senso
Alerta para a saúde mental
comum
Jornal-laboratório do Curso de Jornalismo UFU ano 8 • 40ª edição junho /julho de 2018 distribuição gratuita
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Políticas
experimentos
cultura
Coletivo trabalha por garantia de direitos em Monte Carmelo página 5
Em busca de qualidade de vida, estudantes se reúnem para meditar página 8
O que pode e o que não pode quando o assunto são as festas na UFU página 11
DA REDAÇÃO EDITORIAL//
A crise que não é a financeira
Ingressar no ensino superior é um momento muito esperado por aqueles que anseiam entrar academicamente qualificados em alguma profissão, mas nem sempre o estudante está psicologicamente preparado para os desafios da graduação. Se, fora dos muros da universidade, houve um aumento de casos de transtornos psicológicos, o que será dos universitários com tantas cobranças e dúvidas? De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), 30% dos alunos entrevistados procuraram por ajuda psicológica entre 2014 e 2015, e 10% fizeram uso de medicamentos psiquiátricos. Os números são preocupantes. Apesar de ser um problema óbvio e crescente,
muitos permanecem sofrendo calados. Quanto mais grave o transtorno, maior é o preconceito e a desinformação. Além disso, doenças psicológicas como a depressão são silenciosos, quase invisíveis e exigem muita atenção para serem percebidos. Nossa sociedade parece não estar preparada para lidar com esses problemas, preferindo esconder a sujeira debaixo do tapete. Assim, são muitos os estudantes que usam remédios e outras substâncias que alteram o funcionamento do organismo, em uma tentativa de suprimir os problemas que estão na mente. Atualmente, o imediatismo é o modo de vida e isso traz sérias consequências para os jovens. Acostumados a ter tudo imediatamente, algo oferecido pelas tecnologias digitais, e desacostuma-
dos com a competição entre colegas, caminhamos rumo à ansiedade e outros transtornos psicológicos seriamente prejudiciais à saúde e à vida. Diante de um quadro tão triste, a preocupação se torna presente. Sorte daqueles que recebem total apoio da família e daqueles que têm condições financeiras para procurar por um tratamento. Aos que não possuem tais privilégios, o que resta são programas gratuitos oferecidos por instituições públicas, que muitas vezes possuem uma lenta lista de espera. Independentemente da situação que se encontra, o essencial é não se deixar abater por notas baixas ou pensamentos negativos. A Universidade é uma fase para se viver feliz.
OPINIÃO//
Tire sua opinião do meu útero CAMILA CARNEIRO Uma pesquisa realizada pela Anis, Instituto de Bioética, mostrou que, no ano de 2015, 503 mil mulheres realizaram aborto no Brasil, o que significa que cerca de uma mulher a cada minuto aborta em nosso país. Além disso, o aborto inseguro é uma das quatro principais causas da mortalidade materna do mundo - motivo pelo qual a Organização Mundial da Saúde recomenda sua descriminalização. É principalmente por esses motivos que o tópico sobre a legalização desse procedimento é, acima de tudo, sobre saúde pública. O Código Penal Brasileiro, que permanece com redação original de 1940, prevê pena de um a três anos para mulheres que abortarem - menos em casos de estupro, quando a gravidez apresenta risco à gestante e quando são bebês comprovadamente anencéfalos–e, apesar disso, as mulheres continuam abortando. E morrendo. Para os repre-
sentantes do movimento Brasil Sem Aborto, a vida precisa ser defendida desde a concepção. Mas e as vidas das mulheres? Quem as está defendendo? Descriminalizar o aborto, dessa forma, é salvá-las. O aborto ilegal é, acima de tudo, uma questão de equidade de gênero, raça e classe. De gênero, porque são as mulheres que têm seus direitos sexuais e reprodutivos afetados, enquanto os homens se eximem das suas responsabilidades paternas cotidianamente: dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que há 5,5 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai na certidão de nascimento - a versão masculina de aborto é permitida. De raça, porque o abortamento provoca mais mortes de mulheres negras do que de brancas; segundo o IBGE, o índice de aborto provocado entre as mulheres pretas é de 3,5%, o dobro do percentual entre as brancas (1,7%). De classe, porque são as
pobres as efetivamente criminalizadas pela prática. Por exemplo, a Diretoria de Pesquisa e Acesso à Justiça da Defensoria Pública do Rio de Janeiro traçou um perfil das mulheres que mais sofreram processo criminal pela prática de aborto entre 2005 e 2017: são elas as negras, já mães, pobres e sem antecedentes criminais. Então, os dados não mentem: o aborto continua acontecendo, independente de ser legal ou não; e, em alguns países, sua descriminalização comprovadamente diminuiu o número de abortos. O Uruguai, por exemplo, que legalizou o aborto em 2012, viu a desistência deles subir em 30%, segundo o Ministério da Saúde (MSP) daquele país. A criminalização do aborto é, no final das contas, apenas uma forma de castigar mulheres que não agem de acordo com a opinião pessoal de um grupo de pessoas.
JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU) Reitor Valder Steffen Jr - Diretora Geovana Ferreira Melo - Coordenador do Curso de Jornalismo Marcelo Marques - Coordenadora do Projeto Senso (in)comum jornal laboratório como espaço de aprendizado e prática profissional no Curso de Jornalismo UFU - 2017-2018 Ivanise Andrade - Jornalista responsável Ivanise Andrade (DRT/MS 0097) - Revisão Ivanise Andrade - Editora-Chefe Clarice Bernardes - Repórteres Amanda Marques, Camila Carneiro, Clarice Bernardes, Gabriela Francis, Paola Buiatti, Pedro Lobato, Talita Faria - Diagramação Danielle Buiatti - Tiragem 2000 exemplares Impressão Imprensa Universitária - Gráfica UFU sensoincomumufu@gmail.com www.sensoincomum.net
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COTIDIANO
Alunos com deficiência se queixam da falta de acessibilidade nos campi Infraestrutura de mobilidade comprometida e falta de empatia na Universidade são as maiores dificuldades GABRIELA FRANCIS Uberlândia é tida como cidade referência em acessibilidade para pessoas com deficiência. Entretanto, dentro dos campi da UFU, alunos que convivem com diversos tipos de deficiências físicas e motoras ainda sofrem para se locomover nos espaços da Universidade. Pedro Paulo Molinar, 23, aluno de fisioterapia da UFU possui limitação dos movimentos tanto na perna quanto no braço direitos, em decorrência de uma doença genética chamada Arterite de Takayasu. Ele conta que, mesmo não tendo dificuldade de locomoção grave já teve de passar, e ainda passa, por várias situações que dificultam sua mobilidade na universidade. O estudante explica que sente muitas dores ao subir as escadas de um dos blocos onde tem aulas, no campus Umuarama. Apesar de o bloco possuir rampa, o acesso ainda é ruim pelo tamanho dela: “gigante”, segundo ele. Desse modo, opta por utilizar as escadas, que por si só são de acesso mais rápido, mas que acabam por lhe provocar dores irradiadas. “É uma acessibilidade não muito acessível”, dispara. O campus Educação Física (Educa) também é motivo de várias reclamações em relação à acessibilidade, por ter uma infraestrutura não muito apropriada, com pisos esburacados e falta de acesso a rampas em alguns blocos. Pollyana Batista Prado, 32, que é cadeirante e cursa Administração, começou a frequentar o Educa depois que entrou para o esporte. Ela relata que já se sentiu bastante prejudicada, pois muitas vezes não conseguiu transitar sozinha no local. “Às vezes, ao fim da aula, o professor tinha que me levar na saída do outro lado porque eu não dava conta de ir sozinha. Lá tem muita grama, e onde tem cimento é cheio de buracos”, lamenta a estudante. A UFU deve realizar as adaptações dos prédios seguindo a Lei Federal número 10.098, de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida no mobiliário urbano. Porém, nem sempre as mudanças estão de acordo com as neces-
sidades de quem utiliza essa infraestrutura. FALTA EMPATIA Para quem depende desses recursos, a falta de gentileza e de compreensão de muitos acaba por tornar o dia a dia ainda mais complicado. “A única coisa que eu queria é que o pessoal tivesse mais empatia. Acho que isso é o que está mais faltando aqui na UFU. Não adianta ter o acesso e vagas especiais para cadeirantes, o piso especial para deficientes visuais se as pessoas desrespeitarem,” critica Pedro Molinar, que além de aluno de fisioterapia, também é ALUNA DE ADMINISTRAÇÃO, POLLYANA PRADO PRECISA DE AJUDA PARA SE atleta paralímpico. O ex-aluno de enge- LOCOMOVER PELA UFU • FOTO: AMANDA MARQUES nharia civil Lucas Araújo possui deficiência motora por conta de paralisia te a locomoção de quem precisa se deslocar sem cerebral. Ele relata que uma vez, em sua época de ajuda. “Como tem muita terra ao redor eu não dou graduação, ficou preso dentro do elevador de um conta de me locomover sem ajuda. O pessoal faz a bloco do campus Santa Mônica durante mais de fila para entrar, para eu passar sobra um espaço uma hora, e que só saiu com a ajuda de amigos. muito curtinho”, queixa-se a aluna, que já se ima“Meus colegas foram ver se a manutenção aparecia, ginou inúmeras vezes caindo dali. quando viu que ninguém ia aparecer, quebraram a Procurada, a Diretoria de Infraestrutura (Dirie) da UFU esclarece que foi licitada recentemente porta na porrada”. Mesmo que seu relato conte uma lembrança an- uma obra de urbanização do entorno do RU que tiga, pouca coisa mudou. Pollyana Prado lembra contará com passeios, rampas e coberturas para que muitas vezes teve que ser carregada no colo atender os usuários. Mas não informou quando a pelos colegas para subir e assistir aula porque o obra deve ser concluída. Sobre a atual situação elevador estava quebrado. “Eu não vou perder aula, do campus Educa, a arquiteta da Dirie, Flávia eu sou aluna tanto quanto qualquer outra pessoa”. Carvalho, afirmou que o mesmo projeto de adePor fim, a aluna lembra da dificuldade que é quação às normas de acessibilidade iniciado no frequentar o Restaurante Universitário (RU) do Santa Mônica, que reformou a via de acesso do campus Santa Monica. O RU provisório não dispõe portão da avenida João Naves de Ávila até o porde rampas de acesso e é rodeado por uma estru- tão da avenida Segismundo Pereira, será desentura alta coberta por terra, o que dificulta bastan- volvido para no Educa e no Umuarama.
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COTIDIANO
Golpe de 2016: curso de extensão debate sobre futuro da democracia no país O curso é uma realização conjunta de professores e estudantes de vários institutos da UFU PAOLA BUIATTI O curso de extensão “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, realizado pelos docentes do Instituto de História, Instituto de Economia e Relações Internacionais, Faculdade de Educação, Faculdade de Direito, Instituto de Ciências Sociais, Instituto de Filosofia, Faculdade de Medicina, Instituto de Biologia, Escola de Educação Básica (ESEBA/UFU), Instituto de Letras e Linguística e, também, técnicos administrativos, estudantes e convidados externos, mobilizou a comunidade da UFU em torno do debate sobre a conjuntura e o futuro político do Brasil entre os meses de abril e julho. Os debates aconteceram aos sábados de manhã e tinham como objetivo refletir sobre o contexto político, jurídico e social brasileiro a partir do impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff, propondo uma análise histórica rigorosa por meio de uma abordagem interdisciplinar. A polêmica em torno do curso surgiu após ameaças de censura feitas pelo ministro da educação, Mendonça Filho, à disciplina sobre o golpe, oferecida pelo professor Luis Felipe Miguel, da Universidade de Brasília (UNB). A partir dessa ameaça, e de interferência na autonomia das universidades, várias faculdades em todo o país começaram a promover iniciativas semelhantes. Segundo Mara Nascimento, uma das coordenadoras do curso, sua realização é um ato de resistência da academia à atual política nacional do governo ilegítimo. Durante o debate sobre a cobertura da mídia sobre o golpe, Mara Nascimento reforçou que os considerados grandes conglomerados da mídia assumiram um discurso hegemônico de apoio ao golpe e que é preciso apresentar um contradiscurso. “A intenção é levar o público a refletir sobre o tema e a conhecer uma realidade que não é divulgada pelas grandes mídias coniventes com o golpe e com a conjuntura nacional, escancaradamente de políticas neoliberais”, afirma. Com média de público variando entre 100 e
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120 pessoas, o curso teve participação ativa e Pará (UFPA), teve início no dia 6 de abril. Na Unirecebe elogios. Rita de Cássia Lima, assistente versidade Federal de Pelotas (UFPel), o curso sede administração e ouvinte do curso, conta que gue com programação até 1º de agosto. A realizou sua inscrição assim que foi divulgado o Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), evento e afirma que os debates após as aulas são aborda o tema “Os golpes de 1954, 1964 e 2016 e enriquecedores. “Eu tinha uma boa expectativa as políticas públicas para a saúde e educação”. As sobre o curso que está sendo superada. As aulas universidades federais de Alfenas (Unifal-MG), da fazem com que a gente amplie nosso conheci- Fronteira Sul (UFFS) e de Santa Catarina (UFSC), mento, abre a nossa cabeça para uma coisa mui- realizaram debates sobre o mesmo tema em abril. to maior do que imaginávamos”, afirma Rita Cruzando fronteiras, o tema chegou à UniLima, que exalta a importância de estar partici- versidade Católica de Louvain, na Bélgica. Em pando deste momento na instituição. Bogotá, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidad de los Andes (Uniandes), o assunto GOLPE PELO MUNDO passou a ser discutido no curso “Vozes de ReUniversidades públicas, demais instituições de sistência no Brasil”. A Universidad Nacional Auensino de todo país e entidades estrangeiras liga- tónoma de México (UNAM) somou-se às demais das ao ensino superior também passaram a mi- universidades que também ofereceu cursos sonistrar cursos, aulas e eventos sobre esse bre o golpe de Estado. momento recente da história brasileira. A ideia do professor de Ciências Políticas da UNB é um estudo de "elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de 2016, com a deposição da presidente”. Em favor da autonomia universitária, o curso soma-se a outras iniciativas semelhantes em andamento em todo o Brasil. Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o minicurso de extensão “O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil”, começou a ser ministrado em abril e teve suas vagas esgotadas. Na Uni- A CONSTRUÇÃO MIDIÁTICA DO GOLPE FOI TEMA DO ENCONTRO DE MAIO QUE REUNIU versidade Federal do PESQUISADORES DO ILEEL E DO INCIS • FOTO: PAOLA BUIATTI
POLÍTICAS
Coletivo atua na promoção de igualdade em Monte Carmelo Bruxas de Salém atende, desde 2017, estudantes da UFU que buscam a garantia de seus direitos dentro da universidade CLARICE BERNARDES lo menos, para conscientizar a galera”, lembra. Após esse episódio, e com o apoio da Divisão de Promoção de Igualdades e Apoio Educacional (Dipae), o Coletivo passou a atuar continuamente no campus. Para saber das necessidades de cada campi, o órgão realiza mensalmente a reunião de Todos os Coletivos, onde os representantes vêm a Uberlândia para propor ações a serem realizadas. Além dessa reunião, são feitas visitas presenciais, pelo menos, quatro vezes por semestre nas sedes dos campi OFICINA DE TURBANTES REALIZADA NA SEMANA CULTURAL EM PARCERIA COM PRETA da UFU. Para o coordenador DAM ACESSÓRIOS • FOTO: NATÁLIA CÂNDIDO E JEFFERSON DIA da Dipae, Klênio Antônio O Coletivo Bruxas de Salém, com sede no Sousa, a causa é legítima e, mesmo com uma equicampus da UFU em Monte Carmelo, atua na luta pe reduzida, uniu forças com os coletivos e teve pela garantia de direitos dos LGBTs, dos negros, apoio institucional para oferecer o auxílio necesdas mulheres e de causas relacionadas à diversi- sário. “Eu comecei a fazer as viagens nos campi dade e à igualdade. O Coletivo atende estudantes fora de Uberlândia e, quando você chega em Monda universidade que sofreram ou sofrem precon- te Carmelo, Patos de Minas e no Pontal, eles se ceito e, para isso, realiza rodas de conversa, reu- queixam de estarem abandonados. A partir daí, eu niões, debates, palestras com convidados e comecei a conversar para ver quais seriam as posexposições. sibilidades de atuação da Dipae, mesmo que miniBruxas de Salém surgiu em agosto de 2017 por mamente pudéssemos atender os campi de fora iniciativa de estudantes que lutavam contra os de sede”, explica Sousa. preconceitos e discriminações sofridas por uniEstudante de Sistemas de Informação e particiversitários. Segundo Natália Cândido, uma das pante de ações do Coletivo, Leiriele Corrêa diz que fundadoras, o início do projeto deu-se após um continua atuante na luta. “Estava no terceiro períoepisódio presenciado por ela e por mais dois ami- do em uma sala onde eu era a única menina e um gos. “Um amigo gay estava beijando outro rapaz e grupo de garotos começou a discutir sobre a preum cara virou um copo de cerveja gelada nele, so- sença de mulheres no curso. Um deles disse que mente porque os dois estavam se beijando. Depois Sistemas de Informação não era para mulher e para desse fato veio uma vontade enorme de fazer algo justificar isso, disse que as mulheres não têm capapara que essas atitudes parassem no campus, ou pe- cidade lógica de raciocínio tão boa quanto a de um
homem, por isso elas deveriam escolher cursos voltados para as humanas”, relembra Corrêa. Além de Leiriele, outras estudantes passaram por episódios de preconceito. Um estudante que prefere não se identificar conta que pelo campus ser de agrárias, com cursos relacionados às ciências da terra, o machismo é muito presente nos alunos e professores. Segundo ele, os casos de preconceito são frequentes e conseguir aguentar julgamentos por sua opção sexual é difícil. “Essas situações ocorrem discretamente, como piadinhas, olhares tortos, risos. Eu estava ficando com um menino e jogaram cerveja na gente enquanto a gente estava se beijando, depois esse cara ainda ficou se gabando por isso”, relata o estudante. Com a criação do Coletivo, que começou com cinco membros e hoje conta com aproximadamente 21, a equipe tem parceria com a Dipae na realização de ações que ocorrem em todos os campi, como o Maio da Diversidade. Para isso, o Coletivo atua nos setores de comunicação, eventos, jurídico, design e financeiro. Para a Dipae, o trabalho encabeçado por esses jovens é de coragem e de estudo: “com os coletivos, eu vejo que muitos professores mudaram o olhar sobre a luta deles. São pessoas que estão querendo lutar pelos direitos”, finaliza Klênio Sousa.
ORIGEM DO NOME O Coletivo Bruxas de Salém recebeu esse nome por remeter à história das bruxas de Salém. Em um povoado de Massachusets, em 1692, cerca de 20 mulheres foram julgadas e queimadas por estarem envolvidas com feitiçaria. Pensando na representação das mulheres nesse período como algo estranho e diferente, o Coletivo tem no nome a representatividade e força femininas. Quer participar do Coletivo? Acesse www.facebook.com/ColetivoBruxasdeSalem/
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ESPECIAL
Crises psicológicas entre universitários aumentam e geram preocupações As principais queixas são sobre transtornos de ansiedade e estresse relacionados à adaptação e acúmulo de tarefas AMANDA MARQUES Nos últimos meses, a discussão a respeito da saúde mental se acirrou na UFU devido ao grande número de estudantes procurando por ajuda psicológica. Segundo a coordenadora da Divisão de Saúde da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Disau/Proae), Fabíola Alves, a situação está alarmante. “Nossos casos têm aumentado. Desde o começo do semestre apenas no campus Santa Mônica nós tivemos mais de 50 alunos procurando a Disau”, afirma. De acordo com a psicóloga da Disau, Daniela Ramos, ansiedade e alterações de humor associadas à necessidade de adaptação e a existência de estresse são os mais frequentes entre os universitários da UFU. “Também há estudantes que apresentam transtornos psicológicos graves que interferem de modo significativo na vida acadêmica, como transtornos psicóticos e depressão grave”, relata. A existência desses problemas é multicausal, sendo que os estudantes podem já chegar com o diagnóstico ou desenvolvê-lo durante o período matriculado na universidade, o que está relacionado a alterações dos mecanismos psicológicos, sociais e biológicos de cada pessoa. “A pressão no ambiente acadêmico por si só não desencadeia o adoeci-
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mento, que pode acontecer dependendo da predisposição genética, do ambiente e do modo como o indivíduo lida consigo mesmo e com o mundo”, completa Daniela Ramos. A falta de suporte familiar, social e a existência de conflitos interpessoais também podem intensificar o sofrimento, caso já exista algum sinal de adoecimento psicológico. Carla Beatriz da Silva, estudante de Teatro na UFU, possui um histórico de problemas emocionais e fazia acompanhamento psicológico e psiquiátrico em sua cidade, Ribeirão Preto. “Fiz tratamento e essas questões estavam aparentemente resolvidas, até eu ingressar na universidade. A pressão exercida sobre o estudante é uma coisa que alimenta a ansiedade, e por isso minha saúde mental voltou a ser afetada”, relata a universitária. Ela conta que não estava fazendo mais uso de medicamento controlado, mas sua psicóloga disse que será necessário retoma-los devido às crises de ansiedade que está novamente vivenciando. Os prazos curtos, grande quantidade de provas e muitos trabalhos para fazer são fatores que colaboram para o desenvolvimento da ansiedade. Isabela Venancio é aluna do terceiro período do curso de Letras na UFU, considerado como um dos
mais árduos do curso. “É uma cobrança muito grande: são várias matérias difíceis, que exigem demais dos alunos e com muitos trabalhos para fazer. Quando você vê que tudo aquilo está acumulando e não tem tempo para fazer o que precisa dentro do prazo, dá um desespero”, relata. A estudante procurou por atendimento na Disau logo no início das aulas, em março, e conseguiu o encaminhamento, porém ainda não foi atendida. “A psicóloga foi muito simpática comigo, mas a lista de espera é muito grande. Enquanto espero pelo atendimento estou tomando remédio para ansiedade”. Carla Beatriz também procurou a Disau em busca de atendimento e foi encaminhada. “Conversei com um dos profissionais que foram sugeridos, mas não tenho condições de pagar as consultas semanais”. Além do acúmulo de atividades acadêmicas para cumprir, muitos alunos lidam também com a mudança de cidade e a repentina independência da vida adulta. A pressão familiar, dificuldades financeiras, a recém-adquirida autonomia e a distância da família são um prato cheio para transtornos psicológicos que trazem problemas para a saúde mental do estudante. Carla Beatriz
tentou conseguir bolsa de assistência estudantil, mas por não cumprir todos os requisitos, sua tentativa foi indeferida. Por isso, a estudante preocupa-se diariamente com a sua situação financeira. “Estou sempre receosa em relação ao dinheiro e vivo fazendo contas para analisar se vou conseguir terminar o mês com aquela quantia”. Essa situação intensifica seu quadro de ansiedade. A mudança do modelo de vida e a competição entre colegas estabelecida na faculdade entra como outro fator que pode ocasionar o desenvolvimento de transtornos psicológicos. Em uma comparação com seu período de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma época de muito estresse e ansiedade, Isabela Venancio afirma que estava tranquila enquanto se preparava para o Enem e esperava pela aprovação, pois a cobrança vinha apenas dela mesma, mas hoje vem também dos professores e colegas, principalmente em trabalhos de grupo. Ambas as estudantes, Isabela e Carla, recebem apoio de suas famílias. Isabela Venancio conversa mais com sua mãe a respeito de sua saúde mental e recebe conselhos. “Ela me fala para trabalhar meu psicológico e ir com mais calma, mas é im-
ESPECIAL
MUDANÇAS DE VIDA, MORAR FORA DE CASA, NOVOS AMIGOS E PRESSÕES NO AMBIENTE ACADÊMICO LEVAM CADA VEZ MAIS UNIVERSITÁRIOS A PROCURAREM AJUDA PSICOLÓGICA • FOTO: AMANDA MARQUES
possível ir com mais calma”, brinca. Carla Beatriz, por sua vez, conta que seu pai lhe dá apoio, mas desde que mudou de cidade prefere não comentar sobre suas crises com ele por motivos financeiros. “Sei que ele se desdobraria para me ajudar, mas também sei que ele já está gastando muito para me manter em Uberlândia”. SINAIS DE ALERTA Algumas mudanças de comportamento e humor podem sinalizar que algo não está certo com a pessoa. “Por exemplo, um colega frequente nas aulas, que apresenta desempenho satisfatório começa a se ausentar das aulas e não consegue cumprir com os prazos pode sinalizar que algo não está bem”, explica a psicóloga Daniela Ramos. Irritabilidade, choro constante e abuso de bebidas alcoólicas e outras drogas também são sinais de que uma pessoa precisa de ajuda psicológica.
No entanto, mesmo notando que algo está errado, muitos alunos optam por não procurar ajuda. “Ir a um psicólogo ou psiquiatra ainda é motivo de vergonha para alguns, talvez por preconceito ou desconhecimento de como estes profissionais podem ajudar a pessoa”, lamenta Daniela. Para ela, essa é uma época em que as pessoas ignoram a importância da saúde mental no bem-estar como um todo e os preconceitos atrapalham ainda mais, associando os sintomas a julgamentos de valor, como preguiça e irresponsabilidade. “Os transtornos psicológicos são doenças que têm tratamento e que precisam de um cuidado especial, pois interferem na saúde e na qualidade de vida das pessoas”, completa. A Disau oferece atendimento de duas maneiras: orientação e acolhimento psicológicos. Na orientação, é feito um encontro que visa direcionar o aluno para acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou
orientação pedagógica, de acordo com as necessidades observadas. O acolhimento acontece durante quatro reuniões, em média, na qual o estudante recebe auxílio na adequação à vida acadêmica e, se necessário, é feito o encaminhamento para profissionais externos, sempre pensando na melhoria da qualidade de vida e na saúde do discente no contexto universitário.
Além de procurar a ajuda de um profissional, manter hábitos saudáveis de vida como cuidar da alimentação, fazer exercícios físicos e atividades que dêem prazer, buscar organizar e administrar melhor o tempo são alguns meios de cuidar da saúde mental. Na UFU, alguns projetos de extensão e independentes são desenvolvidos pelos cursos visando à promoção e prevenção de saúde, abrindo um espaço para conversa e compartilhamento de angústias, experiências e preocupações. Um desses projetos é o “Conhecendo as vivências universitárias”, realizado por graduandos do Instituto de Psicologia da UFU e supervisionado pela professora Marciana Gonçalves Farinha. Por meio de rodas de conversa, os participantes podem se expressar, compartilhar suas apreensões e anseios. Outra iniciativa no sentido de apoio ao estudante foi tomada pela Faculdade de Engenharia Mecânica, que implantou o projeto Motivação. O objetivo é oferecer tutores e atendimento psicológico a alunos com dificuldades nos estudos, em uma tentativa de combater a retenção e evasão nos cursos da universidade. Além disso, meditação, yoga e reiki são práticas guiadas de terapia alternativa, oferecidas na UFU, que podem ser complementares à psicoterapia.
ONDE BUSCAR AJUDA A Disau fica no bloco 3E do campus Santa Mônica, sala 125. O atendimento é feito às quartas-feiras, das 7h30 às 10h30 e das 13h às 16h. São três vagas disponíveis por turno, as quais são distribuídas de acordo com a ordem de chegada. As rodas de conversa da atividade “Conhecendo vivências universitárias” são realizadas em dois horários: 8h às 9h30 (grupo A) e 9h45 às 11:15 (grupo B). Os encontros acontecem todas as quintas-feiras, na Clínica de Psicologia (Avenida Maranhão, esquina com a rua Ceará, bloco 2C, Campus Umuarama). Para realizar a inscrição basta comunicar informações básicas (como nome, telefone, curso atual e preferência de horário) pelo telefone (16) 99751-2279 ou e-mail marciana@ufu.br.
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EXPERIMENTOS
Meditação é alternativa para qualidade de vida de universitários Procura por maneiras de cuidar da mente e da saúde tem aumentado muito na UFU GABRIELA FRANCIS Motivados por uma alta demanda de procura por meios alternativos de cuidados à saúde mental, estudantes e professores da UFU estão realizando projetos visando práticas psicoterápicas. Um deles é a meditação com tambores, que acontece com encontros periódicos durante o semestre nos espaços abertos da Universidade. Essa atividade já é realizada há mais de três anos no Campus Umuarama e desde o início deste ano também no Santa Mônica. Os encontros acontecem mensalmente e tem como objetivo proporcionar um momento de paz e tranquilidade aos participantes, além da melhoria da qualidade de vida e de saúde. A meditação estimula um sono melhor, diminui a tensão e relaxa o corpo. O controle da respiração, uma das práticas centrais nesse processo, é o que regula os impulsos nervosos e faz com que todo o corpo se equilibre. Mais do que gerar uma melhoria significativa no sono, os benefícios podem ir muito além: ajuda a diminuir o stress, os pensamentos dispersivos, a ansieda-
de, o nervosismo, melhora a atenção, a saúde física e ameniza diversos outros sentimentos negativos que podem aparecer, principalmente durante a época de estudos. Meditar é considerado um exercício espiritual e contemplativo e, de acordo com os psicólogos e atualmente mestrandos da UFU, Stella Maris e Thaíke Augusto, existem inúmeras formas de meditação. Isso é um ponto importante porque, muitas vezes, quando se fala em meditação, as pessoas visualizam apenas uma imagem budista estereotipada, do não pensar, enchendo esse conceito de estigmas que, por vezes, não correspondem muito bem à realidade. Segundo Thaíke, a palavra meditação vem da ideia de “cultivar” um estado mental. Stella Maris e Thaíke Augusto explicam que a meditação com tambor é uma técnica, entre várias outras, e é interessante pois oferece uma facilitação do processo de indução meditativo, pois trabalha com um som e uma frequência. A ciência explica que essa sensação ocorre porque a batida
MEDITAÇÃO É MOMENTO DE ENCONTRO CONSIGO E COM O OUTRO • FOTO: GABRIELA FRANCIS
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do tambor altera a frequência do cérebro e induz uma alteração qualitativa de consciência. A meditação com tambores na UFU surgiu como um projeto de extensão, que tem por foco aproximar espiritualidade e psicologia, e trazer ao ambiente acadêmico uma forma de cuidado alternativa, na qual, por meio de debates, reflexões guiadas com auxílio de tambores xamânicos e técnicas de respiração e relaxamento, busca promover práticas terapêuticas, espirituais e políticas no ambiente acadêmico. Essa atividade faz parte do rol de ações da Liga Acadêmica de Psicologia e Espiritualidade (LAPES). “A gente percebeu que faltava acolhimento. Não que esse projeto queira tapar o buraco de um cuidado psicológico, mas é um outro tipo de cuidado, um cuidado possível”, defende Stella Maris. Desde que passou a ser realizado no Santa Mônica, os encontros reúnem uma média de 40 pessoas. A ARTE DOS ENCONTROS No âmbito acadêmico, os alunos acabam por deixar suas próprias questões de lado para cumprir prazos e cronogramas. Deste modo, tais práticas se tornam de extrema importância e podem beneficiar os universitários de diversas maneiras. A meditação melhora as relações das pessoas consigo mesmas e com os outros, por trabalhar temas emocionais importantes, como saúde mental, gestão de ansiedade e stress. “Isso claramente vai gerar melhoras nos estudos, pois ajuda a aprender a ter tempo para si mesmos e para estudar, e ajuda principalmente a resgatar o sentido do que estamos fazendo aqui”, completa Thaíke Augusto. Stella Maris explica que meditar é uma prática possível a todo momento, uma forma de entender o estado da mente. É a arte dos encontros. “Em uma universidade em que a gente se vê tanto, mas não se encontra, a gente não sabe verdadeiramente o que se passa com o outro e acaba deixando de saber o que está se passando conosco”, finaliza.
COTIDIANO
Sinal amarelo para o trânsito da UFU Após ação do Settran, Prefeitura Universitária faz novas adequações na sinalização e pede bom senso aos motoristas PEDRO LOBATO No início de maio, ção dos recursos orprecisamente no dia 7, çamentários para as os motoristas que freobras, nossas vagas quentam os Campi serão suficientes paSanta Mônica e Umuara a atual demanda”, rama da UFU foram conclui a coordenasurpreendidos com a dora de projetos. intervenção da SecreOs representantaria Municipal de tes da Prefeitura Universitária expliTrânsito e Transportes (Settran). A atuação cam que mesmo após as melhorias dos agentes municina infraestrutura do pais de trânsito vem trânsito da instituisendo discutida entre representantes da UFU ção, os motoristas e da Prefeitura Muniprecisam reavaliar o cipal de Uberlândia seu comportamento (PMU) desde janeiro ao volante, dentro e APESAR DO ALERTA, AGENTES DE TRÂNSITO TÊM NOTIFICADO MOTORISTAS QUE CONTINUAM ESTACIONANDO EM LOCAIS deste ano. fora dos muros acaIRREGULARES DENTRO DA UFU • FOTO: PEDRO LOBATO E MARCELO MARQUES De acordo com Fládêmicos. vio Martins de Freitas, Uma saída para responsável pela Diretoria de Logística da Prefei- pus Santa Mônica, onde estão presentes as prin- evitar os transtornos de encontrar vagas de estura Universitária (PREFE/UFU), esse serviço de cipais unidades administrativas e a maioria das tacionamento, diminuindo também as probabilifiscalização atende a uma recomendação feita unidades acadêmicas. Nele, o estacionamento ir- dades de infrações de trânsito, é a utilização do pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2016, regular - como estacionar em lugares proibidos e transporte público, ônibus intercampi ou bicique previa a aplicação de multas e apreensões de em vagas destinadas aos idosos e à pessoas com cletas para o deslocamento até os campi. Orgaveículos dentro da UFU, nas situações de irregu- deficiência física - é a infração mais cometida nizar um esquema de carona solidária ou até laridade. pelos motoristas. mesmo dividir os custos de uma corrida nos O diretor explica que, naquela época, a Settran Gláucia Trindade Pereira, coordenadora da aplicativos de transporte privado, também são apenas indicou algumas adequações de sinaliza- Divisão de Projetos da Diretoria de Infraestrutu- atitudes viáveis para otimizar o fluxo de veículos ção nos campi, como placas e pinturas. De acor- ra da PREFE/UFU, explica que, desde 2016, hou- na universidade. do com Freitas, diante da burocracia demandada, ve mudanças na gestão da Settran e, ambas instituições decidiram abandonar a ideia consequentemente, dos responsáveis por assesde se fazer um convênio para “regulamentar” a sorar a universidade, o que gerou atrasos nas TRÂNSITO UFU EM NÚMEROS atuação da Settran na universidade. “Ela tem li- readequações de sinalização. Entretanto, GláuO Campus Santa Mônica possui 2.003 vaberdade para entrar na UFU a hora que quiser. cia Pereira afirma que todas as melhorias já esAqui é um espaço público”, alega. tão em atividade e cumprirão as resoluções gas de estacionamento, sendo 1.783 delas Ainda segundo o diretor de Logística, o MPF já vigentes do Conselho Nacional de Trânsito (Copara carros (com 81 vagas reservadas aos tinha determinado a atuação dos agentes de natran). idosos e 43 aos deficientes físicos) e 220 trânsito na UFU em novembro de 2017. Freitas Em relação ao quantitativo de vagas, a coordepara motocicletas. Já no Campus Umuagarante que não houve qualquer incidente nos nadora informa que a UFU responde a uma ação rama são disponibilizadas 837 vagas (39 campi que motivasse esse pedido. Mesmo assim, do MPF sobre a regularização dos índices urbanísexclusivas para idosos e 23 para deficienem fevereiro deste ano, o Ministério Público emi- ticos da universidade, em que o número de vagas tes físicos), divididas entre carros e motos. tiu um ofício à secretaria de trânsito, solicitando de estacionamento é um dos pontos abordados. A Neste campus, os motoristas também ponovamente a fiscalização na universidade. ação contempla um projeto de Lei que se encontra dem estacionar no terreno ao lado da DeSegundo dados da PREFE/UFU, diariamente em tramitação para votação na Câmara Municipal. legacia Regional de Polícia Civil. circulam cerca de 7.200 veículos apenas no Cam- “Com a aprovação dessa diretriz especial e libera-
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EXPERIMENTOS
Enactus atende comunidades carentes em Uberlândia Projetos realizados por voluntários atuam no empoderamento e empreendedorismo social CLARICE BERNARDES A Enactus, organização sem fins lucrativos, atua em 36 países e está presente na Universidade Federal de Uberlândia desde 2015. Com o propósito de desenvolver projetos que atendam comunidades carentes no âmbito social, econômico e ambiental, o time, como é chamado o grupo de voluntários participantes da Enactus, desenvolvem projetos específicos para cada comunidade visitada, objetivando o empoderamento dos moradores. No Brasil, está presente em mais de 110 universidades públicas e privadas, ajudando 10.500 pessoas. Em Uberlândia, desenvolve quatro projetos: o Trilhas para a Autonomia, atendendo de forma social e empreendedora, a jovens que moram em abrigos. A ação ocorre por meio de consultas com psicólogos que mostram aos jovens quais seus interesses, incentivando a inserção deles em escolas, universidades e no mercado de trabalho. O projeto Nidus capacita imigrantes haitianos que estão em Uberlândia. São oferecidas aulas de Língua Portuguesa e sobre a cultura brasileira. Além desses projetos, desenvolvem o Farinha Minha e o Bread & Bug. Em 2017, o projeto Farinha Minha, realizado no assentamento Rio das Pedras, reativou a indústria de produção de farinha de mandioca e qualificou os moradores para que, posteriormente, após o fim da ação da Enactus nessa comunidade, pudessem dar sequência ao trabalho na fábrica. A Enactus atua no assentamento há três anos e já têm resultados positivos para a comunidade do Rio das Pedras. “Eles foram muito importantes para nós aqui, batalharam e conseguiram comprar o forno que a gente tanto precisava. O trabalho que eles desenvolvem foi muito lucrativo para gente. Vejo verdade no que eles falam”, afirma Maria Jesuína da Silva Costa, moradora do assentamento e trabalhadora da fábrica. Fundada na UFU por um grupo de alunos do curso de Economia, a Enactus conta com trabalho voluntário e apoio de algumas ONGs e startups. Ainda sem sede fixa dentro da universidade, buscam alternativas para se reunirem. “Usamos
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ambientes vagos e salas no campus Santa Mônica para fazermos o acompanhamento semanal dos projetos e planejar novas ações. Sem apoio financeiro da universidade, estamos dialogando com a Pró-reitoria de Extensão e Cultura em busca de reconhecimento, de uma sede fixa e de apoio para a divulgação dos eventos com renda destinada aos projetos”, explica a presidente da Enactus UFU, Helen Cecilia Ferreira da Silva. ATUAÇÃO De acordo com a diretora de projetos, EM PARCERIA COM STARTUP, ENACTUS INCENTIVA PRODUÇÃO DE INSETOS PARA Beatriz da Silva, são FABRICAÇÃO DE RAÇÃO ANIMAL • FOTO: ACERVO ENACTUS analisadas as pendências de cada comunidade atendida e poste- como foi a ação da Enactus na fazenda. “Às vezes, riormente elaboradas ações que atendam ao você tem a terra e não consegue um financiaque cada uma precisa. “Os projetos não chegam mento do Governo e eles vieram para fazer a até a gente. Primeiro, nós ouvimos as necessi- gente se levantar com o mínimo que a gente tidades e, a partir disso, montamos o projeto. A nha e, a partir daí, se desenvolver e ter conhecigente não chega na comunidade com algo mento para trabalhar”, diz Santos. pronto para ser implantado, ouvimos o que eles Os voluntários que participam das ações dequerem fazer, trabalhando juntos e sempre vi- senvolvidas pelo time atuam em diferentes áresitando, tecemos um projeto específico para as, mas dentro de uma diretoria que é solucionar o problema daquela comunidade”, responsável por cada setor. Beatriz, mesmo senconta Beatriz. do responsável pelos projetos, ministra aulas O projeto mais recente desenvolvido pela para os haitianos que vivem na cidade. “Ajudar, Enactus é o Bread & Bug que consiste na criação, fazer a diferença na vida das pessoas e só deinserção e processamento de insetos que são pender de duas a três horas do seu dia para em(re)introduzidos em algumas comunidades rurais. poderá-las, dar formas de obtenção de renda Presente no assentamento Tangará há dois anos onde o Estado não chega, serviu para eu aprene trabalhando na criação de insetos e no cultivo der a lidar com as pessoas e aprender a ouvir de hortas, Márcia Cristina Pereira Santos relata mais”, conclui.
CULTURA
E aí, pode ter festa ou não? Entenda as exigências vigentes na universidade para a organização de festas nos campi PEDRO LOBATO Há alguns anos, os moradores vizinhos à UFU, especialmente do Campus Santa Monica, fizeram reclamações às polícias municipais, queixando-se do barulho causado pelas festas na universidade. Também havia reclamações contra atos considerados de vandalismo e a comercialização de bebidas alcóolicas para menores de idade. Por conta disso, em 2012, o Ministério Público Federal (MPF) moveu uma ação civil pública contra a universidade, exigindo o controle das atividades culturais e festivas nos campi. Com o ajuizamento da ação em meados de 2014, o MPF estabeleceu uma lista de regras para a realização desses eventos. Entre os itens obrigatórios estão: fiscalização da entrada do público no campus; identificação para o consumo de bebidas alcóolicas; controle da emissão sonora; autorização e presença do Corpo de Bombeiros, contratação de profissio-
nais da área de saúde e equipe de segurança. Após o evento, os realizadores precisam escrever um relatório com os acontecimentos relevantes e enviá-lo ao MPF, num prazo de 20 dias. Cada item da lista violado acarreta em uma multa de R$ 5 mil. João Gurgel e Silva, atual coordenador de Cultura e Eventos do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFU caracteriza a lista como abusiva. “Alguns pontos dela desrespeitam diretrizes superiores internas e externas à universidade. Vários itens obrigatórios dessa lista contrariam a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o Estatuto da UFU”, alega o coordenador. Além disso, ele explica que quando o DCE contata as prestadoras de serviço para cumprir as exigências da autorização temporária, as próprias esclarecem que em tais eventos com público reduzido a presença delas não é necessária.
FESTA CLÁSSICA NO CAMPUS SANTA MÔNICA, O HH NO CC VOLTOU A SER REALIZADO NOS ÚLTIMOS MESES. PARA DCE, MANTER OS EVENTOS CULTURAIS É UM ATO DE RESISTÊNCIA • FOTO: PEDRO LOBATO
Os pontos estipulados pelo MPF prejudicam até mesmo os eventos organizados pela universidade. A Calourada UFU é um desses exemplos. De acordo com Habnner Rodrigues Amaro, coordenador da Divisão de Espaços Físicos da Diretoria de Logística da Prefeitura Universitária (PREFE/UFU), o prazo que é dado para reunir a documentação é curto. Rodrigues explica que até conseguir todos os documentos necessários e obter o alvará da Prefeitura Municipal leva-se muito tempo. “Às vezes, só conseguimos esses papéis faltando poucos dias para a data prevista do evento. A divulgação fica prejudicada, mínima, e por isso uma parte dos alunos sequer fica sabendo que os eventos acontecem”. Os alunos também precisam de momentos de descontração no ambiente acadêmico. A PREFE/UFU explica que enxergou essa necessidade dos discentes e que os eventos de pequeno porte (com capacidade para até 120 pessoas) estão seguindo as orientações do Conselho Diretor. Segundo Habnner Rodrigues, para as festas com público superior a 120 pessoas, os organizadores devem seguir as resoluções do MPF. Há uma gama de normas específicas em torno do sistema de ensino superior público no Brasil e qualquer proibição dentro de uma universidade é complexa. Para além das burocracias documentais, o representante do DCE acredita que existem barreiras ideológicas arcaicas que devem ser combatidas. “Vivemos numa conjuntura de retrocesso de direitos de públicos específicos. É essencial para uma instituição de ensino federal que se diz estar a serviço do Brasil e que recebe investimentos do cofre nacional não seja contra a juventude do seu país”, critica João Silva. O representante da PREFE/UFU finaliza dizendo que não existe uma proibição, mas uma regulamentação das atividades culturais nos campi e garante que a universidade está aberta ao diálogo com os discentes. Para João Silva, a melhor saída, porém, é uma resistência responsável: “mesmo com os empecilhos injustos, os estudantes devem respeitar alguns limites, entrar num enfrentamento com sustentações legais, mas sem abrir mão dos eventos”, finaliza.
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DIVERSIDADE
Animais na UFU recebem cuidados de voluntários Cerca de 49 animais vivem nas dependências da universidade e recebem cuidados de alunos e funcionários da instituição AMANDA MARQUES Anna Maria Bonetti, professora do Instituto de Biotecnologia, conta que foi convidada pela Prefeitura Universitária da UFU para uma reunião, em fevereiro de 2018, que visava discutir um projeto maior contra abandono e maus tratos a animais dentro da universidade. Juntamente com as professoras Denise Santana, da Agronomia, e Milla Baffi, Engenharia Ambiental, Anna Bonetti realiza ações de cuidados com os cães do campus Umuarama há cerca de 10 anos. Atualmente, elas atendem a cinco animais, que recebem o tratamento completo. Os BEBEDOURO COMUNITÁRIO INSTALADO NO BLOCO 1J DO SANTA MONICA • FOTO: cães são alimentados diariaAMANDA MARQUES mente, castrados, vacinados, vermifugados, possuem Abandonar ou praticar maus tratos a animais é caminhas próprias com cobertores e até recebem crime, de acordo com a lei federal nº 9.605 coleiras com seus nomes e telefone de contato (12/02/1998). Ainda assim, milhares de animais com as professoras. são abandonados e vivem em condições precárias Os animais que vivem em outros campi da unino Brasil. Na UFU, segundo a Prefeitura Universi- versidade são alimentados por estudantes e funtária, são cerca de 49 cães e muitos gatos vivendo cionários, contrariando recomendação da nas dependências da universidade. Por conta Prefeitura escrita em cartazes espalhados pelas dessa situação, a instituição iniciou em janeiro dependências da universidade. De acordo com o uma campanha de conscientização através de alerta, alimentar animais sem lar estimula o placas nas entradas dos campi, panfletos educa- abandono, pois as pessoas se isentam de culpa tivos e monitoração através de câmeras, que por saberem que tem quem os alimente. também são para segurança em geral. As ações Anna Bonetti discorda da recomendação dos foram tomadas após recomendações do Ministé- cartazes. “Você não pode não alimentar. Vai deirio Público Federal e Ministério Público Estadual. xar o animal com fome? Isso que é mau trato”, diz As placas colocadas nas entradas dos campi enfaticamente. Ela compra ração para os animais informam que, determinado pela lei, abandono de e leva em vasilhas próprias todo dia e nesse inanimais é crime. Ela também determina que pra- verno os cães ganharam também cobertores noticar atos de abuso, ferir ou mutilar animais sil- vos. A ação é independente e voluntária e as vestres, domésticos, domesticados, nativos ou despesas são divididas entre as três professoras, exóticos é crime. A pena varia de três meses a um que se revezam na tarefa de cuidar dos cinco ano, com multa, que é aumentada de um sexto a animais. “Estamos com uma despesa grande, mas um terço se ocorre morte do animal. não importa, o que nos importa é o bem estar
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deles”, relata Anna Bonetti. Em maio, foi colocado um bebedouro comunitário para animais no bloco 1J, no campus Santa Mônica com uma plaquinha alegando ter recebido apoio da Prefeitura Universitária. No entanto, no setor, os funcionários não sabem de quem foi a atitude, pois foi totalmente anônima. Funcionários e alunos alimentam e oferecem carinhos aos cães e gatos, mas não há nenhum projeto concreto de cuidado aos animais. ADOÇÕES COMUNITÁRIAS Para Anna Bonetti, placas e panfletos educativos não possuem efeito significativo para conter ou eliminar o abandono e maus tratos de animais. Ela sugere que sejam feitas adoções comunitárias, na qual pessoas que moram em determinada área cuidem dos animais da vizinhança, sem necessariamente levá-los para dentro de casa, mas alimentando e garantindo sua saúde. Ela também sugere a criação de um programa de castração gratuito pela UFU, o que diminuiria a reprodução entre cães abandonados na rua. “Ninguém precisa gostar, alimentar ou fazer carinho nos cães. Só quero que respeitem e deixem os bichinhos em paz”, conclui a professora, referindo-se aos animais que vivem dentro da universidade.
ABANDONO E MAUS TRATOS DE ANIMAIS É CRIME; AINDA ASSIM MUITOS SÃO ENCONTRADOS VIVENDO NA UFU • FOTO: AMANDA MARQUES