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Senso Incomum 039 - abril/maio 2108

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senso

comum

Jornal-laboratório do Curso de Jornalismo UFU ano 8 • 39ª edição abril /maio de 2018 distribuição gratuita

Novos olhares para a questão de gênero

página 6

cotidiano

experimentos

esportes

Divulgação da ciência ainda é desafio para pesquisadores

Agência garante proteção e patentes às tecnologias criadas na UFU página 9

Paratletas relatam os desafios diários para estudar e competir página 10

página 3


DA REDAÇÃO EDITORIAL//

O padrão nem sempre é certo

Menino brinca de carrinho e menina brinca de boneca. Menino gosta de azul e menina de rosa. Quem não ouviu isso de seus pais ou de familiares quando era criança? Ter que gostar do que a maioria das meninas gosta. Fazer o que os meninos fazem. Ser igual ao outro parece o certo a se fazer. Mas chega uma hora que isso não te representa mais. Desde que nascemos somos colocados em padrões que nos dizem como sentar, se portar e se vestir. Chega um momento que você não se identifica com o que as pessoas impõem para você e com o que vêm de você. É hora de se conhecer e de se aceitar como você é. A opção sexual e a mudança de gênero são de-

correntes de uma longa caminhada de conhecimento interno e de aceitação. Se conhecer e mostrar ao outro quem você é faz parte do pacote de mudanças que ocorrem fisicamente e psicologicamente durante o processo transespecífico. Infelizmente, nem sempre as lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis são compreendidos pela sociedade. Muitas vezes, não há aceitação dessas mudanças pela comunidade e nem pelas famílias. Em decorrência disso, o Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo. Segundo o Grupo Gay da Bahia, associação mais antiga de defesa dos direitos humanos dos homossexuais, em 2017, foram 445 mortes registradas, sendo que 194 eram gays, 191 trans, 43

lésbicas, 5 bissexuais e 12 heterossexuais por serem parentes ou conhecidos de LGBTs. O estado com mais crimes contra a população LGBT foi São Paulo, seguido de Minas Gerais e Bahia. As dificuldades enfrentadas por essa população são recorrentes, mas, em contrapartida, temse uma população que resiste e luta para mostrar à sociedade quem eles são, o que querem e ter os seus direitos garantidos. A fase da descoberta, da aceitação e do tratamento médico para mudança de sexo é difícil, tem preconceito, não aceitação e sofrimento. Isso é o que as pessoas de fora veem e dizem. Mas para quem enfrenta essa caminhada e faz a sua escolha, a opção e a representação sexual são libertadoras.

OPINIÃO//

Admirável geração saúde ISABELA SILVEIRA Tempos atrás fui ao médico pra fazer um check-up. Antes que eu pudesse atravessar por completo a porta do consultório o doutor já me olhou torto. Começamos a conversar, mas nada do que eu respondia bastava. Ele queria tirar da minha boca que o meu problema era estar acima do peso, antes mesmo de me examinar ou analisar qualquer exame meu. Ao sair de lá eu desabei a chorar e na minha cabeça eu ofendi aquele médico com todos os palavrões existentes na língua portuguesa. Ora, se tem uma coisa que eu não preciso é de alguém apontando para a minha aparência, pra isso eu tenho espelho em casa. Passado o nervosismo, pensei melhor e precisei me desculpar mentalmente com aquele médico. Ele não fez por mal. A culpa é da

“geração saúde” que está sempre pronta para jogar a carta saúde pra forçar alguém a emagrecer. Contudo, será que realmente sabem o que é ter saúde? A verdade é que estamos cercados o tempo todo de dicas sobre corpos saudáveis, comidas saudáveis, exercícios saudáveis e, no entanto, muito pouco sabemos sobre o que é ter saúde de fato. Sucos detox, chás emagrecedores, dietas milagrosas. Doce? Veneno. Carboidrato? Um crime. É, realmente uma barra de cereal e algumas cápsulas de vitamina parecem bem mais saudáveis que um pão de queijo de vó feito na hora. Não é glorificar a obesidade, muito menos demonizar quem escolhe seguir uma vida regrada. Nem mesmo dar razão aos que dizem que uma vida correta é composta de dieta e

exercício todos os dias. Tudo perpassa o equilíbrio. É aquele famoso clichê: tudo o que é demais faz mal. Se ter um estilo de vida sem regras faz mal, porque uma vida totalmente regrada não faria? Deixar de aproveitar os jantares de aniversário porque está de dieta? Bota a mão na consciência amigo, você está agindo igual aquele velhinho que passou a vida inteira economizando dinheiro e vai morrer sem ter gasto um tostão. E não se engane, a única certeza que temos nessa vida é de que um dia vamos morrer. Tenho uma amiga, Júlia, que costuma dizer que a vida é uma balança. “Usa uma droga, come uma salada. Bebe um litrão, faz um exercício”. E assim ela segue vivendo, sempre se recompensando sem deixar de ser feliz. Seja uma Júlia.

JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU) Reitor Valder Steffen Jr - Diretora Pro Tempore Sônia Maria dos Santos - Coordenador do Curso de Jornalismo Marcelo Marques - Coordenadora do Projeto Senso (in)comum jornal laboratório como espaço de aprendizado e prática profissional no Curso de Jornalismo UFU - 2017-2018 Ivanise Andrade - Jornalista responsável Ivanise Andrade (DRT/MS 0097) Revisão Ivanise Andrade - Editora-Chefe Clarice Bernardes - Repórteres Amanda Marques, Anatália Amorim, Bianca Mundim Felix, Clarice Bernardes, Gabriel Caixeta, Gabriela Francis, Gustavo Ribeiro, Paola Buiatti, Pedro Lobato, Talita Faria - Diagramação Danielle Buiatti sensoincomumufu@gmail.com www.sensoincomum.net

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Tiragem 2000 exemplares

Impressão Imprensa Universitária - Gráfica UFU


COTIDIANO

Pesquisadores e jornalistas se reúnem para debater divulgação científica dentro e fora da UFU I Comunica Ciência abre caminho para reflexão sobre como comunicar pesquisas CLARICE BERNARDES Com a temática “Caminhos para a divulgação e jornalismo científico”, a primeira edição do Comunica Ciência aproximou, nos dias 24 e 25 de abril, pesquisadores e jornalistas para debater estratégias de divulgação da ciência e tecnologia à população. O evento foi organizado pela Diretoria de Comunicação Social (Dirco) e teve apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O presidente da Fapemig, Evaldo Ferreira Vilela, falou durante palestra ministrada no evento sobre a importância de se informar à sociedade o que está sendo realizado no campo da pesquisa no

país. “A gente precisa se relacionar melhor com a pré lançamento do evento, realizado no dia 24, sociedade, convencê-la de que nós somos rele- contou com a exposição de trabalhos e pesquivantes pela pesquisa, pela formação de talentos e sas que ainda estão em desenvolvimento por estudantes da que nós merecemos reUFU. Nele, 26 ceber a verba que é “Qual tipo de jornalismo trabalhos foram destinada à pesquisa”, aceitos nas áreas defende. científico nós queremos? Uma da saúde, do De acordo com Vilela, o conhecimento da direito, da encomunicação científica autista, pesquisa impacta a genharia, de economia, a geração de línguas, educaunidirecional, que só conversa trabalho, a produção de ção e artes e, renda no país. “Então também, de tranós precisamos conheconsigo mesmo ou um jornalismo balhos de técnicer isso, já que cos e docentes fazemos ciênque fala com a sociedade?” da UFU. cia no Brasil Jhonatan Dias com dinheiro (Simone Bortoliero) Gonzaga, estupúblico, então dante de jortemos que dar nalismo e parsatisfação ao público. Isso é difícil, mas é ticipante das apresentações ressalta a importânpreciso, senão nós vamos perder a rele- cia da relação entre pesquisador e comunicador. vância”, concluiu Vilela. “A divulgação científica por muito tempo foi neComunicadores e pesquisadores, den- gligenciada, e muitas vezes, isso está relacionado tre eles Simone Terezinha Bortoliero, da à cultura universitária com cientistas que, muitas Universidade Federal da Bahia, Silvania vezes, não querem informar sobre suas pesquiSousa do Nascimento, da Universidade sas. Mas, tem o outro lado, jornalistas que não Federal de Minas Gerais, Dennis Barbosa, estão preparados para lidar com assuntos espeeditor do portal de notícias G1, e Alexan- cíficos que exigem preparo. É um processo de dre Cardoso, pesquisador da Faculdade mão dupla, com cientistas colaborando para que de Engenharia Elétrica da UFU, debate- suas pesquisas sejam divulgadas e jornalistas no ram a importância da universidade con- processo de transmitir essas pesquisas para a soseguir comunicar sobre suas pesquisas. ciedade”, declara Jhonatan Dias. “Qual tipo de jornalismo científico nós Com o intuito de unir comunicação e divulgaqueremos? Uma comunicação científica ção, o evento abriu espaço para o diálogo sobre autista, unidirecional, que só conversa os eixos temáticos entre comunicação pública, consigo mesmo ou um jornalismo que fa- educação e ciência. Como estudante, Maria Luiza la com a sociedade?”, questionou Simone do Nascimento veio de outra faculdade para parBortoliero. ticipar das palestras e conta o que espera de A divulgação científica e o conheci- eventos como o Comunica Ciência. “Em Uberlânmento de eventos como o Comunica dia, ações como essas devem acontecer mais Ciência são responsáveis por fomentar constantemente, pois dão valor ao trabalho cienMESA DE ABERTURA DO I COMUNICA CIÊNCIA COMPOSTA POR a pesquisa e a divulgação dentro e fora tífico e jornalístico, abrindo o leque para novas MEMBROS DA DIRCO, PROPP E FAPEMIG • FOTO: CLARICE BERNARDES. da universidade. Nessa perspectiva, o formas de trabalho”, conclui Maria Luiza.

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COTIDIANO

Pibid x Residência Pedagógica Ministério da Educação redesenha projeto e lança novo programa para estágios em licenciatura

BIANCA MUNDIM FELIX E CLARICE BERNARDES Pibid. Como resultado do movimento contrário à substituição do Pibid pelo Programa de Residência Pedagógica, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) optou por manter o programa e dividir as vagas destinadas somente a ele em três eixos: a Residência Pedagógica, a Educação a Distância (EAD) e ao Pibid. Com essa ação, desde Fevereiro as bolsas referentes ao Pibid foram suspensas e os alunos descadastrados. Em reunião realiCAMILA COIMBRA EXPLICA QUE APÓS ANÁLISE DO NOVO EDITAL, PEDAGOGIA DECIDIU NÃO zada por professores PARTICIPAR DO PROGRAMA • FOTO: CLARICE BERNARDES do curso de Pedagogia presencial e à O Ministério da Educação (MEC) apresentou distância da UFU no dia 09 de abril de 2018, a noem outubro do ano passado uma nova proposta va proposta foi analisada e os membros dessa copara o aperfeiçoamento do estágio obrigatório missão decidiram que o curso de Pedagogia não supervisionado para alunos de cursos de licenci- participaria desse novo edital. Camila Coimbra, atura. O Programa Residência Pedagógica subs- professora de Pedagogia e membro da comissão, titui o Programa Institucional de Bolsa de conta que esperaram por uma avaliação do Pibid Iniciação à Docência (Pibid), existente desde que foi feita com base em parâmetros não ditos 2009. A nova proposta visa fomentar o estágio e aos profesores. “A forma como eles fizeram nada incluir a regência de salas de aula na rotina de mais é do que uma precarização daquilo que já estudantes desses cursos nos campi de Uberlân- existiu. A gente não nega a necessidade do Pibid dia e Ituiutaba. ser avaliado, mas foi feito um diagnóstico frente a Em 28 de Fevereiro de 2018, os responsáveis dados que não sabemos quais são e dito que era pelo Pibid foram informados da extinção do pro- preciso alterar o Pibid. Ele é alterado, a nosso ver, grama. O Fórum Nacional do Pibid, juntamente de forma a piorá-lo, pois a gente entende que com o fórum de pró-reitores de graduação e fó- têm coisas que precisavam ser revistas, mas não rum de reitores se uniram para fazer um movi- nesses termos e não na forma como foi feito’’, armento contrário ao novo programa de Residência gumenta Coimbra. Pedagógica, que tinha o objetivo de extinguir o De acordo com a Capes, a reformulação do Pi-

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bid e a inserção da Residência Pedagógica ocorreram em dois pontos: o Pibid atua na promoção de bolsas para licenciados desenvolverem projetos nas escolas de educação básica, com orientação de um docente e a realização de projetos para as classes trabalhadas e na Residência Pedagógica em que graduandos assumem a sala de aula como lecionadores sob a orientação de um professor. Segundo o coordenador de gestão do Pibid na UFU, Vlademir Marim, os motivos que levaram à remodelação do Pibid e à criação da Residência Pedagógica foram estratégias de troca de governo: “foi uma decisão política, já que esse governo não tinha a cara do Pibid porque ele veio de outro governo e por isso a Residência Pedagógica saiu para esse novo mandato’’, declara Marim. Com novos arranjos nos programas, os alunos do Pibid são prejudicados, pois as bolsas somente voltarão a ser pagas com a finalização do cadastro das escolas e universidades no Programa Residência Pedagógica que acontecerá em Agosto. Luiza Teixeira, estudante de Geografia, fala do prejuízo dessa ação na vida dos estudantes. “Muitos pibidianos, assim como eu, contavam com essa bolsa para se sustentar [...] e com o fim do programa, além de perdermos a ajuda financeira, perdemos também chances de continuar aprendendo a lidar, de adquirir a experiência na educação básica e no ensino-aprendizagem que pretendíamos quando ingressamos no programa”, relata Teixeira. Com a implantação da Residência Pedagógica, a coordenação do antigo Pibid enfrenta alguns problemas pedagógicos durante os trâmites dos programas. De acordo com a coordenadora do Pibid, Renata Carmo de Oliveira, a atenção neste momento é voltada à formação discente. “O nosso cuidado é para manter um eixo de formação de nossos estudantes licenciandos para que essas atividades não entrem em conflito com o estágio obrigatório e nem na possibilidade dos alunos suprirem as necessidades docentes das escolas”, conclui Oliveira.


COTIDIANO

Após reclamações, moradia estudantil da UFU de Uberlândia passa por reformas Deterioração de móveis, rachaduras e infiltrações foram algumas das queixas apresentadas pelos moradores do prédio GABRIEL CAIXETA E LUIZ GUSTAVO RIBEIRO na expectativa de que os prédios A estudante de Engenharia Ambiental, Larissa sejam reformados. Rezende que reside na moradia desde o primeiro O estudante de geografia e re- ano do prédio, expõe que não se sente represensidente da moradia desde 2015, tada pela atual gestão e que não enxerga a comuAlessandro Moreira relata que nicação efetiva para a solução de possíveis mesmo nos apartamentos habi- problemas que possam ocorrer no futuro. A aluna tados, há a negligência por parte relata que não há a resposta, por parte da gestão, da gestão responsável pela mo- dos e-mails mandados pelos alunos e, mesmo radia na manutenção dos locais, quando o reitor diz estar em visita no prédio, não o que pode gerar realojamento é possível encontrá-lo. emergencial dos moradores – A respeito da falta de comunicação e reduobrigando-os a encarar uma rea- ção das visitas, Helder da Silveira, da Proae, daptação com novos colegas. disse que os moradores também possuem corSegundo Moreira, grande parte responsabilidade na atuação sobre a moradia. A MORADIA ESTUDANTIL É UM PROGRAMA QUE VISA À ASSISTÊNCIA DE dos problemas relacionados à fal- “A gente precisa entender que o gestor da mota de manutenção das estruturas radia não é responsável por uma creche e os ESTUDANTES QUE ESTÃO EM CONDIÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIOECONÔMICA • FOTO: GABRIEL CAIXETA do prédio poderia ser resolvida moradores são adultos, estudantes, que precicom o diálogo mais próximo entre sam ser protagonistas das decisões a serem toDesde o ano passado, os estudantes que pos- os moradores e a gestão da moradia, composta madas”, dispara. suem vaga na moradia estudantil da UFU relatam por diretores da Pró-Reitoria de Assistência EstuCom previsão de entrega das obras para junho que enfrentam diversos problemas estruturais dantil (Proae). Uma das questões levantadas pelos de 2018 e com estimativa de gastos de R$ 330 mil nos apartamentos, como rachaduras nas paredes, estudantes é a falta de transparência da institui- para as reformas, o diretor de Inclusão, Promodanos na parte elétrica, deterioração por falta de ção com os integrantes da moradia. ção e Assistência Estudantil da Proae, Noriel manutenção dos bens internos e infiltrações. O De acordo com o DCE, os estudantes da mora- Viana Pereira informou ao Senso Incomum por local comporta 152 pessoas distribuídas em dois dia também foram prejudicados com a redução e-mail que a “a moradia estudantil está passando blocos com 26 apartamentos mobiliados, sendo do número de visitas periódicas do gestor na por reformas para adequação das necessidades dois para pessoas com deficiência física. À dis- unidade, que passaram de diariamente para se- verificadas”, sem mencionar mais informações posição dos discentes havia duas salas de estudos manalmente, mas que nem sempre acontecem sobre data de entrega e solução dos problemas e uma sala para entretenimento. Os espaços pas- assim, tendo registros de demora de até duas se- apresentados pelos moradores do prédio. saram por uma reforma recente e agora há uma manas para acontecer. O distanciúnica sala de estudos, dividida em dois ambien- amento dos diretores responsáveis tes, e uma sala para coordenação da moradia. pela moradia reflete-se em quesA obra, que custou à UFU R$ 9,5 milhões, tem tões mais profundas, como explica cinco apartamentos interditados por danos na Moreira, citando a necessidade de estrutura, sendo dois desde a inauguração do acompanhamento individual dos prédio, há mais de cinco anos, e outros três des- moradores, já que há registro de de o primeiro semestre de 2016. Os cinco espa- tentativa de suicídio e outros proços juntos atenderiam 30 alunos. As denúncias blemas relacionados à condição sobre as condições da moradia estudantil foram psicológica. “Onde tem pessoas feitas pelo Diretório Central dos Estudantes com culturas diferentes, caso não (DCE), durante Conselho de Centros e Diretórios houver o tratamento adequado, Acadêmicos (Condas) realizado em outubro do pode gerar um grande problema”, UM DOS APARTAMENTOS ESTÁ INTERDITADO DESDE A INAUGURAÇÃO POR ano passado. De lá para cá, os moradores vivem completa. FALHAS NO SISTEMA ELÉTRICO • FOTO: GABRIEL CAIXETA

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ESPECIAL

Saúde integral para travestis e transsexuais Projeto de extensão da UFU deu origem a centro de referência no tratamento transespecífico em Uberlândia CLARICE BERNARDES

O AMBULATÓRIO DE SAÚDE INTEGRAL PARA TRAVESTIS E TRANSSEXUAIS ATENDE ÀS SEXTAS-FEIRAS À TARDE • FOTO: CLARICE BERNARDES

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O Hospital de Clínicas da UFU é referência no atendimento público para a cidade e região. Pertencente ao hospital, o ambulatório Amélio Marques foi sede do projeto “Em cima do salto: saúde, educação e cidadania”. Iniciado como projeto de extensão em 2006, a ação deu origem ao atual ambulatório de saúde integral para travestis e transsexuais em Uberlândia. O ambulatório atende como um serviço credenciado pelo Ministério da Saúde desde 2016. É o primeiro do Brasil a se constituir como referência para travestis e transsexuais e tem uma equipe composta por ginecologista, endocrionologista, psicólogo, enfermeiro, assistente social, antropólogo, advogado, serviço social e psiquiatra. Enzo Henrique, de 22 anos, é atendido pelo ambulatório há um ano e conta como foi a sua primeira visita. “Eu cheguei perdido, nunca tinha ouvido falar sobre transsexualidade. Quando cheguei, passei pelo psicólogo e ele me perguntou quem eu era, e eu disse que era o Enzo. Ele me perguntou o motivo e eu disse que não sabia”, lembra. Mesmo antes das consultas, Enzo conta que seu pai já sabia que ele não era a Naísa, nome que constava na certidão de nascimento. “Meu pai viajava e sempre que voltava de viagem trazia um presente para mim e outro para o meu irmão. Uma vez ele trouxe uma boneca para


ESPECIAL mim, eu arranquei a cabeça da boneca e fui jogar bola com a ela, depois disso, nunca mais trouxe brinquedos assim”, relembra Enzo. Além da aceitação pessoal e fapacientes como Enzo miliar, costumam ter dificuldades de o apoio de toda a família. Segundo ele, o incentivo do pai foi crucial para a procura por atendimento. “Minha mãe ficou horrorizada quando soube, já meu pai, é meu amigo, meu braço direito, ele me disse: vai lá ver como é, se for isso que você quer, eu estou do seu lado”, lembra. O médico e pesquisador Danilo Borges Paulino estuda a importância do apoio familiar para o adoecimento ou não de pacientes atendidos pelo ambulatório. De acordo com ele, o intuito do acompanhamento é atender ao paciente e seus familiares. “O apoio e a aceitação aos pacientes pela família se difere pela aceitação, na qual ocorre uma tolerância com os usuários. Já com o apoio ao paciente, há um envolvimento dos familiares que vão nas consultas, conversam com a equipe. Aqui, no atendimento ao ambulatório, percebo que as famílias estão acompanhando mais os pacientes”, afirma Paulino. A psicóloga Júnia Rodrigues de Araújo atende no projeto desde 2011 e aponta que o sofrimento apresentado e a maneira como ele é interpretado pelo usuário está relacionada, além da convivência familiar, à sociedade. “O contexto social é produtor de muito sofrimento, no caso do preconceito, da não aceitação do nome social, na falta de oportunidades de trabalho, na impossibilidade de frequentar a escola, de ser reconhecido nas relações familiares e afetivas. As formas que a sociedade lida com a maneira de olhar para o gênero e a sexualidade produzem sofrimento na vida das pessoas”, salienta Júnia Araújo. ORIGEM DO PROJETO O atendimento oferecido no ambulatório Amélio Marques é resulta-

do do cumprimento de uma disciplina curricular obrigatória do currículo antigo do curso de medicina da UFU que se propunha a estudar o campo da saúde coletiva e das Ciências Sociais e Humanas na saúde. Como parte do trabalho, alguns alunos orientados pela professora e antropóloga Flávia Teixeira se dispuseram a pensar sobre as práticas, saberes e comportamentos das travestis que se prostituíam em uma região próxima à UFU Umuarama, objetivando, assim, analisar o que os saberes próprios das travestis interferiam nas práticas de prevenção. No decorrer do processo de conhecimento do que seria estudado, Flávia Teixeira relata um questionamento apresentado pelas travestis aos estudantes: “Elas nos perguntavam o que a gente pretendia fazer, se íamos só perguntar e ir embora para casa, que resposta a Universidade iria dar. A partir disso, nós nos comprometemos, dentro de uma perspectiva ética a dar um retorno para elas”, relembra. Como resultado do desenvolvimento desse projeto, em novembro de 2006 o grupo constatou que as travestis tinham pouco ou nenhum acesso aos serviços de saúde, além da dificuldade de circulação nos próprios espaços da cidade. A partir dessa análise, a equipe do projeto passou a atuar em algumas frentes: levar informação a essas pessoas, na ação de distribuição de materiais nos espaços de prostituição, na discussão sobre violência e no convite para as ações de projetos universitários educacionais. Após esse primeiro contato, em agosto de 2007, houve a proposta de criação do primeiro ambulatório visando atendimento integral para transsexuais e transgêneros. Atendendo atualmente no ambulatório do HC - UFU, o projeto cumpriu com seus objetivos e deu lugar ao Centro de Referência em Atenção Integral para a Saúde Transespecífica.

No momento atual, o ambulatório está em processo de crescimento. “Ele reformula ações de seus programas para trabalhar no combate e tratamento da Aids que continua um grande desafio nesse campo, se atentando para as pesquisas mais atuais, propondo pensar uma ação específica para prevenção, uma adesão ao tratamento para esse grupo e trabalhando no credenciamento para a realização das cirugias”, argumenta Flávia Teixeira. VIVÊNCIAS NO AMBULATÓRIO O estudante do quarto período do curso de medicina da UFU Lineker Fernandes Dias conta que conheceu o ambulatório por meio de sua militância LGBT e foi tocado por um caso específico que ocorreu. “A única endocrinologista que trabalhava no ambulatório na época estava sendo remanejada, então o serviço ficaria desfalcado, o atendimento de toda a população transgênero de Uberlândia deixaria de

acontecer”, relata Lineker. Desde então, o acadêmico matém contato e auxilia no centro. “Esse ambulatório tem um papel social muito grande, principalmente por Uberlândia ser uma cidade do porte que é, com uma população LGBT que é muito expressiva e por ser um ambulatório de referência não só para Uberlândia, mas para Minas Gerais. É um serviço que está conseguindo seu espaço pouco a pouco, com um valor social muito grande em fazer saúde”, diz. Laureane Silva Leal, estudante do terceiro período do curso de medicina faz parte de um grupo de pesquisa que atua no ambulatório. Para ela, o trabalho vai além dos procedimentos médicos oferecidos à população. “Eu creço muito aqui, não só com a parte técnica, porque a gente trabalha muito com endocrinologia, mas também com a parte social e isso está sendo uma experiênica muito rica”, conclui a estudante.

ENZO HENRIQUE E A NAMORADA: APOIO DA FAMÍLIA É ESSENCIAL PARA O TRATAMENTO • FOTO: CLARICE BERNARDES

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EXPERIMENTOS

Robótica na universidade: tecnologia aliada ao aprendizado Alunos dos cursos de engenharia da UFU realizam competições de robôs unindo teoria e prática CLARICE BERNARDES É cada vez mais difícil conseguir unir o interesse dos alunos ao conteúdo apresentado pelos professores em sala de aula, seja ele no âmbito escolar ou universitário. Com o intuito de tornar o aprendizado dos estudantes mais atrativo, professores e membros do Laboratório de Automação, Sistemas Eletrônicos e Controle (Lasec), dos cursos de Engenharia da Universidade Federal de Uberlândia, desenvolvem projetos que unem a robótica à utilização de técnicas aprendidas durante as disciplinas ministradas em sala de aula. Os projetos desenvolvidos pelos alunos vão desde a montagem de labirintos dos quais os robôs devem escapar, sem ter a visão externa do ambiente em que se encontram, até a montagem de robôs que participam de uma luta de sumô. Nessa competição, os robôs fabricados pelos estudantes devem tirar o adversário do campo de prova de maneira autônoma, ou seja, eles não podem ser manipulados pelos competidores. A diversidade de projetos como esses e de técnicas utilizadas em seu desenvolvimento, incentivam a união do estudo aprendido diariamente na universidade à prática exigida nos campeonatos. O professor e coordenador do Lasec, Marcelo Barros, aponta que, além da validação do que é aprendido, a prática aliada ao estudo é outro benefício das competições. Segundo Barros, no projeto os alunos descobrem os problemas, e, muitas vezes, não sabem a teoria por trás dele e isso te volta para o curso com um foco de estudo diferente. “De repente, abre o olho para uma disciplina, faz pesquisar uma coisa que nem faz parte da sua rotina do curso e isso é interessante”, ressalta. Além do incentivo ao estudo, projetos práticos aumentam a curiosidade dos estudantes que têm a experimentação de conteúdos, até então, aprendidos em disciplinas teóricas, colocados em prática na criação de robôs e circuitos. A construção própria desses robôs e a solução de problemas existentes nos campeonatos, auxiliam e encorajam os universitários para o mercado de trabalho, já que situações como essa são comuns

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ROBÔS CRIADOS POR ESTUDANTES DURANTE A SUMOCUP 2017 • FOTO: ACERVO PESSOAL

na rotina da profissão. O professor de Controle e Automação, Josué Morais, relata como a experiência prática oferece maior segurança aos estudantes. “Depois que eles visualizam que são capazes, através desse tipo de competição e abordagem, os resultados são alunos mais motivados, com uma autoestima maior. Aquele aluno que realmente chega no mercado já consciente da sua capacidade e isso facilita na sua inserção no mercado de trabalho”, afirma Morais. A junção do aprendizado educacional à produção universitária consegue fazer do trabalho educacional uma prática benéfica para ambos os lados. Para os alunos, a elaboração de um aparato tecnológico com a utilização de técnicas básicas aprendidas em seu curso e, para os professores, como aponta Morais, um incentivo para buscar novas áreas de atuação. “Isso estimula até nós, professores, por notar que eles

estão desejosos de ver qual é o seu limite, a sua capacidade e procurando cada vez mais conhecimento”, declara. Nas competições, além da parte prática, os graduandos também trabalham o lado lúdico com a criação de robôs que exploram a criatividade e a técnica, e, ainda, a interação com os colegas durante as competições, já que elas normalmente são realizadas em grupo. O aluno do curso de Engenharia de Controle e Automação, Felipe Vieira, conta sobre os aprendizados que adquiriu durante as competições. “Além de colocar em prática o que a gente aprende em sala de aula, as competições trabalham coisas como liderança, trabalho em grupo, interdisciplinaridade e também são importantes para a universidade, porque é uma forma de entretenimento para as pessoas que estão assistindo e para os competidores”, diz Vieira.


EXPERIMENTOS

A patente na UFU: Agência Intelecto atua como núcleo de apoio a pesquisadores da universidade Invenções geradas na instituição recebem suporte de Agência, que promove, desde 2006, atividades que estimulam à inovação e o empreendedorismo na UFU PAOLA BUIATTI de proteger o conhecimento gerado pela comunidade universitária. Em agosto de 2006, o núcleo passou a se chamar Agência Intelecto, um órgão ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, responsável pela gestão da política e do portfólio de propriedade intelectual da universidade, bem como pela promoção, difusão e proteção do conhecimento gerado na UFU, além de estimulação e orientação a valorização e comercialização de novos conhecimentos e transferência da tecnologia protegida para o setor produtivo. Uma das possibilidades da propriedade intelectual, a patente, é uma JULIANO PEREIRA E LETÍCIA GARCEZ, PROFESSOR E ALUNA DA UFU, das que mais tem repercussão, pois CRIADORES DA LINHA TRAPÉZIO, DESENHO INDUSTRIAL CUJA PROTEÇÃO É possui muito valor agregado. “Pode RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA INTELECTO • FOTO: AGÊNCIA INTELECTO ser patenteado qualquer produto que seja novo, que não tenha nada idêntiPatentes, medicamentos, desenhos industriais, co no mercado, que tenha aplicação industrial e marcas, novos produtos, todo o tipo de tecnolo- que tenha empregado nele uma atividade invengia que é criada dentro da UFU pertence à uni- tiva”, esclarece o diretor. Segundo Paluma, a versidade e, por isso, devem ser protegidas por Agência faz a proteção, a gestão desse produto leis. A UFU conta hoje com mais de 140 tecnolo- depois de protegido e a transferência dele para o gias patenteadas, o que significa dizer que estão mercado. “Pode ser de forma gratuita, que é exprotegidas e o produto não pode ser copiado ou cepcional se tiver uma destinação social relevanproduzido por outra empresa. Mais especifica- te ou de forma onerosa”, afirma. Quando a mente, a Agência Intelecto age como um núcleo transferência é feita de forma onerosa, o lucro de apoio para que os pesquisadores da universi- obtido através disso é destinado um terço para a dade possam patentear suas ideias e projetos e, PROPP, um terço para a unidade acadêmica onde dessa forma, serem resguardados pelas leis e re- o pesquisador está atrelado e um terço para os gulamentações sobre propriedade intelectual e pesquisadores. registros. Thiago Paluma, atual diretor da AgênA professora doutora e também pesquisadora cia, explica que propriedade intelectual é uma Ana Graci Brito, conta com algumas tecnologias proteção destinada a alguns bens incorpóreos sob a proteção da Agência e afirma que os pesque podem ser patentes, podem ser direitos au- quisadores que realizam pesquisa com potencial torais, programas de computador, desenhos in- de inovação deveriam resguardá-las. “Nossa insdustriais ou circuitos integrados. tituição dispõe de uma agência de propriedade A UFU criou, em fevereiro de 2005, o Núcleo intelectual com profissionais altamente compede Apoio a Patentes e à Inovação, com o objetivo tentes, orientando amplamente os pesquisadores

da UFU nos processos de proteção”. Ana teve seu primeiro contato com a Agência em 2012, quando realizou o pedido de depósito de patente resultante de trabalhos desenvolvidos pelo seu grupo de pesquisa e declara que o núcleo atua de forma colaborativa e cooperativa. “Os profissionais nos orientam desde a viabilidade do referido pedido de depósito, forma de elaboração, revisão do relatório descritivo de patente, registro e acompanhamento dos processos de proteção junto aos órgãos competentes e também orientação de transferência para o setor produtivo”, conclui a pesquisadora. Além disso, a Agência Intelecto promove, regularmente, atividades de fomento à inovação e ao empreendedorismo e eventos que buscam levar a comunidade de pesquisadores da universidade, estudantes, empreendedores, cientistas e empresários interessados em fazer parcerias, a explorarem as políticas de inovação como instrumento de interação entre o âmbito universitário e mercado, apresentando experiências que surgiram a partir de ligações como essas, além de ponderações sobre os desafios e probabilidades de incorporação de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação no processo produtivo. “Os eventos realizados tem o objetivo de serem informativos, eventos de capacitação. Trazemos pessoas capacitadas para falar sobre temas relacionados ao dia a dia e ao interesse dos pesquisadores da UFU”, afirma o diretor. Com a criação da Agência Intelecto, a UFU está em sintonia com uma política que vem sendo adotada em várias universidades públicas nos últimos anos e que está refletida na chamada Lei da Inovação, em vigor desde dezembro de 2004 e regulamentada em outubro de 2005, potencializando o impacto do ensino, da extensão e da pesquisa em favor da inovação e desenvolvimento. Mais informações sobre a Agência Intelecto no site: www.propp.ufu.br/agencia-intelecto

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ESPORTES

Alunos da UFU competem com a rotina de conciliar a vida no esporte com as salas de aula Na busca por conquistar medalhas e um diploma, os paratletas Mateus Rodrigues e Pedro Paulo Oliveira afirmam faltar tempo para os treinos PEDRO LOBATO nunca foi uma opção. “Existem alguns fatores que não me deixam desistir, como, por exemplo, em 2016 quando eu estava prestes a largar o esporte, mas a Confederação Brasileira do Desporto Universitário e o Comitê Paralímpico Brasileiro decidiram criar os Jogos Paralímpicos Universitários. Me senti motivado a continuar como atleta”, relata Pedro MATEUS RODRIGUES DEIXOU A NATAÇÃO EM 2012 PARA SE DEDICAR À BOCHA • FOTO: Oliveira. Para Mateus, ACERVO PESSOAL que precisou largar a natação em 2012 por A vida acadêmica é um desafio para muitos causa de alergia ao cloro da piscina, a falta da alunos da UFU, principalmente para quem possui competitividade na rotina fez com que ele desse outras responsabilidades fora das salas de aula. uma chance para a Bocha e se envolvesse com a Para Mateus Rodrigues, 25 anos, e Pedro Paulo modalidade. Oliveira, 23 anos, universitários e atletas paralímApesar de tudo, os dois concordam que ser um picos de bocha, a conciliação entre esporte e fa- atleta universitário tem vantagens. Com a criação culdade é um esforço diário. dos Jogos Paralímpicos Universitários, os esporOs estudantes afirmam que manter a rotina tistas contam que recebem apoio da Divisão de não é para qualquer um e que exige muita dedica- Esporte e Lazer Universitário (Diesu) na forma de ção para conseguir manter o rendimento nas duas auxílio transporte e na divulgação do evento. Além áreas. Mateus Rodrigues cursa Física noturno na disso, Pedro Oliveira adianta que esse ano o atleta UFU e treina todos os dias no período da tarde. “A que vencer no atletismo paralímpico dos Jogos falta de tempo é a maior dificuldade. Quando es- Universitários Brasileiro (JUBs) se classificará para tou em período de prova, tento me dedicar mais competir nos jogos Pan-Americanos de 2019. aos estudos e quando vai se aproximando das A relação dos atletas com o esporte começou competições foco mais nos treinos”, diz o atleta. muito antes da vida universitária, como no caso Já Pedro Oliveira escolheu o curso de Fisiote- do Mateus, que praticava natação desde criança rapia sabendo que não seria nada fácil compare- devido à deficiência que afeta as articulações das cer aos treinos, pois as aulas acontecem no pernas, braços e coluna. Foi a partir dos 14 anos período da manhã e da tarde. No início do curso, que ele começou a competir nas piscinas e cono esportista conta que praticava natação e que os seguiu a classificação na categoria S1, que é a treinos exigiam muita dedicação, mas, para con- classe com maior grau de comprometimento físiseguir realizar a vontade de estudar, decidiu abrir co da natação. “Por mais que eu treinasse e memão dos treinos diários e passou a se dedicar ao lhorasse, eu nunca chegaria a realmente ser esporte duas vezes por semana. competitivo. Então, quando desenvolvi alergia ao Mesmo com a dificuldade em conciliar o es- cloro optei por parar com o esporte”, relata Maporte com a vida acadêmica, desistir de competir teus, que parou de nadar em 2012.

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Porém, o atleta conta que não conseguia ficar sem competir. “Era algo essencial para mim. Eu não podia parar. Foi aí que alguns amigos me indicaram a bocha, me apaixonei e desde então não parei mais”, diz o estudante. A persistência resultou em mais de 30 medalhas somadas na bocha e na natação, mas para ele não é suficiente. “Daqui um ano, espero finalizar o curso, ser bicampeão brasileiro e integrar a seleção brasileira de bocha”, sonha. A curiosidade pelo esporte foi o principal incentivo para Pedro Oliveira, mesmo tendo limitações nas pernas e braços causados por sequelas de um AVC que aconteceu quando ele tinha seis meses de idade. Ainda criança ele praticou diversas modalidades como kung-fu, karatê e basquete, mas a vida profissional como atleta começou em 2009, na equipe paralímpica de natação do Uberlândia Tênis Clube (UTC). Foram diversas competições em várias cidades, garantindo dois prêmios como melhor atleta paralímpico em uma competição de natação, além das mais de 55 medalhas já conquistadas na natação e no karatê. Essa trajetória foi o suficiente para Pedro ser escolhido como uma das pessoas selecionadas para conduzir a tocha olímpica em Uberlândia em 2016.

O QUE É A BOCHA? A competição consiste em lançar as bolas coloridas o mais perto possível de uma branca (jack ou bolim). Os atletas ficam sentados em cadeiras de rodas e limitados a um espaço demarcado para fazer os arremessos. É permitido usar as mãos, os pés e instrumentos de auxílio, e contar com ajudantes (calheiros), no caso dos atletas com maior comprometimento dos membros. É um dos esportes em que homens e mulheres competem juntos e é praticada por atletas com elevado grau de paralisia cerebral ou deficiências severas. Fonte: CBDU


CULTURA

Sarau Sons Poéticos dá novos sentidos à Biblioteca A atividade cultural acontece uma vez por mês na Biblioteca Central da UFU Santa Mônica TALITA FARIA

MÚSICA, DANÇA, PERFORMANCES, POEMAS: SARAU NA BIBLIOTECA POSSIBILITA MOMENTOS DE LAZER ATRAVÉS DA ARTE • FOTO: DIVULGAÇÃO

Há qualquer coisa de poético nas bibliotecas. Ali repousam os pensamentos contidos em milhares de livros que acumulam um conhecimento construído ao longo do tempo. Depois da internet, entretanto, há que se tomar cuidado para que esses espaços não caiam no esquecimento das novas gerações desacostumadas ao silencioso e contemplativo ato da leitura de livros. Tomando o próprio conhecimento como algo dinâmico, que se aproveita do passado para construir o presente, Valéria Resende Texeira idealizou e coordena o projeto "Sarau Sons Poéticos", que acontece uma vez por mês na Biblioteca do Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia. É um convite para que o espaço seja utilizado também de maneira criativa por

estudantes e pessoas da comunidade. Para Valéria, a formação de poetas vai além da sala de aula e da formação acadêmica. Ela afirma que a Biblioteca é um elo de conhecimento, atuando como agente cultural. “Este projeto visa o incentivo à leitura e à divulgação de produções de escritores, músicos, bailarinos, artistas em geral", afirmou. Gustavo Cardoso, aluno do curso de Jornalismo, já participou do evento recitando poemas de seus poetas preferidos. Ele afirma que o evento é uma excelente opção de acesso à cultura e ao lazer em Uberlândia por aproximar o público dos artistas locais, já que as apresentações incluem artistas conceituados da cidade. Além da leitura de poemas, os Saraus promo-

vem apresentações de músicos, artistas visuais, performances de dança e teatro, e, exposição de pinturas, se configurando em um momento de convergência de artes, como se trouxesse para o "mundo real" a ideia de convergência de mídias do "mundo virtual”. Para a coordenadora do projeto, é importante estimular o desenvolvimento do potencial criativo das pessoas que participam do Sarau, sejam elas, da comunidade externa ou interna da UFU, despertando a contemplação da beleza das Artes. O evento “Sarau Sons Poéticos” é realizado todos os meses no hall da biblioteca do campus Santa Mônica. Para conferir suas atrações mensais, acesse a página https://www.facebook.com /sarausonspoeticos/

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DIVERSIDADE

Dia Internacional do Combate à Homofobia e Transfobia TALITA FARIA Em 1990, no dia 17 de maio, a homossexualidade deixou de fazer parte da Classificação Estatística Internacional de Doenças e problemas relacionados com a Saúde (CID). Por esse motivo, o dia 17 de maio vem sendo comemorado como o Dia Internacional do Combate à Transfobia em países do mundo inteiro.

No Brasil, a data foi reconhecida em 4 de junho de 2010 por meio de um Decreto, e, desde então, o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) realiza uma série de atividades e eventos em todo o país com o intuito de combater preconceitos e promover mais respeito à diversidade sexual.

A visibilidade e o debate sobre a homofobia e a transfobia, dentro e fora do contexto universitário, são importantes ferramentas para combater a violência contra pessoas LGBT que ainda lutam pelo direito de demonstrar afeto em espaços públicos.

TOPA BEIJAR PARA A CÂMERA?

CARMEM APARECIDA E THAÍS CRISTINA (EX-ADMINISTRAÇÃO) NA BIBLIOTECA DO SANTA MÔNICA - "QUATRO MESES DE COMPANHEIRISMO!"

AMANDA COSTA (BIOLOGIA) E GUSTAVO ARAÚJO (CONTABILIDADE) - "NÃO É PRECISO ESTAR NAMORANDO PARA DEMONSTRAR AFETO!"

LAÍS HELENA CAIXETA (QUÍMICA) E KAKÁ SANTOS (RELAÇÕES INTERNACIONAIS) - "MORAMOS JUNTAS!"

INTERVENÇÃO NAS ESCADAS DA UFU NO MAIO DA DIVERSIDADE • FOTOS: TALITA FARIA


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Senso Incomum 039 - abril/maio 2108 by Jornalismo UFU - Issuu