extrair renda da música e têm empregos formais paralelamente ao trabalho com o rap. O produtor Diorge Santos também reclama da dificuldade de se sustentar com música na cidade, pois mesmo sendo proprietário de estúdio ainda precisa encontrar outras fontes de renda.

pers ou MCs. Originário da periferia e interpretado por negros pobres, o rap sempre sofreu preconceito e, por muito tempo, foi considerado como a música dos marginais. Na década de 1980, o gangsta rap ganhou a mídia estadunidense com letras marcadas pela violência e crítica às autoridades. Nomes como Ice-T e LL Cool J ganharam o mundo e influenciam gerações de fãs de hip-hop até hoje.

As origens do rap no Brasil são incertas. Alguns acreditam que os repentistas nordestinos sejam os percursores do ritmo, outros consideram o sucesso “Deixe isso pra lá” (1964), de Jair Rodrigues, como o primeiro rap brasileiro. O certo é que a música como integrante da cultura hip-hop chegou ao país no fim da década de 1980 em bairros da periferia de São Paulo. Thaíde, Rapin Hood e Racionais MCs fizeram o sucesso do ritmo com letras

questionadoras e carregadas de denúncias. Até os anos 2010, o rap brasileiro se consagrou e conquistou fãs à margem da grande mídia, tocando ocasionalmente em algumas rádios e em canais especializados em música. Apenas nos últimos anos, principalmente a partir de 2011, rappers como Criolo e Emicida ganharam espaço em rádios e em eventos de maior porte. O hip-hop entrou na moda.


10cultura e lazer

Trilha educativa reproduz distâncias entre planetas

Atividade do Museu DICA possibilitará a visualização das proporções do Sistema Solar Marcos Vinícius Reis Repórter

O Museu Diversão com Ciência e Arte (DICA) do Instituto de Física (Infis/UFU) implementou o projeto “Sistema Solar” no Parque Municipal da Gávea. A atividade, que consiste em uma trilha com as proporções aproximadas dos planetas e das FOTO: Marcos Vinícius Reis

Sílvia Martins: "É importante que a população entenda que a ciência é um canal de comunicação com o mundo"

distâncias entre eles, pode ser realizada por qualquer pessoa que deseje conhecer um pouco mais sobre astronomia desde o dia 6 de junho deste ano. A iniciativa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e pôde se concretizar devido a uma parceria entre o museu e a Prefeitura Municipal de Uberlândia (PMU), que viabilizou o Parque da zona sul da cidade para a sua execução. A coordenadora do DICA, Sílvia Martins, conta que livros didáticos e outros materiais de divulgação científica não dão a exata noção das dimensões astronômicas. “É muito difícil a gente ter uma ideia do que é escala, de que tamanho os planetas são, como é que eles se distribuem no espaço. E aí surgiu essa ideia de criar um espaço com uma maquete do sistema solar, com escalas de distância e com escalas de tamanho”, explica. Assim, esculturas do sol e dos planetas do sistema solar foram instaladas ao longo de cerca de um quilômetro e meio da pista de caminhada do parque. As representações dos astros foram construídas artesanalmente por um artista plástico. Alguns impactos já podem ser

senso

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n°17

FOTO: Arquivo do Museu DICA

Esculturas estão distribuídas em 1,5 km de caminhada

observados junto aos frequentadores do parque. Além daqueles que participam da atividade por meio de visitas guiadas, as quais devem ser agendadas com antecedência (ver box), existem pessoas que realizam a trilha por conta própria e em horários alternativos.

Popularização da ciência O projeto “Sistema Solar” contempla a divulgação científica a que se propõe o Museu DICA. As atividades do órgão visam a popularização da ciência, mostrando às pessoas que esse tipo de conhecimento se faz presente no cotidiano e afeta a vida de todos. Além de incentivar o desenvolvimento de senso crítico em relação a tais questões, o museu também intenciona despertar vocações. Segundo Sílvia, os indivíduos não consideram a possibilidade de uma vida científica por não conhecerem essa realidade: “O cientista não é um cara que vive de língua de fora e mora nos Estados Unidos. Ele é um cara que mora ali do lado, um vizinho nosso”, finaliza. A equipe do museu planeja, atualmente, a transferência completa das instalações e dos equipamentos para o Parque Gávea. Esta mudança

propiciará a execução de mais atividades e a aproximação com outras áreas do conhecimento, como a química. As perspectivas para o futuro também incluem a ampliação do setor de astronomia, visto que o expressivo interesse em relação a esse campo, por parte da população, tem sido uma constante nas atividades do DICA. O público pode visitar o Parque Municipal da Gávea em qualquer dia da semana, das 8h às 17h30. O parque possui área total de 182 mil metros quadrados e uma pista de caminhada de 3 km.

Informações e Agendamentos: Para obter mais informações acerca do Museu DICA, entre em contato pelo telefone (34) 3230-9517. O agendamento de visitas guiadas à trilha do “Sistema Solar”, no Parque Gávea, pode ser realizado por meio do mesmo número, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h. O DICA atende, atualmente, no bloco 3E do campus Santa Mônica da UFU.

Olímpíadas Universitárias têm mais inscrições em 2013 Emílio de Sá Repórter

As olimpíadas universitárias da UFU estão acontecendo em todos os finais de semana, desde o dia 9 de agosto até 15 de setembro. Os jogos contam com 11 modalidades: atletismo, basquete,

futebol de campo, futsal, handebol, judô, natação, tênis de mesa, peteca, voleibol e xadrez. Segundo o gerente da Divisão de Esportes e Lazer Universitário (DIESU) Sérgio Inácio, o número de entidades inscritas passou de cerca de 25 em 2011 para 32 este ano. “São cerca de 2 mil atletas. A

universidade está crescendo, então isso é quase que natural. A tendência é que isso aumente cada ano”, explica. Sobre a continuidade das Olimpíadas, Sérgio se mostra convicto da posição favorável. “A olimpíada não pertence a uma gestão, ela pertence à universidade. Faz parte da tradição. O

entendimento que essa gestão tem é que é uma obrigação nossa continuar”, afirma. As disputas acontecem, em sua maioria, no Campus Educação Física, mas também há modalidades que utilizam a pista de atletismo do SESI Gravatás e a piscina olímpica do UTC.


cultura e lazer

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Meninas de rosa e meninos de azul

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Isley Borges

Inventaram uma escola de princesas. Vê se pode. Sonha quem acha que os antigos papéis destinados aos gêneros feminino e masculino já teriam sucumbido. Num sentido oposto, lá as menininhas aprendem a se maquiar, a se portar elegantemente à mesa, a não borrar o batom. E quando eu digo menininhas, é de verdade: o local recebe clientes de cinco a dez anos. A empresária, dona da escola, Nathália de Mesquita, não deve estar se dando conta de duas questões importantes: a primeira trata-se da adultização de crianças; a segunda perpassa o que se considera natural do gênero feminino. As pobres coitadas já chegam à escola – se é que posso chamar um local como esse de escola – tendo que suportar o peso de longos vestidos, os poros entupidos de

pó-de-arroz e os cabelos ensebados de laquê. E precisam passar pelo tormento felizes e contentes porque, afinal, estão ali para se tornarem princesas e aprenderem todos aqueles desdobramentos do que é feminino instituídos por volta de 1837, no início da Era Vitoriana – ou até antes disso. E aí homem precisa vestir azul e mulher, rosa. Mulher com cabelo comprido e homem com cabelo curto. Homem consegue o sustento para a casa e a mulher faz comida e lava roupas. Neste ponto, Simone de Beauvoir já não deve estar se agüentando sete palmos abaixo. Mais inconseqüente ainda são os pais, que não devem ter lido Beauvoir, e compactuam com tamanho absurdo. Já que a escola é de princesas, devem ensiná-las a esperar por um príncipe. Um

príncipe daqueles que montam em cavalos brancos, e são altivos e másculos. Só não podem se esquecer de avisá-las de que não merecem nada. O que estão fazendo é iludindo essas crianças de que a felicidade é um direito, de que existem regras, um caminho claro a se seguir para a obtenção da plena felicidade. E, bem sabemos, as coisas não são assim. A geração que cresceu com muito mais do que seus pais (financeiramente, talvez e, com toda certeza, tecnologicamente) está sendo moldada na crença de que as coisas precisam – a todo custo – darem certo: porque estudaram nos melhores colégios, porque falam francês e porque aprenderam a ser nobres no início da infância. Essas crianças crescerão, prevejo, machistas. E nunca hesitarão em encher o

A Invenção do Cinema

Bons “causos”

Neimar Alves

Daniela Malagoli Divulgação

Martin Scorsese dirige uma produção para todas as idades que mistura fatos históricos reais e fantasia. As Aventuras de Hugo Cabret (Hugo) é a adaptação para as telas da obra homônima de Brian Selz-

Divulgação

nick e prima pela fotografia impecável e O livro efeitos especiais que recriam a Paris de “Ostra feliz 1930, o que rendeu cinco estatuetas do não faz péOscar ao filme. Hugo é um órfão que vive rola” (Ed. em uma estação de trem e possuiu a habiPlaneta do lidade de consertar coisas e o acaso o faz Brasil, aproximar-se de um dos mais admirados 2008) apreprecursores do cinema: Georges Méliès. senta o A trama apresenta diversas intertextualiconjunto dades ao tratar da história da vida de Méde narratiliès recriando, inclusive, a antológica Le vas de Ruvoyage dans la lune (Viagem à lua), de bem Alves, 1902. O filme agrada pela narrativa fluida um dos maiores intelectuais do nosso e pela divertida homenagem ao cinema. país. É dividido em partes intituladas: Caleidoscópio, Amor, Beleza, Crianças, Educação, Natureza, Política,

No corredor da morte Guilherme Gonçalves Divulgação

peito para dizerem que foram, algum dia, educadas em uma escola de princesas. E sofrerão muito, já que terão que lidar com o diverso, que incomoda. Talvez precisem conviver com um chefe mais “princesa” do que elas – e que nunca fora educado para isso. Talvez precisem dar satisfações a uma tia que mora distante e que sequer mastiga com a boca fechada. Porque viver cercada de regras e com a felicidade prometida, em algum saculejo que a vida der, pode doer muito. Deviam criar uma escola que ensinasse a todo ser humano que a diversidade é mais comum e natural do que se imagina. E que ela pode se expressar onde menos imaginamos. Seguir regras e condicionarse a papéis socialmente aceitáveis sem se refletir sobre eles é, no mínimo, grave. Coitadinhas dessas “princesas”.

Saúde mental, Religião, Velhice e Morte, nas quais o autor reúne histórias simples, no entanto, desprovidas de superficialidade e que, despretensiosamente, vêm nos proporcionar boas reflexões. No livro, de título instigante, “causos” são compartilhados de uma maneira tão leve e espontânea que nos faz sentir como se estivéssemos ao lado do autor. As ideias que foram aparecendo seriam textos, mas Rubem Alves decidiu colocá-las do jeito que apareceram, soltas e simples, como pássaros. Não dá para não ler. Não dá para não gostar.

Um problema sério e preocupante Emílio de Sá

Burrows, está preso e será executado, por supostamente ter matado o irmão da viDivulgação ce-presidente dos Estados Unidos, um crime que diz não ter cometido. Vários são os problemas encontrados pelos irmãos para escapar da penitenciária. Prison Break mescla ação, suspense e inteligência em uma trama em que o assassinato é apenas a ponta de um “iceberg” de várias outras complicações. A serie é tão emociA obesidade infantil vem se tornanNa serie de TV Prison Break, Michael onante que prende o espectador do início do um problema grave e preocupante Scofield assalta um banco para ir para a ao fim com uma história muito bem não só nos países desenvolvidos, mas mesma prisão onde seu irmão, Lincoln montada e contada. também no Brasil. Esse é o principal te-

ma do documentário “Muito além do peso”, que retrata como nossa juventude se alimenta mal e de forma errada. O seu diferencial é mostrar vários aspectos que influenciam esse atual contexto, analisando tanto a praticidade das “comidas rápidas” quanto a feroz publicidade do setor alimentício direcionada ao público infantil. O filme pode ser visto gratuitamente no site www.muitoalemdopeso.com.br.


12fotorreportagem

o t i e p s e r s D e r od a s e r b o s

Créditos: Emilio de Sá

Em uma universidade federal de qualidade, a educação com o espaço público ainda engatinha

senso

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n°17


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