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Senso Incomum - ANO 06 - Nº 24 -OUTUBRO/NOVEMBRO 2014

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s e n s o i n co m u m JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO - UFU - ANO 06 - Nº 24 -OUTUBRO/NOVEMBRO-201 4

Vegetarianismo Consumo alimentar consciente ganha adeptos e compartilhamento na Universidade p.06 e 07

Discussão: espaços físicos na UFU

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Vai um rock independente aí? Gratuito! Roteiro turístico em Belo Horizonte


2OPIN IÃO

n. 24 out/nov 201 4

Ombudsman

Dieta é que nem religião, cada um tem a sua

Não existe banalidade

ILUSTRAÇÃO: Pixabay

Editorial

Luisa Caleffi Nem todo radicalismo é aconselhável e faz bem à saúde. Em toda etapa da vida de um ser humano o equilíbrio entre uma ou outra opção deve ser desejado. Fazer exercícios regularmente é indicado a todos que buscam uma vida mais saudável. Tornar-se escravos deles, porém, é prejudicial a saúde. O mesmo ocorre com a alimentação. Alimentar-se somente de uma única fonte de vitaminas ou nutrientes, seja origem vegetal ou animal, requer atenção, cuidado e supervisão de um profissional. Mudar os antigos hábitos, buscar por atividades e alimentos que auxiliem nessa mudança e que tragam prazer são motivações e justificativas plausíveis e admiráveis. Todavia, o caminho para mudanças é tortuoso e não imediato. Paciência, perseverança e determinação são as chaves para qualquer transformação ser bem sucedida. Quando, finalmente, se obtém essa nova conquista é preciso dosar até onde ela se faz necessária. Adotar o vegetarianismo como dieta alimentar é uma mutação radical que pode ser um sucesso ou um fracasso. As inúmeras razões para fazê-lo, que vão desde ética aos animais, preocupação com o meio ambiente, passando até pela prevenção de algumas doenças são nobres e envolventes. Por outro lado, a carência de substâncias necessárias ao corpo humano e, encontradas em maior quantidade, ou às vezes exclusivamente, em produtos de origem vegetal, transforma o sonho de ser mais saudável em pesadelo. Existem, contudo, alternativas para quem quer se tornar vegetariano e não sofrer com a falta dessas substâncias. A troca de alguns alimentos, o aumento de refeições pre-

paradas à base de soja e a inclusão de suplementos alimentares na alimentação são algumas opções. O acompanhamento de uma nutricionista, porém, é indispensável para que não haja dúvidas quanto aos alimentos e seus componentes e quanto ao seu próprio organismo e do que é mais indicado para ele. É claro que toda decisão deve ser respeitada e ideologias não devem ser questionadas certas ou erradas, do mesmo modo que não convém julgar religião, cultura ou gosto musical. O primordial é buscar o equilíbrio entre filosofia de vida, alimentação e saúde. É de suma importância, portanto, que antes de adotar qualquer dieta coloquem-se na balança os benefícios e os malefícios, os objetivos reais e as necessidades que variam de pessoa para pessoa. A vida é pautada por transformações. Os hábitos e gostos pessoais variam a cada segundo, influenciados pela família, amigos, religião, local, televisão, internet, livros e tudo que cerca o dia a dia de um ser humano, tanto em relação a ele como pessoa racional/emocional, quanto a ele em interação com a sociedade em que vive, e também a sua personalidade que tem indicações próprias. Hoje uma criança não gosta de ler livros. Amanhã ela pode ser uma cronista. Nada que acontecerá no futuro está pré-estabelecido no presente. Ninguém nasce gostando ou não de alguma coisa. Essas decisões dependem das vivências, experiências e escolhas de cada ser humano. Essas escolhas, entretanto, não devem necessariamente excluir todas as outras. O equilíbrio e harmonia, portanto, devem integrá-las para que se tenha o mínimo de estabilidade quando a vida mudar outra vez. »

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Camila Ancona – jornalista Quando terminei de ler o perfil do senhor Iraci, pipoqueiro de 67 anos que sonhava em ser jogador de futebol, fiquei intrigada para saber mais sobre a vida daquele homem simples. As belas fotos que compõem o perfil do idoso na edição de número 24 do Jornal SENSO INCOMUN me deixaram ainda mais curiosa. O mesmo ocorreu com a matéria das meninas que praticam o rugby, esporte caracterizado pelo forte contato físico, e com a ilustração moderna da capa sobre a matéria de vegetarianismo na universidade. Queria saber mais, ler mais, descobrir mais. E foi então que percebi, ao clicar nas próximas páginas da versão online do jornal no meu computador, que o melhor desta edição está na arte de extrair belas pautas em um ambiente cotidiano e “comum” para quem o vive. Olhar e perceber boas histórias na rotina diária do “ir e vir” da universidade e fazê-las interessantes para quem está longe, como eu, em outro estado, é fazer jus ao nome do periódico. Mostrar o INCOMUM naquilo que parece corriqueiro e banal é o grande desafio, mas o diferencial no jornalismo de qualidade. Mas como em todo desafio, o aprimoramento é essencial. Faltou na matéria de capa o “outro lado”, já que foi citado o restaurante universitário (R.U.) e alguns alunos gostariam de melhorias nas sugestões vegetarianas. Faltaram fotos do restaurante para diversificar a ilustração do texto. Há discordância ainda no título e na fotografia escolhida na matéria do rugby. Uma chamada masculina com fotos de jogadoras. O “gancho” poderia ser o fato de jovens mulheres atuarem em um esporte agressivo e mostrar como elas dão um toque feminino à modalidade. Como todo bom jornalismo universitário, a edição traz matérias de serviço e polêmicas sobre a falta de infraestrutura. Destaco os trechos que tiveram notoriedade em boxes na diagramação. Enfim, um jornal para ser lapidado, mas com potencial para abarcar seus leitores incomuns. »

Expediente R eitor: Elmiro Santos Resende / Diretor da Fa ced: Marcelo Soares Pereira da Silva / Coorden a dora do Cu rs o de Jorn a lis m o: Ana Cristina Menegotto Spannenberg / Profes s ora da dis cip lin a : Ingrid Gomes / Jorn a lis ta res p on s á vel: Ingrid Gomes MTB 41 . 336 / Editores - ch efe: Luisa Caleffi e Marcelo França / Produ çã o de A rte: Érika Abreu / Cola b ora çã o de rep orta g em : Amanda Franciele Silva, Bruna Pratali, Caroline Bufelli, Leandro Fernandes, Maria Paula Martins, Mariana Almeida / R ep órteres : Luisa Caleffi e Marcelo França / Crôn ica : Talita Vital e Jhonatas Elyel Silva / Editoria l: Luisa Caleffi / Fotog ra fia : Caroline Bufelli, Carolina Rodrigues, Érika Abreu, Kennedy Costa, Maria Paula Martins, Mariana Almeida, Muntaser Khalil e Pixabay/ Dia g ra m a çã o e Fin a liza çã o: Danielle Buiatti

Erra m os : Na edição 23 (agosto/setembro de 201 4) as fontes das chamadas de capa e das páginas 06, 07 e 1 0 saíram erradas. Para visualizar as fontes diagramadas originalmente acesse: http://issuu.com/jornalismoufu/docs/senso_incomum_23_bx


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n. 24 out/nov 201 4

OPIN IÃO

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Como uma folha ao vento Jhonatas Elyel Silva

Sou meio jornalista em minha essência e só agora percebo isso, não que tenha entrado neste mundo esperando a formação de um teólogo, mas me permita explicar melhor o que quero dizer. Deitado no colchão, pele quente em contato com o ar frio da noite entrando sorrateiramente por entre a pequena abertura na janela, que me propícia enxergar a vastidão do céu noturno e me perder em toda sorte de devaneios, enquanto o sono, cada vez mais, deriva no oceano de pensamentos que se forma em minha mente. Neste momento, refletindo sobre amizades e amores, muitas risadas e algumas dores, finalmente entendo que não tenho raízes, como uma folha seca que paira ao sabor dos quatro ventos. De estação em estação, de coração em coração. Chego, às vezes querendo ficar. Vou, talvez querendo voltar. Volto apenas para observar, sorrir e chorar e para, quem sabe, nunca mais retornar. São apenas dois lados da mesma viagem, mas, mesmo assim, continuo preferindo a metáfora da folha. Assim é o jornalista, ou ao menos seu trabalho. E assim, em menor grau, sou eu. É ligeiramente melancólico afirmar tal coisa, principalmente para alguém cujo elemento do signo solar é a Terra. Em horóscopos leio sempre sobre a minha ligação à terra, às raízes, sejam familiares, afetivas ou, até mesmo, religiosas, mas em contraponto a isto não paro na vida de ninguém, praticamente. Chego, deixo minhas impressões e vôo, para nunca mais. Talvez ainda não tenha encontrado meu lugar no mundo − não é? −, mas posso afirmar, que o trabalho de um repórter é semelhante. Teria o Jornalismo ascendente em Libra, como eu, então? É mais ou menos como disse um autor que agora não me lembro por nome, mas que me roubou a atenção ao dizer que o mundo profissional de um jornalista consegue ser amplo e restrito ao mesmo tempo. Uma ideia contraditória à primeira vista, mas bastante coerente e até convincente quando explicada. Amplo por ele estar em constante contato com todas as esferas sociais. Afinal, quem sabe, poderei eu, ou meus atuais

colegas, futuramente, cobrirmos algum novo casamento real, com sua realeza europeia tediosa, atentamente observada por bilhões de pessoas ao redor do globo, ou então, e por que não, cobrirmos a invasão de um morro carioca, a prisão de um traficante ou de um político corrupto − não que as duas últimas tenham muito de divergente entre si −, mas o importante a ser salientado aqui é isso, a amplitude e a forma, aparentemente, superficial como um jornalista adentra em todos os mundos dentro do mundo, para criar uma reportagem, matéria, perfil, ou seja lá o que for. Como a abelha que voa, e voa, e voa, por quilômetros, à procura do pólen, pousando em uma roseira aqui, em uma orquídea acolá, em uma hortênsia ali, em uma petúnia pra lá, conhecendoas todas, provando de seu fruto por alguns míseros segundos antes de voar novamente para, nunca mais voltar. É este o jornalista que vai a Londres cobrir o casamento real − porque os outros são virtuais −, e no dia seguinte está em Fernando de Noronha, à procura da espécie de lesma recém-descoberta, que leva o nome da mocinha daquele seriado norte-americano tão famoso… Qual é mesmo seu nome? A Mãe dos Dragões… Ah! Não me lembro agora, e isto não vem ao caso. O que me faz lembrar também da restrição, − não que tenha algo a ver com a lesma ou com a mocinha da história− citada pelo tal autor, na vida profissional dos profissionais do jornalismo. Senão me engano, o problema da restrição pouco tem a ver com minhas metáforas sobre folhas, flores e abelhas, ou talvez tenha, mas vejo a necessidade de falar-lhe, uma vez que é a própria profissão e tudo a ela ligado que definirá o papel de seus profissionais na sociedade. Difícil de entender? Pois eu acho que não. Se somos a folha que dança aos sabores dos ventos, nossa restrição está presente no sentido para onde o próprio vento social quer soprar! E aqui vamos nós, caindo, no outono de nossas juventudes, rumo às correntes e a ventania deste mundo pós-moderno, tão repleto de flores e frutos aos quais nunca, realmente, tomaremos por nossos. »

Ano novo, vida nova? Talita Vital Parece que foi ontem que alguns pularam setes ondas, outros comeram sete favos de romã, ou colocaram três uvas na taça de champanhe e fizeram pedidos para o ano novo. É, parece que foi ontem que o ano começou, mas como todos os outros, esse também já está no fim. Pode parecer clichê, mas é inevitável não pensar em metas para 201 5, é do ser humano sempre planejar ou desejar o próximo dia. E todo final de ano, ou você bate nas mesmas teclas do ano passado ou reinventa novas metas para serem cumpridas. Entretanto, é difícil pensar em algo que não seja: 1 ) 201 5 será diferente de 201 4 2) Em 201 5 vou entrar na academia 3) Vou dedicar mais tempo para minha família

4) Vou economizar dinheiro 5) Vou encontrar um namorado/namorada Todo fim de ano é assim, sempre desejamos coisas as quais não iremos realizar ou, simplesmente, idealizamos tanto que na verdade não precisam de muito esforço, e nem de uma meta ou pedido, ou desejo para se realizar. O problema é que sempre desejamos as mesmas coisas e não nos damos conta de que o mais importa não é o “paz, amor e dinheiro no bolso”, mas sim o amor, o amor próprio, com o próximo, com qualquer ser que exista e que cruze seu caminho. O amor, na maioria das vezes, é a melhor solução e, além de ser um recurso renovável, não custa nada. E não só isso, nesse novo ano poderíamos pedir mais paciência, tolerância

e liberdade de expressão e direitos. Poderíamos agradecer mais, falar mais “bom dia”, pedir licença e aceitar o outro como ele é. Poderíamos reclamar menos e ter determinação para seguir nossos objetivos, poderíamos perdoar mais e encarar a vida de forma adulta, como se cada dia fosse uma aula em que no começo ninguém sabe de nada, mas no final algum conhecimento foi apreendido. Enfim, fazer metas para 201 5 não é besteira, é sempre bom olhar para o passado e ver os erros e defeitos, mas o melhor é enxergar através das metas supérfluas e fúteis algo além de ganhos materiais, pois de nada adianta mudar o calendário se você não conseguir enxergar o outro e mudá-lo internamente primeiro em você. Feliz ano novo. »


4at u ali d ad e s

n. 24 out/nov 201 4

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Artigo

Prédios antigos, problemas estruturais ILUSTRAÇÃO: Pixabay

Marcelo França

Talvez o que exista de mais igualitário para todos é o tempo. O tempo passa da mesma forma para todos. É nessa hora que os problemas aparecem. A matéria envelhece e, assim como as pessoas, os objetos e construções precisam de cuidados e “manutenção”. Na Universidade Federal de Uberlân-

dia (UFU) as manutenções precisam ser frequentes. Se até blocos novos, como o 5S, apresentam problemas de goteiras e infiltrações, o que esperar de blocos antigos? O Mineirão, bloco 1 Q, o mais antigo do campus Santa Mônica, apresenta problemas estruturais. É inevitável que um prédio construído a mais de 40 anos não tenha contratempos devido à estrutura antiga. Mas é necessário que sejam tomadas as medidas de segurança para as pessoas, e preservação material, visto que no local funciona o Centro de Documentação e História da UFU (CDHIS) e o Museu de Rochas e Minerais. Outro prédio que apresenta problemas é o que abriga a gráfica. As goteiras são muitas, o que pode prejudicar o trabalho e atrasar a entrega de materiais. Na época de chuva, principalmente dezembro e janeiro, quem passa por lá pode ver a quantidade de água que cai

do teto. Sabe-se que algumas máquinas possuem um elevado valor, o que em termos econômicos significa o aumento da depreciação. Mais arriscado para a segurança é o contato de funcionários e outras pessoas às instalações elétricas com a água, ampliando a necessidade de reforma. Sabe-se que em instituições públicas o caminho para as reformas são mais detalhados e requerem tempo, entretanto alguns fatores, como essas estruturas de prédios e instalações são mudanças urgentes no cotidiano da universidade. Portanto, é louvável que os setores correspondentes e responsáveis tenham atenção, sensibilidade e agilidade no manuseio dessas pendências, que podem gerar problemas muito maiores com o cair das próximas águas. “Prevenir, restaurar e atender”, um mantra que combina com a ocasião. »

Nota

Vídeo-aulas auxiliam no aprendizado de programação Marcelo França

FOTO: Marcelo França

Com orientação do professor Mauricio Cunha Escarpinati, o O Programa de Educação Tutorial (PET) do curso Sistemas PET produz as aulas em parceria com os professores, de Informação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) responsáveis pelo conteúdo. Uma das justificativas do projeto disponibiliza vídeo-aulas em sua página na internet é oferecer material gratuito em português, visto que o formato produzidas por parceiros, professores e alunos do curso. de vídeo-aula é bem aceito pelos alunos. O site do PET SI é Alguns dos temas disponibilizados, até agora, são Introdução www.petsi.facom.ufu.br, é possível encontrar mais de 1 20 a Programação de Computadores e Estruturas de Dados 1 . aulas ministradas pelo professor André Backes, autor do Os petianos Júlia Borges Correia Silva, Matheus Sanches e projeto “Programação Descomplicada”, que foi usado como Guilherme Soares apontam que a intenção do projeto é de base para o projeto do PET. » cobrir a estrutura curricular completa do curso, facilitando o aprendizado dos alunos. As vídeo-aulas ajudam a evitar que os alunos fiquem retidos nos períodos iniciais do curso, o que pode causar desânimo e abandono. O projeto faz parte do Programa de Recepção e Apadrinhamento aos Calouros do Bacharelado em Sistemas de Informação, mas podem ser acessadas por qualquer pessoa interessada em assisti-las. O acesso livre é um ponto forte do projeto, visto que os assuntos tratados são estudados em vários cursos. Na prática. Alunos do PET do curso Sistemas de Informação


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AT U ALI D AD E S

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Demanda por espaços físicos na UFU supera estrutura atual Carol Bufelli

Em outubro de 201 4, membros do Diretório Acadêmico (DA) do curso de zootecnia entraram em conflito com um docente, no campus Umuarama, motivo: uma sala, ou melhor, a falta dela. Apesar do local ser de direito do docente, os alunos registraram um sentimento que não é exclusivo aos cursos do Umuarama, nem tão pouco dos alunos da zootecnia. A falta de espaços na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é algo que chama a atenção e precisa ser discutida. Havendo a solicitação por uma sala, por exemplo, o pedido é direcionado à comissão de espaços físicos, formada por um representante docente do campus Umuarama, um representante docente do campus Santa Mônica, uma arquiteta da Prefeitura Universitária, uma professora do curso de Arquitetura e dois representantes discentes, coordenada pelo professor Ernando Antonio dos Reis, diretor de planejamento da UFU. Desde que assumiu o cargo na comissão, Reis afirma que não recebeu nenhum metro quadrado disponível para distribuição, entre a fila com mais de cem demandas por espaço. Mesmo aqueles “vazios” na universidade já foram distribuídos, segundo o diretor de planejamento. “Foram distribuídos na época do Reuni (Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) para vários cursos, para laboratórios de arte, labo-

ratórios da engenharia civil, para os cursos novos que foram criados e que estão sendo gradualmente adequados com as ações da Prefeitura Universitária”. Frente a esse problema, a solução proposta que está em andamento para efetivação no ano de 201 5 é a transferência de alguns cursos para o campus Glória. Primeiramente, as negociações são com os cursos da Agronomia, Engenharia Ambiental, Zootecnia e Medicina Veterinária, referentes ao campus Umuarama. Outras negociações que estão mais atrasadas com os cursos do Campus Santa Mônica, e que estão para serem também transferidos para o campus Glória, seriam as Engenharias Mecânica, Mecatrônica e Aeronáutica. “Temos assim a perspectiva da desocupação de pelo menos mil metros quadrados aqui no campus Santa Mônica”, afirma Reis. O diretor de logística da Prefeitura Universitária, Wesley Marques da Silva, ainda aponta que no campus Umuarama, a solução seria também uma ampliação a partir da construção de novas salas na parte de cima dos DAs, resultando no dobro das existentes atualmente. O tamanho do problema da falta de salas para os cursos da UFU, privando laboratórios, espaços de pesquisa e até mesmo de DAs, se intensifica quando os estacionamentos acabam e a fila no Restaurante Universitário, RU, aumenta. Reis explica que com a saída dos cursos para o campus Glória, haverá espaço

para estacionamentos e também no RU. Alguns projetos de expansão para o restaurante existem, como um possível segundo andar no prédio do atual RU. O que, no entanto, aponta o diretor de planejamento, é sobre restrições judiciais referentes a questões antigas de acessibilidade e irregularidades. “Aqui no campus Santa Mônica e Umuarama existem vários blocos em que as salas se dispõem dos dois lados com um corredor no meio. Teoricamente deveriam ter quatro saídas para todo o bloco. No entanto, a maioria das unidades fechou algumas saídas, transformando-as em salas, ficando assim, com apenas duas saídas, o que é irregular”. Enquanto essas pendências não forem solucionadas, qualquer execução dos projetos de expansão está barrada, dificultando assim, qualquer ampliação. »

A m pl ia çã o já : “Nós criamos mais salas de aula, que traz alunos. Alunos trazem mais carros, mais necessidade de ler livros, mais necessidade de alimentação e tudo isso ficou comprometido. (...) É provável que nos próximos anos, se não houver uma política de ampliação dos recursos de custeio – limpeza, informática e segurança – teremos uma grande universidade sucateada, com filas imensas nas bibliotecas e nos laboratórios”, alerta Reis.

FOTO: Carol Bufelli

Estacionamento da UFU lotado de segunda a sexta-feira


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Vegetarian ser ou não se n. 24 out/nov 201 4

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Muito mais que não comer carne, opção vegetariana torna-se filosofi para a maioria dos que decidem não consumir produtos derivad exploração animal

Luisa Caleffi

D i fe re n c i a ç õ e s: Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) o vegetarianismo pode ainda ser classificado em Ovolactovegetarianismo (inclui ovos, leite e laticínios na alimentação), Lactovegetarianismo (inclui apenas leite), Ovovegetarianismo (inclui somente ovo na alimentação) e, por fim Vegetarianismo estrito que não utiliza nenhum produto de origem animal na alimentação.

FOTOS: Muntaser Khalil

O vegetarianismo consiste em uma dieta baseada exclusivamente em produtos de origem vegetal como grãos, cereais, verduras, frutas, sementes entre outros. É necessário que se faça a correta diferenciação entre vegetarianismo e veganismo. A segunda prática consiste em não consumir qualquer produto que gere exploração e/ou sofrimento animal. O veganismo, portanto, vai além da alimentação, abrangendo produtos de higiene, vestuário e muitos outros.

nos Campi Santa Mônica e Umuarama são A forma mais popular do vegetarianismo uma combinação de arroz integral, um prato à é o ovolactovegetarianismo, e é ela quem base de soja e salada. pauta o cardápio dos mais de 1 6 milhões de Camila Ruth, estudante de teatro da Unibrasileiros que se dizem vegetarianos. Toversidade acredita mando essa classificação de que o cardápio ofevegetarianismo como base, a A dieta vegetariana recido pelo restauUniversidade Federal de previne doenças rante universitário Uberlândia (UFU) há quatro anos implementou um projeto cardiovasculares por supre as necessidades básicas de quem especial no cardápio do resconter pouco colesterol procura a opção vetaurante universitário (R.U). A getariana. “Mas para opção vegetariana foi incluída e ser pobre em quem é vegano reno cardápio em 201 0 com gorduras saturadas, almente não tem objetivo de atender alunos e afirma a nutricionista. opções, visto que o professores que buscam essa ingrediente princiopção oferecendo qualidade e pal que eles oferecem para substituir a pronutrientes para uma alimentação saudável e teína é a Proteína Texturizada de Soja (PTS), balanceada. que vem sempre com alguma receita que contém ovo ou leite”. A estudante acredita Vegetarianismo no R.U ainda que legumes e verduras poderiam ser Na UFU a opção vegetariana em 201 2 mais variados. atendia 400 alunos, técnicos e professores. De acordo com Kamilla Tavares, nutricioHoje, mais de 3.000 pessoas são atendidas de nista formada pela UFU e frequentadora do segunda a sexta-feira. As refeições servidas

Muito além de restrição alimentar, vegetarianismo é estilo de vida


no: er?

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fia de vida dos da

Vegetais, frutas e alimentos orgânicos, dieta saudável na mesa dos vegetarianos

R.U durante a graduação, outros produtos podem substituir a PTS e, assim, aumentar a variedade no cardápio estudantil: “Existem outros produtos no mercado que também podem ser utilizados neste caso, como por exemplo o Tofu − que pode ser usado em receitas como: berinjela recheada com tofu, tofu grelhado com vegetais, espetinho de tofu e vegetais, tofu a milanesa, entro outros”. A nutricionista ainda aponta que cereais integrais como a quinoa pode ser utilizada no preparo da salada, buscando variar ainda mais o cardápio.

Razões

De acordo com a Organização das Nações Unidas pela Alimentação e Agricultura todos os anos, mais de 70 bilhões de animais são abatidos para consumo na alimentação, ao redor de todo o mundo. No Brasil, segundo dados divulgados no site da SVB, são mais de 1 0 mil animais terrestres mortos por minuto para produzir ovos, carnes e leite. O combate contra a morte dos animais e, à forma como eles são abatidos, são os principais motivos para que as pessoas decidam se tornar vegetarianas. Camila é vegetariana há sete anos e justifica sua escolha: “Me tornei vegetariana, principalmente, pela ética aos animais, e pela maneira que eles são criados. Além da agressão que a pecuária causa no meio ambiente”. Este é outro argumento muito utilizado pelos vegetarianos. Para Aline Salmin, estudante do curso de Dança da UFU e vegetariana há seis anos, os

motivos foram além da alimentação: “Eu me (vegana) é com a deficiência da vitamina B1 2, tornei vegetariana principalmente por quesque deve ser suplementada ou adquirida tões éticas e espirituais, ainda mais por enatravés de alimentos enriquecidos. tender que o consumo da carne não é Para a forma mais popular do vegetarianecessário na alimentação humana, muito nismo, a nutricionista indica os nutrientes pelo contrário”. que se deve ter mais atenção: ferro, zinco e Dados da Organização das Nações Uniômega-3. A solução para essas deficiências das (ONU) mosestá na busca por alimentos ritram que o setor cos em vitaminas e vitamina C, Dieta vegetariana tende pecuário é o como o suco de laranja e aceprincipal responrola, e também procurar cona ser mais saudá vel, sável pela contasumir sementes ricas nos mas é preciso minação das nutrientes, como em nozes e na reservas aquífepreocupação com a linhaça. ras do mundo e Para dieta vegetariana é redeficiência de alguns da erosão dos comendado auxílio com nutrinutrientes. solos. Além disso, cionista, nutróloga ou outro cerca de 1 4 % da profissional especializado, que emissão de gases poluentes são vindas de possa fazer o acompanhamento com o paatividades humanas ligadas ao setor da peciente. Uma das maiores dúvidas de quem cuária. pensa em se tornar vegetariano é a falta de Ética aos animais, consciência ambiental proteína proveniente da carne. A nutricioe, ainda, precaução com a saúde entram na nista explica: “Sim a carne é principal fonte lista das razões de quem defende e prega o de proteína de alto valor biológico (aquela vegetarianismo. Muitas pessoas justificam a proveniente dos animais e que fornecem exclusão de carne e seus derivados da alitodos os aminoácidos essenciais), mas de mentação diária afirmando buscar um estilo uma forma geral a proteína não é o fator de vida mais saudável. mais preocupante nas dietas vegetarianas, já que temos em nosso hábito alimentar outros produtos que também nos fornece as Cuidados proteínas, mesmo que de baixo valor biolóÉ fundamental que a alimentação de gico, mas que quando combinados em uma quem não ingere carne deve ser ainda mais rigorosa quanto à quantidade de ferro, proteí- dieta adequada fornece os aminoácidos necessários. Como é o caso do feijão, soja e na e vitaminas importantes para uma vida outros alimentos do mesmo grupo − grupo saudável. Kamilla explica que a principal predas leguminosas”. » ocupação com a dieta vegetariana estrita


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FOTOS: Érika Abreu e Mariana Almeida

Independentes: dos bastidores aos palcos

Space Truck no palco da 2° edição do Festival Timbre

Mariana Almeida Em meados de 2007, o grupo Nação Zumbi, de Recife, atualmente uma das maiores bandas independentes do país, se apresentou em uma das edições do Festival Jambolada, em Uberlândia. Naquela época, um estudioso das Ciências Sociais, Gabriel Caixeta, o Bibi, recebeu de um amigo o convite para carregar os instrumentos e caixas de som do Nação em troca de ingressos para o show, o que ele, claro, topou na hora. O tempo passou e o envolvimento de Bibi com a música acabou indo além de carregar caixas e instrumentos em troca de ingressos. Por meio de um estágio na Diretoria de Cultura (Dicult) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), começou a produzir pequenos eventos e shows até que foi chamado para participar do Coletivo Valvulado, grupo que, na época, cuidava da produção de festivais importantes na cidade, como o próprio Jambolada. A jornada de Bibi no Valvulado durou alguns anos, até que em 201 1 ele se viu tomado pela ânsia de produzir mais, e foi nesse momento que surgiu a agência Timbre. O que ele não imaginava era que seus projetos cresceriam tanto a ponto de fazer com que o mesmo Nação voltasse a Uberlândia, só que agora como uma das bandas contratadas para sua iniciativa mais ousada: o Festival Timbre, um desdobramento da agência que se propõe, nas palavras de Bibi, a "trazer música boa" para o palco, sendo a maioria dos músicos que ali se apresentam, independentes. A proposta que inspirou Bibi se estende a outros festivais, que assim como o Timbre vêm conquistando cada vez mais espaço. Um exemplo curioso é Goiás, isso mesmo, Goiás! A terra de tantas duplas sertanejas já consagradas e que ainda tentam chegar aos holofotes é também lugar fértil para outros estilos, predominantemente o rock'n roll. Grandes festivais como o Bananada e o Grito Rock acontecem anualmente e param a capital goiana durante

até uma semana. Além dos grandes festivais, existe também uma extensa cena de outros pequenos e médios eventos que se baseiam na originalidade das bandas que neles vão se apresentar, sendo que estas, em sua maioria, tocam músicas autorais e fazem um som experimental que vem da mistura de estilos e, por vezes, se converte até na criação de novos. Uma das bandas que se fortaleceram em meio a estes festivais, é a goiana Space Truck, formada por Felipe Roso e os irmãos Rodrigo e Ricardo Sobreira. Para eles é bem natural a linha que seguem os festivais "essa é uma coisa muito interessante, se criou uma cena e um público acostumado a ouvir música autoral", conta Ricardo. A banda que apostou nos festivais como porta de entrada para o mundo da música, participou e ganhou uma espécie de festival/concurso e assim, conseguiu gravar o seu primeiro disco, com o apoio de um selo independente. O trio está satisfeito e diz não ambicionar uma chegada às grandes produtoras de discos nacionais "acho que o mercado já não funciona mais assim, a gente consegue se manter sem isso. O nosso objetivo mesmo é circular, tocar" diz Rodrigo. A Associação Brasileira de Músicos Independentes está com o trio, e em 201 3 reafirmou essa tendência musical atual "as vendas em formatos físicos, CDs e DVDs, seguem em queda. Reduziram-se em 1 5,5% em relação ao registrado em 201 2". Os que se interessam por boa música, independente do formato, pode conferir o novo CD do Space Truck, que já está disponível e circula nas redes, é só acessar o endereço www.space-truck.com ou o canal Space Truck, no Youtube. »


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E s p o rt e

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Rugby: esporte de brutos jogado por cavalheiros FOTO: Maria Paula Martins

Ló g i c a d o j o g o : O rugby é o segundo esporte mais popular do mundo, perdendo apenas para o futebol. É comparado com o futebol americano, tendo em vista que ambos possuem estilo de jogo parecido e um objetivo em comum: cruzar a linha de in goal e apoiar a bola no chão. O esporte que surgiu na Inglaterra, em uma cidade chamada “Rugby”, tem atualmente o terceiro maior evento esportivo do planeta: a Copa de Mundo de Rugby, atrás apenas da Copa do Mundo de Futebol e das Olimpíadas. Treino do time feminino de rugby em Uberlândia

FOTO: Caroline Bufelli

Maria Paula Martins O espírito do rugby é algo encantador. Os atletas são cúmplices, o treinador é tratado como “senhor” e a paixão de cada jogador é razão máxima para tamanha entrega e companheirismo. Mesmo sendo um esporte duro e agressivo, o objetivo do rugby é congregar pessoas diferentes, independente da idade ou porte físico. “É um esporte muito agregador, não há diferenciação de idade, tamanho, peso ou força. Todos são

sempre muito bem-vindos”, relata Paula Ishibashi, jogadora mais experiente da Seleção Brasileira de Rugby. A atleta complementa dizendo tratar-se de um esporte permeado por valores, no qual o respeito, a disciplina e a união fazem com que todos se considerem uma grande família. Apesar de ser um esporte de extremo contato, o rugby não é nenhum culto à violência. Essa é uma discussão que sempre vem à tona, visto que a glamorização da violência pela mídia é constante, ou seja, o foco nos lances mais pegados e até mesmo nas lesões é expressivo. Isso acaba dificultando a luta dos rugbiers de difundir o esporte da maneira verdadeira. “O rugby é um esporte agressivo, mas não é violento e se você aprender as técnicas corretas não há perigo. Eu acho que violência e agressividade são coisas bem diferentes, e é sempre bom ser uma equipe agressiva dentro de campo”, comenta Nick Gourlay, inglês que veio ao Brasil comandar o projeto de Try Rugby no SESI Minas.

Crescimento

Pela pesquisa “Muito além do futebol – um estudo sobre esportes no Brasil”, feita em 201 1 pela instituição Deloitte, o rugby foi apontado como o esporte que mais crescerá no Brasil nos próximos anos, com 1 7%. Mesmo com o apontamento positivo da pesquisa, ainda é possível encontrar muitos que nunca ouviram falar em rugby. “A grande diferença do Brasil para a Inglaterra é que lá todos crescem ouvindo falar de rugby e acabam compreendendo mais sobre este universo, assim como é o futebol aqui no Brasil”, esclarece Gourlay. »

O l i m p ía d a s: Em se tratando de Olimpíadas, vale lembrar – ou contar em primeira mão para os desavisados, que o rugby sevens, modalidade que possui dois tempos de sete minutos e sete jogadores de cada lado, estará de volta nas Olimpíadas de 201 6, no Rio de Janeiro. No Brasil, apesar de ser praticado em 21 estados, conta com apelo popular modesto de cerca de 4.763 praticantes, de acordo com o último censo divulgado pela Associação Brasileira de Rugby.


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Já que Minas não tem mar, vamos para...

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FOTOS: Caroline Bufelli

Marcelo França Largar tudo e viajar pelo mundo. Muitas pessoas já pensaram em fazer isso. Enquanto sonham com Europa, Ásia e América Latina, as viagens não saem do planejamento por falta de tempo ou dinheiro. O sonho é de conhecer novas culturas, e a cultura brasileira, tão rica e diversa, é pouco conhecida. Indo para Belo Horizonte, a vontade de fazer uma viagem barata pode ser saciada. De quebra, é possível conhecer um pouco mais da história de Minas Gerais. O Conjunto Arquitetônico da Pampulha, construído nos anos 40, por iniciativa de Juscelino Kubitschek, abriga o prédio pensado para ser, inicialmente, um cassino, hoje é o Museu de Arte da Pampulha e concorre ao título de patrimônio da humanidade. Luiza Gasparini e Inácio Mariani, mediadores do Espaço da Casa de Baile recebe exposições após adaptações setor educativo do Museu, contam que a estrutura do prédio é quase toda original, inclusive o ele- mendigos, até que, em 2003, a Prefeitura Municipal retomasse o prédio. vador do palco do auditório, antigo restaurante do Ainda na orla da Lagoa da Pampulha, está a Igreja de cassino. São Francisco de Assis, construída entre 1 943 e 1 945 Todos os eventos promovidos pelo museu são gracom arquitetura e pinturas que saiam dos padrões da tuitos e as exposições mudam a cada três meses, aproépoca. Por isso, a Igreja Católica e a sociedade não a ximadamente. Os mediadores acreditam que é importante ter museus gratuitos como forma de promo- reconheceram como templo religioso, assim, a Igreja ficou fechada durante 1 4 anos e em 1 947 foi tombada ver o acesso à arte. “A arte, muitas vezes é uma coisa para evitar demolição. Em 1 959 foi reconhecida pela distante, se vocês pensarem como lazer. Muitas Igreja Católica e passou a realizar missas, casamentos e pessoas têm receio de entrar”, aponta Luiza. batizados. Atualmente, a Igreja também recebe visitas Ali perto, a Casa do Baile, antigo restaurante dançanturísticas, as quais custam um real por pessoa, valor que te fundado em 1 943, hoje é espaço de exposições grasegundo Laís Fernandes, funcionária da arquidiocese de tuitas, após restauração e adaptação. O mediador Belo Horizonte, é cobrado para manutenção do local. Marcelo Alencar diz que o local já foi restaurante partiA “Igrejinha da Pampulha”, como é conhecida, possui cular e passou um período abandonado e habitado por obras de Cândido Portinari e Alfredo Ceschiatti e arquitetura de Oscar Niemeyer. Laís completa dizendo que a procura por casamentos é grande. “Já tem noiva procurando até para 201 7”. Outro destino é o Circuito Cultural Praça da Liberdade. O circuito localizado na região central de Belo Horizonte possui, atualmente, 1 2 espaços e museus funcionando em prédios das antigas secretarias do Governo de Minas Gerais. O objetivo do circuito é explorar a diversidade cultural e a história do estado através de ações que vão além das exposições de museus tradicionais. Davide Chech, mediador do Memorial Minas Gerais Vale, diz que é importante desenvolver projetos educativos por meio de tecnologias e produzir material para atrair a atenção de aproximadamente 1 00 mil pessoas por ano. No memorial há, também, o espaço de leitura e midiateca, onde é possível ler e ouvir música gratuitamente. O visitante tanto do Circuito da Pampulha, quanto dos espaços do Circuito Cultural Praça da Liberdade têm a possibilidade de fazer seu próprio roteiro de visita ou de contar com o auxílio de mediadores. Para quem estiver na cidade, é interessante, também, conferir a Praça do Papa e a vista da cidade. E a noite, quando tudo isso fechar, não é difícil achar boas opções de lazer noturno baratas e fazer jus à frase: “Já que Minas não tem mar, Antiga sede da Secretaria do Estado da Fazenda de MG abriga o Memorial Minas Gerais Vale vamos para o bar”. »


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cu lt u rae s p o rt e laz e r

FOTO: Divulgação

Resenhas

O Placar em aberto

Inhotim

Amanda Franciele Silva

Marcelo França

O comentarista esportivo e ex-jogador Walter Casagrande escreveu, juntamente com o jornalista Gilvan Ribeiro, sua biografia: Casagrande e seus demônios. Mas se engana quem pensa que o foco principal é futebol. Apesar de ídolo do esporte, Casão tem mais história pra contar. Como o nome já diz, o livro traz à tona, e não de forma figurativa, os demônios que acompanham o rockeiro engajado politicamente. Viciado em vários tipos de droga, descreve detalhadamente como foi parar no fundo do poço, de onde saiu após ser internado pelo filho, contra sua própria vontade. A vida do ex-atacante alvinegro não é contada cronologicamente e suas lembranças são usadas quando necessárias para amarrar a história. Infância e adolescência com a Turma do Veneno, amizade com celebridades e seu ídolo Sócrates, carreira no time do coração e luta pela democracia no país, entre outros, se fazem presentes, sempre regados com uma sinceridade que rejeita pudor. Casagrande não esconde nada, faz questão de escancarar seus demônios para se manter lúcido e continuar no jogo. Tamanha honestidade torna o livro pesado em densidade, mas de leitura fácil, em que as páginas passam rapidamente. Um roteiro de cinema que mesmo os não-corinthianos deveriam ler. »

FOTO: Divulgação

O I nhotim surpreende do início ao fim. Aliás, é difícil alguém dizer que chegou ao fim da visita. A antiga fazenda de uma empresa de mineração abriga um extenso jardim botânico reconhecido, desde 201 0, pela Comissão Nacional de Jardins Botânicos (CNJB) e um importante acervo de arte contemporânea. A área é tão grande que para uma visita completa demora-se mais de um dia e, ainda assim, fica a sensação de que algo ficou para trás. Aberto desde 2006 para visitação do grande público, o local abriga obras de artistas diversos. O mais interessante é que o roteiro pode ficar por conta do visitante. Orientado por placas e pelo mapa disponibilizado, é possível definir o trajeto que mais parecer agradar ou andar sem rumo certo nos 1 1 0 km de área de visitação. I ndependente do modo escolhido, o encanto é certo. Localizado a cerca de 55 km de Belo Horizonte, no município de Brumadinho, o I nhotim deixou de ser um lugar de passagem e se tornou um destino de viagens. Os caminhos são cercados por espécies vegetais de todos os continentes e levam a galerias de arte contemporâneas que mexem os sentidos. É bom os distraídos se esforçarem para ficarem atentos. Os detalhes são impressionantes e juntos com a flora e a fauna, que conta com patos e esquilos, surpreendem a cada nova área visitada.»

CD 1 989 Taylor Swift Leandro Fernandes

também colaboraram com o sucesso do projeto. Antes mesmo do disco chegar às lojas, eles já haviam atingido o primeiro lugar de vendas e estavam nas paradas de sucesso do mundo. I sso se deve a um trabalho autoral e extremamente pessoal que diferencia sua música entre tantos produtos da indústria fonográfica. » FOTO: Divulgação

Em letras inspiradas, Taylor Swift fala sobre paixões e relacionamentos por meio de narrativas bem contadas e cheias de metáforas. 201 4 é mesmo o ano da j ovem cantora e compositora americana de 24 anos que surgiu no cenário da música em meados de 2006. Ela j á ganhou mais de 1 00 prêmios e lançou a pouco o seu mais novo álbum. 1 989, além de ser o ano de nascimento da diva, cada vez menos country, é o nome do quinto e mais novo álbum que consagra a carreira da estrela. É também um projeto inspirado, principalmente, pelo pop, o que a afasta da sua origem mais country apresentada em trabalhos anteriores. As gravações do proj eto ocorreram entre 201 2 e 201 4 e contaram com a colaboração de produtores e de artistas de peso como Katy Perry e Beyoncé. O supertime na produção pode ter colaborado com os resultados: o álbum foi disco de ouro no Brasil ainda na pré-venda, levando Taylor a bater o próprio recorde de vender mais de um milhão de cópias na primeira semana, assim como em Red, seu disco anterior. Os singles pré-lançados, “Shake it Off” e “Blank Space”,


12 E X P RE S S Ã O &arT E

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Pipoca, amor e muito mais! Bruna Pratali S eu I ra ci m e receb e com s eu b on é a d i d a s e os ol h os a zu i s . O ca rri n h o d a p i p oca b ra n co exa l a ch ei ro d e ci n em a e, com ca l m a , el e a b a i xa o s om d a m ú s i ca q u e toca em s eu cel u l a r e p ed e q u e eu m es m a a n ote s eu n om e. I ra ci Vi to M a th i a s tem 67 a n os e tra b a l h a com p i p oca d es d e os 3 5 a n os . Va i m e l em b ra n d o d os tem p os d e tra b a l h o n a roça , com o l a vra d or, e d a s vezes q u e cozi n h a va p a ra os a m i g os n o tra b a l h o. Vei o d e Pa tos d e M i n a s e j á com o p i p oq u ei ro, p a s s ou a es ta ci on a r o ca rri n h o n o b l oco d o cu rs o d e D i rei to d a U FU , h á 25 a n os . Foi l á q u e g a n h ou os p ri m ei ros freg u es es e a m i g os . C om u m a ri s a d a em oti va , con ta q u e fora m os p róp ri os a l u n os d o cu rs o q u e fi zera m u m a ca m p a n h a e troca ra m s eu ca rri n h o d e p i p oca p a ra u m m el h or. S e s on h a va em s er p i p oq u ei ro? N ã o. S eu I ra ci g os ta va m es m o é d e j og a r fu teb ol . H oj e, a l ém d a p i p oca , el e trei n a u m a eq u i p e a m a d ora e fem i n i n a d o es p orte. E o s on h o con ti n u a . N ã o s e torn ou j og a d or, m a s fa zer p i p oca ta mb ém é fel i ci d a d e. O ri tu a l é es ta ci on a r o ca rri n h o, col oca r o s erta n ej o p a ra toca r, es q u en ta r a p a n el a e es tou ra r o m i l h o. “ Fa zer p i p oca é cozi n h a r ta mb ém . C ol oco a m or, tem q u e ter a m or” . E é com g ra n d e s a ti s fa çã o q u e col oca a p i p oca n o s a q u in h o, g a n h a n d o o d i n h ei ro q u e s u s ten tou p or a n os el e, s u a m u l h er e s eu s s ei s fi l h os . Vou em b ora e m e d i s ta n ci o d e I ra ci , p en s a n d o o q u a n to p i p oca , a ci m a d e g a s tron om i a , p od e s er p u ro a m or. »

FOTOS: Kennedy Costa e Carolina Rodrigues


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Senso Incomum - ANO 06 - Nº 24 -OUTUBRO/NOVEMBRO 2014 by Jornalismo UFU - Issuu