SENSOINCOMUM
Foto: Thiago Crepaldi
Jornal-laboratório do curso de Jornalismo - UFU - Desde 2010 - Ano 7 - Nº 35 - Junho - Julho/2017
Cidadãos do mundo: vivências no exterior p. 6 e 7
INfluência
IN struída
DCE realiza eleições com menor número de votantes dos últimos anos
Vestibular da UFU gera polêmica: acusação de discriminação e elitismo
p. 3
INsumo
p. 4
INformal
Empreendendo o futuro com empresas juniores: colocando em prática o ensino p. 5
O desafio de ser uma mãe universitária: estudantes falam sobre a rotina dupla p. 8
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n.35 Jun/Jul 2017 Senso Incomum
INflamada
Editorial
Da UFU para o mundo O Jornal Senso Incomum man‐ tem sua proposta de cobrir a UFU para toda sua comunidade acadêmica. Esta edição traz como destaque a experiência do inter‐ câmbio na universidade. Você confere relatos, possibilidades e instruções para quem deseja se aventurar estudando ou traba‐
lhando longe de casa. Também retratamos momentos importan‐ tes para a o futuro da UFU, como a escolha do novo DCE e o vesti‐ bular que definirá seus novos alunos. Em um cenário de mu‐ danças, trazemos matérias sobre empreendedorismo e o papel das Empresas Júnior, o desafio da
gravidez durante o curso e como os estudantes de Educação Física colaboram com a melhoria de vi‐ da dos idosos. Por fim, você co‐ nhece um pouco do militante e ex‐professor da UFU Afonso La‐ na, que personifica uma história de vida inspiradora para toda a comunidade acadêmica.
Opinião
EXPEDIENTE Jornal‐laboratório do cur‐ so de Jornalismo da Univer‐ sidade Federal de Uberlândia (UFU). Reitor: Valder Steffen Jr. / Diretor da FACED: Rafael Duarte Oliveira Venâncio / Coordenador do Curso de Jornalismo: Gerson de Sousa / Professores responsáveis: Ivanise Andrade e Vinícius Souza / Jornalista responsável: Ivanise de An‐ drade DRT/MS 097 / Reportagem, edição e diagramação: Ana Eliza Barreiro, Camilla de Freitas, Gabriela Luz, Laura Nobre, Laurence Henrique, Maísa Melo, Mariana Marques, Natália Spolaor, Talita Faria, Thiago Crepaldi , Wando Moreira / Revisão: Ivanise de Andrade / Finali‐ zação: Danielle Buiatti / sensoincomufu@gmail.com www.sensoincomum.net
O mito dos antidepressivos Talita Faria A felicidade parece ser o lugar mais comum das redes sociais co‐ loridas pelo que há de melhor na vida dos outros. Curiosamente, entretanto, acompanhando as ten‐ dências mundiais de aumento no número de casos daquilo que vem sendo chamado de depressão. No Brasil, segundo a OMS (Organi‐ zação Mundial de Saúde), tal do‐ ença atinge cerca de 7% da população brasileira (17 milhões de pessoas). Enquanto isso, os di‐ agnósticos acompanham a pres‐ crição bem objetiva de drogas que causam inúmeros efeitos colaterais, dependência química e sobre as quais, a única certeza que de fato se tem, é a de que rendem muito dinheiro à indústria farmacêutica. Segundo pesquisa da IMS He‐ alth, em 2016 a venda de antide‐ pressivos e estabilizadores de humor cresceu 18,2% no Brasil, totali‐ zando um comércio que gerou R$ 3,4 bilhões, perdendo apenas pa‐
Charge
ra o setor de analgésicos, cujas vendas foram de R$ 3,8 bilhões. Com um pouco de paciência para encarar a fila de espera nos con‐ sultórios psiquiátricos e algum dinheiro no bolso, qualquer pes‐ soa pode adquirir as famosas drogas da felicidade. São famosas porque as infor‐ mações sobre seus supostos bene‐ fícios se multiplicam na mesma proporção em que pipocam tex‐ tos defendendo o direito de se fa‐ zer uso delas. Em contrapartida, o aumento exponencial no núme‐ ro de casos de suicídios – um dos possíveis efeitos colaterais dos antidepressivos – não entra nessa equação de valores monetários e é tratado com parcimônia. Mas, nem todos os profissio‐ nais envolvidos com saúde men‐ tal estão de acordo com a prescrição desenfreada dos remé‐ dios “moderadores de humor”. Para estes, os remédios antide‐ pressivos não passariam de mitos com, na melhor das hipóteses,
efeito placebo e, na pior, uma en‐ xurrada de efeitos colaterais. A felicidade que se tornou um imperativo da vida moderna é, ironicamente, um dos motivos da chamada depressão que assola milhares de pessoas. Sentimentos como tristeza, ansiedade, raiva e frustração passaram de compo‐ nentes normais dos humores atre‐ lados a situações desagradáveis, à condição de sintomas bem anota‐ dos pelos médicos em suas pran‐ chetas que justificam a prescrição dessas drogas. As primeiras doses costumam ser as amostras grátis com que a indústria farmacêutica presenteia os jovens médicos responsáveis por espalhar as boas novas que, comprovadamente, já não são tão novas, muito menos, tão boas as‐ sim. Mas a guerra contra as dro‐ gas isenta aqueles que se vestem de jalecos brancos como numa brincadeira de criança em que chamamos de “café com leite” os vendedores de perigosos venenos.
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Diminui os votantes para eleger o DCE da UFU Eleições para DCE 2017-2018 teve o menor número de votos dos últimos anos respeito, entre outros fatores, à uma apatia política. “Muito por conta da corrupção muitas pessoas acabam não se reconhecendo nesse jeito de fazer política”, considerou. Gabriel Martins, estudante de Quí‐ mica Industrial, estava passando por um do locais de votação e não sabia o que era o DCE. “Pesquisei e pelo papel que o DCE desenvolve na universidade decidi votar”, con‐ tou. Iasmim Veloso, estudante de Administração da UFU, disse que sempre vota para DCE. “Não po‐ demos parar de acreditar na políti‐ ca, ficar parado não vai mudar a nossa situação“, disse.
Avaliação das eleições
Foto: Thiago Crepaldi
Cerca de 10% dos estudantes foram às urnas para eleger o DCE 2017-2018
Thiago Crepaldi A complexa e conturbada situa‐ ção política do país se refletiu dire‐ tamente na montagem das quatro chapas distintas para Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFU/Uberlândia. A necessidade de enfrentamento ao atual governo de Michel Temer e a ausência da ges‐ tão do DCE UFU 2016 “MUDE” foram decisivos na consulta eleito‐ ral deste ano, resultando na vitó‐ ria da chapa 2 “Por todos os Cantos ‐ Oposição” (2017‐2018). Normalmente a disputa à dire‐ ção do DCE ocorre no início do ano letivo, mas este ano foi atípi‐ co. A antiga gestão não mobilizou o Conselho de Diretórios e Cen‐ tros Acadêmicos (Condas) para realizar a consulta eleitoral e, con‐ sequentemente, as eleições para DCE ocorreram no final de maio, com participação de quatro cha‐ pas na disputa. De acordo com a Comissão Eleitoral, ao todo fo‐ ram 14 locais de votação espalha‐ dos entre os campi Santa Mônica, Umuarama, Educação Física, Monte Carmelo e Patos de Minas.
A chapa eleita obteve 2.084 votos, o que corresponde a 59% dos 3.541 votos depositados nas urnas. Denominada “Por todos os Cantos ‐ Oposição”, a chapa 2 reuniu mais de 300 integrantes, de cinco grupos políticos. São eles: União da Juventude Socialis‐ ta (UJS) ligada ao PCdoB, Levan‐ te Popular da Juventude ligado ao Campo Popular, juventude do PDT, Kizomba por uma nova cultu‐ ra política, tendência petista Articu‐ lação de Esquerda e independentes. A segunda chapa mais votada, denominada “Inovação”, com membros independentes de coleti‐ vos ou partidos políticos, obteve 851 votos. A Chapa 4 “Recons‐ truir” (Juntos, Mais, Vamos a Luta e PCB, ligado a União da Juventu‐ de Comunista) obteve 491 votos enquanto que a Tuba de Mesquita (chapa 3), com membros indepen‐ dentes, recebeu 115 votos. A ida às urnas para eleger o DCE na UFU decresceu nos últi‐ mos anos em 26% comparado com os 4.810 votantes em 2015. Segundo Diego Leão, Mestre em História pela UFU, esta queda diz
Vinícius Gonzaga, estudante de Eng. Aeronáutica, explicou que a chapa 1 “Inovação” rompeu a li‐ gação com os coletivos políticos. “A nossa preocupação é voltar mais para as pautas dentro da universidade e não externa à ela”, comentou o membro da chapa. Aline Mariane, estudante de Ci‐ ências Sociais e representante da chapa 2 “Por todos os Cantos”, disse que a candidatura surgiu em oposição à última gestão. “Na atu‐ al conjuntura política precisamos pautar a unidade na universidade, porque o movimento estudantil es‐ tá muito fragilizado”, considerou. Thobias Moura, estudante de Direito, disse que a chapa 3 “Tu‐ ba de Mesquita” surgiu de uma insatisfação com as antigas cha‐ pas de DCE. “Para criticar o mo‐ vimento estudantil montamos uma chapa que se volta ao hu‐ mor”, disse o membro da chapa. Jhon Soares, estudante de Ci‐ ências Sociais e participante da chapa 4 “Reconstruir”, conside‐ rou que a diferença entre as cha‐ pas poderia traduzir numa pluralidade de ideias no processo. “Entendemos que o movimento estudantil na UFU precisa ser re‐ construído após uma gestão que não mobilizou os estudantes e só existiu no papel”, comentou.
O que é o movimento estudantil? O Movimento Estudantil (ME) é autônomo e não pos‐ sui qualquer interferência de professores, diretores ou de reitores. O ME é composto pelos próprios estudantes (ensino médio, técnico, supe‐ rior, ou de pós‐graduação). O ME universitário é carac‐ terizado pela grande rotativi‐ dade e renovação dos membros, tendo em vista que os cursos de graduação duram em média quatro anos. Os DCE’s fazem parte do ME nas universidades e se articulam nacionalmente com a União Nacional dos Estudantes (UNE), que é formada por vários coletivos políticos. Atualmente os gru‐ pos políticos que compõem a direção da UNE são: União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao PCdoB, Le‐ vante Popular da Juventude, movimento “Novo Rumo”, juventude do PSB, juventude do PDT e as tendências petis‐ tas Democracia Socialista (DS), Construindo um Novo Brasil (CNB), Esquerda Po‐ pular Socialista (EPS), Mu‐ dança e Trabalho. Histo‐ ricamente o ME, UNE e DCE’s cumprem o papel fundamental de correlação de forças na luta de conquista e manutenção de direitos.
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n.35 Jun/Jul 2017 Senso Incomum
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Processo seletivo 2017 da UFU gera polêmicas Estratégia de segurança no vestibular provoca debate sobre discriminação e elitismo Ana Eliza Barreiro
Continuaremos a ser inflexíveis com as ordens. Processo seletivo é coisa séria. Dennys D. Xavier
Cerca de 27 mil concorrentes participaram nos dias 3 e 4 de ju‐ nho, das provas de vestibular da UFU realizadas em Uberlândia, Patos de Minas, Ribeirão Preto (SP), Goiânia (GO). Pela primeira vez, os exames de 1ª e 2ª fase fo‐ ram realizados em dois dias con‐ secutivos. Mas apesar dos coorde‐ nadores terem considerado o pro‐ cesso seletivo um sucesso, mensa‐ gens em redes sociais acusaram excessos por parte da segurança executada pela Polícia Federal. Dennys Garcia Xavier, coorde‐ nador da Diretoria de Processos Seletivos, acredita que, no geral, o vestibular foi bem elaborado e o processo organizado. “O vestibu‐ lar ocorreu de maneira tranquila e as escolas se posicionaram positi‐ vamente com esse novo formato de prova, que foi elogiado. Estamos bem felizes e vamos continuar nes‐ sa linha” afirmou. A estudante Bárbara Martins Faria, 18, que prestou o vestibular para medicina, por exemplo, achou a prova bem feita, com o conteúdo bem distribuído. O fato de o vestibular acontecer em sequência foi interessante para ela. “Não houve necessidade de espe‐ rar muito tempo o resultado de se‐ leção entre as fases, o que gera ansiedade”, disse.
Vestibular UFU Este ano, porém, além dos elo‐ gios houve graves críticas quanto à segurança do processo. Karina Biondi, antropóloga de São Car‐ los (SP) e mãe de estudante que prestou o vestibular, fez uma postagem no Facebook que alar‐ mou a comunidade acadêmica, revelando um cenário de rigidez policial exacerbada. Segundo ela, ocorreram cenas absurdas em que adolescentes com piercengs, tur‐ bantes e mesmo talas cirúrgicas foram impedidos de realizar as provas. Para ela, havia uma dis‐
Foto: Milton Santos
Vestibular aconteceu nos dia 3 e 4 de julho, com 27 mil inscritos posição policial discriminatória, com traços racistas da segurança que teria, por exemplo, impedido uma moça de black power a rea‐ lizar a prova por não prender o cabelo da forma adequada. “Du‐ rante a prova, todos eles eram tratados como supostos crimino‐ sos, de maneira bastante rude”, assegurou Karina. Xavier rebateu a denúncia afirmando que se trata de uma mentira. A Polícia Federal real‐ mente foi chamada para realizar a segurança do evento, mas se‐ gundo o coordenador essa foi uma estratégia para barrar as fraudes e proteger os candidatos. Apesar dos elogios à prova, Bar‐ bára Faria também considerou a abordagem policial desmedida. “Algumas situações foram de fa‐ to delicadas”, afirma. “Vi várias pessoas tendo de tirar piercings na mão e fazer as provas san‐ grando para não serem desclassi‐ ficadas. Achei exagerado, porém, na maioria dos processos seleti‐ vos os adereços são proibidos”. O diretor de processos seleti‐ vos afirma que continuarão a ser duros com as normas do edital, que também proibiam o uso de brincos e cabelos soltos. Quanto aos alunos com piercings que ti‐ raram os adornos com alicate e realizaram a avaliação machuca‐
dos e foram desclassificados, Xavier justifica que as regras es‐ tavam claras no edital. “Continu‐ aremos a ser inflexíveis com as ordens. Teremos tolerância zero com as tentativas de ruptura com as regras do edital. Processo sele‐ tivo é coisa séria,” apontou. Até o fechamento dessa edição, Karina Biondi não respondeu à equipe de reportagem para mais informa‐ ções sobre a ameaça de processos contra o vestibular da UFU. A diretoria argumentou que o policiamento intensificado foi ne‐ cessário por causa das inúmeras tentativas de burlar a avaliação fei‐ ta por quadrilhas especializadas. O diretor tem receio de que situa‐ ções como a tentativa de fraude ocorrida na UFU em 2012 voltem a ocorrer. Naquela ocasião o ex‐ servidor Nilson Batista dos San‐ tos fraudou o vestibular ao repas‐ sar respostas para a sobrinha, candidata ao curso de medicina, e foi condenado a pagar multa de R$ 1 milhão à União. A UFU pretende ampliar a aplicação das provas para São Paulo e Belo Horizonte, visando ganhar renome nacional. Em com‐ paração com 2016, houve aumen‐ to de 35% no número de vestibulandos. A seleção é a opor‐ tunidade de ingresso em 1.600 va‐ gas de diversos cursos da UFU.
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Empreendendo o futuro durante a graduação As empresas juniores são um caminho que os estudantes tem para colocar em prática fora da universidade tudo o que aprendem dentro da sala de aula Mariana Marques A ponte entre a universidade e o mercado de trabalho nem sempre é fácil de ser transposta. Uma das iniciativas nesse sentido são as cha‐ madas empresas juniores, ou EJs. O Movimento Empresa Júnior (MEJ) surgiu na França na década de 60, mas só chegou ao Brasil em 1988. Apesar dessa demora, o país está na lista dos que mais geram resultados positivos com este tipo de atividade empreendedora e a UFU é uma das pioneiras. A Meta Consultoria, do curso de Engenha‐ ria Mecânica, foi aprovada legal‐ mente em 1992, abrindo caminho para as 16 empresas juniores afilia‐ das ao MEJ em atividade atual‐ mente na universidade. EJs dentro na universidade E é nesse cenário de crescimen‐ to das EJs dentro da UFU e do grande mercado de oportunida‐ des para os juniores que surge o Núcleo de Empresas Juniores, o NEJ UFU. Ele é uma instância maior, foi criado em 2013, e pretende alinhar e direcionar as EJs da universidade. Entre os ob‐ jetivos estão: representar melhor as EJs perante as instâncias supe‐ riores da universidade e ser um facilitador entre o mercado e as EJs, além de divulgar o MEJ. “O NEJ busca parcerias para agregar valores para as EJs. Men‐ salmente realizamos assembleias gerais com estudantes que já passa‐ ram por empresas juniores da UFU, com empresários da cidade, ou realizamos dinâmicas com os participantes ”, diz Giovana, estu‐ dante de Engenharia Química e Diretora de Desenvolvimento. Além disso, o NEJ realiza progra‐ mas para desenvolver áreas especí‐ ficas, como a oratória, relacio‐ namento com o cliente; e também o intercâmbio entre as EJs. Assim como as EJs, o NEJ é gerido somente por alunos e o
único pré‐requisito para se fazer parte é estar como membro ativo em uma empresa júnior. Dez anos de Sucesso A ACPE Consultoria, empresa júnior do Instituto de Economia, por exemplo, faz parte do MEJ, do NEJ e está no mercado há 10 anos prestando serviços de consultoria e planejamento econômico para quem não possui muitos recursos, mas quer crescer de forma sólida no mercado uberlandense. Entre os serviços oferecidos pela ACPE estão: Plano de Negócios, Pesquisa de Mercado, Assessoria Financeira e Projetos Internacionais. De acordo com a diretora‐pre‐ sidente da empresa, Marcela Al‐ ves, estudante do curso de Relações Internacionais da UFU, atualmente, a ACPE possui cerca de 30 membros divididos em cin‐ co diretorias. Há também os trai‐ nees que ainda não são membros efetivados. A empresa, totalmen‐
te gerida pelos alunos, conta ain‐ da com um tutor, que é um professor que orienta todas as atividades, mas não possui poder de decisão, apenas os membros. Há eleições semestrais para distribuição dos cargos entre os es‐ tudantes e é preciso ter passado por pelo menos alguma diretoria para se candidatar à presidente. Nas po‐ sições dentro da ACPE, o único pré‐requisito para prestar o proces‐ so seletivo é o aluno estar matricu‐ lado no curso de Economia ou no curso de Relações Internacionais entre o 2º e 6º períodos do curso. Nicolas Alves, do curso de Economia, participou por mais de um ano e meio da ACPE e destaca a importância que parti‐ cipar da empresa teve para ele. “Foi uma experiência muito im‐ portante tanto no pessoal quanto no profissional. Hoje, posso dizer que aprendi a me organizar me‐ lhor em tudo, a ser mais respon‐ sável com meu curso e também trabalhar meus pontos fracos!”.
Arte: Mariana Marques
Saiba mais... Empresa júnior é uma associação civil sem fins lucrativos e com objetivos educacionais. Os estudan‐ tes prestam consultorias nas áreas de conhecimento em que estão inseridos pa‐ ra empresas externas a custo abaixo do mercado. Assim, em geral, o público alvo das empresas juniores são as micro e pequenas empresas. Além de propor‐ cionar ao estudante o co‐ nhecimento prático na área que estuda, as EJs incenti‐ vam a inovação e o empre‐ endedorismo e preparam os universitários para o mercado de trabalho.
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Intercâmbio: da U Em universidades, ONGs e empresas, estudantes vivem a
Laura Nobre e Maísa Melo
O Brasil é definitivamente a maior experiência da minha vida. Pauline Roubaud
Conhecer culturas, povos e lín‐ guas diferentes ajuda no amadure‐ cimento e na formação pessoal e profissional dos jovens. Na UFU, os estudantes que querem experi‐ mentar vivências fora dos campi podem realizar mobilidade inter‐ nacional ou nacional. Anualmen‐ te, diversos programas organi‐ zados pela DRII (Diretoria de Re‐ lações Internacionais e Interinsti‐ tucionais) são realizados. A inter‐ mediária entre o estudante, o pro‐ grama e a universidade de destino, é responsável pelos editais que re‐ gem e divulgam as vagas. Há, ainda, oportunidades ofer‐ tadas por entidades internacionais de intercâmbio e programas fede‐ rais de bolsas de estudo no exterior. No último ano, 84 alunos da UFU partiram em mobilidade internacio‐ nal, segundo dados da DRII. A Uni‐ versidade também recepcionou 36 estrangeiros. Em relação à mobili‐ dade nacional, 13 estudantes da UFU cursaram parte da graduação em outras universidades federais. A UFU foi a opção de dez brasileiros de outras instituições. O primeiro passo para os inte‐ ressados, de acordo com a secre‐ tária executiva da Diretoria, Lumia Massa Pires, é se manter atualizado no site da DRII, onde estão as principais informações sobre os programas. Pires diz, ainda, que há poucas alterações nas edições de um mesmo programa, por isso é pos‐ sível tomar o anterior como base. Também é importante investir na língua falada no país de destino. Para as mobilidades com bolsa, os candidatos devem ficar atentos ao CRA, evitar reprovações, se envolver em projetos acadêmicos como PIBIC, PETs, além de ou‐ tras atividades como estágios e publicações científicas. A francesa Pauline Roubaud,
Foto: Thiago Crepaldi
Pauline Roubaud, primeira à direita, com colegas estrangeiros na UFU de 21 anos, estuda Informação, Comunicação e Hipermídia na Université Savoie Mont Blanc, e decidiu estudar um semestre de Jornalismo na UFU. Ela conta que, na França, todos os alunos devem estudar ou estagiar no exterior. As opções eram Europa ou Brasil. Pauline se desafiou a ir longe de tudo que conhecia. Para a seleção, apresentou carta de motivação, re‐ sultados de seus exames e uma lis‐ ta com os países de preferência, na qual, o Brasil estava em primeiro. A decisão foi feita pelos professo‐ res da França, que aprovaram seu plano de estudos. Não foi preciso passar em exames de português. Para auxiliar nos custos como mo‐ radia, alimentação e gastos pesso‐ ais, Pauline recebe uma bolsa do governo francês.
Semelhanças e diferenças A francesa considera que estu‐ dar na UFU tem sido agradável. “O Brasil é, definitivamente, a maior experiência da minha vi‐ da”, declara. Ela conta que esta‐ va acostumada com cerca de 120 alunos na sala de aula, o que é
muito diferente no Jornalismo UFU, com menos da metade. Na França, segundo ela, há mais ma‐ térias para serem cursadas, com aulas de duas horas diárias por disciplina. Outra diferença é o in‐ glês, que lá é obrigatório, bem como uma terceira língua. Já Thomaz Lemos Alves fez o caminho oposto. Em 2013, aos 22 anos, quando estudava Enge‐ nharia Mecatrônica, foi para a França pelo programa Brafitec. Foram 15 meses vivendo no país, onde se dedicou aos estudos e à língua francesa, e depois realizou estágio em uma multinacional. Atualmente formado, o enge‐ nheiro lembra dos auxílios do programa. Ele contou com diver‐ sas bolsas, como auxílio desloca‐ mento, bolsa estágio e até um auxílio moradia conhecido como CAF, pago pelo governo francês. O que considera mais difícil na seleção são os pré‐requisitos, mas afirma que os alunos que se en‐ quadram nas obrigatoriedades não devem ter maiores proble‐ mas. Sobre o período que passou fora, Thomaz conta que estudou, trabalhou e viajou muito. Aos 26
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UFU para o mundo experiência de novas culturas sob diferentes perspectivas anos, ele reconhece os resultados positivos da viagem em sua vida profissional e pessoal. “No estágio me tornei mais comunicativo, o que é muito importante no meu atual trabalho”, explica. “Acredi‐ to que crescemos durante um in‐ tercâmbio, passei a ser mais nacionalista, já que pude perceber que todos lugares têm problemas. Hoje, dou mais valor à minha fa‐ mília, amigos e quebrei muitos preconceitos”. A quem deseja es‐ tudar no exterior, a dica de Tho‐ maz é deixar o medo de lado e acreditar que tudo dará certo.
Não Governamentais (ONGs) a partir das Metas Sustentáveis da ONU, e o Empreendedor Global, um estágio profissional em empre‐ sas pequenas. Neles, existe a opor‐ tunidade de escolher destinos não tão comuns como Egito, Eslová‐ quia e Romênia. “Em ambos pro‐ gramas a acomodação é gratuita”, conta Priscila de Oliveira, vice‐di‐ retora na organização. “Os gastos são com taxas, passagens e seguro saúde, mas o investimento é acessí‐ vel para os estudantes”.
Voluntário e profissional
Vinda da junção das palavras latinas “inter” e “cambiare”, o termo intercâmbio significa troca de vivência por meio do contato entre culturas. Quem viveu isso bem longe de casa foi a estudante de Engenharia Química da UFU Joyce Garcia Silveira, que aos 25 anos já teve essa experiência duas vezes. Em 2014, ela participou do programa de bolsas Ciências sem Fronteiras (CsF), do Gover‐ no Federal, e o sonho de conhe‐ cer a Austrália foi possível. “Fiquei em Melbourne por um ano”, conta. “A maior dificulda‐ de foi o inglês. Sabia menos do que pensava. Conheci a cultura
A Association Internationale des Étudiants en Sciences Econo‐ miques et Commerciales (Aiesec), presente em 125 países e voltada a jovens de 18 a 29 anos, é uma opção para quem quer o inter‐ câmbio, mas tem pouco tempo e dinheiro. A organização propõe ao jovem a oportunidade de de‐ senvolver liderança em uma reali‐ dade diferente, resolvendo problemas, adquirindo autoco‐ nhecimento e trabalho em equipe. “A Aiesec não é uma agência de turismo”, afirma a presidente do escritório da organização em Uberlândia, Mariana Doncel. “A associação incentiva o desenvol‐ vimento pessoal e profissional que é exigido no mercado e na vi‐ da. Proatividade e resiliência são cruciais para o jovem”, avalia. A organização propõe ao in‐ tercambista ser um cidadão glo‐ bal em outro país, aprendendo a se adaptar e respeitar as culturas que terá acesso. Doncel comple‐ menta: “o jovem leva consigo o impacto e uma visão de mundo nova, além de fazer amizades em vários cantos do planeta”. A Aiesec Uberlândia trabalha com dois programas: o Voluntário Global, realizado em Organizações
Jovens líderes pelo mundo
local e viajei muito”. Joyce classifica toda experiência como válida, mesmo quando há problemas, como no seu intercâm‐ bio pela Aiesec em Salta, Argenti‐ na, no qual ela realizou um projeto educacional com crianças. “No ae‐ roporto soube que meu vôo estava superlotado. Tive problemas em relação à moradia e a ONG estava de férias, além disso, um problema de saúde na família me fez voltar mais cedo”, lembra Joyce, que, apesar de tudo, considera um bom experimento. “Não há opção de não lidar com os problemas e re‐ solvê‐los”. Para ela, o acompanha‐ mento da Aiesec Uberlândia foi ótimo. Já no escritório da organi‐ zação em Salta, mesmo com os problemas, ela fez boas amizades. O estudante de Engenharia Mecânica da UFU Vinícius Bas‐ tos optou pelo programa Empre‐ endedor Global e por três meses fez um estágio profissional no Egito. Ele conta que, apesar das diferenças culturais, a adaptação foi rápida. “Na empresa tive con‐ tato com pessoas de vários países. O intercâmbio, em meu currículo, pesa bastante para o mercado. É o meu maior orgulho. A experiência me trouxe novos conhecimentos e criatividade”, lembra.
O jovem leva consigo o impacto e uma visão de mundo nova, além de fazer amizades em vários cantos do planeta. Mariana Doncel
Foto: Acervo pessoal
Joyce Garcia em uma viagem durante o intercâmbio na Austrália
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n.3 / 2017 Senso Incomum
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O desafio da maternidade durante a graduação Alunas relatam as dificuldades de conciliar o papel de mãe com o de universitária Maísa Melo Andrade
Mães e pais deveriam ter apoio para que a desistência nunca seja cogitada Andressa de Oliveira
A relação entre a universidade e a maternidade é uma das situa‐ ções capazes de alterar os planos acadêmicos de quem precisa dividir o tempo entre a jornada de mãe e de estudante, além das outras ativi‐ dades cotidianas. Atualmente, a UFU não conta com programas que auxiliem as mães a continuarem os estudos e muitas acabam trancando ou até abandonando os cursos. Foi o que aconteceu com a Isa‐ bella de Souza, aluna de Ciências Contábeis, que descobriu a gravi‐ dez em 2015, aos 20 anos. De acordo com ela, as dificuldades começaram quando precisou en‐ trar em regime especial para afas‐ tamento das atividades presenciais no fim da gestação. Isabella expli‐ ca que o requerimento deve ser feito até 38 semanas de gravidez, mas foi feito por ela com 38 se‐ manas e meia, o que acabou tor‐ nando o processo mais difícil. Após o nascimento de Mariá, no primeiro semestre de 2016, Isa‐ bella se matriculou em seis discipli‐ nas. Ela conta que entrou em contato com os professores por e‐ mail para continuar a estudar em casa e realizar provas em condições especiais, de modo a conciliar os estudos com os cuidados à recém nascida. O fato de ter que estudar sozinha, o período de adaptação e a dificuldade de contato com dois professores, que, segundo ela, nun‐ ca responderam as mensagens, fo‐ ram os motivos para que ela trancasse o curso por um semestre. Quando retornou à universida‐ de, a aluna decidiu cursar apenas três disciplinas, o que atrasou seu plano de estudos. Duas vezes por semana, Isabella pôde deixar Ma‐ riá sob os cuidados de outras pes‐ soas, mas nas aulas de sexta‐feira precisava levar a criança consigo. Ela considera que isso a prejudicou na disciplina em questão. “Eu não conseguia prestar atenção na aula, não tinha rendimento e me saí mal. O problema foi ter que levar a be‐
Foto: Thiago Crepaldi
Camila Moura repensou seus planos depois da chegada de Francisco bê comigo, porque nas matérias que tive com quem deixá‐la, passei com médias altas”, relata. Outra estudante que acabou por trancar o curso foi Camila Moura. Ela cursava Filosofia na UFU e Direito em uma universi‐ dade particular, mas viu seus pla‐ nos tomarem novos rumos com chegada de Francisco, conforme conta, após ter conseguido acei‐ tar a gravidez, que foi descoberta no quinto mês, em maio de 2016. Por motivos de saúde, ela teve de se afastar das atividades, embora tenha conseguido realizar provas em horários alternativos. Depois do nascimento do bebê, a decisão foi dedicar um tempo para acom‐ panhar o crescimento dele. Voltar a estudar está nos pla‐ nos dela para 2018. “Se a univer‐ sidade tivesse me oferecido um amparo, eu até já teria voltado”, explica. Mas Camila não irá manter os dois cursos. Segundo ela, um dos pontos que a fez op‐ tar pelo Direito foi a falta de in‐ centivo e aprofundamento que nota no curso de Filosofia. Pen‐ sando também no futuro do fi‐ lho, a jovem não vê muitas oportunidades na licenciatura. Com a estudante Andressa de Oliveira a situação foi diferente. Ainda aos 17 anos, no final do en‐ sino médio, ela descobriu a gesta‐ ção. Esther nasceu em abril de 2015 e Andressa conciliou os cui‐ dados com a filha aos estudos para
garantir uma vaga na universidade, o que aconteceu no início de 2015. Cursando Sistemas de Informação em período integral, Andressa pre‐ cisou matricular a filha na creche e atribui algumas reprovações em seu currículo a momentos em que precisava se ausentar para se dedi‐ car à saúde da criança. Atualmente no quinto período, ela espera a segunda filha e, com apoio do atual namorado, mesmo no penúltimo mês de gestação, quer assistir às aulas até quando conseguir. “Depois [do nascimento do bebê] eu vou receber o material de estudo em casa. Em agosto, eu devo voltar a frequentar a universi‐ dade, mas vou me matricular em menos matérias e revezar os cuidados com o pai da criança”. A necessidade de suporte como atendimento psicológico e uma creche universitária é consenso entre as mães. “Eu pensei em de‐ sistir. Universidade não combina com crianças pequenas. A UFU deveria pensar em todos como pensa nos cotistas e nos alunos com necessidades especiais. Mães e pais deveriam ter maior atenção para que a desistência nunca seja cogitada”, reforça Andressa. Na última edição do Jornal Senso In‐ comum, Valder Steffen Júnior, reitor da UFU, destacou as despe‐ sas elevadas de tais auxílios no or‐ çamento, mas declarou que a demanda será analisada se for apresentada formalmente.
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Esajup da UFU atende população de Uberlândia Projeto é vinculado à Faculdade de Direito e funciona há quase 50 anos Laurence Henrique Criado em 1969, o Escritório de Assessoria Jurídica Popular (Esa‐ jup) é um órgão vinculado à Facul‐ dade de Direito (Fadir) da UFU que presta serviço de consultoria jurídica, gratuita, à população de baixa renda de Uberlândia‐MG. De acordo com a coordenadora, Neiva Flávia de Oliveira, o órgão acompanha mais de mil processos e a maioria das causas é resolvida nos encontros de conciliação. “Cerca de 80% dos nossos atendi‐ mentos chegam a um acordo”, diz Oliveira. Este ano, o serviço realizou qua‐ se 300 novos atendimentos. Além disso, o Esajup desenvolve projetos específicos de assessoria, que tra‐ balham com causas como o com‐ bate à violência contra mulher; enfrentamento ao trabalho escra‐ vo; fórum de mediação de conflitos agrários; além do grupo de apoio à comunidade LGBT. Todos os pro‐ jetos e atendimentos são feitos pe‐ los alunos, supervisionados por professores do curso.
Atendimento humanizado O escritório atua na resolução de causas individuais nas áreas cí‐ veis, criminais e administrativas. Até o ano de 2010, segundo a co‐ ordenadora, o Esajup desenvolvia um atendimento assistencialista, em que as causas eram soluciona‐ das sem participação dos indivídu‐ os solicitantes no processo de conciliação. Hoje, porém, o atendimento é mais humanizado, visto que os acadêmicos prestam assessoria aos requerentes. “Antigamente, as pessoas procuravam o escritório e deixavam suas causas, que eram resolvidas como se a parte interes‐ sada não tivesse capacidade para interferir na solução de seus casos. Com esse atendimento assessora‐ do, nós compreendemos que os ci‐ dadãos têm toda competência para resolver os dilemas, desde
Foto: Milton Santos/UFU
Alunos do cursinho AFIN nas aulas preparatórias para o ENEM 2017 que elas sejam, tecnicamente, as‐ sessoradas pelos alunos”, conclui. Atualmente, o escritório de práticas jurídicas conta com 150 alunos que atuam como estagiári‐ os do órgão. Cada estudante pre‐ cisa cumprir uma carga horária de 150 horas de preparação no Esa‐ jup. O professor Luiz Carlos Goi‐ abeira Rosa é responsável pela disciplina de estágio do curso. Segundo ele, a prática é a prin‐ cipal forma de contato dos alu‐ nos com a realidade e o cotidiano jurídico. “É como se eu fosse o advogado‐chefe de um escritório. Os discentes aprendem a atender o público, elaborar petições, acompanhar processos e outras atividades inerentes à prática ju‐ rídica e forense, sob a supervisão e orientação dos professores”, conclui Rosa. Tiago Amorim Pescara se for‐ mou em direito pela UFU no fim do ano passado. O bacharel, que também é policial militar, fez es‐ tágio no Esajup. Ele participou de projeto de assessoria para inte‐ grantes de movimentos populares, que o ajudou a fazer a monografia de conclusão do curso. “A assis‐
tência popular me proporcionou um contato com a verdade do di‐ reito: a justiça e a injustiça, o uso da lei para manejar as causas e propor ações. Tudo isso colabo‐ rou para minha formação, pois eu era parte ativa na construção dos processos”, afirma Pescara. O mi‐ litar ainda destacou que os proje‐ tos desenvolvidos no escritório popular ajudam os estudantes a construir uma visão sensível em relação ao outro, já que as pessoas atendidas no escritório são de baixa renda.
Funcionamento Para ser atendido no Esajup, o cidadão deve procurar a recep‐ ção do escritório e agendar uma triagem socioeconômica, que é feita por uma assistente social. Só depois da aprovação é que se‐ rá marcado um atendimento ju‐ rídico de conciliação. Caso não haja acordo, o processo passa para o contencioso. O órgão funciona no bloco 5V do Cam‐ pus Santa Mônica. O horário de atendimento é de segunda a sex‐ ta‐feira das 8h30 às 16h30.
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INformal
Alunos trabalham em pesquisas em Matemática Bolsas de iniciação científica são ofertadas para estudantes de diversos cursos Natália Spolaor O Programa de Iniciação Cien‐ tífica e Mestrado (PICME) oferta, desde 2009, bolsas de Iniciação Científica aos estudantes que in‐ gressaram na graduação e que fo‐ ram medalhistas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Es‐ colas Públicas (OBMEP) ou da Olimpíada Brasileira de Matemá‐ tica (OBM), visando fortalecer o campo da matemática no país. Como explica Vinícius Fávaro, ex‐coordenador do PICME na UFU, assim que o aluno da mate‐ mática entra no programa, ele é encaminhado para um professor orientador. Já para os alunos dos demais cursos da universidade são oferecidas disciplinas definidas pe‐ la coordenação, para que o aluno reforce seus estudos na área. Uma das pesquisas realizadas por meio do programa na UFU é sobre Teoria de Códigos com ên‐ fase em corretores ortográficos, desenvolvida pelo aluno da mate‐ mática João Neto e orientada pe‐ lo professor Alonso Castellanos. O objetivo é encontrar erros nos
Foto: Divulgação
Ajustes no corretor ortográfico de celulares foi um dos projetos desenvolvidos na universidade pelos estudantes PICME na UFU corretores de celular e solucioná‐ los, aperfeiçoando o recurso. Para o aluno bolsista, a pesqui‐ sa é importante por ser uma pro‐ dução de conteúdo e um portfólio. Já para o curso de matemática, os estudos avançados permitem um desempenho melhor em determi‐ nadas disciplinas. “O fato de aprendermos conteúdos não vistos em sala de aula faz com que desen‐ volvamos uma maturidade para
resolver problemas mais rápido”, afirma o estudante. O apoio e financiamento para a realização das pesquisas vem de parcerias com instituições de fo‐ mento, como o Conselho Nacio‐ nal Científico e Tecnológico (CNPq), que distribui em média 650 bolsas por ano para acadê‐ micos de todos os estados. Para a UFU, a cota tem sido inferior a 25 bolsas.
Projeto de extensão usa RPG no ensino Iniciativa visa ajudar acadêmicos em futuros projetos através de jogos de tabuleiro Wando Moreira Raciocínio lógico, narratividade e sociabilização são algumas das competências trabalhadas na ativi‐ dade lúdica dos jogos de represen‐ tação, os Role Playing Games. Pensando nisso, a ONG Narrativa da Imaginação, especializada no uso do RPG como metodologia de aprendizagem, mantém na UFU o projeto de extensão Jogado na Me‐ sa, com o objetivo de utilizar esses jogos como ferramenta de pesqui‐ sa, ensino, revisão de conteúdo e avaliação para os universitários. De acordo com o organizador da ONG, Mestre em Educação e Especialista em Ludocriatividade
Rafael Rocha, o projeto, iniciado em 2013, busca “criar um espaço para jogar com a intenção de co‐ nectar pessoas de diferentes cida‐ des e classes sociais”. Para ele, o RPG traz benefícios ao aprendiza‐ do e às pesquisas pois “trabalha teoria e prática ao mesmo tempo, já que se baseia nas escolhas feitas pelos personagens que, interpreta‐ dos pelos jogadores, modificam a trama, afetando a narração”. Outro fator mencionado é co‐ mo o jogo traz um olhar crítico para a sociedade. “No momento em que se cria um personagem e coloca em outro contexto, você acaba olhando o mundo por outra perspectiva. No ensino fundamen‐
tal, por exemplo, nós usamos um RPG baseado no livro A Revolu‐ ção Dos Bichos, em parceria com uma aluna do curso de letras, pa‐ ra que os participantes consigam interpretar textos”. Rodrigo de Godoy Domingues, mestrando em Ciências da Com‐ putação/UFU, também comenta a importância do RPG tem para a formação da pessoa. “É uma ex‐ celente ferramenta de desenvolvi‐ mento de capacidades e com‐ petências sociais. Seja comunica‐ ção, imaginação, narração de his‐ tórias, pois permite que o indivíduo tome decisões sobre certas situações que vão afetar o personagem, não o indivíduo”.
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UFU oferece atividades físicas e recreativas gratuitas para idosos da comunidade externa A iniciativa promove a interação entre estudantes, professores e terceira idade Camilla Freitas O projeto AFRID (Atividade Fí‐ sica e Recreativa Para Terceira Ida‐ de) da UFU articula, desde 1989, pesquisa, ensino e extensão ao ofe‐ recer atividades físicas e recreativas à comunidade externa. As ações são realizadas em parceria entre a Proex (Pró‐Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis), alunos e professores da Faculdade de Educa‐ ção Física da UFU. São oferecidas aulas de hidroginástica, muscula‐ ção, natação, dança, pilates, ginásti‐ ca localizada além de um grupo de aconselhamento, aulões, a tradicio‐ nal festa junina e a semana do ido‐ so, com palestras e cursos voltadas para a terceira idade. Para Giselle Tavares, coordena‐ dora do AFRID, o projeto possibili‐ ta a aplicação dos conhecimentos dos alunos e ainda possui uma pro‐ posta social. “A população idosa representa um número significativo da nossa população e é importante que o educador físico tenha um olhar específico para a terceira ida‐ de, seja no aspecto físico, compor‐ tamental ou social”, aponta. As atividades são realizadas no campus Educação Física da UFU no período da tarde com o acom‐ panhamento de um ou mais esta‐ giários e duas professoras que, por meio de reuniões técnicas e científi‐ cas, elaboram os planos de todas as aulas. De acordo com a coorde‐ nadora, o idoso deve se inscrever para participar e as turmas são mistas, conforme as necessidades de cada um. Atualmente o projeto atende cerca de 300 pessoas, sendo a maioria mulheres, e a quantidade varia dependendo da modalidade. A aluna do sexto período de Educação Física e professora de pila‐ tes, Bruna Orlandini, desenvolveu, com orientação da coordenadora, uma proposta para trabalhar essa atividade com os idosos. “O pilates melhora a flexibilidade, a postura, a coordenação motora, os músculos
Foto: Camilla Freitas
As aulas acontecem com a orientação de alunos de Educação Física respiratórios, a força, o equilíbrio, ativa a circulação, fortalecimento da massa muscular, ou seja, colabora para o aumento da qualidade de vi‐ da deles”, conta. Para a estudante do segundo pe‐ ríodo de Fisioterapia e também professora de pilates e musculação, Juliana Alves, os idosos procuram o projeto tanto por necessidade médica, quanto para se sentirem acolhidos e ativos no cotidiano. “O AFRID é importante por fazer a ligação entre faculdade e socie‐ dade, porque aqui os idosos en‐ contram pessoas para trocar experiências, conversar e aprender um pouco mais. Estamos ajudando e sendo ajudados por eles”, afirma.
Beneficiado Francisca Maria Oliveira par‐ ticipa há quatro anos das aulas de hidroginástica e neste ano co‐ meçou no pilates. Segundo ela, seu primeiro contato com o pro‐ jeto foi por um aluno universitá‐ rio e por indicação médica, já este ano se inscreveu na segunda atividade por vontade própria. “O projeto é maravilhoso, estou tendo resultados na minha saúde e no meu físico. Eu considero os professores meus amigos, eles es‐ tão sempre dispostos a ajudar e
nos fazer melhorar”, diz. A participante da musculação, Maria de Fátima, perdeu o marido há quatro meses e disse que procu‐ rou o AFRID para aliviar a dor da solidão. “Foi um momento muito difícil para mim e aqui eu encon‐ trei amigos, pessoas que eu posso conversar, desabafar, relaxar e ocupar minha cabeça”, comenta. Contou também que conheceu o projeto por meio de uma amiga que já participava há algum tempo e a partir daí sua saúde física e, principalmente mental, melhorou. Diz ainda que os professores são muito atenciosos e dedicados. “Eles nos acompanham sempre, aqui na musculação chamamos a professora de Tia Isaura”. O casal Maria Luiza e Antônio da Silva estão juntos há 55 anos e desde 2005 participam das ativi‐ dades. Ambos fazem aulas de hi‐ droginástica, musculação e alon‐ gamento. Inicialmente procura‐ ram o projeto por questão de saú‐ de e baixo custo, hoje em dia estão no AFRID pelo ambiente acolhedor. “Moramos em frente a uma academia que a mensalidade é acessível, mas o pessoal é muito jo‐ vem, com outra mentalidade. Aqui encontro pessoas da minha idade, falamos a mesma língua e me sinto melhor”, diz Maria Luiza.
Horários Hidroginástica: Segunda, quarta e sexta‐feira – 14:00 às 14:45, 14:50 às 15:35, 15:40 às 16:25, 16:30 às 17:15 Musculação: Segunda e quarta‐feira das 14:00 às 14:55, 15:00 às 15:55, 16:00 às 16:55 Natação: Segunda e quarta‐feira 16:00 às 17h Dança: Segunda e quarta 14:00 às 15h Pilates: Segunda e sexta 14:00 às 15h e 15h às 16h Yoga: Sexta 14:00 às 15:30
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Endurecer sem perder a ternura Gabriela Luz
“
Eu não trabalho com o que me agrada, mas sim com o que me incomoda.
Afonso Lana
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Aos 72 anos, o senhor Afonso Lana tem a serenidade dos sábi‐ os. Em sua casa, discretamente localizada no fim de uma rua no bairro Santa Mônica, ele conta, cercado por plantas, quadros e esculturas e sobre o canto de seus pássaros e o latido de seus cães, que não tem mais a pretensão de agradar a ninguém com sua arte. Mas que fica satisfeito quando acontece. “O importante é que o artista consiga mostrar um pouco de si e ser sincero, o que é um pa‐ radoxo, pois ele precisa sobrevi‐ ver”, explica. As esculturas no seu jardim de inverno estão incorporadas pelo tempo e intempéries à parede e às plantas, como desobjetos da poe‐ sia de Manoel de Barros. Há qua‐ dros de natureza morta com‐ postos por elementos do chão, como uma carcaça de cabeça de boi, um vaso com uma planta morta e folhas secas. As pinturas recentes também trazem a temáti‐ ca da morte. À frente, aristocra‐ tas de ternos e duras feições posando para o retrato. Ao fun‐ do, a cidade acontece: assassina‐ to, suicídio, revista policial. “Eu não trabalho com o que me agra‐ da, mas com o que me incomo‐ da”, aponta. Seu trabalho tem influências expressionistas e neo‐
cubistas. Durante a ditadura militar, Afonso Lana foi perseguido e preso de janeiro de 1969 a janei‐ ro de 1971, sendo 10 meses nu‐ ma cela solitária sem colchão nem travesseiro. Conta que viu amigos morrerem e que ansiava pela vinda dos torturadores, pois era quando tinha algum contato humano. “Quando eu estava lá dentro, sonhava que estava fora, com uma namorada bonita. Quando eu saí, não parava de so‐ nhar com a prisão”, conta. Só conseguiu ser solto porque um grupo de guerrilheiros sequestrou um embaixador e exigiu a soltura de uma lista de presos políticos, dentre eles Afonso Lana. Exilou‐se no Chile até o golpe militar, quando teve que fugir para a Alemanha, onde trabalhou como operário e estudou artes na Hochschule für Bildende Kunste Dresden, na cidade de Dresden. De volta ao Brasil, prestou con‐ curso para ser professor do curso de Artes Visuais da UFU, onde lecionou 1982 a 2013. Atualmente, o artista acredita que essa onda conservadora seja obra da política mundial e que ela acordou os movimentos soci‐ ais no Brasil. “Eu não sei se essa movimentação vai fazer diferença agora, mas a médio prazo, tenho certeza que vai”, comenta.
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Foto: Elaíny CarmonaLuz Foto: Gabriela
Após 50 anos, o artista relembra seu exílio no Chile e na Alemanha